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Rio vai até Miami em lobby para mudar torneio de patamar
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Alexandre Cossenza

Não é segredo nenhum que os organizadores do Rio Open querem aumentar o torneio. O evento carioca, um ATP 500, tem o objetivo de saltar de status, seja mudando para um Masters 1000 ou qualquer que seja a denominação a partir de 2019, quando o circuito mundial possivelmente terá um formato bem diferente do atual. A novidade é que agora a cidade do Rio de Janeiro entrou oficialmente na conversa junto à entidade que controla o tênis masculino.

O presidente da Riotur, Marcelo Alves, foi a Miami nesta semana para conversar com a ATP, oficializar o apoio da cidade e do prefeito, Marcelo Crivella, e observar o Masters 1000 que está em andamento. Alves, que é empresário e não político, é o mesmo que, em parceria com Dejan Petkovic e o governo do estado do Rio, trouxe Novak Djokovic para uma exibição com Gustavo Kuerten em 2012 – sim, aquela mesma exibição pela qual o sérvio não recebeu do estado até hoje.

Após uma reunião que contou com o presidente da Riotur, Lui Carvalho, diretor do Rio Open, e Gavin Forbes, representante dos torneios das Américas no conselho de diretores da ATP, falei brevemente por telefone tanto com Alves quanto com Carvalho. As declarações de ambos estão abaixo:

Qual o grande objetivo dessa viagem?
Marcelo Alves: É plantar essa semente do nosso interesse perante a ATP de receber um Masters 1000. Não são decisões imediatas, mas fiquei muito feliz e surpreso com a receptividade com que a diretoria da ATP nos recebeu. Ontem (sexta), fiz um tour técnico em todas as estruturas do evento, hoje (sábado) nós tivemos uma reunião muito positiva e realmente eles ficaram muito surpresos com o nosso interesse. O objetivo era conhecer o evento, conhecer os passos para que a gente possa sonhar ainda mais em receber um Masters 1000. Temos condições, capacidade, estrutura e uma empresa que é credenciada e tem a data no Rio de Janeiro, que faz muito bem o ATP 500, então realmente não deixamos nada a desejar. O primeiro passo é trocar a quadra de saibro para a quadra rápida porque isso vai nos dar um grande plus.

Miami e o Rio Open são dois torneios da IMG. Cogita-se inverter o valor dos torneios ou não é essa a conversa?
MA: Não, não foi em nenhum momento discutido Miami. Não foi nada colocado na mesa sobre Miami. Pelo contrário. O que a gente deseja, primeiro, é trocar a quadra de saibro para a rápida no Parque Olímpico porque isso vai nos dar uma grandiosidade, até porque quando você transforma em quadra rápida, os atletas também virão [organizadores do Rio Open e do ATP de Buenos Aires acreditam que o saibro é um empecilho para atrair grandes nomes numa época do ano entre o Australian Open e os Masters de Indian Wells e Miami – todos em quadras duras]. Isso vai nos dar mais audiência, público e nos credenciar ainda mais para a ATP entender que o ATP que nós fazemos, com essa estrutura e grandiosidade, que um 500 ficou pouco para a gente. E aí transformar em 1000.

Então isso seria para a partir de 2019, que é quando a ATP pode reestruturar o calendário, mudando o formato e as pontuações com mais liberdade?
MA: É isso aí. A semente foi muito bem plantada. Ouvi deles que são apaixonados pelo Rio de Janeiro. Eles têm um carinho muito grande pelo Rio de Janeiro. Foi muito, muito positivo. O Rio de Janeiro não pode pensar em menos do que isso a partir de agora. Começou a história agora. É outro patamar.

Nessa questão, a Riotur atua como representante da prefeitura ou pode agir com interesses diferentes dos do prefeito Marcelo Crivella?
MA: A Riotur é uma empresa pública do turismo da cidade. É totalmente integrado, é uma empresa da prefeitura. O prefeito encara isso como uma das ações emblemáticas. Ele apoia tudo que é emblemático para a cidade e grandioso e, obrigatoriamente, vai refletir em empregos para a cidade. Um evento desse porte tem 14 dias. Gera emprego, receita para a cidade. A vocação da cidade é essa: o turismo. Turismo esportivo, de entretenimento. Claro que ele apoia. Ele é extremamente encantado com esses grandes acontecimentos.

Um Masters no Rio teria que ser no Parque Olímpico…
MA: Sem dúvida nenhuma. Até porque está pronto. Precisamos dar vida ao Parque Olímpico. As quadras estão prontas, é quadra rápida…

A questão é que ainda não se sabe quem vai administrar o Centro Olímpico de Tênis. É uma preocupação de vocês?
MA: É a parte mais fácil de resolver. Hoje, o Parque Olímpico tem três administradores. A parte das arenas é administrada pelo Ministério do Esporte; aquela rua principal é administrada por nós, da prefeitura; e a parte até onde vai ser o Rock In Rio, quem administra é a concessionária que construiu o Parque Olímpico. A gente está em comum acordo, sempre buscando caminhos para movimentar aquela área. Nosso legado está aí. Agora tem que dar vida!

Que tipo de avanço é possível fazer numa reunião assim?
Lui Carvalho: É legar ter a prefeitura se envolvendo, ter todas as esferas juntas com um objetivo comum, que é fazer o evento crescer, seja sendo 500, 1000, 750, ou indo para a quadra dura no Parque Olímpico – todas aquelas coisas que a gente conversou no Rio Open. Crescer não significa necessariamente mudar de status, mas pode ser várias coisas novas que a gente pode criar para o evento. É muito bom que o Marcelo esteja se envolvendo nisso. Ele é um cara do marketing, tem um histórico de empresa de organização de eventos, já trouxe o Djokovic para o Brasil naquela exibição… Ele entende e para a gente é super positivo para ajudar a fazer o evento crescer. Ele está tentando se situar na política da ATP para poder ajudar a gente. Ele sentou com o Fernando Soler, que é o head da IMG, sentou com o Gavin Forbes, que é o board member das Américas, até para entender os próximos passos e quando isso pode acontecer, e foi super positiva a reunião.

O Rio Open já decidiu se vai apresentar de novo ainda este ano, em julho, a proposta para mudar para quadras duras (o torneio fez isso ano passado e não obteve os votos necessários)?
LC: A reunião é na primeira semana de julho, em Wimbledon. A gente ainda está nessa estratégia para saber se a gente tem os votos para mudar para quadra dura. Na verdade, ainda não temos uma posição fixa. A gente veio até Miami para fazer um pouco da politicagem, conversamos um pouco com a galera do tênis, e vamos saber um pouco mais para a frente. O importante é que tudo está correndo bem, a ATP está falando super bem do Rio Open, o Chris Kermode [CEO da ATP] elogiou bastante a gente, então isso é o mais positivo de tudo.

Coisas que eu acho que acho:

– O assunto foi bastante discutido na época do Rio Open. A organização acredita que ter o evento em quadra dura vai ajudar a trazer mais nomes de peso. A opinião é compartilhada por Lui Carvalho, que é quem negocia com atletas e managers, e Gustavo Kuerten. Por outro lado, há quem acredite que a questão geográfica pesa tanto quanto o piso. Ou seja, se o Rio Open mudar para quadras duras, tenistas vão passar a usar a distância e as longas viagens como argumento para continuarem jogando torneios em Roterdã e Dubai.

– Vale lembrar também que o atual modelo do calendário da ATP vale apenas até 2018. Ninguém sabe o que vai acontecer a partir de 2019. Se houver consenso, pode haver todo tipo de alteração, desde a inclusão de novos níveis de torneios (como ATPs 750 e Masters 1500) até alterações radicais nas datas de eventos.


Quadra 18: S03E03
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Alexandre Cossenza

Rio Open, Brasil Open e o começo de Indian Wells. O podcast Quadra 18 demorou, mas finalmente está de volta, falando sobre um pouco de tudo que aconteceu nas últimas três semanas de tênis. Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu discutimos assuntos “quentes” como os problemas físicos de Thomaz Bellucci, os wild cards para Maria Sharapova, a opção de Bruno Soares e Marcelo Melo por Acapulco em vez de São Paulo, o momento de Novak Djokovic, o futuro do Rio Open e até por onde anda o comentarista do SporTV Dácio Campos.

Para ouvir, basta clicar no player abaixo. Se preferia baixar para ouvir em casa, clique neste link com o botão direito do mouse e selecione “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’15” – Sheila Vieira apresenta os temas
2’02” – A estreia de Bellucci contra Nishikori, e a dura adaptação do japonês
4’45” – Os problemas físicos de Bellucci contra Thiago Monteiro
5’48” – O quanto foi ruim enfrentar Monteiro logo após derrotar Nishikori
6’18” – O “surgimento” de Casper Ruud
7’50” – A história de Christian Ruud, pai de Casper, que enfrentou Guga e Meligeni
8’25” – O título sem ameaças de Dominic Thiem
10’53” – Por que Carreño Busta e Ramos Viñolas são pouco reconhecidos?
12’20” – A chave de duplas e o carisma de Jamie Murray
14’23” – Marcelo Melo e suas declarações sobre a parceria com Lukasz Kubot
19’00” – O primeiro Rio Open sem WTA foi melhor ou pior?
23’27” – Pablo Cuevas, o título do Brasil Open e a chuva interminável
25’53” – Os problemas físicos e a falta de motivação de Thomaz Bellucci
27’08” – Por que tenista são “julgados” quando entram em quadra mal fisicamente?
28’45” – A boa chave do Brasil Open apesar da péssima data no calendário da ATP
30’17” – O título de Rogerinho e André Sá, e a ascensão de Demoliner nas duplas
32’47” – André Sá voltará a jogar com Leander Paes?
33’50” – A opção de Bruno e Marcelo por jogam em Acapulco em vez de São Paulo
37’08” – O bairrismo Rio-São Paulo
38’00” – Comparando Guga no Sauípe e Bruno/Marcelo em Acapulco
39’38” – Under the Bridge (Red Hot Chilli Pepers)
40’10” – Indian Wells e o quadrante com Djokovic, Delpo, Nadal, Federer, Kyrgios e Zverev no mesmo quadrante
42’40” – O mantra “o que está acontecendo com Djokovic?”
44’50” – Nadal em Acapulco, Murray e Federer em Dubai
46’21” – “Eu espero dignidade de Marin Cilic”
47’37” – Quem ganha o Masters de Indian Wells? Hora dos palpites!
48’43” – É justo Sharapova receber convites após a suspensão por doping?
55’18” – Serena Williams, mais uma lesão e como a chave mudou sem ela
57’37” – Palpites: quem é a favorita para o WTA de Indian Wells?
59’10” – A chave de Djokovic pode fazer ele atuar como Serena no AO 2017?
59’38” – A falta de público no Rio Open é culpa da organização ou da falta de tradição brasileira no tênis?
61’20” – O Brasil Open soluciona problemas melhor do que o Rio Open?
61’44” – Por onde anda Dácio Campos? Ele vai comentar Indian Wells?
62’37” – Kerber voltará dignamente ao #1? Veremos evolução no jogo dela?
63’45” – Há alguma chance de Melo não completar a temporada com Kubot?
63’57” – O Rio Open pode virar Masters 1000? Qual a chance de virar piso duro?
66’45” – Os valores de ingressos em Rio e SP valeram pelos atletas que vieram e pelo tênis jogado?

Importante:

– Tivemos problemas de som no meu áudio durante a gravação. Por isso, algumas das minhas falas estão incompletas. Pedimos desculpas, mas os cortes no meu áudio só foram percebidos durante a edição.


O balanço brasileiro no saibro
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Alexandre Cossenza

Com o fim do tardio do Brasil Open, parece o momento ideal para fazer um balanço da participação brasileira na perna sul-americana do circuito mundial, que, por enquanto, ainda é toda disputada em quadras de saibro. Digo “ainda” porque, como os leitores do blog sabem, Rio e Buenos Aires estão em busca de aprovação para mudarem para quadras duras.

O motivo carioca/portenho não tem a ver com as campanhas de brasileiros e argentinos. A ideia é conseguir trazer mais nomes de peso. Diretores dizem que o principal argumento de quem não quer vir até aqui é a mudança de piso entre o Australian Open e o Masters de Indian Wells. Mas enquanto a alteração não sai, será que os brasileiros vêm aproveitando o piso mais favorável a seu jogo?

Depois de Quito, Buenos Aires, Rio de Janeiro e São Paulo, dá para dizer que não foi a pior das campanhas brasileiras. Não que tenha sido espetacular. Bellucci, principalmente, poderia ter tirado muito mais de Rio e São Paulo não fossem seus problemas físicos e, ao que parece, de motivação. Vejamos um por um:

Thomaz Bellucci

Como nos dois anos anteriores, o paulista fez boa campanha em Quito. Só perdeu – pela terceira vez seguida – para Vitor Estrella Burgos, o veterano que acabou conquistando o tricampeonato no Equador. Caso curioso, não tão fácil de explicar/entender, mas que precisa entrar para a coluna das “chances perdidas”.

No Rio, Bellucci eliminou o cabeça 1 na estreia, empolgou a torcida e decepcionou no jogo seguinte. No meio do segundo set contra Thiago Monteiro (jogo à noite, 27 graus), o paulista já esteve pregado. Saiu de quadra dizendo “morri” com todas as letras. Depois, em São Paulo, também teve problemas físicos (de outro tipo) na derrota para Schwartzman. Após o revés, deu uma declaração um tanto preocupante. Falou que precisa “reencontrar a alegria e a motivação de estar na quadra que só o dia a dia vai me dar. Tenho que pensar no que a gente tem que fazer para dar a volta por cima.”

De qualquer modo, mesmo com a vitória sobre Nishikori e uma semi em Quito, fica a impressão de que poderia ter sido muito melhor. É duro afirmar, mas é o mesmo que pode ser dito sobre muitos momentos da carreira de Bellucci.

Thiago Monteiro

Talvez tenha sido o momento de consolidação do cearense. Um ano depois de “surgir” ao bater Tsonga no Rio, Monteiro fez uma turnê sólida, com quartas de final em Buenos Aires e no Rio. Perdeu na estreia em Quito e em São Paulo, mas em condições difíceis. Jogou contra Giovani Lapentti na altitude e contra Carlos Berlocq (seu algoz também em Buenos Aires) no Pinheiros.

