Saque e Voleio

Clássico 'pocket' matou saudade da rivalidade Nadal x Djokovic

Alexandre Cossenza

19/05/2018 13h31

Não durou cinco horas, não teve ninguém quebrando raquetes ou rasgando camisas, não houve bate-boca prolongado com árbitro de cadeira e nem era uma final. O Nadal x Djokovic de hoje, em Roma, era uma semifinal e terminou em dois sets: 7/6(4) e 6/3, em 1h54min. Não foi um clássico-clássico, mas foi um jogão. Os dois esvaziaram seus arsenais, lutaram e empolgaram a torcida. Foi, digamos, um clássico “pocket”.

Rafael Nadal fez um pouco mais do mesmo no saibro. Usou seu spin para empurrar o adversário para trás, se defendeu bem, tentou backhands angulados, subiu à rede quando as oportunidades apareceram. Seu saque mostrou certa fragilidade, é bem verdade, mas é tipo de coisa que acontece quando Novak Djokovic está do outro lado da rede.

O espanhol também usou variações quando precisou. Jogou backhands mais altos e lentos, usou uns poucos slices (não-defensivos) como variação e, no fim das contas, foi mais consistente de modo geral. Seu forehand na paralela também fez diferença, especialmente em um par de pontos no importantíssimo tie-break do set inicial.

Nole, por sua vez, foi o Djokovic mais próximo “daquele” Djokovic que vi desde Miami. Vibrou, chamou a galera, se emputeceu quando perdeu o game de desempate. Foi muito sólido nos ralis da linha de base e mostrou, ainda que não com a consistência de outros tempos, porque é o cara que mais incomoda Nadal no saibro. Plantou-se na linha e agrediu o forehand do espanhol, distribuindo paralelas e cruzadas e cortando o tempo de defesa do rival. Quando funciona, é mortal contra Rafa.

O sérvio de hoje, contudo, não conseguiu fazer isso com a frequência necessária. Também deu umas vaciladas na devolução e, embora tenha se defendido gloriosamente e ganhado lindos e longos ralis, não jogou um segundo set tão bom quanto o primeiro.

No fim das contas, a semifinal deste sábado teve todos elementos da grande rivalidade Nadal-Djokovic (agora são 51 jogos, com 26 vitórias do sérvio e 25 do espanhol), mas em dose reduzida. Serviu para mostrar que Nadal ainda é superior no momento, mas que Nole está cada vez mais próximo do rival e que será, sim, um adversário indigesto para qualquer um em Roand Garros.

Coisas que eu acho que acho:

– No segundo set, Djokovic jogou mais acelerado. Não tentou ralis tão longos. Isso acabou ajudando Nadal. Ao que parece, o condicionamento físico é hoje um ponto fraco do sérvio no saibro. Vale lembrar que ele só venceu um jogo de três sets desde o Australian Open. Num jogo mais longo em Paris (melhor de cinco), ele pode ter problemas.

– Como dá para ver no tweet acima, mal acabou a semifinal, e Djokovic já estava mais cotado nas casas de apostas em comparação com os números de sexta-feira. Ninguém quer perder dinheiro em caso de título do sérvio, né?

– Quem acredita em vidas passadas certamente já imaginou que Nadal e Djokovic, um dia, batalharam no Coliseu de Roma. Não parece haver lugar mais propício na história da humanidade para um confronto entre eles.

Sobre o autor

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais.
Contato: ac@cossenza.org

Sobre o blog

Se é sobre tênis, aparece aqui. Entrevistas, análises, curiosidades, crônicas e críticas. Às vezes fiscal, às vezes corneta, dependendo do dia, do assunto e de quem lê. Sempre crítico e autêntico, doa a quem doer.

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