Saque e Voleio

Arquivo : sharapova

Quadra 18: S03E03
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Alexandre Cossenza

Rio Open, Brasil Open e o começo de Indian Wells. O podcast Quadra 18 demorou, mas finalmente está de volta, falando sobre um pouco de tudo que aconteceu nas últimas três semanas de tênis. Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu discutimos assuntos “quentes” como os problemas físicos de Thomaz Bellucci, os wild cards para Maria Sharapova, a opção de Bruno Soares e Marcelo Melo por Acapulco em vez de São Paulo, o momento de Novak Djokovic, o futuro do Rio Open e até por onde anda o comentarista do SporTV Dácio Campos.

Para ouvir, basta clicar no player abaixo. Se preferia baixar para ouvir em casa, clique neste link com o botão direito do mouse e selecione “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’15” – Sheila Vieira apresenta os temas
2’02” – A estreia de Bellucci contra Nishikori, e a dura adaptação do japonês
4’45” – Os problemas físicos de Bellucci contra Thiago Monteiro
5’48” – O quanto foi ruim enfrentar Monteiro logo após derrotar Nishikori
6’18” – O “surgimento” de Casper Ruud
7’50” – A história de Christian Ruud, pai de Casper, que enfrentou Guga e Meligeni
8’25” – O título sem ameaças de Dominic Thiem
10’53” – Por que Carreño Busta e Ramos Viñolas são pouco reconhecidos?
12’20” – A chave de duplas e o carisma de Jamie Murray
14’23” – Marcelo Melo e suas declarações sobre a parceria com Lukasz Kubot
19’00” – O primeiro Rio Open sem WTA foi melhor ou pior?
23’27” – Pablo Cuevas, o título do Brasil Open e a chuva interminável
25’53” – Os problemas físicos e a falta de motivação de Thomaz Bellucci
27’08” – Por que tenista são “julgados” quando entram em quadra mal fisicamente?
28’45” – A boa chave do Brasil Open apesar da péssima data no calendário da ATP
30’17” – O título de Rogerinho e André Sá, e a ascensão de Demoliner nas duplas
32’47” – André Sá voltará a jogar com Leander Paes?
33’50” – A opção de Bruno e Marcelo por jogam em Acapulco em vez de São Paulo
37’08” – O bairrismo Rio-São Paulo
38’00” – Comparando Guga no Sauípe e Bruno/Marcelo em Acapulco
39’38” – Under the Bridge (Red Hot Chilli Pepers)
40’10” – Indian Wells e o quadrante com Djokovic, Delpo, Nadal, Federer, Kyrgios e Zverev no mesmo quadrante
42’40” – O mantra “o que está acontecendo com Djokovic?”
44’50” – Nadal em Acapulco, Murray e Federer em Dubai
46’21” – “Eu espero dignidade de Marin Cilic”
47’37” – Quem ganha o Masters de Indian Wells? Hora dos palpites!
48’43” – É justo Sharapova receber convites após a suspensão por doping?
55’18” – Serena Williams, mais uma lesão e como a chave mudou sem ela
57’37” – Palpites: quem é a favorita para o WTA de Indian Wells?
59’10” – A chave de Djokovic pode fazer ele atuar como Serena no AO 2017?
59’38” – A falta de público no Rio Open é culpa da organização ou da falta de tradição brasileira no tênis?
61’20” – O Brasil Open soluciona problemas melhor do que o Rio Open?
61’44” – Por onde anda Dácio Campos? Ele vai comentar Indian Wells?
62’37” – Kerber voltará dignamente ao #1? Veremos evolução no jogo dela?
63’45” – Há alguma chance de Melo não completar a temporada com Kubot?
63’57” – O Rio Open pode virar Masters 1000? Qual a chance de virar piso duro?
66’45” – Os valores de ingressos em Rio e SP valeram pelos atletas que vieram e pelo tênis jogado?

Importante:

– Tivemos problemas de som no meu áudio durante a gravação. Por isso, algumas das minhas falas estão incompletas. Pedimos desculpas, mas os cortes no meu áudio só foram percebidos durante a edição.


Sharapova e os convites da discórdia
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Alexandre Cossenza

Suspensa desde janeiro de 2016 após exames antidoping realizados no Australian Open apontarem a presença da substância proibida meldonium, Maria Sharapova voltou a ser o centro de discórdias nesta semana. O gancho da russa terminará em abril, e a ex-número 1 já tem garantidos wild cards para disputar os WTAs de Stuttgart, Madri e Roma. A polêmica fica por conta de quem acredita que um atleta punido por doping não deveria receber convites – opinião compartilhada pelo número 1 do mundo, Andy Murray, e pelo novo presidente da Federação Francesa de Tênis (FFT), Bernard Giudicelli.

Os wild cards (na essência, convites da organização) são essenciais para Sharapova porque a russa ficou mais de um ano suspensa. Logo, já perdeu todos os pontos no ranking e não conseguiria sequer vagas no qualifying para disputar torneios de alto nível. Pela regra, como ex-número 1 do mundo e campeã de slam, a russa tem direito a WCs ilimitados. Pode jogar quantos eventos puder, desde que os organizadores concedam o benefício. Mas não é o regulamento que está em discussão (ainda?). A questão, para Murray e Giudicelli, é moral.

Murray deu uma entrevista ao Times dizendo que deveria ser preciso ralar na volta. “Porém, a maioria dos torneios vai fazer o que é melhor para o seu evento. Se eles acham que grandes nomes vão vender mais ingressos, eles vão fazer isso.” O argumento do escocês deixa implícito que o retorno sem ranking é – ou deveria ser – uma parte da punição por doping. Afinal, de que adianta fazer o tenista perder seus pontos se ele consegue entrar em qualquer torneio quando acaba a suspensão? É um ponto de vista válido e levanta uma questão: será que os regulamentos deveriam ser revistos nesse quesito?

O presidente da FFT também aborda a questão moral, embora por outro lado. Ele argumenta que “não podemos investir um milhão e meio de euros na luta contra o doping e acabar convidando uma jogadora condenada pelo consumo de uma substância proibida.” Ele e Murray atacam o mesmo ponto, mas por ângulos diferentes. E a declaração do cartola francês deixa no ar que Sharapova pode não receber o convite e ficar fora de Roland Garros.

O outro lado da questão é que, tecnicamente falando, ninguém está impedido de convidar Sharapova para jogar, dançar valsa ou sapatear na cara da sociedade. Nenhuma regra impede wild cards para tenistas que voltam de suspensão por doping. O caso da russa, aliás, não é o primeiro. Viktor Troicki, suspenso por violar o código antidoping, recebeu convites para os ATPs de Gstaad e Pequim logo que voltou, em 2014. Há, no entanto, uma diferença grande entre os dois casos. O sérvio nunca testou positivo. Sua suspensão veio porque, segundo a ATP, ele se negou a fazer um exame durante o Masters de Monte Carlo. Sharapova foi, sim, flagrada com uma substância proibida.

Entre morais e regras, uma coisa é certa: todas posições e decisões que envolveram o doping de Sharapova até agora têm a ver com dinheiro. Desde a posição/omissão do presidente da WTA, Steve Simon, cauteloso para não ofender os fãs da russa e não virar contra a WTA uma máquina de fazer dinheiro, incluindo patrocinadores que ameaçaram debandar mas continuaram ao lado da russa (apesar da suspensão de 15 meses), e chegando, finalmente, aos torneios distribuindo wild cards em nome do espetáculo.

Por enquanto, só se manifestou contra a russa quem não tem interesse financeiro na coisa. Andy Murray, despreocupado com o politicamente correto, deu uma declaração abrangente, que não inclui apenas Sharapova, mas que afeta a russa e, certamente, incomodou fãs de tênis (e também fãs apenas da russa) mundo afora. O presidente da FFT, por sua vez, sabe que Roland Garros não perde sem Maria ou quem quer que seja. Slams são slams, não importa quem joga. O torneio de 2016 não foi menos revelante sem ela ou até mesmo Roger Federer. O dinheiro entra de qualquer modo.

Difícil prever a esta altura o que será do retorno de Sharapova, mas se os interesses financeiros continuarem dando as cartas, é bem possível que a russa ganhe todos convites que pedir e, ainda assim, fique fora de Roland Garros – e, dependendo de seu ranking, de Wimbledon também.

Coisas que eu acho que acho:

– De qualquer maneira, Sharapova terá a chance de entrar em Roland Garros por méritos próprios. Para isso, precisa alcançar a final do WTA de Stuttgart. Assim, terá ranking para disputar o qualifying em Paris. Os pontos de Madri e Roma não contarão a tempo do slam francês, mas serão essenciais mais tarde, na definição da chave principal de Wimbledon.

– Tudo leva a crer que, para evitar alimentar o debate, Wimbledon anunciará sua posição no último minuto – se necessário. Afinal, não é tão improvável assim que Sharapova consiga pontos suficientes para estar na chave principal em Londres. A estimativa é de que ela consegue entrar direto se alcançar cerca de 650 pontos.

– É outro caso de moral/dinheiro, mas o mais estranho disso tudo, para mim, é mexer na programação de um torneio inteiro para facilitar a vida de um tenista que volta de suspensão por doping. Vai acontecer em Stuttgart. O torneio começa dia 24 de abril, mas Sharapova só estará apta a jogar no dia 26 (até o dia 25, ela não pode sequer pisar no local do evento). Com isso, um jogo de primeira rodada terá de ser realizado só na quarta-feira, quando o torneio normalmente já estaria nas oitavas de final. E, dependendo do sorteio, isso pode fazer com que uma cabeça de chave estreie apenas na quinta-feira (a chave lá tem 28 tenistas). Não seria inédito, mas tendo em mente o motivo para isso, pode incomodar bastante alguém se acontecer. De qualquer maneira, a Porsche, patrocinadora máster do evento, é também patrocinadora de Sharapova. E aí qualquer discussão sobre moral ou valores acaba sendo jogada janela afora.

– Um ponto curioso aqui é não vi ninguém citando o “benefício da dúvida” no caso do doping de Sharapova. A russa alegou que não sabia que meldonium havia entrado na lista de substâncias proibidas e isso foi levado em conta na arbitragem que diminuiu sua punição. O que talvez pese contra a ex-número 1 no meio tenístico é que ela sabia que o meldonium lhe dava benefícios físicos, por isso tomava doses maiores em partidas mais importantes – e isso foi constatado no julgamento. Mas se um diretor de torneio acredita genuinamente que Sharapova não se dopou de propósito, parece um tanto justo que um wild card funcione como instrumento do “benefício da dúvida”.

– Há alguma instabilidade no blog quanto aos links, mas todos estão ativos. Quem tiver interesse em ler os textos linkados aqui só precisa copiar e colar em outra aba de navegação.


Quadra 18: S02E13
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Alexandre Cossenza

Teve muito tênis na Ásia, mas também teve muita polêmica e assunto quente nos últimos dias. Primeiro, com a redução da pena por doping de Maria Sharapova e a consequente “briga de textões” entre a russa, a ITF e o empresário Max Eisenbud. Depois, com a notícia de que a Justiça Federal vai investigar Jorge Lacerda, presidente da CBT, e Dacio Campos, comentarista do SporTV. Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu relatamos os fatos e damos nossas opiniões sobre o caso Maria e o cenário nebuloso do tênis brasileiro.

Mas este episódio do podcast é um pouco diferente. Aproveitando a presença de vários atletas do país no Challenger de Campinas e contando com participações mais do que especiais de Marcelo Melo (direto de Pequim) e Bruno Soares (direto de Tóquio), desvendamos as preferências dos tenistas no mundo pop. Música seriados, filmes e tudo mais. Para descobrir quem ouve Wesley Safadão e quem já fez maratona de Supernatural, basta clicar no player abaixo. Se preferir baixar e ouvir depois, clique neste link com o botão direito do mouse e selecione a opção “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’20” – Sheila apresenta os temas, Aliny e Cossenza se apresentam
3’10” – O resumo do caso Sharapova e a redução de sua suspensão
3’55” – A resposta agressiva de Sharapova e a “tréplica” da ITF
6’00” – A decisão da Corte Arbitral do Esporte surpreendeu?
08’00” – O quanto a postura de Sharapova tem do elemento marketing?
08’45” – O quanto a imagem de Sharapova ficou prejudicada no circuito?
09’15” – A turnê de entrevistas mudou a opinião da maioria sobre o caso?
10’50” – Como o caso Lepchenko joga contra a justificativa de Sharapova
12’14” – “Faltou um pouquinho de humildade para a Maria”
14’22” – “O discurso da Sharapova é rancoroso e beira o mimado”
16’20” – A pior consequência desse caso de doping para Sharapova
17’40” – O resumo do caso envolvendo a denúncia do MP contra Jorge Lacerda
20’50” – As explicações de Lacerda, Dacio Campos e Ricardo Marzola
23’30” – O quanto o caso prejudica o tênis brasileiro
25’30” – The Currents (Bastille)
26’03” – Sheila introduz o bloco POP do podcast
26’21” – Marcelo Melo manda recado e fala sobre suas preferências
30’07” – “O Marcelo é a minha mãe”
32’47” – Bruno Soares fala de Ed Sheeran, Ben Affleck e Skank
37’50 – Thiago Monteiro cita Safadão, John Mayer, Breaking Bad e DiCaprio
40’45” – “Qual o filme preferido do DiCaprio de vocês?”
44’05” – Comentários aleatórios sobre Wesley Safadão
45’23” – Rogerinho fala de futebol no videogame, Rappa, cavaquinho e violão
48’05” – Prioridades: respondemos se Rogerinho joga FIFA ou PES
52’21” – Felipe Meligeni Alves fala de funk, Prison Break e filmes de terror
54’50” – “Assustador como o Felipe lembra o Fino”
56’11” – Zormann fala sobre Supernatural, Sherlock e Batman vs Super-Homem
58’53” – “Qual o filme do Batman preferido de vocês?”
61’17” – Quando Murray comemorou gravações de Sherlock
62’09” – Orlandinho fala sobre Drake, Ariana Grande, GOT e maratonas de seriados
65’00” – Nossas maratonas de seriados
67’20” – As preferências de Aliny Calejon
69’53” – Os preferidos de Alexandre Cossenza
72’24” – Sheila Vieira e suas preferências


Sharapova, agora ‘sem culpa significativa’
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Alexandre Cossenza

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Maria Sharapova teve sua punição por doping reduzida. Antes condenada a dois anos de suspensão por ingestão de meldonium (leia mais aqui), a tenista russa viu a Corte de Arbitragem do Esporte (CAS, na sigla original em francês) diminuir o período para 15 meses. Na prática, a ex-número 1 estará liberada para competir no fim de abril de 2017.

