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Saque e Voleio

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7 motivos para Nadal x Del Potro entrar na sua lista de melhores jogos de Wimbledon

Alexandre Cossenza

12/07/2018 06h00

Foram 4h47minutos de drama. Break points salvos, set points perdidos, saques, voleios, curtinhas – muitas delas! – saltos, escorregões, ralis espetaculares e winners improváveis. Os dois deram tiros do fundo de quadra, se atiraram na grama e até na torcida. E tudo terminou com um longo abraço de Rafael Nadal e Juan Martín del Potro, dois gigantes que deixaram tudo em quadra e reconheceram o valor do rival deste 11 de julho de 2018.

Enquanto pensava no que escrever sobre a partida, ponderei em que lugar encaixaria o jogão desta quarta-feira na minha lista de partidas masculinas preferidas de Wimbledon. Certamente não acima daquele Federer x Nadal de 2008, mas será que acima do Federer x Nadal de 2007? Talvez, não. Superior ao Nadal x Muller de 2017? Ou a Federer x Roddick de 2009? E a final de 2014 entre Federer e Djokovic? E o clássico Isner x Mahut de 11h em 2010, ficaria abaixo deste Nadal x Del Potro?

Difícil. É sempre difícil comparar anos diferentes, jogos com tenistas de estilos distintos. Não há certo ou errado aqui. Tudo cai, essencialmente, no gosto pessoal. Enquanto não consigo chegar numa ordem, deixo aqui sete motivos para você ver, rever e colocar este espetacular Nadal x Del Potro de 2018 na sua listinha, qualquer que seja ela:

1. O abraço

Comecemos pelo fim. Com match point e 40/30 no placar, Nadal sacou aberto e partiu para o saque-e-voleio. Del Potro devolveu a bola, mas escorregou e ficou caído no chão. O espanhol matou o ponto, comemorou e foi abraçar o rival. Um gesto lindo, perfeito para encerrar um jogaço.

2. O tie-break

Era o momento mais quente da partida. Del Potro quebrou Nadal e sacou para o set no décimo game. O espanhol quebrou de volta. Os dois confirmaram games longos até que fosse necessário o desempate. Nadal conseguiu um mini-break cedo e manteve a vantagem até abrir 6/3. Del Potro enfiou dois saques enormes para manter-se vivo na parcial. O #1, então, cometeu uma dupla falta. Ainda conquistou outro set point, mas um novo grande saque salvou Del Potro outra vez. Depois pontos depois, depois de três forehands seguidos – o último deles ainda tocou na fita – era o argentino que comemorava a vitória na parcial.

Nadal disparou mais winners (16 a 13), cometeu menos erros (oito contra nove) e ganhou mais pontos (42 a 41) do que Del Potro no segundo set. Só que o argentino brilhou quando precisou e venceu o tie-break, evitando que Nadal abrisse 2 sets a 0. É injusto especular a esta altura, mas me parece improvável que Del Potro forçasse um quinto set tivesse partido o game de desempate da segunda parcial.

3. O voo do argentino

Começo de quinto set, Del Potro sacando em 1/1 e 30/30. Um ponto que valia break point para Rafael Nadal. Um enorme rali, com os dois correndo como loucos. O argentino deu uma curtinha. O espanhol alcançou. Só restou a Del Potro mergulhar para fazer o voleio e evitar a chance de quebra.

4. Nadal na galera

Mesmo game do parágrafo anterior. Agora o placar mostrava 40/40. Nadal estava disposto a tudo para quebrar o saque do rival e correu até onde podia para tentar devolver um smash. Teve de pular até a mureta e só freou quando já estava no meio do público. Ninguém se machucou.

5. O oitavo game

Depois de conseguir uma quebra de vantagem no quinto set, Nadal salvou dois break points no sexto game e sacou em 30/30 no décimo. O oitavo game, entretanto, foi o ápice do jogo. Foram seis igualdades. Três delas resultaram em chances de quebra para Del Potro. Pontos espetaculares, cheios de drama. No principal deles, o argentino tinha Nadal batido no canto da quadra e a bola em seu forehand. Em vez de executar seu melhor golpe como quase sempre, Delpo deu uma madeirada. Chance perdida. Depois de mais de 13 (!!!) minutos de game, Nadal, enfim, confirmou seu serviço e fez 5/3.

