Saque e Voleio

Após 'não' a Nadal, Meligeni critica técnicos e diz: Brasil parou no tempo

Alexandre Cossenza

18/11/2017 08h39

“O tênis brasileiro não se modernizou.” “Tem muito cara que acha que está jogando, e tem muito técnico que acha que está treinando.” “O que falta realmente na nossa meninada é ser profissional.” Fernando Meligeni nunca foi de meias palavras, e não foi diferente quando sentamos para conversar no Tênis de Clube de Santos, pouco depois de um jogo de seu sobrinho Felipe.

A ideia era conversar sobre seus bate-bolas com jovens tenistas (Meligeni tira duas horas da semana para jogar com garotos, tirar dúvidas e orientá-los), mas o projeto acabou sendo um trampolim para um papo sobre o tênis brasileiro, sua defasagem, seus motivos e os culpados – que não são poucos. O ex-número 25 do mundo foi nas respectivas feridas e criticou atletas, pais e treinadores.

No fim da conversa, ainda falando sobre o quanto incomoda o medo de treinadores de terem seus atletas “roubados”, o semifinalista de Roland Garros/1999 ainda faz uma revelação: disse não a uma oferta de emprego da Rafa Nadal Academy. E diria não até se Juan Martín del Potro lhe oferecesse o post de treinador. Não acredita? Então leia!

No seu post sobre o bate-bola no Facebook, você diz que jogou com 30 garotos e, resumindo o que está escrito, você viu pouca intensidade, garotos agredindo pouco, cortando pouco tempo, sacando só para colocar a bola em jogo, pouca variação… Não pergunto como uma crítica à sua análise, mas não é assim o tênis brasileiro há algum tempo?

Sim. O tênis brasileiro brasileiro não se modernizou.

Era onde eu queria chegar. Acabou a entrevista. (risos)

É. Nossos técnicos não se modernizaram, continuam achando que a realidade é o que eles vivem dentro do próprio clube e do que eles conversam entre eles. Para mim, o tênis mudou. Hoje, eu não jogaria tênis se eu jogasse como eu jogava. A análise que eu faço é: quantos Ferrers existem no circuito hoje?

Um.

Quantas Saras Erranis você tem no circuito?

Uma. E os dois caindo.

Quantos caras parecidos ao Fernando Meligeni que foi #25 do mundo jogam tênis hoje?

E não é só você, #25. É um Bruguera, bicampeão de Roland Garros.

Bruguera! Ótimo nome. O tênis mostrou hoje que mudou. O meu bate-bola é dedo na ferida – para não falar na bunda (risos) – o tempo inteiro porque eu estou tentando mostrar para a molecada que ou você joga para ganhar hoje nos 14 anos e 16 anos ou você vai ficar no tempo. Não é pela idade, é pela maneira de jogar. O Zverev é a grande demonstração. Aí a galera fala “mas o Thiem deixa a bola cair”. Mas você vê a aceleração de braço que ele tem?

É absurda.

É absurda. É um estilo, mas deixar ele entra de esquerda e mata o ponto.

E, ainda assim, é um cara que tem certa dificuldade quando o jogo fica acelerado em quadra dura porque a preparação daquele backhand é longa.

Isso mesmo. Eu acho que o tênis está muito claro. A quadra está mais lenta, a bola está mais lenta, só que os jogadores estão mais físicos e mais rápidos, então a galera está chegando melhor na bola, encurtando mais o tempo, pegando na subida. Não existe mais deixar a bola cair. Então é um novo tênis. Só que a gente (brasileiros) está demorando muito para perceber. Se você pegar o nosso casting de jogadores, ainda é de outra geração. O Rogerinho joga como antigamente, o Feijão joga como antigamente, o Thiago Monteiro joga como antigamente, mas com uma puta possibilidade de jogar como precisa jogar. O Thomaz (Bellucci) ainda joga um pouco como antigamente, podendo jogar como se joga hoje… E a nova geração toda. O Felipe (Meligeni) joga como antigamente, o (Thiago) Wild um pouquinho mais para a frente, mas a grande maioria dessa molecada joga como antigamente. A gente está querendo quebrar uma parede que é dura.

