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AO, dia 6: a vez do Nadal ‘vintage’
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Alexandre Cossenza

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A edição 2017 do Australian Open está definitivamente sendo saborosa para os apreciadores dos maiores vencedores de Slams em atividade. Menos de 24 horas depois de uma atuação clássica de Roger Federer, foi a vez de Rafael Nadal conquistar uma vitória enorme de um jeito que ninguém fez melhor nos últimos tempos. Com luta, em cinco sets, em 4h06min de jogo e terminando com um adversário esgotado e com cãibras do outro lado da rede.

Lembrou o melhor Nadal, aquele das vitórias sobre Verdasco e Federer no mesmo Australian Open em 2009, do triunfo sobre Djokovic em Roland Garros 2013 (ou Madri/2009), de tantas e tantas vitórias que exigiram tanto da tática e da técnica quanto de algo extra: a força mental, altíssima ao longo de todo jogo, e a preparação física. Alexander Zverev, 19 anos e dono de um tênis (quase) completo (falta ir à rede), foi um adversário notável, mas que não conseguiu se equiparar durante o tempo necessário e acabou como vítima de um majestoso triunfo por 4/6, 6/3, 6/7(5), 6/3 e 6/2.

Resumir o Nadal de hoje – ou o melhor Nadal ou qualquer Nadal – à figura de um gladiador, ainda que tentador, é burrice. O próprio Rafa cedeu momentaneamente quando entrevistado por Jim Courier após o jogo. Ao explicar ao ex-tenista como venceu o jogo, começou com uma resposta curta: “Lutando.” Ganhou aplausos e sorrisos, mas continuou a resposta fazendo uma enorme análise tática. Sim, Nadal nem havia saído da quadra e tinha o jogo inteiro na cabeça. Se você leitor, acha que é fácil, sugiro prestar mais atenção nas tantas respostas rasas das entrevistas pós-jogo de outros aletas.

Talvez não exista ilustração melhor sobre este Nadal inteligente do que a partida deste sábado na Rod Laver Arena (RLA). Porque o Nadal de hoje é agressivo, gosta de e precisa jogar mais no ataque, mas os saques e golpes de fundo de Zverev assustam. No primeiro set, bastou uma quebra – no primeiro game – para que o alemão saísse na frente. A potência fazia diferença.

Rafa, o cabeça 9, fez ajustes. Passou a usar slices, variou o peso de bola e usou todo tipo de saque em seu arsenal. Mexeu com a cabeça de Zverev, conseguiu uma quebra e equilibrou as ações. O espanhol ainda levava vantagem tática na terceira parcial, mas o adolescente tinha o saque para igualar o duelo. No tie-break, agrediu mais e levou.

Nesse momento, tudo jogava contra. Os 30 anos de idade, o histórico recente de três derrotas seguidas em jogos com cinco sets e até as duas vitórias de Zverev em seus últimos jogos de cinco sets. Nadal passou a devolver o saque lá do fundão e teve resultado. Enquanto o alemão ainda vibrava com o tie-break vencido, Nadal abria 3/0 na parcial. Nesse momento, chegando perto das 3h de jogo, o espanhol parecia mais inteiro, mais senhor do jogo.

O golpe final ainda estava por vir. Nadal quebrou primeiro no quinto set, mas perdeu o serviço pouco depois. Veio, então, o decisivo quinto game. Sim, o quinto. Zverev teve 40/15 e uma bola fácil em sua direita para matar o ponto e fechar o game. Jogou na rede. Com o game em iguais, os tenistas disputaram um espetacular rali de 37 golpes. O alemão ganhou o ponto. O espanhol ganhou o jogo. Ali, ao término do ponto interminável, o adolescente sentiu cãibras.

Nadal castigou. Colocou para correr, deu curtinhas, lobs, ganhou mais ralis. Zverev até que lutou contra o corpo. Foi bravo até o último ponto, tentando o que lhe restava. Nada adiantou. Não ganhou mais um game. O ex-número 1 comemorou e disse que, até pelas derrotas recentes em três sets, foi um dia muito especial. Para ele e para todos. Um clássico. Vintage Rafa.

O adversário

Nas oitavas de final, Nadal vai enfrentar Gael Monfils (#6), que precisou só de três sets para despachar Philipp Kohlschreiber: 6/3, 7/6(1) e 6/4. O último jogo entre eles teve dois sets de altíssimo nível. Foi na final do Masters 1.000 de Monte Carlo de 2016, quando Rafa fez 7/5, 5/7 e 6/0. No total, o retrospecto de confrontos diretos é amplamente favorável ao #9: são 12 vitórias dele contra duas de Monfils.

A favorita

Depois de duas rodadas complicadas contra Bencic e Safarova, Serena Williams encarou uma adversária de menos nome e aproveitou. A compatriota Nicole Gibbs, #92, conseguiu fazer apenas quatro games. A número 2 do mundo completou a vitória por 6/1 e 6/3 em apenas 1h03min, mesmo com números nada estelares: quatro aces, quatro duplas falas, 17 winners e 26 erros não forçados.

A próxima oponente da #2 será a perigosa Barbora Strycova, cabeça 16. A tcheca passou por Kulichkova, Petkovic e Garcia sem perder um set sequer e será um desafio interessante para Serena. Strycova tem golpes para mudar a velocidade do jogo e exigir um pouco mais de movimentação da americana, mas será o bastante para anular a potência da ex-número 1?

Outros candidatos

Na Margaret Court Arena (MCA), Johanna Konta, cabeça de chave número 9, ampliou sua série de vitórias com um massacre sobre Caroline Wozniacki: 6/3 e 6/1. A britânica impôs sua potência desde o início do jogo, dando as cartas e fazendo a dinamarquesa correr de um lado para o outro da quadra. Sem golpes de fundo para mudar a partida e sem tentar grandes variações, a ex-número 1 chegou a perder nove games seguidos antes de “furar o pneu” no fim do segundo set.

Konta agora soma oito vitórias seguidas, emendando com o título do WTA de Sydney. Nas oitavas em Melbourne, ela vai enfrentar a russa Ekaterina Makarova, que jogou muito, jogou nada e jogou muito de novo para derrotar Dominika Cibulkova por 6/2, 6/7(3) e 6/3. O placar puro e simples omite que a russa teve 6/2 e 4/0 de vantagem, perdeu cinco games seguidos, salvou três set points e perdeu a segunda parcial.

Makarova também abriu o terceiro set com uma quebra, mas só para perder o serviço logo em seguida. Na hora de decidir, contudo, aproveitou melhor as chances. Salvou três break points no sétimo game, quebrou Cibulkova no oitavo e fechou no nono. Uma atuação que foi suficiente para vencer neste sábado, mas que possivelmente não resolverá contra a mais consistente Konta.

A eslovaca, por sua vez, saiu lamentando as chances perdidas no terceiro set, quando parecia que o jogo ia mudar de mãos definitivamente.

Dominic Thiem e David Goffin também avançaram. O austríaco bateu Benoit Paire em um jogo com altos e baixos por 6/1, 4/6, 6/4 e 6/4, enquanto o belga dominou Ivo Karlovic e fez 6/3, 6/2 e 6/4. Goffin, aliás, já vinha de um triunfo sobre um sacador. Na primeira rodada, superou Riley Opelka (2,11m) em cinco sets. Agora, Thiem e Goffin duelam por um lugar nas quartas de final.

Cabeça de chave número 3 e mais bem ranqueado na metade de baixo da chave – depois da eliminação de Djokovic – Milos Raonic voltou a avançar. Desta vez, em um jogo mais complicado do que o placar sugere. Gilles Simon resistiu bravamente, mas a derrota no tie-break do parelho segundo set colocou o francês num buraco fundo demais para sair. Simon ainda saiude uma quebra atrás para vencer a terceira parcial, mas a margem para erro era pequena demais, e o canadense acabou fechando em seguida: 6/2, 7/6(5), 3/6 e 6/3. Ele agora encara Roberto Bautista Agut (#14), que venceu o duelo espanhol com David Ferrer (#23): 7/5, 6/7(6), 7/6(3) e 6/4.

Os brasileiros

A rodada começou com uma vitória bastante grande para Marcelo Demoliner. Ele e o neozelandês Marcus Daniell eliminaram os cabeças de chave número 6, Rajeev Ram e Raven Klaasen, por 6/1 e 7/6(4).

O resultado coloca o time nas oitavas de final contra Sam Groth e Chris Guccione, que passarem por Treat Huey e Max Mirnyi: 7/6(10) e 7/6(5). Por enquanto, a campanha já iguala o melhor resultado de Demoliner em Slams. Ele também alcançou as oitavas em Wimbledon/2015 (também com Daniell) e no US Open/2016 (Bellucci). O gaúcho, por enquanto, vai subindo nove posições no ranking e alcançando o 55º posto – o melhor da carreira.

Mais tarde, Marcelo Melo e Lukazs Kubot, cabeças de chave 7, superaram Nicholas Monroe e Artem Sitak e tambem passaram para as oitavas: 6/4 e 7/6(3). O próximo jogo é aquele do climão, já que o mineiro vai encarar seu ex-parceiro, Ivan Dodig, que atualmente joga com Marcel Granollers. Embora ninguém tenha dito nada hostil publicamente, a separação não foi no melhor dos termos e incluiu um péssimo clima no ATP Finals e unfollows em redes sociais.

Na chave de duplas mistas, Bruno Soares, em parceria com Katerina Siniakova, passou pela estreia. A dupla de brasileiro e tcheca, que são os cabeças de chave número 6, derrotou Pablo Cuevas e María José Martínez Sánchez por 6/4 e 6/3.

A boyband de Roger Federer

O suíço não entrou em quadra neste sábado, mas foi assunto nas redes quando postou o vídeo abaixo. Ele, Grigor Dimitrov e Tommy Haas cantam Hard To Say I’m Sorry (Chicago) com David Foster (ex-Chicago) no piano. Vejam, riam e julguem!

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As oitavas de final

[1] Andy Murray x Mischa Zverev
[17] Roger Federer x Kei Nishikori [5]
[4] Stan Wawrinka x Andreas Seppi
[12] Jo-Wilfried Tsonga x Daniel Evans
[6] Gael Monfils x Rafael Nadal [9]
[13] Roberto Bautista Agut x Milos Raonic [3]
[8] Dominic Thiem x David Goffin [11]
[15] Grigor Dimitrov x Denis Istomin

[1] Angelique Kerber x Coco Vandeweghe
Sorana Cirstea x Garbiñe Muguruza [7]
Mona Barthel x Venus Williams [13]
[24] Anastasia Pavlyuchenkova x Svetlana Kuznetsova [8]
[5] Karolina Pliskova x Daria Gavrilova [22]
[Q] Jennifer Brady x Mirjana Lucic-Baroni
[30] Ekaterina Makarova x Johanna Konta [9]
[16] Barbora Strycova x Serena Williams [2]

Infelizmente, por questões pessoais, não houve tempo de incluir uma breve análise das vitórias de Karolina Pliskova (que foi um jogão, com drama de sobra) e Grigor Dimitrov. Agradeço a compreensão.


