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Saque e Voleio

ESPN atrasa transmissão de dupla e irrita presidente da CBT

Alexandre Cossenza

19/01/2014 07h18

Eram 2h40min da manhã quando acabou a terceira partida da Quadra 2 de Melbourne. Era hora de Bruno Soares e Alexander Peya buscarem uma vaga nas quartas de final do Australian Open. Enquanto isso, na Rod Laver Arena, Novak Djokovic atropelava Fabio Fognini. Na Hisense Arena, a segunda maior do complexo, David Ferrer fazia um jogo nada empolgante contra Florian Mayer. O alemão venceu o primeiro set, mas o espanhol levou a melhor nos dois seguintes e parecia no controle de um duelo sonolento.

A ESPN, com seus dois canais, resolveu não cortar para a partida de Bruno Soares. Em vez disso, manteve Djokovic na ESPN e Ferrer na ESPN+. A ideia era mostrar a dupla do brasileiro quando a partida do sérvio acabasse. Ideia que dependia da eficiência do sérvio e também de Fognini, que lutava (ainda que de seu modo nada ortodoxo) para manter-se vivo no torneio. A decisão do canal não agradou a alguns fãs de tênis. Entre eles, o presidente da Confederação Brasileira de Tênis (CBT), Jorge Lacerda. Em sua conta no Twitter, o dirigente manifestou sua ira.

No fim da história, Fognini deu até algum trabalho para Djokovic no começo do terceiro set, e Ferrer fechou seu jogo mais cedo. A solução do canal, que mostrava flashes da dupla nos intervalos da partida do número 2 do mundo, foi colocar Soares e Peya em definitivo na ESPN+, canal que tem número bem menor de assinantes. Quando isto aconteceu, o placar já mostrava 4/4 no primeiro set. No fim, Soares e Peya foram derrotados por Nicolas Mahut e Michael Llodra: 7/6(4) e 6/4.

Coisas que eu acho que acho:

– Não é só a ESPN. Canais de TV brasileiros não gostam de cortar partidas antes do término, mesmo na primeira semana, quando há um punhado de jogos bacanas as quadras secundárias. Em vez disso, o público vê vitórias sonolentas dos favoritos nas quadras principais. É até compreensível quando a partida envolve atletas com muitos fãs, como Nadal, Djokovic, Federer, Sharapova… No caso de David Ferrer, contudo, parece injustificável a medida.

– Outro argumento que ouvi conversando com pessoas envolvidas em transmissões de TV é a de que o público em geral não gosta de ver partidas pela metade. Ok. Ninguém da ESPN alegou isso neste caso específico, mas, no caso do Australian Open, o argumento não se justificaria. Nos horários do Australian Open, o público geral está dormindo.

– Ouso dizer que 90% dos fãs de tênis que conheço preferem transmissões dinâmicas, que mostrem os jogos mais "quentes", mesmo aqueles que envolvem dois tenistas não tão conhecidos, mas estão jogando um quinto set dramático. É assim, aliás, que fazem os canais americanos quando exibem os Slams. A ênfase é em colocar no ar sempre o que está mais emocionante. Quem quiser ver outro jogo tem sempre a opção de acessar o canal na internet e escolher outra quadra (o Tennis Channel faz isso nos EUA, e a ESPN tem o Watch disponível aqui no Brasil para assinantes de algumas operadoras de TV a cabo).

– Considerando o horário, as reclamações quanto à opção por manter Ferrer no ar não foram poucas. Vejam algumas delas.

 

 

Sobre o autor

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais.
Contato: ac@cossenza.org

Sobre o blog

Se é sobre tênis, aparece aqui. Entrevistas, análises, curiosidades, crônicas e críticas. Às vezes fiscal, às vezes corneta, dependendo do dia, do assunto e de quem lê. Sempre crítico e autêntico, doa a quem doer.