Saque e Voleio

A Copa Davis e a ITF golpista

Alexandre Cossenza

05/08/2017 12h47

A Federação Internacional de Tênis (ITF) realizou de 1º a 4 de agosto sua Assembleia Geral em Ho Chi Mihn, no Vietnã. O principal assunto do encontro era a discussão sobre as regras da Copa Davis. Nunca foi segredo que o presidente, o americano David Haggerty (o cidadão da foto), assumiu o cargo querendo mudanças. Para isso, a diretoria da ITF preparou um grande pacote de alterações que foi votado no Vietnã.

O pacote incluía as seguintes propostas:
– Todas as partidas de simples seriam jogadas em melhor de três
– Finalistas da Davis e da Fed sediariam seus primeiros duelos no ano seguinte
– Mudaria a regras dos “dead rubbers” (jogos após a definição dos confrontos)
– Redução nos custos para as associações nacionais
– Redução nos compromissos obrigatórios dos atletas

Nem precisa dizer que a mais relevante e significativa dessas mudanças seria a alteração do formato atual, com jogos em melhor de cinco sets, para melhor de três. Isso significa uma enorme alteração na essência da Copa Davis (mais abaixo neste post, entro especificamente no assunto).

E foi justamente a proposta que não foi aprovada na assembleia geral. Segundo os protocolos da ITF, é necessária aprovação de 2/3 dos países membros para que algo seja alterado. A votação, no entanto, apontou 63,54% de votos favoráveis. Foi por pouco, mas os cinco sets continuarão na Copa Davis.

Ou não! Foi aí que veio o golpe. Menos de cinco horas depois de Haggerty soltar um comunicado dizendo estar decepcionado, mas que respeitava a decisão da assembleia (leia a notícia aqui), chegou outro email da ITF: “assembleia aprova resolução para dar mais autoridade à diretoria.” O que isso significa? Entre outras coisas, que a diretoria pode mudar em regime de teste as regras da Copa Davis e da Fed Cup sem aprovação da assembleia geral (ou seja, sem a maioria de 2/3 dos países membros).

Resumindo: a assembleia não aprovou a mudança para melhor de três, mas se livrou da batata quente dizendo que a diretoria pode fazer isso em regime de teste. Ou seja, praticamente anulou o resultado da votação. E agora o cenário parece apontar para um caminho só: a diretoria eventualmente decide que a Davis será jogada em melhor de três em uma determinada temporada e, no ano seguinte, a assembleia geral, vendo o resultado da experiência, vota de novo para efetuar a mudança permanentemente.

Coisas que eu acho que acho:

– A assembleia aprovou os confrontos em casa para finalistas da Fed e da Davis, os custos das federações organizadoras serão reduzidos com a diminuição da disponibilidade de quadras, e os tenistas terão seus compromissos reduzidos, agora com apenas um dia obrigatório para sorteio, coletivas e outras entrevistas (nunca fez muito sentido mesmo o calendário com dois dias de entrevistas). Leia a notícia na íntegra no site da ITF.

– A redução de melhor de cinco para melhor de três sets é uma tentativa de atrair mais jogadores da elite. A diretoria da ITF acredita que o menor tempo em quadra fará diferença na hora de grandes nomes como Novak Djokovic ou Rafael Nadal decidirem se estarão em um determinado confronto.

– Obviamente, o número de sets não é o único fator que pesa. Existe mudança de piso, duração de viagem, o encaixe no calendário e outros elementos de caráter pessoal que influenciam tal decisão. Além disso, Murray, Nadal, Federer, Wawrinka, Djokovic e Berdych já conquistaram a Davis. E tem mais: a cada dia que passa, com o top 50 inteiro acima dos 30 anos, é mais difícil convencê-los a jogar a competição. A ITF acha que os três sets exercem um grande peso nessa conta. Será?

– A questão sobre a essência da Davis que citei lá no alto do texto é bem simples. Com os jogos de simples em melhor de cinco sets, é mais difícil que um atleta só consiga atuar nos três dias. Há até quem não consiga jogar sexta e domingo. Isso reforça a necessidade de um time. Com jogos em melhor de três (e tie-breaks nos três sets!), qualquer um joga sexta, sábado e domingo. O aspecto coletivo – talvez a maior das essências da Copa Davis – ficaria significativamente reduzido.

– Lá no finzinho (eu não tinha reparado, mas fui alertado por um funcionário da CBT), o email golpista lembra que a assembleia geral da ITF concedeu prêmios por serviço ao esporte a 11 cidadãos. Entre eles, o brasileiro Jorge Lacerda, ex-presidente da CBT e que hoje mora em Paris. Ele mesmo.

Sobre o autor

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais.
Contato: ac@cossenza.org

Sobre o blog

Se é sobre tênis, aparece aqui. Entrevistas, análises, curiosidades, crônicas e críticas. Às vezes fiscal, às vezes corneta, dependendo do dia, do assunto e de quem lê. Sempre crítico e autêntico, doa a quem doer.

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