Saque e Voleio

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Quadra 18: S03E03
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Alexandre Cossenza

Rio Open, Brasil Open e o começo de Indian Wells. O podcast Quadra 18 demorou, mas finalmente está de volta, falando sobre um pouco de tudo que aconteceu nas últimas três semanas de tênis. Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu discutimos assuntos “quentes” como os problemas físicos de Thomaz Bellucci, os wild cards para Maria Sharapova, a opção de Bruno Soares e Marcelo Melo por Acapulco em vez de São Paulo, o momento de Novak Djokovic, o futuro do Rio Open e até por onde anda o comentarista do SporTV Dácio Campos.

Para ouvir, basta clicar no player abaixo. Se preferia baixar para ouvir em casa, clique neste link com o botão direito do mouse e selecione “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’15” – Sheila Vieira apresenta os temas
2’02” – A estreia de Bellucci contra Nishikori, e a dura adaptação do japonês
4’45” – Os problemas físicos de Bellucci contra Thiago Monteiro
5’48” – O quanto foi ruim enfrentar Monteiro logo após derrotar Nishikori
6’18” – O “surgimento” de Casper Ruud
7’50” – A história de Christian Ruud, pai de Casper, que enfrentou Guga e Meligeni
8’25” – O título sem ameaças de Dominic Thiem
10’53” – Por que Carreño Busta e Ramos Viñolas são pouco reconhecidos?
12’20” – A chave de duplas e o carisma de Jamie Murray
14’23” – Marcelo Melo e suas declarações sobre a parceria com Lukasz Kubot
19’00” – O primeiro Rio Open sem WTA foi melhor ou pior?
23’27” – Pablo Cuevas, o título do Brasil Open e a chuva interminável
25’53” – Os problemas físicos e a falta de motivação de Thomaz Bellucci
27’08” – Por que tenista são “julgados” quando entram em quadra mal fisicamente?
28’45” – A boa chave do Brasil Open apesar da péssima data no calendário da ATP
30’17” – O título de Rogerinho e André Sá, e a ascensão de Demoliner nas duplas
32’47” – André Sá voltará a jogar com Leander Paes?
33’50” – A opção de Bruno e Marcelo por jogam em Acapulco em vez de São Paulo
37’08” – O bairrismo Rio-São Paulo
38’00” – Comparando Guga no Sauípe e Bruno/Marcelo em Acapulco
39’38” – Under the Bridge (Red Hot Chilli Pepers)
40’10” – Indian Wells e o quadrante com Djokovic, Delpo, Nadal, Federer, Kyrgios e Zverev no mesmo quadrante
42’40” – O mantra “o que está acontecendo com Djokovic?”
44’50” – Nadal em Acapulco, Murray e Federer em Dubai
46’21” – “Eu espero dignidade de Marin Cilic”
47’37” – Quem ganha o Masters de Indian Wells? Hora dos palpites!
48’43” – É justo Sharapova receber convites após a suspensão por doping?
55’18” – Serena Williams, mais uma lesão e como a chave mudou sem ela
57’37” – Palpites: quem é a favorita para o WTA de Indian Wells?
59’10” – A chave de Djokovic pode fazer ele atuar como Serena no AO 2017?
59’38” – A falta de público no Rio Open é culpa da organização ou da falta de tradição brasileira no tênis?
61’20” – O Brasil Open soluciona problemas melhor do que o Rio Open?
61’44” – Por onde anda Dácio Campos? Ele vai comentar Indian Wells?
62’37” – Kerber voltará dignamente ao #1? Veremos evolução no jogo dela?
63’45” – Há alguma chance de Melo não completar a temporada com Kubot?
63’57” – O Rio Open pode virar Masters 1000? Qual a chance de virar piso duro?
66’45” – Os valores de ingressos em Rio e SP valeram pelos atletas que vieram e pelo tênis jogado?

Importante:

– Tivemos problemas de som no meu áudio durante a gravação. Por isso, algumas das minhas falas estão incompletas. Pedimos desculpas, mas os cortes no meu áudio só foram percebidos durante a edição.


Rio Open, dia 6: Thiem com folga, drama para Ruud e colombianos destronados
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Alexandre Cossenza

Sem brasileiros, o Rio Open viu as semifinais de simples e a decisão de duplas neste sábado. Apenas Dominic Thiem venceu sem sustos. Houve drama na segunda semi e na excelente decisão de duplas, vencida por Pablo Cuevas e Pablo Carreño Busta, que destronaram os colombianos Cabal e Farah.

A queda colombiana

Campeões do Rio Open em 2014 e 2016, Juan Sebastian Cabal e Robert Farah estiveram a dois pontos de um terceiro título, mas foram derrotados em um jogo de altíssimo nível pela dupla formada por Pablo Cuevas e Pablo Carreño Busta: 6/4, 5/7 e 10/8. Foi um torneio enorme de uruguaio e espanhol, especialmente em momentos delicados. Na sexta-feira, Cuevas e Carreño Busta salvaram um match point na semifinal contra Bruno Soares e Jamie Murray. Neste sábado, estiveram perdendo o match tie-break por 4/1, mas conseguiram a virada.

Uruguaio e espanhol disputaram no Rio apenas seu segundo torneio juntos e ainda não perderam. Em Buenos Aires, na semana passada, abandonaram antes da semifinal. A parceria vai continuar em São Paulo, mas não parece ter futuro – pelo menos por enquanto. Carreño Busta foi vice-campeão do US Open e quadrifinalista do Australian Open ao lado de Guillermo García López e disse, após o título, que voltará em breve a atuar com o compatriota.

Para Cuevas, que foi eliminado nas simples logo na primeira rodada, a vitória nas duplas foi um belo troféu de consolação – além de manter viva uma curiosa série no Brasil. Em três torneios ATP, o uruguaio foi campeão em três. Ano passado, venceu nas simples no Rio Open e no Brasil Open, em São Paulo.

Thiem: o passeio do favorito

Não foi lá o mais emocionante dos jogos. O primeiro set, com a quadra central pelo menos metade desocupada, deu até sono enquanto Dominic Thiem abria 4/0 sobre Albert Ramos Viñolas. O austríaco também começou a segunda parcial com uma quebra, e só houve emoção mesmo quando Thiem deu uma bobeada e perdeu o serviço sacando em 4/3. Só que a graça do jogo durou pouco. O cabeça 2 quebrou de novo logo na sequência e fechou em 6/1 e 6/4.

Mesmo vindo de Roterdã, onde jogou em quadras duras indoor, Thiem tira o melhor de seu tênis no saibro carioca. O saibro lhe dá o tempo necessário para preparar os golpes – inclusive a longa esquerda – e gerar potência e efeito. É claro que a chave que se abriu para Thiem no Rio ajudou. Ele chega à final de um ATP 500 após bater Tipsarevic (#96), Lajovic (#97), Schwartzman (#51) e Ramos Viñolas (#25). Em comparação com seu único título de ATP 500 até hoje, Thiem enfrentou Dzumhur (#95), Tursunov (#1045), Dimitrov (#7), Querrey (#43) e Tomic (#21) quando foi campeão em Acapulco, no ano passado.

Carreño Busta: maturidade e match point salvo

Antes de vencer a final de duplas, Pablo Carreño Busta já havia triunfado em outra partida tensa. Por um set e meio durante a segunda semifinal de simples, o domínio foi de Casper Ruud, o norueguês de 18 anos que chegou como convidado e surpreendeu meio mundo no Rio de Janeiro. E faltou só um pontinho para Ruud estar na final. Depois de vencer o set inicial, Ruud abriu 3/1 na segunda parcial, mas foi no quinto game que a coisa começou a desandar. O norueguês perdeu o serviço com uma dupla falta e, de repente, a partida ficou parelha. Quebra para cá, quebra para lá, e Ruud teve um match point no serviço de Carreño Busta no décimo game. O espanhol se salvou, quebrou na sequência e fez 7/5.

Foi aí que, pela primeira vez no torneio, a idade e a falta de experiência de Ruud se manifestaram. Depois do match point perdido, o adolescente não conseguiu fazer mais nada. Carreño Busta, 25 anos e #24 do mundo, aproveitou. Manteve-se sólido, tomou a dianteira e não olhou mais para trás: 2/6, 7/5 e 6/0.

A final no domingo

Thiem e Carreño Busta se enfrentam às 17h. Será o quinto duelo entre eles, e o austríaco vem em uma sequência de três vitórias. Ao todo, são cinco confrontos, com apenas um triunfo do espanhol, que aconteceu em 2013, na final do Challenger de Como. Thiem venceu o primeiro confronto em um Future em Marrocos, em 2012. Depois, triunfou em Como/2013, Gstaad/2015, Buenos Aires/2016 e US Open/2016.


Rio, dia 5: o melhor golpe da vida de Thiem e o fim da linha para o Brasil
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Alexandre Cossenza

A sexta-feira do Rio Open não foi o dia dos sonhos para o tênis brasileiro. Primeiro, Thiago Monteiro foi superado pelo convidado Casper Ruud, 18 anos e número 208 do mundo. Mais tarde, nas duplas, Bruno Soares teve match point, mas acabou superado ao lado de Jamie Murray em mais uma semifinal.

Quem comemorou mesmo foi Dominic Thiem, cabeça de chave 2. Além de vencer em dois sets e alcançar a semi, o austríaco realizou o que ele mesmo classificou como o melhor golpe de sua carreira (vide vídeo abaixo). O resumão de hoje tem tudo isso em declarações, imagens e vídeos.

O adeus de Monteiro

Thiago Monteiro não passou das quartas de final. O cearense demorou a equilibrar ações, permitiu que Casper Ruud abrisse 4/0 no primeiro set e, depois disso, o norueguês de 18 anos jamais perdeu a calma. O brasileiro não conseguiu um break point sequer e acabou eliminado por 6/2 e 7/6(2).

Ruud, atual #208 do mundo, nunca tinha vencido uma partida em um torneio da ATP antes do Rio Open e só ganhou um convite porque é agenciado pela IMG, dona do torneio. O adolescente aproveitou a chance e mostrou um tênis sólido, potente e com variações, além de um ótimo preparo físico. Jogou uma partida sob calor intenso e fez um duelo longo de três sets. Em ambos, saiu inteiríssimo da quadra. Contra Monteiro, impôs seu forehand pesado e cheio de spin, criando problemas para o backhand do cearense. Além disso, variou saques e jamais deixou Monteiro à vontade. Nem a torcida brasileira, empurrando o tenista da casa, tirou o norueguês do sério.

O adversário da semi será Pablo Carreño Busta, que avançou depois que Alexandr Dolgopolov abandonou ao fim do segundo set por causa de dores no quadril esquerdo. O ucraniano, campeão em Buenos Aires no domingo, já vinha se queixando aqui no Rio. O curioso é que ele desistiu da partida logo depois de jogar um excelente tie-break e empatar a partida contra o espanhol. O placar final mostrou 7/6(4) e 6/7(2).

