Saque e Voleio

A reinvenção de Carol Meligeni Alves

Alexandre Cossenza

24/08/2017 06h00

A temporada 2017 não começou fácil para Carol Meligeni. Ou Carolina Alves, como aparece no site da WTA. Ou Carolina Meligeni Rodrigues Alves, o nome completo que (quase) aparece nas programações de torneio e no perfil da tenista no site da ITF. Com 21 anos e ocupando o 467º posto no ranking mundial, a campineira decidiu colocar o pé no freio no circuito, fazer uma autoanálise e mudar geral.

Se 2016 terminou com seu primeiro título de simples – em um torneio de US$ 15 mil na Tunísia – este ano os resultados não apareceram. Sozinha, Carol fez uma longa viagem por Itália e Espanha, jogando torneios mais fortes, de US$ 25 e US$ 60 mil, e acumulou 11 derrotas em 12 semanas. Descansou pouco e não somou um triunfo sequer em chaves principais. A sequência machucou, mas deu o recado necessário. Era hora de se reinventar.

Quando voltou ao Brasil, em junho, conversou com os pais e o tio, Fernando Meligeni, e decidiu o rumo: a academia de Hernan Gumy, ex-técnico de Gustavo Kuerten, Marat Safin, Ernests Gulbis e Svetlana Kuznetsova. Carol fez as malas para Buenos Aires e, ao chegar, sentiu o impacto. Levou broncas, chorou, escutou, viu e ouviu sobre todas suas falhas. E, mais do que qualquer outra coisa, treinou. Treinou muito e muitas coisas diferentes. Sabia que precisava de vários ajustes no jogo e na preparação e topou se reinventar e jogar o “jeito real de jogar tênis”.

Antes de voltar embarcar para Turquia nesta semana, Carol conversou comigo e falou bastante sobre os últimos dois meses. Abriu o jogo – mesmo – e disse muitas coisas que poucos falariam a um jornalista (tenista não é um bicho muito chegado a admitir erros e deficiências, né?). Falou dos problemas que teve no Brasil, lembrou do patrocínio da Asics que perdeu no dia em que conquistou seu primeiro título e da dificuldade de viajar sozinha porque a família não pode bancar treinadores para os dois filhos tenistas.

Carol falou sobre como foi duro perceber que seu jogo não era suficiente para sobreviver no circuito – não do jeito que ela queria – e também falou sobre como é treinar com Gumy no dia a dia, sobre as muitas mudanças que o treinador e sua equipe vêm cobrando e sobre morar numa pensão de freiras na capital argentina. Foi um papo bem bacana – e bem longo – que eu publico na íntegra abaixo. É só rolar a página…

Conta um pouco sobre essa sequência de torneios… Foi bastante tempo fora do Brasil e muitas semanas seguidas…

Eu tinha jogado umas semanas no fim do ano passado na Tunísia, torneios de US$ 15 mil, e fui bem, subi bastante no ranking. No começo deste ano, joguei uns torneios de US$ 25 mil no Brasil. Depois, não iria ter nada na América do Sul, e eu não via muito sentido em treinar de novo, já que eu tinha mal acabado a pre-temporada. Fui para a Europa jogar torneios de US$ 25 mil para mudar, já que eu tive bons resultados nos de US$ 15 mil. Joguei na Itália, na Espanha, depois voltei para a Itália. Não fui bem. Lá, eu percebi um monte de coisa que eu tinha que mudar no meu jogo, que eu tinha que ser mais agressiva. Não podia ficar passando bola e correndo. Eu tinha que fazer mais. Para mim (a viagem) serviu demais por causa disso. Apesar de eu não ter conseguido bons resultados, consegui perceber um monte de coisas e me serviu muito de amadurecimento para parar, pensar e tomar a decisão que eu tomei de sair de onde eu estava treinando para ir treinar com o Hernan.

Como foi esse processo de decisão? O que você sentia quando chegou dessa viagem?

Sempre tive meu tio muito presente. Eu viajava muito sozinha, então ele sempre foi coach de WhatsApp (risos), a gente brinca. A gente sempre se falou bastante e comecei a perceber que eu precisava do acompanhamento de alguém mais perto. Lá na Afini Tennis, era muita gente. Muitas vezes com quatro pessoas na quadra e tinha coisas que eu não acreditava mais no trabalho, sabe? Eu me sentia numa fase que eu precisava de alguém mais perto de mim, me acompanhando mais. Não só de viajar para os torneios, mas no dia a dia mesmo, uma coisa mais específica. Aí, conversando com a minha família e meu tio, ele falou para eu fazer um teste lá. Eu fui, fiquei uma semana e meia e tive de voltar para jogar os Regionais. Quando voltei, a gente decidiu que eu iria ficar lá, que vai ser minha base de treinos.

