Saque e Voleio

As perigosas alemãs e a grande chance de Wozniacki

Alexandre Cossenza

13/01/2018 12h59

É fácil imaginar a cena. A moça abre seu laptop, clica na chave, olha ali no alto e não vê o nome “Serena Williams”. Rola a página e busca até o fim. Nada. Os olhos brilham. Se não é assim que acontece, pelo menos deveria ser assim. Afinal, a ausência da americana significa que o torneio não terá nenhuma figura dominante e que duas semanas boas podem terminar em título.

O Australian Open que começa na próxima segunda-feira (noite de domingo no Brasil) é uma dessas raras oportunidades, e Caroline Wozniacki é uma das candidatas mais interessantes. Assim como Angelique Kerber e Julia Goerges, por motivos bem diferentes. Além disso, o evento começa com o atrativo adicional de cinco tenistas com chance de roubar a liderança do ranking da atual número 1, Simona Halep. Chegou a hora, então, de este blog analisar a chave feminina. Siga adiante e fique por dentro.

A “campeã do sorteio”

Título indiscutível de Caroline Wozniacki. Para quem passou tanto tempo como #1 do mundo sem vencer um slam, já é alguma coisa. E vale dizer que a dinamarquesa é, hoje, uma tenista mais preparada para conquistar um torneio deste nível. Não só porque voltou a jogar um tênis consistente, mas porque já não é tão passiva quanto sete anos atrás.

O sorteio também joga a favor da atual #2, já que as tenistas em melhor forma estão todas na outra metade da chave. Sim, é verdade que Wozniacki pode encarar Ostapenko ou Vandeweghe nas quartas e, depois, Venus/Svitolina/Sloane/Goerges na semi, mas a parte de cima da chave tem Halep, Kvitova, Sharapova, Kerber e Muguruza (entre outras). E se muitos – este jornalista inclusive – têm dificuldade em imaginar Wozniacki campeã de slam, é preciso admitir que esse cenário já foi muito menos provável, e a própria Wozniacki sabe disso. A janela está aberta para ela.

A melhor do ano até agora

Outra ex-número 1 que chega forte em Melbourne é Angelique Kerber. Forte, não. Muito forte. Começou o ano ganhando tudo na Copa Hopman e emendou com o título de Sydney, onde bateu Safarova, Venus, Cibulkova, Giorgi e Barty. Se a alemã não jogou um tênis absolutamente dominante o tempo inteiro, esteve perto disso. Ela é, sem dúvida, quem mais mostrou tênis até agora.

O que complica a vida da número 1 é que ela precisará mostrar mais já na primeira semana do Australian Open. Em seu caminho pode aparecer Sharapova (ou Sevastova) já na terceira rodada. Logo depois, é possível um duelo com Muguruza nas oitavas. Não é o caminho dos sonhos de ninguém, mas tem um detalhe…

A incerteza de Muguruza

Cabeça de chave 3 em Melbourne, Garbiñe Muguruza não se mostrou fisicamente pronta para o Australian Open. Fez seu primeiro torneio em Brisbane e abandonou na estreia com cãibras. Em seguida, abandonou em Sydney antes da segunda rodada por causa de uma lesão na coxa direita. A espanhola disse que vem “fazendo tudo para estar totalmente recuperada”, o que significa que ela ainda não está 100% fisicamente. Para quem tem Kerber no caminho (e, quem sabe, Radwanska na terceira rodada), definitivamente não era assim que Muguruza queria iniciar seu 2018.

E a número 1?

Demorou, mas Simona Halep chegou ao topo do ranking. E, mesmo assim, justo ou não, a impressão que fica é que a romena vem correndo por fora e sem chamar muita atenção neste começo de ano. Talvez porque o título de Shenzhen tenha vindo em cima de gente como Gibbs, Duan, Sabalenka, Begu e Siniakova. Talvez porque Halep – a gente precisa lembrar, né? – ainda não tem um título de slam.

Olhando (bem) de fora, não consigo sentir sobre Halep a expectativa ou a pressão que Wozniacki, por exemplo, já sofreu. E isso pode facilitar o caminho até a primeira conquista neste nível. O problema é que a chave da romena não é das mais simples. Pode incluir um encontro com Eugenie Bouchard na segunda rodada (não, Genie não vence um jogo desde agosto, mas o potencial continua lá), um duelo com Kvitova na terceira e um jogo com Pliskova nas quartas, entre outras cascas de banana possíveis. Ainda assim, ela é a mais cotada das casas de apostas. Será que chegou a hora?

Aliás, vale mencionar também que Halep não teve seu contrato renovado com a adidas e iniciou a temporada sem um patrocinador de material esportivo (alguém, em algum lugar, trabalhou mal). Há rumores de que ela está perto de fechar com a Nike, mas ainda é possível que a número 1 comece o Australian Open com uma blusa sem marca.

A “outra” favorita

Junto com Halep no topo das cotações das casas de apostas está Elina Svitolina. Sim, à frente de Pliskova, Kerber, Wozniacki, Muguruza e Sharapova. A questão é que a ucraniana tem um tênis sólido e perdeu pouquíssimos jogos em que era clara favorita nas últimas 52 semanas. Não por acaso, alcançou a atual quarta colocação no ranking (ela também tem chance de sair de Melbourne como #1). Não por acaso, abriu a temporada com o título de Brisbane, o torneio de maior pontuação do pré-AO. Superou Suárez Navarro, Konjuh, Konta, Karolina Pliskova e Sasnovich.