Esse tipo de tênis… Os nossos bons juvenis jogaram assim – como juvenis. Não é querer criticar ninguém especificamente, mas o Zé Pereira foi um puta juvenil jogando assim.

Zé Pereira, Romboli, Nicolas Santos, Orlandinho. Quatro dos nomes maiores. Não é uma crítica, mas não conseguiram estourar e quebrar a barreira dos 100. Vamos colocar a barreira dos 100, que é a barreira dos grand slams. Por quê? na minha visão, pela mudança de jogo. Os quatro são jogadores que jogam muito bem tênis, batem muito bem na bola, são inteligentes – uns mais do que outros – para jogar tênis, só que os quatro jogam com a bunda na parede. “Bunda na parede” é uma expressão minha, que é caindo para trás, esperando a bola.

Eu estava preparando perguntas para o Zormann – vou falar com ele daqui a pouco – e ele fez vários jogos com o Khachanov no juvenil. E ganhou. Hoje, o Khachanov está nos 100, jogando Finals Next Gen, avançando em slam… E não é por ser o Zormann. É uma história que se repete há algum tempo.

Entra muita coisa aí também, né, Alê? Os caras estão pagando o preço enquanto a gente ainda não está pagando o preço. Muitos dos meninos aqui no Brasil não estão pagando.

Você fala de ir para a Europa e ficar lá meses a fio, jogando?

Pagar o preço é pagar o preço! É se foder! É jogar! É treinar 18 horas por dia, é ser profissional no negócio. O que falta realmente na nossa meninada é ser profissional. Eu, quando jogo com esses 32 meninos, tem muito menino bom, que bate bem na bola. E aí a gente entra num outro ponto, que é hoje o tênis brasileiro ser gerido por técnicos que trabalham com muitos jogadores ao mesmo tempo.

Isso foi uma coisa que eu conversei com a Carol e o Felipe (sobrinhos de Fernando Meligeni). Os dois estavam na Afini e saíram porque precisavam de um pouco mais de atenção específica. Não é uma crítica ao Afini, mas…

Não! É uma crítica aos centros de treinamento. Eu lembro que alguns anos atrás, quando eu fui no Afini e voltei e falei com a galera, eu perguntei: “Quantos jogadores brasileiros vieram de centro de treinamento?” De grandes centros, com cinco, oito, dez tenistas. Quantos? Saretta veio? Ricardinho veio? Não? O Thomaz veio? Não. Eu vim? Não. Jaime veio? Não. Mattar veio? Não. E aí os pais, com todo respeito, continuam botando em centro de treinamento.

Nem Thiago Monteiro nem Tiago Fernandes…

Thiago Monteiro não veio… Tiago Fernandes era do Larri. Não dá para chamar de centro de treinamento porque ele é super presente. É um cara que olha. O que eu acho? E eu entendo que não fecha a conta. Todos técnicos falam para mim que não fecha a conta. Concordo. mas eu não posso treinar um jogador olhando para seis. O Felipe tem que ser olhado aqui (gesticula mostrando pouca distância) o tempo inteiro. Ganhou 6/2 e 6/0? Primeira coisa que fiz foi crítica. Crítica. Negativo quando não deveria, falta de intensidade, reclamando com 6/2 e 5/0. Ele estava esperando “parabéns, do caralho, u-hu, é nós!”, mas não. Isso é técnico. O técnico que está com muita gente, é “peraí que vou ver o outro jogador.” E essa conversa de vestiário é o que mais vale.

Não tem um culpado só, né?

Não.

Porque tem a parcela do técnico, a parcela do jogador…

Tem culpa do pai!

Não entro nem no mérito de CBT nesse caso porque a confederação, com dinheiro ou sem dinheiro, leva o atleta até certo ponto.

Concordo.

A partir de um momento, é responsabilidade, vontade, uma série de fatores que são do jogador.

