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Rio Open, dia 3: susto de Melo, sonho de Guga e Fognini ‘atirador de facas’
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Alexandre Cossenza

Não foi um dia de resultados espantosos ou partidas especialmente atraentes no Rio Open, mas sobrou assunto interessante. Desde a coletiva de Gustavo Kuerten, que disse que não faz mal sonhar com o Rio Open se tornando um Masters 1000, incluindo o papo com João Zwetsch, que falou sobre a necessidade de Thomaz Bellucci ser mais consistente, até as críticas “britânicas” de Jamie Murray sobre as bolas usadas no Rio Open.

A quarta-feira também teve um pequeno susto de Marcelo Melo na primeira rodada da chave de duplas e o momento “atirador de facas” de Fabio Fognini, que deixou sua raquete presa na lona do fundo de quadra (vídeo abaixo).

Marcelo Melo e Lukasz Kubot fazem ‘adicional noturno’

Era para ser uma vitória sem drama e foi assim durante um set. No início da segunda parcial, contudo, Marcelo Melo e Lukasz Kubot vacilaram e deixaram Feijão e Fabricio Neis abrirem 5/1. Melo e Kubot viraram, mas perderam o saque de novo no 12º game e só conseguiram fechar no tie-break: 6/1 e 7/6(4).

Após a partida, brasileiro e polonês foram direto para uma das quadras de treino, onde ficaram por cerca de mais uma hora. Depois, na zona mista, falaram sobre a complicada adaptação às condições locais. Os dois chegaram de Roterdã, onde jogaram em quadra dura coberta. Sobre o adicional noturno, Melo disse que “quando as coisas não saem tão bem, é bom sempre bater uma bola depois para dar uma soltada, uma relaxada, sacar tranquilo e saber que naqueles momentos que são nervosos, a gente pode jogar tranquilo. Por isso que a gente vai bater depois. Para ir para o hotel mais tranquilo.”

Bruno Soares e Jamie Murray: sem drama e (quase) sem queixas

Cabeças de chave #1, Bruno Soares e Jamie Murray venceram sem tanto drama: 6/4 e 6/2 sobre o gaúcho Marcelo Demoliner e o neozelandês Marcus Daniell. Os dois saíram contentes com a atuação e Bruno até evitou fazer a queixa anual sobre as bolas usadas no Rio Open. O mineiro sempre falou que elas são muito duras e difíceis de controlar.

Pedi, então, a opinião de Jamie, que fez sua crítica, mas de uma maneira bastante polida. O escocês disse que as condições mudaram um pouco porque a quarta-feira foi um pouco menos quente do que os últimos dias. Por isso, não sentiu as bolas voando como antes. Com as bolas voando, “é difícil controlar os voleios e quando os caras batem forte contra você, o que acontece muito nas duplas, não é tão fácil controlar a bola.” Murray disse também, de um jeito bem britânico, que “cada [tenista] tem suas condições ideais. Não acho que muitas pessoas escolheriam essas condições, mas é assim que é.”

Guga vê Rio Open na quadra dura como Masters 1000 e talvez no lugar de Miami

Gustavo Kuerten esteve no Jockey Club Brasileiro nesta quarta-feira e concedeu uma entrevista coletiva de meia hora. A parte que mais me interessou foi sua opinião sobre a mudança de piso do Rio Open. Ano passado, o torneio pediu a alteração junto à ATP, que não aprovou o evento em quadras duras. Guga concorda com o diretor do torneio, Lui Carvalho, ao afirmar que imagina o torneio em um patamar mais alto se disputado no piso sintético.

“Tem um Parque Olímpico pronto aqui do lado, na esquina. É muito provocativo isso. Acima de identidade e do que é melhor para os [tenistas] brasileiros. De repente, o que é melhor para os brasileiros hoje pode ser diferente daqui a dez anos. O circuito também é em quadra dura. Eu consigo visualizar, pela dimensão que é a estrutura do Parque Olímpico, indo para lá, em quadra dura, como um Masters 1.000. Seria e é um sonho interessante de cultivar.” … “E se precisar ser em quadra dura para trazer bons jogadores e o torneio tem sucesso, precisa ser feito. O resto vai se adequando.”

Indagado se concorda que a mudança é necessária para que se alcance um outro nível, Guga deu (mais) uma resposta politicamente correta.

“Porque não consigo visualizar esse torneio dentro da turnê da Europa. Não tinha como tirar [os tenistas] do meio do circuito europeu para eles virem para cá. Então só consigo imaginar entre Miami e Indian Wells. Talvez com o torneio de Miami vindo para cá daqui a uns 15 aninhos. Eles estão meio defasados na estrutura lá. Aqui tem um Centro Olímpico (risos).” … “Hoje, pensar nisso é quase que uma perda de tempo, mas sonhar com isso é bom também. Tem que continuar cultivando esse sonho e esperar o momento de conseguir visualizar com mais veracidade essa hipótese.”

Ao fim da coletiva, Guga mostrou aos jornalistas o primeiro exemplar do livro de fotos “Guga Imagens De Uma Vida”, produzido pela Editora Magma. Durante o Rio Open, a publicação estará disponível com exclusividade na Livraria da Travessa do Shopping Leblon. Quem quiser também pode adquiri-lo na loja virtual da Editora Magma por R$ 149,00.

Zwetsch e a (in)consistência de Bellucci

João Zwetsch, capitão brasileiro na Copa Davis e técnico de Thomaz Bellucci, falou com um grupo de jornalistas brasileiros nesta quarta-feira e respondeu algumas perguntas sobre seu tenista e o duelo com Thiago Monteiro. Perguntei sobre como Bellucci foi mais consistente e paciente contra Nishikori e o que era possível fazer para convencer o paulista a jogar assim com mais frequência, já que Bellucci assumidamente não gosta de atuar dessa maneira. O gaúcho disse que esse é o grande objetivo para 2017:

“Eu sempre falo isso para ele. Eu sempre tive esse conceito. O Thomaz é um cara forte. Quando ele está com condições de atuar como pode atuar, ele pode ganhar de um Nishikori como ele ganhou ontem sem jogar uma grande partida. Para mim, ele não jogou uma grande partida. Ele jogou correto.” … “Essa é a nossa busca maior. Fazer com que ele tenha consistência em cima disso. Uma vitória dessa sempre dá uma crença maior no nosso caminho. Espero que a gente possa seguir assim para que ele tenha um ano com a qualidade que pode ter. E que este ano sirva para criar uma estrutura de consistência, que é o que todo mundo espera de um jogador com o nível do Thomaz.”

Mais tarde, diante de uma pergunta sobre os objetivos para a temporada, disse:

“Acho que este ano é um ano para ambicionar, acima de tudo, essa questão levantada antes, que é uma forma consistente de jogar.” … “Para jogadores como ele, que são muito agressivos e assumem muito o risco, isso é fundamental. Não dá para perder o senso de controle de ‘como eu estou”, “onde eu estou”. Às vezes, dar um winner é coisa mais necessária no momento, mas se o jogador não está se sentindo tão à vontade para isso, talvez jogar duas bolas ou três a mais, mover o adversário, possa resolver o problema também. Essa leitura melhor, mais constantemente clara na frente dele, sem dúvida vai fazer diferença para ele. Foi o que ele fez ontem [contra Nishikori]. Em muitos momentos do jogo, ainda passou um pouquinho da conta, mas isso vai acontecer. Ele é extremamente agressivo. Às vezes, bota umas bolas que saem um pouco mais porque (risos) não pega na veia e quando pega não tão na veia ela vai lá no… (risos) Mas eu prefiro isso do que o lado onde a limitação é maior e ele fica menos competitivo.”

Fognini, o atirador de facas

Sabe aquele cara mestre em atirar facas e fazer com que elas sempre atinjam o alvo com a lâmina? Pois é, Fabio Fognini fez algo parecido nesta quarta-feira. Atirou a raquete contra a lona do fundo de quadra e viu seu instrumento de trabalho fazer um furo no tecido e ficar preso, pendurado.

O italiano acabou derrotado por Albert Ramos Viñolas por 6/2 e 6/3. O espanhol avançou às quartas de final para enfrentar o qualifier argentino Nicolas Kicker.

Thiem e a chave favorável

Principal cabeça de chave do torneio após a queda de Kei Nishikori, Dominic Thiem voltou a vencer a garantiu seu lugar nas quartas de final do Rio Open. Com o triunfo por 6/2 e 7/5 sobre Dusan Lajovic, o top 10 austríaco agora vai enfrentar o argentino Diego Schwartzman (#51). Thiem é favoritíssimo e será também se avançar às semifinais, afinal enfrentará o vencedor do jogo entre o qualifier Nicolas Kicker (#123) e o espanhol Albert Ramos Viñolas (#25).

O austríaco, aliás, é mais um descontente com as bolas da Head usadas no Rio de Janeiro. Assim como Jamie, Thiem disse que as condições estavam mais lentas na noite de hoje, mas reforçou que isso nada tinha a ver com as bolas. “A bola não muda. Se está um pouco mais lento e úmido, a bola não quica tão alto e não fica tão rápida, e é mais fácil de controlar. Se as condições forem como hoje, é mais fácil jogar.” A previsão, no entanto, é de dias mais quentes até domingo. Ou seja, bolas voando por toda parte.

O melhor da quinta-feira

Como era de se esperar, Thomaz Bellucci e Thiago Monteiro fazem o jogo mais esperado, fechando a programação da quadra central. Marcelo Melo e Bruno Soares, mais uma vez, estão escalados para a Quadra 1.

Vale lembrar: foi estabelecido antes do início do torneio que apenas a final de duplas será jogada na quadra central. Nas primeiras edições do torneio, até houve polêmica as duplas ficando fora da maior arena do Rio Open, mas com o tempo organizadores e atletas chegaram a um consenso de que seria melhor ter a modalidade na Quadra 1, menor e mais aconchegante.


Davis, dia 2: tombo inesperado encerra fim de semana decepcionante
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Alexandre Cossenza

O golpe fatal veio de onde não se esperava. Ruben Bemelmans e Joris De Loore, a dupla escalada pela Bélgica mais para poupar David Goffin e Steve Darcis do que para ganhar de fato, acabou derrubando os favoritos Bruno Soares e Marcelo Melo em cinco sets. O tombo dos mineiros por 3/6, 7/6(5), 4/6, 6/4 e 6/4 completou um fim de semana decepcionante – mais pelas atuações do que pelo resultado final – para o time do capitão João Zwetsch, que mostrou pouco poder de reação e quase nenhuma variação tática nas simples de sexta-feira.

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Com o 3 a 0, a Bélgica continua no Grupo Mundial, a elite da Copa Davis, enquanto o Brasil volta para o Zonal das Américas, onde esteve em nove das últimas 11 temporadas. Neste sentido, não há grandes e novas conclusões a tirar. O Brasil continuará sendo favorito dentro do continente para alcançar os playoffs, mas ainda dependerá de um sorteio favorável (e o confronto contra a Bélgica não era nem de longe o pior dos cenários) e/ou da ascensão de um segundo simplista.

A maior expectativa agora fica por conta de Thiago Monteiro, que obteve ótimos resultados em 2016. Seria bom mesmo que o cearense de 22 anos desse outro passo adiante na carreira e se firmasse como tenista de nível ATP. Até porque entre os brasileiros mais novos que ele ainda não há ninguém mostrando tênis suficiente para defender o país internacionalmente.

O favoritismo era brasileiro, claro. Afinal, dois vencedores de Slam com muito tempo de quadra juntos enfrentariam jogadores que só haviam atuado juntos uma vez – uma derrota na primeira rodada de um Challenger. Um deles, De Loore, nunca havia vestido as cores do país na Copa Davis. O nervosismo ficou evidente. O jovem de 23 anos fez um foot fault e errou um voleio fácil logo no segundo game. A quebra veio, e os brasileiros não deram chance para reação. Os belgas não ameaçaram em momento algum e venceram apenas dois (dois!) pontos de devolução no primeiro set inteiro.

Se parecia um passeio de fim de semana, logo apareceu aquele engarrafamento que ninguém espera porque a PM montou uma blitz às 10h no único caminho até a praia. Bemelmans e De Loore acharam um ritmo melhor, sacaram espetacularmente (83% de aproveitamento de primeiro serviço) e arriscaram nas devoluções. Tiveram dois break points em games diferentes, mas De Loore, jogando no lado da vantagem, não conseguiu encaixar devoluções. No tie-break, a postura agressiva junto à rede que vinha dando certo saiu pela culatra. Bemelmans acertou um belo lob sobre Marcelo, e a Bélgica abriu 6/4. Foi o único mini-break do game, e os donos da casa empataram a partida.