Mas o que mudou para que a punição fosse reduzida? Na prática, nada. Os relatos dos fatos foram os mesmos. A diferença está na interpretação da CAS. A Corte, que tradicionalmente reduz consideravelmente penas por doping, analisou que Sharapova não teve culpa significativa. Essa visão foi diferente da do tribunal independente formado pela ITF, que julgou a russa inicialmente.

Enquanto o tribunal considerou que Sharapova teve culpa significativa ao delegar a conferência de substâncias antidoping a seu empresário, Max Eisenbud, a CAS avaliou que que a opção pelo empresário foi razoável. Logo, a tenista não teve a tal “culpa significativa”. Por isso, optou por reduzir a pena.

Quanto a Eisenbud, a CAS considerou válida a escolha do empresário por uma série de fatores. Pesou a favor dele o histórico positivo de respeito às regras antidoping, seja preenchendo os formulários de whereabouts de Sharapova ou realizando pedidos de isenção de uso terapêutico. Além disso, a CAS enfatizou que ninguém precisa ter treinamento específico em antidoping para conferir se uma substância faz ou não parte de uma lista.

A CAS, entretanto, não deixou de apontar as falhas de Sharapova. Segundo o painel de árbitros, a russa não instruiu Eisenbud sobre como fazer tal conferência e não estabeleceu um procedimento para supervisionar o trabalho de seu empresário no quesito antidoping. Por isso, a CAS considerou que Sharapova teve “algum grau de culpa” e que ela mostrou “percepção reduzida do risco que estava correndo ao ingerir” meldonium.

Ranking zero

Agora, com a decisão do CAS, é possível falar com certeza. Sharapova estará liberada no fim de abril, e seu primeiro torneio deve acontecer em maio. Por ter ficado mais de um ano afastada, estará sem pontos e sem ranking. Precisará de wild cards para qualquer torneio. E será que algum evento negará? Difícil imaginar isso acontecendo, especialmente com um nome de peso que vende ingressos e leva público (e dinheiro) ao tênis.

Comemoração nível ‘absolvição’

No fundo, Sharapova ainda não se desapegou da raiva que tomou da ITF. Afinal, é a Federação, sempre, quem pede a punição nos casos de doping. Como fica claro no comunicado publicado nesta terça, a ex-número 1 do mundo ainda culpa parcialmente a ITF pelo seu doping. Para a tenista, a federação deveria ter avisado de forma mais enfática. “Aprendi muito e espero que a ITF também tenha aprendido. A CAS concluiu que ‘o painel [de arbitragem] determinou que não concorda com muitas das conclusões do Tribunal [da ITF]’…”

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A punição diminuiu, mas a mágoa ficou. Sharapova sempre assumiu a responsabilidade pela ingestão de meldonium, mas continua direcionando ataques contra a ITF. Não importa que nenhum outro caso semelhante tenha acontecido (nem Varvara Lepchenko, que usava meldonium, continuou a tomar a substância depois de 1º de janeiro, quando passou a integrar a lista de medicamentos proibidos), Sharapova continua falando como vítima da ITF. Não é bem essa a situação. E o fato de ela estar comemorando uma punição de “apenas” 15 meses diz muito sobre isso.


Semana 24: o ‘Efeito Lendl’, o novo tropeço suíço e outra volta de Hewitt
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Alexandre Cossenza

Andy Murray foi campeão em Queen’s mais uma vez, enquanto em Halle Roger Federer voltou a conquistar – opa, a história mudou este ano. O suíço, voltando de lesões e ainda sem o ritmo ideal, perdeu no torneio que dominou nos últimos anos. A semana ainda teve André Sá em uma final de ATP 500 e a notícia de mais um retorno às quadras de Lleyton Hewitt. Nem parece que o australiano se aposentou há tão pouco tempo…

O resumaço da semana ainda tem as campeãs dos WTAs de Birmingham e Mallorca, as campanhas dos outros brasileiros, a atualização de status de Rafael Nadal, o recurso de Maria Sharapova (pra manter a esperança de jogar na Rio 2016), um tweet hilário, uma história bizarra e uma aparição imperdível de Federer.

<> at Queens Club on June 19, 2016 in London, England.

Os campeões

No ATP 500 de Queen’s, o assunto (e piada recorrente) foi a volta de Ivan Lendl ao time de Andy Murray, que defendia o título. Coincidência e brincadeiras à parte, o escocês foi campeão do torneio londrino pela quinta vez, derrotando de virada Milos Raonic na decisão: 6/7(5), 6/4 e 6/3.

Vale notar que Raonic não tinha sido quebrado a semana inteira e teve 3/0 de frente no segundo set. Murray, então, conseguiu quatro quebras em oito games, jogando um tênis-de-grama de altíssimo nível, e se tornou o primeiro tenista na história a vencer Queen’s cinco vezes.

De modo geral, foi um belo torneio do britânico que, se não atropelou ninguém, passou por rivais perigosíssimos na grama, como Mahut (na estreia), Cilic (semi) e Raonic, agora treinado por John McEnroe, que estava na beira da quadra. É justo dizer, como sempre, que Murray se coloca como candidatíssimo ao título de Wimbledon, que começa daqui a uma semana.

Vale registrar também um dos momentos mais engraçados da cerimônia de premiação, quando Murray disse que foi legal da parte de Lendl esperar pela cerimônia de premiação. No mesmo momento, as câmeras da transmissão mostraram a cadeira de Lendl vazia. Sim, ele já tinha ido embora.

No ATP 500 de Halle, a final dos azarões foi vencida por Florian Mayer, que bateu Alexander Zverev por 6/2, 5/7 e 6/3. Atual número 192 do ranking, o alemão entrou no torneio graças ao ranking protegido e passou por um caminho cheio de espinhos. Bateu Baker, Seppi, Thiem e Zverev, contando ainda com uma vitória por W.O. sobre Nishikori.

Foi o segundo título na carreira de Mayer, que tinha sido campeão quase cinco anos atrás, em Bucareste. Com o resultado, ele voltará ao top 100, o que é algo muito bacana para um veterano de 32 anos que vem sofrendo com lesões, mas não desiste de brigar por seu lugar em torneios grandes.

O cabeça 1 do torneio era Roger Federer, que caiu diante de Zverev nas semifinais (mais sobre isso abaixo), e o o segundo cabeça era Nishikori, que desistiu por causa de dores em uma costela.

As campeãs

No WTA Premier de Birmingham, Madison Keys conseguiu dois feitos importantes na semana. Primeiro, garantiu sua entrada no top 10. Ela será a primeira americana a entrar no grupo de elite desde 1999, quando Serena Williams fez sua estreia entre as dez melhores. Depois, Keys conquistou o título do evento britânico ao derrotar Barbora Strycova por 6/3 e 6/4 na decisão.

Não só pelo título, mas a americana de 21 anos se coloca como nome forte em Wimbledon por seu jogo de potência, algo que a compatriota Coco Vandeweghe também mostrou em Birmingham. Coco, aliás, também foi campeã em ’s-Hertogenbosch e chegou a somar oito triunfos seguidos na grama antes de levar a virada de Strycova na semifinal.

A lembrar sobre Birmingham: a cabeça 1, Agnieszka Radwanska, foi eliminada por Vandeweghe na estreia; Angelique Kerber, cabeça 2, foi batida por Carla Suárez Navarro nas quartas; e Petra Kvitova, bicampeã de Wimbledon, caiu diante de Jelena Ostapenko na segunda rodada. Keys era cabeça 7 e, na campanha até o título, passou por Babos, Paszek, Ostapenko, Suárez Navarro e Strycova.

No WTA International de Mallorca, Caroline Garcia venceu pela segunda vez em 2016 um dos chamados torneios “de aquecimento”. A francesa, campeã também em Estrasburgo, conquistou o modesto evento espanhol ao bater na decisão Anastasija Sevastova por 6/3 e 6/4.

Cabeça de chave 6, Garcia passou por Witthoeft, Friedsam, Ivanovic (cabeça 3), Flipkens e Sevastova no caminho até o título. A cabeça 1, Garbiñe Muguruza, tombou logo na estreia, diante de Flipkens, enquanto a cabeça 2, Jelena Jankovic, foi eliminada por Sevastova.

O suíço

Roger Federer não chegará a Wimbledon como favorito. Longe de descartar uma conquista do suíço em Londres, mas não é o que suas atuações em Stuttgart e Halle indicaram. O ex-número 1 esteve errático, mais impaciente do que o normal e sofreu derrotas para Dominic Thiem (teve dois match points em Stuttgart) e Alexander Zverev, jovens talentosos da #NextGen, a hashtag preferida da ATP.

Como escrevi na semana passada, era de certa forma esperada essa inconstância do suíço, que ficou tanto tempo sem competir e voltou logo na temporada de grama, quando os pontos são mais curtos e é difícil adquirir ritmo. Ainda assim, é estranho ver Federer tendo problemas em um piso no qual seu jogo flui com mais facilidade e seu serviço é muito eficiente.

De qualquer forma, ele ainda tem mais uma semana para calibrar golpes aqui e ali antes de Wimbledon. Também espera-se que a primeira semana do Slam da grama sirva de “aquecimento” para os jogos realmente duros. É nesse momento que Federer precisará de seu melhor tênis.

O imortal

Conhecido por nunca desistir de uma partida, Lleyton Hewitt nunca fez mais justiça ao rótulo de imortal. Aposentado em janeiro e desaposentado logo depois para disputar a Copa Davis, o ex-número 1 do mundo igualará em Wimbledon a marca de Michael Jordan, com dois retornos à profissão. Sim, Hewitt recebeu um wild card para disputar a chave de duplas ao lado do compatriota Jordan Thompson.

Resta saber se é um convite “isolado” ou se teria alguma relação com a possibilidade de Hewitt receber mais um wild card para disputar os Jogos Olímpicos ao lado de Thompson. Será?

Os brasileiros

O grande nome do país na semana foi André Sá, que jogou em Queen’s com o australiano Chris Guccione. Os dois eliminaram Bruno Soares e Jamie Murray nas quartas de final e foram vice-campeões do torneio, só perdendo para Nicolas Mahut e Pierre-Hugues Herbert por 6/3 e 7/6(5). Marcelo Melo também jogou o ATP 500 londrino. Ele e Juan Martín del Potro derrotaram Feliciano e Marc López na estreia, mas foram superados por Herbert e Mahut nas quartas.

No circuito Challenger, em Blois, França (42.500 euros), Thiago Monteiro abandonou o torneio após vencer a primeira rodada por causa de dores nas costas. O cearense explicou que o incômodo começou na semana anterior, em Bordeaux, e que achou melhor tratar o local e se preparar para o qualifying de Wimbledon. Também em Blois, Guilherme Clezar eliminou o cabeça de chave 1, Albert Montañés, mas perdeu na segunda rodada para o holandês Antal Van Der Duim.

Em Perugia, Itália (42.500 euros), Rogerinho foi eliminado nas quartas de final pelo esloveno Blaz Rola: 7/6(4) e 6/2; e Marcelo Zormann, que entrou como lucky loser, perdeu na estreia para o italiano Marco Cecchinato. Em Poprad-Tatry, Eslováquia (42.500 euros), André Ghem também perdeu nas oitavas, sendo superado pelo espanhol Rubén Ramírez Hidalgo.

No ITF de Sumter, EUA (US$ 25 mil), Gabriela Cé foi eliminada na estreia pela australiana Olivia Rogowska: 6/3 e 6/3. Luisa Stefani, que venceu três jogos no quali, foi mais longe e caiu nas oitavas de final diante da mexicana Renata Zarazua por 7/6(3) e 6/4. Em Minsk, outro ITF de US$ 25 mil, Laura Pigossi estreou derrubando a russa Polina Leykina, cabeça de chave 2, por 6/0 e 6/3, mas caiu nas oitavas de final, superada pela grega Valentini Grammatikopoulou: 6/0 e 6/1.

A apelação de Sharapova

Na terça-feira, a Corte de Arbitragem do Esporte (CAS) anunciou que Maria Sharapova havia apelado de sua suspensão de dois anos por doping. A tenista pede que o período de suspensão seja eliminado ou, pelo menos, reduzido. Segundo a CAS, o recurso será julgado rapidamente, com uma decisão a ser divulgada até o dia 18 de julho. Sim, daria tempo de Sharapova participar dos Jogos Olímpicos, mas apenas se o período da suspensão for reduzido para seis meses. A ver como a CAS analisa a questão.