Seu tio me disse que na primeira conversa, o Gumy foi bem duro. Imagino que seja sempre um ruim para o ego, mas um ruim necessário. É assim que você vê?

É que eu tive muitas mudanças no jeito de jogar. Eu jogava de um jeito, aí fui com a equipe da ITF jogar os grand slams e me falaram para jogar de um jeito diferente. Daí eu me perdi um pouco e quando voltei me fizeram jogar de outro jeito e fiquei um tempo sem saber qual era minha característica de verdade para jogar. Na Tunísia (em 2016), eu fui para jogar seis semanas e me machuquei na segunda, então fiquei dez dias sem conseguir levantar da cama. Acabei conseguindo voltar a competir e, nessa de lesão e tudo mais, eu tive que dar um jeito, aprender a competir. Isso me serviu muito porque, sei lá, eu tive de me virar muito. Eu não estava com muito tênis por causa dos dez dias sem jogar, então eu me virei correndo e dando um jeito. Com isso, eu aprendi a competir e comecei a ganhar um monte de jogo. Ganhei meus primeiros futures lá e tudo mais. Fiz semi, quartas… Eu não achava que era o jeito certo, mas era o que estava fazendo eu ganhar jogo. Correndo e botando a bola lá.

E depois…

Quando eu fui fazer a transição para os torneios de US$ 25 mil, eu tomei muito na cabeça. Muito swing volley, eu sentia que eu só corria e não fazia nada. Com as meninas dos US$ 15 mil, eu ainda conseguia me safar. Elas acabavam errando em algum momento, ficavam loucas, e eu conseguia ganhar. Só que com as meninas dos US$ 25 mil, não. Então eu comecei a perceber isso e disse “meu, você olha na TV e não tem ninguém mais jogando assim”. Desde US$ 25 mil até o topo. Eu falei “tenho que mudar e ser mais agressiva”. Não é jogar em cima da linha que nem a Bia [Haddad Maia] porque não é o jeito que eu consigo jogar, tanto por altura e físico. Eu não tenho esse perfil. Mas tenho que fazer mais com a bola. Lógico que foi duro escutar e perceber isso no dia a dia, só que foi muito necessário e me ajudou muito porque eu voltei com uma visão muito diferente do tênis. Melhorei demais nessas semanas que eu treinei em Buenos Aires e ajustei essas coisas. Não significa que vou chegar e ganhar todos os torneios, mas vou jogar de um jeito diferente, me adaptando ao jeito real de jogar tênis.

E que mudanças são essas?

Mudaram muitos detalhes de técnica. Não de empunhadura em si, mas, por exemplo, pôr a mão mais na frente para pegar a direita menos atrasada e conseguir fazer a bola andar mais. Na esquerda, a mesma coisa. Na movimentação, muita coisa. Lá, eu descobri que eu não sabia deslizar no saibro! É um absurdo para alguém que joga correndo! Se você não consegue deslizar, você não consegue chegar apoiada para contra-atacar. Daí eu fui descobrindo um monte de coisas também com os preparadores físicos porque é um trabalho totalmente linkado. Eles me disseram, por exemplo, para trabalhar adutor e abdutor primeiro e, depois, a gente começa a deslizar. Tem todo um processo assim para começar a deslizar. No saque, eu não juntava a perna, e a gente decidiu que agora eu vou juntar. Cair mais para dentro… Não é jogar em cima da linha, mas é começar atrás e ir entrando. E pensar mais taticamente também, não jogar por jogar. É chegar num momento do jogo e saber o que você vai fazer. Então, junto com a galera lá, não só com o Hernan, com todos outros da equipe, cada um foi dando uma dica diferente. Eu senti uma evolução bem grande, principalmente no amadurecimento de entender que “é assim que precisa jogar, então vamos dar um jeito de ser o melhor possível dentro das minhas características e do meu porte físico.”

O dia a dia do treinamento é muito diferente do que você tinha no Brasil ou da época que você treinou no Uruguai?

