Saque e Voleio

Arquivo : Nadal

Primeiras impressões de 2017
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Alexandre Cossenza

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Uma semana de jogos. É só isso que o mundo tem para analisar até agora e imaginar o que pode acontecer no Australian Open. É uma amostra pequena, é bem verdade, e muita gente se preocupa mais em calibrar os golpes do que no resultado imediato. Por isso, nem sempre é fácil “ler” o que aconteceu nestes primeiros torneios de 2017. Mesmo assim, já dá para começar a notar algumas tendências. Se elas vão ou não se confirmar em Melbourne e no resto do ano, é impossível saber. Mas elas estão aí, e este post é justamente sobre essas primeiras impressões da nova temporada. Comecemos pelo topo do circuito masculino, onde há dois favoritos óbvios e um interessante equilíbrio abaixo.

Andy Murray e Novak Djokovic

Britânico e sérvio, números 1 e 2 do mundo, respectivamente, são indiscutíveis como favoritos ao título do Australian Open. Ambos jogaram para o gasto em Doha e chegaram na final. E que final! Um jogo surpreendentemente bom para um primeira semana de temporada e que valia só 100 pontos (ou 200, se você é adepto da expressão futebolística “jogo de seis pontos”).

O que estava mesmo em jogo na final de Doha era moral, por isso Djokovic sai na frente. Para ele, o triunfo era mais importante. Murray já vinha de vitória sobre o sérvio no ATP Finals. Um resultado igual em Doha poderia mexer com o equilíbrio desse matchup. Com o título nas mãos de Djokovic, o cenário parece voltar a ser o mesmo de quase sempre: o sérvio será favorito caso os dois se encontrem na final em Melbourne.

O segundo pelotão

Kei Nishikori, finalista em Brisbane, talvez tenha mostrado o tênis mais sólido do começo ao fim da semana. Não deixa de ser um ótimo sinal para o japonês, mas vale ligar o alerta para a questão física. O tênis de Nishikori costuma cobrar contas altas, e a primeira de 2017 já apareceu. O japonês saiu da final de Brisbane se queixando de dores no quadril e dizendo que “vou tentar ficar saudável na próxima semana e espero estar pronto para o Australian Open.”

Stan Wawrinka fica um pouquinho atrás, mas só um pouquinho mesmo. Afinal, foi superado por Nishikori na semi em Brisbane, mas mostrou um tênis interessante o suficiente para início de temporada. É importante notar também que Stan se mostrou pouco incomodado com a eliminação e um tanto satisfeito com o nível de tênis que apresentou. Afinal, nestas primeiras duas semanas, o resultado final nem sempre é o mais importante. Assim, com o devido tempo antes do Australian Open para fazer a sintonia fina e os últimos ajustes, é justo dizer que o #1 da Suíça pode chegar forte mais uma vez a Melbourne.

Milos Raonic já tem na temporada uma respeitável vitória sobre Rafael Nadal, o que não é pouco – embora o revés diante de Grigor Dimitrov um dia depois tenha “esfriado” o canadense. Ainda assim, Raonic, assim como Nishikori e Wawrinka, pode “esquentar” e sair atropelando em Melbourne. Vale, porém, considerar sua fragilidade física, o que pode se acentuar no verão australiano, especialmente se for necessário disputar partidas longas.

E as lendas, onde ficam?

Aqui reside o maior ponto de interrogação do Australian Open. Nem tanto pelos momentos de Roger Federer e Rafael Nadal, mas por seus rankings. Nenhum dos dois estará entre os oito principais cabeças de chave em Melbourne, e isso certamente vai bagunçar as expectativas e as cotações das casas de apostas.

Tudo aponta para que Federer seja o cabeça 17 na Austrália, o que significa a possibilidade de um confronto de terceira rodada já contra um cabeça de chave 9 a 12. E como Nadal deve ser o cabeça 9, isso significa que, sim, é possível um “Fedal” já na terceira rodada. Mas o suíço também pode encarar Berdych, Goffin ou Tsonga nessa fase. Resumindo: as consequências serão grandes.

E isso, claro, se ninguém desistir até o início do torneio. Porque se isso acontecer, Nadal sobre para cabeça 8, e Federer, para 16. Nesse caso, aumentam muito as chances de o suíço encarar Murray ou Djokovic nas oitavas. Já pensaram?

Quanto à forma tenística, Federer fez um belo retorno. Jogou a Copa Hopman, se movimentou bem e conseguiu duas vitórias esperadas (Daniel Evans e Richard Gasquet). Mostrou um tênis que deve lhe render vitórias tranquilas nos primeiros jogos em Melbourne. É bem verdade que o suíço foi superado em três tie-breaks por Alexander Zverev e que foi o alemão que venceu a maioria dos ralis. Cabe, no entanto, a velha ressalva de pré-temporada.

Fosse um torneio oficial, Federer teria somado tantos erros não forçados (e foram muitos mesmo!) ou teria arriscado menos? O que ele queria mais: vencer aquela partida ou calibrar seu tênis? Fico com a segunda hipótese, pelo menos por enquanto. Não vejo motivo para desespero. Ainda assim, pairam as mesmas perguntas que todos faziam em 2014 e 2015. O Federer de hoje, com 35 anos, consegue passar por Murray e/ou Djokovic em cinco sets?

No que diz respeito a Nadal, o espanhol vem jogando o tênis agressivo que acredita precisar jogar. Quando dá certo, o ex-número 1 tem grandes atuações. Quando não, perde jogos que não deixaria escapar em outros tempos. Jogando desse jeito, a margem para dias ruins diminui. Não consigo ver o Nadal de hoje ganhando tantos jogos sem jogar seu melhor, como fez por tanto tempo. E lembremos: jogando assim, Nadal não encaixa duas semanas inteiras de ótimo tênis desde o US Open de 2013. A cada dia que passa, fica mais difícil (mas não impossível) imaginar que isso vá se repetir.

Quem corre por fora?

Por enquanto, é difícil dizer o que esperar de Dominic Thiem. No início da semana, o revés diante de Dimitrov parecia decepcionante, um começo de ano abaixo da expectativa. Agora, depois de ver o búlgaro com o título, nem tanto.

Alexander Zverev também chega cheio de moral após a Hopman – especialmente com a vitória sobre Federer. No entanto, o adolescente que muitos acreditam estar no rumo para ser número 1 do mundo ainda precisa de uma grande campanha em um Slam. Talvez de uma grande vitória (em um torneio oficial) para servir de trampolim para voos mais altos. Até que isso aconteça, Sasha entra em qualquer torneio brigando pelo posto de “meu azarão favorito”.

O que dizer de Nick Kyrgios, que chegou à Copa Hopman com uma lesão sofrida numa pelada de basquete? A falta de compromisso do garotão não chega a ser uma surpresa (ele vive dizendo que não gosta de tênis), mas me parece um abuso para quem andou falando que poderia conquistar o Australian Open já este ano. Jogo para isso ele, de fato, tem. Ainda precisa mostrar que tem cabeça, foco e todos aqueles atributos que são mais do que bater bem na bolinha.

Quem surpreendeu?

O grande nome da primeira semana na ATP é, inquestionavelmente, Grigor Dimitroc. O búlgaro começou 2017 com três vitórias sobre top 10: Thiem, Raonic e Nishikori. Foi quem mais impressionou – pelo menos em termos de resultados – até agora, e o título de Brisbane lhe dá a confiança necessária para chegar a Melbourne realmente acreditando na possibilidade de uma grande campanha.

As grandes questões para Dimitrov, agora, são: ele teria feito o mesmo em um torneio mais importante, onde o resultado imediato fosse prioridade para todos tenistas?; e ele conseguirá repetir esses resultados em jogos de cinco sets, lembrando que ele não alcança as quartas de um Slam desde 2014? Talvez seja injusto levantar tais questões na primeira semana do ano, mas é nisso que a gente vai prestar atenção em Melbourne, não é verdade?

Nas casas de apostas

Fiquem de olho nas cotações pós Hopman/Doha/Sydney. Vai ser interessante ver o quanto elas vão mudar após o sorteio da chave em Melbourne.

Os brasileiros

Para o Brasil, até que os primeiros torneios do ano renderam resultados animadores. Thiago Monteiro perdeu na primeira rodada em Chennai, mas venceu dois jogos (Fabbiano e Giraldo) e entrou na chave principal em Sydney. O cearense também anunciou seu novo fornecedor de material esportivo: a espanhola Joma, que entra no lugar da Lacoste. Monteiro, lembremos, deixou de ser agenciado por Gustavo Kuerten (garoto-propaganda da Lacoste) para ser atleta da LinkinFirm, de Márcio Torres, que também agencia Bruno Soares, André Sá e Teliana Pereira.

Rogerinho, por sua vez, venceu uma partida (Lajovic) em Chennai, mas caiu nas oitavas de final, superado por Roberto Bautista Agut, que acabou como campeão do torneio. Em Sydney, porém, o paulista foi eliminado na primeira rodada do qualifying por Nikoloz Basilashvili.

Thomaz Bellucci, o #1 do Brasil, entrou na última hora na chave em Sydney, mas não passou da estreia. Diante de Nicolas Mahut, fez um primeiro set nada animador e só esboçou uma reação no finzinho do segundo set. Até teve chances de estender a partida, mas terminou derrotado por 6/2 e 7/6(2).

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Vale notar também que Bellucci não é mais atleta da adidas. O paulista jogou em Sydney vestindo Wilson, marca que já era sua fornecedora de raquetes. O texto de sua assessoria de imprensa cita como marcas parceiras de Bellucci a Claro, a Embratel (que são a mesma empresa) e a Wilson.


Que Federer tenha razão sobre 2017
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Alexandre Cossenza

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“Acho que o começo do ano, especialmente o verão australiano, vai ser épico.” A frase é de Roger Federer, em entrevista ao New York Times. O suíço fazia uma análise do que pode acontecer em seu retorno ao circuito mundial e afirmou que, tendo em vista o momento dos quatro integrantes do Big Four, o mundo pode ver histórias sensacionais no começo de 2017. Não era nem um exercício de futurologia. Federer falou com propriedade, e parece justo dizer que mundo inteiro espera que o ex-número 1 do mundo esteja certíssimo.

Dando um desconto pelo manjado uso do adjetivo “épico” (quem me segue no Twitter sabe que acho extremamente irritante e pobre a banalização de termos como “épico” e “histórico”), Federer foi preciso na análise. São quatro grandes histórias em curso. E não digo “histórias” no sentido de carreiras (embora todos tenham feitos, ahem, “históricos”), mas no aspecto jornalístico da coisa. São relatos incríveis que, contextualizados, ganham ainda mais importância. Vejamos:

Andy Murray

É o número 1 do mundo após um segundo semestre espetacular em 2016. É a primeira vez que o escocês abre uma temporada como o homem a ser perseguido. Há certa pressão nisso, mas também conta a seu favor o número menor de pontos a defender até abril em comparação com Djokovic. Resta saber se Murray encontrou/encontrará um nível de conforto em seu tênis para continuar jogando com essa intensidade e vencendo com essa frequência.

Além disso, tem toda a questão psicológica da coisa. Tem gente que se sente à vontade e mais poderoso ainda como número 1 (vide Federer), mas nem todos lidam tão bem assim com todos alvos do planeta apontados para sua cabeça. Como Murray vai se comportar no topo do ranking? Ser número 1 coloca ou tira peso em suas costas? Tudo é questão de perspectiva, e o mundo só vai saber isso com 100% de certeza quando a temporada de 2017 começar.

Novak Djokovic

O homem que dominou o circuito em 2014 e 2015, colocando-se como favorito de uma maneira inédita (mais cotado a vencer qualquer tenista em qualquer piso) no tênis moderno, perdeu gás após completar o Career Slam em Roland Garros. terminou o ano como número 2, contratando uma espécie de guru (embora ele não goste do termo guru) e encerrando a parceria com Boris Becker, que saiu dizendo que faltou dedicação no segundo semestre. Os motivos para a queda de Nole já foram bem discutidos e debatidos neste blog. Os sinais de esgotamento estavam lá para todo mundo ver.

Mas o que vem por aí agora? Becker fará falta? Com Vajda ainda no time, não me parece que o alemão será um desfalque tão grande assim. De qualquer modo, será que o Djokovic faminto e sufocante voltará a dar as caras em 2017? Ou será que vem um ano mais ou menos por aí? É bem verdade que Nole tem tênis de sobra para continuar brigando por títulos mesmo aquém de seu melhor, mas talvez aquele ingrediente que faltou nos últimos meses de 2016 seja necessário para brigar pelo número 1. Ou não? O ATP de Doha, que começa no dia 2 de janeiro, nos dará os primeiros indícios.

Rafael Nadal

A temporada de 2016 deveria ter sido o ano que mostraria onde está de fato o tênis de Rafael Nadal, mas nem isso deu para ver com tanta clareza assim. Uma lesão no punho tirou o espanhol de Roland Garros, que acabou não jogando Wimbledon e até fez uma bela Olimpíada, mas encerrou a temporada mais cedo. Houve (esperados) títulos no saibro, vide Monte Carlo e Barcelona, mas também houve (inesperadas) derrotas doídas, como em Melbourne e Nova York.

Nadal foi melhor quando jogou seu básico – não tão agressivo quanto em 2015 – mas deu a impressão de que seu tênis, hoje, está em uma posição desagradável. Aos 30 anos, Nadal não tem o físico para jogar as partidas e os pontos longos que destruíam mentalmente seus adversários (inclusive fugiu do calor e da umidade de Buenos Aires e do Rio de Janeiro em 2017), mas também não mostrou uma consistência nem técnica nem mental na agressividade que precisa para vencer jogos mais curtos.

Com a contratação de Carlos Moyá para seu time, Nadal mostra que não está satisfeito e busca um olhar diferente para seu jogo. Não ouso especular sobre o que Moyá vai conseguir fazer pelo compatriota, mas é bem possível que 2017 seja o ano do vai-ou-racha para Nadal. Afinal, não me parece que ele ficará satisfeito se repetir os resultados de 2016. Se isso acontecer, será preciso decidir se vale a pena continuar competindo assim.

Roger Federer

A história mais intrigante de 2017. Pela primeira vez na vida, o suíço fará um “retorno” após longa parada. A cirurgia no joelho, no começo do ano passado, já foi uma novidade estranha para Federer. Ele adiou a volta duas vezes (Indian Wells e Miami), disputou torneios no saibro e evitou Roland Garros. Insistiu, jogou três torneios na grama, mas viu que não dava para continuar.

