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AO, dia 9: americanas e suíços sem drama nas semifinais
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Alexandre Cossenza

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Não foram as quartas de final mais emocionantes que um torneio – ainda mais um do Grand Slam – poderia ter. Quatro jogos, quatro vitórias em sets diretos. Duas americanas e dois suíços avançaram e vão se enfrentar na quinta-feira. O resumaço do dia traz um breve relato de cada um desses encontros mais a carta de uma boleira a Jo-Wilfried Tsonga e a lista de indicados ao Hall da Fama, que terá Kim Clijsters e Andy Roddick eternizados em 2017.

As americanas

A primeira semifinal feminina do Australian Open será entre duas americanas: Venus Williams e Coco Vandeweghe. No primeiro jogo do dia, a veterana de 36 anos bateu Anastasia Pavlyuchenkova por 6/4 e 7/6(3) numa partida com quase nenhuma variação tática. Venus ganhou nos detalhes – atacou melhor nos momentos mais delicados. É sua primeira semifinal em Melbourne desde 2003, quando foi vice-campeã, perdendo para Serena na decisão. Venus agora é a semifinalista mais velha do Australian Open na Era Aberta (a partir de 1968).

Vandeweghe entrou em quadra na sequência e passou por cima de Garbiñe Muguruza: 6/4 e 6/0. O primeiro set nem foi tão parelho quanto o placar sugere. A americana perdeu várias chances de quebra até que a espanhola, com o segundo serviço pressionado o tempo inteiro, cometeu uma dupla falta e perdeu o saque. Cheia de confiança, Coco (ou Hot Coco, para alguns americanos) soltou ainda mais o braço na segunda parcial. Enquanto isso, Muguruza não mostrou poder de reação nem tentou alguma variação tática. Seguiu tentando bater forte na bola – sem sucesso.

Os suíços

O primeiro jogo das quartas de final masculinas fechou a sessão diurna da Rod Laver Arena com Stan Wawrinka vencendo de maneira surpreendentemente fácil: 7/6(2), 6/4 e 6/3. Jo-Wilfried Tsonga, em uma tarde pouco inspirada, só conseguiu manter o saque na primeira parcial. No segundo set, até conseguiu quebrar na frente, mas Wawrinka respondeu rápido e virou a parcial. O francês não encontrou uma maneira de emparelhar as ações e sucumbiu rápido. Pelo lado do #1 da Suíça, o maior mérito foi brilhar sempre que necessário, fosse salvando break points ou tomando controle rápido do tie-break.

Na sessão noturna, a carruagem de Mischa Zverev, o azarão que derrubou Andy Murray nas oitavas, virou abóbora rapidinho. Roger Federer não se incomodou nadinha com o saque do alemão e venceu o primeiro set em 19 minutos. Mischa até que teve seu momento quando quebrou o oponente no segundo set, mas mal deu emoção ao jogo, já que Federer devolveu logo em seguida. Nada mudou o plano de Zverev de fazer saque-e-voleio o tempo inteiro. Logo, nada mudou no andamento do jogo. No fim, o favorito fez 6/1, 7/5 e 6/2 em 1h32min.

A carta de agradecimento

Ano passado, durante seu jogo de segunda rodada, Tsonga ajudou uma boleira que não passava bem. O francês levou a menina para fora de quadra para que ela fosse atendida (lembre no tweet abaixo):

Pois este ano, antes de enfrentar Wawrinka, Tsonga recebeu uma carta de Giuliana, a boleira. Ela pede desculpas por não ter sido uma boleira tão eficiente, mas explica que havia contraído um vírus que afetava sua visão e sua audição. Ela também agradece pelo gesto de carinho do tenista e desejou boa sorte a Tsonga no resto do torneio. A carta inteira está no link do tweet abaixo.

No Hall da Fama

O Hall da Fama Internacional do Tênis anunciou nesta terça-feira a sua turma de 2017: Kim Clijsters, Andy Roddick, Monique Kalkman-van den Bosch, Steve Flink e Vic Braden. A lista foi revelada em uma cerimônia na Rod Laver Arena, em Melbourne, com a presença do americano, ex-número 1 do mundo, e do “dono” da casa, Rod Laver – além de outros integrantes do Hall.