6. Winner a 107 mph

Aconteceu muito depois da marca de 4h de jogo ser ultrapassada. O argentino, que sacava para se manter no jogo, fez o disparo abaixo. Andy Murray, comentando na cabine da BBC, só conseguiu rir: “Very funny”.

7. Aplausos de pé

A tradição de Wimbledon manda que os dois tenistas saiam juntos da Quadra Central. Del Potro talvez tenha esquecido e saiu andando sozinho. Ninguém se importou. O público inteiro estava de pé para aplaudi-lo. Até Nadal parou o que estava fazendo para bater palmas. Todo mundo ali entendeu a grandeza do que acabava de se testemunhar.

Se você chegou até aqui e achou que foram poucos os momentos bacanas da partida, sugiro que veja o duelo inteiro. É impossível resumir tantos momentos bacanas de um jogo de 4h47min em uma dúzia de parágrafos. E se não posto mais vídeos é porque eles não estão disponíveis para reprodução. Então não há como mostrar um mergulho de Nadal no terceiro set (o lance da foto no alto do post), a paralela de backhand na linha que ele encontrou no fim do quinto set ou suas muitas, muitas curtinhas. Ou os aces do argentino, a sequência de três direitas que fechou o segundo set ou seu incrível voleio de improviso que pegou o oponente no contrapé ainda no terceiro set. Ou o forehand na linha que selou o mesmo terceiro set. Foram tantos momentos…

Pena que o SporTV, que tem os direitos de transmissão de Wimbledon para o Brasil, não disponibiliza essas imagens nem em seu site. Eu colocaria os links. Se Wimbledon disponibilizar em seu canal do YouTube um clipe com os melhores momentos do jogo, colocarei aqui no futuro. Por enquanto, recomendo ver neste link, no site oficial do torneio.

Coisas que eu acho que acho

– A lista dos melhores jogos que eu vi inteiros de Wimbledon? Hoje, ficaria assim, na ordem abaixo. Talvez amanhã fique diferente e eu mude novamente depois de amanhã. Como escrevi lá no alto, não tem certo e errado numa lista assim. Apenas preferências, gostos, lembranças do que se viveu no dia que a partida aconteceu ou no momento em que você viu o jogo pela primeira vez. Meu único critério é ter visto o jogo inteiro, sem cortes.

1. Nadal d. Federer (2008)
2. Borg d. McEnroe (1980)
3. Ivanisevic d. Rafter (2001)
4. Federer d. Nadal (2007)
5. Nadal d. Del Potro (2018)
6. Isner d. Mahut (2010)
7. Djokovic d. Federer (2014)

– Ainda sobre este Del Potro x Nadal, o post poderia ter sido muito mais longo. Taticamente, foi um jogo lindo de ver por causa da batalha de ambos para fugir do forehand adversário e, no caso de Nadal, para tirar Del Potro de sua zona de conforto no fundo de quadra. As curtinhas foram um show à parte. O espanhol fez muitas, de toda parte da quadra, para os dois lados e com todo tipo de ângulo.

– Outro ponto que não pode passar totalmente batido: a qualidade dos golpes. Nenhum clipe de melhores momentos vai refletir a porcentagem altíssima de bolas super precisas que Nadal e Del Potro executaram, mesmo sob pressão, inclusive num dramático e nervoso quinto set. Tudo isso contribuiu para uma partida memorável, que todo mundo deveria rever pelo menos uma vez.

Sobre o autor

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais.
Contato: ac@cossenza.org

Sobre o blog

Se é sobre tênis, aparece aqui. Entrevistas, análises, curiosidades, crônicas e críticas. Às vezes fiscal, às vezes corneta, dependendo do dia, do assunto e de quem lê. Sempre crítico e autêntico, doa a quem doer.