O equilíbrio continuou, com pequenas chances para os dois lados. O terceiro set só teve um break point. Foi no décimo game, e Melo converteu com uma devolução vencedora (vide tweet acima). A quarta parcial começou com uma quebra da Bélgica, e o time da casa salvou dos break points em games diferentes antes de devolver o 6/4 anterior e mandar a decisão para o quinto set.

A essa altura, Bemelmans já tinha o tempo dos saques brasileiros e cravava devoluções impressionantes. Quando De Loore fazia o mesmo, significava perigo de quebra. Aconteceu no terceiro game, e Melo perdeu o saque. Os donos da casa abriram 3/1 e continuaram melhores nos games de serviço. O time mineiro tentou e ainda venceu um pontaço (vídeo abaixo), mas não conseguiu devolver a quebra. Game, set, match, Bélgica: 3/6, 7/6(5), 4/6, 6/4 e 6/4.

Uma temporada nada memorável

Se não voltarem a jogar juntos em 2016 (não há nada previsto até agora), Bruno Soares e Marcelo Melo terminarão a temporada com uma campanha de seis vitórias e quatro derrotas atuando juntos. Ainda que os mineiros tenham ficado a uma vitória de brigar pela medalha olímpica, trata-se de um histórico nada memorável para o potencial de ambos – especialmente considerando que três dessas vitórias aconteceram contra duplas irrelevantes no circuito: Fabiano de Paula/Orlandinho, Emilio Gómez/Roberto Quiroz e Nicolás Almagro/Eduardo Russi.


Davis, dia 1: Bélgica aproveita limitação brasileira
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Alexandre Cossenza

Thiago Monteiro ganhou uma batata quente de presente em sua estreia na Copa Davis. Thomaz Bellucci fez mais uma partida daquelas cheias de erros (35 não forçados, pela conta econômica da ITF) e sem variações táticas. O resultado foi uma péssima sexta-feira em Oostende, na Bélgica, onde o time da casa abriu 2 a 0 na série melhor de cinco que define quem jogará o Grupo Mundial da Copa Davis em 2017. Um dia que expôs a limitação dos simplistas brasileiros – e até do capitão – e que deixou o país sem margem para erro nos próximos dois dias.

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A superioridade

O dia começou com Thiago Monteiro soltando o braço e tentando incomodar David Goffin. Até conseguiu por alguns games no serviço do belga. Monteiro teve 0/30 no segundo game, um 30/40 no quarto e um 30/30 no sexto. O tenista da casa, contudo, venceu todos – sem exceção – pontos grandes do set. Depois de fechar a parcial por 6/2, jogou mais à vontade e dominou. Só perdeu mais dois games depois disso e fechou em 6/2, 6/2 e 6/0.

Ainda que haja uma clara diferença de nível e de experiência, não consegui ver uma tentativa de Monteiro de mudar taticamente o andamento do jogo. Era até esperado que ele entrasse em quadra adotando o bom e velho “entra sem pressão e solta o braço”, mas nesse nível, na primeira partida melhor de cinco sets de sua carreira, seria preciso um plano B. Não garantiria um resultado diferente, mas seria uma tentativa. Do jeito que a partida correu, Goffin não foi tão exigido assim.

A falta de recursos

No aspecto estratégico, o segundo jogo não foi muito diferente. Thomaz Bellucci entrou em quadra disposto a atacar primeiro e fazer Steve Darcis correr. O belga apostou em variações. Slices cruzados e paralelos, velocidades e altura de bola diferentes e paciência, muita paciência. Darcis trocava bolas e esperava chances para atacar na boa, com o forehand na paralela.

O #1 do Brasil fez um belo primeiro set, que teria sido até mais fácil não fosse um pavoroso sétimo game. Ainda assim, Bellucci venceu o tie-break e parecia firme no jogo. A coisa começou a desandar no quarto game do segundo set. Darcis aproveitou o quinto break point e deslanchou. O paulista desandou a errar. Errou curtinhas, voleios, forehands e tudo que podia errar. Em vários momentos, também subiu mal à rede e pagou o preço.

O problema, como quase sempre acontece com Bellucci, foi a execução. Contra um Darcis sólido e paciente, o brasileiro teria duas opções: ou tentar algo diferente ou executar melhor seu plano A. Não fez nem um nem outro. Para piorar, Darcis jogou mais solto e agressivo quando teve a dianteira. Sem plano B, restou ao paulista ficar em quadra esperando por um milagre que não veio. Darcis fez 6/7(5), 6/1, 6/3 e 6/3 e colocou seu país com uma enorme vantagem.

A esperança

Com uma dupla forte como a de Bruno Soares e Marcelo Melo, o mais provável é que o Brasil sobreviva ao sábado. Por enquanto, a Bélgica tem Ruben Bemelmans e Joris de Loore escalados para o jogo de sábado. O mais provável é que o capitão belga, Johan Van Herck, mantenha a formação e poupe seus titulares para o domingo, quando precisará de um pontinho para seguir no Grupo Mundial.

Para o capitão João Zwetsch, resta rezar para duas zebras. Primeiro, Bellucci precisará derrotar Goffin sem a torcida brasileira fazendo estrago no cérebro do belga. Depois, terá de contar com uma vitória do estreante Thiago Monteiro contra o veterano Darcis, 32 anos, que vem num ótimo momento na temporada e dois dias depois de uma atuação belíssima contra Bellucci. Possível? Sim. Num domingo qualquer, tudo pode acontecer. Provável? Nem tanto.


Davis: uma obrigação cumprida, um playoff à vista e um par de perguntas
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Alexandre Cossenza

Não foi tão fácil como poderia ter sido, mas tampouco foi dramático. De volta ao Zonal americano, Brasil derrotou o Equador em Belo Horizonte por 3 a 1 e garantiu mais uma participação no playoff da Copa Davis. A equipe que tem Thomaz Bellucci, Marcelo Melo e Bruno Soares como ocupantes cativos terá, assim, mais uma chance de retornar à primeira divisão do tênis mundial, lugar que ocupou por apenas duas temporadas nos últimos 13 anos.

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O triunfo sobre o Equador veio com um pequeno susto logo na abertura do confronto. Rogerinho, 90º do mundo, jamais se mostrou confortável no piso duro do Minas Tênis Clube e foi derrotado por Emilio Gómez, 24 anos e número 317 do mundo: 4/6, 7/5, 6/0 e 6/4.

Ainda assim, precisaria que muita coisa desse errado para que o Brasil perdesse para o modesto time visitantes. E, mesmo com um sobressalto aqui e outro ali, a equipe da casa venceu os três pontos seguintes. Thomaz Bellucci, que não foi espetacular nem na sexta nem no domingo, primeiro bateu Roberto Quiroz, 27 anos e número 396 do ranking, por 7/5, 7/6(3), 3/6 e 6/3. Depois, fechou o confronto no domingo ao superar Gómez por 7/6(11), 6/7(6), 6/2 e 7/5.

No sábado, vale lembrar, Bruno Soares e Marcelo Melo até perderam o primeiro set, mas confirmaram o favoritismo sem drama: 6/7(4), 6/3, 6/3 e 6/2. Foi, aparentemente, o dia mais divertido, com os mineiros jogando diante de sua torcida e comemorando junto com eles também.

Daqueles momentos que marcam, lindíssima a festa dos mineiros com os amigos e família. #DavisCup

A video posted by Aliny Calejon (@alcalejon) on

Um par de perguntas

Oficialmente, o discurso da CBT e dos tenistas nas coletivas pré-confronto foi de que o duelo em quadra dura ajudaria na preparação para os Jogos Olímpicos. Não tenho, contudo, resposta para as seguintes perguntas:

– Se a intenção é preparar para as Olimpíadas, por que Bellucci e Rogerinho jogarão torneios no saibro na próxima semana? Havia a opção de jogar em Washington, um ATP 500 em quadra dura. Ambos entrariam direto na chave principal. Todo mundo sabe do ótimo histórico de Bellucci em Gstaad e é perfeitamente compreensível sua escolha por voltar ao torneio suíço. O problema é que o discurso de preparação para os Jogos, assim, mostra-se inconsistente.

– O torneio olímpico será no Rio de Janeiro, a nível do mar e em quadras outdoor. O duelo em Belo Horizonte é disputado em quadra coberta a mais de 800 metros acima do nível do mar. De que maneira um confronto assim teria sido a melhor preparação possível? Para piorar, o capitão João Zwetsch, para defender o emprego, se prestou ao papel de dizer que a quadra estava lenta, dando “uma boa equilibrada, bem próximo ao que vamos encontrar no Rio de Janeiro”, no Parque Olímpico (frase retirada de comunicado enviado pela CBT).

Ficou mais feio ainda porque Rogerinho deixou a quadra derrotado no primeiro dia, dizendo que “as condições estão muito rápidas, e isso o favoreceu um pouco, também, porque são as condições em que ele mais gosta de jogar.”

No fim das contas, a escolha da sede, se valeu para algo, ajudou os mineiros. Eles, sim, vão às quadras duras de Washington, onde jogarão juntos (deixando de lado Jamie Murray e Ivan Dodig, os parceiros habituais) em uma preparação de fato para os Jogos Olímpicos. É bom ver que a principal esperança de medalha do Brasil no tênis vem levando a coisa a sério.

O recado

A melhor declaração do fim de semana foi (de quem mais?) de Bruno Soares, que falou sobre as desistências de tenistas que citam a ameaça do vírus zika como justificativa para não disputarem os Jogos Olímpicos Rio 2016 (evento que, coincidência ou não, não dá pontos no ranking nem prêmio em dinheiro aos participantes. Bruno elogiou a postura de Dominic Thiem, que foi honesto quanto à sua decisão de não disputar os Jogos, mas ressaltou que “a turma está se abraçando numa desculpa fraca pra não vir, inconsistente.” Leia a íntegra aqui.

Aviso

Entro de férias (de mim mesmo, na verdade) nesta segunda-feira, portanto o blog não terá as atualizações costumeiras. Até os Jogos Olímpicos – e possivelmente inclusive durante os Jogos – não pintarão muitos textos por aqui (eu poderia até escrever mais, mas não vou por causa do zika – rs). Até daqui a pouco.


O que testa um evento-teste?
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Alexandre Cossenza

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Uma arena bonita para as câmeras, mas inacabada nos bastidores; um mini-torneio para cerca de dois mil convidados, sem assentos marcados; nenhum check de segurança nos pontos de acesso; placas de sinalização precárias e riscadas a mão; e uma sala de imprensa modesta e mal preparada para receber uma coletiva. Foi o que eu vi no segundo dia do evento-teste de tênis para os Jogos Olímpicos Rio 2016 – o primeiro dia aberto à imprensa.

Se faltava tanta coisa, que diabos testa um evento-teste, afinal de contas? Foi essa a intenção da minha ida ao Centro Olímpico de Tênis na sexta-feira. Quem me ofereceu uma resposta foi Gustavo Nascimento, gerente de arquitetura de instalações esportivas do comitê organizador. A explicação foi a seguinte:

“A gente não quer fazer dois Jogos Olímpicos. Toda instalação é focada no sistema de resultados e na área de competição. O voluntário que vai pegar a bola, a arbitragem, o calendário de competição, o look que vai na quadra no painel ali atrás do fundo de quadra, o equipamento esportivo, a rotina de chegada do atleta, check de vestiário, salas de chamada, pessoal de apresentação do esporte, DJ, locutor, músicas que vêm no intervalo dos jogos… Tudo isso. A gente não faz marketing nenhum. Isso aqui tem um objetivo principal, que é um teste operacional focado no esporte, na gestão da área de competição, no sistema de resultado. Temos o nosso parceiro de resultado do COI aqui, fazendo todo o ensaio de tecnologia com o mesmo aparato dos Jogos. E os testes que são um pouco mais subjetivos: engajamento da equipe, todo mundo que vai estar trabalhando nos jogos. Muitos serão contratados, mas os que já estão contratados dedicados a essa instalação estão aqui dando suporte… O que você chama de improviso (eu afirmei que a sala de imprensa era improvisada e pequena, longe de nível olímpico), na verdade, a gente chama de ‘ajustar à necessidade do evento’ porque não temos pretensão nenhuma de fazer nada dimensionado no tamanho do evento porque não é ‘o’ evento. A gente entende que um teste não necessariamente precisa ser idêntico àquilo que a gente vai realizar nos jogos.”