Ao todo, nada mau. Os ATPs, no entanto, deixaram mais visíveis os buracos no jogo do cearense. Berlocq deixou clara a necessidade de Monteiro melhorar junto à rede. O argentino venceu uma enorme maioria de pontos quando variou e tirou Thiago do basicão “distribuindo-pancada-do-fundo”. No Rio, Ruud expôs as falhas na devolução do cearense. Monteiro não conseguir entrar em um número razoável de pontos no serviço no norueguês.

Monteiro sabe quanto e onde precisa evoluir. Ele mesmo falou sobre isso na última coletiva que deu no Rio de Janeiro. Há tempo para isso. É questão de trabalhar e pensar no jogo como um todo – e não só na pancadaria do fundo de quadra.

Rogerinho

O paulista esteve nos quatro ATPs, inclusive furando o quali em Buenos Aires, mas não conseguiu vencer nenhum jogo em chaves principais. O mais perto que chegou disso foi quando teve dois match points contra Alessandro Gianessi na Argentina. Não dá para dizer que foi uma passagem trágica de Rogerinho pela América do Sul, mas ele teve jogos ganháveis e não aproveitou. Também entra para a coluna de chances não aproveitadas.

Feijão

João Souza também esteve nos quatro ATPs, mas ficou no quali em Buenos Aires (perdeu para Rogerinho) e só venceu um jogo em São Paulo (contra Zeballos na estreia). E se não dá para condená-lo pelas derrotas para Pablo Carreño Busta (Rio e SP), esperava-se mais de seu jogo na altitude de Quito. A derrota na estreia para Federico Gaio não foi o melhor dos resultados.

Bruno Soares

Orale Cabron 🇲🇽 🏆 🏆🏆

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O mineiro só jogou um torneio no saibro. Foi no Rio, onde ele e Murray perderam nas semifinais, quando até tiveram um match point contra Carreño Busta e Pablo Cuevas. Um resultado bom, considerando que Soares ficou dez dias no Rio de Janeiro, mas passou a maior parte do tempo dando entrevistas, participando de eventos com fãs, dando clínicas e aparecendo para seus patrocinadores.

Depois do Rio, o mineiro foi para Acapulco, jogar um ATP 500 na quadra dura, em vez de jogar no Brasil Open, em São Paulo, no saibro. A decisão provocou críticas públicas de Flávio Saretta em uma sequência de tweets.

“Semana de Brasil Open! Torneio que existe desde 2001! Sempre muito valorizado pelos tenistas brasileiros!! Tão valorizado que até o número 1 do mundo jogava! E tive a noticia que Marcelo e Bruno Soares optaram por jogar em Acapulco. Gosto dos dois desde sempre, mas não posso concordar com essa decisão e atitude! Sabemos das imensas dificuldades de se fazer um torneio ATP no Brasil pelos custos, etc! Sempre valorizamos demais esse torneio no Brasil! Um orgulho jogar um ATP no nosso país!! Por isso confesso que achei um absurdo os dois jogarem no México e não no Brasil! Fora a troca que é estar perto de quem torce por vc e não tem a oportunidade de ver vc jogar de perto!!! Escolha errada dos dois! Uma pena…”

Sim, seria ótimo ter Soares e Marcelo Melo (que também foi a Acapulco) jogando mais uma semana no Brasil, mas é preciso entender os motivos de ambos. Primeiro, os dois preferem jogar em quadras duras. Não por acaso, Bruno venceu dois Slams no piso ao lado de Jamie no ano passado. Mas não é só isso. Além de Acapulco ser um torneio mais importante, é uma semana de jogos na quadra dura antes de um evento ainda maior: o Masters de Indian Wells, no piso sintético.

Dizer que Soares e Melo precisariam fazer mais esforço para jogar no Brasil me parece forçar a barra. Os dois, afinal, estiveram no Brasil. E Bruno, especialmente, fez todo tipo de atividade para divulgar o torneio, o tênis e seus patrocinadores. O torcedor brasileiro teve a chance de vê-los. Só quem não foi ao Rio (caso de Saretta) ou não ficou a semana inteira não viu isso.

Além disso, os dois mineiros deveriam ter um pouquinho mais de crédito (é só minha opinião). Soares jogou o Brasil Open todos os anos desde 2009. Sempre trouxe seus parceiros. Foi campeão três vezes e, na maioria das vezes, atuou em quadras secundárias – inclusive naquele precário e improvisado Mauro Pinheiro. Em um de seus títulos, fez apenas um jogo na quadra central (a final). Melo viveu situações parecidas e, até este ano, só havia ficado ausente em 2014.

Por fim (não que o resultado mudaria algum dos argumentos acima), Soares e Murray foram campeões em Acapulco, somando 500 pontos e ganhando embalo antes do primeiro Masters 1.000 do ano.

Marcelo Melo

O mesmo caso de Bruno, só que com um agravante. Marcelo e seu parceiro, Lukasz Kubot, ainda não encontraram ritmo. E como jogam melhor em quadras duras, estavam em Roterdã (um ATP 500) em vez de Buenos Aires. No Rio, perderam para Peralta e Zeballos nas quartas. Depois, partiram para Acapulco, onde caíram na estreia diante de Santiago González e David Marrero.

Depois do Australian Open, Melo já dizia no “Pelas Quadras”, da ESPN, que era preciso encontrar um equilíbrio na parceria. A queixa (velada) era em respeito ao jogo kamikaze de Kubot. No Rio, o mineiro deu declarações parecidas. Disse que gosta de um jogo com menos velocidade e mais equilibrado e deu a entender que o Masters de Miami será o momento para avaliar se o time com Kubot tem futuro.

André Sá

Jogou com Tommy Robredo em Buenos Aires e no Rio e caiu na estreia em ambos. Em São Paulo, ao lado de Rogerinho, foi longe e conquistou o título. Saiu do saibro levando 250 pontos, o que não é nada ruim.

Marcelo Demoliner

Fez Buenos Aires-Rio-SP com seu parceiro habitual, o neozelandês Marcus Daniell. Também passou em branco na Argentina e no Rio. Também foi à decisão no Pinheiros. Somou 150 pontos.


Parque Olímpico, bolas e etc.: 5 últimas perguntas sobre o Rio Open
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Alexandre Cossenza

Antes de começar a falar do Brasil Open e seus resultados, deixo aqui, como prometido, o post com declarações do diretor do Rio Open, Lui Carvalho, após o ATP 500 carioca. São frases selecionadas da coletiva concedida após a final e de um papo com alguns jornalistas após a entrevista. Nem todas perguntas são minhas, mas são os cinco temas que considerei mais importantes entre os que foram abordados no último dia do evento.

1. Melhorias

Na cerimônia de premiação de duplas, o Carreño Busta disse que o torneio melhorou muito. O que os jogadores acharam deste ano, que foi o primeiro sem o evento feminino?

Na reunião geral com a ATP, eles apresentam o relatório, e foi muito positivo. Disseram que foi o melhor Rio Open em termos de organização para os atletas. A questão de não dividir espaço com as mulheres foi fundamental por várias razões. O serviço de transporte era um serviço exclusivo deles. Eles desciam e, no lobby, tinha um carro esperando para levar aonde eles quiserem 24 horas por dia. Na alimentação, a gente fez algumas alterações, e isso funcionou. Sem o feminino, a gente agregou o vestiário das mulheres. A gente juntou as saunas e fez um lounge a mais. Era um espaço que ninguém acessava. Tinha mobiliário, sofás, eles gostaram bastante. As quadras de treino, obviamente [não é preciso dividir quadras com as mulheres]. E o schedule também ajudou. Eles falaram muito bem do fato de começar 16h30min porque tira um pouco da pressão de acordar cedo, sair correndo para aquecer. Deixou o schedule um pouco mais leve. E elogiaram muito o público [vendo os treinos]. Eles gostaram do ambiente. Como o schedule comprimiu, ficou mais gostoso para eles.

2. Assentos vazios na quadra central

Sobre a questão da ocupação da quadra central, a gente já conversou sobre isso e não é um problema de venda de ingressos, mas de ter gente na quadra no horário dos jogos. Até que ponto a ATP vê isso com maus olhos?

A ATP tem uma regra de um mínimo de público que você tem que ter durante a semana. A gente ultrapassa de longe esse mínimo. É uma questão delicada. Você acha que são sete razões. Para mim, são cinco. E a mais nova dessas cinco foi a gente ter criado uma área muito legal no Leblon Boulevard, com muitas ações, o bar da Stella [Artois] com o telão passando jogo… As pessoas estão passando tempo fora do estádio. Isso é legal. Não posso ver como negativo. Se eu quisesse, não faria mais o Leblon Boulevard, e todo mundo só teria um lugar para ficar: a quadra central. Mas não é o que a gente está pensando para o futuro do evento. Faz parte. É difícil achar um modelo que funcione porque obviamente você tem uma entrega de ingresso por parte de patrocinadores. Eles fazem o torneio possível. Isso faz parte. E eu não tenho como controlar como essa entrega dos patrocinadores é feita. A gente sempre conversa, sempre pede da melhor maneira possível, para não ter esses espaços vazios, mas infelizmente acontece.

3. Bolas da Head

O Bruno [Soares] é um cara que repete muito isso. Nadal, quando esteve aqui, não se sentiu tão confortável com as bolas usadas no torneio. Nishikori também disse que não sentiu tão bem a bola. Há alguma possibilidade de mudança? Dá para fazer alguma coisa ou vai continuar a Head?

A Head é nosso parceiro. São ótimos parceiros e patrocinadores. Eles têm trabalhado desde o primeiro ano na questão da bola. Mas depois que alguém me falou que o Thiem reclamou da bola, eu corri para a ATP e perguntei se alguém reclamou da bola. Ninguém reclamou para a ATP. Reclamou na imprensa. Acho que é uma questão de gosto. Dá para ver que os caras que jogam com um pouco mais de top spin não gostam muito da bola, mas o pessoal que joga mais reto, como o Carreño Busta, ama a bola. É a característica dessa bola da Head. Não posso mudar o patrocinador porque… ‘Ah, vou fazer o torneio para o Nadal, então vou botar uma bola mais macia para ele poder dar o top spin’. Não é o meu estilo de fazer as coisas. No fim do dia, o Thiem reclamou e ganhou. E é o que a gente falou. Os jogadores que chegam um pouco tarde no torneio sentem um pouco mais. O Thomaz [Bellucci] treinou a semana inteira aqui. Chegou no dia do jogo, ele estava voando. Não errava uma. Quem chegou tarde não sentia a bola. Tough luck. Chega mais cedo da próxima vez…

4. Mudança para quadra dura

Vocês vão tentar de novo, junto à ATP, a mudança para a quadra dura. Quando vai ser feita essa nova proposta e como funciona essa votação?

A gente pode tentar até Londres, em Wimbledon. É o tempo que a gente precisa para se programar. O que gente precisa agora é ver qual o timing ideal para fazer esse movimento. Se a gente fizer isso sabendo que não tem um ou dois, é perigoso. Se você é negado e vai muito rápido de novo, você acaba negado de novo. Precisa fazer a politicagem, leva um pouco de tempo.

E vocês não têm os votos dos jogadores, é isso?

A gente acredita que não.

Quantos votos são?

Três e três. São três regiões: Américas, Europa e Resto do Mundo. Jogadores e torneios têm voto de cada região. O sétimo voto é do Chris Kermode, o presidente da ATP. Os torneios da América provavelmente a gente tem [ o voto] porque é a nossa região. Na Europa, deve haver um ponto de resistência por causa de Roterdã, mas não sei dizer.

Tecnicamente, mudar Rio e Buenos Aires para a quadra dura pode acontecer sem que São Paulo e Quito mudem também?

É mais difícil, mas pode. A gente até fala que nosso evento era na quadra dura. Memphis era na quadra dura. Eles é que forçaram a gente a ir para o saibro. A ATP que forçou.

5. Parque Olímpico

E se vocês não conseguirem a aprovação para quadra dura, existe possibilidade de fazer no saibro no Parque Olímpico, mesmo com todos problemas logísticos, de fazer sem drenagem, precisando de uma operação de lona rápida e tudo mais?

Você já está descrevendo alguns problemas.

Mas hipoteticamente vocês consideram isso?

Depende do timing da decisão da ATP. Tem muita coisa que a gente não sabe ainda. A gente ainda não sabe se o Ministério deixa colocar saibro lá. Quem vai administrar aquilo? Quadra dura você deixa lá e vai pintar três anos depois. Saibro tem uma manutenção muito mais cara. Você precisa de tratador, saibro, água… Eu vou ter que fazer toda uma estrutura de irrigação. Isso não existe. Eu teria que construir isso. É um investimento enorme. Não é “joga saibro em cima e acabou.” Por isso que a gente está estudando com calma.


Rio Open, dia 7: um ‘teste’ atrapalhado e um Dominic dominador
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Alexandre Cossenza

O domingo de Carnaval veio com um começo de chuva, revelando uma insegurança do torneio para lidar com ela. Ao contrário do discurso adotado pelo diretor do torneio, Lui Carvalho, no ano passado – e ressaltado por ele mesmo em encontro com jornalistas um mês atrás -, foi colocada uma lona na quadra central. Uma, não. Sete. Em vez de uma ou duas lonas grandes como em torneios de maior porte, a organização do Rio Open colocou sete pedaços separados de lona cobrindo a quadra. E uma parte (que seria da oitava lona) ficou descoberta.

Pior foi o processo para tirar as sete lonas quando a chuva passou. Funcionários atrapalhados e aparentemente sem treino algum para a situação levaram cerca de 35 minutos para descobrir a quadra inteira (sem contar a recolocação da rede e outros ajustes necessário para o recomeço de um jogo) em um procedimento que envolveu até passar com uma das lonas por cima das cabeças de funcionários.

Enquanto o processo cirque-du-Soleil-esco continuava, faltavam braços, e o cidadão que coordenava a retirada das lonas perguntou a um dos seguranças se havia algum outro segurança que pudesse ajudar no processo. Até eu fui chamado – em tom de brincadeira (espero!) – a ajudar.

