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Federer: 24 jogos com match points perdidos e o que eles significam

Alexandre Cossenza

2018-07-20T19:12:42

18/07/2019 12h42

Quando Roger Federer desperdiçou dois match points com seu saque e acabou derrotado por Novak Djokovic na final de Wimbledon, deixou muita gente imaginando quantas vezes isso aconteceu na carreira do suíço. Afinal, muita gente lembrava dos encontros entre suíço e sérvio nos US Open em 2010 e 2011. Em ambos, Roger teve dois match points e foi superado de virada pelo atual número 1 do mundo.

O site da ATP não registra números assim, o que dificulta o levantamento. Nesta quinta-feira, os jornalistas Simon Graf e Rene Stauffer (autor de "A biografia de Roger Federer") publicaram no jornal suíço Tages-Anzeiger o número exato: 24 jogos e 48 match points perdidos. Graf reproduziu a lista em sua conta no Twitter:

É um número que chama atenção, assim como é possível destacar as 21 partidas em que Federer salvou match point e venceu (e que estariam sendo mais lembradas caso o suíço estivesse no outro lado dos fatos no jogão do último domingo). Mas, no fim das contas, o que significam esses 48 match points perdidos ao longo de 24 jogos?

Há algumas maneiras de analisar e nenhuma verdade absoluta que não seja o número em si. É possível dizer que Federer perdeu chances demais para quem é considerado por muitos o melhor e maior tenista da história. Por outro lado, também é possível afirmar que são muitos match points porque Federer, ainda quando não está em seu melhor, consegue dar muito trabalho aos rivais.

Minha opinião? Nem lá, nem cá. Quem olhar a lista com calma e lembrar das partidas vai constatar que há casos muito diferentes – e vários deles em tie-breaks, quando a vantagem e a desvantagem não são tão grandes assim. Além disso, há chances perdidas de verdade e chances que foram roubadas pelo adversário. Uma coisa é perder match point sacando e subindo mal à rede contra Jeremy Chardy no Masters de Roma. Outra, bem diferente, é ver Novak Djokovic disparar uma devolução de direita kamikaze (US Open 2011) ou um swing volley indefensável (US Open 2010).

É seguro dizer que o match point da semifinal do Australian Open de 2005 (uma das melhores partidas que vi na vida) certamente machucou muito mais do que o desperdiçado diante de Tommy Haas nas oitavas de Stuttgart. Assim como o match point salvo contra Marin Cilic em Wimbledon/2016 foi muito mais valioso do que o contra Coric no Masters de Roma deste ano.

Todos eles, no fim das contas, são chances perdidas, e o número total (48!) pode até espantar. Só que, no balanço geral de uma carreira longa, de mais de 20 anos, e que já acumula 1.487 jogos (segundo lista a ATP, que não conta exibições e torneios amistosos), essas 45 partidas, somando vitórias e derrotas de virada, não são tanto assim. E os 24 duelos com match points perdidos simbolizam meramente 1,6% do total. É até pouco sofrimento para os fãs do suíço, não?

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Sobre o autor

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais.
Contato: ac@cossenza.org

Sobre o blog

Se é sobre tênis, aparece aqui. Entrevistas, análises, curiosidades, crônicas e críticas. Às vezes fiscal, às vezes corneta, dependendo do dia, do assunto e de quem lê. Sempre crítico e autêntico, doa a quem doer.