Saque e Voleio

Arquivo : rivalidade

Por que Kyrgios x Zverev pode ser o Federer x Nadal do amanhã
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Alexandre Cossenza

O Masters de Miami testemunhou, na noite de quinta-feira, o que pode ter sido o primeiro episódio empolgante da próxima grande rivalidade do tênis mundial. Nick Kyrgios, australiano, 21 anos e #16 do mundo, derrotou Alexander Zverev, alemão, 19 anos e #20 do mundo, em um jogo espetacular, cheio de variações, jogadas espetaculares, discussões com árbitros e match points salvos. É um duelo que tem tudo para acontecer mais vezes e em fases mais importantes de torneios.

“Tem tudo…” é um grande clichê que todo mundo usa o tempo inteiro. Às vezes por preguiça, às vezes por falta de argumento mesmo. É fácil cair diante da tentação de usar uma expressão que supostamente diz muita coisa, mesmo sem especificar nada. Só que no caso de Kyrgios e Zverev, esse “tem tudo” faz sentido. Os dois são tecnicamente admiráveis. Têm slices, spins, bolas chapadas e todo tipo de variação. Ambos também possuem uma característica típica da nova geração: ótima movimentação para sua altura.

Kyrgios tem 1,93m e um saque capaz de acumular 25 aces em dois sets contra Djokovic – a melhor devolução do circuito. Sua mobilidade nunca foi espetacular, mas o australiano, que insiste em não contratar um técnico, decidiu investir em preparação física desde o fim do ano passado. O resultado está se mostrando em quadra. Kyrgios vem chegando mais inteiro em mais bolas. Seu ponto mais frágil, que era sair com pouca frequência da defesa para o ataque, já não é mais tão vulnerável. E isso só tem a melhorar.

Zverev tem 1,98m e um saque capaz de tirá-lo de situações complicadas com frequência. Foi principalmente com ele que o adolescente alemão bateu Roger Federer em Halle, no ano passado, e na Copa Hopman, no início deste ano. Só que Zverev também sabe se defender. Chega em bolas que muitos com sua altura não alcançariam e sabe usar o slice quando necessário para mudar a velocidade do jogo. Há muito tempo o tênis não vê alguém tão jovem com tantos recursos.

Comparar Kyrgios-Zverev a Federer-Nadal talvez seja sonhar muito alto. O clássico entre espanhol e suíço foi (ainda é) muito mais do que uma rivalidade por títulos e rankings. Foi um jogo de contrastes, um duelo que polarizou o mundo. Era o tênis limpo e barishnikovesco de Federer contra a camisa sem manga e suja de saibro de Nadal. Era o metrossexual homem do mundo contra o insular macho man musculoso. Era o penteado capa da Vogue contra o cabelo do Mogli. Era Mercedes contra Kia, Dubai contra Mallorca, Moët & Chandon contra pasta y gambas.

Australiano e alemão, contudo, têm lá seus contrastes interessantes. Zverev é um tenista mais pragmático. Quando precisa, faz só o básico. Kyrgios é o rebelde (aparentemente) incurável que apaga a linha que separa o louco do gênio. Não resiste à tentação de arriscar um golpe improvável, mesmo no mais delicado dos momentos. Em Miami, depois da espetacular passada por baixo das pernas do vídeo acima, o australiano forçou um Gran Willy quando tinha set point contra. Mandou na rede, perdeu o set.

Os dois têm maneiras bem diferentes de se comportar em quadra. Kyrgios é mais tudo. Fala mais, grita mais alto, reclama com mais frequência. Ele leva para a quadra um pouco do swag do basquete, seu esporte referido. Abre os braços de um jeito quase arrogante quando faz um lance de efeito. Chama a galera, ganha os aplausos. Zverev é mais discreto. Comemora consigo mesmo, tenta se manter concentrado falando pouco. A não ser quando a situação pede – como na noite desta quinta. Aí vira circo, no bom sentido da coisa, e é por isso que o mundo já está apaixonado por esse duelo.

Impossível prever o que será da carreira dos dois. Não é a tentativa deste post. Pelo contrário. Este texto é mais torcida do que previsão. Kyrgios e Zverev ainda têm uma geração fortíssima para derrubar. Federer está voando, Murray e Djokovic ainda têm alguns bons anos pela frente, Wawrinka não mostra sinais de queda e Nadal continua forte.

A questão é que fora esses cinco, ninguém atualmente mostra tênis tão versátil e com tanto potencial quanto Kyrgios e Zverev. Os dois podem bater qualquer um jogando de maneiras diferentes, em dias ótimos ou em jornadas não tão boas. E quando (ou “se”) alcançarem o equilíbrio entre físico, maturidade tenística e força mental, serão dificílimos de parar. E aposto aqui minhas pequenas cédulas de Banco Imobiliário que, como Kyrgios pediu no primeiro tweet deste post, as redes sociais vão ficar lotadas de feitos desses dois #NextGênios.

