Saque e Voleio

Goffin transmitiu suas próprias partidas: um novo caminho para o esporte?

Alexandre Cossenza

13/02/2018 09h15

Tente, caro leitor, pensar como um patrocinador: de que adianta você pagar milhares de dólares para exibir sua marca na manga de um tenista se esse atleta passa a maior parte do tempo fora do país e muitas vezes seus jogos não são transmitidos para o país? Um dos patrocinadores do belga David Goffin se viu nesse dilema e tomou uma decisão, digamos, diferente: comprou os direitos de transmissão das partidas.

Aconteceu na última semana, no ATP de Montpellier, na França. Como nenhum canal exibiria o torneio na Bélgica, a holandesa AA Drinks (vejam na manga direita da camisa do tenista, logo acima da marca da Asics) resolveu transmitir por conta própria os jogos. Fez um acordo com a Lagardère Sports e com a Octagon (agência de Goffin). As partidas do belga, então, foram exibidas para a seu país ao vivo, de graça, via Facebook, na própria página de David Goffin. Será que mais alguém vai comprar a ideia e repetir a dose?

É o tipo de caso em que todo mundo saiu ganhando. Os fãs, que não precisaram nem de um pacote de TV a cabo; o tenista, que ganha pontos com os fãs e vai ficar marcado como o primeiro a fazer isso no tênis; o torneio, porque teve jogos (e seus próprios patrocinadores) exibidos em um país que não os teria; e o patrocinador, que, além de ter garantido a exposição da marca no país do atleta, ainda está sendo e será mencionado ao redor do mundo (como neste blog) porque mostrou um caminho novo e alternativo.

Ninguém divulgou os valores dessa jogada, mas não deve ter sido a campanha de marketing mais cara do planeta. Primeiro porque era um ATP 250, mas especialmente porque foram comprados apenas os direitos de exibição das partidas de Goffin. É um caminho que poderia até ser seguido por ATP e WTA nos casos em que seus pacotes ficam desinteressantemente caros em alguns mercados.

Imaginemos um caso em que nenhum canal na República Dominicana teve caixa para comprar o pacote oferecido pela ATP para os direitos dos ATPs 250. Será que não interessaria a algum veículo dominicano adquirir apenas as partidas de Victor Estrella Burgos? Ou, mudando radicalmente de exemplo, que tal seria se a WTA oferecesse apenas as partidas Bia Haddad Maia a um canal brasileiro? No mundo real, os direitos da WTA no Brasil são do Canal Sony, mas Bia não teve nenhum jogo exibido ao vivo pelo canal em 2017 – e a culpa disso é mais do pacote do que do Sony.

O mundo da internet é um mundo de nichos. Não adianta brigar contra isso. Só no tênis, já existem pacotes separados para ATP (TennisTV), WTA (WTA TV), Copa Davis e Fed Cup (stream oficial da ITF). David Goffin mostrou uma opção a mais: o nicho do nicho. Será que a ideia vai adiante?

Coisas que eu acho que acho:

– No release distribuído à imprensa, Nikolaus von Doetinchem, vice-presidente sênior de mídias globais da Lagardère Sports, afirmou que “o projeto ressalta o crescente impacto de atletas como plataformas de mídia dentro da atual transformação do cenário de mídia.”

– As transmissões começaram nas oitavas de final e, como Goffin foi até a semi, o patrocinador bancou três jogos exibidos ao vivo. Não pode ter saído tão caro.

Sobre o autor

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais.
Contato: ac@cossenza.org

Sobre o blog

Se é sobre tênis, aparece aqui. Entrevistas, análises, curiosidades, crônicas e críticas. Às vezes fiscal, às vezes corneta, dependendo do dia, do assunto e de quem lê. Sempre crítico e autêntico, doa a quem doer.

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