Rumo ao Rio

Para quem estava preocupado com a participação de Rafael Nadal nos Jogos Olímpicos Rio 2016, uma boa notícia. Seu tio afirma que Rafa estará recuperado a tempo de brigar por medalhas. O plano é voltar às quadras no Masters de Toronto e, depois, rumar para o Brasil.

Vale lembrar que, se tudo correr conforme os planos, Nadal disputará três medalhas no Rio: simples, duplas (com Marc López) e duplas mistas (ao lado de Garbiñe Muguruza).

O melhor tweet

Em Londres e presenciando toda especulação em torno do rendimento de Andy Murray pós-retorno de Ivan Lendl, Bruno Soares soltou o melhor tweet da semana.

Em tradução livre, o mineiro disse estar sentindo seu tênis melhor porque Lendl voltou com Andy, que é irmão de Jamie, que é seu parceiro.

O relato bizarro

A chilena Andrea Koch Benvenuto foi suspensa por três meses após uma série de violações do código de conduta da ITF durante um torneio em São José dos Campos (SP). A tenista foi condenada a pagar US$ 500 de multa, além de US$ 199 equivalentes ao valor do telefone celular do supervisor do torneio que ela quebrou quando foi questionar sua desclassificação. Taí algo que não se vê todo dia…

Leitura obrigatória

Indicação da Diana Gabanyi, a entrevista de Simon Briggs com Andy Murray não é tão reveladora assim, mas traz números e declarações interessantes do atual número 2 do mundo – inclusive a frase sobre Ivan Lendl, inserida no título. Murray diz que precisava de alguém que lhe dissesse que era ok perder em vez de classificar derrotas em finais de Slam como um desastre. Leiam!

Fanfarronice da semana

Não tem nada de publicitário na foto, mas vale o registro porque foi “apenas” Roger Federer trollando a foto de Sergiy Stakhovsky como o ucraniano trollou com seu Wimbledon em 2013.


Semana 23: retornos de Federer e Lendl, Sharapova suspensa e Thiem campeão
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Alexandre Cossenza

Roger Federer voltou, mas Rafael Nadal desistiu de Wimbledon. Andy Murray anunciou o retorno da parceria com Ivan Lendl, enquanto Maria Sharapova foi condenada a dois anos de suspensão por doping. Enquanto isso, a temporada de grama começou com torneios pequenos, mas alguns resultados já bastante interessantes. Vamos lembrar o que rolou?

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Os campeões

No ATP 250 de Stuttgart, que só terminou nesta segunda-feira por causa da chuva, o título é de Dominic Thiem, o rei dos 250. Depois de salvar dois match points e bater Roger Federer na semifinal, o austríaco selou a conquista com vitória de virada sobre Philipp Kohlschreiber: 6/7(2), 6/4 e 6/4.

O talentoso jovem de 22 anos, atual número 7 do mundo, é quem mais venceu jogos em 2016. Até agora, são 45 vitórias na temporada. Trata-se de um raro caso de tenista top 10 com calendário de #50 do mundo, jogando uma semana após a outra. Thiem, aliás, não soma ponto nenhum com o título deste fim de semana, já que possui quatro conquistas em ATPs 250 em sua somatória atual. Stuttgart só vai contar alguma coisa no fim de julho, quando caírem os pontos de Umag (isso se Thiem não decidir jogar mais uma vez o ATP croata!).

Com seu primeiro título na grama, Thiem, que só teve três semanas de folga em 2016 (vide tuíte acima), agora entra na pequena lista de nove tenistas que venceram torneios nos três pisos (dura, saibro e grama) na mesma temporada. Este ano, o austríaco já foi campeão em Buenos Aires (saibro), Acapulco (dura), Nice (saibro) e, agora, Stuttgart (grama).

Em ’s-Hertogenbosch, Nicolas Mahut foi campeão pela terceira vez, completando nesta segunda-feira a vitória sobre Gilles Muller por 6/4 e 6/4. O francês de 34 anos, que perdeu a liderança do ranking de duplas, também venceu o torneio de grama holandês em 2013 e 2015.

As campeãs

No WTA International de Nottingham, a tcheca Karolina Pliskova, cabeça de chave 1, levantou o troféu depois de derrotar Alison Riske por 7/6(8) e 7/5. No primeiro set, Pliskova teve de salvar seis set points – três deles no tie-break. Aliás, tie-breaks não faltaram na semana. Foram quatro deles em cinco jogos, e a tcheca venceu três.

Em ’s-Hertogenbosch, outro WTA International, a americana CoCo Vandeweghe bateu a francesa Kristina Mladenovic na final por 7/5 e 7/5 e conquistou o título. Foi sua segunda conquista no torneio holandês, que venceu também em 2014, quando não perdeu nenhum set.

Não foi um torneio bom para as favoritas. A cabeça 1, Belinda Bencic, foi superada por Mladenovic nas semifinais, enquanto a segunda pré-classificada, Jelena Jankovic, foi eliminada na segunda rodada pela russa Evgeniya Rodina.

O retorno

As atuações mais aguardadas da semana foram de Roger Federer, que fez seu retorno às quadras. O suíço, que pouco jogou desde que uma cirurgia no joelho depois do Australian Open, apareceu em Stuttgart fora de forma e foi eliminado por Dominic Thiem na semifinal, depois de perder dois match points: 3/6, 7/6(7) e 6/4.

Mesmo nos triunfos sobre Taylor Fritz e Florian Mayer, o suíço esteve longe de seu melhor nível. É compreensível para quem vem de problemas físicos, mas não deixa de ser algo preocupante porque é raro ver Federer atravessar um momento assim na temporada de grama.

Se serve de consolo, a participação em Stuttgart colocou Federer como o segundo maior vencedor de jogos no circuito mundial. Ele ultrapassou Ivan Lendl e agora soma 1.072 vitórias. À sua frente, apenas o americano Jimmy Connors, que jogava todo tipo de torneios em sua época e acumulou 1.256 triunfos.

A “re-união”

Andy Murray e Ivan Lendl anunciaram neste domingo que voltarão a trabalhar juntos. A parceria de sucesso, durante a qual o britânico conquistou dois Slams e uma medalha de ouro olímpica, terminou porque Lendl não queria mais passar tanto tempo viajando o circuito. Segundo o comunicado publicado no site do tenista, Lendl passou os últimos dois anos tratando de operações nos quadris e em um cargo no programa de desenvolvimento de jogadores da USTA.

O texto não deixa explícito, sugere que Lendl vai estar em todos os eventos ao lado de Murray (já foi assim na primeira vez) ao dizer que o novo-velho técnico trabalhará junto ao “técnico full-time de Andy, Jamie Delgado”. Ou seja, Delgado estará presente o tempo inteiro, enquanto Lendl fará aparições aqui e ali e estará junto nos períodos de treino. É o que parece.

Os brasileiros

Em Stuttgart, Bruno Soares jogou com o australiano Joh Peers e caiu nas quartas de final, superado por Oliver Marach e Fabrice Martin: 7/5 e 6/4. André Sá e Marcelo Demoliner foram a ’s-Hertogenbosch, na Holanda. O gaúcho, que fez parceria com o americano Nicholas Monroe, não passou da estreia, sendo superado por Gilles Muller e Frederik Nielsen. O mineiro avançou uma rodada ao lado de Chris Guccione, mas os dois perderam nas quartas para Santiago González e Scott Lipsky.

No circuito Challenger, o melhor resultado do Brasil veio com Thiago Monteiro, em Lyon (64 mil euros). Cabeça de chave número 5, Monteiro aproveitou uma chave que perdeu os cabeças 2 e 3 logo na estreia e avançou até a final, ficando com o vice ao ser superado por Steve Darcis: 3/6, 6/2 e 6/0. Feijão também esteve em Lyon e foi eliminado pelo mesmo Darcis, mas nas semifinais: 6/3, 5/7 e 6/4.

Rogerinho, por sua vez, foi a Praga (42.500 euros) e perdeu nas quartas de final. O brasileiro foi superado pelo austríaco Dennis Novak em três sets: 4/6, 6/1 e 7/6(7). Em Moscou (US$ 75 mil), André Ghem perdeu nas oitavas de final para o qualifier sérvio Miki Jankovic por 7/6(12) e 6/4. Guilherme Clezar, por sua vez, foi a Caltanissetta (106.500 euros), na Itália, e não passou da estreia. Caiu diante de Gianluigi Quinzi por 6/2, 1/6 e 7/6(6).

Entre as mulheres, Laura Pigossi jogou o ITF de Minsk (US$ 25 mil) e perdeu na estreia para a ucraniana Olga Ianchuk, cabeça 7, por 6/3, 3/6 e 7/5. Bia Haddad, que abandonou o ITF de Brescia no dia 2 de junho por causa de um misterioso “incômodo físico” (a assessoria não divulgou o motivo) que a fez retornar ao Brasil imediatamente, anunciou no sábado que está de volta aos treinos.

O doping

Outra grande manchete da semana foi o anúncio da suspensão de Maria Sharapova, que pegou dois anos de gancho e está afastada do tênis por dois anos. A tenista russa prometeu recorrer à Corte Arbitral do Esporte (CAS). Na quarta-feira, publiquei aqui mesmo no Saque e Voleio um texto dissecando a decisão do tribunal, que destruiu a defesa da russa. Leia aqui.

Vale também ler o texto da Sheila Vieira, vide tweet abaixo:

A desistência

Não pegou quase ninguém de surpresa, mas não deixa de ser ruim para o circuito. Rafael Nadal, que abandonou Roland Garros depois da segunda rodada por causa de uma lesão no punho, não jogará Wimbledon. O bicampeão do torneio disse que não estará recuperado a tempo de participar do Slam da grama.

Como Nadal já havia dito que sua prioridade este ano seria participar dos Jogos Olímpicos (ele não esteve em Londres 2012 por causa de uma lesão), faz sentido adotar uma postura mais do que cautelosa e pular a temporada de grama. Resta saber se será suficiente para que o espanhol esteja em forma competitiva no Rio. Lesões no punho estão entre as mais delicadas para tenistas.

A briga pelo número 1 nas duplas

Durou pouco o reinado de Nicolas Mahut como duplista número 1 do ranking. Três dias depois de assumir a liderança da lista, o francês já sabia que a posição estava perdida. Com a eliminação de Mahut em ’s-Hertogenbosch, onde jogou ao lado de Bopanna, Jamie Murray voltará à ponta na segunda-feira.

Quando Leander Paes é a vítima

O indiano Leander Paes, que não tem lá muitos amigos no circuito, vem sendo vítima de bullying do compatriota Rohan Bopanna. André Sá, o cúmplice, postou no Twitter uma imagem de Bopanna fingido estar preocupado com sua escolha para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Por estar no top 10, o indiano não só está garantido na competição como, em tese, teria o direito de escolher qualquer parceiro para o torneio olímpico de tênis. Bopanna, portanto, seria a última esperança de Leander Paes para estar nos Jogos Rio 2016. Notem o nome de Paes na manchete do celular. Ô, maldade…

Escrevi “em tese” e “seria” no parágrafo acima porque a federação indiana passou por cima da opção de Bopanna e indicou o nome de Leander Paes, forçando os dois a atuarem juntos. Bopanna não ficou nada contente e escreveu uma carta para a entidade (vide link no tweet abaixo).

Leitura obrigatória

Reportagem publicada no site da Folha de S. Paulo na última quinta-feira. O presidente da CBT Jorge Lacerda, vetou a ex-assessora de Gustavo Kuerten, Diana Gabanyi, de trabalhar nos Jogos Olímpicos Rio 2016. O dirigente escreveu um email ao Comitê atacando a jornalista, dizendo que ela fazia parte de um grupo de oposição que ataca constantemente a CBT. Lacerda também ameaçou não emitir credenciais caso não fosse atendido pelo Comitê. Mesmo depois de dois anos conversando com o Comitê, participando do planejamento para os Jogos e até com salário e data de início acertados, Gabanyi não foi contratada.

O próprio Guga tentou agir em nome de sua ex-assessora, entrando em contato com a Federação Internacional de Tênis (ITF). O presidente da entidade, David Haggerty, levou pessoalmente a situação ao presidente do Comitê Rio 2016, Carlos Arthur Nuzman, mas a decisão foi mantida. Leia a reportagem na íntegra.

Para ouvir

Djokovic é puro carisma ou é tudo jogada de marketing? O sérvio vai alcançar as 302 semanas como número 1, atual recorde de Roger Federer? O quanto um domínio como o de Nole faz mal ao tênis? Garbiñe Muguruza mostra mais potencial que nomes como Halep, Bouchard e Bencic? Estas e outras perguntas são respondidas no mais recente episódio do podcast Quadra 18, onde Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu batemos um papo bem humorado sobre tênis. Ouça abaixo.

Fanfarronices publicitárias

Depois de uma foto com Michael Jordan, outra com Stephen Curry e uma aparição na Copa América ao lado de Lewis Hamilton e Justin Bieber, Neymar encontrou casualmente (coincidência, claro) com… Serena Williams.

Always be ready for summer. You never know when. @neymarjr will show up

A photo posted by Serena Williams (@serenawilliams) on

Saiba mais (ou não) nesta lista aqui.

O amor

E já que este domingo foi dia dos namorados aqui no Brasil, que tal encerrar o post com uma imagem dos recém-casados Fabio Fognini e Flavia Pennetta?


