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Rio Open, dia 3: susto de Melo, sonho de Guga e Fognini ‘atirador de facas’
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Alexandre Cossenza

Não foi um dia de resultados espantosos ou partidas especialmente atraentes no Rio Open, mas sobrou assunto interessante. Desde a coletiva de Gustavo Kuerten, que disse que não faz mal sonhar com o Rio Open se tornando um Masters 1000, incluindo o papo com João Zwetsch, que falou sobre a necessidade de Thomaz Bellucci ser mais consistente, até as críticas “britânicas” de Jamie Murray sobre as bolas usadas no Rio Open.

A quarta-feira também teve um pequeno susto de Marcelo Melo na primeira rodada da chave de duplas e o momento “atirador de facas” de Fabio Fognini, que deixou sua raquete presa na lona do fundo de quadra (vídeo abaixo).

Marcelo Melo e Lukasz Kubot fazem ‘adicional noturno’

Era para ser uma vitória sem drama e foi assim durante um set. No início da segunda parcial, contudo, Marcelo Melo e Lukasz Kubot vacilaram e deixaram Feijão e Fabricio Neis abrirem 5/1. Melo e Kubot viraram, mas perderam o saque de novo no 12º game e só conseguiram fechar no tie-break: 6/1 e 7/6(4).

Após a partida, brasileiro e polonês foram direto para uma das quadras de treino, onde ficaram por cerca de mais uma hora. Depois, na zona mista, falaram sobre a complicada adaptação às condições locais. Os dois chegaram de Roterdã, onde jogaram em quadra dura coberta. Sobre o adicional noturno, Melo disse que “quando as coisas não saem tão bem, é bom sempre bater uma bola depois para dar uma soltada, uma relaxada, sacar tranquilo e saber que naqueles momentos que são nervosos, a gente pode jogar tranquilo. Por isso que a gente vai bater depois. Para ir para o hotel mais tranquilo.”

Bruno Soares e Jamie Murray: sem drama e (quase) sem queixas

Cabeças de chave #1, Bruno Soares e Jamie Murray venceram sem tanto drama: 6/4 e 6/2 sobre o gaúcho Marcelo Demoliner e o neozelandês Marcus Daniell. Os dois saíram contentes com a atuação e Bruno até evitou fazer a queixa anual sobre as bolas usadas no Rio Open. O mineiro sempre falou que elas são muito duras e difíceis de controlar.

Pedi, então, a opinião de Jamie, que fez sua crítica, mas de uma maneira bastante polida. O escocês disse que as condições mudaram um pouco porque a quarta-feira foi um pouco menos quente do que os últimos dias. Por isso, não sentiu as bolas voando como antes. Com as bolas voando, “é difícil controlar os voleios e quando os caras batem forte contra você, o que acontece muito nas duplas, não é tão fácil controlar a bola.” Murray disse também, de um jeito bem britânico, que “cada [tenista] tem suas condições ideais. Não acho que muitas pessoas escolheriam essas condições, mas é assim que é.”

Guga vê Rio Open na quadra dura como Masters 1000 e talvez no lugar de Miami

Gustavo Kuerten esteve no Jockey Club Brasileiro nesta quarta-feira e concedeu uma entrevista coletiva de meia hora. A parte que mais me interessou foi sua opinião sobre a mudança de piso do Rio Open. Ano passado, o torneio pediu a alteração junto à ATP, que não aprovou o evento em quadras duras. Guga concorda com o diretor do torneio, Lui Carvalho, ao afirmar que imagina o torneio em um patamar mais alto se disputado no piso sintético.

“Tem um Parque Olímpico pronto aqui do lado, na esquina. É muito provocativo isso. Acima de identidade e do que é melhor para os [tenistas] brasileiros. De repente, o que é melhor para os brasileiros hoje pode ser diferente daqui a dez anos. O circuito também é em quadra dura. Eu consigo visualizar, pela dimensão que é a estrutura do Parque Olímpico, indo para lá, em quadra dura, como um Masters 1.000. Seria e é um sonho interessante de cultivar.” … “E se precisar ser em quadra dura para trazer bons jogadores e o torneio tem sucesso, precisa ser feito. O resto vai se adequando.”

Indagado se concorda que a mudança é necessária para que se alcance um outro nível, Guga deu (mais) uma resposta politicamente correta.

“Porque não consigo visualizar esse torneio dentro da turnê da Europa. Não tinha como tirar [os tenistas] do meio do circuito europeu para eles virem para cá. Então só consigo imaginar entre Miami e Indian Wells. Talvez com o torneio de Miami vindo para cá daqui a uns 15 aninhos. Eles estão meio defasados na estrutura lá. Aqui tem um Centro Olímpico (risos).” … “Hoje, pensar nisso é quase que uma perda de tempo, mas sonhar com isso é bom também. Tem que continuar cultivando esse sonho e esperar o momento de conseguir visualizar com mais veracidade essa hipótese.”

Ao fim da coletiva, Guga mostrou aos jornalistas o primeiro exemplar do livro de fotos “Guga Imagens De Uma Vida”, produzido pela Editora Magma. Durante o Rio Open, a publicação estará disponível com exclusividade na Livraria da Travessa do Shopping Leblon. Quem quiser também pode adquiri-lo na loja virtual da Editora Magma por R$ 149,00.

Zwetsch e a (in)consistência de Bellucci

João Zwetsch, capitão brasileiro na Copa Davis e técnico de Thomaz Bellucci, falou com um grupo de jornalistas brasileiros nesta quarta-feira e respondeu algumas perguntas sobre seu tenista e o duelo com Thiago Monteiro. Perguntei sobre como Bellucci foi mais consistente e paciente contra Nishikori e o que era possível fazer para convencer o paulista a jogar assim com mais frequência, já que Bellucci assumidamente não gosta de atuar dessa maneira. O gaúcho disse que esse é o grande objetivo para 2017:

“Eu sempre falo isso para ele. Eu sempre tive esse conceito. O Thomaz é um cara forte. Quando ele está com condições de atuar como pode atuar, ele pode ganhar de um Nishikori como ele ganhou ontem sem jogar uma grande partida. Para mim, ele não jogou uma grande partida. Ele jogou correto.” … “Essa é a nossa busca maior. Fazer com que ele tenha consistência em cima disso. Uma vitória dessa sempre dá uma crença maior no nosso caminho. Espero que a gente possa seguir assim para que ele tenha um ano com a qualidade que pode ter. E que este ano sirva para criar uma estrutura de consistência, que é o que todo mundo espera de um jogador com o nível do Thomaz.”

Mais tarde, diante de uma pergunta sobre os objetivos para a temporada, disse:

“Acho que este ano é um ano para ambicionar, acima de tudo, essa questão levantada antes, que é uma forma consistente de jogar.” … “Para jogadores como ele, que são muito agressivos e assumem muito o risco, isso é fundamental. Não dá para perder o senso de controle de ‘como eu estou”, “onde eu estou”. Às vezes, dar um winner é coisa mais necessária no momento, mas se o jogador não está se sentindo tão à vontade para isso, talvez jogar duas bolas ou três a mais, mover o adversário, possa resolver o problema também. Essa leitura melhor, mais constantemente clara na frente dele, sem dúvida vai fazer diferença para ele. Foi o que ele fez ontem [contra Nishikori]. Em muitos momentos do jogo, ainda passou um pouquinho da conta, mas isso vai acontecer. Ele é extremamente agressivo. Às vezes, bota umas bolas que saem um pouco mais porque (risos) não pega na veia e quando pega não tão na veia ela vai lá no… (risos) Mas eu prefiro isso do que o lado onde a limitação é maior e ele fica menos competitivo.”

Fognini, o atirador de facas

Sabe aquele cara mestre em atirar facas e fazer com que elas sempre atinjam o alvo com a lâmina? Pois é, Fabio Fognini fez algo parecido nesta quarta-feira. Atirou a raquete contra a lona do fundo de quadra e viu seu instrumento de trabalho fazer um furo no tecido e ficar preso, pendurado.

O italiano acabou derrotado por Albert Ramos Viñolas por 6/2 e 6/3. O espanhol avançou às quartas de final para enfrentar o qualifier argentino Nicolas Kicker.

Thiem e a chave favorável

Principal cabeça de chave do torneio após a queda de Kei Nishikori, Dominic Thiem voltou a vencer a garantiu seu lugar nas quartas de final do Rio Open. Com o triunfo por 6/2 e 7/5 sobre Dusan Lajovic, o top 10 austríaco agora vai enfrentar o argentino Diego Schwartzman (#51). Thiem é favoritíssimo e será também se avançar às semifinais, afinal enfrentará o vencedor do jogo entre o qualifier Nicolas Kicker (#123) e o espanhol Albert Ramos Viñolas (#25).

O austríaco, aliás, é mais um descontente com as bolas da Head usadas no Rio de Janeiro. Assim como Jamie, Thiem disse que as condições estavam mais lentas na noite de hoje, mas reforçou que isso nada tinha a ver com as bolas. “A bola não muda. Se está um pouco mais lento e úmido, a bola não quica tão alto e não fica tão rápida, e é mais fácil de controlar. Se as condições forem como hoje, é mais fácil jogar.” A previsão, no entanto, é de dias mais quentes até domingo. Ou seja, bolas voando por toda parte.

O melhor da quinta-feira

Como era de se esperar, Thomaz Bellucci e Thiago Monteiro fazem o jogo mais esperado, fechando a programação da quadra central. Marcelo Melo e Bruno Soares, mais uma vez, estão escalados para a Quadra 1.

Vale lembrar: foi estabelecido antes do início do torneio que apenas a final de duplas será jogada na quadra central. Nas primeiras edições do torneio, até houve polêmica as duplas ficando fora da maior arena do Rio Open, mas com o tempo organizadores e atletas chegaram a um consenso de que seria melhor ter a modalidade na Quadra 1, menor e mais aconchegante.


Rio Open, dia 2: a recompensa pela adaptação de Thomaz Bellucci
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Alexandre Cossenza

Se não foi o melhor dos cenários, o sorteio para estrear contra Kei Nishikori nunca foi a mais azarada das possibilidades para Thomaz Bellucci (e eu falei sobre isso nesta análise para o Rio Open). Com uma atuação competente e taticamente (quase) impecável, o brasileiro mostrou que adaptação faz diferença. Chegou cedo ao Rio de Janeiro, acostumou-se à quadra central e às bolas. Estava afiado para a estreia. O japonês, que estava em Buenos Aires até segunda-feira, deixou nítida a diferença. No grande jogo do dia, Bellucci derrubou o cabeça 1 do Rio Open e avançou às oitavas de final por 6/4 e 6/3.

Só que a terça-feira carioca também teve uma bela virada de Thiago Monteiro sobre Gastão Elias, além de Dominic Thiem, cabeça 2, confirmando seu favoritismo sobre Janko Tipsarevic. O resumão do dia traz análises dos jogos mais importantes, o que rolou de bom nas entrevistas coletivas e o que esperar da quarta-feira, que estará cheia de duplas. É só rolar a página e ficar por dentro.

Bellucci preciso, paciente e empolgante

Thomaz Bellucci apostou na regularidade. Devolveu os saques de Kei Nishikori lá do fundão, colocou bolas em jogo e acreditou que a consistência seria recompensada. O japonês, que chegou ao Rio só na segunda-feira cansado de uma semana longa em Buenos Aires, deixou nítida sua falta de adaptação ao torneio carioca. Enquanto Bellucci alongava as trocas de bolas, Nishikori cometia erros e perdia a paciência.

Nishikori nem conseguiu aproveitar quando Bellucci desperdiçou a quebra de vantagem depois de abrir 40/0 no quarto game. O brasileiro continuou com o mesmo plano de jogo e foi recompensado, quebrando uma indesejável série de 22 derrotas diante de adversários do top 10. A última havia sido contra Janko Tipsarevic (então #8) em Gstaad/2012.

O tênis mostrado por Bellucci nesta terça-feira, no Rio de Janeiro, foi um pouco do que todos gostam e sabem que ele pode jogar. Em vez de atacar o tempo todo e cometer pilhas de erros não forçados, conteve o instinto afobado, se defendeu bem e exigiu que o adversário fizesse uma boa partida para vencê-lo. Nishikori não conseguiu, e o paulista avança às oitavas de final para encarar Thiago Monteiro.

Nas coletivas, Nishikori, primeiro a aparecer, disse que as condições do Rio estão muito diferentes das de Buenos Aires e que nada deu certo no seu jogo. O japonês disse até que foi sua pior partida dos últimos anos e que, para ele, Bellucci nem fez um grande jogo.

“O quique é muito alto, e as bolas são muito pesadas. As bolas foram o mais difícil de me acostumar. Não consegui sentir nada. Não era meu dia. Não acho que ele também jogou um grande tênis.”

Bellucci concordou parcialmente. Disse que não foi o melhor jogo de sua vida, mas obviamente saiu contente com sua postura tática e com o resultado. E afirmou também que teve sua parcela de mérito pela noite ruim de Nishikori. Bellucci só não abriu o jogo quando foi indagado sobre os resultados dos sets disputados contra Monteiro nos treinos. Respondeu “Ah, não vou dizer” e sorriu. Depois, disse “é pau a pau” e riu um pouco mais, feliz da vida.

Um ano depois, um Thiago Monteiro mais “parte desse meio”

Não foi um começo de Rio Open para Thiago Monteiro. Em compensação, sobraram foco e esforço para superar os momentos delicados e bater o português Gastão Elias por 2/6, 7/6(4) e 6/4. O cearense perdeu o serviço nas duas primeiras vezes que sacou e viu um Elias mais sólido disparar na frente e fechar o set.

A segunda parcial já foi bem diferente, o Monteiro confirmando com mais facilidade, só que ainda faltava ameaçar o serviço do português. O cearense, então, se viu em um momento delicadíssimo quando sacou em 3/4 no tie-break. Mesmo assim, jogou dois pontos com o segundo serviço e se safou. Elias, que errou por centímetros uma direita que lhe daria um mini-break, acabou vacilando em seguida. Foi aí que o jogo mudou de vez.

No set decisivo, Monteiro quebrou Elias no terceiro game. O português, frustrado com as chances perdidas (também perdeu três break points no segundo game do terceiro set), atirou a raquete no chão, discutiu com o público e viu a banda passar. Ainda teve pequenas chances, mas nada concreto.

Na coletiva, Monteiro, um ano depois do triunfo sobre Jo-Wilfried Tsonga que praticamente iniciou sua ascensão rumo ao top 100, falou sobre como é mais reconhecido pelos adversários e o quanto isso faz bem à sua carreira.

“Eu tenho treinado mais com eles, conhecido melhor alguns. É bom ter essa relação, poder marcar um treino em algum lugar específico também. Isso tem sido um fator importante, é legal ter esse reconhecimento. Eu me sinto cada vez mais fazendo parte desse meio, então isso é importante para mim.”

Thiem em seu habitat preferido

As condições são ideais e, mesmo sem estar (ainda) tão à vontade no Rio de Janeiro, Dominic Thiem mostrou por que é favorito ao título do evento – ainda mais agora, após a eliminação de Nishikori. O austríaco ficou bem confortável muito atrás da linha de base, usando a velocidade da quadra e o quique das bolas pesadas para se impor diante de Janko Tipsarevic por 6/4 e 7/5.

Os coadjuvantes (por enquanto?) de luxo

Do jeito que a organização precisou encaixar os jogos, a Quadra 1 foi palco de três jogos bastante interessantes. Primeiro, Fabio Fognini bateu Tommy Robredo por 6/2 e 6/4. Depois, Pablo Carreño Busta eliminou Feijão por 6/3 e 6/2. Por último, Alexandr Dolgopolov aumentou a fase ruim de David Ferrer ao aplicar 6/4 e 6/4.

Ferrer agora soma três derrotas consecutivas e um retrospecto total de três triunfos e cinco reveses em 2017. O espanhol, que chegou ao Rio falando que estava sendo difícil se acostumar a perder com mais frequência do que o habitual, acaba amargando mais um resultado negativo.

Dolgopolov, por sua vez, soma sua sexta vitória seguida. O ucraniano, campeão em Buenos Aires, bateu Tipsarevic, Cuevas, Gerald Melzer, Carreño Busta, Nishikori e Ferrer no período. Uma sequência invejável e que o coloca como sério candidato ao título no Rio, já que Dolgo não teve os mesmos problemas de adaptação que Nishikori – ou, pelo menos, não sofreu com a mesma intensidade.

Duplas: o melhor da quarta-feira

O terceiro dia do Rio Open não tem lá uma programação das melhores para a quadra central, mas compensa com uma empolgante Quadra 1, com brasileiros em todos os jogos. Além dos times de Bruno Soares e Marcelo Melo, que são cabeças de chave 1 e 2, Bellucci e Monteiro jogam juntos antes de seu duelo nas simples, e André Sá tenta deslanchar na temporada 2017.


Caricaturas no Rio Open
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Alexandre Cossenza

O Rio Open deu de presente a todos tenistas tags (para malas, bolsas, raqueteiras e afins) com suas caricaturas. É uma lembrancinha a todos atletas que estão na chaves principais de simples e duplas do ATP 500 carioca.

As imagens são bem bacanas. Vi algumas e reproduzo abaixo. Acho até que ficariam bacanas se a galera imprimisse em tamanho real e levasse para a quadra central do Jockey Club Brasileiro. Vejam:

Volto amanhã com uma entrevista reveladora com Bruno Soares.


AO, dia 6: a vez do Nadal ‘vintage’
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Alexandre Cossenza

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A edição 2017 do Australian Open está definitivamente sendo saborosa para os apreciadores dos maiores vencedores de Slams em atividade. Menos de 24 horas depois de uma atuação clássica de Roger Federer, foi a vez de Rafael Nadal conquistar uma vitória enorme de um jeito que ninguém fez melhor nos últimos tempos. Com luta, em cinco sets, em 4h06min de jogo e terminando com um adversário esgotado e com cãibras do outro lado da rede.

