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Saque e Voleio

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Por que 2018 termina como um ótimo ano para o Brasil na Copa Davis

Alexandre Cossenza

26/09/2018 14h40

O começo da temporada foi dos mais amargos da história recente do tênis brasileiro. Depois de sofrer para derrotar a fraquíssima República Dominicana, o time do capitão João Zwetsch tombou diante de uma Colômbia nada forte. Só que o Brasil encerra 2018 só com boas notícias na Copa Davis e uma perspectiva muito melhor do que a que se mostrava após a derrota em Barranquilla.

A primeira boa notícia (pelo menos nisso!) foi a aprovação do novo formato da Copa Davis. Com as mudanças de regulamento e chaveamento, o Brasil foi "resgatado" para o Qualificatório de 2019 e, se vencer o confronto de fevereiro, vai disputar a final da Davis em novembro, em Madri, junto com a elite do tênis mundial – algo impossível no formato antigo, onde a Brasil continuaria no Zonal das Américas (segunda divisão) e, no máximo, conseguiria uma classificação para voltar à elite em 2020. Em um texto de setembro, o jornalista Rubens Lisboa, ex-assessor de imprensa da CBT, explicou como isso foi possível.

A segunda boa notícia veio nesta quarta-feira, com a realização do sorteio do Qualificatório. O Brasil vai enfrentar a Bélgica em casa, o que passa longe de ser o pior cenário possível. O time do ainda capitão Zwetsch poderia precisar jogar fora de casa contra Canadá, Suécia, Cazaquistão, Grã-Bretanha e Sérvia (no caso de confronto contra os três últimos, um sorteio definiria a sede dos jogos). O Brasil também poderia enfrentar em casa Áustria, Argentina, Itália, Japão, Alemanha e República Tcheca. A Bélgica, no fim das contas, foi um bom sorteio.

O que joga a favor

Ninguém aqui está dizendo que jogar contra a Bélgica é garantia de vitória, muito menos num momento em que nenhum tenista brasileiro vive momento espetacular. Thiago Monteiro é o #111 do mundo, Rogerinho é #150, Guilherme Clezar é #209 e Thomaz Bellucci é #266. Thiago Wild (#457) e Orlandinho (#389) vêm subindo, mas ainda precisam de experiência nesse nível de competição. Não dá para cobrar que um deles entre numa Davis e faça a diferença num confronto (aqui, cabe o velho "possível mas não tão provável", pelo menos por enquanto).

Entretanto, a Bélgica é uma equipe com apenas um grande simplista: David Goffin, atual #11 do mundo e principal responsável por levar seu país a duas finais de Copa Davis. Ruben Bemelmans é o #114, Kimmer Coppejans é #208, Arthur de Greef é #250 e o experiente Steve Darcis é #315. Uma vitória brasileira passa por derrotar o #2 belga, quem quer que seja, e contar com um triunfo nas duplas, o ponto mais forte do país. Está longe de ser a tarefa mais complicada da história, ainda mais jogando em casa, escolhendo as condições de jogo. É preciso que Zwetsch e a CBT façam o dever de casa.

Também conta a favor a data do confronto, marcado para os dias 1º e 2 de fevereiro. É a semana seguinte à do Australian Open, jogado em quadras duras do outro lado do mundo. Caso vá longe em Melbourne, Goffin precisará atravessar o planeta, adaptar-se ao fuso horário e, possivelmente, a um piso diferente – imagino aqui que o Brasil vá escolher jogar em quadras de saibro, contando com a possibilidade de que seus melhores tenistas voltarão da Austrália muito antes de Goffin.

O que joga contra

A parte ruim de encarar a Bélgica é saber que David Goffin raramente deixa de jogar um confronto. Graças principalmente a ele, o país esteve em duas finais de Copa Davis recentemente (2015, quando a Grã-Bretanha foi campeã, e 2017, quando a França levantou a taça). Goffin só esteve ausente este ano, mas por causa de uma bolada no ATP de Roterdã que causou problemas em sua visão.

Com 27 anos e um histórico de 23 vitórias e 3 derrotas em simples na Davis (15 confrontos disputados em sete temporadas diferentes), o tenista entrará em quadra como favorito contra qualquer brasileiro. Ainda assim, há mais prós do que contras no balanço do resultado desse sorteio. Que venha por aí, então, um 2019 melhor do que o péssimo 2018 dentro de quadra.

Coisas que eu acho que acho:

– O sorteio do Qualificatório da Davis só não foi tão bom para os promotores de torneios sul-americanos, que costumam aproveitar os confrontos no continente para convencer grandes jogadores a continuarem por aqui. Isso significa que Goffin, por exemplo, pode aparecer nos ATPs de Buenos Aires e Rio de Janeiro (para São Paulo, na mesma data do ATP 500 de Acapulco, a tarefa é mais complicada).

– Por outro lado, o Chile vai jogar fora de casa, na Áustria, e a Colômbia vai receber a Suécia, que não tem nenhum top 100. Por isso, digo que o sorteio da Davis não ajudou a vida dos promotores.

Sobre o autor

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais.
Contato: ac@cossenza.org

Sobre o blog

Se é sobre tênis, aparece aqui. Entrevistas, análises, curiosidades, crônicas e críticas. Às vezes fiscal, às vezes corneta, dependendo do dia, do assunto e de quem lê. Sempre crítico e autêntico, doa a quem doer.