Coisas que eu acho que acho:

– Não, não foi o primeiro jogo entre eles. Quando digo, lá no alto, que pode ter sido “o primeiro episódio empolgante” é porque o primeiro duelo, há duas semanas, em Indian Wells, não empolgou. Terminou sem drama, num 6/3 e 6/4 para Kyrgios.

– Apenas torcendo para que seja uma coincidência feliz: em março de 2004, Nadal venceu o primeiro jogo contra Federer por 6/3 e 6/3. Também sem drama, sem nada realmente memorável. E ninguém imaginava que os dois se enfrentariam tanto, por tanto tempo e com tanta coisa em jogo…

– O que falta para que os dois deem o último grande salto e passem a brigar toda semana com o pessoal do top 5? Para Kyrgios, muito pouco. Com o que vem mostrando este ano, parece ser uma questão de tempo para ele mostrar seu talento com mais consistência, não só nos jogos grandes, mas nas partidas de terças e quartas-feiras sem adversários de nome ou quadras lotadas.

– Para Zverev, acredito que falta um pouco mais. Seu jogo é sólido o bastante. A cabeça, nem tanto. E nem é questão de descontrolar ou de alongar discussões inúteis como Kyrgios faz. O alemão ainda leva um pouco mais de tempo para esquecer erros bobos e superar falhas em momentos importantes. Kyrgios, por sua vez, tem uma capacidade gloriosa de brigar, gritar, quebrar raquetes e jogar o ponto seguinte como se nada tivesse acontecido.


Dez anos de Nadal x Federer
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Alexandre Cossenza

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Era 28 de março, dez anos atrás, e, meio sem expectativa, nascia a maior rivalidade do tênis moderno. Era apenas a terceira rodada do Masters 1.000 de Miami, então chamado Nasdaq 100 Open, e Rafael Nadal, número 34 do mundo na ocasião, enfrentava Roger Federer, campeão de Wimbledon, do Australian Open e líder do ranking mundial. Dois tenistas que viriam a definir – e redefinir – padrões de excelência jamais vistos na história da modalidade.

Aquele jogo (veja highlights no vídeo acima e a íntegra aqui), que significou tão pouco no ranking, começou a estabelecer tendências que ficariam mais claras após a ascensão de Nadal ao posto de número 2 e a consequente repetição de duelos. O forehand cheio de spin do espanhol já incomodava o suíço naquele primeiro encontro. Não demorou muito para o mundo reconhecer aquele golpe como o único capaz de tirar Federer do sério consistentemente. Nadal, no entanto, ainda precisaria de alguns anos para fazer ajustes no seu jogo e ameaçar o trono do suíço, soberano em todos-os-pisos-não-chamados-saibro.

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Embora o placar não seja tão equilibrado assim (23 vitórias de Nadal em 33 jogos), os confrontos entre suíço e espanhol eram – e ainda são, ora – muito mais do que partidas entre grandes tenistas. Federer x Nadal é uma exibição de contrastes. Destro x canhoto. Tênis clássico x tênis moderno. Saque-e-voleio x fundo de quadra. Técnica pura x obediência tática. Genialidade instintiva x força de vontade. E, como L. Jon Wertheim escreveu em Strokes of Genius, “Zeus versus Hércules”.

Contrastes tão nítidos que polarizaram fãs como nunca visto no tênis. Torcedores que até hoje fazem das redes sociais suas arquibancadas, onde expõem suas emoções, celebram vitórias, choram derrotas e, por que não, dirigem palavrões a árbitros, boleiros, redes, bolinhas e qualquer outro elemento que interfira no desempenho de seu tenista preferido.

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Companheiros de geração (apesar da diferença de idade) e adversários, Federer e Nadal evoluíram juntos. O espanhol que conquistou Wimbledon em 2008 – na partida que muitos consideram a maior da história – era um tenista incrivelmente superior ao que levantou a taça de Roland Garros em 2005. O suíço, por sua vez, venceu Wimbledon em 2012 atuando de forma completamente distinta daquela que apresentou na final de 2003, diante de Mark Philippoussis.

Juntos, Federer e Nadal conquistaram 30 títulos de Grand Slam em simples (17 são do suíço), mas o efeito da rivalidade no tênis foi muito mais longe. Os dois se enfrentaram em exibições em nome de suas instituições de caridade e até protagonizaram uma curiosa (e marqueteira) Batalhas das Superfícies, em uma quadra com saibro de um lado e grama do outro.

