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AO, dia 2: grande virada de Rogerinho, 75 aces de Ivo e Serena leva noivo
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Alexandre Cossenza

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Foi um segundo dia cheio de emoções em Melbourne – ainda que nenhum dos principais candidatos ao título tenha sido ameaçado. A começar pela enorme virada de Rogerinho, que começou perdendo por 2 sets a 0, mas saiu de quadra como o único brasileiro a passar para a segunda rodada.

A terça-feira do Australiana Open também teve os 75 aces de Ivo Karlovic, que colocou mais uma vez seu nome na lista de mais saques indefensáveis em uma só partida, e os nove match points salvos por Lucie Safarova. A tcheca, aliás, vai enfrentar Serena Williams, que anunciou recentemente seu noivado e tem o sortudo na torcida em Melbourne.

Este resumaço do dia ainda lembra do susto de Zverev, das vitórias confortáveis de Djokovic e Nadal e do perfeito Gran Willy de Radwanska contra Pironkova.

O brasileiro

Rogerinho, o brasileiro que mais deu sorte na chave, foi também quem mais ficou em quadra e saiu recompensado com uma grande vitória sobre Jared Donaldson, 20 anos e #101 do mundo, por 3/6, 0/6, 6/1, 6/4 e 6/4. E nem parecia que seria o caso quando o Donaldson venceu rapidinho os dois primeiros sets. O paulista não desistiu. Cresceu no jogo, passou a encaixar seu primeiro saque com mais frequência e levou a decisão para o quinto set.

Abriu com uma quebra de saque, lutou quando jogou mal e manteve o serviço a duras penas (e com um pouco de sorte, como no break point em que seu backhand tocou na fita e morreu do outro lado), mas manteve a cabeça, continuou com o plano de jogo que vinha funcionando e conquistou uma bela vitória. A comemoração foi um longo abraço em Larri Passos, que viu a partida e deu alguns toques durante a semana.

Para que não fique dúvida: Rogerinho treina com o argentino Andrés Schneiter, e Larri Passos está em Melbourne acompanhando uma tenista francesa.

O triunfo desta terça foi o sexto da carreira de Rogerinho (32 anos) em quadras duras em torneios de nível ATP. Antes, o paulista tinha vitórias no US Open em 2011 (Sorensen), 2012 (Gabashvili) e 2013 (Pospisil), nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro (Fabbiano) e em Chennai/2017 (Lajovic). O próximo passo é um duelo com o francês Gilles Simon. Os dois se enfrentaram em Roland Garros, no ano passado, e Simon confirmou o favoritismo em três sets: 7/6(5), 6/4 e 6/2.

Os favoritos

Serena Williams fez uma bela apresentação. Consciente do perigo representado por Belinda Bencic, a americana fez uma estreia muito melhor do que a média de suas apresentações iniciais em Slams. Mais do que isso, a #2 do mundo foi excelente no único momento delicado da partida: o 4/4 do primeiro set. Depois dali, Serena venceu sete games seguidos ates que Bencic ensaiasse uma frustrada reação no fim da segunda parcial. No fim, 6/4 e 6/3 para Serena.

A atuação da ex-número 1 veio diante dos olhos do noivo, Alex Ohanian, um dos fundadores do Reddit. Serena revelou o noivado há pouco tempo, em um texto no próprio Reddit, e pegou o mundo de surpresa. A história de amor era desconhecida do grande público até então. O Australian Open é o primeiro torneio com presença de Ohanian desde o anúncio.

Abrindo a sessão noturna a Rod Laver Arena, Novak Djokovic encontrou de novo Fernando Verdasco, o mesmo contra quem precisou salvar quatro match points na semifinal do ATP de Doha, há pouco mais de uma semana. Outro jogo tão parelho era improvável. E não foi, a não ser pelo segundo set, quando o espanhol esteve duas vezes com quebra de vantagem – em ambas, perdeu o serviço imediatamente em seguida – e sucumbiu no tie-break. Djokovic fez 6/1, 7/6(4) e 6/2, sem drama.

Os 75 aces de Ivo Karlovic

Quando Horacio Zeballos (#68) abriu 2 sets a 0 sobre Ivo Karlovic (#21) em 1h20min de jogo, o argentino parecia ter bem encaminhada sua passagem para a segunda rodada. Só que não foi tão fácil assim. Karlovic, o homem que mais disparou aces na história do tênis, voltou a fazer bem o que faz de melhor: confirmar serviços. Logo, a partida estava no quinto set. E que quinto set, tenso e demorado. Karlovic e Zeballos deram pouquíssimas chances em seus games de serviço, e a partida foi se alongando.

A parcial decisiva, sem tie-break, durou mais que todos os quatro sets anteriores. O croata não parava de disparar aces. No 42º game, Karlovic finalmente conseguiu dois match points. Perdeu o primeiro num rali, mas ganhou o segundo ao acertar um preciso lob de slice. Zeballos correu como um louco, mas não conseguiu colocar a bolinha na quadra. Game, set, match: 6/7(6), 3/6, 7/5, 6/2, 22/20.

Os números oficiais registraram 5h14min de jogo e 75 aces de Karlovic (33 de Zeballos). Os 75 saques indefensáveis colocam o croata na quarta posição na lista de mais aces em uma partida. Ele também ocupa o terceiro (78), o quinto (61), o sétimo (55), o oitavo (53) e o décimo (51) lugares na lista.

O recorde é de John Isner, que executou 133 aces contra Nicolas Mahut na primeira rodada de Wimbledon em 2010. Aquele jogo durou 11h05min, se alongou por três dias e é o mais longo da história do tênis. O americano bateu o francês por 6/4, 3/6, 6/7(7), 7/6(3) e 70/68. Mahut fez 103 aces naquele dia.