Fiz uma segunda pergunta, relativa à segurança, que é uma preocupação mundial em qualquer evento esportivo – ainda mais nessa escala olímpica -, e Nascimento explicou que a segurança dos Jogos é da Secretaria Especial de Grandes Eventos Esportivos (e não do Comitê Rio 2016), dentro do Ministério da Justiça. “Eles são os donos do planejamento de segurança”, disse o arquiteto. O Comitê fará três eventos-teste maiores em 2016 (um de ginástica, um de saltos ornamentais e outro de atletismo paralímpico), mas ficará a cargo a Sege a dimensão desse teste no quesito de segurança. Fica registrada, então, a explicação do Comitê Rio 2016.

Quem ganha?

O Comitê pode dizer que não faz marketing, mas o prefeito do Rio, Eduardo Paes, faz. Foi à arena na noite de quinta-feira, tirou fotos e mostrou o espaço “inaugurado”, ainda que haja um bom trabalho a ser feito internamente, como as imagens abaixo mostram, e que a entrega já esteja atrasada. Apesar disso, o prefeitão apareceu, bateu uma bolinha e fez as fotos para divulgação da imprensa.

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Ganha também a CBT, a “dona” dos atletas. O evento-teste só existiu, afinal, porque a Confederação topou levar para o Rio de Janeiro seu evento de fim de ano, com os melhores tenistas do país jogando para convidados que, em sua maioria, estão ali bancados pela CBT e seu patrocinador.

Mas não foi só isso. Além de levar seus convidados ilustres para a estreia da arena olímpica, a CBT viu seus atletas – todos apoiados pelos Correios (vide foto abaixo com o presidente da entidade, Jorge Lacerda, na cabeceira) – discursarem incessantemente sobre a necessidade de o tênis brasileiro ter uma “casa”. Vale lembrar que até agora não há definição sobre o destino do Centro Olímpico de Tênis após os Jogos do Rio. Não se sabe quem administrará o espaço. A CBT, que faz lobby para isso há alguns anos, certamente ganhou exposição nessa causa durante o evento-teste.

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Ainda sobre o tema, vale ler a reportagem que a Sheila Vieira fez para o Tenisbrasil, com as frases mais relevantes dos tenistas.

A primeira queixa

Entrando no aspecto esportivo da coisa, uma das primeiras curiosidades de todo mundo era saber como ficou o piso. Segundo a maioria dos profissionais que jogaram na sexta-feira, a quadra dura está mais para lenta (bem áspera), com a bola quicando bem alto.

A queixa ficou por conta do painel verde-limão colocado no fundo de quadra. Ele faz parte de uma decoração que usa tons diferentes de verde, mas enxergar a bolinha com aquele painel no fundo não é tão fácil assim. Com o devido cuidado para não criticar o evento, quase todos tenistas falaram sobre isso. Feijão foi quem melhor resumiu: “Já que é evento de teste, por que não falar?”

A cor do painel não deve ser mantida para os Jogos, já que não há torneios com o fundo de quadra em cor clara – justamente para que haja contraste com a cor da bola. E se a cor do fundo de quadra foi um problema, a cor do piso foi outro. O verde claro também dificultou a vida de quem estava vendo pela TV. Os tweets da Aliny Calejon mostram.

Depois de ler alguns comentários sobre isso no Twitter, vi a reprise de um jogo no SporTV3 e tive a mesma impressão. Enxergar a bolinha não é tão fácil em alguns momentos. Resta saber o que o Comitê vai fazer a respeito.

Duas dúvidas

Na coletiva de pouco mais de 40 minutos organizada (inteligentemente, como já citei acima) pela CBT, pouco deu para aproveitar de conteúdo. No entanto, como Bruno Soares afirmou na entrevista ao blog, não há um critério para definir quem formará a dupla mista ao lado de Teliana Pereira. Com dois duplistas na mesa, João Zwetsch, capitão brasileiro na Copa Davis, ficou meio sem jeito com a pergunta e respondeu que por enquanto a questão vai ficar “de banho-maria” e que tudo vai ser resolvido “mais para a frente”.

E qual seria o critério mais justo, hein? Ranking de duplas (Melo)? Ranking de simples (Bellucci)? Ou histórico em duplas mistas (Soares)?

A outra dúvida diz respeito ao futuro do WTA de Florianópolis. Após boatos de que o evento estaria prestes a ser comprado pela Federação Suíça, a Sheila conversou com Jorge Lacerda, que disse que o negócio ainda não foi fechado. Pelo texto, a impressão que tive é que o dirigente não foi tão enfático assim no que diz respeito a manter o evento após 2016. Leiam aqui e digam se tiveram a mesma impressão.

Coisa que eu acho que acho:

Nada a ver com o fato de ser evento-teste, mas sempre me incomodou a CBT realizar seu “Masters” longe do público, em evento para presidentes de federação, acompanhantes e convidados. Ainda que amistoso, um torneio com Marcelo Melo, Thomaz Bellucci, Bruno Soares, Feijão, Teliana Pereira e Bia Haddad seria uma chance enorme de aproximar do público os melhores tenistas do Brasil, que passam a maior parte do ano viajando e jogando torneio pelo mundo.


Thomaz Bellucci: “Não posso perder 17 jogos seguidos de top 10”
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Alexandre Cossenza

Muito antes do evento que lançou o Rio Open 2016, Thomaz Bellucci e eu nos sentamos em uma das mesas do Jockey Club Brasileiro para bater um papo sobre 2015, o que esperar de 2016 e um pouco mais. O número 1 do Brasil fez uma avaliação positiva de sua última temporada, mas reconheceu que lhe faltam vitórias “grandes” recentemente. Disse, inclusive, que é impossível entrar no top 20 sem quebrar a sequência de derrotas para top 10. Afirmou também que precisa melhorar muito seu jogo defensivo.

De modo geral, foi um papo bem leve. Bellucci, que está em pré-temporada há mais de 15 dias, riu ao lembrar da derrota para Paolo Lorenzi em 2011, fez força para escolher uma vitória mais importante em 2015 e lembrou rápido da derrota mais doída: diante de Djokovic, no Masters de Roma. O paulista de 27 anos também admitiu que já jogou “de salto alto”. Leia a íntegra da conversa abaixo.

Você começou 2015 como #64 do mundo e terminou como #37. Nem sempre dá para fazer essa avaliação pelo ranking, mas neste caso, em 2015, dá para usar o número como um parâmetro de que foi um bom ano?

Foi, foi uma temporada positiva. Eu acho que poderia ter terminado até um pouco mais baixo (Bellucci usa o termo “mais baixo” para se referir a um ranking melhor – de numeração mais baixa), mas dentro das possibilidades… Comecei o ano 64 e passei de 100, se não e engano, mas enfim… Comecei o ano ruim e talvez se eu começasse o ano melhor, poderia ter chegado a um ranking mais baixo no fim do ano. Mas, de uma certa maneira, foi um ano muito positivo. Eu consegui jogar muito melhor do que no ano passado. No ano passado, eu também tive dois ou três momentos ruins, mas este ano, a partir de meio, eu consegui manter uma regularidade muito grande de resultados e acredito que foi um ano positivo, sim.

A impressão que eu tive é que este ano você foi mais consistente até do que no ano que você chegou a #21. Você acha isso ou não?

Não (risos). Eu acho quando cheguei a #21, eu tive um ano melhor. Porque comecei melhor e mantive isso o ano inteiro. Cheguei a #21, mas talvez eu tenha mantido como top 30 o ano inteiro. neste ano, eu entrei no top 40 em Genebra e me mantive até o fim do ano. Hoje, eu sou um jogador melhor do que eu era quando cheguei a #21, mas não consegui ter os resultados daquela época, de oitavas em Grand Slam, de fazer quartas e semis em torneios grandes, então. Em 2015 talvez eu tenha jogado melhor do que em 2010, mas tive resultados mais expressivos naquele ano. Peguei umas chaves um pouco melhores do que neste ano. No final do ano, tive uma sequência de quatro, cinco torneios que, mesmo eu jogando bem, não consegui avançar porque peguei jogadores muito bons. Então tenho que contar um pouquinho com a sorte em certos momentos. Lógico que sorte é um pouco relativo, mas no fim do ano, mesmo jogando bem, eu não consegui avançar porque tive uns jogos difíceis.

Uma coisa que se comenta é que tem faltado para você nos últimos anos uma vitória grande. Ganhar de um top 10, um top 5… Inclusive no último jogo contra o Djokovic, o comentarista do TennisTV lembrou que eram 17 derrotas seguidas suas contra top 10. É uma coisa que te incomoda? E o que você acha que falta para isso começar a acontecer com frequência?

Eu cheguei a ganhar de top 10, mas nos últimos anos eu não consegui… Os últimos anos não foram meus melhores anos, né? Mesmo com o Dani (Daniel Orsanic), com o Pato… Não foram anos que eu joguei tão bem, né? Mas ainda falta um pouco. Este ano, joguei com Ferrer, com Raonic e não fiz jogos extraordinários. Falta um pouco mais de tranquilidade, de não entrar tão nervoso, de não entrar tão ansioso contra esses jogadores. Queira ou não, você entra mais ansioso de saber que essa vitória pode ser importante. Talvez falte um pouco mais de tranquilidade. Acredito que jogo eu tenho para ganhar desses caras, como já ganhei algumas vezes. Então falta mais a parte de manter uma cabeça tranquila, de entrar solto na quadra e tranquilo, acreditando que eu possa entrar na quadra e ganhar de qualquer um. Eu tenho até chegado perto, mas, às vezes, nos momentos importantes, eu acabo não jogando tão bem, o que faz muita diferença.

Você vê isso como condição para entrar no top 20, no top 10, talvez?

Com certeza. Se eu quiser entrar entre os 20, é impossível. Não dá para perder 17 jogos seguidos de top 10, senão nunca vou entrar entre os 20. Tenho que estar preparado para jogar contra esses caras e de cinco, pelo menos ganhar umas duas, por exemplo. Matematicamente, acho que é impossível. Daqui para a frente, se eu não estiver preparado, se eu não conseguir ganhar desses caras, eu não vou conseguir entrar. Então tenho que estar… Meu foco é totalmente para esses jogos, para eu conseguir ter um rendimento melhor nesses jogos importantes.

(O revés diante de Djokovic em Paris aumentou para 18 a sequência negativa contra tenistas do top 10)

Olhando para trás, você mudaria algo de 2015 em termos de preparação, calendário, não sei…

Foi um ano que eu não consegui fazer uma pré-temporada tão boa quanto eu queria. Então este ano acredito que eu já comece 201 com uma vantagem em relação a 2015. Em 2015, eu comecei meio sem técnico, não sabia com quem eu ia ficar. Acabou a temporada e não tive tanto tempo de fazer um planejamento, de conseguir fazer uma pré-temporada completa. Comecei a pré-temporada um pouco machucado, estava me poupando e só no final consegui fazer uns treinos legais, mas este ano acho que vou começar melhor, mais preparado do que comecei 2015. Talvez mesmo se os resultados não vierem, pode ser um ano de mais produtividade e com mais planejamento. Vai ser meu segundo ano com o João (Zwetsch, técnico). Em 2015 eu voltei a trabalhar com ele e, por mais que eu conhecesse o João muito bem, sempre tem coisas novas que ele me passa e, queira ou não, de 2010 a 2015 eu também mudei como pessoa e como jogador. Ele também mudou como técnico. Teve um momento de transição. Nos dois, três primeiros meses, é normal que os resultados piorem um pouco porque a gente estava mudando algumas coisas no meu jogo. Eu estava incrementando certas coisas, então o começo do ano foi um pouco difícil para nós dois. A gente não conseguiu encaixar bem os jogos. Acredito que ano que vem seja um pouco melhor.

O Sylvio Bastos (comentarista do Fox Sports) costuma dizer que alguns técnicos não tiveram tanto sucesso com você porque quiseram mudar seu jogo. O João, por outro lado, faz você jogar bem o jogo que você gosta de jogar. Você concorda? 

Concordo, concordo. O João… Ele mesmo, quando a gente começou a trabalhar, falou “não quero mudar nada no seu jogo, só quero aperfeiçoar a sua maneira de jogar.” Talvez com os outros técnicos… Eles me traziam um pouco mais de… Com o Pato (o espanhol Francisco Clavet), por exemplo, e com o Larri (Passos), eles queriam que eu adaptasse um pouco mais o meu jogo. Jogar um pouco mais atrás, jogar com mais bolas, ser um pouco mais regular e diminuir um pouco a velocidade… E o João tem um estilo diferente. Ele acha que é complicado mudar o estilo de um jogador porque eu aprendi a jogar assim e é a maneira que eu jogo bem. E é assim que a gente tem que aperfeiçoar meu jogo. Não mudar de uma hora para a outra. “Ah, vamos dar dois passos para trás e começar a dar bola alta.” Não é meu estilo de jogo. Por mais que eu possa fazer isso…

(interrompendo) Mas até deu resultado com o Larri em alguns torneios…

(também interrompendo) Eu tive resultados esporádicos com o Larri, né? Eu tive dois, três torneios bons, mas não tive um ano consistente. Não foi um ano bom. Mas com o João acredito que ele me entenda mais tanto dentro da quadra quanto fora. Mesmo nos momentos difíceis, é um cara que me dá muito apoio. Ele consegue ver quando eu estou mal, quando estou bem. Isso também me ajuda muito.

