Saque e Voleio

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Quadra 18: S03E04
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Alexandre Cossenza

Na ATP, Roger Federer é campeão mais uma vez e com sobras. Na WTA, Elena Vesnina venceu uma final nervosa contra a compatriota Svetlana Kuznetsova. Nas duplas, Marcelo Melo e Lukasz Kubot conseguiram finalmente um grande resultado em 2016. Após a conclusão do torneio de Indian Wells, o podcast Quadra 18 está de volta para comentar o que rolou de mais interessante na Califórnia durante as últimas duas semanas.

Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu falamos do momento “diferente” de Djokovic, da possível arrancada de Nick Kyrgios e das fases nada espetaculares dos atuais números 1 do mundo, Andy Murray e Angelique Kebrer. Também comentamos a polêmica sobre a final russa da WTA – houve quem não gostasse, da chance perdida de Karolina Pliskova e do que esperar de Melo e (principalmente de) Kubot. Para ouvir, basta clicar no player abaixo. Se preferir baixar e ouvir depois, clique neste link com o botão direito do mouse e selecione “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’15” – Alexandre Cossenza apresenta os temas
0’40” – A campanha de Federer até o título em Indian Wells
5’05” – Existe alguém jogando em nível para parar Roger Federer em 2017?
6’36” – A bolinha é ruim, muito ruim ou ruim pra c…? Algum jogador reclama abertamente disso em Indian Wells?
8’12” – As campanhas de Murray e Djokovic, e o que faz mais falta ao Nole?
11’06” – É o começo do “deslanchar” de Nick Kyrgios?
13’13” – Já devemos nos preocupar com o futuro de Murray na temporada?
15’15” – Sheila Vieira e o fã clube de Stan Wawrinka
17’05” – California Gurls (Katy Perry)
17’32” – O título feliz da feliz e carismática Elena Vesnina
21’33” – A chave menos complicada de Svetlana Kuznetsova
22’11” – Karolina Pliskova e uma chance perdida
23’12” – Vesnina x Kuznetsova é uma final ruim para o tênis feminino?
27’28” – O momento de Angelique Kerber e sua volta ao posto de número 1
29’20” – Murray e Kerber estão decepcionando como líderes do ranking?
31’05” – Queen of California (John Mayer)
31’33” – Melo e Kubot engrenam depois do vice em Indian Wells?
37’48” – Kubot é o novo Peya?
38’09” – A boa campanha de Soares e Murray em uma chave duríssima
40’11” – Mahut, Kontinen e a briga pelo número 1 de duplas
42’25” – Miami e as ausências de Serena, Murray e Djokovic
43’44” – Quem quer vencer slam precisa abrir mão de jogar Masters 1.000?
45’13” – Bia Haddad Maia e seu convite para o WTA de Miami


Quadra 18: S02E11
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Alexandre Cossenza

Os Jogos Olímpicos Rio 2016 mal acabaram, e o US Open já está aí batendo à porta, sem deixar ninguém descansar e mantendo lá no alto a temperatura do mundo do tênis. Por isso, o episódio desta semana do podcast Quadra 18 é uma pizza metade Rio 2016, metade US Open. Quer dizer, sendo bem sincero mesmo, a divisão ficou 2/3 Errejota, 1/3 Nova York, o que é muito justo já que o torneio olímpico de tênis foi melhor do que muito Slam.

Neste episódio, Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu lembramos dos melhores momentos dos Jogos Rio 2016 e compartilhamos episódios emocionantes e curiosos vividos na Cidade Maravilhosa, mas não deixamos de lembrar como está desenhado o cenário pré-US Open. Quer ouvir? É só clicar neste link. Se preferir baixar e ouvir depois, clique com o botão direito do mouse e selecione a opção “salvar como”.

Os temas

0’00” – Cossenza apresenta os temas
1’55” – O torneio olímpico de tênis foi tão marcante quanto um Slam?
5’31” – Os duplistas mineiros no torneio olímpico
7’38” – A boa chance de medalha para Melo e Soares
10’00” – A chave que se abriu sem Herbert/Mahut e Cabal/Farah
13’00” – A medalha que escapou de Daniel Nestor
13’40” – O nível altíssimo de André Sá nos Jogos Olímpicos
15’20” – A inesperada campanha de Thomaz Bellucci até as quartas
17’44” – Del Potro x Djokovic foi o melhor jogo do torneio?
21’15” – A inteligência do jogo agressivo e do slice de Del Potro
23’13” – Djokovic: a sintonia com o público brasileiro, as lágrimas, o que significou a derrota e o que pode vir a acontecer em Tóquio 2020
26’02” – O mistério sobre a lesão de Djokovic antes do US Open
27’30” – Nadal: a maratona, a medalha, as reclamações e o comprometimento
31’50” – Murray: o favoritismo, a obrigação e os (muitos) dramas
34’03” – Mónica Puig e a medalha de ouro na chave feminina
38’10” – As derrotas de Serena e Muguruza, maiores surpresas do torneio
39’09” – O pódio feminino e o “espírito de Fed Cup”
41’05” – O ouro olímpico seria o começo de uma arrancada de Mónica Puig?
44’05” – A loucura do estádio olímpico vibrando com Kirsten Flipkens
44’55” – Serena e Venus decepcionaram?
47’10” – Os resultados de Teliana e Paula Gonçalves no Rio
48’48” – A bolada de Martina Hingis em Andrea Hlavackova
51’30” – O ouro das “brunetes” Makarova e Vesnina
52’58” – O momento de Cossenza com Leander Paes
57’06” – A pergunta mais importante: quem pegou zika?
58’13” – Música em homenagem a Mónica Puig
58’50” – O comportamento da torcida: brasileiros acertam quando vaiam?
66’25” – Os encontros olímpicos de Aliny Calejon com Marin Cilic e Horia Tecau
73’10” – Os encontros de Cossenza e Sheila com Robin Soderling
74’00” – Outros esportes que vimos nos Jogos Rio 2016
77’21” – O drama de Sheila para ver Usain Bolt
82’21” – Engenhão à meia-noite: Cossenza “recomenda”
84’20” – Por que os episódios do podcast Quadra 18 são tão longos?
86’37” – Empire State of Mind (Jay Z featuring Alicia Keys)
87’11” – O US Open e suas novidades como o teto retrátil e a Grandstand
87’50” – Chave masculina está mais indefinida do que nos últimos Slams?
90’51” – A briga entre Serena e Kerber pelo posto de #1 do mundo
92’00” – Recordes que Serena pode bater nas próximas semanas
95’45” – O que esperar dos brasileiros nas duplas?
99’25” – As chances de Marcelo Melo voltar ao topo do ranking após o US Open
102’37” – Carry Me (Kygo featuring Julia Michaels)


Meus 11 momentos inesquecíveis do tênis nos Jogos Olímpicos Rio 2016
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Alexandre Cossenza

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Quando o último slice de Juan Martín del Potro ficou na rede, já entrando na noite de domingo, o cenário estava claro há muito tempo. Todo mundo sabia quem quem veio ao Rio por amor e quem deixou de estar nos Jogos Olímpicos porque preferiu sair em busca de pontos e cachês. E quem esteve no Parque Olímpico nos últimos nove dias viu e entendeu que as ausências não diminuíram em nada o torneio olímpico de tênis. Exemplos não faltaram. Os que me marcaram estão aqui.

Kirsten Flipkens, maior aqui do que na Bélgica

Soou estranho para a imprensa estrangeira, que demorou um pouco para entender que o público da quadra central gritava “Flipkens, Flipkens” empurrando a tenista rumo à primeira zebra do torneio. A belga, que eliminou Venus Williams na primeira noite do evento, disse que nunca ouviu isso – nem no seu país. Traçou uma relação com dez anos atrás, quando a Bélgica jogou a final da Fed Cup. Disse ter saído arrepiada da quadra carioca.

A noite inesquecível de André Sá

Aos 39 anos e possivelmente em sua última participação olímpica (ganhou convites em Londres e no Rio), André Sá teve uma vitória à altura de sua carreira. Carregou Thomaz Bellucci nas costas, levantou o público, fez jogadas maravilhosas e eliminou a dupla cabeça 2, formada pelos irmãos Andy e Jamie Murray: 7/6(6) e 7/6(14). Sá e Bellucci perderam na sequência para Fognini e Seppi (até porque a combinação saque de Sá + Bellucci na rede é difícil de sustentar), mas o mineiro nos deu uma lembrança para o resto da vida.

O caso de amor com Novak Djokovic

No mesmo dia e no mesmo horário, na quadra central, Novak Djokovic enfrentava Juan Martín del Potro. Um jogaço de dois tie-breaks com um público espetacular se dividindo entre os barulhentos e incansáveis argentinos e os brasileiros fãs de Djokovic. O sérvio foi eliminado e saiu de quadra às lágrimas, o que evidenciou o tamanho do seu desejo de conquistar um ouro olímpico. Aliás, o caso de amor do #1 com a torcida local foi outro ponto alto do torneio. Até na chave de duplas, enfrentando Bruno Soares e Marcelo Melo, Djokovic foi ovacionado e deixou a quadra aplaudido de pé. Sim, teve relação com o ótimo trabalho de sua imagem no Brasil, mas também teve muito a ver com sua entrega nos Jogos Olímpicos.

O embalo de Thomaz Bellucci

O #1 do Brasil contou com uma enorme dose de sorte – para azar de Dustin Brown, que estava a poucos games de eliminar Bellucci quando sofreu uma violenta torção no tornozelo. O paulista aproveitou e, diante da torcida, passou por Pablo Cuevas e David Goffin. Duas partidas emocionantes em que o público manteve o tenista da casa motivado, mesmo com suas habituais inconstâncias. Bellucci ainda jogaria um primeiro set mágico contra Rafael Nadal antes de as 12 badaladas soarem e transformarem sua carruagem em abóbora. As vitórias não valeram pontos, mas serviram para alimentar a esperança de que o número 1 do Brasil ainda possa vir a ser o tenista que todo mundo sempre quis acreditar que ele seria.