Outros candidatos

Alexander Zverev, o “prodígio”, fez um set decente, outros dois pavorosos e esteve a poucos games de uma eliminação desastrosa. Robin Haase, #57, assumiu a dianteira no placar e teve até uma quebra de vantagem no quarto set. Bastava confirmar seu saque, o mas o holandês jogou um pavoroso sexto game, deu quatro pontos de graça a Zverev e colocou o adolescente de volta na partida.

O alemão de 19 anos nem fez lá dois sets irretocáveis, mas fez seu básico enquanto Haase continuava a cometer duplas faltas e dar pontos de graça. O placar final mostrou 6/2, 3/6, 5/7, 6/3 e 6/2, e se Zverev tem motivo para comemorar sua sobrevivência no torneio, também precisa se preocupar com a consistência. É preciso mais para que ele consiga o salto que todos acreditam que ele pode dar para brigar por títulos e pelas primeiras posições do ranking.

O lado bom para o fã de tênis é que ainda existe a possibilidade da badalada partida de terceira rodada entre Zverev e Rafael Nadal. O espanhol, aliás, também estreou com vitória: fez 6/3, 6/4 e 6/4 sobre o alemão Florian Mayer. Nadal não perdeu nenhum game de serviço – o que é mais importante hoje em dia do que já foi no passado – quebrou Mayer uma vez em cada set e faz lances bonitos como sempre – inclusive a paralela do tweet abaixo.

Também desse lado da chave, Milos Raonic fez 6/3, 6/4 e 6/2 sobre Dustin Brown. O canadense é favorito para pelo menos alcançar as quartas de final, quando enfrentará o vencedor da seção que tem Monfils, Kohlschreiber, Nadal e Zverev.

Na chave feminina, considerando seu histórico de fiascos em rodadas iniciais de Slam, Karolina Pliskova fez uma bela estreia. No primeiro jogo do dia na Rod Laver Arena, a vice-campeã do US Open despachou rápido a espanhola Sara Sorribes Tormo (#106) em poco mais de uma hora: 6/2 e 6/0. Melhor ainda para Pliskova é a derrota da perigosa Monica Niculescu (#32), superada pela qualifier russa Anna Blinkova (#189) por 6/2, 4/6 e 6/4.

Johanna Konta, por sua vez, passou por um obstáculo nada simples e eliminou a belga Kirsten Flipkens (#70) por 7/5 e 6/2. A top 10 britânica, que vem de título em Sydney, avança para outro duelo perigoso. Vai encarar a japonesa Naomi Osaka (#48), que venceu um jogo duríssimo contra Luksika Kumkhum (#183) por 6/7(2), 6/4 e 7/5. Caroline Wozniacki e Dominika Cibulkova, outras que que correm por fora em Melbourne, também venceram nesta terça.

O Gran Willy

Por fim, no último jogo da Rod Laver Arena, Agnieszka Radwanska precisou de três sets, mas eliminou Tsvetana Pironkova por 6/1, 4/6 e 6/1. Foi uma boa atuação da polonesa, que só não venceu com mais facilidade porque a búlgara conseguiu – pelo menos no segundo set – agredir com eficiência o serviço frágil de Aga. Na parcial decisiva, contudo, Radwanska conseguiu alongar ralis e impor suas variações com curtinhas, slices e um pouco de tudo. E, entre tantos pontos bonitos, o Gran Willy do vídeo acima foi o ponto alto.

Nove match points

Não é todo dia que alguém perde tantas chances assim de fechar um jogo. A ex-top 20 Yanina Wickmayer teme nove match points contra a tcheca Lucie Safarova no segundo set e não conseguiu converter. Safarova se defendeu de cinco match points no 12º game, com seu serviço, e de mais quatro pontos no tie-break. Quando conseguiu forçar o terceiro set, avançou cheia de moral, enquanto Wickmayer sucumbiu: 3/6, 7/6(7) e 6/1.

O prêmio por tanto esforço? Um duelo com Serena Williams na segunda rodada. Sim, tcheca e americana, que fizeram a final de Roland Garros em 2015, agora vão se encontrar na segunda rodada de um Slam. O favoritismo, claro, é de Serena que tem um histórico de 9 a 0 em confrontos diretos contra a tcheca.


RG, dia 6: Nadal desiste, Muguruza cresce, Kvitova e Safarova dão adeus
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Alexandre Cossenza

Houve muitos lances bonitos e resultados importantes dentro de quadra, mas nada igualou a bomba que Rafael Nadal detonou em Roland Garros quando convocou uma coletiva para anunciar que está abandonando o torneio. O post de hoje avalia as consequências dessa desistência, lembra de resultados importantes na chave feminina, atualiza a corrida pelo número 1 nas duplas e traz a história de Marcel Granollers, o tenista mais sortudo do planeta. Fique por dentro.

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O abandono

A notícia do dia, sem dúvida, foi o anúncio de Rafael Nadal, que convocou uma entrevista coletiva às pressas para revelar que não continuaria no torneio por causa de uma lesão no punho esquerdo (seu forehand). Nadal disse que o problema começou na semana de Madri, nas quartas de final, contra João Sousa. Depois disso, fez exames e tratamento em Barcelona e decidiu jogar em Roma. O incômodo voltou antes mesmo de embarcar para Paris.

O espanhol, que vinha de duas grandes atuações, disse que a condição foi piorando ao longo da semana em Roland Garros e que jogou a partida contra Bagnis após tomar uma infiltração. Segundo o tenista, os médicos disseram que ele não teria condições de fazer mais cinco partidas e, por isso, não havia por que continuar no torneio.