No Twitter, Roger Federer prestou sua homenagem a Roddick, com quem compartilhou tantas partidas importantes e de quem tirou o número 1 do mundo no início de 2004. “Um chefe, uma lenda, um pai, um marido”, escreveu o suíço, dando os parabéns e se dizendo muito feliz pelo americano.

E talvez tenha passado sem que muitas pessoas notassem, mas Federer podia ter escolhido publicar uma foto dos dois juntos, mas a maioria delas teria o suíço como vencedor. Não seria humilde. Em vez disso, postou imagens neutras. Bacana.

Os brasileiros

Nenhum brasileiro jogou hoje, mas como não fiz resumaço ontem, fica aqui o registro. Marcelo Melo e Lukasz Kubot foram eliminador por Ivan Dodig e Marcel Granollers: 7/6(5) e 7/6(5). Sim, o ex-parceiro de Marcelo levou a melhor e avançou. E não dá para deixar de comentar o “climão” entre brasileiro e croata, que mal se olharam – inclusive durante o aperto de mãos ao fim do jogo.

Como escrevi em um post anterior, o fim da parceria não foi exatamente amistoso. Já ficou claro durante o ATP Finals do ano passado, quando mal havia diálogo. Depois, houve os unfollows nas redes sociais. E Dodig e Granollers, aliás, foram eliminados pelos irmãos Bryan nesta terça-feira.

A participação brasileira acabou quando Marcelo Demoliner e o neozelandês Marcus Daniell foram derrotador por Sam Groth e Chris Guccione: 7/6(9) e 6/3. Bruno Soares desistiu das duplas mistas por conta de dores nas costas.


AO, dia 7: os tombos dos líderes e a comovente história de Mischa Zverev
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Alexandre Cossenza

É bem verdade que o domingo australiano começou devagar, com jogos sem empolgar, mas o resto do dia foi dos melhores. A começar pelo fim de tarde, quando Mischa Zverev fez uma apresentação gloriosa na Rod Laver Arena (RLA) para chocar o planeta e derrubar o número 1 do mundo, Andy Murray. Depois foi a vez de Roger Federer apagar um péssimo começo de jogo e duelar com Kei Nishikori por cinco sets. Por fim, quase entrando pela madrugada, a número 1 do mundo no circuito feminino também tombou – cortesia de Coco Vandeweghe.

O resumaço de hoje traz a história desses três jogos e um relato da fantástica volta de Mischa Zverev, que quase largou o circuito mundial para virar técnico, mas voltou inspirado pelo talentoso irmão dez anos mais novo.

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A zebra

De um lado, Andy Murray, o número 1 do mundo, vice-campeão cinco vezes no Australian Open, vindo de 30 vitórias nos últimos 31 jogos, com a única derrota vindo diante de Novak Djokovic, o vice-líder do ranking. Do outro, Mischa Zverev, 29 anos, 50º no ranking, em sua primeira aparição nas oitavas de final em um Slam, irmão dez anos mais velho de Alexander, o mesmo que foi eliminado por Rafael Nadal na RLA um dia antes.

E é preciso mais contexto. O último jogo da sessão diurna deste domingo em Melbourne tinha um dos melhores devolvedores de saque do circuito – um pesadelo para sacadores – contra alguém que tenta manter vivo o estilo do saque-e-voleio, subindo à rede o tempo todo. Parecia quase impossível a missão de Mischa diante de um dos melhores passadores do tênis moderno.

O jogo começou, Andy Murray abriu 3/1, chegou a 5/4 e parecia tudo sob controle. Pois o número 1 perdeu o saque duas vezes seguidas, e Mischa fez 7/5. A segunda parcial teve mais drama, mas o britânico fez 7/5, quebrando Zverev pela terceira vez no set no 12º game. Era claramente uma atuação abaixo da média para Murray, que já tinha sido quebrado cinco vezes em dois sets. Ainda assim, ao fim do segundo set ficava a impressão que a primeira parcial havia sido um acidente e que o favorito tomaria o controle da situação logo, logo.

Só que Mischa continuava sacando, subindo e voleando. E fazendo tudo isso bem, com muito mais sucesso do que o esperado – e com mais sucesso do que no começo do jogo. No terceiro set, encaixou 74% dos primeiros serviços. Fez 6/2. E aí virou drama. Mais ainda quando o #1 perdeu o serviço no primeiro game do quarto set. Mischa, por sua vez, continuava sacando e voleando e acertando a maioria.