Mas não era horário de jogo, não havia câmeras de TV mostrando e não é um Masters 1.000, com toda a imprensa internacional para repercutir o vexame. É mais fácil culpar a imprensa imprensa implicante e “que deveria dar graças a deus por existir um torneio assim no país.” Porém, qualquer que seja a análise, é difícil levar adiante que um evento assim pense em se tornar um Masters 1.000 enquanto usa uma equipe tão grande e falha dessa maneira.

No fim do dia, Lui Carvalho, que sempre defendeu o não-uso da lona, disse que tudo foi uma experiência, já que faltavam ainda duas horas para a final. Por isso, segundo ele, a quadra ficou 1/8 descoberta. O que permitiria avaliar a drenagem. “Dito e feito. O lugar sem lona secou em dez minutos, enquanto a lona demora um parto para tirar.” E por que não usar uma lona grande (ou duas) como em Wimbledon ou Roland Garros? “Porque a gente não tem calha, não tem como fazer um pedaço enorme. Não tem como carregar um pedaço de lona gigantesco para dentro da quadra.”

Thiem: excelência e pé no chão

Sorte que não choveu durante a final. Assim, foi possível ver Dominic Thiem em mais uma atuação dominante. Diante de Pablo Carreño Busta, o número 8 do mundo mais uma vez deu as cartas, ditando o ritmo do jogo e cometendo poucos erros. O espanhol sempre jogou reagindo ao que o favorito fazia. Carreño Busta até conseguiu uma quebra de vantagem no set inicial, mas Thiem sempre pareceu com o jogo sob controle. Não só devolveu a quebra imediatamente na sequência como foi impecável no 12º game, quebrando outra vez e evitando o tie-break.

No segundo set, os dois tenistas trocaram quebras no sexto e no sétimo games, mas, de novo, quando a coisa apertou, Thiem tinha sobra. Correu menos riscos o jogo inteiro, agredindo com bolas que passavam com folga sobre a rede e deslocando Carreño Busta em pontos que, na sua maioria, terminavam com o espanhol cometendo um erro forçado ou devolvendo uma bola mais curta, o que dava a Thiem a chance de finalmente partir para um winner praticamente sem correr riscos.

Após o jogo, Pablo Carreño Busta comemorou o que classificou como o melhor momento da carreira, mas admitiu que há coisas a melhorar em seu tênis. Ele lamentou especialmente a quebra sofrida no set inicial, quando teve a chance de abrir 4/2. Thiem também foi bastante pé-no-chão. Disse que achou a partida bem equilibrada e que só se sentiu em controle do jogo quando quebrou o oponente no segundo set. E, mesmo assim, nem tão dominante quanto pareceu. Em seguida, indagado sobre o que falta para vencer um slam, Thiem disse que precisa de muito e concordou que sua melhor chance é em Paris.

“É preciso que tantas coisas deem certo. Ano passado, em Roland Garros, joguei contra Djokovic, que nunca vi jogando um nível de tênis tão alto quanto aquele, mas sim. É preciso ter um pouco de sorte para ir longe num slam. É preciso sorte na definição chave e fazer boas partidas. O que eu tento é me preparar o melhor possível para fazer uma boa campanha lá.”

Coisas que eu acho que acho:

– De modo geral, a edição 2017 do Rio Open foi muito boa. O torneio melhorou em alguns quesitos e eliminou alguns erros bobos. Embora ainda falte bastante para chegar à altura do discurso de Lui Carvalho, que fala em transformar o Rio Open em um Masters 1.000 no futuro, o evento carioca é, de modo geral, um programa excelente para quem gosta de tênis (e, pelos vazios na arquibancada, para quem não gosta também).

– Ainda sobre a lona, eventos como Wimbledon e Roland Garros deixam as lonas já dentro das quadras. O Rio Open prefere deixar as cobertas fora do espaço da quadra. Por isso, a necessidade de vários pedaços. “Mas por que deixar a lona fora da quadra?”, você pode estar perguntando. Porque fica visualmente feio. Sim, é essa a explicação.

– Após a última coletiva do dia, Lui Carvalho, sentou-se com alguns jornalistas para tirar mais algumas dúvidas. Publicarei as partes mais interessantes dessa conversa (e da coletiva) em breve.


Em 7 motivos, por que a quadra central do Rio Open não enche
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Alexandre Cossenza

Não importa o que aconteça. Nem para o badalado Bellucci x Nishikori, a quadra Guga Kuerten, principal arena do Rio Open, ficou totalmente cheia. O público até foi bom na terça-feira, mas ainda havia vários assentos vazios. Na quinta, em outro jogo aguardado – Bellucci x Monteiro – foi pior. No melhor dos momentos, a ocupação deve ter ficado por volta dos 70%.

Mas por quê? Os ingressos estão caros? O calor é insuportável? Há atrações melhores fora da quadra? Os motivos são muitos, como já escrevi em um post anterior, e acho que agora vale a pena ir um pouco mais a fundo no assunto. Até porque não há um problema de venda de bilhetes. O torneio vendeu todos ingressos na terça e na quinta. A segunda-feira, que teve 60% das entradas compradas, foi a melhor da história do Rio Open. Na quarta, 75%.

Logo, não é um problema de público. É um problema de assentos ocupados. Mas por que esse povo todo não entra (e fica!) na quadra central?

1. Patrocinadores

O Rio Open dá muitos ingressos para patrocinadores. São eles que pagam a conta, afinal. E eles têm bastante culpa nesse não preenchimento de espaços. Conversei com dois amigos que receberam ingressos de patrocinadores diferentes. Uma empresa simplesmente distribui mal. Várias entradas ficam encalhadas. A outra tinha ingressos sobrando e procurava quem aceitasse. Em outros casos, os ingressos são dados a gente que não se importa com tênis. Dou um exemplo que aconteceu ao lado da área de imprensa, durante a partida entre Thiago Monteiro e Gastão Elias.

Um grupo de torcedoras usando viseiras da loja de móveis Breton entrou e ocupou cerca de 20 lugares. Junto delas, um fotógrafo. Ele fez imagens das mulheres, que passaram boa parte do tempo mexendo nos celulares e usando paus de selfie. cerca de meia hora depois, o grupo deixou a quadra e não voltou mais.

2. Corcovado Club

Também tem a ver com os patrocinadores, mas não só com eles. O Corcovado Club é a área VIP do Rio Open. É para convidados e tem capacidade para mil pessoas. Tem ar-condicionado, um bar da Stella Artois, monitores de TV, decoração da Breton e foi idealizado pelo cenógrafo Abel Gomes, da P&G Cenografia. É uma estrutura digna de área VIP. Muitos dos que vêm ao torneio optam por ficar lá em vez de encarar o calor (até de noite) da área externa.

E nem é só isso. O Corcovado Club é um daqueles espaços aonde as pessoas vão para verem e serem vistas. Faz parte. E também é precisou incluir aqui empresários e todo tipo de pessoa que vem ao evento para fazer contatos, dar asas a projetos, fechar negócios e coisas do gênero. Se faz bem ao tênis e à parte esportiva do torneio, é uma discussão diferente. O Rio Open parece satisfeito com o resultado.

3. Quadra 1

A quadra tem central tem capacidade para 6.200 pessoas. Na Quadra 1, cabem mil espectadores. Com os duplistas escalados sempre na quadra menor (isso foi acordado entre organização e atletas), é preciso levar isso em conta na matemática do público. Com Bruno Soares ou Marcelo Melo jogando, a central sempre perde boa parte desses espectadores – ainda que seja possível entrar na Quadra 1 o dia inteiro com qualquer ingresso (seja para a sessão diurna ou para a noturna).

Ainda assim, é bom ressaltar: nem durante Nishikori x Bellucci nem durante os momentos mais importantes de Bellucci x Monteiro, havia um brasileiro jogando na Quadra 1. Não dá para colocar as duplas na conta desses dois dias específicos.

4. Leblon Boulevard

O chamado “Leblon Boulevard” é a área de convivência do torneio. Tem restaurantes, lojas, bares e estandes com atrações diferentes. Dá para pilotar um simulador de Fórmula 1 em Interlagos na Pirelli, fazer a barba na Granado, encontrar Fernando Meligeni na loja da Fila, adquirir uma bolinha personalizada na Peugeot, jogar tênis virtual no Itaú e carregar o smartphone na Claro, entre outras coisas possibilidade. As opções são interessantes.

E tem, claro, fila. Quem sai da central no intervalo entre sets (a grande maioria), vai ter que ficar um tempinho lá para ir ao banheiro, comer ou tomar um sorvete. E, depois disso, há quem prefira ficar acompanhando os jogos sentado na praça de alimentação, que é coberta e protege do sol.

5. Falta de nomes grandes

A ausência de Rafael Nadal, que esteve nas três edições anteriores do Rio Open, pode não ter afetado significativamente a venda de ingressos, mas parece vir mostrando seu peso na quantidade de gente em quadra. Com um nome gigante, todo mundo quer estar na quadra central quando ele joga.

Ainda que estejam no top 10, Nishikori e Thiem não têm o peso de um Nadal (ou um Djokovic ou um Federer). Nesta sexta-feira, quando Thiem entrou na quadra às 16h45min para as quartas de final contra Diego Schwartzman, havia, se tanto, 500 pessoas na arena.

6. Quadras externas

Também tem isso. Há quem prefira ver treinos. Se Nishikori está em uma quadra externa batendo bola, há quem prefira ficar ali na grade, à espera de uma foto ou um autógrafo, a entrar na quadra central para ver, digamos, Ruud x Carballés Baena. Embora a quantidade de gente nas beiras das quadras este ano seja muito menor do que nas três edições anteriores e isso não sirva como parâmetro para analisar o público dos jogos noturnos, ainda é preciso levar em conta esse fator. O tênis, no fim das contas, compete contra ele mesmo.

7. Calor

Sem o torneio feminino, o Rio Open pôde começar as rodadas mais tarde, às 16h30min, quando o calor não é tanto e já há sombras na quadra central. Ainda assim, o Rio de Janeiro é quente e úmido até nos dias “amenos” em fevereiro. A loja da Fila empresta guarda-chuvas que o povo usa para se proteger do sol, mas nem todos sabem disso. E nem todo mundo aguenta passar tanto tempo no calor.

Coisas que eu acho que acho:

– Como eu escrevi em um post anterior, cada item acima tem peso maior e menor dependendo de uma porção de fatores. O que é inegável é que todos tiveram alguma influência durante a semana.

– Há quem acredite que o Carnaval tem grande parte da culpa. É muito bloco na cidade, a hospedagem é mais cara, as passagens aéreas também. É um argumento bastante questionável porque, como já foi dito lá no alto do post, não é um problema de ingressos vendidos ou de comparecimento de pessoas. O povo comprou entradas e esteve no Jockey. Só não ficou na quadra central.

– Talvez a grande pergunta a se fazer é se o Rio Open deveria repensar sua política de distribuição de ingressos – especialmente a patrocinadores. Só que os vazios na quadra central são recorrentes. Eles estão lá todo ano. É claro que a IMM já observou e discutiu isso. E se continua assim, é porque a organização não parece tão preocupada assim com os buracos na arquibancada.


Rio Open, dia 6: Thiem com folga, drama para Ruud e colombianos destronados
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Alexandre Cossenza

Sem brasileiros, o Rio Open viu as semifinais de simples e a decisão de duplas neste sábado. Apenas Dominic Thiem venceu sem sustos. Houve drama na segunda semi e na excelente decisão de duplas, vencida por Pablo Cuevas e Pablo Carreño Busta, que destronaram os colombianos Cabal e Farah.

A queda colombiana

Campeões do Rio Open em 2014 e 2016, Juan Sebastian Cabal e Robert Farah estiveram a dois pontos de um terceiro título, mas foram derrotados em um jogo de altíssimo nível pela dupla formada por Pablo Cuevas e Pablo Carreño Busta: 6/4, 5/7 e 10/8. Foi um torneio enorme de uruguaio e espanhol, especialmente em momentos delicados. Na sexta-feira, Cuevas e Carreño Busta salvaram um match point na semifinal contra Bruno Soares e Jamie Murray. Neste sábado, estiveram perdendo o match tie-break por 4/1, mas conseguiram a virada.

Uruguaio e espanhol disputaram no Rio apenas seu segundo torneio juntos e ainda não perderam. Em Buenos Aires, na semana passada, abandonaram antes da semifinal. A parceria vai continuar em São Paulo, mas não parece ter futuro – pelo menos por enquanto. Carreño Busta foi vice-campeão do US Open e quadrifinalista do Australian Open ao lado de Guillermo García López e disse, após o título, que voltará em breve a atuar com o compatriota.

Para Cuevas, que foi eliminado nas simples logo na primeira rodada, a vitória nas duplas foi um belo troféu de consolação – além de manter viva uma curiosa série no Brasil. Em três torneios ATP, o uruguaio foi campeão em três. Ano passado, venceu nas simples no Rio Open e no Brasil Open, em São Paulo.

Thiem: o passeio do favorito

Não foi lá o mais emocionante dos jogos. O primeiro set, com a quadra central pelo menos metade desocupada, deu até sono enquanto Dominic Thiem abria 4/0 sobre Albert Ramos Viñolas. O austríaco também começou a segunda parcial com uma quebra, e só houve emoção mesmo quando Thiem deu uma bobeada e perdeu o serviço sacando em 4/3. Só que a graça do jogo durou pouco. O cabeça 2 quebrou de novo logo na sequência e fechou em 6/1 e 6/4.

Mesmo vindo de Roterdã, onde jogou em quadras duras indoor, Thiem tira o melhor de seu tênis no saibro carioca. O saibro lhe dá o tempo necessário para preparar os golpes – inclusive a longa esquerda – e gerar potência e efeito. É claro que a chave que se abriu para Thiem no Rio ajudou. Ele chega à final de um ATP 500 após bater Tipsarevic (#96), Lajovic (#97), Schwartzman (#51) e Ramos Viñolas (#25). Em comparação com seu único título de ATP 500 até hoje, Thiem enfrentou Dzumhur (#95), Tursunov (#1045), Dimitrov (#7), Querrey (#43) e Tomic (#21) quando foi campeão em Acapulco, no ano passado.