Qual foi a vitória mais legal desta temporada?

A melhor vitória… (pensativo) É… Pô, é difícil.

Tem a final de Genebra…

É, então, essa que eu estava pensando.

Foi essa?

Não sei, talvez no (pensa um pouco mais)… A mais legal? Ah, acho que deve ter sido essa mesma, o jogo contra o João Sousa. Deve ter sido o momento mais marcante da temporada.

E a derrota que incomodou mais?

(responde rápido) Com certeza, foi com o Djokovic em Roma.

O que doeu mais? É porque você sentiu que tinha chance?

É, eu senti que o jogo era meu. O primeiro set eu ganhei, e mesmo no resto do jogo, eu achei que estava melhor do que ele, mas não conseguia passar adiante. No final, por mais que o cara seja número 1, tenha feito uma temporada incrível, de perder muito poucos jogos, eu senti que naquele dia eu estava jogando melhor que ele e poderia ser meu o jogo. Então eu terminei um pouco frustrado (Djokovic venceu por 5/7, 6/2 e 6/3).

A essa altura, você já está acostumado com essas sensações? É uma coisa que você, alguns dias depois, já consegue apagar? Ou esse sentimento vai com você por mais tempo?

É mais fácil apagar quando você joga com o número 1 (sorri). Se você joga com o número 1 e perde, no outro dia você fica frustrado, mas esquece. Quando você joga com um cara que você tem mais condições de ganhar, você fica mais frustrado. Com a experiência, você vai levando melhor isso. Talvez se essa derrota fosse há uns cinco anos, eu levaria de uma maneira pior, mas do jeito que foi, até porque no torneio seguinte tive um bom resultado (Bellucci foi campeão do ATP 250 de Genebra), não deixei aquilo me influenciar.

Você falou “cinco anos atrás”. Madri foi em 2011. Aquela derrota para o Djokovic (o sérvio venceu em três sets na semifinal do Masters 1.000 de Madri após estar um set e uma quebra abaixo no placar) você demorou mais para…

(interrompendo) Ah, foi um momento… Mesmo porque na semana seguinte eu perdi para o (italiano Paolo) Lorenzi, né? Então acho que hoje em dia eu consigo lidar melhor com essas derrotas, apagá-las no dia seguinte e aprender com elas. Talvez, nessa época, eu não conseguia lidar muito bem. E também eu, às vezes, com uma vitória, ficava de salto alto e acabava perdendo um jogo fácil na semana seguinte. Então eu era muito irregular, não conseguia manter uma consistência grande. Com a maturidade, você vai sabendo administrar isso. Por mais que você tenha uma vitória magnífica no dia anterior, isso não vale nada se você não faz um bom jogo de novo no dia seguinte.

Você falou do Lorenzi… O que chateou mais? Perder do Djokovic numa semifinal depois de estar um set e uma quebra na frente ou perder do Lorenzi, que era, sei lá, 300 e alguma coisa do ranking?

Não, ele não era tão ruim assim (risos de ambos). Ele era, sei lá, uns 150, 200?

Sim (rindo), mas você entende o que eu quero saber?

Não, uma derrota contra o Lorenzi dói muito mais do que uma contra o Djokovic. Sem dúvida nenhuma (mais risos).

(Registrando: Lorenzi era, de fato, número 148 do mundo naquela semana de 2011, no Masters 1.000 de Roma)

Seu calendário para 2016 muda alguma coisa?

Muda um pouco, mesmo porque o calendário também mudou, né?

Ficou uma zona com os Jogos Olímpicos encaixados ali…

É, a gente vai para os Estados Unidos, volta, vai para os Estados Unidos de novo, então… Eu nem sei, na verdade. Mas no começo do ano muda também. A gente joga Brisbane, depois Sydney, depois Australian Open. Sydney eu nunca joguei, e Brisbane nos últimos anos eu não joguei também. A gente quer tentar…

(interrompendo) Você não gosta de Auckland?

Gosto, mas eu nunca joguei bem lá (risos). Esse que é o problema. Eu até gosto, é um dos meus torneios favoritos, mas não adiante se você vai lá e não consegue jogar bem. E também Sydney tem condições mais parecidas com o Australian Open, então vamos ver se a gente consegue chegar mais bem preparado.

Não tem como fazer preparação diferente para Jogos Olímpicos, né? Tem um Masters duas semanas antes, depois Rio, depois outro Masters… Não dá para parar dois meses e treinar só para uma coisa, né?

No tênis, não tem isso como nos outros esportes. A gente tem competições importantes o tempo inteiro. Não tem como falar “vou ficar um mês sem jogar porque quero estar bem preparado para aquele torneio.” No tênis, não existe isso. Não tem como fazer preparação especial. Lógico que eu gostaria, mas é um calendário complicado para todo mundo. Para mim, as Olimpíadas talvez sejam o torneio mais importante do ano que vem.

Tiraram os pontos do ranking para o torneio olímpico de tênis. Você acha que isso afeta muito?

Não, acho que não. Nos últimos anos, os jogadores já têm priorizado as Olimpíadas. Por mais que dê ponto, não sei se é a razão principal para a gente jogar. As coisas que você acaba ganhando em Jogar Olimpíadas são muito mais que a pontuação que você ganha. E também não é uma pontuação magnífica.

Eram 750 pontos para o campeão…

Era como se fosse um ATP 500. Para os jogadores no topo, não faz tanta diferença. Para os lá de baixo, pode ser, mas para o Federer, o Djokovic, 750 pontos não muda quase nada no ranking deles. Não acredito que seja um empecilho para eles.

É possível que o Brasil entre com uma dupla mista nos Jogos. E tem você, Marcelo, Bruno, André talvez esteja… Quem vai jogar com a Teliana?

Ah, não sei (sorriso), mas os especialistas em dupla são o Marcelo e o Bruno, Não tem muito sentido a gente pegar um jogador de simples para estar na dupla porque é o que eles fazem de melhor.

Eu sei que não funciona exatamente assim porque ninguém trabalha uma coisa só numa pré-temporada, mas se você tivesse que estabelecer uma prioridade máxima para a pré-temporada, o que seria?

A parte principal, que a gente já vem conversando durante o ano, é a parte de defesa. Conseguir me defender melhor e aguentar mais os pontos quando eu estou sendo deslocado. Isso, contra esses jogadores, é muito importante porque jogadores que estão entre os (top) 10 geralmente devolvem bem saque, e é muito difícil ganhar o ponto em duas, três bolas. Por mais que eu tenha um jogo agressivo, eu tenho que jogar defendendo, mesmo que seja uma parte pequena durante o jogo. Então eu tenho que fazer melhor isso. A maioria dos pontos em que eu começo me defendendo, eu não consigo ganhar. Preciso melhorar isso daqui para a frente. É uma prioridade.

É questão mais de velocidade lateral, de arranque para chegar nas bolas, ou é a execução do golpe defensivo mesmo?

Os dois. A parte física também é importante, de eu conseguir me deslocar melhor… Ah, você vê que o diferencial dos grandes jogadores hoje em dia é a parte física. Antigamente, não tinha tanta diferença assim. Você pega dos jogadores número 1 do passado… Não necessariamente eles tinham o melhor físico. Hoje em dia, é ao contrário. Você pega os cinco primeiros e vê que fisicamente eles são melhores que os outros. Essa é uma coisa que eu tenho que tentar trabalhar com o André (Cunha, preparador físico). Mas, de qualquer maneira, a parte técnica também é importante, de melhorar minha técnica de chegar nessas bolas e me defender melhor.


Copa Davis: enfim, Feijão
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Alexandre Cossenza

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No último dia do prazo para o anúncio dos times que disputarão a primeira rodada do Grupo Mundial da Copa Davis, a Confederação Brasileira de Tênis confirmou a (inevitável) escalação que todos sabiam há semanas (desde que José Nilton Dalcim divulgou): João Souza, Thomaz Bellucci, Marcelo Melo e Bruno Soares.

O complicado confronto em Buenos Aires, contra a Argentina, em uma quadra de saibro, possivelmente com muito calor e umidade, marca a volta de Feijão ao time brasileiro. O paulista de 26 anos é atualmente o número 77 do mundo e será o mais bem ranqueado simplista do país na semana do duelo. Só que mais do que rankings e números, a convocação vem para coroar oito meses de belo tênis. Desde as ótimas campanhas em Challengers no segundo semestre do ano passado até as vitórias em torneios de nível ATP em 2015.

O Feijão de hoje é um tenista mais qualificado e, principalmente, mais equilibrado. Não só na parte técnica, na qual seus pontos fracos (a movimentação e o backhand) já não são tão fracos, mas também na questão mental. João Souza, hoje, deixa se incomodar com muito menos facilidade do que anos atrás. E se às vezes ainda mostra instabilidade e perde chances (como no voleio fácil que errou quando teve match point contra Blaz Rola no Rio de Janeiro), também mostra capacidade de recuperação maior (vide a reação no terceiro set do mesmo jogo).

O Feijão de hoje, repito, é mais maduro do que aquele de 2011, que deixou já decidido o confronto contra o Uruguai, em Montevidéu, quando soube que não iria jogar. É também mais experiente do que o João Souza de 2012, que treinou brilhantemente, mas não rendeu o mesmo quando estreou na competição contra Santiago Giraldo, da Colômbia.

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A Argentina continua sendo um time mais forte. Ganhável, porém mais forte do que o Brasil. Com Daniel Orsanic (ex-técnico de Bellucci) no posto de capitão, os hermanos jogarão com Leonardo Mayer, Federico Delbonis, Diego Schwartzman e Carlos Berlocq. Nenhum cracaço, nenhum tenista imbatível, mas uma equipe homogênea que dá muitas opções ao capitão. Um exemplo? Mayer, 29 do mundo e mais bem ranqueado entre os argentinos, vem de derrota para Feijão em São Paulo. Schwartzaman, por sua vez, é o 64º na lista da ATP, mas derrotou João Souza nos dois últimos encontros.

Orsanic, que optou por deixar o mais experiente Juan Mónaco fora do time (segundo Orsanic, a dúvida era entre ele e Schwartzman), deve saber que jogará como azarão na partida de duplas (Berlocq e Mayer, que jogaram juntos no Australian Open, em São Paulo e no Rio são uma opção), mas sabe que tem chance de ganhar os outros quatro jogos de simples.

A favor da Argentina, obviamente, pesarão a barulhenta torcida e o calor. A combinação de altas temperaturas e umidade são cruéis para Bellucci, que teve problemas recentemente em Buenos Aires. Em 2014, esgotado, abandonou seu primeiro jogo no qualifying. Nesta semana, voltou a sofrer e dava sinais de exaustão já no fim do segundo set. Como talvez precise jogar até cinco na Copa Davis, sua condição física será sempre uma preocupação brasileira.

Coisas que eu acho que acho:

– A polêmica na Argentina fica por conta da ausência de Mónaco. Como relatei acima, Orsanic afirmou que estava na dúvida entre ele e Schwartzman. Contudo, um grande ponto de interrogação paira no ar. Juan Martín del Potro fez as pazes com a federação argentina e já se mostrou disposto a voltar ao time. Mónaco, por sua vez, não esconde de ninguém que nem fala com Delpo. E agora?

– Dada a insegurança com a durabilidade de Thomaz Bellucci, talvez fosse, no mundo ideal, o caso de Zwetsch convocar mais um simplista. O problema é que incluir Guilherme Clezar, André Ghem, Rogerinho, Fabiano de Paula ou quem quer que seja significaria abrir mão de um duplista e, consequentemente, colocar em risco o ponto mais provável do Brasil no confronto. Além disso, no mundo ideal o Brasil teria mais um simplista capaz de ganhar jogos neste nível. E ninguém além de Feijão e Bellucci vem mostrando tênis para isso.

