Saque e Voleio

ATP em RG: favorito de um lado, desafiantes brigando entre si do outro

Alexandre Cossenza

25/05/2018 07h01

Escrever um guia da chave masculina de Roland Garros é um desafio em que quase sempre acabo derrotado pela redundância. Pelo menos no que diz respeito a enumerar favoritos. Na maioria dos últimos 15 anos, um nome esteve muito à frente dos outros. Este ano, não é diferente. O principal candidato é o mesmo que venceu em Paris dez vezes e que chega ao torneio vindo de títulos em Monte Carlo, Barcelona e Roma: Rafael Nadal.

Dito isto, há, sim, muita coisa interessante a considerar, debater e, claro, imaginar sobre o que vai acontecer nas próximas duas semanas na capital francesa. Com isto em mente, bem-vindo ao guiazão anual de Roland Garros do Saque e Voleio. É o post em que analisamos os candidatos ao título, a chave, quem corre por fora, os melhores jogos para ver nos primeiros dias, onde acompanhá-los na TV e, claro, as cotações das casas de apostas. É só rolar a página e ficar por dentro.

Favorito e isolado

Rafael Nadal não só é o nome a ser derrotado no torneio – pelo menos por enquanto – como viu as principais ameaças a seu 11º título caírem na outra metade da chave. Pois é, a sorte também sorri para o espanhol. Alexander Zverev, o cabeça 2, ficou com Dominic Thiem, e Kei Nishikori (além de um Stan Wawrinka fora de forma) em seu quadrante. Ou seja, só um deles chegará às semifinais. Além disso, a metade de baixo da chave ainda tem Novak Djokovic, Grigor Dimitrov e David Goffin. Só um desses nomes todos enfrentará Nadal – se o espanhol alcançar a decisão.

Não quer dizer que o caminho de Rafa seja 100% molezinha. O número 1 estreia contra o “perigoso” Alexandr Dolgopolov (que às vezes é perigoso de verdade, mas na maioria dos casos não justifica o apelido kohlschreiberiano), pode pegar Gasquet na terceira rodada e Shapovalov ou Sock nas oitavas. Kevin Anderson é o principal cabeça de chave para enfrentar Nadal nas quartas. Ok, aí Nadal se deu muito bem, consideradas as possibilidades, mas a seção do sul-africano também tem Diego Schwartzman, Philipp Kohlschreiber (olha ele aí!), Pablo Cuevas e Borna Coric.

Na semi, Nadal vai encarar quem avançar do quadrante que tem Marin Cilic, Juan Martín del Potro, John Isner, Tomas Berdych, Kyle Edmund e Fabio Fognini. No saibro, em melhor de cinco, eu não apostaria em nenhum desses nomes contra Nadal. Resumindo? A chave só ampliou o favoritismo do decacmapeão de Roland Garros. Fora uma lesão inesperada, é muito difícil imaginar uma derrota de Nadal antes da decisão. Ou mesmo nela. Será?

As ameaças agrupadas

Historicamente, a gente sabe que é preciso um tenista espetacular fazendo coisas espetaculares durante mais de duas horas, sem parar, num dia ruim de Rafael Nadal para que aconteça “a” zebra do torneio. E quem são os foras de série que parecem capazes disto em 2018? Para mim, Alexander Zverev, Dominic Thiem e Novak Djokovic, não necessariamente nesta ordem. E todos eles estão juntos na chave de baixo.

Sascha, campeão em Madri e vice em Roma, tem uma chance de ouro de tirar a bigorna dos ombros e finalmente passar das oitavas num slam. A chave ajuda e muito. O problema é depois disso, quando já se espera um duelo com Dominic Thiem. Isso, claro, se o austríaco confirmar o favoritismo e deixar para trás o grego Stefanos Tsitsipas. Os dois podem se encontrar na segunda fase, e vale lembrar que o ateniense de 19 anos bateu Thiem em dois sets nas quartas de final de Barcelona (6/2 e 6/3). Mas não para por aí. O caminho de Thiem/Tsitsipas ainda pode envolver um convescote com Nishikori (ou Paire ou Carballés Baena ou Tiafoe ou Simon ou Querrey) nas oitavas.

O renovado Novak Djokovic, que deu muito trabalho durante um set para Nadal em Roma escapou dessa confusão aí. Em compensação, pode duelar na segunda rodada com o sempre chatíssimo (no bom sentido) David Ferrer, que levaria uma enorme vantagem física. O caminho de Nole ainda inclui Bautista Agut nas terceira fase e Dimitrov nas oitavas. Não é nada fácil. Já será um feito e tanto se o sérvio, campeão de Roland Garros em 2016, chegar às quartas.

Os brasileiros

Por enquanto, 2018 não é um grande ano para os melhores profissionais brasileiros. Thiago Monteiro e Rogério Dutra Silva saíram do top 100, Thomaz Bellucci saiu até do top 200, e Guilherme Clezar não consegue uma boa sequência de resultados. O Brasil perdeu de um fraco time colombiano na Copa Davis (falei disso aqui) e, agora, não classificou ninguém de forma direta para a chave principal de Roland Garros.

