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Saque e Voleio

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Nadal em 2018: três lesões, poucos torneios e melhor aproveitamento da vida

Alexandre Cossenza

06/11/2018 09h29

Uma lesão na perna durante as quartas de final do Australian Open. Outra, no joelho, nas semifinais do US Open. Por fim, um problema abdominal antes dos últimos torneios do ano. Rafael Nadal, 32 anos, já teve lesões mais frequentes e mais sérias, mas nunca jogou tão poucos torneios em uma só temporada. Em 2018, foram apenas nove. Ainda assim, ao anunciar sua desistência do ATP Finals e uma cirurgia no tornozelo, o espanhol o fez como número 2 do mundo e dono do melhor aproveitamento de pontos-por-torneio de toda sua vida.

Com 7.480 pontos, Rafa conquistou, em média, 831 pontos por torneio. Algo raríssimo e que só foi possível porque fez boas campanhas nos quatro slams e jogou poucos eventos com pontuação pequena (apenas um ATP 500, nenhum ATP 250). Em 2013, na melhor temporada de sua carreira em números absolutos, Nadal acumulou 13.030 pontos em 17 eventos, com uma média de 766 pontos por torneio (a Copa Davis não foi levada em conta no cálculo).

Mais do que pontos, Rafa Nadal mostrou excelente nível de tênis quase sempre que entrou em quadra. Foi campeão de cinco dos nove torneios que disputou (Monte Carlo, Barcelona, Roma, Roland Garros e Toronto). Nas quatro derrotas que sofreu, sofreu lesões em duas partidas. Fora isso, foi superado em Madri por Dominic Thiem e Wimbledon por Novak Djokovic, que acabou conquistando o título do torneio. Nada mau, não?

No caminho, fez algumas das partidas mais emocionantes do tênis masculino em 2018. A vitória por 6/4 no quinto set sobre Juan Martín del Potro foi memorável. Alguns dias depois, viveu o lado oposto ao sofrer doída derrota por 10/8 no quinto set para Djokovic. Para mim, a melhor partida masculina do ano. No US Open, mais dois duelos incríveis. Um contra Khachanov, vencido em quatro sets na terceira rodada, e outro contra Dominic Thiem, que só foi decidido no coito interrompido chamado tie-break de quinto set.

Não ver Nadal em Paris e Londres não deixa de ser uma decepção. Ele mesmo se dizia recuperado do problema no joelho sofrido em Nova York e ansioso para terminar bem a temporada. Resta, agora, aguardar para ver como será a versão 2019 do espanhol. Será que ele vem para ameaçar o novo domínio de Djokovic? Será?

Coisas que eu acho que acho:

– O jornalista espanhol José Morón fez as contas de o quanto as lesões custaram a Nadal em toda a carreira. No total, Rafa foi prejudicado em 15 slams (deixou de jogar nove e estava machucado ou se lesionou durante outros seis) e sete ATP Finals, entre outros eventos. Veja no link abaixo.

– Nadal ainda pode terminar 2018 como #3 do mundo. Roger Federer irá ultrapassá-lo se for campeão invicto no ATP Finals.

– Importante ressaltar: o problema no tornozelo não era grave. Não foi o que tirou Nadal de Londres. O espanhol apenas aproveitou que não disputaria o ATP Finals – por causa do abdômen – para passar pela cirurgia. A intervenção poderia ter sido feita mais tarde, sem comprometer o torneio.

– Minha ideia este ano é fazer um post resumindo a temporada de cada um dos principais tenistas do ano. Começo por Rafael Nadal porque é o primeiro deles e encerrar oficialmente a temporada.

Sobre o autor

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais.
Contato: ac@cossenza.org

Sobre o blog

Se é sobre tênis, aparece aqui. Entrevistas, análises, curiosidades, crônicas e críticas. Às vezes fiscal, às vezes corneta, dependendo do dia, do assunto e de quem lê. Sempre crítico e autêntico, doa a quem doer.