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– Não sei qual o critério adotado pela CBT, mas o timing do anúncio, especialmente nesta convocação, acabou sendo o pior possível. Todos no meio do tênis sabiam que Feijão seria convocado (José Nilton Dalcim publicou a informação semanas atrás), e o tenista, proibido de revelar, teve de passar duas semanas dando respostas idiotas à imprensa. Nos últimos dias do Rio Open, o próprio Feijão ria das respostas toda vez que incluía um “se eu for chamado”.

– Para quem não sabia que Feijão seria convocado, o anúncio pós-Brasil Open e Rio Open pode passar a impressão de que João Zwetsch não queria o atleta, mas teve de engolir a boa fase de um jogador que foi equivocadamente preterido (vide o desempenho de Rogerinho) no confronto anterior. Não foi o que aconteceu (pelo menos na parte que diz respeito aos ATPs brasileiros), mas a CBT deveria trabalhar para não dar margem a esse tipo de pensamento.

– Por que alguém pensaria como o que sugeri no parágrafo acima? Por causa de toda polêmica do confronto contra a Espanha. Para quem não lembra, Zwetsch explicou mal a opção por Rogerinho (alegou questões físicas, depois falou em recompensa pela atuação contra o Equador); Feijão reclamou e inclusive afirmou que o capitão da Davis não deveria ser treinador de outros atletas; Ricardo Acioly, ex-capitão da Davis e técnico de Feijão, criticou duramente a postura de Zwetsch; e Zwetsch culpou “fantasmas” pela má atuação de Rogerinho.


Bellucci, Quito e o copo
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Alexandre Cossenza

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Uma semifinal de ATP 250 é um ótimo resultado. São 90 pontos na conta. Nas últimas 52 semanas, Thomaz Bellucci só conseguiu mais do que isso em Valência, onde furou o quali e alcançou as quartas, somando 110 pontos  em um ATP 500. Aliás, na carreira inteira, o paulista de 27 anos só fez mais de 90 pontos em oito torneios. Só foi além das semifinais cinco vezes. Logo, na matemática, o número 1 do Brasil fez uma ótima campanha no ATP 250 de Quito, no Equador.

Essa foi a visão “copo-metade-cheio” sobre a última semana de Thomaz Bellucci. Só que como em quase tudo na vida, há um “copo-metade-vazio”. Porque o paulista não mostrou tênis consistente em nenhum momento da semana, escapou por milagre de uma decepcionante eliminação nas oitavas (obrigado a Horacio Zeballos por tentar um saque-e-voleio no segundo serviço quando tinha match point) e acabou superado por um veterano de 34 anos que nunca havia alcançado uma final de torneio ATP.

E isso tudo aconteceu no saibro e na altitude de Quito (2.800 metros acima do nível do mar), condições que favorecem muito o tênis de Bellucci. Não é por acaso que o paulista conquistou seus três títulos de ATP em Gstaad (2009 e 2012 – 1.050m) e Santiago (2010 – 521m). Tivesse passado pelo dominicano Victor Estrella Burgos, o brasileiro enfrentaria Feliciano López, que seria seu único adversário de ranking superior em Quito.

Logo, há motivo para comemorar os 90 pontos conquistados pelo número 1 do Brasil (que vai subir cerca de dez postos no ranking, entrando na casa dos 70 melhores do mundo), mas também há que se lamentar o desperdício de uma ótima chance de ir mais longe e levantar um troféu. É difícil encontrar no histórico de Bellucci um ATP 250 com chave mais acessível (leia-se, sem eufemismo, “fácil”). Tudo depende de que copo está na sua mão…

Coisas que eu acho que acho:

– O copo de João Zwetsch, velho-novo técnico de Thomaz Bellucci aparentemente está meio cheio.

– Curiosamente, Feijão tornou-se o primeiro brasileiro a alcançar uma final de ATP nesta temporada. João Souza foi à decisão de duplas em Quito, onde jogou ao lado de Estrella Burgos. Brasileiro e dominicano perderam o título para Gero Kretschmer e Alexander Satschko por 7/5 e 7/6(3). Não parece justo superanalisar este resultado. Acredito que diz muito pouco sobre a possibilidade de Feijão obter uma sequência de bons resultados na modalidade. A chave de duplas de Quito, ainda mais do que a de simples, estava muito fraca.

– A última semana também teve o Zonal americano da Fed Cup. O Brasil, que entrou como favorito, acabou sendo derrotado pelo Paraguai na final. Depois de bater o Chile por 3 a 0 e a Colômbia por 2 a 1, o time da capitã Carla Tiene sucumbiu de virada. Paula Gonçalves abriu a série derrotando Montserrat González por 6/0 e 6/3; na sequência, Bia Haddad foi superara por Veronica Cepede Royg por 6/4 e 7/6(4); e a decisão, nas duplas, teve vitória de González e Cepede Royg sobre Paula Gonçalves e Teliana Pereira por duplo 6/3.

– Segundo um dos comunicados enviados pela CBT, Teliana sentiu dores no cotovelo e foi poupada de toda a competição. Só entrou em quadra no desespero, na última hora, para a partida de duplas. Não funcionou. Não vi os jogos (o SporTV, detentor dos direitos, não exibiu o Zonal, como de costume) nem sei por que a dupla de Bia Haddad e Gabriela Cé abandonou a partida contra a Colômbia (o comunicado da CBT não explica). Logo, não dá para saber todas as circunstâncias da escalação de Teliana na última partida.


Os melhores do Brasil em 2014
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Alexandre Cossenza

Acaba a temporada e começa a hora das retrospectivas. Quem venceu ali, qual foi o lance mais espetacular do ano, onde aconteceu a melhor partida, qual a maior polêmica da temporada… Tem assunto para muita coisa. Escolho começar pela temporada do tênis brasileiro, aproveitando a recente cerimônia de entrega do Prêmio Tênis 2014, do qual orgulhosamente faço parte do grupo de votantes. Com os vencedores revelados, posso “abrir” meus votos. Os mais importantes foram:

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Melhor tenista: Marcelo Melo

O mineiro de 31 anos, número 6 do mundo, não é só o brasileiro de melhor ranking. Ele precisou jogar o circuito com quatro parceiros diferentes (Ivan Dodig, Julian Knowle, Jonathan Erlich e David Marrero) e conquistou “só” um título (Auckland, ao lado de Knowle), mas foi vice nos Masters de Monte Carlo e Toronto, classificou-se para o ATP Finals mesmo sem disputar dois (!) Grand Slams junto de Ivan Dodig e ainda chegou à decisão do último torneio da temporada – derrotado pelos irmãos Bob e Mike Bryan apenas no match tie-break.

A grande dúvida, pelo menos para mim, foi decidir em que mineiro voltar. A temporada de Bruno Soares também foi brilhante. Número 10 do mundo, o tenista de 32 anos ganhou o US Open nas duplas mistas e, junto de Alexander Peya, foi campeão em Toronto e Queen’s, além de vice em Doha, Auckland, Indian Wells, Eastbourne e Hamburgo. Bruno, claro, foi tão importante para o sucesso brasileiro na Copa Davis quanto Marcelo. Talvez o mais justo fosse dividir o prêmio aqui, mas era preciso escolher um nome.

O “Girafa” foi minha opção não só pela eterna dificuldade extra de jogar com mais parceiros (e nem foram tantos em 2014 comparando com 2013 e 2012), mas porque adotei como critério não considerar as duplas mistas – já que Marcelo jogou apenas o Australian Open, onde se lesionou e, por isso, preferiu não arriscar nos outros Slams. De qualquer modo, é preciso explicar que o ranking não pesou tanto, já que os votos precisavam ser enviados até 1º de novembro. O ATP Finals, contudo, ratificou a melhor temporada de Marcelo.

Ele talvez nunca tenha a exposição de mídia que o conterrâneo naturalmente simpático recebe – com justiça -, mas seus méritos dentro de quadra são inegáveis. E não são de hoje. Não por acaso, Marcelo chegou a ocupar o terceiro lugar na lista da ATP em outubro. Sim, o mesmo posto foi de Bruno pela maior parte da temporada, mas ele e Alexander Peya perderam embalo nos últimos meses.

Melhor técnico de tênis masculino: Daniel Melo

Nada mais do que uma sequência da escolha acima. Daniel Melo trabalha quieto, fala pouco e não aparece nas conquistas, mas está sempre lá no dia a dia do irmão. E, pouca gente sabe, tem muita importância no que a dupla brasileira faz na Copa Davis – João Zwetsch, o capitão, foi o primeiro a reconhecer que foi 100% traçada por “Dani” a estratégia usada para bater a dupla espanhola no Ibirapuera.

Votar em Daniel Melo, técnico do brasileiro de melhor ranking, também significou, para mim, corrigir uma falha do ano passado, quando o mineiro já merecia a premiação. Obviamente, minha escolha não foi motivada só por isso. Seu trabalho vem de anos. Daniel modelou o tênis do irmão e o levou ao top 10. E Marcelo, ainda hoje, aos 31, segue evoluindo. Foi um dos votos mais fáceis de decidir.

Melhor tenista mulher: Teliana Pereira

Nenhuma dúvida aqui. Olhando apenas o ranking, a número 1 do país e 107 do mundo termina em uma posição inferior à de 2013, quando fechou em 90º lugar. Só que Teliana tornou-se a primeira brasileira desde 1993 a disputar um Grand Slam (e jogou os quatro!), esteve na Quadra Central de Wimbledon e disputou 14 WTAs (sete na chave principal). E, claro, teve um belo resultado quando chegou às semifinais do Rio Open, em fevereiro.

Melhor técnico de tênis feminino: Renato Pereira

Renato é o técnico da número 1 do Brasil e, não muito diferentemente de Daniel Melo, trabalha quieto, sem chamar atenção. Não tem “mídia” e não tem fama internacional, mas está ao lado da irmã desde quase sempre. Se Teliana tem méritos por superar seguidos problemas de joelho, Renato tem que ser creditado com a contínua evolução da irmã.

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Melhor simplista homem: Thomaz Bellucci

Há pouco a explicar aqui. Bellucci é, com sobras, o tenista com mais potencial do país. Não fez uma temporada espetacular, mas fez o bastante para manter-se como número 1 do país e, mais importante do que isso, voltou ao top 100, fechando 2014 na 65ª posição. Alcançou as quartas de final nos ATPs 500 do Rio de Janeiro e de Valência, fez uma semifinal em São Paulo e, principalmente, conquistou duas belíssimas vitórias diante da Espanha na Copa Davis.

Feijão fez um ótimo segundo semestre e podia até ter encostado em Bellucci no ranking com um par de bons resultados, mas caiu cedo no importante Challenger de Guayaquil e bobeou no Challenger Finals, onde perdeu ótimas chances de somar pontos. No entanto, ainda que Feijão tivesse fechado 2014 à frente de Bellucci no ranking, meu voto iria para o canhoto de Tietê pela atuação na Copa Davis, que salvou a pele do questionado capitão João Zwetsch.

O Prêmio

O Prêmio Tênis 2014 também teve votos de Arnaldo Grizzo (Revista Tênis), Francisco Leite Moreira (Bandsports), Dácio Campos (SporTV), Erick Castelhero (Gazeta Esportiva.net), Fábio Aleixo (UOL), Fernando Sampaio (Jovem Pan), José Nilton Dalcim (Tenisbrasil), Luiz Fernandes (Tênis Virtual), Paulo Cleto (IG) e Nathalia Garcia (O Estado de S. Paulo), somados a votos de internautas.

Os principais premiados foram Thomaz Bellucci (melhor tenista de simples e melhor tenista geral), Bruno Soares (melhor duplista entre os homens), Teliana Pereira (melhor tenista entre as mulheres), Laura Pigossi (melhor duplista entre as mulheres), João Zwetsch (melhor técnico de tênis masculino), Carlos Kirmayr (melhor técnico de tênis feminino), Orlando Luz (melhor juvenil entre os homens) e Luisa Stefani (melhor juvenil entre as mulheres).

Também foram premiados Natalia Mayara e Carlos Santos entre os cadeirantes, Simone Vasconcelos e Roger Guedes entre os sêniores, Carlos Omaki como treinador de tênis de base, e Joana Cortez e Vini Font no beach tennis. O Wimbelemdom, de Marcelo Ruschel, foi eleito o melhor projeto social, enquanto Carlos Bernardes ficou com o óbvio prêmio de melhor árbitro do país.

Coisas que eu acho que acho

Para não deixar dúvida (alguém sempre tenta encontrar uma polêmica que não existe): o post não é uma crítica ao Prêmio Tênis. Muito pelo contrário. A beleza reside na prática da democracia. Ganha quem a maioria escolhe. E quem votou nos perdedores, ainda que discorde, deve aceitar o resultado. E a caixinha de comentários está aí (há sete anos!) para quem quiser discordar ou questionar publicamente – e educadamente, claro.


