Saque e Voleio

Irregular, e daí? Djokovic fatura Indian Wells

Alexandre Cossenza

17/03/2014 06h00

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Novak Djokovic não fez uma partida fantástica neste domingo, quando derrotou Roger Federer por 3/6, 6/3 e 7/6(3) e conquistou o título do Masters 1.000 de Indian Wells. Nem um pouco. Durante um set e meio, o sérvio errou muito mais do que o normal e permitiu que Federer agredisse um bocado do fundo de quadra, atacando bolas que chegavam até ele sem o peso costumeiro.

Foi só na metade do segundo set que o sérvio se encontrou. Aos poucos, reduziu seu número de erros, aprofundando seus golpes, adquirindo confiança. Quando tudo começou a funcionar, o atual número 2 do mundo teve o domínio da partida. Quebrou Federer na primeira chance que teve, ainda no fim da segunda parcial, e teve mais break points no primeiro e no terceiro games do set decisivo.

Nole quebrou uma vez, e parecia o suficiente, até que Federer ofereceu resistência, devolveu a quebra quando Djokovic sacava para o título (5/4) e adiou a decisão para o tie-break. No game de desempate, contudo, o suíço não foi páreo para a consistência do adversário. Djokovic, firma no saque, sólido nas devoluções e sem dar pontos de graça nos ralis (deu unzinho, jogando uma direita fácil para fora, quando sacava em 6/2) triunfou.

O título completa uma semana que nem de longe foi parecida com os melhores momentos do sérvio. Djokovic foi instável o tempo quase todo. Perdeu um set para Alejandro González quando parecia ter o jogo na mão. Depois, levou 6/1 de Marin Cilic no set inicial. Na semi, sacou duas vezes para o jogo, mas foi quebrado e perdeu um tie-break para John Isner. Federer parecia favorito na final. Nole, contudo, encontrou-se a tempo mais uma vez.

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Sobre o suíço, é animador vê-lo jogando bem – o que vem acontecendo desde o começo da temporada. E Indian Wells nem foi seu melhor momento. O caminho até final foi facilitado por derrotas precoces de seus principais obstáculos na chave (Nadal, Wawrinka e Murray estavam na mesma seção), e Federer chegou ao duelo com Djokovic sem ter sido testado de verdade. Ainda assim, é bom constatar que as pavorosas derrotas de 2013 parecem um passado distante.

Sem ir na toalha (para ler em até 25 segundos):

– Até Indian Wells, a vantagem de Rafael Nadal na liderança do ranking era de 3.825 pontos. Nesta segunda-feira, é de 2.230. A diferença cai razoavelmente com o título de Djokovic. Em Miami, que começa nesta semana, Nadal não tem nada a defender. O sérvio, só 90 pontos. O que acontecer nos próximos 14 dias pode fazer uma bela diferença na briga pela ponta.

– Federer sai de número 8 para o quinto posto, pertinho de Ferrer, que acumula apenas 105 pontos a mais. O top 10 da semana fecha com Nadal, Djokovic, Wawrinka, Ferrer, Federer, Murray, Berdych, Del Potro, Gasquet e Isner.

Coisas que eu acho que acho:

– Importante lembrar da campanha de Bruno Soares e Alexander Peya, que foram vice-campeões de duplas em Indian Wells. Brasileiro e austríaco derrotaram Federer e Wawrinka nas semifinais (6/4 e 6/1) e perderam a decisão para Bob e Mike Bryan (6/4 e 6/3). A diferença entre as duplas diminuirá no ranking, já que Soares e Peya defendiam semifinais, enquanto Bob e Mike repetiram a campanha de 2013, quando também foram campeões. No vídeo acima, o fim do jogo contra Federer e Wawrinka.

– Talvez estejamos vendo a temporada mais interessante dos últimos dez anos. Tivemos Wawrinka vencendo um Slam, Federer, Nadal e Berdych levantando troféus em ATPs 500 e, agora, Djokovic conquistando um Masters 1.000. Por enquanto, nenhum tenista joga em um nível claramente superior aos demais.

– Levando em consideração o parágrafo acima, se Djokovic venceu Federer e conquistou um Masters 1.000 com uma atuação tão irregular, o que acontecerá quando (e se!) o sérvio encontrar a sua consistência costumeira?

– Ainda sobre Djokovic, não gosto da associação do título de Indian Wells à presença de Marian Vajda em seu box. Já houve quem especulasse que Boris Becker estaria com os dias contados por causa de sua ausência em Indian Wells – apesar de a programação anunciada no início da parceria prever a ida de Vajda ao torneio californiano. Agora começa oficialmente a temporada de rumores e pessoas apontando “coincidências” e “curiosidades”. Vide o tuíte de Jonas Bjorkman.

 

– Ainda que a escolha de Becker como técnico tenha sido um tanto questionável (e eu mesmo escrevi isto na época do anúncio), parece um pouco precipitado julgar o trabalho de alguém baseado em dois eventos. Na Austrália, Djokovic perdeu para o campeão ao cometer dois erros bizarros. Em Dubai, Nole também perdeu para o campeão, apesar de abrir um set e uma quebra de vantagem. Seria mesmo justo culpar o alemão tão cedo? A não ser por um problema pessoal, de conflito de egos (e Djokovic-Becker não parece ser um caso do tipo Sharapova-Connors), não acredito que o ex-número 1 desistirá da nova parceria por agora.

Sobre o autor

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais.
Contato: ac@cossenza.org

Sobre o blog

Se é sobre tênis, aparece aqui. Entrevistas, análises, curiosidades, crônicas e críticas. Às vezes fiscal, às vezes corneta, dependendo do dia, do assunto e de quem lê. Sempre crítico e autêntico, doa a quem doer.

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