Thiem: a segunda semi e o melhor golpe da vida

No primeiro set, foi mais complicado do que o placar mostrou. No segundo, mais fácil. No fim, Dominic Thiem bateu Diego Schwartzman por 6/2 e 6/3 e avançou pelo segundo ano seguido às semifinais do Rio Open. Com direito a um momento glorioso: uma passada de Gran Willy que levantou a galera e que o próprio austríaco definiu como o melhor tiro da carreira.

“Eu já tinha tentado o tweener muitas vezes, mas foi meu primeiro winner limpo. Não acreditei porque eu estava muito atrás da linha de base. Provavelmente, foi o melhor golpe que acertei na vida.”

Ressalte-se, porém, que o argentino deu trabalho. No primeiro set, teve break points em três games de serviço de Thiem, inclusive um 0/40 no 3/2. O mérito do austríaco foi ser superior e não cometer erro nenhum em todos momentos delicados. Schwartzman também ensaiou uma reação na segunda parcial, vencendo três games (duas quebras) depois estar 0/5 atrás, mas, novamente, Thiem foi mais sólido quando a coisa apertou.

Em busca da vaga na final, Thiem vai enfrentar Albert Ramos Viñolas, que não teve problemas diante do qualifier argentino Nicolas Kicker: 6/2 e 6/3. Atual número 25 do mundo e ocupando o melhor ranking da carreira, o espanhol venceu o único duelo que fez contra Thiem. Foi nas quadras duras de Chengdu, no ano passado, nas quartas de final, e o placar foi 6/1 e 6/4. Será que no saibro, com a bola quicando alto – condições perfeitas para Thiem – Ramos consegue repetir?

Bruno Soares e a derrota mais doída

A final já seria complicada, afinal os colombianos Robert Farah e Juan Sebastian Cabal, atuais bicampeões do Rio Open e tradicionais pedras no sapato de Bruno Soares, garantiram cedo seu lugar na decisão quando superaram Julio Peralta e Horacio Zeballos por 6/7(4), 7/6(6) e 10/6.

O pior é que a final acabou não vindo. Bruno Soares e Jamie Murray fizeram um jogo duríssimo contra Pablo Cuevas e Pablo Carreño Busta e acabaram eliminados. Brasileiro e britânico até tiveram um match point no match tie-break, mas a devolução de Soares não teve o efeito desejado, e a chance não foi aproveitada. Dois pontos depois, graças principalmente a um lob defensivo de Pablo Cuevas que caiu na linha, uruguaio e espanhol fecharam: 6/4, 3/6 e 12/10.

Foi a quarta chance de Bruno Soares nas semifinais do Rio Open (a primeira com Murray) e a quarta derrota. O mineiro saiu de quadra hoje dizendo que foi o revés mais doído.

“Nos outros anos, achei que nós jogamos bem mais ou menos. Chegar na semifinal era meio que lucro. Eu saía falando ‘não fiz muita coisa para estar na final.’ Este ano, fiquei chateado porque achei que, dentro das condições [Soares já havia reclamado das bolas usadas no Rio Open], a gente jogou bem. A gente conseguiu ter match point jogando um nível bom de tênis. Nos outros anos, a gente foi meio que se arrastando até a semi, e eu meio que saía aceitando o que tinha acontecido. Este ano… faltou um ponto, cara.” … “Ter match point doeu. Preferia ter perdido no 9/7 ali, pá-pum. Seria um pouco menos doído.”

O melhor do sábado

A sessão começa às 17h, com Dominic Thiem x Alberto Ramos Viñolas. Em seguida, Casper Ruud encara Pablo Carreño Busta. A programação ainda prevê um show de Nina Miranda antes da decisão de duplas, que fecha a noite no Rio Open.


Rio, dia 1: Três jogos, três zebras e uma homenagem (quase) sem público
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Alexandre Cossenza

A edição de 2017 do Rio Open começou com uma programação que pouco empolgava na quadra central, mas que acabou com resultados interessantes. Nas três partidas marcadas para a maior arena do complexo, o azarão venceu. O primeiro deles foi o wild card Casper Ruud. Em seguida, o qualifier Arthur De Greef. Por último, o também qualifier Robert Carballés Baena.

As maiores atrações, no entanto, foram guardadas para a terça-feira. Tanto Kei Nishikori quanto Dominic Thiem, os dois principais cabeças de chave, vão estrear na segunda jornada. O mesmo vale para os brasileiros Thomaz Bellucci e Tiago Monteiro, que também estarão na quadra central. Até lá, no entanto, deixo com vocês o resumão do primeiro dia.

Rogerinho derrotado

O dia começou com uma derrota brasileira. Rogério Dutra Silva tombou diante do adolescente norueguês Casper Ruud (o rapaz da foto no alto do post), de 18 anos, atual número 208 do mundo: 6/3 e 6/4. Não foi um dia em que as coisas deram certo para Rogerinho, que não conseguiu sair de uma postura defensiva durante a maior parte do tempo no saque o adversário. Ruud, que entrou na chave graças a um convite da organização, esteve bem no serviço o tempo inteiro e deu pouquíssimas chances.

Após o jogo, Rogerinho disse que nunca se sentiu cômodo em quadra e que, sempre que achava que ia “entrar” no jogo, algo acontecia a favor do oponente. De fato, Ruud foi quase sempre preciso nos pontos importantes. Quando não foi, contou com uma pitada de sorte. E assim o convidado do torneio, agenciado pela IMG, avançou para a segunda rodada.

O campeão que perde 500 pontos

Pablo Cuevas foi a decepção do dia. Não só pelo resultado – porque o qualifier Arthur De Greef, #138 – mas pela atuação. O uruguaio, campeão dos dois ATPs brasileiros em 2016, esteve errático e vacilante em momentos importantes. Até parecia o tenista mais sólido em quadra no início do terceiro set, mas foi dando cada vez mais chances ao belga com o passar do tempo.

O game final foi uma síntese do que Cuevas mostrou em todo jogo. Abriu 40/15, cometeu uma dupla falta no 40/30 e perdeu um ponto fácil junto à rede quando teve mais um game point para forçar o tie-break. De Greef errou menos quando importava mais e terminou vitorioso por 6/3, 3/6 e 7/5.

A homenagem para quase ninguém

No meio da sessão noturna, o Rio Open manteve sua tradição de homenagear grandes nomes da história do tênis brasileiro. Nesta segunda, talvez para compensar a ausência do torneio feminino (até ano passado, o evento tinha um torneio da série International da WTA), o torneio prestou homenagens a Andrea Vieira, Gisele Miró, Patrícia Medrado e Teliana Pereira.

A lamentar, apenas, o minúsculo público que estava em quadra durante a pequena cerimônia. Não que a quadra central estivesse lotada para o jogo de Pablo Cuevas e Arthur De Greef, mas quando a homenagem começou, muitos espectadores que saíram (para banheiro, comida, etc.) ainda não haviam retornado à arena. Uma pena que tenha sido assim. Talvez tivesse sido uma ideia mais interessante fazer a homenagem na terça-feira, quando jogam Nishikori, Thiem, Bellucci e Tipsarevic. Certamente haveria mais gente nas arquibancadas.

A ressaltar: Niege Dias e Claudia Monteiro estavam na lista de homenageadas, mas não compareceram. Todas as cinco foram top 100.

Sousa também dá adeus

Se havia pouca gente na Quadra Gustavo Kuerten durante a homenagem, havia menos ainda quando João Sousa e Roberto Carballés Baena entraram para o último jogo do dia, pouco antes de 22h. E os bravos gatos pingados que nem foram recompensados com um belo jogo. Sousa, o mais cotado, jogou bem abaixo de seu melhor tênis e foi abatido por 6/3 e 6/1.

Kei Nishikori cansado

O japonês chegou hoje ao Rio – jogou e perdeu a final do ATP 250 de Buenos Aires no domingo) – e foi praticamente direto para a sala de entrevistas coletivas. Em seu inglês limitado, Nishikori afirmou que talvez vá curtir o carnaval se ganhar. O japonês admitiu que está cansado, mas falou que está “fisicamente okay”. Resta saber se será o bastante para entrar em quadra e confirmar seu favoritismo contra Thomaz Bellucci, que está descansado e mais adaptado à quadra central.

Nishikori também afirmou que será uma partida difícil. “Ele é um grande jogador no saibro, especialmente aqui eu sua cidade natal [na verdade, Bellucci é paulista]. Definitivamente, é um jogo duro. Jogamos na França a última vez e foi uma boa batalha. Estou esperando uma batalha dura desta vez.”

Dominic Thiem em cima da hora

Thiem nem foi tão longe assim no ATP 500 de Roterdã, na semana passada (caiu nas quartas diante de Herbert), mas também chegou ao Rio em cima da hora. O austríaco chegou falando da mudança de fuso horário e de piso (Roterdã foi em quadra dura), mas afirmou mais uma vez o quanto gosta de jogar no saibro. Ele enfatizou, inclusive, que se é para jogar em condições extremas como no Rio, quente e úmido, é melhor fazer isso na terra batida do que no piso sintético.

No dia 2

Pode muito bem ser o melhor dia de todo o torneio, com Thiago Monteiro, Kei Nishikori, Thomaz Bellucci, Dominic Thiem e Janko Tipsarevic na quadra central. Além disso, a Quadra 1 também é uma ótima opção, com Robredo x Fognini, Feijão x Carreño Busta e Ferrer x Dolgopolov. As duplas de Marcelo Melo e Bruno Soares ainda não estrearam e devem aparecer só na quarta.


Quadra 18: S02E03
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Alexandre Cossenza

Gravado na sala de entrevistas do Esporte Clube Pinheiros, o novo episódio do podcast Quadra 18 está no ar com tudo que aconteceu de mais interessante no Rio Open e no Brasil Open, os dois torneios mais importantes do país. Apresentado por mim ao lado de Sheila Vieira e Aliny Calejon (pela primeira vez, gravamos com os três na mesma sala), o programa tem participações especiais de Felipe Priante e João Victor Araripe, além de áudios de Rafael Nadal, Thomaz Bellucci, Bruno Soares, Marcelo Melo e Thiago Monteiro.

Falamos da impressionante ascensão de Thiago Monteiro, das zebras no Rio de Janeiro, da decepção que foi a passagem de Rafael Nadal pela América do Sul, da surpresa de Paula Gonçalves, da nova sede do torneio paulista, do misterioso problema físico de Thomaz Bellucci e da fantástica Francesca Schiavone, entre muitos outros assuntos.

Também contamos histórias de “bastidores”, falamos sobre o convívio na sala de imprensa e respondemos perguntas de ouvintes. Para ouvir, basta clicar no player acima. Se preferir, clique neste link com o botão direito e, depois, em “salvar como” para fazer o download do episódio e ouvi-lo mais tarde.