Clavet não é mais técnico de Bellucci
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Alexandre Cossenza

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(post atualizado às 18:30)

Thomaz Bellucci não tem mais Francisco Clavet como seu treinador. O espanhol de 46 anos, que foi anunciado em outubro de 2013 como técnico do número 1 do Brasil, encerrou a relação com o paulista ao fim desta temporada.

Conversei na tarde desta segunda-feira com Lui Carvalho, que agencia a carreira do jogador, que negou a versão de que o rompimento havia partido do treinador.

“Foi um acordo entre ambas partes. Eles tinham uma acordo até o fim desta temporada, e a relação foi boa. Durou o que tinha acordado. O Pato tem uns projetos pessoais para tocar em Madri, não estava querendo viajar tanto quanto estava viajando este ano. O Thomaz é um cara que gosta de viajar com técnico, então eles decidiram que cumpriram o objetivo que tinham tratado, que era chegar entre os 50, 60 do mundo. Foi amigavelmente, terminou super bem a relação”.

Carvalho explicou que não há pressa para o acordo com o próximo treinador e revelou também que a preferência de Bellucci é por um treinador brasileiro.

“Estamos discutindo nomes, vendo opções. A gente sabe que o Thomaz fica num patamar diferente do resto (dos tenistas brasileiros), então é difícil de conciliar agenda com outros treinadores que estão viajando. Não falta nome no Brasil. A questão é “quem acredita no Thomaz e no sonho de ser técnico de um cara que pode chegar entre os 20 do mundo?” Até bem pouco tempo, a gente tinha muita opção mesmo. Marcos Daniel, Jaiminho (Oncins), o próprio João (Zwetsch), Pardal (Ricardo Acioly), Bocão (Marcus Vinícius Barbosa), Márcio Carlsson, Larri Passos, Ricardinho Mello… Nome não falta.”

Bellucci ocupava o 168º posto no ranking mundial quando disputou o Challenger de Montevidéu em outubro do ano passado. Foi seu primeiro torneio ao lado de Clavet. Bellucci foi campeão do evento uruguaio e, em parceria com o espanhol, somou bons resultados em 2014, como as quartas de final dos ATPs 500 do Rio de Janeiro e de Valência, a semi no ATP 250 de São Paulo (Brasil Open) e importantes vitórias que ajudaram o Brasil a retornar ao Grupo Mundial, a primeira divisão da Copa Davis. Bellucci subiu mais de 100 posições no ranking mundial e termina a temporada no 65º posto.

Quem assumir a função será o sexto técnico de Bellucci desde 2008. Nas últimas seis temporadas, o paulista já foi treinado por Léo Azevedo, João Zwetsch, Larri Passos e Daniel Orsanic, além, claro, de Clavet.

Bellucci fará sua pré-temporada no Rio de Janeiro com João Zwetsch e Eric Gomes, que já vinha treinando com o número 1 do Brasil nas datas em que Clavet ficava na Espanha. A ideia do estafe de Bellucci é fechar acordo com um novo técnico até o meio de dezembro – antes da viagem para a Austrália.


Feijão: “Se não me querem na Davis, não vai mudar minha carreira”
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Alexandre Cossenza

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Os últimos 12 meses foram tudo menos entediantes na vida de João Souza. Primeiro, o atual número 2 do Brasil e 89 do mundo, mais conhecido como Feijão, perdeu um patrocinador que o acompanhou por nove anos e viu seu CT trocar de endereço. Começou bem a temporada, mas uma lesão freou sua arrancada. Depois, quando tudo parecia se acertar, veio a frustração por ficar fora do time brasileiro que derrotou a Espanha na repescagem da Copa Davis.

E, durante tudo isso, o paulista de 26 anos evoluiu. Fez dez semifinais em torneios da série Challenger (seis seguidas), disputou três finais e conquistou um título. Voltou ao top 100, de onde saiu em abril de 2012, e já pensa mais alto. Na semana que tem de folga antes de embarcar para dois Challengers na Argentina, Feijão conversou comigo sobre tudo que aconteceu na atual temporada. Vitórias, derrotas, Copa Davis e objetivos para o ano que vem.

Como sempre, Feijão não ficou em cima do muro. Voltou a questionar a última escalação do capitão João Zwetsch e foi ainda mais longe, revelando a mágoa por ter sido substituído em um confronto contra o Uruguai, em 2010. Disse que “as coisas têm que ser mais limpas”. Por fim, afirmou ter optado por “passar a borracha” no episódio. As melhores partes da conversa estão editadas no texto abaixo. O vídeo tem a íntegra da conversa, sem cortes.

Você começou o ano como #140 do mundo. Ganhou o Challenger de São Paulo e seu ranking foi mais ou menos esse até o meio do ano. Ali, a coisa começou a andar. O que passou a dar certo?
Acho que desde o começo do ano que eu já estava… São Paulo me deu muita força, só que eu dei o azar de ter machucado no ATP, na segunda rodada. No jogo com o Haase eu estava me sentindo super bem e contra o próprio Montañés, que eu machuquei, particularmente acho que não perderia aquele jogo. Era um torneio que… Quartas de final, poderia tudo mudar ali. Seria Delbonis, depois o Thomaz. Não sei se eu ganharia ou não, mas eram boas chances. E aquela lesão me abalou muito. Até eu ir para a Europa, eu não tinha ganhado muito jogo. Fiquei um mês parado, perdi cinco semanas, quatro torneios nos Estados Unidos. Não tinha nada para defender. E isso mexe com qualquer um. Na Europa, foi uma escolha. Era para eu ter voltado depois de Paris, quando fiz três primeiras rodadas, mas escolhi ficar. Eu tinha Interclubes para jogar na Alemanha. Mudei os planos, resolvi ficar. Foi uma coisa nova para mim e isso me deixou forte. Acabei estendendo para 13 semanas direto na Europa. O Interclubes abriu muito a minha cabeça. Comecei a relaxar. É um dinheiro teoricamente fácil que entra. Até ali, eu não tinha ganhado nenhum jogo, mas deixei as coisas rolarem. Eu estava trabalhando duro, mas não estava conseguindo ganhar. Até que em Prostejov ganhei meu primeiro jogo na Europa. No meu quarto torneio. Foi um jogo duro, com o (Theodoros) Angelinos, o grego. Joguei mal, lutei e não-sei-o-que. Lembro que esse dia mandei mensagem para o meu psicólogo. Falei “ganhei, cara.” Ele falou “demais, que lindo que você ficou no jogo. Você não estava conseguindo ficar com a cabeça no jogo. Vamos dar continuidade. Joga solto amanhã.” Perdi na segunda rodada, um jogo de 6/3 no terceiro set, e a partir daí fui para a Itália. Minha namorada foi bem nesta semana que eu cheguei na semifinal. Ganhei do (Malek) Jaziri, embalei e comecei a jogar bem. O que eu tinha treinado, comecei a botar em quadra e a relaxar de cabeça. Um jogo, esse jogo de Prostejov, foi o jogo em que me soltei.

Você sai do top 100 na próxima semana porque caem os pontos do Challenger de São José do Rio Preto (Feijão, que foi campeão do evento em 2013, ainda deve ficar entre os 105 primeiros do ranking), mas sobram, em tese, cinco torneios na América do Sul. Você vai jogar os cinco?
Vou jogar os cinco. Viajo no sábado, jogo San Juan, Córdoba, volto uma semana, Bogotá, Guayaquil e o Challenger Finals. São cinco bons torneios, principalmente Bogotá, que é de US$ 100 mil. Guayaquil é de US$ 75 mil, e São Paulo dá 125 pontos para o campeão. E vai ser em quadra coberta, as condições vão ser melhores para mim. Jogando em casa, contra oito caras, o Thomaz (Bellucci) ou o (Guilherme) Clezar, um dos dois deve ganhar wild card, e a torcida vai estar totalmente a nosso favor. A galera vai comparecer. Fechar o ano assim, ganhando o torneio, é para fechar o ano com chave de ouro mesmo. Eu estou super confiante. O importante é que estou entrando em quadra relaxado. Estou mais competitivo do que nunca, eu acho. Estou com uma vontade, de dentro, que está me motivando cada vez mais a querer subir. Aconteceram algumas coisas fora da quadra que me motivaram muito. Por incrível que pareça, isso não me jogou para baixo.

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Eu ia chegar nesse ponto, mas já que você falou, vamos lá. A gente sabe o que você sentiu, mas o que te chateou mais por não ser convocado para a Copa Davis? Foi estar em um momento melhor que o Rogerinho e o Clezar, foi o João (Zwetsch) dizer que confiava mais no Rogerinho para uma partida longa, que parte te incomodou mais?
Eu acho que… No seu próprio blog, você citou todos os pontos que ele (João) deu que o Rogerinho tinha. E você teoricamente rebateu o que eu tinha. Por exemplo: se ele quisesse realmente ganhar no físico da Espanha, não botaria em São Paulo nem em quadra coberta. Aí já não teria sol nem altura. Botaria aqui no Rio de Janeiro, num lugar quente, úmido e mais lento. Ali eu acho que ele já se confundiu. Mas contra o Rogerinho e o Clezar eu não tenho nada. Os jogadores não têm nada a ver, mas eu acho que… Eu fiquei triste, cara. Estava em um momento que quase ganhei do Dominic Thiem uma semana antes. O moleque está aí como trinta e pouco do ranking, ganhando de todo mundo. Vinha super motivado, estava super confiante para jogar em São Paulo ainda, um lugar que eu adoro. Adoro jogar em São Paulo. Enfim, eu fiquei triste, cara. Como eu falei antes, até hoje a gente não sabe da onde ele tirou que eu não tenho preparo para jogar cinco sets….

(interrompendo) O João não te procurou depois do confronto?
Não. Nem antes nem depois. O Pardal (Ricardo Acioly, técnico de Feijão) que teve que ir atrás dele. Todo ano ele espera até o US Open para fazer a convocação, então a gente tem que esperar a vontade dele até o US Open. Depois, uma semana, já tem a Davis. E o Pardal que teve que ir atrás dele porque, até ali, a gente estava teoricamente achando que eu ia jogar. Pelo ranking, pelos resultados e pelo momento. Em termos de pontos e resultados este ano, eu tenho 60, 70 a menos que o Thomaz. Que o Thomaz! Este ano, eu tenho 85% de chance de terminar no top 100 se perder cinco primeiras rodadas seguidas. Se eu fizer zero ponto, eu termino no top 100, praticamente. Não tem muito o que comparar com o Rogério e com o Clezar. O Clezar machucou, o Rogerinho não tem jogado muito porque também machucou, foi pai agora, faz três dias. Outro ponto dele (Zwetsch) foi que o Rogerinho tem mais experiência do que eu. Ele jogou acho que duas ou três Copas Davis… Ele usou o jogo contra Pospisil para dizer que o Rogerinho ganhou no preparo físico… Eu achei que ele poderia me dar um crédito. Experiência eu não vou ganhar nunca se não jogar. Até mesmo pela idade. Eu tenho quatro anos a menos que o Rogério.

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(interrompendo) O João não ficou magoado porque lá atrás (em 2010), em Montevidéu, você iria estrear no domingo, mas tinha um Challenger para jogar e não ficou até o fim do confronto?
Eu já ouvi tanta coisa… Isso foi um acerto que a gente fez. Aquele duelo, por exemplo, era contra o Martín Cuevas e o (Marcel) Felder. Teoricamente, a gente iria passar o carro. O Thomaz ganhou, o Rogerinho ganhou, dois a zero. Eu estava escalado para jogar dupla com o Bruno. Não joguei. Iria ser minha estreia em Copa Davis. Eu não entendi até hoje como que ele me tirou da dupla contra o Martín e o Felder. Teoricamente, a gente não ia perder. Ele me tirou. Já fiquei muito, muito bravo. Triste, chateado. Não é possível. Como que eu não vou jogar um confronto com 2 a 0 no Uruguai, e caso a gente perdesse ainda tinha as duas simples para jogar no dia seguinte. Eu falei “João, já que você não vai me botar para jogar a dupla, eu preciso ir porque eu vou para Bogotá”. Era um torneio de US$ 125 mil, um lugar que eu precisava chegar antes, e eles iriam me colocar para jogar na terça-feira. Eu tentei pegar o voo no sábado para chegar à noite, treinar no domingo e jogar na segunda. E não fazia mais diferença eu jogar no confronto. E eu tenho certeza que não foi por causa disso. Tanto é que em nenhum momento ele citou que foi por causa daquela Davis passada. Era um confronto que estava ganho. Foi como eu te falei agora: como eu vou ter experiência se não jogo? Se eu não sinto, ali, como é… Tive que jogar contra a Colômbia porque estava quase nessa situação. Era um lugar que eu gostava de jogar, o Thiago (Alves) estava um pouco atrás de mim, eu tive que jogar contra a Colômbia. E o Thomaz salvou! Mas acho que não, tanto que ele nunca citou essa Davis contra o Uruguai. Se ele tivesse ficado chateado, teria que falar comigo. Acho que as coisas têm que ser mais limpas. Eu sou um cara muito aberto, gosto de falar as coisas na cara. Não fico escondendo. Às vezes eu sinto que escondem coisas. Não sei quem, mas acabam meio que sempre deixando as coisas no ar. Até hoje ele não me buscou depois da Davis. Mas como a semana seguinte eu acabei jogando com o Clezar, acho que isso….