Após seis meses de pausa, é de se esperar que o veterano de 35 anos esteja em plena forma. Afinal, se alguém pode estar em plena forma aos 35, Federer é o nome. Só que o resultado desses seis meses longe do circuito ainda é uma incógnita. É bem provável que ele apareça na Austrália de cabeça fresca e mais motivado do que nunca, o que será extremamente saudável para seu tênis, mas daí a capitalizar isso em resultados é outra história. Que ninguém ouse duvidar do suíço, mas com tanta gente boa surgindo no circuito e com o esporte cada vez mais veloz, a luta pelo 18º Slam só fica mais complicada.

Coisas que eu acho que acho:

– O Big Four caminha para um Australian Open diferente e intrigante. Do jeito que o ranking se mostra, é bem possível que Nadal e Federer estejam fora do grupo dos 8 cabeças de chave. Ou seja, podem enfrentar Murray e/ou Djokovic logo nas oitavas de final, o que encurtaria alguma(s) das quatro histórias acima.

– Além das quatro histórias citadas por Federer, o que não vai faltar é roteiro interessante no início de 2017. Teremos Nick Kyrgios voltando de suspensão (e já falou que pode ganhar este Australian Open); Dominic Thiem ainda tentando se firmar como tenista-de-torneio-grande; Milos Raonic, o #3, indo atrás do sonhado Slam; Wawrinka sendo Wawrinka (leia-se “podendo ganhar de qualquer um a qualquer hora); e até David Ferrer tentando voltar a um lugar mais digno.

– Faltará, obviamente, Juan Martín del Potro, o grande fator de desequilíbrio de 2016. O argentino, campeão da Copa Davis, já anunciou que não vai jogar o Australian Open por questões físicas. Segundo a imprensa argentina, Delpo quer fazer uma boa pré-temporada antes de voltar com força ao circuito.


Quadra 18: S02E12
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Alexandre Cossenza

Stan Wawrinka derrubou Novak Djokovic mais uma vez, Angelique Kerber tomou posto de #1 das mãos de Serena Williams e Bruno Soares conquistou mais um título em um torneio do Grand Slam. Não faltou assunto neste episódio do podcast Quadra 18. Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu conversamos sobre um pouco de tudo que aconteceu no US Open, desde a polêmica do pé sangrando de Djokovic até a “carta fantasma” de Wozniacki.

O programa ainda tem áudios especiais enviados por Bruno Soares após sua conquista, além de análises táticas, surpresas e decepções, exercícios bem humorados de “futurologia” e uma indagação curiosa sobre a Bel Pesce do tênis. Quer ouvir? É só clicar no player acima. Se preferir baixar e ouvir depois, clique neste link com o botão direito do mouse e selecione a opção “salvar como”.

Os temas

0’00” – Aliny apresenta os temas
01’00” – O quinto título de Slam de Bruno Soares
01’33” – Bruno e Marcelo causam divisão no podcast
02’45” – Os motivos do sucesso de Bruno Soares e Jamie Murray
06’08” – Bruno Soares fala da preparação e da dura estreia no US Open
08’00” – O tenso confronto de oitavas contra André Sá e Chris Guccione
09’13” – “Eu me identifico com o Guccione”
11’54” – Como Carreño Busta e García López chegaram na final
13’28” – Bruno Soares fala da sensação de ter cinco títulos de Slam no currículo
14’40” – Bruno Soares fala sobre a intenção de brigar para ser #1 do mundo
15’02” – As campanhas dos outros brasileiros na chave de duplas
17’50” – “Marcelo deve insistir na parceria com Dodig para 2016?”
20’15” – Quem seria um novo bom parceiro para Marcelo Melo?
22’58” – Don’t Lose My Number (Phil Collins)
23’45” – Wawrinka e seu terceiro título em um torneio do Grand Slam
24’00” – “Só falta Wimbledon mudar para o saibro!”
24’30” – Como explicar as 11 vitórias seguidas em finais de Stan Wawrinka?
25’55” – Uma semelhança entre Stan Wawrinka e Thomaz Bellucci
28’05” – O nível de Djokovic na final e a questão física
29’30” – O que vai ser da ATP? Djokovic terá seu #1 ameaçado?
31’15” – O momento de Rafael Nadal
32’25” – Stan pode fechar o Career Slam? E Bruno Soares?
35’15” – Stan vai manter a meta de um Slam por ano ou é melhor deixar a meta aberta e dobrar depois?
36’10” – Ouvinte: Wawrinka já é maior que Murray e Wawrinka?
39’05” – Djokovic acertou no plano de jogo na final do US Open?
42’15” – Opiniões sobre a polêmica do pé sangrando de Djokovic
46’54” – Djokovic precisa de um tempo parado para tratar as questões físicas?
47’30” – Djokovic estará no Rio Open em 2017? E Andy Murray?
48’53” – Andy Murray decepcionou no US Open?
52’21” – Rafael Nadal, sua eliminação
55’14” – Nadal teria sentido pressão na derrota contra Pouille?
56’00” – Raonic e Cilic, as grandes decepções do torneio masculino
58’13” – Monfils foi antiesportivo na partida contra Novak Djokovic?
60’21” – Monfils, o homem mais sortudo de 2016 e sua chave no US Open
62’04” – O título juvenil nas duplas de Felipe Meligeni
62’50” – Sheila e Cossenza contam histórias com Fernando e Felipe Meligeni
66’23” – Send Me An Angel (Scorpions)
66’54” – O título de Angelique Kerber
67’55” – Cossenza enumera as qualidades da campeã: “Virei fã da Kerber”
69’33”- Kerber como uma evolução de Wozniacki
70’30” – Angelique Kerber vai se manter como número 1 por algum tempo?
72’25” – O que fez Karolina Pliskova finalmente ir longe em um Slam?
75’15” – Acabou a era de domínio de Serena Williams?
76’34” – Patrick Mouratoglou paga para treinar Serena Williams?
78’18” – “Seria Patrick Mouratoglou a Bel Pesce do tênis?”
79’05” – Garbiñe Muguruza, a decepção do torneio feminino
80’18” – Ana Konjuh e Caroline Wozniacki, as surpresas do US Open
82’40” – A “carta fantasma” de Caroline Wozniacki
84’25” – Wozniacki voltará a ser um nome relevante na WTA?
87’30” – Angels (Robbie Williams)

Crédito musical

A faixa de abertura é chamada “Rock Funk Beast”, de longzijum.


NY, dia 7: Nadal dá adeus, Wozniacki dá aula e Djokovic dá susto
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Alexandre Cossenza

Rafael Nadal está fora do US Open, Novak Djokovic deu mais um susto em seus fãs, Angelique Kerber continua sólida como sempre e Caroline Wozniacki deu uma aula tática em Madison Keys. Foi um domingo de jogos “grandes” e emocionantes – especialmente na dramática eliminação de Nadal, em jogo decidido no tie-break do quinto set. Nas duplas, destaque para o triunfo de André Sá, que volta às quartas de final de um Slam. O resumaço analisa tudo sobre a jornada!

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O jogo do dia

Rafael Nadal entrou em quadra levando consigo a melhor campanha da carreira nas três primeiras rodadas do US Open. Perdeu apenas 20 games. Ah, mas são só três rodadas, conta muito pouco. Sim, muito pouco. E Lucas Pouille (22 anos e #25) sabia disso. Entrou no Estádio Arthur Ashe soltando o braço, acelerando o jogo e apostando que conseguiria se plantar na linha de base antes do espanhol.

Ganhou a primeira mão com um 6/1 no set inicial. Nadal estava claramente desconfortável, jogando em um ritmo que não lhe agradava. Era forçado a atacar mais e mais cedo do que gostaria. Como não encontrou saída, topou o jogo do rival. Quando fez 6/2 no segundo set, parecia mais à vontade, mas perdeu o saque no primeiro serviço do terceiro set e voltou a correr atrás. E correu um bocado.

Nadal correu como só ele sabe fazer. Venceu o quarto set, abriu o quinto com uma quebra. Parecia estar com o jogo sob controle, mas perdeu o oitavo game depois de abrir 30/0. Pouille, mesmo cansado e tendo nas costas o peso de voleios errados que lhe custaram quebras, insistia em agredir rápido e de forma contundente. Forçou inclusive nos saques. Arriscou tudo, acertou apenas 46% dos primeiros serviços. E, ainda assim, sobreviveu.

Pouille salvou um último break point no 4/4 do quinto set e levou a decisão para o tie-break. Ah, o tie-break. Com a maior zebra do torneio masculino em jogo – e que jogo! – e o estádio pegando fogo, o US Open adota o tie-break no quinto set. É o coito interrompido do tênis, aquilo que decide em minutos a vitória que dois atletas buscaram por quatro horas (e hoje foram 4h06min).

O francês seguiu arriscando. Errou uma bola fácil no primeiro ponto, mas ganhou o quatro seguintes. Abriu 6/3, mas viu Nadal escapar de três match points. Com o placar em 6/6, Nadal teve um forehand fácil para matar e ter seu match point. Mandou na rede. Pouille não perdoou. No ponto seguinte, na primeira direita que teve à disposição, buscou a linha e foi preciso. Game, set, match.

Com o triunfo por 6/1, 2/6, 6/4, 3/6 e 7/6(6), Pouille avança para as quartas de final para encarar o compatriota Gael Monfils (#12), que vai entrando no top 10 após o triunfo de hoje contra Marcos Baghdatis. E se existia alguma dúvida sobre o tamanho da sorte de Monfils em 2016, está aí mais uma prova. Em vez de encarar Nadal, contra quem tem duas vitórias em 14 confrontos, vai enfrentar Pouille. O único jogo oficial entre eles até hoje terminou com Monfils comemorando.

Na coletiva pós-derrota, o tema quente foi a possibilidade de Nadal não estar lidando bem com a pressão em alguns jogos. O espanhol foi superado tanto nos Jogos Olímpicos Rio 2016 quanto em Nova York em tie-breaks. Em ambos, errando forehands não-tão-complicados em pontos importantíssimos. Nadal não gostou da pergunta e disse que não sentiria tal pressão depois de 14 títulos de Slam e tantos jogos importantes.

Não sei até onde a resposta foi sincera. O próprio Nadal já disse em outras ocasiões que não teve a calma necessária para lidar com certos momentos de partidas – especialmente em 2015, um ano péssimo para seus padrões. Essa falta de calma não seria uma consequência da pressão para vencer como antes? Talvez Nadal e o resto do mundo apenas tenham nomes diferentes para rotular a mesma sensação.

De qualquer modo, a análise do espanhol sobre a partida foi precisa. Deu mérito a Pouille e disse que jogou bem, mas não o suficiente para bater o francês. Nadal declarou também que precisa sacar melhor e causar mais “dor” aos adversários com seu melhor golpe. De fato, faltou um pouco de cada neste domingo. E também faltou o instinto matador dos velhos tempos, da época em que Nadal não deixava escapar uma liderança contra um tenista menos experiente.

O jogo feminino do dia

A expectativa era grande para o duelo entre Angelique Kerber (#2) e Petra Kvitova (#16) e é até justo dizer que a partida correspondeu. Não só na qualidade de jogo, mas também em termos de plano de jogo e resultado. A consistente Kerber apostou na regularidade, enquanto Kvitova partiu para o ataque disposta a ter o jogo em sua raquete. E se as duas fizeram o que se esperava, o resultado também foi o mais provável: vitória da alemã por 6/3 e 7/5.

Kerber não só conquistou uma vaga nas quartas de final para enfrentar Roberta Vinci (#8) como colocou mais pressão em Serena Williams (#1) na briga pela liderança do ranking mundial. A americana, que disputará sua partida de oitavas de final nesta segunda-feira, agora precisa pelo menos alcançar a final do US Open para continuar no topo.

A disputa ainda conta com Agnieszka Radwanska, como mostra o tweet acima, com a tabela divulgada pela WTA. A polonesa assumirá a liderança se for campeã em Flushing Meadows e se Kerber não chegar à decisão.

O sustinho

No último jogo do dia no Ashe, Novak Djokovic (#1) deu um pequeno susto em seus fãs. Depois de abrir 2 sets a 0 com folga sobre Kyle Edmund (#84), o sérvio pediu atendimento no cotovelo direito – o mesmo que foi tratado na estreia – e perdeu o saque logo em seguida. O número 1 do mundo, contudo, devolveu a quebra logo em seguida e manteve o terceiro set parelho até que seguidos erros de Edmund lhe deram a quebra decisiva: 6/2, 6/1 e 6/4.

O lado positivo é que Djokovic mostrou um tênis bem sólido para quem ficou quase uma semana sem jogar, o que faz muita diferença em um Slam. Entrou em ralis, se defendeu bem da pancadaria de Edmund e foi consistente como quase sempre. Avança para encarar Jo-Wilfried Tsonga (#11), que vem fazendo um belo torneio e será um desafio diferente. O francês certamente vai tentar resolver os pontos com menos trocas de bola. O #1 precisará estar com o tênis calibradíssimo.

Os brasileiros

André Sá está de volta às quartas de final de um Slam. Ele e Chris Guccione derrotaram Victor Estrella Burgos e Nicolás Almagro por 7/6(2) e 6/2 e avançaram ao grupo das oito melhores duplas. Sá não ia tão longe em um Slam desde o US Open de 2007, quando ainda jogava com Marcelo Melo.

Acho até que a vitória foi mais complicada do que o placar sugere. No primeiro set, Almagro e Estrella Burgos estiveram com uma quebra de vantagem duas vezes. O espanhol até chegou a sacar para o set em 6/5, mas perdeu o serviço.

Mais tarde, Bruno Soares entrou em quadra ao lado de Yaroslava Shvedova e avançou às quartas nas duplas mistas. O mineiro e a cazaque derrotaram Timea Babos e Eric Butorac (que se aposentou – mais um para a conta de Bruno) por 6/3 e 7/5. Os próximos adversários serão a taiwanesa Yung-Jan Chan e o sérvio Nenad Zimonjic, que vêm de vitória sobre Lipsky e Kudryavtseva.

Inteligência e estatísticas de Wozniacki

Caroline Wozniacki chegou a este US Open como #74 do mundo e com um punhado de estatísticas jogando contra. Não ganhava quatro jogos seguidos desde fevereiro de 2015, não alcançava as quartas de final de um Slam desde 2014 e nunca tinha derrotado duas top 10 no mesmo Slam. Tudo isso acabou neste domingo, na vitória sobre Madison Keys (#9) por 6/3 e 6/4.

