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Saque e Voleio

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Roger Federer e Angelique Kerber: até agora, impecáveis

Alexandre Cossenza

2006-01-20T19:05:00

06/01/2019 05h00

Desde que se ausentou do circuito por seis meses por causa de um problema de joelho, em 2016, Roger Federer encontrou na Copa Hopman o ambiente perfeito para seu início de temporada. É fácil entender por quê. Trata-se de um torneio oficial, mas com clima de exibição e que garante ao suíço, ganhe ou perca, pelo menos três partidas de simples e duplas mistas. Os adversários são de ótimo nível, a quadra em Perth está sempre lotada para vê-lo e resta tempo de sobra para relaxar, conhecer a região e cumprir a agenda de promover o estado de Western Australia, fazendo valer seu cachê.

É difícil questionar a opção do suíço. Em 2017 e 2018, depois de jogar a Hopman, Federer conquistou o título do Australian Open. Agora, em 2019, ele e Belinda Bencic levantaram o troféu em Perth outra vez e se houve uma certeza no time suíço é que Federer está jogando um tênis leve, gostoso de ver e com o saque calibrado. A campanha na Hopman incluiu vitórias sobre Norrie (6/1 e 6/1), Tiafoe (6/4 e 6/1), Tsitsipas (7/6[5] e 7/6[4]) e Zverev (6/4 e 6/2). Todas vieram por sets diretos.

E não é só isso. Somando os oito sets disputados, Federer cedeu apenas cinco break points. Todos eles vieram na primeira parcial contra Norrie (três logo no primeiro game), a partida de estreia. Depois disso, ninguém conseguiu muito no saque do suíço. Não é exagero dizer que seu nível foi aumentando ao longo da competição (também à medida em que a exigência foi maior). Na final, Zverev venceu apenas dois pontos de devolução no primeiro set.

Isso tudo coloca Federer como sério candidato mais uma vez em Melbourne. Se não é o favorito das casas de apostas (Djokovic lidera), o atual campeão tem no torneio australiano elementos que devem jogar a seu favor. Um deles, que pode pesar um bocado, é o fato de quase nunca jogar na sessão diurna, quando o calor faz estrago. Com Federer em forma e jogando à noite, é justo esperar algo especial do suíço este mês.

Entre as mulheres, o grande destaque da Hopman foi Angelique Kerber, atual número 2 do mundo e campeã de Wimbledon (e dona de três títulos de slam, não esqueçamos). A alemã, assim como Federer, repete o plano do ano passado, quando venceu todos seus jogos de simples e chegou voando em Melbourne – só perdeu naquela semifinal para Halep, que foi o melhor jogo feminino de 2018.

Pois bem. Em 2019, Kerber sai novamente invicta de Perth. Superou Garbiñe Muguruza (6/2,3/6 e 6/3), Alizé Cornet (5/7, 6/2 e 6/4), Ashleigh Barty (6/4 e 6/4) e Belinda Bencic (6/4 e 7/6[6]). Um rol respeitável de oponentes. No caminho, Kerber ainda quase deu o título da Hopman à Alemanha. Talvez tivesse sido diferente não fossem as "intervenções" de Alexander Zverev na partida de duplas mistas. Como se fosse um grande voleador, o garotão entrou tanto em bolas da parceira que parecia estar atuando ao lado de uma juvenil. Não precisava e não deveria (mas isso já é tema para outro post).

O ponto aqui é que Kerber sai de Perth mais uma vez cotadíssima para brigar pelo título em Melbourne. Talvez não com o mesmo destaque que Federer merece entre os homens, mas também porque o circuito feminino de hoje é mais equilibrado, com uma dúzia de nomes que, na semana certa, podem levantar o troféu. De qualquer modo, a alemã é hoje a terceira na lista das casas de apostas. Fica atrás apenas de Serena Williams – sempre ela – e Naomi Osaka, campeã do US Open.

O que ajuda Kerber na Austrália? Ela mesmo disse em uma das entrevistas desta semana: "Gosto de partidas físicas, e se você vem à Austrália você precisa realmente estar em forma. Com o clima, as condições, é muito quente e úmido e você precisa estar preparado." A alemã deu essa resposta quando abordada sobre o tie-break que o Australian Open vai adotar nos sets decisivos. Kerber sugeriu que as partidas menos longas tiram um pouco de sua vantagem, mas não disse isso com todas as letras. Apenas falou que "não tenho ideia se gosto ou não [da nova regra]. Vamos ver."

Coisas que eu acho que acho:

– Há muita coisa a comentar sobre a primeira semana. Obviamente, Serena Williams ainda é "o" nome na chave feminina. Em Perth, venceu seus três jogos. Teria sido interessante ver um duelo com Kerber (uma repetição da última final de Wimbledon), mas Frances Tiafoe, a metade masculina do time americano na Hopman, não ajudou.

– Em Shenzhen, Aryna Sabalenka fez valer seu posto de cabeça 1 e conquistou o título. A bielorrussa, que vem se mostrando cada vez mais sólida, é outro nome a ser observado em Melbourne. Ela, aliás, dominava o duelo com Sharapova quando a russa abandonou por causa de uma lesão na perna. Vale destacar também que Vera Zvonareva – sim, aquela – ganhou um wild card e só parou nas semifinais.

– Em Auckland, Julia Goerges fez um belo torneio, mas quem roubou a cena foi a canadense Bianca Andreescu, que saiu do quali e fez estrago, derrubando Wozniacki, Venus e Hsieh (escrevo antes da final). Outra canadense que deu sinais positivos foi Genie Bouchard, que avançou até as quartas e só foi eliminada no tie-break do terceiro set por Goerges.

Sobre o autor

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais.
Contato: ac@cossenza.org

Sobre o blog

Se é sobre tênis, aparece aqui. Entrevistas, análises, curiosidades, crônicas e críticas. Às vezes fiscal, às vezes corneta, dependendo do dia, do assunto e de quem lê. Sempre crítico e autêntico, doa a quem doer.