Quadra 18: S02E12
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Alexandre Cossenza

Stan Wawrinka derrubou Novak Djokovic mais uma vez, Angelique Kerber tomou posto de #1 das mãos de Serena Williams e Bruno Soares conquistou mais um título em um torneio do Grand Slam. Não faltou assunto neste episódio do podcast Quadra 18. Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu conversamos sobre um pouco de tudo que aconteceu no US Open, desde a polêmica do pé sangrando de Djokovic até a “carta fantasma” de Wozniacki.

O programa ainda tem áudios especiais enviados por Bruno Soares após sua conquista, além de análises táticas, surpresas e decepções, exercícios bem humorados de “futurologia” e uma indagação curiosa sobre a Bel Pesce do tênis. Quer ouvir? É só clicar no player acima. Se preferir baixar e ouvir depois, clique neste link com o botão direito do mouse e selecione a opção “salvar como”.

Os temas

0’00” – Aliny apresenta os temas
01’00” – O quinto título de Slam de Bruno Soares
01’33” – Bruno e Marcelo causam divisão no podcast
02’45” – Os motivos do sucesso de Bruno Soares e Jamie Murray
06’08” – Bruno Soares fala da preparação e da dura estreia no US Open
08’00” – O tenso confronto de oitavas contra André Sá e Chris Guccione
09’13” – “Eu me identifico com o Guccione”
11’54” – Como Carreño Busta e García López chegaram na final
13’28” – Bruno Soares fala da sensação de ter cinco títulos de Slam no currículo
14’40” – Bruno Soares fala sobre a intenção de brigar para ser #1 do mundo
15’02” – As campanhas dos outros brasileiros na chave de duplas
17’50” – “Marcelo deve insistir na parceria com Dodig para 2016?”
20’15” – Quem seria um novo bom parceiro para Marcelo Melo?
22’58” – Don’t Lose My Number (Phil Collins)
23’45” – Wawrinka e seu terceiro título em um torneio do Grand Slam
24’00” – “Só falta Wimbledon mudar para o saibro!”
24’30” – Como explicar as 11 vitórias seguidas em finais de Stan Wawrinka?
25’55” – Uma semelhança entre Stan Wawrinka e Thomaz Bellucci
28’05” – O nível de Djokovic na final e a questão física
29’30” – O que vai ser da ATP? Djokovic terá seu #1 ameaçado?
31’15” – O momento de Rafael Nadal
32’25” – Stan pode fechar o Career Slam? E Bruno Soares?
35’15” – Stan vai manter a meta de um Slam por ano ou é melhor deixar a meta aberta e dobrar depois?
36’10” – Ouvinte: Wawrinka já é maior que Murray e Wawrinka?
39’05” – Djokovic acertou no plano de jogo na final do US Open?
42’15” – Opiniões sobre a polêmica do pé sangrando de Djokovic
46’54” – Djokovic precisa de um tempo parado para tratar as questões físicas?
47’30” – Djokovic estará no Rio Open em 2017? E Andy Murray?
48’53” – Andy Murray decepcionou no US Open?
52’21” – Rafael Nadal, sua eliminação
55’14” – Nadal teria sentido pressão na derrota contra Pouille?
56’00” – Raonic e Cilic, as grandes decepções do torneio masculino
58’13” – Monfils foi antiesportivo na partida contra Novak Djokovic?
60’21” – Monfils, o homem mais sortudo de 2016 e sua chave no US Open
62’04” – O título juvenil nas duplas de Felipe Meligeni
62’50” – Sheila e Cossenza contam histórias com Fernando e Felipe Meligeni
66’23” – Send Me An Angel (Scorpions)
66’54” – O título de Angelique Kerber
67’55” – Cossenza enumera as qualidades da campeã: “Virei fã da Kerber”
69’33”- Kerber como uma evolução de Wozniacki
70’30” – Angelique Kerber vai se manter como número 1 por algum tempo?
72’25” – O que fez Karolina Pliskova finalmente ir longe em um Slam?
75’15” – Acabou a era de domínio de Serena Williams?
76’34” – Patrick Mouratoglou paga para treinar Serena Williams?
78’18” – “Seria Patrick Mouratoglou a Bel Pesce do tênis?”
79’05” – Garbiñe Muguruza, a decepção do torneio feminino
80’18” – Ana Konjuh e Caroline Wozniacki, as surpresas do US Open
82’40” – A “carta fantasma” de Caroline Wozniacki
84’25” – Wozniacki voltará a ser um nome relevante na WTA?
87’30” – Angels (Robbie Williams)

Crédito musical

A faixa de abertura é chamada “Rock Funk Beast”, de longzijum.


NY, dia 11: Bruno na final, o tombo de Serena e a nova número 1
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Alexandre Cossenza

Bruno Soares fará sua terceira final de Slam em 2016; Serena Williams tombou no Estádio Arthur Ashe diante de Karolina Pliskova; e Angelique Kerber, que entrou em quadra já com o número 1 do mundo garantido pelo revés da americana, fez um jogão e se garantiu em mais uma final de major na temporada. É seguro dizer que foi uma quinta-feira interessante em Flushing Meadows. Vejamos como foi:

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O brasileiro finalista

Bruno Soares está na decisão da chave de duplas. Em uma partida apertadíssima, com margens mínimas para erro, ele e Jamie Murray derrotaram a melhor dupla do ano – até agora – por 7/5, 4/6 e 6/3. Nicolas Mahut e Pierre-Hugues Herbert continuarão com o primeiro lugar na Corrida (ranking que conta só os pontos de 2016), mas Soares e Murray, que já estão classificados para o ATP Finals, assumirão a vice-liderança.

Sabadão é dia de final. #usopen2016 #brasilnasduplas #doublesisfun

A photo posted by Bruno Soares (@brunosoares82) on

A outra semifinal terminou com um resultado nada ruim para brasileiro e britânico. Seus adversários na decisão serão Pablo Carreño-Busta e Guillermo García-López, que surpreenderam os compatriotas Feliciano López e Marc López por 6/3 e 7/6(4). Feliciano e Marc vinham de vitória sobre os irmãos Bob e Mike Bryan. Além disso, López e López derrotaram Soares e Murray três vezes nesta temporada: Doha, Indian Wells e Barcelona.

E vale lembrar: será a terceira final de Slam para Bruno Soares em 2016. No Australian Open, ele foi campeão de duplas e duplas mistas. Seu currículo inclui ainda os títulos de duplas mistas do US Open em 2012 e 2014. O mineiro também fez a final de duplas do US Open em 2013, mas seu parceiro na ocasião, Alexander Peya, entrou em quadra com uma lesão nas costas. O time não teve chances diante de Leander Paes e Radek Stepanek.

O tombo de Serena

Na primeira semifinal da noite, Serena Williams cometeu um erro essencial: começou a partida tentando decidir os pontos rapidamente e, para isso, agrediu além da conta. Perdeu um saque com quatro boas devoluções de Pliskova e cometeu muitas falhas na tentativa de matar o ponto antes que a tcheca atacasse.

Era uma tática arriscada, a Serena pagou o preço. Com pontos curtos o jogo inteiro – à exceção de mais dúzia de ralis fantásticos – a americana jamais encontrou um ritmo em que se sentisse confortável. Serena e seu técnico, Patrick Mouratoglou, deveriam imaginar que não haveria margem para jogar meia dúzia de pontos longos, calibrar os golpes e se recompor. E não houve. Ao asir atrás, a cabeça de chave 1 teve de andar na corda bamba o tempo inteiro.

Pliskova, por sua vez, esteve mais perto de sua zona de conforto o tempo inteiro. Sacou bem durante a maior parte do jogo, atacou com mais inteligência e teve o enorme mérito de não perder o foco quando Serena esboçou uma reação na segunda parcial, gritando “come on”s e comemorando vários erros da oponente. Confirmou seu saque, largou na frente no tie-break e, de novo, manteve a calma quando Serena saiu de 0/3 para 4/3. A tcheca venceu um ponto enorme no 5/5 e, no match point, viu a rival cometer uma dupla falta. Game, set, match: 6/2, 7/6(5).

A tcheca agora chega à final do US Open com 11 vitórias nas costas. Desde a derrota para Simona Halep em Montreal, Pliskova encontrou um nível consistente para sua agressividade e colecionou uma lista invejável de vítimas: Serena, Kerber, Muguruza, Venus e Kuznetsova. São cinco top 10 em dois torneios.

A nova número 1

Se alguém não conhecia Angelique Kerber e decidiu ver seu jogo após a derrota de Serena, logo entendeu por que a alemã assumirá a liderança do ranking mundial depois do US Open. A campeã do Australian Open deu uma aula de tênis em Caroline Wozniacki, que joga um tênis parecidíssimo com o de Kerber. Quando a partida começou, contudo, ficou claro que a alemã joga uma espécie de versão turbinada do que a dinamarquesa faz/fazia quando foi número 1 do mundo.

Os dois sets foram parecidos. Kerber abriu duas quebras de saque em ambos. Wozniacki devolveu um, mas sempre sem muito tempo para reagir. A dinamarquesa tentou balões, recebeu instrução do pai (Kerber ouviu e relato à árbitra de cadeira) e tudo mais, mas não tinha mais o que tirar de sua (curta) manga. Kerber fez 6/4 e 6/3 e deu seu primeiro passo como número 1 do mundo.

As semifinais masculinas

Por questões pessoais, acabei não conseguindo escrever sobre as quartas de final masculinas, então deixo aqui o que acho sobre os quatro semifinalistas. As partidas serão disputadas nesta sexta-feira. Primeiro, não antes das 16h (de Brasília), Novak Djokovic enfrenta Gael Monfils. Em seguida, não antes das 17h30min, Stan Wawrinka encara Kei Nishikori.