O sacrifício de Rafael Nadal

Ele deixou de jogar em Wimbledon e nunca escondeu que ainda estaria em repouso se não fosse a possibilidade de estar nos Jogos Olímpicos. Nadal, que não esteve em Londres 2012, usou tudo que tinha no tanque no Rio de Janeiro. Foi campeão de duplas ao lado do amigo Marc López e talvez tivesse ido mais longe nas simples se tivesse de onde tirar energia. Jogou com o punho esquerdo incomodando, disputou 15 sets em quatro dias (e 26 no total) e carregou a bandeira do país na cerimônia de abertura. Tudo isso por estar nos Jogos, hospedado na vila dos atletas, sem mordomia e sem ganhar um centavinho.

O beijo de Juan Martín Del Potro

Depois de seguidas cirurgias e longos períodos de recuperação com pouco sucesso, estar nos Jogos Olímpicos era uma vitória por si só para o argentino. Mas ele derrubou Djokovic e Nadal antes de sucumbir a Andy Murray na final. Foi, de longe, a história mais bonita do torneio. Desde o longo abraço no sérvio na segunda noite do torneio, incluindo um beijo nos aros olímpicos pintados na quadra até carinho com o escocês após a final.

A emoção de Leander Paes

Aconteceu longe das TVs. A participação de Leander Paes em seus sétimos Jogos Olímpicos durou pouco. Ele e o parceiro Rohan Bopanna (que nunca quis a parceria) caíram na primeira rodada. Paes passou um bom tempo na zona mista. Quando todos foram embora, ficamos só nós dois. Ele chorou falando da relação com seu pai e da conversa que tiveram durante a abertura. Eu quase chorei lembrando do meu. Ele, então, lembrou da emoção de Atlanta 1996, quando ganhou o bronze. Disse coisas lindas sobre Fernando Meligeni, seu adversário naquele dia. Falou de Pelé, lembrou que algumas pessoas viam semelhança física entre ele (Paes) e Romário, disse que atletas de países como Brasil e Índia entendem melhor o que é competir pela bandeira. Foi um papo curto, coisa de cinco minutos, mas que pareceu durar meia hora. Pessoalmente, foi a maior emoção que vivi nos Jogos até agora. Qualquer dia, transcrevo a conversa aqui.

As “brunetes”

Chegar ao Rio já foi difícil. Elena Vesnina e Ekaterina Makarova foram campeãs em Montreal, perderam a conexão rumo ao Brasil e tiveram problemas para encontrar um voo. Tiveram de abrir mão de seus bilhetes de classe executiva e entraram nos dois últimos assentos de um avião salvador. Chegaram prontas para tudo. Não reclamaram da vila nem da comida. Apareceram, jogaram e esbanjaram simpatia. Enquanto Vesnina falava, Makarova, que não tem inglês tão fluente quanto o da parceira, sorria. O ouro foi uma recompensa e tanto, e ouvir o hino russo no tênis foi mais especial ainda por causa de toda turbulência que colocou uma bigorna de desconfiança nas costas de quase todos atletas do país.

A conquista de Monica Puig

Há quem prefira decisões entre dois nomes de peso e diga que a final feminina não foi lá das melhores. Não sou tão radical. Adoro roteiros que incluem estrelas em ascensão, e Mónica Puig é uma delas. A porto-riquenha é um talento inegável. Entrou no top 50 três anos atrás, mas teve dificuldades para jogar todo seu tênis de forma consistente. No Rio, tudo funcionou. Puig atacou, defendeu e bateu Garbiñe Muguruza, Petra Kvitova e Angelique Kerber. Conquistou o primeiro ouro de seu país e vai voltar ao circuito com a confiança transbordando.

A derrota da dupla

Como escrevi no post anterior, a eliminação de Bruno Soares e Marcelo Melo nas quartas de final foi um grande baque. Não pelo resultado. Perder para Florin Mergea e Horia Tecau – medalhistas de prata – é completamente compreensível. O revés machucou mesmo porque o ambiente era bonito, com torcida empurrando e os mineiros jogando. E sempre havia a esperança de que algo mágico poderia acontecer. Não rolou. Jogadores e jornalistas pareciam abatidos na zona mista. Foi uma das entrevistas pós-jogo mais duras que vi.

O título de Andy Murray

Com as seguidas participações do bicampeão de Wimbledon na Copa Davis, ninguém pode questionar a dedicação de Andy Murray à Grã-Bretanha. No Rio, ele tentou encarar as três modalidades. Perdeu um jogo duríssimo nas duplas e não foi longe nas mistas, mas terminou a semana com a medalha de ouro de simples no peito. Não foi uma semana de tênis espetacular, mas o escocês conseguiu sair de situações delicadas.

Esteve perdendo por 3/0 no terceiro set diante de Fabio Fognini ainda nas oitavas de final. Venceu seis games seguidos e se salvou. Depois, nas quartas, esteve uma quebra atrás no terceiro set contra Steve Johnson. Devolveu a quebra e avançou no tie-break. Por fim, bolou um plano tático inteligente e o aplicou com paciência na final contra Del Potro. O primeiro bicampeão olímpico em simples. Enorme.

Coisas que eu acho que acho:

– A falta de um critério claro estabelecido pela CBT teve seu preço. Até a véspera da inscrição, ninguém sabia quem jogaria nas duplas mistas com Marcelo Melo. Houve problemas e discussões internas até que Teliana Pereira fosse escalada. Ela e Marcelo até venceram uma rodada na chave.

– A convocação de Paula Gonçalves nunca foi explicada (talvez porque os capitães e técnicos da CBT achem que não devem explicação a ninguém). Se Paula foi convocada só para as duplas, que critério foi utilizado? Ninguém falou, mas acredito que foi o chamado “critério técnico”, já que a duplista número 1 do país é (e era na época da convocação) Gabriela Cé.

– É pura questão de opinião, mas achei extremamente ruim a postura de Paula, que ria em quadra nos últimos momentos da derrota na chave de duplas. Não tinha ranking nem resultado para estar ali. Entrou pela cota de país-sede. Foi lá e se divertiu, sem se incomodar nem um pouco com a derrota.

– Mudando de assunto, Venus Williams conquistou sua quinta medalha olímpica. Foi prata nas duplas mistas ao lado de Rajeev Ram. Nas simples e nas duplas, caiu cedo. Não apareceu para entrevistas quando foi eliminada por Flipkens. Quando perdeu nas duplas, apareceu falar. Ouviu uma pergunta, respondeu outra coisa e foi embora. Serena fez o mesmo quando perdeu nas simples. São atletas com feitos enormes e são exemplo em muitos sentidos para mulheres do mundo todo. Mas ninguém vê Federer, Djokovic ou Nadal evitando entrevistas depois de derrotas. Esses são gigantes.

– O ambiente do tênis nos Jogos Olímpicos foi espetacular mesmo quando não havia um atleta da casa competindo. Não gosto nem um pouco de dizer isso, mas a atmosfera no Rio me faz acreditar que, pelo menos no Grupo Mundial, é possível ter sucesso em uma decisão de Copa Davis em sede neutra. Mas que não mexam nos zonais, por favor!


Wimbledon, dia 10: Serena Williams, devastadora até fora de quadra
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Alexandre Cossenza

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Sabe aquele dia que nada dá errado? Foi assim a quinta-feira de Serena Williams. Primeiro com a vitória maiúscula sobre Elena Vesnina (#50) por 6/2 e 6/0, em apenas 48 minutos. Quase impossível apontar a “chave” do triunfo, visto que a americana foi superior em tudo. Fez 11 aces, com 77% de aproveitamento de primeiro serviço (e 23 de 24 pontos ganhos com o fundamento), acumulou 28 winners e cometeu apenas sete erros não forçados.

Não foi uma apresentação ruim de Vesnina. A russa só não tinha armas para combater a número 1 e fazer um jogo minimamente disputado em um dia assim, quando tudo funciona para a melhor tenista do mundo. Classificada para a final, Serena perdeu apenas um set, aplicou três pneus e não foi ameaçada de verdade em nenhuma ocasião. Nem quando perdeu a primeira parcial para Christina McHale num tie-break.

A parte copo-meio-vazio da campanha é que a americana não enfrentou nenhuma adversária que tivesse armas para derrotá-la. Ok, é bem verdade que Serena é mais Serena na grama, mas não houve alguém com golpes potentes ou com grande poder de contra-ataque em seu caminho até agora. É nesse grupos que se encaixam Angelique Kerber e Garbiñe Muguruza, algozes da número 1 nas duas finais de Slam em 2016.

E é justamente aí que entra a outra finalista de Wimbledon deste ano: Angelique Kerber (#4), que ainda não perdeu sets e bateu Venus Williams (#8) nesta quinta-feira, em uma semifinal que não empolgou, um pouco pelo nível técnico que deixou a desejar, um pouco pela falta de equilíbrio. A alemã venceu por 6/4 e 6/4 e esteve na frente o tempo inteiro, inclusive no primeiro set, que teve sete quebras de serviço em dez games. Sua movimentação foi boa o bastante para compensar a fragilidade no saque e lidar com os ataques de Venus.

Kerber não perdeu sets até agora e, mesmo levando em conta sua vitória sobre Serena no Australian Open, está longe de ser favorita para ganhar o jogão de sábado. Primeiro porque o saque de Serena, em condições normais, deve fazer mais diferença do que na Austrália, mas também porque a grama dá menos tempo para Kerber alcançar os golpes da número 1 e contra-atacar com eficiência. E, sinceramente, vai ser difícil ver Serena jogando tão mal junto à rede como naquela final em Melbourne. Nada é impossível, já diz o bom e velho clichê, mas bater Serena em Wimbledon exige uma conspiração nada provável de fatores.

Prioridades

O primeiro tweet de Serena após a partida não foi sobre seu jogo, sua atuação nem nada relacionado ao tênis. A número 1 do mundo usou sua rede social para lembrar do cidadão negro americano que foi morto por um policial após ser parado em uma blitz. “Quando algo vai ser feito de verdade?”, perguntou Serena.

Leia mais sobre a história aqui.

Precisa com as palavras

Na entrevista coletiva, Serena Williams continuou disparando winners. Quando questionada sobre ser “uma das maiores atletas femininas de todos os tempos”, a número 1 respondeu que prefere a expressão “maiores atletas de todos os tempos”, retirando a questão de gênero (homem/mulher) da frase.

Serena também falou mais uma vez sobre a questão de igualdade de salários (ou prêmios, no caso do tênis), basicamente enfatizando a necessidade de respeito pelas mulheres e ressaltando que nenhuma pessoa, qualquer que seja o emprego, merece receber menos por causa de seu sexo.