(interrompendo de novo!) Eu iria chegar nesse ponto… A sua comemoração naquele jogo não foi normal de uma vitória de quartas de Challenger. Tinha coisa engasgada ali, né?
Tinha. Não contra o Clezar, porque a gente se dá bem, mas foi logo três, quatro dias depois da convocação. Ele chamou o Clezar e, na minha cabeça, era o Clezar que iria jogar. Acho que até acontecer esse jogo. Foi uma desculpa para ele não ter botado o Clezar. Por isso que ele acabou optando pelo Rogerinho. Durante o US Open, a gente, eu e o Pardal, ficou ouvindo “joga o Clezar, joga o Rogerinho”. Esse jogo foi meio a decisão para o Clezar não jogar, porque ele (Zwetsch) iria colocar o dele muito na reta. E eu estava muito engasgado. Eu entrei tenso, mas ele acabou entrando um pouquinho mais tenso que eu. Não foi um grande jogo. Foram bastantes erros não forçados dos dois lados, mas eu estava me sentindo bem. Estava com um “extra” nas costas, super motivado para ganhar o jogo. Aquele grito que eu dei, eu vi depois, nem tinha percebido na hora, mas foi um descarrego.

Passou a Davis e você continuou jogando bem. A não convocação não te deixou para baixo, embora fosse normal se tivesse acontecido…
(interrompendo) Acho que poderia ter acontecido, mas eu resolvi passar a borracha. E também não foi uma coisa de outro mundo. Se eles não me querem na Davis, ou agora ou depois, não vai mudar minha carreira, entendeu? Davis é legal, todo mundo tem esse objetivo, que nem a seleção brasileira de futebol, mas se eles não quiserem me botar, não posso ficar me remoendo. Se eles não quiserem, não posso fazer nada. Vou seguir minha vida, minha carreira. Tenho mais alguns bons anos de circuito, estou me encontrando cada vez mais, jogando cada vez melhor, ficando cada vez mais forte, e uma Copa Davis não vou deixar me derrubar, entendeu? Por causa de uma convocação aqui e ali…

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Você falou algumas vezes do psicólogo que viajou com você. O quanto ele fez parte desse momento?
Ah, ele me ajuda muito. Nessa coisa da Davis, a gente pensava muito em “meu, apaga e vamos jogar o dia seguinte”. Tem até outra coisa. A semana seguinte à da Davis foi em Quito. Eu não sei se eu chegaria tão bem depois de uma Copa Davis. Por exemplo, o Zeballos estava lá. Ele veio de Copa Davis contra Israel e na semana seguinte, em Pereira, estava com cãibra. Depois tomou segunda rodada em Cáli. Ele falou “tô esgotado, Copa Davis te desgasta muito.” Estou viajando com o Andrés Schneiter, o Gringo, desde Medellín. Ele falou “achei lindo você não ter ido porque tenho certeza que você não ficaria tão inteiro como ficou.” Você perde a semana anterior, a semana da Davis e a semana após porque te desgasta muito. Depois do confronto com a Colômbia, que eu joguei no domingo, fui jogar em Houston e estava com cãibra num jogo de dois sets com o Kevin Anderson. Desgasta muito. Se não foi dessa vez, para mim fez um bem danado para a minha carreira e para os torneios.

Sua ideia para o ano que vem já é montar um calendário já pensando em ATPs e Australian Open? Não sei se incluiria o Challenger de São Paulo porque você é campeão lá…
Eu não tenho nada para defender. Só São Paulo. Esse ano vai ter o ATP de Quito, um bom lugar, onde eu gosto muito de jogar, e não é qualquer um que sabe jogar em Quito, Bogotá, esses lugares de altura. Não tem muito o que mudar, na verdade, mas se o Aberto de São Paulo tiver a mesma premiação, com US$ 100 mil, talvez eu jogue São Paulo. Na Austrália eu vou estar garantido. Muito difícil eu ficar fora da chave. Também não me vejo jogando um quali antes lá porque entre jogar um quali e um de US$ 125 mil, eu não trocaria. Mas como não saiu o calendário, não tem como a gente saber. A princípio, meu objetivo é entrar nessas chaves dos ATPs da América do Sul e, depois, Indian Wells e Miami. Aí, sim, vai depender muito do começo do ano. A princípio, até Miami quero estar com o ranking por volta de 70, 75, para conseguir jogar só chave principal. Seria um belo começo de ano. Aí tem que ir encaixando conforme os resultados.


Em perspectiva
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Alexandre Cossenza

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A festa em quadra havia acabado pouco antes e ainda havia um bocado a festejar, mas o time brasileiro que colocou o país de volta no Grupo Mundial da Copa Davis chegou à sala de imprensa longe da euforia pós-match point. O champanhe não embriagou ninguém. A água gelada jogada na cabeça do capitão João Zwetsch não congelou seu cérebro. E, por isso, o time merece mais parabéns ainda.

Seria tentador vender uma vitória sobre a poderosa Espanha como um feito histórico. Épico. Só que ninguém do time fez isso. Zwetsch falou sobre o quanto é derrotar o time dos compatriotas de Rafael Nadal e de quanto orgulho sentia de seus jogadores por isso, mas fez questão de lembrar que seria quase impossível vencer a força máxima da Armada.

Zwetsch, aliás, poderia ter caído na tentação do “vão ter que me engolir”. Criticado pela escalação de Rogerinho, poderia ter desfilado arrogância na coletiva. Não o fez (e se fizesse, estaria errado, porque Rogerinho realmente esteve muito mal em quadra). E, quando indagado se Thomaz Bellucci sairia do confronto como um herói nacional, fugiu do exagero.

“Eu vejo as coisas muito mais simples. A gente às vezes tenta rotular certas coisas e enfim… Acho importante esse tipo de atuação, de vitória. Óbvio que o Thomaz foi um grande guerreiro, mas… (pausa) Né? Rotular como herói seria uma coisa complicada para ele mesmo. Acho que ele está dando o melhor de si, está crescendo a cada ano.” … “Que ele foi o grande responsável por ter feito dois pontos? Pode ter sido, mas todos fomos responsáveis.”

Bellucci tomou um rumo parecido em suas respostas. É claro que o número 1 do Brasil tinha consciência do tamanho de sua participação na vitória sobre a Espanha. Sem ele, estaríamos aqui pensando em mais séries contra Uruguai, Colômbia e Equador – aquelas que o Brasil ganha todos os anos. Ainda assim, Bellucci ressaltou que a maior parte de seu mérito foi administrar o nervosismo a ponto de jogar um tênis bom o bastante para vencer. E, após superar o número 15 do mundo, fez o que ninguém fez: reconheceu que Roberto Bautista Agut, seu oponente no domingo, não jogou tudo que podia.

“Você vê o Bautista… Hoje, pode ser que ele não tenha jogado o melhor tênis da carreira dele porque é difícil administrar a pressão que é jogar fora de casa, sendo número 1. Você viu que em muitos momentos ele não jogou um bom tênis. Lógico que eu tentei exigir o máximo dele, mas ele muitas vezes não conseguiu isso.”

Assim, enquanto tudo se assenta e os tenistas voltam à rotina do circuito, é importante colocar em perspectiva. A vitória foi muito, muito legal de acompanhar, especialmente porque Thomaz Bellucci esteve na direção certa para explorar todo seu potencial. E porque foi contra a Espanha, um país com peso considerável na Copa Davis e no cenário do tênis mundial. Porém, lembremos que foi contra um time C (ou D?) da Espanha, em casa, e com Thomaz Bellucci carregando a equipe, que continua sem um número 2 confiável.

O resultado foi excelente, mas pouca coisa mudou.

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Coisas que eu acho que acho:

– Já vimos casos de tenistas que passaram por ótimas experiências em Copas Davis e conseguiram excelentes sequências no circuito mundial. Por isso, é compreensível que muitos esperem o mesmo de Bellucci. Eu mesmo achei que isso aconteceria em 2012, quando o Brasil bateu a Colômbia em circunstâncias semelhantes. Feijão perdeu o primeiro jogo, e Bellucci esteve perdendo por 2 sets a 0 a partida seguinte. O número 1 do time, então, saiu do buraco e garantiu a vitória brasileira com duas grandes vitórias. O bom momento, no entanto, não durou por muito tempo. Bellucci até bateu David Ferrer em Monte Carlo, mas perdeu três jogos seguidos, desistiu mentalmente de um jogo em Nice e acabou eliminado nas primeiras rodadas de Roland Garros e Wimbledon.

– No Grupo Mundial, o Brasil enfrentará na primeira fase, em 2015, um dos oito cabeças de chave. Caso seja sorteado para enfrentar Estados Unidos, Itália, Repúclica Tcheca ou Suíça, jogará em casa. Em caso de encarar Argentina, França ou Canadá, o confronto será fora do Brasil. Se o adversário for a Sérvia, um segundo sorteio definirá o local.


O espírito de equipe
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Alexandre Cossenza

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Se há algo inegável quando falamos da equipe brasileira que disputa a Copa Davis, é a união dos jogadores. E todos que estão no time em São Paulo, para este confronto contra a Espanha, reforçam, de um modo ou de outro, a importância do espírito de equipe. Algo que ficou mais claro do que nunca quando Marcelo Melo, ao fim da coletiva deste sábado, pediu o microfone para sair em defesa de Rogerinho – e de sua convocação. Segue abaixo, na íntegra, a declaração do duplista número 1 do Brasil:

“Gostaria só de salientar um negocinho (risos). Muito se falou do Rogerinho. Ontem, nós fomos embora (do Ibirapuera) depois do segundo set do Thomaz porque nós jogaríamos hoje e não daria para ficar até o fim. E o que é o espírito de equipe de Copa Davis? Eu pude ver pela televisão… O Rogerinho não fez um belo jogo, mas o que ele fez no banco não é qualquer jogador que faz. Ele estava lá apoiando o Thomaz, levantava os dois braços, subia na cadeira… Isso mostra o que é espírito de equipe de Copa Davis. Cada jogador tem a sua influência, e esse é um dos motivos (pelos quais) também ele está nesta equipe. Eu acho importante frisar. Muito se bombardeou ele. Muito que ele fez ontem no banco… Muitos jogadores iriam se retrair no vestiário ou lamentar. Ele foi lá, ergueu o braço várias vezes apoiando o Thomaz, mostrando o que é espírito de equipe. Acho que vale a pena salientar isso, mostrando que nossa equipe está unida.”

Depois da derrota para Roberto Bautista Agut na sexta-feira, especialmente pelo modo como a partida se desenrolou, é importante que o time levante os ânimos de Rogerinho, escalado para o quinto jogo. É bem verdade que o Brasil tem mais chances de fechar o confronto com Thomaz Bellucci, mas não será nada espantoso se Bautista Agut, número 15 do mundo, levar a melhor e mantiver a Espanha viva. Se isto acontecer, Rogerinho faz a partida decisiva contra Pablo Andújar, que saiu de esgotado depois de passar 4h em quadra na sexta-feira. Se conseguir mostrar o tênis que não apareceu no início do confronto, Rogerinho tem, sim, chances. Por isso, é perfeita a postura de Marcelo Melo.

Coisas que eu acho que acho:

– Não conversei com Marcelo após a coletiva, mas é possível interpretar o discurso do mineiro como uma pista de um dos motivos pelos quais o capitão João Zwetsch deixou João Souza, o Feijão, fora do time. Porém, como Zwetsch jamais citou fatores extraquadra para justificar sua escalação, muita coisa segue no reino da especulação. Pode ser que uma hora, mais tarde, algo a mais venha à tona.


