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AO, dia 9: americanas e suíços sem drama nas semifinais
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Alexandre Cossenza

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Não foram as quartas de final mais emocionantes que um torneio – ainda mais um do Grand Slam – poderia ter. Quatro jogos, quatro vitórias em sets diretos. Duas americanas e dois suíços avançaram e vão se enfrentar na quinta-feira. O resumaço do dia traz um breve relato de cada um desses encontros mais a carta de uma boleira a Jo-Wilfried Tsonga e a lista de indicados ao Hall da Fama, que terá Kim Clijsters e Andy Roddick eternizados em 2017.

As americanas

A primeira semifinal feminina do Australian Open será entre duas americanas: Venus Williams e Coco Vandeweghe. No primeiro jogo do dia, a veterana de 36 anos bateu Anastasia Pavlyuchenkova por 6/4 e 7/6(3) numa partida com quase nenhuma variação tática. Venus ganhou nos detalhes – atacou melhor nos momentos mais delicados. É sua primeira semifinal em Melbourne desde 2003, quando foi vice-campeã, perdendo para Serena na decisão. Venus agora é a semifinalista mais velha do Australian Open na Era Aberta (a partir de 1968).

Vandeweghe entrou em quadra na sequência e passou por cima de Garbiñe Muguruza: 6/4 e 6/0. O primeiro set nem foi tão parelho quanto o placar sugere. A americana perdeu várias chances de quebra até que a espanhola, com o segundo serviço pressionado o tempo inteiro, cometeu uma dupla falta e perdeu o saque. Cheia de confiança, Coco (ou Hot Coco, para alguns americanos) soltou ainda mais o braço na segunda parcial. Enquanto isso, Muguruza não mostrou poder de reação nem tentou alguma variação tática. Seguiu tentando bater forte na bola – sem sucesso.

Os suíços

O primeiro jogo das quartas de final masculinas fechou a sessão diurna da Rod Laver Arena com Stan Wawrinka vencendo de maneira surpreendentemente fácil: 7/6(2), 6/4 e 6/3. Jo-Wilfried Tsonga, em uma tarde pouco inspirada, só conseguiu manter o saque na primeira parcial. No segundo set, até conseguiu quebrar na frente, mas Wawrinka respondeu rápido e virou a parcial. O francês não encontrou uma maneira de emparelhar as ações e sucumbiu rápido. Pelo lado do #1 da Suíça, o maior mérito foi brilhar sempre que necessário, fosse salvando break points ou tomando controle rápido do tie-break.

Na sessão noturna, a carruagem de Mischa Zverev, o azarão que derrubou Andy Murray nas oitavas, virou abóbora rapidinho. Roger Federer não se incomodou nadinha com o saque do alemão e venceu o primeiro set em 19 minutos. Mischa até que teve seu momento quando quebrou o oponente no segundo set, mas mal deu emoção ao jogo, já que Federer devolveu logo em seguida. Nada mudou o plano de Zverev de fazer saque-e-voleio o tempo inteiro. Logo, nada mudou no andamento do jogo. No fim, o favorito fez 6/1, 7/5 e 6/2 em 1h32min.

A carta de agradecimento

Ano passado, durante seu jogo de segunda rodada, Tsonga ajudou uma boleira que não passava bem. O francês levou a menina para fora de quadra para que ela fosse atendida (lembre no tweet abaixo):

Pois este ano, antes de enfrentar Wawrinka, Tsonga recebeu uma carta de Giuliana, a boleira. Ela pede desculpas por não ter sido uma boleira tão eficiente, mas explica que havia contraído um vírus que afetava sua visão e sua audição. Ela também agradece pelo gesto de carinho do tenista e desejou boa sorte a Tsonga no resto do torneio. A carta inteira está no link do tweet abaixo.

No Hall da Fama

O Hall da Fama Internacional do Tênis anunciou nesta terça-feira a sua turma de 2017: Kim Clijsters, Andy Roddick, Monique Kalkman-van den Bosch, Steve Flink e Vic Braden. A lista foi revelada em uma cerimônia na Rod Laver Arena, em Melbourne, com a presença do americano, ex-número 1 do mundo, e do “dono” da casa, Rod Laver – além de outros integrantes do Hall.

No Twitter, Roger Federer prestou sua homenagem a Roddick, com quem compartilhou tantas partidas importantes e de quem tirou o número 1 do mundo no início de 2004. “Um chefe, uma lenda, um pai, um marido”, escreveu o suíço, dando os parabéns e se dizendo muito feliz pelo americano.

E talvez tenha passado sem que muitas pessoas notassem, mas Federer podia ter escolhido publicar uma foto dos dois juntos, mas a maioria delas teria o suíço como vencedor. Não seria humilde. Em vez disso, postou imagens neutras. Bacana.

Os brasileiros

Nenhum brasileiro jogou hoje, mas como não fiz resumaço ontem, fica aqui o registro. Marcelo Melo e Lukasz Kubot foram eliminador por Ivan Dodig e Marcel Granollers: 7/6(5) e 7/6(5). Sim, o ex-parceiro de Marcelo levou a melhor e avançou. E não dá para deixar de comentar o “climão” entre brasileiro e croata, que mal se olharam – inclusive durante o aperto de mãos ao fim do jogo.

Como escrevi em um post anterior, o fim da parceria não foi exatamente amistoso. Já ficou claro durante o ATP Finals do ano passado, quando mal havia diálogo. Depois, houve os unfollows nas redes sociais. E Dodig e Granollers, aliás, foram eliminados pelos irmãos Bryan nesta terça-feira.

A participação brasileira acabou quando Marcelo Demoliner e o neozelandês Marcus Daniell foram derrotador por Sam Groth e Chris Guccione: 7/6(9) e 6/3. Bruno Soares desistiu das duplas mistas por conta de dores nas costas.


AO, dia 7: os tombos dos líderes e a comovente história de Mischa Zverev
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Alexandre Cossenza

É bem verdade que o domingo australiano começou devagar, com jogos sem empolgar, mas o resto do dia foi dos melhores. A começar pelo fim de tarde, quando Mischa Zverev fez uma apresentação gloriosa na Rod Laver Arena (RLA) para chocar o planeta e derrubar o número 1 do mundo, Andy Murray. Depois foi a vez de Roger Federer apagar um péssimo começo de jogo e duelar com Kei Nishikori por cinco sets. Por fim, quase entrando pela madrugada, a número 1 do mundo no circuito feminino também tombou – cortesia de Coco Vandeweghe.

O resumaço de hoje traz a história desses três jogos e um relato da fantástica volta de Mischa Zverev, que quase largou o circuito mundial para virar técnico, mas voltou inspirado pelo talentoso irmão dez anos mais novo.

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A zebra

De um lado, Andy Murray, o número 1 do mundo, vice-campeão cinco vezes no Australian Open, vindo de 30 vitórias nos últimos 31 jogos, com a única derrota vindo diante de Novak Djokovic, o vice-líder do ranking. Do outro, Mischa Zverev, 29 anos, 50º no ranking, em sua primeira aparição nas oitavas de final em um Slam, irmão dez anos mais velho de Alexander, o mesmo que foi eliminado por Rafael Nadal na RLA um dia antes.

E é preciso mais contexto. O último jogo da sessão diurna deste domingo em Melbourne tinha um dos melhores devolvedores de saque do circuito – um pesadelo para sacadores – contra alguém que tenta manter vivo o estilo do saque-e-voleio, subindo à rede o tempo todo. Parecia quase impossível a missão de Mischa diante de um dos melhores passadores do tênis moderno.

O jogo começou, Andy Murray abriu 3/1, chegou a 5/4 e parecia tudo sob controle. Pois o número 1 perdeu o saque duas vezes seguidas, e Mischa fez 7/5. A segunda parcial teve mais drama, mas o britânico fez 7/5, quebrando Zverev pela terceira vez no set no 12º game. Era claramente uma atuação abaixo da média para Murray, que já tinha sido quebrado cinco vezes em dois sets. Ainda assim, ao fim do segundo set ficava a impressão que a primeira parcial havia sido um acidente e que o favorito tomaria o controle da situação logo, logo.

Só que Mischa continuava sacando, subindo e voleando. E fazendo tudo isso bem, com muito mais sucesso do que o esperado – e com mais sucesso do que no começo do jogo. No terceiro set, encaixou 74% dos primeiros serviços. Fez 6/2. E aí virou drama. Mais ainda quando o #1 perdeu o serviço no primeiro game do quarto set. Mischa, por sua vez, continuava sacando e voleando e acertando a maioria.

Murray, sejamos justos, fez winners de todo tipo. Terminou a partida com 71 deles e apenas 28 erros não forçados. Hoje em dia, não se vê ninguém perdendo com esses números, mas está aí o brilho do saque-e-voleio. Ao subir à rede, Zverev força erros dos adversários – e isso não entra nos números (não no Australian Open, pelo menos). E saque após saque, voleio após voleio, Mischa foi se aproximando da zebra.

No décimo game, com 5/4 no placar, o alemão foi um tanto exigido por Murray. Não mudou a tática, não piscou, não patinou, não engasgou. Fez voleios dificílimos, sacou bem e fechou: 7/5, 5/7, 6/2 e 6/4. “Simples” assim. Sem tremer. E sem conseguir explicar.

A linda história

A arrancada de Mischa aos 29 anos é só a parte mais recente de uma história que só pode ter final feliz. O Zverev mais velho foi top 50 em 2009, mas sofreu com uma série de lesões. Teve uma fratura em um punho, duas costelas fraturadas, uma hérnia de disco e uma ruptura pequena na patela. Saiu do top 100 em 2011. Depois, saiu do top 200 e até do “top” 1000. Caiu para o 1067º lugar.

Mischa quase não voltou a competir quando teve todas essas lesões. Começou a viajar como treinador de dois adolescentes, mas foi aí que sentiu falta dos torneios, da tensão dos jogos. Voltou aos poucos e e sempre disse que o irmão, Alexander, teve muito a ver com isso.

“Meu irmão foi um grande fator porque sempre me empurrou e me fez trabalhar duro de novo para tentar fazer o melhor possível. Ele vem tendo bons resultados nos últimos anos, e eu não quis ficar muito atrás dele. Acho que nos ajudamos porque treinamos muito juntos e tentamos nos desafiar e cada um fazer o outro melhorar. Acho que ainda posso jogar bem e fazer algum estrago aqui e ali”, disse ao site da ATP em outubro do ano passado, quando voltou ao top 100.

O próximo adversário

Ainda na quadra, Mischa falou sobre a possibilidade de enfrentar Federer nas quartas de final e disse que seria um sonho porque o suíço é seu tenista preferido. Bom, o pedido do alemão foi atendido. Depois de um começo preocupante, perdendo os quatro primeiros games, Federer encontrou seu saque, equilibrou os ralis e tomou o controle do jogo.

Nishikori, por sua vez, evitou um desastre ao vencer o tie-break do primeiro set, mas passou a sacar mal, foi afobado em subidas à rede e até perdeu o controle dos ralis – onde mais levou vantagem no início. Desistiu mentalmente no meio do terceiro set, foi ao banheiro ao fim da parcial e parecia batido no jogo quando teve de encarar break points no quarto game do quarto set.

O japonês se salvou e contou com a sorte. Federer jogou um péssimo quinto game, com subidas à rede precipitadas e um smash fácil errado. Pagou caro e precisou ir a um quinto set que nem deveria ter jogado. Se serve de consolo, o suíço não teve tanto trabalho na parcial decisiva. Nishikori se quebrou no segundo game e pediu atendimento no quadril pouco depois. Federer, finalmente, aproveitou a ladeira abaixo até fechar: 6/7(4), 6/4, 6/1, 4/6 e 6/3.

A consequência matemática

Vice-campeão no ano passado, Murray perde a chance de aumentar consideravelmente sua vantagem para Novak Djokovic, atual campeão. O britânico deixa o torneio com 1.715 pontos de frente, mas poderia ter ampliado a diferença para até 3.535 pontos. Nole, no entanto, tem mais pontos a defender nos próximos meses (ganhou Indian Wells e Miami em 2016), por isso é improvável – não impossível – que Murray tenha o #1 ameaçado até Roland Garros.

A segunda zebra do dia

No último jogo do dia na RLA, foi a vez de Angelique Kerber ser testada de verdade pela primeira vez neste Australian Open. A número 1 do mundo, que já vinha fazendo um torneio bem mais ou menos, não resistiu à agressividade de Coco Vandeweghe e deu adeus: 6/2 e 6/3.

Não foi sequer uma partida equilibrada. A americana agrediu desde o começo, massacrou o serviço da alemã e nem no segundo set, quando Kerber abriu 2/0, houve emoção. Vandeweghe, atual #35, venceu cinco games seguidos, saindo de 1/3 para 6/3. Um resultado que só confirmou o começo de ano ruim da #1. Kerber já vinha de derrotas precoces em Brisbane e Sydney.

A alemã, aliás, pode sair de Melbourne sem a liderança do ranking, já que Serena Williams, vice em 2016, voltará a ser a número 1 se conquistar o título este ano.

Vandeweghe, por sua vez, avança para encarar Garbiñe Muguruza nas quartas de final. A espanhola, atual campeã de Roland Garros, passou fácil por Sorana Cirstea (#78): 6/2 e 6/3. Muguruza será um obstáculo bem diferente para Coco, já que tem poder de fogo para responder do fundo de quadra.

Outros candidatos

A chave feminina também teve vitórias de Anastasia Pavlyuchenkova e Venus Williams. Nenhuma teve trabalho além do esperado, embora ambas tenham feito partidas bastante razoáveis. A russa passou pela compatriota Svetlana Kuznetsova por 6/3 e 6/3 enquanto a americana despachou a alemã Mona Barthel por 6/3 e 7/5. Pavs e Venus se enfrentam nas quartas em busca da vaga na semifinal contra a vencedora de Vandeweghe x Muguruza.

Entre os homens, Stan Wawrinka avançou em três tie-breaks, sendo superior nos momentos decisivos em uma partida que poderia facilmente se complicar contra Andreas Seppi: 7/6(2), 7/6(4) e 7/6(4). O #1 da Suíça agora vai enfrentar Tsonga, que passou por Dan Evans por 6/7(4), 6/2, 6/4 e 6/4. Tanto Wawrinka quanto Tsonga têm a vantagem de, até agora, estarem meio longe dos holofotes. Por enquanto, “o” assunto em Melbourne continua limitado ao Big Four, com tudo que envolveu as derrotas de Murray e Djokovic e as campanhas de Federer e Nadal.

