Saque e Voleio

O jogo insano, a vitória que escapou e o 'caminho certo' de Bellucci

Alexandre Cossenza

20/02/2018 08h49

Imagine, caro leitor, dois jogadores imprevisíveis. Bote no liquidificador junto com algumas centenas de torcedores barulhentos e adicione uma quadra com quiques irregulares. Poucas combinações resultariam numa partida insana quanto a que Thomaz Bellucci, #123 do mundo, e Fabio Fognini, #21, disputaram na noite desta segunda-feira, na primeira rodada do Rio Open.

A começar pelo excelente primeiro game do brasileiro, anulado com um péssimo saque-e-voleio num break point do game seguinte. Por 25 minutos, Fognini foi o atleta mais consistente em quadra. Abriu 5/2 e parecia senhor de seu destino. Fez duplas faltas, mandou bolas para fora e perdeu não só um set point com Bellucci sacando em 15/40 no oitavo game como cedeu o serviço na sequência. O italiano também jogou fora quatro set points no décimo game. Valeu a luta do tenista da casa que, ainda instável, fez o bastante para vencer um nervoso tie-break: 7/6(5).

Com a torcida fazendo barulho e Fognini sem paciência, o brasileiro mandou no início da segunda parcial. Fez 4/0 depois de o italiano receber atendimento médico a ter a perna esquerda enfaixada. Jogo na mão do paulista, certo? Que nada! Depois de vencer nove de dez games, Bellucci voltou a errar mais (e antes) do que o italiano nos ralis. A vantagem evaporou: 4/4.

O tenista da casa ainda salvou break points no nono game e esteve a dois pontos da vitória quando Fognini sacou em 4/5 e 0/30. Fabio jogou três pontos perfeitos, saiu do buraco e quebrou Bellucci no 11º. E como se o jogo não estivesse louco o bastante, o italiano fechou o set em um ponto em que deixou a raquete escapar de suas mãos. Pegou-a de volta no ar – após a raquete quicar no chão – ganhou o ponto e fez 7/5.

Já eram 23h45min no Rio quando o segundo set acabou. A torcida murchou. Muitos deixaram de vez o Jockey Club Brasileiro. A parcial decisiva começou com duas quebras seguidas, mas logo Fognini disparou até fazer 5/1, somando 12 games vencidos em 14 jogados. Bellucci esboçou uma reação, confirmando o serviço e conquistando um 0/30 no saque do rival, mas o italiano venceu os quatro pontos seguintes e fechou em 6/7(5), 7/5 e 6/2.

Thomaz Bellucci levou cerca de 40 minutos para aparecer na zona mista e dizer algo. Falou que se sentiu frustrado por ter deixado escapar, mas que acredita estar indo na direção certa para voltar a subir no ranking.

“Estava a dois pontos de ganhar o jogo. O cara deu dois aces o jogo inteiro e deu um ace no momento que precisava, no 0/30. Talvez ali no 4/0 eu tenha tirado o pé, e ele foi para o tudo ou nada e acertou as bolas. Talvez eu poderia ter jogado um pouco mais agressivo. Eu optei por continuar o que eu estava fazendo, jogando sólido e esperando o erro dele, e ele estava errando muitas bolas. Estou no caminho certo. É difícil ficar tão perto da vitória e deixar escapar, mas ao mesmo tempo é um cara que está 20-25 do mundo. Estou no caminho certo. É ajustar uma ou outra coisa que a vitória vai surgir.”

Coisas que eu acho que acho:

– O público carioca empurrou e tentou ao máximo levar Bellucci à vitória. Nos últimos games, porém, já era nítida a sensação de impaciência e frustração com o tenista brasileiro. Na maior parte do tempo, porém, foi legal ver tanta gente junto com Bellucci. Por outro lado, foram lamentáveis as vaias gratuitas a Fognini em alguns momentos. O italiano, é bom que se diga, se comportou muito bem (para os seus padrões) o jogo quase todo.

– Quando questionado sobre o que fez de taticamente diferente em relação às partidas anteriores contra Fognini, Bellucci disse apenas que “a gente mudou algumas coisas” e não quis dar detalhes. Declarou que o plano tático “é um pouco pessoal” e que estava taticamente bem no jogo.

– Comparando com o que afirmou na coletiva do dia anterior, Bellucci nem chegou perto do que o técnico André Sá vem pedindo. Nem conseguiu jogar mais perto da linha de base (foi Fognini que ganhou esse duelo) nem conseguiu subir à rede com sucesso. Quando optou por fazer saque-e-voleio, quase sempre executou mal.

– Apesar de emocionante, a partida teve muito mais erros não forçados do que winners. Até no primeiro tie-break, Bellucci, que saiu vencedor, cometeu cinco falhas. Houve pontos bacanas, bem jogados, mas na maioria do tempo levou a melhor quem simplesmente alongou os ralis sem errar.

– Depois de 3/4 da turnê sul-americana de saibro, Bellucci soma apenas uma vitória e três derrotas em chaves principais (ganhou duas partidas no quali em Buenos Aires). São Paulo será a última boa chance de pontuar e voltar ao top 100 antes de Indian Wells e Miami. Por enquanto, o paulista vai caindo para além do 130º posto na lista da ATP.

Sobre o autor

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais.
Contato: ac@cossenza.org

Sobre o blog

Se é sobre tênis, aparece aqui. Entrevistas, análises, curiosidades, crônicas e críticas. Às vezes fiscal, às vezes corneta, dependendo do dia, do assunto e de quem lê. Sempre crítico e autêntico, doa a quem doer.

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