Carreño Busta: maturidade e match point salvo

Antes de vencer a final de duplas, Pablo Carreño Busta já havia triunfado em outra partida tensa. Por um set e meio durante a segunda semifinal de simples, o domínio foi de Casper Ruud, o norueguês de 18 anos que chegou como convidado e surpreendeu meio mundo no Rio de Janeiro. E faltou só um pontinho para Ruud estar na final. Depois de vencer o set inicial, Ruud abriu 3/1 na segunda parcial, mas foi no quinto game que a coisa começou a desandar. O norueguês perdeu o serviço com uma dupla falta e, de repente, a partida ficou parelha. Quebra para cá, quebra para lá, e Ruud teve um match point no serviço de Carreño Busta no décimo game. O espanhol se salvou, quebrou na sequência e fez 7/5.

Foi aí que, pela primeira vez no torneio, a idade e a falta de experiência de Ruud se manifestaram. Depois do match point perdido, o adolescente não conseguiu fazer mais nada. Carreño Busta, 25 anos e #24 do mundo, aproveitou. Manteve-se sólido, tomou a dianteira e não olhou mais para trás: 2/6, 7/5 e 6/0.

A final no domingo

Thiem e Carreño Busta se enfrentam às 17h. Será o quinto duelo entre eles, e o austríaco vem em uma sequência de três vitórias. Ao todo, são cinco confrontos, com apenas um triunfo do espanhol, que aconteceu em 2013, na final do Challenger de Como. Thiem venceu o primeiro confronto em um Future em Marrocos, em 2012. Depois, triunfou em Como/2013, Gstaad/2015, Buenos Aires/2016 e US Open/2016.


O pai dele bateu Guga. Vinte anos depois, Casper Ruud brilha no Rio Open
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Alexandre Cossenza

É só uma coincidência. Ou nem isso. Mas é, certamente, uma daquelas ligações deliciosas e inexplicáveis entre países e famílias. Em agosto de 1996, um jovem norueguês de 23 anos chamado Christian Ruud enfrentava Gustavo Kuerten no ATP de Umag, no saibro, na Croácia. O europeu, mais experiente e de melhor ranking – era o #68 do mundo, enquanto Guga, então com 19 anos e em franca ascensão, era o #115 – venceu por 7/5 e 6/4.

Fast foward para 20 anos e seis meses depois. Outro tenista chamado Ruud derrubou um brasileiro em ascensão. Foi Casper Ruud, filho de Christian, quem superou Thiago Monteiro nas quartas de final do Rio Open por 6/2 e 7/6(2). Hoje com 18 anos e atual #208 do mundo, Casper já havia eliminado outro tenista da casa no torneio. Na estreia, bateu Rogerinho por 6/3 e 6/4.

Em um país sem tradição ou ídolos no tênis, é óbvio que Christian (o tenista da imagem abaixo) foi a grande inspiração para que Ruud fizesse carreira no tênis. O filho nasceu quando o pai tinha 26 anos e ainda estava no circuito. Quando podia, Christian levava o garoto para praticar todo tipo de esporte. Casper jogou tênis, futebol, hóquei no gelo e golfe. Em algum momento entre os 11 e 12 anos, largou todos os outros e decidiu investir no tênis. Pelo visto, investiu bem.

A federação pequena que ajudou muito

Não que seja fácil crescer jogando tênis na Noruega. Os torneios são poucos. A federação não é rica. Casper, no entanto, aproveitou o que podia. “Por esse lado [poucos torneios e dinheiro], é difícil, mas por outro lado, isso foi bom para mim porque eu sempre fui um dos melhores do país. A federação sempre cuidou bem de mim, com técnicos e tudo mais. Por esse ângulo, é ótimo em comparação com uma federação grande, com tantos jogadores, onde é difícil dar atenção a todos”, disse em rápido papo comigo após a coletiva desta sexta-feira.

A ascensão de Casper Ruud vem sendo espantosa. Um ano atrás, ocupava o 1.148º posto no ranking mundial. A temporada 2016 lhe deu bons resultados, inclusive um surpreendente título no Challenger de Sevilha, na Espanha, em setembro. Naquela semana, pulou do 450º lugar para o 274º. Agenciado pela IMG, que também controla o Rio Open e lhe ofereceu um convite para o evento carioca, Ruud aproveitou a chance e dará mais um salto. Graças à campanha que o levou até as semifinais, pulará do #208 para (pelo menos!) o #133. A explicação para isso? Nem ele crava o motivo. No entanto, quando lhe perguntaram na coletiva, aproveitou a chance para um momento jabá. Disse que trocou de marca de raquete há exatamente um ano e aproveitou para citar a Yonex, sua atual patrocinadora.

Mas e o jogo de seu pai com Guga? Será que Casper sabe da história? Quando perguntei, o garotão não lembrou. Disse que não sabia se seu pai tinha vencido ou perdido. “Ganhou”, eu disse. Casper riu e falou sobre o pai: “Ganhou!? Fico surpreso de ele não ter me contado, mas de repente vai me falar sobre isso nos próximos dias (mais risos). Ele adora histórias sobre quando ganhou partidas duras contra um ou outro jogador. Mas é divertido que meu pai tenha jogado também. Sei que Kuerten é enorme aqui no Brasil. Ganhou Roland Garros três vezes. Pelo que vi e ouvi, ele era um cara duríssimo de enfrentar.”

Variações e aprendizado vendo Nadal na TV

Nos três jogos que fez no Rio Open (superou Rogerinho, o espanhol Roberto Carballés Baena e Thiago Monteiro), Casper Ruud mostrou um tênis cheio de recursos e variações. Tem uma direita pesada, com muito top spin, que empurra os adversários para trás, varia bem com a esquerda e tem um ótimo saque. Além de tudo isso, provou ter bom preparo físico e nervos invejáveis. Nem contra Monteiro, com a quadra cheia e muito barulho, deixou-se abalar. Perguntei se isso era consequência do tênis da Espanha, já que Casper treina bastante em Alicante há alguns anos. Ele minimizou a influência espanhola.

“Não diria que isso vem de treinar na Espanha, mas pode ser. Honestamente, eu sempre gostei de ver tênis na TV e sempre tentei aprender o máximo. Sempre tento ver como os melhores jogam e aprender golpes diferentes. Golpes mais chapados, alguns com mais spin, e aprender quando usar cada um deles. Talvez num 30/30, no forehand, jogar com um pouco mais de spin pode ser mais inteligente. Nunca se sabe, mas eu sempre vi os melhores na TV e eles são ótimos em variar os golpes. Estou tentando ser sólido, mas também variar.”

Ruud disse passar muito tempo vendo tênis na TV e online. E que seu preferido é Rafael Nadal. Vejam por quê:

“Meu ídolo é Rafael Nadal. Talvez ele não jogue o tênis ideal em comparação com Andy [Murray] e Novak [Djokovic], que fazem tudo parecer muito fácil, mas gosto de vê-lo porque é um grande lutador e, embora muita gente não ache, ele também tem muito talento. Seu tênis é extremamente inteligente e sempre tento aprender um pouco com ele.”

Casper Ruud parece bem encaminhado, não?


Rio, dia 5: o melhor golpe da vida de Thiem e o fim da linha para o Brasil
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Alexandre Cossenza

A sexta-feira do Rio Open não foi o dia dos sonhos para o tênis brasileiro. Primeiro, Thiago Monteiro foi superado pelo convidado Casper Ruud, 18 anos e número 208 do mundo. Mais tarde, nas duplas, Bruno Soares teve match point, mas acabou superado ao lado de Jamie Murray em mais uma semifinal.

Quem comemorou mesmo foi Dominic Thiem, cabeça de chave 2. Além de vencer em dois sets e alcançar a semi, o austríaco realizou o que ele mesmo classificou como o melhor golpe de sua carreira (vide vídeo abaixo). O resumão de hoje tem tudo isso em declarações, imagens e vídeos.

O adeus de Monteiro

Thiago Monteiro não passou das quartas de final. O cearense demorou a equilibrar ações, permitiu que Casper Ruud abrisse 4/0 no primeiro set e, depois disso, o norueguês de 18 anos jamais perdeu a calma. O brasileiro não conseguiu um break point sequer e acabou eliminado por 6/2 e 7/6(2).

Ruud, atual #208 do mundo, nunca tinha vencido uma partida em um torneio da ATP antes do Rio Open e só ganhou um convite porque é agenciado pela IMG, dona do torneio. O adolescente aproveitou a chance e mostrou um tênis sólido, potente e com variações, além de um ótimo preparo físico. Jogou uma partida sob calor intenso e fez um duelo longo de três sets. Em ambos, saiu inteiríssimo da quadra. Contra Monteiro, impôs seu forehand pesado e cheio de spin, criando problemas para o backhand do cearense. Além disso, variou saques e jamais deixou Monteiro à vontade. Nem a torcida brasileira, empurrando o tenista da casa, tirou o norueguês do sério.

O adversário da semi será Pablo Carreño Busta, que avançou depois que Alexandr Dolgopolov abandonou ao fim do segundo set por causa de dores no quadril esquerdo. O ucraniano, campeão em Buenos Aires no domingo, já vinha se queixando aqui no Rio. O curioso é que ele desistiu da partida logo depois de jogar um excelente tie-break e empatar a partida contra o espanhol. O placar final mostrou 7/6(4) e 6/7(2).

Thiem: a segunda semi e o melhor golpe da vida

No primeiro set, foi mais complicado do que o placar mostrou. No segundo, mais fácil. No fim, Dominic Thiem bateu Diego Schwartzman por 6/2 e 6/3 e avançou pelo segundo ano seguido às semifinais do Rio Open. Com direito a um momento glorioso: uma passada de Gran Willy que levantou a galera e que o próprio austríaco definiu como o melhor tiro da carreira.

“Eu já tinha tentado o tweener muitas vezes, mas foi meu primeiro winner limpo. Não acreditei porque eu estava muito atrás da linha de base. Provavelmente, foi o melhor golpe que acertei na vida.”

Ressalte-se, porém, que o argentino deu trabalho. No primeiro set, teve break points em três games de serviço de Thiem, inclusive um 0/40 no 3/2. O mérito do austríaco foi ser superior e não cometer erro nenhum em todos momentos delicados. Schwartzman também ensaiou uma reação na segunda parcial, vencendo três games (duas quebras) depois estar 0/5 atrás, mas, novamente, Thiem foi mais sólido quando a coisa apertou.

Em busca da vaga na final, Thiem vai enfrentar Albert Ramos Viñolas, que não teve problemas diante do qualifier argentino Nicolas Kicker: 6/2 e 6/3. Atual número 25 do mundo e ocupando o melhor ranking da carreira, o espanhol venceu o único duelo que fez contra Thiem. Foi nas quadras duras de Chengdu, no ano passado, nas quartas de final, e o placar foi 6/1 e 6/4. Será que no saibro, com a bola quicando alto – condições perfeitas para Thiem – Ramos consegue repetir?

Bruno Soares e a derrota mais doída

A final já seria complicada, afinal os colombianos Robert Farah e Juan Sebastian Cabal, atuais bicampeões do Rio Open e tradicionais pedras no sapato de Bruno Soares, garantiram cedo seu lugar na decisão quando superaram Julio Peralta e Horacio Zeballos por 6/7(4), 7/6(6) e 10/6.

O pior é que a final acabou não vindo. Bruno Soares e Jamie Murray fizeram um jogo duríssimo contra Pablo Cuevas e Pablo Carreño Busta e acabaram eliminados. Brasileiro e britânico até tiveram um match point no match tie-break, mas a devolução de Soares não teve o efeito desejado, e a chance não foi aproveitada. Dois pontos depois, graças principalmente a um lob defensivo de Pablo Cuevas que caiu na linha, uruguaio e espanhol fecharam: 6/4, 3/6 e 12/10.

Foi a quarta chance de Bruno Soares nas semifinais do Rio Open (a primeira com Murray) e a quarta derrota. O mineiro saiu de quadra hoje dizendo que foi o revés mais doído.

“Nos outros anos, achei que nós jogamos bem mais ou menos. Chegar na semifinal era meio que lucro. Eu saía falando ‘não fiz muita coisa para estar na final.’ Este ano, fiquei chateado porque achei que, dentro das condições [Soares já havia reclamado das bolas usadas no Rio Open], a gente jogou bem. A gente conseguiu ter match point jogando um nível bom de tênis. Nos outros anos, a gente foi meio que se arrastando até a semi, e eu meio que saía aceitando o que tinha acontecido. Este ano… faltou um ponto, cara.” … “Ter match point doeu. Preferia ter perdido no 9/7 ali, pá-pum. Seria um pouco menos doído.”

O melhor do sábado

A sessão começa às 17h, com Dominic Thiem x Alberto Ramos Viñolas. Em seguida, Casper Ruud encara Pablo Carreño Busta. A programação ainda prevê um show de Nina Miranda antes da decisão de duplas, que fecha a noite no Rio Open.


Rio Open, dia 4: Bellucci ‘morto’, Melo em crise e Soares com drama
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Alexandre Cossenza

Que dia para os brasileiros no Rio Open! Primeiro, houve drama na Quadra 1 com Bruno Soares e Jamie Murray desperdiçando chances e match points. Depois, a eliminação nas quartas de final deixou Marcelo Melo chateado e reavaliando a parceria com o polonês Lukasz Kubot. Por fim, o duelo brasileiro na quadra central terminou com uma cena desagradavelmente familiar: Thomaz Bellucci esgotado fisicamente. Melhor para Thiago Monteiro, que avançou, terá o melhor ranking da carreira e uma chance rara de ir até as semifinais de um ATP 500.

Bellucci traído pelo físico mais uma vez

Era para ser uma partida equilibrada entre dois tenistas que se conhecem bastante e treinam juntos. Até foi assim, mas só durante o primeiro set. O segundo foi morno, e o terceiro deixou óbvio: com menos de duas horas de duelo, Thomaz Bellucci estava esgotado. Thiago Monteiro aproveitou e avançou às quartas de final: 7/6(8), 3/6 e 6/3.

Em vez de ver o Bellucci paciente, taticamente inteligente e preciso de terça-feira, o público que esteve no Jockey Club Brasileiro infelizmente viu o Bellucci mais frequente. Irregular, perdendo chances – inclusive um set point no saque no primeiro set – e sofrendo com o preparo físico. Após o jogo, o paulista chegou à zona mista (onde são realizadas as entrevistas curtas pós-jogo) abatido e chateado. “Morri no terceiro set”, disse, com todas as letras.

