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Orlandinho encerra trabalho com CT parceiro da CBT e vai treinar com o pai

Alexandre Cossenza

18/08/2017 12h57

Orlando Luz, que foi número 1 do mundo como juvenil, mas segue enfrentando problemas na transição para o tênis profissional, agora tem mais um desafio pela frente. O gaúcho de 19 anos, que já foi considerado maior promessa do tênis brasileiro, não vai mais treinar na ADK Tennis, centro de treinamento parceiro da Confederação Brasileira de Tênis (CBT). O jovem, atual número 567 no ranking mundial, vai voltar a treinar com o pai, agora em Balneário Camboriú (SC).

A decisão partiu do próprio tenista, que se vê estacionado no ranking há algum tempo, sem grandes resultados e lidando com seguidas lesões. Desde a bela arrancada que o levou até o 449º posto, seu melhor ranking, alcançado em novembro de 2015, Orlandinho só teve sucesso moderado em torneios da série Future. Em Challengers, foram dez participações, com a maioria terminando em derrotas no qualifying. Em chaves principais, o gaúcho não somou uma vitória sequer. Seu status como promessa do país lhe rendeu também convites para torneios de nível ATP. Três para o qualifying, uma para a chave principal. Saiu derrotado nas quatro ocasiões, vencendo apenas um set (no Rio de Janeiro, contra Guido Andreozzi).

Nem o tenista nem o pai de Orlandinho quiseram comentar a decisão. Falei, então, com Patricio Arnold, que comanda a ADK Tennis. O experiente treinador afirmou que a equipe do CT vinha pedindo mudanças da parte de Orlandinho, mas que elas não aconteceram:

“Quando a gente faz uma leitura que o tenista, por exemplo, não está respondendo aos estímulos que a gente acredita necessários e está tendo dificuldade nisso, começa a ser um problema. Se você diz ‘Está acontecendo isso, é isso que precisa realizar agora’, e o tenista tem dificuldade de responder a esse estímulo, começa a perder o sentido, a razão da parceria. Se você tem que falar várias vezes a mesma situação pra um atleta e não tem a resposta esperada, você começa também a duvidar do sucesso dessa parceria. Isso aí também é uma questão que vem há alguns meses, não houve uma briga pontual nem nada. Das duas partes, se entende que não está sendo mais eficiente. Nessa questão específica, partiu dele uma mudança. É claro que a gente esperava uma resposta diferente quanto a coisas que a gente colocava para ele. Ele está enfrentando uma dificuldade nessa transição. As coisas precisam ser ajustadas, e de repente do outro lado não há essa leitura. A gente ficou insistente pra essas mudanças acontecerem e esse foco acontecer de uma maneira melhor, e ele tomou a decisão de buscar outro caminho. Do nosso centro, mantemos essa filosofia de passar o que tem que ser feito. Se não é atendido, não faz nenhum sentido continuar a parceria. Só funciona a parceria se a gente colocar uma situação, e o jogador responder. Ele colocou que tem vontade de voltar a treinar com o pai dele.”

Segundo Arnold, a sequência de lesões não foi o fator decisivo para a decisão de Orlandinho. O tenista teve um problema nas costas em março, depois enfrentou uma lesão na perna e, recentemente, se queixou de dores no ombro direito. O gaúcho também passou por uma cirurgia para corrigir um problema na vista.

“Acaba sendo uma combinação de fatores. O atleta, na verdade, acaba ficando lesionado, e o momento não é fácil. Obviamente, vem a contribuir, mas não foi o fato de as lesões serem o fator. Ele não disse “vou procurar outro lugar porque estou me lesionando”. Isso afeta a parte motivacional, e uma série de coisas caem. O atleta precisa estar motivado, com energia e uma série de coisas. Isso aí a gente não conseguia mais tirar dele. Não vejo sentido continuar uma coisa que já é difícil trabalhando. Por isso, a mudança é necessária. Independentemente do caminho e para onde ele for, ele está atravessando um momento difícil e vai ter que trabalhar e ralar bastante. Há uma série de questões a equilibrar, mas ele vai precisar trabalhar duro para superar isso. Se provocando uma mudança, como ele quer fazer, acontece isso, eu tenho que ficar feliz porque acredito que é um menino que tem potencial, mas esse potencial precisa ser trabalhado de uma maneira muito pontual, muito dura. Não vai ter uma hora que vai acontecer um clique e “opa, agora vou me meter”. A mudança só pode trazer uma motivação pra isso acontecer. Se isso não acontecer, infelizmente vamos estar com mais um tenista com potencial que não consegue realizar com sucesso essa transição”, concluiu o treinador.

A ADK é um dos três centros de treinamento que possuem parceria com a CBT. Os outros dois são a Tennis Route, do Rio de Janeiro, onde treinam Bia Haddad Maia e Thiago Monteiro, e a Afini Tennis, de São José dos Campos (SP), onde treina Igor Marcondes. Felipe Meligeni esteve lá até pouco tempo atrás, mas hoje está em Campinas, trabalhando com Ricardo Mello.

Conversei também com Eduardo Frick, gerente esportivo da CBT, que reafirmou a confiança da entidade no atleta e ressaltou que resultados não são o único fator considerado pela CBT na hora de avaliar o rendimento de um tenista que recebe apoio financeiro:

“O Orlandinho vai ter que fazer as reflexões dele. Ele tem lesão, teve um problema no olho, ele vem com um ano complicado. Foi todo quebrado o ano dele. O resultado, por si só, não é o único fator importante para nós. Pode ser que um menino não esteja ganhando no momento, mas está trabalhando bem. Pode ser que naquele momento não, mas daqui a três, quatro meses, o trabalho que ele está realizando vai dar resultado, então aguardamos. A gente sabe que a transição é a fase mais complicada, então a gente não sai cortando ninguém, até porque ninguém tem bola de cristal. Seguimos acreditando no Orlandinho. É um menino de 19 anos. A gente acredita nele. A nossa preocupação é que os atletas estejam felizes treinando onde eles estão. Se ele está feliz lá [com o pai], ok. Tem mais chance de o rendimento dele melhorar.”

A assessoria de imprensa da CBT informou que a ADK Tennis “recebe mensalmente material esportivo, tem um colaborador – o Patrício Arnold – contratado pela CBT e, os atletas que treinam lá recebem desconto substancial na tarifa de treinamento. Seus principais atletas hoje são Rafael Matos, Marcelo Zormann e Orlandinho Luz (que acaba de sair). Eles recebem apoio da CBT com despesas pagas de passagens, hospedagens, etc, para cumprirem o calendário nacional e internacional planejado por Patrício Arnold ao longo das temporadas. Além disso, um técnico com despesas pagas para acompanhá-los nos torneios do calendário. O Orlandinho Luz, especificamente, além do apoio com despesas pagas, ainda recebe o valor de R$ 3 mil por mês em espécie da CBT.”

Sobre o autor

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais.
Contato: ac@cossenza.org

Sobre o blog

Se é sobre tênis, aparece aqui. Entrevistas, análises, curiosidades, crônicas e críticas. Às vezes fiscal, às vezes corneta, dependendo do dia, do assunto e de quem lê. Sempre crítico e autêntico, doa a quem doer.

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