É o típico cenário em que Wawrinka costuma aparecer e brilhar nas fases decisivas. E não seria fantástica uma semifinal entre ele e Federer? O retrospecto recente entre Stan e Jo joga a favor desse cenário. O suíço venceu os quatro últimos jogos.

Observação: o trecho sobre Kerber entra mais tarde.


AO, dia 1: Halep tomba, brasileiros caem, Federer vence no retorno
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Alexandre Cossenza

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Foi um primeiro dia interessante, considerando que nem sempre há tantos jogos bons nas primeiras rodadas de um torneio do Grand Slam. Pois o Australian Open de 2017 abriu com uma zebraça na Rod Laver Arena, viu três top 10 disputarem jogos de cinco sets e ainda teve a primeira vitória de Roger Federer em um torneio contando pontos para o ranking em mais de seis meses.

A rodada também teve as derrotas de Thomaz Bellucci e Thiago Monteiro, Nick Kyrgios atropelando, Muguruza administrando uma lesão, e Almagro com uma desistência lamentável e uma explicação memorável. Quer ficar por dentro? É só rolar a página e ler o resumaço desta segunda-feira.

Os favoritos

Andy Murray estreou sem perder sets, mas com uma atuação que, em alguns momentos, ficou no limite entre a preguiça e a falta de inspiração. Cometeu 27 erros não forçados, saiu atrás no segundo set e só não se complicou mais porque o adversário, Illya Marchenko, #95, não era tão perigoso assim e não jogou tão bem assim (somou 62 erros não forçados). No fim, venceu por 7/5, 7/6(2) e 6/2.

A sessão noturna começou com Angelique Kerber caminhando para o que parecia uma vitória rotineira, mas a coisa começou a desandar quando a alemã sacou para o jogo, teve match point, mas perdeu o serviço. A ucraniana Lesia Tsurenko (#51) aproveitou o embalo, quebrou de novo e forçou um nervoso terceiro set. No começo da parcial decisiva, um ponto crucial e espetacular mudou o rumo do jogo. Kerber sacou com break point contra e tomou uma ótima devolução cruzada. A alemã não só alcançou a bolinha como acertou uma improvável paralela de fora pra dentro. Depois disso, venceu todos os games e fechou em 6/2, 5/7 e 6/2.

No último jogo do dia na Laver, Roger Federer tirou a ferrugem de seis meses sem jogar um evento que desse pontos para o ranking mundial. O suíço teve lá seus problemas diante do também veterano Jurgen Melzer, 35 anos. O austríaco teve quebras de vantagem no primeiro set e conseguiu uma virada impressionante no segundo antes que Federer tomasse de vez o controle da coisa.

O placar final mostrou 7/5, 3/6, 6/2 e 6/2, e o que aconteceu em quadra não foi tão animador assim para o suíço. Afinal, não foi o tênis “limpo” e afiado que os fãs gostariam de ver e, principalmente, que será necessário para sair com o título do Australian Open. Federer ainda tem vários ajustes a fazer e, não fossem os 19 aces desta segunda, a história com Melzer teria sido muito mais longa.

A zebra

Ela apareceu logo no primeiro jogo, bem na quadra central. Simona Halep, “a primeira da fila” dos sem Slam, mostrou um tênis muito pouco inspirado desde os primeiros games. Shelby Rogers, #52 do mundo, não tinha nada a ver com isso e entrou soltando o braço e agredindo. A romena não só jogou mal. Sentiu dores no joelho esquerdo. Pediu atendimento medico antes do segundo set. Não adiantou. E Halep, sejamos justos, também tomou decisões ruins em quadra. Como o swing volley que tentou diante de um break point no primeiro set. Jogou a bola na rede e selou sua sorte na parcial. No segundo set, com a rival claramente abatida, Rogers disparou no placar e fechou em 6/3 e 6/1.

Na chave, a consequência do resultado é deixar Svetlana Kuznetsova como a tenista mais bem ranqueada no segundo quadrante. A semifinalista sairá de um grupo que já perdeu três cabeças (Siegemund e Bertens também caíram) no primeiro dia. Restaram, além de Sveta, Svitolina, Venus, Pavlyuchenkova e Puig. Uma delas vai longe, mas quem se candidata a adivinhar quem?

Três top 10 e 15 sets

A chave masculina viu Kei Nishikori em um dia nada brilhante, precisando de cinco sets para despachar Andrey Kuznetsov: 5/7, 6/1, 6/4, 6/7(6) e 6/2. A arrancada final no quinto set só começou depois de um atendimento médico. Após a interrupção, Kuznetsov perdeu o serviço e não se recuperou mais.

O segundo top 10 a suar foi Marin Cilic. Depois de perder os dois primeiros sets para o polonês Jerzy Janowicz, o croata #7 do mundo dominou as parciais seguintes e fez 4/6, 4/6, 6/2, 6/2 e 6/3. Um resultado importante não só pela sobrevivência no torneio, mas porque Cilic havia perdido três de suas últimas quatro partidas decididas em um quinto set. Nesses três reveses, o croata saiu ganhando por 2 a 0.

Por fim, Stan Wawrinka tomou um grande susto diante de Martin Klizan, que teve quebras de vantagem em todos os cinco sets. O eslovaco inclusive sacou em 4/3 e 40/15 no quinto, mas perdeu o serviço e viu o suíço iniciar uma reação furiosa – que incluiu uma curiosa bolada em um ponto ganho.

Não houve briga, e Wawrinka arrancou para fechar a partida em 4/6, 6/4, 7/5, 4/6 e 6/4. E, no fim das contas, todos grandes nomes da chave masculina venceram no primeiro dia do torneio.

Outros candidatos

Ao mesmo tempo em que Halep sofria na Rod Laver Arena, Garbiñe Muguruza sentia dores na coxa (a mesma lesionada em Brisbane) na MCA. A espanhola, contudo, já havia vencido o primeiro set quando enfiou-se num buraco, perdendo a segunda parcial por 4/1 para Marina Erakovic. A favorita, no entanto, “voltou” a tempo e avançou por 7/5 e 6/4.

Nick Kyrgios trabalhou bem (e rápido) para apagar as dúvidas sobre sua condição física. O australiano, lembremos, jogou a Copa Hopman se queixando de dores. Nesta segunda, porém, atropelou o português Gastão Elias: 6/1, 6/2 e 6/2.

Os brasileiros

Thomaz Bellucci foi amplamente dominado por Bernard Tomic. O australiano foi mais consistente, se defendeu melhor, agrediu bastante o segundo serviço do brasileiro e avançou por 6/2, 6/1 e 6/4. A atuação de Bellucci foi tão infeliz que deixou a desejar até nos desafios. Falo mais sobre o #1 do Brasil no próximo post.

Mais tarde, Thiago Monteiro reencontrou Jo-Wilfried Tsonga e soube o gostinho de enfrentar o francês de verdade – não aquela versão desinteressada que esteve no Rio Open do ano passado. Em Melbourne, Tsonga fez 6/1, 6/3, 6/7(5) e 6/2. Monteiro fez um esforço louvável para esticar o jogo, mas o duelo não foi tão equilibrado assim. O francês controlou as ações a maior parte do tempo e manteve uma sequência interessante: desde 2007, não perde na primeira fase de um Slam.

O milionário

Nicolás Almagro ficou menos de meia hora vivo no torneio. Abandonou após perder quatro games, com 25 minutos de jogo. Jeremy Chardy avançou para a segunda rodada. Indagado na coletiva se tinha entrado em quadra só pelo prêmio em dinheiro, Almagro foi direto como sempre. Disse que não e que tem mais de US$ 10 milhões. Bem explicado, não?

Depois, o espanhol postou em sua conta no Twitter a mensagem acima, dizendo que entrou em quadra sentindo dores e que não disputará os próximos torneios porque seu filho está prestes a nascer.

Os forehands mais rápidos

O Australian Open colheu dados estatísticos em suas últimas edições, e o New York Times mostrou uma pequena parte disso. A reportagem mostra os forehands e backhands mais rápidos dos últimos cinco anos de torneio.

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A curiosidade é que Rafael Nadal tem o forehand mais rápido do circuito. Além disso, na média Madison Keys tem uma direita tão forte quanto a de Tomas Berdych e um backhand que só perde em velocidade para Na Li. Os detalhes de como os números foram colhidos estão aqui.

O envelhecimento do torneio

Na tarde deste domingo, graças a um RT do jornalista Mário Sérgio Cruz, do Tenisbrasil, cheguei ao gráfico abaixo, que mostra o “envelhecimento” do circuito. Em 1989, a idade média dos tenistas no Australian Open era de 24,02. Hoje, é de 27,93. Enquanto em 1989 só havia quatro tenistas com mais de 30 anos, a chave deste ano possui 46 tenistas acima dos 30 e dez atletas acima dos 35. É uma diferença muito grande.


Quadra 18: S03E01
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Alexandre Cossenza

Se tem Grand Slam, tem Quadra 18. O podcast de tênis mais popular do país começa sua terceira temporada analisando as chaves do Australian Open e fazendo aquele costumeiro exercício de imaginação sobre o que pode acontecer nas próximas duas semanas em Melbourne.

Do jeito descontraído de sempre, Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu falamos de ATP, WTA, duplas e até damos dicas preciosas (é verdade!) de como passar madrugadas inteiras vendo tênis sem cair no sono. Para ouvir, basta clicar no player abaixo. Se preferia baixar para ouvir depois, clique neste link com o botão direito do mouse e selecione “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’13” – Cossenza apresenta os temas
1’23” – Quem é “o” favorito na chave masculina? Murray ou Djokovic?
3’02” – Djokovic e a chave mais fácil do que a de Murray
7’35” – O que esperar de Federer e Nadal?
8’13” – O esperado jogo-chave entre Nadal e Zverev na terceira rodada
9’21” – A expectativa por um Djokovic x Dimitrov
11’12” – A divertida seção com Fognini, Feliciano, Haas e Paire
12’42” – Troicki pode desafiar Wawrinka?
13’32” – A expectativa por Raonic x Dustin Brown e Cilic x Janowicz
14’25” – Quem ganha Bellucci x Tomic?
14’18” – Jo-Wilfried Tsonga x Thiago Monteiro e Rogerinho x Donaldson
16’33” – Palpites para azarão do torneio
18’28” – Palpites para decepção do torneio
20’17” – Down Under (Men at Work)
21’05” – A chave de Serena é tão difícil assim?
23’34” – A chave e a preocupante forma de Angelique Kerber
25’18” – A seção favorável de Garbiñe Muguruza
25’56” – Simona Halep, agora vai?
26’42” – E o que dizer de Venus Williams?
27’30” – Karolina Pliskova e a expectativa por seu primeiro Slam como top 5
30’24” – O caminho de Radwanska
31’15” – Palpites para campeã, zebra e decepção
33’35” – Cheap Thrills (Sia)
34’30” – Novos times e velhos favoritos no circuito de duplas
37’05” – O começo não tão animador de Melo e Kubot
39’28” – A nova parceria de André Sá e Leander Paes
40’07” – Serena começar devagar os Slams faz o jogo com a Bencic mais perigoso?
41’14” – Dimitrov chegou no momento “ou vai ou racha” da carreira?
42’25” – Qual dos topos se complicou mais na chave?
42’54” – As cotações das casas de apostas para a chave masculina
44’29” – Existe uma temperatura máxima para interromper os jogos em Melbourne?
45’25” – Qual a quadra mais legal para ver jogos no Melbourne Park?
48’40” – “Dormir é para os fracos?” e dicas para ver o torneio na madrugada


Wimbledon, dia 9: da salvação de Federer à força de Murray
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Alexandre Cossenza

A Quadra Central vibrou como nunca nesta edição de Wimbledon. Do início do dia ao match point do segundo jogo, foram dez sets, dezenas de pontos memoráveis, três match points salvos, uma virada gloriosa e mais de sete horas transcorridas. Tudo isso para que os favoritos Roger Federer e Andy Murray avançassem às semifinais do torneio. E foi mais ou menos assim que aconteceu.

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O melhor jogo

Foram dois sets estranhos de Roger Federer. No começo, faltava agressividade no backhand, e o slice não incomodava Marin Cilic o suficiente. Mais do que isso, o suíço deixou passar uma chance rara. Umazinha que apareceu no primeiro set. Um 0/30 no quinto game, com a quadra aberta. Mandou uma direita para fora. O croata ainda cedeu dois break points naquele mesmo game, mas se salvou e ganhou o tie-break. Um set a zero. O alarme estava ligado.

Não que fosse uma atuação mais ou menos de Cilic. O número 13 do mundo era muito competente. Sacava bem e errava pouco. Mas não era espetacular. Certamente, não no nível espetacular-campeão-daquele-US-Open. Confirmava o serviço e esperava chances. Salvou mais dois break points no segundo set e quebrou o suíço. Mas era um estranho suíço.

Quando Cilic sacava para fechar o segundo set, com 0/15 no placar, Federer teve um backhand fácil para matar e pressionar o rival. Jogou na rede. O público sentiu o golpe. O heptacampeão sentiu o golpe. Cilic abriu 2 sets a 0. “Na bola”, ponto a ponto, golpe a golpe, a diferença não era tão grande assim, só que o placar indicava outra coisa. Era uma tarde estranha.

Cilic ficou muito perto da vitória. O placar mostrava 3/3, 0/40, com Federer no serviço no terceiro set. O croata cometeu três erros. O suíço gritou, vibrou. A torcida acordou. A conta veio rápido, já no game seguinte. Um erro não forçado e uma dupla falta de Cilic deram a Federer uma quebra. O dia já não parecia tão estranho. O heptacampeão já tinha no currículo nove vitórias após estar perdendo por 2 a 0. A décima estava só começando.

Não que tenha sido ladeira abaixo depois disso. Cilic jogou fora dois break points no quarto game, errando devoluções de segundo saque. Teve um match point com Federer sacando em 4/5. Mandou para fora uma devolução de segundo saque. Sim, mais uma. Cilic teve outro match point dois games depois, mas nem jogou. Um ace de Federer evitou o adeus.

