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Quadra 18: S03E03
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Alexandre Cossenza

Rio Open, Brasil Open e o começo de Indian Wells. O podcast Quadra 18 demorou, mas finalmente está de volta, falando sobre um pouco de tudo que aconteceu nas últimas três semanas de tênis. Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu discutimos assuntos “quentes” como os problemas físicos de Thomaz Bellucci, os wild cards para Maria Sharapova, a opção de Bruno Soares e Marcelo Melo por Acapulco em vez de São Paulo, o momento de Novak Djokovic, o futuro do Rio Open e até por onde anda o comentarista do SporTV Dácio Campos.

Para ouvir, basta clicar no player abaixo. Se preferia baixar para ouvir em casa, clique neste link com o botão direito do mouse e selecione “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’15” – Sheila Vieira apresenta os temas
2’02” – A estreia de Bellucci contra Nishikori, e a dura adaptação do japonês
4’45” – Os problemas físicos de Bellucci contra Thiago Monteiro
5’48” – O quanto foi ruim enfrentar Monteiro logo após derrotar Nishikori
6’18” – O “surgimento” de Casper Ruud
7’50” – A história de Christian Ruud, pai de Casper, que enfrentou Guga e Meligeni
8’25” – O título sem ameaças de Dominic Thiem
10’53” – Por que Carreño Busta e Ramos Viñolas são pouco reconhecidos?
12’20” – A chave de duplas e o carisma de Jamie Murray
14’23” – Marcelo Melo e suas declarações sobre a parceria com Lukasz Kubot
19’00” – O primeiro Rio Open sem WTA foi melhor ou pior?
23’27” – Pablo Cuevas, o título do Brasil Open e a chuva interminável
25’53” – Os problemas físicos e a falta de motivação de Thomaz Bellucci
27’08” – Por que tenista são “julgados” quando entram em quadra mal fisicamente?
28’45” – A boa chave do Brasil Open apesar da péssima data no calendário da ATP
30’17” – O título de Rogerinho e André Sá, e a ascensão de Demoliner nas duplas
32’47” – André Sá voltará a jogar com Leander Paes?
33’50” – A opção de Bruno e Marcelo por jogam em Acapulco em vez de São Paulo
37’08” – O bairrismo Rio-São Paulo
38’00” – Comparando Guga no Sauípe e Bruno/Marcelo em Acapulco
39’38” – Under the Bridge (Red Hot Chilli Pepers)
40’10” – Indian Wells e o quadrante com Djokovic, Delpo, Nadal, Federer, Kyrgios e Zverev no mesmo quadrante
42’40” – O mantra “o que está acontecendo com Djokovic?”
44’50” – Nadal em Acapulco, Murray e Federer em Dubai
46’21” – “Eu espero dignidade de Marin Cilic”
47’37” – Quem ganha o Masters de Indian Wells? Hora dos palpites!
48’43” – É justo Sharapova receber convites após a suspensão por doping?
55’18” – Serena Williams, mais uma lesão e como a chave mudou sem ela
57’37” – Palpites: quem é a favorita para o WTA de Indian Wells?
59’10” – A chave de Djokovic pode fazer ele atuar como Serena no AO 2017?
59’38” – A falta de público no Rio Open é culpa da organização ou da falta de tradição brasileira no tênis?
61’20” – O Brasil Open soluciona problemas melhor do que o Rio Open?
61’44” – Por onde anda Dácio Campos? Ele vai comentar Indian Wells?
62’37” – Kerber voltará dignamente ao #1? Veremos evolução no jogo dela?
63’45” – Há alguma chance de Melo não completar a temporada com Kubot?
63’57” – O Rio Open pode virar Masters 1000? Qual a chance de virar piso duro?
66’45” – Os valores de ingressos em Rio e SP valeram pelos atletas que vieram e pelo tênis jogado?

Importante:

– Tivemos problemas de som no meu áudio durante a gravação. Por isso, algumas das minhas falas estão incompletas. Pedimos desculpas, mas os cortes no meu áudio só foram percebidos durante a edição.


O balanço brasileiro no saibro
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Alexandre Cossenza

Com o fim do tardio do Brasil Open, parece o momento ideal para fazer um balanço da participação brasileira na perna sul-americana do circuito mundial, que, por enquanto, ainda é toda disputada em quadras de saibro. Digo “ainda” porque, como os leitores do blog sabem, Rio e Buenos Aires estão em busca de aprovação para mudarem para quadras duras.

O motivo carioca/portenho não tem a ver com as campanhas de brasileiros e argentinos. A ideia é conseguir trazer mais nomes de peso. Diretores dizem que o principal argumento de quem não quer vir até aqui é a mudança de piso entre o Australian Open e o Masters de Indian Wells. Mas enquanto a alteração não sai, será que os brasileiros vêm aproveitando o piso mais favorável a seu jogo?

Depois de Quito, Buenos Aires, Rio de Janeiro e São Paulo, dá para dizer que não foi a pior das campanhas brasileiras. Não que tenha sido espetacular. Bellucci, principalmente, poderia ter tirado muito mais de Rio e São Paulo não fossem seus problemas físicos e, ao que parece, de motivação. Vejamos um por um:

Thomaz Bellucci

Como nos dois anos anteriores, o paulista fez boa campanha em Quito. Só perdeu – pela terceira vez seguida – para Vitor Estrella Burgos, o veterano que acabou conquistando o tricampeonato no Equador. Caso curioso, não tão fácil de explicar/entender, mas que precisa entrar para a coluna das “chances perdidas”.

No Rio, Bellucci eliminou o cabeça 1 na estreia, empolgou a torcida e decepcionou no jogo seguinte. No meio do segundo set contra Thiago Monteiro (jogo à noite, 27 graus), o paulista já esteve pregado. Saiu de quadra dizendo “morri” com todas as letras. Depois, em São Paulo, também teve problemas físicos (de outro tipo) na derrota para Schwartzman. Após o revés, deu uma declaração um tanto preocupante. Falou que precisa “reencontrar a alegria e a motivação de estar na quadra que só o dia a dia vai me dar. Tenho que pensar no que a gente tem que fazer para dar a volta por cima.”

De qualquer modo, mesmo com a vitória sobre Nishikori e uma semi em Quito, fica a impressão de que poderia ter sido muito melhor. É duro afirmar, mas é o mesmo que pode ser dito sobre muitos momentos da carreira de Bellucci.

Thiago Monteiro

Talvez tenha sido o momento de consolidação do cearense. Um ano depois de “surgir” ao bater Tsonga no Rio, Monteiro fez uma turnê sólida, com quartas de final em Buenos Aires e no Rio. Perdeu na estreia em Quito e em São Paulo, mas em condições difíceis. Jogou contra Giovani Lapentti na altitude e contra Carlos Berlocq (seu algoz também em Buenos Aires) no Pinheiros.

Ao todo, nada mau. Os ATPs, no entanto, deixaram mais visíveis os buracos no jogo do cearense. Berlocq deixou clara a necessidade de Monteiro melhorar junto à rede. O argentino venceu uma enorme maioria de pontos quando variou e tirou Thiago do basicão “distribuindo-pancada-do-fundo”. No Rio, Ruud expôs as falhas na devolução do cearense. Monteiro não conseguir entrar em um número razoável de pontos no serviço no norueguês.

Monteiro sabe quanto e onde precisa evoluir. Ele mesmo falou sobre isso na última coletiva que deu no Rio de Janeiro. Há tempo para isso. É questão de trabalhar e pensar no jogo como um todo – e não só na pancadaria do fundo de quadra.

Rogerinho

O paulista esteve nos quatro ATPs, inclusive furando o quali em Buenos Aires, mas não conseguiu vencer nenhum jogo em chaves principais. O mais perto que chegou disso foi quando teve dois match points contra Alessandro Gianessi na Argentina. Não dá para dizer que foi uma passagem trágica de Rogerinho pela América do Sul, mas ele teve jogos ganháveis e não aproveitou. Também entra para a coluna de chances não aproveitadas.

Feijão

João Souza também esteve nos quatro ATPs, mas ficou no quali em Buenos Aires (perdeu para Rogerinho) e só venceu um jogo em São Paulo (contra Zeballos na estreia). E se não dá para condená-lo pelas derrotas para Pablo Carreño Busta (Rio e SP), esperava-se mais de seu jogo na altitude de Quito. A derrota na estreia para Federico Gaio não foi o melhor dos resultados.

Bruno Soares

Orale Cabron 🇲🇽 🏆 🏆🏆

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O mineiro só jogou um torneio no saibro. Foi no Rio, onde ele e Murray perderam nas semifinais, quando até tiveram um match point contra Carreño Busta e Pablo Cuevas. Um resultado bom, considerando que Soares ficou dez dias no Rio de Janeiro, mas passou a maior parte do tempo dando entrevistas, participando de eventos com fãs, dando clínicas e aparecendo para seus patrocinadores.

Depois do Rio, o mineiro foi para Acapulco, jogar um ATP 500 na quadra dura, em vez de jogar no Brasil Open, em São Paulo, no saibro. A decisão provocou críticas públicas de Flávio Saretta em uma sequência de tweets.

“Semana de Brasil Open! Torneio que existe desde 2001! Sempre muito valorizado pelos tenistas brasileiros!! Tão valorizado que até o número 1 do mundo jogava! E tive a noticia que Marcelo e Bruno Soares optaram por jogar em Acapulco. Gosto dos dois desde sempre, mas não posso concordar com essa decisão e atitude! Sabemos das imensas dificuldades de se fazer um torneio ATP no Brasil pelos custos, etc! Sempre valorizamos demais esse torneio no Brasil! Um orgulho jogar um ATP no nosso país!! Por isso confesso que achei um absurdo os dois jogarem no México e não no Brasil! Fora a troca que é estar perto de quem torce por vc e não tem a oportunidade de ver vc jogar de perto!!! Escolha errada dos dois! Uma pena…”

Sim, seria ótimo ter Soares e Marcelo Melo (que também foi a Acapulco) jogando mais uma semana no Brasil, mas é preciso entender os motivos de ambos. Primeiro, os dois preferem jogar em quadras duras. Não por acaso, Bruno venceu dois Slams no piso ao lado de Jamie no ano passado. Mas não é só isso. Além de Acapulco ser um torneio mais importante, é uma semana de jogos na quadra dura antes de um evento ainda maior: o Masters de Indian Wells, no piso sintético.

Dizer que Soares e Melo precisariam fazer mais esforço para jogar no Brasil me parece forçar a barra. Os dois, afinal, estiveram no Brasil. E Bruno, especialmente, fez todo tipo de atividade para divulgar o torneio, o tênis e seus patrocinadores. O torcedor brasileiro teve a chance de vê-los. Só quem não foi ao Rio (caso de Saretta) ou não ficou a semana inteira não viu isso.

Além disso, os dois mineiros deveriam ter um pouquinho mais de crédito (é só minha opinião). Soares jogou o Brasil Open todos os anos desde 2009. Sempre trouxe seus parceiros. Foi campeão três vezes e, na maioria das vezes, atuou em quadras secundárias – inclusive naquele precário e improvisado Mauro Pinheiro. Em um de seus títulos, fez apenas um jogo na quadra central (a final). Melo viveu situações parecidas e, até este ano, só havia ficado ausente em 2014.

Por fim (não que o resultado mudaria algum dos argumentos acima), Soares e Murray foram campeões em Acapulco, somando 500 pontos e ganhando embalo antes do primeiro Masters 1.000 do ano.

Marcelo Melo

O mesmo caso de Bruno, só que com um agravante. Marcelo e seu parceiro, Lukasz Kubot, ainda não encontraram ritmo. E como jogam melhor em quadras duras, estavam em Roterdã (um ATP 500) em vez de Buenos Aires. No Rio, perderam para Peralta e Zeballos nas quartas. Depois, partiram para Acapulco, onde caíram na estreia diante de Santiago González e David Marrero.

Depois do Australian Open, Melo já dizia no “Pelas Quadras”, da ESPN, que era preciso encontrar um equilíbrio na parceria. A queixa (velada) era em respeito ao jogo kamikaze de Kubot. No Rio, o mineiro deu declarações parecidas. Disse que gosta de um jogo com menos velocidade e mais equilibrado e deu a entender que o Masters de Miami será o momento para avaliar se o time com Kubot tem futuro.

André Sá

Jogou com Tommy Robredo em Buenos Aires e no Rio e caiu na estreia em ambos. Em São Paulo, ao lado de Rogerinho, foi longe e conquistou o título. Saiu do saibro levando 250 pontos, o que não é nada ruim.

Marcelo Demoliner

Fez Buenos Aires-Rio-SP com seu parceiro habitual, o neozelandês Marcus Daniell. Também passou em branco na Argentina e no Rio. Também foi à decisão no Pinheiros. Somou 150 pontos.


Rio, dia 1: Três jogos, três zebras e uma homenagem (quase) sem público
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Alexandre Cossenza

A edição de 2017 do Rio Open começou com uma programação que pouco empolgava na quadra central, mas que acabou com resultados interessantes. Nas três partidas marcadas para a maior arena do complexo, o azarão venceu. O primeiro deles foi o wild card Casper Ruud. Em seguida, o qualifier Arthur De Greef. Por último, o também qualifier Robert Carballés Baena.

As maiores atrações, no entanto, foram guardadas para a terça-feira. Tanto Kei Nishikori quanto Dominic Thiem, os dois principais cabeças de chave, vão estrear na segunda jornada. O mesmo vale para os brasileiros Thomaz Bellucci e Tiago Monteiro, que também estarão na quadra central. Até lá, no entanto, deixo com vocês o resumão do primeiro dia.

Rogerinho derrotado

O dia começou com uma derrota brasileira. Rogério Dutra Silva tombou diante do adolescente norueguês Casper Ruud (o rapaz da foto no alto do post), de 18 anos, atual número 208 do mundo: 6/3 e 6/4. Não foi um dia em que as coisas deram certo para Rogerinho, que não conseguiu sair de uma postura defensiva durante a maior parte do tempo no saque o adversário. Ruud, que entrou na chave graças a um convite da organização, esteve bem no serviço o tempo inteiro e deu pouquíssimas chances.

Após o jogo, Rogerinho disse que nunca se sentiu cômodo em quadra e que, sempre que achava que ia “entrar” no jogo, algo acontecia a favor do oponente. De fato, Ruud foi quase sempre preciso nos pontos importantes. Quando não foi, contou com uma pitada de sorte. E assim o convidado do torneio, agenciado pela IMG, avançou para a segunda rodada.

O campeão que perde 500 pontos

Pablo Cuevas foi a decepção do dia. Não só pelo resultado – porque o qualifier Arthur De Greef, #138 – mas pela atuação. O uruguaio, campeão dos dois ATPs brasileiros em 2016, esteve errático e vacilante em momentos importantes. Até parecia o tenista mais sólido em quadra no início do terceiro set, mas foi dando cada vez mais chances ao belga com o passar do tempo.

O game final foi uma síntese do que Cuevas mostrou em todo jogo. Abriu 40/15, cometeu uma dupla falta no 40/30 e perdeu um ponto fácil junto à rede quando teve mais um game point para forçar o tie-break. De Greef errou menos quando importava mais e terminou vitorioso por 6/3, 3/6 e 7/5.

A homenagem para quase ninguém

No meio da sessão noturna, o Rio Open manteve sua tradição de homenagear grandes nomes da história do tênis brasileiro. Nesta segunda, talvez para compensar a ausência do torneio feminino (até ano passado, o evento tinha um torneio da série International da WTA), o torneio prestou homenagens a Andrea Vieira, Gisele Miró, Patrícia Medrado e Teliana Pereira.