Nadal afirmou que precisará de algumas semanas de imobilização no punho para, depois, tratar a lesão. “Espero uma recuperação rápida e estar pronto para Wimbledon, mas agora não é o momento de falar sobre isso.”

A consequência imediata é que Marcel Granollers (#56), que vem de uma vitória por desistência (Mahut abandonou no terceiro set), ganha um WO e vai às oitavas de final sem jogar. Ele será azarão contra Dominic Thiem ou Alexander Zverev, mas já tem um resultado inimaginável para quem estreou contra Fabio Fognini e enfrentaria o eneacampeão do torneio na terceira rodada.

No que diz respeito às chances de título, a coisa fica bem menos complicada para Novak Djokovic (#1), que provavelmente faria a semifinal contra Rafael Nadal. O contraponto é que o sérvio terá uma dose extra de pressão para finalmente vencer em Paris. De certo modo, será uma sensação parecida com a de Federer em 2009. Naquele ano, após levantar o troféu, o suíço admitiu ter se sentido pressionado depois que Robin Soderling chocou o planeta ao derrotar Rafael Nadal.

O homem mais sortudo do planeta

Em Monte Carlo, Marcel Granollers não passou pelo qualifying, mas herdou a vaga de David Ferrer, que decidiu de última hora não jogar o torneio. A vaga de cabeça de chave permitiu a Granollers entrar já na segunda rodada. Aproveitou a chance, bateu Alexander Zverev, David Goffin e só parou nas quartas de final. Saiu de lá com 196 pontos. Subiu de #67 para #50 no ranking.

Em Madri, aconteceu de novo. Granollers entrou como lucky loser na vaga de Roger Federer. Dessa vez, também estreando na segunda rodada, o espanhol não conseguiu avançar. Parou diante de João Sousa, mas somou 26 pontinhos.

Agora, em Roland Garros, teve todo mérito do mundo ao eliminar Fabio Fognini na estreia, mas ganhou 71 mil euros e 90 pontos de graça só com o abandono de Nadal. Com isso, mesmo que perca o próximo jogo, já ficará perto do 45º posto.

Os favoritos

O dia começou com Garbiñe Muguruza (#4) em mais uma atuação dominante: 6/3 e 6/0 sobre a belga Yanina Wickmayer (#54), que vinha de vitória sobre a cabeça de chave Ekaterina Makarova. Depois do susto na estreia, Muguruza soma apenas cinco games perdidos em dois jogos e ratifica sua posição de séria candidata ao título. Com Svetlana Kuznetsova (#15) pela frente nas oitavas e Begu ou Rogers nas quartas, a espanhola é favoritíssima para chegar ao menos às semifinais.

A outra candidata nessa metade da chave é Simona Halep (#6), vice-campeã em 2014. Nesta sexta, a romena precisou de três sets, mas superou a japonesa Naomi Osaka (#101) por 4/6, 6/2 e 6/3. Halep agora fará um jogo interessante contra Sam Stosur, que, apesar de já ter bons resultados no torneio, não estava tão cotada assim numa chave que tinha Lucie Safarova (falo sobre isso mais adiante).

Na chave masculina, Andy Murray (#2) finalmente fez uma aparição breve na Suzanne Lenglen. Bateu Ivo Karlovic (#28) em três sets: 6/1, 6/4 e 7/6(3), em menos de duas horas. O escocês conseguiu até limitar o número de aces do croata. Foram só 14 – oito deles, no terceiro e mais equilibrado set. Semifinalista em Paris no ano passado, Murray terá outro sacador pela frente nas oitavas, já que John Isner (#17) derrotou Teymuraz Gabashvili (#79) depois de estar uma quebra atrás no quinto set: 7/6(7), 4/6, 2/6, 6/4 e 6/2.

Stan Wawrinka (#4), que fez um dos últimos jogos do dia, teve menos problemas do que nas rodadas anteriores. Aplicou 6/4, 6/3 e 7/5 sobre Jeremy Chardy (#32) e avançou quase sem sustos. Os únicos momentos de (pequena) apreensão vieram no primeiro game, quando o suíço teve o serviço quebrado (mas devolveu em seguida), e no antepenúltimo, quando Chardy evitou que Stan fechasse o jogo com seu saque. O atual campeão, no entanto, voltou a quebrar imediatamente depois.

O sérvio Viktor Troicki (#24) será o próximo oponente de Wawrinka, após fazer 6/4, 6/2 e 6/2 em cima do francês Gilles Simon (#18), que não fez um grande torneio. Depois de suar contra Rogerinho, precisou de cinco sets para bater Guido Pella. Nesta sexta, contra Troicki, esteve atrás desde o game inicial.

O brasileiro

Marcelo Melo voltou à quadra ao lado de Ivan Dodig em busca de um lugar nas oitavas de final da chave de duplas. A parceria, atual campeã de Roland Garros, não teve problemas para bater os franceses Tristan Lamasine e Albano Olivetti por 6/2 e 6/4. Brasileiro e croata agora podem enfrentar a dupla de André Sá e Chris Guccione, que ainda precisam passar por Leo Mayer e João Sousa.

A briga pelo número 1

O resultado mais relevante do dia pela chave de duplas foi a derrota de Jean Julien Rojer e Horia Tecau para Pablo Cuevas e Marcel Granollers: 5/7, 6/4 e 6/3. Com isso, Tecau perde a chance de sair de Roland Garros como número 1 do mundo. Ainda seguem na briga Nicolas Mahut (que está vivo nas duplas apesar de ter abandonado a chave de simples), Jamie Murray, Bob Bryan e o próprio Marcelo Melo, atual líder do ranking e campeão do torneio parisiense.