O tie-break teve mais drama. Ninguém se espantaria com erros nervosos de Cilic. Eles vieram. Surpresa mesmo foram as falhas do heptacampeão, o senhor dos pontos grandes. Primeiro, uma madeirada deu ao rival o primeiro mini-break do game. Mais tarde, com 6/5 no placar, outra madeirada jogou fora o set point. Federer ainda cedeu mais um match point, mas Cilic não conseguiu responder um segundo saque forçado. O game ainda teve o suíço perdendo outro set point com um erro não forçado (estranho, muito estranho), mas foi o croata que cedeu ao falhar mais duas vezes. Tudo igual: 2 sets a 2.

O estranho ficou para trás. Todo mundo sabia. O backhand na paralela já entrava mais, e a velocidade na movimentação não indicava nenhum resquício de lesão. Cilic ainda brigou, salvou break point no sexto game. Federer, mais Federer do que nunca (ou tão Federer como sempre!?) já não cedia mais nada. Era questão de tempo. Game, set, match: 6/7(4), 4/6, 6/3, 7/6(9), 6/3. Suíço na semi. Um caminho estranho, um resultado normal.

Federer agora é o recordista de vitórias em torneios do Grand Slam, com 307 – uma a mais que Martina Navratilova e cinco a mais que Serena Williams. E, com mais esse triunfo, agora acumula 40 semifinais de Grand Slam e 84 vitórias em Wimbledon, igualando a marca de Jimmy Connors.

Seu adversário na semi será Milos Raonic (#7), que avançou no buraco deixado por Novak Djokovic. O canadense, que quase tombou diante de David Goffin nas oitavas, superou nas quartas o americano Sam Querrey (#41): 6/4, 7/5, 5/7 e 6/4. Difícil dizer se Raonic será um desafio maior do que Cilic. O canadense tem um saque mais potente, mas não é tão sólido quanto o croata do fundo de quadra nem devolve saques tão bem.

A outra semi

Primeiro, parecia que Jo-Wilfried Tsonga (#12) venceria o primeiro set. O francês, afinal, teve três set points no tie-break. Depois, parecia que Andy Murray (#2) completaria uma vitória sem mais dramas. Isso porque o escocês fez 6/1 no segundo set. E aí tudo mudou outra vez quando Tsonga venceu o terceiro set e se encheu de confiança, mas mudou mais uma vez quando Murray abriu 4/2 no quarto set e virou de cabeça para baixo outra vez porque o francês venceu quatro games seguidos e forçou o quinto set.

Brincadeiras à parte, foi um jogaço de alto nível (a não ser pelo segundo set), com todo tipo de lance e os dois tenistas protagonizando lances espetaculares – às vezes, em sequência. No fim, Murray mostrou raça, grande força mental, chamou a torcida e disparou na frente no quinto set, fechando em 7/6(10), 6/1, 3/6, 4/6 e 6/1.

O adversário do britânico na semi será – vejam a ironia – o tenista mais estável do dia: Tomas Berdych (#9), que derrotou Lucas Pouille (#30) por 7/6(4), 6/3 e 6/2. O tcheco perdeu o serviço apenas uma vez em toda a partida e será o atleta mais descansado na sexta-feira, nas semifinais. Difícil imaginar que preparo físico será uma vantagem diante de Andy Murray, mas pelo menos não será uma desvantagem. Já é algo para Berdych, que é um claro azarão na partida.

O último brasileiro

Bruno Soares e Jamie Murray quase conseguiram uma virada memorável, mas ficaram pelo caminho. Nas quartas de final, brasileiro e britânico viram Edouard Roger-Vasselin e Julien Benneteau abrirem 2 sets a 0, mas reagiram, igualaram o placar e só foram perder no quinto set longo: 6/4, 6/4, 6/7(11), 6/7(1) e 10/8.

O mineiro ainda voltaria à quadra nesta quarta pela chave de duplas mistas, mas ele e Elena Vesnina abandonaram o torneio. A russa, vale lembrar, está classificada para as semifinais de simples (vai enfrentar Serena amanhã) e as quartas de duplas (ela e Makarova enfrentam Venus e Serena).


Wimbledon, dia 7: drama, breu, outra ameaça e o melhor jogo do torneio
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Alexandre Cossenza

A Manic Monday, como é chamada a tradicional segunda-segunda-feira de Wimbledon, com todas oitavas de final em quadra, correspondeu às expectativas. Quintos sets longos, chuva, tie-breaks dramáticos, viradas, atuações impecáveis dos favoritos e jogos adiados por falta de luz natural. Teve um pouco de tudo. Teve até número 1 do mundo ameaçando processar. Perdeu tudo isso? O resumaço traz quase tudo nas linhas abaixo.

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O melhor jogo do torneio

Foram 180 minutos fantásticos. Desde o espetacular primeiro set de Dominika Cibulkova, passando pela reação memorável de Agnieszka Radwanska, que salvou match point no segundo set e forçou mais uma parcial, até o longo terceiro set, sem tie-break, com break points em dez games diferentes e que terminou de forma magnífica, com a eslovaca vencendo e ganhando um abraço da polonesa. O placar final mostrou 6/3, 5/7 e 9/7 para Cibulkova.

É bem verdade que a número 18 do mundo poderia ter vencido mais rápido. Distribuiu pancadas do fundo de quadra, jogando Radwanska para os lados. Teve chances de fechar antes, mas vacilou. Não que a terceira colocada no ranking não tenha seus méritos. Lutou bravamente com seu tênis inteligente e teve até um match point no 12º game do terceiro set. Cibulkova se salvou.

Classificada para as quartas, Cibulkova leva consigo uma sequência de nove triunfos na grama. Ela ainda não perdeu no piso na temporada. Antes de Wimbledon, disputou apenas o WTA de Eastbourne e foi campeã. A eslovaca será favorita contra a russa Elena Vesnina (#50), que bateu Ekaterina Makarova (#35) de virada: 5/7, 6/1 e 9/7.

Importante: Cibulkova tem seu casamento marcado para sábado. Se alcançar a final, já avisou que não se importará de adiar a cerimônia. “Escolhemos essa data porque nunca me vi como uma jogadora de grama”, explicou, segundo o site do torneio.

Os favoritos

Enquanto Radwanska e Cibulkova terminavam o segundo set na Quadra 3, Roger Federer (#3) entrava na Central para enfrentar Steve Johnson (#29). Os três sets do suíço duraram mais ou menos o mesmo que o terceiro set da Quadra 3. Tirando um par de break points no quinto game do primeiro set, quando o jogo ainda estava empatado, e uma quebra de Johnson no terceiro, Federer dominou. Venceu por 6/2, 6/3 e 7/5 e chegou à 306ª vitória em Slams na carreira, igualando a marca de Martina Navratilova.

É inevitável pensar que tudo conspirou para o heptacampeão até agora. Não só a chave tranquila na primeira semana, justamente o que ele precisava depois de resultados aquém do esperado em Stuttgart e Halle, mas também com a derrota de Novak Djokovic, o único a derrotá-lo nos dois últimos anos em Wimbledon, e talvez até com a lesão de Kei Nishikori, que abandonou e colocou Marin Cilic como rival de Federer nas quartas de final.

Por outro lado, Cilic faz uma campanha bastante digna na grama este ano (fez semi em Queen’s) e promete ser o primeiro teste de verdade para o suíço no All England Club. O próprio Federer lembrou que o croata passou como um caminhão por ele no US Open de 2014, seu último duelo. Será que Cilic consegue repetir? Não parece provável, mas também não parecia em Nova York…

Em seguida, Serena Williams fez uma apresentação bastante … serenesca diante de Svetlana Kuznetsova (#14). Um começo arrasador, um momento instável no fim do primeiro set, e uma segunda parcial quase perfeita. Fez 14 aces, 43 winners e derrotou a russa em 1h16min, por 7/5 e 6/0, avançando às quartas.

Foi o tipo de atuação que se espera ver da número 1 do mundo, especialmente em Wimbledon, e que ainda não tinha acontecido. Passou o recado de que não será fácil derrotá-la no All England Club. O resto da chave deve estar preocupado, assim como Anastasia Pavlyuchenkova (#23), sua próxima adversária.

A russa avançou ao bater Coco Vandeweghe (#30) por 6/3 e 6/3 e já está no lucro. Afinal, ninguém esperava que Pavlyuchenkova fosse tão longe, já que somava mais derrotas do que vitórias na carreira em Wimbledon. Agora chega sem responsabilidade e pode entrar “solta” na quadra Serena. Parece justo dizer que não há muita gente acreditando na russa contra a número 1.

Por último, Andy Murray também mostrou todo seu arsenal contra Nick Kyrgios (#18), descomplicando o que muitos viam como uma partida duríssima. De duro mesmo, só o primeiro set, que o britânico fechou fazendo um último game impecável. O triunfo veio por 7/5, 6/1 e 6/4, com um Kyrgios perdido, sem encontrar alternativa para superar o favorito.

O próximo obstáculo para o escocês será Jo-Wilfried Tsonga (#12), que se beneficiou de uma lesão nas costas de Richard Gasquet (#10), que abandonou a partida quando perdia o primeiro set por 4/2. Nada ruim para Tsonga, que vinha de completar um partida um tanto longa contra John Isner no domingo. Não que ele estivesse esgotado, mas o descanso não fará nada mal.

Mais uma ameaça judicial

Incomodada com os pingos que caíam timidamente na Quadra Central, Serena Williams achava que a quadra estava escorregadia demais para continuar a partida. Sem ser atendida imediatamente (o teto foi fechado pouco depois), a número 1 disparou: “Se eu me machucar, vou processar”.

O susto

Milos Raonic (#7), desde sempre considerado a maior ameaça ao então-vivo-na-chave-Djokovic antes das semifinais, esteve a um set da eliminação nesta segunda-feira. Com seu saque quebrado duas vezes, perdeu dois sets. Sorte que do outro lado da rede estava David Goffin (#11), que não tem exatamente um histórico de grandes atuações em momentos cruciais. Raonic conseguiu uma quebra logo no terceiro game do terceiro set e mudou o rumo da partida. Acabou saindo com a vitória por 4/6, 3/6, 6/4, 6/4 e 6/4.

Foi a primeira vez na carreira que Raonic venceu um jogo após estar perdendo por 2 sets a 0. O canadense agora vai enfrentar Sam Querrey (#41), algoz de Djokovic que venceu mais uma ao derrotar Nicolas Mahut (#51) por 6/4, 7/6(5) e 6/4. Preparem-se para contar aces e ver poucos ralis.

Correndo por fora

Venus Williams (#8) continua aproveitando o máximo sua chave, que nunca foi das mais complicadas. Nesta segunda, eliminou Carla Suárez Navarro (#12) por 7/6(3) e 6/4. O primeiro set teve momentos delicados, com a espanhola sacando para o jogo e uma interrupção por chuva. Venus, no entanto, segue avançando e já tem sua melhor campanha em Wimbledon desde 2010, quando também avançou às quartas e foi eliminada por Tsvetana Pironkova.

Venus, 36 anos, é a tenista mais velha a alcançar as quartas de final de Wimbledon desde Martina Navratilova em 1994. A ex-número 1 do mundo também será favorita na próxima rodada, já que vai encontrar Yaroslava Shvedova (#96), uma das maiores surpresas o torneio até agora. A cazaque, que já havia eliminado Svitolina e Lisicki, despachou Lucie Safarova as oitavas: 6/2 e 6/4.

O outro jogo nessa metade da chave é entre duas candidatíssimas: Simona Halep (#5), que despachou Madison Keys por 6/7(5), 6/4 e 3/3, e Angelique Kerber (#4), que encerrou o torneio de Misaki Doi (#49) por 6/3 e 6/1. Promete ser o confronto mais interessante das quartas de final femininas.

Entre os homens, Tomas Berdych (#9) esteve perto de dar mais um passo, mas deixou passar uma ótima chance de despachar o compatriota Jiri Vesely (#64). O top 10 sacou para fechar a partida no quarto set, mas foi quebrado e, quando chegou ao tie-break, depois de Vesely salvar três match points, já reclavama da luz, argumentando que o jogo deveria ter sido interrompido.

O game de desempate foi louco. Vesely abriu 6/1, Berdych virou para 7/6 e teve mais dois match points, mas não conseguiu fechar. Vesely acabou vencendo e forçando um quinto set. A continuação também ficou para terça-feira. Quem vencer enfrentará Lucas Pouille (#30), que despachou de virada o australiano Bernard Tomic (#19): 6/4, 4/6, 3/6, 6/4 e 10/8.

As quartas de final

[28] Sam Querrey x Milos Raonic [6]
[3] Roger Federer x Marin Cilic [9]
[10] Tomas Berdych ou Jiri Vesely x Lucas Pouille [32]
[12] Jo-Wilfried Tsonga x Andy Murray [2]

[1] Serena Williams x Anastasia Pavlyuchenkova [21]
[19] Dominika Cibulkova x Elena Vesnina
[5] Simona Halep x Angelique Kerber [4]
[8] Venus Williams x Yaroslava Shvedova

Os brasileiros

O dia foi difícil para os mineiros. Marcelo Melo e Ivan Dodig foram eliminados em três sets por Raven Klaasen e Rajeev Ram: 7/6(3), 7/6(5) e 6/3. Em seguida, Bruno Soares e Jamie Murray fizeram uma partida longa e dramática contra Mate Pavic e Michael Venus. Brasileiro e britânico venceram os dois primeiros sets, mas perderam os dois seguintes e mergulharam em um quinto set longo.

Por suas vezes, Bruno e Jamie tiveram quebras de vantagem, e o britânico até sacou para o jogo em 5/3. Depois de um match point, o saque do escocês foi quebrado, e a partida continuou dramática, noite adentro, sem tie-break. A partida foi interrompida pouco depois das 21h locais, após o 26º game, depois que Venus e Pavic salvaram mais um match point.

Bom humor na adversidade

Logo depois de perder o quarto set, Bruno Soares reclamou com a árbitra de cadeira por levar uma advertência. A juíza explicou que a grama é sensível, e o brasileiro respondeu “eu também sou sensível, acabei de perder um set”.