Lembrou o melhor Nadal, aquele das vitórias sobre Verdasco e Federer no mesmo Australian Open em 2009, do triunfo sobre Djokovic em Roland Garros 2013 (ou Madri/2009), de tantas e tantas vitórias que exigiram tanto da tática e da técnica quanto de algo extra: a força mental, altíssima ao longo de todo jogo, e a preparação física. Alexander Zverev, 19 anos e dono de um tênis (quase) completo (falta ir à rede), foi um adversário notável, mas que não conseguiu se equiparar durante o tempo necessário e acabou como vítima de um majestoso triunfo por 4/6, 6/3, 6/7(5), 6/3 e 6/2.

Resumir o Nadal de hoje – ou o melhor Nadal ou qualquer Nadal – à figura de um gladiador, ainda que tentador, é burrice. O próprio Rafa cedeu momentaneamente quando entrevistado por Jim Courier após o jogo. Ao explicar ao ex-tenista como venceu o jogo, começou com uma resposta curta: “Lutando.” Ganhou aplausos e sorrisos, mas continuou a resposta fazendo uma enorme análise tática. Sim, Nadal nem havia saído da quadra e tinha o jogo inteiro na cabeça. Se você leitor, acha que é fácil, sugiro prestar mais atenção nas tantas respostas rasas das entrevistas pós-jogo de outros aletas.

Talvez não exista ilustração melhor sobre este Nadal inteligente do que a partida deste sábado na Rod Laver Arena (RLA). Porque o Nadal de hoje é agressivo, gosta de e precisa jogar mais no ataque, mas os saques e golpes de fundo de Zverev assustam. No primeiro set, bastou uma quebra – no primeiro game – para que o alemão saísse na frente. A potência fazia diferença.

Rafa, o cabeça 9, fez ajustes. Passou a usar slices, variou o peso de bola e usou todo tipo de saque em seu arsenal. Mexeu com a cabeça de Zverev, conseguiu uma quebra e equilibrou as ações. O espanhol ainda levava vantagem tática na terceira parcial, mas o adolescente tinha o saque para igualar o duelo. No tie-break, agrediu mais e levou.

Nesse momento, tudo jogava contra. Os 30 anos de idade, o histórico recente de três derrotas seguidas em jogos com cinco sets e até as duas vitórias de Zverev em seus últimos jogos de cinco sets. Nadal passou a devolver o saque lá do fundão e teve resultado. Enquanto o alemão ainda vibrava com o tie-break vencido, Nadal abria 3/0 na parcial. Nesse momento, chegando perto das 3h de jogo, o espanhol parecia mais inteiro, mais senhor do jogo.

O golpe final ainda estava por vir. Nadal quebrou primeiro no quinto set, mas perdeu o serviço pouco depois. Veio, então, o decisivo quinto game. Sim, o quinto. Zverev teve 40/15 e uma bola fácil em sua direita para matar o ponto e fechar o game. Jogou na rede. Com o game em iguais, os tenistas disputaram um espetacular rali de 37 golpes. O alemão ganhou o ponto. O espanhol ganhou o jogo. Ali, ao término do ponto interminável, o adolescente sentiu cãibras.

Nadal castigou. Colocou para correr, deu curtinhas, lobs, ganhou mais ralis. Zverev até que lutou contra o corpo. Foi bravo até o último ponto, tentando o que lhe restava. Nada adiantou. Não ganhou mais um game. O ex-número 1 comemorou e disse que, até pelas derrotas recentes em três sets, foi um dia muito especial. Para ele e para todos. Um clássico. Vintage Rafa.

O adversário

Nas oitavas de final, Nadal vai enfrentar Gael Monfils (#6), que precisou só de três sets para despachar Philipp Kohlschreiber: 6/3, 7/6(1) e 6/4. O último jogo entre eles teve dois sets de altíssimo nível. Foi na final do Masters 1.000 de Monte Carlo de 2016, quando Rafa fez 7/5, 5/7 e 6/0. No total, o retrospecto de confrontos diretos é amplamente favorável ao #9: são 12 vitórias dele contra duas de Monfils.

A favorita

Depois de duas rodadas complicadas contra Bencic e Safarova, Serena Williams encarou uma adversária de menos nome e aproveitou. A compatriota Nicole Gibbs, #92, conseguiu fazer apenas quatro games. A número 2 do mundo completou a vitória por 6/1 e 6/3 em apenas 1h03min, mesmo com números nada estelares: quatro aces, quatro duplas falas, 17 winners e 26 erros não forçados.

A próxima oponente da #2 será a perigosa Barbora Strycova, cabeça 16. A tcheca passou por Kulichkova, Petkovic e Garcia sem perder um set sequer e será um desafio interessante para Serena. Strycova tem golpes para mudar a velocidade do jogo e exigir um pouco mais de movimentação da americana, mas será o bastante para anular a potência da ex-número 1?

Outros candidatos

Na Margaret Court Arena (MCA), Johanna Konta, cabeça de chave número 9, ampliou sua série de vitórias com um massacre sobre Caroline Wozniacki: 6/3 e 6/1. A britânica impôs sua potência desde o início do jogo, dando as cartas e fazendo a dinamarquesa correr de um lado para o outro da quadra. Sem golpes de fundo para mudar a partida e sem tentar grandes variações, a ex-número 1 chegou a perder nove games seguidos antes de “furar o pneu” no fim do segundo set.

Konta agora soma oito vitórias seguidas, emendando com o título do WTA de Sydney. Nas oitavas em Melbourne, ela vai enfrentar a russa Ekaterina Makarova, que jogou muito, jogou nada e jogou muito de novo para derrotar Dominika Cibulkova por 6/2, 6/7(3) e 6/3. O placar puro e simples omite que a russa teve 6/2 e 4/0 de vantagem, perdeu cinco games seguidos, salvou três set points e perdeu a segunda parcial.

Makarova também abriu o terceiro set com uma quebra, mas só para perder o serviço logo em seguida. Na hora de decidir, contudo, aproveitou melhor as chances. Salvou três break points no sétimo game, quebrou Cibulkova no oitavo e fechou no nono. Uma atuação que foi suficiente para vencer neste sábado, mas que possivelmente não resolverá contra a mais consistente Konta.

A eslovaca, por sua vez, saiu lamentando as chances perdidas no terceiro set, quando parecia que o jogo ia mudar de mãos definitivamente.

Dominic Thiem e David Goffin também avançaram. O austríaco bateu Benoit Paire em um jogo com altos e baixos por 6/1, 4/6, 6/4 e 6/4, enquanto o belga dominou Ivo Karlovic e fez 6/3, 6/2 e 6/4. Goffin, aliás, já vinha de um triunfo sobre um sacador. Na primeira rodada, superou Riley Opelka (2,11m) em cinco sets. Agora, Thiem e Goffin duelam por um lugar nas quartas de final.

Cabeça de chave número 3 e mais bem ranqueado na metade de baixo da chave – depois da eliminação de Djokovic – Milos Raonic voltou a avançar. Desta vez, em um jogo mais complicado do que o placar sugere. Gilles Simon resistiu bravamente, mas a derrota no tie-break do parelho segundo set colocou o francês num buraco fundo demais para sair. Simon ainda saiude uma quebra atrás para vencer a terceira parcial, mas a margem para erro era pequena demais, e o canadense acabou fechando em seguida: 6/2, 7/6(5), 3/6 e 6/3. Ele agora encara Roberto Bautista Agut (#14), que venceu o duelo espanhol com David Ferrer (#23): 7/5, 6/7(6), 7/6(3) e 6/4.

Os brasileiros

A rodada começou com uma vitória bastante grande para Marcelo Demoliner. Ele e o neozelandês Marcus Daniell eliminaram os cabeças de chave número 6, Rajeev Ram e Raven Klaasen, por 6/1 e 7/6(4).

O resultado coloca o time nas oitavas de final contra Sam Groth e Chris Guccione, que passarem por Treat Huey e Max Mirnyi: 7/6(10) e 7/6(5). Por enquanto, a campanha já iguala o melhor resultado de Demoliner em Slams. Ele também alcançou as oitavas em Wimbledon/2015 (também com Daniell) e no US Open/2016 (Bellucci). O gaúcho, por enquanto, vai subindo nove posições no ranking e alcançando o 55º posto – o melhor da carreira.

Mais tarde, Marcelo Melo e Lukazs Kubot, cabeças de chave 7, superaram Nicholas Monroe e Artem Sitak e tambem passaram para as oitavas: 6/4 e 7/6(3). O próximo jogo é aquele do climão, já que o mineiro vai encarar seu ex-parceiro, Ivan Dodig, que atualmente joga com Marcel Granollers. Embora ninguém tenha dito nada hostil publicamente, a separação não foi no melhor dos termos e incluiu um péssimo clima no ATP Finals e unfollows em redes sociais.

Na chave de duplas mistas, Bruno Soares, em parceria com Katerina Siniakova, passou pela estreia. A dupla de brasileiro e tcheca, que são os cabeças de chave número 6, derrotou Pablo Cuevas e María José Martínez Sánchez por 6/4 e 6/3.

A boyband de Roger Federer

O suíço não entrou em quadra neste sábado, mas foi assunto nas redes quando postou o vídeo abaixo. Ele, Grigor Dimitrov e Tommy Haas cantam Hard To Say I’m Sorry (Chicago) com David Foster (ex-Chicago) no piano. Vejam, riam e julguem!

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As oitavas de final

[1] Andy Murray x Mischa Zverev
[17] Roger Federer x Kei Nishikori [5]
[4] Stan Wawrinka x Andreas Seppi
[12] Jo-Wilfried Tsonga x Daniel Evans
[6] Gael Monfils x Rafael Nadal [9]
[13] Roberto Bautista Agut x Milos Raonic [3]
[8] Dominic Thiem x David Goffin [11]
[15] Grigor Dimitrov x Denis Istomin

[1] Angelique Kerber x Coco Vandeweghe
Sorana Cirstea x Garbiñe Muguruza [7]
Mona Barthel x Venus Williams [13]
[24] Anastasia Pavlyuchenkova x Svetlana Kuznetsova [8]
[5] Karolina Pliskova x Daria Gavrilova [22]
[Q] Jennifer Brady x Mirjana Lucic-Baroni
[30] Ekaterina Makarova x Johanna Konta [9]
[16] Barbora Strycova x Serena Williams [2]

Infelizmente, por questões pessoais, não houve tempo de incluir uma breve análise das vitórias de Karolina Pliskova (que foi um jogão, com drama de sobra) e Grigor Dimitrov. Agradeço a compreensão.


AO, dia 4: quando Istomin desafiou a lógica e derrubou Djokovic
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Alexandre Cossenza

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Na maior zebra do torneio (e dos últimos anos no tênis), Novak Djokovic deu adeus ao Australian Open na segunda rodada, cortesia de uma atuação bravíssima do wild card Denis Istomin. O uzbeque roubou os holofotes por um dia, mas não foi só ele o único a brilhar nesta quinta-feira em Melbourne. Mirjana Lucic-Baroni também se fez notar ao eliminar Agnieszka Radwanska, a cabeça de chave número 3.

O quarto dia do torneio também teve Serena Williams levando a melhor em um jogão contra Lucie Safarova, enquanto Karolina Pliskova e Johanna Konta ampliaram suas séries de vitórias e também passaram à terceira rodada. O resumaço do dia conta tudo, inclusive os resultados de todos brasileiros, e ainda traz uma prévia do jogão entre Roger Federer e Tomas Berdych, a principal atração da sexta-feira em Melbourne Park.

A zebraça

Denis Istomin sempre foi um tenista respeitado e perigoso. Capaz de dias inspiradíssimos, mas inconsistente. Sempre que teve chances de enfrentar a elite, ficou aquém do que poderia. É o tipo de jogo legal de ver. Istomin “faz uns pontaços, a galera começa a acreditar, mas termina sempre 6/4, 6/3, 6/1”, registrei no Twitter antes de o jogo começar (seguido pelo gráfico abaixo).

E o duelo já começou equilibrado, com Istomin sempre agredindo, não fugindo do seu estilo natural. O uzbeque, atual #117 do mundo, quebrou o saque do sérvio no sétimo game, mas perdeu o serviço logo depois. Teve um set point no tie-break, mas não converteu. Era de se esperar que Djokovic, eventualmente, tomasse o controle das coisas. Não aconteceu. O #2 do mundo teve até um set point em seu próprio serviço, mas perdeu três pontos seguidos e viu Istomin fazer 7/6(8).

Tudo bem, era um set só. O jogo seguia parelho. Tipo de duelo em que o azarão, em algum momento, comete uma série de erros e vê a coisa desandar. Pois Istomin, depois de não conseguir converter dois set points no décimo game do segundo set, cometeu três erros, perdendo o saque e a parcial. Djokovic fez 7/5. Era mesmo o esperado. O jogo já tinha 2h30 de duração. O mais provável seria ver o azarão se esgotando (mental ou fisicamente), e o favorito deslanchando.

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Pois Istomin começou a sentir cãibras no terceiro set. O sérvio fez 6/2 na parcial. Jogo sob controle. O dominante Djokovic não deixaria escapar uma vantagem assim numa segunda rodada de Grand Slam, certo? Errado. O Djokovic de hoje ficou muito aquém do tenista que deu as cartas no circuito de 2014 até a metade de 2016. Não jogou mal nesta quinta, mas não mostrou nem a inspiração nem o instinto assassino de outros tempos. Não agarrou a partida como já fez tantas vezes no passado. Ainda assim, com o jogo se alongando por mais de 3h, era difícil imaginar Istomin resistindo fisicamente para virar o placar.

Só que Djokovic perdeu o saque no comecinho do quarto set. Na hora que precisava se mostrar no controle, deu ao rival uma luz no fim do túnel. Istomin se apegou a ela e lutou. O uzbeque perdeu a quebra de vantagem e perdeu também um set point no décimo game, mas foi feroz em mais um tie-break: 7/6(5).

E se é inevitável dizer que Djokovic, hexacampeão e favorito, deixou a partida escapar, é igualmente necessário frisar que Istomin tem muito mérito. Teve coragem o tempo inteiro, agredindo de forma inteligente, e jogou muito – muito mesmo! – em quase todos momentos delicados. Não piscou no quinto set, sacou horrores quando pressionado e chegou ao fim das 4h48 de partida com 63 winners (cinco a menos que Djokovic) e 61 erros não forçados (contra 72 de Nole). Um feito gigante, uma zebra enorme. Game, set, match, Istomin: 7/6(8), 5/7, 2/6, 7/6(5) e 6/4.

A um ponto de não estar em Melbourne

Istomin só disputa o Australian Open porque ganhou um wild card, que não foi um daqueles convites dados de graça. Para receber, precisou jogar um torneio de classificação chamado “AO Asia-Pacific Wildcard Play-off”, realizado em Zhuhai, na China. O uzbeque foi campeão ao derrotar na final Duckee Lee por 7/5 e 6/1.

Mas essa final quase não aconteceu. Na semi, Istomin enfrentou o indiano Prajnesh Gunneswaran, que hoje é o #319 do ranking mundial. Naquele dia, Gunneswaran teve quatro match points em seu saque no décimo game, mas não conseguiu fechar. Istomin salvou três deles com winners. Depois, perdeu três match points no 14º antes de, finalmente, fechar em 6/2, 1/6 e 11/9.

Murray mais longe na liderança

Líder do ranking com 780 pontos de vantagem sobre Djokovic, Andy Murray aumentará bastante sua distância para o sérvio. Como Nole é o atual campeão e defendia dois mil pontos, o escocês, vice em 2016, sairá de Melbourne com pelo menos 1.625 pontos de frente. Isso, claro, se não passar da terceira rodada. Caso levante o troféu, o britânico terá 3.535 pontos a mais que Djokovic.

Levando em conta que o sérvio ainda precisa defender mais dois mil pontos em março (venceu Indian Wells e Miami), enquanto Murray só somou 90 pontos no mesmo período no ano passado, é justo imaginar que o britânico não será ameaçado na liderança pelo menos até o segundo semestre.

Mais zebra

A chave feminina também teve uma zebra de grande porte passeando por Melbourne Park nesta quinta. Agnieszka Radwanska, cabeça de chave número 3, foi eliminada por Mirjana Lucic-Baroni (#79): 6/3 e 6/2.

Quem ganha com isso é Karolina Pliskova, que passa a ser a maior cabeça de chave do terceiro quadrante – o que, em tese, encontra Serena Williams na semi. Apesar de viver melhor momento, Pliskova tem um retrospecto incrivelmente negativo de sete derrotas em sete jogos contra Radwanska. Logo, a polonesa seria a mais cotada no caso de um duelo nas quartas de final.

A favorita

Serena Williams viveu outro grande momento em Melbourne. Em uma chave nada amigável, a número 2 do mundo, que já havia derrotado Belinda Bencic na estreia, agora passou por Lucie Safarova por 6/3 e 6/4. Foi um encontro mais complicado do que o placar sugere, mas se isso não fica visível nos números, é justamente por mérito de Serena. A americana jogou melhor os pontos importantes, salvando tries break points no primeiro set e outros três na segunda parcial.

Na terceira rodada, a atual vice-campeã do Australian Open vai enfrentar a compatriota Nicole Gibbs, o que, a essa altura do torneio, parece ser um refresco em comparação com as duas rodadas anteriores.

Os outros candidatos

Karolina Pliskova segue voando. A vice-campeã do US Open, que chegou a Melbourne embalada pelo título em Brisbane, alcançou sua sétima vitória consecutiva nesta quinta ao fazer 6/0 e 6/2 sobre a russa Anna Blinkova (#189). A tcheca chega à terceira rodada com apenas quatro games perdidos. Sim, sua chave foi fácil até agora, mas Pliskova tirou proveito, ganhando mais de 80% dos pontos com seu primeiro saque. Na terceira fase, ela encara Jelena Ostapenko, que bateu Yulia Putintseva, cabeça 31, por 6/3 e 6/1.

