Saque e Voleio

Djokovic voltou e já deu boas impressões

Alexandre Cossenza

16/01/2018 10h20

Que soem as trombetas, disparem os alarmes e avisem por todos os cantos e vestiários de Melbourne: Novak Djokovic voltou. Tudo bem, não convém exagerar depois de apenas uma partida oficial, mas é inegável que o ex-número 1 do mundo deixou excelentes impressões em seu primeiro jogo oficial desde as quartas de final de Wimbledon.

Se o triunfo sobre um errático Dominic Thiem no torneio-exibição Kooyong Classic esclareceu pouco sobre o momento do sérvio, a partida desta terça-feira contra Donald Young fez parte da nuvens se dissipar. Nole esteve calibradíssimo desde o começo, mantendo suas bolas fundas como sempre, encaixando “aquele” matador backhand na paralela, subindo bem à rede e voleando como se tivesse ficado seis dias – em vez de seis meses – sem jogar.

O resultado foi uma vitória por 6/1, 6/2 e 6/4 que, sem exageros, vai ecoar pelo Melbourne Park e gerar preocupação extra na metade de baixo da chave. Não custa repetir: foi só um jogo e recomenda-se moderar no otimismo. Um duelo com Gael Monfils na quinta-feira exigirá mais e deixará o cenário mais claro. O francês vem de título em Doha, tem seis vitórias seguidas e derrotá-lo vai requerer mais do físico, mais disciplina tática e mais concentração.

Ainda assim, é importante ressaltar: o Djokovic de hoje deu todos os bons sinais que alguém pode esperar de um grande tenista voltando ao circuito, e é assustador pensar que ele terá mais alguns jogos para ganhar ritmo e chegar ainda mais forte nas fases decisivas.

E para não deixar passar em branco: que cena bacana a registrada no tweet acima, logo depois do match point, não? Dá para notar que não foi só mais uma vitória e que Nole está especialmente feliz por voltar a jogar, voltar a vencer e por estar novamente no torneio que venceu seis vezes. É o tipo de momento que mostra como os maiores da história – e Djokovic certamente é um deles – jogam tênis por muito mais do que dinheiro e troféus.

E o retorno de Wawrinka?

Entramos em terreno mais delicado. Stan Wawrinka não jogava – nada mesmo – desde Wimbledon, e sua participação no Australian Open esteve em dúvida até pouco antes do evento. Logo que entrou em quadra hoje, deu para ver que o suíço estava um pouco acima de seu peso normal (Stan nunca foi dos mais fininhos do circuito, o que nunca foi problema para ele) e sem a movimentação de sempre. Um tanto normal para quem operou o joelho e tem uma cicatriz gigante para exibir de agora em diante (veja a foto abaixo).

O bacana foi ver que Wawrinka conseguiu compensar com seu enorme talento o que faltava de físico. Forehand e backhands andaram bem, o saque ajudou, e Stan derrotou Ricadas Berankis por 6/3, 6/4, 2/6 e 7/6(2). Por um momento – quando perdia por 3/0 no 4º set – o suíço pareceu cansado e vulnerável, mas conseguiu encontrar energia para evitar um dramático quinto set.

Dimitrov, o campeão da primeira rodada

Entre os homens, quem mais se deu bem no primeiro dia de jogos foi Grigor Dimitrov, que passeou ao fazer 6/3, 6/2 e 6/1 em cima do qualifier Dennis Novak. O búlgaro, que vai encarar o também qualifier Mackenzie McDonald na segunda fase, teve metade dos cabeças de chave de seu quadrante eliminada: Kevin Anderson, Lucas Pouille, Philipp Kohlschreiber e Jack Sock. Assim, um dos quadrifinalistas sairá do grupo que tem Edmund, Istomin, Basilashvili, Bemelmans, Nishioka, Seppi, Karlovic e Sugita. Quem imaginaria?

Na chave feminina, Caroline Wozniacki não só venceu com facilidade a romena Mihaela Buzarnescu (6/2 e 6/3) como viu Dominika Cibulkova e Coco Vandeweghe tombarem. Ambas eram cabeças de chave e poderiam encontrar a dinamarquesa nas quartas. Wozniacki ainda pode encarar Ostapenko nessa fase, mas ainda há muito a rolar até lá. Elina Svitolina, por sua vez, contou com as quedas de Shuai Peng, sua potencial adversária de terceira rodada, e Sloane Stephens, atual campeã do US Open, que poderia enfrentá-la nas oitavas. Logo, ucraniana e dinamarquesa, que caíram na metade menos complicada da chave, tiveram mais uma pitada de sorte no primeiro dia.

Bia, a primeira depois de Maria Esther

Bia Haddad Maia confirmou seu favoritismo e, mesmo sem fazer uma grande partida, derrotou a convidada local Lizette Cabrera (#161) por 7/6(3) e 6/4. Resultado mais do que esperado, mas vale apontar que foi a primeira vitória de uma mulher brasileira na chave principal do Australian Open desde Maria Esther Bueno em 1965.

Na segunda rodada, Bia vai enfrentar Karolina Pliskova, que fez 6/3 e 6/4 sobre Verónica Cepede Royg. A tcheca não foi espetacular, mas certamente exigirá mais da brasileira. É justo imaginar que a paulista terá chances, mas precisará errar bem menos do que nesta terça.

E o que mais?

O objetivo aqui não é fazer um resumaço da primeira rodada, mas vale a pena dizer que Angelique Kerber continua jogando o melhor tênis do circuito feminino neste começo de ano (fez 6/0 e 6/4 sobre Anna-Lena Friedsam), que Maria Sharapova esteve bastante sólida no triunfo sobre Tatjana Maria por 6/1 e 6/4 e que Eugenie Bouchard finalmente voltou a vencer e vai encarar a #1 do mundo, Simona Halep, na segunda rodada. Isso, claro, se a romena, que torceu o tornozelo durante a vitória desta terça, estiver recuperada.

Entre os homens, Federer fez o esperado e dominou Aljaz Bedene (6/3, 6/4 e 6/3), Nadal mostrou solidez contra Victor Estrella Burgos (triplo 6/1), Thiem confirmou a expectativa e superou Guido Pella (triplo 6/4), e Tomas Berdych despachou o adolescente-sensação Álex de Miñaur: 6/3, 3/6, 6/0 e 6/1. Milos Raonic (#3), voltando de lesão, foi eliminado por Lukas Lacko, e Roberto Bautista Agut (#21) caiu diante do sempre perigoso – de verdade – Fernando Verdasco (#40): 6/1, 7/5 e 7/5.

O fiasco

Mais do que qualquer atuação ruim de um tenista, o pior desempenho deste Australian Open até agora é do setor de tecnologia do torneio. O site é ruim, o app é igualmente desastroso, faltam estatísticas, e as chaves e programação do dia às vezes não abrem. A situação é calamitosa. É como se o site tivesse voltado dez anos no tempo. Pelo que me consta, é o primeiro ano do Australian Open após o fim da parceria com a IBM, e o torneio, que normalmente é super bem organizado, deixa a dever seriamente neste quesito em 2018.

Sobre o autor

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais.
Contato: ac@cossenza.org

Sobre o blog

Se é sobre tênis, aparece aqui. Entrevistas, análises, curiosidades, crônicas e críticas. Às vezes fiscal, às vezes corneta, dependendo do dia, do assunto e de quem lê. Sempre crítico e autêntico, doa a quem doer.

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