Foi, no fim das contas, uma vitória do tênis de porcentagem praticado por Wozniacki contra a pancadaria-quase-burra de Keys. Enquanto a americana tentava de todos modos decidir os pontos batendo mais forte na bola, a dinamarquesa usava top spin e tentava deslocar a oponente, mas sem correr riscos desnecessários – até porque Keys tentava agredir até quando estava desequilibrada.

Foi o mesmo tênis que levou Wozniacki ao topo do ranking e o mesmo tênis que ela sempre executou com perfeição – mesmo quando um jogo pedia mudanças táticas. A ex-número 1 pode não ser a tenista mais inteligente ou com a melhor leitura de jogo, mas é taticamente obediente como poucas. Na WTA de hoje, isso vale muito.

O único momento desconcertante para Wozniacki neste domingo veio na entrevista pós-jogo, quando lhe fizeram uma pergunta sobre a carta publicada recentemente no Players’ Tribune. A dinamarquesa não soube responder, dando a entender que não se lembrava da carta. Curioso, já que não foi um texto rotineiro. A circulou bastante e foi muito elogiada, aliás. De qualquer modo, parabéns ao ghost writer.

O tombo

Não causou lesão nenhuma, mas Nicholas Monroe foi ao limite da quadra (e um pouco mais) tentando devolver uma cruzada na chave de duplas.

Monroe e Donald Young acabaram perdendo a partida em questão. Pablo Carreño-Busta e Guillermo García-López avançaram por 4/6, 7/6(4) e 6/3.

A punição

No jogo contra Gael Monfils, Marcos Baghdatis levou uma advertência porque deu uma conferida no celular durante uma das viradas de lado. O argumento do cipriota foi engraçado. “E se eu quiser saber que horas são? Não posso ver as horas?” indagou, ignorando completamente o relógio no fundo de quadra.

E não, para quem não sabe, as regras não permitem que atletas tenham acesso a nenhum meio de comunicação eletrônico durante os jogos. Baghdatis poderia muito bem estar lendo mensagens de seu treinador sobre que táticas mudar durante a partida.


NY, dia 1: Garbiñe assusta, Djokovic preocupa, Nadal empolga
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Alexandre Cossenza

Para um primeiro dia de Slam, a segunda-feira que abriu o primeiro US Open com teto retrátil no Estádio Arthur Ashe (sim, o estádio da foto abaixo, clicado no show que antecedeu a sessão noturna) foi bastante interessante. Não teve grandes zebras – nem a queda de Richard Gasquet chocou tanto assim -, mas contou com partidas intrigantes de Garbiñe Muguruza, Rafael Nadal e Novak Djokovic. Angelique Kerber também venceu, mas seu jogo só serviu para alimentar a primeira polêmica do torneio. O resumo do dia traz um pouco de tudo que rolou.

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Os favoritos / A primeira polêmica

Entre os homens, o primeiro dos quatro cabeças a estrear foi Rafael Nadal (#5), que encarou Denis Istomin (#107) e passou por cima: 6/1, 6/4 e 6/2, chegando a vencer nove games seguidos nos primeiros dois sets. Ainda é cedo e o espanhol não foi tão exigido assim, mas Nadal deu bons sinais. Sacou bem (e com potência!), agrediu bastante do fundo de quadra e foi consistente quando a ocasião pediu. Com uma chave acessível até pelo menos as quartas de final, terá tempo de afiar seu tênis e chegar bem na segunda semana. Se a lesão no punho deixar, os outros candidatos que se cuidem.

Na chave feminina, Angelique Kerber (#2) ficou apenas 33 minutos em quadra. Sua adversária, a eslovena Polona Hercog (#120), abandonou quando perdia por 6/0 e 1/0, alegando tonturas sob o forte sol desta segunda-feira. Até aí, tudo bem. O problema é que o abandono não foi muito bem recebido por Donna Vekic, que perdeu na última rodada do quali e aguarda uma vaga como lucky loser. A croata foi sarcástica no Twitter ao ver o resultado:

Indagada sobre o assunto, Hercog disse não saber o que dizer porque “ela não sabe o que estava acontecendo. Não sei como ela pode julgar.” A eslovena ainda disse “não é minha culpa se ela perdeu na última rodada do quali.”

Na sessão noturna do Ashe, pouco depois de uma apresentação de Phil Collins, Novak Djokovic (#1) derrotou Jerzy Janowicz (#247) em quatro sets: 6/3, 5/7, 6/2 e 6/1. Aqui valem todas as ressalvas do tipo “ainda é cedo”, mas foi uma atuação preocupante para os fãs do sérvio. Djokovic, que chegou a Nova York ainda se recuperando de uma lesão no punho esquerdo, pediu atendimento médico e recebeu tratamento no cotovelo direito ainda no início do jogo.

Seus saques estiveram abaixo do esperado – a velocidade média do segundo serviço ficou em 140 km/h (em Wimbledon, a mesma média ficou na casa dos 150 km/h) e seu jogo não mostrou nada de especial nesta segunda. O duelo poderia até ter se complicado não fossem a inconstância e as 13 duplas faltas de Janowicz, que pouco fez no terceiro e no quarto sets. O grande mérito de Djokovic foi a consistência (18 erros não forçados em quatro sets).

Ao fim do jogo, o número 1 do mundo fugiu duas vezes da pergunta sobre o atendimento em seu braço. Cantou e dançou até finalmente afirmar apenas que ninguém está 100% em todos os jogos e que não era a hora de falar naquilo. Resta saber se é (mais) alguma coisa que ele vai carregar para o resto do torneio ou se foram dores ocasionais que desaparecerão com tratamento ao longo dos dias.

Cabeças que rolaram

Richard Gasquet (#15) foi o principal cabeça de chave a dar adeus nesta segunda-feira. O francês disse que a lesão nas costas que o tirou de Wimbledon não incomodou em Nova York, mas a impressão era de que ele não estava 100% fisicamente. De qualquer modo, Kyle Edmund (#84) foi muito superior. O britânico disse inclusive ter jogado melhor do que esperava no triunfo por 6/2, 6/2 e 6/3.

Quem também se despediu foi Martin Klizan (#29), embora sua derrota seja uma surpresa muito mais pelo placar do que pelo adversário. O russo Mikhail Youzhny (#61) aplicou 6/2, 6/1 e 6/1.

A chave feminina também teve um punhado de cabeças rolando, mas parece justo dizer que nenhum dos resultados causou grande abalo. Coco Vandeweghe (#30) foi eliminada por Naomi Osaka (#81); Sara Errani (#28) tombou diante de Shelby Rogers (#49); Irina-Camelia Begu (#23) caiu diante da Lesia Tsurenko (#99); e Misaki Doi (#32) perdeu para Carina Witthoeft (#102).

O susto

Garbiñe Muguruza (#3) não esteve tão perto assim da eliminação, mas assustou seus fãs quando perdeu o primeiro set por 6/2 para a qualifier belga Elise Mertens (#137). A espanhola, no entanto, se aprumou, aplicou um pneu no segundo set e venceu por 2/6, 6/0 e 6/3. Não foi a estreia dos sonhos, mas Muguruza também fez uma primeira partida preocupante em Roland Garros e não perdeu sets depois, batendo inclusive Serena Williams na final.

Seria uma coincidência enorme se acontecesse de novo, mas o importante é sobreviver nos dias ruins, e a número 3 do mundo fez isso nesta segunda. Muguruza, lembremos, é uma das tenistas com chance de sair de Nova York no topo do ranking mundial (veja as chances no tweet abaixo).

A ressaca olímpica

A tarefa não era mesmo das mais fáceis. Depois da conquista olímpica, Mónica Puig (#35) virou um ícone de Porto Rico. Fez aparições por toda parte e carregou a medalha de ouro por onde esteve. Acabou derrotada na primeira rodada do US Open pela chinesa Saisai Zheng (#61): 6/4 e 6/2.

No papel, o resultado deixa mais fácil a vida de Muguruza, que enfrentaria Puig na terceira rodada. Foi a porto-riquenha, lembremos, que aplicou 6/1 e 6/1 e despachou a espanhola dos Jogos Olímpicos Rio 2016. Muguruza agora só enfrentará uma cabeça de chave nas oitavas, quando terá pela frente quem sair da seção que tem como Konta e Bencic como nomes mais fortes.

O acidente

Na vitória sobre o luxemburguês Gilles Muller (#37) por 6/4, 6/2 e 7/6(5), Gael Monfils (#12) tentou uma defesa quase de beisebol (que faria sentido no estádio do NY Mets, pertinho de Flushing Meadows) e acabou deixando o relógio do fundo de quadra completamente despedaçado.

A aboborização

Francis Tiafoe, 18 anos e #125 do mundo, esteve a dois pontos de derrotar John Isner (#21) e conquistar sua primeira vitória em um Slam, mas se afobou no tie-break do terceiro set e deixou o compatriota entrar no jogo. Tiafoe também sacou para fechar o jogo no quinto set, mas cedeu a quebra quando jogou uma direita fácil no meio da rede. Isner não perdoou e venceu o tie-break decisivo, fechando em 3/6, 4/6, 7/6(5), 6/2 e 7/6(3).

Depois de ver sua carruagem virar abóbora, o adolescente deu um grande abraço e não queria soltar o veterano. Isner, que disparou 35 aces, sobreviveu para enfrentar Steve Darcis na segunda rodada. Depois da queda de Gasquet, Isner pode encontrar um cabeça de chave apenas nas oitavas de final. Pode ser, quem sabe, um duelo com Novak Djokovic.

Correndo por fora / O recorde noturno / O patrocínio vetado

Além de Marin Cilic, campeão do US Open em 2014, a lista de candidatos ao título que venceram nesta segunda inclui também Milos Raonic (#6), que superou Dustin Brown (#86) por 7/5, 6/3 e 6/4.

Na chave feminina, Petra Kvitova (#16) teve seu saque quebrado no primeiro e no terceiro games, mas se recuperou e nem precisou de três sets. Fez 7/5 e 6/3 em cima de Jelena Ostapenko (#36).

O último jogo do dia já começou tarde, por conta do show de Phil Collins e da partida não-tão-rápida de Djokovic. Madison Keys (#9) perdeu o primeiro set, esteve uma quebra atrás na segunda parcial e até viu a compatriota Alison Riske (#60) sacar em 5/4 no tie-break do segundo set, mas escapou por pouco. A top 10 acabou triunfando por 4/6, 7/6(5) e 6/2.

O encontro terminou à 1h48min da manhã (horário local), estabelecendo um novo recorde para fim de jogo mais tarde em uma partida feminina no US Open.

A grande curiosidade da noite, porém, foi o veto da USTA ao plano de Madison Keys de usar a marca de um patrocinador tatuada na pela (tatuagem temporária, claro). A ideia foi do agente da moça, Max Eisenbud, o mesmo empresário de Sharapova. Sim, ele é o cidadão que seria responsável por ler as mudanças na lista de substâncias proibidas pela Wada, mas não o fez “porque deixou de viajar para o Caribe nas férias” (bom argumento, não?).

A intenção era driblar uma proibição da Nike, que não deixa que seus atletas usem marcas de outros patrocinadores na roupa. A Nike até concordou com a tatuagem, mas o plano foi impedido pela USTA, organizadora do torneio. Segundo o porta-voz da entidade, as regras para torneios do Grand Slam proíbem patrocínio co corpo. Leia mais no link do tweet acima.

Os brasileiros

Em uma jornada pavorosa, Thomaz Bellucci (#65) acabou eliminado pelo russo Andrey Kuznetsov (#47): 6/4, 3/6, 6/1 e 7/6(5). O número 1 do Brasil teve todas as chances do mundo para voltar na partida – inclusive depois de salvar três match points no quarto set – contra um adversário errático, mas não conseguiu. Como alcançou a terceira rodada no ano passado, Bellucci perderá pontos e cairá pelo menos para o 75º posto na lista da ATP.

Rogerinho (#108) deu azar no sorteio e até fez uma apresentação bem digna, dando trabalho para Marin Cilic (#9), mas acabou eliminado em três sets: 6/4, 7/5 e 6/1, em 2h de jogo. O paulista também perderá posições no ranking, indo parar em 120º na melhor das hipóteses. Rogerinho pode até ser ultrapassado por Feijão, que não passou pelo quali do US Open e joga esta semana um Challenger em Curitiba.

Por fim, Guilherme Clezar (#203), que furou o qualifying e deu a sorte de enfrentar outro qualifier na estreia, venceu o primeiro set e sacou em 5/4 no tie-break da segunda parcial, mas acabou superado pelo suíço Marco Chiudinelli (#144): 2/6, 7/6(6), 6/2 e 6/4.

Os melhores lances

Não foi lá um ponto fantástico, mas um único golpe espetacular. Vale ver o forehand vencedor de Nadal que lhe deu a quebra decisiva no segundo set contra Denis Istomin. Um canhão.


Quadra 18: S02E11
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Alexandre Cossenza

Os Jogos Olímpicos Rio 2016 mal acabaram, e o US Open já está aí batendo à porta, sem deixar ninguém descansar e mantendo lá no alto a temperatura do mundo do tênis. Por isso, o episódio desta semana do podcast Quadra 18 é uma pizza metade Rio 2016, metade US Open. Quer dizer, sendo bem sincero mesmo, a divisão ficou 2/3 Errejota, 1/3 Nova York, o que é muito justo já que o torneio olímpico de tênis foi melhor do que muito Slam.

Neste episódio, Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu lembramos dos melhores momentos dos Jogos Rio 2016 e compartilhamos episódios emocionantes e curiosos vividos na Cidade Maravilhosa, mas não deixamos de lembrar como está desenhado o cenário pré-US Open. Quer ouvir? É só clicar neste link. Se preferir baixar e ouvir depois, clique com o botão direito do mouse e selecione a opção “salvar como”.