Triunfo também nas duplas

Mais tarde, Serena e Venus voltaram à quadra para as quartas de final de duplas e, mais uma vez, Elena Vesnina foi vítima. A russa e sua compatriota Ekaterina Makarova ainda conseguiram tirar um set das americanas, mas as irmãs venceram e avançaram por 7/6(1), 4/6 e 6/2.

As irmãs Williams vão enfrentar Julia Georges e Karolina Pliskova em uma das semifinais. A outra vaga na decisão sairá do jogo entre Timea Babos / Yaroslava Shvedova e Raquel Atawo / Abigail Spears.

Só a realeza

Serena Williams brilhou tanto nesta quinta-feira que até conseguiu que a Duquesa de Cambridge (ex-Kate Middleton, lembram?) fizesse uma aparição no Snapchat!

Lendl, o sorridente

Ivan Lendl fez parte do grupo que conversou com a Duquesa e não dá para fazer um comentário que não seja “o sorriso do Lendl!”. Pois é, ele existe.


Wimbledon, dia 8: Venus Voltou
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Alexandre Cossenza

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Mais de cinco anos depois, Venus Ebony Starr Williams está na semifinal de um torneio do Grand Slam. Aos 36 anos, a ex-número 1 do mundo, que poderia ter se aposentado milionária e realizada quando foi diagnosticada com Síndrome de Sjogren em 2011, agora briga pelo título de Wimbledon, onde já foi campeã cinco vezes (2000, 2001, 2005, 2007 e 2008).

“Eu não conseguia levantar meu braço acima da cabeça, a raquete parecia concreto. Eu não sentia nada nas mãos. Elas estavam inchadas e coçando. Eu vi que seria uma apresentação triste”, contou a americana, tempos atrás, sobre o US Open de 2011, quando desistiu de entrar em quadra antes de enfrentar Sabine Lisicki. Pouco depois daquele momento, anunciou seu diagnóstico ao mundo.

Houve momentos difíceis. Para o espectador, a sensação era de agonia. Em certos momentos, Venus se arrastava em quadra. Estava longe do auge. Poderia ter encerrado a carreira ali. Segundo alguns, deveria ter parado. Não desistiu. Lutou contra o corpo, contra os prognósticos e contra adversárias 15 anos mais novas. Hoje, está de volta às semifinais de um Slam. E que retorno!

O jogo de quartas de final contra Yaroslava Shvedova #(96) só teve drama no set inicial, quando a cazaque salvou set point em seu serviço e depois sacou em 5/4 no tie-break. Mas não foi esse o maior obstáculo neste torneio. Duro mesmo deve ter sido fechar a partida contra Daria Kasatkina (#33) na última sexta-feira, um jogo que terminou em 10/8 no terceiro set, com Venus acumulando quase 7 horas em quadra num período de 24 horas – sem falar nas esperas forçadas pela chuva.

O jogo mais esperado

A adversária de Venus saiu do badalado Angelique Kerber (#4) x Simona Halep (#5), que não foi um jogaço como muitos imaginavam, mas também não foi dos piores. Foram muitas as variações, com as duas oscilando um bocado e confirmando pouco os games de serviço (13 quebras em 24 games). A alemã foi melhor nos momentos importantes e avançou por 7/5 e 7/6(2), marcando um jogão contra Venus Williams (#8) nas semifinais.

Kerber já repete sua melhor campanha em Wimbledon (também foi à semi em 2012) e chega com moral, sem perder nenhum dos dez sets jogados até agora. Ainda que sua chave não tenha sido das mais duras (bateu Robson, Lepchenko, Witthoeft e Doi), a alemã, com sua ótima movimentação e um contra-ataque invejável, serão um desafio e tanto para Venus.

Na semi, a chave para a alemã será manter seu serviço, que não é dos mais confiáveis. É de se esperar que Kerber leve vantagem do fundo de quadra. Não pela potência de seus golpes, mas pela consistência e por sua velocidade, que dificultarão as subidas à rede de Venus. A americana terá de sacar muito bem e ser muito precisa nos ataques, planejando e executando bem as subidas. Não vai ser fácil – como não foi para Serena na final do Australian Open.

A outra semi

Como era esperado, Serena Williams bateu Anastasia Pavlyuchenkova (#23). Se não foi um passeio, foi uma vitória relativamente tranquila, com apenas duas quebras de saque. Uma no nono game do primeiro set e outra no décimo da segunda parcial. A número 1 do mundo não foi ameaçada.

Sua adversária será a grande surpresa das semifinais: Elena Vesnina (#50), que fez uma bela partida, mas também se aproveitou de uma grande atuação de Dominika Cibulkova (#18), que não parecia recuperada fisicamente da longa partida contra Agnieszka Radwanska 24 horas antes. No fim, Vesnina fez 6/2 e 6/2 e ganhou o direito de desafiar a número 1. Não será fácil.

O brasileiro

Único brasileiro restante no torneio, Bruno Soares finalmente conseguiu a vaga nas quartas de final. Depois de dois match points não convertidos e um quinto set dramático e inacabado na segunda-feira, ele e Jamie Murray finalmente conseguiram eliminar Michael Venus e Mate Pavic. O placar final mostrou 6/3, 7/6(3), 4/6, 4/6 e 16/14, em 5h03min!

Soares e Murray agora vão enfrentar os vencedores do jogo entre Pospisock (Pospisil e Sock para os iniciantes) e Benneteau/Roger-Vasselin. Brasileiro e britânico, lembremos, estão do mesmo lado da chave de Bob e Mike Bryan. Seria um eventual confronto de semifinal.

O homem que faltava

Tomas Berdych (#9) deveria ter fechado o jogo na segunda-feira, mas não conseguiu converter nenhum dos cinco match points e viu o compatriota Jiri Vesely (#64) forçar o quinto set. Quando a partida recomeçou nesta terça, Berdych saiu na frente, perdeu o serviço, mas teve ajuda do compatriota, que foi quebrado pela segunda vez ao cometer uma dupla falta. O top 10 tcheco, então, aproveitou e avançou ao fazer 4/6, 6/3, 7/6(8), 6/7(9) e 6/3.


Novak Djokovic, o (generoso) campeão de tudo
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Alexandre Cossenza

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Os quatro últimos grandes torneios de tênis têm um só dono. A frase que abre este post – ou qualquer paráfrase – não era escrita desde 1969, quando o australiano Rod Laver venceu Australian Open, Roland Garros, Wimbledon e US Open. Hoje, 47 anos depois, Novak Djokovic tornou-se o terceiro homem da história mais do que centenária do tênis a alcançar tal feito.

Foi a garrafa de champanhe mais gelada dos últimos tempos. O título do Slam francês esteve perto nos cinco anos anteriores, mas sempre lhe escapou. De muitas maneiras, Djokovic e sua longa caminhada em Paris foram vítimas de um destino que colocou o sérvio na geração de fenômenos como Roger Federer e Rafael Nadal (e Stan Wawrinka tem sua parcela aqui também).

A lacuna no currículo de Djokovic não podia continuar até o fim da carreira. Não quando o cidadão mostra um domínio raramente (jamais?) visto no tênis. Não quando ele está sempre nas finais. Não, não podia. E não aconteceu. Andy Murray não conseguiu parar o #1 do mundo neste domingo. Quando encontrou seu ritmo, Djokovic disparou rumo à linha de chegada como Usain Bolt batendo no peito e cantando I Shot The Sheriff. O Career Slam está completo e abre caminhos para mais conquistas espetaculares. Feitos que só os gigantes do esporte realizaram.

O generoso coração

Djokovic pediu permissão a Guga e foi atendido. Caso vencesse o torneio pela primeira vez este ano, desenharia na quadra um coração e se deitaria nele, como o brasileiro fez duas vezes em 2001. Aconteceu.

Há quem chame Djokovic de marqueteiro. Prefiro ver o caso deste domingo por outro ângulo. Em um momento tão esperado e que era de sua – e só sua – consagração no tênis, o sérvio optou por lembrar um grande campeão. Não consigo enxergar egoísmo, falsidade ou publicidade nisso. Apenas generosidade.

No vídeo (uma ação da Peugeot) em que pediu permissão ao brasileiro, Djokovic disse que o coração de Guga, desenhado no saibro da Chatrier, foi o momento mais emocionante que viu em um torneio de tênis. De novo: um cidadão que ganhou 12 Slams e tem os quatro maiores títulos ao mesmo tempo tirou um minuto de seu grande momento para lembrar um tricampeão. Acho louvável.

A final

O primeiro set foi tenso para o número 1. Mesmo depois de abrir o jogo com uma quebra, Djokovic parecia ainda sentir a importância do momento. Seu forehand não estava tão seguro, e Murray aproveitou para agredir o segundo serviço. O britânico venceu quatro games seguidos e manteve a dianteira até fazer 6/3. O último game, mais nervoso de todos, incluiu uma chamada polêmica do árbitro de cadeira, uma nervosa reclamação de Djokovic e muitas vaias do público.

A segunda parcial foi totalmente diferente – e deu o tom do resto da partida. Nole quebrou na primeira chance e disparou, fazendo 3/0. Aos poucos, seus erros quase sumiram. Ao mesmo tempo, as falhas de Andy ficaram mais frequentes. A balança começou a pender para o outro lado. E quando a maré fica a favor de Djokovic, todo mundo sabe o que acontece: 6/1.

Vendo que o número 1 já estava em seu nível “normal” – que, para a maioria dos tenistas também leva o nome de “espetacular” – Murray tentou variações. Buscou encurtar pontos, atacar antes e mais cedo. Djokovic teve respostas para tudo. Chegou em curtinhas com contra-ataques espetaculares. Não deu nada de graça no fundo de quadra. Dominou o segundo serviço do escocês. Um beco sem saída.

Murray só achou uma pequena fresta aberta no fim do quarto set, quando Djokovic aparentemente sentiu o momento. Foi quebrado sacando em 5/2 e, depois, com 5/4 a favor, perdeu dois match points e permitiu que o britânico igualasse o game. O jogo ficou emocionante outra vez, mas por pouco tempo. A fresta se fechou, e Djokovic finalmente conquistou o título que faltava: 3/6, 6/1, 6/2 e 6/4.