Bellucci afirmou, inclusive, que já sentia dificuldades no segundo set, sem conseguir imprimir um volume bom de jogo. A declaração é preocupante porque, ainda que disputado na umidade carioca, o duelo foi realizado à noite, em uma temperatura de 27 graus, e Bellucci estava pregado com menos de 2h de jogo.

Tão preocupante quanto a última frase de Bellucci aos jornalistas. “É vida que segue. Não foi o primeiro jogo que perdi porque não consegui aguentar fisicamente. É seguir trabalhando.”

Os méritos e o melhor ranking de Monteiro

Embora os problemas físicos de Bellucci tenham privado os espectadores de ver um terceiro set equilibrado, é preciso lembrar dos méritos de Thiago Monteiro. Primeiro, ao salvar dois set points no tie-break do primeiro set. Depois, mais tarde, ao sair de um delicado 0/30 no primeiro game do terceiro set e emendar com uma quebra de saque. Foi, inclusive, a única da parcial decisiva.

Com a vitória, Monteiro alcançará o melhor ranking da carreira. Mesmo que perca nas quartas, o cearense de 22 anos deve aparecer entre os 75 melhores na próxima atualização da lista da ATP. Ainda não será suficiente para se tornar o #1 do Brasil, já que Bellucci também está ganhando posições nesta semana. Monteiro só ultrapassará o paulista se vencer mais um jogo no Rio de Janeiro.

Derrota e parceria em xeque para Marcelo Melo

Marcelo Melo e seu parceiro, o polonês Lukasz Kubot, foram eliminados pelo chileno Julio Peralta e o argentino Horacio Zeballos: 6/4 e 6/4. O resultado não deixou o mineiro nada contente. A parceria com Kubot, iniciada em janeiro, só rendeu quatro vitórias e quatro derrotas até agora.

Melo não é conhecido por frases fortes, então é preciso pescar pequenos indícios dentro de suas frases. E as declarações desta quinta deixaram escapar – pelo menos foi essa a impressão de quem estava lá na zona mista – que o mineiro está preocupado quanto ao futuro da parceria com o polonês.

“Normalmente, eu me adapto muito bem [a parceiros de estilos diferentes], mas não adianta a gente jogar muito kamikaze e bomba pra todo lado. Eu gosto de um jogo mais controlado, mais sólido. Às vezes, com menos velocidade e mais porcentagem. A gente precisa encontrar esse balanço porque eu sou mais desse estilo. O Lukasz é mais agressivo. Tem dia que não entra a bola e nós vamos perder para qualquer dupla! Nós precisamos encontrar esse equilíbrio para ver se a gente consegue manter a dupla – para evoluir porque tem que tentar até certo ponto encontrar esse equilíbrio, senão não adianta seguir.”

Drama com Bruno e Jamie na Quadra 1

Bruno Soares e Jamie Murray estiveram a dois pontos da eliminação nesta quarta-feira, mas conseguiram uma apertada vitória sobre os argentinos Diego Schwartzman e Andres Molteni: 6/3, 5/7 e 11/9. Não parecia que seria assim quando brasileiro e escocês venceram cinco games seguidos no primeiro set, mas o jogo ficou nervoso quando o mineiro foi quebrado no 12º game da segunda parcial, o que forçou um match tie-break.

O set de desempate também parecia sob controle quando Soares e Murray abriram 9/5, mas a parceria desperdiçou dois mini-breaks e viu os argentinos empatarem em 9/9. Molteni, então, arriscou uma devolução de backhand, mas mandou a bola ao lado. No quinto match point, Schwartzman estranhamente furou um voleio – o que fez a torcida finalmente comemorar um tanto aliviada.

Será a quarta vez de Bruno Soares nas semis do Rio Open. O mineiro, porém, nunca chegou à final. Na coletiva, ele disse que uma vitória assim, vencida com momentos nervosos, vai ajudar na rodada seguinte. Sobre a partida, os dois ressaltaram as ótimas devoluções de Molteni, que equilibraram o confronto, mas o mineiro ressaltou que perdeu duas boas chances no segundo set. Primeiro, em um voleio no 4/4, com break point a favor. Mais tarde, com uma devolução errada no ponto decisivo do 5/5.

Pelo menos no papel, a semi não será nada simples, já que os adversários serão Pablo Carreño Busta e Pablo Cuevas. Espanhol e uruguaio passaram pelo argentino Facundo Bagnis e pelo português Gastão Elias por 6/4 e 7/5.

O convite bem aproveitado e o telefonema na quadra

Casper Ruud, desconhecido norueguês número 208 do mundo que ganhou um convite da organização para disputar o Rio Open, continua aproveitando a ótima chance. O adolescente de 18 anos bateu, de virada, o espanhol Roberto Carballés Baena e avançou às quartas de final por 6/7(4), 6/4 e 7/6(3).

Agenciado pela IMG, a dona do torneio, Ruud foi mostrado pela transmissão ao telefone ainda antes de sair da quadra. Depois, revelou que a ligação era de seu empresário – o mesmo que conseguiu o convite – que comemorava a vitória do atleta. Já é a melhor campanha da carreira de Ruud no circuito ATP, e o norueguês que mora e treina na Espanha vem mostrando golpes sólidos, cabeça no lugar e um ótimo preparo físico no calor e na umidade do Rio de Janeiro.

De qualquer maneira, será uma chance rara para Thiago Monteiro. Não é todo dia que alguém pode alcançar as semifinais de um ATP 500 enfrentando nas quartas um adversário que não está nem no top 200. Até agora, o cearense aproveitou as oportunidades que teve.

Bolinhas polêmicas são as melhores fabricadas pelo patrocinador

Em quatro anos de evento, o Rio Open acumula queixas sobre as bolinhas usadas pelo torneio. A lista de reclamões inclui Rafael Nadal, Kei Nishikori e Dominic Thiem, só para ficar nas estrelas internacionais. Bruno Soares também sempre falou que as bolas são muito duras e difíceis de controlar.

Perguntei sobre isso a Lui Carvalho, diretor do torneio. Ele afirma que as bolas usadas no Rio são as melhores fabricadas pela Head, patrocinadora do torneio. Vale lembrar que Nadal, uma vez, chegou a dizer que a ATP não deveria aprovar essas bolas para uso em seus torneios.

A quadra que não enche

Há vários motivos para os assentos constantemente vazios na quadra central do Rio Open. Preços, horários, calor, patrocinadores, atrações fora da quadra, falta de um nome de maior peso para a venda de ingressos… Tudo tem sua influência, em grau maior ou menor. Mas não deixa de ser lamentável ver tantos espaços em branco durante os momentos mais emocionantes do torneio.

A foto do tweet acima, por exemplo, foi feita durante o tie-break do primeiro set entre Bellucci e Monteiro. Dois tenistas da casa, jogando em horário nobre, à noite (menos calor), com muita coisa em jogo. Depois, ao fim da partida, com o jogo entrando pela madrugada, o público era bem menor.

O melhor da sexta-feira:

A programação começa mais cedo, às 15h, em vez de às 16h30min. As quatro quartas de final serão na quadra central, com Monteiro fechando o dia contra Ruud. As semifinais de duplas serão na Quadra 1, conforme o previsto, com início marcado para as 17h.


Rio Open, dia 3: susto de Melo, sonho de Guga e Fognini ‘atirador de facas’
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Alexandre Cossenza

Não foi um dia de resultados espantosos ou partidas especialmente atraentes no Rio Open, mas sobrou assunto interessante. Desde a coletiva de Gustavo Kuerten, que disse que não faz mal sonhar com o Rio Open se tornando um Masters 1000, incluindo o papo com João Zwetsch, que falou sobre a necessidade de Thomaz Bellucci ser mais consistente, até as críticas “britânicas” de Jamie Murray sobre as bolas usadas no Rio Open.

A quarta-feira também teve um pequeno susto de Marcelo Melo na primeira rodada da chave de duplas e o momento “atirador de facas” de Fabio Fognini, que deixou sua raquete presa na lona do fundo de quadra (vídeo abaixo).

Marcelo Melo e Lukasz Kubot fazem ‘adicional noturno’

Era para ser uma vitória sem drama e foi assim durante um set. No início da segunda parcial, contudo, Marcelo Melo e Lukasz Kubot vacilaram e deixaram Feijão e Fabricio Neis abrirem 5/1. Melo e Kubot viraram, mas perderam o saque de novo no 12º game e só conseguiram fechar no tie-break: 6/1 e 7/6(4).

Após a partida, brasileiro e polonês foram direto para uma das quadras de treino, onde ficaram por cerca de mais uma hora. Depois, na zona mista, falaram sobre a complicada adaptação às condições locais. Os dois chegaram de Roterdã, onde jogaram em quadra dura coberta. Sobre o adicional noturno, Melo disse que “quando as coisas não saem tão bem, é bom sempre bater uma bola depois para dar uma soltada, uma relaxada, sacar tranquilo e saber que naqueles momentos que são nervosos, a gente pode jogar tranquilo. Por isso que a gente vai bater depois. Para ir para o hotel mais tranquilo.”

Bruno Soares e Jamie Murray: sem drama e (quase) sem queixas

Cabeças de chave #1, Bruno Soares e Jamie Murray venceram sem tanto drama: 6/4 e 6/2 sobre o gaúcho Marcelo Demoliner e o neozelandês Marcus Daniell. Os dois saíram contentes com a atuação e Bruno até evitou fazer a queixa anual sobre as bolas usadas no Rio Open. O mineiro sempre falou que elas são muito duras e difíceis de controlar.

Pedi, então, a opinião de Jamie, que fez sua crítica, mas de uma maneira bastante polida. O escocês disse que as condições mudaram um pouco porque a quarta-feira foi um pouco menos quente do que os últimos dias. Por isso, não sentiu as bolas voando como antes. Com as bolas voando, “é difícil controlar os voleios e quando os caras batem forte contra você, o que acontece muito nas duplas, não é tão fácil controlar a bola.” Murray disse também, de um jeito bem britânico, que “cada [tenista] tem suas condições ideais. Não acho que muitas pessoas escolheriam essas condições, mas é assim que é.”

Guga vê Rio Open na quadra dura como Masters 1000 e talvez no lugar de Miami

Gustavo Kuerten esteve no Jockey Club Brasileiro nesta quarta-feira e concedeu uma entrevista coletiva de meia hora. A parte que mais me interessou foi sua opinião sobre a mudança de piso do Rio Open. Ano passado, o torneio pediu a alteração junto à ATP, que não aprovou o evento em quadras duras. Guga concorda com o diretor do torneio, Lui Carvalho, ao afirmar que imagina o torneio em um patamar mais alto se disputado no piso sintético.

“Tem um Parque Olímpico pronto aqui do lado, na esquina. É muito provocativo isso. Acima de identidade e do que é melhor para os [tenistas] brasileiros. De repente, o que é melhor para os brasileiros hoje pode ser diferente daqui a dez anos. O circuito também é em quadra dura. Eu consigo visualizar, pela dimensão que é a estrutura do Parque Olímpico, indo para lá, em quadra dura, como um Masters 1.000. Seria e é um sonho interessante de cultivar.” … “E se precisar ser em quadra dura para trazer bons jogadores e o torneio tem sucesso, precisa ser feito. O resto vai se adequando.”

Indagado se concorda que a mudança é necessária para que se alcance um outro nível, Guga deu (mais) uma resposta politicamente correta.

“Porque não consigo visualizar esse torneio dentro da turnê da Europa. Não tinha como tirar [os tenistas] do meio do circuito europeu para eles virem para cá. Então só consigo imaginar entre Miami e Indian Wells. Talvez com o torneio de Miami vindo para cá daqui a uns 15 aninhos. Eles estão meio defasados na estrutura lá. Aqui tem um Centro Olímpico (risos).” … “Hoje, pensar nisso é quase que uma perda de tempo, mas sonhar com isso é bom também. Tem que continuar cultivando esse sonho e esperar o momento de conseguir visualizar com mais veracidade essa hipótese.”

Ao fim da coletiva, Guga mostrou aos jornalistas o primeiro exemplar do livro de fotos “Guga Imagens De Uma Vida”, produzido pela Editora Magma. Durante o Rio Open, a publicação estará disponível com exclusividade na Livraria da Travessa do Shopping Leblon. Quem quiser também pode adquiri-lo na loja virtual da Editora Magma por R$ 149,00.

Zwetsch e a (in)consistência de Bellucci

João Zwetsch, capitão brasileiro na Copa Davis e técnico de Thomaz Bellucci, falou com um grupo de jornalistas brasileiros nesta quarta-feira e respondeu algumas perguntas sobre seu tenista e o duelo com Thiago Monteiro. Perguntei sobre como Bellucci foi mais consistente e paciente contra Nishikori e o que era possível fazer para convencer o paulista a jogar assim com mais frequência, já que Bellucci assumidamente não gosta de atuar dessa maneira. O gaúcho disse que esse é o grande objetivo para 2017:

“Eu sempre falo isso para ele. Eu sempre tive esse conceito. O Thomaz é um cara forte. Quando ele está com condições de atuar como pode atuar, ele pode ganhar de um Nishikori como ele ganhou ontem sem jogar uma grande partida. Para mim, ele não jogou uma grande partida. Ele jogou correto.” … “Essa é a nossa busca maior. Fazer com que ele tenha consistência em cima disso. Uma vitória dessa sempre dá uma crença maior no nosso caminho. Espero que a gente possa seguir assim para que ele tenha um ano com a qualidade que pode ter. E que este ano sirva para criar uma estrutura de consistência, que é o que todo mundo espera de um jogador com o nível do Thomaz.”

Mais tarde, diante de uma pergunta sobre os objetivos para a temporada, disse:

“Acho que este ano é um ano para ambicionar, acima de tudo, essa questão levantada antes, que é uma forma consistente de jogar.” … “Para jogadores como ele, que são muito agressivos e assumem muito o risco, isso é fundamental. Não dá para perder o senso de controle de ‘como eu estou”, “onde eu estou”. Às vezes, dar um winner é coisa mais necessária no momento, mas se o jogador não está se sentindo tão à vontade para isso, talvez jogar duas bolas ou três a mais, mover o adversário, possa resolver o problema também. Essa leitura melhor, mais constantemente clara na frente dele, sem dúvida vai fazer diferença para ele. Foi o que ele fez ontem [contra Nishikori]. Em muitos momentos do jogo, ainda passou um pouquinho da conta, mas isso vai acontecer. Ele é extremamente agressivo. Às vezes, bota umas bolas que saem um pouco mais porque (risos) não pega na veia e quando pega não tão na veia ela vai lá no… (risos) Mas eu prefiro isso do que o lado onde a limitação é maior e ele fica menos competitivo.”