O que eu acho, que percebo… Não é me gabar do projeto, mas ele está me dando uma base que eu nunca imaginei. Quando eu faço esse relatório, todos os pais têm basicamente a mesma dúvida e as incertezas. Os técnicos, no começo, não vinham. Agora começaram a vir. Tem muito técnico aí que não manda. Um monte. já briguei com dois ou três. Você sabe que eu vou brigar. Caguei. Mas não mandam. Eu não vou treinar nunca eles (os garotos que vão ao bate-bola). Eu não treino meu sobrinho, que joga bem, por que vou roubar teu jogador? A minha tentativa… Eu pego o telefone quando acaba e ligo para o cara. Eu abri o WhatsApp, e a grande maioria dos meninos…. Estou falando com uns 10 meninos hoje. Pedro França, Pedro Mancini, o Cunha… Os moleques me mandando mensagem. “Pô, tô conseguindo fazer aquilo” ou “discuti com meu técnico aquilo que você falou e decidimos fazer”. Que legal!

Essa questão dos técnicos… Desde que eu comecei a cobrir tênis, eu sempre ouvi de técnicos a reclamação de que eles não são unidos. Que um fecha treino, que não gosta de mostrar o método, que um isso, o outro rouba jogador… Não sei se isso tem a ver com o tamanho do país, que faz todo mundo trabalhar meio longe, ou se é realmente… Tem solução para isso?

Tem. Perceber que a gente vai morrer. Ontem, eu me reuni com o Daqui Pra Fora (empresa de consultoria que ajuda tenistas a conseguirem bolsa de estudos nos EUA). Pra quê? Pra mandar meu sobrinho?

Isso foi outra coisa do relatório. A maioria já pensando no universitário.

Eles estão olhando isso já. Eles (Daqui Pra Fora) vieram e me ligaram. “Vamos conversar?” Vamos. O que eu fui fazer? Fui me instruir. Eu preciso me instruir? Não. Peguei o Gustavo, o Thiago e falei “me conta”. Eu quero ter exatamente o que é. Que moleque pode ir? Qual é a filosofia lá?

Quanto custa ir estudar nos EUA?

US$ 45 mil, mais ou menos, por ano, é o que custa a faculdade lá. Só que a grande maioria tem bolsa, dependendo de quanto você joga. A partir daí, um exemplo: o Alexandre Cossenza é um cara que joga muito bem. Eles (faculdades) usam seis jogadores e tem 450% para dar de bolsa. Eles têm que pegar o time e dar 450% de bola. Então se eu dou 100% de bolsa para o Cossenza para ser o meu número 1, sobrem 350%. Aí eu dou 75% para o número 2. E sobra tanto. Aí tem os níveis. Se o Felipe tivesse querido ir, ou o Orlandinho, iria ganhar 100% da Divisão I. se um menino não joga no mesmo nível, ele pode ganhar 100% na Divisão II ou vai ganhar 30% da Divisão I para ser o número 6. Aí vai da tua vontade, do teu dinheiro. Também tem a Divisão III. Só que na Divisão II e na Divisão III, a gente sabe que a chance de o moleque continuar jogando tênis é pequena. Então foi importante para mim, mas será que os técnicos sabem isso? Se o moleque fala “será que eu vou para os EUA?”, e o técnico responde “é melhor você não ir”, ele responde baseado em quê?

Em manter o emprego dele.

Em manter o emprego. Uma coisa que eu sempre falo para os tenistas é que a vida de tenista é uma. A vida de técnico são várias. o Ricardinho (Mello) está treinando o Fê. Se o Ricardinho fizer corpo mole, amanhã vem outro cara para treinar com o Ricardinho. A vida do Fê acabou. Como tenista? Acabou. Essa noção o técnico tem que ter. Cada vez que um menino entra lá (no bate-bola), para mim é o Roland Garros do cara. Ontem veio um moleque de Curitiba com o pai. Bate super bem na bola. Adorei o moleque. Ele falou “obrigado”, eu disse “obrigado por quê? Obrigado a você por ter vindo, acreditado. Tudo bem, estou dando um tempo para vocês, mas vocês estão vindo de Curitiba.” Uma menina veio de Brasília. Tem menino de Alagoas se inscrevendo. Se nosso treinadores olharem isso como trabalho, como você ganha dinheiro para ser jornalista, se a gente fizer isso, a gente melhora. Tem muito cara que acha que está jogando, e tem muito técnico que acha que está treinando. Só que eu não encho uma mão de jogadores e não encho uma mão de técnicos no Brasil. Isso repercute, eu sei, mas não enche uma mão de técnico no Brasil. Técnico que está dando a bunda pelo jogador, que está acordando de madrugada para ver se o moleque ganhou, que está procurando saída da maneira que o moleque joga, que está olhando lá fora como está jogando o Khachanov, como está jogando o Rublev. Todos eles jogam mais ou menos parecido hoje em dia, e aqui a gente ensina a mandar a bola para cima.