Os feitos

Novak Djokovic é o terceiro nome da história do tênis a vencer os quatro Slams em sequência, mas não necessariamente no mesmo ano. Antes dele, só Don Budge e Rod Laver. Nem Federer nem Nadal. Budge (1938) e Laver (1962 e 1969) também são os únicos homens a completarem o Grand Slam de fato (todos no mesmo ano) nas simples.

Consequentemente, Djokovic também estende seu recorde de vitórias consecutivas em Slams. São 28 agora, com a última derrota vindo na final de Roland Garros do ano passado. Antes, o sérvio havia somado 27 triunfos seguidos de Wimbledon/2011 até Roland Garros/2012, quando perdeu a decisão para Rafael Nadal.

O sérvio também entra na lista de tenistas que completaram o chamado Career Slam, ou seja, venceram os quatro, mas não necessariamente em sequência nem no mesmo ano. Ele é o oitavo a conseguir o feito. Os outros são Andre Agassi, Don Budge, Roy Emerson, Roger Federer, Rod Laver, Rafael Nadal e Fred Perry.

Djokovic agora também ocupa o alto da lista de campeões que mais demoraram a conquistar Roland Garros. O sérvio vence em sua 12ª participação no torneio. A marca anterior pertencia a quatro nomes. Todos venceram na 11ª tentativa: Andre Agassi, Andres Gomez, Roger Federer e Stan Wawrinka.

A expectativa

Após o título deste domingo, Djokovic tem pela frente expectativas enormes. O sérvio, afinal, é o primeiro tenista a vencer o Australian Open e Roland Garros no mesmo ano desde Jim Courier, em 1992. Logo, o atual número 1 tem a chance de:

– Completar o Grand Slam de fato, vencendo os quatro Slams no mesmo ano. Ninguém faz isso desde Rod Laver, em 1969;
– Completar o Golden Slam, vencendo os quatro e conquistando o ouro olímpico. Nunca aconteceu na história do tênis masculino; e
– Completar o Career Golden Slam, vencendo o torneio olímpico de tênis, mesmo que não consiga triunfar em Wimbledon e no US Open nesta temporada. Até hoje, só Andre Agassi e Rafael Nadal conseguiram.

O reconhecimento

Andy Murray, que fez uma bela partida e tentou até o fim encontrar uma maneira de mudar a balança da partida, foi brilhante na escolha de palavras durante o discurso de vice-campeão. Disse que o feito do sérvio é fenomenal, que vencer os quatro Slams é algo tão raro que vai demorar a acontecer novamente. E terminou dizendo “é chato perder a partida, mas estou orgulhoso de fazer parte do dia de hoje.”

O ranking

Após a final deste domingo, o top 10 masculino ficou assim:

1. Novak Djokovic
2. Andy Murray
3. Roger Federer
4. Rafael Nadal
5. Stan Wawrinka
6. Kei Nishikori
7. Dominic Thiem
8. Tomas Berdych
9. Milos Raonic
10. Richard Gasquet

As mudanças mais relevantes foram a subida de Rafael Nadal para número 4 do mundo, deixando Stan Wawrinka em quinto – o que tem peso considerável na formação das chaves dos próximos torneios, impossibilitando mais um duelo entre Nadal e Djokovic ou Murray antes das semifinais – e a entrada de Dominic Thiem no top 10, na sétima posição, a melhor de sua carreira até agora.

O bolão impromptu do dia

O vencedor de hoje foi o Bruno de Fabris, que errou a duração do jogo por apenas dois minutos. A partida teve 183 minutos.

As campeãs de duplas

Nas duplas femininas, o título é de Kristina Mladenovic e Caroline Garcia, que derrotaram Ekaterina Makarova e Elena Vesnina por 6/3, 2/6 e 6/4. São as primeiras francesas a vencerem nas duplas em Roland Garros desde 1971.

Melhores lances

Uma combinação taticamente perfeita de Andy Murray, embora dificílima de executar: backhand angulado, curtinha na paralela, lob. Lindo de ver.

Obviamente, dar curtinhas contra Djokovic é uma estratégia arriscada. Exemplo 1:

Exemplo 2:

Exemplo 3:

Preciso dizer mais?


RG, dia 12: Sustos para Serena e Djokovic, sequência segue para Bertens
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Alexandre Cossenza

Aos poucos, Roland Garros vai pegando quase que no tranco. Nesta quinta-feira, ainda que com algumas interrupções por chuva, os poucos jogos de simples trouxeram momentos muito interessantes. Serena Williams esteve a cinco pontos de dar adeus; Novak Djokovic esteve a cinco centímetros (ou um pouco mais) de ser desclassificado; e Dominic Thiem esteve a um pontinho de precisar jogar cinco sets. O resumo do dia fala de todas as partidas de simples do dia, de como andam os brasileiros em Paris, de um livro escrito por um cachorro a até dos cães antibomba de Wimbledon.

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O número 1

Novak Djokovic fez seu melhor jogo no torneio, ponto. Veio em boa hora porque Tomas Berdych (#8) teve uma atuação bem digna, brigando em todos os sets. O tcheco se recuperou de uma quebra de desvantagem na segunda parcial e até abriu o terceiro set na frente. Ainda assim, o número 1 do mundo estava firme nesta quinta. Devolveu com agressividade, usou bem curtinhas e lobs, explorou a movimentação ruim do rival e fez 6/3, 7/5 e 6/3. Continua tão favorito como sempre.

O susto

Djokovic só esteve perto da eliminação quando, ao descontar a raiva momentânea, um quique inesperado da raquete fez com que ela saísse do controle do tenista e quase atingisse um dos juízes de linha. Não fosse a agilidade do árbitro, haveria motivo suficiente para a desclassificação do número 1.

Correndo por fora

Dominic Thiem (#15) e David Goffin (#13) fizeram mais uma edição do que eu gosto de chamar de clássico-dos-tenistas-mais-talentosos-que tomam-as-piores-decisões-em-momentos-cruciais. O jogo não decepcionou, com vários lances empolgantes e muitos golpes mal escolhidos. Logo, houve equilíbrio e muitas quebras nos três primeiros sets. Primeiro, Goffin saiu uma quebra atrás e venceu o primeiro set. Depois, sacou para a segunda parcial, teve set point (vide tweet abaixo) e viu Thiem conseguir a virada. O austríaco também saiu de 2/4 para vencer nove games seguidos e disparar até fechar em 4/6, 7/6(7), 6/4 e 6/1.

Ainda que tenha contado com uma boa dose de sorte na chave, Thiem aproveitou as chances e chegou, portanto, a sua primeira semifinal em um torneio do Grand Slam. Será um claro azarão contra Djokovic, mas um azarão perigoso. Se o sérvio deixá-lo jogar (como costuma fazer com Wawrinka), corre risco de passar um aperto. Minha opinião é que o cenário mais provável será Thiem agredindo até errar, com o número 1 apostando na consistência e arriscando pouco. O austríaco precisará de um dia espetacular para vencer.

A número 1

Não foi um bom primeiro set para Serena Williams diante de Yulia Putintseva (#60). Cometendo muitos erros (24 não forcados ao todo), a número 1 foi vítima de uma estratégia inteligente e bem executada da cazaque: paciência, bolas altas e fundas e poucos riscos. A quadra pesada também ajudou Putintseva, que só cedeu dois pontos em erros não forcados, saiu na frente e seguiu resistindo na segunda parcial, mesmo cedendo uma quebra no início.

Serena escapou por pouco. Esteve a um ponto de ver a adversária sacar para o jogo, mas salvou o break point no 4/4 e ganhou uma quebra decisiva quando a cazaque cometeu uma dupla falta no set point. Com a #1 jogando melhor e falhando menos, Putintseva não teve como manter o ritmo, embora tenha “brigado” até o último game. Jeu, set et match, Williams: 5/7, 6/4 e 6/1.

A zebra

A adversária de Serena na semifinal será Kiki Bertens (#58), que deu mais uma passo em uma sequência espetacular que começou no qualifying do WTA International de Nuremberg, mais de uma semana atrás, e chega agora a 12 triunfos. Depois do título no torneio de aquecimento para Roland Garros, a holandesa já derrubou mais duas top 10. Na estreia, bateu Angelique Kerber. Nesta quinta, a vítima foi Timea Bacsinszky (#9), por 7/5 e 6/2.

Foi um jogo equilibrado e cheio de quebras na primeira parcial. Bertens esteve uma quebra atrás em três oportunidades, mas foi superior nos momentos decisivos, salvando um break point no 11º game e quebrando a suíça no 12º. Na segunda parcial, saiu na frente, abrindo 4/0 e segurando uma reação de Bacsinszky, que devolveu uma das quebras e teve três break points para “voltar” no jogo.

O público

O ponto negativo de Roland Garros neste quinta-feira foi o público. A quadra Suzanne Lenglen, segunda maior do complexo não esteve perto de sua lotação em momento algum. A quantidade de espectadores, que já era minúscula quando Thiem e Goffin abriram a programação, às 13h, era patética às 17h30min (horários locais), quando Bacsinszky e Bertens brigavam por uma vaga na semifinal feminina (vide tweet abaixo).

É mais uma prova de como a organização de Roland Garros reage mal a imprevistos. Pela programação original, não haveria jogos de simples na Lenglen nesta quinta-feira. No entanto, sabe-se desde terça que mudou tudo. Ainda assim, o torneio não conseguiu atrair um número decente de espectadores para ver duas quartas de final de um torneio do Grand Slam.

A programação de sexta-feira tem dois jogos na Lenglen. Muguruza x Stosur e Djokovic x Thiem. Roland Garros está vendendo esses ingressos por dez euros. Será que assim vai lotar?

Os brasileiros

Nas duplas mistas, Bruno Soares foi eliminado nas quartas de final. Ele e Elena Vesnina perderam para a parceria de Leander Paes e Martina Hingis: 6/4 e 6/3.

Marcelo Melo não entrou em quadra, mas ficou sabendo quem serão seus adversários nas semifinais. Feliciano e Marc López (que não são irmãos, embora há quem fale isso por aí) salvaram seis match points e derrotaram os franceses Julien Benneteau e Edouard Roger-Vasselin por 3/6, 6/4 e 7/6(7). Feliciano saiu da quadra para o banho de gelo.