Murray, sejamos justos, fez winners de todo tipo. Terminou a partida com 71 deles e apenas 28 erros não forçados. Hoje em dia, não se vê ninguém perdendo com esses números, mas está aí o brilho do saque-e-voleio. Ao subir à rede, Zverev força erros dos adversários – e isso não entra nos números (não no Australian Open, pelo menos). E saque após saque, voleio após voleio, Mischa foi se aproximando da zebra.

No décimo game, com 5/4 no placar, o alemão foi um tanto exigido por Murray. Não mudou a tática, não piscou, não patinou, não engasgou. Fez voleios dificílimos, sacou bem e fechou: 7/5, 5/7, 6/2 e 6/4. “Simples” assim. Sem tremer. E sem conseguir explicar.

A linda história

A arrancada de Mischa aos 29 anos é só a parte mais recente de uma história que só pode ter final feliz. O Zverev mais velho foi top 50 em 2009, mas sofreu com uma série de lesões. Teve uma fratura em um punho, duas costelas fraturadas, uma hérnia de disco e uma ruptura pequena na patela. Saiu do top 100 em 2011. Depois, saiu do top 200 e até do “top” 1000. Caiu para o 1067º lugar.

Mischa quase não voltou a competir quando teve todas essas lesões. Começou a viajar como treinador de dois adolescentes, mas foi aí que sentiu falta dos torneios, da tensão dos jogos. Voltou aos poucos e e sempre disse que o irmão, Alexander, teve muito a ver com isso.

“Meu irmão foi um grande fator porque sempre me empurrou e me fez trabalhar duro de novo para tentar fazer o melhor possível. Ele vem tendo bons resultados nos últimos anos, e eu não quis ficar muito atrás dele. Acho que nos ajudamos porque treinamos muito juntos e tentamos nos desafiar e cada um fazer o outro melhorar. Acho que ainda posso jogar bem e fazer algum estrago aqui e ali”, disse ao site da ATP em outubro do ano passado, quando voltou ao top 100.

O próximo adversário

Ainda na quadra, Mischa falou sobre a possibilidade de enfrentar Federer nas quartas de final e disse que seria um sonho porque o suíço é seu tenista preferido. Bom, o pedido do alemão foi atendido. Depois de um começo preocupante, perdendo os quatro primeiros games, Federer encontrou seu saque, equilibrou os ralis e tomou o controle do jogo.

Nishikori, por sua vez, evitou um desastre ao vencer o tie-break do primeiro set, mas passou a sacar mal, foi afobado em subidas à rede e até perdeu o controle dos ralis – onde mais levou vantagem no início. Desistiu mentalmente no meio do terceiro set, foi ao banheiro ao fim da parcial e parecia batido no jogo quando teve de encarar break points no quarto game do quarto set.

O japonês se salvou e contou com a sorte. Federer jogou um péssimo quinto game, com subidas à rede precipitadas e um smash fácil errado. Pagou caro e precisou ir a um quinto set que nem deveria ter jogado. Se serve de consolo, o suíço não teve tanto trabalho na parcial decisiva. Nishikori se quebrou no segundo game e pediu atendimento no quadril pouco depois. Federer, finalmente, aproveitou a ladeira abaixo até fechar: 6/7(4), 6/4, 6/1, 4/6 e 6/3.

A consequência matemática

Vice-campeão no ano passado, Murray perde a chance de aumentar consideravelmente sua vantagem para Novak Djokovic, atual campeão. O britânico deixa o torneio com 1.715 pontos de frente, mas poderia ter ampliado a diferença para até 3.535 pontos. Nole, no entanto, tem mais pontos a defender nos próximos meses (ganhou Indian Wells e Miami em 2016), por isso é improvável – não impossível – que Murray tenha o #1 ameaçado até Roland Garros.

A segunda zebra do dia

No último jogo do dia na RLA, foi a vez de Angelique Kerber ser testada de verdade pela primeira vez neste Australian Open. A número 1 do mundo, que já vinha fazendo um torneio bem mais ou menos, não resistiu à agressividade de Coco Vandeweghe e deu adeus: 6/2 e 6/3.