Wimbledon, Middle Sunday: tudo em dia e com as oitavas definidas
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Alexandre Cossenza

O Middle Sunday, tradicional domingo de descanso em Wimbledon, teve jogos desta vez. Não foram tantos. Apenas o necessário para colocar em dia a programação, prejudicada pelo mau tempo. Os resultados também não foram nada surpreendentes, mas agora já dá para saber quem é quem antes da segunda semana de Wimbledon. O resumo do que rolou está nas próximas linhas.

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A favorita

De favorito-favorito-mesmo, só Serena Williams entrou em quadra neste domingo. E nem ficou lá tanto tempo assim. A americana foi quebrada em seu segundo game de serviço e viu Annika Beck (#43) abrir 2/1, mas venceu 11 dos 12 games seguintes e avançou por 6/3 e 6/0. Foi a 300ª vitória dela em Slams.

Depois de pegar um caminho relativamente fácil (Christina McHale não teria sido uma ameaça num dia normal), Serena terá um confronto perigoso nas oitavas contra Svetlana Kuznetsova (#14), que chega forte e embalada por uma virada fantástica contra Sloane Stephens (#22), que liderou o terceiro set por 5/2. A russa terminou com a vitória por 6/7(1), 6/2 e 8/6. E não custa lembrar que foi Kuznetsova quem eliminou Serena em Miami este ano…

Cabeças que rolaram

Não foi um domingo de surpresas – até porque não foi um dia com tantos jogos assim, mas fica o registro da top 10 eliminada. Roberta Vinci (#7) deu adeus ao ser derrotada pela americana Coco Vandeweghe (#30): 6/3 e 6/4.

Coco, nunca é demais lembrar, vem de um título em ’s-Hertogenbosch e uma semi em Birmingham. Com seu saque, a americana é sempre mais perigosa na grama. Ela agora fica a uma vitória de igualar sua campanha em Wimbledon no ano passado, quando alcançou as quartas.

Para isso, precisará bater Anatasia Pavlyuchenkova (#23), uma das maiores surpresas nas oitavas. A russa, que eliminou Timea Bacsinszky (#11) por 6/3 e 6/2, tinha retrospecto negativo em Wimbledon até este ano (8v e 9d).

O jogo boyhoodiano

Lembrou de leve aquele duelo da Quadra 18, seis anos atrás. Só de leve. JOhn Isner (#17) e Jo-Wilfried Tsonga (#12), que continuaram neste domingo a partida iniciada no sábado, mergulharam em um quinto set longo, com poucas chances de quebra e um monte de saques vencedores. O americano salvou um break point solitário no 11º game e, depois disso, a chance de quebra seguinte aconteceu só quando o francês sacou em 15/16, com match point contra.

Tsonga se salvou a conseguiu quebrar Isner no 35º game do quinto set. Fechou o jogo em seguida, em 6/7(3), 3/6, 7/6(5), 6/2 e 19/17. A partida durou 4h24min ao todo, mas só os dois últimos sets foram disputados nesta domingo. Tsonga não sairá tanto no prejuízo assim contra Richard Gasquet (#10), seu próximo adversário, que avançou ao bater Albert Ramos (#36) por 2/6, 7/6(5), 6/2 e 6/3.

Correndo por fora

Tomaz Berdych (#9) tinha um jogo perigoso contra Alexander Zverev (#28), mas passou jogando um belo tênis – com a exceção de um início ruim no terceiro set. Fez 6/3, 6/4, 4/6 e 6/1 sobre o adolescente e avançou às oitavas para encarar Jiri Vesely (#64), que já havia eliminado Dominic Thiem e bateu, neste domingo, João Sousa (#31) por 6/2, 6/2 e 7/5.

O top 10 tcheco é o principal nome dessa parte da chave depois das quedas de Wawrinka e Thiem. O triunfo sobre Zverev já foi um bom indício de que a pressão não afetou seu nível de tênis. Finalista de Wimbledon em 2010, quando eliminou Federer, Berdych é favoritíssimo para alcançar pelo menos a semi.

Outros nomes fortes na chave masculina são Nick Kyrgios (#18), que passou por uma chave duríssima, com Stepanek, Brown e, agora, Feliciano López (#21); e Richard Gasquet (#10), que confirmou o favoritismo e completou neste domingo seu triunfo sobre Albert Ramos (#36).

Foi bom enquanto durou

O grande azarão a vencer no dia foi Lucas Pouille (#30), que eliminou Juan Martín del Potro (#165). O francês perdeu o primeiro set em um tie-break, mas venceu os três sets seguintes e fechou em 6/7(4), 7/6(6), 7/5 e 6/1. O resultado talvez diga mais sobre o atual nível de Stan Wawrinka do que o de Del Potro, algoz do suíço na segunda rodada. Ainda perigoso, o argentino tem no backhand uma fragilidade evidente e ele mesmo admite que é o golpe que precisa evoluir mais para que ele consiga voltar ao alto do ranking.

O preparo físico também é uma preocupação. Del Potro disse que saiu de quadra cansado em todos os jogos. Foi a primeira vez em muito tempo que o ex-top 10 argentino jogou partidas em melhor de cinco sets. Fica claro agora que ele não teria mesmo condições de ser competitivo em Roland Garros.

As oitavas de final

[28] Sam Querrey x Nicolas Mahut
[11] David Goffin x Milos Raonic [6]
[3] Roger Federer x Steve Johnson
[9] Marin Cilic x Kei Nishikori [5]
Vesely / [31] Sousa x Tomas Berdych [10]
[19] Bernard Tomic x Lucas Pouille [32]
[7] Richard Gasquet x Jo-Wilfried Tsonga [12]
[15] Nick Kyrgios x Andy Murray [2]

[1] Serena Williams x Svetlana Kuznetsova [13]
[21] Anastasia Pavlyuchenkova x Coco Vandeweghe [27]
[3] Agnieszka Radwanska x Dominika Cibulkova [19]
Ekaterina Makarova x Elena Vesnina
[5] Simona Halep x Madison Keys [9]
Misaki Doi x Angelique Kerber [4]
[8] Venus Williams x Carla Suárez Navarro [12]
Yaroslava Shvedova x Lucie Safarova [28]

A bolada

Aconteceu no jogo entre Lucas Pouille e Juan Martín del Potro. O francês sacou, e a bola não voltou, mas o toque de raspão na raquete do argentino fez a bolinha ir na cabeça da juíza de linha. Parece que doeu. Parece.

Os brasileiros

Na chave de duplas, Bruno Soares e Jamie Murray confirmaram o favoritismo sem drama contra Federico Delbonis e Diego Schwartzman: 6/3 e 6/3. Brasileiro e britânico, cabeças de chave 3, vão enfrentar agora Mate Pavic e Michael Venus, cabeças número 16.

Nas mistas, duas derrotas. Marcelo Demoliner perdeu na estreia ao lado de Nicole Melichar, enquanto André Sá, na segunda rodada, foi eliminado junto com a tcheca Barbora Krejcikova.


RG, dia 7: blecaute, lágrimas de Tsonga e oitavas de final definidas
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Alexandre Cossenza

Não foi um dia de grandes zebras – apesar dos modelitos da adidas – em Roland Garros. Sim, Ana Ivanovic se despediu numa partida em que ela era realmente favorita, mas os demais resultados foram mais ou menos de acordo com o esperado. Os destaques do dia ficaram por conta da desistência de Jo-Wilfried Tsonga, do aperto que Serena Williams passou em um set (um só) e da definição das oitavas de final do torneio. O que rolou de melhor está logo abaixo.

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O apagão

O dia não foi fácil em Roland Garros. Não bastasse a chuva causar um grande atraso na programação, um raio (um dos muitos que causaram uma série de incidentes na capital francesa) causou um blecaute no complexo, deixando o Slam francês sem conseguir transmitir a maioria das partidas. Apenas na Philippe Chatrier, a quadra central, havia uma câmera solitária, que mostrava um ângulo parecido com a de games de tênis. Foi assim, sem geração de caracteres, que o Bandsports mostrou o tie-break decisivo de Serena x Mladenovic.

Os favoritos

Serena Williams (#1) venceu em dois sets, mas com mais trabalho do que o previsto e, por que não, do que o necessário. A americana precisou de mais de duas horas para se livrar da francesa Kristina Mladenovic (#30) por 6/4 e 7/6(10), depois de salvar um set point, mas é preciso apontar que Serena perdeu chance atrás de chance na parcial.

Foram dois break points desperdiçados no quarto game, outras quatro chances perdidas (inclusive um 0/40) no sexto e mais um break point não convertido no oitavo. No próprio game de desempate, a número 1 do mundo teve quatro match points – um deles, com um smash muito mal executado – antes de fechar a partida no quinto. De modo geral, não chega a ser uma atuação preocupante, já que Serena esteve em controle no placar o tempo quase todo, mas ela deve saber que não poderá vacilar assim daqui a alguns dias.

Já no fim do dia, Novak Djokovic bateu o britânico Aljaz Bedene (#66) por 6/2, 6/3 e 6/3. O número 1 do mundo, mesmo não jogando um tênis espetacular desde a estreia em Paris, segue como favorito ao título. Difícil avaliar com mais profundidade do que isso baseado em adversários que não significaram ameaça real (Lu, Darcis e Bedene).

Os brasileiros

André Sá, ao lado de Chris Guccione, venceu mais uma. Por 6/1, 6/7(5) e 6/3, mineiro e australiano derrotaram Leo Mayer e João Sousa e conquistaram uma vaga nas oitavas de final. Os adversários são o conterrâneo Marcelo Melo e o croata Ivan Dodig, atuais campeões de Roland Garros.

Atual número 52 do mundo nas duplas, Sá já repete seu resultado de Paris em 2015, quando jogou com Máximo González. Agora, tenta dar um passo a mais e alcançar as quartas, algo que não consegue desde o US Open de 2007. Naquele ano, Sá ainda fazia parceria com Marcelo Melo.

Quem também jogou e venceu foi Bruno Soares, mantendo vivas as chances de seu parceiro, Jamie Murray, sair de Roland Garros como número 1. Brasileiro e britânico bateram os franceses David Guez e Vincent Millot por 6/2 e 7/6(5). Nas oitavas, enfrentarão Leander Paes e Marcin Matkowski.

Para quem se interessar, a matemática da briga pela liderança do ranking de duplas está mastigadinha no site Match Tie-Break, da Aliny Calejon.

Pelas duplas mistas, a partida de Bruno Soares e Elena Vesnina contra a eslovena Andreja Klepac e o filipino Treat Huey acabou adiada por conta do atraso pelo mau tempo. O jogo foi remarcado e será o último da Quadra 3 neste domingo.

Aproveitando a chance

Entre os homens, Dominic Thiem (#15) voltou a derrotar Alexander Zverev (#41): 6/7(4), 6/3, 6/3 e 6/3. Foi a segunda vitória do austríaco sobre o alemão em uma semana (eles também fizeram a final de Nice) e a terceira na carreira. Os dois também jogaram a semifinal do ATP de Munique, em abril deste ano.

São dois jovens talentosos, mas que ainda pecam por escolhas equivocadas de jogadas – especialmente Zverev, três anos mais jovem (tem 19 de idade) e que tende a perder o rumo da partida quando as coisas não acontecem como o esperado. Neste sábado, ficou claro que o jogo no saibro é muito mais natural para Thiem, que parece muito mais convicto do que fazer em quadra.

Sobre a rivalidade das duas “promessas”, foi bacana o abraço junto à rede ao fim da partida. Que o respeito continue.

O austríaco, agora, tem uma chance de ouro graças à desistência de Rafael Nadal. Nas oitavas, vai encarar Marcel Granollers e, se passar, terá nas quartas de final Gulbis ou David Goffin (#13), que bateu Nicolás Almagro (#49) em cinco sets: 6/2, 4/6, 6/3, 4/6 e 6/2.

O belga não foi espetacular, mas oscilou menos que Almagro e foi melhor nos muitos pontos importantes. No entanto, a essa altura, já não é tão difícil imaginar Dominic Thiem nas semifinais de Roland Garros, certo?

Quem vive situação parecida é Carla Suárez Navarro (#14), que venceu um jogo duro contra Dominika Cibulkova (#25) neste sábado: 6/4, 3/6 e 6/1. A espanhola, que está sempre fora dos radares (foi assim que chegou às quartas do Australian Open deste ano), pode muito bem aproveitar o buraco deixado por Victoria Azarenka em sua seção. Nas oitavas, vai encarar Yulia Putintseva (#60) e é favorita para vencer e igualar sua melhor campanha em Paris, onde também foi às quartas em 2008 e 2014.

Correndo por fora

Três jogos, três vitórias em sets diretos. Timea Bacsinszky (#9) continua fazendo seu dever de casa, ainda que com certos altos e baixos. Neste sábado, vindo de triunfo sobre Eugenie Bouchard, a suíça despachou a francesa Pauline Parmentier (#88) por 6/4 e 6/2. Ainda parece cedo para dizer se Bacsinszky, semifinalista em 2015, é uma séria candidata ao título de 2016? Talvez seu próximo jogo, contra Venus Williams (#11) deixe o cenário mais claro.

Sobre a americana, vale lembrar que a vitória sobre Cornet por 7/6(5), 1/6 e 6/0, antes mesmo que a francesa tivesse tempo de sentir cãibras, vale sua primeira aparição nas oitavas de final de Roland Garros desde 2010. Minha opinião? Venus já está no lucro e pode jogar livre, leve e solta contra Bacsinszky. A questão é saber o quanto a suíça conseguirá tirar a ex-número 1 de sua zona de conforto no fundo de quadra. Se tiver sucesso e mexer a americana, a suíça tem boas chances.

Entre os homens, o dia foi de David Ferrer (#11) e Tomas Berdych (#8). O espanhol passou pelo compatriota Feliciano López (#23) por 6/4, 7/6(6) e 6/1, enquanto o tcheco eliminou Pablo Cuevas (#27) por 4/6, 6/3, 6/2 e 7/5. O trunfo de Berdych sobre o uruguaio é um tanto relevante, já que o top 10 chegou meio desacreditado a Paris, vindo de campanhas nada animadoras em Monte Carlo (primeira rodada), Madri (quartas) e Roma (oitavas).