Os sete erros de Sharapova (e as doídas lições do tribunal)
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Alexandre Cossenza

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A notícia todo mundo já sabe. Maria Sharapova, flagrada em um exame antidoping durante o Australian Open, foi suspensa por dois anos e só poderá voltar a jogar tênis competitivo a partir de 25 de janeiro de 2018. O exame da tenista russa apontou a presença de meldonium, substância proibida desde 1º de janeiro deste ano. Nesta quarta-feira, a Federação Internacional de Tênis (ITF) divulgou a decisão do Tribunal Independente que julgou Sharapova.

O mistério, como o próprio tribunal delineou na decisão, era “como uma jogadora de elite na posição de Sharapova, com assistência de um time profissional incluindo o melhor aconselhamento esportivo e médico possível, se colocar na posição de tomar uma substância proibida, como admitido, antes de cada uma das cinco partidas que ela disputou no Australian Open.”

Muitas das respostas que Sharapova não deu naquela coletiva mal planejada do dia 7 de março vieram à tona agora. E foram muitas as falhas da tenista russa e de seu empresário, Max Eisenbud. O tribunal não perdoou. Vejamos, então, quais foram as falhas mais graves da ex-número 1 do mundo, como ela tentou se defender e como o tribunal reagiu às alegações.

1. Sharapova sabia que meldonium lhe dava benefícios esportivos

A própria defesa de Sharapova deixa isso claro apresenta uma dos recados do Dr. Anatoly Skalny, responsável por tratar a tenista russa em 2006 e prescrever uma lista de 18 substâncias a serem ingeridas. Uma delas era o meldonium. Em uma das mensagens, o Dr. Skalny especifica como o meldonium (ou Mildronate, seu nome comercial) deve ser ingerido. O médico recomenda a ingestão de dois comprimidos uma hora antes de partidas e, em caso de jogos de “especial importância”, três a quatro comprimidos.

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É bom ter em mente que naquela época meldonium não era uma substância proibida. No entanto, a prescrição detalhada sugere que Sharapova sabia, sim, que meldonium lhe dava benefício competitivo. Caso contrário, por que aumentar a dose em partidas mais importantes?

2. Automedicação

Sharapova continuou com acompanhamento do Dr. Skalny até 2012. Era ele que verificava se algum dos remédios prescritos fazia parta da lista de substâncias proibidas pela Agência Mundial Antidoping (Wada). Ele obtinha, anualmente, um certificado do centro antidoping de Moscou. O certificado mais recente apresentado por Sharapova data de 11 março de 2010. Naquela época, a lista de substâncias recomendadas pelo médico chegava a trinta (!).

No fim de 2012, Sharapova decidiu mudar o rumo de sua dieta nutricional. Cansada de tomar tantos comprimidos, dispensou o Dr. Skalny e passou a seguir as orientações de um nutricionista (Nick Harris). No entanto, a tenisya decidiu por conta própria continuar a tomar três das substâncias indicadas por Skalny: Magnerot, Riboxin e, sim, Mildronate.

Quando questionada sobre os motivos das três substâncias, Sharapova alegou apenas que o Dr. Skalny colocou ênfase especial nesses três medicamentos.

3. Segredo sobre a medicação

Não, a russa não consultou outro médico sobre o uso de meldonium. Ela também escondeu de seu nutricionista a continuidade com a substância. Segundo a defesa da tenista, apenas o pai de Sharapova e o empresário, Max Eisenbud, sabiam da ingestão de meldonium. O uso tampouco foi relatado pela ex-número 1 nos formulários de controle antidoping preenchidos por ela em 2014 e 2015.

A decisão do tribunal considerou que “sua omissão em relação às autoridades antidoping e sua própria equipe sobre o fato de ainda estar usando Mildronate em competição para melhoria de desempenho foi uma quebra muito séria de seu dever de cumprir com as regras. Sua conduta foi muito séria em termos de sua culpa moral e significativa no efeito causal da contravenção. Se ela tivesse sido transparente com as autoridades antidoping, seu time ou os médicos que consultou, é provável que ela teria sido avisada sobre a mudança na lista de substâncias proibidas e evitaria uma contravenção.”

Essa parte é realmente um mistério. Por que esconder a informação de tanta gente? Especialmente quando meldonium nem era uma substância proibida?

4. Falta de atenção quanto aos avisos sobre a mudança na lista da Wada

Essa todo mundo sabe. Embora Sharapova tenha escrito um textão questionando os “vários avisos” sobre a mudança na lista de substâncias proibidas, é inquestionável que houve várias oportunidades para que ela soubesse da alteração. O tribunal deixa isso bem claro em sua decisão, lembrando que a lista nova foi publicada em 29 de setembro de 2015 e que a lista incluía um resumo das principais modificações. A ITF publicou em seu site os mesmos documentos.

“Qualquer jogador que quisesse checar no site da ITF as mudanças na lista de substâncias proibidas era direcionado ao documento da Wada com o resumo das alterações. O documento declarava claramente que meldonium (Mildronate) havia sido adicionado à lista.”

Além disso, a ITF distribui anualmente um wallet card (um desses cartões como o de seguradoras e planos de saúde) que lista substâncias e métodos proibidos pela Wada. Sven Groeneveld, técnico de Sharapova, recebeu dois desses cartões em janeiro de 2016. Há versões diferentes sobre quando e onde isso aconteceu, mas ninguém contesta que Maria Sharapova não leu esse cartão nem em 2016 nem em anos anteriores.

5. Confiança excessiva no empresário

Essa é a parte mais surreal da história. O empresário de Sharapova classifica o episódio como um erro administrativo e assume a culpa. Era ele quem deveria ter conferido a lista de substâncias proibidas. Afinal, Eisenbud, sabe-se lá por que motivo, era o único do time que sabia da ingestão de meldonium.

Aqui, já há um contraste com a explicação dada por Sharapova na coletiva de março, quando a tenista assumiu a culpa por não ter verificado a lista por conta própria. Diante do tribunal, foi o empresário que ofereceu o pescoço à guilhotina. Mais uma tentativa, ao que parece, de reduzir o grau de culpa de sua galinha dos ovos de outro.

Mas a história fica mais estranha ainda quando Eisenbud explica seu costume de conferir a lista de substâncias proibidas, que consistia em sentar à beira de uma piscina no Caribe e conferir tudo que seus atletas estavam ingerindo.

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Em 2015, no entanto, Eisenbud se divorciou e não foi passar as férias no Caribe. Portanto, não fez a devida conferência. Conclui-se que Sharapova foi flagrada em um antidoping porque seu empresário não tirou férias no Caribe, então?

O tribunal não perdoou. A decisão diz que o empresário sabia da possibilidade de consultar a WTA para saber se um medicamento era permitido e questiona a capacidade de Eisenbud, que sequer “poderia ter começado a conferir as substâncias na lista”. O texto também indaga “por que seria necessário levar um arquivo ao Caribe para ler à beira da piscina quando um email poderia ter fornecido a resposta”.

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De novo: se era uma tentativa de aliviar parte da culpa da tenista, a defesa errou rude. O tribunal, em suas considerações finais, argumenta que “a maneira completamente inadequada com que ele [Eisenbud] alegou realizar suas conferências não chega perto de isentar o dever do jogador de cautela máxima.”

6. Espera por tratamento especial

A ex-número 1 argumentou que deveria ter recebido um alerta já que a ITF sabia – ou deveria saber – que Sharapova e vários outros tenistas usaram meldonium em 2015. Por isso, segundo a tenista, a entidade deveria ter tomado medidas especiais para avisá-la (e os outros atletas) sobre a adição de meldonium na lista.

A defesa da russa usa como base os 24 testes de tenistas que deram positivo para meldonium em 2015. O problema é que a ITF não sabia disso em dezembro de 2015. Os resultados só foram enviados para a entidade em março de 2016. Além disso, dos 24 testes positivos, cinco eram de Sharapova. Logo, como conclui o tribunal, “mesmo se a ITF houvesse sido notificada dos resultados dos testes do programa de monitoramento, não teria necessariamente concluído que havia no tênis, em contraste com outros esportes, amplo uso de meldonium.”

Neste caso específico, não fica totalmente claro se Sharapova, de fato, esperou tratamento especial por parte da ITF. Soa mais como um argumento que busca uma espécie de atenuante, tentando jogar parte da culpa para a federação. De qualquer modo, foi mais um fiasco retumbante.

7. Menosprezo quanto à importância dos formulários de antidoping

Quando um atleta se submete a um exame antidoping, precisa preencher um formulário listando todos medicamentos de que fez uso nos sete dias anteriores à coleta. Não, a Wada não espera que nenhum trapaceiro vá admitir estar fazendo uso de anabolizantes, por exemplo. Mas a omissão de meldonium por parte de Sharapova podia dar a entender que ela tinha intenção de trapacear.

Sharapova admitiu ter desprezado a lista. “Não achei que era uma responsabilidade ter de anotar cada match drink que estava tomando, cada gel ou vitamina que estava tomando, mesmo que tivesse acontecido só uma vez nos últimos sete dias. Não achei que fosse de grande importância.”

Nos formulários apresentados, Sharapova havia listado vitamina C, Omega 3, Biofenac, Voltaren, Veramyst e melatonina. “Na maioria dos casos, ela listou apenas duas dessas substâncias em cada formulário, então a lista não ficaria muito longa se ela incluísse Mildronate”, apontou a decisão. O texto do tribunal, aliás, foi incisivo:

“Se ela acreditasse que havia uma necessidade médica para usar Mildronate, teria consultado um médico. A maneira de seu uso, em dias de jogo e quando em intenso treinamento, só é consistente com a intenção de aumentar seus níveis de energia. Pode ser que ela genuinamente acreditasse que Mildronate tinha algum benefício geral sobre sua saúde, mas a maneira com que a medicação foi tomada, sua omissão das autoridades antidoping, sua falha ao revelar para seu próprio time, e a falta de qualquer justificativa médica deve levar inevitavelmente à conclusão de que ela tomou Mildronate para o propósito de melhorar seu desempenho.”

Coisas que eu acho que acho:

– De tudo que li nas 33 páginas do documento que explica o julgamento, vários argumentos usados pelos advogados de Sharapova são indefensáveis. O último deles é um apelo ao princípio da proporcionalidade, dizendo que qualquer período de inelegibilidade afetaria Sharapova de forma desproporcional, causando a ela uma perda substancial de renda e patrocínios, além da exclusão dos Jogos Olímpicos de 2016 e danos irreparáveis à sua reputação.

– O tribunal dá uma lição de moral na resposta, afirmando que “não há nada injusto na aplicação justa e igualitária das regras a esta jogadora como a qualquer outro atleta sujeito ao Código da Wada, seja profissional ou amador.”

– Dito tudo isto, Sharapova foi punida com dois anos porque seu doping foi considerado não intencional (e a Nike já até reativou o patrocínio). Ou seja, o tribunal considerou que, embora ela soubesse dos benefícios do meldonium, desconhecia a presença da substância na lista da Wada. Quando o doping é intencional, a punição pode chegar a quatro anos de suspensão.

– Em seu perfil no Facebook, Sharapova diz que não pode aceitar “uma suspensão injustamente dura de dois anos” e que vai apelar à Corte Arbitral do Esporte (CAS).


Roland Garros 2016: o guia (versão feminina)
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Alexandre Cossenza

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Foram três torneios grandes com três campeãs diferentes – e nenhuma empolgou. Angelique Kerber venceu na chave esburacada de Stuttgart, Simona Halep triunfou no imprevisível torneio de Madri, e Serena Williams passou mal e, assim mesmo, foi campeã em Roma sem derrotar nenhum nome de peso.

Assim sendo, sem ninguém se impor como favorito, é de se esperar certo equilíbrio e uma das edições mais imprevisíveis de Roland Garros nos últimos anos. Vale a ressalva, claro, de que quando há equilíbrio no papel, o favoritismo é da número 1 do mundo e atual campeã, Serena Williams.

No podcast Quadra 18, Aliny Calejon, Sheila Vieira e eu debatemos a (quase nenhuma) importância dos três grandes torneios femininos que antecedem o Slam do saibro. Agora chega a hora de ver aqui no guiazão o quanto o sorteio da chave feminina afetou as chances das tenistas em Roland Garros.

As favoritas / Quem se deu bem

Se ninguém se destacou do pelotão, o favoritismo default é de Serena Williams, que não precisaria fazer nada especial para ocupar esse posto. E o sorteio, embora não tenha sido o melhor possível para a americana, não lhe colocou diante de ninguém que venha jogando espetacularmente. Sim, é bem verdade que seu quarto da chave é rico em nomes de peso como Ivanovic, Cibulkova e Azarenka, mas nenhuma mostrou tênis recentemente para derrubar a americana.

No papel, o grande jogo aqui seria nas quartas de final contra Vika, mas a bielorrussa vem de um WO em Madri (enfrentaria Louisa Chirico) por causa de dores nas costas e de uma derrota para Irina Camela Begu em Roma. Não é o mais empolgante dos retrospectos antes de um Slam, certo? Ivanovic, por sua vez, não ganhou dois jogos seguidos no saibro este ano. Seus reveses no piso vieram diante de Karolina Pliskova, Chirico (sim, ela de novo) e McHale.

O outro quarto nessa metade da chave é encabeçado por Angelique Kerber, a cabeça 3 do torneio. A alemã parecia iniciar uma arrancada quando ganhou Stuttgart, mas perdeu duas estreias em Madri (Strycova) e Roma (Bouchard) e viu o vento desaparecer de suas velas. Historicamente, Roland Garros não lhe traz grandes resultados (nunca passou das quartas)

A chave de Kerber não é tão difícil assim, mas tem cascas de banana pelo caminho. A começar pela estreia contra Kiki Bertens, que vem de título em Nuremberg, e por uma possível segunda rodada contra a imprevisível Camila Giorgi (tão imprevisível que pode perder para a local Alizé Lim na estreia). Caso avance, Kerber pode enfrentar Konta ou Keys nas oitavas e, nas quartas, a vencedora da seção que tem Venus, Jankovic, Niculescu e Bacsinszky. Dito tudo isto, Serena é a grande favorita na metade de cima da chave.

