Saque e Voleio

Perto de sair do top 300, Bellucci não mostra evolução

Alexandre Cossenza

16/05/2018 10h04

Irregularidade não é novidade na carreira de Thomaz Bellucci. Nem no seu melhor momento, o paulista fez uma temporada sem altos e baixos. Até mesmo em 2011, quando o canhoto de Tietê ficou o ano inteiro no top 40 e fez aquela belíssima semifinal de Masters 1.000 contra Djokovic, em Madri, também viveu uma série de nove derrotas em 10 jogos que durou de agosto a novembro. Logo, não parecia motivo para drama quando Bellucci saiu novamente do top 100 no começo de 2018.

O problema – mesmo – é que o Bellucci de 30 anos, agora casado e que voltou de uma suspensão por doping, não tem sido sombra do melhor Bellucci. Não tem sequer vivido os altos e baixos que lhe mantiveram no top 100 em outros tempos. Sempre que caía no ranking, o paulista jogava um punhado de Challengers, conquistava um título e voltava a jogar bem. Foi assim em 2012 (campeão em Braunschweig), 2013 (Montevidéu), 2014 (vice em Orleans) e 2016 (Braunschweig e Biella).

Só que o Bellucci de 2018 não tem altos e baixos. São só baixos. Tentou uma série de Challengers medianos nos EUA e acumulou derrotas para Facundo Bagnis (#223), Hugo Dellien (#172) e Christian Harrison (#244). No quali de Houston, tombou diante de Stefan Kozlov (#184). Antes, já fora superado por Daniel Galán (#286) em San Luis Potosí e por Jozef Kovalik (#145) em Santiago. Uma sequência terrível de apresentações.

Bellucci despencou no ranking de tal maneira que só entrou no Challenger de Lisboa, nesta semana, graças a um par de desistências de última hora. Não adiantou. Caiu na estreia, diante de Miomir Kecmanovic (#202). O resultado vai jogar o brasileiro para perto do 270º posto. E se não defender os 45 que somou pela segunda rodada de Roland Garros no ano passado (precisará passar pelo quali desta vez), é grande a chance de deixar até o top 300. Bellucci vai precisar jogar qualis na maioria dos Challengers europeus se isso acontecer.

Mas, voltando ao tema de um par de parágrafos acima, o maior problema de Bellucci não é o ranking. O dilema é que seu jogo não mostra evolução. Todas partidas que vi desde o início da sequência de Challengers tiveram roteiro semelhante. Bellucci ataca e o rival defende até que o brasileiro dispare um winner ou um erro não forçado. As falhas têm sido mais frequentes, vindo num pacote tenebroso com duplas faltas em break points e set points, voleios desastrosos, subidas à rede mal pensadas e mal executadas. Falta variação, falta precisão, falta confiança.

Seria aceitável se estivéssemos falando de um jovem de 20 anos em ascensão, vivendo a transição dos Futures para os Challengers. Obviamente, não é o caso, e suas declarações recentes não dão muita esperança. “Não consegui encontrar um bom nível de tênis”, “estou ficando um pouco ansioso pra fechar as partidas”, “é o excesso de vontade de ganhar e voltar ao top 100” estão entre as frases enviadas por sua assessoria de imprensa. Em momento algum, Bellucci dá a entender que precisa fazer algo diferente. Ele parece acreditar que só precisa fazer melhor o que já vem fazendo. Será?

Sobre o autor

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais.
Contato: ac@cossenza.org

Sobre o blog

Se é sobre tênis, aparece aqui. Entrevistas, análises, curiosidades, crônicas e críticas. Às vezes fiscal, às vezes corneta, dependendo do dia, do assunto e de quem lê. Sempre crítico e autêntico, doa a quem doer.

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