Correndo por fora

Agnieszka Radwanska (#2), que nunca passou das quartas de final em Roland Garros, superou um obstáculo um tanto traiçoeiro nesta sexta. Bateu Barbora Strycova (#33) por 6/2, 6/7(6) e 6/2. Foi uma partida divertida de ver (pelo menos nos momentos que consegui acompanhar), com muita variação, e que a vice-líder do ranking conduziu muito bem no set decisivo.

Classificada para as oitavas para enfrentar Tsvetana Pironkova (#102), será que Radwanska já pode ser considerada uma forte candidata ao título? Talvez ainda seja cedo, mas a polonesa certamente será favorita contra a búlgara. Quem sabe nas quartas de final, contra Simona Halep, tenhamos uma ideia melhor?

Na chave masculina, Milos Raonic (#9) passou fácil pelo eslovaco Andrej Martin (#133): 7/6(4), 6/2 e 6/3. Foram mais de 2h40min de partida, mas só porque a primeira parcial durou 1h13min, com três games bastante longos. Abençoado pelo sorteio e pelos resultados, o canadense, que poderia estar enfrentando Marin Cilic ou Jack Sock nas oitavas, vai pegar o espanhol Albert Ramos Viñolas (#55), que surpreendeu Sock (#25) em cinco sets nesta sexta: 6/7(2), 6/4, 6/4, 4/6 e 6/4. Se tudo correr como previsto, Raonic e Wawrinka se encontrarão nas quartas.

O jogo mais esperado – pelo menos para mim – do dia era Richard Gasquet (#12) x Nick Kyrgios (#19), e parece justo dizer que a partida correspondeu às expectativas. Não só no resultado, com vitória do francês por 6/2, 7/6(7) e 6/2, mas pelo nível do tênis apresentado. Daria para encher um longo vídeo de melhores momentos só com pontos bonitos. Kyrgios venceu vários deles, mas, como quase sempre, não conseguiu manter um nível alto contra um rival consistente.

Para Kei Nishikori, houve drama. Tudo corria bem para o #6 do mundo até que Fernando Verdasco (#52), depois de perder os dois primeiros sets, iniciou uma reação fulminante. No começo do quinto set, era o espanhol que parecia mais próximo da vitória. No entanto, Nishikori conseguiu quebras no primeiro e no terceiro games e manteve a dianteira, avançando por 6/3, 6/4, 3/6, 2/6 e 6/4.

Cabeças que rolaram

Principal cabeça de chave na seção que já tinha visto Roberta Vinci e Karolina Pliskova ficarem pelo caminho, Petra Kvitova (#12) foi a vítima do dia, com um placar estranhíssimo: 6/0, 6/7(3) e 6/0 para a americana Shelby Rogers (#108), a mesma que bateu Pliskova na primeira rodada.

A americana avança para sua primeira aparição as quartas de final de um Slam, enquanto Kvitova segue em uma temporada problemática. Desde que se separou do técnico de longa data David Kotyza, em janeiro, a bicampeã de Wimbledon não conseguiu uma sequência digna de seu talento.

Quem se deu bem – pelo menos no papel – foi Irina-Camelia Begu (#28), cabeça 25 do torneio, que bateu Annika Beck (#39) por 6/4, 2/6 e 6/1 e será favorita contra Rogers na disputa por um lugar nas quartas de final.

Outra cabeça eliminada foi Lucie Safarova (#13), atual vice-campeã de Roland Garros. A tcheca foi eliminada em uma partida equilibrada e nervosa contra Sam Stosur (#24), vice-campeã em 2010: 6/3, 6/7(0) e 7/5. Uma surpresa mais pelos resultados recentes da australiana e pelo histórico de confrontos diretos (Safarova liderava por 11 a 3) do que pelo currículo de Stosur.

Não seria nada espantoso se Stosur desmoronasse depois do péssimo tie-break que jogou na segunda parcial. Em vez disso, a australiana começou o set decisivo com uma quebra e, mesmo quando perdeu a vantagem, manteve a cabeça no lugar. Quem implodiu foi Safarova, que fez um 12º game muito ruim e cedendo a quebra que colocou a adversária nas oitavas.

Os melhores lances

Você não vai ver muitos pontos melhores do que esse até o fim do torneio. Radwanska e Strycova, espetaculares.

Nick Kyrgios de despediu nesta sexta, mas deixou essa lembrança:

O australiano também ganhou esse pontaço abaixo.


Entrevista: diretor explica os porquês do ‘novo’ Brasil Open
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Alexandre Cossenza

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Um torneio de cara nova, em data diferente, com capacidade para menos público e com uma chave modesta. É assim que o Brasil Open faz sua estreia no Esporte Clube Pinheiros, uma sede que deu ao evento mais “cara” de torneio. A missão no (meu) primeiro dia aqui em São Paulo era conversar com o diretor, Roberto Marcher, e entender alguns dos porquês das mudanças. Por que o novo local? Por que não participar das negociações conjuntas para trazer nomes de mais peso? O quanto a alta do dólar pesou? Qual o tamanho do prejuízo da mudança de data imposta pela ATP?

