Saque e Voleio

A decolagem de Hyeon Chung

Alexandre Cossenza

22/01/2018 19h44

É fácil entender por que Hyeon Chung, 21 anos, #58 do mundo, está longe de ser o mais badalado dos talentosos #NextGen da ATP. Ele é quieto, discreto, está meio “escondido” no ranking, só tem um título na carreira (o pouco relevante Next Gen Finals) e, até esta segunda-feira, não tinha uma vitória sobre um grande campeão. Pois ela veio e, ainda que tenha sido sobre um lesionado Novak Djokovic, chegou a hora de o mundo descobrir o sul-coreano.

Há alguns motivos que explicam por que Chung ainda não, digamos, decolou como Alexander Zverev, Nick Kyrgios, Karen Khachanov, Andrey Rublev ou Borna Coric – todos com melhor ranking superior ao do sul-coreano (#44) até este Australian Open. Chung teve lesões. Perdeu três meses em 2016 e ficou fora da temporada de grama em 2017. Seu ranking, aliás, era melhor em janeiro de 2016 – dois anos atrás – do que é neste momento.

Mas todo bom tenista levanta voo em um torneio específico, e Melbourne se apresenta como a pista de decolagem de Chung, que derrubou o cabeça de chave Mischa Zverev (#35) na estreia, bateu o também #NextGen Daniil Medvedev (#53) na segunda rodada, eliminou Alexander Zverev (#4) na sequência e, agora, abateu Novak Djokovic (#14) por 7/6(4), 7/5 e 7/6(3). E não é só isso. O sul-coreano será favorito nas quartas de final contra a grande surpresa do torneio: Tennys Sandgren (#97), o algoz de Dominic Thiem (#5).

Ainda que se possa dizer – com razão – que Djokovic estava lesionado e Sascha Zverev ainda precisa aprender a vencer em melhor de cinco sets, nada acontece por acaso. Chung coloca diante do adversário um conjunto invejável de obstáculos. Desde sua velocidade e flexibilidade, incluindo sua capacidade de contra-atacar, até a inteligência tática na hora de construir pontos. Nem é um pacote muito diferente do de Novak Djokovic nem se trata de coincidência. O próprio garotão admitiu que olhava e tentava copiar o sérvio, seu ídolo.

E se a descrição não for suficiente, experimente ver os melhores momentos da partida no vídeo abaixo. Com os dois de camisa branca, quem não prestar tanta atenção é capaz até de confundir Chung e Djokovic. De qualquer modo, observem como o sérvio encontrou problemas nos ralis contra seu “espelho”.

Se conseguiu passar ficar relativamente fora do radar até agora – o Next Gen Finals chamou muito mais atenção pelas regras do que pelas partidas – Chung passa a ter um par de canhões de luz em sua direção. Entrar em quadra nas quartas de final como favorito não será fácil. Uma semifinal, então, será ainda pior para os nervos, mas serão momentos importantes da checklist pré-decolagem. E o que quer que aconteça, tudo leva a crer que esse voo vai ser muito interessante de acompanhar pelos próximos anos…

Coisas que eu acho que acho:

– É preciso dizer: Djokovic, dores e tudo mais, fez um belo papel no torneio. Seus golpes da linha de base continuam afiados e seu processo de construção de pontos é tão bom quanto sempre foi. O cotovelo, no entanto, cobrou seu preço. Nole ganhou menos pontos com o serviço e não teve a costumeira margem que lhe daria uma vitória sobre Chung.

– Enorme dó acompanhar os casos de Djokovic e Murray. Os dois fizeram longas pausas e descobriram da pior maneira possível que não foi o suficiente. Vão perder mais tempo de circuito, o que não é bom para ninguém.

– Ouça abaixo o nome de Hyeon Chung pronunciado por um sul-coreano. O link é do site Forvo, o melhor do mundo para saber como dizer nomes e palavras em qualquer idioma. Clique no nome para melhor áudio.

Sobre o autor

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais.
Contato: ac@cossenza.org

Sobre o blog

Se é sobre tênis, aparece aqui. Entrevistas, análises, curiosidades, crônicas e críticas. Às vezes fiscal, às vezes corneta, dependendo do dia, do assunto e de quem lê. Sempre crítico e autêntico, doa a quem doer.

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