Fognini, o atirador de facas

Sabe aquele cara mestre em atirar facas e fazer com que elas sempre atinjam o alvo com a lâmina? Pois é, Fabio Fognini fez algo parecido nesta quarta-feira. Atirou a raquete contra a lona do fundo de quadra e viu seu instrumento de trabalho fazer um furo no tecido e ficar preso, pendurado.

O italiano acabou derrotado por Albert Ramos Viñolas por 6/2 e 6/3. O espanhol avançou às quartas de final para enfrentar o qualifier argentino Nicolas Kicker.

Thiem e a chave favorável

Principal cabeça de chave do torneio após a queda de Kei Nishikori, Dominic Thiem voltou a vencer a garantiu seu lugar nas quartas de final do Rio Open. Com o triunfo por 6/2 e 7/5 sobre Dusan Lajovic, o top 10 austríaco agora vai enfrentar o argentino Diego Schwartzman (#51). Thiem é favoritíssimo e será também se avançar às semifinais, afinal enfrentará o vencedor do jogo entre o qualifier Nicolas Kicker (#123) e o espanhol Albert Ramos Viñolas (#25).

O austríaco, aliás, é mais um descontente com as bolas da Head usadas no Rio de Janeiro. Assim como Jamie, Thiem disse que as condições estavam mais lentas na noite de hoje, mas reforçou que isso nada tinha a ver com as bolas. “A bola não muda. Se está um pouco mais lento e úmido, a bola não quica tão alto e não fica tão rápida, e é mais fácil de controlar. Se as condições forem como hoje, é mais fácil jogar.” A previsão, no entanto, é de dias mais quentes até domingo. Ou seja, bolas voando por toda parte.

O melhor da quinta-feira

Como era de se esperar, Thomaz Bellucci e Thiago Monteiro fazem o jogo mais esperado, fechando a programação da quadra central. Marcelo Melo e Bruno Soares, mais uma vez, estão escalados para a Quadra 1.

Vale lembrar: foi estabelecido antes do início do torneio que apenas a final de duplas será jogada na quadra central. Nas primeiras edições do torneio, até houve polêmica as duplas ficando fora da maior arena do Rio Open, mas com o tempo organizadores e atletas chegaram a um consenso de que seria melhor ter a modalidade na Quadra 1, menor e mais aconchegante.


Rio Open, dia 2: a recompensa pela adaptação de Thomaz Bellucci
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Alexandre Cossenza

Se não foi o melhor dos cenários, o sorteio para estrear contra Kei Nishikori nunca foi a mais azarada das possibilidades para Thomaz Bellucci (e eu falei sobre isso nesta análise para o Rio Open). Com uma atuação competente e taticamente (quase) impecável, o brasileiro mostrou que adaptação faz diferença. Chegou cedo ao Rio de Janeiro, acostumou-se à quadra central e às bolas. Estava afiado para a estreia. O japonês, que estava em Buenos Aires até segunda-feira, deixou nítida a diferença. No grande jogo do dia, Bellucci derrubou o cabeça 1 do Rio Open e avançou às oitavas de final por 6/4 e 6/3.

Só que a terça-feira carioca também teve uma bela virada de Thiago Monteiro sobre Gastão Elias, além de Dominic Thiem, cabeça 2, confirmando seu favoritismo sobre Janko Tipsarevic. O resumão do dia traz análises dos jogos mais importantes, o que rolou de bom nas entrevistas coletivas e o que esperar da quarta-feira, que estará cheia de duplas. É só rolar a página e ficar por dentro.

Bellucci preciso, paciente e empolgante

Thomaz Bellucci apostou na regularidade. Devolveu os saques de Kei Nishikori lá do fundão, colocou bolas em jogo e acreditou que a consistência seria recompensada. O japonês, que chegou ao Rio só na segunda-feira cansado de uma semana longa em Buenos Aires, deixou nítida sua falta de adaptação ao torneio carioca. Enquanto Bellucci alongava as trocas de bolas, Nishikori cometia erros e perdia a paciência.

Nishikori nem conseguiu aproveitar quando Bellucci desperdiçou a quebra de vantagem depois de abrir 40/0 no quarto game. O brasileiro continuou com o mesmo plano de jogo e foi recompensado, quebrando uma indesejável série de 22 derrotas diante de adversários do top 10. A última havia sido contra Janko Tipsarevic (então #8) em Gstaad/2012.

O tênis mostrado por Bellucci nesta terça-feira, no Rio de Janeiro, foi um pouco do que todos gostam e sabem que ele pode jogar. Em vez de atacar o tempo todo e cometer pilhas de erros não forçados, conteve o instinto afobado, se defendeu bem e exigiu que o adversário fizesse uma boa partida para vencê-lo. Nishikori não conseguiu, e o paulista avança às oitavas de final para encarar Thiago Monteiro.

Nas coletivas, Nishikori, primeiro a aparecer, disse que as condições do Rio estão muito diferentes das de Buenos Aires e que nada deu certo no seu jogo. O japonês disse até que foi sua pior partida dos últimos anos e que, para ele, Bellucci nem fez um grande jogo.

“O quique é muito alto, e as bolas são muito pesadas. As bolas foram o mais difícil de me acostumar. Não consegui sentir nada. Não era meu dia. Não acho que ele também jogou um grande tênis.”

Bellucci concordou parcialmente. Disse que não foi o melhor jogo de sua vida, mas obviamente saiu contente com sua postura tática e com o resultado. E afirmou também que teve sua parcela de mérito pela noite ruim de Nishikori. Bellucci só não abriu o jogo quando foi indagado sobre os resultados dos sets disputados contra Monteiro nos treinos. Respondeu “Ah, não vou dizer” e sorriu. Depois, disse “é pau a pau” e riu um pouco mais, feliz da vida.

Um ano depois, um Thiago Monteiro mais “parte desse meio”

Não foi um começo de Rio Open para Thiago Monteiro. Em compensação, sobraram foco e esforço para superar os momentos delicados e bater o português Gastão Elias por 2/6, 7/6(4) e 6/4. O cearense perdeu o serviço nas duas primeiras vezes que sacou e viu um Elias mais sólido disparar na frente e fechar o set.

A segunda parcial já foi bem diferente, o Monteiro confirmando com mais facilidade, só que ainda faltava ameaçar o serviço do português. O cearense, então, se viu em um momento delicadíssimo quando sacou em 3/4 no tie-break. Mesmo assim, jogou dois pontos com o segundo serviço e se safou. Elias, que errou por centímetros uma direita que lhe daria um mini-break, acabou vacilando em seguida. Foi aí que o jogo mudou de vez.

No set decisivo, Monteiro quebrou Elias no terceiro game. O português, frustrado com as chances perdidas (também perdeu três break points no segundo game do terceiro set), atirou a raquete no chão, discutiu com o público e viu a banda passar. Ainda teve pequenas chances, mas nada concreto.

Na coletiva, Monteiro, um ano depois do triunfo sobre Jo-Wilfried Tsonga que praticamente iniciou sua ascensão rumo ao top 100, falou sobre como é mais reconhecido pelos adversários e o quanto isso faz bem à sua carreira.

“Eu tenho treinado mais com eles, conhecido melhor alguns. É bom ter essa relação, poder marcar um treino em algum lugar específico também. Isso tem sido um fator importante, é legal ter esse reconhecimento. Eu me sinto cada vez mais fazendo parte desse meio, então isso é importante para mim.”

Thiem em seu habitat preferido

As condições são ideais e, mesmo sem estar (ainda) tão à vontade no Rio de Janeiro, Dominic Thiem mostrou por que é favorito ao título do evento – ainda mais agora, após a eliminação de Nishikori. O austríaco ficou bem confortável muito atrás da linha de base, usando a velocidade da quadra e o quique das bolas pesadas para se impor diante de Janko Tipsarevic por 6/4 e 7/5.

Os coadjuvantes (por enquanto?) de luxo

Do jeito que a organização precisou encaixar os jogos, a Quadra 1 foi palco de três jogos bastante interessantes. Primeiro, Fabio Fognini bateu Tommy Robredo por 6/2 e 6/4. Depois, Pablo Carreño Busta eliminou Feijão por 6/3 e 6/2. Por último, Alexandr Dolgopolov aumentou a fase ruim de David Ferrer ao aplicar 6/4 e 6/4.

Ferrer agora soma três derrotas consecutivas e um retrospecto total de três triunfos e cinco reveses em 2017. O espanhol, que chegou ao Rio falando que estava sendo difícil se acostumar a perder com mais frequência do que o habitual, acaba amargando mais um resultado negativo.

Dolgopolov, por sua vez, soma sua sexta vitória seguida. O ucraniano, campeão em Buenos Aires, bateu Tipsarevic, Cuevas, Gerald Melzer, Carreño Busta, Nishikori e Ferrer no período. Uma sequência invejável e que o coloca como sério candidato ao título no Rio, já que Dolgo não teve os mesmos problemas de adaptação que Nishikori – ou, pelo menos, não sofreu com a mesma intensidade.

Duplas: o melhor da quarta-feira

O terceiro dia do Rio Open não tem lá uma programação das melhores para a quadra central, mas compensa com uma empolgante Quadra 1, com brasileiros em todos os jogos. Além dos times de Bruno Soares e Marcelo Melo, que são cabeças de chave 1 e 2, Bellucci e Monteiro jogam juntos antes de seu duelo nas simples, e André Sá tenta deslanchar na temporada 2017.


Rio, dia 1: Três jogos, três zebras e uma homenagem (quase) sem público
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Alexandre Cossenza

A edição de 2017 do Rio Open começou com uma programação que pouco empolgava na quadra central, mas que acabou com resultados interessantes. Nas três partidas marcadas para a maior arena do complexo, o azarão venceu. O primeiro deles foi o wild card Casper Ruud. Em seguida, o qualifier Arthur De Greef. Por último, o também qualifier Robert Carballés Baena.

As maiores atrações, no entanto, foram guardadas para a terça-feira. Tanto Kei Nishikori quanto Dominic Thiem, os dois principais cabeças de chave, vão estrear na segunda jornada. O mesmo vale para os brasileiros Thomaz Bellucci e Tiago Monteiro, que também estarão na quadra central. Até lá, no entanto, deixo com vocês o resumão do primeiro dia.

Rogerinho derrotado

O dia começou com uma derrota brasileira. Rogério Dutra Silva tombou diante do adolescente norueguês Casper Ruud (o rapaz da foto no alto do post), de 18 anos, atual número 208 do mundo: 6/3 e 6/4. Não foi um dia em que as coisas deram certo para Rogerinho, que não conseguiu sair de uma postura defensiva durante a maior parte do tempo no saque o adversário. Ruud, que entrou na chave graças a um convite da organização, esteve bem no serviço o tempo inteiro e deu pouquíssimas chances.

Após o jogo, Rogerinho disse que nunca se sentiu cômodo em quadra e que, sempre que achava que ia “entrar” no jogo, algo acontecia a favor do oponente. De fato, Ruud foi quase sempre preciso nos pontos importantes. Quando não foi, contou com uma pitada de sorte. E assim o convidado do torneio, agenciado pela IMG, avançou para a segunda rodada.

O campeão que perde 500 pontos

Pablo Cuevas foi a decepção do dia. Não só pelo resultado – porque o qualifier Arthur De Greef, #138 – mas pela atuação. O uruguaio, campeão dos dois ATPs brasileiros em 2016, esteve errático e vacilante em momentos importantes. Até parecia o tenista mais sólido em quadra no início do terceiro set, mas foi dando cada vez mais chances ao belga com o passar do tempo.

O game final foi uma síntese do que Cuevas mostrou em todo jogo. Abriu 40/15, cometeu uma dupla falta no 40/30 e perdeu um ponto fácil junto à rede quando teve mais um game point para forçar o tie-break. De Greef errou menos quando importava mais e terminou vitorioso por 6/3, 3/6 e 7/5.

A homenagem para quase ninguém

No meio da sessão noturna, o Rio Open manteve sua tradição de homenagear grandes nomes da história do tênis brasileiro. Nesta segunda, talvez para compensar a ausência do torneio feminino (até ano passado, o evento tinha um torneio da série International da WTA), o torneio prestou homenagens a Andrea Vieira, Gisele Miró, Patrícia Medrado e Teliana Pereira.

A lamentar, apenas, o minúsculo público que estava em quadra durante a pequena cerimônia. Não que a quadra central estivesse lotada para o jogo de Pablo Cuevas e Arthur De Greef, mas quando a homenagem começou, muitos espectadores que saíram (para banheiro, comida, etc.) ainda não haviam retornado à arena. Uma pena que tenha sido assim. Talvez tivesse sido uma ideia mais interessante fazer a homenagem na terça-feira, quando jogam Nishikori, Thiem, Bellucci e Tipsarevic. Certamente haveria mais gente nas arquibancadas.

A ressaltar: Niege Dias e Claudia Monteiro estavam na lista de homenageadas, mas não compareceram. Todas as cinco foram top 100.

Sousa também dá adeus

Se havia pouca gente na Quadra Gustavo Kuerten durante a homenagem, havia menos ainda quando João Sousa e Roberto Carballés Baena entraram para o último jogo do dia, pouco antes de 22h. E os bravos gatos pingados que nem foram recompensados com um belo jogo. Sousa, o mais cotado, jogou bem abaixo de seu melhor tênis e foi abatido por 6/3 e 6/1.

Kei Nishikori cansado

O japonês chegou hoje ao Rio – jogou e perdeu a final do ATP 250 de Buenos Aires no domingo) – e foi praticamente direto para a sala de entrevistas coletivas. Em seu inglês limitado, Nishikori afirmou que talvez vá curtir o carnaval se ganhar. O japonês admitiu que está cansado, mas falou que está “fisicamente okay”. Resta saber se será o bastante para entrar em quadra e confirmar seu favoritismo contra Thomaz Bellucci, que está descansado e mais adaptado à quadra central.