Enquanto isso, do lado de fora da quadra, Gustavo Kuerten foi anunciado como novo embaixador do Hall da Fama Internacional do Tênis. O catarinense, não esqueçamos, foi imortalizado em Newport (EUA) em 2012.

Os brasileirinhos

Passou sem registro no post de ontem, mas não esqueçamos: nenhum brasileiro passou da segunda rodada no torneio juvenil de Roland Garros. E, também lembremos, não havia nenhuma representante do país na chave feminina.

Leitura recomendada

Pensando bem, não sei se recomendo, mas informo: Maggie Mayhem, cadela de Andy Murray e sua esposa, Kim, escreveu um livro chamado “Como Cuidar de Seu Humano”, lançado nesta quinta-feira.

Do outro lado do canal

Wimbledon apresentou hoje seu trio de cães antibomba: Duffy, Brian e Biggles.

Introducing Duffy, Brian and Biggles, some of our police explosive search dogs for Wimbledon 2016 🐶

A photo posted by Wimbledon (@wimbledon) on

Falando em Wimbledon, parece improvável a participação de Rafael Nadal no torneio deste ano. Depois de deixar Roland Garros por causa de uma lesão no punho esquerdo (seu forehand), o espanhol já avisou que não estará no ATP 500 de Queen’s. Talvez Nadal esteja avaliando suas prioridades, e ele já disse algumas vezes que os Jogos Olímpicos Rio 2016 estão no topo de sua lista. Nadal, afinal, ficou fora de Londres 2012 também por causa de lesão.

Os melhores lances

Serena Williams, a número 1 do mundo, sem conseguir ganhar pontos na base da potência por causa da quadra pesada e das bolas fundas de Yulia Putintseva, dá uma aula de como construir um ponto.

Outra lição, agora ensinada por Novak Djokovic, que explorou bem a movimentação limitada de Tomas Berdych para construir esse ponto abaixo:


RG, dia 10: zebras à prova d’água, atraso, piadas e críticas ao torneio
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Alexandre Cossenza

Agora, sim, Roland Garros vai precisar tomar medidas drásticas para solucionar o quebra-cabeça da programação. Depois de mais um dia de muita chuva e um par de zebras relevantes na chave feminina, o atraso é gigante no torneio parisiense. Metade das oitavas de final masculinas está incompleta, enquanto a metade feminina nem começou ainda. Com cinco dias de torneio pela frente, está mais do que claro que já não há mais margem para atrasos e alguns atletas precisarão entrar na quadra em dias consecutivos. Vamos, então, ao resumo do dia?

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As zebras

Com o mau tempo no começo do dia e de olho na previsão nada animadora para o resto da jornada, a organização colocou os primeiros jogos em quadra ainda com uma chuva fininha caindo. O que se viu foi uma sequência de inesperados.

Na Chatrier, Novak Djokovic vivia um péssimo momento contra Roberto Bautista Agut, que venceu o primeiro set por 6/3. A primeira zebra de verdade, no entanto, viria na Quadra 1, onde Sam Stosur (#24) se recuperou da quebra de desvantagem, venceu o primeiro set em um tie-break desastroso de Simona Halep (#6) e abriu a segunda parcial com uma quebra. A australiana, que se adaptou melhor às condições do dia, acabou surpreendendo e triunfando por 7/6(0) e 6/3, derrubando a favorita-vestida-de-zebra.

Halep não ficou nada feliz com a maneira com que o torneio lidou com o clima. Disse que estava “impossível” e que “jogar tênis durante a chuva acho que é um pouco demais.” A romena afirmou também que quase lesionou as costas, que as bolas estavam completamente molhadas e que, em sua opinião, “ninguém se importa com os jogadores”.

Zebra maior, contudo, aconteceria na Suzanne Lenglen, tanto pelo histórico quanto pelo placar do começo do dia. Agnieszka Radwanska (#2) liderava por 6/2 e 3/0 a partida contra Tsvetana Pironkova (#102), iniciada no domingo. Pois nesta terça, a búlgara venceu dez games seguidos e derrubou Radwanska por 2/6, 6/3 e 6/3.

A número 2 do mundo engrossou o coro de Halep e pegou pesado nas críticas, afirmando que Roland Garros não é um torneio pequeno, de US$ 10 mil de premiação. “Como você pode permitir que tenistas joguem na chuva? Eu não posso jogar nessas condições.” Do mesmo modo da romena, a polonesa diz que “não sei se eles realmente se importam com o que nós pensamos. Acho que se importam com outras coisas.”

“Outras coisas”

Quanto a se importar com as “outras coisas” que Radwanska menciona, cabe registrar que Novak Djokovic e Roberto Bautista Agut tiveram sua partida interrompida na Quadra Philippe Chatrier com 2h04min de jogo. Caso a partida tivesse menos de 2h de duração, Roland Garros teria de devolver aos espectadores o equivalente a 50% do valor dos ingressos. Pode ter sido só coincidência que tenham esticado a partida o máximo possível – até porque a programação está toda atrasada – mas é uma coincidência desagradável para quem forçou atletas de alto nível a competir sob chuva.

Os adiamentos

Nenhum jogo masculino foi terminado nesta terça. Todos valiam pelas oitavas de final. Na Chatrier, Djokovic vencia Bautista Agut por 3/6, 6/4 e 4/1; na Lenglen, Tomas Berdych sacava em 1/2, ainda no primeiro set, contra David Ferrer; na Quadra 1, David Goffin perdia por 0/3 para Ernests Gulbis; e na Quadra 2, Marcel Granollers e Dominic Thiem estavam empatados em 1 set a 1, com parciais de 6/2 para o austríaco e 7/6(2) para o espanhol.

As piadas

É seguro dizer que a imagem de Roland Garros sofreu um baque esta semana. O diretor do torneio, Guy Forget, segue culpando a burocracia francesa, mas sem justificar por que não há um teto retrátil na Chatrier nem iluminação artificial no complexo (leia mais aqui). Enquanto isso, o torneio vira piada, seja com Tomas Berdych lembrando que o Australian Open tem três quadras com teto retrátil…

… seja com o torneio australiano mandando um pouco de sol para Paris.

Os brasileiros

Marcelo Melo e André Sá conseguiram entrar em quadra – um contra o outro. O número 1 do mundo e seu parceiro, Ivan Dodig, levaram a melhor: 6/3 e 6/2 sobre Sá e o australiano Chris Guccione. Com isso, brasileiro e croata, atuais campeões do torneio, avançam para as quartas de final. Seus próximos adversários serão Rohan Bopanna e Florin Mergea, cabeças de chave 6.

Enquanto isso, Bruno Soares segue esperando pela próxima sessão de seu jogo boyhoodiano, o mesmo que foi marcado para sábado, começou no domingo e não entrou em quadra segunda nem terça. Ele e Elena Vesnina venciam por 7/5 e 1/1 quando a partida contra a eslovena Andreja Klepac e o filipino Treat Hey foi interrompida e adiada.

O tamanho do drama

Até agora, Roland Garros não anunciou nenhuma mudança no calendário geral, ou seja, a final feminina ainda está marcada para sábado. Se for assim, a finalista que sair do grupo de Serena, Svitolina, Suárez Navarro, Putintseva, Bertens, Keys, Venus e Bacsinszky terá de fazer quatro jogos em quatro dias. Oitavas na quarta, quartas na quinta, semi na sexta e final no sábado – se não chover mais!

Não é o fim do mundo, já que é mais ou menos assim no dia a dia do circuito feminino, mas está longe de ser o ideal em um evento dessa magnitude. Além disso, a finalista que vier da outra metade da chave, que já tem as quartas definidas, poderá chegar com menos cansaço acumulado à decisão.

Entre os homens, a situação está assim: todos que jogaram hoje (Djokovic, Bautista, Ferrer, Berdych, Granollers, Thiem, Goffin e Gulbis) terão cinco dias para quatro partidas. E tudo isso em melhor de cinco sets – e se não chover mais! O cenário é menos complicado para Djokovic, que está com sua partida de oitavas aparentemente encaminhada (imaginem negrito, itálico e ressalvas no “aparentemente”). Mesmo assim, é um óbvio prejuízo em relação à outra metade da chave, que já começa as quartas de final nesta quarta – se não chover mais!


RG, dia 5: Nadal passeia, Djokovic faz força, e Serena derruba Teliana
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Alexandre Cossenza

O quinto dia de Roland Garros foi mais uma jornada boa para os favoritos. Rafael Nadal atropelou o argentino Facundo Bagnis e, pouco depois, Novak Djokovic passou em três sets, mas cometendo 42 erros não forçados. Serena Williams também triunfou, fazendo como vítima a brasileira Teliana Pereira. O resumo do dia traz análises dos três nomes principais e lembra as cabeças que rolaram, o susto de Tsonga, o barraco envolvendo Alizé Cornet e informações sobre como a ITF mudará sua postura em casos de doping. De bônus, mais um vídeo de Guga e um imperdível guia de pronúncia.

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O jogo mais esperado

A tarefa era difícil. Encarar Serena Williams (#1), atual campeã de Roland Garros e dona de 749 títulos (ou algo assim) na carreira , na quadra Suzanne Lenglen, a segunda maior do complexo francês. Teliana Pereira (#81) começou a partida nada bem, perdendo dois saques seguidos, errando bolas que não costuma errar e vendo Serena ser… Serena.

Aos poucos, porém, a brasileira foi se sentindo mais à vontade e conseguindo entrar em alguns ralis. Comandar os pontos era quase impossível, mas Teliana tentou uma curtinha aqui e outra ali, arriscou paralelas e fez o que podia fazer. No fim, a número 1 do mundo venceu por 6/2 e 6/1, em 1h06min, um placar que reflete a diferença de nível entre as duas tenistas.

A página de estatísticas registra 31 winners de Serena contra seis de Teliana, que cometeu 15 erros não forçados contra 17 da americana. Mais uma vez, o frágil saque da brasileira pesou. Diante da melhor devolução do mundo, Teliana venceu menos da metade dos pontos com seu serviço. Foram 21/45 com o primeiro saque e 6/17 com o segundo.

Serena avança à terceira rodada para enfrentar a francesa Kristina Mladenovic (#30), que passou pela húngara Timea Babos (#45) por 6/4 e 6/3.