Não foi sequer uma partida equilibrada. A americana agrediu desde o começo, massacrou o serviço da alemã e nem no segundo set, quando Kerber abriu 2/0, houve emoção. Vandeweghe, atual #35, venceu cinco games seguidos, saindo de 1/3 para 6/3. Um resultado que só confirmou o começo de ano ruim da #1. Kerber já vinha de derrotas precoces em Brisbane e Sydney.

A alemã, aliás, pode sair de Melbourne sem a liderança do ranking, já que Serena Williams, vice em 2016, voltará a ser a número 1 se conquistar o título este ano.

Vandeweghe, por sua vez, avança para encarar Garbiñe Muguruza nas quartas de final. A espanhola, atual campeã de Roland Garros, passou fácil por Sorana Cirstea (#78): 6/2 e 6/3. Muguruza será um obstáculo bem diferente para Coco, já que tem poder de fogo para responder do fundo de quadra.

Outros candidatos

A chave feminina também teve vitórias de Anastasia Pavlyuchenkova e Venus Williams. Nenhuma teve trabalho além do esperado, embora ambas tenham feito partidas bastante razoáveis. A russa passou pela compatriota Svetlana Kuznetsova por 6/3 e 6/3 enquanto a americana despachou a alemã Mona Barthel por 6/3 e 7/5. Pavs e Venus se enfrentam nas quartas em busca da vaga na semifinal contra a vencedora de Vandeweghe x Muguruza.

Entre os homens, Stan Wawrinka avançou em três tie-breaks, sendo superior nos momentos decisivos em uma partida que poderia facilmente se complicar contra Andreas Seppi: 7/6(2), 7/6(4) e 7/6(4). O #1 da Suíça agora vai enfrentar Tsonga, que passou por Dan Evans por 6/7(4), 6/2, 6/4 e 6/4. Tanto Wawrinka quanto Tsonga têm a vantagem de, até agora, estarem meio longe dos holofotes. Por enquanto, “o” assunto em Melbourne continua limitado ao Big Four, com tudo que envolveu as derrotas de Murray e Djokovic e as campanhas de Federer e Nadal.

É o típico cenário em que Wawrinka costuma aparecer e brilhar nas fases decisivas. E não seria fantástica uma semifinal entre ele e Federer? O retrospecto recente entre Stan e Jo joga a favor desse cenário. O suíço venceu os quatro últimos jogos.

Observação: o trecho sobre Kerber entra mais tarde.


Wimbledon, dia 8: Venus Voltou
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Alexandre Cossenza

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Mais de cinco anos depois, Venus Ebony Starr Williams está na semifinal de um torneio do Grand Slam. Aos 36 anos, a ex-número 1 do mundo, que poderia ter se aposentado milionária e realizada quando foi diagnosticada com Síndrome de Sjogren em 2011, agora briga pelo título de Wimbledon, onde já foi campeã cinco vezes (2000, 2001, 2005, 2007 e 2008).

“Eu não conseguia levantar meu braço acima da cabeça, a raquete parecia concreto. Eu não sentia nada nas mãos. Elas estavam inchadas e coçando. Eu vi que seria uma apresentação triste”, contou a americana, tempos atrás, sobre o US Open de 2011, quando desistiu de entrar em quadra antes de enfrentar Sabine Lisicki. Pouco depois daquele momento, anunciou seu diagnóstico ao mundo.

Houve momentos difíceis. Para o espectador, a sensação era de agonia. Em certos momentos, Venus se arrastava em quadra. Estava longe do auge. Poderia ter encerrado a carreira ali. Segundo alguns, deveria ter parado. Não desistiu. Lutou contra o corpo, contra os prognósticos e contra adversárias 15 anos mais novas. Hoje, está de volta às semifinais de um Slam. E que retorno!

O jogo de quartas de final contra Yaroslava Shvedova #(96) só teve drama no set inicial, quando a cazaque salvou set point em seu serviço e depois sacou em 5/4 no tie-break. Mas não foi esse o maior obstáculo neste torneio. Duro mesmo deve ter sido fechar a partida contra Daria Kasatkina (#33) na última sexta-feira, um jogo que terminou em 10/8 no terceiro set, com Venus acumulando quase 7 horas em quadra num período de 24 horas – sem falar nas esperas forçadas pela chuva.