A lamentar, apenas, o minúsculo público que estava em quadra durante a pequena cerimônia. Não que a quadra central estivesse lotada para o jogo de Pablo Cuevas e Arthur De Greef, mas quando a homenagem começou, muitos espectadores que saíram (para banheiro, comida, etc.) ainda não haviam retornado à arena. Uma pena que tenha sido assim. Talvez tivesse sido uma ideia mais interessante fazer a homenagem na terça-feira, quando jogam Nishikori, Thiem, Bellucci e Tipsarevic. Certamente haveria mais gente nas arquibancadas.

A ressaltar: Niege Dias e Claudia Monteiro estavam na lista de homenageadas, mas não compareceram. Todas as cinco foram top 100.

Sousa também dá adeus

Se havia pouca gente na Quadra Gustavo Kuerten durante a homenagem, havia menos ainda quando João Sousa e Roberto Carballés Baena entraram para o último jogo do dia, pouco antes de 22h. E os bravos gatos pingados que nem foram recompensados com um belo jogo. Sousa, o mais cotado, jogou bem abaixo de seu melhor tênis e foi abatido por 6/3 e 6/1.

Kei Nishikori cansado

O japonês chegou hoje ao Rio – jogou e perdeu a final do ATP 250 de Buenos Aires no domingo) – e foi praticamente direto para a sala de entrevistas coletivas. Em seu inglês limitado, Nishikori afirmou que talvez vá curtir o carnaval se ganhar. O japonês admitiu que está cansado, mas falou que está “fisicamente okay”. Resta saber se será o bastante para entrar em quadra e confirmar seu favoritismo contra Thomaz Bellucci, que está descansado e mais adaptado à quadra central.

Nishikori também afirmou que será uma partida difícil. “Ele é um grande jogador no saibro, especialmente aqui eu sua cidade natal [na verdade, Bellucci é paulista]. Definitivamente, é um jogo duro. Jogamos na França a última vez e foi uma boa batalha. Estou esperando uma batalha dura desta vez.”

Dominic Thiem em cima da hora

Thiem nem foi tão longe assim no ATP 500 de Roterdã, na semana passada (caiu nas quartas diante de Herbert), mas também chegou ao Rio em cima da hora. O austríaco chegou falando da mudança de fuso horário e de piso (Roterdã foi em quadra dura), mas afirmou mais uma vez o quanto gosta de jogar no saibro. Ele enfatizou, inclusive, que se é para jogar em condições extremas como no Rio, quente e úmido, é melhor fazer isso na terra batida do que no piso sintético.

No dia 2

Pode muito bem ser o melhor dia de todo o torneio, com Thiago Monteiro, Kei Nishikori, Thomaz Bellucci, Dominic Thiem e Janko Tipsarevic na quadra central. Além disso, a Quadra 1 também é uma ótima opção, com Robredo x Fognini, Feijão x Carreño Busta e Ferrer x Dolgopolov. As duplas de Marcelo Melo e Bruno Soares ainda não estrearam e devem aparecer só na quarta.


AO, dia 4: quando Istomin desafiou a lógica e derrubou Djokovic
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Alexandre Cossenza

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Na maior zebra do torneio (e dos últimos anos no tênis), Novak Djokovic deu adeus ao Australian Open na segunda rodada, cortesia de uma atuação bravíssima do wild card Denis Istomin. O uzbeque roubou os holofotes por um dia, mas não foi só ele o único a brilhar nesta quinta-feira em Melbourne. Mirjana Lucic-Baroni também se fez notar ao eliminar Agnieszka Radwanska, a cabeça de chave número 3.

O quarto dia do torneio também teve Serena Williams levando a melhor em um jogão contra Lucie Safarova, enquanto Karolina Pliskova e Johanna Konta ampliaram suas séries de vitórias e também passaram à terceira rodada. O resumaço do dia conta tudo, inclusive os resultados de todos brasileiros, e ainda traz uma prévia do jogão entre Roger Federer e Tomas Berdych, a principal atração da sexta-feira em Melbourne Park.

A zebraça

Denis Istomin sempre foi um tenista respeitado e perigoso. Capaz de dias inspiradíssimos, mas inconsistente. Sempre que teve chances de enfrentar a elite, ficou aquém do que poderia. É o tipo de jogo legal de ver. Istomin “faz uns pontaços, a galera começa a acreditar, mas termina sempre 6/4, 6/3, 6/1”, registrei no Twitter antes de o jogo começar (seguido pelo gráfico abaixo).

E o duelo já começou equilibrado, com Istomin sempre agredindo, não fugindo do seu estilo natural. O uzbeque, atual #117 do mundo, quebrou o saque do sérvio no sétimo game, mas perdeu o serviço logo depois. Teve um set point no tie-break, mas não converteu. Era de se esperar que Djokovic, eventualmente, tomasse o controle das coisas. Não aconteceu. O #2 do mundo teve até um set point em seu próprio serviço, mas perdeu três pontos seguidos e viu Istomin fazer 7/6(8).

Tudo bem, era um set só. O jogo seguia parelho. Tipo de duelo em que o azarão, em algum momento, comete uma série de erros e vê a coisa desandar. Pois Istomin, depois de não conseguir converter dois set points no décimo game do segundo set, cometeu três erros, perdendo o saque e a parcial. Djokovic fez 7/5. Era mesmo o esperado. O jogo já tinha 2h30 de duração. O mais provável seria ver o azarão se esgotando (mental ou fisicamente), e o favorito deslanchando.

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Pois Istomin começou a sentir cãibras no terceiro set. O sérvio fez 6/2 na parcial. Jogo sob controle. O dominante Djokovic não deixaria escapar uma vantagem assim numa segunda rodada de Grand Slam, certo? Errado. O Djokovic de hoje ficou muito aquém do tenista que deu as cartas no circuito de 2014 até a metade de 2016. Não jogou mal nesta quinta, mas não mostrou nem a inspiração nem o instinto assassino de outros tempos. Não agarrou a partida como já fez tantas vezes no passado. Ainda assim, com o jogo se alongando por mais de 3h, era difícil imaginar Istomin resistindo fisicamente para virar o placar.

Só que Djokovic perdeu o saque no comecinho do quarto set. Na hora que precisava se mostrar no controle, deu ao rival uma luz no fim do túnel. Istomin se apegou a ela e lutou. O uzbeque perdeu a quebra de vantagem e perdeu também um set point no décimo game, mas foi feroz em mais um tie-break: 7/6(5).

E se é inevitável dizer que Djokovic, hexacampeão e favorito, deixou a partida escapar, é igualmente necessário frisar que Istomin tem muito mérito. Teve coragem o tempo inteiro, agredindo de forma inteligente, e jogou muito – muito mesmo! – em quase todos momentos delicados. Não piscou no quinto set, sacou horrores quando pressionado e chegou ao fim das 4h48 de partida com 63 winners (cinco a menos que Djokovic) e 61 erros não forçados (contra 72 de Nole). Um feito gigante, uma zebra enorme. Game, set, match, Istomin: 7/6(8), 5/7, 2/6, 7/6(5) e 6/4.

A um ponto de não estar em Melbourne

Istomin só disputa o Australian Open porque ganhou um wild card, que não foi um daqueles convites dados de graça. Para receber, precisou jogar um torneio de classificação chamado “AO Asia-Pacific Wildcard Play-off”, realizado em Zhuhai, na China. O uzbeque foi campeão ao derrotar na final Duckee Lee por 7/5 e 6/1.

Mas essa final quase não aconteceu. Na semi, Istomin enfrentou o indiano Prajnesh Gunneswaran, que hoje é o #319 do ranking mundial. Naquele dia, Gunneswaran teve quatro match points em seu saque no décimo game, mas não conseguiu fechar. Istomin salvou três deles com winners. Depois, perdeu três match points no 14º antes de, finalmente, fechar em 6/2, 1/6 e 11/9.

Murray mais longe na liderança

Líder do ranking com 780 pontos de vantagem sobre Djokovic, Andy Murray aumentará bastante sua distância para o sérvio. Como Nole é o atual campeão e defendia dois mil pontos, o escocês, vice em 2016, sairá de Melbourne com pelo menos 1.625 pontos de frente. Isso, claro, se não passar da terceira rodada. Caso levante o troféu, o britânico terá 3.535 pontos a mais que Djokovic.

Levando em conta que o sérvio ainda precisa defender mais dois mil pontos em março (venceu Indian Wells e Miami), enquanto Murray só somou 90 pontos no mesmo período no ano passado, é justo imaginar que o britânico não será ameaçado na liderança pelo menos até o segundo semestre.

Mais zebra

A chave feminina também teve uma zebra de grande porte passeando por Melbourne Park nesta quinta. Agnieszka Radwanska, cabeça de chave número 3, foi eliminada por Mirjana Lucic-Baroni (#79): 6/3 e 6/2.

Quem ganha com isso é Karolina Pliskova, que passa a ser a maior cabeça de chave do terceiro quadrante – o que, em tese, encontra Serena Williams na semi. Apesar de viver melhor momento, Pliskova tem um retrospecto incrivelmente negativo de sete derrotas em sete jogos contra Radwanska. Logo, a polonesa seria a mais cotada no caso de um duelo nas quartas de final.

A favorita

Serena Williams viveu outro grande momento em Melbourne. Em uma chave nada amigável, a número 2 do mundo, que já havia derrotado Belinda Bencic na estreia, agora passou por Lucie Safarova por 6/3 e 6/4. Foi um encontro mais complicado do que o placar sugere, mas se isso não fica visível nos números, é justamente por mérito de Serena. A americana jogou melhor os pontos importantes, salvando tries break points no primeiro set e outros três na segunda parcial.

Na terceira rodada, a atual vice-campeã do Australian Open vai enfrentar a compatriota Nicole Gibbs, o que, a essa altura do torneio, parece ser um refresco em comparação com as duas rodadas anteriores.

Os outros candidatos

Karolina Pliskova segue voando. A vice-campeã do US Open, que chegou a Melbourne embalada pelo título em Brisbane, alcançou sua sétima vitória consecutiva nesta quinta ao fazer 6/0 e 6/2 sobre a russa Anna Blinkova (#189). A tcheca chega à terceira rodada com apenas quatro games perdidos. Sim, sua chave foi fácil até agora, mas Pliskova tirou proveito, ganhando mais de 80% dos pontos com seu primeiro saque. Na terceira fase, ela encara Jelena Ostapenko, que bateu Yulia Putintseva, cabeça 31, por 6/3 e 6/1.

Johanna Konta vive momento semelhante. A top 10 britânica, campeã recentemente em Sydney, também venceu seu sétimo jogo seguido ao eliminar Naomi Osaka (#47) por 6/4 e 6/2. A japonesa de 19 anos até conseguiu manter o duelo parelho no primeiro set e teve, inclusive, um break point. Não conseguiu a quebra e perdeu o serviço em seguida. Era o que Konta precisava para arrancar no placar e fazer 6/4 e 6/2. A inglesa marcou um esperado confronto com Caroline Wozniacki, que eliminou Donna Vekic por 6/1 e 6/3.

Outro jogo interessante na terceira rodada será entre a #6 do mundo, Dominika Cibulkova, e a russa Ekaterina Makarova, #33. A eslovaca passou pela taiwanesa Su-Wei Hsieh por 6/4 e 7/6(8), enquanto Makarova avançou após a desistência de Sara Errani, que perdia por 6/2 e 3/2. A italiana saiu de quadra chorando, com dores na perna esquerda.

Milos Raonic, por sua vez, venceu o duelo de sacadores com Gilles Muller: 6/3, 6/4 e 7/6(4). O canadense enfrenta Gilles Simon na terceira rodada em um duelo bem interessante. Outro jogo legal da fase seguinte será entre Grigor Dimitrov e Richard Gasquet. O búlgaro bateu Hyeon Chung por 1/6, 6/4, 6/4 e 6/1, enquanto o francês atropelou Carlos Berlocq por triplo 6/1.

Por fim, fechando a programação da Rod Laver Arena, Rafael Nadal encarou Marcos Baghdatis e fez 6/3, 6/1 e 6/3, confirmando a expectativa de quase todos quando a chave foi sorteada. Ele e Zverev vão se enfrentar na terceira rodada no que parece ser um jogo-chave para ambos. Digo “chave” porque quem avançar pode muito bem alcançar a semifinal. E agora, após a queda de Djokovic, quem chegar a semifinal nesse quadrante tem chances maiores de ir à final.

Sobre a atuação desta quinta, Nadal tentou ser agressivo o tempo inteiro e, embora Baghdatis não tenha colocado em risco o placar, o espanhol teve problemas para confirmar seu saque no primeiro set. Aos poucos, Nadal foi jogando e melhor e sacando com mais eficiência – terminou com 80% de aproveitamento de primeiro serviço. O ex-número 1 chegou ao fim do encontro com 32 winners e 33 erros não forçados, o que é um número aceitável para quem agrediu tanto.

Os brasileiros

Rogerinho, único brasileiro na segunda rodada, teve uma tarde difícil diante de Gilles Simon, um adversário superior técnica e taticamente. O brasileiro conseguiu fazer pouco além de correr atrás de todas as bolas e não desistir. Nada, contudo, que compensasse a diferença no tênis jogado pelos atletas. Simon fez 6/4, 6/1 e 6/1 e colocou um ponto final na participação brasileira na chave de simples.

Nas duplas, André Sá e Leander Paes fizeram uma boa apresentação, mas levaram a virada dos cabeças de chave 10, Max Mirnyi e Treat Huey. Brasileiro e indiano venceram o set inicial e tiveram 3/0 no tie-break do segundo, mas perderam sete pontos seguidos – mais por mérito dos rivais do que por falhas próprias – e a melhor chance de fechar o jogo. Sá e Paes ainda tiveram dois break points no terceiro set, mas não converteram. Em um jogo tão parelho, custou caro. Mirnyi e Huey finalmente quebraram o serviço de Paes e venceram por 4/6, 7/6(3) e 6/4.

Em seguida, o único triunfo brasileiro do dia. Marcelo Melo e Lukasz Kubot derrotaram Johan Brunstrom e Andreas Siljestrom em três sets: 7/5, 4/6 e 6/4. Cabeças de chave #7, brasileiro e polonês vão encarar na segunda rodada o time formado por Nicholas Monroe e Artem Sitak.

Bruno Soares e Jamie Murray, atuais campeões do Australian Open, foram eliminados logo na estreia. Eles caíram diante de Donald Young e Sam Querrey por 6/3 e 7/6(5). Com os pontos perdidos, brasileiro e britânico cairão pelo menos duas posições cada no ranking. O brasileiro, que começou a semana como #3 do mundo, pode até sair do top 10. O mesmo vale para Jamie, atual #4.

Amanhã: o que esperar de Roger Federer x Tomas Berdych

A grande atração do quinto dia de jogos em Melbourne é o confronto entre Roger Federer e Tomas Berdych. O suíço, cabeça de chave 17, vem de vitórias contra Jurgen Melzer e Noah Rubin, enquanto o tcheco bateu Luva Vanni e Ryan Harrison. O favoritismo ainda é de Federer, que tem 16 vitórias e seis derrotas contra Berdych e também triunfou nos últimos cinco encontros, faturando 11 sets em sequência.

A grande questão é que Federer não fez lá grandes apresentações até agora. Contra Rubin, variou pouco seu jogo e entrou numa pancadaria desnecessária. Só levou vantagem quando tirou um pouco o peso das bolas e deu ao garotão a chance de errar. Rubin sentiu o peso e se complicou. Ainda assim, o americano conseguiu agredir os saques do suíço e teve set point na terceira parcial para alongar o encontro.

A questão é saber o quanto Federer vai insistir em pancadas do fundo de quadra contra Berdych, que gosta de bolas retas, saca melhor do que Rubin e tem a capacidade de controlar os pontos quando consegue encaixar suas devoluções. Será que Federer foi teimoso do fundo de quadra contra Rubin porque queria calibrar seus golpes e sabia que tinha margem para erro? Ou será que o ex-número 1 vai insistir mesmo nesse estilo de jogo até o fim do torneio?