Os quatro citados acima entraram no qualifying em Paris. Monteiro e Clezar caíram na primeira rodada, enquanto Bellucci venceu suas três partidas – algo que não acontecia desde fevereiro – e conquistou uma vaga na chave principal. Rogerinho ainda vai disputar a última rodada do quali enquanto atualizo este post (às 8h15min desta sexta). Mesmo que não avance na chave, a campanha de Bellucci fará uma diferença enorme em seu ranking. Ele corria o risco de sair até do top 300 se ficasse pelo qualifying.

As ausências

O pesado calendário do circuito mundial sempre derruba muita gente, e este ano não é diferente para Roland Garros, o que descomplica ainda mais as coisas para Rafael Nadal. A lista de ausências de 2018 começa por Roger Federer, que optou por não jogar no saibro e chegar bem fisicamente na temporada de grama, piso em que costuma atropelar. Outros desfalques de peso – todos por lesão – são Andy Murray, Milos Raonic, Jo-Wilfired Tsonga e Hyeon Chung. Por enquanto.

Os melhores jogos nos primeiros dias

Nadal x Dolgopolov, obviamente, é uma atração porque em qualquer dia o ucraniano pode retirar as aspas do “perigoso” e deixar uma partida emocionante. E já que estamos falando em aspas e perigoso, Kohlschreiber x Coric já nasce com cara de cinco sets, atendimentos médicos e cãibras. Calma, gente, não desejo mal a ninguém, mas um drama é sempre legal de ver. Por isso, vale ficar de olho na estreia de Kyrgios contra quem quer que seja o qualifier. Afinal… Kyrgios. Também vale ficar de olho em Fognini x Andújar, dois bons saibristas, e Querrey x Tiafoe, que tem potencial para ter aquele primeiro cabeça de chave caindo.

Outro jogo obrigatório é Wawrinka x García-López, até porque pode ser a única chance de ver o suíço em quadra. Desde a operação no joelho, Stan the Man nem lembra aquele Stan que gloriosamente derrubou Djokovic em 2015 e que alcançou a final no ano passado. Nos últimos torneios, Wawrinka mostrou a mobilidade de um caminhoneiro em greve na Fernão Dias. Perdeu para Steve Johnson em Roma e para Martin Fucsovics em Genebra. Se não dá para olhar com muito otimismo para sua participação em Paris, pelo menos ele mesmo mostra senso de humor – vide tweet acima. No entanto, por ser Wawrinka, fiquemos com aquele “será?” em mente até a estreia.

Os tenistas mais perigosos que ninguém está olhando

Depois de tantos torneios no saibro, não tem ninguém realmente escondido, ganhando partidas fora dos holofotes ou escondendo o jogo e treinando numa quadra secreta na Coreia do Norte. Maaaas a chave sempre permite algumas surpresas, e não custa imaginar quem pode ir mais longe do que a gente está esperando antes de a primeira bolinha entrar em jogo.

Por exemplo: não dá para descartar a hipótese de um Fernando Verdasco derrubando Dimitrov na terceira rodada (alguém aí lembra de Indian Wells?). Ou um Frances Tiafoe derrubando Querrey na estreia e aproveitando a estrada pavimentada para um cabeça de chave. O mesmo vale para Pablo Cuevas na seção de Kevin Anderson. E Karen Khachanov? O russo tem o potencial para avançar em uma seção que tem Pouille e Wawrinka, ambos em momentos nada animadores.

Outras perguntas: será que Leo Mayer consegue tirar vantagem na seção de Del Potro, que até outro dia era dúvida por causa de uma lesão na virilha? Se passar por Andújar, Fabio Fognini vai aproveitar a chave favorável, sem grandes saibristas em seu radar até as semifinais? E meu queridinho Diego Schwartzman é mesmo o cara para chegar às quartas pela primeira vez em Roland Garros? O que não falta é cenário legal no torneio deste ano…

Onde ver

O Bandsports tem os direitos exclusivos de transmissão em TV fechada. Segundo o “Esporte e Mídia”, o canal promete exibir pelo menos quatro jogos por dia na TV e outros quatro – sempre diferentes – em seu site. As finais serão transmitidas ao vivo também na Band aberta. A programação do Bandsports ainda inclui o programa diário “Ace Bandsports”, às 19h, e “O Melhor de Roland Garros”, às 23h.

Quem preferir opções “alternativas” pode optar pelos streams oficiais de casas de apostas como a bet365 (se não me engano, é preciso fazer um depósito qualquer com cartão de crédito).

Nas casas de apostas

Aqui, nenhuma grande surpresa com um título de Nadal pagando tão pouco. Várias casas cotam a 11ª conquista do espanhol em 1,4, o que significa que se você apostar US$ 10 vai ganhar só US$ 14 de volta. Zverev, por sua vez, anda pagando 9/1, o que rende US$ 90 a quem apostar os mesmos dez dólares.

Apenas pela curiosidade: um título de Dolgopolov, adversário de Nadal na primeira rodada, paga US$ 1001 para cada dólar apostado. Será que alguém se arrisca?

Sobre o autor

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais.
Contato: ac@cossenza.org

Sobre o blog

Se é sobre tênis, aparece aqui. Entrevistas, análises, curiosidades, crônicas e críticas. Às vezes fiscal, às vezes corneta, dependendo do dia, do assunto e de quem lê. Sempre crítico e autêntico, doa a quem doer.

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