Os temas

0’00” – Alexandre Cossenza apresenta programa gravado no Pinheiros
2’25” – Impressões sobre o Rio Open
2’30” – “O que mais gostei foi John Isner”
3’30” – A decepcionante participação de Jo-Wilfried Tsonga
4’40” – As quedas de David Ferrer, Rafael Nadal e Jack Sock
7’05” – A inusitada desistência de Sock nas duplas
7’55” – A passagem de Nadal pela América do Sul
10’20” – Nadal explica sua derrota para Cuevas e fala do início de temporada
12’00” – Cuevas e o “melhor backhand de uma mão do circuito” segundo Guga
13’00” – A participação de Teliana Pereira no Rio Open
14’20” – A surpreendente campanha de Paula Gonçalves
15’55” – A derrota de Bia Haddad e o sucesso de Sorana Cirstea no Brasil
17’10” – A fantástica Francesca Schiavone e sua relação com o Brasil
19’40” – A lona do Rio Open
23’00” – Thomaz Bellucci vendendo pipoca no Rio de Janeiro
24’55” – Summer (Calvin Harris)
25’40” – Impressões sobre o Brasil Open no Esporte Clube Pinheiros
30’50” – Aliny avalia as campanhas de Melo e Soares em RJ e SP
32’20” – “O lado positivo é parar com o oba-boa que vinham fazendo”
33’48” – Bruno Soares avalia os resultados da dupla nos torneios brasileiros
35’09” – Bruno e Marcelo fala sobre a repercussão das derrotas na imprensa
37’10” – As preocupantes derrotas de Thomaz Bellucci
39’32” – Bellucci fala sobre seu problema físico e que seria outro tenista sem ele
42’21” – O momento de Feijão
44’00” – Thiago Monteiro, a grande estrela brasileira nas duas semanas
47’25” – Monteiro faz um balanço das duas semanas
49’00” – Cuevas, o “Rei do Brasil”
50’45” – A curiosa (e curta) passagem de Benoit Paire por São Paulo
52’05” – Os bolos da sala de imprensa do Brasil Open
53’30” – You Never Can Tell (Chuck Berry)
54’00” – “O que vocês levariam de SP para o Rio e do Rio para SP?”
58’05” – “O que os jogadores acharam da estrutura em SP?”
59’10” – “Qual a pessoa mais insuportável das salas de imprensa?”
71’50” – “Como foi a prestação de serviços dos dois torneios? Dá para comparar?”
72’50” – Cossenza critica o serviço prestado a idosos no Rio Open
75’07” – “Favor contar todas fofocas de bastidores”
69’20” – “Rio Open como Masters 1.000: sonho ou realidade?”
71’02” – “Acham que ano que vem vai ter lona no Rio Open?”
71’15” – “Thiago Monteiro já merece ser chamado para a Copa Davis?”
73’45” – “Thiago Monteiro tem condição de entrar no top 50?”
74’30” – Marcelo Melo faz uma declaração para Aliny Calejon

Créditos musicais

A faixa de abertura é chamada “Rock Funk Beast”, de longzijum. Em seguida, entram Summer (Calvin Harris) e You Never Can Tell (Chuck Berry). A faixa de encerramento é Pobre Paulista (Ira!).


Brasil Open: a nova casa, os brasileiros e o uruguaio que fez a festa
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Alexandre Cossenza

Chegou ao fim mais uma edição do Brasil Open – a primeira no Esporte Clube Pinheiros – e parece um momento interessante para fazer um balanço do que significou a nova casa, de como o evento transcorreu e de como foram os brasileiros em quadra no torneio.

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Sobre o “novo” torneio

É inegável a impressão de encolhimento quando se fala que um torneio trocou um ginásio para dez mil espectadores por um clube com uma arena para pouco mais de duas mil pessoas. No entanto, houve vantagens claras para organização e público no novo local. O que chama mais atenção é o “clima” de torneio, que nunca existiu no Ibirapuera. No Pinheiros, os fãs podem ver os tenistas treinando e circulando, e as três quadras estão bem pertinho uma da outra. Ou seja, a locomoção é rápida para quem quer deixar de ver uma partida e rumar até outra quadra onde a partida esteja, quem sabe, mais equilibrada.

Um ponto que pode melhorar é a quantidade de opções, tanto de entretenimento quanto de alimentação. Não sei os termos do acordo entre a Koch Tavares e o Pinheiros, mas o espaço cedido pelo clube não é tão grande. Outra questão que deixa a desejar diz respeito aos assentos na quadra central. Vários deles – próximos à quadra, logo atrás dos camarotes – dão visão apenas parcial. Isso inclui lugares nas laterais e também no fundo de quadra. De onde vi (terceira fileira no fundo de quadra) o jogo de duplas que acabou com a eliminação de Marcelo Melo e Bruno Soares, era impossível enxergar a linha de fundo próxima a mim.

Por outro lado, a arena mais modesta acaba jogando a favor de um ambiente mais animado. Muita gente – inclusiva na sala de imprensa – acredita que é melhor ter uma quadra de duas mil pessoas lotada do que um Ibirapuera com quatro mil pessoas (60% vazio). De fato, o ambiente no jogo de Thiago Monteiro contra Pablo Cuevas era ótimo. Não foi muito pior quando Marcelo Melo e Bruno Soares enfrentaram Guillermo Durán e Andrés Molteni, também num jogo noturno.

O diretor do torneio, Roberto Marcher, não especificou um número para 2017, mas disse que a intenção do torneio é aumentar a capacidade da quadra central. Na coletiva após a final de simples, ele declarou que o evento continuaria lotado se fosse realizado em um espaço com capacidade maior.

E a chave… Bem, não foi um torneio dos mais fortes, mas isso já foi debatido aqui no blog, e a explicação para isso foi dada por Marcher nesta entrevista. O dólar e o calendário pesaram, e resta a Koch Tavares brigar por uma data diferente e/ou, quem sabe, torcer por um melhor momento econômico do país em 2017. Por sorte, o Brasil Open 2016 teve uma final bem digna de seu tamanho: Pablo Cuevas x Pablo Carreño Busta. No papel, é uma decisão até mais interessante do que Cuevas x Pella, como aconteceu no milionário ATP 500 carioca, que tinha Nadal, Ferrer, Tsonga, Isner e Thiem.

Sobre os brasileiros

Thiago Monteiro, mais uma vez, roubou o show. Venceu um rival de nome (Nicolás Almagro), somou mais uma derrota e só parou nas quartas de final, diante de Cuevas. Foi o cearense, vale lembrar, quem mais deu trabalho ao uruguaio em São Paulo. Assim, o jovem de 21 anos completou duas semanas memoráveis no Brasil, atraindo holofotes, jornalistas e ganhando uma dose cavalar de confiança para voltar ao circuito Challenger cheio de moral e somar muitos pontos.

Quanto a Thomaz Bellucci, a passagem pelo Brasil só trouxe preocupações e derrotas. No Rio, caiu diante de Alexandr Dolgopolov, o que seria um resultado normal se não fosse o misterioso problema físico que lhe incomodou. Para piorar, o tal problema voltou em São Paulo, em um jogo muito ganhável contra Roberto Carballés Baena. Resumindo: o número 1 do país não só perdeu a chance de somar pontos em casa (especialmente em SP, numa chave acessível) como voltou a se preocupar com uma questão para a qual não encontra resposta há anos.

Nas duplas, a expectativa pela ouro olímpico levou um banho gelado que começou no Rio Open e terminou nas quartas de final do Brasil Open, com derrota para Guillermo Durán e Andrés Molteni. Não foi uma atuação pavorosa dos mineiros – longe disso -, mas um jogo acima da média da parceria argentina, que foi melhor nos pontos decisivos tanto no início do primeiro set quanto no fim do match tie-break. Talvez os dois resultados abaixo do esperado sirvam para diminuir a pressão e deixar Soares e Melo mais tranquilos até os Jogos Olímpicos. De qualquer modo, fica o aviso: eles não são tão favoritos à medalha de ouro como tanta gente pensava antes desses dois torneios.

Sobre o campeão

Pablo Cuevas foi o maior vencedor do circuito sul-americano de saibro. O uruguaio encontrou uma forma invejável no Rio de Janeiro, onde eliminou Rafael Nadal, e manteve o embalo nesta semana, em São Paulo. Sólido do fundo de quadra e inteligente para variar o plano de jogo quando necessário, o veterano de 30 anos navegou tranquilo na capital paulista (só perdeu set para Monteiro) e terminou a “gira” somando 795 pontos. Sua única derrota aconteceu diante de David Ferrer, nas quartas de final em Buenos Aires. Os resultados colocam Cuevas no 25º posto do ranking mundial – o mais bem colocado entre os sul-americanos.


O mistério de Bellucci e o convidado que não sabia o local da festa
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Alexandre Cossenza

Thomaz Bellucci não quer dizer do que se trata, mas também não sabe como solucionar. Mais uma vez, o físico deixou o número 1 do Brasil pelo caminho em um torneio. Desta vez, em um torneio bem acessível e, digamos, ganhável. Foi assim, de surpresa, que o paulista atual #35 do mundo caiu logo na estreia no Brasil Open. O post de hoje ainda cita a curiosa história de Benoit Paire, convidado do torneio que esperava jogar em quadra coberta, e registra mais uma campanha inédita na carreira de Thiago Monteiro.

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A zebra

Era para ser um dia rotineiro. Thomaz Bellucci jogando em São Paulo, com torcida a favor, na altitude que lhe é favorável (cerca de 800m) e diante do lucky loser espanhol Roberto Carballés Baena, #122 do mundo, adversário que não possuía armas para derrotá-lo. Era para ser uma vitória comum, sem destaque especial.

Era. E até parecia que seria assim até a metade do segundo set. Depois de fazer 6/2 com folga na primeira parcial, Bellucci abriu 2/0, quebrando o espanhol e mantendo a soberania em quadra. O paulista, no entanto, perdeu o saque no quarto game. Ainda assim, houve chances de sobra.

No 4/4, com o espanhol no saque, Bellucci teve quatro break points. Perdeu todos em erros não forçados – inclusive duas devoluções de segundo saque e uma curtinha na rede. No 4/5, o brasileiro abriu 40/15 e voltou a vacilar. Cometeu três erros, cedeu um set point e viu Carballés Baena fechar com uma direita vencedora.

O terceiro set foi drama puro, especialmente depois do quinto game, quando Bellucci pediu atendimento médico e tomou um comprimido – situação igual aconteceu no Rio, onde o #1 do Brasil não quis revelar a origem do problema. Desta vez, em São Paulo, Bellucci mal mostrava condições de seguir em quadra. Passou a encurtar pontos, forçando curtinhas e usando o saque-e-voleio.

Escapou de dois break points no sexto game, mas não no oitavo. E não mais ameaçou o rival, que fechou em 2/6, 6/4 e 6/3.

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O mistério

Na coletiva, Bellucci fez o mesmo que no Rio de Janeiro. Não disse especificamente qual é o problema nem detalhou seus sintomas. Desta vez, porém, deu algumas pistas, afirmando que foi uma questão parecida com a sofrida no Rio Open e revelando que ninguém encontrou a solução.