Djokovic fez o básico. Venceu dois sets sobre um Jo-Wilfried Tsonga lesionado, que acabou abandonando a partida antes do início da terceira parcial. Depois de uma vitória por WO sobre Jiri Vesely na segunda rodada e da desistência de Mikhail Youzhny no primeiro set da terceira fase, o número 1 do mundo alcança a semi com apenas duas partidas completas. Mesmo sem o ritmo ideal de torneio, chega como favorito. Como sempre.

Gael Monfils, o homem mais sortudo de 2016 (favor conferir as chaves de Melbourne, Miami, Indian Wells, Monte Carlo e Nova York), fez um torneio competentíssimo. Só enfrentou um cabeça de chave, que foi Lucas Pouille. O compatriota chegou às quartas vindo de três jogos de cinco sets e na ressaca emocional de uma vitória triunfal sobre Rafael Nadal. Não lhe sobrou muito contra Monfils, que fez o dever de casa. Difícil avaliar suas chances contra o número 1. O francês ainda não perdeu um set neste US Open, mas tampouco foi testado em um nível sequer parecido com o que será exigido por Djokovic na semi.

O grande nome da quarta-feira foi Kei Nishikori. O japonês esteve perdendo por 2 sets a 1 e precisou sair de um 15/40 no quarto set para não deixar Andy Murray disparar no marcador. Quando quebrou o escocês, o japonês tomou o controle do jogo e não soltou mais. Disparou seguidos winners de devolução e tomou sempre a iniciativa do fundo de quadra, enquanto Murray tentava reencontrar uma zona de conforto que não se apresentou mais. Não foi uma atuação linear de Nishikori, que acabou dando um punhado de pontos de graça, mas talvez os riscos tenham sido necessários para fazer com que o escocês não dominasse as ações.

Stan Wawrinka, por sua vez, também chega às semis com uma vitória grade nas costas. Começou mal, mas terminou muito superior ao emocionante e emocionado Juan Martín del Potro. O suíço mostrou que aprendeu a lição em Wimbledon. Alongou ralis, fez o argentino trabalhar mais por cada ponto e acabou recompensado – e talvez até um pouco auxiliado pelo cansaço do oponente, mas Stan também merece valor por isso. Quando encontrou o jeito de jogar, virou o primeiro set e caminhou de jeito inteligente até a vitória. Quem é o favorito? Duríssimo dizer. Nishikori e Wawrinka oscilam um bocado. Pelo que vi nas quartas, vejo Nishikori com mais chances, mas ninguém sabe como esses dois entrarão em quadra. Afinal, pelo que vi antes das quartas, Murray também era favoritíssimo.


Wimbledon 2016: o guia (versão feminina)
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Alexandre Cossenza

Serena Williams à parte, Wimbledon é sempre um mistério no que diz respeito à chave feminina. As surpresas não foram poucas nos anos recentes, desde Agnieszka Radwanska em 2012 a Garbiñe Muguruza no ano passado, passando por Lisicki e Bouchard e incluindo, é claro, o inesperado título de Marion Bartoli. O que a edição de 2016 reserva? Serena Williams, vice em Melbourne e Paris, voltará a vencer um Slam? Quem seria a principal candidata a pará-la?

Este guiazão de Wimbledon traz uma análise da chave feminina, avaliando os resultados recentes e imaginado o que pode acontecer nas próximas duas semanas. É só rolar a página…

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As favoritas / Quem se deu bem

De forma geral, não dá para dizer que alguém “ganhou” esse sorteio de sexta-feira em Wimbledon. Serena Williams, por exemplo, tem um caminho sem um óbvio nome forte em boa fase, mas tem alguns trechos escorregadios como um possível encontro com Mladenovic na terceira rodada ou Sloane Stephens nas oitavas, onde também pode aparecer Kuznetsova ou Wozniacki. Pelo ranking, a provável rival de Serena nas quartas seria Roberta Vinci, cabeça 6, mas na prática a italiana corre muito por fora. Coco Vandewegue, campeã em ’s-Hertogenbosch e quadrifinalista de Wimbledon no ano passado, parece ser o nome mais interessante aqui.

É a mesma metade da chave onde também estão Radwanska, cabeça 3, e a bicampeã de Wimbledon Petra Kvitova. A polonesa vem em uma série de boas campanhas no Slam da grama (finalista em 2012, semi em 2013 e 2015), enquanto a tcheca não venceu dois jogos seguidos no piso este ano (esteve em Birmingham e Eastbourne), mas convém não esquecê-la completamente.

A seção de Radwanska inclui, além de Kvitova, Caroline Garcia, campeã do WTA de Mallorca (em uma chave fraca, é verdade) e que pode ser sua oponente na terceira rodada. A polonesa ainda pode encarar nas oitavas Dominika Cibulkova, sua algoz e campeã em Eastbourne, ou Johanna Konta, semifinalista no mesmo torneio, mas que nunca venceu um jogo em Wimbledon. Se chegar às quartas, aí sim Aga pode enfrentar Kvitova, mas esse seção também tem Ekaterina Makarova, Andrea Petkovic e Belinda Bencic, cabeça 7, mas que vem de duas derrotas seguidas na estreia (Birmingham e Eastbourne).

A metade de baixo, encabeçada por Garbiñe Muguruza, cabeça 2, não é lá tão boa para a espanhola, que estreia contra Camila Giorgi e pode encontrar Lucie Safarova na terceira rodada e Stosur, Lisicki, Rogers ou Svitolina nas oitavas. Se chegar às quartas, Muguruza ainda pode enfrentar Venus, que pegou um caminho menos turbulento. Se o corpo resistir, a veterana de 36 anos tem uma chance interessante de ir longe.

A outra parte tem Angelique Kerber e Simona Halep, cabeças 4 e 5, respectivamente, mas podemos também chamar essa região de “terra de ninguém”. A romena não esteve em nenhum torneio de grama antes de Wimbledon, e a alemã foi a Birmingham, onde perdeu para Suárez Navarro. Parece a seção ideal para alguém surpreender. Aliás, é nesse bolo que estão Madison Keys, campeã do Premier de Birmingham, e Karolina Pliskova, campeã em Nottingham e vice em Eastbourne. Não por acaso, ambas estão bem cotadas nas casas de apostas.

A incógnita

Wimbledon talvez seja o melhor indicador sobre o que esperar do futuro de Serena Williams. A número 1 do mundo não mostrou o nível altíssimo de tênis que o mundo espera dela nem na final do Australian Open nem na decisão de Roland Garros. Momentos justamente em que a americana sempre brilhou. Sua movimentação não foi a mesma de outros anos. O número de aces – principalmente aqueles em pontos importantes – também diminuiu. Uma derrota precoce em Londres, onde sempre foi ainda mais superior ao resto do circuito, pode dar mais um indício de que o fim está próximo. Será?

O número 1 em jogo

A vantagem obscena na liderança do ranking já se foi. Serena começa sua participação em Wimbledon correndo o risco de perder o posto de número 1. Muguruza, Radwanska, Kerber e Halep podem ultrapassá-la, ainda que seja necessária uma combinação de resultados.

Quem corre por fora

Saindo do óbvio-olhei-o-ranking-e-palpitei, a grama sempre oferece uma chance um pouco maior a tenistas que não estão necessariamente entre os favoritos durante o resto da temporada.

Karolina Pliskova é um desses nomes. A tcheca de 1,86m não tem a melhor movimentação do circuito e precisa estar no comando dos pontos para se dar bem. Seu impressionante saque lhe dá essa vantagem, especialmente na grama. Não é por acaso que a líder de aces na temporada (muito à frente de Serena) foi campeã em Nottingham e vice em Eastbourne. No quadrante de Kerber e Halep, não seria a maior das zebras se Pliskova saísse atropelando até a semifinal.

Quem também corre bem nesse quadrante é Madison Keys, que leva consigo um jogo de muita potência do fundo de quadra. A americana, mais nova integrante to top 10 (a primeira americana a entrar no top 10 desde 1999!), só jogou um torneio na grama e foi campeã em Birmingham, justamente o mais importante do calendário pré-Wimbledon. De novo: não seria grande surpresa se Keys e Pliskova se encontrassem nas quartas de final, deixando Halep e Kerber para trás.

Outro nome interessante para a grama é Coco Vandeweghe, a americana que passou pelo media day com a camisa do Independiente da Argentina. Coco não se encaixa no estereótipo de meninas magrinhas do circuito e talvez não seja a mais rápida das tenistas, mas carrega um saque potente e que lhe dá muitos pontos de graça. Foi assim que cegou às quartas de Wimbledon no ano passado e venceu oito jogos seguidos na grama em 2016, levantando o troféu em ’s-Hertogenbosch. Sorteada em uma seção onde a principal cabeça é Roberta Vinci, Coco pode muito bem alcançar as quartas e encarar Serena Williams. Seria interessante.

A brasileira

Teliana Pereira estreará contra a americana Varvara Lepchenko, número 64 do mundo, que não teve grandes resultados na curta temporada de grama e inclusive soma uma derrota para Laura Robson (sim, aquela!). A brasileira, por sua vez, nem jogou na grama antes de Wimbledon.

A maior ausência

Victoria Azarenka abandonou Roland Garros por causa de uma lesão no joelho e não conseguiu se recuperar a tempo. Na última quinta-feira, véspera do sorteio da chave, a bielorrussa anunciou que não disputaria Wimbledon. Semifinalista em 2011 e 2012, ela seria a cabeça de chave número 6.

A desistência teve consequências consideráveis, jogando Venus para o grupo das oito primeiras cabeças e inserindo Andrea Petkovic entre as pré-classificadas.

Os melhores jogos nos primeiros dias

O óbvio jogo mais interessante da primeira rodada será entre Caroline Wozniacki, que não é cabeça de chave, e Svetlana Kuznetsova, e só deus sabe o que esperar desse encontro. Além disso, a segunda e a terça-feira de Wimbledon terão a suíça Belinda Bencic, cabeça 7, enfrentando Tsvetana Pironkova, aquela que até o ano passado só conseguia resultados bons justamente em Wimbledon. Não dá para descartar o potencial de zebra desse jogo, assim como em Muguruza x Giorgi, que é minha partida preferida nessa lista.

Outros confrontos interessantes são Kvitova x Cirstea, Kerber x Robson e Safarova x Mattek-Sands. Ou seja, não vai faltar o que ver nesse dois primeiros dias.

As tenistas mais perigosas que ninguém está olhando

Quando o assunto é grama e Wimbledon, o padrão é pensar em tenistas altas e que batem forte na bola. Serena, Venus, Kvitova, Sharapova… A lista de campeãs sugere isso. Só que de vez em quando aparece uma baixinha talentosa como Agnieszka Radwanska para mostrar que é possível ir longe no All England Club sem essa potência toda.