A chave contra Berdych sempre foi a variação. Federer precisa encaixar muitos primeiros serviços, usar slices e subir à rede, tirando Berdych de sua zona de conforto – até porque é muito difícil passar Federer usando bolas retas, ainda mais se elas chegarem até o tcheco via slice. Se conseguir repetir seu plano de jogo dos últimos triunfos contra o rival, o suíço provavelmente chegará às oitavas. Se insistir em pancadas do fundo, a coisa pode complicar.

Se Federer perder, sairá do top 30 pela primeira vez em mais de 16 anos. A última vez que apareceu na lista da ATP além do 30º posto foi em 23 de outubro de 2000.


AO, dia 2: grande virada de Rogerinho, 75 aces de Ivo e Serena leva noivo
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Alexandre Cossenza

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Foi um segundo dia cheio de emoções em Melbourne – ainda que nenhum dos principais candidatos ao título tenha sido ameaçado. A começar pela enorme virada de Rogerinho, que começou perdendo por 2 sets a 0, mas saiu de quadra como o único brasileiro a passar para a segunda rodada.

A terça-feira do Australiana Open também teve os 75 aces de Ivo Karlovic, que colocou mais uma vez seu nome na lista de mais saques indefensáveis em uma só partida, e os nove match points salvos por Lucie Safarova. A tcheca, aliás, vai enfrentar Serena Williams, que anunciou recentemente seu noivado e tem o sortudo na torcida em Melbourne.

Este resumaço do dia ainda lembra do susto de Zverev, das vitórias confortáveis de Djokovic e Nadal e do perfeito Gran Willy de Radwanska contra Pironkova.

O brasileiro

Rogerinho, o brasileiro que mais deu sorte na chave, foi também quem mais ficou em quadra e saiu recompensado com uma grande vitória sobre Jared Donaldson, 20 anos e #101 do mundo, por 3/6, 0/6, 6/1, 6/4 e 6/4. E nem parecia que seria o caso quando o Donaldson venceu rapidinho os dois primeiros sets. O paulista não desistiu. Cresceu no jogo, passou a encaixar seu primeiro saque com mais frequência e levou a decisão para o quinto set.

Abriu com uma quebra de saque, lutou quando jogou mal e manteve o serviço a duras penas (e com um pouco de sorte, como no break point em que seu backhand tocou na fita e morreu do outro lado), mas manteve a cabeça, continuou com o plano de jogo que vinha funcionando e conquistou uma bela vitória. A comemoração foi um longo abraço em Larri Passos, que viu a partida e deu alguns toques durante a semana.

Para que não fique dúvida: Rogerinho treina com o argentino Andrés Schneiter, e Larri Passos está em Melbourne acompanhando uma tenista francesa.

O triunfo desta terça foi o sexto da carreira de Rogerinho (32 anos) em quadras duras em torneios de nível ATP. Antes, o paulista tinha vitórias no US Open em 2011 (Sorensen), 2012 (Gabashvili) e 2013 (Pospisil), nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro (Fabbiano) e em Chennai/2017 (Lajovic). O próximo passo é um duelo com o francês Gilles Simon. Os dois se enfrentaram em Roland Garros, no ano passado, e Simon confirmou o favoritismo em três sets: 7/6(5), 6/4 e 6/2.

Os favoritos

Serena Williams fez uma bela apresentação. Consciente do perigo representado por Belinda Bencic, a americana fez uma estreia muito melhor do que a média de suas apresentações iniciais em Slams. Mais do que isso, a #2 do mundo foi excelente no único momento delicado da partida: o 4/4 do primeiro set. Depois dali, Serena venceu sete games seguidos ates que Bencic ensaiasse uma frustrada reação no fim da segunda parcial. No fim, 6/4 e 6/3 para Serena.

A atuação da ex-número 1 veio diante dos olhos do noivo, Alex Ohanian, um dos fundadores do Reddit. Serena revelou o noivado há pouco tempo, em um texto no próprio Reddit, e pegou o mundo de surpresa. A história de amor era desconhecida do grande público até então. O Australian Open é o primeiro torneio com presença de Ohanian desde o anúncio.

Abrindo a sessão noturna a Rod Laver Arena, Novak Djokovic encontrou de novo Fernando Verdasco, o mesmo contra quem precisou salvar quatro match points na semifinal do ATP de Doha, há pouco mais de uma semana. Outro jogo tão parelho era improvável. E não foi, a não ser pelo segundo set, quando o espanhol esteve duas vezes com quebra de vantagem – em ambas, perdeu o serviço imediatamente em seguida – e sucumbiu no tie-break. Djokovic fez 6/1, 7/6(4) e 6/2, sem drama.

Os 75 aces de Ivo Karlovic

Quando Horacio Zeballos (#68) abriu 2 sets a 0 sobre Ivo Karlovic (#21) em 1h20min de jogo, o argentino parecia ter bem encaminhada sua passagem para a segunda rodada. Só que não foi tão fácil assim. Karlovic, o homem que mais disparou aces na história do tênis, voltou a fazer bem o que faz de melhor: confirmar serviços. Logo, a partida estava no quinto set. E que quinto set, tenso e demorado. Karlovic e Zeballos deram pouquíssimas chances em seus games de serviço, e a partida foi se alongando.

A parcial decisiva, sem tie-break, durou mais que todos os quatro sets anteriores. O croata não parava de disparar aces. No 42º game, Karlovic finalmente conseguiu dois match points. Perdeu o primeiro num rali, mas ganhou o segundo ao acertar um preciso lob de slice. Zeballos correu como um louco, mas não conseguiu colocar a bolinha na quadra. Game, set, match: 6/7(6), 3/6, 7/5, 6/2, 22/20.

Os números oficiais registraram 5h14min de jogo e 75 aces de Karlovic (33 de Zeballos). Os 75 saques indefensáveis colocam o croata na quarta posição na lista de mais aces em uma partida. Ele também ocupa o terceiro (78), o quinto (61), o sétimo (55), o oitavo (53) e o décimo (51) lugares na lista.

O recorde é de John Isner, que executou 133 aces contra Nicolas Mahut na primeira rodada de Wimbledon em 2010. Aquele jogo durou 11h05min, se alongou por três dias e é o mais longo da história do tênis. O americano bateu o francês por 6/4, 3/6, 6/7(7), 7/6(3) e 70/68. Mahut fez 103 aces naquele dia.

Outros candidatos

Alexander Zverev, o “prodígio”, fez um set decente, outros dois pavorosos e esteve a poucos games de uma eliminação desastrosa. Robin Haase, #57, assumiu a dianteira no placar e teve até uma quebra de vantagem no quarto set. Bastava confirmar seu saque, o mas o holandês jogou um pavoroso sexto game, deu quatro pontos de graça a Zverev e colocou o adolescente de volta na partida.

O alemão de 19 anos nem fez lá dois sets irretocáveis, mas fez seu básico enquanto Haase continuava a cometer duplas faltas e dar pontos de graça. O placar final mostrou 6/2, 3/6, 5/7, 6/3 e 6/2, e se Zverev tem motivo para comemorar sua sobrevivência no torneio, também precisa se preocupar com a consistência. É preciso mais para que ele consiga o salto que todos acreditam que ele pode dar para brigar por títulos e pelas primeiras posições do ranking.

O lado bom para o fã de tênis é que ainda existe a possibilidade da badalada partida de terceira rodada entre Zverev e Rafael Nadal. O espanhol, aliás, também estreou com vitória: fez 6/3, 6/4 e 6/4 sobre o alemão Florian Mayer. Nadal não perdeu nenhum game de serviço – o que é mais importante hoje em dia do que já foi no passado – quebrou Mayer uma vez em cada set e faz lances bonitos como sempre – inclusive a paralela do tweet abaixo.

Também desse lado da chave, Milos Raonic fez 6/3, 6/4 e 6/2 sobre Dustin Brown. O canadense é favorito para pelo menos alcançar as quartas de final, quando enfrentará o vencedor da seção que tem Monfils, Kohlschreiber, Nadal e Zverev.

Na chave feminina, considerando seu histórico de fiascos em rodadas iniciais de Slam, Karolina Pliskova fez uma bela estreia. No primeiro jogo do dia na Rod Laver Arena, a vice-campeã do US Open despachou rápido a espanhola Sara Sorribes Tormo (#106) em poco mais de uma hora: 6/2 e 6/0. Melhor ainda para Pliskova é a derrota da perigosa Monica Niculescu (#32), superada pela qualifier russa Anna Blinkova (#189) por 6/2, 4/6 e 6/4.

Johanna Konta, por sua vez, passou por um obstáculo nada simples e eliminou a belga Kirsten Flipkens (#70) por 7/5 e 6/2. A top 10 britânica, que vem de título em Sydney, avança para outro duelo perigoso. Vai encarar a japonesa Naomi Osaka (#48), que venceu um jogo duríssimo contra Luksika Kumkhum (#183) por 6/7(2), 6/4 e 7/5. Caroline Wozniacki e Dominika Cibulkova, outras que que correm por fora em Melbourne, também venceram nesta terça.

O Gran Willy

Por fim, no último jogo da Rod Laver Arena, Agnieszka Radwanska precisou de três sets, mas eliminou Tsvetana Pironkova por 6/1, 4/6 e 6/1. Foi uma boa atuação da polonesa, que só não venceu com mais facilidade porque a búlgara conseguiu – pelo menos no segundo set – agredir com eficiência o serviço frágil de Aga. Na parcial decisiva, contudo, Radwanska conseguiu alongar ralis e impor suas variações com curtinhas, slices e um pouco de tudo. E, entre tantos pontos bonitos, o Gran Willy do vídeo acima foi o ponto alto.

Nove match points

Não é todo dia que alguém perde tantas chances assim de fechar um jogo. A ex-top 20 Yanina Wickmayer teme nove match points contra a tcheca Lucie Safarova no segundo set e não conseguiu converter. Safarova se defendeu de cinco match points no 12º game, com seu serviço, e de mais quatro pontos no tie-break. Quando conseguiu forçar o terceiro set, avançou cheia de moral, enquanto Wickmayer sucumbiu: 3/6, 7/6(7) e 6/1.

O prêmio por tanto esforço? Um duelo com Serena Williams na segunda rodada. Sim, tcheca e americana, que fizeram a final de Roland Garros em 2015, agora vão se encontrar na segunda rodada de um Slam. O favoritismo, claro, é de Serena que tem um histórico de 9 a 0 em confrontos diretos contra a tcheca.


Quadra 18: S03E01
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Alexandre Cossenza

Se tem Grand Slam, tem Quadra 18. O podcast de tênis mais popular do país começa sua terceira temporada analisando as chaves do Australian Open e fazendo aquele costumeiro exercício de imaginação sobre o que pode acontecer nas próximas duas semanas em Melbourne.

Do jeito descontraído de sempre, Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu falamos de ATP, WTA, duplas e até damos dicas preciosas (é verdade!) de como passar madrugadas inteiras vendo tênis sem cair no sono. Para ouvir, basta clicar no player abaixo. Se preferia baixar para ouvir depois, clique neste link com o botão direito do mouse e selecione “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’13” – Cossenza apresenta os temas
1’23” – Quem é “o” favorito na chave masculina? Murray ou Djokovic?
3’02” – Djokovic e a chave mais fácil do que a de Murray
7’35” – O que esperar de Federer e Nadal?
8’13” – O esperado jogo-chave entre Nadal e Zverev na terceira rodada
9’21” – A expectativa por um Djokovic x Dimitrov
11’12” – A divertida seção com Fognini, Feliciano, Haas e Paire
12’42” – Troicki pode desafiar Wawrinka?
13’32” – A expectativa por Raonic x Dustin Brown e Cilic x Janowicz
14’25” – Quem ganha Bellucci x Tomic?
14’18” – Jo-Wilfried Tsonga x Thiago Monteiro e Rogerinho x Donaldson
16’33” – Palpites para azarão do torneio
18’28” – Palpites para decepção do torneio
20’17” – Down Under (Men at Work)
21’05” – A chave de Serena é tão difícil assim?
23’34” – A chave e a preocupante forma de Angelique Kerber
25’18” – A seção favorável de Garbiñe Muguruza
25’56” – Simona Halep, agora vai?
26’42” – E o que dizer de Venus Williams?
27’30” – Karolina Pliskova e a expectativa por seu primeiro Slam como top 5
30’24” – O caminho de Radwanska
31’15” – Palpites para campeã, zebra e decepção
33’35” – Cheap Thrills (Sia)
34’30” – Novos times e velhos favoritos no circuito de duplas
37’05” – O começo não tão animador de Melo e Kubot
39’28” – A nova parceria de André Sá e Leander Paes
40’07” – Serena começar devagar os Slams faz o jogo com a Bencic mais perigoso?
41’14” – Dimitrov chegou no momento “ou vai ou racha” da carreira?
42’25” – Qual dos topos se complicou mais na chave?
42’54” – As cotações das casas de apostas para a chave masculina
44’29” – Existe uma temperatura máxima para interromper os jogos em Melbourne?
45’25” – Qual a quadra mais legal para ver jogos no Melbourne Park?
48’40” – “Dormir é para os fracos?” e dicas para ver o torneio na madrugada


AO 2017: o guia da chave masculina
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Alexandre Cossenza

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E lá vamos nós de novo. Mais um torneio do Grand Slam. Un evento incomum pelas posições de Roger Federer (cabeça 17) e Rafael Nadal (9) na chave, mas um torneio com todos elementos comuns de um típico Australian Open. Novak Djokovic como favorito, Andy Murray cotadíssimo, duelos fortíssimos já na primeira rodada, expectativa de calor, etc. e tal. Vocês sabem o esquema.

As chaves foram sorteadas nesta sexta-feira, o que significa que é hora de analisar não só o momento de cada tenista, mas quais desafios ele vai encontrar pela frente e se suas chances de ir longe em Melbourne aumentaram ou diminuíram depois disso. É também a hora de olhar os azarões e começar a imaginar quem pode pegar todo mundo de surpresa nas próximas duas semanas. E é isso que tento fazer nas linhas abaixo. Role a página, fique por dentro e, depois, fique à vontade para deixar seus palpites nos comentários.

Os favoritos

Pra começar, há dois candidatos mais claros neste torneio. Novak Djokovic e Andy Murray. Nesta ordem, que leva em consideração a final de Doha, vencida pelo sérvio em cima do britânico. Sim, foi apenas um ATP 250, mas não dá para desconsiderar o peso psicológico de um jogo daqueles, brigado e com quase 3h de duração. Por isso, Nole sai na frente, pelo menos no papel.

A chave de Djokovic não é a mais fácil, mas não me parece complicada pelo “ponto de vista Djokovic”, ou seja, pelo estilo de jogo e pelo histórico de confrontos diretos dos adversários. “Ah, mas Nole não estreia contra Verdasco, que quase venceu em Doha?”, pode imaginar alguém. Sim, mas vai ser necessário um alinhamento de 38 planetas e 17 asteroides para aquilo acontecer de novo. Desde já, esse Djokovic x Verdasco da primeira rodada é meu grande favorito a “jogo cheio de expectativa que acaba dando sono”.

Depois disso, Djokovic pega Istomin/qualifier, possivelmente Carreño Busta na terceira rodada, Dimitrov/Gasquet nas oitavas e o vencedor da seção com Thiem, Feliciano, Karlovic e Goffin nas quartas. A maior casca de banana aí parece o confronto de oitavas, mas Djokovic venceu os últimos dez jogos contra Gasquet (perdeu só um set!) e bateu Dimitrov seis vezes em sete encontros. A única vitória do búlgaro aconteceu em 2013, no saibro de Madri. Não me parece lá um retrospecto tão animador para o azarão, embora precisemos levar em conta o recente ressurgimento de Dimitrov, que atropelou e foi campeão em Brisbane, batendo Thiem, Raonic e Nishikori em sequência.