Os temas

0’00” – Cossenza apresenta os temas
1’55” – O torneio olímpico de tênis foi tão marcante quanto um Slam?
5’31” – Os duplistas mineiros no torneio olímpico
7’38” – A boa chance de medalha para Melo e Soares
10’00” – A chave que se abriu sem Herbert/Mahut e Cabal/Farah
13’00” – A medalha que escapou de Daniel Nestor
13’40” – O nível altíssimo de André Sá nos Jogos Olímpicos
15’20” – A inesperada campanha de Thomaz Bellucci até as quartas
17’44” – Del Potro x Djokovic foi o melhor jogo do torneio?
21’15” – A inteligência do jogo agressivo e do slice de Del Potro
23’13” – Djokovic: a sintonia com o público brasileiro, as lágrimas, o que significou a derrota e o que pode vir a acontecer em Tóquio 2020
26’02” – O mistério sobre a lesão de Djokovic antes do US Open
27’30” – Nadal: a maratona, a medalha, as reclamações e o comprometimento
31’50” – Murray: o favoritismo, a obrigação e os (muitos) dramas
34’03” – Mónica Puig e a medalha de ouro na chave feminina
38’10” – As derrotas de Serena e Muguruza, maiores surpresas do torneio
39’09” – O pódio feminino e o “espírito de Fed Cup”
41’05” – O ouro olímpico seria o começo de uma arrancada de Mónica Puig?
44’05” – A loucura do estádio olímpico vibrando com Kirsten Flipkens
44’55” – Serena e Venus decepcionaram?
47’10” – Os resultados de Teliana e Paula Gonçalves no Rio
48’48” – A bolada de Martina Hingis em Andrea Hlavackova
51’30” – O ouro das “brunetes” Makarova e Vesnina
52’58” – O momento de Cossenza com Leander Paes
57’06” – A pergunta mais importante: quem pegou zika?
58’13” – Música em homenagem a Mónica Puig
58’50” – O comportamento da torcida: brasileiros acertam quando vaiam?
66’25” – Os encontros olímpicos de Aliny Calejon com Marin Cilic e Horia Tecau
73’10” – Os encontros de Cossenza e Sheila com Robin Soderling
74’00” – Outros esportes que vimos nos Jogos Rio 2016
77’21” – O drama de Sheila para ver Usain Bolt
82’21” – Engenhão à meia-noite: Cossenza “recomenda”
84’20” – Por que os episódios do podcast Quadra 18 são tão longos?
86’37” – Empire State of Mind (Jay Z featuring Alicia Keys)
87’11” – O US Open e suas novidades como o teto retrátil e a Grandstand
87’50” – Chave masculina está mais indefinida do que nos últimos Slams?
90’51” – A briga entre Serena e Kerber pelo posto de #1 do mundo
92’00” – Recordes que Serena pode bater nas próximas semanas
95’45” – O que esperar dos brasileiros nas duplas?
99’25” – As chances de Marcelo Melo voltar ao topo do ranking após o US Open
102’37” – Carry Me (Kygo featuring Julia Michaels)


Meus 11 momentos inesquecíveis do tênis nos Jogos Olímpicos Rio 2016
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Alexandre Cossenza

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Quando o último slice de Juan Martín del Potro ficou na rede, já entrando na noite de domingo, o cenário estava claro há muito tempo. Todo mundo sabia quem quem veio ao Rio por amor e quem deixou de estar nos Jogos Olímpicos porque preferiu sair em busca de pontos e cachês. E quem esteve no Parque Olímpico nos últimos nove dias viu e entendeu que as ausências não diminuíram em nada o torneio olímpico de tênis. Exemplos não faltaram. Os que me marcaram estão aqui.

Kirsten Flipkens, maior aqui do que na Bélgica

Soou estranho para a imprensa estrangeira, que demorou um pouco para entender que o público da quadra central gritava “Flipkens, Flipkens” empurrando a tenista rumo à primeira zebra do torneio. A belga, que eliminou Venus Williams na primeira noite do evento, disse que nunca ouviu isso – nem no seu país. Traçou uma relação com dez anos atrás, quando a Bélgica jogou a final da Fed Cup. Disse ter saído arrepiada da quadra carioca.

A noite inesquecível de André Sá

Aos 39 anos e possivelmente em sua última participação olímpica (ganhou convites em Londres e no Rio), André Sá teve uma vitória à altura de sua carreira. Carregou Thomaz Bellucci nas costas, levantou o público, fez jogadas maravilhosas e eliminou a dupla cabeça 2, formada pelos irmãos Andy e Jamie Murray: 7/6(6) e 7/6(14). Sá e Bellucci perderam na sequência para Fognini e Seppi (até porque a combinação saque de Sá + Bellucci na rede é difícil de sustentar), mas o mineiro nos deu uma lembrança para o resto da vida.

O caso de amor com Novak Djokovic

No mesmo dia e no mesmo horário, na quadra central, Novak Djokovic enfrentava Juan Martín del Potro. Um jogaço de dois tie-breaks com um público espetacular se dividindo entre os barulhentos e incansáveis argentinos e os brasileiros fãs de Djokovic. O sérvio foi eliminado e saiu de quadra às lágrimas, o que evidenciou o tamanho do seu desejo de conquistar um ouro olímpico. Aliás, o caso de amor do #1 com a torcida local foi outro ponto alto do torneio. Até na chave de duplas, enfrentando Bruno Soares e Marcelo Melo, Djokovic foi ovacionado e deixou a quadra aplaudido de pé. Sim, teve relação com o ótimo trabalho de sua imagem no Brasil, mas também teve muito a ver com sua entrega nos Jogos Olímpicos.

O embalo de Thomaz Bellucci

O #1 do Brasil contou com uma enorme dose de sorte – para azar de Dustin Brown, que estava a poucos games de eliminar Bellucci quando sofreu uma violenta torção no tornozelo. O paulista aproveitou e, diante da torcida, passou por Pablo Cuevas e David Goffin. Duas partidas emocionantes em que o público manteve o tenista da casa motivado, mesmo com suas habituais inconstâncias. Bellucci ainda jogaria um primeiro set mágico contra Rafael Nadal antes de as 12 badaladas soarem e transformarem sua carruagem em abóbora. As vitórias não valeram pontos, mas serviram para alimentar a esperança de que o número 1 do Brasil ainda possa vir a ser o tenista que todo mundo sempre quis acreditar que ele seria.

O sacrifício de Rafael Nadal

Ele deixou de jogar em Wimbledon e nunca escondeu que ainda estaria em repouso se não fosse a possibilidade de estar nos Jogos Olímpicos. Nadal, que não esteve em Londres 2012, usou tudo que tinha no tanque no Rio de Janeiro. Foi campeão de duplas ao lado do amigo Marc López e talvez tivesse ido mais longe nas simples se tivesse de onde tirar energia. Jogou com o punho esquerdo incomodando, disputou 15 sets em quatro dias (e 26 no total) e carregou a bandeira do país na cerimônia de abertura. Tudo isso por estar nos Jogos, hospedado na vila dos atletas, sem mordomia e sem ganhar um centavinho.

O beijo de Juan Martín Del Potro

Depois de seguidas cirurgias e longos períodos de recuperação com pouco sucesso, estar nos Jogos Olímpicos era uma vitória por si só para o argentino. Mas ele derrubou Djokovic e Nadal antes de sucumbir a Andy Murray na final. Foi, de longe, a história mais bonita do torneio. Desde o longo abraço no sérvio na segunda noite do torneio, incluindo um beijo nos aros olímpicos pintados na quadra até carinho com o escocês após a final.

A emoção de Leander Paes

Aconteceu longe das TVs. A participação de Leander Paes em seus sétimos Jogos Olímpicos durou pouco. Ele e o parceiro Rohan Bopanna (que nunca quis a parceria) caíram na primeira rodada. Paes passou um bom tempo na zona mista. Quando todos foram embora, ficamos só nós dois. Ele chorou falando da relação com seu pai e da conversa que tiveram durante a abertura. Eu quase chorei lembrando do meu. Ele, então, lembrou da emoção de Atlanta 1996, quando ganhou o bronze. Disse coisas lindas sobre Fernando Meligeni, seu adversário naquele dia. Falou de Pelé, lembrou que algumas pessoas viam semelhança física entre ele (Paes) e Romário, disse que atletas de países como Brasil e Índia entendem melhor o que é competir pela bandeira. Foi um papo curto, coisa de cinco minutos, mas que pareceu durar meia hora. Pessoalmente, foi a maior emoção que vivi nos Jogos até agora. Qualquer dia, transcrevo a conversa aqui.

As “brunetes”

Chegar ao Rio já foi difícil. Elena Vesnina e Ekaterina Makarova foram campeãs em Montreal, perderam a conexão rumo ao Brasil e tiveram problemas para encontrar um voo. Tiveram de abrir mão de seus bilhetes de classe executiva e entraram nos dois últimos assentos de um avião salvador. Chegaram prontas para tudo. Não reclamaram da vila nem da comida. Apareceram, jogaram e esbanjaram simpatia. Enquanto Vesnina falava, Makarova, que não tem inglês tão fluente quanto o da parceira, sorria. O ouro foi uma recompensa e tanto, e ouvir o hino russo no tênis foi mais especial ainda por causa de toda turbulência que colocou uma bigorna de desconfiança nas costas de quase todos atletas do país.

A conquista de Monica Puig

Há quem prefira decisões entre dois nomes de peso e diga que a final feminina não foi lá das melhores. Não sou tão radical. Adoro roteiros que incluem estrelas em ascensão, e Mónica Puig é uma delas. A porto-riquenha é um talento inegável. Entrou no top 50 três anos atrás, mas teve dificuldades para jogar todo seu tênis de forma consistente. No Rio, tudo funcionou. Puig atacou, defendeu e bateu Garbiñe Muguruza, Petra Kvitova e Angelique Kerber. Conquistou o primeiro ouro de seu país e vai voltar ao circuito com a confiança transbordando.

A derrota da dupla

Como escrevi no post anterior, a eliminação de Bruno Soares e Marcelo Melo nas quartas de final foi um grande baque. Não pelo resultado. Perder para Florin Mergea e Horia Tecau – medalhistas de prata – é completamente compreensível. O revés machucou mesmo porque o ambiente era bonito, com torcida empurrando e os mineiros jogando. E sempre havia a esperança de que algo mágico poderia acontecer. Não rolou. Jogadores e jornalistas pareciam abatidos na zona mista. Foi uma das entrevistas pós-jogo mais duras que vi.

O título de Andy Murray

Com as seguidas participações do bicampeão de Wimbledon na Copa Davis, ninguém pode questionar a dedicação de Andy Murray à Grã-Bretanha. No Rio, ele tentou encarar as três modalidades. Perdeu um jogo duríssimo nas duplas e não foi longe nas mistas, mas terminou a semana com a medalha de ouro de simples no peito. Não foi uma semana de tênis espetacular, mas o escocês conseguiu sair de situações delicadas.

Esteve perdendo por 3/0 no terceiro set diante de Fabio Fognini ainda nas oitavas de final. Venceu seis games seguidos e se salvou. Depois, nas quartas, esteve uma quebra atrás no terceiro set contra Steve Johnson. Devolveu a quebra e avançou no tie-break. Por fim, bolou um plano tático inteligente e o aplicou com paciência na final contra Del Potro. O primeiro bicampeão olímpico em simples. Enorme.

Coisas que eu acho que acho:

– A falta de um critério claro estabelecido pela CBT teve seu preço. Até a véspera da inscrição, ninguém sabia quem jogaria nas duplas mistas com Marcelo Melo. Houve problemas e discussões internas até que Teliana Pereira fosse escalada. Ela e Marcelo até venceram uma rodada na chave.

– A convocação de Paula Gonçalves nunca foi explicada (talvez porque os capitães e técnicos da CBT achem que não devem explicação a ninguém). Se Paula foi convocada só para as duplas, que critério foi utilizado? Ninguém falou, mas acredito que foi o chamado “critério técnico”, já que a duplista número 1 do país é (e era na época da convocação) Gabriela Cé.

– É pura questão de opinião, mas achei extremamente ruim a postura de Paula, que ria em quadra nos últimos momentos da derrota na chave de duplas. Não tinha ranking nem resultado para estar ali. Entrou pela cota de país-sede. Foi lá e se divertiu, sem se incomodar nem um pouco com a derrota.

– Mudando de assunto, Venus Williams conquistou sua quinta medalha olímpica. Foi prata nas duplas mistas ao lado de Rajeev Ram. Nas simples e nas duplas, caiu cedo. Não apareceu para entrevistas quando foi eliminada por Flipkens. Quando perdeu nas duplas, apareceu falar. Ouviu uma pergunta, respondeu outra coisa e foi embora. Serena fez o mesmo quando perdeu nas simples. São atletas com feitos enormes e são exemplo em muitos sentidos para mulheres do mundo todo. Mas ninguém vê Federer, Djokovic ou Nadal evitando entrevistas depois de derrotas. Esses são gigantes.

– O ambiente do tênis nos Jogos Olímpicos foi espetacular mesmo quando não havia um atleta da casa competindo. Não gosto nem um pouco de dizer isso, mas a atmosfera no Rio me faz acreditar que, pelo menos no Grupo Mundial, é possível ter sucesso em uma decisão de Copa Davis em sede neutra. Mas que não mexam nos zonais, por favor!


Semana 24: o ‘Efeito Lendl’, o novo tropeço suíço e outra volta de Hewitt
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Alexandre Cossenza

Andy Murray foi campeão em Queen’s mais uma vez, enquanto em Halle Roger Federer voltou a conquistar – opa, a história mudou este ano. O suíço, voltando de lesões e ainda sem o ritmo ideal, perdeu no torneio que dominou nos últimos anos. A semana ainda teve André Sá em uma final de ATP 500 e a notícia de mais um retorno às quadras de Lleyton Hewitt. Nem parece que o australiano se aposentou há tão pouco tempo…

O resumaço da semana ainda tem as campeãs dos WTAs de Birmingham e Mallorca, as campanhas dos outros brasileiros, a atualização de status de Rafael Nadal, o recurso de Maria Sharapova (pra manter a esperança de jogar na Rio 2016), um tweet hilário, uma história bizarra e uma aparição imperdível de Federer.

<> at Queens Club on June 19, 2016 in London, England.

Os campeões

No ATP 500 de Queen’s, o assunto (e piada recorrente) foi a volta de Ivan Lendl ao time de Andy Murray, que defendia o título. Coincidência e brincadeiras à parte, o escocês foi campeão do torneio londrino pela quinta vez, derrotando de virada Milos Raonic na decisão: 6/7(5), 6/4 e 6/3.

Vale notar que Raonic não tinha sido quebrado a semana inteira e teve 3/0 de frente no segundo set. Murray, então, conseguiu quatro quebras em oito games, jogando um tênis-de-grama de altíssimo nível, e se tornou o primeiro tenista na história a vencer Queen’s cinco vezes.

De modo geral, foi um belo torneio do britânico que, se não atropelou ninguém, passou por rivais perigosíssimos na grama, como Mahut (na estreia), Cilic (semi) e Raonic, agora treinado por John McEnroe, que estava na beira da quadra. É justo dizer, como sempre, que Murray se coloca como candidatíssimo ao título de Wimbledon, que começa daqui a uma semana.