Neste ano, há dois nomes que mais ou menos se encaixam aí. Um dele é Dominika Cibulkova, que faz uma temporada de recuperação. Em fevereiro, era a número 66 do mundo. Agora, está em 21º no ranking, somando finais em Acapulco, Madri, Katowice e Eastbourne (campeã nestes dois últimos). Sua chave é que não ajuda muito. Cibulkova pode encarar Bouchard ou Konta na terceira rodada e Radwanska nas oitavas. Em todo caso, fiquemos de olho.

Com 1,64m, Barbora Strycova também entra nesta lista aqui. Pouca altura, muito talento e um jogo inteligente, cheio de variações. A semifinal em Birmingham, onde bateu Karolina Pliskova e Coco Vandeweghe, indica que há chances em Wimbledon. Um eventual duelo de terceira rodada contra Kvitova no All England Club daria uma palavra final sobre isso.

Além disso, uma bicampeã do torneio deveria estar entre as favoritas, mas a temporada desastrosa fez Petra Kvitova sair do top 10 pela primeira vez em três anos. Logo, ela chega a Wimbledon bastante fora do radar e não vai ter tanta gente espantada com um revés logo na primeira rodada diante de Cirstea ou uma eliminação na segunda fase diante de Makarova. Maaaas é Kvitova, é grama e tudo pode acontecer. Não dá para esquecer disso.

Para encerrar a lista, que tal lembrar de Venus Williams, ex-número 1, campeã oito anos atrás e que está de volta ao top 10, mas não chama tanta atenção quanto deveria por causa da idade e dos problemas de saúde? A americana tem uma chave bastante favorável e, levando em conta que os jogos na grama costumam ser mais curtos, existe uma chance considerável de Venus fazer uma (última?) campanha para realmente brigar pelo título.

Onde ver

SporTV e ESPN mostram o torneio. Ano passado, lembremos, o canal da Disney driblou o da Globosat, pagando pelos direitos e aproveitando o sinal da ESPN americana para mostrar mais quadras enquanto o SporTV ficava preso a seu pacote básico. Ninguém deu muitos detalhes ainda de como serão as transmissões deste ano, mas já se sabe que a ESPN mostrará o evento em dois canais (contra um do SporTV). Em todo caso, vale ficar com o controle remoto na mão. Durante o torneio, estarei no Twitter dizendo o que rola em cada canal.

Nas casas de apostas

A prestar atenção nas cotações da casa virtual bet365: Madison Keys é a terceira favorita ao título, e Sabine Lisicki está entre os dez primeiros nomes. Coco Vandeweghe também está ali no meio.


Semana 20: o embalo de Stan e o que rolou às vésperas de Roland Garros
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Alexandre Cossenza

Com Roland Garros começando já neste domingo, o preparo dos guiazões e a edição do podcast Quadra 18, o resumaço da semana sai um pouco mais curto do que o normal, mas ainda lembra dos campeões do período e de quem ganha embalo às vésperas do torneio francês.

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Os campeões

Em condições normais, Stan Wawrinka nem deveria estar em quadra nesta semana, mas as campanha ruins nos Masters de saibro e a chance de jogar em casa o levaram ao ATP 250 de Genebra. O suíço, então, finalmente conquistou um título em seu próprio país. Neste domingo, Wawrinka derrotou Marin Cilic por 6/4 e 7/6(11), com direito a uma bela virada no segundo set, que o croata vencia por 4/1.

Estar em quadra na véspera do início do Slam francês talvez não seja a preparação ideal para o atual campeão de Roland Garros, mas certamente, como a ATP escreveu em seu site, preenche um buraco no currículo do suíço. Além disso, uma sequência de quatro vitórias antes de um evento tão importante não é nada mau.

No ATP 250 de Nice, o título ficou com Dominic Thiem, o rei dos 250. O austríaco, aliás, também venceu o torneio no ano passado. O garotão de 22 anos, #15 do mundo, agora soma seis títulos na carreira: Nice, Umag e Gstaad no ano passado; e Buenos Aires, Acapulco e Nice este ano. De todos esses, Acapulco foi o único fora do saibro e também o único ATP 500. A final deste sábado foi contra o adolescente alemão Alexander Zverev (#48), de 19 anos, e o placar final mostrou 6/4, 3/6 e 6/0.

As campeãs

No WTA International de Nuremberg, Kiki Bertens derrotou Mariana Duque Mariño por 6/2 e 6/2 na final, que durou pouco mais de uma hora. Foi uma campanha interessante da holandesa, que furou o qualifying e derrotou no caminho até o título a cabeça 1, Roberta Vinci, a americana Iriina Falconi (abandono), e alemã Julia Goerges e, por fim, Duque Mariño, responsável por derrotar a cabeça e, Laura Siegemund.

No WTA International de Estrasburgo, a tenista da casa Caroline Garcia deu à torcida motivo para festejar. A francesa derrotou Mirjana Lucic Baroni na final, por 6/4 e 6/1. Foi seu segundo título na carreira. O anterior veio no WTA de Bogotá do ano passado. No caminho até o título, a tenista de 22 anos eliminou Kirsten Flipkens, Jil Belen Teichmann, Sam Stosur (WO), Virginie Razzano e Lucic Baroni.

A cabeça 1, Sara Errani, caiu logo na estreia diante de Monica Puig, enquanto a segunda pré-classificada, Sloane Stephens, venceu um jogo, mas perdeu nas oitavas para a wild card Pauline Parmentier.

Os brasileiros

Para a maioria dos brasileiros, a semana não poderia ter sido pior. No WTA de Nuremberg, Teliana Pereira (#81) foi eliminada na estreia. A algoz foi a alemã Annika Beck (#42), a mesma que já havia sido derrotada pela brasileira duas vezes este ano. A pernambucana agra soma três vitórias e 13 reveses na temporada.

Em Genebra, Thomaz Bellucci defendia o título e não passou da segunda rodada. O paulista chegou a abrir 3/2 e sacar em 40/15 no primeiro set contra Federico Delbonis, mas não fechou nenhum game depois disso. O argentino venceu dez games seguidos e triunfou por 6/3 e 6/0. Com os pontos não defendidos, Bellucci despencou 18 posições no ranking, saindo do top 50 e indo parar em 57º.

Entre os duplistas, o único que entrou em quadra foi André Sá. Ele e Chris Guccione foram derrotados na estreia em Nice. Os algozes foram os suecos Johan Brunstrom e Andreas Siljestrom, que venceram no match tie-break: 6/2, 5/7 e 10/3.

O breve qualifying brasileiro

No qualifying de Roland Garros, os homens pouco fizeram. Todos acabaram eliminados na primeira rodada. Feijão tombou diante de Andrea Arnaboldi (#174) por 6/3 e 6/2, André Ghem foi superado por Henri Laaksonen (#190) por 7/6(5), 6/7(5) e 6/2, Guilherme Clezar perdeu para Francis Tiafoe (#188) por 1/6, 7/5 e 6/2, e Thiago Monteiro foi derrotado por Ruben Bemelmans (#186) por duplo 6/3.

No qualifying feminino, Paula Gonçalves também perdeu na primeira rodada. Sua algoz foi a holandesa Richel Hogenkamp (#139), que fez 6/3 e 6/4. O único triunfo brasileiro veio com Bia Haddad, que passou pela australiana Olivia Rogowska (#348) por 3/6, 6/3 e 6/4. A paulista, #332 do mundo, foi eliminada na segunda rodada pela americana Jennifer Brady: 6/3 e 6/4.

O doping

A ITF anunciou na sexta-feira que Marcelo Demoliner foi flagrado em um exame antidoping no dia 22 de janeiro, durante o Australian Open. A amostra de urina continha hidroclorotiazida, que faz parte do grupo de diuréticos e agentes mascarantes (aqueles que tornam mais difícil detectar outras substâncias proibidas). Segundo a ITF publicou em seu site, Demoliner admitiu a violação e foi suspenso por por três meses, a contar do dia 1º de fevereiro. O gaúcho perdeu os pontos e o prêmio em dinheiro adquiridos desde o Australian Open.

A chama acesa

Enquanto isso tudo acontecia, Bruno Soares deu um pulo no Brasil para carregar a tocha olímpica em Vitória (ES). Por que Vitória? Porque foi a data que o mineiro conseguiu encaixar em seu calendário antes de embarcar para Roland Garros.

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As desistências

Uma notícia que não se lê todo dia, ou melhor, que nunca se leu antes. Roger Federer decidiu não disputar um Slam. Ainda não recuperado fisicamente, o suíço anunciou que não jogará em Paris. Preferiu não arriscar e disse que, ao não jogar Roland Garros, estará garantindo que poderá atuar pelo resto da temporada e alongar sua carreira. Prometeu voltar nos torneios de grama e disse que estará de volta a Roland Garros em 2017.

Roger Federer é o recordista em Slams disputados de forma consecutiva. Foram 65 deles desde o Australian Open de 2000.

Entre as mulheres, Caroline Wozniacki decidiu não jogar em Roland Garros por causa de uma lesão no tornozelo. Ela se junta na lista de desistências à suíça Belinda Bencic, que vem sofrendo com um problema nas costas.

Fanfarronice publicitária

Na campanha da Peugeot para Roland Garros, Gustavo Kuerten e Novak Djokovic gravaram algumas cenas juntos e, aparentemente, se divertiram bastante nos intervalos. No vídeo abaixo, o sérvio aprende algumas frases em português.


AO, dia 1: Serena mostra força, Wozniacki cai e uma velha polêmica ressurge
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Alexandre Cossenza

Os assuntos do primeiro dia deste Australian Open não foram muitos, mas tiveram a intensidade proporcional a um torneio do Grand Slam. Antes de o dia começar, o assunto foi um par de reportagens que prometiam revelações sobre manipulações de resultados no tênis. Já com a bola em jogo, Serena Williams mostrou força (e um joelho aparentemente recuperado), assim como Novak Djokovic e os demais sérios candidatos ao título em Melbourne.

Houve, porém, um número considerável de zebras, embora a maioria das cabeças de chave eliminadas nesta segunda-feira não fossem consideradas favoritas a ir tão longe nas chaves. O nome de maior peso foi o da dinamarquesa Caroline Wozniacki, que levou uma inesperada virada.

Este resumaço do primeiro dia do Australian Open também traz um lance espetacular do francês Benoit Paire em um momento delicado, imagens dos modelitos mais comentados, vídeos de croatas descontando a raiva na raquete (gracias, Aliny) e o que há de mais interessante na programação de terça-feira. Role a página e fique por dentro.