Lembremos também que Djokovic tem em sua metade da chave Milos Raonic, o que é melhor do ter Stan Wawrinka na semifinal. Além disso, Federer também ficou na outra metade da chave, o que não deixa de ser bom para para o sérvio.

O sorteio não foi tão amigável com Andy Murray, embora não tire seu status de favorito na metade de cima da chave. Vários elementos podem jogar contra o número 1 do mundo em momentos diferentes, a começar por possíveis duelos com Querrey na terceira rodada e Isner/Pouille nas oitavas. Embora Murray seja um excelente devolvedor, não é difícil imaginar esses jogos em rodadas diurnas, com sol forte e bolinhas voando mais rápidas ainda, o que não é nada bom para o #1.

Além disso, Murray provavelmente vai precisar passar por Federer, Berdych ou Nishikori nas quartas. Berdych não seria o maior dos problemas, mas o japonês costuma causar problemas para o escocês. Além disso, se o suíço chegar às quartas, terá passado por Berdych e Nishikori e estará em excelente forma. Ou seja, o cenário não é dos mais animadores para Murray.

As “lendas”

Federer estreia contra um qualifier, pega outro qualifier na segunda rodada e deve encarar Tomas Berdych já na terceira fase. Considerando que o suíço chega a Melbourne como cabeça de chave 17, está longe de ser o pior dos cenários, mesmo com um eventual confronto com Kei Nishikori nas oitavas. O japonês, lembremos, sentiu dores no quadril em Brisbane e não se sabe se estará 100% para o início do Australian Open. Acredito que a forma física de Nishikori será chave. Caso o asiático consiga alongar uma partida com Federer, suas chances aumentam. Caso contrário, o suíço pode bem se encontrar na segunda semana diante de Andy Murray nas quartas.

Nadal, cabeça 9, também não teve um sorteio dos piores, mas seu caminho tem uma pedra grande: Alexander Zverev na terceira rodada. O adolescente alemão, contudo, ainda não tem uma vitória grande num Slam. Esse jogo pode muito bem determinar um semifinalista, já que o vencedor sairá com status de favorito pelo menos até as quartas de final, quando Milos Raonic, o cabeça 3, pode aparecer.

Os brasileiros

Thomaz Bellucci e Thiago Monteiro vão estrear contra cabeças de chave, o que nunca é bom. O paulista vai encarar Bernard Tomic, o que não é desastroso. Afinal, entre todos cabeças que Bellucci poderia enfrentar, pegará um contra quem tem retrospecto favorável (2 a 1). É bem verdade que Tomic joga em casa, onde supostamente (favor colocar negrito mental e ler beeeeem devagar a palavra su-pos-ta-men-te!) não gostaria de dar (mais um) vexame. Mas também é inegável que tudo pode acontecer quando o australiano entra em quadra. Por outro lado, é bem possível que Tomic esteja pensando o mesmo de Bellucci: “tudo pode acontecer”.

Monteiro vai encarar Jo-Wilfried Tsonga. Sim, o mesmo Tsonga que ele derrotou no Rio Open do ano passado. Desta vez, na quadra dura, sem o insuportável calor carioca (onde todos tenistas dizem que é muito mais difícil jogar do que em Melbourne) e valendo por Grand Slam. É outro nível de importância. E Tsonga, às vezes vulnerável em torneios menores, não perde uma estreia em Slam desde 2007, quando ganhou um convite para o Australian Open e pegou Andy Roddick, então número 7 do mundo, na primeira rodada.

Rogerinho teve melhor sorte. Estreia contra Jared Donaldson, #101 do mundo. O americano vem de boa campanha em Brisbane, onde furou o quali, eliminou Gilles Muller na estreia e até venceu o primeiro set contra Nishikori na segunda rodada. O japonês acabou levando a melhor. De qualquer maneira, é melhor do que estrear logo contra um cabeça de chave. Se avançar, o paulista vai enfrentar o vencedor do jogo entre Gilles Simon e Michael Mmoh.

A grande ausência

Juan Martín Del Potro afirmou que não estaria pronto fisicamente já em janeiro e decidiu abortar o primeiro Slam da temporada. Ele também não quis (como nunca quis mesmo) jogar na temporada sul-americana de saibro e vai começar 2017 jogando em quadras duras. Resumindo? O argentino curtiu bem as férias (vide tweet abaixo) e não quis forçar seu corpo.

Os melhores jogos na primeira rodada

O que não falta é jogo bom e por um monte de motivos diferentes. Comecemos pelos cabeças de chave. Stan Wawrinka x Martin Klizan é o tipo de confronto em que o suíço precisa entrar firme. Um diazinho ruim de primeira rodada pode acabar com seu torneio, já que o eslovaco tem aqueles dias de bater forte em todas as bolas e acertar tudo. Vale ficar de olho. O mesmo perigo existe para Gael Monfils, que enfrenta Jiri Vesely, e para Marin Cilic, que duela com o “perturbado” Jerzy Janowicz. Só deus sabe o que sai da raquete do polonês.

Outro jogo intrigante é Dolgopolov x Coric, cujo vencedor encara Monfils ou Vesely, o que faz dessa seção a mais imprevisível do torneio. Falando em imprevisibilidade, já mencionei acima Bellucci x Tomic, mas cito também Youzhny x Baghdatis (dois malucos gente boa). Vale prestar atenção também em Haas (sim, Tommy Haas, AQUELE, que está de volta!) x Paire e Kyrgios (lesionado) x Elias porque não dá para descartar uma zebra do português aqui.

No quesito “fim provável, meio improvável”, recomendo acompanhar Raonic x Brown porque embora o canadense seja favoritíssimo, não dá pra perder os momentos de brilho do alemão. E, por fim, o confronto mais quente, com sangue latino, entre Fognini e Feliciano López. Até porque a coisa não acabou bem quando os dois se enfrentaram em Wimbledon no ano passado (vejam o vídeo acima).

O que mais pode acontecer de legal

De modo geral, as atenções vão mesmo continuar voltadas para o desenrolar das campanhas de Federer e Nadal e como elas vão afetar o andamento das chaves, mas algumas outras formações bem interessantes podem vir na segunda rodada ou nas seguintes, como um encontro entre Dominic Thiem e João Sousa. Outro jogo esperado mais para a frente é Gasquet x Dimitrov, que pode acontecer na terceira rodada. E também, meio escondido no meio disso tudo, imagino um interessante jogo entre Raonic e Taylor Fritz na segunda rodada.

Os tenistas mais perigosos que ninguém está olhando

A essa altura, todo mundo já está prestando atenção em quem jogou bem nas primeiras semanas. São os casos de Zverev, que bateu Federer na Copa Hopman, e de Dimitrov, campeão em Brisbane, por exemplo. Ainda assim, alguns nomes mereciam mais atenção. Acho que João Sousa é um deles. O português, #44, segue obtendo resultados acima do que normalmente se espera. Não me parece nada impossível imaginá-lo batendo Jordan Thompson e Dominic Thiem nas duas primeiras rodadas. Resta saber, porém, em que condições físicas Sousa chegará a Melbourne, já que ainda está em Auckland, onde disputa a final.

Outro tenista que eu gosto e que cedo ou tarde vai ser uma realidade em torneios maiores é Taylor Fritz, 19 anos e #91 do mundo. Tem um saque gigante, golpes potentes de fundo e uma movimentação até boa para seu 1,93m de altura. Ano passado, já conseguiu um punhado de resultados relevantes. Falta, claro, maturidade. E sua chave em Melbourne não é das piores. Ele enfrenta Gilles Muller, outro “sacador” na estreia e, se vencer, pega Milos Raonic, alguém com um jogo muito parecido com o seu. Existe uma janelinha para ele dar esse salto já neste Australian Open.

Onde ver

A ESPN transmite o Australian Open com exclusividade e em dois canais: ESPN e ESPN+. Fernando Meligeni e Fernando Nardini também tocam o Pelas Quadras, programa diário com convidados que aborda o que acontece no torneio e vai ao ar sempre às 21h (de Brasília).

Nas casas de apostas

Na casa virtual bet365, a lista de mais cotados tem, nesta ordem, Djokovic, Murray, Wawrinka, Nadal, Raonic, Federer, Nishikori, Kyrgios, Dimitrov e Cilic no top 10. Vale notar a distância entre as cotações de Murray (paga US$ 2,62 para cada dólar apostado), segundo favorito, e Wawrinka (13), o terceiro.

O guia feminino

Não vai dar tempo de publicar o guia para a chave feminina ainda hoje. Ele deve pintar aqui no blog amanhã (sábado). Até lá!


Quadra 18: S02E13
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Alexandre Cossenza

Teve muito tênis na Ásia, mas também teve muita polêmica e assunto quente nos últimos dias. Primeiro, com a redução da pena por doping de Maria Sharapova e a consequente “briga de textões” entre a russa, a ITF e o empresário Max Eisenbud. Depois, com a notícia de que a Justiça Federal vai investigar Jorge Lacerda, presidente da CBT, e Dacio Campos, comentarista do SporTV. Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu relatamos os fatos e damos nossas opiniões sobre o caso Maria e o cenário nebuloso do tênis brasileiro.

Mas este episódio do podcast é um pouco diferente. Aproveitando a presença de vários atletas do país no Challenger de Campinas e contando com participações mais do que especiais de Marcelo Melo (direto de Pequim) e Bruno Soares (direto de Tóquio), desvendamos as preferências dos tenistas no mundo pop. Música seriados, filmes e tudo mais. Para descobrir quem ouve Wesley Safadão e quem já fez maratona de Supernatural, basta clicar no player abaixo. Se preferir baixar e ouvir depois, clique neste link com o botão direito do mouse e selecione a opção “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’20” – Sheila apresenta os temas, Aliny e Cossenza se apresentam
3’10” – O resumo do caso Sharapova e a redução de sua suspensão
3’55” – A resposta agressiva de Sharapova e a “tréplica” da ITF
6’00” – A decisão da Corte Arbitral do Esporte surpreendeu?
08’00” – O quanto a postura de Sharapova tem do elemento marketing?
08’45” – O quanto a imagem de Sharapova ficou prejudicada no circuito?
09’15” – A turnê de entrevistas mudou a opinião da maioria sobre o caso?
10’50” – Como o caso Lepchenko joga contra a justificativa de Sharapova
12’14” – “Faltou um pouquinho de humildade para a Maria”
14’22” – “O discurso da Sharapova é rancoroso e beira o mimado”
16’20” – A pior consequência desse caso de doping para Sharapova
17’40” – O resumo do caso envolvendo a denúncia do MP contra Jorge Lacerda
20’50” – As explicações de Lacerda, Dacio Campos e Ricardo Marzola
23’30” – O quanto o caso prejudica o tênis brasileiro
25’30” – The Currents (Bastille)
26’03” – Sheila introduz o bloco POP do podcast
26’21” – Marcelo Melo manda recado e fala sobre suas preferências
30’07” – “O Marcelo é a minha mãe”
32’47” – Bruno Soares fala de Ed Sheeran, Ben Affleck e Skank
37’50 – Thiago Monteiro cita Safadão, John Mayer, Breaking Bad e DiCaprio
40’45” – “Qual o filme preferido do DiCaprio de vocês?”
44’05” – Comentários aleatórios sobre Wesley Safadão
45’23” – Rogerinho fala de futebol no videogame, Rappa, cavaquinho e violão
48’05” – Prioridades: respondemos se Rogerinho joga FIFA ou PES
52’21” – Felipe Meligeni Alves fala de funk, Prison Break e filmes de terror
54’50” – “Assustador como o Felipe lembra o Fino”
56’11” – Zormann fala sobre Supernatural, Sherlock e Batman vs Super-Homem
58’53” – “Qual o filme do Batman preferido de vocês?”
61’17” – Quando Murray comemorou gravações de Sherlock
62’09” – Orlandinho fala sobre Drake, Ariana Grande, GOT e maratonas de seriados
65’00” – Nossas maratonas de seriados
67’20” – As preferências de Aliny Calejon
69’53” – Os preferidos de Alexandre Cossenza
72’24” – Sheila Vieira e suas preferências


NY, dia 1: Garbiñe assusta, Djokovic preocupa, Nadal empolga
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Alexandre Cossenza

Para um primeiro dia de Slam, a segunda-feira que abriu o primeiro US Open com teto retrátil no Estádio Arthur Ashe (sim, o estádio da foto abaixo, clicado no show que antecedeu a sessão noturna) foi bastante interessante. Não teve grandes zebras – nem a queda de Richard Gasquet chocou tanto assim -, mas contou com partidas intrigantes de Garbiñe Muguruza, Rafael Nadal e Novak Djokovic. Angelique Kerber também venceu, mas seu jogo só serviu para alimentar a primeira polêmica do torneio. O resumo do dia traz um pouco de tudo que rolou.

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Os favoritos / A primeira polêmica

Entre os homens, o primeiro dos quatro cabeças a estrear foi Rafael Nadal (#5), que encarou Denis Istomin (#107) e passou por cima: 6/1, 6/4 e 6/2, chegando a vencer nove games seguidos nos primeiros dois sets. Ainda é cedo e o espanhol não foi tão exigido assim, mas Nadal deu bons sinais. Sacou bem (e com potência!), agrediu bastante do fundo de quadra e foi consistente quando a ocasião pediu. Com uma chave acessível até pelo menos as quartas de final, terá tempo de afiar seu tênis e chegar bem na segunda semana. Se a lesão no punho deixar, os outros candidatos que se cuidem.

Na chave feminina, Angelique Kerber (#2) ficou apenas 33 minutos em quadra. Sua adversária, a eslovena Polona Hercog (#120), abandonou quando perdia por 6/0 e 1/0, alegando tonturas sob o forte sol desta segunda-feira. Até aí, tudo bem. O problema é que o abandono não foi muito bem recebido por Donna Vekic, que perdeu na última rodada do quali e aguarda uma vaga como lucky loser. A croata foi sarcástica no Twitter ao ver o resultado:

Indagada sobre o assunto, Hercog disse não saber o que dizer porque “ela não sabe o que estava acontecendo. Não sei como ela pode julgar.” A eslovena ainda disse “não é minha culpa se ela perdeu na última rodada do quali.”

Na sessão noturna do Ashe, pouco depois de uma apresentação de Phil Collins, Novak Djokovic (#1) derrotou Jerzy Janowicz (#247) em quatro sets: 6/3, 5/7, 6/2 e 6/1. Aqui valem todas as ressalvas do tipo “ainda é cedo”, mas foi uma atuação preocupante para os fãs do sérvio. Djokovic, que chegou a Nova York ainda se recuperando de uma lesão no punho esquerdo, pediu atendimento médico e recebeu tratamento no cotovelo direito ainda no início do jogo.

Seus saques estiveram abaixo do esperado – a velocidade média do segundo serviço ficou em 140 km/h (em Wimbledon, a mesma média ficou na casa dos 150 km/h) e seu jogo não mostrou nada de especial nesta segunda. O duelo poderia até ter se complicado não fossem a inconstância e as 13 duplas faltas de Janowicz, que pouco fez no terceiro e no quarto sets. O grande mérito de Djokovic foi a consistência (18 erros não forçados em quatro sets).

Ao fim do jogo, o número 1 do mundo fugiu duas vezes da pergunta sobre o atendimento em seu braço. Cantou e dançou até finalmente afirmar apenas que ninguém está 100% em todos os jogos e que não era a hora de falar naquilo. Resta saber se é (mais) alguma coisa que ele vai carregar para o resto do torneio ou se foram dores ocasionais que desaparecerão com tratamento ao longo dos dias.