A metade de baixo da chave é encabeçada por Agnieszka Radwanska, cabeça 2, mas quase ninguém coloca a polonesa como principal nome por ali. Em seu mesmo quadrante está Simona Halep, vice-campeã de Roland Garros em 2014 e campeã do maluco torneio de Madri deste ano. Aga só alcançou as quartas uma vez em Paris e, mesmo assim, perdeu para Sara Errani. Este ano, chega a Paris nadando contra a maré após derrotas para Siegemund (Stuttgart) e Cibulkova (Madri). Não é difícil imaginá-la perdendo para Strycova na terceira rodada ou mesmo Errani/Stephens nas oitavas.

Halep, por sua vez, enfrentaria provavelmente Ostapenko nas oitavas e Stosur ou Safarova nas quartas. Então, na semi, teria pela frente quem avançar na seção de Radwanska. A romena, ainda que venha de uma eliminação diante de Gavrilova na estreia em Roma, parece a aposta mais segura aqui. Safarova, Stephens, Errani, Strycova e, quem sabe, Stosur correm por fora.

Por fim, o quadrante de Muguruza, que parece o mais equilibrado do torneio. Além da espanhola, cabeça 4, estão por aqui Vinci (na outra ponta da seção), Begu, Pliskova, Kvitova, Kuznetsova, Pavlyuchenkova e Makarova. Difícil fazer previsões, mas Muguruza ainda parece o nome mais consistente – ou menos irregular – por aqui. Em uma semana boa, porém, qualquer dos nomes acima pode avançar. Inclusive Petra Kvitova, que bateu Muguruza em Stuttgart, mas pouco fez em Roma e Madri – volto a falar sobre isso mais abaixo.

A brasileira

Teliana Pereira não deu lá muita sorte. Nem tanto pela estreia, que será contra a tcheca Kristyna Pliskova (#110), a Pliskova menos famosa e que não venceu nenhum jogo no saibro em chave principais de eventos de nível WTA. É bem possível que Teliana, mesmo longe de viver um grande momento (são três vitórias e 13 derrotas em 2016), passe pela tcheca. O problema vem na sequência, em um possível confronto com Serena Williams na segunda rodada.

As ausências

Caroline Wozniacki e Belinda Bencic são grandes desfalques para o torneio, mas a ausência mais sentida será mesmo a de Maria Sharapova. Ainda sem uma sentença definitiva para seu caso de doping, a russa ex-número 1 do mundo teria grandes chances se chegasse em forma a Paris. Não só pelo seu histórico recente, com os títulos de 2012 e 2014 (além do vice de 2013), mas porque poderia aproveitar este momento sem ninguém se destacando no circuito. Seria um nome fortíssimo e, quem sabe, a principal favorita ao título.

Os melhores jogos nos primeiros dias

Há bons jogos para prestar atenção já na primeira rodada este ano. Olhando de cima para baixo na chave, é possível destacar logo de cara Schiavone x Mladenovic, uma campeã veterana tirando o máximo de seus últimos dias no circuito contra uma tenista da casa em ascensão; Svitolina x Cirstea, uma cabeça de chave diante de uma ex-top 30 que vem do qualifying; e Kerber x Bertens, com a campeã do Australian Open diante de uma adversária perigosa e em belo momento, vindo de um título de nível WTA.

Vale prestar atenção também em Dodin x Ivanovic, com a wild card francesa tentando derrubar uma campeã do torneio – e até porque qualquer partida envolvendo Ivanovic tem potencial de zebra. Meu jogo preferido, porém, é Petkovic x Robson, onde deve sobrar carisma e, infelizmente, faltar tênis.

A tenista mais perigosa que ninguém está olhando

Normalmente, Petra Kvitova é aquele nome candidato a qualquer título, mas que nós, jornalistas e fãs, acompanhamos atentamente para saber quando será a zebra que derrubará a ex-número 2 do mundo. Desta vez, em Paris, o panorama é um pouco diferente. Kvitova é apenas a cabeça de chave 10 e não vem conseguindo resultados que a credenciem para a lista das principais favoritas.

Ainda assim, a tcheca tem um tênis que, quando encaixa, é imbatível. Se isso acontecer em uma chave bastante acessível, Kvitova pode se ver, de repente, nas quartas de final contra Muguruza e, por que não, nas semifinais. Para isso, teria que possivelmente passar por Karolina Pliskova na terceira rodada e bater quem vier do grupo de Vinci e Begu nas oitavas. Em condições normais, são resultados perfeitamente possíveis – sim, mesmo no saibro. Vale ficar de olho.

Onde ver

A transmissão é do Bandsports, que diz, em suas notícias, que mostrará o evento em “canal e site”. O hotsite do canal para o torneio, no entanto, ainda contém apenas as notícias do ano passado.

Nas casas de apostas

Na bet365, o nome de Serena Williams lidera, mas sua cotação, 3,25/1, indica um favoritismo moderado. O valor significa que quem apostar um dólar na americana receberá de volta 3,25 dólares se ela for campeã. É um favoritismo bem menor do que o de Djokovic, que paga 1,80.

Atrás de Serena vêm Halep (7/1), Azarenka (7,5/1), Muguruza (11/1), Kerber (19/1), Kvitova (26/1), Keys (34/1), Suárez Navarro (34/1), Bacsinzky (34/1) e Safarova (41/1). Teliana Pereira paga 501/1.


Quadra 18: S02E07
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Alexandre Cossenza

Roland Garros começa neste domingo, e o podcast Quadra 18 está de volta com uma análise da temporada do saibro e das chaves do Grand Slam francês. Aliny Calejon, Sheila Vieira e eu também falamos das ausências de Roger Federer e Maria Sharapova e damos nossos palpitões para o torneio.

Este episódio tem uma novidade: um quiz sobre o torneio, com participações especiais de João Victor Araripe, do Break Point Brasil, e de Mário Sérgio Cruz, do Tenisbrasil. Ficou muito, muito divertido. Quer ouvir? É só clicar no player abaixo.

Quem preferir baixar para ouvir depois, pode clicar neste link com o botão direito do mouse e, depois, na opção “salvar como”.

Os temas

0’00” – Tema de abertura
0’15” – Sheila apresenta
2’30” – Como os últimos resultados influenciaram as expectativas para RG
3’00” – Faz sentido acreditar que Andy Murray tem chance de ganhar RG?
4’30” – A atuação de Djokovic em Roma e o que tirar disso
6’28” – A posição de Nadal em relação a Djokovic e Murray
7’48” – Em melhor de cinco, quem leva? Nadal ou Murray?
9’23” – A (pequena) expectativa em torno do atual campeão, Stan Wawrinka
11’12” – Serena, campeã em Roma e de volta ao normal
13’25” – Kerber e Halep são as principais concorrentes de Serena em Paris?
13’48” – “Eu acho a Azarenka carta fora do baralho nesse torneio”
14’24” – A falta que a Sharapova faz neste Roland Garros
16’30” – “Cossenza com saudade da Sharapova”
17’20” – Lembranças de como era o mundo antes da sequência de Federer
17’40” – O que Aliny, Sheila e Cossenza faziam em 1999
20’15” – Duplas e a briga pela liderança do ranking mundial
21’43” – O sucesso dos Bryans no saibro em 2016
23’00” – A briga pelo top 10 por causa dos Jogos Olímpicos
25’32” – O doping de Marcelo Demoliner
26’34” – A chave masculina em Roland Garros: quem se deu bem?
26’55” – A seção favorável de Andy Murray
27’48” – O bom caminho de Novak Djokovic
29’50” – A chave de Stan Wawrinka, “uma delícia”
31’45” – Rafael Nadal e o quadrante mais difícil
32’50” – A boa chance para David Goffin
33’55” – Os palpites para a chave masculina: favoritos, zebras e decepções
37’35” – A chave de Serena WIlliams em Roland Garros
39’25” – A seção “ridícula” de Angelique Kerber
40’20” – O quadrante mais forte de Garbiñe Muguruza
41’34” – O caminho de Simona Halep
42’30” – Os palpites para a chave feminina: favoritos, zebras e decepções
45’30” – Quiz Roland Garros com Mário Sérgio Cruz e João Victor Araripe

Créditos musicais

A faixa de abertura é chamada “Rock Funk Beast”, de longzijum. Em seguida, entra Jai Ho (Sukhvinder Singh, Tanvi Shah, Mahalaxmi Iyer e Vijay Prakash).


Quadra 18: S02E04
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Alexandre Cossenza

O CEO de Indian Wells disse que as tenistas de hoje deveriam ajoelhar e agradecer por Roger Federer e Rafael Nadal terem nascido. Em seguida, Novak Djokovic reacendeu a polêmica da igualdade de prêmios entre homens e mulheres. No meio disso tudo, Victoria Azarenka derrotou Serena Williams em uma final, enquanto o número 1 do mundo venceu mais um Masters 1.000. Nas duplas, Marcelo Melo ficou a dois pontos de perder a liderança do ranking.

Com tudo isso para comentar, Sheila Vieira e eu (a Aliny estava se recuperando de uma lesão) gravamos este episódio do podcast Quadra 18, que cobre todos assuntos acima e ainda fala do doping de Maria Sharapova. Quer ouvir? É só clicar neste link. Se preferir baixar e ouvir depois, clique com o botão direito do mouse e selecione a opção “salvar como”.

Os temas

0’14” – Sheila apresenta e lista os assuntos do dia e explica a ausência da Aliny
2’25” – Os comentários polêmicos do CEO de Indian Wells sobre a WTA
3’00” – “Bilionário que fica no camarote com uma menina de 12 anos”
8’08” – Cossenza: “A WTA tem uma parcela de culpa porque vendeu essa imagem durante algum tempo”
9’50” – As respostas de Azarenka e Serena
12’11” – Djokovic entra no assunto e provoca mais polêmica sobre premiação igual
13’40” – “Ele acabou de aplaudir as meninas, mas acha que homens devem lutar por um prêmio maior”
14’42” – Sheila: “Amigo, desce do muro”
16’30” – “Um dia, vou entender esse tabu para falar de menstruação”
17’25” – Cossenza fala sobre bastidores de negociação por prize money
19’30” – Cossenza concorda parcialmente com o raciocínio Djokovic, mas diz porque soa absurdo.
22’20” – Sheila cita história de limites impostos pela sociedade
23’20” – Maioria dos investimentos feitos no esporte são decididos por homens
26’05” – Sheila analisa a final entre Serena x Azarenka
28’25” – Cossenza lembra do point penalty e o risco de desclassificação de Serena
30’30” – O novo top 10 feminino e a volta de Azarenka
32’15” – O torneio masculino de Indian Wells e a conquista de Djokovic
33’00” – Djokovic x Nadal, a final antecipada, e a evolução do espanhol
34’45” – A fragilidade no saque, o principal problema de Rafa Nadal
36’30” – A decepção do torneio: Wawrinka ou Murray?
38’27” – A curiosa e “espetacular” Corrida para o Finals
40’05” – Nice Guys Finish Last (Green Day)
40’40” – Início do segundo bloco
40’56” – Áudio de Marcelo Melo e sua importante declaração
41’10” – Como o mineiro quase perdeu o posto de #1 do mundo
42’48” – As chances de Jamie Murray em Miami
45’05” – Os campeões de duplas em Indian Wells
45’20” – André Sá, vice-campeão do Challenger de Irving
46’30” – Bellucci, Rogerinho e Thiago Monteiro
48’10” – Sobre a cobrança e a expectativa em cima de Monteiro
50’00” – O duelo entre Bia e Teliana em Miami: bom ou ruim?
51’09” – Sheila: “A única maneira de lidar com essa loucura é fazer piada”
52’55” – A volta de Roger Federer e as mudanças em seu calendário
54’02” – A importância de ser número 2 do mundo para Federer
54’55” – O caso de doping de Maria Sharapova
57’40” – Sheila e Cossenza tentam adivinhar a punição de Sharapova
62’32” – A chance de Sharapova disputar os Jogos Olímpicos

Créditos musicais

A faixa de abertura é chamada “Rock Funk Beast”, de longzijum. Em seguida, entram Nice Guys Finish Last (Green Day) e Game Set Match (YouTube Audio Libraby).


Semanas 10-11: domínio de Djokovic, título de Vika e otimismo para Nadal
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Alexandre Cossenza

Foram duas semanas e muito assunto, desde as incessantes menções ao doping de Maria Sharapova (que já foi bastante abordado neste blog) até os comentários de péssimo gosto do CEO de Indian Wells, Raymond Moore (que serão comentados em outro texto). Por enquanto, é hora de comentar os títulos de Novak Djokovic e Victoria Azarenka e listar algumas das notícias interessantes e curiosas dos últimos dias. Vamos lá?

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A campeã

Victoria Azarenka, enfim, está de volta ao top 10. O retorno vem com uma memorável vitória sobre Serena Williams: 6/4 e 6/4. Foi apenas o quarto triunfo de Vika sobre a atual número 1 do mundo em 21 jogos, mas vale ressaltar que todos eles aconteceram em finais de torneios (não, nenhum em um Slam).