Os favoritos

Serena Williams tranquilizou seus fãs com uma vitória em um jogo nada simples. Camila Giorgi, #36, entrou na Rod Laver Arena soltando o braço e disposta a trocar pancadas contra a número 1. Não deu muito certo no set inicial, mas foi o bastante para emparelhar a segunda parcial. Serena, contudo, segurou bem a onde com seu saque, sem ceder break points, e aproveitou uma chance de quebra no 11º game para fechar em 6/4 e 7/5.

Se não entrou em longas trocas de bola, a americana mostrou bom deslocamento lateral um movimento de saque aparentemente normal (leia-se: sem sinais das dores no joelho que incomodaram na Copa Hopman). Logo, Serena mantém-se como favorita absoluta ao título, como em qualquer outro Slam. Desta vez, com a vantagem de não precisar enfrentar uma cabeça de chave antes das quartas (entenda abaixo, na seção “cabeças que rolaram”).

O principal favorito entre os homens não decepcionou. Novak Djokovic controlou as ações e teve resposta para tudo que o talentoso-porém-inexperiente sul-coreano Hyeon Chung, 19 anos e #52. Sempre mais consistente e com uma arma a mais do que o adversário, Nole fez 6/3, 6/2 e 6/4, perdendo o saque apenas uma vez – no set inicial, quando vencia por uma quebra de vantagem.

A lista de candidatos ao título que venceram sem drama ainda inclui Kei Nishikori, Tomas Berdych e Roger Federer na chave masculina, e Petra Kvitova, Agnieszka Radwanska, Belinda Bencic e Maria Sharapova entre as mulheres.

Cabeças que rolaram

Não é novidade nenhuma que as quadras duras não são o forte de Sara Errani, mas a eliminação da italiana parecia improvável quando a cabeça 17 fez 6/1 no primeiro set contra a russa Margarita Gasparyan. Só que Errani, primeira mulher a ganhar um set neste Australian Open, acabou se tornando a primeira seed a dar adeus. Gasparyan, #58, acabou vencendo por 1/6, 7/5 e 6/1.

Cabeça 24, Sloane Stephens também parecia barbada contra a qualifier chinesa Qiang Wang, #102, mas deu adeus em pouco mais de 1h20min de partida. Em uma ótima atuação, Wiang fez 6/3 e 6/3 e saltou para a segunda rodada. O resultado deixa a seção um tanto imprevisível, já que Stephens seré considerada favorita em um grupo encabeçado por Roberta Vinci. E se é difícil prever quem chegará às oitavas, é fácil concluir que o caminha fica um pouco melhor para quem avançar de um grupo fortíssimo que tem Aga Radwanska, McHale, Bouchard, Puig e Stosur.

A maior surpresa do dia na chave feminina, contudo, foi a queda de Caroline Wozniacki, ex-número 1 do mundo e atual #18, diante da cazaque Yulia Putintseva, #76. A dinamarquesa saiu na frente, vencendo a primeira parcial com folga, abriu o segundo set com uma quebra e chegou a sacar em 6/1 e 4/2, mas viu a partida mudar rapidamente. Putintseva venceu o segundo set no tie-break e levou amelhor no terceiro: 1/6, 7/6(3) e 6/4.

Wozniacki não está nada feliz (vide tuíte acima) com seu começo de temporada, que também inclui uma derrota para Sloane Stephens na semifinal em Auckland. O mais curioso, no entanto, é que a dinamarquesa sabia de uma “tendência” negativa quando entrou em quadra. Desde 2011, vem sendo mais eliminada mais cedo em Melbourne. Pois não conseguiu mudar a maré nesta segunda-feira.

Não que fosse necessário, mas a maior beneficiada com as “cabeças que rolaram” logo neste primeiro dia de Australian Open foi Serena Williams. Com a eliminação de Wozniacki e as derrotas de Anna Schmiedlova (cabeça 27) e Sara Errani (cabeça 17), a número 1 pode alcançar as oitavas de final sem enfrentar uma cabeça de chave. Para chegar à semi, Serena só enfrentará uma seed, que sairá da seção que tem Sharapova, Bencic e Kuznetsova.

Aliás, Anastasia Pavlyuchenkova (cabeça 26) estava neste grupo também e já se despediu. O mesmo vale para a alemã Andrea Petkovic (cabeça 22), que foi derrotada em dois sets pela russa Elizaveta Kulichkova (7/5 e 6/4), e a australiana Sam Stosur, que continua sem conseguir uma campanha expressiva “em casa”. Nesta segunda, ela foi eliminada pela qualifier Krystina Pliskova, #114 (irmã de Karolina, #12 do mundo), que fez 6/4 e 7/6(6). Stosur, ex-top 5 e campeã do US Open de 2011, segue sem conseguir alcançar as oitavas de final em Melbourne desde 2010.

Na chave masculina, o resultado mais significativo foi a queda do francês Benoit Paire, #18, diante do jovem americano Noah Rubin, de 19 anos e #328. O adolescente, que joga o torneio australiano com um wild card, levou a melhor em três tie-breaks: 7/6(4), 7/6(6) e 7/6(5).

O francês, que teve dois set points no segundo set e sacou para fechar o terceiro, saiu da quadra direto para a sala de coletivas, onde mostrou toda sua insatisfação, dizendo que “ele (Rubin) não é um bom jogador, mas eu fui muito mal hoje. Sim, ele não é um jogador muito bom. Eu fui pior que ele hoje.”

Crises de raiva croatas

Quem também se complicou foi o campeão do US Open de 2014, Marin Cilic. O croata, no entanto, saiu de um buraco no segundo set, depois de holandês Thiemo de Bakker, #98, vencer o primeiro set e ter dois set points na segunda parcial. Cilic escapou dos set points com duas direitas vencedoras, venceu a parcial quebrando o holandês e, aí sim, tomou o controle do jogo: 6/7(4), 7/5, 6/2 e 6/4.

Cilic nem foi o único croata a descontar sua raiva na raquete neste dia inicial de torneio. Ivan Dodig, que acabou eliminado pelo wild card francês Quentin Halys, também experimentou a terapia mais comum entre tenistas.

E embora eu não tenha encontrado um vídeo do momento, vale registrar que Borna Coric foi outro croata a destruir uma raquete. O garotão, que nunca venceu na chave principal do Australian Open, sofreu uma derrota dura nesta segunda. Acabou eliminado pelo espanhol Albert Ramos Viñolas por 6/2, 6/2 e 6/3.

A brasileira

A participação de Teliana Pereira no Australian Open não foi não diferente assim de suas aparições em Brisbane e Hobart. Aliás, numericamente, foi até bastante parecida, já que a brasileira venceu apenas três games e foi eliminada na estreia pela romena Monica Niculescu (6/2 e 6/1).

O número foi o mesmo dos outros dois torneios anteriores. Em Brisbane, Teliana foi eliminada por Andrea Petkovic por 6/1 e 6/2. Em Hobart, Heather Watson foi a algoz da pernambucana, fazendo 6/3 e 6/0. Definitivamente, o começo de ano nas quadras duras vem sendo complicado para a número 1 do Brasil.

Os melhores lances

Benoit Paire deu adeus ao torneio, mas deixou este lance de lembrança:

E que tal esse backhand de Roger Federer?

No mundo fashion (ou nem tanto)

Não tenho uma opinião formada sobre o modelito de Serena Williams para este Australian Open, mas a Aliny fez uma comparação pertinente.

O visual sem mangas de Grigor Dimitrov não foi tão elogiado…

Pelo menos Maria Sharapova parece ter agradado à maioria:

A desistência

Ivo Karlovic entrou em quadra sentindo dores no joelho e lutou por dois sets contra Federico Delbonis. No entanto, quando o argentino abriu 2 sets a 0, o croata viu que não adiantaria mais. Com o placar mostrando 7/6(4), 6/4 e 2/1, Karlovic abandonou. Pouco depois, pediu desculpas via Twitter.

Extraquadra

Antes que o torneio começasse, a BBC e o BuzzFeed (combinação interessante, não?) publicaram reportagens sobre a manipulação de resultados no tênis. Fiz um post só sobre o assunto. Leiam aqui.

O melhor de terça-feira

O grande destaque da programação de terça-feira em Melbourne é a partida entre Lleyton Hewitt e o compatriota Kevin Duckworth, que pode significar a despedida de Rusty – este Australian Open será seu último torneio no circuito. Por isso, o duelo foi marcado para abrir a sessão noturna da Rod Laver Arena. Antes, também na principal quadra do complexo, Rafael Nadal e Fernando Verdasco fecham a sessão diurna. Pode ser uma partida um tanto interessante se Verdasco ajudar.

Também na sessão diurna, Andy Murray faz o segundo jogo da Margaret Court Arena (MCA) contra Alexander Zverev. Entre os brasileiros, Thomaz Bellucci faz sua estreia na Quadra 7, no terceiro horário (por volta das 2h30min de Brasília, eu chutaria). Ele é favoritíssimo contra o convidado da casa, Jordan Thompson.


Quadra 18: S01E18
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Alexandre Cossenza

Novak Djokovic venceu mais um torneio, Marcelo Melo venceu mais um torneio, e o podcast Quadra 18 está de volta com mais um episódio, falando também sobre o WTA Finals, a aposentadoria de Flavia Penneta, o momento heroína de Serena Williams e o curioso caso da conta hackeada de Caroline Wozniacki.

Para ouvir, clique no player acima. Se preferir, clique aqui com o botão direito do mouse e depois em “salvar como” para fazer o download do arquivo e ouvir depois. E divirta-se!