“Não é lesão, não. Fisicamente, eu não consigo manter a intensidade, tenho um peso muito grande no corpo, e no terceiro set comecei a sentir muita cãibra e foi isso que aconteceu. Não sei o que acontece. Estamos tentando achar uma solução para tentar manter uma intensidade razoável. Se eu consigo manter uma intensidade alta, jogando bem, como eu estava no primeiro set, de cinco a dez derrotas por ano talvez eu não teria. Meu jogo seria outro, meu ranking seria outro, minha atitude seria outra dentro de quadra, mas infelizmente eu não consigo manter a intensidade. Chega uma hora que não sei o que acontece. Não consigo jogar e meu nível de jogo cai de 100 para zero.”

Vale ressaltar que Bellucci apareceu para uma sala de entrevista coletiva com uma dúzia de jornalistas (pelo menos) e respondeu apenas quatro perguntas. O número foi pré-estabelecido pela mediadora, que é assessora de imprensa do torneio e, ao mesmo tempo, assessora de imprensa pessoal do tenista.

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O convidado que não sabia onde era a festa

Benoit Paire, #20 do mundo que pediu convite de última hora para disputar o Brasil Open, ficou pouco tempo no torneio. Pouco depois de Bellucci dar adeus, Paire foi eliminado pelo sérvio Dusan Lajovic por 6/0, 4/6 e 6/3.

A cena mais curiosa do dia foi protagonizada pelo francês. Logo depois da derrota, puxou uma cadeira, sentou e encostou a cabeça na pilastra bem em frente à sala de imprensa. Sua namorada estava por ali também.

A segunda cena mais intrigante do dia também envolveu Benoit Paire, que deixou o clube sem dar entrevista coletiva. A assessora da ATP, então, telefonou para o tenista e colocou seu celular na mesa de entrevistas coletivas. Assim, uma meia dúzia de profissionais conseguiu fazer perguntas por viva-voz.

A conversa com a pequena foto de Paire na telinha do celular, é preciso admitir, foi menos interessante. Primeiro porque o convidado do torneio revelou não saber onde seria o Brasil Open. O francês acreditava que o evento ainda era disputado em quadra coberta, no Ibirapuera, como em 2012, quando ele veio ao Brasil.

“Honestamente, eu não sabia que era um torneio outdoor. Quando eu vi que a partida seria outdoor, fiquei surpreso. Mas as condições eram boas. Eu gostava do torneio quando era indoor, no outro local (Ibirapuera), mas hoje o clube é bom, o ambiente é ótimo. Mas eu perdi hoje, então não fiquei feliz.”

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O #20 do mundo também disse que estava doente e lamentou a derrota porque gostou da chave em que estava. Sobre sua vinda de última hora, Paire disse que pediu o wild card porque não jogou bem no começo do ano.

“Perdi na primeira rodada na Austrália, na primeira em Roterdã e na primeira em Montpellier e por isso pedi um wild card. Eu precisava me preparar. Se eu não jogasse, teria três semanas livres até Indian Wells. Acho que foi uma boa escolha porque eu tinha chance de ganhar o torneio. Acho que se eu tivesse vencido hoje, poderia fazer semifinal ou final e estaria me sentindo cada vez melhor.”

Monteiro outra vez

Sem Bellucci, o último brasileiro vivo, pela segunda semana consecutiva, é Thiago Monteiro. O cearense de 21 anos, que derrotou Jo-Wilfried Tsonga e Nicolás Almagro, bateu nesta quinta-feira o espanhol Daniel Muñoz de la Nava (#72) por 4/6, 6/3 e 6/2.

Com o resultado, o atual número 278 do ranking alcança pela primeira vez na carreira as quartas de final de um torneio de nível ATP. Os pontos conquistados em São Paulo já colocam Monteiro com o melhor ranking da carreira, superando o 254º posto que alcançou na semana de 4 de novembro de 2013. Mesmo que perca na próxima rodada, o cearense ficará perto do 240º posto.

O obstáculo no caminho de Monteiro nas quartas será o uruguaio Pablo Cuevas, seu algoz no Rio de Janeiro. No torneio carioca, o cearense teve boas chances no primeiro set e chegou a abrir 4/2 no tie-break, mas não conseguiu manter a dianteira. O resto da história todo mundo sabe: Cuevas bateu Rafael Nadal, Guido Pella e conquistou o título do Rio Open.

Cabeças que já rolaram

Paire foi o sexto cabeça de chave a perder logo na estreia em São Paulo. Os únicos sobreviventes nas quartas de final são o uruguaio Pablo Cuevas, campeão do Rio Open, e o argentino Federico Delbonis. Os outros já eliminados são Albert Ramos Viñolas (5), Paolo Lorenzi (6), Nicolás Almagro (7) e Pablo Andújar (8).

As duplas

A chave de duplas do Brasil Open viu a estreia de Bruno Soares e Marcelo Melo, que bateram o espanhol Nicolás Almagro e o convidado local Eduardo Russi Assumpção por 6/1 e 6/3. Os mineiros, eliminados na semi no Rio de Janeiro, gostaram de seu rendimento – especialmente Bruno Soares, que tem um problema histórico com o tipo de bola usada no torneio carioca. Em São Paulo, o campeão do Australian Open se mostrou bem mais à vontade.

Quem também venceu foi André Sá, que quebrou o amargo jejum de 2016 e finalmente somou uma vitória na temporada (depois de seis derrotas). Ele o argentino Máximo González passaram pelos italianos Marco Cecchinato e Paolo Lorenzi por 7/6(4) e 6/1.


Rio Open, dia 4: Paula ainda sonha, Thiago tomba e Bellucci vende pipoca
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Alexandre Cossenza

Rafael Nadal empolgou por algum tempo, brasileiros saíram vitoriosos em todos jogos de duplas, Paula Gonçalves manteve vivo o sonho na chave feminina, e Thiago Monteiro não conseguiu um segundo “milagre”. Sem chuva, o Rio Open viu muito tênis de qualidade nesta quinta-feira e quem esteve no Jockey Club Brasileiro teve a sensação de que o torneio finalmente embalou.

O dia ainda teve Thomaz Bellucci vendendo pipoca, Rafa Nadal encontrando um craque do Vasco e, fora do Rio Open, a notícia de que Novak Djokovic ainda cobra judicialmente uma dívida do Estado do Rio de Janeiro. Role a página e leia tudo!

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O fim do sonho

Foi um primeiro set equilibrado, que escapou no tie-break. Na virada de lado, Thiago Monteiro vencia por 4/2. Porém, o experiente uruguaio Pablo Cuevas, 30 anos e #45 do mundo, se salvou e levou o game de desempate. Quando o veterano conseguiu uma quebra no terceiro game da segunda parcial, foi como se soassem as 12 badaladas para o cearense, #338 do mundo. Monteiro não teve mais nenhuma chance de quebra e perdeu o serviço novamente no nono game, decretando o fim da memorável passagem pelo Rio Open: 7/6(5) e 6/3.

Com os 45 pontos somados no evento, o cearense de 21 anos pulará provavelmente para o grupo dos 280 melhores do mundo. Ainda não será o melhor ranking da carreira (Monteiro foi #254 em novembro de 2013), mas será um belo salto que pode ganhar novo impulso em São Paulo. Nesta quinta, a organização do Brasil Open oportunisticamente ofereceu um wild card para o cearense na chave principal. Vale ficar de olho nele por lá também.

Os favoritos

Contra Nicolás Almagro, Rafael Nadal lembrou mais um pouco “daquele” Rafael Nadal que o mundo se acostumou a ver no saibro. Pelo menos no primeiro set, quando tomou a dianteira logo no começo e manteve a vantagem até fechar a parcial em 6/3. Merece destaque especial o nono game, em que Almagro teve três break points seguidos (0/40), e o ex-número 1 do mundo escapou de todos brilhantemente.

O segundo set não foi tão empolgante, e Nadal perdeu o saque duas vezes – em ambas, logo depois de quebrar Almagro. Só que o ex-número 1 aproveitou o nervosismo de Almagro, que estava descontente com os juízes de linha e desandou a errar e cedeu um saque pela terceira vez seguida no 11º game. Nadal, então, confirmou e fez 6/3 e 7/5.

Nem tudo foi ruim no dramático segundo set. Nadal também brilhou e inclusive fez esse ponto abaixo, lembrando “aquele” Nadal.

Na coletiva, Nadal, além de se mostrar feliz com o primeiro set, que classificou como “muito bom, muito completo, com muito poucos erros, fazendo o que tinha que fazer”, admitiu que ficou um pouco nervoso no fim da segunda parcial.

Vale destacar também que o cabeça de chave 1 do torneio revelou ter ficado preocupado com uma menina que ficou espremida por outros fãs quando esperava por um autógrafo. “Quando há muita gente, fica perigoso para eles. Me preocupou porque havia uma jovem que estava chorando porque estavam lhe apertando.”

Nadal, porém, não culpou o torneio. “Não é nada de novo, é muito difícil evitar que isso aconteça e é lógico também que os fãs tenham a opção de querer uma foto ou um autógrafo. Eu, para evitar que isso aconteça, o que posso fazer é não dar autógrafos e não tirar fotos, mas me pareceria uma grande falta de educação.”

Ao fim do jogo, Nadal recebeu a visita do atacante Nenê, do Vasco. O brasileiro jogou no Mallorca ao lado de Miguel Ángel Nadal, tio do tenista, em 2004.

David Ferrer, cabeça de chave 2, teve mais trabalho com o compatriota Albert Ramos Viñolas, que venceu o primeiro set, mas perdeu o embalo após ir ao banheiro e, na volta, ouvir reclamações de Ferrer, que achou ruim o tempo levado pelo oponente para sair e voltar à quadra. Coincidência ou não, o número 6 do mundo disparou na frente no segundo set e acabou vencendo a parcial decisiva. O placar final mostrou 4/6, 6/1 e 6/4.

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Os brasileiros

A dupla olímpica formada por Marcelo Melo e Bruno Soares (que jogarão juntos no Rio e em São Paulo) voltou à Quadra 1 para continuar a partida contra os também brasileiros Fabiano de Paula e Orlando Luz. O jogo foi interrompido na noite anterior com o placar ainda em 2/0 para Soares e Melo e recomeçou nesta quinta com os mineiros perdendo o serviço. Foi, no entanto, o único momento de quase-equilíbrio da tarde. Os favoritos fizeram 6/2 e 6/3, sem problemas.

Após o jogo, ainda na Quadra 1, Marcelo Melo foi homenageado pelo torneio e ganhou uma bandeja comemorativa pelo posto de número 1 do mundo. Foi uma cerimônia curta e sem muita pompa, mas valeu pela torcida fazendo o coro de “Girafa, Girafa” e pela surpresa do número 1 do mundo.

Soares e Melo, cabeças de chave 1 do torneio, enfrentarão nas quartas de final Dusan Lajovic e Dominic Thiem e podem até fazer um confronto brasileiro nas semifinais. Feijão e Rogerinho também estrearam com vitória nas duplas e bateram o austríaco Philipp Oswald, atual campeão do torneio, e o argentino Guillermo Duran por 6/2, 6/7(3) e 10/8. Nas quartas, os paulistas vão encarar os espanhois Pablo Carreño Busta e David Marrero.