Nishikori também afirmou que será uma partida difícil. “Ele é um grande jogador no saibro, especialmente aqui eu sua cidade natal [na verdade, Bellucci é paulista]. Definitivamente, é um jogo duro. Jogamos na França a última vez e foi uma boa batalha. Estou esperando uma batalha dura desta vez.”

Dominic Thiem em cima da hora

Thiem nem foi tão longe assim no ATP 500 de Roterdã, na semana passada (caiu nas quartas diante de Herbert), mas também chegou ao Rio em cima da hora. O austríaco chegou falando da mudança de fuso horário e de piso (Roterdã foi em quadra dura), mas afirmou mais uma vez o quanto gosta de jogar no saibro. Ele enfatizou, inclusive, que se é para jogar em condições extremas como no Rio, quente e úmido, é melhor fazer isso na terra batida do que no piso sintético.

No dia 2

Pode muito bem ser o melhor dia de todo o torneio, com Thiago Monteiro, Kei Nishikori, Thomaz Bellucci, Dominic Thiem e Janko Tipsarevic na quadra central. Além disso, a Quadra 1 também é uma ótima opção, com Robredo x Fognini, Feijão x Carreño Busta e Ferrer x Dolgopolov. As duplas de Marcelo Melo e Bruno Soares ainda não estrearam e devem aparecer só na quarta.


Tipsarevic: ateu, questionador e irônico até nas tatuagens
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Alexandre Cossenza

Janko Tipsarevic não é um tenista comum. Ele pensa, fala e age diferente. Hoje com 32 anos, o sérvio já foi descrito como alguém que mais se assemelha a um professor universitário de filosofia do que a um tenista “comum”. Os óculos ajudam a dar essa impressão. A tatuagem no braço esquerdo, uma citação de um livro de Dostoiévski, reforça.

Não que os feitos tenísticos de Tipsarevic sejam “comuns”. O sérvio foi top 10 em 2012 e acumulou mais de US$ 7 milhões ao longo da carreira. Quando sofreu sérias lesões que surgiram cerca de três anos atrás, poderia ter se aposentado com seus livros de filosofia. Preferiu passar por quatro cirurgias (duas no pé esquerdo, uma no joelho direito e um implante de células-tronco no tendão do mesmo joelho) e voltar. No período, ficou sem jogar por 18 meses. Retornou, jogou cinco meses e parou por outros nove.

O Rio Open, depois de dois resultados frustrantes em Quito e Buenos Aires, é o próximo passo desse retorno. Atual número 94 do mundo, Tipsarevic recebeu um wild card para o ATP 500 carioca e conversou comigo neste sábado, antes de saber que enfrentaria Dominic Thiem, cabeça de chave #2, na estreia. O papo foi … filosófico. Conversamos sobre os lados bom e ruim das sensações que o tênis desperta. Também falamos de Dostoiévski (ele falou, na verdade) e, brevemente, sobre moda – sua esposa é uma conhecida estilista. E, por fim, falamos de sua expectativa para o Rio Open.

A íntegra da entrevista está abaixo e espero que vocês curtam tanto quanto eu gostei de fazê-la.

Você já fez bastante no tênis e está bem resolvido financeiramente, casado e com uma filha, fora de quadra. Depois de duas lesões sérias e tanto tempo sem conseguir jogar, por que insistir?

Os problemas no meu corpo começaram quando eu tinha 29. Aposentar com 29 ou 30 anos, nesta época, eu acho que é cedo demais. Foi-se o tempo em que tenistas se aposentavam com 30. Muitos de nós estamos cuidando melhor de nossos corpos para que as carreiras sejam mais longas. Claro que existe um aspecto financeiro e todo mundo gosta de dinheiro, mas para mim não é isso. O que eu já ganhei investi inteligentemente, então a principal razão para eu voltar é acreditar que ainda posso jogar tênis. Vou ter o resto da vida para fazer outras coisas, mas eu posso jogar apenas mais duas, três ou quatro vezes em Wimbledon na vida inteira. Depois, nunca mais. O motivo principal é querer jogar mais tênis.

Sem tentar já ser muito filosófico, mas sempre gosto de perguntar a tenistas o que é que eles gostam mais no tênis. É a pressão de jogar um 30/40, um break point ou…

Não. Odeio! (risos de ambos) Não acho que exista uma pessoa que goste. Existem pessoas que lidam com isso melhor do que outras, mas não acho que ninguém goste dessa sensação nervosa antes de um jogo importante ou algo assim. Na quadra, você sente isso muito menos. É claro que às vezes você sente a pressão. Gosto um pouco de tudo no tênis. Tem o lado ruim e o lado bom. Se eu não jogasse tênis, não teria a chance de visitar todos esses lugares incríveis. Por outro lado, você está longe de casa, da família, da esposa e da filha.

É um equilíbrio difícil de encontrar…

É difícil de equilibrar. Por outro lado, sei que é um clichê e centenas de jogadores te disseram a mesma coisa, mas eu adoro jogar o jogo. Adoro competir. E mesmo com as partes ruins, no fim das contas é o que você ama fazer. Se você não ama, se você não consegue lidar com a pressão e o nervosismo, você precisa de aposentar.

Só para aproveitar o mesmo exemplo, quando você diz que não gosta de jogar um 30/40, a sensação é proporcionalmente inversa se você ganha esse ponto, não?

Durante a partida, acho que não se tem essas sensações. Mesmo nas quadras centrais, você não aprecia de verdade esses momentos até acabar a partida.

E se você ganha, né?

E se você ganha! Ou até mesmo se você perde. É aí que você tem a chance de admirar o que apreciar de verdade o que aconteceu nas últimas duas, três ou quatro horas. Porque o esporte é tão intenso que você não tem muito tempo para comemorar ou viver no momento de um belo winner em um ponto importante de uma partida. O ponto seguinte começa em 25 segundos ou você leva um point penalty. A boa sensação que tenho com o esporte é absorver toda a boa experiência depois que partida acaba. Depois de todo o drama. Sei que parece muito dramático na TV ou na arquibancada e que parece que estou me divertindo quando estou jogando bem, o que obviamente eu faço, mas o prazer de verdade vem quando tudo acaba. É aí que você consegue relaxar pelo menos por um dia ou dois e ver o que você realizou.

Muito se escreve que você gosta de ler sobre filosofia e…

(interrompendo) Eu costumava.

Sei que você diz que não se acha mais inteligente do que ninguém por ler sobre o assunto, mas é uma pergunta meio pessoal porque já li um bocado desses livros na faculdade e nenhum me interessou bastante. O que é que te atraía neles?

Embora minha família seja muito religiosa, eu sou ateu por natureza. No momento da minha vida em que eu estava lendo esses livros, eu era muito jovem para entender de verdade. Eu tinha 21, 22, 23 anos.

É uma época em que se questiona muitas coisas…

Eu questionava, mas não era um questionamento inteligente. As pessoas dizem e acredito que é verdade… O mesmo livro, se você ler a cada cinco ou dez anos, ele te deixa uma impressão completamente diferente. Então é diferente se você tem 25, 35 ou 45. Acho que é porque você tem experiências diferentes em partes diferentes da sua vida. O que me atraiu a esses livros foi… O que é filosofia? Não é a verdade. É a busca constante pela verdade. E o fato de que não só o livro, mas a humanidade por si própria está o tempo todo mudando e evoluindo, e a ciência está sempre se questionando e nunca dizendo “isso é verdade” porque daqui a dez anos aquilo pode mudar.

Tudo está mudando o tempo todo…

É por isso que hoje gosto de ler sobre sociologia moderna . É mais sobre relações humanas. Todos esses escritores que eu gostava de ler, como Nietzsche ou Schopenhauer… No fim da estrada, sempre existe dor, sempre existe tristeza, sempre existe escuridão. Não existe emoção como esperança ou crença ou nada do tipo porque não está no cérebro filosófico usar essas expressões para provar alguma coisa. E, na minha opinião, [a filosofia] não combina com o tênis porque embora o esporte seja muito complicado, você precisa simplificar as cosas e até acreditar em algumas coisas que talvez não sejam possíveis naquele momento. É preciso ter esperança por um futuro melhor e ter a esperança de que fazer e acreditar nas coisas certas vai levar a um futuro melhor. É por isso que não acredito que a filosofia “case” bem com o tênis.

“A beleza vai salvar o mundo” (frase que Tipsarevic tem tatuada no braço esquerdo). O significado disso mudou para você com o tempo?

Não. Não tem nada a ver com o tênis. É uma frase de um livro de Dostoiévski chamado “O Idiota”. Na verdade, é uma ironia do livro, onde o personagem principal, Michkin, acredita que a beleza vai salvar o mundo. No livro, isso significa que ser bom para outras pessoas vai fazer outras pessoas serem boas com ele, mas por causa dessa crença, ele morre no fim.

Você vive seguindo essa crença?

Eu, não. Eu, não. Na verdade, eu acho que ser bom para os outros é uma virtude. Embora eu seja ateu, eu pratico a regra de “não faça aos outros o que você não gostaria que os outros fizessem a si mesmos”. Mas a ironia do livro é que ele [Michkin] estava cegamente tentando ser bom para todo mundo e ser bonito para todo mundo porque isso salvaria o mundo se todos os outros fossem assim. Infelizmente, na sociedade em que vivemos, não importa de onde sejamos, não é assim que funciona. É preciso ser um pouco mais cuidadoso.

Mudando de assunto, sua esposa é estilista. Além de ser personagem de alguns ensaios, você se envolve, se interessa por moda, ajuda a desenhar algo?

Em termos de desenhar, não. Em termos de decidir um caminho até onde não só ela, mas nós como família queremos estar daqui a dez anos. São decisões de carreira. É nisso que ajudo. Mas decidir se algo deve ser branco ou preto ou o que seja, não. Não sou um guru da moda nem nada parecido. Ela às vezes pede minha opinião e digo o que acho, mas usei casacos de atleta a vida inteira. Ela diz que eu tenho um bom olho para decidir se algo está certo ou errado, mas talvez ela só esteja sendo simpática comigo. Em termos de tomar decisões, não sirvo de guia de modo algum. É um ramo traiçoeiro. Você ganha muito dinheiro, mas você também pode perder não só muito, mas tudo que você conquistou nos anos anteriores…

E muito rápido!

E muito rápido. É um negócio muito traiçoeiro. É por isso que eu tento ajudá-la a tomar decisões inteligentes no começo da carreira – até mesmo sacrificando algum lucro agora, mas por um bem maior. Com sorte, dentro de dez, 15 anos, uma renda alta vai começar a entrar.

E você pede conselhos sobre o que vestir?

Eu peço, eu peço.

E existe algo que ela recomende que você não gosta de vestir?

Ela gosta que eu me vista bem demais às vezes, o que eu não concordo. Não estou falando de paletós, mas digamos que ela goste de camisas de cores vivas, o que eu não gosto de forma geral. Eu me visto de maneira muito simples porque visto roupa de atleta a vida inteira, então esse é o única discordância que temos. No fim das contas, eu faço o que ela diz (risos).

É uma decisão inteligente.

Esposa feliz, vida feliz.

#whatsuprio #riodejaneiro #keeppushing #atpworldtour @atpworldtour @tipsarevicjanko @castjf

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Para terminar, um pouco de tênis. Como você está fisicamente hoje?

Estou me sentindo muito bem.

Não vi seu jogo contra o Dolgopolov em Buenos Aires, mas…

(interrompendo) Que bom que você não viu [Tipsarevic foi derrotado por 6/3 e 6/3]. (risos)

Mas eu vi seu jogo contra Bellucci em Quito. Mas Quito não é bem tênis. É algo que lembra tênis, mas muito diferente, não?

Acredito que em Quito, depois de Victor Estrella Burgos, Bellucci é o pior cara para se enfrentar. Eu gosto de altitude, mas esses dois caras são conhecidos no circuito por somarem a maior parte de seus pontos em Gstaad, Quito e esses torneios malucos. Mas eu errei ao não ir para Buenos Aires mais cedo. Eu decidi ficar em Quito e trabalhar no meu condicionamento por causa da altitude e cheguei em Buenos Aires no domingo à tarde. Por sorte, meu jogo foi só na terça, mas choveu no domingo e na segunda. E antes do jogo contra Dolgopolov, eu nem consegui me aquecer porque estava chovendo. São pequenas desculpinhas bobas, mas vindo de 2.800m de altitude e sem jogar outdoor por dois dias, enfrentar um adversário bom…

Que não dá ritmo nenhum!

Não. Eu senti que estava jogando bem, em forma e tudo mais, mas ele me matou.

E o que você espera do Rio Open, além de uma chave melhor, é claro? (a entrevista foi antes do sorteio da chave, que aconteceu na noite de sábado)

Eu gostaria de jogar contra alguém e que eu possa jogar algum tênis. Estou na América do Sul há três semanas, treinei bem por uma semana e na primeira rodada em Quito venci por abandono. Depois, contra Thomaz, não foi tênis de verdade. Foi luta uma por sobrevivência, colocando a bola na quadra de algum modo. E por 1h03min joguei contra Dolgopolov um total de seis pontos com mais de cinco golpes.

Só seis?

Seis pontos com mais de cinco golpes! E ganhei todos os seis (risos). Então o que espero é jogar contra alguém que jogue tênis de saibro. Eu não me importo. Quer dizer, não é bem verdade. Não quero jogar contra Nishikori ou Thiem, mas tudo bem. Me deem alguém contra quem eu consigo jogar algum tênis.


Bruno Soares: vaidade, implante capilar e mais de quatro anos de tênis
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Alexandre Cossenza

Demorou um pouco mais do que o habitual, mas finalmente chega o momento de publicar o entrevistão anual com Bruno Soares. Quem lê o Saque e Voleio sabe que com o mineiro há sempre material interessante – desde sempre. A conversa deste ano foi um pouco diferente. Falamos de tênis, claro, mas também conversamos bastante sobre o implante capilar a que o mineiro se submeteu há pouco tempo. Bruno ainda anda de boné por toda parte porque evitar o sol é uma das precauções pós-operatórias.