A conquista em Indian Wells foi marcada pela consistência da bielorrussa, que poderia nem ter alcançado a final se não tivesse encontrado um tênis excelente no fim do primeiro set contra Karolina Pliskova. Azarenka acabou derrotando a tcheca em três sets e se viu diante de Serena na decisão.

O primeiro set começou com um game desastroso de Serena, e Vika aproveitou. Não que Serena não tenha criado chances. Teve cinco break points (em dois games diferentes), mas não conseguiu converter, esbarrando na consistência da adversária e em seus próprios erros. Em diversos momentos do jogo, a americana tentou se impor com a força dos golpes, mas distribuindo pancadas de maneira pouco inteligente.

A segunda parcial começou com Serena errando ainda mais. Vika viu a chance e disparou no placar, abrindo 4/0. Nesse período, a número 1 quebrou uma raquete quando foi quebrada pela segunda vez. A árbitra aplicou, então, uma advertência. Ao chegar no banco, Serena quebrou mais uma raquete – esta, ainda dentro do plástico, ao estilo Baghdatis. Por isso, tomou mais uma punição e perdeu um ponto.

Azarenka teve 5/1, mas Serena reagiu. Devolveu uma quebra e forçou Vika a sacar em 5/4. A americana, então, teve mais dois break points. Como aconteceu em quase todo o jogo, a bielorrussa se salvou. Primeiro, com um ace. Depois, com um erro da adversária. Dois pontos depois, Azarenka comemorava o título e seu retorno ao top 10 – ela estava fora do grupo desde agosto de 2014. Aposto que nem o susto do canhão de papel (vide tuíte abaixo) incomodou…

O campeão

Pela quinta vez, Djokovic levantou o troféu em Indian Wells. Foi sua 17ª vitória seguida no torneio e a 16ª consecutiva em um Masters 1.000 (a última derrota foi para Federer em Cincinnati). O sérvio agora soma 27 títulos em torneios deste nível e 62 ao todo na carreira. E seu domínio se reflete no ranking: com 16.540 pontos, Djokovic tem 8.170 de vantagem sobre Andy Murray, o número 2 do mundo. Comparando com Federer e Nadal, o sérvio tem 1.150 pontos a mais que o dobro do suíço e 1.570 a mais do que o triplo do espanhol.

A final foi entediante. Com Raonic longe de estar em suas melhores condições, Djokovic fez abriu 4/0 rapidinho e passeou em quadra depois disso. O placar final mostrou 6/2 e 6/0. Foi mais um caso daqueles em que a superioridade do sérvio deixou uma final sem graça. Não ouso repetir o que já analisei a fundo aqui.

Sobre a campanha, talvez o momento mais intrigante tenha sido o primeiro set contra o americano Bjorn Fratangelo, que venceu por 6/2. Até ali, ficava a impressão de que Djokovic havia chegado da Copa Davis fora de forma e corria o risco de ser eliminado de forma precoce. Pois não aconteceu nem ali nem nunca mais. Nem mesmo com Jo-Wilfried Tsonga fazendo dois ótimos sets (e dois péssimos tie-breaks) ou com Rafael Nadal sendo competitivo.

Nadal voltou?

É até possível que Rafael Nadal tenha deixado Indian Wells quase tão contente quanto Djokovic. Não só pelos 360 pontos (numericamente, o melhor resultado da temporada) das semifinais, mas por como se desenrolou sua campanha no torneio californiano. Depois de perder jogos apertados em Melbourne, Buenos Aires e Rio de Janeiro, o ex-número 1 ganhou três jogos assim na mesma semana.

Primeiro, saiu vencedor em uma partida tensa contra Gilles Muller. Em seguida, faturou um tie-break duríssimo contra Fernando Verdasco. Depois, escapou de dois match points contra Alexander Zverev, que teria triunfado se não errasse um voleio fácil. O momento favorável continuou com uma virada que parecia improvável no primeiro set contra Kei Nishikori – foi sua primeira vitória sobre um top em 2016.

Além disso, o espanhol se mostrou competitivo contra Djokovic de uma maneira que não vinha sendo há algum tempo. Nadal, aliás, chegou a ter um set point na primeira parcial da semi, mas Djokovic escapou com um winner de direita.

Tão importante quanto os resultados e a confiança adquirida com eles foi o nível de tênis exibido. Nadal foi consistente como não era há algum tempo. Não, o ex-número 1 não abandonou totalmente a tentativa de ser mais agressivo, mas foi menos afobado e tomou decisões melhores em todo o torneio – inclusive no duro duelo com o brilhante (e ainda inconsistente) Zverev.

O serviço, não esqueçamos, ainda continua um calcanhar de aquiles. Nadal continua ganhando poucos pontos de graça com o primeiro saque e, para piorar, segue com um segundo serviço lento e vulnerável. Uma tentativa de lidar com o dilema foi vista nas quartas, contra Nishikori, quando Nadal reduziu a potência e encaixou 89% de seus primeiros saques. No entanto, sacar entre 160 e 170 km/h não adiantaria contra Djokovic, e Nadal precisou acelerar na semifinal. Ainda assim, as excelentes devoluções do sérvio mantiveram o espanhol pressionado durante a maior parte do confronto.

Em todo caso, vale ficar de olho em Nadal durante o Masters de Miami para ver se a consistência se mantém. Em caso positivo, será que a temporada europeia de saibro lhe conduzirá de novo aos grandes títulos? Será?

A nova número 2

A novidade da semana no ranking é a subida de Agnieszka Radwanska, que assumirá a vice-liderança nesta segunda-feira. A polonesa se garantiu como número 2 ao derrotar Petra Kvitova por 6/2 e 7/6(3). E, como apontou a WTA, Aga alcançou pelo menos a semifinal em oito dos últimos nove eventos que disputou. No período, foi campeã em Tóquio, Tianjin, Cingapura (WTA Finals) e Shenzhen.

Kvitova, por sua vez, não se encontrou ainda na temporada. A tcheca, que se separou do técnico David Kotyza, após o Australian Open, acumula mais derrotas do que vitórias desde então. Em Indian Wells, penou para vencer jogos contra Kovinic (7/6 no terceiro set), Larsson (7/5 no terceiro set) e Gibbs (6/4 no terceiro). Diante de Radwanska, primeira cabeça de chave que precisou enfrentar, não conseguiu forçar mais um terceiro set.

Fiascos junto à rede

O torneio de Indian Wells também viu smashes… nada admiráveis. Sim, o sol tem sua parcela de culpa, mas vale ver Magdalena Rybarikova, que fez isso quando vencia por 4/1 o terceiro set contra Belinda Bencic…

Mas nem foi o pior erro de smash do torneio. A mesma Rybarikova, sacando para fechar o mesmo jogo, conseguiu errar esse golpe:

Rybarikova pode ter errado o smash mais fácil, mas certamente aquele ponto perdido não foi o mais doído do torneio. Essa honra pertence a Stan Wawrinka, que teve a chance de fazer 6/5 no tie-break do terceiro e chegar a um match point contra David Goffin, mas falhou miseravelmente.

Eu escrevi o parágrafo acima na tarde de quarta-feira. À noite, Alexander Zverev tornou-se forte candidato a roubar o “título” de Wawrinka. Sacando em 5/3 e 40/30, com match point para eliminar Rafael Nadal, o alemão de 18 anos jogou um voleio nada difícil na rede.

Depois disso, Zverev implodiu mentalmente. Venceu apenas um dos 16 pontos seguintes e cedeu a virada a um competentíssimo espanhol.

Fora de quadra

Muito já foi escrito neste blog sobre Maria Sharapova e seu caso de doping, mas vale lembrar que, nesta semana, a ONU suspendeu a russa de sua posição de embaixadora da boa vontade. Em comunicado, a Organização das Nações Unidas agradece a Sharapova pelo apoio, mas diz que sua participação e as atividades planejadas ficarão suspensas enquanto a investigação continuar.

Chupa

A empresa russa Rubiscookies lançou uma linha de pirulitos “100% Sharapova, sem meldonium”. Os doces vêm no formato da cabeça da tenista. O fabricante prometeu doar 50% dos lucros a instituições de caridade apoiadas por Sharapova.

O bom samaritano

É o tipo de situação que quando acontece em um jogo de exibição, as pessoas ficam se imaginando se o tenista faria o mesmo em uma partida oficial e equilibrada. Pois Djokovic fez nas quartas de final, no tie-break do primeiro set contra Jo-Wilfried Tsonga. Depois de ganhar o ponto e ouvir o placar de 3/0 anunciado pelo árbitro de cadeira, o número 1 do mundo admitiu que havia tocado na bola e deu o ponto ao francês. Veja o momento:

De volta à quadra

Roger Federer voltará em Miami. O suíço, que andou treinando com uma camisa estampada com seu próprio emoji, fez o anúncio do retorno usando ideogramas:

A recuperação de Federer foi mais rápida do que o planejado. O número 3 do mundo tinha em seu calendário apenas o Masters 1.000 de Monte Carlo, no mês que vem. O torneio monegasco, aliás, foi incluído logo que o suíço anunciou a cirurgia no joelho. Será que agora, com a participação em Miami, Monte Carlo vai ser deixado de lado mais uma vez?

Bolão impromptu da semana

Como sempre, joguei no ar uma pergunta durante o torneio. O acertador, desta vez, foi João Henrique Macedo, que acertou o número de games vencidos por Rafael Nadal contra Novak Djokovic, no sábado.

O tuíte quase aleatório da semana

De Genie Bouchard, na quinta-feira, o St. Patrick’s Day.


O doping de Sharapova: há mais atenuantes ou agravantes?
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Alexandre Cossenza

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Maria Sharapova testou positivo para meldonium, substância proibida pela Agência Mundial Antidoping (Wada) desde 1º de janeiro de 2016. Sim, isso todo mundo já sabe. O planeta inteiro também já sabe que a tenista russa deu uma coletiva, disse tomar a substância há dez anos e assumiu a responsabilidade por não ter conferido a lista atualizada pela Wada. Segundo Sharapova, o doping foi resultado de um descuido, uma negligência, sem a intenção de melhorar seu desempenho.

A questão toda é que menos de 48 horas depois, muitas informações vieram à tona, e quase nenhuma delas favorece a versão dada pela ex-número 1 do mundo. E como Sharapova preferiu dar a notícia antes que a ITF se manifestasse, os (poucos) jornalistas presentes na coletiva foram pegos de surpresa. Não se sabia (e mal havia) o que perguntar no dia. Agora, com informações apuradas e reações nada favoráveis dos patrocinadores, um punhado de perguntas fica sem resposta da tenista russa, o que não é nada bom para ela. Vejamos o que ficou no ar.

1. Por que meldonium?

O remédio tomado por Sharapova é proibido para consumo humano nos Estados Unidos. Ainda assim, a russa, que mora no país, fez uso dele por dez anos. Tudo bem, meldonium pode ser comprado sem prescrição no leste europeu. O que soa estranho é que Sharapova e seu advogado, que deu entrevistas após a coletiva, nunca especificaram o motivo da ingestão de meldonium.

A ex-número 1 disse apenas que “ficava doente com muita frequência, tinha deficiência de magnésio, resultados irregulares em eletrocardiogramas e um histórico familiar de diabetes. Foi um dos medicamentos, junto com vários outros, que recebi.” A explicação nada específica levanta as seguintes perguntas:

– Durante esses dez anos, Sharapova nunca se interessou em saber quais medicamentos tratavam quais sintomas?

– Sharapova tomou todos esses “vários” (palavra dela) medicamentos durante esses dez anos? Se não tomou, seria fácil apontar o motivo do meldonium.

– Se Sharapova sabe, por que não especificou na coletiva a função do meldonium em seu tratamento? Se não sabe, não parece curioso esse desconhecimento depois de dez anos tomando o mesmo medicamento?

O que soou especialmente mal para Sharapova depois da coletiva é que o fabricante – uma empresa da Letônia chamada Grindeks – do meldonium disse que um tratamento normal com a substância dura de quatro a seis semanas e que o processo pode ser repetido duas ou três vezes por ano.

Meldonium costuma ser receitado para problemas cardíacos, e Sharapova citou, entre todos aqueles sintomas, resultados irregulares em eletrocardiogramas. Supondo que seja esse o motivo pelo qual ela ingeriu meldonium, ainda soa estranho que ela tenha feito uso da substância durante dez anos. Mas Sharapova nunca foi específica sobre o motivo do uso de meldonium. Por quê?

2. Os avisos ignorados

Sharapova disse que recebeu um email da Wada no dia 22 de dezembro. O texto informava sobre mudanças na lista de substâncias proibidas, mas a tenista afirmou que não clicou no link e não conferiu se alguma das alterações lhe afetaria.

Essa foi a versão da russa. Nesta quarta-feira, o jornal inglês “The Times” publica que autoridades do tênis avisaram em pelo menos cinco ocasiões que meldonium seria adicionado à lista. Mesmo que Sharapova tivesse ignorado esses cinco comunicados, ela ainda poderia ter visto o texto da Agência Russa Antidoping, que informou seus atletas no dia 30 de setembro – três meses antes (!!!) de a nova lista entrar em vigor – especificamente sobre o uso de meldonium.

Ainda sobre a questão, vale ler as declarações de Dick Pound, presidente da Wada de 1999 a 2007. Ele afirma que Sharapova foi indescritivelmente imprudente. “Sempre que há uma mudança na lista, um aviso é dado em 30 de setembro. Você tem outubro, novembro e dezembro para parar o que estiver fazendo.”

Pound também fala em termos gerais sobre como substâncias se tornam preferidas entre atletas que se dopam. Vale ler este link do “Guardian”.