Marcher conversou comigo e com o jornalista Matheus Martins Fontes (por opção editorial, incluí neste post apenas as minhas perguntas) e explicou tudo. Falou muito mais do que o necessário, é bom que se diga – o que é ótimo. Com 70 anos e algumas décadas de experiência na organização de torneios, o diretor do Brasil Open lembrou o quanto o Rio sofreu um baque de público este ano e afirmou que Tsonga “parecia um elefante caminhando” no torneio carioca. A sinceridade foi tanta que Marcher disse até que o wild card para Benoit Paire em São Paulo é um risco porque “ele não bate bem da cabeça”. Confira as partes mais importantes:

O que pesou mais na decisão de deixar o Ibirapuera e vir para o Pinheiros?

São vários fatores, mas o principal é que a gente não acredita ainda – não temos tradição no tênis, né? Imagina se isso tivesse acontecido com Buenos Aires, que é o segundo torneio de terra com mais charme e appeal? Com a tradição argentina, se os caras tiram do Buenos Aires Lawn Tennis Club e levam para outro, sei lá, o Estudiantes? Ali havia uma tradição. Nós, no Brasil, ainda não temos um estádio, um local que tenha tradição. (…) O Ibirapuera foi um sucesso. Começamos em 2011, tivemos casa cheia duas vezes, com problemas ou não, mas isso não vem ao caso aqui, estamos falando de outra coisa. Lotamos o Ibirapuera e depois vimos as coisas baixando. Aí começaram a aparecer problemas… Com agente, o dinheiro começou a… o dólar já… Não dá! Esse torneio aqui foi feito sem nenhuma garantia. Hoje, eu estava com nosso cabeça de chave número 1, Benoit Paire, muito simpático… Não recebeu um centavo. Nada. Cuevas? Não tem, não tem, não tem. Chegou uma hora que a gente disse: “Vamos, em primeiro lugar, tratar dos jogadores.” Eles não gostam de jogar em um lugar que não tenha tradição de tênis. Que seja um clube…. Eles detestam quando a quadra é feita em cima da hora. No Ibirapuera ou no próprio Rio de Janeiro, que as quadras do Jockey eram horríveis e eles deram uma acertada… “Vamos usar o Pinheiros, tem 70 anos, quadra sólida, os jogadores vibram com a atmosfera do clube, que é lindo, etc.” Muito por causa dos jogadores, que se sentiam muito melhor aqui. O Ibirapuera era legal para deixar a casa cheia e etc., mas não tinha charme, não tinha nada. O sujeito ia fora, ia aonde? Num food truck? Não, ele ficava lá por dentro. (…) Então foi principalmente (por causa) dos jogadores, como eles se sentem, aqui foi bem mais em con… (interrompendo) Bem mais, não, mas melhorou tudo. Mudou do conceito de um torneio indoor. Nosso grande inimigo é a chuva, mas que é muito melhor, todo mundo elogiando. Perdemos um pouco a arquibancada – ano que vem vamos aumentar – porque o plano era abrir aquelas duas quadras, quebrar no meio, fazer uma só, aí daria para fazer uma arquibancada enorme, mas a ATP falou que ficaria muito em cima da hora. (…) Claro que os custos caíram, enxugamos muito devido a… acho que qualquer um que lê jornal sabe da crise que atravessa o Brasil. Você me pede hoje, eu te paguei 200 para jogar, como garantia. Aí você me pede a mesma coisa em dólar, torna-se quatro vezes mais caro. Não tem condições. Vamos reduzir um pouco, fazer essa experiência aqui, ver como funciona. Estamos aprendendo com o Pinheiros. Acho que neste momento a gente está surfando a onda da crise.

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Sobre a questão da data, houve a inversão com Buenos Aires, que acabou ficando com uma chave fortíssima…

(interrompendo) Ali tem a data e… não sei de onde eles conseguem dinheiro. O Tsonga, por exemplo, queria fazer uma “tripartida” com Rio, Buenos Aires e nós. Caímos fora. Aí eles pegam grana não sei daonde. Eles têm Claro, governo… Ele fala: “Olha, querido, preciso de tanto para o Tsonga. Ok.” O Nadal tinha um acerto com eles para terminar, aí acabou o Nadal, né? O Ferrer foi lá, gastaram uma grana também. E pagaram pouco para o Isner, não tanto. Ele quase veio aqui, mas “quero tanto”, “te dou tanto”, mexe pra lá, mexe pra cá, graças a Deus. Eles pegaram o Tsonga, que literalmente não quer nada com a bola. Já em Buenos Aires foi ridículo. E tomou uma primeira rodada no Rio de Janeiro. De um jogador que acho que vai ser o próximo grande jogador do Brasil, o Thiago (Monteiro). Mas o Tsonga estava um desastre, parecia um elefante caminhando na quadra. Queria nada com a bola. Isolando direita, chegou uma hora que se ele encheu o saco… Enfim, os caras pagaram um puta granapara esses dois aí e jogaram dinheiro fora. O Isner tomou duas primeiras rodadas. Se esforçou. Tudo 7/6 no terceiro, mas já de cara tomaram uma bela duma porrada. Eu falei para o meu CEO: “Vamos jogar com o que a gente tem aqui.”

Esse custo-benefício não compensaria nem com o que vocês teriam vendido a mais de ingresso?

Não. Nós estamos com uma quadra menor, mas nem no Ibirapuera. A gente não vende antecipado, entende? Não faz essa sacanagem de chegar para o trouxa que comprou e se o Nadal perdeu, problema é teu, né? Mas mesmo assim sofreram bem um baque no público e tudo. Nadal, acho que está quase no fim e, enfim, o Rio tomou um baque. Para nós, não. Estamos sold-out. Nossa quadra aqui está perfeita. É pouquinho? É pouquinho. E também com o dólar a R$ 4, para nós, não compensa.