Os temas

0’47” – Explicamos a ausência momentânea da Aliny
1’26” – Djokovic vence de novo, mas sem jogar tão bem antes da final
6’00” – Sérvio é o favorito absoluto do Finals, mas Cossenza acha que Federer é o segundo candidato
6’45” – A campanha de Murray, já focado na Davis, em Paris
8’04” – Cossenza explica por que Federer é o segundo candidato ao Finals e fala de como as pessoas estão ajustando suas expectativas em relação ao Nadal
13’19” – Os “outros” do Finals
14’26” – Aliny comenta o line-up do Finals nas duplas e como Dodig/Melo tirou Peya/Soares e Pospisock do torneio
16’32” – Aliny fala dos jogadores que estão mal fisicamente e dos estreantes no torneio
17’42” – Aliny acredita que favoritismo no Finals é sim de Dodig/Melo e avalia qual dupla pode surpreender
20’13” – Pergunta: “Qual formação vocês gostariam de ver nos grupos do Finals?”
22’06” – Pergunta:  “Acham que o barulho que fizeram abriu os olhos do Sportv pra passar a final do Marcelo?”
24’02” – Cossenza fala sobre como poderia ter sido melhor a transmissão
28’14” – Radwanska surpreende e vence o WTA Finals
32’10” – Halep e Kerber decepcionaram no torneio
33’09” – “E tem gente que acha que amizade não dá frutos no circuito…”
33’30” – Aposentadoria da Pennetta, abraço de Sharapova
34’18” – “Não via tanto contato físico da Sharapova desde as primeiras fotos com o Dimitrov”
35’15” – Pergunta: “Seria interessante uma troca de treinador para Kvitova?”
38’44” – Venus é campeã do “Finals Série B” e volta ao top 10
43’35” – O causo da “heroína” Serena Williams e o celular roubado
46’18” – Bouchard printa mensagens de Wozniacki e constrange todo mundo no Twitter
51’26” – Sheila canta o hit “Oxygen”
51’44” – Prévia da final da Fed Cup e a participação de Sharapova
53’35” – “Sharapova campeã da Fed é um conceito muito engraçado para eu não apoiar”
53’55” – “Sempre torço contra pessoas que defendem seus países por conveniência”
55’07” – Caroline Wozniacki canta “Oxygen”
55’50” – “Quem vai parar Djokovic? Não é chato quanto um tenista atinge esse nível tão acima dos outros?”
58’38” – “A safra argentina parou de produzir bons tenistas nestas ultimas temporadas?”
61’02” – “Acho que o Finals vai ser um fiasco. Qual a opinião de vocês?”
64’56” – Frases: “Big 4 é amor” e “Só seria melhor se tivesse briga”
65’30” – “Quem é Messi, quem é CR7 e quem é Neymar do tênis hoje?”
68’40” – Cossenza pergunta: “Quem perde a primeira, Marcelo ou Djokovic?”
69’11” – Tributo a Aliny Calejon

Créditos musicais

A faixa de abertura é chamada “Rock Funk Beast”, de longzijum. Nos outros intervalos, entram “Hang For Days” (YouTube audio library), “Oxygen” (Caroline Wozniacki) e “Game Set Match” (YouTube audio library).


Sete jogos para Serena (US Open: o guia da chave feminina)
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Alexandre Cossenza

Faltam sete jogos para um dos feitos mais espetaculares do esporte – não só do tênis. Campeã do Australian Open, de Roland Garros e de Wimbledon, Serena Williams está a sete vitórias de completar o Grand Slam de fato, o chamado calendar-year Grand Slam. Algo tão raro que muitos gigantes do tênis encerraram suas carreiras sem esse feito. Entre as mulheres, a última foi Steffi Graf, em 1988. Entre os homens, ninguém fecha o Grand Slam desde Rod Laver, em 1969. Logo, a chave feminina do US Open tem uma favorita e um tema óbvios: Serena Williams e a maior sequência de sua carreira.

Com isso em mente, chega o momento de analisar o tamanho do favoritismo da número 1 do mundo e que obstáculos podem aparecer em seu caminho até o título. Quem são as maiores ameaças à americana? Que fatores podem pesar contra Serena? Pressão? Ansiedade? Como ela lidará com isso tudo?

Obviamente, o US Open não tem só Serena. Quem corre por fora na corrida até o troféu? Quem pode surpreender? Quais serão os melhores jogos nas primeiras rodadas? O que esperar das próximas duas semanas de tênis? Este guiazão da chave feminina oferecer respostas para tudo isso. Leia abaixo e não deixe ouvir o podcast Quadra 18, que vai ao ar em breve!

Tiremos o óbvio do caminho logo de cara: Serena Williams é favoritíssima. E talvez seja ainda mais favorita do que em Melbourne, Paris e Londres. Não por acaso, venceu os últimos quatro Slams. Não por acaso, o resto do circuito parece endeusar a americana em declarações e até dentro de quadra, quando a coisa aperta. A “mística” definitivamente joga a favor da número 1 do mundo aqui.

Mas se tanta coisa joga a favor, o que joga contra? O sorteio das chaves é um exemplo. Serena pode ter um caminho bem trabalhoso em Nova York. A começar por um duelo chatinho com Sloane Stephens/Coco Vandeweghe na terceira rodada. E outro com Madison Keys/Aga Radwanska nas oitavas. E mais um com Belinda Bencic (sua algoz em Toronto) nas quartas. Sejamos sinceros, Serena poderia ter encontrado um caminho bem menos turbulento.

Outra casca de banana para a número 1 do mundo é a atenção enorme que vem recebendo da imprensa mundial. Sim, quem já ganhou 21 Slams (só em simples) deve estar acostumada com um certo nível de atenção, mas desta vez há número ainda ainda maior de holofotes em Serena. A possibilidade de fechar o Grand Slam um dos motivos. Fazê-lo em Nova York, em casa, deixa tudo mais “quente”. Com uma chave não tão simples, a margem para erro diminui. Será preciso concentração total para não perder o objetivo de vista.

As chances de Serena também aumentam à medida em que rivais que poderiam ameaçá-la seriamente não chegam a Flushing Meadows na melhor das formas. É o caso de Victoria Azarenka, ex-número 1 do mundo que faz uma temporada de recuperação e vem subindo aos poucos no ranking.

A bielorrussa é a cabeça de chave 20 do US Open e só enfrentaria na final, mas sua preparação não foi a ideal. Em Toronto, derrotou Petra Kvitova e parecia pronta para deslanchar, mas teve uma atuação desastrosa (mais de 50 erros não forçados em dois sets) e caiu diante de Sara Errani na sequência.

Para piorar, teve de abandonar o WTA de Cincinnati por causa de dores na perna esquerda. Logo, seu ritmo não pode ser o melhor possível. Seu primeiro bom teste deve vir na terceira rodada, contra Angelique Kerber. A partida, caso aconteça mesmo, deve deixar o cenário mais claro quanto às chances de quem avançar.

Outro nome com talento e recursos suficientes para derrotar Serena é o da tcheca Petra Kvitova, que decidiu encarar – com liberação médica – a série de torneios na América do Norte mesmo enfrentando uma mononucleose. A doença dá uma dose adicional de imprevisibilidade a uma tenista que não é a mais estável do planeta.

A #5 do mundo passou em branco em Toronto (perdeu para Azarenka) e Cincinnati (Caroline Garcia), mas mostrou sinais de recuperação em New Haven, onde disputa a final neste sábado contra Lucie Safarova. É um bom sinal para quem tem uma chave bem acessível até as oitavas, quando pode ter de encarar Muguruza ou Petkovic. Se passar daí, o resto da chave deve ficar em alerta.

O panorama não é tão diferente assim para Maria Sharapova. A russa, que tem uma lesão na perna direita, não disputa uma partida oficial desde Wimbledon. Era até de se imaginar que a ex-número 1 iria até Nova York só para divulgar seus produtos e marcas – como fez na Bloomingdale’s com seus Sugarpovas e na campanha da Nike, que escalou uma seleção de craques para bater bola em uma das ruas da Big Apple.

Sharapova, contudo, decidiu encarar o torneio mesmo sem ritmo. Para piorar, sua estreia é um tanto perigosa. Vale lembrar que a mesma Daria Gavrilova que enfrentará na primeira rodada do US Open a eliminou do WTA de Miami, no começo do ano. O “copo metade cheio” para a russa é que sua seção da chave não é das piores até as oitavas. E, mesmo assim, a principal cabeça de chave para ser sua adversária nas quartas é Ana Ivanovic.

Em condições normais, Sharapova seria barbada para atropelar até a semifinal (que seria contra Serena), mas no momento atual a expectativa sobre sua campanha vem acompanhada de um grande ponto de interrogação.

Nenhuma análise ficaria completa sem citar Simona Halep e Caroline Wozniacki, que encabeçam a metade de baixo da chave (em outras palavras, a parte que define a provável adversária de Serena na decisão). A romena, #2 do mundo, parece ter reencontrado seu tênis depois de uma temporada europeia abaixo das expectativas. Finalista em Toronto e Cincinnati, Halep pode fazer uma ótima partida de quartas de final contra Vika – se a bielorrussa chegar lá.

Wozniacki, por sua vez, aproveitou o pós-Wimbledon para se fazer mais conhecida nos Estados Unidos – e nos mercados americanos. Fez anúncios de chocolate, fez o arremesso inicial em um jogo de beisebol e ainda cavou uma vaga de “editora sênior” no Players’ Tribune. Ganhar jogo que é bom… nada! Foram três derrotas em estreias (Stanford, Toronto e Cincy) antes de encerrar a seca em New Haven. Será o suficiente para fazer um bom US Open? Talvez sim. Três rodadas contra Loeb, Cetkovska/McHale e Pennetta/Niculescu podem dar o ritmo que a dinamarquesa precisa para embalar. Mas se Kvitova chegar às quartas, a tcheca será favorita para avançar.

A brasileira

Como já virou costume, o Brasil entra em um Grand Slam com Teliana Pereira como única representante. O sorteio não foi muito generoso com a pernambucana. Estrear em um torneio de quadra dura (onde Teliana ainda tem muito a evoluir) contra Ekaterina Makarova é tarefa ingrata. A russa é bastante favorita.

Bia Haddad, lesionada, nem tentou o qualifying. Gabriela Cé bem que arriscou a ida até Flushing Meadows, mas venceu apenas sete games e foi eliminada na primeira rodada pela chinesa Zhaoxuan Yang.

Os melhores jogos nos primeiros dias

De cara, Ivanovic x Cibulkova promete ser um jogão. A eslovaca ficou quatro meses sem jogar, despencou para fora do top 50 (é a #58 hoje) e ficou “solta” na chave. Ainda lhe falta ritmo, mas seu estilo de jogo, colocando todas bolas em jogo, não é o preferido de Ivanovic. Pode ser interessante.

Outros jogos com bom potencial de primeira rodada são Kuznetsova x Mladenovic, Pennetta x Gajdosova e Petkovic x Garcia. E ainda vale aguardar por Lisicki x Giorgi, Azarenka x Schiavone, e Bencic x Hantchova que podem acontecer na segunda rodada. Ah, sim: Agnieszka e Urszula farão a quinta edição do Radwanska Classic se passarem por seus desafios de estreia.