Também pela chave de duplas, Thomaz Bellucci e Marcelo Demoliner fizeram o jogo mais animado da Quadra 1, com intensa participação do público. Paulista e gaúcho perderam o primeiro set, mas reagiram na segunda parcial contra Aljaz Bedene e Albert Ramos e venceram no match tie-break: 6/7(6), 7/6(4) e 10/4. Eles enfrentam Paul-Henri Mathieu e Jo-Wilfried Tsonga nas quartas.

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Depois da vitória nas duplas, Bellucci participou de uma ação promocional do Cinemark. A ideia era disfarçar o número 1 do Brasil e ver se os consumidores o reconheceriam. Foi divertido, embora poucas pessoas tenham aparecido – a gravação aconteceu durante a partida entre Thiago Monteiro e Pablo Cuevas, a única no complexo naquele momento.

Parece (pelo menos para mim) questionável uma ação que associa pipoca a um atleta bastante criticado em redes sociais, mas é bacana ver que Bellucci participou sem se mostrar preocupado com isso.

Paula e o melhor ranking da carreira

Na chave feminina, a única sobrevivente brasileira aprontou mais uma zebra e eliminou a sueca Johanna Larsson, #48 do mundo e cabeça de chave 2 do Rio Open: 6/4 e 6/4. A melhor campanha da vida da paulista lhe coloca nas quartas de final contra a americana Shelby Rogers, #131.

Atual número 285 do ranking mundial, Paula já soma 66 pontos com a campanha na Cidade Maravilhosa e, mesmo que perca nas quartas, possivelmente estará entre as 220 primeiras na lista que será divulgada na próxima segunda-feira. Será sua melhor posição na carreira, superando o 238º posto ocupado na semana de 15 de junho do ano passado.

O melhor estande

O Leblon Boulevard – área de convivência do Rio Open – continua muito bem servido na questão alimentícia, apesar dos preços. Um combo de pipoca e duas bebidas no food truck do Cinemark custa R$ 43, por exemplo.

Na parte de entretenimento, há menos opções do que no ano passado (alguns conhecidos sentiram falta dos jogos do Itaú e da Peugeot, por exemplo). Mas o estande da Pirelli se destaca, com um excelente simulador de Fórmula 1. Por cinco minutos o visitante pode pilotar – de graça – no circuito de Interlagos. O game é ótimo, o carro reage gloriosamente aos comandos dos pedais e do volante, e as três telas em frente ao bólido ajudam o visual da simulação. Recomendo muito.

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A dívida

Publicado nesta quinta-feira no UOL: Novak Djokovic cobra R$ 650 mil do Governo do Estado do Rio de Janeiro pela exibição feita no Brasil, em 2012, com Gustavo Kuerten. O Estado se comprometeu a pagar um cachê de R$ 1,1 milhão ao sérvio, mas o número 1 do mundo afirma ter recebido apenas R$ 450 mil. A íntegra da reportagem está neste link.

Vale lembrar que o mesmo Estado do Rio de Janeiro dá ao Rio Open R$ 10 milhões em forma de incentivos fiscais.


Rio Open, dia 3: a gigante zebra brasileira e, sim, mais chuva
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Alexandre Cossenza

A quarta-feira murcha no Rio Open, com duas interrupções por causa de chuva, teve um ponto alto – altíssimo. O cearense Thiago Monteiro derrubou o top 10 Jo-Wilfried Tsonga. O período de bom tempo ainda foi suficiente para um bate-bola com 21 títulos de Grand Slam em quadra e uma cena curiosa (e divertida) na sala de coletivas. O resumo do dia ainda fala sobre os desafios de se jogar no circuito sul-americano de saibro e sobre o “mistério da lona”. Leia e saiba de tudo!

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A zebra

De um lado, o número 9 do mundo e duas vezes semifinalista de Roland Garros (2013 e 2015), Jo-Wilfried Tsonga. Do outro, Thiago Monteiro, 21 anos, #338 no ranking, em seu primeiro jogo de chave principal de torneio ATP na carreira. Barbada, certo? Errado. Em uma atuação memorável, o cearense derrubou o favoritíssimo por 6/3, 3/6 e 6/4 e avançou às oitavas de final do torneio. Pela primeira vez desde Marselha/2012, um tenista fora do top 300 bateu um top 10.

Foi a primeira vitória da vida de Monteiro em um evento deste porte. Por outro lado, Tsonga não perdia para um tenista de ranking tão baixo desde 2004, quando foi superado pelo australiano Paul Baccanello (#416) em setembro de 2004, em um Challenger em Pequim. Na ocasião, Tsonga ainda era o #194 do mundo e estava em seu terceiro ano no circuito profissional.

Outra curiosidade: foi também a primeira entrevista coletiva da vida de Monteiro, que sentou-se ao microfone dizendo “Nunca entrei numa sala assim, mas estou bem, vou poder responder” e ganhando risos dos jornalistas. Na conversa, o cearense falou de seu plano tático, de como tentou mexer Tsonga, que parecia não estar se movimentando bem no terceiro set, e da influência de Guga em sua vida (o Instituto Guga Kuerten agencia sua carreira).

Indagado se Tsonga teria desmerecido o adversário, Monteiro respondeu “não percebi. Estava focado no meu jogo, buscando fazer o meu melhor e me dedicando. Não prestei atenção nas atitudes ou outras coisas dele.” Vale destaque especial a declaração do brasileiro sobre a principal consequência da vitória desta quarta: “Foi uma surpresa saber que você tem condições de seguir trabalhando e chegar nesse nível. Me fez acreditar muito mais em mim.”

Como aconteceu

Tsonga demorou a acordar para o jogo, e Monteiro não bobeou. Apostando em uma estratégia de bolas altas e fazendo o francês se movimentar sob o calor carioca, o cearense conseguiu a primeira quebra no sétimo game, depois de perder break points no terceiro e no quinto. O 6/3 da parcial talvez nem tenha sido um reflexo do quão melhor o brasileiro vinha sendo em seu plano de jogo.

O único vacilo do dia veio no primeiro game do segundo set. Com um par de erros bobos, Monteiro perdeu o serviço e colocou Tsonga na partida. O francês aproveitou e, errando bem menos, manteve a vantagem até quebrar outra vez, fazer 6/3 e forçar o terceiro set. E foi aí que o cenário mais provável insistiu e não acontecer. O brasileiro resistiu, seguiu com seu plano de jogo e seguiu à espera de uma chance no saque de Tsonga. Monteiro inclusive saiu de um desconfortável 0/30 no segundo game e de um perigoso 30/30 no sexto.

O favorito, enfim, escorregou. No nono game, em sequência, fez duas duplas faltas e espirrou uma bola, dando a quebra a Monteiro. O brasileiro ainda salvou dois break points no game seguinte (Tsonga cometeu erros não forçados) antes de subir à rede e ver a bola do oponente morrer na rede.

Monteiro agora enfrentará Pablo Cuevas, #45 do mundo, que, apesar do ranking, promete ser um desafio diferente e, talvez, ainda maior no saibro.

Sobre o saibro sul-americano

Tsonga encerra a participação em seu tour sul-americano de forma não muito diferente de Jack Sock e John Isner, outros dois tenistas que costumam jogar em quadras duras nesta época do ano. O francês jogou dois torneios e somou apenas uma vitória – em Buenos Aires, sobre Leo Mayer. No Rio, os três foram eliminados por tenistas que têm o saibro como habitat natural.

A questão do circuito saibro sul-americano é um desafio muito maior para os tenistas “de quadra dura” do que o piso em si. Até porque os três eliminados (Sock, Isner e Tsonga) têm no currículo bons resultados na terra batida. Parte da questão é que Rio e Buenos Aires são torneio disputados com sob muito calor e umidade, o que deixa os eventos mais desgastantes do que a média do circuito.

Mas não é só isso. Talvez a maior parte do problema seja encontrar adversários que: 1) dependem do saibro para viver; e 2) estão acostumados a jogar em condições assim. Para gente como Delbonis e Pella, a circuito sul-americano é a melhor chance do ano para pontuar. Quase todos jogos são vida-ou-morte para eles e muitos outros nascidos no continente. Gente como Tsonga, Isner e Sock não encara assim essa sequência (ou dupla) de torneios. É mais um jogo.

Carta vez, Marat Safin, já aposentado, deu a melhor definição para esse cenário. Em entrevista antes de uma exibição no Rio de Janeiro, alguns anos atrás, um jornalista perguntou ao russo por que ele havia jogado tão pouco na América do Sul durante sua carreira. Safin explicou que Costa do Sauípe (na época) e Buenos Aires davam poucos pontos (250) e exigiam muito. Em vez de atuar no calor por três horas contra Coria, Gaudio ou Meligeni (que estava sentado à mesa), preferia jogar na quadra dura indoor, onde as partidas duram menos e as arenas têm ar-condicionado. Difícil discordar do russo, não?

Os (outros) brasileiros

A dupla olímpica formada por Marcelo Melo e Bruno Soares (que jogarão juntos no Rio e em São Paulo) entrou cheia de expectativa e favoritismo na Quadra 1 contra os também brasileiros Fabiano de Paula e Orlando Luz. Com Dominic Thiem e Diego Schwartzman na Quadra Guga Kuerten (central), muita gente ficou sem conseguir ver os brasileiros na Quadra 1, que tem capacidade para 1.200 pessoas – a quem interessar, Bruno e Marcelo pediram para jogar lá.

A partida, no entanto, não terminou. Quando o placar ainda mostrava 2/0 para Soares e Melo, a chuva apareceu pela segunda vez no dia e demorou tanto que o Twitter do torneio anunciou o cancelamento de todos os jogos restantes às 21h36min. Havia duas partidas inteiras por realizar na Quadra Guga Kuerten: Ferrer x Ramos Viñolas e Giraldo x Pella.

Vale registrar que André Sá entrou em quadra mais cedo e acabou eliminado. Ele e o argentino Máximo González foram derrotados na estreia por Federico Delbonis e Paolo Lorenzi por duplo 6/4.

A homenagem adiada

A programação da noite desta quarta-feira previa uma homenagem para Fernando Meligeni e Alcides Procópio, nomes importantes da história do tênis brasileiro. A cerimônia foi adiada para a noite de quinta.

Os abandonos

Fabio Fognini foi o desfalque mais sentido do dia. O italiano havia vencido o primeiro set sobre Daniel Gimeno Traver, mas começou a sentir dores nas costas logo no início da segunda parcial. Pediu atendimento e teve o local enfaixado, mas desistiu quando perdia a parcial por 3/1.

Quem também teve problemas nas costas foi Jack Sock, que abandonou a partida de duplas. A curiosidade é que ele e Nicholas Monroe venciam Jo-Wilfried Tsonga e Paul-Henri Mathieu por 6/4 e 3/0. Sock, já eliminado da chave de simples, abandonou o torneio durante uma das paralisações por causa da chuva.