Johanna Konta vive momento semelhante. A top 10 britânica, campeã recentemente em Sydney, também venceu seu sétimo jogo seguido ao eliminar Naomi Osaka (#47) por 6/4 e 6/2. A japonesa de 19 anos até conseguiu manter o duelo parelho no primeiro set e teve, inclusive, um break point. Não conseguiu a quebra e perdeu o serviço em seguida. Era o que Konta precisava para arrancar no placar e fazer 6/4 e 6/2. A inglesa marcou um esperado confronto com Caroline Wozniacki, que eliminou Donna Vekic por 6/1 e 6/3.

Outro jogo interessante na terceira rodada será entre a #6 do mundo, Dominika Cibulkova, e a russa Ekaterina Makarova, #33. A eslovaca passou pela taiwanesa Su-Wei Hsieh por 6/4 e 7/6(8), enquanto Makarova avançou após a desistência de Sara Errani, que perdia por 6/2 e 3/2. A italiana saiu de quadra chorando, com dores na perna esquerda.

Milos Raonic, por sua vez, venceu o duelo de sacadores com Gilles Muller: 6/3, 6/4 e 7/6(4). O canadense enfrenta Gilles Simon na terceira rodada em um duelo bem interessante. Outro jogo legal da fase seguinte será entre Grigor Dimitrov e Richard Gasquet. O búlgaro bateu Hyeon Chung por 1/6, 6/4, 6/4 e 6/1, enquanto o francês atropelou Carlos Berlocq por triplo 6/1.

Por fim, fechando a programação da Rod Laver Arena, Rafael Nadal encarou Marcos Baghdatis e fez 6/3, 6/1 e 6/3, confirmando a expectativa de quase todos quando a chave foi sorteada. Ele e Zverev vão se enfrentar na terceira rodada no que parece ser um jogo-chave para ambos. Digo “chave” porque quem avançar pode muito bem alcançar a semifinal. E agora, após a queda de Djokovic, quem chegar a semifinal nesse quadrante tem chances maiores de ir à final.

Sobre a atuação desta quinta, Nadal tentou ser agressivo o tempo inteiro e, embora Baghdatis não tenha colocado em risco o placar, o espanhol teve problemas para confirmar seu saque no primeiro set. Aos poucos, Nadal foi jogando e melhor e sacando com mais eficiência – terminou com 80% de aproveitamento de primeiro serviço. O ex-número 1 chegou ao fim do encontro com 32 winners e 33 erros não forçados, o que é um número aceitável para quem agrediu tanto.

Os brasileiros

Rogerinho, único brasileiro na segunda rodada, teve uma tarde difícil diante de Gilles Simon, um adversário superior técnica e taticamente. O brasileiro conseguiu fazer pouco além de correr atrás de todas as bolas e não desistir. Nada, contudo, que compensasse a diferença no tênis jogado pelos atletas. Simon fez 6/4, 6/1 e 6/1 e colocou um ponto final na participação brasileira na chave de simples.

Nas duplas, André Sá e Leander Paes fizeram uma boa apresentação, mas levaram a virada dos cabeças de chave 10, Max Mirnyi e Treat Huey. Brasileiro e indiano venceram o set inicial e tiveram 3/0 no tie-break do segundo, mas perderam sete pontos seguidos – mais por mérito dos rivais do que por falhas próprias – e a melhor chance de fechar o jogo. Sá e Paes ainda tiveram dois break points no terceiro set, mas não converteram. Em um jogo tão parelho, custou caro. Mirnyi e Huey finalmente quebraram o serviço de Paes e venceram por 4/6, 7/6(3) e 6/4.

Em seguida, o único triunfo brasileiro do dia. Marcelo Melo e Lukasz Kubot derrotaram Johan Brunstrom e Andreas Siljestrom em três sets: 7/5, 4/6 e 6/4. Cabeças de chave #7, brasileiro e polonês vão encarar na segunda rodada o time formado por Nicholas Monroe e Artem Sitak.

Bruno Soares e Jamie Murray, atuais campeões do Australian Open, foram eliminados logo na estreia. Eles caíram diante de Donald Young e Sam Querrey por 6/3 e 7/6(5). Com os pontos perdidos, brasileiro e britânico cairão pelo menos duas posições cada no ranking. O brasileiro, que começou a semana como #3 do mundo, pode até sair do top 10. O mesmo vale para Jamie, atual #4.

Amanhã: o que esperar de Roger Federer x Tomas Berdych

A grande atração do quinto dia de jogos em Melbourne é o confronto entre Roger Federer e Tomas Berdych. O suíço, cabeça de chave 17, vem de vitórias contra Jurgen Melzer e Noah Rubin, enquanto o tcheco bateu Luva Vanni e Ryan Harrison. O favoritismo ainda é de Federer, que tem 16 vitórias e seis derrotas contra Berdych e também triunfou nos últimos cinco encontros, faturando 11 sets em sequência.

A grande questão é que Federer não fez lá grandes apresentações até agora. Contra Rubin, variou pouco seu jogo e entrou numa pancadaria desnecessária. Só levou vantagem quando tirou um pouco o peso das bolas e deu ao garotão a chance de errar. Rubin sentiu o peso e se complicou. Ainda assim, o americano conseguiu agredir os saques do suíço e teve set point na terceira parcial para alongar o encontro.

A questão é saber o quanto Federer vai insistir em pancadas do fundo de quadra contra Berdych, que gosta de bolas retas, saca melhor do que Rubin e tem a capacidade de controlar os pontos quando consegue encaixar suas devoluções. Será que Federer foi teimoso do fundo de quadra contra Rubin porque queria calibrar seus golpes e sabia que tinha margem para erro? Ou será que o ex-número 1 vai insistir mesmo nesse estilo de jogo até o fim do torneio?

A chave contra Berdych sempre foi a variação. Federer precisa encaixar muitos primeiros serviços, usar slices e subir à rede, tirando Berdych de sua zona de conforto – até porque é muito difícil passar Federer usando bolas retas, ainda mais se elas chegarem até o tcheco via slice. Se conseguir repetir seu plano de jogo dos últimos triunfos contra o rival, o suíço provavelmente chegará às oitavas. Se insistir em pancadas do fundo, a coisa pode complicar.

Se Federer perder, sairá do top 30 pela primeira vez em mais de 16 anos. A última vez que apareceu na lista da ATP além do 30º posto foi em 23 de outubro de 2000.


Tudo que você precisa saber sobre o Rio Open
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Alexandre Cossenza

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A organização do Rio Open promoveu, nesta quarta-feira, um encontro de jornalistas com o diretor do torneio, Lui Carvalho, para um bate-papo durante um café da manhã em um hotel na zona sul da cidade. Como já aconteceu no ano passado, a conversa é bastante interessante, com o diretor dando uma espécie de tour pelos bastidores das negociações com jogadores e falando sobre o que a organização espera para o futuro do ATP 500 carioca.

Entre os destaques do dia, Lui falou: das conversas com Del Potro, Murray, Djokovic, Nadal, Wawrinka, Berdych, Dimitrov, Monfils, Dustin Brown e outros; dos planos para transformar o Rio Open em um torneio de quadra dura; do desejo de fazer o evento no Parque Olímpico; da exclusão e da falta de interesse pelo torneio feminino; das vendas de ingressos; e de uma grande expectativa em relação a Thomaz Bellucci e Thiago Monteiro. A declaração sobre Bellucci, em especial, é interessantíssima!

Selecionei os trechos que achei mais importantes e listei abaixo, com comentários meus e, em itálico, frases de Lui Carvalho. A lista com os tenistas inscritos está no fim do post.

Negociações com tenistas

Juan Martín Del Potro

“Um dos atletas que a gente esteve muito perto de conseguir foi o Del Potro. Ele fez a virada da carreira dele nos Jogos Olímpicos, no Rio, e a gente tinha toda a história montada para ele. Voltando de lesão, jogando no Rio, público apoiando, o único atleta argentino que não é vaiado no Brasil e ele tem essa conexão com o Brasil, mas infelizmente o fator piso pesou. Ele não quis jogar no saibro nessa época do ano, mesmo por valor nenhum. A gente estava pensando em fazer uma proposta conjunta Buenos Aires-Rio, mas infelizmente ele optou por jogar, se não me engano, Delray Beach e Acapulco. Não foi uma questão nem de dinheiro nem de vontade. Foi uma questão de preferência de piso.”

Gael Monfils

“É um namoro antigo nosso, até pela relação que a gente tinha com a nossa última fornecedora de material esportivo [Asics]. Monfils foi o primeiro atleta com quem a gente chegou a conversar, logo depois do Rio Open 2016. Já estava rolando bastante conversa, bastante troca de email para ver se a gente conseguia chegar num acordo, mas ele optou por um calendário diferente. Não tanto pelo piso, mas mais pelo calendário de não ter que voltar da Austrália para a América do Sul e ir direto para os Estados Unidos. Ele preferiu ficar em casa e jogar, se não me engano, Roterdã e Dubai.”

Janko Tipsarevic

“A gente estava esperando fechar a lista. É um ex-top 10, a gente acha um nome muito interessante para o torneio. É um cara divertidíssimo, ele é muito doido. E é um cara inteligentíssimo. Ele realmente pediu [um wild card], e a gente vai começar a ver os wild cards agora.”

Good first week…💪😈💪 @tipsarevictennisacademy #bangkok #keepgrinding #keeppushing #keepdigging

A photo posted by Janko Tipsarevic (@tipsarevicjanko) on

Grigor Dimitrov e Tomas Berdych

“A gente ficou meio nesse jogo de xadrez entre Nishikori e Thiem e Berdych e Dimitrov. Então a gente ficou meio jogando esse joguinho. Quem desses quatro a gente consegue trazer? É um tremendo jogo de xadrez.”

A forte concorrência de Dubai, Roterdã e Acapulco

“A gente disputa os atletas com Dubai, Roterdã e Acapulco, os ATPs 500 dessa época. Se o atleta joga Dubai, ele não joga Rio. Se ele joga Acapulco, é mais possível que ele jogue Rio. A gente fica muito na região. Nós e Acapulco coordenando aqui, Dubai e Roterdã de lá. Dubai está completando 25 anos, então o sheik está vindo com um A380 de dinheiro da Emirates. Acapulco, de um ano para o outro, decidiu investir um caminhão de dinheiro. A gente não sabe da onde está vindo tanto dinheiro também. E Roterdã está tentando consertar o que aconteceu em 2016. Não teve nenhum top 10. (…) Não pegou muito bem com público, patrocinador, ficou uma situação um pouco delicada.”

Outros nomes

“A gente falou com Zverev, Coric, Wawrinka, Murray, Djokovic… A gente chegou a conversar com todos top 10.”

Mudança de piso

“O que a gente está tentando mostrar [para a ATP] é que a competição agora é desleal. Nadal, que é um jogador de saibro, escolher Roterdã e fazer um calendário Roterdã-Acapulco… Os jogadores já não têm argumento para manter o [Rio Open] no saibro porque o carro-chefe deles já está botando a bandeirinha branca e dizendo ‘quero jogar na dura’. É uma politicagem de torneios tentando entrar num acordo do que faria sentido no calendário. (…) Hoje em dia, os jogadores querem mudar pouquíssimo de piso. O que a gente gostaria é de uma oportunidade para testar o Rio Open na [quadra] dura. E é isso que a gente está pedindo para a ATP.”

Calendário pós-2018

Até 2018, a ATP é obrigada a manter a estrutura atual de torneios, com Masters 1000, ATPs 5000 e ATPs 250. Juridicamente, a entidade pode mudar tudo a partir de 2019. Embora alterações radicais não sejam prováveis, é bem possível que o calendário sofra alterações e um aumento no número de datas. A intenção da ATP é decidir tudo isso até o fim deste ano.

“Existem milhares de discussões acontecendo. Por exemplo, a ATP e os diretores de torneio fizeram um trabalho conjunto para diminuir o calendário. O que aconteceu? Entrou a IPTL. Foi inteligente da nossa parte? Não. Foi a maior burrice que a gente fez. A gente deveria ter deixado o calendário com 52 semanas, assim não entra ninguém. Os jogadores fizeram um movimento ‘não quero jogar, quero ter offseason’. A gente ‘tá bom, então vamos diminuir o calendário’. Prejudicou um monte de torneio. E o que os jogadores fazem? Começam a jogar exibição na offseason. Sacanagem, né? Quem faz os jogadores são os torneios! Só existe o Federer, o Nadal porque existe um circuito que faz eles virarem estrelas. Aí eles viram estrelas e viram as coisas pra gente e vão jogar um circuito que não tem nada a ver com a gente? Realmente, é uma discussão que a gente tem em todas as reuniões.”

Desejo de jogar no Parque Olímpico

“A gente tem o desejo de jogar no Parque Olímpico um dia, mas isso não é uma decisão nossa. Depende de uma série de fatores. Depende de quem vai administrar o local, de como vai ser essa negociação, em que condições que a gente vai pra lá… A gente quer deixar isso bem explicado. Nosso evento é no saibro. A gente não conseguiu aprovação pra mudar de piso. A gente tentou e não conseguiu. Não teria tempo hábil pra mudar de dura pra saibro. Para 2018, a gente está tentando ver como pode fazer isso ser possível.”

Interesse no torneio feminino e valores dos ingressos

Com relação a esse assunto, argumentei com Lui Carvalho que não seria justo dizer que o torneio está cobrando o mesmo pelos ingressos de segunda a quinta, já que ano passado o Rio Open tinha um torneio feminino e, logo, o dobro do número de partida. Este ano, o preço é o mesmo, mas só para jogos masculinos. Ele respondeu argumentando que o interesse era mínimo para a chave feminina.

“Você tem a metade de partidas para ver, mas a gente foca no conteúdo, né? Não vou conseguir concordar com você. Se você fizer uma enquete com as pessoas, quantas compraram pra assistir a um jogo do feminino? Quando a gente toma a decisão de tirar o feminino, foi a primeira coisa que a gente falou: ‘a gente vai perder conteúdo?’ A gente fez uma enquete com várias pessoas. O nível do evento já começa muito diferente. Vamos imaginar que fosse um WTA International que tivesse uma Radwanska de cabeça 1 – eu sei que você adora a Radwanska. O nível já começa diferente. Com a data contra Doha e Dubai, o gap ficava ainda maior. A gente teve muita sorte de as brasileiras fazerem boas campanhas nos três anos. (…) Quantas pessoas compraram ingresso para ver a Schiavone? Não sei, mas você concorda comigo que as pessoas compraram ingresso para ver o Nadal, o Tsonga, o Isner? Até acho que quando a gente anunciou a Bouchard, a Madison, não mexe no ponteiro. Não mexe mesmo.”

Venda de ingressos

Até esta quarta, o Rio Open tinha vendido cerca de 60% dos ingressos e ainda havia bilhetes para todas sessões. Segundo Lui Carvalho, a final no domingo de Carnaval não atrapalha a venda. O torneio, aliás, vende pacotes de tênis+carnaval por meio da Faberg, agência parceira. Os ingressos estão à venda aqui.

Expectativa por uma boa campanha de Bellucci e Monteiro

Aqui, é interessante lembrar que Lui Carvalho não fala só como diretor do Rio Open, mas como manager da carreira de Thomaz Bellucci. A relação deles é de longa data e vem desde quando a carreira do tenista era gerida pela Koch Tavares. Lui, então funcionário da Koch, já era o responsável por administrar tudo relacionado a Bellucci.

“Acho que está na hora de o Bellucci e o Thiago fazerem alguma coisa especial no Rio Open. Tá na hora! Eles precisam, sabe? Bellucci precisa meter uma semi num ATP 500 no Brasil. Eles precisam disso. Isso vai ajudar o nosso esporte. Esses caras precisam botar o coração na quadra e dizer ‘eu vou fazer o que o Guga fez’. O Guga levou o tênis nas costas durante seis, sete, oito anos. Eles precisam fazer isso. A gente precisa disso. Estou apostando nisso.”

“Minha conversa com o Thomaz no fim de 2016 foi essa. ‘Você tem 30 anos de idade, entendeu? Ou você vai ou você vai. Não quero que você chegue no final da carreira Rubinho Barrichello. É a única coisa que não quero. Quero que você chegue Felipe Massa. Comoveu a galera. O Thomaz está numa fase que casou, está mais responsável, está numa fase boa pessoal. Ele precisa botar isso dentro de quadra.”

“Acho que os jogadores não entendem a responsabilidade deles dentro do esporte. Acho que eles olham muito a conta bancária deles e ‘ah, tá pingando’ e não entendem que o que eles fazem dentro de quadra move milhões de pessoas. Eles precisam ter mais essa consciência. É muito mais do que a vida deles, do que o patch da manga.”

Lista de participantes


Primeiras impressões de 2017
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Alexandre Cossenza

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Uma semana de jogos. É só isso que o mundo tem para analisar até agora e imaginar o que pode acontecer no Australian Open. É uma amostra pequena, é bem verdade, e muita gente se preocupa mais em calibrar os golpes do que no resultado imediato. Por isso, nem sempre é fácil “ler” o que aconteceu nestes primeiros torneios de 2017. Mesmo assim, já dá para começar a notar algumas tendências. Se elas vão ou não se confirmar em Melbourne e no resto do ano, é impossível saber. Mas elas estão aí, e este post é justamente sobre essas primeiras impressões da nova temporada. Comecemos pelo topo do circuito masculino, onde há dois favoritos óbvios e um interessante equilíbrio abaixo.