Os dois agora se enfrentarão pelo direito de possivelmente enfrentar Djokovic nas quartas. Vale lembrar que o Berdych bateu Ferrer em Madri por 7/6(8) e 7/5.

O abandono

O momento triste do dia ficou por conta de Jo-Wilfried Tsonga (#7). O tenista da casa tinha o primeiro set bem encaminhado, vencendo por 5/2, quando pediu tempo médico e recebeu atendimento fora de quadra por causa de dores no adutor. Quando voltou, dirigiu-se a Ernests Gulbis (#80) e cumprimentou o letão, abandonando o jogo.

Enquanto Tsonga deixou o torneio às lágrimas, Gulbis avança para as oitavas em uma chave nada fácil. Bateu Andreas Seppi na estreia e João Sousa na segunda rodada. Agora tenta sua sorte contra David Goffin.

O francês era o principal cabeça de chave vivo naquela seção da chave após a desistência de Nadal. Agora, um dos semifinalistas de Roland Garros sairá do grupo que tem Thiem, Granollers, Goffin/Almagro e Gulbis.

As oitavas definidas

[1] Novak Djokovic x Roberto Batista Agut [14]
[11] David Ferrer x Tomas Berdych [7]
Marcel Granollers x Dominic Thiem [13]
[12] David Goffin x Ernests Gulbis
[8] Milos Raonic x Albert Ramos Viñolas
[22] Viktor Troicki x Stan Wawrinka [3]
[5] Kei Nishikori x Richard Gasquet [9]
[15] John Isner x Andy Murray [2]

[1] Serena Williams x Elina Svitolina [18]
[12] Carla Suárez Navarro x Yulia Putintseva
Bertens x Keys [15]
[9] Venus Williams x Timea Bacsinzky [8]
[25] Irina-Camelia Begu x Shelby Rogers
[13] Svetlana Kuznetsova x Garbiñe Muguruza [4]
[6] Simona Halep x Sam Stosur [21]
Tsvetana Pironkova x Agnieszka Radwanska [2]

Cabeças que rolaram

Não que Ana Ivanovic (#16) fosse favorita para ir longe em Roland Garros, especialmente na mesma seção de Serena Williams na chave, mas a sérvia era bastante favorita para vencer hoje. Afinal, eram sete vitórias em sete jogos contra a ucraniana Elina Svitolina (#20). Na prática, não foi isso que aconteceu. Com 29 erros não forçados, a ex-número 1 do mundo tombou por 6/4 e 6/4.

Classificada para as oitavas, Svitolina enfrentará Serena Williams para tentar igualar sua melhor campanha em Roland Garros, Ano passado, a ucraniana alcançou as quartas de final, quando foi derrotada por… ela mesmo, Ana Ivanovic.

Os melhores lances

Kristina Mladenovic exigiu bastante de Serena quando conseguiu tirar a número 1 do mundo do fundo de quadra. O melhor exemplo talvez seja este ponto aqui:

Para terminar, um pouquinho do potencial de Zverev e Thiem.


RG, dia 5: Nadal passeia, Djokovic faz força, e Serena derruba Teliana
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Alexandre Cossenza

O quinto dia de Roland Garros foi mais uma jornada boa para os favoritos. Rafael Nadal atropelou o argentino Facundo Bagnis e, pouco depois, Novak Djokovic passou em três sets, mas cometendo 42 erros não forçados. Serena Williams também triunfou, fazendo como vítima a brasileira Teliana Pereira. O resumo do dia traz análises dos três nomes principais e lembra as cabeças que rolaram, o susto de Tsonga, o barraco envolvendo Alizé Cornet e informações sobre como a ITF mudará sua postura em casos de doping. De bônus, mais um vídeo de Guga e um imperdível guia de pronúncia.

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O jogo mais esperado

A tarefa era difícil. Encarar Serena Williams (#1), atual campeã de Roland Garros e dona de 749 títulos (ou algo assim) na carreira , na quadra Suzanne Lenglen, a segunda maior do complexo francês. Teliana Pereira (#81) começou a partida nada bem, perdendo dois saques seguidos, errando bolas que não costuma errar e vendo Serena ser… Serena.

Aos poucos, porém, a brasileira foi se sentindo mais à vontade e conseguindo entrar em alguns ralis. Comandar os pontos era quase impossível, mas Teliana tentou uma curtinha aqui e outra ali, arriscou paralelas e fez o que podia fazer. No fim, a número 1 do mundo venceu por 6/2 e 6/1, em 1h06min, um placar que reflete a diferença de nível entre as duas tenistas.

A página de estatísticas registra 31 winners de Serena contra seis de Teliana, que cometeu 15 erros não forçados contra 17 da americana. Mais uma vez, o frágil saque da brasileira pesou. Diante da melhor devolução do mundo, Teliana venceu menos da metade dos pontos com seu serviço. Foram 21/45 com o primeiro saque e 6/17 com o segundo.

Serena avança à terceira rodada para enfrentar a francesa Kristina Mladenovic (#30), que passou pela húngara Timea Babos (#45) por 6/4 e 6/3.

Os outros favoritos

Rafael Nadal (#5) teve dois games ruins, que foram os dois primeiros do jogo contra Facundo Bagnis (#99). Depois disso, venceu 18 games, perdeu quatro e foi muito, muito sólido, sem deixar a agressividade de lado. Não que o adversário tenha dado trabalho, mas dá para notar que o espanhol vem evoluindo a cada dia. Nesta quinta, foram apenas 18 erros não forçados em três sets. Considerando que seis dessas falhas vieram nos dois games iniciais, dá para ter uma ideia de sua consistência durante a maior parte do encontro.

Depois de sua 200ª vitória em Slams, Nadal enfrentará o compatriota Marcel Granollers (#56), que chega aonde Fabio Fognini deveria estar agora. O italiano, no entanto, tombou na estreia diante do próprio Granollers, que avançou nesta quinta após a desistência do francês Nicolas Mahut (#44), que deixou a quadra quando perdia por 6/3, 6/2 e 1/0.

Enquanto Nadal saía da Chatrier, Novak Djokovic (#1) entrava na Suzanne Lenglen, a segunda maior quadra do complexo de Roland Garros. Seu jogo contra o belga Steve Darcis (#161) até teve emoção, mas muito mais pelos erros do sérvio do que por uma partida espetacular do belga. É bem verdade que Darcis fez uma apresentação bastante digna e tentou todos os golpes de seu pacote, mas foram os 42 erros não forçados do número 1 que mantiveram o jogo relativamente parelho.

Djokovic, porém, foi superior sempre que a necessidade se apresentou e só precisou de três sets para avançar: 7/5, 6/3 e 6/4. O sérvio, em busca de seu primeiro título em Roland Garros, enfrenta a seguir o britânico Aljaz Bedene (#66), que venceu um jogo de cinco sets contra o espanhol Pablo Carreño Busta: 7/6(4), 6/3, 4/6, 5/7 e 6/2.

Os brasileiros nas duplas

Primeiro a entrar em quadra, Bruno Soares venceu sem problemas. Ele e Jamie Muray passaram por Evgeny Donskoy e Andrey Kuznetsov por duplo 6/3. Pouco depois, Marcelo Melo e Ivan Dodig também avançaram rápido. Os atuais campeões de Roland Garros fizeram 6/0 e 6/3 em cima de Robin Haase e Viktor Troicki.

Thomaz Bellucci também esteve em quadra pela chave de duplas e já se despediu. Ele e Martin Klizan foram superados por Vasek Pospisil e Jack Sock por 6/1 e 7/5.

O barraco

A confusão da quinta-feira veio no fim do dia, no duríssimo jogo entre Alizé Cornet (#50) e Tatjana Maria (#111). A tenista da casa, com um público barulhento a favor, venceu por 6/3, 6/7(5) e 6/4, mas a alemã não ficou nada feliz com a postura de Cornet. Na hora do cumprimento junto à rede, Maria apontou o dedo como quem dizia não acreditar nas dores que Cornet dizia vir sentindo.

Depois de sair da quadra, Maria declarou, segundo o jornalista Ben Rothenberh, que Cornet não agiu como fair play. A alemã disse que a francesa tinha cãibras e pediu atendimento médico na perna esquerda por causa disso. Vale lembrar que o regulamento não permite tratamento para cãibras, mas o fisioterapeuta deve entrar em quadra e atender o atleta que diz sentir dores.

Correndo por fora

Semifinalista no ano passado, Timea Bacsinszky (#9) abriu a programação da Chatrier nesta quinta com um jogo um tanto estranho diante de Eugenie Bouchard (#47), semifinalista em 2014. Primeiro, a canadense abriu 4/1. Depois, a suíça venceu dez games seguidos, abrindo 6/4 e 5/0. O triunfo parecia encaminhado, mas Bouchard venceu quatro games e teve dois break points para empatar o segundo set. Bacsinszky, porém, se salvou a tempo e fechou o jogo: 6/4 e 6/4.

A suíça será favorita pelo menos até a próxima rodada quando enfrentará Pauline Parmentier (#88) ou Irina Falconi (#63). O duelo mais esperado nessa seção da chave será nas oitavas, contra Venus Williams (#11), que passou pela compatriota Louisa Chirico (#78) nesta quinta. Para chegar até Bacsinszky, contudo, a ex-número 1 ainda precisará passar por Alizé Cornet (#50).

Outras vitórias de nomes que correm por fora em Roland Garros incluem Ana Ivanovic (#16), que passou pela japonesa Kurumi Nara (#91) por 7/5 e 6/1; Carla Suárez Navarro (#14), que bateu a chinesa Qiang Wang (#74) por 6/1 e 6/3; Dominika Cibulkova (#25), que derrotou por Ana Konjuh (#76) por 6/4, 3/6 e 6/0; Venus Williams (#11), que eliminou Louisa Chirico (#78) por 6/2 e 6/1; e Madison Keys (#17), que superou por Mariana Duque Mariño (#75) por 6/3 e 6/2.

Entre os homens, Tomas Berdych (#8) precisou de quatro sets para superar o tunisiano Malek Jaziri (#72) com 6/1, 2/6, 6/2 e 6/4 e marcar um interessante duelo com Pablo Cuevas (#27), que passou pelo francês Quentin Halys (#154) por apertados 7/6(4), 6/3 e 7/6(6). Tcheco e uruguaio só se enfrentam antes, com vitória de Cuevas. No saibro, piso preferido do sul-americano, o resultado será igual? Parece uma ótima chance para Cuevas alcançar as oitavas de Roland Garros pela primeira vez na carreira.

Dominic Thiem (#15) também manteve o embalo e conquistou sua sexta vitória seguida, já que vem do título do ATP 250 de Nice. Nesta quinta, a vítima foi o espanhol Guillermo García López (#51), que ofereceu alguma resistência, mas sucumbiu em todos momentos importantes e caiu por 7/5, 6/4 e 7/6(3). Será a primeira vez de Thiem na terceira rodada em Paris, e seu oponente será Alexander Zverev (#41), o mesmo da final de Nice. É, sem dúvida, um dos duelos mais interessantes da terceira rodada.

David Goffin (#13) também marcou um duelo quentíssimo com Nicolás Almagro (#49) para a terceira rodada. Enquanto o belga passou por Carlos Berlocq (#126) por 7/5, 6/1 e 6/4, o espanhol bateu o tcheco Jiri Vesely (#60), aquele que tirou Djokovic de Monte Carlo, por 6/4, 6/4 e 6/3. Almagro, vale lembrar, vem em um momento interessante. Um ano atrás, brigava para estar entre os 150 do mundo. Hoje, depois do título em Estoril, já está no top 50 e jogando um nível de tênis de deixar qualquer cabeça de chave preocupado nas rodadas iniciais de um Slam.

Por último, David Ferrer (#11) bateu Juan Mónaco (#92) depois de perder o primeiro set: 6/7(4), 6/3, 6/4 e 6/2. Ele completou a parte de cima da chave, formando um interessante duelo espanhol com Feliciano López (#23), que vem de vitória sobre o dominicano Victor Estrella Burgos (#87): 6/3, 7/6(8) e 6/3.

Os favoritos nas mistas

Fortes candidatos ao título de duplas mistas , Leander Paes e Martina Hingis venceram sua estreia, fazendo 6/4 e 6/4 sobre Anna Lena Groenefeld e Robert Farah. Mais importante que o resultado, entretanto, é a imagem abaixo, registrando o sorriso mais carismático da antiga Calcutá. Apreciem:

Bruno Soares e Elena Vesnina, campeões do Australian Open e cabeças de chave número 5 em Roland Garros, também estrearam com vitória e derrotaram Abigail Spears e Juan Sebastián Cabal por 6/4 e 6/2. Brasileiro e russa podem enfrentar Hingis e Paes nas quartas de final. Antes, suíça e indiano precisam passar por Yaroslava Shvedova e Florin Mergea, cabeças 4 do torneio.

O susto

Entre os principais cabeças de chave, o único que passou aperto foi Jo-Wilfried Tsonga (#7), que viu Marcos Baghdatis (#39) abrir 2 sets a 0. O tenista da casa, que perdeu um set point na primeira parcial e teve uma quebra de vantagem no segundo set, se recuperou a tempo de evitar a zebra. A partir do terceiro set, esteve sempre à frente do placar e, no fim, triunfou por 6/7(6), 3/6, 6/3, 6/2 e 6/2.

Foi a primeira vez na carreira, depois de 55 jogos, que Baghdatis perdeu uma partida após abrir 2 sets a 0. Não que fosse uma catástrofe uma derrota de Tsonga a essa altura. Fora derrotar Roger Federer (fora de forma) em Monte Carlo, o francês pouco fez para chegar como grande credenciado a brigar pelo título. O próximo jogo, contra um aparentemente motivado Ernests Gulbis (#80), que vem de uma importante vitória sobre João Sousa (#29), promete ser interessante.

As cabeças que rolaram

Além da já mencionada queda de João Sousa, um resultado interessante do dia foi a vitória de Borna Coric (#47) sobre Bernard Tomic (#22) em quatro sets: 3/6, 6/2, 7/6(4) e 7/6(6). O croata repete sua melhor campanha em um Slam (também foi à terceira fase em Paris no ano passado) e terá uma chance interessante de ir às oitavas pela primeira vez. Seu próximo oponente será Roberto Bautista Agut (#16), que passou pelo francês imortal Paul-Henri Mathieu (#65) por 7/6(5), 6/4 e 6/1. Coric venceu o último jogo entre eles (Chennai/2016), mas o espanhol venceu os dois duelos anteriores no saibro.