3. Os patrocinadores

Essa foi a questão que mais me pegou de surpresa. No mesmo dia da coletiva, a Nike, parceira de Sharapova desde a adolescência (pré-Wimbledon/2004), anunciou que estava “suspendendo a relação” com a tenista. O que quer que isso queira dizer, não significa romper ou suspender contrato. Aparentemente, significa apenas uma interrupção das campanhas publicitárias até que a ex-número 1 seja julgada e que haja uma sentença.

A Porsche, com quem Sharapova tem um contrato de três anos assinado em 2013, foi mais específica e declarou estar suspendendo as atividades promocionais com a atleta. Por fim, a Tag Heuer, patrocinadora da russa desde 2004, anunciou unilateralmente o término das negociações para renovação do contrato terminado em 31 de dezembro do ano passado.

É especialmente intrigante a velocidade com que as marcas se manifestaram – e a Sheila Vieira fez um bom texto sobre isso no Storia, citando os casos de Oscar Pistorius, Ray Rice, Kobe Bryant, Tiger Woods, Manny Pacquiao, Lance Armstrong e Justin Gatlin, todos envolvendo a Nike.

Cada caso, claro, tem sua particularidade. O fato é que Sharapova disse que seu doping foi fruto de um erro, um vacilo. Nada intencional, segundo ela. Ainda assim, a Nike levou apenas oito horas (!!!) para se manifestar neste caso. Sim, a rapidez da marca pode ser resultado do trauma do gato escaldado, mas estranha que uma “parceira” (as marcas se rotulam assim nas vitórias, não?) não tenha comprado a versão de sua atleta.

E se uma marca gigante se posiciona tão rapidamente de modo a gerar desconfiança sobre sua atleta, é justo que muitos fiquem imaginando se a Nike (como a Porsche e a Tag Heuer) sabe de alguma coisa que ainda não chegou ao público. E quem sai chamuscado disso tudo é a imagem de Sharapova.

4. A punição

É o que todo mundo quer saber, não? A letra da lei diz que doping intencional pode dar até quatro anos de suspensão. A modalidade não-intencional prevê até dois anos fora das quadras. Em todo caso, há que se considerar também fatores atenuantes. Difícil “chutar” uma punição para Sharapova sem acompanhar os argumentos da defesa. Por enquanto, consideremos o seguinte:

É importante notar que o teste positivo de Sharapova passa o recado de que o tênis não protege seus grandes nomes. Se o nome que mais gera dinheiro em publicidade no tênis feminino pode ser flagrado, qualquer um pode. A questão agora é que, para reforçar esse recado e fortalecer a imagem do tênis, a punição precisa ratificar esse raciocínio. Flagrar Sharapova e aplicar uma sentença de três meses de suspensão seria enfraquecer a imagem do esporte. A punição precisa ser exemplar (o que não significa necessariamente ser excessivamente severa).

Tudo é questão de como o julgamento será conduzido e de como a defesa de Sharapova atuará. Pelo que se viu até agora, espera-se que o time da russa tente fazer prevalecer a versão de que foi um descuido, afastando qualquer possibilidade de má-fé na ingestão do meldonium. Isso garantiria uma pena menor.

O que pode jogar contra Sharapova é a questão dos dez anos fazendo uso da substância. A meu ver, a russa precisa ser específica quanto aos motivos de um tratamento tão longo. Caso não seja, deixará margem para que o tribunal (e, posteriormente, o público) acredite que Sharapova sabia dos benefícios do meldonium na prática esportiva. E aí, ainda que o medicamento não fosse proibido durante todo esse tempo, a defesa terá uma dificuldade enorme para emplacar a tese de descuido e boa fé.


O preço do descuido de Sharapova
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Alexandre Cossenza

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Em uma coletiva cheia de expectativa e mistério, Maria Sharapova anunciou, nesta segunda-feira, ter testado positivo para uma substância proibida durante um exame antidoping realizado no Australian Open. A substância em questão chama-se meldonium e faz parte da lista da Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês) desde o dia 1º de janeiro de 2016.

“Assumo inteira responsabilidade por isso”, disse a ex-número 1 do mundo, que explicou tomar a mesma medicação há dez anos (desde 2006) para tratar várias questões de saúde. “Em 1º de janeiro, as regras mudaram, e meldonium se tornou uma substância proibida, o que eu não sabia.” … “Cometi um grande erro.” Sharapova, 28 anos, ainda disse não esperar encerrar a carreira deste modo e torcer para receber uma segunda chance.

Importante ressaltar que a tenista, como sempre fez, não empurrou a culpa para ninguém. Deu a cara a bater e declarou que “é meu corpo, é o que coloco no meu corpo. Não posso culpar ninguém além de mim mesma. Não importa com quem eu trabalhe, é muito importante ter um grande time ao redor, com técnicos e médicos, mas no fim das contas, é tudo sobre você.”

Não importa quem seja o principal responsável na equipe de Sharapova por ler a lista da Wada, trata-se de uma falha imperdoável que vai custar caro à tenista. As substâncias proibidas estão em um livreto de oito páginas. Não é uma consulta tão demorada assim. Meldonium está citado na seção de moduladores metabólicos e hormonais. É o item 5.3, especificado como modulador metabólico.

Por enquanto, Sharapova cumpre uma suspensão provisória que começa a contar no dia 12 de março e corre até que o caso seja avaliado, julgado e que a punição definitiva seja determinada. É bastante provável que a ex-número 1 do mundo perca os 430 pontos conquistados em Melbourne e tenha de devolver os US$ 281.663 recebidos pela campanha em que alcançou as quartas de final. Atual número 7 do mundo, a russa cairia para o 11º posto no ranking de hoje.

Fora isso, é de se imaginar que a punição não seja das mais severas. Além do histórico favorável, sem antecedentes, Sharapova pode provar que tomava o medicamento anteriormente e que o teste positivo foi resultado de um descuido – e não de uma intenção de melhorar seu desempenho. Isso costuma pesar bastante a favor de atletas em casos assim.

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Coisas que eu acho que acho:

– Sobre os motivos para começar a tomar a substância, ainda em 2006, Sharapova foi pouco específica e disse que lidava com várias questões de saúde: “Eu ficava doente com muita frequência, tinha deficiência de magnésio, resultados irregulares em eletrocardiogramas e um histórico familiar de diabetes. Foi um dos medicamentos, junto com vários outros, que recebi.” Não ficou claro o porquê de tomar o mesmo medicamento durante dez anos, mas talvez pouco importe no julgamento, já que a substância sempre foi permitida pela Wada.

– É admirável da parte de Sharapova não empurrar a culpa para ninguém de seu time. A postura é a mesma que adota quando sai de quadra derrotada: sem desculpas. Ao mesmo tempo, do ponto de vista mercadológico, pegaria muito mal responsabilizar quem quer que fosse. Passaria a imagem de uma menina mimada que precisa de um grupo de pessoas para assumir uma tarefa que a grande maioria dos tenistas assume por conta própria. Do jeito que se portou, Sharapova mostrou uma mulher madura e consciente de seu erro.

– Ainda antes de abrir a coletiva para perguntas, Sharapova fez piada da expectativa existente sobre um eventual anúncio de aposentadoria. Disse que se fosse anunciar a aposentadoria, “não estaria em um hotel no centro de Los Angeles com um carpete um tanto feio.” Bom humor, essencial em momentos difíceis.

– A ITF confirmou que o exame que deu positivo foi realizado no dia da derrota para Serena Williams, em Melbourne. Considerando o histórico de confrontos entre russa e americana, conseguem, caros leitores, imaginar o tamanho da repercussão se Sharapova tivesse vencido aquela partida?

– Sobre o uso de meldonium, vale registrar que um ciclista (Eduard Vorganov, da Rússia) e dois atletas de biatlo (Olga Abramova e Artem Tyshchenko, ambos da Ucrânia) testaram positivo para a mesma substância este ano. O mesmo aconteceu com a corredora sueca Abebe Aregawi (nascida na Etiópia), o maratonista etíope Endeshaw Negesse, atual campeão da Maratona de Tóquio, e a patinadora russa Ekaterina Bobrova, medalhista de bronze no Campeonato Europeu deste ano.


AO, dia 9: em dia de favoritos, Bruno Soares vai à semi como o mais cotado
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Alexandre Cossenza

Não brotaram aces improváveis de raquetes inférteis e os erros não forçados, tão abundantes 48 horas atrás, minguaram para quem eles habitualmente são esparsos. Logo, nesta terça-feira, primeiro dia das quartas de final do Australian Open 2016, Serena Williams bateu Maria Sharapova pela 18ª vez consecutiva, Roger Federer somou sua 16ª vitória em 22 confrontos contra Tomas Berdych, e Novak Djokovic despachou Kei Nishikori.

Nas duplas, a história foi outra. Os cabeças de chave número 1, Horia Tecau e Jean Julien Rojer, deram adeus ao torneio. Agora, os principais pré-classifcados são o brasileiro Bruno Soares e o britânico Jamie Murray, que venceram mais uma e estão nas semifinais. Este resumaço do dia ainda tem vídeos curiosos de boladas e de Carlos Bernardes vivendo seu momento bullet time na Rod Laver Arena (ou, quem sabe, ele estava na Matrix e ninguém percebeu).

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O brasileiro

Pela primeira em quatro partidas no torneio, Bruno Soares e Jamie Murray jogaram um terceiro set e, mais ainda, um tie-break-de-terceiro-set, aquela entidade com vida própria em que qualquer minuto de desatenção custar mais do que a gasolina em Fernando de Noronha. A notícia boa é que brasileiro e escocês não cederam nenhum break point na parcial decisiva e abriram o game de desempate fazendo 4/1. Sem drama além do intrínseco para o momento.

O triunfo por 6/7(7), 6/4 e 7/6(3) foi sobre Raven Klaasen e Rajeem Rav, que haviam eliminado os irmãos Bryan na segunda-feira, e colocou Bruno e Jamie nas semifinais do Australian Open. E mais: os dois agora são os principais cabeças vivos em Melbourne, já que Horia Tecau e Jean Julien Rojer deram adeus, eliminados pelos franceses Adrian Mannarino e Lucas Pouille, que acumulam mais cabeças cortadas do que uma guilhotina da Revolução Francesa. A campanha de Mannarino e Pouille tem vitórias em sequência sobre Bolelli e Fognini (cabeças 5), Cabal e Farah (12) e Roger e Tecau (1).

Bruno e Jamie, agora, são os favoritos das casas de apostas e enfrentarão os franceses na semi. A outra vaga na final sairá do jogo de Daniel Nestor e Radek Stepanek contra Pablo Cuevas e Marcel Granollers (cabeças 16).

Para Marcelo Melo, a eliminação de Rojer e Tecau foi providencial. Sem o holandês-de-Curaçao e o romeno na chave, o mineiro garante sua continuidade na liderança do ranking de duplas. Melo corria risco, já que foi às semifinais no ano passado e perderia pontos. Ele seria ultrapassado se o título ficasse com Rojer/Tecau ou com os irmãos Bob e Mike Bryan.

As simples, tão simples

Tomas Berdych conseguiu equilibrar seus duelos com Roger Federer por algum tempo, o que foi um feito e tanto para o tcheco (e o seria para qualquer um). De Miami/2010 até o início de 2013, foram oito confrontos, com cinco vitórias de Berdych. Resumindo rasamente o drama suíço, o tcheco atacava os segundos serviços do suíço o suficiente para conseguir o controle dos ralis e, nos dias bons, mandar na partida.

Coincidência ou não, essa série acabou quando Federer começou a trabalhar com Stefan Edberg. Nos últimos anos, o suíço inclusive melhorou consideravelmente o aproveitamento de seu saque, o que fez uma diferença gigante contra Berdych (e todos os outros, claro). E, de 2014 até agora, são cinco triunfos consecutivos do ex-número 1, incluindo o desta terça-feira, que veio por 7/6(4), 6/2 e 6/4.

E foi, ressaltemos, uma ótima atuação de Berdych. O tcheco esteve na frente no primeiro e no terceiro sets, mas pecou por não aproveitar as vantagens. Federer também escapou de break points com excelentes saques e fez um espetacular (e espetacularmente necessário) tie-break na primeira parcial. Além disso, tão essencial quanto os saques foi a capacidade de Federer de vencer ralis, o que nem sempre é fácil quando os forehands de Berdych estão calibrados – e eles estavam.

No fim, o suíço chegou a uma ótima vitória, e “ótima” não só porque lhe valeu uma vaga nas semifinais, mas porque veio em três sets, descomplicando um duelo que esteve longe de ser simples durante a maior parte do tempo.

Bullet time Bernardes

O árbitro brasileiro Carlos Bernardes, coincidentemente-ou-não usando óculos à la Keanu Reeves em Matrix, desviou rapidamente de uma bola espirrada na partida entre Roger Federer e Tomas Berdych. Atenção para a destreza de Bernardes no lance em câmera lenta!

Fora da Matrix

Nem todo mundo tem a sagacidade do árbitro brasileiro. Um juiz de linha, por exemplo, tentou desviar de um saque de Tomas Berdych, mas movimentou-se para o lado errado e acabou levando uma bolada bem na “região da virilha”, também conhecida como aquela parte sensível do corpo que fica ali perto da virilha, mas definitivamente não é a virilha.