Andy Murray e Novak Djokovic

Britânico e sérvio, números 1 e 2 do mundo, respectivamente, são indiscutíveis como favoritos ao título do Australian Open. Ambos jogaram para o gasto em Doha e chegaram na final. E que final! Um jogo surpreendentemente bom para um primeira semana de temporada e que valia só 100 pontos (ou 200, se você é adepto da expressão futebolística “jogo de seis pontos”).

O que estava mesmo em jogo na final de Doha era moral, por isso Djokovic sai na frente. Para ele, o triunfo era mais importante. Murray já vinha de vitória sobre o sérvio no ATP Finals. Um resultado igual em Doha poderia mexer com o equilíbrio desse matchup. Com o título nas mãos de Djokovic, o cenário parece voltar a ser o mesmo de quase sempre: o sérvio será favorito caso os dois se encontrem na final em Melbourne.

O segundo pelotão

Kei Nishikori, finalista em Brisbane, talvez tenha mostrado o tênis mais sólido do começo ao fim da semana. Não deixa de ser um ótimo sinal para o japonês, mas vale ligar o alerta para a questão física. O tênis de Nishikori costuma cobrar contas altas, e a primeira de 2017 já apareceu. O japonês saiu da final de Brisbane se queixando de dores no quadril e dizendo que “vou tentar ficar saudável na próxima semana e espero estar pronto para o Australian Open.”

Stan Wawrinka fica um pouquinho atrás, mas só um pouquinho mesmo. Afinal, foi superado por Nishikori na semi em Brisbane, mas mostrou um tênis interessante o suficiente para início de temporada. É importante notar também que Stan se mostrou pouco incomodado com a eliminação e um tanto satisfeito com o nível de tênis que apresentou. Afinal, nestas primeiras duas semanas, o resultado final nem sempre é o mais importante. Assim, com o devido tempo antes do Australian Open para fazer a sintonia fina e os últimos ajustes, é justo dizer que o #1 da Suíça pode chegar forte mais uma vez a Melbourne.

Milos Raonic já tem na temporada uma respeitável vitória sobre Rafael Nadal, o que não é pouco – embora o revés diante de Grigor Dimitrov um dia depois tenha “esfriado” o canadense. Ainda assim, Raonic, assim como Nishikori e Wawrinka, pode “esquentar” e sair atropelando em Melbourne. Vale, porém, considerar sua fragilidade física, o que pode se acentuar no verão australiano, especialmente se for necessário disputar partidas longas.

E as lendas, onde ficam?

Aqui reside o maior ponto de interrogação do Australian Open. Nem tanto pelos momentos de Roger Federer e Rafael Nadal, mas por seus rankings. Nenhum dos dois estará entre os oito principais cabeças de chave em Melbourne, e isso certamente vai bagunçar as expectativas e as cotações das casas de apostas.

Tudo aponta para que Federer seja o cabeça 17 na Austrália, o que significa a possibilidade de um confronto de terceira rodada já contra um cabeça de chave 9 a 12. E como Nadal deve ser o cabeça 9, isso significa que, sim, é possível um “Fedal” já na terceira rodada. Mas o suíço também pode encarar Berdych, Goffin ou Tsonga nessa fase. Resumindo: as consequências serão grandes.

E isso, claro, se ninguém desistir até o início do torneio. Porque se isso acontecer, Nadal sobre para cabeça 8, e Federer, para 16. Nesse caso, aumentam muito as chances de o suíço encarar Murray ou Djokovic nas oitavas. Já pensaram?

Quanto à forma tenística, Federer fez um belo retorno. Jogou a Copa Hopman, se movimentou bem e conseguiu duas vitórias esperadas (Daniel Evans e Richard Gasquet). Mostrou um tênis que deve lhe render vitórias tranquilas nos primeiros jogos em Melbourne. É bem verdade que o suíço foi superado em três tie-breaks por Alexander Zverev e que foi o alemão que venceu a maioria dos ralis. Cabe, no entanto, a velha ressalva de pré-temporada.

Fosse um torneio oficial, Federer teria somado tantos erros não forçados (e foram muitos mesmo!) ou teria arriscado menos? O que ele queria mais: vencer aquela partida ou calibrar seu tênis? Fico com a segunda hipótese, pelo menos por enquanto. Não vejo motivo para desespero. Ainda assim, pairam as mesmas perguntas que todos faziam em 2014 e 2015. O Federer de hoje, com 35 anos, consegue passar por Murray e/ou Djokovic em cinco sets?

No que diz respeito a Nadal, o espanhol vem jogando o tênis agressivo que acredita precisar jogar. Quando dá certo, o ex-número 1 tem grandes atuações. Quando não, perde jogos que não deixaria escapar em outros tempos. Jogando desse jeito, a margem para dias ruins diminui. Não consigo ver o Nadal de hoje ganhando tantos jogos sem jogar seu melhor, como fez por tanto tempo. E lembremos: jogando assim, Nadal não encaixa duas semanas inteiras de ótimo tênis desde o US Open de 2013. A cada dia que passa, fica mais difícil (mas não impossível) imaginar que isso vá se repetir.

Quem corre por fora?

Por enquanto, é difícil dizer o que esperar de Dominic Thiem. No início da semana, o revés diante de Dimitrov parecia decepcionante, um começo de ano abaixo da expectativa. Agora, depois de ver o búlgaro com o título, nem tanto.

Alexander Zverev também chega cheio de moral após a Hopman – especialmente com a vitória sobre Federer. No entanto, o adolescente que muitos acreditam estar no rumo para ser número 1 do mundo ainda precisa de uma grande campanha em um Slam. Talvez de uma grande vitória (em um torneio oficial) para servir de trampolim para voos mais altos. Até que isso aconteça, Sasha entra em qualquer torneio brigando pelo posto de “meu azarão favorito”.

O que dizer de Nick Kyrgios, que chegou à Copa Hopman com uma lesão sofrida numa pelada de basquete? A falta de compromisso do garotão não chega a ser uma surpresa (ele vive dizendo que não gosta de tênis), mas me parece um abuso para quem andou falando que poderia conquistar o Australian Open já este ano. Jogo para isso ele, de fato, tem. Ainda precisa mostrar que tem cabeça, foco e todos aqueles atributos que são mais do que bater bem na bolinha.

Quem surpreendeu?

O grande nome da primeira semana na ATP é, inquestionavelmente, Grigor Dimitroc. O búlgaro começou 2017 com três vitórias sobre top 10: Thiem, Raonic e Nishikori. Foi quem mais impressionou – pelo menos em termos de resultados – até agora, e o título de Brisbane lhe dá a confiança necessária para chegar a Melbourne realmente acreditando na possibilidade de uma grande campanha.

As grandes questões para Dimitrov, agora, são: ele teria feito o mesmo em um torneio mais importante, onde o resultado imediato fosse prioridade para todos tenistas?; e ele conseguirá repetir esses resultados em jogos de cinco sets, lembrando que ele não alcança as quartas de um Slam desde 2014? Talvez seja injusto levantar tais questões na primeira semana do ano, mas é nisso que a gente vai prestar atenção em Melbourne, não é verdade?

Nas casas de apostas

Fiquem de olho nas cotações pós Hopman/Doha/Sydney. Vai ser interessante ver o quanto elas vão mudar após o sorteio da chave em Melbourne.

Os brasileiros

Para o Brasil, até que os primeiros torneios do ano renderam resultados animadores. Thiago Monteiro perdeu na primeira rodada em Chennai, mas venceu dois jogos (Fabbiano e Giraldo) e entrou na chave principal em Sydney. O cearense também anunciou seu novo fornecedor de material esportivo: a espanhola Joma, que entra no lugar da Lacoste. Monteiro, lembremos, deixou de ser agenciado por Gustavo Kuerten (garoto-propaganda da Lacoste) para ser atleta da LinkinFirm, de Márcio Torres, que também agencia Bruno Soares, André Sá e Teliana Pereira.

Rogerinho, por sua vez, venceu uma partida (Lajovic) em Chennai, mas caiu nas oitavas de final, superado por Roberto Bautista Agut, que acabou como campeão do torneio. Em Sydney, porém, o paulista foi eliminado na primeira rodada do qualifying por Nikoloz Basilashvili.

Thomaz Bellucci, o #1 do Brasil, entrou na última hora na chave em Sydney, mas não passou da estreia. Diante de Nicolas Mahut, fez um primeiro set nada animador e só esboçou uma reação no finzinho do segundo set. Até teve chances de estender a partida, mas terminou derrotado por 6/2 e 7/6(2).

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Vale notar também que Bellucci não é mais atleta da adidas. O paulista jogou em Sydney vestindo Wilson, marca que já era sua fornecedora de raquetes. O texto de sua assessoria de imprensa cita como marcas parceiras de Bellucci a Claro, a Embratel (que são a mesma empresa) e a Wilson.


Wimbledon 2016: o guia (versão masculina)
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Alexandre Cossenza

O terceiro Slam do ano se aproxima, e enquanto o Reino Unido discutia (e discutirá por muito tempo) as causas e consequências de sua saída da União Europeia, Wimbledon sorteou as chaves na manhã desta sexta-feira. Será que Novak Djokovic dará mais um passo ao Grand Slam de fato e conquistará seu quinto Slam seguido? Ou Andy Murray voltará a reinar em casa? E Roger Federer, já encontrou ou vai encontrar sua habitual forma espetacular na grama do All England Club?

Este guia da chave masculina fala um pouco disso tudo, avaliando os resultados recentes, a composição das chaves e o que pode acontecer nas próximas duas semanas, no torneio que é o mais tradicional e mais cobiçado desde sempre.

Os favoritos / Quem se deu bem

Campeão em Roland Garros e agora dono do Career Slam, Djokovic optou por não fazer torneios de preparação na grama, como já faz há algum tempo. Jogou apenas o Boodles, um evento de exibição que serve para ajustes finais, embora não dê aos fãs e à imprensa uma boa referência sobre a forma do número 1 do mundo. Mesmo assim, parece justo esperar que o sérvio mostre a mesma forma de sempre. Seu histórico recente aponta para isso. Logo, ele entra como favorito indiscutível, do mesmo modo que seria o mais cotado se a ATP decidisse organizar um campeonato de tiro ao prato ou de caça a codornas.

O sorteio não foi dos melhores para o sérvio, ainda que não tenha sido trágico, mas que sorteio pode ser trágico com o cidadão jogando nesse nível? Entre as possíveis cascas de banana no caminho estão Lukas Rosol e Sam Querrey, que se enfrentam na primeira rodada, com o vencedor possivelmente encontrando o sérvio na terceira fase. Rosol, a gente lembra, tem potencial para aprontar essa zebra, mas precisa que tudo dê certo no dia.

Além disso, Nole pode encarar Milos Raonic, Kevin Anderson ou, quem sabe, David Goffin nas quartas. É justo dizer que Raonic, no momento atual e na grama, parece ser o adversário mais duro possível para qualquer um encarar nas quartas. E, para piorar, Djokovic ainda tem Federer na sua metade da chave. É um potencial duelo de semifinal que repetiria as duas últimas finais em Wimbledon. Resumindo: o favorito não deve estar lá muito feliz com o sorteio…

Enquanto isso, o ídolo local, Andy Murray, pode muito bem ser considerado o “vencedor” do dia. Não que sua chave seja um mar de rosas, mas escapar da semi com Federer já foi uma vitória. Além disso, as três primeiras rodadas, contra Liam Broady, Lu/Qualifier e possivelmente Benoit Paire, parecem tranquilas. Depois, sim, podem pintar no caminho Kyrgios/Feliciano (oitavas) e o vencedor do grupo com Isner, Tsonga, Gasquet e Troicki, nas quartas. Se chegar à semi, Murray vai encarar quem avançar na parte encabeçada por Wawrinka, que também tem Thiem e Berdych, mas que parece o “quarto” menos forte da chave inteira.

O britânico chega a Wimbledon em bom momento e com o reforço de Ivan Lendl, que voltou a seu box. No primeiro torneio com o ex-e-agora-atual treinador, Murray foi campeão em Queen’s. Não foi uma semana de atuações espetaculares, mas de encontrar soluções para vencer jogos. O escocês fez isso muito bem e, por isso, merece iniciar o Slam da grama como o segundo mais cotado ao título.

Roger Federer é o grande ponto de interrogação aqui. Em uma temporada atípica, com cirurgia, lesões e pouco tempo em quadra, o suíço mostrou ferrugem em Stuttgart e Halle, onde foi superado por Thiem e Zverev, respectivamente. Era de se esperar, até certo ponto, que Federer ainda estivesse aquém de seu melhor nível, mas ver isso na prática deixou muita gente preocupada.

A dúvida reina no mundo do imaginário, onde os fãs sonham com um Federer de volta a seu nível costumeiro antes dos momentos decisivos de Wimbledon. Nesse sentido, é até possível dizer que o #3 do mundo deu sorte. Sua primeira semana no torneio não é das mais turbulentas, com adversários como Pella (estreia) e Berankis/Qualifier (segunda rodada). Dolgopolov, sim, pode dar trabalho na terceira fase, mas só se Federer estiver em um dia muito ruim. O suíço também seria favortíssimo nas oitavas contra possivelmente Simon ou Monfils.

Trocando em miúdos, dá para afirmar que Federer terá tempo para calibrar seus golpes e planejar a segunda semana. Nishikori é o potencial rival de quartas de final, mas o japonês só fez um jogo na grama em 2016. Não é difícil imaginar o suíço alcançando a semi sem encarar o japonês.

Os brasileiros

Thomaz Bellucci, que não vence um jogo na grama há cinco anos (a última vitória foi em Queen’s, em 2011), se deu bem no sorteio e vai estrear contra um qualifier. Se vencer, encara Querrey ou Rosol em um cenário que está longe de ser ruim, considerando que o brasileiro não é cabeça de chave.

Rogerinho fará sua segunda apresentação em Wimbledon e também não teve um sorteios dos piores, não. Ele estreia contra Nicolás Almagro. É justo dizer, por outro lado, que o espanhol também deve ter gostado do sorteio. Para ambos, tenistas de fundo de quadra, seria mesmo melhor evitar encarar sacadores ou tenistas agressivos, que dariam pouco ritmo de jogo.

A grande ausência

Rafael Nadal, com uma lesão no punho esquerdo, só chegou perto de uma quadra de grama quando visitou o WTA de Mallorca, onde nasceu e mora até hoje. O atual número 4 do mundo tem pouco mais de 300 pontos de vantagem sobre Stan Wawrinka no ranking e pode ser ultrapassado até pelo atual #6, Kei Nishikori. Tudo depende de como suíço e japonês atuarão em Wimbledon.

Os melhores jogos nos primeiros dias

A chave de Wimbledon está especialmente suculenta para quem aprecia tênis e não se apega demais aos líderes do ranking. Logo na primeira rodada, há confrontos divertidíssimos como Kyrgios x Stepanek, Verdasco x Tomic, Wawrinka x Fritz e Thiem x Florian Mayer (o alemão venceu o austríaco em Halle).

Só que a lista não acaba aí. Que tal Coric x Karlovic? Ou Simon x Tipsarevic? E o que pode acontecer em Monfils x Chardy? E Gulbis x Sock? E Isner x Baghdatis?Faça sua listinha e preste atenção porque tudo isso vai acontecer já na segunda e na terça-feira (se a chuva não atrapalhar, é claro).

O que mais pode acontecer de mais legal

Uma segunda rodada entre Stepanek ou Kyrgios contra Dustin Brown, já imaginaram? Outro jogaço já no radar de todos é Wawrinka x Del Potro. Para que isso aconteça, o suíço precisa bater Taylor Fritz, e o argentino tem que passar por Stéphane Robert. Não parece nada improvável. Uma terceira rodada entre Murray e Paire promete um bocado de jogadas de efeito.

Os tenistas mais perigosos que ninguém está olhando

A chave de Wimbledon este ano tem alguns nomes meio “escondidos”. Kevin Anderson, por exemplo, estaria mais bem cotado em uma seção mais fraca. O sul-africano, porém, pode muito bem eliminar Goffin numa terceira rodada e encarar Raonic com chances interessantes nas oitavas.

A situação de Tomas Berdych não é muito diferente. Cabeça 10, o tcheco está na seção de Dominic Thiem, que estreia contra Florian Mayer. Mas quem ousa dizer que Berdych não pode passar pelo jovem Zverev nas oitavas e, depois, por Thiem ou Mayer (ou Sousa, quem sabe), chegando às quartas de final contra Wawrinka? Se o suíço chegar lá, né?

Onde ver

SporTV e ESPN mostram o torneio. Ano passado, lembremos, o canal da Disney driblou o da Globosat, pagando pelos direitos e aproveitando o sinal da ESPN americana para mostrar mais quadras enquanto o SporTV ficava preso a seu pacote básico. Ninguém deu muitos detalhes ainda de como serão as transmissões deste ano, mas já se sabe que a ESPN mostrará o evento em dois canais (contra um do SporTV). Em todo caso, vale ficar com o controle remoto na mão.

Nas casas de apostas

Não há nenhuma grande surpresa nas cotações da casa virtual bet365, mas é importante notar uma diferença menor entre Djokovic e Murray e uma separação maior entre o britânico e Federer. As cotações estão assim:

Vale registrar, só a título de curiosidade, que um título de Thomaz Bellucci paga 1001 para 1. Se Rogerinho for campeão, o apostador embolsa 3001 para 1.

O guia feminino

Com sempre, não dá tempo de publicar os dois textos no mesmo dia, então o guia para a chave feminina deve aparecer aqui no amanhã (sábado), um pouco antes do podcast Quadra 18, que terá sua habitual edição especial pré-Slam, cheia de palpites e análises.