O que atrapalhou mais? A data ou o dólar? Se é que dá para fazer essa distinção…

Dá: o dólar. E os dois atrapalharam.

Com o dólar, suponhamos, a R$ 2, daria para trazer mais gente de peso mesmo com essa data?

Sim. A data é ruim porque somos o único torneio da ATP que compete com dois ATPs 500. Não existe no calendário da ATP. Nenhum torneio – isso é uma sacanagem – compete contra dois… E tem outro detalhe. Se o cara for top, eles terminam aqui, e o técnico já convoca para treinar (para a Copa Davis). O Benoit, apesar de ser um craque, não vai. Fora da quadra, ele é uma moça. Muito legal! E é namorado de uma popstar, que enche estádio na França (Shy’m), e nem se importa. Ele disse “Eu tô a fim de jogar aí. Você me dá wild card?” Eu digo “Você não quer nada? Vinte e um do mundo? Tá dado o wild card.” Os caras todos cobrando uma fortuna, gente que… Sabe? Não dá para acreditar que o Verdasco me peça dinheiro. Você tá me gozando? Não tem dinheiro. Wild card, não te dou. Se você não se inscreveu, não quero ver você aqui. Esse aí (Paire) eu quero. Tomando um risco… Ele não bate bem da cabeça. Dentro da quadra, pode acontecer qualquer coisa. É um Fognini piorado. Você não sabe o que pode acontecer. Mas de qualquer forma, a gente pegou e não pagou nada. Mas a data foi péssima, mas quem escolhe… Tudo é política e dinheiro. Eu sei que os caras (ATP) olharam o Brasil em crise, os caras (argentinos) forçaram, e a data foi para eles. Posso fazer o quê?

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E o que o torneio pode fazer? Existe possibilidade de brigar para mudar outra vez de data?

No outro ano, não dá mais. Só para o outro.

Para 2018?

Sim.

Mas a ideia…

(interrompendo) A ideia… Essa data é péssima, cara! Os caras já querem ir embora, compete contra Acapulco… Está tudo sendo estudado. Nunca se sabe o que vai acontecer. De repente, a Argentina dá um treco. É uma luta… Não vou dizer que não seja de igual para igual. É. Argentina e Brasil é uma guerra em tudo…

Chance zero de pleitear, de repente, a data de Quito?

Não, não é chance zero, mas também é outra data de merda…

Porque é colada na Austrália…

Quito foi um horror o torneio. Esses torneios que dependem do governo ficam muito problemáticos. Para você ter o patrocinador, o patrocinador no ano que vem não quer mais o Tsonga. Agora ele vai querer o Djokovic.

Última coisa… O contrato com o Pinheiros é só para este ano?

Não, não é não. É para o ano que vem e depois tem opção de renovação. É um contrato bem feito.


AO, dia 2: Sete anos depois, o “mesmo” Verdasco e outro Nadal
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Alexandre Cossenza

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A semifinal de 2009 foi dos jogos mais memoráveis do Australian Open. Foram 5h14min de lances espetaculares e um equilíbrio de tirar o fôlego. Rafael Nadal, vencedor naquele dia, era o número 1 do mundo. Fernando Verdasco, o 15º. Seria injusto esperar o mesmo nível de tênis sete anos depois, com um Nadal longe daquele nível e seu compatriota em 45º lugar no ranking.

Verdasco, imagino, discorda da afirmação acima. O veterano de 32 anos disparou 90 winners (!!!) em 4h41min, destruindo Nadal e vencendo seis games seguidos no quinto set para fechar o jogo em 7/6(6), 4/6, 3/6, 7/6(4) e 6/2. Uma atuação irregular, bem ao estilo Verdasco (com 91 erros não forçados), mas espetacular no momento crucial – algo que vai de encontro à sua fama de vacilar em pontos “grandes”.

A vitória de Verdasco parecia improvável desde o fim do terceiro set. Na quarta parcial, o azarão foi quebrado quando sacou para fechar e ainda precisou sair de um 5/6 e 0/30para forçar o tie-break e, em seguida, o quinto set. Na parcial decisiva, Nadal novamente teve vantagem. Abriu 2/0 e teve um break point para fazer 3/0. Errou a devolução de saque e viu Verdasco renascer.

Arriscando – e acertando – nas devoluções, Verdasco demoliu o saque de Nadal, que já não conseguia mandar em ponto algum. Ao fim do confronto, enquanto o ex-número 1 rumava para perder seis games em sequência, o duelo parecia uma versão bizarra de Verdasco/2009 contra Nadal/2016. Um em grande momento; o outro, vacilante e não mais indestrutível.

Sim, Nadal executou golpes espetaculares em diversos momentos do jogo. Fez 37 winners, o que nem é tão pouco considerando o nível de risco que seu adversário aceitou assumir a partida inteira. Só que não foi uma atuação espetacular. Longe disso. Se não foi inconsistente, faltaram saque e a velha capacidade de fechar as portas para reações dos seus adversários. O Nadal de hoje, que se diz bem melhor do que no ano passado, ainda se parece mais com Nadal/2015 do que com Nadal/2009, e o circuito inteiro sabe disso. Esse “retorno” fica mais difícil a cada dia.

A última vitória

O segundo dia do Australian Open, porém, não foi só de Verdasco. Favoritos venceram, cabeças rolaram, muitos aces foram disparados e Bellucci venceu. Também houve desistências, inclusive com um tenista sendo retirado da quadra em uma maca. Mas comecemos por um dos momentos mais emocionantes do dia…

Lleyton Hewitt, fazendo o último torneio da carreira, entrou na sessão noturna da Rod Laver Arena com o país quase inteiro em reverência, apesar de o rival da estreia ser o compatriota James Duckworth. Pois Rusty foi lá e venceu em três sets, com parciais de 7/6(5), 6/2 e 6/4. Sua comemoração foi possivelmente o momento mais emocionante da terça-feira.