A tenista mais perigosa que ninguém está olhando

Dois nomes me chamam atenção: o primeiro é o da sérvia Jelena Jankovic. Nem tanto pela fase atual da ex-número 1 do mundo, que não é nada fantástica, apesar de uma respeitável semifinal em Cincy. Entretanto, a chave de JJ em Nova York é um tanto imprevisível. Naquele bolo estão Carla Suárez Navarro, número 10 do mundo que vem de seis derrotas consecutivas, Ana Ivanovic, que nunca foi modelo de regularidade, e Eugenie Bouchard, que… Vocês sabem, né? Ivanovic ainda é a favorita do quadrante, mas uma visita de Jankovic às quartas (e, quem sabe, à semi) não parece tão improvável assim, viu?

A outra tenista perigosa e pouco badalada é Lucie Safarova, número 6 do mundo. A tcheca perdeu na estreia em Toronto e decepcionou ao perder de Svitolina nas quartas de Cincinnati, mas está na final em New Haven. Com a confiança em alta, pode muito bem avançar além daquele duelo de oitavas de final com quem avançar do quadrante de Azarenka e Kerber.

Quem pode (ou não) surpreender

Não dá mais para chamar Belinda Bencic, #12, de zebra. A suíça de 18 anos, vem de uma incrível campanha em Toronto, onde derrubou, nesta ordem, Bouchard, Wozniacki, Lisicki, Ivanovic, Serena e Halep. Ninguém imagina que Bencic repita a façanha e elimine Serena também no US Open, até porque todo mundo sabe como a americana atua contra quem perdeu recentemente. Ao mesmo tempo, não parece exagero considerar que a suíça é quem tem mais chances de derrubar a favorita antes da final. Será?

Minha lista de surpresas em potencial também tem Eugenie Bouchard e Laura Robson. A canadense porque… Bem, na fase atual, qualquer vitória é uma surpresa. Mesmo que não pareça lá muito provável que Genie passe por Ivanovic na terceira rodada.

Quanto à britânica, número 1 do mundo na época de juvenil e campeã de Wimbledon aos 14 anos, uma lesão no punho esquerdo fez um estrago e tanto em sua carreira. Laura Robson fez só dois jogos oficiais em 2014 e mais meia dúzia em 2015 – venceu só uma vez. Não é justo esperar vitória contra Elena Vesnina no US Open, mas se a inglesa vencer, será um momento muito feliz para uma jovem talentosa e que, aos 21 anos, ainda pode alcançar muita coisa.

Nas casas de apostas

O tamanho do favoritismo de Serena Williams é refletido nas casas de apostas. Enquanto, por exemplo, um título de Djokovic, o mais cotado na chave masculina, paga 2,10 para cada “dinheiro” apostado, uma conquista de Serena paga apenas 1,83 na casa virtual bet365. O segundo nome na lista é o de Victoria Azarenka, que vem muito atrás (9,00). O top 10 ainda tem Halep (11,00), Belinda Bencic (19,00), Maria Sharapova (21,00), Petra Kvitova (23,00), Agnieszka Radwanska (34,00), Caroline Wozniacki (34,00), Garbiñe Muguruza (34,00) e Angelique Kerber (41,00). Teliana Pereira está entre as maiores zebras (1001,00).

Na casa australiana Sportsbet, o cenário não é muito diferente, mas Sharapova e Wozniacki estão mais bem cotadas. O top 10 lá é formado por Serena (1,83), Vika (9,00), Halep (11,00), Sharapova (17,00), Wozniacki (23,00), Bencic (23,00), Muguruza (26,00), Kvitova (26,00), Kerber (34,00) e Radwanska (34,00).


Australian Open: o guia feminino
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Alexandre Cossenza

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Hoje é dia de analisar o primeiro Grand Slam de 2015 no mundo de Serena Williams. Sim, porque a americana, dona de 18 títulos de Grand Slam (33 somando duplas e mistas!), quatro medalhas de ouro olímpicas e cinco WTA Finals ainda é, aos 33 anos, a número 1 do mundo. Só que isso pode mudar em Melbourne, pois Maria Sharapova, campeã em Brisbane, vem na cola e pode sair do Australian Open na liderança.

Só que esta edição do Grand Slam da Oceania (ou “Asia Pacific”, como os marketeiros oficiais tentam vender para os mercados japonês e chinês) tem outros assuntos e outros jogos interessantes à vista. A começar por Victoria Azarenka, bicampeã do torneio, que não será cabeça de chave. Mas tem mais. Venus Williams, Petra Kvitova e Simona Halep já levantaram troféus em 2015. Caroline Wozniacki, ainda no embalo do ótimo fim de temporada do ano passado, foi vice em Auckland antes de abandonar em Sydney. Ivanovic foi à final em Brisbane. Enfim, os grandes nomes parecem estar em ótima forma já em janeiro.

Mas basta com esta introdução. Vamos ao guiazão (um guia grande) com o que vai rolar de mais interessante e nos manter acordados madrugada adentro (e afora) pelas próximas duas semanas.

As grandes

Poderia ser lei: toda análise de chave de Grand Slam deve, obrigatoriamente, começar por Serena Williams. Que assim seja. A americana não tem uma chave lá tão fraca, mas isso só deixa o torneio mais intrigante. É de se imaginar que ela passe bem pelas primeiras rodadas, mesmo que enfrente Vera Zvonareva na segunda fase. A russa, que hoje é a número 203 do mundo, mal jogou em 2013-14 por causa de uma lesão séria no ombro direito e começou 2015  disputando um ITF de US$ 10 mil (é sério), mas abandonou. Fez o mesmo no meio do primeiro set durante as quartas de final do WTA de Shenzhen.

O caminho de Serena pode ficar interessante mesmo (negrito em “mesmo”, por favor) nas oitavas de final, quando pode enfrentar Jelena Jankovic ou Garbiñe Muguruza, a espanhola que lhe aplicou um sonoro 6/2 e 6/2 em Roland Garros no ano passado. A americana ainda pode encarar Dominika Cibulkova (parece improvável) ou sua amiga Wozniacki nas quartas, mas a seção da dinamarquesa na chave é a mais dura do torneio – falo sobre isso adiante. A semifinal pode ser contra quem avançar do quarto mais imprevisível da chave. Estão lá Kvitova, Radwanska, Pennetta, Petkovic, Venus, Stosur, Dellacqua e Lepchenko. O favoritismo, em tese, é de Kvitova, campeã em Sydney, mas as variáveis são tantas nem um personagem de Benedict Cumberbatch (e isso inclui o Necromante) acertaria um palpitão aqui.

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Tendo a enxergar uma trilha menos problemática para Sharapova, que estreia contra Martic e, depois, joga contra Cirstea/Panova na segunda rodada e Diyas/Urszula Radwanska/Schmiedlova/Scheepers na terceira. A não ser que Cirstea, número 96 do mundo e vindo de quatro derrotas, reencontre magicamente seu melhor tênis, a russa deve avançar sem drama. O problema de verdade começaria nas oitavas contra Safarova ou Peng. A tcheca, lembremos, venceu só um de seis jogos contra Sharapova, mas fez aquele duelo maluco de Stuttgart no ano passado (esteve perdendo o terceiro set por 5/1, mas salvou match points, virou para 6/5 e abriu 30/0, só para perder o saque e o tie-break decisivo).

Só que esperar outro Safarova x Sharapova nesse nível seria otimismo demais, o que não acontece com frequência neste blog. Além disso, não é nada improvável que a cazaque Yaroslava Shvedova elimine a tcheca logo na estreia. Mas eu divago. Para as quartas, Bouchard e Kerber são as favoritas. Por fim, na semi, Dona Maria enfrentaria Halep ou Ivanovic. E se eu fosse a senhorita russa, estaria bem satisfeito com esse sorteio, viu?

A (vice)campeã

A culpa é da chinesa Na Li, que se aposentou no fim do ano passado. Portanto, o Australian Open não terá uma campeã para defender seu título. Logo, quem tem mais a perder Dominika Cibulkova, 11ª do ranking e vice-campeã em 2014. O problema é que a eslovaca, que terminou 2014 mostrando mais coisas boas no Instagram do que em quadra, começou 2015 somando apenas uma vitória em dois torneios. E seu caminho em Melbourne, com uma estreia perigosa diante de Kirsten Flipkens e uma eventual segunda rodada contra Heather Watson (campeã em Hobart) ou Tsvetana Pironkova (semi em Sydney), não ajuda. Ergo, não é lá muito fácil visualizar Cibulkova alcançando a segunda semana.

A brasileira

Teliana Pereira não está na chave principal do Australian Open. A número 1 do Brasil, atual 112ª na lista da WTA, precisou disputar o qualifying e perdeu na segunda rodada. Não foi, aliás, um bom começo de ano da alagoana-pernambucana-curitibana. Antes de ir a Melbourne, Teliana disputou os qualis dos WTAs de Brisbane e Sydney e saiu derrotada na primeira rodada em ambos. Somando os dois jogos (contra Jovana Jaksic, 126 do ranking, e Johanna Konta, 147), venceu apenas dez games.

Teliana agora segue para a Fed Cup, no México. Lá, embora continue jogando no piso duro, no qual ainda encontra dificuldades para fazer seu tênis preferido, a brasileira vai enfrentar adversárias mais fracas e terá uma chance interessante de acumular vitórias e ganhar confiança antes da volta ao saibro, marcada para o Rio Open, que está um bocado mais forte este ano.

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O que ver (ou não) na TV

É bem conhecida minha aversão às partidas dos favoritos nas primeiras rodadas. Minha cama é um enorme atrativo quando a outra opção da madrugada é ver pneus e bicicletas enquanto um narrador tenta fazer piadas sobre um esporte que não conhece. Nem os streamings oficiais do site do Australian Open (a maioria sem narração) salvam. Mas eu divago outra vez. Tem uma meia dúzia de jogos bastante interessantes na chave feminina logo no começo. Um deles eu até citei acima: Cibulkova x Flipkens, pela expectativa da vice-campeã que vem em mau momento e enfrenta uma oponente que já foi top 20.

Também vale abrir um streaming (ou torcer para que essas partidas sejam exibidas na ESPN+, que normalmente fica com o comentarista que mais acompanha o circuito) para qualquer jogo de Sam Stosur. A australiana, campeã do US Open em 2011, já foi top 5, mas nunca passou das oitavas de final em Melbourne. Em casa, todo jogo seu ganha tons dramáticos. Nada indica que este ano, seja contra Niculescu na estreia ou Schiavone/Vandeweghe (outra partida intrigante de primeira rodada) na sequência, vai ser diferente. Sempre vale conferir.