Vale registrar também um dos momentos mais engraçados da cerimônia de premiação, quando Murray disse que foi legal da parte de Lendl esperar pela cerimônia de premiação. No mesmo momento, as câmeras da transmissão mostraram a cadeira de Lendl vazia. Sim, ele já tinha ido embora.

No ATP 500 de Halle, a final dos azarões foi vencida por Florian Mayer, que bateu Alexander Zverev por 6/2, 5/7 e 6/3. Atual número 192 do ranking, o alemão entrou no torneio graças ao ranking protegido e passou por um caminho cheio de espinhos. Bateu Baker, Seppi, Thiem e Zverev, contando ainda com uma vitória por W.O. sobre Nishikori.

Foi o segundo título na carreira de Mayer, que tinha sido campeão quase cinco anos atrás, em Bucareste. Com o resultado, ele voltará ao top 100, o que é algo muito bacana para um veterano de 32 anos que vem sofrendo com lesões, mas não desiste de brigar por seu lugar em torneios grandes.

O cabeça 1 do torneio era Roger Federer, que caiu diante de Zverev nas semifinais (mais sobre isso abaixo), e o o segundo cabeça era Nishikori, que desistiu por causa de dores em uma costela.

As campeãs

No WTA Premier de Birmingham, Madison Keys conseguiu dois feitos importantes na semana. Primeiro, garantiu sua entrada no top 10. Ela será a primeira americana a entrar no grupo de elite desde 1999, quando Serena Williams fez sua estreia entre as dez melhores. Depois, Keys conquistou o título do evento britânico ao derrotar Barbora Strycova por 6/3 e 6/4 na decisão.

Não só pelo título, mas a americana de 21 anos se coloca como nome forte em Wimbledon por seu jogo de potência, algo que a compatriota Coco Vandeweghe também mostrou em Birmingham. Coco, aliás, também foi campeã em ’s-Hertogenbosch e chegou a somar oito triunfos seguidos na grama antes de levar a virada de Strycova na semifinal.

A lembrar sobre Birmingham: a cabeça 1, Agnieszka Radwanska, foi eliminada por Vandeweghe na estreia; Angelique Kerber, cabeça 2, foi batida por Carla Suárez Navarro nas quartas; e Petra Kvitova, bicampeã de Wimbledon, caiu diante de Jelena Ostapenko na segunda rodada. Keys era cabeça 7 e, na campanha até o título, passou por Babos, Paszek, Ostapenko, Suárez Navarro e Strycova.

No WTA International de Mallorca, Caroline Garcia venceu pela segunda vez em 2016 um dos chamados torneios “de aquecimento”. A francesa, campeã também em Estrasburgo, conquistou o modesto evento espanhol ao bater na decisão Anastasija Sevastova por 6/3 e 6/4.

Cabeça de chave 6, Garcia passou por Witthoeft, Friedsam, Ivanovic (cabeça 3), Flipkens e Sevastova no caminho até o título. A cabeça 1, Garbiñe Muguruza, tombou logo na estreia, diante de Flipkens, enquanto a cabeça 2, Jelena Jankovic, foi eliminada por Sevastova.

O suíço

Roger Federer não chegará a Wimbledon como favorito. Longe de descartar uma conquista do suíço em Londres, mas não é o que suas atuações em Stuttgart e Halle indicaram. O ex-número 1 esteve errático, mais impaciente do que o normal e sofreu derrotas para Dominic Thiem (teve dois match points em Stuttgart) e Alexander Zverev, jovens talentosos da #NextGen, a hashtag preferida da ATP.

Como escrevi na semana passada, era de certa forma esperada essa inconstância do suíço, que ficou tanto tempo sem competir e voltou logo na temporada de grama, quando os pontos são mais curtos e é difícil adquirir ritmo. Ainda assim, é estranho ver Federer tendo problemas em um piso no qual seu jogo flui com mais facilidade e seu serviço é muito eficiente.

De qualquer forma, ele ainda tem mais uma semana para calibrar golpes aqui e ali antes de Wimbledon. Também espera-se que a primeira semana do Slam da grama sirva de “aquecimento” para os jogos realmente duros. É nesse momento que Federer precisará de seu melhor tênis.

O imortal

Conhecido por nunca desistir de uma partida, Lleyton Hewitt nunca fez mais justiça ao rótulo de imortal. Aposentado em janeiro e desaposentado logo depois para disputar a Copa Davis, o ex-número 1 do mundo igualará em Wimbledon a marca de Michael Jordan, com dois retornos à profissão. Sim, Hewitt recebeu um wild card para disputar a chave de duplas ao lado do compatriota Jordan Thompson.

Resta saber se é um convite “isolado” ou se teria alguma relação com a possibilidade de Hewitt receber mais um wild card para disputar os Jogos Olímpicos ao lado de Thompson. Será?

Os brasileiros

O grande nome do país na semana foi André Sá, que jogou em Queen’s com o australiano Chris Guccione. Os dois eliminaram Bruno Soares e Jamie Murray nas quartas de final e foram vice-campeões do torneio, só perdendo para Nicolas Mahut e Pierre-Hugues Herbert por 6/3 e 7/6(5). Marcelo Melo também jogou o ATP 500 londrino. Ele e Juan Martín del Potro derrotaram Feliciano e Marc López na estreia, mas foram superados por Herbert e Mahut nas quartas.

No circuito Challenger, em Blois, França (42.500 euros), Thiago Monteiro abandonou o torneio após vencer a primeira rodada por causa de dores nas costas. O cearense explicou que o incômodo começou na semana anterior, em Bordeaux, e que achou melhor tratar o local e se preparar para o qualifying de Wimbledon. Também em Blois, Guilherme Clezar eliminou o cabeça de chave 1, Albert Montañés, mas perdeu na segunda rodada para o holandês Antal Van Der Duim.

Em Perugia, Itália (42.500 euros), Rogerinho foi eliminado nas quartas de final pelo esloveno Blaz Rola: 7/6(4) e 6/2; e Marcelo Zormann, que entrou como lucky loser, perdeu na estreia para o italiano Marco Cecchinato. Em Poprad-Tatry, Eslováquia (42.500 euros), André Ghem também perdeu nas oitavas, sendo superado pelo espanhol Rubén Ramírez Hidalgo.

No ITF de Sumter, EUA (US$ 25 mil), Gabriela Cé foi eliminada na estreia pela australiana Olivia Rogowska: 6/3 e 6/3. Luisa Stefani, que venceu três jogos no quali, foi mais longe e caiu nas oitavas de final diante da mexicana Renata Zarazua por 7/6(3) e 6/4. Em Minsk, outro ITF de US$ 25 mil, Laura Pigossi estreou derrubando a russa Polina Leykina, cabeça de chave 2, por 6/0 e 6/3, mas caiu nas oitavas de final, superada pela grega Valentini Grammatikopoulou: 6/0 e 6/1.

A apelação de Sharapova

Na terça-feira, a Corte de Arbitragem do Esporte (CAS) anunciou que Maria Sharapova havia apelado de sua suspensão de dois anos por doping. A tenista pede que o período de suspensão seja eliminado ou, pelo menos, reduzido. Segundo a CAS, o recurso será julgado rapidamente, com uma decisão a ser divulgada até o dia 18 de julho. Sim, daria tempo de Sharapova participar dos Jogos Olímpicos, mas apenas se o período da suspensão for reduzido para seis meses. A ver como a CAS analisa a questão.

Rumo ao Rio

Para quem estava preocupado com a participação de Rafael Nadal nos Jogos Olímpicos Rio 2016, uma boa notícia. Seu tio afirma que Rafa estará recuperado a tempo de brigar por medalhas. O plano é voltar às quadras no Masters de Toronto e, depois, rumar para o Brasil.

Vale lembrar que, se tudo correr conforme os planos, Nadal disputará três medalhas no Rio: simples, duplas (com Marc López) e duplas mistas (ao lado de Garbiñe Muguruza).

O melhor tweet

Em Londres e presenciando toda especulação em torno do rendimento de Andy Murray pós-retorno de Ivan Lendl, Bruno Soares soltou o melhor tweet da semana.

Em tradução livre, o mineiro disse estar sentindo seu tênis melhor porque Lendl voltou com Andy, que é irmão de Jamie, que é seu parceiro.

O relato bizarro

A chilena Andrea Koch Benvenuto foi suspensa por três meses após uma série de violações do código de conduta da ITF durante um torneio em São José dos Campos (SP). A tenista foi condenada a pagar US$ 500 de multa, além de US$ 199 equivalentes ao valor do telefone celular do supervisor do torneio que ela quebrou quando foi questionar sua desclassificação. Taí algo que não se vê todo dia…

Leitura obrigatória

Indicação da Diana Gabanyi, a entrevista de Simon Briggs com Andy Murray não é tão reveladora assim, mas traz números e declarações interessantes do atual número 2 do mundo – inclusive a frase sobre Ivan Lendl, inserida no título. Murray diz que precisava de alguém que lhe dissesse que era ok perder em vez de classificar derrotas em finais de Slam como um desastre. Leiam!

Fanfarronice da semana

Não tem nada de publicitário na foto, mas vale o registro porque foi “apenas” Roger Federer trollando a foto de Sergiy Stakhovsky como o ucraniano trollou com seu Wimbledon em 2013.


Semana 23: retornos de Federer e Lendl, Sharapova suspensa e Thiem campeão
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Alexandre Cossenza

Roger Federer voltou, mas Rafael Nadal desistiu de Wimbledon. Andy Murray anunciou o retorno da parceria com Ivan Lendl, enquanto Maria Sharapova foi condenada a dois anos de suspensão por doping. Enquanto isso, a temporada de grama começou com torneios pequenos, mas alguns resultados já bastante interessantes. Vamos lembrar o que rolou?

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Os campeões

No ATP 250 de Stuttgart, que só terminou nesta segunda-feira por causa da chuva, o título é de Dominic Thiem, o rei dos 250. Depois de salvar dois match points e bater Roger Federer na semifinal, o austríaco selou a conquista com vitória de virada sobre Philipp Kohlschreiber: 6/7(2), 6/4 e 6/4.

O talentoso jovem de 22 anos, atual número 7 do mundo, é quem mais venceu jogos em 2016. Até agora, são 45 vitórias na temporada. Trata-se de um raro caso de tenista top 10 com calendário de #50 do mundo, jogando uma semana após a outra. Thiem, aliás, não soma ponto nenhum com o título deste fim de semana, já que possui quatro conquistas em ATPs 250 em sua somatória atual. Stuttgart só vai contar alguma coisa no fim de julho, quando caírem os pontos de Umag (isso se Thiem não decidir jogar mais uma vez o ATP croata!).

Com seu primeiro título na grama, Thiem, que só teve três semanas de folga em 2016 (vide tuíte acima), agora entra na pequena lista de nove tenistas que venceram torneios nos três pisos (dura, saibro e grama) na mesma temporada. Este ano, o austríaco já foi campeão em Buenos Aires (saibro), Acapulco (dura), Nice (saibro) e, agora, Stuttgart (grama).

Em ’s-Hertogenbosch, Nicolas Mahut foi campeão pela terceira vez, completando nesta segunda-feira a vitória sobre Gilles Muller por 6/4 e 6/4. O francês de 34 anos, que perdeu a liderança do ranking de duplas, também venceu o torneio de grama holandês em 2013 e 2015.

As campeãs

No WTA International de Nottingham, a tcheca Karolina Pliskova, cabeça de chave 1, levantou o troféu depois de derrotar Alison Riske por 7/6(8) e 7/5. No primeiro set, Pliskova teve de salvar seis set points – três deles no tie-break. Aliás, tie-breaks não faltaram na semana. Foram quatro deles em cinco jogos, e a tcheca venceu três.

Em ’s-Hertogenbosch, outro WTA International, a americana CoCo Vandeweghe bateu a francesa Kristina Mladenovic na final por 7/5 e 7/5 e conquistou o título. Foi sua segunda conquista no torneio holandês, que venceu também em 2014, quando não perdeu nenhum set.

Não foi um torneio bom para as favoritas. A cabeça 1, Belinda Bencic, foi superada por Mladenovic nas semifinais, enquanto a segunda pré-classificada, Jelena Jankovic, foi eliminada na segunda rodada pela russa Evgeniya Rodina.

O retorno

As atuações mais aguardadas da semana foram de Roger Federer, que fez seu retorno às quadras. O suíço, que pouco jogou desde que uma cirurgia no joelho depois do Australian Open, apareceu em Stuttgart fora de forma e foi eliminado por Dominic Thiem na semifinal, depois de perder dois match points: 3/6, 7/6(7) e 6/4.

Mesmo nos triunfos sobre Taylor Fritz e Florian Mayer, o suíço esteve longe de seu melhor nível. É compreensível para quem vem de problemas físicos, mas não deixa de ser algo preocupante porque é raro ver Federer atravessar um momento assim na temporada de grama.

Se serve de consolo, a participação em Stuttgart colocou Federer como o segundo maior vencedor de jogos no circuito mundial. Ele ultrapassou Ivan Lendl e agora soma 1.072 vitórias. À sua frente, apenas o americano Jimmy Connors, que jogava todo tipo de torneios em sua época e acumulou 1.256 triunfos.

A “re-união”

Andy Murray e Ivan Lendl anunciaram neste domingo que voltarão a trabalhar juntos. A parceria de sucesso, durante a qual o britânico conquistou dois Slams e uma medalha de ouro olímpica, terminou porque Lendl não queria mais passar tanto tempo viajando o circuito. Segundo o comunicado publicado no site do tenista, Lendl passou os últimos dois anos tratando de operações nos quadris e em um cargo no programa de desenvolvimento de jogadores da USTA.

O texto não deixa explícito, sugere que Lendl vai estar em todos os eventos ao lado de Murray (já foi assim na primeira vez) ao dizer que o novo-velho técnico trabalhará junto ao “técnico full-time de Andy, Jamie Delgado”. Ou seja, Delgado estará presente o tempo inteiro, enquanto Lendl fará aparições aqui e ali e estará junto nos períodos de treino. É o que parece.

Os brasileiros

Em Stuttgart, Bruno Soares jogou com o australiano Joh Peers e caiu nas quartas de final, superado por Oliver Marach e Fabrice Martin: 7/5 e 6/4. André Sá e Marcelo Demoliner foram a ’s-Hertogenbosch, na Holanda. O gaúcho, que fez parceria com o americano Nicholas Monroe, não passou da estreia, sendo superado por Gilles Muller e Frederik Nielsen. O mineiro avançou uma rodada ao lado de Chris Guccione, mas os dois perderam nas quartas para Santiago González e Scott Lipsky.