O jogo mais esperado

Bem já dizia Patrick Mouratoglou, técnico de Serena Williams, duvidando da capacidade de Maria Sharapova (#5) de repetir o desempenho excelente que teve com o saque nas quartas de final, quando fez 21 aces contra Belinda Bencic. Diante da número 1 do mundo, provavelmente a melhor devolução do tênis feminino, Sharapova fracassou mais uma vez. Não só porque fez apenas três aces e sete duplas faltas, mas porque venceu apenas cinco games.

Serena, que começou o jogo perdendo o serviço, triunfou por 6/4 e 6/1 em 1h33min, somando sua 19ª vitória em 21 confrontos com a russa. Agora, são sete encontros sem que a russa tenha vencido um set sequer.

Na semifinal, a número 1 do mundo vai encarar Agnieszka Radwanska (#4), que passou pela espanhola Carla Suárez Navarro (#11) por 6/1 e 6/3 em 1h24min (e eu não canso de achar graça nesse vídeo abaixo).

Polêmica à vista

Após o duelo, Sharapova adotou o discurso politicamente correto, dizendo que Serena está em outro nível, que faz o resto do circuito trabalhar mais duro e que é uma inspiração para as outras. Dona Maria também disse que pretende ir a Moscou fazer parte do time russo na Fed Cup, mas ressaltou que não deve jogar porque precisa tratar o antebraço.

Pouco depois dessa declaração, o presidente da federação russa, Shamil Tarpischev, afirmou à agência de notícias TASS que Sharapova “precisa precisa jogar pelo time nacional se quiser participar dos Jogos Olímpicos.”

Ainda é cedo, mas a chance de uma polêmica no futura deve ser considerada. A Federação Internacional de Tênis dá grandes poderes às associações nacionais, que podem se recusar a nomear este ou aquele tenista (vide Alemanha em Londres/2012), mesmo que o atleta defenda o país na Copa Davis ou na Fed Cup.

Tarpischev, vale lembrar, é uma figura polêmica, um misto de gênio e vilão. Do mesmo modo que deu títulos à Rússia com escalações contestáveis, é alvo de críticas por seus comentários nada politicamente corretos. Ele, inclusive, foi suspenso do circuito por um ano após fazer uma piada, referindo-se a Venus e Serena como “os irmãos Williams” em um programa de TV russo.

E o número 1?

Novak Djokovic voltou ao normal, ou seja, cortou o número de erros por mais da metade. Em vez dos 100 acumulados ao longo de cinco sets contra Gilles Simon (em média, 20 erros por set), cometeu apenas 27 contra Kei Nishikori (nove por set) e venceu por 6/3, 6/2 e 6/4.

Quem falhou muito foi o japonês (54 erros, 18 por set), mas é o que costuma acontecer quando Djokovic está de volta a seu habitual nível de consistência. Nishikori ainda teve a dianteira duas vezes no começo do terceiro set, quando abriu 2/0 e, depois, 3/1, mas nunca confirmou o serviço para consolidar a dianteira.

Fica agora a expectativa pela semifinal com Roger Federer, que, aos olhos de muita gente, tem cara de decisão. Não só porque os dois decidiram os últimos Slams (Wimbledon e US Open), mas também porque Andy Murray tem a eterna desconfiança de boa parte de fãs e críticos.

O boleiro fisioterapeuta

O jogo nem estava tão difícil assim, mas Novak Djokovic pediu uma ajudinha ao boleiro após uma virada de lado.

A chave masculina:

[1] Novak Djokovic x [3] Roger Federer
Gael Monfils [23] / [13] Milos Raonic x [8] David Ferrer / Andy Murray [2]

A chave feminina:

[1] Serena Williams x [4] Agnieszka Radwanska
[7] Angelique Kerber / [14] Victoria Azarenka x Johanna Konta x Shuai Zhang

Os melhores lances

A capacidade defensiva de Djokovic não é novidade nenhuma, mas ninguém deve se cansar de ver lances assim:

Que tal a habilidade de Federer junto à rede?

O que vem por aí no dia 10

A programação de quarta-feira, em Melbourne, tem a partida mais esperada logo no primeiro horário: Angelique Kerber x Victoria Azarenka. Em seguida, Johanna Konta enfrenta Shuai Zhang pelo posto de maior zebra do torneio. A sessão diurna da Rod Laver Arena termina com David Ferrer x Andy Murray. O único jogo de simples da noite tem Gael Monfils x Milos Raonic, mas foi bacana do torneio escalar Martina Hingis e Sania Mirza para fecharem a programação. Elas enfrentam Julia Goerges e Karoline Pliskova por uma vaga na final de duplas.

Já classificado para as semifinais de duplas masculinas, Bruno Soares tenta o mesmo as mistas. Nesta terça, ele e a russa Elena Vesnina fazem o terceiro jogo do dia na Quadra 2. Seus adversários são o britânico Jamie Murray (sim, o parceiro de Bruno) e a eslovena Katarina Srebotnik.

Veja aqui os horários e a programação completa.


AO, dia 7: Djokovic dos 100 erros, “Acepova” e cãibras que custam caro
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Alexandre Cossenza

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“Não posso ser pior do que isso”, sentenciou Novak Djokovic depois da vitória sobre Gilles Simon. Foram 4h32min de cinco sets e muitos erros. Muitos mesmo. Curtinhas mal escolhidas/executadas, forehands e backhands por toda a parte. Exigido pelo adversário, que topou entrar em longas trocas de bola, o número 1 do mundo cometeu 100 (!!!) erros não forçados. Djokovic, no entanto, continua Djokovic. Saiu vencedor em uma jornada bem abaixo da média e avançou às quartas de final do Australian Open por 6/3, 6/7(1), 6/4, 4/6 e 6/3.

Sem querer fazer o papel de advogado do sérvio, é preciso contextualizar esses cem erros. Simon tem muito do mérito. Em seus dias bons, o francês consegue exigir bastante dos adversários com sua consistência do fundo de quadra aliada a uma capacidade defensiva invejável. Falta a Simon um saque compatível com o resto de seu jogo, até porque seus golpes de fundo têm bastante potência – algo que a gente só vê nas raras ocasiões em que ele opta por ser mais agressivo.

Assim sendo, é normal que alguém cometa mais erros contra Simon do que contra, digamos, um Tomas Berdych ou um Marin Cilic, tenistas cujo plano de jogo é sempre atacar primeiro. Quer dizer que Djokovic errou pouco? Também não. Vinte erros não forçados por set é muita coisa para um tenista de seu calibre, mas, só para efeito de comparação, Sharapova cometeu 46 erros em dois sets contra Belinda Bencic e também venceu neste domingo.

A grande questão agora passa a ser: qual a chance de Djokovic jogar nesse mesmo nível contra Kei Nishikori? O japonês, que passou fácil por Jo-Wilfried Tsonga neste domingo, também é consistente do fundo de quadra, só que mais agressivo e com um saque melhor do que o de Simon. A margem para erro será bem menor para o número 1. Mas alguém acredita que Nole terá duas partidas assim em sequência?

Os drops shots

Ainda dentro de quadra, na entrevista com Jim Courier, Djokovic mostrou-se bastante consciente de seus erros não forçados. Falava, inclusive, sobre reduzi-los quando ouviu um “conselho” de alguém na arquibancada. Pediu para ouvir de novo e percebeu que o torcedor não queria mais curtinhas.

Nole entrou na brincadeira e respondeu “odeio dizer isso, mas você está absolutamente certo” para ganhar gargalhadas da plateia.

A polêmica e a piada

Lembram que Gilles Simon havia dito que o vestiário inteiro torceria pelo francês porque todos estavam cansados de serem humilhados por Djokovic? Ficou no ar uma certa dúvida pela reação do sérvio. Pois o número 1 do mundo, depois da vitória, respondeu com uma piada. “Não sei de que vestiário ele está falando. No vestiário feminino, eu sou muito popular, eu sei disso.”

Acepova

O primeiro jogo do dia foi o aguardado Maria Sharapova (#5) x Belinda Bencic (#13), que decepcionou tecnicamente, mas compensou em emoção. A russa, favorita, esteve inconstante do fundo de quadra, mas manteve a postura agressiva até o fim, já que conseguia tirar vantagem do saque frágil de Bencic. A suíça, por sua vez, apostou em atacar pouco e esperar por falhas da rival – o que teve até relativo sucesso, considerando que Sharapova cometeu 46 erros não forçados.

O que Bencic (nem ninguém) não esperava era o fantástico desempenho de Sharapova no saque. A russa acertou apenas 47% dos primeiros serviços, mas encaixou 21 aces – alguns, inclusive, no segundo saque. O sucesso permitiu que a russa continuasse atacando – e errando – do fundo de quadra sem deixar que Bencic abrisse vantagem no placar. No fim, a suíça sucumbiu sempre nos momentos decisivos: 7/5 e 7/5, em 2h05min de jogo.

Vale prestar atenção na comemoração de Sharapova assim que o Hawk-Eye mostrou que sua última bola havia quicado na linha.

Os resultados do dia confirmaram mais um Serena x Sharapova, já que a número 1 do mundo entrou em quadra pouco depois da russa e derrotou a moscovita Margarita Gasparyan por 6/2 e 6/1 em 57 minutos. Será uma repetição da final do Australian Open do ano passado e mais uma chance para Sharapova encerrar a série de 17 derrotas para a americana.

O técnico de Serena, Patrick Mouratoglou, que adora dar pitacos sobre quem quer que seja, já disse duvidar que Sharapova consiga sacar como neste domingo.

O susto e o drama

Agnieszka Radwanska (#4) esteve a um game da eliminação, com a alemã Anna-Lena Friedsam (#82) abrindo 5/2 e sacando em 5/3 no terceiro set. O grande drama da partida ficou por conta da condição física da alemã, que sofreu com cãibras no momento mais importante. Com o placar em 5/5, Friedsam tentou até sacar “por baixo”, mas recebeu duas violações por excesso de tempo e acabou perdendo o game porque o árbitro lhe tirou um ponto com o placar em 15/40. A cena da dor da alemã é desesperadora.

No fim, Radwanska triunfou por 6/7(6), 6/1 e 7/5 e vai encarar Carla Suárez Navarro (#11). A espanhola levou um pneu no primeiro set, mas se recuperou e fez 0/6, 6/3 e 6/2 em cima da australiana Daria Gavrilova (#39), que vinha de vitórias sobre Petra Kvitova e Kristina Mladenovic.

O último torneio

Com a eliminação de Lleyton Hewitt também nas duplas, o site do Australian Open publicou um vídeo que repassa o último torneio do ídolo australiano.

Os brasileiros

Marcelo Melo está fora do Australian Open. O número 1 do mundo e seu parceiro, Ivan Dodig, foram eliminados ainda nas oitavas de final por Pablo Cuevas e Marcel Granollers: 7/6(3), 2/6 e 6/3. Foi um jogo muito equilibrado e que teve momentos ruins de Melo e Dodig em momentos cruciais. Nada deu certo no tie-break do primeiro set e, quando tudo parecia ter voltado ao normal, com brasileiro e croata vencendo a segunda parcial, Marcelo errou dois voleios colado na rede para ceder a quebra no saque do parceiro no último set.

Cuevas e Granollers, que comemoraram com uma enorme festa na Hisense Arena, enfrentarão agora Jack Sock e Vasek Pospisil, que derrotaram Lleyton Hewitt e Sam Groth por 6/4 e 6/2.

Quanto a Marcelo, a notícia realmente ruim é que ele perderá pontos valiosos (fez semifinal no ano passado) e corre sério risco de perder também a liderança do ranking. O brasileiro será ultrapassado se os irmãos Bryan ou se Rojer e Tecau forem campeões do Australian Open.

O único brasileiro vivo no torneio agora é Bruno Soares, que continua nas duplas masculinas e mistas. Nas mistas, ele e a russa Elena Vesnina estrearam neste domingo e derrotaram a chinesa Saisai Zheng e o sul-coreano Hyeon Chung no match tie-break: 6/3, 6/7 e 10/4.

O tenista multifuncional

Tomas Berdych teve trabalho diante de Robert Bautista Agut e precisou de cinco sets para vencer (4/6, 6/4, 6/3, 1/6 e 6/3), mas saiu de quadra classificado para as quartas de final e, aparentemente, apressado. O tcheco decidiu jantar e fazer sua recuperação ao mesmo tempo.

Federer, aliás, derrotou David Goffin com a facilidade de sempre: 6/2, 6/1 e 6/4. Nada de novo. O suíço, que já encontrou muitos problemas diante de Berdych, vem em uma sequência de quatro vitórias sobre o tcheco. A última vitória de Berdych aconteceu nas semifinais de Dubai/2013.

O melhor do dia 8

A programação de segunda-feira, em Melbourne, termina de definir as quartas de final e tem dois jogos bastante esperados: Milos Raonic x Stan Wawrinka e Andy Murray x Bernard Tomic. Na chave feminina, fica a expectativa pela confirmação do duelo entre Angelique Kerber e Victoria Azarenka. A alemã enfrenta a compatriota Annika Beck na abertura do dia, na Rod Laver Arena, e a bielorrussa joga logo em seguida contra Barbora Strycova.

Bruno Soares, único sobrevivente brasileiro no torneio, joga duas vezes na Quadra 3. Primeiro, ele e Jamie Murray encaram Robert Lindstedt e Dominic Inglot na chave de duplas. O jogo vale vaga nas quartas de final, que pode ser um duelo com os irmãos Bryan. Mais tarde, pela chave de duplas mistas, Soares e a russa Elena Vesnina enfrentarão a taiwanesa Su-Wei Hsieh e o austríaco Alexander Peya – sim, o ex-parceiro do mineiro. Deve ser divertido. Veja aqui os horários e a programação completa.