Saque e Voleio

AO, dia 11: uma decisão em família e cinco sets suíços

Alexandre Cossenza

26/01/2017 12h18

O Australian Open retrô de 2017 continua com força total. Primeiro, Venus, 36 anos. Em seguida, Serena, 35. Por último, Federer, 35. Os três venceram nesta quinta-feira, nas semifinais, e estarão nas finais de sábado e domingo. O resumaço do dia conta como isso aconteceu, menciona números, idas ao banheiro e lembra também que os irmãos Bryan, 38, também jogarão pelo título em Melbourne.

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As irmãs

Dezenove anos depois de seu primeiro confronto no circuito – também em Melbourne – Venus e Serena Williams vão duelar pela 28ª vez na final de sábado. Suas semifinais foram vencidas de modo bem diferente.

Primeiro, Venus teve de lidar com a potência de Coco Vandeweghe, que fez um primeiro set competente e saiu na frente no placar. A jovem de 25 anos tinha peso nos golpes para agredir a veterana, mas não conseguiu nem manter o nível da primeira parcial nem encontrar uma maneira de se aproveitar da movimentação lateral de Venus, que não é das melhores (36 anos, 1,85m de altura).

Coco usou poucos ângulos e, quando o fez, se deu mal. Afinal, ela também não é a tenista mais rápida do circuito. Defender não é seu forte. Logo, ficou sem opções produtivas. Venus virou, fechou em 6/7(3), 6/2 e 6/3, e se tornou a finalista mais velha do Australian Open na Era Aberta (a partir de 1968).

O segundo jogo desta quinta-feira foi a semifinal mais velha da Era Aberta, e não foi nada equilibrada. Serena Williams (35 anos e 4 meses) dominou e acabou transformando em abóbora a carruagem do conto de fadas de Mirjana Lucic-Baroni (34 anos, 10 meses): 6/2 e 6/1. Foi mais uma das partidas dominantes de Serena, que não navegava pela chave de um Slam dessa maneira desde pelo menos 2015.

No duelo com a irmã mais velha, Serena terá a chance de retomar a liderança do ranking e de deixar para trás Steffi Graf, tornando-se de forma isolada a maior vencedora de Slams em simples na Era Aberta. Hoje, ambas têm 22 títulos. O recorde geral ainda é de Margaret Court, com 24.

Os cinco sets suíços

Na chave masculina, a primeira semifinal correspondeu às expectativas. Teve drama, pontos espetaculares, duas atendimentos médicos um tanto malandros e cinco sets. Não dava para pedir mais. No fim, Federer, 35 anos, conquistou a vaga na decisão por 7/5, 6/3, 1/6, 4/6 e 6/3 e com um quinto set mais tenso do que o placar sugere.

Quanto à história do jogo, o cabeça 17 fez dois sets quase perfeitos, atacando e variando, sem deixar Wawrinka confortável em momento algum. Irritado, Stan quebrou uma raquete e pediu atendimento médico ao fim da segunda parcial. Voltou mais solto e se aproveitando de um Federer não tão sólido. Atropelou e aproveitou e manteve o embalo no quarto set. Bateu ainda mais forte na bola, fez passadas de direita e esquerda – inclusive de slice – e conseguiu uma quebra no nono game para forçar um dramático quinto set.

Aí foi a vez de Federer receber atendimento no banheiro e deixar o jogo parado por oito minutos. Após a partida, o próprio Roger admitiria a malandragem ao dizer “eu nunca peço tempos médicos, o Stan já pediu o dele, as pessoas não vão ficar bravas. Espero que o Stan não fique bravo. Foi na troca set, você espera que algo funcione”, para risos do público e de Jim Courier, o entrevistador.

A paralisação não mudou muito a partida. Wawrinka continuava levando a melhor quando conseguia iniciar ralis do fundo de quadra. E, no fim das contas, o duelo foi decidido no velho clichê das “chances aproveitadas”. Stan teve dois break points em games diferentes. Não conseguiu converter. Federer teve apenas uma chance de quebra. Nem precisou jogar. Contou com uma dupla falta. Crime sem direito a liberdade condicional. Game, set, match, Federer.

Três sets para Federer x Nadal

A segunda semifinal masculina será nesta sexta-feira, e o oponente de Federer será Grigor Dimitrov ou Rafael Nadal. A essa altura, a expectativa mundial é por um triunfo de Nadal e mais uma partida memorável entre suíço e espanhol na decisão. Se acontecer, será o quarto jogo entre eles em Melbourne. Há muitos números e fatores incontáveis a considerar em um eventual clássico “Fedal”, mas convém mencionar isso em um post futuro – caso Nadal confirme o favoritismo.

Final retrô também nas duplas

Bob e Mike Bryan, 38 anos, estão de volta a uma final de Slam. Eles não levantam um troféu nesse nível desde 2014, o que soa como um jejum enorme para os gêmeos americanos. A vaga veio com uma vitória sobre Pablo Carreño Busta e Guillermo García López por 7/6(1) e 6/3.

Os Bryans tentarão seu 17º título, o que os igualaria a John Newcombe, maior vencedor de Slams em duplas. A final será contra John Peers e Henri Kontinen, que derrubaram os wild cards Marc Polmans e Andrew Whittington por 6/4 e 6/4.

Sobre o autor

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais.
Contato: ac@cossenza.org

Sobre o blog

Se é sobre tênis, aparece aqui. Entrevistas, análises, curiosidades, crônicas e críticas. Às vezes fiscal, às vezes corneta, dependendo do dia, do assunto e de quem lê. Sempre crítico e autêntico, doa a quem doer.

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