No circuito Challenger, o melhor resultado do Brasil veio com Thiago Monteiro, em Lyon (64 mil euros). Cabeça de chave número 5, Monteiro aproveitou uma chave que perdeu os cabeças 2 e 3 logo na estreia e avançou até a final, ficando com o vice ao ser superado por Steve Darcis: 3/6, 6/2 e 6/0. Feijão também esteve em Lyon e foi eliminado pelo mesmo Darcis, mas nas semifinais: 6/3, 5/7 e 6/4.

Rogerinho, por sua vez, foi a Praga (42.500 euros) e perdeu nas quartas de final. O brasileiro foi superado pelo austríaco Dennis Novak em três sets: 4/6, 6/1 e 7/6(7). Em Moscou (US$ 75 mil), André Ghem perdeu nas oitavas de final para o qualifier sérvio Miki Jankovic por 7/6(12) e 6/4. Guilherme Clezar, por sua vez, foi a Caltanissetta (106.500 euros), na Itália, e não passou da estreia. Caiu diante de Gianluigi Quinzi por 6/2, 1/6 e 7/6(6).

Entre as mulheres, Laura Pigossi jogou o ITF de Minsk (US$ 25 mil) e perdeu na estreia para a ucraniana Olga Ianchuk, cabeça 7, por 6/3, 3/6 e 7/5. Bia Haddad, que abandonou o ITF de Brescia no dia 2 de junho por causa de um misterioso “incômodo físico” (a assessoria não divulgou o motivo) que a fez retornar ao Brasil imediatamente, anunciou no sábado que está de volta aos treinos.

O doping

Outra grande manchete da semana foi o anúncio da suspensão de Maria Sharapova, que pegou dois anos de gancho e está afastada do tênis por dois anos. A tenista russa prometeu recorrer à Corte Arbitral do Esporte (CAS). Na quarta-feira, publiquei aqui mesmo no Saque e Voleio um texto dissecando a decisão do tribunal, que destruiu a defesa da russa. Leia aqui.

Vale também ler o texto da Sheila Vieira, vide tweet abaixo:

A desistência

Não pegou quase ninguém de surpresa, mas não deixa de ser ruim para o circuito. Rafael Nadal, que abandonou Roland Garros depois da segunda rodada por causa de uma lesão no punho, não jogará Wimbledon. O bicampeão do torneio disse que não estará recuperado a tempo de participar do Slam da grama.

Como Nadal já havia dito que sua prioridade este ano seria participar dos Jogos Olímpicos (ele não esteve em Londres 2012 por causa de uma lesão), faz sentido adotar uma postura mais do que cautelosa e pular a temporada de grama. Resta saber se será suficiente para que o espanhol esteja em forma competitiva no Rio. Lesões no punho estão entre as mais delicadas para tenistas.

A briga pelo número 1 nas duplas

Durou pouco o reinado de Nicolas Mahut como duplista número 1 do ranking. Três dias depois de assumir a liderança da lista, o francês já sabia que a posição estava perdida. Com a eliminação de Mahut em ’s-Hertogenbosch, onde jogou ao lado de Bopanna, Jamie Murray voltará à ponta na segunda-feira.

Quando Leander Paes é a vítima

O indiano Leander Paes, que não tem lá muitos amigos no circuito, vem sendo vítima de bullying do compatriota Rohan Bopanna. André Sá, o cúmplice, postou no Twitter uma imagem de Bopanna fingido estar preocupado com sua escolha para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Por estar no top 10, o indiano não só está garantido na competição como, em tese, teria o direito de escolher qualquer parceiro para o torneio olímpico de tênis. Bopanna, portanto, seria a última esperança de Leander Paes para estar nos Jogos Rio 2016. Notem o nome de Paes na manchete do celular. Ô, maldade…

Escrevi “em tese” e “seria” no parágrafo acima porque a federação indiana passou por cima da opção de Bopanna e indicou o nome de Leander Paes, forçando os dois a atuarem juntos. Bopanna não ficou nada contente e escreveu uma carta para a entidade (vide link no tweet abaixo).

Leitura obrigatória

Reportagem publicada no site da Folha de S. Paulo na última quinta-feira. O presidente da CBT Jorge Lacerda, vetou a ex-assessora de Gustavo Kuerten, Diana Gabanyi, de trabalhar nos Jogos Olímpicos Rio 2016. O dirigente escreveu um email ao Comitê atacando a jornalista, dizendo que ela fazia parte de um grupo de oposição que ataca constantemente a CBT. Lacerda também ameaçou não emitir credenciais caso não fosse atendido pelo Comitê. Mesmo depois de dois anos conversando com o Comitê, participando do planejamento para os Jogos e até com salário e data de início acertados, Gabanyi não foi contratada.

O próprio Guga tentou agir em nome de sua ex-assessora, entrando em contato com a Federação Internacional de Tênis (ITF). O presidente da entidade, David Haggerty, levou pessoalmente a situação ao presidente do Comitê Rio 2016, Carlos Arthur Nuzman, mas a decisão foi mantida. Leia a reportagem na íntegra.

Para ouvir

Djokovic é puro carisma ou é tudo jogada de marketing? O sérvio vai alcançar as 302 semanas como número 1, atual recorde de Roger Federer? O quanto um domínio como o de Nole faz mal ao tênis? Garbiñe Muguruza mostra mais potencial que nomes como Halep, Bouchard e Bencic? Estas e outras perguntas são respondidas no mais recente episódio do podcast Quadra 18, onde Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu batemos um papo bem humorado sobre tênis. Ouça abaixo.

Fanfarronices publicitárias

Depois de uma foto com Michael Jordan, outra com Stephen Curry e uma aparição na Copa América ao lado de Lewis Hamilton e Justin Bieber, Neymar encontrou casualmente (coincidência, claro) com… Serena Williams.

Always be ready for summer. You never know when. @neymarjr will show up

A photo posted by Serena Williams (@serenawilliams) on

Saiba mais (ou não) nesta lista aqui.

O amor

E já que este domingo foi dia dos namorados aqui no Brasil, que tal encerrar o post com uma imagem dos recém-casados Fabio Fognini e Flavia Pennetta?


Quadra 18: S02E08
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Alexandre Cossenza

O Career Slam, o Nole Slam, o Golden Slam e tudo mais que envolve os feitos que Novak Djokovic já alcançou e ainda pode alcançar; o título de Garbiñe Muguruza e o momento de Serena Williams; a (mais uma!) decepção com a organização de Roland Garros; a participação brasileira em Paris; o novo número 1 nas duplas; quem já está garantidos nos Jogos Olímpicos; e o coração de Guga desenhado pelo número 1 do mundo no saibro da Quadra Philippe Chatrier.

É muito assunto para o podcast Quadra 18, então Aliny Calejon, Sheila Vieira e eu preparamos um programaço de quase 1h30min respondendo questões de vários ouvintes e batendo aquele papo descontraído sobre tênis que vocês já conhecem bem. Quer ouvir? É só clicar neste link. Se preferir baixar e ouvir depois, clique com o botão direito do mouse e selecione a opção “salvar como”.

Os temas

0’00” – Aliny Calejon apresenta os temas
1’39” – Novak Djokovic e sua campanha em Roland Garros
3’33” – O comportamento mais comedido do sérvio na final
6’30” – A comemoração com o coração de Guga no saibro da Chatrier
7’55” – A reverência por um ídolo brasileiro e a dimensão de Guga no tênis
8’51” – Djokovic é puro carisma ou é tudo jogada de marketing?
12’52” – Se Guga jogasse hoje, seria chamado de marqueteiro?
13’45” – Cossenza perde a paciência com Cincinnati
14’50” – A expectativa enorme e como Djokovic vai encarar Wimbledon
16’00” – Djokovic vai alcançar as 302 semanas do Federer como #1?
16’50” – O que é mais difícil: as 302 semanas, 4 Slams no mesmo ano, os 17 Slams ou receber o dinheiro que o Rio de Janeiro está devendo?
18’20” – Veremos outro jogador fechar o Career Slam tão cedo?
19’10” – O domínio de Djokovic é maior hoje do que o domínio de Federer e Nadal em seus respectivos auges?
20’58” – Os títulos que faltam a cada um do Big Four
23’07” – A ausência de Rafael Nadal pode mudar a maneira de ver o título de Djokovic em Roland Garros?
24’10” – Quanto uma dominância assim é ruim para o tênis?
26’46” – Djokovic começou a ganhar RG na derrota contra Vesely em MC?
27’40” – O quanto Boris Becker ajudou Djokovic?
32’45” – Alguns anos atrás, Djokovic perdia finais, mas dava mostras do que estava por vir. Murray dá esses mesmos sinais de que pode chegar a número 1?
34’25” – O possível “Silver Slam” de Andy Murray
35’43” – A Ausência de um técnico principal prejudicou Murray em RG?
36’35” – Os desempenhos de Wawrinka, Thiem, Nadal e Federer
42’07” – Dominic Thiem vai ser número 1 do mundo?
43’00” – Paris (Friendly Fires)
43’30” – A campanha de Garbiñe Muguruza até o título
47’05” – O que Serena poderia/deveria ter feito de diferente na final?
48’45” – Lesão ou idade? O que teria incomodado mais Serena na decisão?
50’06” – Muguruza tem mais potencial que Halep/Bouchard/Bencic?
53’17 – As surpresas e decepções: Bertens, Rogers, Kerber, Vika e Halep
57’50” – A expectativa para a temporada de grama
59’30” – Roland Garros sai com o filme queimado?
63’25” – Não Aprendi a Dizer Adeus (Leandro e Leonardo)
64’05” – O que aconteceu na chave de duplas
65’03” – A campanha e os méritos de Feliciano e Marc López
66’00” – O resultado de Marcelo Melo e Ivan Dodig
68’40” – As campanhas de Bruno Soares e André Sá
69’20” – O carrasco Leander Paes de legging
72’35” – Nota de repúdio de Alexandre Cossenza
73’30” – Nicolas Mahut, o novo duplista número 1 do mundo
74’37” – O novo ranking e a classificação olímpica
77’50” – As derrotas de Bellucci e Rogerinho
80’07” – Teliana Pereira e o duelo com Serena Williams
81’20” – Orlandinho, vice juvenil nas duplas, deveria ainda estar entre os juvenis?
82’30” – Que tenista atual tem estilo de jogo mais parecido com o Guga?
83’30” – Perguntas e respostas sobre a transmissão de RG na TV brasileira.
87’40” – Paris (Magic Man)

Créditos musicais

A faixa de abertura é chamada “Rock Funk Beast”, de longzijum. Em seguida, entram Paris (Friendly Fires), Não Aprendi a Dizer Adeus (Leandro e Leonardo) e Paris (Magic Man). O pequeno trecho durante os comentários sobre Alexander Peya é da canção Hier Kommt Alex (Die Toten Hosen).


RG, dia 13: Muguruza, Serena, Djokovic e Murray. Quem está surpreso?
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Alexandre Cossenza

Choveu muito, houve zebras e partidas divertidas, mas treze dias de jogos depois, Roland Garros definiu seus finalistas no óbvio. Serena Williams e Garbiñe Muguruza na decisão feminina, Novak Djokovic e Andy Murray brigando pelo título no domingo. O resumo do dia analisa as quatro semifinais e o que esperar nos próximos dois dias de torneio. O texto também atualiza o cenário na briga pelo número 1 das duplas e traz vídeos de pontos interessantes, que ilustram os porquês de alguns dos resultados do torneio francês.

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Muguruza voando x Serena em modo avião

Por caminhos estranhos e menos espinhosos do que o previsto, deu o óbvio. Serena Williams (#1) e Garbiñe Muguruza (#4) farão a final de Roland Garros. O curioso mesmo é que algumas casas de apostas colocam a espanhola como favorita para derrubar a americana (outra vez) em Paris.

É curioso, mas compreensível. Muguruza foi a tenista que melhor jogou durante as duas semanas. Fora a primeira rodada descalibrada e que por pouco não se terminou numa grande zebra, a espanhola foi firme e passou por cima de toda chave, sem perder sets. Nem depois do susto de ser quebrada sacando para a final. A vitória sobre Sam Stosur, nesta sexta, foi relativamente tranquila, sem que a australiana liderasse em momento algum. No fim, o placar de 6/2 e 6/4 foi um bom reflexo do que aconteceu em quadra.

Serena, por sua vez, não anda bem das pernas – literalmente. Segundo Marion Bartoli, a americana vem lidando com uma lesão no adutor. Isso explica a movimentação limitada e a tentativa de limitar trocas longas. Na semifinal contra Kiki Bertens (#58), foi como se Serena estivesse jogando em modo avião – aquilo que a gente faz pra poupar bateria quando não encontra um carregador por perto para manter o celular ligado.

Foi um jogo interessante, mas só porque Bertens saiu na frente e sacou para fechar o primeiro set. O nível técnico ficou bastante aquém do esperado para uma semi de Slam – e até mesmo para qualquer partida envolvendo Serena Williams. Nem a holandesa fez uma partida excepcional enquanto liderou. O placar final, 7/6(7) e 6/4 refletiu um equilíbrio que só existiu porque a #1 esteve abaixo de seu normal.

A lógica é apostar no velho “se Serena jogar assim, não ganha”, mas é uma condicional bastante grande para uma final, até porque Serena confirmou a lesão sem dizer o quão séria ela é e também porque, como todo mundo sabe, a número 1 tem muito mais tênis do que mostrou na final. Ainda assim, não são nada ruins as chances de Muguruza. E não custa lembrar que sua única vitória sobre Serena aconteceu justamente em Paris.

Djokovic e Murray se encontram outra vez

Entre os homens, chegaram lá também os dois mais cotados desde o princípio para estarem na final. Djokovic mostrou que aproveitou bem a chave acessível para chegar em forma na decisão. Nesta sexta, diante de Dominic Thiem (#15), também deixou claro ainda estar pelo menos um nível acima do jovem e talentoso austríaco. Fez 6/2, 6/1 e 6/4 em um jogo que foi mais divertido do que equilibrado.

Thiem fez o possível, batendo forte na bola e tentando empurrar Djokovic para trás, mas ainda não possui a consistência para esse tipo de situação (melhor de cinco + semifinal de Slam + número 1 do mundo). Ainda conseguiu abrir 3/0 no terceiro set, dando um pouco de emoção ao duelo, mas o sérvio abafou a reação vencendo cinco games seguidos e deixando claro quem é quem.

O adversário será Andy Murray, décimo tenista da Era Aberta (desde 1968) a estar nas finais de todos os torneios do Grand Slam. A vaga foi conquistada com mais um plano de jogo inteligente e bem executado. Em quatro sets, encerrou a série de três derrotas para Stan Wawrinka: 6/4, 6/2, 4/6 e 6/2.