E essa última geração que está surgindo não tem mais buraco óbvio no jogo. Não existe mais aquilo de “vai na esquerdinha ali que dá”…

“A esquerda do Fino era uma merda.”

Todo mundo dá slice bem, todo mundo sobe à rede direitinho – uns melhores do que outros – as não tem mais cara que voleia mal hoje.

Ficou até chato o jogo de tão previsível que ele é. Parecido, né? Eu não vejo tanta diferença. mU joga um pouquinho mais frente, o outro mais atrás, um bate mais, o outro bate menos. Até um Zverev, que mede dois metros, joga parecido com o Djoko, que mede 1,80 e poucos.

O projeto, então continua em 2018?

Não tenha dúvida nenhuma. Isso é por tempo indeterminado. Quem vai me fazer parar são os jogadores e os pais. Os técnicos, não, porque eu brigo. (risos)

Você faz muitas clínicas pelo país e, bem ou mal, está ouvindo e conversando com quem gosta de tênis. Você sabe o que as pessoas pensam e as dúvidas que elas têm, mas a impressão que eu tive é que esse projeto de teu uma noção diferente, não?

Totalmente. Hoje, eu posso falar que entendo quem são os jogadores brasileiros como um cara que viaja todo dia. Até para você entender, no bate-bola das 14h, eu pego 40 minutos antes e já estou conversando com o pai. Faço um briefiing. O que ele faz, como faz, onde treina e tal. Aí boto o garoto e jogo 40, 45 minutos. Tento mexer o mínimo possível ou nada em técnica e tento fazer o cara descobrir quem ele é. Poucos meninos sabem quem eles são dentro de uma quadra de tênis. Se eles são um Nadal, um Federer, um Djokovic, agressivos, por que jogam um metro atrás da linha, por que não jogam mais na frente… Entro muito nesse lado. Acabou os 40 minutos, boto o pai e o técnico dentro da quadra para eles escutarem tudo que eu estou falando. Acabou aquilo, o pai ou o técnico fala, e eu aperto o jogador: “O que você quer? Está aqui a passeio ou está jogando?”

E a maioria diz o quê?

A galera quer. Só que eles acham que aquela intensidade que eles estão colocando está bom. Só que a grande maioria… Eu bato 15, 20 minutos e eles estão com a língua pra fora. Eles nunca jogaram nessa intensidade. Nunca tiveram um cara “aqui” (nessa hora, Meligeni levanta da cadeira e mostra a diferença entre um movimento que os garotos fazem e o que ele considera ser a intensidade ideal). É um jeito meio Larrizão.

Foi a imagem que vaio na minha cabeça agora: Larri Passos.

A diferença é que eu não sou tão duro quanto o Larri, mas eu sou duro. Acredito no tênis duro. Pergunta para o Felipe que eu sou brando. Quer falar com o tio? Vai cagar de rir. Quer falar de tênis? Duro. A Carol é prova. Dou um puta esporro se precisar. Falo. Chora, grita, discute, mas “tá bom, entendi”. Isso é tênis, é profissão.

A gente para e pensa… E, de novo, não é uma crítica a essa ou a outra administração da CBT, mas tem você, tem Kirmayr, tem Guga, tanto tenista que jogou profissional, e você não vê pessoas procurando esses ex-tenistas que seja pra pedir informação…

Você lembra quando eu criticava o Jorge (Lacerda) lá atrás, e as pessoas achavam ruim? Você não acha que se a gente tivesse sentado e conversado que nem gente, batendo papo… “O que você gostaria de fazer, Fino?” Eu sempre falei isso e sempre fui mal interpretado pelos dirigentes. Tenista, ex-tenista, não tem que ser técnico só. Existem muitas maneiras de poder ajudar. Essa, que estou fazendo, é uma. Se bobear, muito mais importante do que ser técnico do Bellucci ou do que ser capitão de Copa Davis.

Pode afetar muito mais gente.