O jogo mais esperado

A adversária de Venus saiu do badalado Angelique Kerber (#4) x Simona Halep (#5), que não foi um jogaço como muitos imaginavam, mas também não foi dos piores. Foram muitas as variações, com as duas oscilando um bocado e confirmando pouco os games de serviço (13 quebras em 24 games). A alemã foi melhor nos momentos importantes e avançou por 7/5 e 7/6(2), marcando um jogão contra Venus Williams (#8) nas semifinais.

Kerber já repete sua melhor campanha em Wimbledon (também foi à semi em 2012) e chega com moral, sem perder nenhum dos dez sets jogados até agora. Ainda que sua chave não tenha sido das mais duras (bateu Robson, Lepchenko, Witthoeft e Doi), a alemã, com sua ótima movimentação e um contra-ataque invejável, serão um desafio e tanto para Venus.

Na semi, a chave para a alemã será manter seu serviço, que não é dos mais confiáveis. É de se esperar que Kerber leve vantagem do fundo de quadra. Não pela potência de seus golpes, mas pela consistência e por sua velocidade, que dificultarão as subidas à rede de Venus. A americana terá de sacar muito bem e ser muito precisa nos ataques, planejando e executando bem as subidas. Não vai ser fácil – como não foi para Serena na final do Australian Open.

A outra semi

Como era esperado, Serena Williams bateu Anastasia Pavlyuchenkova (#23). Se não foi um passeio, foi uma vitória relativamente tranquila, com apenas duas quebras de saque. Uma no nono game do primeiro set e outra no décimo da segunda parcial. A número 1 do mundo não foi ameaçada.

Sua adversária será a grande surpresa das semifinais: Elena Vesnina (#50), que fez uma bela partida, mas também se aproveitou de uma grande atuação de Dominika Cibulkova (#18), que não parecia recuperada fisicamente da longa partida contra Agnieszka Radwanska 24 horas antes. No fim, Vesnina fez 6/2 e 6/2 e ganhou o direito de desafiar a número 1. Não será fácil.

O brasileiro

Único brasileiro restante no torneio, Bruno Soares finalmente conseguiu a vaga nas quartas de final. Depois de dois match points não convertidos e um quinto set dramático e inacabado na segunda-feira, ele e Jamie Murray finalmente conseguiram eliminar Michael Venus e Mate Pavic. O placar final mostrou 6/3, 7/6(3), 4/6, 4/6 e 16/14, em 5h03min!

Soares e Murray agora vão enfrentar os vencedores do jogo entre Pospisock (Pospisil e Sock para os iniciantes) e Benneteau/Roger-Vasselin. Brasileiro e britânico, lembremos, estão do mesmo lado da chave de Bob e Mike Bryan. Seria um eventual confronto de semifinal.

O homem que faltava

Tomas Berdych (#9) deveria ter fechado o jogo na segunda-feira, mas não conseguiu converter nenhum dos cinco match points e viu o compatriota Jiri Vesely (#64) forçar o quinto set. Quando a partida recomeçou nesta terça, Berdych saiu na frente, perdeu o serviço, mas teve ajuda do compatriota, que foi quebrado pela segunda vez ao cometer uma dupla falta. O top 10 tcheco, então, aproveitou e avançou ao fazer 4/6, 6/3, 7/6(8), 6/7(9) e 6/3.


Zebra americana de 15 anos rejeita prêmio de US$ 60 mil
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Alexandre Cossenza

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O segundo dia do US Open foi indubitavelmente mais interessante que o primeiro. Não tanto pela qualidade dos jogos ou pelas combinações de confrontos vistas no papel no início da jornada (a sessão diurna pouco empolgava), mas pelo desenrolar de eventos. Na chave feminina, uma moça em particular roubou atenções: a americana Catherine Collins, mais conhecida como CiCi, de 15 aninhos. A tenista mais jovem do torneio, juvenil número 2 do mundo, fez sua estreia em um torneio de nível WTA e derrubou a vice-campeã do Australian Open, Dominika Cibulkova, com parciais de 6/1, 4/6 e 6/4.