Não foi uma partida tão parelha quanto muitos esperavam, ainda que Wawrinka não tenha feito uma apresentação especialmente ruim. O suíço ficou naquilo que fez durante todo o torneio, e isso talvez diga muito sobre a chave fraquíssima que ele encontrou para alcançar a semi. Murray, em melhor forma e mais exigido quando jogou mal, chega à decisão bem forte.

O favorito para final é Djokovic, que joga por um punhado de feitos espetaculares. O Djokoslam (ganhar os 4 seguidos), o Career Slam (os quatro em anos diferentes), a dobradinha AO-RG (que ninguém faz desde 1992) e as chances de completar o Grand Slam de fato (os quatro no mesmo ano) e o Golden Slam (os quatro mais a medalha de ouro olímpica).

Tudo isso, claro, pode pesar contra o sérvio, que vem de uma derrota no saibro para Murray (final do Masters de Roma). Muita coisa, no entanto, pesa a favor. O histórico favorável contra o britânico, o “encaixe” dos estilos de jogo e sua maior consistência. Parece que todos disseram o mesmo no ano passado, antes da decisão contra Wawrinka, mas parece novamente que Novak Djokovic terá a melhor chance da carreira para triunfar em Roland Garros.

O Big Four de volta

Convém lembrar também que a derrota de Wawrinka na semifinal coloca Rafael Nadal de volta no quarto lugar do ranking mundial. Ou seja, o chamado Big Four estará novamente completo no alto da lista da ATP, embora continuem insistindo em dizer que o “Big Four acabou”.

O brasileiro

Marcelo Melo e Ivan Dodig deram adeus ao torneio nesta sexta-feira, derrotados nas semifinais. Os atuais campeões de Roland Garros foram derrotados pelos espanhóis Feliciano e Marc López (que, repito, não são irmãos) em uma partida nervosa que terminou com Dodig errando um voleio e cedendo a quebra decisiva no serviço do mineiro: 6/2, 3/6 e 7/5.

Com o resultado, o ranking de duplas terá um novo número 1. Marcelo Melo deixará o posto, que ficará com Nicolas Mahut ou Bob Bryan. O americano precisa conquistar o título para voltar ao topo. Caso contrário, o francês assumirá a ponta.

Se vira nos 30

Rafael Nadal completou 30 anos nesta sexta-feira em uma das raras oportunidades que teve de festejar seu aniversário junto com toda família em Mallorca. Na maior parte da última década, o espanhol soprou velinhas em Paris, rumo a um de seus nove títulos de Roland Garros.

A Telefónica, um de seus patrocinadores, preparou um vídeo cheio de gente conhecida dando os parabéns ao tenista. Até Casemiro (sim, o brasileiro do real Madrid) e Kaká fazem aparições.

Piada Pós-Paris

Eugenie Bouchard chegou à imigração na Holanda e teve de explicar o motivo de sua visita ao país: “torneio de tênis”. O oficial, então, perguntou à canadense se ela não deveria estar em Paris ainda…

Os melhores lances

Plasticamente, não aconteceu nada de espetacular no ponto abaixo, mas vale ver pelos 30 golpes do rali e pelo fantástico trabalho de construção de ponto que Djokovic fez até colocar Thiem na defensiva. Vale notar também o quanto o austríaco fez de força a mais do que o sérvio para manter-se no ponto. Uma aula.

Outro lance do sérvio. Velocidade, defesa, precisão, contra-ataque, potência. Em 20 segundos, o porquê de Djokovic ser o número 1 do mundo.

Para finalizar, um exemplo do que Murray fez em muitos momentos da partida. Ofereceu o lado direito, desafiando Wawrinka a atacar com a paralela de backhand, e ficou plantado na esquerda, esperando a chance de matar com seu melhor golpe, o backhand. No caso do ponto abaixo, um break point, Stan fugiu do backhand e deixou a quadra escancarada para a passada.


RG, dia 6: Nadal desiste, Muguruza cresce, Kvitova e Safarova dão adeus
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Alexandre Cossenza

Houve muitos lances bonitos e resultados importantes dentro de quadra, mas nada igualou a bomba que Rafael Nadal detonou em Roland Garros quando convocou uma coletiva para anunciar que está abandonando o torneio. O post de hoje avalia as consequências dessa desistência, lembra de resultados importantes na chave feminina, atualiza a corrida pelo número 1 nas duplas e traz a história de Marcel Granollers, o tenista mais sortudo do planeta. Fique por dentro.

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O abandono

A notícia do dia, sem dúvida, foi o anúncio de Rafael Nadal, que convocou uma entrevista coletiva às pressas para revelar que não continuaria no torneio por causa de uma lesão no punho esquerdo (seu forehand). Nadal disse que o problema começou na semana de Madri, nas quartas de final, contra João Sousa. Depois disso, fez exames e tratamento em Barcelona e decidiu jogar em Roma. O incômodo voltou antes mesmo de embarcar para Paris.

O espanhol, que vinha de duas grandes atuações, disse que a condição foi piorando ao longo da semana em Roland Garros e que jogou a partida contra Bagnis após tomar uma infiltração. Segundo o tenista, os médicos disseram que ele não teria condições de fazer mais cinco partidas e, por isso, não havia por que continuar no torneio.

Nadal afirmou que precisará de algumas semanas de imobilização no punho para, depois, tratar a lesão. “Espero uma recuperação rápida e estar pronto para Wimbledon, mas agora não é o momento de falar sobre isso.”

A consequência imediata é que Marcel Granollers (#56), que vem de uma vitória por desistência (Mahut abandonou no terceiro set), ganha um WO e vai às oitavas de final sem jogar. Ele será azarão contra Dominic Thiem ou Alexander Zverev, mas já tem um resultado inimaginável para quem estreou contra Fabio Fognini e enfrentaria o eneacampeão do torneio na terceira rodada.

No que diz respeito às chances de título, a coisa fica bem menos complicada para Novak Djokovic (#1), que provavelmente faria a semifinal contra Rafael Nadal. O contraponto é que o sérvio terá uma dose extra de pressão para finalmente vencer em Paris. De certo modo, será uma sensação parecida com a de Federer em 2009. Naquele ano, após levantar o troféu, o suíço admitiu ter se sentido pressionado depois que Robin Soderling chocou o planeta ao derrotar Rafael Nadal.

O homem mais sortudo do planeta

Em Monte Carlo, Marcel Granollers não passou pelo qualifying, mas herdou a vaga de David Ferrer, que decidiu de última hora não jogar o torneio. A vaga de cabeça de chave permitiu a Granollers entrar já na segunda rodada. Aproveitou a chance, bateu Alexander Zverev, David Goffin e só parou nas quartas de final. Saiu de lá com 196 pontos. Subiu de #67 para #50 no ranking.

Em Madri, aconteceu de novo. Granollers entrou como lucky loser na vaga de Roger Federer. Dessa vez, também estreando na segunda rodada, o espanhol não conseguiu avançar. Parou diante de João Sousa, mas somou 26 pontinhos.

Agora, em Roland Garros, teve todo mérito do mundo ao eliminar Fabio Fognini na estreia, mas ganhou 71 mil euros e 90 pontos de graça só com o abandono de Nadal. Com isso, mesmo que perca o próximo jogo, já ficará perto do 45º posto.

Os favoritos

O dia começou com Garbiñe Muguruza (#4) em mais uma atuação dominante: 6/3 e 6/0 sobre a belga Yanina Wickmayer (#54), que vinha de vitória sobre a cabeça de chave Ekaterina Makarova. Depois do susto na estreia, Muguruza soma apenas cinco games perdidos em dois jogos e ratifica sua posição de séria candidata ao título. Com Svetlana Kuznetsova (#15) pela frente nas oitavas e Begu ou Rogers nas quartas, a espanhola é favoritíssima para chegar ao menos às semifinais.

A outra candidata nessa metade da chave é Simona Halep (#6), vice-campeã em 2014. Nesta sexta, a romena precisou de três sets, mas superou a japonesa Naomi Osaka (#101) por 4/6, 6/2 e 6/3. Halep agora fará um jogo interessante contra Sam Stosur, que, apesar de já ter bons resultados no torneio, não estava tão cotada assim numa chave que tinha Lucie Safarova (falo sobre isso mais adiante).

Na chave masculina, Andy Murray (#2) finalmente fez uma aparição breve na Suzanne Lenglen. Bateu Ivo Karlovic (#28) em três sets: 6/1, 6/4 e 7/6(3), em menos de duas horas. O escocês conseguiu até limitar o número de aces do croata. Foram só 14 – oito deles, no terceiro e mais equilibrado set. Semifinalista em Paris no ano passado, Murray terá outro sacador pela frente nas oitavas, já que John Isner (#17) derrotou Teymuraz Gabashvili (#79) depois de estar uma quebra atrás no quinto set: 7/6(7), 4/6, 2/6, 6/4 e 6/2.

Stan Wawrinka (#4), que fez um dos últimos jogos do dia, teve menos problemas do que nas rodadas anteriores. Aplicou 6/4, 6/3 e 7/5 sobre Jeremy Chardy (#32) e avançou quase sem sustos. Os únicos momentos de (pequena) apreensão vieram no primeiro game, quando o suíço teve o serviço quebrado (mas devolveu em seguida), e no antepenúltimo, quando Chardy evitou que Stan fechasse o jogo com seu saque. O atual campeão, no entanto, voltou a quebrar imediatamente depois.

O sérvio Viktor Troicki (#24) será o próximo oponente de Wawrinka, após fazer 6/4, 6/2 e 6/2 em cima do francês Gilles Simon (#18), que não fez um grande torneio. Depois de suar contra Rogerinho, precisou de cinco sets para bater Guido Pella. Nesta sexta, contra Troicki, esteve atrás desde o game inicial.

O brasileiro

Marcelo Melo voltou à quadra ao lado de Ivan Dodig em busca de um lugar nas oitavas de final da chave de duplas. A parceria, atual campeã de Roland Garros, não teve problemas para bater os franceses Tristan Lamasine e Albano Olivetti por 6/2 e 6/4. Brasileiro e croata agora podem enfrentar a dupla de André Sá e Chris Guccione, que ainda precisam passar por Leo Mayer e João Sousa.

A briga pelo número 1

O resultado mais relevante do dia pela chave de duplas foi a derrota de Jean Julien Rojer e Horia Tecau para Pablo Cuevas e Marcel Granollers: 5/7, 6/4 e 6/3. Com isso, Tecau perde a chance de sair de Roland Garros como número 1 do mundo. Ainda seguem na briga Nicolas Mahut (que está vivo nas duplas apesar de ter abandonado a chave de simples), Jamie Murray, Bob Bryan e o próprio Marcelo Melo, atual líder do ranking e campeão do torneio parisiense.

Correndo por fora

Agnieszka Radwanska (#2), que nunca passou das quartas de final em Roland Garros, superou um obstáculo um tanto traiçoeiro nesta sexta. Bateu Barbora Strycova (#33) por 6/2, 6/7(6) e 6/2. Foi uma partida divertida de ver (pelo menos nos momentos que consegui acompanhar), com muita variação, e que a vice-líder do ranking conduziu muito bem no set decisivo.

Classificada para as oitavas para enfrentar Tsvetana Pironkova (#102), será que Radwanska já pode ser considerada uma forte candidata ao título? Talvez ainda seja cedo, mas a polonesa certamente será favorita contra a búlgara. Quem sabe nas quartas de final, contra Simona Halep, tenhamos uma ideia melhor?

Na chave masculina, Milos Raonic (#9) passou fácil pelo eslovaco Andrej Martin (#133): 7/6(4), 6/2 e 6/3. Foram mais de 2h40min de partida, mas só porque a primeira parcial durou 1h13min, com três games bastante longos. Abençoado pelo sorteio e pelos resultados, o canadense, que poderia estar enfrentando Marin Cilic ou Jack Sock nas oitavas, vai pegar o espanhol Albert Ramos Viñolas (#55), que surpreendeu Sock (#25) em cinco sets nesta sexta: 6/7(2), 6/4, 6/4, 4/6 e 6/4. Se tudo correr como previsto, Raonic e Wawrinka se encontrarão nas quartas.

O jogo mais esperado – pelo menos para mim – do dia era Richard Gasquet (#12) x Nick Kyrgios (#19), e parece justo dizer que a partida correspondeu às expectativas. Não só no resultado, com vitória do francês por 6/2, 7/6(7) e 6/2, mas pelo nível do tênis apresentado. Daria para encher um longo vídeo de melhores momentos só com pontos bonitos. Kyrgios venceu vários deles, mas, como quase sempre, não conseguiu manter um nível alto contra um rival consistente.

Para Kei Nishikori, houve drama. Tudo corria bem para o #6 do mundo até que Fernando Verdasco (#52), depois de perder os dois primeiros sets, iniciou uma reação fulminante. No começo do quinto set, era o espanhol que parecia mais próximo da vitória. No entanto, Nishikori conseguiu quebras no primeiro e no terceiro games e manteve a dianteira, avançando por 6/3, 6/4, 3/6, 2/6 e 6/4.

Cabeças que rolaram

Principal cabeça de chave na seção que já tinha visto Roberta Vinci e Karolina Pliskova ficarem pelo caminho, Petra Kvitova (#12) foi a vítima do dia, com um placar estranhíssimo: 6/0, 6/7(3) e 6/0 para a americana Shelby Rogers (#108), a mesma que bateu Pliskova na primeira rodada.

A americana avança para sua primeira aparição as quartas de final de um Slam, enquanto Kvitova segue em uma temporada problemática. Desde que se separou do técnico de longa data David Kotyza, em janeiro, a bicampeã de Wimbledon não conseguiu uma sequência digna de seu talento.

Quem se deu bem – pelo menos no papel – foi Irina-Camelia Begu (#28), cabeça 25 do torneio, que bateu Annika Beck (#39) por 6/4, 2/6 e 6/1 e será favorita contra Rogers na disputa por um lugar nas quartas de final.

Outra cabeça eliminada foi Lucie Safarova (#13), atual vice-campeã de Roland Garros. A tcheca foi eliminada em uma partida equilibrada e nervosa contra Sam Stosur (#24), vice-campeã em 2010: 6/3, 6/7(0) e 7/5. Uma surpresa mais pelos resultados recentes da australiana e pelo histórico de confrontos diretos (Safarova liderava por 11 a 3) do que pelo currículo de Stosur.