Zwetsch empurra culpa para “fantasmas”
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Alexandre Cossenza

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Logo após derrotar Pablo Andújar de virada e empatar o confronto entre Brasil e Espanha, Thomaz Bellucci compareceu à entrevista coletiva acompanhado pelo capitão João Zwetsch. A maioria das perguntas foi sobre a vitória do número 1 do país e o comportamento da torcida. O capitão, no entanto, respondeu uma questãozinha sobre a atuação de seu número 2. O mesmo Zwetsch que afirmou uma semana atrás que Rogerinho sempre elevava seu nível em jogos de Copa Davis teve de dizer que não foi o caso nesta sexta-feira, quando Roberto Bautista Agut aplicou 6/0, 6/1 e 6/3 em uma das atuações mais vergonhosas de um tenista brasileiro jogando em casa na Copa Davis. Zwetsch, no entanto, culpou fatores extraquadra. Suas respostas e minha segunda pergunta estão abaixo.

“Surpreendeu, claro. A derrota já era esperada. Era muito difícil um jogador nosso, número 2, jogar contra um número 15 do mundo, mas da maneira como foi realmente surpreendeu. O Rogério não conseguiu se encontrar em quadra. O Bautista não deu espaço, mas isso já era uma coisa esperada. Acho que pela primeira vez, né, talvez com a ajuda de outras coisas que envolveram, ele não conseguiu jogar o bom tênis que ele pode apresentar. Nos treinamentos durante a semana, ele estava muito bem. Inclusive contra o Thomaz ganhou set e tal.”

“Que outras coisas, você pode dizer?”

“Fantasmas, coisas desse tipo assim. Aparecem à noite, é perigoso. À noite, em São Paulo, é perigoso.”

A segunda resposta veio com um leve sorriso, que não sei dizer o que significa. A impressão que ficou é que Zwetsch estava se referindo às muitas críticas que sofreu durante a semana, depois que foi revelada a ausência do número 2 do país, João Souza, o Feijão, do time. Críticas que vieram de jornalistas (inclusive neste espaço aqui), ex-jogadores, comentaristas, treinadores e do próprio Feijão. Críticas que, consequentemente, jogaram meia dúzia de bigornas nos ombros de Rogerinho, que chegou ao confronto em um mau momento, sem conseguir derrotar um top 200 no circuito mundial desde junho.

Repito: não sei se Zwetsch referia-se a essa pressão extra que caiu em Rogerinho. E não sei porque ele, o capitão, não quis dizer. Mas se foi isso mesmo, soa como empurrar a culpa para todos que criticaram uma convocação estranha – não só pelo mau momento de Rogerinho, mas pelas condições do confronto (indoor, com altitude de São Paulo) que não o favoreciam. Parece-me uma lógica às avessas. O capitão escala um atleta em fase ruim, e a culpa é de quem questionou a escalação? Não me parece muito inteligente.

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(mais) Coisas que eu acho que acho:

– Não é raro ver um tenista fazer grandes exibições na Copa Davis e levar o bom momento para o circuito mundial. O que acontece, então, com os ânimos de Rogerinho depois de uma derrota como essas? Culpamos os fantasmas também?

– Escrevi ontem e repito agora para que ninguém distorça. Estou longe de dizer que Feijão, apesar de estar em momento obviamente melhor, derrotaria Roberto Bautista Agut, 15º do ranking. Quem quer que fosse nosso número 2, o placar do confronto dificilmente estaria melhor do que o 1 a 1 deste sábado. Ainda assim, acho que foi um desastre colocar Rogerinho em quadra e deixá-lo exposto a esse tipo de vexame.

– Curiosamente, até Carlos Moyá cornetou a escalação de Zwetsch. O capitão espanhol, que revelou conhecer pouco Rogerinho, disse na coletiva que Guilherme Clezar parecia ter mais potencial para vencer uma partida neste confronto.

– A situação de Zwetsch só não ficou muito mais complicada porque Bellucci salvou um match point com uma bola que tocou na linha, mudou de trajetória e forçou Andújar a um erro. A sorte ajudou o Brasil, e o número 1 do país aproveitou para completar o serviço com muita competência.

– Com o confronto empatado em 1 a 1, o panorama para o Brasil não é dos piores. Se Marcelo Melo e Bruno Soares vencerem neste sábado – e as chances não são nada ruins -, bastará um triunfo de Bellucci sobre Bautista Agut no domingo. Assim, o time nem precisaria contar com Rogerinho no quinto jogo. Não será fácil, mas está longe de ser a maior zebra da história.


Frases de Copa Davis
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Alexandre Cossenza

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O pequeno mistério foi desfeito, e Rogerinho foi confirmado como segundo simplista do Brasil no confronto deste fim de semana contra a Espanha, válido pelos playoffs da Copa Davis – quem vencer, fica no Grupo Mundial e vê o adversário voltar para o Zonal, uma espécie de segunda divisão.

Chamo de “pequeno mistério” porque não faria sentido Zwetsch escalar o jovem Guilherme Clezar depois de todas declarações que deu elogiando Rogerinho, inclusive afirmando que, desde o último confronto, no Equador, só uma situação muito especial tiraria o paulista deste duelo com a Espanha. A real dúvida desta quinta-feira estava na escalação dos visitantes, que ficaram sem Granollers por causa de uma lesão. Assim, o capitão Carlos Moyá escalou Pablo Andújar e Roberto Bautista Agut nas simples. David Marrero e Marc López jogarão no sábado contra Marcelo Melo e Bruno Soares.

O sorteio desta quinta-feira decidiu que Rogerinho e Bautista Agut farão o primeiro confronto no Ibirapuera. O segundo jogo é entre Bellucci e Andújar. No domingo, Bellucci e Bautista fazem o primeiro jogo, com Rogerinho e Andújar se enfrentando em um eventual quinto jogo. Os jogos começam às 16h na sexta-feira, às 14h30min no sábado e às 14h no domingo.

A coletiva, em seguida, não teve lá muitas surpresas. Rogerinho, ocupando a vaga mais polêmica dos últimos tempos, não se mostrou muito disposto a falar. Bellucci e Zwetsch reforçaram o discurso do “torcida a favor faz diferença”. Moyá, com uma equipe que está longe de ser a principal da Espanha, adotou a postura politicamente correta e disse que os integrantes de seu time atual estão capacitados para vencer o confronto.

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O único momento curioso veio quando Bellucci não lembrava de um duelo anterior com Bautista Agut. Quando lembrado por um jornalista que os dois se enfrentaram no US Open/2013, com vitória do espanhol por 3 sets a 0, o número 1 do Brasil riu e disse “é verdade, tomei um pau dele”. Provocou gargalhadas de todos na sala. Abaixo, uma seleção das declarações mais relevantes.

Rogerinho, sobre começar os treinos sem saber que iria jogar
Estou tranquilo. Sabia que iria ser uma disputa sadia, e o João iria escolher quem estivesse melhor na semana. Estou me sentindo bem. Agora é fazer uma boa partida e tentar sair com a vitória.

Rogerinho, sobre a pressão de ocupar uma vaga contestada
Jogar Copa Davis sempre tem pressão. é uma competição totalmente diferente e você tem que estar bem, cara. Você tem que estar preparado para jogar. Minha função aqui é chegar, estar bem, treinar melhor ainda e tentar sair com a vitória. Acho que essa é a minha função. O resto eu não tenho muito que ficar olhando, escutando, enfim…

João Zwetsch, sobre o quanto o ranking pesa no confronto
Ranking obviamente que faz diferença, mas dentro de um jogo de Copa Davis isso pode ser superado de certa forma ou equilibrado de uma certa forma pela questão emocional, pela questão física, de competitividade, de superação, que estão sempre muito presentes em partidas de Copa Davis. A gente sabe que o Rogério e o Thomaz estão cada vez melhores nisso. O Rogério tem uma característica muito legal que é essa da superação. Em todas oportunidades que jogou a Copa Davis, elevou seu nível, buscou uma situação até de um certo conforto dentro da quadra numa competição em que não é tão fácil isso acontecer.
O Thomaz, não precisa nem falar. A cada jogo, a cada confronto, vem crescendo. Está jogando um tênis de nível altíssimo de novo. Jogos de Copa Davis são diferentes. Mas obviamente, a questão técnica sempre tem seu valor e seu espaço dentro desse contexto.

João Zwetsch, sobre a inexperiência do time espanhol em Copa Davis
Pode (fazer diferença), sim. Sem dúvida. Entra um pouco na pergunta anterior. O Bautista, em Copa Davis, ainda não tem uma experiência muito grande, apesar de estar jogando num nível muito alto. Talvez aí seja um exemplo a mais de como a Copa Davis é diferente do circuito. O Andujar é um ótimo jogador também, mas sem experiência em Copa Davis. Enfim, essas situações foram aparecendo na nossa frente nos últimos dias e tomara que a gente consiga… É para isso que a gente está a cada dia se preparando melhor e construindo bem melhor uma equipe para entrar no confronto e trazer essas situações para o nosso lado. Acho que a presença da nossa torcida, em casa… Essas situações podem faezr um pouco de diferença. Tomara que isso se concretize no fim de semana, e a gente possa buscar aproveitar as chances que a gente vai ter no confronto.

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Bruno Soares, sobre a entrada de Marrero no lugar de Granollers
Muda muito mais o estilo de jogo deles do que a dificuldade do confronto. O Marcel e o Marc vêm jogando há um bom tempo no circuito, mas o Marc já jogou muito com o Marrero também. Inclusive eu e o Marcelo, a gente já enfrentou eles no circuito em 2011, no saibro. A parte estratégica nós vamos ter que conversar e repensar, estudar a melhor forma de enfrentá-los. No quesito dificuldade, vai ser pedreira do mesmo jeito. Acho extremamente importante o Marcelo e eu, a gente focar muito mais nas coisas que a gente tem que fazer, a maneira com que a gente vai encarar essa situação, do que nas coisas que eles vão fazer. Acho que isso aí, ao longo do jogo, a gente vai conseguir perceber. Copa Davis tem o capitão dentro de quadra, que nos ajuda a enxergar alguma coisa que pode estar acontecendo. A meu ver, é focar nas coisas que a gente tem que fazer e pode fazer de bom.

Marcelo Melo, sobre o mesmo assunto
O nível praticamente vai ser o mesmo. Só muda um pouco a maneira de jogar. O Marrero não tem o mesmo estilo do Marcel, mas a gente já conhece bem como os dois jogam. É só repensar um pouco na estratégia e ir para cima deles.

Thomaz Bellucci, sobre as frustração que a torcida tem com ele e a preparação psicológica para o confronto
Estou bem. Acho que a sensação de estar dentro de quadra defendendo o Brasil já aconteceu muitas vezes comigo. Isso só vai me trazer mais energia e motivação. Tenho que olhar para a vitória, e não posso olhar e ficar pensando se vou frustrar a torcida se perder ou ganhar. Dentro da quadra você não pode ficar pensando em coisas extraquadra. Estou preparado para o confronto, já joguei jogos importantes também, então vai ser um fator muito importante estar com a torcida a meu favor. Pode ser decisivo a meu favor.

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Thomaz Bellucci, sobre o confronto com Pablo Andujar
O Pablo, por ele estar jogando a primeira vez a Copa Davis, é uma incógnita. Alguns jogadores podem render mais ou render menos. O emocional é importante. Espero um jogo complicado. O Pablo é um cara que já teve bons resultados, ganhou Gstaad este ano, que é um torneio com condições muito parecidas com São Paulo. Ele é muito sólido no saibro, mas ao mesmo tempo o fator da torcida pode ser muito relevante para ele. Isso pode incomodar um pouquinho nesse quadra.

Thomaz Bellucci, sobre Roberto Bautista Agut
Sobre o Bautista, nunca joguei com ele, mas já treinei várias vezes. É um jogador muito perigoso… (interrompido)
“Você já jogou com ele, no US Open, não foi?”, lembrou um jornalista.
Nossa, é verdade, nem lembrava. Tomei um pau dele lá no US Open. Mas são condições bem diferentes do US Open. É outro momento, uma situação totalmente diferente. Estou jogando dentro de casa. Altura, bola diferente. Vai ser totalmente irrelevante. A torcida contra pode fazer a diferença para o nosso lado.

Carlos Moyá, sobre a responsabilidade de manter a Espanha no Grupo Mundial
Sempre há essa pressão. A Espanha, obviamente, com o potencial que tem, praticamente estamos obrigada a vencer todos os confrontos, sejam onde forem. Jogadores seriam titulares na maioria das equipes que estão no Grupo Mundial. Entendo que me pergunte, mas todos estão capacitados para dar um passo adiante. Estamos aqui com muita vontade de ganhar essa eliminatória.