A vitória de CiCi teve marcas relevantes. Ela era a tenista mais jovem na chave principal de um Slam desde Alizé Cornet, em Roland Garros/2005 e a mais jovem no US Open desde 2004. Ao triunfar, a adolescente tornou-se a também a mais jovem desde 1996 (Anna Kournikova) a vencer uma partida no torneio americano. O número mais impressionante, contudo, talvez seja 60 mil. Sim, CiCi tinha direito ao prêmio de US$ 60 mil (pouco mais de R$ 130 mil) no US Open, mas não vai levar o dinheiro para casa porque quer manter seu status de amadora. Assim, ainda pode optar pela carrreira universitária e continuar jogando tênis.

Na próxima fase, CiCi Bellis encara a cazaque Zarina Diyas, que aplicou 6/1 e 6/2 em cima da qualifier Lesia Tsurenko. Será que dá?

No balanço geral, não foi um dia cheio de zebras, só que Cibulkova não foi a única pré-classificada a dar adeus. Svetlana Kuznetsova, cabeça 20, teve o jogo na mão e sacou para a vitória, mas perdeu o serviço e permitiu que a neozelandesa Marina Erakovic protagonizasse uma improvável virada: 3/6, 6/2 e 7/6(3).

No grupo de candidatos (mesmo!) ao título, nenhuma surpresa. Na sessão diurna, Ana Ivanovic, Petra Kvitova e Eugenie Bouchard venceram com folga. À noite, Serena fez o mesmo diante da talentosa e promissora compatriota Taylor Townsend. Poderia ter sido um jogo perigoso, mas a número 1 do mundo entrou em quadra afiada o bastante para impedir que a rival crescesse no jogo. Victoria Azarenka, sem ritmo e correndo por fora, mostrou por que está sem ritmo e correndo por fora. Perdeu o set inicial para a japonesa Misaki Doi e reclamou um bocado de si mesma, mas, meio que na marra, manteve-se na partida o suficiente para encontrar um nível melhor, que lhe permitisse sobreviver no evento.

Por fim, Teliana Pereira venceu apenas dois games. Tombou por 6/2 e 6/0 diante da russa Anastasia Pavlyuchenkova. Não foi o mais inesperado dos resultados. Sem competir há um mês, a brasileira não fez a melhor das preparações para o US Open. Teliana, aliás, não competia em quadras duras desde março. Como consolação, volta para casa com pouco mais de US$ 35 mil.


De Serena a Teliana
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Alexandre Cossenza

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Dia de sorteio de chave é dia de expectativa. Quem cai na chave de quem? Quais são os possíveis confrontos de semifinais? Qual dos favoritos será beneficiado? Essas e outras perguntas costumam ser respondidas quando as fichas, bolinhas ou papeizinhos são retirados de um saquinho, uma cesta ou um troféu (fichas e troféu, respectivamente, no caso do Australian Open).

O cenário, contudo, é um pouco diferente quando o nome de Serena Williams está envolvido. Em um mundo onde aparentemente apenas Victoria Azarenka é capaz de incomodar a número 1 e o consenso diz que só uma lesão ou um dia desastroso tira o título da americana, o sorteio da chave já não parece ser tão importante.

O que, então, dizer da chave feminina do Australian Open? Primeiro, o cruzamento das semifinais tem Serena e Na Li na parte de cima, enquanto Azarenka e Sharapova estão na metade de baixo. E ao mesmo tempo em há nomes interessantes no quadrante de Serena (Hantuchova, Stosur, Ivanovic, Zvonareva, Pironkova, Robson e Errani), eles não parecem reduzir seu favoritismo.

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Ao mesmo tempo, Vika deve ter um caminho relativamente tranquilo até as oitavas, quando só então pode encarar Stephens ou Kuznetsova – a ainda assim, seria favoritíssima. Radwanska e Wozniacki são, em tese, os maiores obstáculos até a semifinal. Difícil imaginar a bielorrussa perdendo antes disso. E vale lembrar que a número 2 do mundo fez seu primeiro torneio do ano em Brisbane, onde alcançou a final e só perdeu para – adivinhem – Serena.

E Teliana Pereira? A brasileira, número 95 do mundo, estreia contra Anastasia Pavlyuchenkova, 30ª na lista da WTA. Todos gostaríamos de dizer que a pernambucana tem boas chances de avançar, mas a dura verdade é que Pavlyuchenkova é muito favorita. Sejamos sinceros: fosse a adversária da russa uma colombiana quase sem experiência em torneios de nível WTA, cravaríamos triunfo de Pavs em qualquer palpitão sem pestanejar.

