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Saque e Voleio

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Djokovic sobrevive a 'apagão' e despacha Shapovalov em quatro sets

Alexandre Cossenza

19/01/2019 05h22

Durante dois sets e meio, parecia uma vitória rotineira de Novak Djokovic. O experiente sérvio fez uma partida inteligente, administrando riscos e vendo seu adversário, o jovem Denis Shapovalov, de 19 anos e #27 do mundo, cometer muitos erros com um plano de jogo ousado. No que parecia a reta final, contudo, o número 1 do mundo desandou a errar, perdeu um set quase ganho e precisou ficar em quadra alguns minutos a mais. No fim, valeu a atitude do veterano, que sobreviveu ao apagão, se recompôs e fez 6/3, 6/4, 4/6 e 6/0 para avançar às oitavas de final do torneio.

Nole terminou o duelo somando 16 winners e 33 erros não forçados, enquanto Shapovalov, embora tenha anotado mais bolas vencedoras (21), terminou os três sets com impressionantes 57 falhas não forçadas – demais para quem entrou em quadra com a pretensão de desbancar o número 1 do mundo.

Como aconteceu

Consciente da regularidade de Djokovic e do altíssimo nível mostrado pelo número 1 do mundo na rodada anterior, contra Jo-Wilfried Tsonga, o canadense resolveu arriscar sempre que possível. A ideia era agredir e colocar Nole sempre na defensiva. O problema é que Shapovalov não entrou em quadra afiado o bastante para executar um plano de jogo tão arriscado. Cometeu quatro erros não forçados no terceiro game e perdeu o game de serviço. Falhou em mais um punhado de bolas no quinto game e foi quebrado novamente. O adolescente pareceu iniciar uma reação quando forçou erros do #1 e conseguiu uma quebra no sexto game, mas voltou a cometer erros no nono game e viu Nole quebrar e fazer 6/3.

Os 19 erros não forcados de Shapovalov no primeiro set fizeram o canadense arriscar menos no segundo set. A ideia funcionou, e o adolescente foi confirmando seu serviço. Mesmo sem ameaçar o saque de Nole, era uma maneira de manter o placar equilibrado e decidir a parcial em alguns pontos, fosse esperando erros do rival – que não vinham – fosse no tie-break. Não deu. No décimo game, sacando em 4/5, Shapovalov sentiu o momento, voltou a errar e perdeu o saque, selando a parcial em 6/4.

O terceiro set não foi tão diferente assim. Shapovalov começou errando muito e perdeu o saque logo no segundo game. Pouco depois, Djokovic já abria 4/1. Parecia a reta final da partida, mas foi aí que o sérvio viveu seu primeiro momento de instabilidade no dia. No sétimo game, depois de abrir 40/15, cometeu seguidos erros e perdeu o serviço. Virou drama. Sacando em 4/4, Nole fez uma dupla falta em um break point. Em seguida, Shapovalov salvou um break point, mas fechou o set: 6/4.

Djokovic mostrava-se irritado com os erros e a chance desperdiçada para sair de quadra mais cedo. Mesmo assim, não deixou os nervos afetarem o resto de seu jogo. Abriu o quarto set concentrado, mais agressivo e errando pouco. Parecia disposto a não dar mais nenhum game ao canadense. Logo, abriu um, dois, três, 4/0, com duas quebras de saque. Com uma dupla falta de Shapovalov no match point, Djokovic encheu o 'pneu' e carimbou sua passagem para a próxima fase.

O bom momento de Medvedev

Nas oitavas, Djokovic vai enfrentar Daniil Medvedev, que avançou ao superar o belga David Goffin por 6/2, 7/6(3) e 6/3. O russo de 22 anos, atual #19 do mundo, faz um ótimo começo de temporada. No ATP 250 de Brisbane, ele superou, em sequência, Andy Murray, Milos Raonic e Jo-Wilfried Tsonga para alcançar a final – perdeu em três sets para Kei Nishikori. Agora, em Melbourne, será sua primeira vez nas oitavas de um slam.

Djokovic e Medvedev já duelaram duas vezes em torneios oficiais. O primeiro encontro valeu pela Copa Davis de 2017. O duelo foi realizado na Sérvia, e Nole vencia por 2 sets a 1 quando Medvedev abandonou. Mais tarde, na grama do ATP 250 de Eastbourne, Djokovic fez duplo 6/4 nas semifinais.

Sobre o autor

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais.
Contato: ac@cossenza.org

Sobre o blog

Se é sobre tênis, aparece aqui. Entrevistas, análises, curiosidades, crônicas e críticas. Às vezes fiscal, às vezes corneta, dependendo do dia, do assunto e de quem lê. Sempre crítico e autêntico, doa a quem doer.