Cabeças que rolaram

Richard Gasquet (#15) foi o principal cabeça de chave a dar adeus nesta segunda-feira. O francês disse que a lesão nas costas que o tirou de Wimbledon não incomodou em Nova York, mas a impressão era de que ele não estava 100% fisicamente. De qualquer modo, Kyle Edmund (#84) foi muito superior. O britânico disse inclusive ter jogado melhor do que esperava no triunfo por 6/2, 6/2 e 6/3.

Quem também se despediu foi Martin Klizan (#29), embora sua derrota seja uma surpresa muito mais pelo placar do que pelo adversário. O russo Mikhail Youzhny (#61) aplicou 6/2, 6/1 e 6/1.

A chave feminina também teve um punhado de cabeças rolando, mas parece justo dizer que nenhum dos resultados causou grande abalo. Coco Vandeweghe (#30) foi eliminada por Naomi Osaka (#81); Sara Errani (#28) tombou diante de Shelby Rogers (#49); Irina-Camelia Begu (#23) caiu diante da Lesia Tsurenko (#99); e Misaki Doi (#32) perdeu para Carina Witthoeft (#102).

O susto

Garbiñe Muguruza (#3) não esteve tão perto assim da eliminação, mas assustou seus fãs quando perdeu o primeiro set por 6/2 para a qualifier belga Elise Mertens (#137). A espanhola, no entanto, se aprumou, aplicou um pneu no segundo set e venceu por 2/6, 6/0 e 6/3. Não foi a estreia dos sonhos, mas Muguruza também fez uma primeira partida preocupante em Roland Garros e não perdeu sets depois, batendo inclusive Serena Williams na final.

Seria uma coincidência enorme se acontecesse de novo, mas o importante é sobreviver nos dias ruins, e a número 3 do mundo fez isso nesta segunda. Muguruza, lembremos, é uma das tenistas com chance de sair de Nova York no topo do ranking mundial (veja as chances no tweet abaixo).

A ressaca olímpica

A tarefa não era mesmo das mais fáceis. Depois da conquista olímpica, Mónica Puig (#35) virou um ícone de Porto Rico. Fez aparições por toda parte e carregou a medalha de ouro por onde esteve. Acabou derrotada na primeira rodada do US Open pela chinesa Saisai Zheng (#61): 6/4 e 6/2.

No papel, o resultado deixa mais fácil a vida de Muguruza, que enfrentaria Puig na terceira rodada. Foi a porto-riquenha, lembremos, que aplicou 6/1 e 6/1 e despachou a espanhola dos Jogos Olímpicos Rio 2016. Muguruza agora só enfrentará uma cabeça de chave nas oitavas, quando terá pela frente quem sair da seção que tem como Konta e Bencic como nomes mais fortes.

O acidente

Na vitória sobre o luxemburguês Gilles Muller (#37) por 6/4, 6/2 e 7/6(5), Gael Monfils (#12) tentou uma defesa quase de beisebol (que faria sentido no estádio do NY Mets, pertinho de Flushing Meadows) e acabou deixando o relógio do fundo de quadra completamente despedaçado.

A aboborização

Francis Tiafoe, 18 anos e #125 do mundo, esteve a dois pontos de derrotar John Isner (#21) e conquistar sua primeira vitória em um Slam, mas se afobou no tie-break do terceiro set e deixou o compatriota entrar no jogo. Tiafoe também sacou para fechar o jogo no quinto set, mas cedeu a quebra quando jogou uma direita fácil no meio da rede. Isner não perdoou e venceu o tie-break decisivo, fechando em 3/6, 4/6, 7/6(5), 6/2 e 7/6(3).

Depois de ver sua carruagem virar abóbora, o adolescente deu um grande abraço e não queria soltar o veterano. Isner, que disparou 35 aces, sobreviveu para enfrentar Steve Darcis na segunda rodada. Depois da queda de Gasquet, Isner pode encontrar um cabeça de chave apenas nas oitavas de final. Pode ser, quem sabe, um duelo com Novak Djokovic.

Correndo por fora / O recorde noturno / O patrocínio vetado

Além de Marin Cilic, campeão do US Open em 2014, a lista de candidatos ao título que venceram nesta segunda inclui também Milos Raonic (#6), que superou Dustin Brown (#86) por 7/5, 6/3 e 6/4.

Na chave feminina, Petra Kvitova (#16) teve seu saque quebrado no primeiro e no terceiro games, mas se recuperou e nem precisou de três sets. Fez 7/5 e 6/3 em cima de Jelena Ostapenko (#36).

O último jogo do dia já começou tarde, por conta do show de Phil Collins e da partida não-tão-rápida de Djokovic. Madison Keys (#9) perdeu o primeiro set, esteve uma quebra atrás na segunda parcial e até viu a compatriota Alison Riske (#60) sacar em 5/4 no tie-break do segundo set, mas escapou por pouco. A top 10 acabou triunfando por 4/6, 7/6(5) e 6/2.

O encontro terminou à 1h48min da manhã (horário local), estabelecendo um novo recorde para fim de jogo mais tarde em uma partida feminina no US Open.

A grande curiosidade da noite, porém, foi o veto da USTA ao plano de Madison Keys de usar a marca de um patrocinador tatuada na pela (tatuagem temporária, claro). A ideia foi do agente da moça, Max Eisenbud, o mesmo empresário de Sharapova. Sim, ele é o cidadão que seria responsável por ler as mudanças na lista de substâncias proibidas pela Wada, mas não o fez “porque deixou de viajar para o Caribe nas férias” (bom argumento, não?).

A intenção era driblar uma proibição da Nike, que não deixa que seus atletas usem marcas de outros patrocinadores na roupa. A Nike até concordou com a tatuagem, mas o plano foi impedido pela USTA, organizadora do torneio. Segundo o porta-voz da entidade, as regras para torneios do Grand Slam proíbem patrocínio co corpo. Leia mais no link do tweet acima.

Os brasileiros

Em uma jornada pavorosa, Thomaz Bellucci (#65) acabou eliminado pelo russo Andrey Kuznetsov (#47): 6/4, 3/6, 6/1 e 7/6(5). O número 1 do Brasil teve todas as chances do mundo para voltar na partida – inclusive depois de salvar três match points no quarto set – contra um adversário errático, mas não conseguiu. Como alcançou a terceira rodada no ano passado, Bellucci perderá pontos e cairá pelo menos para o 75º posto na lista da ATP.

Rogerinho (#108) deu azar no sorteio e até fez uma apresentação bem digna, dando trabalho para Marin Cilic (#9), mas acabou eliminado em três sets: 6/4, 7/5 e 6/1, em 2h de jogo. O paulista também perderá posições no ranking, indo parar em 120º na melhor das hipóteses. Rogerinho pode até ser ultrapassado por Feijão, que não passou pelo quali do US Open e joga esta semana um Challenger em Curitiba.

Por fim, Guilherme Clezar (#203), que furou o qualifying e deu a sorte de enfrentar outro qualifier na estreia, venceu o primeiro set e sacou em 5/4 no tie-break da segunda parcial, mas acabou superado pelo suíço Marco Chiudinelli (#144): 2/6, 7/6(6), 6/2 e 6/4.

Os melhores lances

Não foi lá um ponto fantástico, mas um único golpe espetacular. Vale ver o forehand vencedor de Nadal que lhe deu a quebra decisiva no segundo set contra Denis Istomin. Um canhão.


RG, dia 2: drama de Murray, susto de Wawrinka e derrotas brasileiras
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Alexandre Cossenza

A chuva voltou a atrasou mais uma vez a programação em Roland Garros, mas desta vez teve tênis e sobrou emoção. Primeiro, com Wawrinka e Muguruza vivendo momentos de tensão. Depois, com Andy Murray andando na corda bamba e os brasileiros – Thomaz Bellucci e Rogério Dutra Silva – enfrentando franceses em ótima forma. O resumaço do segundo dia fala sobre tudo isso, lembra das cabeças que rolaram e inclui até uma ação publicitária de Marcelo Melo.

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Os favoritos

O maior drama do dia, seguramente, foi vivido pelo Andy Murray. Cabeça de chave 2, #2 do mundo, vindo de um título em Roma em cima de Novak Djokovic, o britânico chegou pela primeira vez a Roland Garros como sério candidato ao título. Tudo isso quase foi jogado pela janela nesta segunda-feira, diante de Radek Stepanek. O experiente tcheco, cheio de variações e evitando dar ritmo a Murray, abriu 2 sets a 0, fazendo 6/3 e 6/3 e deixando o mundo inteiro em alerta.

O escocês reagiu a tempo de evitar um fiasco. Fez 6/0 na terceira parcial, chegou a nove games seguidos e parecia navegar tranquilo para forçar o quinto set quando a partida foi paralisada por falta de luz natural. Quando os dois tenistas voltarem à quadra na terça-feira, o placar mostrará Stepanek liderando por 2 sets a 1, mas com Murray à frente por 4/2 no quarto set.

Embora não tenha fechado a parcial enquanto o momento lhe era favorável, Murray se deu bem com a interrupção. Diante de um tenista perigoso como Stepanek, é sempre arriscado entrar em quadra frio para jogar apenas um set. Do jeito que aconteceu, o britânico terá o fim do quarto set para calibrar golpes, aquecer e entrar com força total na parcial decisiva. O irmão, vide tweet abaixo, concorda.

Simona Halep, por sua vez, quase não teve problemas. Vice-campeã de Roland Garros e atual cabeça 6, a romena fez 6/2 e 6/0 sobre a japonesa Nao Hibino e avançou. Ela enfrentará na sequência a cazaque Zarina Diyas

Os brasileiros

Rogerinho (#85) fez uma ótima apresentação na Quadra Suzanne Lenglen, diante do sempre constante Gilles Simon (#18). O jogo, disputado com quadra bastante pesada e dois jogadores que não fogem de ralis, foi bastante longo e refletiu as características de ambos. Trocas longas, muitas quebras e equilíbrio. O primeiro set, decidido no tie-break, durou mais de 1h10min. O segundo, quase uma hora.

O brasileiro teve chances. Começou o jogo com 3/0 e duas quebras de frente. Na segunda parcial, abriu 4/2. Simon, no entanto, foi sempre mais consistente, dando menos pontos de graça e exigindo bastante de Rogerinho. No fim, o tenista da casa saiu vencedor por 7/6(5), 6/4 e 6/2.

Thomaz Bellucci também enfrentou um adversário respeitável, mas fez muito pouco diante de Richard Gasquet (#9). O francês começou a partida vencendo os primeiro cinco games e nunca deixou o brasileiro à vontade em quadra. Bellucci, que chegou a ter 15 games perdidos em sequência (comando os dez contra Delbonis em Genebra), até teve bons momentos no jogo, mas os 32 erros não forçados nos dois primeiros sets (em 16 games) facilitaram a vida do oponente.

Gasquet acabou vencendo por 6/1, 6/3 e 6/4, sem sustos. Bellucci, que cometeu 46 erros não forçados ao todo (contra 19 de Gasquet), agora soma oito vitórias e 15 derrotas na temporada. Depois de começar a temporada como 37º do mundo e entrar no top 30 em fevereiro, Bellucci vem em queda e já deixou o top 50. Nesta semana, é o #57 e pode cair mais ao fim do torneio francês.

As cabeças que rolaram

Entre os homens, Marin Cilic, cabeça 10, provavelmente foi a vítima da maior zebra do dia. O croata, que vinha de disputar a final do ATP de Genebra no sábado, tombou espetacularmente diante do argentino Marco Trungelliti (#166), que vinha do qualifying: 7/6(4), 3/6, 6/4 e 6/2.

O revés significa uma bela chance desperdiçada para Cilic, que estava numa chave em que enfrentaria Troicki na terceira rodada e, talvez, Raonic nas oitavas. Não era nada impossível imaginá-lo nas quartas contra Wawrinka – sim, o mesmo Stan que oscilou e quase também deu adeus nesta segunda-feira.

Na chave feminina, Sara Errani, cabeça 16, e Karolina Pliskova, cabeça 17, foram as primeiras a dar adeus. A italiana encerrou uma péssima passagem pelo saibro europeu com derrota por 6/3 e 6/2 para a búlgara Tsvetana Pironkova, enquanto a tcheca foi eliminada de virada pela americana Shelby Rogers: 3/6, 6/4 e 6/3.

A maior pré-classificada a dar adeus foi Roberta Vinci, cabeça 7, que foi rapidamente eliminada por Kateryna Bondarenko (#62) : 6/1 e 6/3. É o fim de uma péssima sequência para a vice-campeã do US Open, que sofreu quedas na estreia também em Madri e Roma.

Vinci estava numa seção bastante acessível da chave, sem grandes especialistas em saibro. Ela lá que estava também Karolina Pliskova. Agora, a “favorita” para alcançar as oitavas é Petra Kvitova, cabeça 10, mas tão imprevisível que requer sempre o uso de aspas para a palavra favorita.

Os sustos

O maior susto do dia veio logo no primeiro jogo da Quadra Philippe Chatrier, com Stan Wawrinka correndo o risco de se tornar o primeiro campeão de Roland Garros na história a ser eliminado na estreia no ano seguinte.

A estratégia kamikaze de Lukas Rosol, combinada com os momentos de inconstância do suíço, deixaram o jogo equlibrado. Quando o tcheco abriu 2 sets a 1, acabou a margem de erro para o campeão, que reagiu bem, vencendo as parciais seguintes. Stan até salvou um break point no começo do quinto set, mas não teve outros sustos na parcial, fechando o jogo por 4/6, 6/1, 3/6, 6/3 e 6/4.

A espanhola Garbiñe Muguruza (#4) também deu susto em seus fãs. Perdeu a primeira parcial para Anna Karolina Schmiedlova (#37) e, por um momento, parecia destinada a dar adeus atacando e errando do começo ao fim do jogo. Schmiedlova, no entanto, perdeu nove break points no primeiro game do segundo set, e Muguruza quebrou na sequência, mantendo a vantagem até o fim da parcial.

No set decisivo, Muguruza quase perdeu uma enorme frente. Sacou em 4/1, mas foi quebrada no sexto game e precisou salvar um break point no oitavo para evitar o empate da rival. No fim, confirmou o favoritismo e fechou em 3/6, 6/3 e 6/3.

Correndo por fora

Kei Nishikori foi o primeiro dos grandes candidatos ao título a entrar em quadra. No domingo, porém, a chuva impediu o término de seu jogo, então o japonês precisou fazer uma aparição rápida nesta segunda. E foi rápida mesmo. Apenas o suficiente para completar o triunfo sobre Simone Bolelli: 6/1, 7/5 e 6/3.

Cabeça de chave 2, Agnieszka Radwanska raramente é colocada entre as favoritas ao título. Seu histórico no saibro não justificaria mesmo. Sua estreia, porém, foi tranquila, fazendo 6/0 e 6/2 sobre Bojana Jovanovski.

Quem também corre por fora e triunfou nesta segunda foi Milos Raonic, que bateu Janko Tipsarevic (lembram dele?) por 6/3, 6/2 e 7/6(5).

Os adiamentos

Por causa da chuva – sim, ela de novo – a rodada começou com 2h30min de atraso. Quando os primeiros tenistas entraram em quadra, a organização já tinha decidido transferir 12 partidas: Cornet x Flipkens, Ivanovic x Dodin, Svitolina x Cirstea, Suárez Navarro x Siniakova, Jankovic x Maria, Rodionova x Konjuh, Zheng c Xibulkova, Cuevas x Kamke, Townsend x Hesse, Nara x Allertova, Wang x Andrianjafitrimo e Chung x Halys.

Dominika Cibulkova, aparentemente, aproveitou bem a folga.