Ah, a russa já perdeu jogos teoricamente fáceis? Claro que já. E ninguém vai dizer que é impossível uma vitória de Teliana. Não impossível, apenas improvável. As casas de apostas refletem bem isso. Na australiana Sportsbet, uma vitória da brasileira paga 5,80 para cada dólar apostado, enquanto um triunfo de Pavlyuchenkova rende apenas 1,14.

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Jogos de primeira rodada que eu quero ver:

Serena x Barty. A número 1 contra uma tenista da casa com um belo potencial. Sendo otimista, pode até não ser um massacre. De qualquer modo, vale observar como a jovem Barty vai lidar com a situação.
Stosur x Zakopalova. A relação de Stosur com o Australian Open é curiosa. A pressão é enorme para a tenista da casa, que venceu apenas uma partida nas duas últimas edições do evento.
Robson x Flipkens. A inglesa tem mais talento que seu ranking e estreia contra uma cabeça de chave. Caso as dores no punho (que forçaram sua desistência na estreia em Hobart) tenham desaparecido, este pode ser um belo jogo.
Goerges x Errani. Porque a italiana, cabeça de chave 7, pode encontrar problemas no piso rápido de Melbourne.
Kerber x Gajdosova. Porque motivos profissionais, claro.
Petkovic x Rybarikova. A alemã é uma das personagens mais agradáveis do circuito, mas parece ter desagradado aos deuses das chaves. Encarou Serena na segunda fase em Brisbane e agora estreia contra uma cabeça de chave.
Schiavone x Cibulkova. A italiana sempre é capaz de dias brilhantes, ainda que sua forma atual e sua idade sejam grandes obstáculos.
Sharapova x Mattek-Sands. Há um pequeno, mas intrigante potencial para zebra aqui. Não é difícil imaginar a russa perdendo o primeiro set e passando um aperto até se encontrar e atropelar no terceiro set.
Teliana x Pavlyuchenkova. Porque eu nunca vi pela TV uma brasileira jogando uma chave principal de Grand Slam.

Jogos que vão dar sono, mas pode ser que a ESPN mostre assim mesmo:

Azarenka x Larsson. Passeio. E esse jogo pode ser bastante ruim de ver com a bielorrusa vencendo ou perdendo.
Kvitova x Kumkhum. Porque vai ser duro aguentar as piadinhas com o nome da tailandesa – mesmo que o jogo não dure muito.
Makarova x Venus. Ultimamente, ver jogos de Venus me dá mais nervoso (uma mistura de agonia com pena, na verdade) do que prazer. Ainda que seja notável sua bravura, é duro acompanhar o momento atual da americana.

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Quem pode surpreender

Eugenie Bouchard, 19 anos e número 31 do mundo, já não é mais só uma adolescente com potencial. Ela é também uma adolescente com potencial. E agora é cabeça de chave em um Slam. Em um setor da chave cujos principais nomes são Errani, Vinci e Flipkens, quem sabe a canadense não consegue chegar às quartas?

Tsvetana Pironkova, 104 do mundo, furou o quali e foi campeã em Sydney, derrotando Errani, Kvitova e Kerber em sequência. As quadras mais velozes em Melbourne favorecem seu jogo, e sua seção da chave tem a imprevisível Stosur-versão-Austrália e a inconstante Ivanovic.

Garbine Muguruza vive momento parecido. Passou pelo quali em Hobart e foi campeã, ainda que em uma chave bem mais modesta (passou por Wickmayer, Flipkens e Zakopalova). Seu caminho em Melbourne, contudo, é complicado. A estreia é contra Kanepi, uma cabeça de chave, e Wozniacki (em potencial na terceira rodada) e Radwanska (oitavas) estão na mesma parte da chave.

Coisas que eu acho que acho:

– Se você leu o post sobre a chave masculina, deve ter notado que há um número considerável maior de “jogos que eu quero ver” na primeira rodada do torneio feminino. E acho mesmo que o sorteio das chaves criou duelos mais interessantes (ainda que não ótimos tecnicamente) entre as mulheres.

– Vendo o cenário pelo “copo meio cheio”, são tantas as possibilidades de jogos interessantes que é bem provável que a ESPN consiga fugir daquelas surras que todos acham que são obrigados a mostrar só porque envolvem famosos.


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