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Saque e Voleio

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Roger Federer: menos dominante, mas ainda favorito para Wimbledon

Alexandre Cossenza

25/06/2018 09h53

Não foi a semana dos sonhos de Roger Federer. Depois de conquistar o título em Stuttgart, esperava-se que o suíço ganhasse embalo e se estabelecesse como o favorito disparado ao título de Wimbledon. No ATP 500 de Halle, contudo, o ex-número 1 do mundo esteve vulnerável, pouco agressivo do fundo de quadra e terminou como vice-campeão, desperdiçando valiosos set points e derrotado por Borna Coric na final: 7/6(6), 3/6 e 6/2.

Não foi só na final que o suíço mostrou um tênis abaixo do que se espera dele. Antes, nas oitavas de final, o suíço precisou salvar dois match points e contou com erros bobos de Benoit Paire nos momentos decisivos do jogo. Halle poderia ter acabado muito mais cedo.

O que faltou? Faltou principalmente agressividade nos pontos de fundo de quadra. Federer esteve constantemente na defensiva, chegando atrasado em bolas e precisando demais do slice para se manter nos pontos. Mesmo quando pôde agredir, foi conservador na maioria das vezes. Se foi longe nos torneios alemães, é porque seu saque esteve afiado e sua atuação junto à rede foi excelente como sempre. Quando o serviço não entrou, como no terceiro set contra Coric, sua vida ficou muito mais complicada.

Tudo isso significa que Federer deixa de ser o principal candidato ao título de Wimbledon? Não. O suíço é tão superior ao resto do circuito na grama que mesmo sem jogar seu melhor pode vencer no All England Club. Ainda mais num circuito sem o lesionado Raonic, com Andy Murray longe de seu melhor e com Rafael Nadal sem fazer uma preparação ideal. Até agora, apenas Marin Cilic e Novak Djokovic mostraram tênis empolgante no piso.

Não por acaso, croata e sérvio aparecem logo atrás de Federer nas cotações das casas de apostas. Os dois têm bom histórico na grama e já mostraram que estão em forma. Na final de Queen’s, Cilic derrotou Djokovic de virada e ficou com o título: 5/7, 7/6(4) e 6/3. Finalista no All England Club no ano passado, Cilic vive possivelmente o melhor momento da carreira e vem fazendo campanhas consistentes nos torneios mais importantes. Foi vice-campeão em Melbourne e chegou às quartas em Roland Garros.

É justo citar o croata como uma as maiores ameaças a Federer em Wimbledon. A outra grande ameaça, claro, é Novak Djokovic, campeão em 2011, 2014 e 2015, batendo Federer na final em ’14 e ’15. O sérvio está cada dia mais perto de seu melhor tênis, e a campanha em Queen’s é um indício disso. Sua excelente movimentação faz diferença na grama, e seus golpes estão calibrados. Faltou, talvez, aquele instinto assassino para fechar o jogo, aquela confiança de quem sabe que pode jogar seu melhor nos momentos mais delicados. Normal para quem fica muito tempo sem competir. Quando essa peça se encaixar no quebra-cabeças, Nole pode voltar a ser aquele tenista que o mundo se acostumou a ver dominando Federer e Nadal e vencendo quatro slams consecutivos.

Coisas que eu acho que acho:

– Farei uma análise mais detalhada quando publicar o guiazão do torneio, perto do fim de semana. Ainda falta falar de muita gente importante que vai correr por fora em Wimbledon.

Sobre o autor

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais.
Contato: ac@cossenza.org

Sobre o blog

Se é sobre tênis, aparece aqui. Entrevistas, análises, curiosidades, crônicas e críticas. Às vezes fiscal, às vezes corneta, dependendo do dia, do assunto e de quem lê. Sempre crítico e autêntico, doa a quem doer.