Ao fim do dia, outros jogos interrompidos: Pouille vencia Benneteau por 2 sets a 1, Isner e Millman empatavam após dois tie-breaks, Doi liderava o segundo set contra Stosur após a australiana vencer a primeira parcial, Voskoboeva e Zhang ainda estavam em 5/5 no primeiro set, e Ekaterina Makarova liderava por 4/1 e saque o terceiro set contra Varvara Lepchenko.

Lances bacanas

A imagem não ajuda, mas fica o registro do impressionante backhand de Rogerinho, defendendo um smash cruzado de Simon e atacando na paralela para conseguir uma quebra de saque.

Leitura recomendada

Do blog de Diana Gabanyi, ex-assessora de Gustavo Kuerten, chefe de operações de imprensa do Rio Open e que está todos os anos em Roland Garros. No texto de hoje, ela fala sobre como o Slam do saibro vai ficando para trás em comparação com os outros três grandes.

Fanfarronices publicitárias

Em ação publicitária da Centauro chamada “Coisas que só o Marcelo Melo faz”, o número 1 do mundo faz truques com a raquete e a bolinha dentro de uma das lojas. Ótima iniciativa da rede de artigos esportivos.


Roland Garros 2016: o guia (versão masculina)
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Alexandre Cossenza

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Equilíbrio, pero no mucho. Com Rafael Nadal campeão em Monte Carlo, Novak Djokovic levantando o troféu em Madri, e Andy Murray conquistando o território romano, é de se imaginar que está “tudo aberto”, como gostam de dizer por aí, em Roland Garros 2016. Na prática, não é bem assim. O número 1 do mundo, mais consistente entre os três, ainda é o nome mais cotado.

Qualquer coisa que seja um título de fora deste trio será uma grande surpresa. Até mesmo se o imprevisível e imprevisivelmente genial Stan Wawrinka tirar da cartola mais duas semanas espetaculares e repetir a façanha de 2015. E quem corre por fora, além de Wawrinka? Kei Nishikori e Dominic Thiem são os primeiros nomes na cabeça de quase todos. Milos Raonic não pode ser totalmente descartado, ainda que o piso não lhe seja o mais favorável.

O porquê do favoritismo de Djokovic e a lista de nomes que podem surpreender nas próximas semanas é o que tenta avaliar este guiazão da chave masculina. Role a página, leia e faça sua previsões se quiser.

Os favoritos / Quem se deu bem

Soa paradoxal afirmar que Novak Djokovic teve um sorteio favorável ao mesmo tempo em que o sérvio caiu do mesmo lado de Rafael Nadal na chave. Só que o número 1 do mundo parece ter um caminho bastante tranquilo até a semi, o que lhe permite tempo para calibrar os golpes, testar táticas e poupar o corpo. Depois da estreia contra Lu, Djokovic pega Ilhan/Darcis na segunda rodada, e Delbonis/Carreño Busta/Melzer/Bedene na terceira. Nas oitavas, encara quem avançar no grupo que tem Bautista Agut, Tomic, e Coric. Enfim, nas quartas, seus adversários mais perigosos em potencial seriam Ferrer, Berdych, Feliciano e Cuevas. Há que se considerar e ressaltar aqui o mau momento de Ferrer e Berdych, que contribui bastante para abrir o caminho ao sérvio.

Nadal tem uma rota mais turbulenta, que pode incluir Fognini já na terceira rodada, Thiem nas oitavas e Tsonga/Goffin nas quartas. Nada disso, porém tira – até as semifinais – o favoritismo do eneacampeão (tente escrever isso sem parar pra pensar em incluir um ponto de exclamação em algum lugar) !!! (Pensei e decidi incluir assim mesmo). O grande ponto de interrogação aqui é sobre o quanto Nadal conseguirá evoluir até as semifinais. Desde Indian Wells, o atual #5 do mundo vem crescendo e se mostrando mais sólido a cada dia. O duelo de Roma, contudo, mostrou que ainda falta algo para construir uma ameaça real a Djokovic. Os próximos dez dias serão fundamentais, e é até possível que a chave mais dura ajude Nadal nessa tarefa.

Entre os três principais cabeças, eu escolheria a chave de Andy Murray como a minha preferida. Um pouco porque Wawrinka, o cabeça mais forte dessa metade, não deu indícios até agora de que chegará à semifinal, mas também porque o único adversário real para o britânico até lá parece ser Kei Nishikori. É bem verdade que Murray pode ter um daqueles dias pavorosos e ficar pelo caminho enquanto esbraveja consigo mesmo dentro de quadra, mas não é isso que os últimos torneios sugerem. Também ajuda o fato de que Gasquet e Kyrgios caíram no mesmo quadrante do japonês. Assim, o britânico só enfrentará um deles.

Por fim, Wawrinka não deu azar. Se aprumar seu jogo a tempo, tem boas chances de ir longe em um caminho que tem Rosol na estreia, Klizan/Daniel na segunda rodada e possivelmente Chardy ou Mayer na terceira. Seu adversário de oitavas sai do grupo que tem Simon, Troicki, Dimitrov e Pella. Se chegar às quartas, Stanimal enfrentaria o “campeão” do setor de Raonic, Cilic, Pouille e Sock. Não parece nada ruim, certo? É como se o sorteio mandasse um “me ajuda a te ajudar” para o suíço. Resta saber se Wawrinka vai conseguir fazer o dever de casa.

Os brasileiros

Como ninguém venceu nem um jogo no quali, o Brasil começa a chave principal com Thomaz Bellucci e Rogerinho. O sorteio não foi nada generoso. O número 1 do Brasil enfrenta Richard Gasquet, cabeça 9, logo de cara. Se vencer, tem um bom jogo contra o vencedor de Querrey x Fratangelo antes de, quem sabe, duelar com Nick Kyrgios na terceira rodada. Há muito em jogo na partida de estreia.

O primeiro de Rogerinho será contra Gilles Simon, o cabeça de chave 16. Um dos maiores azarões do evento (vide cotações no fim do post), o número 2 do Brasil enfrentará Schwartzman ou Pella se passar por Simon. Em uma eventual campanha até a terceira rodada, o rival deve ser Dimitrov ou Troicki.

A grande ausência

Depois de 65 Slams disputados de forma consecutiva, Roger Federer ficará fora de Roland Garros. Recuperando-se de uma lesão nas costas (é, pelo menos, a versão oficial, embora há quem suspeite do joelho operado), o suíço optou por não jogar no saibro francês e voltar na temporada de grama.

A decisão faz todo sentido do mundo. Mesmo em 100% de condições, Federer não seria favorito ao título. Sem estar em um momento ideal fisicamente e sem fazer uma preparação adequada na terra batida, não há por que o suíço se desgastar em jogos melhor de cinco sets. Com o currículo que tem, Federer não tem motivo para se preocupar com o ranking ou com pontinhos aqui e ali.

Sua meta é conquistar torneios grandes, e sua melhor chance de vencer um Slam continua sendo Wimbledon. Jogar em Roland Garros agora poderia agravar a lesão e, aí sim, prejudicar sua participação no Slam da grama.

Os melhores jogos nos primeiros dias

São vários os duelos interessantes logo na primeira rodada em Roland Garros. Que tal Bellucci x Gasquet de saída? Ou Almagro x Kohlschreiber, outro jogo com enorme potencial? A lista de jogos imperdíveis ainda inclui Dimitrov x Troicki, Raonic x Tipsarevic, Fritz x Coric, Tomic x Baker e, se você gosta de jogo típico de saibro, vale ficar ligado em Schwartzman x Pella.

Entre os jogos envolvendo favoritos, não dá para descartar a possibilidade de zebra, ainda que pequena, em Wawrinka x Rosol, e o duelo entre Murray e Stepanek deve render meia dúzia de lances bacanas de conferir.

O que pode acontecer de mais legal

Por não ser cabeça de chave, Alexander Zverev ficou quase escondido no quadrante que tem Rafael Nadal. Se confirmar seu favoritismo contra Herbert na estreia, o alemão de 19 anos, #48 do mundo, deve encarar Kevin Anderson na segunda rodada. O sul-africano, vale lembrar, só venceu um jogo no saibro este ano, e Zverev é um grande candidato a zebra aqui. Se vencer, pode até reencontrar Dominic Thiem, contra quem decide o título de Nice neste sábado. Será?

Os tenistas mais perigosos que ninguém está olhando

Adoro escalar Marin Cilic para esta seção dos guias de Slams, em parte porque o croata costuma ser subestimado por muitos. Neste caso, porém, Cilic está fora do radar porque não fez nenhum torneio no saibro até esta semana, em Genebra. Só que a campanha em Genebra, que inclui uma vitória na semifinal sobre Ferrer (que está em péssima fase, é verdade) e uma decisão contra Wawrinka, pode ser um indício de algo interessante em Paris. O campeão do US Open de 2014 caiu em uma seção não tão dura (o mesmo quadrante de Wawrinka) e pode muito bem ir mais longe do que muita gente está prevendo.

Um raciocínio parecido pode se aplicar a Jack Sock, que pode encarar Cilic na terceira rodada. O americano, dono de um top spin considerável no forehand, tem resultados interessantes no saibro em 2016 (final em Houston, oitavas em Madri) e, na semana certa, tem potencial para aprontar. Por enquanto, é difícil imaginá-lo perdendo antes da terceira rodada. Se vencer esse jogo, deve encarar Raonic nas oitavas. Não seria a maior zebra do mundo se conseguisse dar mais esse passo.

Onde ver

A transmissão é do Bandsports, que diz, em suas notícias, que mostrará o evento em “canal e site”. O hotsite do canal para o torneio, no entanto, ainda contém apenas as notícias do ano passado.

Nas casas de apostas

O favoritismo de Novak Djokovic é amplo. Na bet365, um título do número 1 do mundo paga 1,80/1, ou seja, o apostador que investir um dólar receberá 1,80 de volta se Nole for campeão. Andy Murray (5/1) e Rafael Nadal (5,50/1) vêm logo atrás. O top 10 de favoritos ainda tem, na ordem, Wawrinka (13/1), Nishikori (21/1), Thiem (41/1), Kyrgios (67/1), Tsonga (67/1), Raonic (67/1) e Berdych (81/1). Apenas a título de curiosidade, Bellucci paga 501/1, enquanto Rogerinho paga 2001/1. Os maiores azarões são Rajeev Ram e Brian Baker, ambos cotados em 3001/1.

Na Betfair, as cotações na tarde desta sexta-feira eram assim: Djokovic (1,91), Murray (5,1), Nadal (7,4), Wawrinka (16,5), Nishikori (30), Thiem (70), Kyrgios (85), Tsonga (140), Ferrer (160) e Goffin (250).

O guia feminino

Com tanta coisa para analisar, pesquisar, escrever e editar, não vai dar tempo de publicar o guia para a chave feminina ainda hoje. Ele deve pintar aqui no blog amanhã (sábado), um pouco antes do podcast Quadra 18, que terá uma edição especial pré-RG cheia de palpites. Temos até um quiz desta vez. Então, segurem suas calças porque muita coisa ainda vai rolar por aqui. Até o próximo post!


Semana 19: Andy, Serena e as cartas embaralhadas antes de Roland Garros
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Alexandre Cossenza

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O aniversariante Andy Murray foi campeão em um grandíssimo Masters 1.000 de Roma, Serena Williams voltou a levantar um troféu e brasileiros como Thomaz Bellucci, Teliana Pereira e Rogerinho viveram bons momentos na última semana.

Este resumaço dos últimos dias no circuito inclui Serena Williams experimentando comida para cachorro, a linda homenagem a Flavia Pennetta, (mais) um anúncio de Juan Martín del Potro, uma discussão entre Stan Wawrinka e Carlos Bernardes, a chave do qualifying masculino de Roland Garros e alguns dos lances mais bacanas do período.

O campeão

Aniversariante do dia, vindo de um vice em Madri e com uma chave fraquíssima em Roma, Andy Murray aproveitou a janela que se abriu. O escocês completou 29 anos e comemorou duplamente após derrotar Novak Djokovic por duplo 6/3 na final do torneio italiano.

O resultado quebrou uma sequência de 17 triunfos do número 1 do mundo contra top 10 e deixou tudo meio que embaralhado no circuito masculino antes de Roland Garros. Afinal, em Monte Carlo, Murray perdeu de Nadal, que em Madri perdeu de Djokovic, que perdeu de Murray em Roma. No papel, o favorito segue sendo o sérvio, mas seria irresponsável não admitir que espanhol e britânico estão fortes na briga.

O título pouco afetou porque, na prática, Murray voltou para a vice-liderança do ranking quando Roger Federer foi derrubado por Dominic Thiem. Agora, no entanto, é oficial: o escocês soma 8.435 pontos no ranking e tem boa vantagem sobre o suíço, #3, que acumula 7.015.

Aliás, ainda paira dúvida sobre a participação de Federer no Slam do saibro. Depois de desistir de Madri e não se mostrar totalmente recuperado em Roma, o ex-número 1 pode precisar escolher e decidir que estar em Roland Garros prejudicará sua preparação para Wimbledon. É na grama do All England Club, afinal, que o suíço tem mais chances de voltar a triunfar em um Major.

A campeã

No Premier 5 de Madri, Serena Williams voltou a vencer um torneio. Foi a 70ª vez em sua carreira, mas é bom lembrar que veio em uma chave esburacada. No caminha até o título, a número 1 superou Friedsam, McHale, Kuznetsova, Begu e Keys. Angelique Kerber, cabeça 2, perdeu na estreia para Eugenie Bouchard, que, por sua vez, perdeu para Strycova na rodada seguinte. Não por acaso, foi campeã sem perder nenhum set.

Just won title number 70 today in Rome… 70 never felt better

A photo posted by Serena Williams (@serenawilliams) on

Apesar do eterno favoritismo de Serena, o circuito feminino também é uma incógnita. Victoria Azarenka saiu de Roma com dores nas costas, e ninguém mais mostrou consistência suficiente para se colocar acima do pelotão-pós-Serena. Do grupo que tem Kerber, Halep, Muguruza, Kvitova, Radwanska e Pliskova (será que ela merece lugar aqui?), tudo pode acontecer.

A número 1 no banheiro

Serena Williams contou a história via Snapchat. Pediu o cardápio de comidas para seu cachorro, achou a comida com uma cara boa e decidiu provar. No fim das contas, foi parar no banheiro achando que ia desmaiar. A coletânea de “snaps” foi parar no YouTube.

Pelo menos a número 1 do mundo entrou em quadra bem de saúde o suficiente para derrotar a compatriota Christina McHale por 7/6(5) e 6/1.

A briga pelo número 1

A disputa pela liderança do ranking de duplas está quentíssima. Marcelo Melo resiste na frente, mas terá a dura tarefa de defender o título de Roland Garros nas próximas semanas. Logo atrás dele estão Nicolas Mahut, Jamie Murray e Horia Tecau. Quem será que sairá de Paris no topo?

Os brasileiros

O grande nome da semana foi Thomaz Bellucci, que deu sorte na chave e, enfim, aproveitou chances. Primeiro, ao derrotar um Gael Monfils em um dia pavoroso. Depois, batendo Nicolas Mahut, que vinha de aprontar uma zebra sobre Pablo Cuevas. E, por último, em uma bela apresentação contra Novak Djokovic. Bellucci aplicou um pneu no set inicial (o sérvio não sofria um 6/0 desde Cincinnati/2012, diante de Federer) e não venceu porque o número 1, um tanto errático na primeira parcial, se aprumou a tempo. No fim, Djokovic fez 0/6, 6/3 e 6/2.