Semana 24: o ‘Efeito Lendl’, o novo tropeço suíço e outra volta de Hewitt
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Alexandre Cossenza

Andy Murray foi campeão em Queen’s mais uma vez, enquanto em Halle Roger Federer voltou a conquistar – opa, a história mudou este ano. O suíço, voltando de lesões e ainda sem o ritmo ideal, perdeu no torneio que dominou nos últimos anos. A semana ainda teve André Sá em uma final de ATP 500 e a notícia de mais um retorno às quadras de Lleyton Hewitt. Nem parece que o australiano se aposentou há tão pouco tempo…

O resumaço da semana ainda tem as campeãs dos WTAs de Birmingham e Mallorca, as campanhas dos outros brasileiros, a atualização de status de Rafael Nadal, o recurso de Maria Sharapova (pra manter a esperança de jogar na Rio 2016), um tweet hilário, uma história bizarra e uma aparição imperdível de Federer.

<> at Queens Club on June 19, 2016 in London, England.

Os campeões

No ATP 500 de Queen’s, o assunto (e piada recorrente) foi a volta de Ivan Lendl ao time de Andy Murray, que defendia o título. Coincidência e brincadeiras à parte, o escocês foi campeão do torneio londrino pela quinta vez, derrotando de virada Milos Raonic na decisão: 6/7(5), 6/4 e 6/3.

Vale notar que Raonic não tinha sido quebrado a semana inteira e teve 3/0 de frente no segundo set. Murray, então, conseguiu quatro quebras em oito games, jogando um tênis-de-grama de altíssimo nível, e se tornou o primeiro tenista na história a vencer Queen’s cinco vezes.

De modo geral, foi um belo torneio do britânico que, se não atropelou ninguém, passou por rivais perigosíssimos na grama, como Mahut (na estreia), Cilic (semi) e Raonic, agora treinado por John McEnroe, que estava na beira da quadra. É justo dizer, como sempre, que Murray se coloca como candidatíssimo ao título de Wimbledon, que começa daqui a uma semana.

Vale registrar também um dos momentos mais engraçados da cerimônia de premiação, quando Murray disse que foi legal da parte de Lendl esperar pela cerimônia de premiação. No mesmo momento, as câmeras da transmissão mostraram a cadeira de Lendl vazia. Sim, ele já tinha ido embora.

No ATP 500 de Halle, a final dos azarões foi vencida por Florian Mayer, que bateu Alexander Zverev por 6/2, 5/7 e 6/3. Atual número 192 do ranking, o alemão entrou no torneio graças ao ranking protegido e passou por um caminho cheio de espinhos. Bateu Baker, Seppi, Thiem e Zverev, contando ainda com uma vitória por W.O. sobre Nishikori.

Foi o segundo título na carreira de Mayer, que tinha sido campeão quase cinco anos atrás, em Bucareste. Com o resultado, ele voltará ao top 100, o que é algo muito bacana para um veterano de 32 anos que vem sofrendo com lesões, mas não desiste de brigar por seu lugar em torneios grandes.

O cabeça 1 do torneio era Roger Federer, que caiu diante de Zverev nas semifinais (mais sobre isso abaixo), e o o segundo cabeça era Nishikori, que desistiu por causa de dores em uma costela.

As campeãs

No WTA Premier de Birmingham, Madison Keys conseguiu dois feitos importantes na semana. Primeiro, garantiu sua entrada no top 10. Ela será a primeira americana a entrar no grupo de elite desde 1999, quando Serena Williams fez sua estreia entre as dez melhores. Depois, Keys conquistou o título do evento britânico ao derrotar Barbora Strycova por 6/3 e 6/4 na decisão.

Não só pelo título, mas a americana de 21 anos se coloca como nome forte em Wimbledon por seu jogo de potência, algo que a compatriota Coco Vandeweghe também mostrou em Birmingham. Coco, aliás, também foi campeã em ’s-Hertogenbosch e chegou a somar oito triunfos seguidos na grama antes de levar a virada de Strycova na semifinal.

A lembrar sobre Birmingham: a cabeça 1, Agnieszka Radwanska, foi eliminada por Vandeweghe na estreia; Angelique Kerber, cabeça 2, foi batida por Carla Suárez Navarro nas quartas; e Petra Kvitova, bicampeã de Wimbledon, caiu diante de Jelena Ostapenko na segunda rodada. Keys era cabeça 7 e, na campanha até o título, passou por Babos, Paszek, Ostapenko, Suárez Navarro e Strycova.

No WTA International de Mallorca, Caroline Garcia venceu pela segunda vez em 2016 um dos chamados torneios “de aquecimento”. A francesa, campeã também em Estrasburgo, conquistou o modesto evento espanhol ao bater na decisão Anastasija Sevastova por 6/3 e 6/4.

Cabeça de chave 6, Garcia passou por Witthoeft, Friedsam, Ivanovic (cabeça 3), Flipkens e Sevastova no caminho até o título. A cabeça 1, Garbiñe Muguruza, tombou logo na estreia, diante de Flipkens, enquanto a cabeça 2, Jelena Jankovic, foi eliminada por Sevastova.

O suíço

Roger Federer não chegará a Wimbledon como favorito. Longe de descartar uma conquista do suíço em Londres, mas não é o que suas atuações em Stuttgart e Halle indicaram. O ex-número 1 esteve errático, mais impaciente do que o normal e sofreu derrotas para Dominic Thiem (teve dois match points em Stuttgart) e Alexander Zverev, jovens talentosos da #NextGen, a hashtag preferida da ATP.

Como escrevi na semana passada, era de certa forma esperada essa inconstância do suíço, que ficou tanto tempo sem competir e voltou logo na temporada de grama, quando os pontos são mais curtos e é difícil adquirir ritmo. Ainda assim, é estranho ver Federer tendo problemas em um piso no qual seu jogo flui com mais facilidade e seu serviço é muito eficiente.

De qualquer forma, ele ainda tem mais uma semana para calibrar golpes aqui e ali antes de Wimbledon. Também espera-se que a primeira semana do Slam da grama sirva de “aquecimento” para os jogos realmente duros. É nesse momento que Federer precisará de seu melhor tênis.

O imortal

Conhecido por nunca desistir de uma partida, Lleyton Hewitt nunca fez mais justiça ao rótulo de imortal. Aposentado em janeiro e desaposentado logo depois para disputar a Copa Davis, o ex-número 1 do mundo igualará em Wimbledon a marca de Michael Jordan, com dois retornos à profissão. Sim, Hewitt recebeu um wild card para disputar a chave de duplas ao lado do compatriota Jordan Thompson.

Resta saber se é um convite “isolado” ou se teria alguma relação com a possibilidade de Hewitt receber mais um wild card para disputar os Jogos Olímpicos ao lado de Thompson. Será?

Os brasileiros

O grande nome do país na semana foi André Sá, que jogou em Queen’s com o australiano Chris Guccione. Os dois eliminaram Bruno Soares e Jamie Murray nas quartas de final e foram vice-campeões do torneio, só perdendo para Nicolas Mahut e Pierre-Hugues Herbert por 6/3 e 7/6(5). Marcelo Melo também jogou o ATP 500 londrino. Ele e Juan Martín del Potro derrotaram Feliciano e Marc López na estreia, mas foram superados por Herbert e Mahut nas quartas.

No circuito Challenger, em Blois, França (42.500 euros), Thiago Monteiro abandonou o torneio após vencer a primeira rodada por causa de dores nas costas. O cearense explicou que o incômodo começou na semana anterior, em Bordeaux, e que achou melhor tratar o local e se preparar para o qualifying de Wimbledon. Também em Blois, Guilherme Clezar eliminou o cabeça de chave 1, Albert Montañés, mas perdeu na segunda rodada para o holandês Antal Van Der Duim.

Em Perugia, Itália (42.500 euros), Rogerinho foi eliminado nas quartas de final pelo esloveno Blaz Rola: 7/6(4) e 6/2; e Marcelo Zormann, que entrou como lucky loser, perdeu na estreia para o italiano Marco Cecchinato. Em Poprad-Tatry, Eslováquia (42.500 euros), André Ghem também perdeu nas oitavas, sendo superado pelo espanhol Rubén Ramírez Hidalgo.

No ITF de Sumter, EUA (US$ 25 mil), Gabriela Cé foi eliminada na estreia pela australiana Olivia Rogowska: 6/3 e 6/3. Luisa Stefani, que venceu três jogos no quali, foi mais longe e caiu nas oitavas de final diante da mexicana Renata Zarazua por 7/6(3) e 6/4. Em Minsk, outro ITF de US$ 25 mil, Laura Pigossi estreou derrubando a russa Polina Leykina, cabeça de chave 2, por 6/0 e 6/3, mas caiu nas oitavas de final, superada pela grega Valentini Grammatikopoulou: 6/0 e 6/1.

A apelação de Sharapova

Na terça-feira, a Corte de Arbitragem do Esporte (CAS) anunciou que Maria Sharapova havia apelado de sua suspensão de dois anos por doping. A tenista pede que o período de suspensão seja eliminado ou, pelo menos, reduzido. Segundo a CAS, o recurso será julgado rapidamente, com uma decisão a ser divulgada até o dia 18 de julho. Sim, daria tempo de Sharapova participar dos Jogos Olímpicos, mas apenas se o período da suspensão for reduzido para seis meses. A ver como a CAS analisa a questão.

Rumo ao Rio

Para quem estava preocupado com a participação de Rafael Nadal nos Jogos Olímpicos Rio 2016, uma boa notícia. Seu tio afirma que Rafa estará recuperado a tempo de brigar por medalhas. O plano é voltar às quadras no Masters de Toronto e, depois, rumar para o Brasil.

Vale lembrar que, se tudo correr conforme os planos, Nadal disputará três medalhas no Rio: simples, duplas (com Marc López) e duplas mistas (ao lado de Garbiñe Muguruza).

O melhor tweet

Em Londres e presenciando toda especulação em torno do rendimento de Andy Murray pós-retorno de Ivan Lendl, Bruno Soares soltou o melhor tweet da semana.

Em tradução livre, o mineiro disse estar sentindo seu tênis melhor porque Lendl voltou com Andy, que é irmão de Jamie, que é seu parceiro.

O relato bizarro

A chilena Andrea Koch Benvenuto foi suspensa por três meses após uma série de violações do código de conduta da ITF durante um torneio em São José dos Campos (SP). A tenista foi condenada a pagar US$ 500 de multa, além de US$ 199 equivalentes ao valor do telefone celular do supervisor do torneio que ela quebrou quando foi questionar sua desclassificação. Taí algo que não se vê todo dia…

Leitura obrigatória

Indicação da Diana Gabanyi, a entrevista de Simon Briggs com Andy Murray não é tão reveladora assim, mas traz números e declarações interessantes do atual número 2 do mundo – inclusive a frase sobre Ivan Lendl, inserida no título. Murray diz que precisava de alguém que lhe dissesse que era ok perder em vez de classificar derrotas em finais de Slam como um desastre. Leiam!

Fanfarronice da semana

Não tem nada de publicitário na foto, mas vale o registro porque foi “apenas” Roger Federer trollando a foto de Sergiy Stakhovsky como o ucraniano trollou com seu Wimbledon em 2013.


Semana 23: retornos de Federer e Lendl, Sharapova suspensa e Thiem campeão
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Alexandre Cossenza

Roger Federer voltou, mas Rafael Nadal desistiu de Wimbledon. Andy Murray anunciou o retorno da parceria com Ivan Lendl, enquanto Maria Sharapova foi condenada a dois anos de suspensão por doping. Enquanto isso, a temporada de grama começou com torneios pequenos, mas alguns resultados já bastante interessantes. Vamos lembrar o que rolou?

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Os campeões

No ATP 250 de Stuttgart, que só terminou nesta segunda-feira por causa da chuva, o título é de Dominic Thiem, o rei dos 250. Depois de salvar dois match points e bater Roger Federer na semifinal, o austríaco selou a conquista com vitória de virada sobre Philipp Kohlschreiber: 6/7(2), 6/4 e 6/4.

O talentoso jovem de 22 anos, atual número 7 do mundo, é quem mais venceu jogos em 2016. Até agora, são 45 vitórias na temporada. Trata-se de um raro caso de tenista top 10 com calendário de #50 do mundo, jogando uma semana após a outra. Thiem, aliás, não soma ponto nenhum com o título deste fim de semana, já que possui quatro conquistas em ATPs 250 em sua somatória atual. Stuttgart só vai contar alguma coisa no fim de julho, quando caírem os pontos de Umag (isso se Thiem não decidir jogar mais uma vez o ATP croata!).

Com seu primeiro título na grama, Thiem, que só teve três semanas de folga em 2016 (vide tuíte acima), agora entra na pequena lista de nove tenistas que venceram torneios nos três pisos (dura, saibro e grama) na mesma temporada. Este ano, o austríaco já foi campeão em Buenos Aires (saibro), Acapulco (dura), Nice (saibro) e, agora, Stuttgart (grama).

Em ’s-Hertogenbosch, Nicolas Mahut foi campeão pela terceira vez, completando nesta segunda-feira a vitória sobre Gilles Muller por 6/4 e 6/4. O francês de 34 anos, que perdeu a liderança do ranking de duplas, também venceu o torneio de grama holandês em 2013 e 2015.

As campeãs

No WTA International de Nottingham, a tcheca Karolina Pliskova, cabeça de chave 1, levantou o troféu depois de derrotar Alison Riske por 7/6(8) e 7/5. No primeiro set, Pliskova teve de salvar seis set points – três deles no tie-break. Aliás, tie-breaks não faltaram na semana. Foram quatro deles em cinco jogos, e a tcheca venceu três.

Em ’s-Hertogenbosch, outro WTA International, a americana CoCo Vandeweghe bateu a francesa Kristina Mladenovic na final por 7/5 e 7/5 e conquistou o título. Foi sua segunda conquista no torneio holandês, que venceu também em 2014, quando não perdeu nenhum set.

Não foi um torneio bom para as favoritas. A cabeça 1, Belinda Bencic, foi superada por Mladenovic nas semifinais, enquanto a segunda pré-classificada, Jelena Jankovic, foi eliminada na segunda rodada pela russa Evgeniya Rodina.

O retorno

As atuações mais aguardadas da semana foram de Roger Federer, que fez seu retorno às quadras. O suíço, que pouco jogou desde que uma cirurgia no joelho depois do Australian Open, apareceu em Stuttgart fora de forma e foi eliminado por Dominic Thiem na semifinal, depois de perder dois match points: 3/6, 7/6(7) e 6/4.

Mesmo nos triunfos sobre Taylor Fritz e Florian Mayer, o suíço esteve longe de seu melhor nível. É compreensível para quem vem de problemas físicos, mas não deixa de ser algo preocupante porque é raro ver Federer atravessar um momento assim na temporada de grama.

Se serve de consolo, a participação em Stuttgart colocou Federer como o segundo maior vencedor de jogos no circuito mundial. Ele ultrapassou Ivan Lendl e agora soma 1.072 vitórias. À sua frente, apenas o americano Jimmy Connors, que jogava todo tipo de torneios em sua época e acumulou 1.256 triunfos.

A “re-união”

Andy Murray e Ivan Lendl anunciaram neste domingo que voltarão a trabalhar juntos. A parceria de sucesso, durante a qual o britânico conquistou dois Slams e uma medalha de ouro olímpica, terminou porque Lendl não queria mais passar tanto tempo viajando o circuito. Segundo o comunicado publicado no site do tenista, Lendl passou os últimos dois anos tratando de operações nos quadris e em um cargo no programa de desenvolvimento de jogadores da USTA.

O texto não deixa explícito, sugere que Lendl vai estar em todos os eventos ao lado de Murray (já foi assim na primeira vez) ao dizer que o novo-velho técnico trabalhará junto ao “técnico full-time de Andy, Jamie Delgado”. Ou seja, Delgado estará presente o tempo inteiro, enquanto Lendl fará aparições aqui e ali e estará junto nos períodos de treino. É o que parece.

Os brasileiros

Em Stuttgart, Bruno Soares jogou com o australiano Joh Peers e caiu nas quartas de final, superado por Oliver Marach e Fabrice Martin: 7/5 e 6/4. André Sá e Marcelo Demoliner foram a ’s-Hertogenbosch, na Holanda. O gaúcho, que fez parceria com o americano Nicholas Monroe, não passou da estreia, sendo superado por Gilles Muller e Frederik Nielsen. O mineiro avançou uma rodada ao lado de Chris Guccione, mas os dois perderam nas quartas para Santiago González e Scott Lipsky.

No circuito Challenger, o melhor resultado do Brasil veio com Thiago Monteiro, em Lyon (64 mil euros). Cabeça de chave número 5, Monteiro aproveitou uma chave que perdeu os cabeças 2 e 3 logo na estreia e avançou até a final, ficando com o vice ao ser superado por Steve Darcis: 3/6, 6/2 e 6/0. Feijão também esteve em Lyon e foi eliminado pelo mesmo Darcis, mas nas semifinais: 6/3, 5/7 e 6/4.

Rogerinho, por sua vez, foi a Praga (42.500 euros) e perdeu nas quartas de final. O brasileiro foi superado pelo austríaco Dennis Novak em três sets: 4/6, 6/1 e 7/6(7). Em Moscou (US$ 75 mil), André Ghem perdeu nas oitavas de final para o qualifier sérvio Miki Jankovic por 7/6(12) e 6/4. Guilherme Clezar, por sua vez, foi a Caltanissetta (106.500 euros), na Itália, e não passou da estreia. Caiu diante de Gianluigi Quinzi por 6/2, 1/6 e 7/6(6).

Entre as mulheres, Laura Pigossi jogou o ITF de Minsk (US$ 25 mil) e perdeu na estreia para a ucraniana Olga Ianchuk, cabeça 7, por 6/3, 3/6 e 7/5. Bia Haddad, que abandonou o ITF de Brescia no dia 2 de junho por causa de um misterioso “incômodo físico” (a assessoria não divulgou o motivo) que a fez retornar ao Brasil imediatamente, anunciou no sábado que está de volta aos treinos.