Na chave feminina, Andrea Petkovic (#31) deu adeus ao cair diante da cazaque Yulia Putintseva (#60): 6/2 e 6/2, em pouco mais de 1h30min. O jogo foi mais duro do que o placar indica e teve vários games apertados, com muitas igualdades. Putintseva levou a melhor na maioria deles e agora chega à terceira fase de um Slam pela segunda vez na carreira. Ela enfrenta na sequência a italiana Karin Knapp (#118), que aproveitou o embalo com a vitória sobre Victoria Azarenka e derrotou, nesta quinta, a letã Anastasija Sevastova (#87): 6/3 e 6/4.

Leitura recomendada

A Federação Internacional de Tênis (ITF) mudará seu procedimento em relação a resultados positivos em exames antidoping. Segundo David Haggerty, presidente da entidade, disse que os anúncios passarão a ser imediatos. Hoje, a ITF tem por hábito revelar os resultados apenas depois de uma audiência com o atleta. O procedimento atual é cauteloso – tem como objetivo poupar os jogadores -, mas cria mistério quando alguém fica sem jogar por algum período, sem motivo aparente. Foi o que aconteceu recentemente com o brasileiro Marcelo Demoliner.

Haggerty fala que a mudança é em nome da transparência. Leia mais nesta reportagem do Telegraph (em inglês).

Audição recomendada

O Forvo, site que consulto há alguns anos para conferir pronúncias de tenistas, preparou uma página especial para Roland Garros. Ela tem a pronúncia na língua nativa dos nomes de muitos atletas e até da terminologia do tênis em francês. Veja o link no tweet abaixo.

Fanfarronices publicitárias

A campanha da Peugeot com Guga teve seu mais recente episódio com Jo-Wilfried Tsonga. Assim como Bellucci, o francês também experimentou a peruca.


Quadra 18: S02E03
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Alexandre Cossenza

Gravado na sala de entrevistas do Esporte Clube Pinheiros, o novo episódio do podcast Quadra 18 está no ar com tudo que aconteceu de mais interessante no Rio Open e no Brasil Open, os dois torneios mais importantes do país. Apresentado por mim ao lado de Sheila Vieira e Aliny Calejon (pela primeira vez, gravamos com os três na mesma sala), o programa tem participações especiais de Felipe Priante e João Victor Araripe, além de áudios de Rafael Nadal, Thomaz Bellucci, Bruno Soares, Marcelo Melo e Thiago Monteiro.

Falamos da impressionante ascensão de Thiago Monteiro, das zebras no Rio de Janeiro, da decepção que foi a passagem de Rafael Nadal pela América do Sul, da surpresa de Paula Gonçalves, da nova sede do torneio paulista, do misterioso problema físico de Thomaz Bellucci e da fantástica Francesca Schiavone, entre muitos outros assuntos.

Também contamos histórias de “bastidores”, falamos sobre o convívio na sala de imprensa e respondemos perguntas de ouvintes. Para ouvir, basta clicar no player acima. Se preferir, clique neste link com o botão direito e, depois, em “salvar como” para fazer o download do episódio e ouvi-lo mais tarde.

Os temas

0’00” – Alexandre Cossenza apresenta programa gravado no Pinheiros
2’25” – Impressões sobre o Rio Open
2’30” – “O que mais gostei foi John Isner”
3’30” – A decepcionante participação de Jo-Wilfried Tsonga
4’40” – As quedas de David Ferrer, Rafael Nadal e Jack Sock
7’05” – A inusitada desistência de Sock nas duplas
7’55” – A passagem de Nadal pela América do Sul
10’20” – Nadal explica sua derrota para Cuevas e fala do início de temporada
12’00” – Cuevas e o “melhor backhand de uma mão do circuito” segundo Guga
13’00” – A participação de Teliana Pereira no Rio Open
14’20” – A surpreendente campanha de Paula Gonçalves
15’55” – A derrota de Bia Haddad e o sucesso de Sorana Cirstea no Brasil
17’10” – A fantástica Francesca Schiavone e sua relação com o Brasil
19’40” – A lona do Rio Open
23’00” – Thomaz Bellucci vendendo pipoca no Rio de Janeiro
24’55” – Summer (Calvin Harris)
25’40” – Impressões sobre o Brasil Open no Esporte Clube Pinheiros
30’50” – Aliny avalia as campanhas de Melo e Soares em RJ e SP
32’20” – “O lado positivo é parar com o oba-boa que vinham fazendo”
33’48” – Bruno Soares avalia os resultados da dupla nos torneios brasileiros
35’09” – Bruno e Marcelo fala sobre a repercussão das derrotas na imprensa
37’10” – As preocupantes derrotas de Thomaz Bellucci
39’32” – Bellucci fala sobre seu problema físico e que seria outro tenista sem ele
42’21” – O momento de Feijão
44’00” – Thiago Monteiro, a grande estrela brasileira nas duas semanas
47’25” – Monteiro faz um balanço das duas semanas
49’00” – Cuevas, o “Rei do Brasil”
50’45” – A curiosa (e curta) passagem de Benoit Paire por São Paulo
52’05” – Os bolos da sala de imprensa do Brasil Open
53’30” – You Never Can Tell (Chuck Berry)
54’00” – “O que vocês levariam de SP para o Rio e do Rio para SP?”
58’05” – “O que os jogadores acharam da estrutura em SP?”
59’10” – “Qual a pessoa mais insuportável das salas de imprensa?”
71’50” – “Como foi a prestação de serviços dos dois torneios? Dá para comparar?”
72’50” – Cossenza critica o serviço prestado a idosos no Rio Open
75’07” – “Favor contar todas fofocas de bastidores”
69’20” – “Rio Open como Masters 1.000: sonho ou realidade?”
71’02” – “Acham que ano que vem vai ter lona no Rio Open?”
71’15” – “Thiago Monteiro já merece ser chamado para a Copa Davis?”
73’45” – “Thiago Monteiro tem condição de entrar no top 50?”
74’30” – Marcelo Melo faz uma declaração para Aliny Calejon

Créditos musicais

A faixa de abertura é chamada “Rock Funk Beast”, de longzijum. Em seguida, entram Summer (Calvin Harris) e You Never Can Tell (Chuck Berry). A faixa de encerramento é Pobre Paulista (Ira!).


Entrevista: diretor explica os porquês do ‘novo’ Brasil Open
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Alexandre Cossenza

Marcher_SP16_MarcelloZambrana3_blog

Um torneio de cara nova, em data diferente, com capacidade para menos público e com uma chave modesta. É assim que o Brasil Open faz sua estreia no Esporte Clube Pinheiros, uma sede que deu ao evento mais “cara” de torneio. A missão no (meu) primeiro dia aqui em São Paulo era conversar com o diretor, Roberto Marcher, e entender alguns dos porquês das mudanças. Por que o novo local? Por que não participar das negociações conjuntas para trazer nomes de mais peso? O quanto a alta do dólar pesou? Qual o tamanho do prejuízo da mudança de data imposta pela ATP?

Marcher conversou comigo e com o jornalista Matheus Martins Fontes (por opção editorial, incluí neste post apenas as minhas perguntas) e explicou tudo. Falou muito mais do que o necessário, é bom que se diga – o que é ótimo. Com 70 anos e algumas décadas de experiência na organização de torneios, o diretor do Brasil Open lembrou o quanto o Rio sofreu um baque de público este ano e afirmou que Tsonga “parecia um elefante caminhando” no torneio carioca. A sinceridade foi tanta que Marcher disse até que o wild card para Benoit Paire em São Paulo é um risco porque “ele não bate bem da cabeça”. Confira as partes mais importantes:

O que pesou mais na decisão de deixar o Ibirapuera e vir para o Pinheiros?

São vários fatores, mas o principal é que a gente não acredita ainda – não temos tradição no tênis, né? Imagina se isso tivesse acontecido com Buenos Aires, que é o segundo torneio de terra com mais charme e appeal? Com a tradição argentina, se os caras tiram do Buenos Aires Lawn Tennis Club e levam para outro, sei lá, o Estudiantes? Ali havia uma tradição. Nós, no Brasil, ainda não temos um estádio, um local que tenha tradição. (…) O Ibirapuera foi um sucesso. Começamos em 2011, tivemos casa cheia duas vezes, com problemas ou não, mas isso não vem ao caso aqui, estamos falando de outra coisa. Lotamos o Ibirapuera e depois vimos as coisas baixando. Aí começaram a aparecer problemas… Com agente, o dinheiro começou a… o dólar já… Não dá! Esse torneio aqui foi feito sem nenhuma garantia. Hoje, eu estava com nosso cabeça de chave número 1, Benoit Paire, muito simpático… Não recebeu um centavo. Nada. Cuevas? Não tem, não tem, não tem. Chegou uma hora que a gente disse: “Vamos, em primeiro lugar, tratar dos jogadores.” Eles não gostam de jogar em um lugar que não tenha tradição de tênis. Que seja um clube…. Eles detestam quando a quadra é feita em cima da hora. No Ibirapuera ou no próprio Rio de Janeiro, que as quadras do Jockey eram horríveis e eles deram uma acertada… “Vamos usar o Pinheiros, tem 70 anos, quadra sólida, os jogadores vibram com a atmosfera do clube, que é lindo, etc.” Muito por causa dos jogadores, que se sentiam muito melhor aqui. O Ibirapuera era legal para deixar a casa cheia e etc., mas não tinha charme, não tinha nada. O sujeito ia fora, ia aonde? Num food truck? Não, ele ficava lá por dentro. (…) Então foi principalmente (por causa) dos jogadores, como eles se sentem, aqui foi bem mais em con… (interrompendo) Bem mais, não, mas melhorou tudo. Mudou do conceito de um torneio indoor. Nosso grande inimigo é a chuva, mas que é muito melhor, todo mundo elogiando. Perdemos um pouco a arquibancada – ano que vem vamos aumentar – porque o plano era abrir aquelas duas quadras, quebrar no meio, fazer uma só, aí daria para fazer uma arquibancada enorme, mas a ATP falou que ficaria muito em cima da hora. (…) Claro que os custos caíram, enxugamos muito devido a… acho que qualquer um que lê jornal sabe da crise que atravessa o Brasil. Você me pede hoje, eu te paguei 200 para jogar, como garantia. Aí você me pede a mesma coisa em dólar, torna-se quatro vezes mais caro. Não tem condições. Vamos reduzir um pouco, fazer essa experiência aqui, ver como funciona. Estamos aprendendo com o Pinheiros. Acho que neste momento a gente está surfando a onda da crise.

Publico_SP16_MarcelloZambrana_blog

Sobre a questão da data, houve a inversão com Buenos Aires, que acabou ficando com uma chave fortíssima…

(interrompendo) Ali tem a data e… não sei de onde eles conseguem dinheiro. O Tsonga, por exemplo, queria fazer uma “tripartida” com Rio, Buenos Aires e nós. Caímos fora. Aí eles pegam grana não sei daonde. Eles têm Claro, governo… Ele fala: “Olha, querido, preciso de tanto para o Tsonga. Ok.” O Nadal tinha um acerto com eles para terminar, aí acabou o Nadal, né? O Ferrer foi lá, gastaram uma grana também. E pagaram pouco para o Isner, não tanto. Ele quase veio aqui, mas “quero tanto”, “te dou tanto”, mexe pra lá, mexe pra cá, graças a Deus. Eles pegaram o Tsonga, que literalmente não quer nada com a bola. Já em Buenos Aires foi ridículo. E tomou uma primeira rodada no Rio de Janeiro. De um jogador que acho que vai ser o próximo grande jogador do Brasil, o Thiago (Monteiro). Mas o Tsonga estava um desastre, parecia um elefante caminhando na quadra. Queria nada com a bola. Isolando direita, chegou uma hora que se ele encheu o saco… Enfim, os caras pagaram um puta granapara esses dois aí e jogaram dinheiro fora. O Isner tomou duas primeiras rodadas. Se esforçou. Tudo 7/6 no terceiro, mas já de cara tomaram uma bela duma porrada. Eu falei para o meu CEO: “Vamos jogar com o que a gente tem aqui.”

Esse custo-benefício não compensaria nem com o que vocês teriam vendido a mais de ingresso?

Não. Nós estamos com uma quadra menor, mas nem no Ibirapuera. A gente não vende antecipado, entende? Não faz essa sacanagem de chegar para o trouxa que comprou e se o Nadal perdeu, problema é teu, né? Mas mesmo assim sofreram bem um baque no público e tudo. Nadal, acho que está quase no fim e, enfim, o Rio tomou um baque. Para nós, não. Estamos sold-out. Nossa quadra aqui está perfeita. É pouquinho? É pouquinho. E também com o dólar a R$ 4, para nós, não compensa.

O que atrapalhou mais? A data ou o dólar? Se é que dá para fazer essa distinção…

Dá: o dólar. E os dois atrapalharam.

Com o dólar, suponhamos, a R$ 2, daria para trazer mais gente de peso mesmo com essa data?

Sim. A data é ruim porque somos o único torneio da ATP que compete com dois ATPs 500. Não existe no calendário da ATP. Nenhum torneio – isso é uma sacanagem – compete contra dois… E tem outro detalhe. Se o cara for top, eles terminam aqui, e o técnico já convoca para treinar (para a Copa Davis). O Benoit, apesar de ser um craque, não vai. Fora da quadra, ele é uma moça. Muito legal! E é namorado de uma popstar, que enche estádio na França (Shy’m), e nem se importa. Ele disse “Eu tô a fim de jogar aí. Você me dá wild card?” Eu digo “Você não quer nada? Vinte e um do mundo? Tá dado o wild card.” Os caras todos cobrando uma fortuna, gente que… Sabe? Não dá para acreditar que o Verdasco me peça dinheiro. Você tá me gozando? Não tem dinheiro. Wild card, não te dou. Se você não se inscreveu, não quero ver você aqui. Esse aí (Paire) eu quero. Tomando um risco… Ele não bate bem da cabeça. Dentro da quadra, pode acontecer qualquer coisa. É um Fognini piorado. Você não sabe o que pode acontecer. Mas de qualquer forma, a gente pegou e não pagou nada. Mas a data foi péssima, mas quem escolhe… Tudo é política e dinheiro. Eu sei que os caras (ATP) olharam o Brasil em crise, os caras (argentinos) forçaram, e a data foi para eles. Posso fazer o quê?