O descontraído papo é sobre vaidade, temores e decisões, mas se você só quer ler sobre tênis, tem assunto para você também. Bruno lembra dos momentos marcantes de 2016, fala da sensação de começar o ano como dupla a ser batida, compartilha os planos para a carreira e avalia a chance de mudanças no circuito de duplas em breve. Tem assunto para todos os gostos. É só rolar a página…

A gente faz essas entrevistas desde 2012, se não me engano. Na primeira delas, seu objetivo era classificar pra Londres. Mais tarde, era ganhar um slam de duplas masculinas. Hoje, você já tem dois slams de duplas, três de mistas, terminou 2016 como dupla #1 do mundo, tem um filho, está bem casado e – dizem – bem de dinheiro. Qual a motivação pra continuar jogando com 34 anos, a dez dias de completar 35?

Tenho alguns objetivos ainda. O número 1 do ranking “individual” é um deles. A medalha olímpica é outro. Ganhar o Rio Open, outro. Tem um bocado de coisa ainda que eu posso conquistar, mas o principal disso tudo é que eu ainda amo jogar tênis. Acho que esse é o mais importante. Independentemente de objetivo e coisas que você quer alcançar, quando o prazer de ficar duas horas no sol acabar, aí a luzinha vai começando a apagar e aí é hora de repensar a carreira. Acho que isso é o principal. Os objetivos a gente vai traçando para ter um norte, para rumar naquela direção e conquistar. Eu, felizmente, venho conquistando a grande maioria das coisas que eu venho traçando, e espero… Quem sabe mais cinco grand slams nos próximos quatro anos? Tô feliz da vida!

No fim de quatro temporadas, você vai estar com 39?

É. Na próxima Olimpíada, eu estou com 38.

É essa conta que você faz agora? Jogar pelo menos até Tóquio 2020?

É essa conta. Em Tóquio, eu quero estar com certeza. Depois disso, vamos ver como estou de ranking, físico, vontade e tudo mais. Mas acho que me surpreenderia eu parar por minha vontade antes de Tóquio. Eventualmente, se o nível cai, você não aguenta tanto torneio, e uma série de coisas que podem acontecer nessa jornada, mas por vontade minha, estando bem ranqueado e jogando bem, acho muito difícil.

O ano passado começou muito bom, com dois slams (duplas e mistas) na Austrália, terminou como número 1 com um slam em Nova York, e no meio disso teve a medalha que não veio e o número 1 “individual” que escapou por um jogo. Foi uma temporada de altos muito altos e – não sei se baixos muito baixos, mas de sensações muito intensas?

De sensações, sim. Quando você tem um ano olímpico como no ano passado, no Rio, e juntando com as coisas que a gente conseguiu conquistar e estando muito perto do número 1, acho que foi um ano de grandes emoções. A gente pode definir assim. Umas, muito boas. Outras que acabaram muito perto de eu conquistar. É o que eu falo sempre. Quem está no circuito e está acostumado a jogar 25, 26, 27 torneios no ano e tem um torneio de uma semana que é a Olimpíada, todo mundo sabe que a variável é enorme. Você chega lá um dia, o cara mete uma bola na linha, você acorda mais ou menos… É um tiro que você tem. É cruel! Nesse esportes que vivem da Olimpíada, é muito cruel com a turma. O cara se prepara quatro anos, de repente ele acorda e está ventando… acabou!

E aí são mais quatro anos para tentar de novo.

Mais quatro anos para tentar de novo! O cara não tem circuito. Acabou. Isso que é o cruel das Olimpíadas. E a gente… Se você tem o sonho de conquistar a medalha olímpica, é a mesma coisa. É cruel também. Batemos na trave em Londres, batemos na trave no Rio, vamos tentar de novo em Tóquio.

Eu ia perguntar que sensação tinha sido mais doída, mas pelo que você falou, não conquistar a medalha foi muito mais forte do que o número 1 que não veio…

Acho que Olimpíadas, cara. Justamente por isso. Aquilo ali, a gente estava num momento muito bom, a gente estava na briga… Hoje eu estou mais longe do número 1. Perdemos dois mil pontos da Austrália, para chegar no número 1 é um processo de novo, mas a gente estava na boa. E Olimpíada é o que eu te falei. Você perde nas quartas, acabou. Quando é a próxima? Tóquio 2020. Você fala “puta merda”, acabou. É porque você faz muita coisa pelas Olimpíadas. São dois anos que a gente estava no planejamento. Tudo que a gente faz é pensando em Olimpíadas. Em tudo que a gente montou, as Olimpíadas estavam envolvidas também. Você passa um tempo muito grande martelando aquilo ali. Obviamente, é um negócio completamente diferente. Você tem vila olímpica, cerimônia de abertura, tudo aquilo, e quando acaba, você fala “acabou”. Mais quatro anos agora. Senta e espera.

E qual foi o alto mais alto? Aquelas 16 horas de Melbourne quando você tomou 12 xícaras de café? (Bruno foi campeão de duplas e mistas em dias consecutivos)

Acho que foi. Estou tentando comparar com o número 1, que foi do caralho também, mas aquele fim de semana de Melbourne foi algo. Porque foi meu primeiro grand slam de duplas masculinas, da forma que aconteceu… A gente acabou de madrugada, não consegui dormir, naquela pilha, adrenalina, entrevista, aquela loucura… E você para pra pensar, “o que você tem amanhã? Outra final de grand slam!” Então foi um negócio meio doido, na base da adrenalina mesmo. Pouquíssimos jogadores conseguiram ganhar dupla e dupla mista no mesmo torneio. Consegui colocar meu nome num lugar muito seleto e muito especial.

Você já falou bastante sobre o motivo do sucesso da parceria com o Jamie. O que acho interessante é que vocês ganharam em Melbourne, quando as duplas ainda estavam se encontrando, e ganharam de novo em Nova York, quando todo mundo já sabia quem era quem. E agora, começar o ano como #1, como umas das duplas a serem batidas, está sendo muito diferente?

Acho que eu vivi muito isso com o Alex [Peya]. A gente não ganhou um slam, mas se firmou como uma das melhores duplas do mundo muito rápido. Em 2012, a gente começou bem. Já saímos ganhando dois 500. A turma já tinha a gente como uma referência das duplas mais fortes. Obviamente, com o Jamie foi um negócio de ganhar dois grand slams, terminar número 1… Mas eu acho que de uma forma geral, é resultado do que a gente faz. Independentemente do resultado das duplas, a gente está estudando. O Alan [MacDonald, técnico de Jamie Murray], o Hugo [Daibert, técnico de Bruno] e o Louis [Cayer, técnico da federação britânica] vão lá e fazem vídeo, falam para a gente. A gente assiste aos jogos juntos depois. Eu acredito que os outros também estão fazendo, anotando. “O Bruno gosta da sacar ali, essa é a principal jogada deles.” Esse tipo de coisa todo mundo está fazendo. Aí é a hora que entra a qualidade do jogador de variar, se inventar. É a parte mental do jogo. O cara acha que eu vou sacar ali; eu sei que se eu sacar lá, ele vai bater ali. Então fica aquele negócio de quem vai fazer o que primeiro.

Agora, mudando de assunto, o que o pessoal comenta, mas anda meio sem graça de te perguntar… Você fez implante (de cabelo)?

Eu fiz! Vergonha zero de falar! Estou de boné o tempo inteiro porque não posso tomar sol. Eu tinha ido no médico no fim do ano, mas tem um processo que exige que você fique dez dias parado. É muito complicado pra mim. Quando eu machuquei [no Australian Open], liguei para essa médica, Dra. Maria Angélica Muricy, que está sempre com a agenda lotada, e falei. Eu chegava segunda à noite no Brasil. Quarta era feriado em São Paulo. Ela falou “eu não opero feriado e fim de semana, mas vem que eu te opero na quarta-feira.” Ela é nota 1000.

Como funciona isso?

Essa técnica chama “fio a fio”. Você coloca, o cabelo cresce um pouquinho, e em 25, 30 dias, esse cabelo cai. E aí em três meses, nasce o cabelo definitivo. Não, não tenho vergonha nenhuma! Até porque eu era careca, agora não sou mais! (risos) Não posso negar, né? Se o cara pergunta “você fez implante?”, não posso dizer “não, cresceu do nada!” (mais risos de ambos)

Cidade maravilhosa #rio #rioopen

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Mas estava te incomodando visualmente?

Não vou dizer que sou zero vaidoso porque fiz essa parada, mas não tenho vergonha nenhuma de comentar. Mas o que aconteceu? Foi de uma hora para a outra! Eu nunca me incomodei pelo fato de estar ficando careca. Acho que ano passado eu apareci muito na TV e me vi muito e comecei a falar “eu tô careca pra caralho, velho.” Eu, pelo menos, senti isso, que fiquei muito mais careca no ano passado. Entrou demais e tal. Aí estou batendo papo com o Márcio [Torres, empresário], conversando sobre implante, mas o Márcio é cabeludo, não sabia nada. Mas o [pessoa cujo nome foi omitido em nome da amizade], que é nosso amigo, fez. Não sei nem se devia falar o nome dele porque ele pode estar escondendo. Aí mandei um WhatsApp pro cara. Ele falou “velho, zero dor, técnica nova”, e ele me explicou. Marquei uma consulta e, realmente, agora é uma técnica que você tira de trás, implanta na frente. Zero cicatriz, zero dor. É muito mais fácil.

Você então não sofreu bullying nem tem trauma de infância? Nada mesmo?

Zero, zero! Sabe por que eu animei? Porque quando eu falei com o [amigo], ele disse “zero dor”. Aí eu me animei. Fui lá, ela me explicou o processo e falei “ah, vou fazer essa porra antes que eu fique careca completamente.” Mas com quem quiser falar do implante, eu falo abertamente. Nunca tive trauma. Tanto que eu não sabia de nada [sobre o assunto antes do procedimento].

E a Bruna (esposa), o que achou?

A Bruna nunca falou um “a”. Quando eu voltei, ela perguntou, eu falei “vou operar.” Ela falou “o quê??? Não vai me consultar?” Não, já decidi, o trem é simples, vou fazer. Para ela, não muda nada com ou sem cabelo.

Pergunto porque vocês estão juntos há muito tempo, então ela acompanhou todo processo de queda, né?

Ela foi acompanhando o processo, mas quando você convive o tempo inteiro, a pessoa vai “carecando” e você vai acostumando. Você não toma um choque. Não é um cara que me viu com 18 anos e depois só me viu com 34. O cara olha e diz “ele tá carecaço.” Mas se você me vê todo dia, vai acostumando com aquela imagem visual. Mas ano passado me incomodou. No ATP Finals, tinha uns pôsteres enormes que eu olhava assim e falava “tô muito careca!” Mas aí, na conversa com o Márcio, quando ele disse que o [amigo de identidade preservada] fez… Essa técnica nova é outro nível.

Falemos de política um pouco pra fechar… O Andy Murray assumiu a presidência do Conselho dos Jogadores, e um dos primeiros assuntos que ele levantou foi o circuito de duplas. Principalmente o sign-in on-site (quando tenistas se inscrevem no torneio em cima da hora, pouco antes do fim do prazo para o fechamento)…

O lance do sign-in é muito complicado. Por que que existe o sign-in on-site?

Por causa deles, os simplistas, né?

Por causa deles. Mas por que que o Andy viu isso [Andy Murray reclamou do procedimento quando jogou o Masters de Paris em 2015]? Porque ele estava jogando com o [Colin] Fleming, então ele estava na boca do gol [correndo o risco de não entrar na chave por causa do ranking combinado]. Se ele estivesse jogando com o Ferrer, ele assinava e podia ir para o hotel dormir que ele ia entrar. Como ele precisava de conta, ele viu a loucura que é em cima da hora. Mas o sign-in foi feito para esses caras. Os caras que vão entrar mesmo… Ah, o Federer vai assinar com o Wawrinka. Ele assina e vai embora porque vai entrar. Os caras que estão na boca do gol é que ficam naquela loucura. E tem muita que é duplista e precisa entrar.

Como é essa loucura?

Eu vou assinar com você. Deu dois minutos, ele assinou. Deu três minutos, fulano assinou. Aí você tem que mudar. Eu já não estou mais com você porque senão a gente não entra. Então eu vou jogar com esse fulano…

Pode mudar depois que assina?

Pode! Rabisca e assina com outro. Acontece esse troca-troca. Mas é normal. É o seguinte: ou a gente faz tudo “advanced”, ou seja, inscreve no sistema e ninguém vê, igual nas simples, que era o formato mais normal, mas esse formato vai, de certa forma, fazer com que os jogadores de simples tenham que se programar. O Andy tem um ponto muito bom, que é organizar a situação. Todo mundo concorda. Mas tira uma das vantagens do on-site, que é atrair mais jogadores de simples de última hora.

E qual é o prazo pra inscrição de vocês?

Duas semanas. A grande maioria já está se programando. E hoje tem muito jogador de simples jogando dupla. Esses caras, antes, não se programavam. De uns dois anos para cá, isso mudou. Tirando o top 10, eles se programam. E o [Dominic] Thiem não assina on-site. Ele se programa.

E outra coisa que foi levantada, também por alguns duplistas, foi o formato da pontuação. Há um movimento ainda pequeno para que volte a pontuação anterior. Você acha possível?

Pela galera que joga e vive disso, com certeza mudaria. Mas uma das coisas que eu vejo que evoluiu muito foi trazer os jogadores de simples. Isso aconteceu. Todo torneio grande tem três, quatro top 10 e oito ou nove top 20. Mais do que isso, não dá. E tem a coisa de quadra central, mas isso está mudando. Eu até nem acho legal ter a dupla na quadra central, dependendo do torneio. Eu briguei muito por isso [no Conselho], pela possibilidade de a pessoa poder ver seu jogador favorito. A gente tinha um gap muito grande, que era só mostrar a quadra central. Com o stream, isso vai mudar. O torcedor vê quem ele quer, não quem só está na TV. Sobre o formato, acho que a mudança pode acontecer, mas principalmente da parte dos torneios, existe uma luta muito grande contra isso. Voltar ao normal, quase impossível. Mudar um pouquinho, eu vejo possível. Ou acabar o super tie-break ou acabar o no-ad, jogar dois sets normais e um super tie-break. Acho que vai ser coisa de experimentar e ver o que funciona melhor.