Os outros favoritos

Rafael Nadal (#5) teve dois games ruins, que foram os dois primeiros do jogo contra Facundo Bagnis (#99). Depois disso, venceu 18 games, perdeu quatro e foi muito, muito sólido, sem deixar a agressividade de lado. Não que o adversário tenha dado trabalho, mas dá para notar que o espanhol vem evoluindo a cada dia. Nesta quinta, foram apenas 18 erros não forçados em três sets. Considerando que seis dessas falhas vieram nos dois games iniciais, dá para ter uma ideia de sua consistência durante a maior parte do encontro.

Depois de sua 200ª vitória em Slams, Nadal enfrentará o compatriota Marcel Granollers (#56), que chega aonde Fabio Fognini deveria estar agora. O italiano, no entanto, tombou na estreia diante do próprio Granollers, que avançou nesta quinta após a desistência do francês Nicolas Mahut (#44), que deixou a quadra quando perdia por 6/3, 6/2 e 1/0.

Enquanto Nadal saía da Chatrier, Novak Djokovic (#1) entrava na Suzanne Lenglen, a segunda maior quadra do complexo de Roland Garros. Seu jogo contra o belga Steve Darcis (#161) até teve emoção, mas muito mais pelos erros do sérvio do que por uma partida espetacular do belga. É bem verdade que Darcis fez uma apresentação bastante digna e tentou todos os golpes de seu pacote, mas foram os 42 erros não forçados do número 1 que mantiveram o jogo relativamente parelho.

Djokovic, porém, foi superior sempre que a necessidade se apresentou e só precisou de três sets para avançar: 7/5, 6/3 e 6/4. O sérvio, em busca de seu primeiro título em Roland Garros, enfrenta a seguir o britânico Aljaz Bedene (#66), que venceu um jogo de cinco sets contra o espanhol Pablo Carreño Busta: 7/6(4), 6/3, 4/6, 5/7 e 6/2.

Os brasileiros nas duplas

Primeiro a entrar em quadra, Bruno Soares venceu sem problemas. Ele e Jamie Muray passaram por Evgeny Donskoy e Andrey Kuznetsov por duplo 6/3. Pouco depois, Marcelo Melo e Ivan Dodig também avançaram rápido. Os atuais campeões de Roland Garros fizeram 6/0 e 6/3 em cima de Robin Haase e Viktor Troicki.

Thomaz Bellucci também esteve em quadra pela chave de duplas e já se despediu. Ele e Martin Klizan foram superados por Vasek Pospisil e Jack Sock por 6/1 e 7/5.

O barraco

A confusão da quinta-feira veio no fim do dia, no duríssimo jogo entre Alizé Cornet (#50) e Tatjana Maria (#111). A tenista da casa, com um público barulhento a favor, venceu por 6/3, 6/7(5) e 6/4, mas a alemã não ficou nada feliz com a postura de Cornet. Na hora do cumprimento junto à rede, Maria apontou o dedo como quem dizia não acreditar nas dores que Cornet dizia vir sentindo.

Depois de sair da quadra, Maria declarou, segundo o jornalista Ben Rothenberh, que Cornet não agiu como fair play. A alemã disse que a francesa tinha cãibras e pediu atendimento médico na perna esquerda por causa disso. Vale lembrar que o regulamento não permite tratamento para cãibras, mas o fisioterapeuta deve entrar em quadra e atender o atleta que diz sentir dores.

Correndo por fora

Semifinalista no ano passado, Timea Bacsinszky (#9) abriu a programação da Chatrier nesta quinta com um jogo um tanto estranho diante de Eugenie Bouchard (#47), semifinalista em 2014. Primeiro, a canadense abriu 4/1. Depois, a suíça venceu dez games seguidos, abrindo 6/4 e 5/0. O triunfo parecia encaminhado, mas Bouchard venceu quatro games e teve dois break points para empatar o segundo set. Bacsinszky, porém, se salvou a tempo e fechou o jogo: 6/4 e 6/4.

A suíça será favorita pelo menos até a próxima rodada quando enfrentará Pauline Parmentier (#88) ou Irina Falconi (#63). O duelo mais esperado nessa seção da chave será nas oitavas, contra Venus Williams (#11), que passou pela compatriota Louisa Chirico (#78) nesta quinta. Para chegar até Bacsinszky, contudo, a ex-número 1 ainda precisará passar por Alizé Cornet (#50).

Outras vitórias de nomes que correm por fora em Roland Garros incluem Ana Ivanovic (#16), que passou pela japonesa Kurumi Nara (#91) por 7/5 e 6/1; Carla Suárez Navarro (#14), que bateu a chinesa Qiang Wang (#74) por 6/1 e 6/3; Dominika Cibulkova (#25), que derrotou por Ana Konjuh (#76) por 6/4, 3/6 e 6/0; Venus Williams (#11), que eliminou Louisa Chirico (#78) por 6/2 e 6/1; e Madison Keys (#17), que superou por Mariana Duque Mariño (#75) por 6/3 e 6/2.

Entre os homens, Tomas Berdych (#8) precisou de quatro sets para superar o tunisiano Malek Jaziri (#72) com 6/1, 2/6, 6/2 e 6/4 e marcar um interessante duelo com Pablo Cuevas (#27), que passou pelo francês Quentin Halys (#154) por apertados 7/6(4), 6/3 e 7/6(6). Tcheco e uruguaio só se enfrentam antes, com vitória de Cuevas. No saibro, piso preferido do sul-americano, o resultado será igual? Parece uma ótima chance para Cuevas alcançar as oitavas de Roland Garros pela primeira vez na carreira.

Dominic Thiem (#15) também manteve o embalo e conquistou sua sexta vitória seguida, já que vem do título do ATP 250 de Nice. Nesta quinta, a vítima foi o espanhol Guillermo García López (#51), que ofereceu alguma resistência, mas sucumbiu em todos momentos importantes e caiu por 7/5, 6/4 e 7/6(3). Será a primeira vez de Thiem na terceira rodada em Paris, e seu oponente será Alexander Zverev (#41), o mesmo da final de Nice. É, sem dúvida, um dos duelos mais interessantes da terceira rodada.

David Goffin (#13) também marcou um duelo quentíssimo com Nicolás Almagro (#49) para a terceira rodada. Enquanto o belga passou por Carlos Berlocq (#126) por 7/5, 6/1 e 6/4, o espanhol bateu o tcheco Jiri Vesely (#60), aquele que tirou Djokovic de Monte Carlo, por 6/4, 6/4 e 6/3. Almagro, vale lembrar, vem em um momento interessante. Um ano atrás, brigava para estar entre os 150 do mundo. Hoje, depois do título em Estoril, já está no top 50 e jogando um nível de tênis de deixar qualquer cabeça de chave preocupado nas rodadas iniciais de um Slam.

Por último, David Ferrer (#11) bateu Juan Mónaco (#92) depois de perder o primeiro set: 6/7(4), 6/3, 6/4 e 6/2. Ele completou a parte de cima da chave, formando um interessante duelo espanhol com Feliciano López (#23), que vem de vitória sobre o dominicano Victor Estrella Burgos (#87): 6/3, 7/6(8) e 6/3.

Os favoritos nas mistas

Fortes candidatos ao título de duplas mistas , Leander Paes e Martina Hingis venceram sua estreia, fazendo 6/4 e 6/4 sobre Anna Lena Groenefeld e Robert Farah. Mais importante que o resultado, entretanto, é a imagem abaixo, registrando o sorriso mais carismático da antiga Calcutá. Apreciem:

Bruno Soares e Elena Vesnina, campeões do Australian Open e cabeças de chave número 5 em Roland Garros, também estrearam com vitória e derrotaram Abigail Spears e Juan Sebastián Cabal por 6/4 e 6/2. Brasileiro e russa podem enfrentar Hingis e Paes nas quartas de final. Antes, suíça e indiano precisam passar por Yaroslava Shvedova e Florin Mergea, cabeças 4 do torneio.

O susto

Entre os principais cabeças de chave, o único que passou aperto foi Jo-Wilfried Tsonga (#7), que viu Marcos Baghdatis (#39) abrir 2 sets a 0. O tenista da casa, que perdeu um set point na primeira parcial e teve uma quebra de vantagem no segundo set, se recuperou a tempo de evitar a zebra. A partir do terceiro set, esteve sempre à frente do placar e, no fim, triunfou por 6/7(6), 3/6, 6/3, 6/2 e 6/2.

Foi a primeira vez na carreira, depois de 55 jogos, que Baghdatis perdeu uma partida após abrir 2 sets a 0. Não que fosse uma catástrofe uma derrota de Tsonga a essa altura. Fora derrotar Roger Federer (fora de forma) em Monte Carlo, o francês pouco fez para chegar como grande credenciado a brigar pelo título. O próximo jogo, contra um aparentemente motivado Ernests Gulbis (#80), que vem de uma importante vitória sobre João Sousa (#29), promete ser interessante.

As cabeças que rolaram

Além da já mencionada queda de João Sousa, um resultado interessante do dia foi a vitória de Borna Coric (#47) sobre Bernard Tomic (#22) em quatro sets: 3/6, 6/2, 7/6(4) e 7/6(6). O croata repete sua melhor campanha em um Slam (também foi à terceira fase em Paris no ano passado) e terá uma chance interessante de ir às oitavas pela primeira vez. Seu próximo oponente será Roberto Bautista Agut (#16), que passou pelo francês imortal Paul-Henri Mathieu (#65) por 7/6(5), 6/4 e 6/1. Coric venceu o último jogo entre eles (Chennai/2016), mas o espanhol venceu os dois duelos anteriores no saibro.

Na chave feminina, Andrea Petkovic (#31) deu adeus ao cair diante da cazaque Yulia Putintseva (#60): 6/2 e 6/2, em pouco mais de 1h30min. O jogo foi mais duro do que o placar indica e teve vários games apertados, com muitas igualdades. Putintseva levou a melhor na maioria deles e agora chega à terceira fase de um Slam pela segunda vez na carreira. Ela enfrenta na sequência a italiana Karin Knapp (#118), que aproveitou o embalo com a vitória sobre Victoria Azarenka e derrotou, nesta quinta, a letã Anastasija Sevastova (#87): 6/3 e 6/4.