O doping

Outra grande manchete da semana foi o anúncio da suspensão de Maria Sharapova, que pegou dois anos de gancho e está afastada do tênis por dois anos. A tenista russa prometeu recorrer à Corte Arbitral do Esporte (CAS). Na quarta-feira, publiquei aqui mesmo no Saque e Voleio um texto dissecando a decisão do tribunal, que destruiu a defesa da russa. Leia aqui.

Vale também ler o texto da Sheila Vieira, vide tweet abaixo:

A desistência

Não pegou quase ninguém de surpresa, mas não deixa de ser ruim para o circuito. Rafael Nadal, que abandonou Roland Garros depois da segunda rodada por causa de uma lesão no punho, não jogará Wimbledon. O bicampeão do torneio disse que não estará recuperado a tempo de participar do Slam da grama.

Como Nadal já havia dito que sua prioridade este ano seria participar dos Jogos Olímpicos (ele não esteve em Londres 2012 por causa de uma lesão), faz sentido adotar uma postura mais do que cautelosa e pular a temporada de grama. Resta saber se será suficiente para que o espanhol esteja em forma competitiva no Rio. Lesões no punho estão entre as mais delicadas para tenistas.

A briga pelo número 1 nas duplas

Durou pouco o reinado de Nicolas Mahut como duplista número 1 do ranking. Três dias depois de assumir a liderança da lista, o francês já sabia que a posição estava perdida. Com a eliminação de Mahut em ’s-Hertogenbosch, onde jogou ao lado de Bopanna, Jamie Murray voltará à ponta na segunda-feira.

Quando Leander Paes é a vítima

O indiano Leander Paes, que não tem lá muitos amigos no circuito, vem sendo vítima de bullying do compatriota Rohan Bopanna. André Sá, o cúmplice, postou no Twitter uma imagem de Bopanna fingido estar preocupado com sua escolha para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Por estar no top 10, o indiano não só está garantido na competição como, em tese, teria o direito de escolher qualquer parceiro para o torneio olímpico de tênis. Bopanna, portanto, seria a última esperança de Leander Paes para estar nos Jogos Rio 2016. Notem o nome de Paes na manchete do celular. Ô, maldade…

Escrevi “em tese” e “seria” no parágrafo acima porque a federação indiana passou por cima da opção de Bopanna e indicou o nome de Leander Paes, forçando os dois a atuarem juntos. Bopanna não ficou nada contente e escreveu uma carta para a entidade (vide link no tweet abaixo).

Leitura obrigatória

Reportagem publicada no site da Folha de S. Paulo na última quinta-feira. O presidente da CBT Jorge Lacerda, vetou a ex-assessora de Gustavo Kuerten, Diana Gabanyi, de trabalhar nos Jogos Olímpicos Rio 2016. O dirigente escreveu um email ao Comitê atacando a jornalista, dizendo que ela fazia parte de um grupo de oposição que ataca constantemente a CBT. Lacerda também ameaçou não emitir credenciais caso não fosse atendido pelo Comitê. Mesmo depois de dois anos conversando com o Comitê, participando do planejamento para os Jogos e até com salário e data de início acertados, Gabanyi não foi contratada.

O próprio Guga tentou agir em nome de sua ex-assessora, entrando em contato com a Federação Internacional de Tênis (ITF). O presidente da entidade, David Haggerty, levou pessoalmente a situação ao presidente do Comitê Rio 2016, Carlos Arthur Nuzman, mas a decisão foi mantida. Leia a reportagem na íntegra.

Para ouvir

Djokovic é puro carisma ou é tudo jogada de marketing? O sérvio vai alcançar as 302 semanas como número 1, atual recorde de Roger Federer? O quanto um domínio como o de Nole faz mal ao tênis? Garbiñe Muguruza mostra mais potencial que nomes como Halep, Bouchard e Bencic? Estas e outras perguntas são respondidas no mais recente episódio do podcast Quadra 18, onde Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu batemos um papo bem humorado sobre tênis. Ouça abaixo.

Fanfarronices publicitárias

Depois de uma foto com Michael Jordan, outra com Stephen Curry e uma aparição na Copa América ao lado de Lewis Hamilton e Justin Bieber, Neymar encontrou casualmente (coincidência, claro) com… Serena Williams.

Always be ready for summer. You never know when. @neymarjr will show up

A photo posted by Serena Williams (@serenawilliams) on

Saiba mais (ou não) nesta lista aqui.

O amor

E já que este domingo foi dia dos namorados aqui no Brasil, que tal encerrar o post com uma imagem dos recém-casados Fabio Fognini e Flavia Pennetta?


RG, dia 13: Muguruza, Serena, Djokovic e Murray. Quem está surpreso?
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Alexandre Cossenza

Choveu muito, houve zebras e partidas divertidas, mas treze dias de jogos depois, Roland Garros definiu seus finalistas no óbvio. Serena Williams e Garbiñe Muguruza na decisão feminina, Novak Djokovic e Andy Murray brigando pelo título no domingo. O resumo do dia analisa as quatro semifinais e o que esperar nos próximos dois dias de torneio. O texto também atualiza o cenário na briga pelo número 1 das duplas e traz vídeos de pontos interessantes, que ilustram os porquês de alguns dos resultados do torneio francês.

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Muguruza voando x Serena em modo avião

Por caminhos estranhos e menos espinhosos do que o previsto, deu o óbvio. Serena Williams (#1) e Garbiñe Muguruza (#4) farão a final de Roland Garros. O curioso mesmo é que algumas casas de apostas colocam a espanhola como favorita para derrubar a americana (outra vez) em Paris.

É curioso, mas compreensível. Muguruza foi a tenista que melhor jogou durante as duas semanas. Fora a primeira rodada descalibrada e que por pouco não se terminou numa grande zebra, a espanhola foi firme e passou por cima de toda chave, sem perder sets. Nem depois do susto de ser quebrada sacando para a final. A vitória sobre Sam Stosur, nesta sexta, foi relativamente tranquila, sem que a australiana liderasse em momento algum. No fim, o placar de 6/2 e 6/4 foi um bom reflexo do que aconteceu em quadra.

Serena, por sua vez, não anda bem das pernas – literalmente. Segundo Marion Bartoli, a americana vem lidando com uma lesão no adutor. Isso explica a movimentação limitada e a tentativa de limitar trocas longas. Na semifinal contra Kiki Bertens (#58), foi como se Serena estivesse jogando em modo avião – aquilo que a gente faz pra poupar bateria quando não encontra um carregador por perto para manter o celular ligado.

Foi um jogo interessante, mas só porque Bertens saiu na frente e sacou para fechar o primeiro set. O nível técnico ficou bastante aquém do esperado para uma semi de Slam – e até mesmo para qualquer partida envolvendo Serena Williams. Nem a holandesa fez uma partida excepcional enquanto liderou. O placar final, 7/6(7) e 6/4 refletiu um equilíbrio que só existiu porque a #1 esteve abaixo de seu normal.

A lógica é apostar no velho “se Serena jogar assim, não ganha”, mas é uma condicional bastante grande para uma final, até porque Serena confirmou a lesão sem dizer o quão séria ela é e também porque, como todo mundo sabe, a número 1 tem muito mais tênis do que mostrou na final. Ainda assim, não são nada ruins as chances de Muguruza. E não custa lembrar que sua única vitória sobre Serena aconteceu justamente em Paris.

Djokovic e Murray se encontram outra vez

Entre os homens, chegaram lá também os dois mais cotados desde o princípio para estarem na final. Djokovic mostrou que aproveitou bem a chave acessível para chegar em forma na decisão. Nesta sexta, diante de Dominic Thiem (#15), também deixou claro ainda estar pelo menos um nível acima do jovem e talentoso austríaco. Fez 6/2, 6/1 e 6/4 em um jogo que foi mais divertido do que equilibrado.

Thiem fez o possível, batendo forte na bola e tentando empurrar Djokovic para trás, mas ainda não possui a consistência para esse tipo de situação (melhor de cinco + semifinal de Slam + número 1 do mundo). Ainda conseguiu abrir 3/0 no terceiro set, dando um pouco de emoção ao duelo, mas o sérvio abafou a reação vencendo cinco games seguidos e deixando claro quem é quem.

O adversário será Andy Murray, décimo tenista da Era Aberta (desde 1968) a estar nas finais de todos os torneios do Grand Slam. A vaga foi conquistada com mais um plano de jogo inteligente e bem executado. Em quatro sets, encerrou a série de três derrotas para Stan Wawrinka: 6/4, 6/2, 4/6 e 6/2.

Não foi uma partida tão parelha quanto muitos esperavam, ainda que Wawrinka não tenha feito uma apresentação especialmente ruim. O suíço ficou naquilo que fez durante todo o torneio, e isso talvez diga muito sobre a chave fraquíssima que ele encontrou para alcançar a semi. Murray, em melhor forma e mais exigido quando jogou mal, chega à decisão bem forte.

O favorito para final é Djokovic, que joga por um punhado de feitos espetaculares. O Djokoslam (ganhar os 4 seguidos), o Career Slam (os quatro em anos diferentes), a dobradinha AO-RG (que ninguém faz desde 1992) e as chances de completar o Grand Slam de fato (os quatro no mesmo ano) e o Golden Slam (os quatro mais a medalha de ouro olímpica).

Tudo isso, claro, pode pesar contra o sérvio, que vem de uma derrota no saibro para Murray (final do Masters de Roma). Muita coisa, no entanto, pesa a favor. O histórico favorável contra o britânico, o “encaixe” dos estilos de jogo e sua maior consistência. Parece que todos disseram o mesmo no ano passado, antes da decisão contra Wawrinka, mas parece novamente que Novak Djokovic terá a melhor chance da carreira para triunfar em Roland Garros.

O Big Four de volta

Convém lembrar também que a derrota de Wawrinka na semifinal coloca Rafael Nadal de volta no quarto lugar do ranking mundial. Ou seja, o chamado Big Four estará novamente completo no alto da lista da ATP, embora continuem insistindo em dizer que o “Big Four acabou”.

O brasileiro

Marcelo Melo e Ivan Dodig deram adeus ao torneio nesta sexta-feira, derrotados nas semifinais. Os atuais campeões de Roland Garros foram derrotados pelos espanhóis Feliciano e Marc López (que, repito, não são irmãos) em uma partida nervosa que terminou com Dodig errando um voleio e cedendo a quebra decisiva no serviço do mineiro: 6/2, 3/6 e 7/5.

Com o resultado, o ranking de duplas terá um novo número 1. Marcelo Melo deixará o posto, que ficará com Nicolas Mahut ou Bob Bryan. O americano precisa conquistar o título para voltar ao topo. Caso contrário, o francês assumirá a ponta.

Se vira nos 30

Rafael Nadal completou 30 anos nesta sexta-feira em uma das raras oportunidades que teve de festejar seu aniversário junto com toda família em Mallorca. Na maior parte da última década, o espanhol soprou velinhas em Paris, rumo a um de seus nove títulos de Roland Garros.

A Telefónica, um de seus patrocinadores, preparou um vídeo cheio de gente conhecida dando os parabéns ao tenista. Até Casemiro (sim, o brasileiro do real Madrid) e Kaká fazem aparições.

Piada Pós-Paris

Eugenie Bouchard chegou à imigração na Holanda e teve de explicar o motivo de sua visita ao país: “torneio de tênis”. O oficial, então, perguntou à canadense se ela não deveria estar em Paris ainda…

Os melhores lances

Plasticamente, não aconteceu nada de espetacular no ponto abaixo, mas vale ver pelos 30 golpes do rali e pelo fantástico trabalho de construção de ponto que Djokovic fez até colocar Thiem na defensiva. Vale notar também o quanto o austríaco fez de força a mais do que o sérvio para manter-se no ponto. Uma aula.

Outro lance do sérvio. Velocidade, defesa, precisão, contra-ataque, potência. Em 20 segundos, o porquê de Djokovic ser o número 1 do mundo.

Para finalizar, um exemplo do que Murray fez em muitos momentos da partida. Ofereceu o lado direito, desafiando Wawrinka a atacar com a paralela de backhand, e ficou plantado na esquerda, esperando a chance de matar com seu melhor golpe, o backhand. No caso do ponto abaixo, um break point, Stan fugiu do backhand e deixou a quadra escancarada para a passada.


RG, dia 12: Sustos para Serena e Djokovic, sequência segue para Bertens
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Alexandre Cossenza

Aos poucos, Roland Garros vai pegando quase que no tranco. Nesta quinta-feira, ainda que com algumas interrupções por chuva, os poucos jogos de simples trouxeram momentos muito interessantes. Serena Williams esteve a cinco pontos de dar adeus; Novak Djokovic esteve a cinco centímetros (ou um pouco mais) de ser desclassificado; e Dominic Thiem esteve a um pontinho de precisar jogar cinco sets. O resumo do dia fala de todas as partidas de simples do dia, de como andam os brasileiros em Paris, de um livro escrito por um cachorro a até dos cães antibomba de Wimbledon.

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O número 1

Novak Djokovic fez seu melhor jogo no torneio, ponto. Veio em boa hora porque Tomas Berdych (#8) teve uma atuação bem digna, brigando em todos os sets. O tcheco se recuperou de uma quebra de desvantagem na segunda parcial e até abriu o terceiro set na frente. Ainda assim, o número 1 do mundo estava firme nesta quinta. Devolveu com agressividade, usou bem curtinhas e lobs, explorou a movimentação ruim do rival e fez 6/3, 7/5 e 6/3. Continua tão favorito como sempre.

O susto

Djokovic só esteve perto da eliminação quando, ao descontar a raiva momentânea, um quique inesperado da raquete fez com que ela saísse do controle do tenista e quase atingisse um dos juízes de linha. Não fosse a agilidade do árbitro, haveria motivo suficiente para a desclassificação do número 1.

Correndo por fora

Dominic Thiem (#15) e David Goffin (#13) fizeram mais uma edição do que eu gosto de chamar de clássico-dos-tenistas-mais-talentosos-que tomam-as-piores-decisões-em-momentos-cruciais. O jogo não decepcionou, com vários lances empolgantes e muitos golpes mal escolhidos. Logo, houve equilíbrio e muitas quebras nos três primeiros sets. Primeiro, Goffin saiu uma quebra atrás e venceu o primeiro set. Depois, sacou para a segunda parcial, teve set point (vide tweet abaixo) e viu Thiem conseguir a virada. O austríaco também saiu de 2/4 para vencer nove games seguidos e disparar até fechar em 4/6, 7/6(7), 6/4 e 6/1.

Ainda que tenha contado com uma boa dose de sorte na chave, Thiem aproveitou as chances e chegou, portanto, a sua primeira semifinal em um torneio do Grand Slam. Será um claro azarão contra Djokovic, mas um azarão perigoso. Se o sérvio deixá-lo jogar (como costuma fazer com Wawrinka), corre risco de passar um aperto. Minha opinião é que o cenário mais provável será Thiem agredindo até errar, com o número 1 apostando na consistência e arriscando pouco. O austríaco precisará de um dia espetacular para vencer.

A número 1

Não foi um bom primeiro set para Serena Williams diante de Yulia Putintseva (#60). Cometendo muitos erros (24 não forcados ao todo), a número 1 foi vítima de uma estratégia inteligente e bem executada da cazaque: paciência, bolas altas e fundas e poucos riscos. A quadra pesada também ajudou Putintseva, que só cedeu dois pontos em erros não forcados, saiu na frente e seguiu resistindo na segunda parcial, mesmo cedendo uma quebra no início.

Serena escapou por pouco. Esteve a um ponto de ver a adversária sacar para o jogo, mas salvou o break point no 4/4 e ganhou uma quebra decisiva quando a cazaque cometeu uma dupla falta no set point. Com a #1 jogando melhor e falhando menos, Putintseva não teve como manter o ritmo, embora tenha “brigado” até o último game. Jeu, set et match, Williams: 5/7, 6/4 e 6/1.

A zebra

A adversária de Serena na semifinal será Kiki Bertens (#58), que deu mais uma passo em uma sequência espetacular que começou no qualifying do WTA International de Nuremberg, mais de uma semana atrás, e chega agora a 12 triunfos. Depois do título no torneio de aquecimento para Roland Garros, a holandesa já derrubou mais duas top 10. Na estreia, bateu Angelique Kerber. Nesta quinta, a vítima foi Timea Bacsinszky (#9), por 7/5 e 6/2.

Foi um jogo equilibrado e cheio de quebras na primeira parcial. Bertens esteve uma quebra atrás em três oportunidades, mas foi superior nos momentos decisivos, salvando um break point no 11º game e quebrando a suíça no 12º. Na segunda parcial, saiu na frente, abrindo 4/0 e segurando uma reação de Bacsinszky, que devolveu uma das quebras e teve três break points para “voltar” no jogo.

O público

O ponto negativo de Roland Garros neste quinta-feira foi o público. A quadra Suzanne Lenglen, segunda maior do complexo não esteve perto de sua lotação em momento algum. A quantidade de espectadores, que já era minúscula quando Thiem e Goffin abriram a programação, às 13h, era patética às 17h30min (horários locais), quando Bacsinszky e Bertens brigavam por uma vaga na semifinal feminina (vide tweet abaixo).

É mais uma prova de como a organização de Roland Garros reage mal a imprevistos. Pela programação original, não haveria jogos de simples na Lenglen nesta quinta-feira. No entanto, sabe-se desde terça que mudou tudo. Ainda assim, o torneio não conseguiu atrair um número decente de espectadores para ver duas quartas de final de um torneio do Grand Slam.

A programação de sexta-feira tem dois jogos na Lenglen. Muguruza x Stosur e Djokovic x Thiem. Roland Garros está vendendo esses ingressos por dez euros. Será que assim vai lotar?