E, talvez mais importante do que tudo citado acima, Federer e Nadal foram embaixadores do tênis. Mais: dos princípios fundamentais do tênis. Mostraram que, mesmo duelando no nível máximo de sua modalidade, é possível fazê-lo com educação e respeito ao oponente. Quando um esporte tem dois expoentes assim na mesma época, deve-se para agradecer aos deuses.

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Já que o post é para marcar o décimo aniversário do primeiro encontro, que tal lembrar o que Roger Federer e Rafael Nadal falaram sobre aquele primeiro encontro (o espanhol, que pouco fala inglês, precisou de tradutor)? Para nossa sorte, a ASAP Sports, empresa que transcreve coletivas em vários torneios pelo mundo, ainda mantém no ar as entrevistas daquele 28 de março.

Vale notar alguns pontos. Primeiro, a ênfase que Nadal deu à postura que assumiu naquele dia. O espanhol de 17 anos entrou em quadra para encarar o número 1 do mundo de igual para igual. Nadal não se daria por satisfeito vencendo alguns games e apenas evitando um vexame.

Por outro lado, Federer ressaltou o quanto Nadal foi agressivo naquele dia (algo que alguns fãs do suíço se recusam a admitir dez anos depois), falou da dificuldade que encontrou para lidar com o forehand cheio de spin do adversário e lembrou do olhar de respeito do oponente quando os dois entraram na quadra. Abaixo, reproduzo, em tradução livre, alguns trechos.

Rafael Nadal

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“Obviamente, ele não jogou seu melhor tênis e por isso consegui vencer. Se ele tivesse jogado seu melhor tênis, eu não teria chance, mas é o que acontece no tênis. Se um jogador como eu atua em nível muito, muito bom e um tenista top como Roger não joga seu melhor, eu posso vencer”.

“Joguei um tênis quase perfeito hoje porque estive dentro da quadra, dominando as trocas e pressionando para que ele não conseguisse jogar seu melhor. Saquei extremamente bem hoje. Talvez nunca tenha sacado assim na minha vida. Essa foi a chave, na verdade”.

“Eu tinha medo de que ele vencesse por 6/1 e 6/1 ou 6/1 e 6/2, mas eu estava realmente empolgado para essa partida porque estava jogando contra o n´¨mero 1 do mundo. Entrei em quadra com uma atitude positiva, não com uma atitude de “ah, vamos tentar vencer um game”.

Roger Federer

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“É sempre difícil enfrentar alguém pela primeira vez, antes de mais nada. Mas acho que, de modo geral, ele fez uma partida muito boa. Ele foi o melhor jogador hoje. Foi difícil para mim – quero dizer, tive tempo de conseguir ritmo, mas ele jogou muito agressivo e não consegui jogar como queria”.

“Ele não bate uma bola reta e pesada. É mais com muito spin, o que faz a bola quicar alto, e foi uma dificuldade que tive hoje. Tentei sair disso, mas não consegui. Achei, no começo, que eu não estava indo para os meus golpes o bastante, mas no fim eu estava batendo melhor na bola. Mas senti que a partida foi para o lado dele. Ele fez algumas bolas incríveis. É o que jovens fazem, então… (risos)”.

“Acho que seu forehand é, com certeza, a maior arma de seu tênis, e sua velocidade em quadra”.

“Acho que ele trabalhou muito em seu tênis. Nós nos sentimos jovens, mas há sempre tenistas mais jovens, e lembramos de quando tínhamos 17 anos e já nos sentíamos grandes jogadores. Então, de repente, você fica no circuito por alguns anos e sente ‘bem, agora já provei para todo mundo que sou bom’. É uma visão totalmente diferente do jogo, especialmente interessante, acho, nos três primeiros anos. Então acho que ele (Nadal) está curtindo seu tênis. É exatamente o que ele deveria fazer. Veremos o quão forte ele estará em dois anos, mas o começo de sua carreira é incrível até agora”.

(indagado se sentiu Nadal nervoso) “No começo, talvez um pouco, quando entramos na quadra. Acho que ele é meio tímido em quadra. Ele me olha como um jogador incrível. Senti mais um nível de respeito do que nervosismo”.

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No meio da semana, a redação do UOL me pediu que listasse meus confrontos preferidos entre Federer e Nadal. Aproveito a data para listar meu Top 5 com os devidos critérios. Leia, veja os vídeos e sinta-se à vontade para, depois, incluir sua lista de preferidos na caixinha de comentários.