É bem provável que tenha sido a última vitória da carreira de Hewitt. O ex-número 1 do mundo, hoje com 34 anos, enfrentará David Ferrer na sequência. É grande a chance de que a última partida de Hewitt aconteça na quinta-feira.

Os favoritos

Atual vice-campeão do torneio, Andy Murray entrou em quadra para uma estreia perigosa contra Alexander Zverev, mas logo cedo ficou claro que a maré não estava a favor do jovem alemão de 18 anos, #83. Já no segundo game, o adolescente teve um sangramento no nariz e recebeu atendimento médico, o que atrasou o jogo por quase uns dez minutos.

Quando o jogo recomeçou, Murray ditou o jogo, fez belíssimas jogadas e não deu muitas chances a Zverev. Ao todo, foi uma ótima atuação do número 2 do mundo, deixando poucas dúvidas de que o escocês chegou em forma a Melbourne.

Outros nomes de peso que venceram neste segundo dia de evento na chave masculina foram Stan Wawrinka (seu adversário, Dmitry Tursunov, abandonou após dois sets) e Milos Raonic (atropelou Lucas Pouille), David Ferrer e John Isner.

Entre as mulheres, Victoria Azarenka foi quem mais impressionou. Escalada para o último jogo da Rod Laver Arena, entrou afiadíssima e não vacilou nem por um momento. Aplicou uma bicicleta (6/0 e 6/0) na belga Alison Van Uytvanck e deu uma primeira amostra em Melbourne de que é mesmo uma séria candidata.

O mesmo vale para a espanhola Garbiñe Muguruza, que fez o dever de cassa e passou fácil por Anna Kontaveit (6/0 e 6/4). Enquanto isso – acreditem – Ana Ivanovic voltou a vencer. A sérvia, beneficiada com um sorteio que lhe colocou diante de Tammi Paterson, convidada da organização e #459 do mundo, triunfou por 6/2 e 6/3. E antes que você pergunte “mas hoje não jogavam Halep, Kerber e Venus?”, já sugiro que o leitor role a página porque elas se encaixam em outros tópicos deste resumaço.

Cabeças que rolaram

Das dez primeiras tenistas do ranking, apenas duas não sofreram com problemas físicos antes do Australian Open. Venus Williams foi uma delas. Talvez não sirva de consolo, já que a americana, atual #10, foi eliminada logo na primeira rodada em Melbourne. Sua algoz foi a britânica Johanna Konta (#47), que fez 6/4 e 6/2. Andy Murray aplaudiu virtualmente.

Após terminar o ano no top 10 – como bem lembrou o Mário Sérgio Cruz – Venus ainda não venceu em 2016. Em Auckland, seu primeiro torneio, foi derrotada pela russa Daria Kasatkina.

O “buraco” deixado por Venus na chave deixa a vida mais fácil no quadrante que era de Simona Halep. “Era” de Halep porque a número 2 do mundo também tombou no fim do dia. Carregando uma lesão no tendão de aquiles e vindo de uma semi em Sydney, a romena foi praticamente dominada pela qualifier chinesa Shuai Zhang, atual #133 do mundo, logo no início.

Halep até começou melhor a segunda parcial, com uma quebra de vantagem, mas perdeu os últimos cinco games e deu adeus ao torneio: 6/4 e 6/3. Enquanto isso, Zhang, 26 anos, revelou que por pouco não se aposentou e que viajou para a Austrália pensando que seria sua última vez no torneio.

Sem Venus e Halep no quadrante, as cabeças de chave restante nesse quadrante são Karolina Pliskova, Makarova, Ivanovic e Lisicki. É bem possível que uma delas alcance a semifinal em Melbourne. Ah, sim: vale registrar que a lista de cabeças eliminadas neste segundo dia de torneio também inclui Irina Camelia Begu (cabeça 29), Caroline Garcia (32) e Lesia Tsurenko (31).

Na chave masculina, a derrota mais significativa – depois de Nadal, claro – foi a do sul-africano Kevin Anderson, #12. Com problemas no joelho, o sul-africano perdia para o americano Rajeev Ram por 7/6(4), 6/7(4), 6/3 e 3/0 quando desistiu da partida. O resultado beneficia diretamente Gael Monfils, que enfrentaria Anderson na terceira rodada. Aliás, se o favoritismo prevalecesse, o vencedor de Anderson/Monfils enfrentaria Nadal nas quartas.

Outra cabeça que rolou foi a de Fabio Fognini, em uma partida tensa de quatro tie-breaks que testou os nervos do italiano. O luxemburguês Gilles Muller, dono de um saque invejável e de 34 aces no duelo, fez 7/6(6), 7/6(7), 6/7(5) e 7/6(1). Fognini fez um pouco de tudo: perdeu set points nas duas primeiras parciais, atirou raquetes, foi punido e esbravejou com árbitros.

Os sustos

A chave feminina por pouco não perdeu uma candidata ao título – ainda que seja uma das que correm por fora. Angelique Kerber encontrou sérios problemas com a agressividade de Misaki Doi, que topou correr riscos e, com os golpes calibrados, colocou a alemã para correr durante boa parte dos dois primeiros sets. Venceu o primeiro set depois de estar perdendo por 3/0 (duas quebras) e teve até um match point no tie-break da segunda parcial.