Os brasileiros

Nas duplas mistas, Bruno Soares foi eliminado nas quartas de final. Ele e Elena Vesnina perderam para a parceria de Leander Paes e Martina Hingis: 6/4 e 6/3.

Marcelo Melo não entrou em quadra, mas ficou sabendo quem serão seus adversários nas semifinais. Feliciano e Marc López (que não são irmãos, embora há quem fale isso por aí) salvaram seis match points e derrotaram os franceses Julien Benneteau e Edouard Roger-Vasselin por 3/6, 6/4 e 7/6(7). Feliciano saiu da quadra para o banho de gelo.

Enquanto isso, do lado de fora da quadra, Gustavo Kuerten foi anunciado como novo embaixador do Hall da Fama Internacional do Tênis. O catarinense, não esqueçamos, foi imortalizado em Newport (EUA) em 2012.

Os brasileirinhos

Passou sem registro no post de ontem, mas não esqueçamos: nenhum brasileiro passou da segunda rodada no torneio juvenil de Roland Garros. E, também lembremos, não havia nenhuma representante do país na chave feminina.

Leitura recomendada

Pensando bem, não sei se recomendo, mas informo: Maggie Mayhem, cadela de Andy Murray e sua esposa, Kim, escreveu um livro chamado “Como Cuidar de Seu Humano”, lançado nesta quinta-feira.

Do outro lado do canal

Wimbledon apresentou hoje seu trio de cães antibomba: Duffy, Brian e Biggles.

Introducing Duffy, Brian and Biggles, some of our police explosive search dogs for Wimbledon 2016 🐶

A photo posted by Wimbledon (@wimbledon) on

Falando em Wimbledon, parece improvável a participação de Rafael Nadal no torneio deste ano. Depois de deixar Roland Garros por causa de uma lesão no punho esquerdo (seu forehand), o espanhol já avisou que não estará no ATP 500 de Queen’s. Talvez Nadal esteja avaliando suas prioridades, e ele já disse algumas vezes que os Jogos Olímpicos Rio 2016 estão no topo de sua lista. Nadal, afinal, ficou fora de Londres 2012 também por causa de lesão.

Os melhores lances

Serena Williams, a número 1 do mundo, sem conseguir ganhar pontos na base da potência por causa da quadra pesada e das bolas fundas de Yulia Putintseva, dá uma aula de como construir um ponto.

Outra lição, agora ensinada por Novak Djokovic, que explorou bem a movimentação limitada de Tomas Berdych para construir esse ponto abaixo:


RG, dia 11: o Djokovic dos US$ 100 milhões e o Andy estrategista
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Alexandre Cossenza

Eis que tivemos um dia quase normal em Roland Garros. Favoritos vencendo, franceses perdendo jogos importantes e alguns nomes importantes correndo por fora e jogando bem. O post de hoje (que chega mais tarde por causa de compromissos pessoais inadiáveis) fala da rodada e do que esperar dos ótimos confrontos marcados para os próximos dias. Que tal ler e opinar?

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O homem de US$ 100 milhões

Novak Djokovic fez bem seu dever de casa. Fechou rapidinho o terceiro set (o placar mostrava 4/1 quando o jogo foi interrompido ontem) e fez um competente quarto set, no qual ganhou poucos pontos de graça de Roberto Bautista Agut (#16). O número 1 sacou atrás no placar a parcial inteira, mas não permitiu que a pressão para evitar um quinto set lhe tirasse o foco. Pelo contrário. Quando sacou com 4/5 e esteve a três pontos de perder a parcial, não deu chances ao espanhol. No fim, fez 3/6, 6/4, 6/1 e 7/5.

A vitória desta quarta-feira faz com que Djokovic se torne a primeira pessoa a acumular mais de US$ 100 milhões em prêmios em dinheiro no tênis.

Os favoritos não tão ricos

Se jogar quatro partidas em quatro dias vai pesar contra Serena Williams, nós vamos descobrir lá na frente. Por enquanto, talvez a consciência de que haverá pouco tempo para recuperação física tenha ajudado a número 1 do mundo. Nesta quarta, a americana entrou em alto nível e permaneceu jogando assim durante 1h02min. Foi o tempo necessário para despachar a ucraniana Elina Svitolina por 6/1 e 6/1 e avançar às quartas. Serena agora vai enfrentar Yulia Putintseva (#60), que bateu a espanhola Carla Suárez Navarro (#14) por 7/5 e 7/5.

Mais tarde, foi a vez de Garbiñe Muguruza (#4) fazer Shelby Rogers (#108) aboborizar e voltar à Terra, fazendo 7/5 e 6/3. A americana, no entanto, não se despediu sem uma boa luta. Teve set point sacando no primeiro set e, mesmo depois de ver a espanhola vencer sete games seguidos, abrindo 3/0 na segunda parcial, lutou e buscou o empate. No fim das contas, porém, Muguruza tinha mais de onde tirar e avançou às semifinais.

Quadrifinalista em 2014 e 2015, a espanhola vai à sua primeira semifinal em Roland Garros e jogando bem. Desde o susto da estreia, não perdeu sets. Ainda que não tenha atravessado um caminho tão espinhoso, é importante dizer que Muguruza somou ótimas atuações desde a segunda rodada.

O próximo desafio será tão duro de prever quanto o nível de tênis que sua adversária, Sam Stosur (#24), mostrará no dia. A australiana conquistou a vaga entre as quatro melhores do Slam francês também derrubando alguém que não esperava estar nas quartas: Tsvetana Pironkova (#102), por 6/4 e 7/6(6).

Não arrisco palpite. O consenso é que Muguruza é favorita, o que faz sentido, já que a espanhola, em um dia normal, é mais consistente do que Stosur. As duas tenistas, porém, são capazes de viver dias pavorosos ou de atuações memoráveis como a vitória da australiana sobre Serena Williams na final do US Open.

O jogo mais esperado

Andy Murray (#2), em sua melhor temporada no saibro, contra Richard Gasquet (#12), queridinho da torcida e fazendo a melhor campanha da vida em Roland Garros. Por dois sets, a expectativa foi correspondida. Lances bonitos, ralis equilibrados, curtinhas e toda oscilação que normalmente é esperada de ambos. Murray sacou para fechar os dois primeiros sets, mas só venceu o segundo – e, mesmo assim, no tie-break. Parecia que muito jogo ainda rolaria, mas o francês sucumbiu, e o britânico fez 5/7, 7/6(3), 6/0 e 6/2.

Importante destacar o plano de jogo do escocês, cheio de curtinhas. Estratégia difícil da aplicar. Exige uma precisão monstruosa. Murray errou em momentos delicados, mas também ganhou três pontos com drop shots no tie-break. Funcionou bastante contra Gasquet por uma série de motivos. Primeiro porque o francês joga muito afastado da linha de base. Segundo porque Murray quase sempre buscava o backhand do francês, e todo mundo sabe o quão difícil é fazer um backhand de uma mão só em uma bola baixa e perto da rede. E, por último, não é segredo que o preparo físico não é o forte de Gasquet. Talvez isso ajude a explicar as parciais folgadas dos dois últimos sets.

Quem espera Murray nas semifinais é o atual campeão, Stan Wawrinka, que navegou pela chave mais fácil do torneio, teve tempo de calibrar seu tênis e fez provavelmente sue melhor jogo nesta quarta, ao eliminar Albert Ramos Ramos Viñolas (#55) por 6/2, 6/1 e 7/6(7).

A grande questão agora é: Wawrinka ou Murray? Páreo duro, não? Nenhum dos dois fez um torneio exatamente consistente. O britânico sofreu mais, mas pegou um caminho mais complicado. Em compensação, chega à semi forte, saindo de uma vitória em um jogo complicadíssimo e que apresentou desafios não tão diferentes dos que vai encontrar na semifinal. Stan, por sua vez, ainda não foi testado de verdade. A seu favor pesa o histórico diante de Murray no saibro: três vitórias em três partidas.

Opinião: sempre coloquei Murray como mais cotado do que Wawrinka em Paris, mas por um motivo simples. Acreditei que o suíço tinha mais chances de ficar pelo caminho. No confronto direto, não vejo essa vantagem do britânico. Embora as casas de apostas deem o favoritismo ao número 2 do mundo, eu colocaria minhas fichas (se as tivesse!) no atual campeão.

Bacana ver o respeito que Wawrinka tem por Murray e pelo chamado Big Four. O suíço, dono de dois títulos de Slam (mesmo número do rival), continua afirmando que a carreira do escocês é muito superior. A declaração desta quarta, reproduzida pela BBC no tweet acima, é bastante consciente.

A zebra

Quando a chave foi divulgada, quem imaginaria que Kiki Bertens (#58) estaria nas quartas de final? A holandesa, que estrearia contra a campeã do Australian Open, Angelique Kerber, era carta fora do baralho. No entanto, aconteceu. Em quatro jogos, Bertens eliminou três cabeças de chave. Kerber na estreia, Kasatkina na terceira rodada e, hoje, Madison Keys (#17) por 7/6(4) e 6/3. E agora, quem vai dizer que a holandesa não tem chances contra Timea Bacsinszky (#9)? A suíça, no entanto, vem de um triunfo por 6/2 e 6/4 contra Venus Williams (#11) e deve ser considerada favorita aqui.

Os brasileiros

Marcelo Melo e Ivan Dodig voltaram à quadra nesta quarta e venceram mais uma vez. As vítimas do dia foram Florin Mergea e Rohan Bopanna, que perderam por 6/4 e 6/4. A duas vitórias do bicampeonato em Paris, a dupla de brasileiro e croata manteve Marcelo na briga pelo número 1, já que Nicolas Mahut e Pierre-Hugues Herbert foram derrotados nesta quarta – uma vitória garantiria a Mahut a liderança do ranking mundial.

A briga agora continua com Marcelo Melo e Bob Bryan vivos no torneio. Se um dos dois for campeão, sai de Paris no alto da lista da ATP. Se nenhum deles, levantar o troféu Mahut ficará com o número 1. Nas semifinais, Melo e Dodig esperam os vencedores do jogo entre Feliciano e Marc López e os franceses Julien Benneteau e Edouard Roger-Vasselin.

Nas duplas mistas, Bruno Soares finalmente venceu o jogo que foi marcado para sábado, começou no domingo e não entrou em quadra segunda nem terça. Ele e Elena Vesnina derrotaram a eslovena Andreja Klepac e o filipino Treat Huey por 7/5 e 7/6(3) e avançaram às quartas de final e vão enfrentar Martina Hingis e Leander Paes. Confronto nada, nada fácil.

Correndo por fora

Em outros tempos, seria uma grande surpresa. Hoje, com David Ferrer (#11) mostrando um tênis bastante aquém do seu melhor, era até esperada a vitória de Tomas Berdych (#8), que fez 6/3, 7/5 e 6/3 e avançou às quartas de final.

Ao contrário do que parece um consenso, não acho que o saibro seja um piso ruim para o tcheco. Sua direita, que tem uma preparação mais longa, se beneficia do tempo adicional que o piso lhe dá para armar o golpe (lembram de Robin Soderling?). Alem disso, Berdych não precisa se abaixar com tanta frequência porque o slice não é tão usado na terra batida. Ainda assim, o tcheco entra nas quartas como azarão gigante diante do número 1 do mundo.

Dominic Thiem (#15) finalmente alcançou as quartas de um Slam. Tudo bem que não foi o mais duro jogo de oitavas de sua carreira, pois Marcel Granollers (#56) só avançou porque Rafael Nadal voltou para Mallorca. Ainda assim, o austríaco fez o que tinha a fazer: 6/2, 6/7(2), 6/1 e 6/4. Thiem agora enfrentará David Goffin (#13), que venceu de virada Ernests Gulbis (#80) por 4/6, 6/2, 6/2 e 6/3.

O letão, derrotado, é que não saiu muito feliz de quadra e mal cumprimentou a árbitra de cadeira, Eva Asderaki-Moore. Há quem diga que Gulbis confundiu a grega com a portuguesa Mariana Alves, com quem ele teve um problema sério em Monte Carlo, alguns anos atrás.


RG, dia 7: blecaute, lágrimas de Tsonga e oitavas de final definidas
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Alexandre Cossenza

Não foi um dia de grandes zebras – apesar dos modelitos da adidas – em Roland Garros. Sim, Ana Ivanovic se despediu numa partida em que ela era realmente favorita, mas os demais resultados foram mais ou menos de acordo com o esperado. Os destaques do dia ficaram por conta da desistência de Jo-Wilfried Tsonga, do aperto que Serena Williams passou em um set (um só) e da definição das oitavas de final do torneio. O que rolou de melhor está logo abaixo.

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O apagão

O dia não foi fácil em Roland Garros. Não bastasse a chuva causar um grande atraso na programação, um raio (um dos muitos que causaram uma série de incidentes na capital francesa) causou um blecaute no complexo, deixando o Slam francês sem conseguir transmitir a maioria das partidas. Apenas na Philippe Chatrier, a quadra central, havia uma câmera solitária, que mostrava um ângulo parecido com a de games de tênis. Foi assim, sem geração de caracteres, que o Bandsports mostrou o tie-break decisivo de Serena x Mladenovic.

Os favoritos

Serena Williams (#1) venceu em dois sets, mas com mais trabalho do que o previsto e, por que não, do que o necessário. A americana precisou de mais de duas horas para se livrar da francesa Kristina Mladenovic (#30) por 6/4 e 7/6(10), depois de salvar um set point, mas é preciso apontar que Serena perdeu chance atrás de chance na parcial.

Foram dois break points desperdiçados no quarto game, outras quatro chances perdidas (inclusive um 0/40) no sexto e mais um break point não convertido no oitavo. No próprio game de desempate, a número 1 do mundo teve quatro match points – um deles, com um smash muito mal executado – antes de fechar a partida no quinto. De modo geral, não chega a ser uma atuação preocupante, já que Serena esteve em controle no placar o tempo quase todo, mas ela deve saber que não poderá vacilar assim daqui a alguns dias.

Já no fim do dia, Novak Djokovic bateu o britânico Aljaz Bedene (#66) por 6/2, 6/3 e 6/3. O número 1 do mundo, mesmo não jogando um tênis espetacular desde a estreia em Paris, segue como favorito ao título. Difícil avaliar com mais profundidade do que isso baseado em adversários que não significaram ameaça real (Lu, Darcis e Bedene).

Os brasileiros

André Sá, ao lado de Chris Guccione, venceu mais uma. Por 6/1, 6/7(5) e 6/3, mineiro e australiano derrotaram Leo Mayer e João Sousa e conquistaram uma vaga nas oitavas de final. Os adversários são o conterrâneo Marcelo Melo e o croata Ivan Dodig, atuais campeões de Roland Garros.

Atual número 52 do mundo nas duplas, Sá já repete seu resultado de Paris em 2015, quando jogou com Máximo González. Agora, tenta dar um passo a mais e alcançar as quartas, algo que não consegue desde o US Open de 2007. Naquele ano, Sá ainda fazia parceria com Marcelo Melo.

Quem também jogou e venceu foi Bruno Soares, mantendo vivas as chances de seu parceiro, Jamie Murray, sair de Roland Garros como número 1. Brasileiro e britânico bateram os franceses David Guez e Vincent Millot por 6/2 e 7/6(5). Nas oitavas, enfrentarão Leander Paes e Marcin Matkowski.

Para quem se interessar, a matemática da briga pela liderança do ranking de duplas está mastigadinha no site Match Tie-Break, da Aliny Calejon.

Pelas duplas mistas, a partida de Bruno Soares e Elena Vesnina contra a eslovena Andreja Klepac e o filipino Treat Huey acabou adiada por conta do atraso pelo mau tempo. O jogo foi remarcado e será o último da Quadra 3 neste domingo.

Aproveitando a chance

Entre os homens, Dominic Thiem (#15) voltou a derrotar Alexander Zverev (#41): 6/7(4), 6/3, 6/3 e 6/3. Foi a segunda vitória do austríaco sobre o alemão em uma semana (eles também fizeram a final de Nice) e a terceira na carreira. Os dois também jogaram a semifinal do ATP de Munique, em abril deste ano.

São dois jovens talentosos, mas que ainda pecam por escolhas equivocadas de jogadas – especialmente Zverev, três anos mais jovem (tem 19 de idade) e que tende a perder o rumo da partida quando as coisas não acontecem como o esperado. Neste sábado, ficou claro que o jogo no saibro é muito mais natural para Thiem, que parece muito mais convicto do que fazer em quadra.

Sobre a rivalidade das duas “promessas”, foi bacana o abraço junto à rede ao fim da partida. Que o respeito continue.

O austríaco, agora, tem uma chance de ouro graças à desistência de Rafael Nadal. Nas oitavas, vai encarar Marcel Granollers e, se passar, terá nas quartas de final Gulbis ou David Goffin (#13), que bateu Nicolás Almagro (#49) em cinco sets: 6/2, 4/6, 6/3, 4/6 e 6/2.

O belga não foi espetacular, mas oscilou menos que Almagro e foi melhor nos muitos pontos importantes. No entanto, a essa altura, já não é tão difícil imaginar Dominic Thiem nas semifinais de Roland Garros, certo?

Quem vive situação parecida é Carla Suárez Navarro (#14), que venceu um jogo duro contra Dominika Cibulkova (#25) neste sábado: 6/4, 3/6 e 6/1. A espanhola, que está sempre fora dos radares (foi assim que chegou às quartas do Australian Open deste ano), pode muito bem aproveitar o buraco deixado por Victoria Azarenka em sua seção. Nas oitavas, vai encarar Yulia Putintseva (#60) e é favorita para vencer e igualar sua melhor campanha em Paris, onde também foi às quartas em 2008 e 2014.