5. Roland Garros 2011. Final. Nadal d. Federer 7/5, 7/6(3), 5/7 e 6/1

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Para mim, a mais interessante de suas finais em Paris. Ambos viviam momentos bem distintos das decisões anteriores (2006-08). Nadal vinha de seguidas derrotas para Novak Djokovic, que estava invicto na temporada até aquele torneio. O espanhol amargou reveses até onde era favorito, como Roma e Madri. Federer, por sua vez, chegou a Paris como terceiro nome e derrotou o sérvio na semifinal. Na decisão, o suíço teve chances. Abriu 5/2 e teve set point na parcial inicial, mas levou a virada. O segundo foi decidido no tie-break. Federer ainda virou o terceiro set e forçou o quarto. Teve 0/40 no primeiro game, mas não converteu os break points. E aí Nadal deslanchou, vencendo cinco dos seis games seguintes.

4. Australian Open 2009. Final. Nadal d. Federer 7/5, 3/6, 7/6(3), 3/6 e 6/2

Um jogo de nível altíssimo, como era de se esperar. Os dois haviam feito belíssimos torneios. Federer colocava em jogo sua soberania em quadras duras, enquanto Nadal buscava seu primeiro Slam em piso sintético. O contexto daquele duelo ainda incluía a final de Slam anterior, na qual o espanhol havia destronado o suíço em Wimbledon, e a semifinal daquele Australian Open, quando Nadal precisou de 5h14min para eliminar o compatriota Fernando Verdasco. Com a bola em jogo, Nadal deu poucos (ou nenhum) sinais de cansaço e protagonizou lances espetaculares. Federer parecia mais inteiro fisicamente para o começo do quinto set, mas falhou muito no momento mais importante e sucumbiu mais uma vez. No fim, na cerimônia de premiação, a cena mais marcante do dia: o ex-número 1 em lágrimas sendo consolado pelo rival (veja na marca de 4h41min do vídeo).

3. Wimbledon 2007. Final. Federer d. Nadal 7/6(7), 4/6, 7/6(3), 2/6 e 6/2

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Outro clássico de cinco sets. Aqui, Wimbledon via os dois primeiros do ranking disputando a final pelo segundo ano consecutivo. Enquanto Nadal buscava conquistar um terreno de propriedade do oponente, Federer agarrava-se com todas as forças a seus domínios. E foi preciso fazer muito mais força do que em 2006. O suíço venceu um primeiro set apertado e, mais tarde, no quinto set, teve de salvar break points antes de quebrar o serviço do espanhol e disparar para levantar o troféu de Wimbledon pela quinta vez seguida. Foi também o único ano em que a Quadra Central do All England Club não teve a costumeira cobertura parcial. E, claro, foi o ano em que Federer levantou o troféu vestindo uma calça branca – só que colocada ao contrário (notem o bolso de trás na foto). Vídeo aqui.

2. Roma 2006. Final. Nadal d Federer 6/7(0), 7/6(5), 6/4, 2/6, 7/6(5)

Três tie-breaks, 5h05min de jogo e dois match points perdidos por Roger Federer. Até então, o suíço ainda tentava decifrar o jogo de Nadal no saibro. Era o terceiro confronto na superfície, e o então número 1 do mundo fez um jogo lindo. Teve paciência (como raramente veríamos dali em diante) nas trocas de bola, escolheu bem os momentos de atacar e chegou a abrir 4/1 no quinto set. Perdeu a vantagem, mas ainda teve dois match points seguidos no 12º game. Jogou um forehand longo e outro ao lado, arriscando uma paralela. Federer ainda teve chances no tie-break final e sacou em 5/3, mas perdeu os últimos quatro pontos. Há quem diga que este jogo deu o tom para todos os outros duelos na terra batida. Verdade ou não, o fato é que depois daquele dia Federer nunca mais esteve tão perto de derrotar Nadal no saibro em cinco sets.

1. Wimbledon 2008. Final. Nadal d. Federer 6/4, 6/4, 6/7(5), 6/7(8) e 9/7

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Para muitos, a maior partida de todos os tempos. Por tudo que envolveu. A rivalidade vivia seu ápice, com Federer invicto na grama há 65 jogos e Nadal em sua melhor forma técnica, tendo na memória uma doída derrota na final do anterior, mas também a lembrança fresquíssima da final de Roland Garros/2008 – uma vitória maiúscula por 6/1, 6/3 e 6/0. Do primeiro ponto – um lindíssimo rali de 13 golpes – ao último, uma partida fantástica e com todos elementos imagináveis em jogo. Houve atraso e múltiplas paralisações por causa da chuva. Houve dois tie-breaks, com Federer salvando match point ao encaixar uma paralela fantástica. Houve quinto set longo, encerrado na última luz daquele domingo londrino. No fim, Nadal triunfou. Foi a coroação de um tenista que buscou desde sempre (e ainda busca, dez anos depois) vencer em qualquer superfície.

Federer vs Nadal Wimbledon 2008 Highlights from Diogo on Vimeo.


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