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Saque e Voleio

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Nadal abandona, e Del Potro vai à final do US Open

Alexandre Cossenza

07/09/2018 19h23

No ano passado, Juan Martín del Potro fazia um US Open memorável, vinha de vitórias sobre Roger Federer e Dominic Thiem, mas não conseguiu superar Rafael Nadal nas semifinais. A história se repetiu este ano, quando o #1 do mundo eliminou o argentino em Roland Garros, novamente na semi, e em Wimbledon, nas quartas. Pois os dois voltaram a se encontrar em Nova York e, nesta sexta-feira, a história mudou. Com uma bela atuação, ancorada em sua potente direita, mas também auxiliada por uma lesão no joelho direito do rival, o #3 do mundo finalmente triunfou. Del Potro vencia por 7/6(3) e 6/2 quando Nadal abandonou a partida.

E se alterou o roteiro de seus encontros recentes com o espanhol, Del Potro agorá tentará repetir um pedaço de história. Em 2009, ano em que foi campeão do US Open – seu único título de slam na carreira – Del Potro chegou à decisão após um triunfo em sets diretos sobre Nadal. Em busca do bi, ele vai encarar Novak Djokovic, que bateu Kei Nishikori por 3 sets a 0.

Como aconteceu

O set inicial foi tenso e com os tenistas oscilando em momentos próximos. Nadal cometeu três erros e perdeu o serviço já no primeiro game, mas um par de falhas do argentino devolveu a igualdade ao placar na sequência. O jogo seguiu parelho, e Del Potro teve a chance de fechar o set quando quebrou Nadal no nono game. No décimo, contudo, foi a vez de o #3 do mundo vacilar, perdendo dois set points e cometendo três erros não forçados consecutivos para ceder a quebra. Só o tie-break decidiu a parcial, e foi o argentino que levou a melhor, usando sua direita para forçar erros de Nadal. Por 7/3, ele saiu na frente depois de mais de 1h10min de jogo.

Na segunda parcial, Nadal, que não mostrava a mesma mobilidade das partidas anteriores neste US Open, pediu a presença do fisioterapeuta e teve seu joelho direito enfaixado pela segunda vez – a anterior foi antes do sétimo game. Após o atendimento, perdeu o saque ao errar um forehand. Aos poucos, ficava claro que Nadal não tinha velocidade para acompanhar Del Potro nas trocas de bola. O argentino, que teve break points em todos games do oponente no set, terminou fazendo 6/2, aproveitando-se de erros do espanhol e fechando com uma direita – sempre ela – vencedora. Na virada de lado, sem conseguir competir, Nadal optou por abandonar a partida e não agravar ainda mais a lesão.

E a final?

A decisão será no domingo e está marcada para começar às 17h (de Brasília). Del Potro vai enfrentar Novak Djokovic. Contra o sérvio, Del Potro tem um histórico de quatro vitórias e 14 derrotas. Nole venceu os três últimos encontros: nas quadras duras de Acapulco/2017 e Indian Wells/2017 e no saibro de Roma/2017. O último triunfo do argentino aconteceu nos Jogos Olímpicos Rio 2016, também em quadra dura.

Coisas que eu acho que acho:

– Uma pena terminar assim, não só por causa do abandono, mas porque eu acreditava (e falei nos minicasts) que Juan Martín del Potro estava jogando bem o bastante para derrotar o melhor Nadal. O lado é bom é poder ver o argentino novamente em uma final de slam.

– Escrevo este parágrafo antes da segunda semifinal e minha opinião pode mudar depois de Djokovic x Nishikori, mas, por enquanto, acho que quem vencer este penúltimo jogo masculino vai precisar mostrar mais do que no torneio inteiro para superar Del Potro.

– Sempre digo a mesma coisa, mas com ele na final, não custa repetir: o mais brilhante do tênis de Juan Martín del Potro é que todo mundo sabe como ele vai jogar. Backhands cruzados e lado direito da quadra aberto, esperando a chance para soltar um torpedo de forehand. Ainda assim, com o planeta inteiro conhecendo esse plano de jogo, Del Potro triunfa.

– Nadal já sentia incômodo no joelho direito durante a terceira rodada, contra Karen Khachanov. Será que ele também jogou com dores também naquela partidaça diante de Dominic Thiem? De qualquer modo, é de se imaginar que a sequência de partidas longas, disputadas nesse tipo de condição (temperatura e umidade altas), cobrou seu preço.

Sobre o autor

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais.
Contato: ac@cossenza.org

Sobre o blog

Se é sobre tênis, aparece aqui. Entrevistas, análises, curiosidades, crônicas e críticas. Às vezes fiscal, às vezes corneta, dependendo do dia, do assunto e de quem lê. Sempre crítico e autêntico, doa a quem doer.