Tsonga_Rio16_JoaoPires2_blog

E o que o torneio pode fazer? Existe possibilidade de brigar para mudar outra vez de data?

No outro ano, não dá mais. Só para o outro.

Para 2018?

Sim.

Mas a ideia…

(interrompendo) A ideia… Essa data é péssima, cara! Os caras já querem ir embora, compete contra Acapulco… Está tudo sendo estudado. Nunca se sabe o que vai acontecer. De repente, a Argentina dá um treco. É uma luta… Não vou dizer que não seja de igual para igual. É. Argentina e Brasil é uma guerra em tudo…

Chance zero de pleitear, de repente, a data de Quito?

Não, não é chance zero, mas também é outra data de merda…

Porque é colada na Austrália…

Quito foi um horror o torneio. Esses torneios que dependem do governo ficam muito problemáticos. Para você ter o patrocinador, o patrocinador no ano que vem não quer mais o Tsonga. Agora ele vai querer o Djokovic.

Última coisa… O contrato com o Pinheiros é só para este ano?

Não, não é não. É para o ano que vem e depois tem opção de renovação. É um contrato bem feito.


Rio Open, dia 3: a gigante zebra brasileira e, sim, mais chuva
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Alexandre Cossenza

A quarta-feira murcha no Rio Open, com duas interrupções por causa de chuva, teve um ponto alto – altíssimo. O cearense Thiago Monteiro derrubou o top 10 Jo-Wilfried Tsonga. O período de bom tempo ainda foi suficiente para um bate-bola com 21 títulos de Grand Slam em quadra e uma cena curiosa (e divertida) na sala de coletivas. O resumo do dia ainda fala sobre os desafios de se jogar no circuito sul-americano de saibro e sobre o “mistério da lona”. Leia e saiba de tudo!

Monteiro_Rio16_LuizPires_blog

A zebra

De um lado, o número 9 do mundo e duas vezes semifinalista de Roland Garros (2013 e 2015), Jo-Wilfried Tsonga. Do outro, Thiago Monteiro, 21 anos, #338 no ranking, em seu primeiro jogo de chave principal de torneio ATP na carreira. Barbada, certo? Errado. Em uma atuação memorável, o cearense derrubou o favoritíssimo por 6/3, 3/6 e 6/4 e avançou às oitavas de final do torneio. Pela primeira vez desde Marselha/2012, um tenista fora do top 300 bateu um top 10.

Foi a primeira vitória da vida de Monteiro em um evento deste porte. Por outro lado, Tsonga não perdia para um tenista de ranking tão baixo desde 2004, quando foi superado pelo australiano Paul Baccanello (#416) em setembro de 2004, em um Challenger em Pequim. Na ocasião, Tsonga ainda era o #194 do mundo e estava em seu terceiro ano no circuito profissional.

Outra curiosidade: foi também a primeira entrevista coletiva da vida de Monteiro, que sentou-se ao microfone dizendo “Nunca entrei numa sala assim, mas estou bem, vou poder responder” e ganhando risos dos jornalistas. Na conversa, o cearense falou de seu plano tático, de como tentou mexer Tsonga, que parecia não estar se movimentando bem no terceiro set, e da influência de Guga em sua vida (o Instituto Guga Kuerten agencia sua carreira).

Indagado se Tsonga teria desmerecido o adversário, Monteiro respondeu “não percebi. Estava focado no meu jogo, buscando fazer o meu melhor e me dedicando. Não prestei atenção nas atitudes ou outras coisas dele.” Vale destaque especial a declaração do brasileiro sobre a principal consequência da vitória desta quarta: “Foi uma surpresa saber que você tem condições de seguir trabalhando e chegar nesse nível. Me fez acreditar muito mais em mim.”

Como aconteceu

Tsonga demorou a acordar para o jogo, e Monteiro não bobeou. Apostando em uma estratégia de bolas altas e fazendo o francês se movimentar sob o calor carioca, o cearense conseguiu a primeira quebra no sétimo game, depois de perder break points no terceiro e no quinto. O 6/3 da parcial talvez nem tenha sido um reflexo do quão melhor o brasileiro vinha sendo em seu plano de jogo.

O único vacilo do dia veio no primeiro game do segundo set. Com um par de erros bobos, Monteiro perdeu o serviço e colocou Tsonga na partida. O francês aproveitou e, errando bem menos, manteve a vantagem até quebrar outra vez, fazer 6/3 e forçar o terceiro set. E foi aí que o cenário mais provável insistiu e não acontecer. O brasileiro resistiu, seguiu com seu plano de jogo e seguiu à espera de uma chance no saque de Tsonga. Monteiro inclusive saiu de um desconfortável 0/30 no segundo game e de um perigoso 30/30 no sexto.

O favorito, enfim, escorregou. No nono game, em sequência, fez duas duplas faltas e espirrou uma bola, dando a quebra a Monteiro. O brasileiro ainda salvou dois break points no game seguinte (Tsonga cometeu erros não forçados) antes de subir à rede e ver a bola do oponente morrer na rede.

Monteiro agora enfrentará Pablo Cuevas, #45 do mundo, que, apesar do ranking, promete ser um desafio diferente e, talvez, ainda maior no saibro.

Sobre o saibro sul-americano

Tsonga encerra a participação em seu tour sul-americano de forma não muito diferente de Jack Sock e John Isner, outros dois tenistas que costumam jogar em quadras duras nesta época do ano. O francês jogou dois torneios e somou apenas uma vitória – em Buenos Aires, sobre Leo Mayer. No Rio, os três foram eliminados por tenistas que têm o saibro como habitat natural.

A questão do circuito saibro sul-americano é um desafio muito maior para os tenistas “de quadra dura” do que o piso em si. Até porque os três eliminados (Sock, Isner e Tsonga) têm no currículo bons resultados na terra batida. Parte da questão é que Rio e Buenos Aires são torneio disputados com sob muito calor e umidade, o que deixa os eventos mais desgastantes do que a média do circuito.

Mas não é só isso. Talvez a maior parte do problema seja encontrar adversários que: 1) dependem do saibro para viver; e 2) estão acostumados a jogar em condições assim. Para gente como Delbonis e Pella, a circuito sul-americano é a melhor chance do ano para pontuar. Quase todos jogos são vida-ou-morte para eles e muitos outros nascidos no continente. Gente como Tsonga, Isner e Sock não encara assim essa sequência (ou dupla) de torneios. É mais um jogo.

Carta vez, Marat Safin, já aposentado, deu a melhor definição para esse cenário. Em entrevista antes de uma exibição no Rio de Janeiro, alguns anos atrás, um jornalista perguntou ao russo por que ele havia jogado tão pouco na América do Sul durante sua carreira. Safin explicou que Costa do Sauípe (na época) e Buenos Aires davam poucos pontos (250) e exigiam muito. Em vez de atuar no calor por três horas contra Coria, Gaudio ou Meligeni (que estava sentado à mesa), preferia jogar na quadra dura indoor, onde as partidas duram menos e as arenas têm ar-condicionado. Difícil discordar do russo, não?

Os (outros) brasileiros

A dupla olímpica formada por Marcelo Melo e Bruno Soares (que jogarão juntos no Rio e em São Paulo) entrou cheia de expectativa e favoritismo na Quadra 1 contra os também brasileiros Fabiano de Paula e Orlando Luz. Com Dominic Thiem e Diego Schwartzman na Quadra Guga Kuerten (central), muita gente ficou sem conseguir ver os brasileiros na Quadra 1, que tem capacidade para 1.200 pessoas – a quem interessar, Bruno e Marcelo pediram para jogar lá.

A partida, no entanto, não terminou. Quando o placar ainda mostrava 2/0 para Soares e Melo, a chuva apareceu pela segunda vez no dia e demorou tanto que o Twitter do torneio anunciou o cancelamento de todos os jogos restantes às 21h36min. Havia duas partidas inteiras por realizar na Quadra Guga Kuerten: Ferrer x Ramos Viñolas e Giraldo x Pella.

Vale registrar que André Sá entrou em quadra mais cedo e acabou eliminado. Ele e o argentino Máximo González foram derrotados na estreia por Federico Delbonis e Paolo Lorenzi por duplo 6/4.

A homenagem adiada

A programação da noite desta quarta-feira previa uma homenagem para Fernando Meligeni e Alcides Procópio, nomes importantes da história do tênis brasileiro. A cerimônia foi adiada para a noite de quinta.

Os abandonos

Fabio Fognini foi o desfalque mais sentido do dia. O italiano havia vencido o primeiro set sobre Daniel Gimeno Traver, mas começou a sentir dores nas costas logo no início da segunda parcial. Pediu atendimento e teve o local enfaixado, mas desistiu quando perdia a parcial por 3/1.

Quem também teve problemas nas costas foi Jack Sock, que abandonou a partida de duplas. A curiosidade é que ele e Nicholas Monroe venciam Jo-Wilfried Tsonga e Paul-Henri Mathieu por 6/4 e 3/0. Sock, já eliminado da chave de simples, abandonou o torneio durante uma das paralisações por causa da chuva.

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A desinformação

A eliminação de Jack Sock provocou uma cena curiosa – e engraçada – quando Jo-Wilfried Tsonga apareceu para dar sua entrevista coletiva. Com o monitor da sala de imprensa mostrando “partida suspensa” (mensagem padrão para interrupções por causa de chuva), um jornalista perguntou se era a primeira vez que o francês concedia uma coletiva no meio de um jogo. Tsonga reagiu com expressão confusa e disse que havia vencido o jogo. Foi aí que os jornalistas descobriram sobre a desistência de Jack Sock.

O melhor bate-bola

Aconteceu numa das quadras externas do Jockey Club Brasileiro e envolveu 21 títulos de Grand Slam. A brasileira Maria Esther Bueno, dona de 19 troféus, bateu bola com a italiana Flavia Pennetta, atual campeã do US Open, aposentada e ainda número 7 do ranking mundial.

O mistério da lona

Uma das perguntas mais frequentes no Jockey Club Brasileiro é “onde está a lona?”, já que a organização do torneio optou por não cobrir as quadras durante as várias vezes em que a chuva deu as caras – ou os pingos.

O diretor do torneio, Lui Carvalho, justifica explicando que a drenagem da Quadra Guga Kuerten é excelente e levaria mais tempo para tirar a água de cima da lona do que para deixar a quadra absorver o líquido naturalmente.


Rio Open: sobre ingressos, estrutura, bastidores e um pouco mais
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Alexandre Cossenza

Na manhã desta quinta-feira, o diretor do torneio, Luiz Procópio Carvalho, recebeu na sede da IMM alguns jornalistas que acompanham tênis para um café da manhã e um bate papo informal sobre os preparativos para o torneio. Lui, como o diretor é conhecido no circuito, deu muita informação: falou sobre a loucura que será fazer a programação com tantos nomes de peso, revelou detalhes da estrutura da edição 2016 do torneio e deu valiosas informações sobre como aconteceram as negociações com jogadores que o evento queria trazer ao Rio de Janeiro.

Separei abaixo os melhores trechos da conversa que durou cerca de 1h30min. Leiam até o fim porque há dicas importantes sobre o evento.

Quadra Central e valiosos ingressos sobrando

Como já foi anunciado em dezembro, o Rio Open terá apenas quatro jogos por dia na Quadra Central (em vez dos seis de 2014 e 2015). Parte da intenção é poupar os jogadores do calor. A outra parte é evitar que os jogos noturnos se estendam demais, como aconteceu de Nadal entrar em quadra à 1h e sair às 3h da madrugada no ano passado.

Com a chave masculina tão forte e outras atrações importantes (Nadal, Ferrer, Isner, Tsonga, Bellucci, Teliana, Bouchard, Soares e Melo), Lui já prevê que será complicado encaixar todos na arena principal do Rio Open, pelo menos nos primeiros dias do torneio.

O pepino para a organização é, ao mesmo tempo, uma recompensa aos fãs. É bastante provável que quem tiver ingresso para segunda e terça-feira vai ver ótimos nomes nas quadras externas. E vale lembrar que bilhetes da sessão diurna dão direito ao dia inteiro no complexo. O espectador pode chegar e ver o primeiro jogo da Quadra Central e ficar até a noite nas quadras menores.

Tudo depende do sorteio da chave, obviamente, mas é grande a chance de que nomes como Almagro, Fognini, Verdasco, Cuevas e Thiem joguem fora da Quadra Central. Ah, sim: há ingressos sobrando para as quatro sessões de segunda e terça (e nem são os mais caros), então, como dizem por aí, fica a dica.

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Programação

Sobre os jogos femininos, a intenção do torneio é abrir a programação da Quadra Central todos os dias com uma partida da WTA ou de duplas. De cara, a vontade é ter Teliana Pereira e Genie Bouchard nos primeiros dias (segunda e terça, logo no primeiro horário, às 14h15min). Tudo depende, claro, do sorteio da chave e de quando os jogadores chegarão ao Rio de Janeiro.

Sobre as duplas, o Rio Open pediu inclusive uma autorização especial para realizar a final de duplas no domingo, “no prime time”, após a final de simples (o regulamento não permite o jogo de duplas por último). Lui explica que fez o pedido porque possivelmente terá o duplista número 1 do mundo no torneio. Além disso, o diretor existe a possibilidade de Marcelo atuar ao lado de Bruno Soares.

Lui também falou que vem se mantendo em constante contato com André Sá e Bruno Soares – “especialmente o Bruno, que é mais vocal” – para conseguir agradar a todos na montagem da programação de jogos. “Está falado com eles, a gente conversou, eles entendem. Diferentemente do primeiro ano (2014), que foi um erro meu, de comunicação, de não ter falado com eles como ia funcionar o schedule”, explicou Lui.