A chave também é um fator importante nessa equação. O caminho de Svitolina, que ficou na mesma metade de Wozniacki, não é dos piores. Sloane Stephens, sua potencial oponente de oitavas, só fez um jogo em 2018 e ganhou apenas três games. A ucraniana pode ter uma primeira semana tranquila, ganhar ritmo e chegar voando para as últimas três partidas do torneio. Olho nela.

Correndo por fora

Karolina Pliskova foi número 1 do mundo no ano passado, mas não levanta um troféu desde Eastbourne, em julho. O outro lado da moeda é que ela também vem perdendo pouquíssimas partidas em que é a clara favorita. O potencial todo mundo conhece. A grande questão é: Pliskova é capaz de encaixar duas semanas perfeitas este mês? Não parece lá muito provável, mas não convém descartá-la cedo demais. Um detalhe: Pliskova pode encarar Bia Haddad Maia na segunda rodada. Escrevo sobre isso alguns parágrafos mais adiante.

Couldn’t stop smiling on saturday practice 😁 @australianopen

A post shared by Karolina Pliskova (@karolinapliskova) on

Outra que deve ser observada com atenção em qualquer torneio até o resto da vida é Jelena Ostapenko, a campeã de Roland Garros com 299 winners. Seu começo de ano não é lá espetacular. Fez uma exibição em marcha lenta com Serena Williams e perdeu para Makarova na estreia em Sydney. Ainda assim, se a coisa começar a fluir e seus golpes começarem a encontrar as linhas em Melbourne, vocês sabem o que pode acontecer.

E o que dizer de Maria Sharapova? Com ou sem meldonium, a russa é a tenista mentalmente mais forte do circuito-sem-Serena. Logo, tudo é possível aqui. Sua chave é que não ajuda. A ex-número 1 pode encarar Sevastova na segunda rodada, Kerber na terceira, Muguruza nas oitavas e Halep/Pliskova na semi. Hoje, parece improvável que Sharapova vença tantos jogos duros em sequência (não acontece há algum tempo), mas pode ser que ela não precise fazer esses três jogos. De qualquer modo, será um feito e tanto.

Os melhores jogos de primeira rodada

Minha lista de preferidos começa, já de cara, com Venus Williams x Belinda Bencic. A americana – por que não? – é uma das candidatas ao título, e a talentosa suíça vem numa sequência de dez vitórias (sem contar a campanha que terminou com o título da Copa Hopman). Além disso, vale acompanhar Agnieszka Radwanska x Krystina Pliskova, Stosur x Puig e Bertens x Bellis. E isso sendo um tanto rigoroso.

Tenistas perigosas que (quase) ninguém está olhando

É normal que a maioria das pessoas concentre suas atenções nas campeãs de slam e nas tenistas que brigam pela ponta do ranking, mas é bom manter um alerta para dois outros nomes interessantes: Julia Goerges e Caroline Garcia. A alemã tem 14 vitórias nos últimos 14 jogos. Foi campeã em Moscou e Zhuhai no fim de 2017 e abriu 2018 com o título de Auckland, onde abateu Caroline Wozniacki na decisão. Seu tênis agressivo anda calibrado e pode fazer estrago. Ela tem Venus/Bencic/Makarova/Begu como potencial oponente nas oitavas de final. Se passar daí, não duvidem de nada na segunda semana.

E que ninguém se esqueça de Caroline Garcia, sensação do fim de 2017 e que entra na chave do Australian Open como cabeça 8. A francesa anda meio esquecida entre as mais cotadas, até porque sentiu dores nas costas na estreia em Sydney e não jogou mais. No entanto, a semifinalista do WTA Finals caiu em uma parte bastante, digamos, acessível da chave e pode muito bem chegar pelo menos às quartas de final.

A brasileira

Beatriz Haddad Maia deu sorte. Pelo menos na primeira rodada. A brasileira vai estrear contra a wild card australiana Lizette Cabrera (#152). Foi a mesma rival de Bia na estreia em Hobart, onde a brasileira venceu por 6/3 e 6/2. Foi também a única vitória da paulista em dois torneios. Ela perdeu para Radwanska na primeira rodada em Auckland e para Elise Mertens na segunda fase em Hobart.

Não dá para não mencionar a possibilidade de um encontro entre Bia e Karolina Pliskova na segunda rodada. Seria um duelo interessante entre duas atletas que sacam bem, atacam bastante e não se movimentam tão bem assim. A tcheca seria a favorita, o que pode ser muito bom para a brasileira. Uma vitória sobre uma top 10 em um slam pode fazer maravilhas a uma carreira – qualquer carreira.

Onde ver

A ESPN tem os direitos de transmissão do torneio. Como sempre, o canal da Disney mostra o evento em dois canais e ainda exibe o ótimo programa diário “Pelas Quadras” às 21h (de Brasília), antes do início das rodadas. Todas as quadras terão transmissão pelo WatchESPN.

Nas casas de apostas

Agora no gráfico, para ilustrar o que já foi comentado no resto do post.

Sobre o autor

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais.
Contato: ac@cossenza.org

Sobre o blog

Se é sobre tênis, aparece aqui. Entrevistas, análises, curiosidades, crônicas e críticas. Às vezes fiscal, às vezes corneta, dependendo do dia, do assunto e de quem lê. Sempre crítico e autêntico, doa a quem doer.

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