Teliana Pereira voltou a ganhar uma partida e, mais uma vez, sobre Annika Beck. A alemã foi a vítima de duas das três vitórias da brasileira em 2016. Em seguida, valendo vaga nas oitavas de final, Teliana foi superada em dois sets pela espanhola Carla Suárez Navarro, #11, por 6/1 e 7/5. De positivo, a brasileira leva os pontos e uma bela reação na segunda parcial, na qual chegou a estar atrás por 5/1. Depois de começar a semana no 90º posto, Teliana aparece agora em 81º.

No circuito Challenger, Rogerinho foi campeão em Bordeaux (US$ 100 mil) ao bater o americano Bjorn Fratangelo por 6/3 e 6/1 na final. Os 100 pontos conquistados jogam o paulista para o alto, subindo nove posições no ranking e indo parar no 85º lugar. O post deixa Rogerinho perto da zona de classificação para os Jogos Olímpicos Rio 2016. Roland Garros será a última chance para somar pontos e se colocar entre os 56 primeiros do ranking olímpico (que respeita o limite de quatro atletas por país e exige participação na Copa Davis). Levando em conta os nomes que já anunciaram que não vão ao Rio de Janeiro, a chance de Rogerinho nem é tão pequena assim…

Thiago Monteiro, André Ghem e Feijão também estavam em Bordeaux. Feijão não passou do quali, Monteiro perdeu nas oitavas e Ghem caiu nas quartas.

No mundo dos ITFs femininos, Paula Gonçalves e BIa Haddad disputaram o torneio de Saint-Gaudens, na França. Bia furou o quali, mas caiu na estreia. Paula foi mais longe e só parou nas semifinais, superada pela grega Maria Sakkari, cabeça de chave 2 do evento. A russa Irina Kromacheva foi campeã.

Por fim, no ITF de La Marsa (US$ 25 mil), Laura Pigossi furou o qualifying sem jogar (era cabeça 1 numa chave de 16 com 15 participantes e oito vagas na chave), e foi eliminada por uma tenista que jogo o quali. A algoz foi a cazaque Galina Voskoboeva, que aplicou 6/1 e 6/4.

A separação

A grande notícia da semana foi a separação de Andy Murray e sua (ex) técnica, Amélie Mauresmo. O anúncio veio logo na segunda-feira, sem dizer de quem tinha sido a decisão. Pouco depois, o Daily Mail publicou as primeiras frases do tenista sobre o assunto. O escocês disse que não estava dando certo porque os dois vinham passando pouco tempo juntos (Mauresmo teve filho recentemente). Leia aqui, em inglês.

A homenagem que faltava

Quando disputou seu último jogo oficial, no fim do ano passado, Flavia Pennetta pegou a raqueteira e deixou a quadra. Sem cerimônia, sem vídeo no telão, sem muito obrigado… Nada. O torneio de Roma não deixou passar e fez a homenagem que a campeã do US Open merecia. A WTA publicou um vídeo com 28 minutos do que aconteceu na terça-feira, na capital italiana.

O mal-entendido

Mais uma polêmica envolvendo um tenista top e o árbitro brasileiro Carlos Bernardes. O juizão aplicou uma advertência no tenista suíço por “obscenidade audível”, mas Stan ficou furioso. Segundo o campeão de Roland Garros, a frase que Bernardes pensou conter um “fuck” foi, na verdade, “why do we practice so much?”. Wawrinka ainda perguntou “você quer ver a câmera e ouvir?” e “como você pode me dar uma advertência por isso?”

Bernardes disse que ouviria a gravação e que, se estivesse errado, pediria desculpas e Wawrinka não seria multado. O suíço, que havia perdido o primeiro set, só perdeu mais dois games depois da discussão e derrotou o francês Benoit Paire por 5/7, 6/2 e 6/1, avançando às oitavas de final.

Sem Roland Garros

Juan Martín del Potro não disputará o Slam do saibro. Em mensagem aos fãs, o argentino disse que “por causa da evolução mostrada nas últimas semanas”, conseguirá pela primeira vez jogar um grupo de torneios em sequência. Por isso, começará logo os treinos na grama. Delpo não confirmou os torneios, mas disse que espera terminar a série juntando-se ao time da Copa Davis.

Soa um tanto estranho quando um tenista diz que houve “evolução” em uma condição física e que vai poder fazer uma sequência de torneios, mas, ao mesmo tempo, acha melhor desistir de um evento tão importante. Resta torcer para que Del Potro esteja falando a verdade e que, no futuro, não precise mais deixar de competir em um Slam.

Lances bacanas

Era só um treino, mas Gael Monfils consegue transformar tênis no concurso de enterradas da NBA…

Na curiosa partida entre David Ferrer e Filippo Volandri, aconteceu este ponto maluco que nem tento descrever. Veja abaixo.

Volandri, que começou a semana como #203 e precisou passar pelo qualifying em Roma, não jogava uma chave principal de nível ATP desde Gstaad/2014. Aos 34 anos, o italiano não vence um jogo neste nível desde Buenos Aires/2014, quando bateu o qualifier Christian Garin. Já são 13 derrotas consecutivas, incluindo o revés diante de Ferrer, #9, por 4/6, 7/5 e 6/1.

As opções eram muitas no jogaço de quartas de final entre Djokovic e Nadal, mas que tal lembrar do ponto que decidiu o primeiro set?

A melhor história

Não é a melhor, mas talvez seja a mais curiosa. A revista americana Sports Illustrated perguntou a tenistas, técnicos, blogueiros e todo tipo de gente envolvida com o tênis se não seria melhor um sistema diferente de pontuação. A publicação sugere uma contagem em que cada set seria até 24 pontos, mais ou menos como em um enorme tie-break. A ideia é se desfazer do sistema de games. Você pode ler a repostagem aqui, em inglês.

A maioria não foi a favor, mas muitos ficaram intrigados com as mudanças que um novo sistema de pontuação provocaria no tênis. É, também o meu caso, embora eu ache os argumentos usados pela Sports Illustrated fraquíssimos.

Os posts da semana

Dois momentos marcantes do Masters 1.000 de Roma foram o pneu aplicado por Bellucci sobre Djokovic e o jogaço entre o número 1 do mundo e Rafael Nadal. Sobre o brasileiro, escrevi sobre o que chamo de sua “luta interna” neste post. Quando à suposta final antecipada (para alguns), escrevi sobre o significado daquele duelo para sérvio e espanhol neste texto aqui.

O qualifying francês

Enquanto alguns tenistas disputam os últimos ATPs antes de Roland Garros, a turma do qualifying entra em quadra já nesta semana. Entre eles estão Feijão, Ghem, Monteiro e Clezar. Veja a chave inteira aqui.

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Semana 17: um argentino exemplar e um búlgaro pateta (e Almagro voltou!)
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Alexandre Cossenza

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Cinco torneios pequenos e, mesmo sem os maiores nomes do tênis presentes, muito assunto. Desde o ridículo “abandono” de Grigor Dimitrov em Istambul até o “retorno” de Nicolás Almagro em Estoril, passando por um raro gesto de esportividade protagonizado por Rogerinho. Houve também um forehand voador de Nick Kyrgios, uma bolada de Federico Delbonis em um gato e um processo por injúria. É hora do resumaço da semana, então role a página e fique por dentro.

Os campeões e o idiota

Não dá para ressaltar a conquista de Diego Schwartzman no ATP 250 de Istambul sem, antes, comentar o gesto desprezível de Grigor Dimitrov. O búlgaro, #29, veceu o primeiro set e teve 5/2 no segundo. Sacou para o título no nono game, mas foi quebrado e perdeu a parcial. O argentino, buscando o primeiro título da carreira, disparou no placar. Abriu 5/0 no terceiro set e… Dimitrov enlouqueceu.

Depois de sacar em 40/15 e perder dois game points, o búlgaro, que já tinha sido advertido com um point penalty, foi até o árbitro de cadeira, indicou o que faria e destruiu a raquete. Depois, logo cumprimento o juizão, sabendo que levaria um game penalty e perderia o jogo. Um gesto de frustração, sim, mas de uma deselegância gigante, impedindo que o adversário tivesse o gosto de festejar o match point em seu primeiro título. O vídeo abaixo mostra:

Schwartzman, 23 anos e #87, acabou com o título por 6/7(5), 7/6(4) e 6/0. Seu primeiro troféu em nível ATP o lançou para o 62º posto no ranking mundial e, mais do que isso, deu um recado ao resto do circuito. Se o diminuto argentino, com cerca de 1,60m de altura (a ATP diz 1,70m, mas quem já esteve ao lado do argentino sabe que ele mede bem menos) e nenhum golpe espetacular consegue um título de ATP, muita gente também poderia conseguir.

Era um torneio, digamos, acessível, e Schwartzman aproveitou as chances que o destino lhe jogou. Em vez de reclamar de azar por enfrentar o principal pré-classificado na segunda rodada, colocou na cabeça que Tomic era vulnerável no saibro e entrou em quadra disposto a vencer. Depois disso, bateu Dzumhur, Delbonis e Dimitrov. E tem todos os méritos de qualquer outro campeão.

O ATP 250 de Munique começou com neve (em abril!) e terminou com um campeão caseiro. Philipp Kohlschreiber levantou o troféu depois de superar o austríaco Dominic Thiem (22 anos, #15) por 7/6(7), 4/6 e 7/6(4). Um placar quase redentor para o alemão, que perdeu a decisão do ano passado também em um tie-break de terceiro set – Andy Murray venceu aquele jogo.

Kohlschreiber agora tem sete títulos na carreira. Cinco deles vieram no saibro, e três foram em Munique. Foi lá, aliás, que o alemão – hoje com 32 anos e #25 do mundo após a vitória deste domingo – venceu um torneio pela primeira vez. Foi em 2007, com vitória de virada sobre Mikhail Youzhny na decisão.

Por fim, no ATP 250 de Estoril, Nicolás Almagro “voltou”. O espanhol, hoje com 30 anos, está recuperado de uma cirurgia no pé esquerdo que lhe afundou no ranking em 2014 e lhe fez jogar qualifyings de ATPs e até alguns Challengers. Ao aplicar 6/7(6), 7/6(5) e 6/3 no compatriota Pablo Carreño Busta, Almagro levantou seu primeiro troféu desde 2012.

A conquista não veio sem drama. Almagro sacou duas vezes para o primeiro set e não fechou. Depois, abriu 6/2 no tie-break e perdeu oito pontos consecutivos. Na segunda parcial, sacou em 5/3 e foi quebrado. Mesmo assim, venceu o tie-break, forçou a parcial decisiva e finalmente triunfou. Com os 250 pontos, Almagro ganhou 23 posições no ranking e voltou ao top 50 (é o #48).

As campeãs

No WTA International de Praga, Lucie Safarova encerrou um jejum em grande estilo. Depois de perder na estreia em todos cinco torneios que disputou em 2016, a tcheca se encontrou jogando em casa e levantou o título ao derrotar Sam Stosur por 3/6, 6/1 e 6/4 na final.

Atual vice-campeã de Roland Garros, Safarova (#16) bateu Duque-Mariño, Hradeck, Hsieh e Karolina Pliskova antes da final. E, logo depois, correu para o aeroporto rumo a Madri. O torneio espanhol começou no sábado, e tanto Safarova quanto Stosur tinham a estreia marcada para este domingo.

No WTA International de Rabat, no Marrocos, a suíça Timea Bacsinszky (#15) era a cabeça de chave número 1 e confirmou o favoritismo. Perdeu apenas um set durante toda a semana e levantou o troféu após derrotar a qualifier neozelandesa Marina Erakovic (#186) por 6/2 e 6/1 na final.

Semifinalista de Roland Garros no ano passado, Bacsinszky ainda não tinha um título no saibro na carreira. A conquista em Rabat foi sua quarta em um torneio deste nível.

Os brasileiros

Em Rabat, Teliana Pereira voltou a vencer e bateu a alemã Annika Beck (#41), cabeça de chave 6, na primeira rodada: 6/3 e 6/1. Foi apenas a segunda vitória da pernambucana em 2016 e a primeira contra uma não-brasileira. Nas oitavas, Teliana (#84), caiu diante de Johanna Larsson (#64): 6/4 e 6/4. Como tinha 48 pontos a defender na semana e somou apenas 30, a número 1 do Brasil cai um pouco mais no ranking, indo parar no 89º lugar.

Teliana, aliás, também já foi eliminada do WTA de Madri, que começou no último sábado. Sua algoz foi a americana Sloane Stephens, que fez 3/6, 6/3 e 6/2. A pernambucana agora acumula duas vitórias e 11 derrotas em 2016. No ranking da temporada, ela ocupa apenas o 196º lugar.

Em Munique, Thomaz Bellucci deu sorte na estreia e contou com o abandono de Mikhail Youzhny (#76), que perdia por 6/3 e 1/0 quando deixou a quadra. Nas oitavas, porém, o paulista fez uma partida ruim e perdeu para Ivan Dodig (#75) por 7/6(5) e 6/3. Foi a primeira vez desde abril de 2015 que o croata venceu dos jogos seguidos em uma chave principal de ATP.

Em Estoril, Rogerinho estreou com vitória sobre Benjamin Becker (#92, 6/4 e 6/1) e fez uma boa apresentação nas oitavas, diante de Borna Coric (#40), mas foi eliminado em três sets: 6/3, 4/6 e 6/1. O paulista, que começou a semana como #101 do mundo, ganhou cinco posições e foi parar em 96º.

Na chave de duplas de Munique, Marcelo Melo jogou ao lado do ex-antilhano-agora-holandês Jean-Julien Rojer, apesar de Ivan Dodig, seu parceiro habitual estar nas simples do evento. Fazia frio na estreia, e o mineiro jogou com um coletinho preto de gosto questionável (combinando com short e tênis). Teve até ponto disputado sob neve.

No fim, Melo e Rojer, cabeças de chave 1, foram superados por Oliver Marach e Fabrice Martin: 6/4 e 6/4.

Promessa cumprida

Rafael Nadal prometeu e cumpriu. Na última segunda-feira, entrou na Justiça francesa com um processo contra a ex-ministra do Esporte do país Roselyne Bachelot. No tuíte abaixo, a íntegra do comunicado distribuído a imprensa, que foi amplamente reproduzido no Twitter na segunda-feira. Atenção: está lá o telefone do chefe de imprensa de Rafael Nadal, Benito Pérez-Barbadillo. Quem quiser anotar e bater um papo sobre tênis…

O espanhol também enviou uma carta à ITF, pedindo que a entidade publicasse o resultado de todos testes antidoping a que foi submetido na carreira e toda informação existente em seu passaporte biológico. A entidade, que só divulga os testes em que alguém foi flagrado, resumiu-se a responder à agência Associated Press dizendo que recebeu a carta e que Nadal nunca testou positivo.

Lances bacanas

Em Estoril, Nick Kyrgios conseguiu executar um winner contra Borna Coric com este forehand voador:

Kyrgios venceu a partida por duplo 6/4, mas parou na fase seguinte – a semifinal – diante de Nicolás Almagro, que aplicou 6/3 e 7/5.

A Aliny Calejon, dona do site Match Tie-break, registrou um dos pontos disputados enquanto caía neve na partida de Marcelo Melo em Munique. Olha aí!

Lances não tão bacanas

Em Istambul, um gato invadiu a quadra durante o jogo entre Federico Delbonis e Diego Schwartzman. A solução encontrada por Delbonis foi dar uma bolada no gatinho. Sei não, viu? Não pegou lá muito bem. Tanto que o árbitro de cadeira aplicou uma advertência por conduta antiesportiva.

Nomes na ponta da língua

A WTA resolveu perguntar a suas tenistas como pronunciar os nomes de algumas de suas rivais. O resultado foi esse divertido vídeo abaixo:

A ideia deve ter partido de alguma jornalista querendo vingança, não?

O porta-bandeira

Já era esperado, mas Rafael Nadal foi enfim oficializado como porta-bandeira da Espanha no desfile de abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016.