Não é a rotina que muda, não são as horas de treinamento. Isso é meio padrão. O que mudou muito para mim foi, principalmente no começo, quando eu estava mudando mais coisas, eu começava às 8h, todos os dias, mano a mano com o Hernan. Ele e eu e “vamos lá” arrumar os negócios. Com essa paciência, sabe? Ele disse “Temos que arrumar 50 coisas? O que precisa para você mudar? Acordar às 8h e ficar mano a mano comigo? Então vamos!” Senti muita diferença no preparo físico porque é totalmente diferente. Sempre amei meus preparadores anteriores, só que esse trabalho é totalmente diferente. Muito trabalho estrutural, sabe? Se você vai fazer peito, você não faz supino na máquina. Você faz em cima de uma bola para contrair glúteo e tentar se equilibrar ao mesmo tempo, trabalhar o corpo inteiro. Fazer resistência não é correr 80 mil quilômetros. Vamos na quadra fazer trabalho específico dentro dos movimentos que eu preciso fazer no tênis. É muito mais personalizado. Eles conversam todos os dias sobre o que cada um lá vai precisar. Não é o que der na telha. Eles se programam muito.

E o Gumy? Eu lembro de entrevistá-lo algumas vezes na época do Guga, e ele parecia tranquilaço. Ele tinha um jeito meio carioca de falar. Como é na quadra?

Ele é muito tranquilo, a gente se deu super bem. Por ele ter treinado uma mulher antes – ele treinou a Kuznetsova – tipo, ele já sabe lidar. De repente, eu tinha um dia que começava a chorar do nada. Ele sabe que é normal, nem fala “vamos fazer tal coisa para não acontecer.” Ele diz “vai acontecer e é isso”, entendeu? Ele sabe lidar com essa sensibilidade e o jeito diferente de treinar uma mulher. É diferente. Precisa ter um jogo de cintura maior do que com homem. Um homem, se alguém manda você se f…, cinco minutos depois está tudo ótimo. A mulher (risos) vai ficar brava, vai chorar e tudo mais. Mas ele é muito tranquilo e muito paciente. Tem muitas coisas que eu tenho dúvida ou não consigo pegar de primeira, e ele está sempre ali atrás, te lembrando, sempre ali no seu pé. Ele é muito perfeccionista. Se você está batendo há duas horas e não pegou nenhuma direita atrasada, aí uma bola que você atrasa ele está ali falando.

Pelo que você diz, ele consegue ser exigente, mas consciente, né?

Ah, sim. Ele é duro. Meu primeiro set de treinamento que ele viu jogar, contra uma menina, tomei esporro (risos). “Não dá para jogar assim.” Então tomei esporro, fiquei uma hora, uma hora e meia conversando com ele e os outros treinadores, chorando (mais risos), mas já entendi e no dia seguinte já foi outra coisa. Depois disso, em todos os outros sets que joguei, tive outra atitude. Tipo, ele é duro quando tem que ser, mas, por exemplo, ele também reconhece muito as coisas que você faz bem. Na quadra, ele vai encher o saco, vai ficar te marcando, mas toda sexta-feira, quando acabava o treino, eu chegava em casa e tinha uma mensagem dele, dando o feedback da semana, dando parabéns… Acho super importante também esse reconhecimento porque você está ali todo dia, treinando para caramba, tendo suas frustrações porque é um monte de mudança e tudo mais, e depois ter o reconhecimento do cara que está com você todos os dias, dizendo “foi boa semana”, “você está treinando bem”…

Isso é importante em qualquer trabalho, qualquer emprego…

Claro, dá um ânimo. Na primeira vez que ele mandou, eu falei “pô, que legal”, mas achei que era só por ser a primeira semana, mas ele continua mandando sempre.

Imagino que te dê muito mais confiança estar com um cara que treinou o Guga, o Cañas, o Gulbis, a Kuznetsova, e o Safin, não?

Ele também já viajou algumas semanas com a Mladenovic, a Wozniacki… Isso me dá muita confiança. Eu funciono muito à base disso. Eu funciono em chegar na quadra e saber que eu mereço ganhar e ter um resultado bom porque venho trabalhando direito, certo, com pessoas que estão atrás de mim e acreditam e sonham junto comigo. É uma coisa que me dá muita força.

E você volta ao circuito quando?

Eu viajo na madrugada de quinta [24 de agosto]. Eu e eu irmão [Felipe Meligeni Rodrigues Alves] estamos indo para a Turquia. Eu vou com uma das treinadoras do time, a María José Gaidano [tenista que foi #65 do mundo e capitaneou a Argentina na Fed Cup] e outra menina que treina no clube. Vou ficar sete semanas. Dessas sete, vou ficar acompanhada em cinco. Depois, ela [Gaidano] volta. Vou jogar os torneios de US$ 15 mil em Antália. A gente decidiu que depois de jogar uma gira longa de US$ 25 e US$ 60 mil e não ter conseguido os resultados que eu gostaria e depois dessas mudanças, melhor jogar US$ 15 mil para ir me adaptando a esse novo jeito.