Leitura recomendada

A Federação Internacional de Tênis (ITF) mudará seu procedimento em relação a resultados positivos em exames antidoping. Segundo David Haggerty, presidente da entidade, disse que os anúncios passarão a ser imediatos. Hoje, a ITF tem por hábito revelar os resultados apenas depois de uma audiência com o atleta. O procedimento atual é cauteloso – tem como objetivo poupar os jogadores -, mas cria mistério quando alguém fica sem jogar por algum período, sem motivo aparente. Foi o que aconteceu recentemente com o brasileiro Marcelo Demoliner.

Haggerty fala que a mudança é em nome da transparência. Leia mais nesta reportagem do Telegraph (em inglês).

Audição recomendada

O Forvo, site que consulto há alguns anos para conferir pronúncias de tenistas, preparou uma página especial para Roland Garros. Ela tem a pronúncia na língua nativa dos nomes de muitos atletas e até da terminologia do tênis em francês. Veja o link no tweet abaixo.

Fanfarronices publicitárias

A campanha da Peugeot com Guga teve seu mais recente episódio com Jo-Wilfried Tsonga. Assim como Bellucci, o francês também experimentou a peruca.


AO, dia 14: Dezesseis horas, dois Slams e R$ 1 milhão para Bruno Soares
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Alexandre Cossenza

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O relógio marcava 0h58min em Melbourne quando Bruno Soares fechou, ao lado de Jamie Murray, a final de duplas. Eram 17h27min quando o mineiro, desta vez ao lado de Elena Vesnina, se sagrou campeão também nas mistas. Foram 16h29min entre um match point e outro. E assim terminam as espetaculares duas semanas de Bruno Soares neste Australian Open.

As vítimas deste domingo – ou melhor, da tarde deste domingo – foram o romeno Horia Tecau e a americana Coco Vandeweghe, e as parciais do jogo foram 6/4, 4/6 e 10/5. Foi uma atuação irregular da parceria formada por brasileiro e russa, mas que terminou com sucesso graças a um impecável match tie-break de Vesnina, que contou com poucas, mas igualmente precisas intervenções de Bruno.

A conta de Bruno Soares engordou em 396 mil dólares australianos, valor equivalente a R$ 1,135 milhão pelo câmbio da última sexta-feira. A lista de seus principais feitos também dobra de espaço no currrículo. O mineiro de 33 anos, que chegou a Melbourne dono de dois títulos nas mistas, sai com mais dos Slams – um deles, nas duplas.

A comemoração

O quarto título de Slam de Bruno Soares foi festejado assim:

O discurso

Depois de falar por mais de dois minutos (uma eternidade em cerimônias de premiação) ao vencer as duplas na madrugada, Bruno prometeu ser mais rápido na cerimônia das mistas e até conseguiu ser, mas não antes sem pedir desculpas por não ter mencionado sua família após o primeiro título do dia.

A coletiva

Na entrevista pós-jogo, Elena Vesnina contou que recebeu uma mensagem do brasileiro às 4h30min (locais!). No texto, Bruno dizia estar pronto para entrar em quadra. O mineiro, em seguida, explicou que deixou Melbourne Park por volta das 3h e ainda atendeu veículos de imprensa brasileiros, por isso só foi dormir às 5h. Acordou às 8h30min, tentou voltar a dormir, mas não conseguiu e decidiu tomar café da manhã: “Estou vivendo à base de café desde então.”

Lembra disso?

Não foi hoje, mas não custa lembrar do estupendo match point que Elena vesnina jogou nas semifinais, contra Sania Mirza e Ivan Dodig. Ela e Bruno venceram aquele jogo por 7/5 e 7/6(4).


AO, dia 12: Murray na final, Bruno em outra final, e a imbatível #Santina
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Alexandre Cossenza

Andy Murray está de volta à final do Australian Open; Bruno Soares se classificou para mais uma decisão em Melbourne; e a insuperável dupla de Sania Mirza e Martina Hingis conquistou seu terceiro título de Slam consecutivo.

O resumaço deste 12º dia em Melbourne fala sobre os três jogos mais importantes da sexta-feira, mas também avalia o que esperar da final masculina e inclui os habituais vídeos e tuítes pertinentes da rodada. Role a página e fique por dentro.

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O jogo

Quando alguém saca tão bem e, no caso de Milos Raonic, com tanta potência, a vida do adversário é duríssima. A coisa piora quando o sacador toma decisões corretas e escolhe bem os momentos de subir à rede. E se o cidadão está voleando bem, aí realmente se faz necessária uma atuação hercúlea para derrubá-lo.

Se o sujeito em questão consegue uma quebra de saque no primeiro game do jogo, cria-se um buraco difícil de sair, e foi essa a situação vivida por Andy Murray nesta sexta-feira. O britânico ainda teve 0/40 para devolver a quebra imediatamente, mas não conseguiu converter. E aí começou um drama que, mesmo sem o britânico perder o serviço até o fim, só terminou depois de cinco sets.

No papel, o número 2 do mundo não chegou a estar perto da eliminação. Nem mesmo depois de Raonic vencer o terceiro set. Só que as palavras nesse “papel” nem sempre têm sentido literal. Contra um saque como o do canadense, estar perdendo por 2 sets a 1 é viver com a faca no pescoço. Murray, é bom dizer, lidou bem com isso. Sacando atrás no placar no início do quarto set, confirmou saques sem drama até quebrar o adversário.

Aí, sim, houve sufoco. O britânico precisou salvar três break points em dois games diferentes antes de fechar o set. E o momento foi tão tenso que gerou essa comemoração intensa (e rara, sejamos sinceros) de Andy Murray.

Quando o quinto set começou, após mais de 3h30min de partida, Raonic já não estava bem fisicamente. Pediu atendimento médico e recebeu massagem, mas sua movimentação diminuiu. Os saques também sofreram. A vida de Murray ficou mais fácil, e ele aproveitou. Abriu 4/0 e não olhou mais para trás. No fim, depois de 4h08min, garantiu sua vaga em mais uma final: 4/6, 7/5, 6/7(4), 6/4 e 6/2.

O que esperar da final

Novak Djokovic será favorito mais uma vez. Até aí, novidade nenhuma. O sérvio, hoje, é o mais cotado contra qualquer adversário em qualquer torneio, em qualquer piso, com ou sem vento, sob sol ou em quadra indoor. A questão é o quanto Murray conseguirá agredir e ser eficiente no domingo. Até agora, o escocês faz um ótimo torneio, mas nenhuma de suas vitórias veio com um nível de tênis espetacular – aquele que se espera de alguém que possa derrubar o número 1 do mundo.

Djokovic, por outro lado, foi espetacular na quinta-feira. Especialmente nos dois primeiros sets contra Roger Federer. Parece improvável outra atuação como aquela dos cem erros não forçados contra Gilles Simon. Até por isso, as casas de apostas pagam apenas 1,16 em caso de título do sérvio e 5,0 para uma vitória de Murray.

O brasileiro em outra final

Sim, Bruno Soares disputará as duas finais no Australian Open. Já classificado para a decisão das duplas, o mineiro voltou à quadra nesta sexta para tentar avançar também nas mistas. Pois ele e a russa Elena Vesnina derrotaram Sania Mirza e Ivan Dodig por 7/5 e 7/6(4), ficando a uma vitória do título.

Somando as campanhas do ATP de Sydney e as duas chaves do Australian Open, Bruno agora soma 13 vitórias seguidas. A decisão das mistas será no domingo contra o romeno Horia Tecau e a americana Coco Vandeweghe.

As imbatíveis

Sania Mirza jogou a semifinal de mistas contar Soares e Vesnina depois de uma tensa decisão nas duplas femininas. Ela e Martina Hingis foram campeãs, derrotando as tchecas Andrea Hlavackova por 7/6(1) e 6/3.

O primeiro set, em especial, foi dramático, com oito quebras de saque consecutivas. A parceria tcheca, inclusive, chegou a sacar para a parcial com o placar em 5/4. Durante a maior parte do tempo, porém, Mirza sorria, se divertindo com a parceira.

A vitória desta sexta foi a 36ª consecutiva de #Santina. A dupla não perde desde agosto do ano passado e detém agora os títulos de Wimbledon, do US Open e do Australian Open.

Curiosidades

Informação da federação britânica: com Jamie nas duplas e Andy nas simples, pela primeira vez na Era Aberta (a partir de 1968) dois irmãos farão duas finais de um mesmo torneio de Grand Slam.

Outro número interessante: a última vez que a Grã-Bretanha teve representantes nas duas finais masculinas do Australian Open foi em 1935, quando Fred Perry foi campeão nas simples e Patrick Hughes foi vice nas duplas.

E vale lembrar que uma vitória de Milos Raonic também daria ao Canadá a participação nas duas finais. O imortal Daniel Nestor, 43 anos, jogará neste sábado pelo título de duplas ao lado de Radek Stepanek.

Bolão Impromptu do Dia

Nesta sexta, a pergunta aleatória da vez lançada durante um momento qualquer na madrugada foi sobre o quinto set de Andy Murray x Milos Raonic.

Os melhores lances

Na coletiva após o jogo, Milos Raonic disse que nunca se sentiu tão triste após perder um jogo de tênis. É compreensível. A final do Australian Open esteve a alguns games de seu alcance, mas escapou. Não serve de consolo, mas o torneio elegeu esse forehand do canadense como o melhor lance do dia.

Machucou

Andrea Hlavackova deu essa bolada na parceira durante a final de duplas. O erro veio logo em um break point, mas acabou não custando tão caro assim. Pouco depois, as tchecas conseguiram a quebra de saque e abriram 5/4.

O que vem por aí no dia 13

O sábado em Melbourne tem a final feminina, entre Serena Williams e Angelique Kerber, seguida da final de duplas, com Bruno Soares e Jamie Murray enfrentando Daniel Nestor e Radek Stepanek. As duas partidas serão à noite, a partir das 19h30min locais.

Veja aqui os horários e a programação completa.

A mensagem

Após jogo, coletiva e tudo mais, Milos Raonic publicou uma mensagem bonita em sua conta no Instagram. Falou, entre outras coisas, sobre como dá raiva terminar assim o torneio, com um nó no estômago, e sobre como trabalha duro para alcançar tudo que quer no tênis.