Pode afetar muito mais. Só que como se chega nisso aqui? Conversando. Tomando uma água com gás e batendo papo. Imagina se o Jorge, lá atrás, “você dá duas horas para o tênis?” Eu daria! É que eu não tinha pensado nisso. Nunca tinha passado na minha cabeça. Por que não? Eu ia cobrar? Jamais! Ia pedir contrapartida? O Westrupp (Rafael Westrupp, atual presidente da CBT) perguntou “posso te ajudar?” Eu não quero. Já veio psicólogo, psiquiatra, cara de marketing esportivo, advogado e marcas querendo ajudar. Para todos, disse não. Primeiro que nunca vai ser para mim. Se algum dia eu conseguir botar uma marca, vai ser “como isso aqui vai ajudar os meninos?” Então estou abrindo para escutar, mas não quero em nenhum momento, ganhar um real. E daqui a dez anos, se isso aqui existir, você vai falar “caralho, o cara não ganhou nunca um real.” Porque isso aqui é uma benfeitoria, uma ajuda ao tênis brasileiro. Vai pedir contrapartida? Não. Vai pedir alguma coisa para a CBT? Não.

Para terminar, quem quiser participar de bate-bola faz o quê?

Manda email para batebola@trainersports.com.br. Uma das coisas que mais me pega é que… Pelo amor de deus, eu não acho que todo mundo tem que jogar comigo, só que é uma oportunidade, né? E tem muito menino… Os dois meninos de 16 anos, os melhores do Brasil, não jogaram nem se inscreveram. As meninas, melhores do Brasil, não se inscreveram… Um monte de lugar não se inscreveu. Se é o menino ou o pai que não acredita, jamais discutiria. Se é o técnico que acha que não vale a pena, eu vou brigar até a morte. E sou capaz de ligar para o pai e foder esse cara. Isso não pode acontecer por vaidade.

Ainda tem muito isso de técnicos acharem que você quer roubar os tenistas?

Se isso aqui fosse uma tentativa de plano B… Eu estou me expondo com você. Se amanhã, eu for lá e pegar quatro meninos, aí você fala “lembra do que você falou comigo?” e enfia na minha bunda. Estou me expondo diariamente. Não quero. Se amanhã, o Del Potro chegar e falar “Fino, você quer me treinar?”, eu vou falar não.

Mentira (risos)!

Tô falando sério.

Del Potro!?

Não.

Ah, para! (mais risos)

Você me conhece. A pessoa que vier e pagar o que for, não me tira de casa.

(enfatizando) Del Potro?

Del Potro, Zverev, quem você quiser. E você sabe que eu não blefo. Porque é uma coisa de vida minha. Eu sou feliz com o que eu tenho. Eu não preciso de mais ou menos marketing ou mídia. E, cara, eu não seria mais feliz por ter colocado o Del Potro como número 1 do mundo. Não seria um objetivo de vida para mim. Objetivo de vida é ver meus filhos crescerem, é ajudar o tênis, é ajudar o tênis brasileiro. Estamos falando Del Potro, mas pode ser quem for. Não tem. Não quero, de verdade. Eu recebi uma proposta para ser o cara que ia tocar a academia do Nadal no Brasil. Pelo Carlos Costa, dois anos atrás. Aceitei? Não.

Eu não sabia.

Estou te falando em primeira mão. Eu seria o cara no Brasil para levar garotos e cada vez que o Toni viesse no Brasil. Eu receberia o Toni, faria eventos com ele aqui. O Carlos disse “o cara no Brasil é você”. Obrigado, não quero. “Mas é o Rafa, você vai ter contato com o Rafa.” Não quero. Comigo é muito “sim ou não”. Não sei nem quem pegou, se alguém pegou. Quando encontrei com ele (Costa) depois, disse que me senti muito honrado. Mas não quero. Para mim, é muito claro o que eu quero fazer. Saiba o que você quer fazer, mas saiba principalmente o que você não quer fazer.

Sobre o autor

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais.
Contato: ac@cossenza.org

Sobre o blog

Se é sobre tênis, aparece aqui. Entrevistas, análises, curiosidades, crônicas e críticas. Às vezes fiscal, às vezes corneta, dependendo do dia, do assunto e de quem lê. Sempre crítico e autêntico, doa a quem doer.

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