Naquela viagem por Itália e Espanha, você ficou sozinha o tempo inteiro?

Eu fui sozinha e encontrei com o [Leandro, treinador] Afini durante duas semanas porque eram torneios mistos. Poucas vezes eu viajei acompanhada porque lá em casa são dois que jogam [o irmão mais novo, Felipe Meligeni Rodrigues Alves, tem 19 anos e cinco pontos na ATP], é mega caro, então bancar treinador sozinho é muito difícil. Quando eu treinava na Afini, não tinha menina para dividir comigo, nada do tipo, entendeu? Então era mais complicado. E agora, na primeira parte dessa mudança, a gente achou importante ir acompanhado.

Sobre essa questão do dinheiro, lembro que quando você ganhou seu primeiro título, no fim do ano passado, você ligou para casa e soube que tinha perdido o patrocínio da Asics [a fabricante reduziu consideravelmente seus investimentos na modalidade dentro do Brasil, encerrando a parceria com a CBT e vários tenistas do país]. Como foi isso?

Foi (isso). Eu tinha uma ideia que poderia acontecer porque ouvia rumores de que a Asics ia sair do tênis, então nem foi por falta de resultado, mas (risos) foi um timing horrível. Eu tinha ganhado o primeiro título da vida em simples e eles falaram que não ia ter mais o patrocínio.

Hoje em dia o que te ajuda a bancar um custo ou outro?

Bolsa Atleta, que esse ano eu acabei pegando, e os Jogos Regionais por São José. Eu treinava lá, e eles têm uma lei de incentivo fiscal. São as únicas ajudas de grana. Tenho Fila e Wilson, que não é dinheiro, mas não deixa de ser material, e recebi um patrocínio CBT/Correios em passagens aéreas.

O resto é por conta da família?

O resto é com o que consigo ganhar em torneio. Pago hotel e vou fazendo girar.

Como está sendo morar em Buenos Aires? Eu sei que você já morou sozinha, em Montevidéu, mas e agora, como é?

É cidade grande, mas o treino é perto de onde eu moro, então é fácil. No mesmo lugar que eu moro, há outras meninas que treinam lá, então elas deram uma mão. A gente vai até o ponto de ônibus, que está a cinco quarteirões de onde a gente mora, e a gente salta a três quarteirões de onde a gente treina. Eu me viro bem por já ter morado fora e viajar sozinha faz tempo. Mesmo sendo bem diferente de Montevidéu, que era tranquilo até demais, estou gostando bastante de lá.

Algumas do find #altoteam

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Você cuida da casa sozinha?

Eu moro numa pensão de freiras (risos). Quando eu falei com o Hernan, ele disse que algumas meninas que treinam no clube moram nesse lugar. Aí caí lá, e era uma pensão de freiras (mais risos). É super tranquilo. É um prédio onde no primeiro andar estão as freiras e nos outros estão meninas que estudam, trabalham, sei lá. Mas só mulheres. Tem uma cozinha em cada andar, então cada uma pode fazer sua comida, e cada menina cuida do seu quarto, faz faxina.

E você cozinha?

Eu amo cozinhar. E também tenho umas restrições de comida, tipo intolerância a glúten. É bom poder ter cozinha, daí eu consigo lidar com isso.

Pra terminar, só por curiosidade, que nome você está usando nos torneios agora? Carolina Alves, Carolina Meligeni, qual? Porque eu vejo nomes diferentes nos sites da WTA e da ITF…

Aparecem todos (os nomes). Carolina Meligeni Rodrigues Alves, não sei nem como faz pra mudar isso. São dois metros de nome, a galera sempre me zoa. Nem dá pra ver meu nome na programação. Aparece “Rodrigu”, nem fica o “Rodrigues” inteiro. Alguma coisa tem que tirar, mas pra mim é indiferente. No Brasil, as pessoas me conhecem – entre aspas – porque eu sou Meligeni, mas lá fora é o último nome, que é Alves. Muitos nem fazem ideia do Meligeni.

Sobre o autor

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais.
Contato: ac@cossenza.org

Sobre o blog

Se é sobre tênis, aparece aqui. Entrevistas, análises, curiosidades, crônicas e críticas. Às vezes fiscal, às vezes corneta, dependendo do dia, do assunto e de quem lê. Sempre crítico e autêntico, doa a quem doer.

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