Correndo por fora

Três jogos, três vitórias em sets diretos. Timea Bacsinszky (#9) continua fazendo seu dever de casa, ainda que com certos altos e baixos. Neste sábado, vindo de triunfo sobre Eugenie Bouchard, a suíça despachou a francesa Pauline Parmentier (#88) por 6/4 e 6/2. Ainda parece cedo para dizer se Bacsinszky, semifinalista em 2015, é uma séria candidata ao título de 2016? Talvez seu próximo jogo, contra Venus Williams (#11) deixe o cenário mais claro.

Sobre a americana, vale lembrar que a vitória sobre Cornet por 7/6(5), 1/6 e 6/0, antes mesmo que a francesa tivesse tempo de sentir cãibras, vale sua primeira aparição nas oitavas de final de Roland Garros desde 2010. Minha opinião? Venus já está no lucro e pode jogar livre, leve e solta contra Bacsinszky. A questão é saber o quanto a suíça conseguirá tirar a ex-número 1 de sua zona de conforto no fundo de quadra. Se tiver sucesso e mexer a americana, a suíça tem boas chances.

Entre os homens, o dia foi de David Ferrer (#11) e Tomas Berdych (#8). O espanhol passou pelo compatriota Feliciano López (#23) por 6/4, 7/6(6) e 6/1, enquanto o tcheco eliminou Pablo Cuevas (#27) por 4/6, 6/3, 6/2 e 7/5. O trunfo de Berdych sobre o uruguaio é um tanto relevante, já que o top 10 chegou meio desacreditado a Paris, vindo de campanhas nada animadoras em Monte Carlo (primeira rodada), Madri (quartas) e Roma (oitavas).

Os dois agora se enfrentarão pelo direito de possivelmente enfrentar Djokovic nas quartas. Vale lembrar que o Berdych bateu Ferrer em Madri por 7/6(8) e 7/5.

O abandono

O momento triste do dia ficou por conta de Jo-Wilfried Tsonga (#7). O tenista da casa tinha o primeiro set bem encaminhado, vencendo por 5/2, quando pediu tempo médico e recebeu atendimento fora de quadra por causa de dores no adutor. Quando voltou, dirigiu-se a Ernests Gulbis (#80) e cumprimentou o letão, abandonando o jogo.

Enquanto Tsonga deixou o torneio às lágrimas, Gulbis avança para as oitavas em uma chave nada fácil. Bateu Andreas Seppi na estreia e João Sousa na segunda rodada. Agora tenta sua sorte contra David Goffin.

O francês era o principal cabeça de chave vivo naquela seção da chave após a desistência de Nadal. Agora, um dos semifinalistas de Roland Garros sairá do grupo que tem Thiem, Granollers, Goffin/Almagro e Gulbis.

As oitavas definidas

[1] Novak Djokovic x Roberto Batista Agut [14]
[11] David Ferrer x Tomas Berdych [7]
Marcel Granollers x Dominic Thiem [13]
[12] David Goffin x Ernests Gulbis
[8] Milos Raonic x Albert Ramos Viñolas
[22] Viktor Troicki x Stan Wawrinka [3]
[5] Kei Nishikori x Richard Gasquet [9]
[15] John Isner x Andy Murray [2]

[1] Serena Williams x Elina Svitolina [18]
[12] Carla Suárez Navarro x Yulia Putintseva
Bertens x Keys [15]
[9] Venus Williams x Timea Bacsinzky [8]
[25] Irina-Camelia Begu x Shelby Rogers
[13] Svetlana Kuznetsova x Garbiñe Muguruza [4]
[6] Simona Halep x Sam Stosur [21]
Tsvetana Pironkova x Agnieszka Radwanska [2]

Cabeças que rolaram

Não que Ana Ivanovic (#16) fosse favorita para ir longe em Roland Garros, especialmente na mesma seção de Serena Williams na chave, mas a sérvia era bastante favorita para vencer hoje. Afinal, eram sete vitórias em sete jogos contra a ucraniana Elina Svitolina (#20). Na prática, não foi isso que aconteceu. Com 29 erros não forçados, a ex-número 1 do mundo tombou por 6/4 e 6/4.

Classificada para as oitavas, Svitolina enfrentará Serena Williams para tentar igualar sua melhor campanha em Roland Garros, Ano passado, a ucraniana alcançou as quartas de final, quando foi derrotada por… ela mesmo, Ana Ivanovic.

Os melhores lances

Kristina Mladenovic exigiu bastante de Serena quando conseguiu tirar a número 1 do mundo do fundo de quadra. O melhor exemplo talvez seja este ponto aqui:

Para terminar, um pouquinho do potencial de Zverev e Thiem.


RG, dia 5: Nadal passeia, Djokovic faz força, e Serena derruba Teliana
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Alexandre Cossenza

O quinto dia de Roland Garros foi mais uma jornada boa para os favoritos. Rafael Nadal atropelou o argentino Facundo Bagnis e, pouco depois, Novak Djokovic passou em três sets, mas cometendo 42 erros não forçados. Serena Williams também triunfou, fazendo como vítima a brasileira Teliana Pereira. O resumo do dia traz análises dos três nomes principais e lembra as cabeças que rolaram, o susto de Tsonga, o barraco envolvendo Alizé Cornet e informações sobre como a ITF mudará sua postura em casos de doping. De bônus, mais um vídeo de Guga e um imperdível guia de pronúncia.

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O jogo mais esperado

A tarefa era difícil. Encarar Serena Williams (#1), atual campeã de Roland Garros e dona de 749 títulos (ou algo assim) na carreira , na quadra Suzanne Lenglen, a segunda maior do complexo francês. Teliana Pereira (#81) começou a partida nada bem, perdendo dois saques seguidos, errando bolas que não costuma errar e vendo Serena ser… Serena.

Aos poucos, porém, a brasileira foi se sentindo mais à vontade e conseguindo entrar em alguns ralis. Comandar os pontos era quase impossível, mas Teliana tentou uma curtinha aqui e outra ali, arriscou paralelas e fez o que podia fazer. No fim, a número 1 do mundo venceu por 6/2 e 6/1, em 1h06min, um placar que reflete a diferença de nível entre as duas tenistas.

A página de estatísticas registra 31 winners de Serena contra seis de Teliana, que cometeu 15 erros não forçados contra 17 da americana. Mais uma vez, o frágil saque da brasileira pesou. Diante da melhor devolução do mundo, Teliana venceu menos da metade dos pontos com seu serviço. Foram 21/45 com o primeiro saque e 6/17 com o segundo.

Serena avança à terceira rodada para enfrentar a francesa Kristina Mladenovic (#30), que passou pela húngara Timea Babos (#45) por 6/4 e 6/3.

Os outros favoritos

Rafael Nadal (#5) teve dois games ruins, que foram os dois primeiros do jogo contra Facundo Bagnis (#99). Depois disso, venceu 18 games, perdeu quatro e foi muito, muito sólido, sem deixar a agressividade de lado. Não que o adversário tenha dado trabalho, mas dá para notar que o espanhol vem evoluindo a cada dia. Nesta quinta, foram apenas 18 erros não forçados em três sets. Considerando que seis dessas falhas vieram nos dois games iniciais, dá para ter uma ideia de sua consistência durante a maior parte do encontro.

Depois de sua 200ª vitória em Slams, Nadal enfrentará o compatriota Marcel Granollers (#56), que chega aonde Fabio Fognini deveria estar agora. O italiano, no entanto, tombou na estreia diante do próprio Granollers, que avançou nesta quinta após a desistência do francês Nicolas Mahut (#44), que deixou a quadra quando perdia por 6/3, 6/2 e 1/0.

Enquanto Nadal saía da Chatrier, Novak Djokovic (#1) entrava na Suzanne Lenglen, a segunda maior quadra do complexo de Roland Garros. Seu jogo contra o belga Steve Darcis (#161) até teve emoção, mas muito mais pelos erros do sérvio do que por uma partida espetacular do belga. É bem verdade que Darcis fez uma apresentação bastante digna e tentou todos os golpes de seu pacote, mas foram os 42 erros não forçados do número 1 que mantiveram o jogo relativamente parelho.

Djokovic, porém, foi superior sempre que a necessidade se apresentou e só precisou de três sets para avançar: 7/5, 6/3 e 6/4. O sérvio, em busca de seu primeiro título em Roland Garros, enfrenta a seguir o britânico Aljaz Bedene (#66), que venceu um jogo de cinco sets contra o espanhol Pablo Carreño Busta: 7/6(4), 6/3, 4/6, 5/7 e 6/2.

Os brasileiros nas duplas

Primeiro a entrar em quadra, Bruno Soares venceu sem problemas. Ele e Jamie Muray passaram por Evgeny Donskoy e Andrey Kuznetsov por duplo 6/3. Pouco depois, Marcelo Melo e Ivan Dodig também avançaram rápido. Os atuais campeões de Roland Garros fizeram 6/0 e 6/3 em cima de Robin Haase e Viktor Troicki.

Thomaz Bellucci também esteve em quadra pela chave de duplas e já se despediu. Ele e Martin Klizan foram superados por Vasek Pospisil e Jack Sock por 6/1 e 7/5.

O barraco

A confusão da quinta-feira veio no fim do dia, no duríssimo jogo entre Alizé Cornet (#50) e Tatjana Maria (#111). A tenista da casa, com um público barulhento a favor, venceu por 6/3, 6/7(5) e 6/4, mas a alemã não ficou nada feliz com a postura de Cornet. Na hora do cumprimento junto à rede, Maria apontou o dedo como quem dizia não acreditar nas dores que Cornet dizia vir sentindo.

Depois de sair da quadra, Maria declarou, segundo o jornalista Ben Rothenberh, que Cornet não agiu como fair play. A alemã disse que a francesa tinha cãibras e pediu atendimento médico na perna esquerda por causa disso. Vale lembrar que o regulamento não permite tratamento para cãibras, mas o fisioterapeuta deve entrar em quadra e atender o atleta que diz sentir dores.

Correndo por fora

Semifinalista no ano passado, Timea Bacsinszky (#9) abriu a programação da Chatrier nesta quinta com um jogo um tanto estranho diante de Eugenie Bouchard (#47), semifinalista em 2014. Primeiro, a canadense abriu 4/1. Depois, a suíça venceu dez games seguidos, abrindo 6/4 e 5/0. O triunfo parecia encaminhado, mas Bouchard venceu quatro games e teve dois break points para empatar o segundo set. Bacsinszky, porém, se salvou a tempo e fechou o jogo: 6/4 e 6/4.

A suíça será favorita pelo menos até a próxima rodada quando enfrentará Pauline Parmentier (#88) ou Irina Falconi (#63). O duelo mais esperado nessa seção da chave será nas oitavas, contra Venus Williams (#11), que passou pela compatriota Louisa Chirico (#78) nesta quinta. Para chegar até Bacsinszky, contudo, a ex-número 1 ainda precisará passar por Alizé Cornet (#50).

Outras vitórias de nomes que correm por fora em Roland Garros incluem Ana Ivanovic (#16), que passou pela japonesa Kurumi Nara (#91) por 7/5 e 6/1; Carla Suárez Navarro (#14), que bateu a chinesa Qiang Wang (#74) por 6/1 e 6/3; Dominika Cibulkova (#25), que derrotou por Ana Konjuh (#76) por 6/4, 3/6 e 6/0; Venus Williams (#11), que eliminou Louisa Chirico (#78) por 6/2 e 6/1; e Madison Keys (#17), que superou por Mariana Duque Mariño (#75) por 6/3 e 6/2.

Entre os homens, Tomas Berdych (#8) precisou de quatro sets para superar o tunisiano Malek Jaziri (#72) com 6/1, 2/6, 6/2 e 6/4 e marcar um interessante duelo com Pablo Cuevas (#27), que passou pelo francês Quentin Halys (#154) por apertados 7/6(4), 6/3 e 7/6(6). Tcheco e uruguaio só se enfrentam antes, com vitória de Cuevas. No saibro, piso preferido do sul-americano, o resultado será igual? Parece uma ótima chance para Cuevas alcançar as oitavas de Roland Garros pela primeira vez na carreira.

Dominic Thiem (#15) também manteve o embalo e conquistou sua sexta vitória seguida, já que vem do título do ATP 250 de Nice. Nesta quinta, a vítima foi o espanhol Guillermo García López (#51), que ofereceu alguma resistência, mas sucumbiu em todos momentos importantes e caiu por 7/5, 6/4 e 7/6(3). Será a primeira vez de Thiem na terceira rodada em Paris, e seu oponente será Alexander Zverev (#41), o mesmo da final de Nice. É, sem dúvida, um dos duelos mais interessantes da terceira rodada.

David Goffin (#13) também marcou um duelo quentíssimo com Nicolás Almagro (#49) para a terceira rodada. Enquanto o belga passou por Carlos Berlocq (#126) por 7/5, 6/1 e 6/4, o espanhol bateu o tcheco Jiri Vesely (#60), aquele que tirou Djokovic de Monte Carlo, por 6/4, 6/4 e 6/3. Almagro, vale lembrar, vem em um momento interessante. Um ano atrás, brigava para estar entre os 150 do mundo. Hoje, depois do título em Estoril, já está no top 50 e jogando um nível de tênis de deixar qualquer cabeça de chave preocupado nas rodadas iniciais de um Slam.

Por último, David Ferrer (#11) bateu Juan Mónaco (#92) depois de perder o primeiro set: 6/7(4), 6/3, 6/4 e 6/2. Ele completou a parte de cima da chave, formando um interessante duelo espanhol com Feliciano López (#23), que vem de vitória sobre o dominicano Victor Estrella Burgos (#87): 6/3, 7/6(8) e 6/3.

Os favoritos nas mistas

Fortes candidatos ao título de duplas mistas , Leander Paes e Martina Hingis venceram sua estreia, fazendo 6/4 e 6/4 sobre Anna Lena Groenefeld e Robert Farah. Mais importante que o resultado, entretanto, é a imagem abaixo, registrando o sorriso mais carismático da antiga Calcutá. Apreciem:

Bruno Soares e Elena Vesnina, campeões do Australian Open e cabeças de chave número 5 em Roland Garros, também estrearam com vitória e derrotaram Abigail Spears e Juan Sebastián Cabal por 6/4 e 6/2. Brasileiro e russa podem enfrentar Hingis e Paes nas quartas de final. Antes, suíça e indiano precisam passar por Yaroslava Shvedova e Florin Mergea, cabeças 4 do torneio.

O susto

Entre os principais cabeças de chave, o único que passou aperto foi Jo-Wilfried Tsonga (#7), que viu Marcos Baghdatis (#39) abrir 2 sets a 0. O tenista da casa, que perdeu um set point na primeira parcial e teve uma quebra de vantagem no segundo set, se recuperou a tempo de evitar a zebra. A partir do terceiro set, esteve sempre à frente do placar e, no fim, triunfou por 6/7(6), 3/6, 6/3, 6/2 e 6/2.

Foi a primeira vez na carreira, depois de 55 jogos, que Baghdatis perdeu uma partida após abrir 2 sets a 0. Não que fosse uma catástrofe uma derrota de Tsonga a essa altura. Fora derrotar Roger Federer (fora de forma) em Monte Carlo, o francês pouco fez para chegar como grande credenciado a brigar pelo título. O próximo jogo, contra um aparentemente motivado Ernests Gulbis (#80), que vem de uma importante vitória sobre João Sousa (#29), promete ser interessante.

As cabeças que rolaram

Além da já mencionada queda de João Sousa, um resultado interessante do dia foi a vitória de Borna Coric (#47) sobre Bernard Tomic (#22) em quatro sets: 3/6, 6/2, 7/6(4) e 7/6(6). O croata repete sua melhor campanha em um Slam (também foi à terceira fase em Paris no ano passado) e terá uma chance interessante de ir às oitavas pela primeira vez. Seu próximo oponente será Roberto Bautista Agut (#16), que passou pelo francês imortal Paul-Henri Mathieu (#65) por 7/6(5), 6/4 e 6/1. Coric venceu o último jogo entre eles (Chennai/2016), mas o espanhol venceu os dois duelos anteriores no saibro.

Na chave feminina, Andrea Petkovic (#31) deu adeus ao cair diante da cazaque Yulia Putintseva (#60): 6/2 e 6/2, em pouco mais de 1h30min. O jogo foi mais duro do que o placar indica e teve vários games apertados, com muitas igualdades. Putintseva levou a melhor na maioria deles e agora chega à terceira fase de um Slam pela segunda vez na carreira. Ela enfrenta na sequência a italiana Karin Knapp (#118), que aproveitou o embalo com a vitória sobre Victoria Azarenka e derrotou, nesta quinta, a letã Anastasija Sevastova (#87): 6/3 e 6/4.

Leitura recomendada

A Federação Internacional de Tênis (ITF) mudará seu procedimento em relação a resultados positivos em exames antidoping. Segundo David Haggerty, presidente da entidade, disse que os anúncios passarão a ser imediatos. Hoje, a ITF tem por hábito revelar os resultados apenas depois de uma audiência com o atleta. O procedimento atual é cauteloso – tem como objetivo poupar os jogadores -, mas cria mistério quando alguém fica sem jogar por algum período, sem motivo aparente. Foi o que aconteceu recentemente com o brasileiro Marcelo Demoliner.

Haggerty fala que a mudança é em nome da transparência. Leia mais nesta reportagem do Telegraph (em inglês).

Audição recomendada

O Forvo, site que consulto há alguns anos para conferir pronúncias de tenistas, preparou uma página especial para Roland Garros. Ela tem a pronúncia na língua nativa dos nomes de muitos atletas e até da terminologia do tênis em francês. Veja o link no tweet abaixo.

Fanfarronices publicitárias

A campanha da Peugeot com Guga teve seu mais recente episódio com Jo-Wilfried Tsonga. Assim como Bellucci, o francês também experimentou a peruca.