Negociações com tenistas

Lui conta que “em junho, a gente tinha mais segurança que Nadal e Ferrer voltariam, então a gente queria um nome novo e a gente começou a mapear alguém com perfil ‘brasileiro’. Alguém que seja showman e faça sentido estar aqui. A gente começou a ver Monfils, Tsonga, Berdych e Wawrinka. Aí depende de calendário. Com o Tsonga, a gente deu uma sorte tremenda – e competência, espero – porque ele queria se preparar melhor para Roland Garros e a Copa Davis eles já estavam em conversa para jogar na América Central.”

Com o confronto contra o Canadá marcado para Guadalupe, o Rio Open viu o caminho para fechar com o francês, que tem base em Miami. Monfils, por outro lado, queria ficar na Europa após o Australian Open. Lui também tentou trazer Nishikori, e a negociação caminhou bastante. O torneio até se comprometeu a ceder um jatinho para que o japonês deixasse o Rio rumo a onde quer que fosse (o Japão joga na Inglaterra pela Copa Davis), mas Nishikori acabou decidindo não vir, optando por jogar em Acapulco na semana seguinte – o torneio é em quadra dura.

Quanto a Isner, a negociação começou com uma conversa informal com Justin Gimelstob, técnico do americano. O treinador acredita que Isner deveria jogar mais no saibro, então as negociações caminharam até o anúncio de dezembro. O detalhe é que as conversas começaram com a participação de Buenos Aires e São Paulo, mas o Brasil Open acabou não conquistando ninguém. “Infelizmente, São Paulo não quis dançar com a gente”, disse Lui. A negociação em conjunto continuou com o torneio portenho, que também terá o americano.

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A estrutura

De modo geral, a organização ficou satisfeita com a estrutura de 2015, por isso não haverá grandes mudanças. Ainda assim, houve uma alteração no lado da entrada dos jogadores para evitar tumulto e encurtar o tempo entre as partidas.

O Leblon Boulevard, que Lui chama carinhosamente de “nossa minicidade cenográfica” será um pouco maior, já que há novos patrocinadores. O torneio manteve 85% dos patrocinadores e conquistou outros dez parceiros para 2016. Considerando o momento da economia do país, é um feito e tanto.

O Rio Open terá um novo bar da Stella Artois, construído nos moldes de bares de grandes eventos como o US Open e o Miami Open, que tem lounge e TVs. Será posicionado bem na frente do telão que fica na lateral da Quadra Central.

Na questão de alimentação, fazem parte das novidades o food truck Frites e o Popcorn Truck da rede Cinemark, com pipoca gourmet.

Os banheiros, grande problema da edição da estreia que foi corrigido em 2015, terão a mesma (ótima) estrutura este ano. A novidade é a parceria com a Granado, o que garante a manutenção da qualidade (nenhuma marca patrocina banheiro sujo, então temos um fator tranquilizador a mais).

Nada muda no estacionamento. Ou seja, não há estacionamento do evento. A organização lembra, contudo, que há bolsões perto do Jockey Club Brasileiro: Parque dos Partins, Lagoon, Shopping Leblon, Cobal Leblon e Estapar na rua Jardim Botânico.

Transmissão de TV

Assim como no ano passado, não haverá transmissão dos jogos na Quadra 1 (em 2014, havia estrutura para transmissão de lá).

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Centro Olímpico

É uma questão recorrente, até porque ninguém sabe até agora quem administrará o Centro Olímpico de Tênis após os Jogos Rio 2016. A instalação, aliás, virou alvo de uma pendenga jurídica que só deus sabe como vai terminar. Mas eu divago. A questão é saber se o Rio Open, que continua crescendo apesar da economia brasileira, mudaria para a região do ex-autódromo de Jacarepaguá.

Lui inclusive concordou quando eu disse que a chave do Rio Open deste ano indica que o torneio está crescendo além da capacidade do Jockey Club. “A gente mensura o apetite pelo evento. A gente bota os ingressos à venda, e esgota sábado e domingo em três horas. Se tivesse uma quadra maior, iria vender mais ingresso, mas eu tenho a limitação de espaço do Jockey. A gente quer crescer o evento, mas organicamente. Não dá para fazer uma loucura. A pergunta é ‘o Rio Open dentro do Centro Olímpico tem uma quadra lotada?’ É difícil de responder. Botar dez mil pessoas constantemente… Porque é isso que a gente quer. A gente quer quadra lotada de segunda a domingo.”

Lui não dá uma resposta definitiva e lembra que existe a questão política que decidirá o que vai acontecer com o Centro após os Jogos, mas insiste em dizer quer “continuar crescendo o evento” e abraçar a oportunidade de se tornar um Masters 1.000 se ela se apresentar. “Acho que não é um sonho a América do Sul pleitear um Masters 1.000. Acho que agora a gente está num momento que faz sentido. A Europa tem, a Ásia tem, por que a América do Sul não tem? É um ponto questionável, e a gente gostaria de estar nessas conversas se isso for cogitado.”

Projetos sociais

O torneio ainda não anunciou oficialmente, mas haverá parcerias com três projetos sociais. Não só porque existe uma necessidade de boleiros, mas porque Lui lembra que “é uma coisa pessoal. Meu pai foi pegador de bola na infância, virou rebatedor, virou professor, tem uma academia de tênis e construiu o que ele tem graças ao tênis. O tênis não só forma profissionais como Julinho e Rogerinho, mas forma cidadãos. A história da minha família eu agarro com muito orgulho.”

O Rio Open cede bolas usadas para projetos sociais, mas dá material e alimentação para todos meninos e meninas. Além disso, cerca de 10-12 jovens com mais de 18 anos de projetos sociais que vão trabalhar no torneio nas áreas de tecnologia, entretenimento, ticketing e outras.

Também haverá um torneio entre cinco projetos sociais. As crianças serão misturadas (nada de um projeto jogando contra o outro) e formarão cinco equipes que se enfrentarão em partidas realizadas na Quadra 1 do Rio Open. A equipe campeã vai tirar uma foto com o tenista de der nome ao time. Se o Time Nadal for campeão, o grupo faz o clique com o eneacampeão de Roland Garros.

Na segunda-feira, primeiro dia da chave principal, o Rio Open distribuirá 400 ingressos para vários projetos sociais. A intenção é sempre “para incentivar a seguir no esporte mesmo. Eu acredito em formar melhor cidadãos.”

Coisas que eu acho que acho:

– Apenas por curiosidade (mesmo sem achar que teria uma resposta definitiva), perguntei se o cachê de Rafael Nadal havia diminuído depois de uma temporada abaixo das expectativas. Lui sorriu e respondeu: “Nadal é Nadal, amigo. Nadal é Nadal. Para mim, se Nadal chegar número 1 ou 25… É mais para a imprensa escrever porque é Nadal, cara. As pessoas continuam querendo ver.”

– Lembrete importante: as chaves do Australian Open foram sorteadas nesta sexta-feira (noite de quinta no Brasil). Até amanhã o blog terá os tradicionais posts sobre as chaves masculina e feminina. Até lá!


Quadra 18: S01E16
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Alexandre Cossenza

As duas semanas incríveis de Marcelo Melo e sua ótima chance de se tornar número 1 do mundo; a (ainda) fantástica temporada de Novak Djokovic, que atropelou todo mundo em Pequim e Xangai; e a confusa corrida pelas últimas vagas do WTA Finals são os assuntos do podcast Quadra 18, que voltou e está mais animado do que nunca depois de seu período de férias pós-US Open.

Com trilha sonora inspirada no Extremo Oriente, Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu respondemos a perguntas do tipo “a temporada 2015 de Djokovic é a mais dominante da Era Aberta?”, falamos sobre o fim de temporada precoce (ou não) de Serena Williams, do processo de Genie Bouchard abriu contra o US Open, da evolução (ou não) de Rafael Nadal e seu estilo agressivo e também dos motivos pelos quais não houve transmissão de TV para a final de Marcelo Melo em Xangai.

Para ouvir, é só clicar no player acima. Se preferir fazer o download, basta clicar neste link com o botão direito do mouse e “gravar como”.

Os temas

0’00” – China Girl, David Bowie + Sheila faz a abertura do podcast
2’15” – Aliny comenta os títulos de Marcelo Melo em Tóquio e Xangai
6’15” – Por que não houve transmissão da final de Marcelo em Xangai
12’15” – Em números, o que Marcelo precisa para ser #1 do mundo
16’20” – As chances de Bruno Soares alcançar o ATP Finals
21’05” – Ouvinte pergunta: “Qual o sabor de pizza preferido de vocês?”
22’35” – O dilema do catchup na pizza
24’10” – Princess of China, Coldplay feat. Rihanna + análise musical da Sheila
25’45” – O momento “absurdo” de Djokovic
29’11” – Ouvinte pergunta: “Vocês já viram temporada mais dominante?”
29’47” – “Esse podcast é muito Federete”
29’50” – Sheila compara Djokovic/2015 com Federer/2006
37’10” – “Todo mundo sabe que na verdade o podcast é Murrayzete”
37’45” – A vantagem de mais de 8 mil pontos no ranking
39’45” – Ouvinte pergunta: “Djokovic termina o ano com o título do Finals?”
42’10” – Nadal: as boas campanhas que terminaram de forma decepcionante
45’25” – “Nadal faz certo em adotar esse jogo agressivo até nos pontos chave?
48’10” – Ouvinte pergunta: “Por que é tão chato ver tênis depois de setembro?”
49’50” – Ouvinte pergunta: “Tsonga ganhará seu major até encerrar a carreira?”
51’37” – Ong Ong, Blur
52’40” – A confusa corrida para o WTA Finals
61’50” – “Sheila fala mal de Patrick Mouratoglou mais uma vez”
63’50” – Genie Bouchard processa o US Open, e os três comentam
66’35” – “Acho até que Serena devia processar o US Open também”
67’25” – Comentários sobre Teliana Pereira e sua turnê asiática
69’20” – Hong Kong Phooey, Sublime

Créditos musicais

A faixa de abertura é China Girl, de David Bowie. Nos dois intervalos, entram, respectivamente, Princess of China (Coldplay feat. Rihanna) e Ong Ong (Blur). Por fim, o tema de Hong Kong Phooey (lançado no Brasil como Hong Kong Fu), na versão do Sublime, fecha o programa.


Quadra 18: S01E10
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Alexandre Cossenza

Uma atuação salvadora de Lleyton Hewitt e três pontos conquistados por Andy Murray foram só alguns dos destaques da Copa Davis em um fim de semana cheio de confrontos emocionantes que incluiu ainda a República Dominicana avançando no Zonal das Américas e a Espanha sendo derrotada lindamente diante de um time nada intimidante da Rússia em Vladivostok.

Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu falamos sobre tudo isso e ainda analisamos as possibilidades do Brasil, que enfrentará a Croácia nos playoffs do Grupo Mundial, de 18 a 20 de setembro, em casa. Para ouvir é só clicar no botãozinho abaixo.

Quem preferir pode baixar o arquivo neste link ou assinar nosso feed e ouvir no iTunes. Nosso arquivo com todos os programas também está no Tumblr. E para enviar questões, críticas e sugestões, nosso canal preferido é o Twitter – incluam sempre a hashtag #Quadra18 – mas também aceitamos via e-mail e Facebook.

Os temas

Como de costume, segue abaixo a lista de assuntos abordados no programa, com o momento em que falamos sobre cada um dos temas. Quem preferir, pode avançar direto até o trecho que quiser ouvir primeiro.

1’18’’ – Lleyton Hewitt resgata a Austrália na vitória de virada sobre o Cazaquistão
3’02’’ – A imprevisibilidade dos jovens australianos Kyrgios, Tomic e Kokkinakis
9’40’’ – “O time australiano pode ser a grande história esportiva do ano?”
10’30’’ – “Hewitt é um típico jogador de Copa Davis?”
11’30’’ – “O que falta para o Brasil ser um Cazaquistão, que está no Grupo Mundial há cinco anos consecutivos?”
14’20’’ – Por que o Brasil não esteve tão longe de chegar às semifinais
15’00’’ – A vitória da Grã-Bretanha de Andy Murray sobre a França
17’00’’ – A estranha escalação de Tsonga para o jogo de duplas
18’10’’ – O dramático quarto jogo entre Murray e Simon
20’15’’ – O péssimo histórico dos franceses em jogos 4 e 5 de Copa Davis
22’10’’ – Gasquet não deveria ter sido escalado?
24’00’’ – “Qual a porcentagem de vitória quando um do Big Four decide disputar a Copa Davis desde a primeira rodada?”
24’20’’ – As situações em que Federer, Nadal, Djokovic e Murray decidiram jogar a Davis desde o início do ano.
26’55’’ – A vitória da Argentina sobre a Sérvia em Buenos Aires
29’20’’ – O triunfo da Bélgica sobre a equipe capenga do Canadá
30’50’’ – Palpites para as semifinais do Grupo Mundial
32’50’’ – O tamanho do buraco da Espanha na segunda divisão
35’50’’ – O casamento de Feliciano López marcado para a data da Copa Davis
36’10’’ – Comentários sobre o casamento de Tomas Berdych, bufê liberado, vestidos de noiva, Kim Kardashian e roupas transparentes
38’10’’ – Os vencedores dos Zonais e o brilho de Victor Estrella Burgos
39’00’’ – Retrospecto das últimas participações brasileiras
39’55’’ – Bruno Soares pergunta: “Vocês acham bom o atual formato da Davis?”
41’10’’ – A proposta de uma “Copa do Mundo” do tênis de dois em dois anos
44’55’’ – A possibilidade de jogos em melhor de três na Copa Davis
46’00’’ – Bruno Soares pergunta: “Como encaixar melhor a Davis no calendário?”
49’35’’ – “Quais os requisitos de jogar a Davis para estar nas Olimpíadas?”
51’15’’ – “Qual a seleção mais copeira da Copa Davis?”
52’10’’ – “Por que o SporTV não mostrou nenhum confronto?”
53’30’’ – Brasil x Croácia: o que esperar?
60’50’’ – Os outros confrontos dos playoffs

Créditos musicais

A faixa de abertura do podcast, chamada “Rock Funk Beast”, é de longzijun. As demais faixas deste episódio são chamadas “Hang For Days” e “Game Set Match”. As duas últimas fazem parte da audio library do YouTube.