A chance foi breve. Doi devolveu para fora um saque de Kerber (que nem foi tão forçado ou colocado assim) e, depois, viu a alemã vencer mais dois pontos em sequência para forçar o terceiro set. No fim, Kerber, mais consistente, triunfou por 6/7(4), 7/6(6) e 6/3 em 2h45min. A número 6 do mundo agora enfrentará a romena Alexandra Dulgheru na segunda rodada.

Não, Andy Murray não esteve perto da eliminação, mas tomou esse sustinho aí quando a bola não estava em jogo.

O (outro) jogo boyhoodiano

Foram cinco sets, sete match points e 4h43min, até que Jeremy Chardy eliminou Ernests Gulbis por 7/5, 2/6, 6/7(5), 6/3 e 13/11. O resultado é especialmente amargo para o letão, não só pela derrota mas pela repetição do cenário. Ano passado, também na primeira rodada, Gulbis foi eliminado pelo australiano Thanasi Kokkinakis, que fechou em 8/6 no quinto set. Na ocasião, o letão teve quatro match points e não conseguiu converter.

O canhão

Atenção para os números da estreia de John Isner, que despachou o polonês Jerzy Janowicz em três sets: 37 aces, 78% de aproveitamento de primeiro serviço, 91% dos pontos vencidos com o primeiro saque e 72% com o segundo.

O brasileiro

Thomaz Bellucci fez o que se esperava – e fez bem feito. Diante do desconhecido convidado Jordan Thompson (#143), o brasileiro foi consistente e esteve sempre à frente no placar. No fim, fechou por 6/2, 6/3 e 6/2 e avançou à segunda rodada.

Caso volte a vencer, Bellucci alcançará o melhor resultado de sua carreira no Australian Open. Seu próximo oponente será o americano Steve Johnson, #32 e cabeça de chave 31 do torneio. Na estreia, Johnson derrotou o britânico Aljaz Bedene por 6/3, 6/4 e 7/6(3).

Os melhores lances

Foi o momento que selou o segundo set e, no fim das contas, acabou não sendo tão decisivo quanto pareceu na hora. Mesmo assim, este ponto vencido por Rafael Nadal merece ser visto e revisto.

A desistência

O abandono doído – literalmente – deste segundo dia do torneio ficou por conta de Diego Schwartzman, que chegou a ter dois sets de frente sobre o australiano John Millman. O argentino teve cãibras no calor e precisou ser retirado da quadra de maca. Millman herdou a vitória quando o placar mostrava 3/6, 5/7, 7/6(2) e 5/0.

O melhor do dia 3

Dois jogos se destacam na programação de quarta-feira em Melbourne. Primeiro, fechando a sessão diurna da Rod Laver Arena, Roger Federer encara Alexandr Dolgpolov. Em seguida, na abertura da sessão noturna, Agnieszka Radwanska enfrenta Eugenie Bouchard. A rodada ainda tem jogos de Maria Sharapova, Serena Williams, Novak Djokovic, Kei Nishikori e Petra Kvitova, entre outros.

Nas duplas, Marcelo Melo e Ivan Dodig fazem sua estreia. Eles jogam contra Aljaz Bedene e Dustin Brown na Quadra 5. Na Quadra 10, Bellucci e Demoliner enfrentam Santiago González e Julian Knowle. Veja a programação completa aqui.


O melhor do Australian Open
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Alexandre Cossenza

Nesta semana, a ESPN mostra uma série de compactos de grandes jogos que marcaram o Australian Open. O primeiro deles foi ar ar nesta segunda-feira: a semifinal de 2000 entre Andre Agassi e Pete Sampras. É o jogão do vídeo abaixo. Se você não conseguiu ver no canal, pode rever aqui, na íntegra:

A intenção deste post, contudo, não era só “embedar” o vídeo. A programação para o resto da semana é a seguinte, respeitando o horário de Brasília:

Terça, 17h: Agassi x Rafter – semifinal de 2001
Quarta, 17h: Safin x Federer – semifinal de 2005
Quinta, 20h: Nadal x Verdasco – semifinal de 2009
Sexta, 17h: Nadal x Federer – final de 2009

Se você não viu algum destes jogos, não perca essa enorme oportunidade. Como sempre digo, o Safin x Federer de 2005 é uma das partidas de mais alto nível do início ao fim. Os dois jogaram um tênis obsceno, e o russo precisou salvar set point em um ponto espetacular antes de chegar à vitória (este jogo é o número 2 na minha lista de “melhores jogos que eu vi”).

Antes de terminar o post, fica aqui o parabéns à ESPN pela iniciativa. O canal vem mostrando recentemente que transmitir um grande evento não se resume a comprar os direitos e exibir partidas. É preciso criar o clima, mostrar os torneios que antecedem e não deixar o espectador esquecer dos porquês de tal evento ser fantástico. Tudo isto a ESPN vem fazendo com competência.


Lágrimas em dobro
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Alexandre Cossenza

Quem não se empolga ou se emociona com um belo jogo de duplas só pode ter um coração um tanto amargo. Este post, no entanto, é para quem sabe apreciar a modalidade. Nesta segunda-feira, David Marrero e Fernando Verdasco conquistaram o título do ATP Finals graças a uma atuação brilhante contra Bob e Mike Bryan: 7/5, 6/7(3) e 10/7.

Até aí, tudo bem. O bacana mesmo veio na cerimônia de premiação, quando Marrero não conseguiu segurar as lágrimas e precisou da ajuda do parceiro. Verdasco tomou o microfone e explicou que o avô de Marrero morreu há exatos dois anos, por isto a vitória seria dedicada a ele. Veja no vídeo!


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