It hurts light hell now at this moment. The heartbreak and the disappoint. Regardless, I will not let this keep me down. That is not how I was raised and that is not the kind of person that I am. I thrive of challenges and of difficult moments that on the other side make me better and make me stronger. It's infuriating for the tournament to end on this note and to have to face this knot in my stomach. But it's not the end. Not by any means. I am better than that and I will overcome the challenges my body presents to me, I work far to damn hard and commit every waking moment to tennis, my ambitions and my goals, to not do that. I will grow from this and I will learn. I will give myself this opportunity again and I will move on in a better light. It may not be today or tomorrow but I am gonna do everything to make sure it's someday! At the end of the day, it has been a very special January. I have showed great amounts of improvement and development in my tennis. I have played great and I have done a whole lot of winning. That feels great and I will keep pushing that forward. A huge thank you to the fans and supporters who show their love and passion, on court, through Facebook, Twitter, Instagram and any other way possible. You guys are great to me and I am forever grateful. I will much more to cheer for. With much love! Milos

A photo posted by Milos Raonic (@mraonic) on


AO, dia 10: o tombo de Vika, as chances de Raonic, e Bruno em outra semi
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Alexandre Cossenza

A primeira derrota da cotadíssima Victoria Azarenka em 2016, a discussão sobre os méritos (ou não) de Angelique Kerber, o jogão de Andy Murray e David Ferrer, as chances de Milos Raonic e mais uma semifinal para Bruno Soares são os principais assuntos desta quarta-feira, décimo dia do Australian Open 2016.

Este resumaço da jornada inclui também o emocionante abraço de Johanna Konta e Shuai Zhang, os planos dos maiores órgãos do tênis para fortalecer o combate à manipulação de resultados, uma gafe do torneio e um bolão improvisado durante a madrugada. Role a página, clique nos muitos links e fique por dentro.

O jogo mais esperado

No primeiro verdadeiro teste de sua consistência no Australian Open, Victoria Azarenka sucumbiu. O belíssimo torneio da bielorrussa foi jogado fora em dois momentos. Um péssimo começo de partida e um desastroso fim de segundo set, com cinco set points perdidos em seu próprios games de serviço. Angelique Kerber, o retrato da regularidade, sobreviveu mesmo com um saque vulnerável e fez 6/3 e 7/5 para alcançar as semifinais em Melbourne pela primeira vez na carreira.

Obviamente foi um dia ruim de Vika, que nunca esteve à vontade para atacar buscando as linhas, algo necessário para enfrentar Kerber. Depois de deixar a alemã abrir 4/0, a bielorrussa diminuiu um pouco a agressividade, deixou a adversária errar um pouco mais e até equilibrou as ações, devolvendo uma das quebras, mas foi só.

A segunda parcial parecia bem encaminhada, mas a coisa desandou depois que Azarenka abriu 5/2 e 40/0. Kerber venceu três pontos seguidos sendo mais agressiva e salvou mais dois set points quando Vika teve 5/4 e 40/15. O que parecia um terceiro set certo tornou-se um pesadelo para a ex-número 1. Kerber viu a chance e não bobeou. Virou o set, conseguiu sua primeira vitória em sete partidas contra Azarenka e esbanjou alegria na comemoração.

A adversária de Kerber na semifinal será a britânica Johanna Konta (#47), que venceu o duelo de zebras contra a chinesa Shuai Zhang (#133). A inglesa nascida na Austrália fez 6/4 e 6/1 e se tornou a primeira britânica a alcançar a semifinal do Australian Open desde Jo Durie em 1983, ano em que foram lançados Billie Jean (Michael Jackson) e O Retorno de Jedi. Também foi o ano do bicampeonato do espetacular Nelson Piquet na Fórmula 1.

Konta, é bom lembrar, disputa uma chave principal de Slam pela nona vez, mas fez este ano sua estreia entre as 128 em Melbourne. De 2013 a 2015, disputou o qualifying e não conseguiu se classificar.

Eu ganhei, nós empatamos, vocês perderam

Em todo Slam, acontece pelo menos uma vez. Um tenista famoso perde e deixa a quadra dizendo algo do tipo “o jogo estava na minha raquete” ou “eu perdi”, sem dar o devido mérito à adversária. Até que demorou, mas chegou este momento na edição 2016 do torneio australiano, cortesia de Victoria Azarenka – ou da interpretação que deram a sua entrevista coletiva.

A percepção da maioria (e eu nem sei se concordo, mas isso é outra discussão) foi que Vika não deu o devido mérito para Kerber. De fato, Azarenka faz uma grande lista se suas falhas durante o jogo, mas ela também admite que a alemã foi agressiva e que sacou bem nos momentos mais importantes.

A frase que marca mais é a seguinte: “Acho que ela foi agressiva. Ela sacou bem. Especialmente nos momentos importantes ela sacou muito bem, mas para mim é difícil de julgar porque acho que nos conhecemos muito bem. Hoje, eu realmente sinto que foi minha culpa. Não fiz o suficiente com o que tive hoje.”

A avaliação de Kerber (que até onde eu sei, não tinha ideia da declaração de Azarenka) rendeu até o tuíte oficial do Australian Open copiado acima. A alemã crava: “Eu fiz meu jogo desde o primeiro ponto. Fui mais agressiva desta vez. Ela não perdeu; eu venci de verdade.”

E os homens?

Andy Murray (#2) x David Ferrer (#8) foi tudo que se esperava de um jogo entre eles. Um tanto previsível, é bem verdade, mas bem divertido de ver. Ralis impressionantes, defesas incríveis, contra-ataques espetaculares e oito saques quebrados. O nível foi bem alto e se manteve bem alto durante a maior parte das 3h25min de jogo. De novidade, apenas uma paralisação de cerca de dez minutos para fechar o teto retrátil, já que uma chuva forte se aproximava.

No fim, porém, o placar também foi previsível: Murray venceu em quatro sets, com parciais de 6/3, 6/7(5), 6/2 e 6/3. Apenas pela curiosidade, os três últimos duelos entre eles em torneios do Grand Slam terminaram em quatro sets, com o britânico levando a melhor e com o espanhol ganhando um tie-break.

Murray, o vencedor

Soa como piada pronta, mas o grande vencedor desse jogo de quartas de final entre Milos Raonic e Gael Monfils foi… Andy Murray! Pelo menos era isso que estava na chave no site do Australian Open na noite deste quarta.

A verdade verdadeira

No mundo real, Andy Murray vai enfrentar Milos Raonic (#14) nas semifinais. O canadense enfrentou pouca resistência de Gael Monfils (#25), que até venceu um set, mas nem esteve perto nos outros. As parciais foram 6/3, 3/6, 6/3 e 6/4. Será a primeira semifinal em Melbourne na carreira de Raonic – a segunda em um Slam, depois de Wimbledon/2014.

Não dá para ignorar que o canadense agora tem nove vitórias consecutivas, o que é um recorde para ele em torneios de nível ATP. Antes do Australian Open, Raonic foi campeão em Brisbane, onde bateu Roger Federer na final. A sequência de vitórias também inclui triunfos sobre Stan Wawrinka, Viktor Troicki e Bernard Tomic. O momento é realmente estupendo e é justo imaginar que ele terá chances contra Andy Murray na sexta-feira. Mas… será?

O brasileiro

Bruno Soares venceu outra vez. Pela 11 vez seguida, aliás, somando o título do ATP de Sydney e as campanhas nas duplas e duplas mistas em Melbourne. O triunfo desta quarta colocou o mineiro nas semifinais também nas mistas. Ele e Elena Vesnina derrubaram Jamie Murray (sim, o parceiro) e Katarina Srebotnik por 6/2 e 6/3, sem grandes problemas.

Brasileiro e russa, que fizeram um bate-papo ao vivo via Periscope nesta quarta-feira, agora aguardam por seus próximos adversários, que sairão do jogo entre Sania Mirza e Ivan Dodig, cabeças de chave 1, e Martina Hingis e Leander Paes. Quem quer que vença será um adversário bastante indigesto.

A chave masculina:

[1] Novak Djokovic x [3] Roger Federer
[13] Milos Raonic x Andy Murray [2]

A chave feminina:

[1] Serena Williams x [4] Agnieszka Radwanska
[7] Angelique Kerber x Johanna Konta

Os melhores lances

Nem de perto foi o melhor lance do jogo, mas foi o que escolheram no canal oficial do Australian Open no YouTube. De qualquer modo, fica o registro dessa passada de Andy Murray na corrida.

Não foi um ponto, mas foi um lindo momento de Johanna Konta e Shuai Zhang junto à rede, logo depois do match point. Vale ver.

Bolão Impromptu do Dia

A partir deste parágrafo, esta seção é criada com status de permanente para elogiar os tuiteiros da madrugada que se dispõem a tentar acertar uma pergunta aleatória lançada durante uma partida qualquer. O grande nome desta quarta-feira foi o Matheus Bernardes, primeiro a dar a resposta certa.

União contra a manipulação

Após a polêmica história-não-história da semana passada, quando BBC e BuzzFeed disseram possuir uma lista de partidas investigadas, mas não divulgaram nomes, os principais órgãos do tênis (ITF, ATP, WTA e o Grand Slam Board) anunciaram a criação de um processo independente de revisão que tem como objetivo “preservar a integridade do jogo”. A história completa está aqui.

O chamado IRP (Independent Review Panel), que será liderado por Adam Lewis, especializado em lei esportiva, terá como principais objetivos analisar questões como as citadas abaixo e fazer recomendações:

– Como a Tennis Integrity Unit (TIU, órgão que investiga partidas sob suspeita de manipulação) pode ser mais transparente sem comprometer a necessidade de confidencialidade em suas investigações;

– Avaliar recursos adicionais para a TIU nos torneio e internamente;

– Mudanças estruturais e/ou de governança que deem mais independência à TIU; e

– Como aumentar o alcance do programa de educação de integridade no tênis.

A história completa está no site da ITF.

O que vem por aí no dia 11

A programação de quinta-feira, em Melbourne, começa com Bruno Soares e Jamie Murray tentando uma vaga na final de duplas. Brasileiro e britânico encaram os franceses Adrian Mannarino e Lucas Pouille na Rod Laver Arena logo no primeiro horário do dia. Os outros dois jogos lá serão as semifinais femininas. Primeiro, Serena Williams enfrenta Agnieszka Radwanska. Em seguida, Angelique Kerber e Johanna Konta decidem a segunda vaga na decisão. À noite, Roger Federer e Novak Djokovic fazem a primeira semifinal masculina.

Veja aqui os horários e a programação completa.


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