Nadal também foi escolhido para carregar as cores do país em Londres 2012, mas não foi aos jogos por causa de uma lesão no joelho. O jogador de basquete Pau Gasol, amigo de Nadal, foi quem substituiu o tenista na cerimônia.

A reforma

Na última terça-feira, Wimbledon divulgou um vídeo mostrando como ficará a Quadra 1 depois de uma grande reforma. A arena terá 900 assentos a mais, além de teto retrátil e iluminação. A obra começará em julho de 2016 e está prevista para terminar antes do torneio de 2019. Veja no vídeo abaixo.

O Slam britânico também anunciou a premiação em dinheiro. Ao todo, serão distribuídos 28,1 milhões de libras, o equivalente a US$ 40 milhões. Os campeões de simples embolsarão US$ 2,9 milhões cada. Nas duplas, o prêmio para quem conquistar os títulos será de US$ 507 mil por time. A lista completa está aqui.

Sob suspeita

Unidade de Integridade do Tênis publicou seu primeiro relatório quadrimestral, e o resultado assusta: o número de alertas em partidas suspeitas de manipulação aumento mais de 50% em relação ao mesmo período em 2015. Listei números e dados neste post publicado na terça-feira.

Acima de qualquer suspeita

Rogerinho sacava em 3/5, 15/30 contra Borna Coric nas oitavas de final de Estoril quando, no meio do ponto, o árbitro chamou “let”. O problema é que a chamada do árbitro ocorreu após o brasileiro bater na bola, que parou na rede. A sequência deixou Coric furioso, esbravejando contra o árbitro. Rogerinho, então, deu o ponto ao adversário, inclusive cedendo um set point. O croata agradeceu. Assistam!

Fica aqui ao agradecimento ao Gaspar Ribeiro Lança, do site Ténis Portugal, que acompanhou a partida e relatou o lance no Twitter.

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Semana 16: Nadal e Kerber, campeões em casa
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Alexandre Cossenza

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Em Barcelona, um campeão espanhol. Em Stuttgart, uma campeã alemã. Em Istambul, a primeira turca a conquistar um WTA na história. Em Bucareste, romenos na decisão de duplas. Foram dias interessantes para tenistas da casa (quem dera que tivesse sido assim no Challenger de São Paulo) nos torneios mais importantes da última semana pelo mapa da bolinha amarela.

Só que o eneacampeonato de Nadal e o bi de Kerber nem de longe foram os únicos assuntos. Houve anúncios de suspensões, um boleiro estabanado, um irmão tarado, uma homenagem a um brasileiro e até um match point salvo por baixo das pernas. Quer ficar por dentro? É só rolar a página…

Os campeões

No ATP 500 de Barcelona, Rafael Nadal foi campeão mais uma vez. Foi seu nono título no torneio e veio sem perder sets. O espanhol, aliás, estava em uma chave respeitável e derrotou Granollers, Montañés, Fognini e Kohlschreiber antes de bater Kei Nishikori por 6/4 e 7/5 na final. Ao fim do torneio, pulou na piscina do clube junto com os boleiros (vídeo acima).

Nadal agora soma dez vitórias consecutivas no saibro e, mais do que isso, vem jogando com mais confiança e ganhando cada vez mais pontos importantes – algo que ficou bastante claro diante de Nishikori, que converteu apenas três de 13 break points e sucumbiu nos games decisivos em ambos sets. Era o tipo de jogo que Nadal não vencia no começo do ano – e isso inclui o jogo contra Thiem em Buenos Aires (teve match point) e a partida contra Cuevas no Rio de Janeiro.

O único porém continua sendo o serviço, que foi pressionado diversas vezes por Nishikori, que teve break points em seis games diferentes, e também por Fognini, que conseguiu três quebras em dois sets. Nadal, no entanto, vem triunfando assim mesmo. Será assim também em Madri e Roma? Resta esperar pra ver.

Os números de Nadal no saibro sempre foram assustadores, mas continuam crescendo. O ex-número 1 e atual quito do ranking agora tem nove títulos em Monte Carlo, mais nove em Barcelona e outros nove em Roland Garros. Em Roma, são “apenas” sete. Veja na lista acima.

O ATP 250 de Bucareste só terminou nesta segunda-feira por causa da chuva incessante no domingo. O título ficou com Fernando Verdasco, que bateu Lucas Pouille por 6/3 e 6/2. “Fazia muito tempo que não vivia isso, ganhar um torneio ou estar em uma final”, disse o espanhol que não conquistava um título desde Houston/2014.

As campeãs

No WTA Premier de Stuttgart, duas alemãs fizeram a final, e a favorita venceu. Apesar de um ótimo começo da qualifier Laura Siegemund (#71), que sacou em 4/2, a consistência de Angelique Kerber (#3) prevaleceu. A favorita venceu dez games seguidos e defendeu seu título por 6/4 e 6/0. O resultado não altera o top 5, que continua com Serena, Radwanska, Kerber, Muguruza e Azarenka.

Laura Siegemund, porém, dá um grande salto, indo parar no 42º posto. Apesar da derrota na final, é possível dizer que tenista de 28 anos foi o grande nome da semana. Ela, afinal, derrubou Simona Halep nas oitavas (6/1 e 6/2), Roberta Vinci nas quartas (6/1 e 6/4) e Agnieszka Radwanska na semi (6/4 e 6/2). E, só por curiosidade, vale apontar que sua tese de conclusão de curso em psicologia era sobre amarelar sob pressão em esportes profissionais.

O modesto WTA International de Istambul ficou esvaziado após os recentes atentados terroristas na Turquia. A lista de inscritas que abandonaram antes do torneio inclui Azarenka, Wozniacki, Giorgi, Van Uytvanck, Watson, Cetkovska, Robson, Shvedova, Hradecka e Falconi.

O lado positivo (também conhecido como “Efeito Floripa”) é que Istambul teve uma tenista da casa na final. Cagla Buyukakcay (26 anos, #118) passou pelas cabeças de chave Lesia Tsurenko e Nao Hibino e chegou à decisão contra a montenegrina Danka Kovinic (#60), cabeça 5. Diante da rara chance, a turca aproveitou e triunfou de virada: 3/6, 6/2 e 6/3. Ela se tornou a primeira tenista do país a vencer um WTA.

Os brasileiros

O brasileiro que foi mais longe na semana foi André Sá. Em parceria com o australiano Chris Guccione, o mineiro chegou à final do ATP 250 de Bucareste e perdeu para a dupla da casa por Florin Mergea e Horia Tecau. A partida, interrompida no domingo ao fim do primeiro set, terminou com parciais de 7/5 e 6/4.

Em Barcelona, Thomaz Bellucci sofreu sua sétima derrota seguida. O algoz da vez foi o alemão Alexander Zverev, #51, que chegou a estar uma quebra atrás no terceiro set. O brasileiro perdeu por 6/3, 6/7(3) e 7/5, dando de graça o último game, quando cometeu quatro erros não forçados em sequência. Zverev fez pouco mais do que colocar a bola em jogo no game. Foi um presente e tanto para o alemão, que completava 19 anos naquele dia.

Nas duplas, também na Catalunha, Marcelo Melo e Ivan Dodig não passaram da estreia e foram derrotados por Pablo Cuevas e Marcel Granollers. Bruno Soares e Jamie Murray venceram um jogo e pararam nas quartas, superados pelos espanhóis Marc e Feliciano López.

No Challenger de São Paulo (US$ 50 mil), a melhor campanha de um brasileiro foi de Thiago Monteiro, que chegou às semifinais e perdeu para o chileno Gonzalo Lama. O cearense, que começou a semana como #201, entra no grupo dos 190 melhores e alcança o melhor ranking da carreira. Na campanha, Monteiro passou pelo equatoriano Emilio Gómez (#325), número 2 do Equador, próximo adversário do Brasil na Copa Davis.

Com o confronto no Brasil diante de um adversário que não mete medo em ninguém, parece a oportunidade perfeita para a estreia de Thiago Monteiro. Fazer seu primeiro confronto em um Zonal sem a responsabilidade de precisar vencer e contra um time fraco é a melhor maneira de fazer uma primeira aparição e sentir o calor de defender o país.

Voltando a São Paulo, quem também parou na semi foi o carioca Christian Lindell, que joga pela Suécia. José Pereira parou nas quartas, e Feijão caiu nas oitavas de final (segunda rodada). Ainda sobre o torneio paulista, vale ressaltar a campanha do americano Ernesto Escobedo, que viajou até o Brasil para disputar apenas um torneio. O garotão de 19 anos foi o sétimo adolescente americano a alcançar uma final de Challenger desde outubro do ano passado. Ao todo, são dez finais de adolescentes americanos no período, já que Taylor Fritz esteve em quatro delas.

Rogerinho, #100 do mundo e #2 do Brasil, apostou no Challenger de Turim, na Itália, e perdeu na primeira rodada para o esloveno Blaz Rola (#160): 7/6(8) e 6/4.

A homenagem

No fundo, no fundo, o brasileiro que mais brilhou na semana foi Thomaz Koch, homenageado no ATP 500 de Barcelona. O torneio lembrou o aniversário de 50 anos do título do brasileiro por lá. Tipo de coisa que entra na categoria “eles têm mais memória do que a gente” (e não me excluo do “a gente”, ok?). Thomaz Koch foi uma referência enorme para mais de uma geração de tenistas brasileiros e é importantíssimo que mais pessoas saibam disso.

Lances bacanas

Semifinal do ATP 500 de Barcelona, jogo quase perdido, aí Benoit Paire resolve fazer uma graça sacando com match point contra. Primeiro, tenta uma curtinha contra Kei Nishikori. O japonês alcança a bola, então o francês vai mais longe: um winner por baixo das pernas. Olha só!

A loucura

Parece uma daquelas lendas que a gente escuta nos clubes de tênis, mas aconteceu de verdade em um torneio profissional. O iraniano Majid Abedini, 29 anos, perdia no qualifying do Future de Antalya, na Turquia, e correu como um louco na direção do supervisor, gritando e batendo com a raquete na grade. Abedini foi desclassificado da partida e já está suspenso provisoriamente pela ITF. A entidade abriu uma investigação e, dependendo do que for apurado, o iraniano pode pegar um gancho pesado.

As melhores histórias

O texto recomendado da semana é do jornalista Steve Tignor, que faz uma análise dos tempos técnicos permitidos pela WTA. O americano cita os benefícios e as críticas geralmente feitas à regra e dá exemplos pitorescos, como a intrigante troca de palavras entre Garbiñe Muguruza e Sam Sumyk no início do ano, em Doha. O texto está em inglês neste link.

O acidente

Em Barcelona, durante o jogo entre Nicolás Almagro e Teymuraz Gabashvili, um boleiro escorregou, deu de cara na placa publicitária do fundo de quadra e… voltou à função como se nada tivesse acontecido.

O gancho

O árbitro croata Denis Pitner foi afastado do tênis por dez anos. A ITF fez o anúncio durante esta semana. Pitner teve o certificado de White Badge suspenso em agosto de 2015 por acessar uma conta em um site de apostas. Mesmo com o gancho, Pitner trabalhou no US Open/2015 e no Qatar Open/2016. Nos dois eventos, ele se apresentou como árbitro White Badge e recebeu salários equivalentes. Por tudo isso, não poderá trabalhar em eventos sancionados por ATP, WTA e ITF até 19 de abril de 2026.

O irmão tarado

O irmão do tenista-agora-britânico Aljaz Bedene se passou pelo irmão no Tinder tentando conquistar uma paixão e inclusive publicou fotos mostrando… Vocês sabem, né? Sem cueca. Andraz, o irmão, só não se deu bem porque a moça do outro lado do aplicativo sabia que Aljaz enfrentaria Rafael Nadal em breve, no Masters de Monte Carlo. Andraz, depois, admitiu ter tentado se passar pelo irmão. A pergunta que se faz, no entanto, é se teria acontecido como em um daqueles casos em que um primo distante supostamente usa a rede social do parente famoso. Será? A história, dica da Aliny Calejon, está inteira contada no Mirror.

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Quadra 18: S02E04
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Alexandre Cossenza

O CEO de Indian Wells disse que as tenistas de hoje deveriam ajoelhar e agradecer por Roger Federer e Rafael Nadal terem nascido. Em seguida, Novak Djokovic reacendeu a polêmica da igualdade de prêmios entre homens e mulheres. No meio disso tudo, Victoria Azarenka derrotou Serena Williams em uma final, enquanto o número 1 do mundo venceu mais um Masters 1.000. Nas duplas, Marcelo Melo ficou a dois pontos de perder a liderança do ranking.

Com tudo isso para comentar, Sheila Vieira e eu (a Aliny estava se recuperando de uma lesão) gravamos este episódio do podcast Quadra 18, que cobre todos assuntos acima e ainda fala do doping de Maria Sharapova. Quer ouvir? É só clicar neste link. Se preferir baixar e ouvir depois, clique com o botão direito do mouse e selecione a opção “salvar como”.

Os temas

0’14” – Sheila apresenta e lista os assuntos do dia e explica a ausência da Aliny
2’25” – Os comentários polêmicos do CEO de Indian Wells sobre a WTA
3’00” – “Bilionário que fica no camarote com uma menina de 12 anos”
8’08” – Cossenza: “A WTA tem uma parcela de culpa porque vendeu essa imagem durante algum tempo”
9’50” – As respostas de Azarenka e Serena
12’11” – Djokovic entra no assunto e provoca mais polêmica sobre premiação igual
13’40” – “Ele acabou de aplaudir as meninas, mas acha que homens devem lutar por um prêmio maior”
14’42” – Sheila: “Amigo, desce do muro”
16’30” – “Um dia, vou entender esse tabu para falar de menstruação”
17’25” – Cossenza fala sobre bastidores de negociação por prize money
19’30” – Cossenza concorda parcialmente com o raciocínio Djokovic, mas diz porque soa absurdo.
22’20” – Sheila cita história de limites impostos pela sociedade
23’20” – Maioria dos investimentos feitos no esporte são decididos por homens
26’05” – Sheila analisa a final entre Serena x Azarenka
28’25” – Cossenza lembra do point penalty e o risco de desclassificação de Serena
30’30” – O novo top 10 feminino e a volta de Azarenka
32’15” – O torneio masculino de Indian Wells e a conquista de Djokovic
33’00” – Djokovic x Nadal, a final antecipada, e a evolução do espanhol
34’45” – A fragilidade no saque, o principal problema de Rafa Nadal
36’30” – A decepção do torneio: Wawrinka ou Murray?
38’27” – A curiosa e “espetacular” Corrida para o Finals
40’05” – Nice Guys Finish Last (Green Day)
40’40” – Início do segundo bloco
40’56” – Áudio de Marcelo Melo e sua importante declaração
41’10” – Como o mineiro quase perdeu o posto de #1 do mundo
42’48” – As chances de Jamie Murray em Miami
45’05” – Os campeões de duplas em Indian Wells
45’20” – André Sá, vice-campeão do Challenger de Irving
46’30” – Bellucci, Rogerinho e Thiago Monteiro
48’10” – Sobre a cobrança e a expectativa em cima de Monteiro
50’00” – O duelo entre Bia e Teliana em Miami: bom ou ruim?
51’09” – Sheila: “A única maneira de lidar com essa loucura é fazer piada”
52’55” – A volta de Roger Federer e as mudanças em seu calendário
54’02” – A importância de ser número 2 do mundo para Federer
54’55” – O caso de doping de Maria Sharapova
57’40” – Sheila e Cossenza tentam adivinhar a punição de Sharapova
62’32” – A chance de Sharapova disputar os Jogos Olímpicos

Créditos musicais

A faixa de abertura é chamada “Rock Funk Beast”, de longzijum. Em seguida, entram Nice Guys Finish Last (Green Day) e Game Set Match (YouTube Audio Libraby).