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A desinformação

A eliminação de Jack Sock provocou uma cena curiosa – e engraçada – quando Jo-Wilfried Tsonga apareceu para dar sua entrevista coletiva. Com o monitor da sala de imprensa mostrando “partida suspensa” (mensagem padrão para interrupções por causa de chuva), um jornalista perguntou se era a primeira vez que o francês concedia uma coletiva no meio de um jogo. Tsonga reagiu com expressão confusa e disse que havia vencido o jogo. Foi aí que os jornalistas descobriram sobre a desistência de Jack Sock.

O melhor bate-bola

Aconteceu numa das quadras externas do Jockey Club Brasileiro e envolveu 21 títulos de Grand Slam. A brasileira Maria Esther Bueno, dona de 19 troféus, bateu bola com a italiana Flavia Pennetta, atual campeã do US Open, aposentada e ainda número 7 do ranking mundial.

O mistério da lona

Uma das perguntas mais frequentes no Jockey Club Brasileiro é “onde está a lona?”, já que a organização do torneio optou por não cobrir as quadras durante as várias vezes em que a chuva deu as caras – ou os pingos.

O diretor do torneio, Lui Carvalho, justifica explicando que a drenagem da Quadra Guga Kuerten é excelente e levaria mais tempo para tirar a água de cima da lona do que para deixar a quadra absorver o líquido naturalmente.


Entre sustos e zebras, as primeiras impressões de Roland Garros
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Alexandre Cossenza

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Cinco dias, duas rodadas, muitos favoritos avançando com folga, um par de jogos memoráveis, um duelo esperado que se confirmou, outro duelo esperado se aproxima a galopes e uma chave aberta que se escancarou após uma zebra. Ainda é cedo para tirar conclusões definitivas em Roland Garros, mas assunto não falta por Paris. Que tal um resumo do que rolou de mais importante?

Os favoritos

A chave masculina não teve lá surpresas impactantes, embora o rol de eliminados já conte com Grigor Dimitrov, John Isner, Fabio Fognini e Tommy Robredo. Djokovic, Federer, Murray e Nadal perderem, somados, um set (vencido por João Sousa sobre o escocês). Que surpresa, não? O que importa é que falta pouco para o aguardado Federer x Monfils nas oitavas e só um pouquinho mais para o superjogo entre Nadal e Djokovic, que deve acontecer nas quartas.

Esse grupo só viu calar fora de quadra. Principalmente com Nadal, que deu uma primeira coletiva atacando a federação espanhola e admitindo publicamente (pela primeira vez) ter feito um pedido à ATP para que o árbitro brasileiro Carlos Bernardes não fosse mais escalado em seus jogos. Declarações polêmicas, certamente. Ainda mais a segunda, que foi provocada pelo curioso momento em que Nadal trocou de shorts no meio da quadra central do Rio Open.

Nadal troca de short no meio da quadra (Rio Open)

Segundo o espanhol, que vinha de ganhar o segundo set, estava em melhor momento na partida, mas colocou os calções ao contrário (com os bolsos virados para trás), Bernardes havia lhe dado autorização para tirar e colocar novamente os shorts e, mesmo assim, aplicou-lhe uma advertência por violação de tempo. O árbitro, como é de praxe, não falou sobre o lance com os jornalistas. Uma história tão estranha que deixarei para comentá-la, talvez, num podcast. Talvez.

Dentro de quadra, porém, Nadal mostrou consistência admirável (algo que vinha faltando) na vitória em três sets sobre Nicolás Almagro – adversário sempre perigoso. Difícil imaginá-lo encontrando problemas para chegar às quartas jogando esse nível de tênis. Enquanto isso, Djokovic, pouco exigido, só assustou quando pediu atendimento médico na partida contra Gilles Muller. Nada grave, ele disse depois do jogo.

O que ver na terceira rodada

Fora do Big Four, vale apontar os três jovens que eu mais acredito que disputarão o topo quando Federer e companhia baterem suas botas tenísticas: Nick Kyrgios, Borna Coric e Thanasi Kokkinakis. Os três estão na segunda rodada, e dois deles serão azarões, mas com a chance de protagonizarem zebras maiúsculas. Kyrgios encara Murray, enquanto Kokk, depois de uma virada espetacular (perdia por 2 sets a 0 e, depois, por 5/2 no quinto set para Bernard Tomic), enfrentará o número 1. Este Roland Garros não parece o palco mais provável, mas chegará o dia em que Kokk e Coric derrubarão favoritos em Grand Slams (Kyrgios já bateu Nadal em Wimbledon no ano passado).

Outro jogo interessante dessa terceira rodada será Monfils x Cuevas, com o uruguaio podendo atrapalhar os planos do francês de encarar Roger Federer. O suíço, todos devem lembrar, perdeu os últimos dois jogos para Monfils (e precisou salvar match point antes de sobreviver no antepenúltimo).

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Quem merece um pouco de atenção também é o sempre brigador Carlos Berlocq. O argentino, que venceu em cinco sets depois de deixar Illya Marchenko abrir 2 a 0 na primeira fase, viu-se na mesma situação diante de Richard Gasquet nesta quinta-feira. Ouso dizer que, houvesse luz natural, Berlocq haveria avançado outra vez – dado o momento de ambos no jogo e o histórico do francês em quintos sets. A partida, no entanto, foi interrompida ao fim do quarto set, dando nova vida ao tenista da casa. O vencedor enfrenta Kevin Anderson, que não lá o mais imbatível dos tenistas em quadras de saibro. Chance de ouro para Berlocq, que nunca chegou à terceira rodada de um Slam, chegar logo às oitavas.

Os brasileiros

Feijão amargou sua nona derrota seguida ao perder em três sets para o espanhol Daniel Gimeno-Traver. O número 2 do Brasil teve lá suas chances – em todas as parciais – mas não conseguiu aproveitar. Tipo do jogo que aparentemente teria outro fim se a maré não fosse tão negra para João Souza.

Thomaz Bellucci, por sua vez, fez um papel digno. Venceu fácil e sem fazer esforço na estreia contra um desinteressado e errático Marinko Matosevic (que embolsou seus 27 mil euros pela ridícula apresentação) e fez um bom jogo, porém irregular, diante de Kei Nishikori, que triunfou por 3 sets a 0. Bellucci só teve chances mesmo na primeira parcial. Duplas faltas no fim do primeiro set e no início do segundo cavaram sua cova metafórica.

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As favoritas

A queda da romena Simona Halep, vice-campeã no ano passado e cabeça de chave 3, abriu uma cratera na parte de baixo da chave, onde ela era favoritíssima para chegar às semifinais. Sem a número 3 do mundo, o favoritismo passou para Ana Ivanovic e Ekaterina Makarova, que podem se enfrentar nas oitavas. Quem avançar terá pela frente nas quartas a vencedora de uma seção que tem Beck, Svitolina, Cornet e Lucic-Baroni (a algoz de Halep).

A outra metade da parte de baixo continua fortíssima, já que todas cabeças de chave avançaram. Maria Sharapova, a favorita, terá de passar por Sam Stosur, Safarova/Lisicki e Suárez Navarro/Pennetta/Muguruza/Kerber.

A parte de cima da chave é a mais emocionante até agora – e não só porque Serena Williams e Victoria Azarenka confirmaram aquele esperado duelo de terceira rodada. Essa metade teve o jogo mais emocionante do torneio até agora: a vitória da veteraníssima e campeã de Roland Garros 2010 Francesca Schiavone (34 anos, #92 do mundo) sobre a também campeã do torneio (2009) Svetlana Kuznetsova. A partidaça, que durou 3h54min, teve um tie-break de 24 pontos no primeiro set e só terminou em 10/8 no terceiro, depois de Kuznetsova sacar quatro vezes para o jogo, depois de Schiavone salvar um match point e depois de uma sequência que teve dez quebras de saque em 11 games. Ufa! E a cena com a italiana correndo e comemorando pela Quadra 1 foi das mais emocionantes.

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O que ver na terceira rodada

“O que ver” além de Serena x Azarenka, né? É “o” jogo desde que a chave foi divulgada. E, considerando o duelo entre elas em Madri (Serena salvou match point antes de vencer), é de se esperar um jogão. A americana ainda não mostrou nada fantástico em Paris, mas o desafio de Vika pode ser o necessário para a número 1 acordar de vez para o torneio (ou o carimbo no passaporte de volta aos EUA).

Outros jogos interessantes são Petkovic x Errani, Bacsinszky x Keys e todos da chave de baixo. Sério. To-dos. Suárez Navarro x Pennetta, Muguruza x Kerber, Safarova x Lisicki e Stosur x Sharapova. Talvez seja o quadrante mais forte em uma terceira rodada de Grand Slam feminino em muito, muito tempo.

A brasileira

Teliana Pereira fez uma boa apresentação. Ganhou sem problemas um jogo em que era favorita (contra Fiona Ferro, convidada da organização) e deu trabalho à top 10 Makarova na segunda rodada. A brasileira teve até um break point para sair na frente na parcial decisiva, mas não conseguiu aproveitar. Para piorar, sacou em 40/0 no game seguinte e cedeu a quebra. A russa abriu 3/1 e só perdeu dois pontos no serviço até o fim do jogo.

Coisas que eu acho que acho:

Em cinco dias, fica claro por que Roland Garros é o Slam menos elogiado em termos de organização pelos tenistas. As poucas quadras disponíveis para treino (duplistas estavam sendo enviados a outros clube para aquecer – não treinar – antes os jogos) foram um problema levíssimo se comparadas com a falha grave de segurança – novamente em um jogo de Roger Federer – que deixou que um garoto entrasse na quadra de jogo e tirasse uma selfie com o suíço após o jogo.


Bônus de Nadal
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Alexandre Cossenza

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“O homem é um monstro. Ele não deu uma, não. Ele deu três raquetes. O cara é sensacional mesmo.” Foi assim que Marcelo Ruschel recebeu, via WhatsApp, a notícia na voz de Bruno Soares. Lembram que uma semana atrás Rafael Nadal havia prometido uma raquete para ajudar o projeto social WimBelemDon? Pois é… Quando encontrou o mineiro em Miami, o ex-número 1 do mundo entregou logo três raquetes e três camisas de jogo. Todas peças, claro, autografadas.

“Raquete nova, último modelo, zerada, autógrafo no cabo, nome dele na raquete… Tudo. Tudo. Sensacional, cara. Fiquei até pasmo quando ele veio com três. Fenômeno. Fenômeno”, contou Soares. A notícia realmente boa é que uma das raquetes já foi arrematada por R$ 25 mil – valor que logo deve entrar na soma do crowdfunding – a vaquinha virtual – Fixando Raízes promovido por Marcelo Ruschel para manter vivo seu projeto social. O fotógrafo gaúcho precisa de R$ 390 mil para comprar o terreno onde mantém as atividades do WimBelemDon. Até a manhã desta terça-feira, o total arrecadado somava pouco mais de R$ 110 ml.