Mas só agora chego na melhor parte. Meus dois jogos preferidos estão logo na mesma seção da chave, um do lado do outro. Ex-queridinha americana, ex-número 11 do mundo, ex-cabeça de chave e ex-amiga de BBM de Serena Williams, Sloane Stephens enfrenta Victoria Azarenka, ex-líder do ranking e campeã do torneio em 2012 e 2013. Quem avançar vai enfrentar a vencedora de outro jogão: Caroline Wozniacki x Taylor Townsed. A consistente e paciente dinamarquesa será um teste enorme para a talentosa, agressiva e nada convencional promessa americana (mesmo que a USTA discorde da expressão “promessa” ou do peso da menina).

A seção da chave que ninguém está olhando

Ninguém está olhando e, pensando bem, é melhor que ninguém olhe mesmo. Uma das seções da chave tem Suárez Navarro, Witthoeft, Foretz, McHale, Vesnina, Siniakova, Begu e Kerber. Só meia dúzia de Paulaners (Hefe-Weißbier Naturtrüb, por favor) no Herr Pfeffer me empolgariam a ponto de assistir a um jogo de Kerber antes das oitavas de final deste Australian Open.

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Quem pode (ou não) surpreender

No planeta improvável da WTA, tudo é plausível. Desde um título de Sam Stosur (não seria fantástico vê-la levantando um troféu na frente daquela torcida animada, fantasiada e, claro, parcialmente embriagada?) até uma eliminação precoce de Petra Kvitova (a esta altura, nenhuma derrota da tcheca é espantosa o bastante).

Minha história preferida este ano seria uma bela campanha de Venus Williams. A ex-número 1 não passa da terceira rodada de um Grand Slam desde 2011, mas a chave de Melbourne mostra-se um tanto acessível desta vez. Torro-Flor na estreia, Davis/Krunic em seguida, Pennetta/Giorgi/Smitkova/Lucic-Baroni na terceira rodada e Radwanska/Lepchenko nas oitavas. Considerando que Venus vem de um título em Auckland, não parece tão improvável assim. Será?

Ainda no mesmo quarto da chave, o caminho de Andrea Petkovic não é dos mais complicados, dada a instabilidade das possíveis rivais. Sua trilha tem Brengle, Falconi/Kanepi, Stosur/Niculescu/Schiavone/Vandeweghe e, nas oitavas, quem sair do grupo que tem Kvitova e Dellacqua. Talvez o maior obstáculo venha da própria alemã, que não venceu este ano ainda – soma derrotas para Kanepi e Gajdosova. Mas não dá para querer uma chave muito melhor do que isso.

Número 1 em jogo

Após os torneios desta semana, a liderança do ranking mundial, atualmente nas mãos de Serena Williams, pode ser tomada por outras três tenistas: Maria Sharapova, Simona Halep e Petra Kvitova. O quadro abaixo, cortesia da WTA, explica todos os cenários possíveis. O melhor deles, claro, seria uma decisão entre Maria Sharapova e Serena Williams. Se isso acontecer, quem vencer sairá do Australian Open também como número 1 do mundo.

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O quadro da WTA não leva em conta os pontos do WTA de Paris do ano passado, que seriam, em tese, descontados também ao fim do torneio australiano.

Nas casas de apostas

O favoritismo, surpresa-surpresa, é de Serena Williams. Na casa virtual bet365, um título da americana paga 5/2, ou seja, US$ 5 para cada US$ 2 apostados. O grupo das dez mais cotadas tem, na sequência, Maria Shrapova (5/1), Simona Halep (7/1), Petra Kvitova (10/1), Eugenie Bouchard (14/1), Caroline Wozniacki (14/1), Victoria Azarenka (16/1), Ana Ivanovic (18/1), Agnieszka Radwanska (20/1) e Venus Williams (33/1). E você, em quem apostaria?


O típico e atípico título de Serena Williams
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Alexandre Cossenza

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Não foi a temporada dos sonhos de Serena Williams. Longe disso. Tudo bem que a americana conquistou seus títulos nos WTAs, que não foram poucos (Brisbane, Miami, Roma, Stanford e Cincinnati). Mas ela perdeu nas oitavas no Australian Open, na segunda rodada em Roland Garros e na terceira em Wimbledon. Para os padrões de Serena Williams, já era um ano abaixo das expectativas.

Veio, então, o US Open – o último Grand Slam do ano, em casa. Enfim, uma atuação padrão Serena. Foram 14 sets disputados e 14 vencidos. A número 1 do mundo não perdeu mais do que três games por set. E, ainda que tenha encontrado um caminho fácil (não encarou nenhuma top 10), foi absoluta na decisão contra Caroline Wozniacki, uma ex-número 1 que voltava a jogar um bom tênis, apesar de figurar no 11º posto no começo do torneio nova-iorquino.

Quando chegou a Cingapura, novo palco do recém-renomeado WTA Finals (sim, a WTA precisou copiar a ATP porque Championships, com o “s” no fim, era difícil de explicar e de fazer “pegar”), Serena ainda corria o risco de perder a liderança do ranking. O cenário se descomplicou quando Maria Sharapova perdeu seus dois primeiros jogos na fase de grupos, mas não ficou tão agradável assim quando a americana levou um doído 6/0 e 6/2 da romena Simona Halep. Uma atuação abaixo da crítica, reforçada pela solidez da adversária.

No fim das contas, o WTA não deixou de ser um reflexo do resto de 2014 para Serena Williams. Irreconhecível num dia, foi cirúrgica no outro, quando fez 6/1 e 6/1 sobre Eugenie Bouchard. Ainda assim, precisou da ajuda de Halep, que tirou um set de Ana Ivanovic e pôs a número 1 nas semifinais, armando o melhor jogo do torneio: Serena x Wozniacki. A dinamarquesa, invicta até então, fazia um belíssimo torneio e esteve perto, muito perto, de triunfar.

Primeiro, Caroline Wozniacki sacou para o jogo com 5/4 no terceiro set. Mais tarde, abriu 4/1 no tie-break. Sacou os dois pontos, mas perdeu ambos. Nos dois, Serena mandou bolas que tocaram na fita. A número 1 venceu o tie-break por 8/6 e, na final, atropelou Halep: 6/3 e 6/0. Um final típico para uma tenista que, se não foi dominante e consistente como em outros anos, ainda é, em um dia normal, a melhor tenista do mundo. Com folgas.

Coisas que eu acho que acho:

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– Doeu ver Caroline Wozniacki não conseguindo aproveitar a rara chance que teve de derrotar Serena. Esteve tão perto, faltou tão pouco… Principalmente em uma belíssima semana da dinamarquesa, que vinha de vitórias sobre Sharapova (que jogo!), Kvitova e Radwanska. Se serve de consolo, foi ótimo vê-la apresentar um nível de tênis que ela é capaz de repetir com frequência.

– Sempre repito: não é um estilo bonito, não é agressivo, não chama atenção, mas o tênis de Wozniacki, acima de tudo, é inteligente. Citei isso no Twitter no dia do jogo e reforço agora. Quem viu a partida contra Sharapova pôde constatar como a dinamarquesa, além de se defender maravilhosa e irritantemente bem, induz a adversária a sempre executar os golpes mais difíceis. A russa precisaria jogar um tênis espetacular para vencer. Não aconteceu.

 


Incontestável
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Alexandre Cossenza

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O lance aconteceu mais ou menos no meio do segundo set, quando Serena Williams já possuía um set e uma quebra de vantagem. O ponto foi longo, mas a americana mal saiu do meio da quadra. Sem fazer muita força, fez Caroline Wozniacki correr da direita para a esquerda e para a direita de novo em uma sequência estupenda. O ponto, que durou mais de 20 rebatidas, foi vencido por Serena. E, olhando seus golpes um por um, ninguém vai rever a jogada e apontar um forehand ou backhand fantástico. Sim, Serena Williams é assim, tão superior às suas contemporâneas de WTA.

Tão superior que o placar da final, um rotineiro 6/3 e 6/3, foi o que deu mais trabalho à número 1 do mundo. Do início do torneio até a final, Serena jamais perdeu quatro ou mais games em um set. O máximo que permitiu foram outros dois duplos 6/3: contra Varvara Lepchenko, na terceira rodada, e conta Kaia Kanep, logo na fase seguinte. E nada mais do que isto.

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Serena Williams chega aos 18 títulos de Grand Slam tão soberana quanto há anos atrás. Talvez mais dominante ainda. Com Victoria Azarenka tentando encontrar um bom tênis, Na Li ausente, Petra Kvitova e Maria Sharapova fazendo compras e sendo inconsistentes, a atual líder do ranking é favorita em todos torneios que disputará. O “padrão” parece estar muito mais perto do US Open, onde não perdeu um set, do que as campanhas de Serena nos outros Grand Slams de 2014.

Hoje, é mais fácil e interessante como exercício imaginar onde Serena estaria no ranking de melhores tenistas de todos os tempos. Não acho que faça diferença. É difícil e quase sempre injusto comparar atletas de gerações distintas. Outros adversários, outra tecnologia, outros pisos. Não dá mesmo para colocar Suzanne Lenglen, Steffi Graf, Chris Evert e Serena na mesma página. O que parece fácil, por enquanto, é afirmar que a americana é a melhor tenista do mundo. E de sua geração inteira. E da geração atual. E, possivelmente, da próxima geração. E quem ousa dizer que não?


Gata do dia: Wozniacki comemora mostrando anel gigante de noivado
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Alexandre Cossenza

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Em um dia com muitos jogos cancelados por causa do calor, houve tempo e atenção de sobra para Caroline Wozniacki brilhar na Rod Laver Arena. E, depois de derrotar a americana Christina McHale por 6/0, 1/6 e 6/2 e avançar à terceira rodada do Australian Open, a dinamarquesa ex-número 1 do mundo cedeu ao pedido da entrevistadora, mostrando o enorme anel de noivado.

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Atual número 10 do mundo, Wozniacki é noiva do golfista Rory McIlroy, que já foi líder do ranking mundial de golfe e atualmente ocupa o sexto posto. Ainda na entrevista dentro de quadra, a dinamarquesa contou que McIlroy fez o pedido de casamento de joelhos, como manda a tradição, e em inglês.

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Ainda em busca de seu primeiro título de Grand Slam, Wozniacki enfrentará na terceira rodada a espanhola Garbine Muguruza, que vem de vitória por duplo 6/3 sobre a eslovaca Anna Schmiedlova. Na estreia, Muguruza eliminou a estoniana Kaia Kanepi, cabeça de chave 24, por 6/2, 2/6 e 6/2.


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