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Saque e Voleio

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A derrota mais doída de Andy Murray

Alexandre Cossenza

11/01/2019 00h39

Tudo apontava para essa direção. A primeira evidência foi a entrevista de Andy Murray em Brisbane. O britânico foi às lágrimas após derrotar James Duckworth na primeira rodada do torneio. Lembrou do período difícil que passou desde que as dores no quadril começaram. Disse que não sabia até quando conseguiria seguir jogando e que gostaria de curtir o tempo que lhe restava com todas as forças. E chorou.

Na mesma semana, o cirurgião que realizou a operação no quadril de Murray falou sobre a gravidade da lesão. Revelou que era impossível restaurar 100% a região e que o tenista ainda tinha problemas. Afirmou que era difícil prever o que seria do resto da carreira do escocês, mas deixou claro que o panorama não era bom. "Ele faz coisas que estão além do que eu normalmente entenderia. É difícil saber o quão longe ele pode ir porque se depender de vontade, ele certamente irá bem, mas ele tem muitos desafios para superar."

Quando Murray perdeu na segunda rodada em Brisbane, falou que ainda sentia dores. Quem o viu de perto garantiu que o ex-número 1 do mundo e bicampeão olímpico – em simples – estava longe de seu nível normal. O fim parecia próximo. E agora é oficial. Em coletiva nesta sexta em Melbourne, o escocês revelou que vai se aposentar este ano, fazendo seu último torneio em Wimbledon. Murray disse, inclusive, que pode não aguentar competir por mais quatro ou cinco meses. É grave assim a situação de seu quadril.

"Eu vou jogar [o Australian Open]. Eu ainda posso jogar em um certo nível. Não é um nível em que me sinto feliz jogando… E não é só isso. A dor é demais. Não quero continuar jogando assim. Tentei tudo que podia e não deu certo."

Ao longo de uma carreira brilhante, Murray perdeu oito finais de slam, outras dez semifinais. Quase sempre para Novak Djokovic, Rafael Nadal e Roger Federer. Derrotas que machucaram. Nenhuma, no entanto, doeu como esse revés para seu quadril. E se você, leitor, tem dúvida disso, assista à entrevista acima. Murray entra na sala, senta e não consegue responder. Sai, dá um tempo e volta para, enfim, conversar com os jornalistas.

Este não é um texto de aposentadoria. Não vou aqui resumir os vários feitos de Murray, o patinho feio do Big Four. Deixarei para "gastar" suas muitas qualidades (e minhas lágrimas) após sua última partida oficial. Até lá, um pedido: aproveitemos cada minuto do fim da carreira do ex-número 1. Murray deixará o tênis profissional, mas também deixará muitos exemplos. E vai cruzar a linha de chegada como fez em toda a carreira: como um lutador.

Sobre o autor

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais.
Contato: ac@cossenza.org

Sobre o blog

Se é sobre tênis, aparece aqui. Entrevistas, análises, curiosidades, crônicas e críticas. Às vezes fiscal, às vezes corneta, dependendo do dia, do assunto e de quem lê. Sempre crítico e autêntico, doa a quem doer.