Conversei com Ruschel na tarde desta segunda-feira, e o gaúcho já se mostrava muito mais otimista do que no nosso papo anterior, cerca de três semanas atrás. Com as raquetes estipuladas a R$ 25 mil cada (valor sugerido por Gustavo Kuerten) e as camisas a R$ 5 mil (uma delas também já foi arrematada), o projeto pode conseguir cerca de 25% do valor do terreno só com as peças cedidas por Nadal.

“Eu me sinto muito mais próximo do terreno. Agora já não tenho dúvida de que a gente vai conseguir”.

Mas tem mais. Os dias do Masters de Miami foram generosos com o fotógrafo. Além da ajuda do ex-número 1 do mundo, Ruschel vai receber duas raquetes de Marcelo Melo, mais duas de Thomaz Bellucci e outra do uruguaio Pablo Cuevas. E Bruno Soares, o encarregado de juntar tudo isso, ainda promete tentar a sorte com Andy Murray, Novak Djokovic e Tomas Berdych. Que tenha sorte?

Não conhece a história do WimBelemDon? Leia este post e fique por dentro.
Quer saber como ajudar? Clique aqui para ir até o crowdfunding do projeto.
Quer ajudar ainda mais? Divulgue este post de todas as maneiras possíveis!

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Dentro de quadra

A simplicidade que Rafael Nadal mostrou com um projeto social brasileiro está longe daquela que foi sua marca no circuito durante tanto tempo. Até agora, o espanhol faz uma temporada irregular, com ótimas atuações separadas por um punhado de partidas medianas e até um dia desastroso como o do último domingo, que terminou em derrota para o freguês Fernando Verdasco.

Na coletiva após o jogo, Nadal admitiu que não vem jogando com a calma necessária. Os momentos de nervosismo, que não eram muitos até alguns anos atrás, foram mais frequentes do que o desejado em 2015. O resultado traduz-se em muitas bolas sem profundidade, mais duplas faltas do que de costume e erros não forçados. O primeiro saque também vem deixando a desejar, bem distante do nível que Nadal atingiu em 2010 e 2013, quando ganhou o US Open.

Há quem veja a chegada da temporada de saibro como o momento em que Nadal finalmente vai combinar seu costumeiro tênis de altíssimo nível com uma atitude mental mais estável. É preciso lembrar, porém, que o espanhol já não fez uma bela temporada no saibro europeu em 2014 nem mostrou nada de especial em 2015, quando caiu na semifinal no Rio de Janeiro (perdeu para Fabio Fognini) e foi campeão em Buenos Aires (jogando apenas contra argentinos).

Não se pode deixar de levar em conta que, talvez por opção, talvez por necessidade e mais provavelmente por uma combinação de ambos, Nadal tenta jogar um tênis muito mais agressivo hoje em dia. No saibro, ele ainda opta por um estilo de menos risco – mas nem tanto. Na quadra dura, contudo, a estratégia não funciona consistentemente desde o US Open de 2013. Até no Australian Open do ano passado, quando avançou à final, Nadal teve atuações irregulares (sim, uma bolha na mão e a lesão nas costas tiveram sua parcela de culpa).

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A grande questão que parece incomodar o ex-número 1 é um dilema antigo, vivido por tantos e tantos tenistas que tentam sair de um tênis de porcentagem para um estilo mais agressivo. Atacar mais significa errar mais e, consequentemente, dar mais pontos de graça. O ponto é que nem todos tenistas se mostram mentalmente prontos para ceder tanto a um adversário. A nova postura exige um condicionamento psicológico. A margem para dias ruins diminui, e o número maior de erros frequentemente abala a confiança (e a tranquilidade!) de um atleta.

Mentalmente, jogar um 30/30 depois de dar dois pontos de graça é bem diferente de disputar um ponto com o mesmo placar, mas sabendo que o oponente teve de lutar pelos dois pontos que conquistou. O raciocínio do atleta deixa de ser “ele não vai conseguir jogar quatro pontos nesse nível” para “já dei dois pontos de graça, não posso errar mais.” Talvez não pareça tanto para quem nunca disputou um torneio. Para quem vive disso, entretanto, é uma diferença e tanto.

Já aconteceu com Jelena Jankovic e, mais recentemente, com Caroline Wozniacki, embora em medidas diferentes. Mas o quanto essa mudança de mentalidade está afetando Nadal? Só ele pode dizer. Joga a favor do espanhol algo em que ele parece acreditar cegamente, como disse em Miami, depois de ser eliminado. “Não tenho nada a perder. Neste ponto da minha carreira, já ganhei o bastante para dizer que não preciso ganhar mais, mas quero ganhar. Quero continuar competindo bem. Quero continuar tendo a sensação de que posso competir em cada torneio que jogo. Tenho a motivação para isso.”


Curtinhas cariocas da terça-feira
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Alexandre Cossenza

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Rafael Nadal derrotou Thomaz Bellucci sem grandes dificuldades, encerrando uma interessante rodada de terça-feira no Rio Open. O jogo, grande atração da rodada, esteve longe de ser o único momento bacana do dia. Por isso, as curtinhas cariocas voltam ao Saque e Voleio. Fiquem por dentro:

– Das coisas que pouca gente vê… Um dos compromissos dos tenistas é, após o encerramento de uma partida na Quadra Central, disputar um ponto com um convidado de um dos patrocinadores. Foi o que fez David Ferrer. Nadal foi mais longe. Ficou uns bons cinco minutos, com um sorriso no rosto o tempo inteiro, jogando com um cliente do Itaú. Impagável. Depois disso, ainda ficou mais alguns longos minutos dando autógrafos aos fãs que se amontoavam no portão de saída.

– Na coletiva, Bellucci reclamou um bocado de seu saque, enquanto Nadal disse que fez uma partida “correta”, sem tentar coisas mais complicadas porque sabia que não era o momento para isso. O ex-número 1 do mundo também disse que o brasileiro tem tudo para estar em um ranking mais elevado. “Tem golpes, tem serviço…” Nadal não disse, mas sua expressão tinha uma cara de “não entendo como Bellucci perde alguns jogos.” Muitos conhecem essa sensação…

– Aliás, vale lembrar que choveu fraco durante boa parte da partida entre Nadal e Bellucci. A Quadra Central, assim como as menores, vem resistindo bem aos pingos. O torneio segue sem atrasos.

– Feijão também fez uma belíssima partida e derrotou Facundo Arguello (de quem havia perdido todos os quatro jogos anteriores) por 6/1 e 6/1. Feliz com o bom momento – vem de uma semifinal em São Paulo -, evitou mais uma vez falar em Copa Davis (embora sua convocação, extraoficialmente, esteja garantida) e afirmou que está se sentindo à vontade nos ambientes dos torneios ATP. O melhor momento de sua entrevista foi na última pergunta, feita por um jornalista argentino, que indagava sobre o comportamento da torcida brasileira. Em espanhol fluente (já viajou e viaja com treinadores argentinos por um bom tempo) , Feijão respondeu que os brasileiros gostam de gritar, mas que as pessoas não são tão educadas assim na Argentina e no Uruguai, onde já esteve para uma Copa Davis.

– Bethanie Mattek-Sands teve um papo animado com Felipe Priante, do Tenisbrasil. Além da ótima entrevista, que fugiu da mesmice que seria falar apenas sobre moda, Felipe, que vestia uma camisa de Aaron Rodgers, quarterback do Green Bay Packers, ainda ganhou um tweet da americana.

– O jogo mais agitado do dia foi entre Nicolás Almagro e Pablo Cuevas. No caldeirão que é a Quadra 1, com a torcida pertinho dos jogadores, o ambiente é sempre propício para que algum fã exaltado tente provocar um tenista. Não estive na quadra, mas o relato na sala de imprensa era de que Almagro conseguiu fazer todo o público ficar ao lado de Cuevas. O uruguaio acabou vencendo por 4/6, 6/3 e 6/4. O espanhol saiu sem dar autógrafos.

– Ainda sobre a Quadra 1, Bruno Soares disse, como no ano passado, que adora o ambiente para jogar lá. O mineiro até notou que a arquibancada de um dos lados é maior do que em 2014. A capacidade este ano é para pouco mais de mil pessoas. André Sá e Feijão, lembremos, também venceram jogando juntos na Quadra 1.

– O momento mais bacana do dia foi mesmo a coletiva de Bia Haddad. Feliz com a vitória sobre Maria Irigoyen (6/1 e 6/1) e tagarela como sempre, a paulista de 18 anos, considerada há alguns anos a maior esperança do país no tênis feminino, falou sobre o quanto sua vida mudou após passar por uma lesão no ombro e uma delicada cirurgia na coluna – um procedimento errado, e Bia ficaria para sempre sem andar. O relato da brasileira é tão rico em detalhes que inclui até o horário exato em que ela sentiu (3h42 da manhã) o primeiro desconforto. A transcrição da parte mais importante da coletiva está no blog.


O Brasil Open em 20 drops shots
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Alexandre Cossenza

Não foi uma semana tão corrida quanto a do Rio de Janeiro, mas os últimos sete dias, período do Brasil Open, foram bastante animados. O torneio paulista mostrou melhorias, embora com uma chave nada forte, e conseguiu até levar um bom público ao Ibirapuera no sábado. Também vimos a torcida reconhecer o belo torneio de Thomaz Bellucci. Como ninguém aguentaria ler um post esmiuçando tudinho-tudinho, aqui vai outra edição dos drop shots, que são um punhado de reflexões rápidas sobre a semana. Confira!

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– Federico Delbonis conquistou o primeiro título da carreira, aproveitando bem as condições rápidas, ideais para seu tênis. Sacou bem, agrediu e passou por um caminho nada fácil: Volandri, Almagro, Montañés, Bellucci e Lorenzi. Saltou 17 posições no ranking, entrou no top 50 (é o 44º) e, com 23 anos, ainda tem muito a melhorar – e subir. Olho nele!

– Paolo Lorenzi saiu de São Paulo feliz da vida. O italiano, que nunca tinha sequer disputado uma semifinal de ATP, esteve a um set de conquistar o título. Tirou o máximo da chance que teve no Brasil e só não venceu porque Delbonis encontrou seu tênis a tempo. Como o próprio Lorenzi disse, ficou muito difícil fazer algo depois do primeiro set. O italiano só tem a comemorar.

– Thomaz Bellucci também encerra o torneio em alta, apesar da chance perdida na semifinal contra Delbonis. O número 1 do Brasil voltou ao top 100 (é o 86º), jogou um tênis sólido do começo ao fim e encontrou uma confiança que andou sumida em 2013. O paulista deixou muita gente otimista. Escrevo mais sobre ele nestes posts aqui e aqui.

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– Tommy Haas, anunciado pela Koch Tavares como grande estrela do torneio, não teve sucesso. Nem conseguiu atrair público nem mostrou um tênis digno de um número 12 do mundo. Para piorar, o alemão sentiu dores no ombro, abandonou sua semifinal e, na coletiva, deu a entender que se a lesão persistir, será o fim da linha. Vale lembrar que foi o mesmo ombro que o tirou do Australian Open.

