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Elina Svitolina e a questão do peso que se foi (em mais de uma maneira)

Alexandre Cossenza

30/10/2018 05h00

Elina Svitolina faz parte do top 10 da WTA desde o começo de 2017, quando foi campeã em Dubai, onde bateu a então número 1, Angelique Kerber. De lá para cá, a ucraniana teve belos resultados e viu seu nome justamente incluído entre as favoritas nos slams. Mas para cada ótima campanha em um Premier, Svitolina teve uma decepção em um slam. Faltava um título ainda maior, do tamanho que seu jogo indicava ser possível.

Faltava. Embora não seja um slam, o WTA Finals é próximo passo para quem, como a ucraniana, tem no currículo títulos como os de Roma, Toronto e Dubai. E a conquista em Singapura veio de forma invicta e inquestionável, com triunfos sobre Petra Kvitova, Karolina Pliskova, Caroline Wozniacki, Kiki Bertens e Sloane Stephens. Jogo após jogo, Svitolina encontrou um belíssimo tênis nos momentos mais importantes – quatro das cinco partidas foram decididas em três sets – e levantou um troféu que vai tirar um peso enorme de seus ombros. E "peso" é uma palavra que tem importância especial para ela este ano.

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As fotos com o troféu, os 1.500 pontos e o prêmio em dinheiro de US$ 2,36 milhões contam apenas parte da história. Além dos resultados abaixo do esperado nos maiores torneios do circuito, Svitolina teve de aprender a jogar com seu novo corpo – emagreceu muito durante esta temporada – e a lidar com as críticas que apareceram nas redes sociais durante a perda de peso. Ataques que se juntaram às derrotas doídas sofridas nos quatro maiores torneios do circuito.

A série de decepções tem seu começo em Roland Garros, ainda no ano passado. Svitolina foi campeã em Roma, onde bateu Pliskova, Muguruza e Halep em sequência. No entanto, em Paris, caiu nas quartas, eliminada por Halep. A decepção não é tanto pelo revés (nada absurdo perder para Halep no saibro), mas pela maneira. Svitolina teve 6/3 e 5/1 antes de tombar por 3/6, 7/6(6) e 6/0. Halep salvou um match point e venceu 12 dos últimos 13 games jogados. Mais tarde, a ucraniana, campeã em Toronto, chegou bem cotada ao US Open. Acabou eliminada nas oitavas por Madison Keys depois de desperdiçar uma vantagem de 4/2 no terceiro set (Keys fez 6/4).

Em 2018, Svitolina foi campeã em Brisbane e tinha uma boa chance de alcançar a semi no Australian Open. Nas quartas, tombou diante de Elise Mertens, que fez 6/4 e 6/0. Em Roland Garros, outra decepção. A ucraniana foi campeã novamente em Roma (de novo, superando Halep na final), mas, em Paris, perdeu para Mihaela Buzarnescu na terceira rodada por 6/3 e 7/5 – Svitolina sacou para o segundo set e teve set point, mas foi quebrada.

Derrotas duras para qualquer pessoa. Mais duras ainda para quem tinha seu peso questionado nas redes sociais e dispensou dois treinadores (Thierry Ascione e Nick Saviano) em cerca de dois meses. Ela sentiu o baque. "Eu parei com meu técnico, Thierry, e não foi fácil. Com tudo que acontecia nas redes sociais, com as opiniões sobre meu físico, não foi fácil." Sobre a perda de peso, Svitolina disse que foi uma experiência e que seu "antigo" corpo não lhe permitia jogar seu estilo de tênis. Em setembro, admitiu que precisava ficar mais forte porque "houve uma mudança no meu corpo."

De fato, Svitolina chegou mais forte e não tão magra a Singapura. Começou bem a semana, batendo Kvitova e Pliskova. Mesmo assim, havia o fantasma das decepções e, por um momento, parecia que mais uma estava prestes a acontecer. Na última rodada da fase de grupos, uma derrota para Caroline Wozniacki deixaria Elina fora das semifinais. A dinamarquesa venceu o primeiro set e teve uma quebra de frente no segundo set. E foi aí que a história mudou. Svitolina devolveu a quebra, equilibrou o jogo e venceu o segundo set por 7/5, garantindo sua vaga na semi.

Depois, contra Bertens e Stephens, duas belas atuações contra rivais que deram trabalho. Desta vez, entretanto, Svitolina não fraquejou. Fez 6/4 no terceiro set contra a holandesa e 6/2 na parcial decisiva contra a americana. Jogou um grande tênis quando mais precisou. Tirou o peso dos ombros e, agora, tem tudo para chegar mais leve e mais perigosa ainda nos slams.

Coisas que eu acho que acho:

– Depois de ser eliminada no Finals, Caroline Wozniacki disse na entrevista coletiva que vem sofrendo com artrite reumatoide, que é uma doença inflamatória crônica. Ela contou que foi diagnosticada antes do US Open e vem se medicando e aprendendo a lidar com a situação. A ex-número 1 também revelou que, durante o verão americano, houve um dia em que acordou sem conseguir levantar os braços acima da cabeça.

– Havia final mais imprevisível do que Stephens x Svitolina para este WTA Finals? A americana, vale lembrar, nunca fez uma temporada asiática digna de seu talento. Este ano, chegou a Singapura vindo de derrotas na primeira rodada em Tóquio, Moscou e Wuhan, além de uma eliminação nas oitavas em Pequim. Nada indicava que ela iria tão longe no último torneio do ano. Svitolina, não custa lembrar, perdeu na estreia em Wuhan e Pequim. Em Hong Kong, caiu nas quartas diante de Qiang Wang.

Sobre o autor

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais.
Contato: ac@cossenza.org

Sobre o blog

Se é sobre tênis, aparece aqui. Entrevistas, análises, curiosidades, crônicas e críticas. Às vezes fiscal, às vezes corneta, dependendo do dia, do assunto e de quem lê. Sempre crítico e autêntico, doa a quem doer.