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Saque e Voleio

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Bia erra demais e tomba diante Kerber na segunda rodada em Melbourne

Alexandre Cossenza

2016-01-20T19:07:36

16/01/2019 07h36

Não foi uma grande noite para Bia Haddad Maia em Melbourne. Jogando na Rod Laver Arena, a quadra principal do Australian Open, a número 1 do Brasil e #195 do mundo cometeu muitos erros, especialmente no primeiro set, e acabou se despedindo diante de uma sólida Angelique Kerber, vice-líder do ranking. A alemã contou com 38 falhas não forçadas da brasileira e fez 6/2 e 6/3 para avançar à terceira rodada.

Campeã do torneio em 2016, Kerber é uma das mais cotadas também este ano. Na próxima rodada, ela vai encarar a convidada australiana Kimberly Birrell, 20 anos, #240 do mundo, que vem surpreendendo e, nesta quarta, eliminou Donna Vekic, cabeça de chave 29, por 6/4, 4/6 e 6/1.

Como aconteceu

Com poucos minutos de partida, a dinâmica do jogo já era clara. Kerber apostava em ralis, enquanto Bia tentava comandar os pontos e buscar bolas vencedoras. A solidez da número 2 do mundo exigia riscos, e a brasileira não mostrava a precisão necessária. Após dois games e 22 pontos jogados, Bia já acumulava 12 erros não forçados e Kerber liderava por 2/0.

Aos poucos, a paulista de 22 anos foi conseguindo deslocar a favorita e vencer mais pontos. Kerber ainda exigia um bocado, e Bia seguia somando erros não forçados. A duras penas, a brasileira conseguiu confirmar seus serviços no quarto e no sexto games, mas não teve sucesso nos games de devolução. A alemã confirmou sem sustos e se aproveitou de outro game ruim da brasileira para fazer 6/2.

A brasileira terminou o primeiro set com 29 erros não forçados e, mesmo assim, teve algumas chances. Perdeu dois game points no segundo game, quando seria importante não dar uma vantagem cedo à adversária. No terceiro game da segunda parcial, uma janelinha se abriu e Bia teve seu primeiro break point, mas desperdiçou com um erro não forçado de forehand.

O segundo set, aliás, foi muito mais equilibrado. Bia passou a errar menos e, consequentemente, foi confirmando ser serviço com mais facilidade. Até o sexto game, não havia cedido break points. No oitavo, porém, um erro não forçado e uma curtinha ruim deram a Kerber sua primeira chance de quebra na parcial. A #2 do mundo converteu graças a outro erro não forçado de forehand da brasileira. A vantagem mínima foi só o que Kerber precisou.

Coisas que eu acho que acho:

– Os muitos erros da brasileira no começo do jogo deixaram Kerber bastante à vontade para jogar seu tênis sem precisar atacar demais ou correr riscos. A segunda parcial foi muito melhor para a brasileira, mas o break point desperdiçado com um erro não forçado, sem exigir muito da oponente, foi uma grande chance perdida. Era o momento para tomar a vantagem e, quem sabe, mudar a história do jogo.

– Confrontos contra adversárias do nível de Kerber deixam muito evidentes as dificuldades de qualquer tenista. Não é diferente para Bia. Ficou claro o quanto ela tinha problemas para se defender sempre que Kerber usava um pouco mais de ângulo. O backhand também acusou o golpe. Bia segurou bem a onda e comandou pontos com o forehand, mas o backhand se mostrou vulnerável.

– Mesmo com tudo citado acima, a história poderia ter sido outra se Bia tivesse conseguido pressionar o segundo saque de Kerber, que anda pouco (média de 126 km/h na partida). Só que Bia venceu apenas cinco dos 18 pontos jogados com o segundo serviço de Kerber. É muito pouco para quem tem potencial para chegar à elite do tênis (a brasileira, lembremos, foi #58 do mundo em 2017).

Sobre o autor

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais.
Contato: ac@cossenza.org

Sobre o blog

Se é sobre tênis, aparece aqui. Entrevistas, análises, curiosidades, crônicas e críticas. Às vezes fiscal, às vezes corneta, dependendo do dia, do assunto e de quem lê. Sempre crítico e autêntico, doa a quem doer.