– É de se lamentar a derrota de Feijão, que vinha jogando bem até sentir dores nas costas. O brasileiro, que também vinha tratando uma lesão no abdômen, foi forçado a abandonar o jogo contra Albert Montañés, nas oitavas de final. No vestiário, sentiu o baque e desabou em lágrimas.

– A decepção do torneio ficou por conta da queda de Bruno Soares e Alexander Peya. Os dois foram eliminados logo na estreia, superados por Guillermo García-López e Philipp Oswald. Foi a primeira derrota de Soares no Brasil Open desde 2010. O mineiro foi campeão em 2011 com Marcelo Melo, em 2012 com Eric Butorac e em 2013 com Alexander Peya.

– Ainda sobre Bruno Soares, publiquei durante a semana do Brasil Open esta entrevista aqui, sobre ganhos, perdas, investimentos e tudo mais que envolve prêmios em dinheiro na carreira de um tenista. A repercussão entre leitores e tenistas foi ótima. Se você ainda não leu, clique aqui.

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– Também foi uma pena a ausência de Marcelo Melo, que demorou a se decidir entre Dubai e São Paulo e, quando alcançou a final no Rio de Janeiro, na semana anterior, não teve tempo de encontrar um parceiro para entrar no Brasil Open. Ele e seu técnico e irmão, Daniel, voltaram para Belo Horizonte.

– García-López e Oswald acabaram sagrando-se campeões na chave de duplas, mas não sem uma dose gigante de sorte. Na final contra os colombianos Juan Sebastian Cabal e Robert Farah (campeões do Rio Open), espanhol e austríaco escaparam de um match point quando uma bola marota bateu na fita e tocou no ombro de Cabal.

– Não é culpa de ninguém, mas o calendário do tênis mundial, com dois torneios no Brasil na mesma semana, não é nada bom para o país. Especialmente para Florianópolis, que não conseguiu atrair um nome de peso para a edição deste ano. Com isso, a cobertura da grande imprensa fica concentrada no Brasil Open, em São Paulo. Na capital paulista, os veículos não precisam pagar viagem e hospedagem a seus repórteres. Além disso, o torneio deste ano teve Thomaz Bellucci com reais chances de título.

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– Outra conversa que gostei de ter no torneio paulista foi com o argentino Daniel Orsanic, ex-treinador de Thomaz Bellucci. Após ser dispensado pelo brasileiro, Orsanic foi contratado por Pablo Cuevas. Os dois trabalharam juntos por três anos, justamente na época que o uruguaio alcançou seu melhor ranking. Agora recuperado após duas cirurgias no joelho, Cuevas vem subindo no ranking e tentando voltar ao nível que sabe que pode jogar. Leia aqui.

– Os três melhores tenistas do Brasil não disputarão o qualifying de Indian Wells. Para Bellucci, que fez semi em São Paulo, haveria pouco tempo de adaptação; Feijão tem lesões nas costas e no abdômen; e Rogerinho vai representar o país nos Jogos Sul-Americanos, em Santiago.

– A Koch Tavares voltou a acertar a mão com a organização do Brasil Open. A edição 2014 foi a melhor das três realizadas na capital paulista. Assentos numerados, uma quadra secundária digna, mais lojas e opções de alimentação na parte externa do Ibirapuera e até uma tentativa de reduzir a sensação térmica dentro da quadra central tornaram o evento muito mais agradável.

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– Houve, claro, falhas. A mais notória foi o apagão de quarta-feira. O calor (o termômetro de meu táxi indicava 38 graus), superaqueceu os cabos dos geradores e, por medida de segurança, a organização optou por desligar a força temporariamente. Foram 20 minutos sem luz, tempo no qual os geradores ficaram em stand by até que os cabos resfriassem.

– Em coletiva realizada no domingo, o diretor do Brasil Open, Paulo Pereira, mostrou-se bem consciente de que o torneio ainda precisa melhorar. Entre os planos, estão mais uma quadra de jogo e novas opções de alimentação e lazer (publico em breve a íntegra da coletiva, que foi realizada durante a final de simples – o timing não foi dos melhores).

– O Brasil Open ainda tenta, junto à ATP, mudar sua data. A intenção da Koch Tavares é fazer o torneio duas semanas antes, trocando de lugar com o ATP de Buenos Aires. Segundo Paulo Pereira, as melhorias do evento em 2014 vão pesar a favor de São Paulo, mas com uma ressalva: ”Como (também) vão pesar as eventuais melhorias que os argentinos fizeram por lá.”

– Falando em coletivas, a mais memorável deste Brasil Open foi a única concedida por Nicolás Almagro, que bateu boca com um jornalista. O vídeo da “conversa” foi parar no SporTV News, e está reproduzido abaixo. Na bancada da imprensa no Ibirapuera, cogitava-se a criação de camisetas com os dizeres “¿Viste el punto?”

– Havia 3.730 pessoas no Ibirapuera no domingo, dia da final. Nos dias anteriores, os públicos “pagantes e presentes” (número não conta quem pagou e não foi) foram de 1.050 na segunda-feira, 2.306 na terça, 3.080 na quarta, 2.760 na quinta, 3.750 na sexta e 5.008 no sábado. Com Bellucci na final, provavelmente teríamos o melhor público do torneio, mas faltaram dois games para isto. É o preço que se paga pela caótica edição de 2013, com todo tipo de problemas.

– Mais números do Brasil Open: o torneio usou 14 toneladas de pó de telha para cobrir as duas quadras, 5.040 bolinhas do tipo Wilson Australian Open, 1.100 metros de linha para fazer as marcações, 30 quilos de pregos, 40 máquinas climatizadoras, 700 toalhas, e 500 quilos de gelo. Foram servidas 4.800 refeições para jogadores e estafe, e quatro dúzias de bananas eram levadas diariamente ao Ibirapuera – só para os tenistas.

– Diálogo rápido com Rogerinho na zona mista, após sua vitória na primeira rodada, após ele dizer que tinha feito uma mudança por “coisa pessoal, de tenista.”
Repórter: Você tem muitas superstições?
Rogerinho: Várias, mas não vou te falar (risos).
Outro repórter: Não falar a superstição é vergonha ou outra superestição?
Rogerinho: Outra superstição (mais risos).


Um reencontro “bacana” (como nós falamos)
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Alexandre Cossenza

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É uma história feliz a do reencontro do uruguaio Pablo Cuevas e de seu atual técnico, Daniel Orsanic. Ou melhor, “bacana”, como o treinador diz, encontrando um adjetivo no português. Os dois começaram a trabalhar juntos em 2008, com o tenista fora do top 100, e a parceria levou Cuevas ao melhor ranking de sua carreira (45 do mundo, em 2009), mas uma séria lesão no joelho direito o afastou do circuito mundial e forçou o fim da relação com Orsanic.

O treinador argentino, todo mundo sabe, foi contratado por Thomaz Bellucci no fim de 2011 e passou duas temporadas quase inteiras ao lado do paulista. Por um ano e meio, Bellucci manteve-se entre os 40 melhores tenistas do mundo, mas lesões atrapalharam sua temporada de 2013 e o tiraram até do top 100. O resultado foi a contratação de um novo técnico, o espanhol Francisco Clavet.

Enquanto tudo isso acontecia, Cuevas tentava voltar às quadras. O uruguaio ficou quase dois anos longe dos torneios, e seu primeiro resultado relevante veio no fim do ano passado, quando venceu um Challenger em Buenos Aires – onde derrotou, vejam a curiosidade, Bellucci na primeira rodada. Na semana seguinte, Cuevas foi à semifinal em Montevidéu, em outro Challenger. Uma de suas vítimas naquele torneio foi Paolo Lorenzi, outro semifinalista do Brasil Open de 2014.

E o resultado dessa combinação foi o reencontro de Cuevas e Orsanic, que voltaram a trabalhar juntos agora, em 2014. Como ambos estiveram aqui em São Paulo, aproveitei para bater um papo com Orsanic, que sempre foi muito simpático comigo – desde a primeira entrevista, no Brasil Open de 2012, até nos encontros na Nova Zelândia e na Austrália. Vejam o que ele diz, falando português (não usou uma só palavrinha de espanhol na conversa inteira) sobre a relação com Cuevas.

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Como foi a reaproximação?
Eu vi que ele estava jogando de novo a partir da metade do ano passado. Jogou Roland Garros e depois, no fim do ano, me contactou para pedir que ajudasse ele part-time. Só algumas semanas porque ele está bem do joelho, mas é difícil para ele ter essa certeza que ele vai conseguir jogar o ano inteiro, né? Então nosso acordo é estar juntos por algumas semanas.

É um trabalho muito diferente? Você tem um papel mais de psicólogo agora?
É o mesmo trabalho que fazia antes. Nós trabalhamos muito na técnica, no jogo do tenista, mas todos sabemos que, hoje em dia…

(interrompendo) Se não tem confiança…
Exatamente. A parte mental é muitas vezes aquilo que faz a diferença. Hoje em dia, tem muito jogador que está bem preparado, mas vence quem está melhor mentalmente. Ele (Cuevas) tem um volume de jogo muito grande, joga muito tênis. Está voltando, está ganhando confiança no seu corpo, no seu tênis. Em algumas, dá para vencer. Em outras, não. Ele está voltando, querendo voltar ao nível mais alto, jogar ATPs. No fim do ano passado, ganhou um Challenger, fez semifinal de outro, mas isso, agora, é um nível mais alto. Ele tem que se acostumar também.

Essa é a parte mais difícil? Encontrar o ponto entre o nível que você está jogando e o nível que você quer e sabe que pode jogar?
Temos que ter paciência. Temos que manter ele são, competitivo. Ele sabe que pode jogar muito bem, mas tem um caminho para andar até se sentir assim, sabe? Em alguns dias, ele vai se sentir muito bem, mas tem que ir construindo seu ranking. Em alguns torneios, ele ainda pode utilizar o ranking protegido, mas em outros, torneios menores, ele vai jogar com seu ranking real (197).

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Então vai jogar quali, Challenger, o que precisar?
Claro, claro. Em duplas, ele está melhor, 46. As duas coisas para ele são importantes, mas tem um caminho a percorrer.

Vocês dois estão contentes com o que vêm conseguindo?
Ele, principalmente, está muito feliz de ter uma outra chance de jogar. Eu sou amigo dele. Nesse relacionamento anterior, a gente criou uma amizade e estou muito feliz por ele de ter essa nova chance. E mais ainda que ele me escolheu para ajudá-lo nessa etapa.

É uma história legal a de vocês, não?
Sim. É bacana, como vocês falam. É uma situação bacana. Tomara que ele consiga ter bons resultados para continuar jogando um bom nível.

E qual a programação desde agora?
Ele vai jogar dois Challengers (Panamá e Barranquilla), com seu ranking real, depois vai a Houston. Provavelmente, se entrar, vai jogar em Monte Carlo. Se não, vai deixar o ranking protegido para outro ATP. A ideia é jogar Houston, Monte Carlo, Bucareste, Oeiras e depois voltar para descansar. Então, vai jogar Paris e mais algum Challenger depois.


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