Não seria nada espantoso se Stosur desmoronasse depois do péssimo tie-break que jogou na segunda parcial. Em vez disso, a australiana começou o set decisivo com uma quebra e, mesmo quando perdeu a vantagem, manteve a cabeça no lugar. Quem implodiu foi Safarova, que fez um 12º game muito ruim e cedendo a quebra que colocou a adversária nas oitavas.

Os melhores lances

Você não vai ver muitos pontos melhores do que esse até o fim do torneio. Radwanska e Strycova, espetaculares.

Nick Kyrgios de despediu nesta sexta, mas deixou essa lembrança:

O australiano também ganhou esse pontaço abaixo.


RG, dia 5: Nadal passeia, Djokovic faz força, e Serena derruba Teliana
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Alexandre Cossenza

O quinto dia de Roland Garros foi mais uma jornada boa para os favoritos. Rafael Nadal atropelou o argentino Facundo Bagnis e, pouco depois, Novak Djokovic passou em três sets, mas cometendo 42 erros não forçados. Serena Williams também triunfou, fazendo como vítima a brasileira Teliana Pereira. O resumo do dia traz análises dos três nomes principais e lembra as cabeças que rolaram, o susto de Tsonga, o barraco envolvendo Alizé Cornet e informações sobre como a ITF mudará sua postura em casos de doping. De bônus, mais um vídeo de Guga e um imperdível guia de pronúncia.

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O jogo mais esperado

A tarefa era difícil. Encarar Serena Williams (#1), atual campeã de Roland Garros e dona de 749 títulos (ou algo assim) na carreira , na quadra Suzanne Lenglen, a segunda maior do complexo francês. Teliana Pereira (#81) começou a partida nada bem, perdendo dois saques seguidos, errando bolas que não costuma errar e vendo Serena ser… Serena.

Aos poucos, porém, a brasileira foi se sentindo mais à vontade e conseguindo entrar em alguns ralis. Comandar os pontos era quase impossível, mas Teliana tentou uma curtinha aqui e outra ali, arriscou paralelas e fez o que podia fazer. No fim, a número 1 do mundo venceu por 6/2 e 6/1, em 1h06min, um placar que reflete a diferença de nível entre as duas tenistas.

A página de estatísticas registra 31 winners de Serena contra seis de Teliana, que cometeu 15 erros não forçados contra 17 da americana. Mais uma vez, o frágil saque da brasileira pesou. Diante da melhor devolução do mundo, Teliana venceu menos da metade dos pontos com seu serviço. Foram 21/45 com o primeiro saque e 6/17 com o segundo.

Serena avança à terceira rodada para enfrentar a francesa Kristina Mladenovic (#30), que passou pela húngara Timea Babos (#45) por 6/4 e 6/3.

Os outros favoritos

Rafael Nadal (#5) teve dois games ruins, que foram os dois primeiros do jogo contra Facundo Bagnis (#99). Depois disso, venceu 18 games, perdeu quatro e foi muito, muito sólido, sem deixar a agressividade de lado. Não que o adversário tenha dado trabalho, mas dá para notar que o espanhol vem evoluindo a cada dia. Nesta quinta, foram apenas 18 erros não forçados em três sets. Considerando que seis dessas falhas vieram nos dois games iniciais, dá para ter uma ideia de sua consistência durante a maior parte do encontro.

Depois de sua 200ª vitória em Slams, Nadal enfrentará o compatriota Marcel Granollers (#56), que chega aonde Fabio Fognini deveria estar agora. O italiano, no entanto, tombou na estreia diante do próprio Granollers, que avançou nesta quinta após a desistência do francês Nicolas Mahut (#44), que deixou a quadra quando perdia por 6/3, 6/2 e 1/0.

Enquanto Nadal saía da Chatrier, Novak Djokovic (#1) entrava na Suzanne Lenglen, a segunda maior quadra do complexo de Roland Garros. Seu jogo contra o belga Steve Darcis (#161) até teve emoção, mas muito mais pelos erros do sérvio do que por uma partida espetacular do belga. É bem verdade que Darcis fez uma apresentação bastante digna e tentou todos os golpes de seu pacote, mas foram os 42 erros não forçados do número 1 que mantiveram o jogo relativamente parelho.

Djokovic, porém, foi superior sempre que a necessidade se apresentou e só precisou de três sets para avançar: 7/5, 6/3 e 6/4. O sérvio, em busca de seu primeiro título em Roland Garros, enfrenta a seguir o britânico Aljaz Bedene (#66), que venceu um jogo de cinco sets contra o espanhol Pablo Carreño Busta: 7/6(4), 6/3, 4/6, 5/7 e 6/2.

Os brasileiros nas duplas

Primeiro a entrar em quadra, Bruno Soares venceu sem problemas. Ele e Jamie Muray passaram por Evgeny Donskoy e Andrey Kuznetsov por duplo 6/3. Pouco depois, Marcelo Melo e Ivan Dodig também avançaram rápido. Os atuais campeões de Roland Garros fizeram 6/0 e 6/3 em cima de Robin Haase e Viktor Troicki.

Thomaz Bellucci também esteve em quadra pela chave de duplas e já se despediu. Ele e Martin Klizan foram superados por Vasek Pospisil e Jack Sock por 6/1 e 7/5.

O barraco

A confusão da quinta-feira veio no fim do dia, no duríssimo jogo entre Alizé Cornet (#50) e Tatjana Maria (#111). A tenista da casa, com um público barulhento a favor, venceu por 6/3, 6/7(5) e 6/4, mas a alemã não ficou nada feliz com a postura de Cornet. Na hora do cumprimento junto à rede, Maria apontou o dedo como quem dizia não acreditar nas dores que Cornet dizia vir sentindo.

Depois de sair da quadra, Maria declarou, segundo o jornalista Ben Rothenberh, que Cornet não agiu como fair play. A alemã disse que a francesa tinha cãibras e pediu atendimento médico na perna esquerda por causa disso. Vale lembrar que o regulamento não permite tratamento para cãibras, mas o fisioterapeuta deve entrar em quadra e atender o atleta que diz sentir dores.

Correndo por fora

Semifinalista no ano passado, Timea Bacsinszky (#9) abriu a programação da Chatrier nesta quinta com um jogo um tanto estranho diante de Eugenie Bouchard (#47), semifinalista em 2014. Primeiro, a canadense abriu 4/1. Depois, a suíça venceu dez games seguidos, abrindo 6/4 e 5/0. O triunfo parecia encaminhado, mas Bouchard venceu quatro games e teve dois break points para empatar o segundo set. Bacsinszky, porém, se salvou a tempo e fechou o jogo: 6/4 e 6/4.

A suíça será favorita pelo menos até a próxima rodada quando enfrentará Pauline Parmentier (#88) ou Irina Falconi (#63). O duelo mais esperado nessa seção da chave será nas oitavas, contra Venus Williams (#11), que passou pela compatriota Louisa Chirico (#78) nesta quinta. Para chegar até Bacsinszky, contudo, a ex-número 1 ainda precisará passar por Alizé Cornet (#50).

Outras vitórias de nomes que correm por fora em Roland Garros incluem Ana Ivanovic (#16), que passou pela japonesa Kurumi Nara (#91) por 7/5 e 6/1; Carla Suárez Navarro (#14), que bateu a chinesa Qiang Wang (#74) por 6/1 e 6/3; Dominika Cibulkova (#25), que derrotou por Ana Konjuh (#76) por 6/4, 3/6 e 6/0; Venus Williams (#11), que eliminou Louisa Chirico (#78) por 6/2 e 6/1; e Madison Keys (#17), que superou por Mariana Duque Mariño (#75) por 6/3 e 6/2.

Entre os homens, Tomas Berdych (#8) precisou de quatro sets para superar o tunisiano Malek Jaziri (#72) com 6/1, 2/6, 6/2 e 6/4 e marcar um interessante duelo com Pablo Cuevas (#27), que passou pelo francês Quentin Halys (#154) por apertados 7/6(4), 6/3 e 7/6(6). Tcheco e uruguaio só se enfrentam antes, com vitória de Cuevas. No saibro, piso preferido do sul-americano, o resultado será igual? Parece uma ótima chance para Cuevas alcançar as oitavas de Roland Garros pela primeira vez na carreira.

Dominic Thiem (#15) também manteve o embalo e conquistou sua sexta vitória seguida, já que vem do título do ATP 250 de Nice. Nesta quinta, a vítima foi o espanhol Guillermo García López (#51), que ofereceu alguma resistência, mas sucumbiu em todos momentos importantes e caiu por 7/5, 6/4 e 7/6(3). Será a primeira vez de Thiem na terceira rodada em Paris, e seu oponente será Alexander Zverev (#41), o mesmo da final de Nice. É, sem dúvida, um dos duelos mais interessantes da terceira rodada.

David Goffin (#13) também marcou um duelo quentíssimo com Nicolás Almagro (#49) para a terceira rodada. Enquanto o belga passou por Carlos Berlocq (#126) por 7/5, 6/1 e 6/4, o espanhol bateu o tcheco Jiri Vesely (#60), aquele que tirou Djokovic de Monte Carlo, por 6/4, 6/4 e 6/3. Almagro, vale lembrar, vem em um momento interessante. Um ano atrás, brigava para estar entre os 150 do mundo. Hoje, depois do título em Estoril, já está no top 50 e jogando um nível de tênis de deixar qualquer cabeça de chave preocupado nas rodadas iniciais de um Slam.

Por último, David Ferrer (#11) bateu Juan Mónaco (#92) depois de perder o primeiro set: 6/7(4), 6/3, 6/4 e 6/2. Ele completou a parte de cima da chave, formando um interessante duelo espanhol com Feliciano López (#23), que vem de vitória sobre o dominicano Victor Estrella Burgos (#87): 6/3, 7/6(8) e 6/3.

Os favoritos nas mistas

Fortes candidatos ao título de duplas mistas , Leander Paes e Martina Hingis venceram sua estreia, fazendo 6/4 e 6/4 sobre Anna Lena Groenefeld e Robert Farah. Mais importante que o resultado, entretanto, é a imagem abaixo, registrando o sorriso mais carismático da antiga Calcutá. Apreciem:

Bruno Soares e Elena Vesnina, campeões do Australian Open e cabeças de chave número 5 em Roland Garros, também estrearam com vitória e derrotaram Abigail Spears e Juan Sebastián Cabal por 6/4 e 6/2. Brasileiro e russa podem enfrentar Hingis e Paes nas quartas de final. Antes, suíça e indiano precisam passar por Yaroslava Shvedova e Florin Mergea, cabeças 4 do torneio.

O susto

Entre os principais cabeças de chave, o único que passou aperto foi Jo-Wilfried Tsonga (#7), que viu Marcos Baghdatis (#39) abrir 2 sets a 0. O tenista da casa, que perdeu um set point na primeira parcial e teve uma quebra de vantagem no segundo set, se recuperou a tempo de evitar a zebra. A partir do terceiro set, esteve sempre à frente do placar e, no fim, triunfou por 6/7(6), 3/6, 6/3, 6/2 e 6/2.

Foi a primeira vez na carreira, depois de 55 jogos, que Baghdatis perdeu uma partida após abrir 2 sets a 0. Não que fosse uma catástrofe uma derrota de Tsonga a essa altura. Fora derrotar Roger Federer (fora de forma) em Monte Carlo, o francês pouco fez para chegar como grande credenciado a brigar pelo título. O próximo jogo, contra um aparentemente motivado Ernests Gulbis (#80), que vem de uma importante vitória sobre João Sousa (#29), promete ser interessante.

As cabeças que rolaram

Além da já mencionada queda de João Sousa, um resultado interessante do dia foi a vitória de Borna Coric (#47) sobre Bernard Tomic (#22) em quatro sets: 3/6, 6/2, 7/6(4) e 7/6(6). O croata repete sua melhor campanha em um Slam (também foi à terceira fase em Paris no ano passado) e terá uma chance interessante de ir às oitavas pela primeira vez. Seu próximo oponente será Roberto Bautista Agut (#16), que passou pelo francês imortal Paul-Henri Mathieu (#65) por 7/6(5), 6/4 e 6/1. Coric venceu o último jogo entre eles (Chennai/2016), mas o espanhol venceu os dois duelos anteriores no saibro.

Na chave feminina, Andrea Petkovic (#31) deu adeus ao cair diante da cazaque Yulia Putintseva (#60): 6/2 e 6/2, em pouco mais de 1h30min. O jogo foi mais duro do que o placar indica e teve vários games apertados, com muitas igualdades. Putintseva levou a melhor na maioria deles e agora chega à terceira fase de um Slam pela segunda vez na carreira. Ela enfrenta na sequência a italiana Karin Knapp (#118), que aproveitou o embalo com a vitória sobre Victoria Azarenka e derrotou, nesta quinta, a letã Anastasija Sevastova (#87): 6/3 e 6/4.

Leitura recomendada

A Federação Internacional de Tênis (ITF) mudará seu procedimento em relação a resultados positivos em exames antidoping. Segundo David Haggerty, presidente da entidade, disse que os anúncios passarão a ser imediatos. Hoje, a ITF tem por hábito revelar os resultados apenas depois de uma audiência com o atleta. O procedimento atual é cauteloso – tem como objetivo poupar os jogadores -, mas cria mistério quando alguém fica sem jogar por algum período, sem motivo aparente. Foi o que aconteceu recentemente com o brasileiro Marcelo Demoliner.

Haggerty fala que a mudança é em nome da transparência. Leia mais nesta reportagem do Telegraph (em inglês).

Audição recomendada

O Forvo, site que consulto há alguns anos para conferir pronúncias de tenistas, preparou uma página especial para Roland Garros. Ela tem a pronúncia na língua nativa dos nomes de muitos atletas e até da terminologia do tênis em francês. Veja o link no tweet abaixo.

Fanfarronices publicitárias

A campanha da Peugeot com Guga teve seu mais recente episódio com Jo-Wilfried Tsonga. Assim como Bellucci, o francês também experimentou a peruca.


RG, dia 3: Kerber cai, Vika se lesiona e Nadal faz lance espetacular
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Alexandre Cossenza

Como a chuva atrapalhou a segunda-feira, sobrou muita gente para jogar nesta terça. A começar por Andy Murray, que precisava terminar sua partida dramática contra Radek Stepanek. O dia também teve Rafael Nadal, Novak Djokovic, Serena Williams, Angelique Kerber, Victoria Azarenka… Enfim, rolou muita coisa, inclusive um par de zebras grandes, um barraco entre Nicolás Almagro e o árbitro brasileiro Carlos Bernardes, vários modelitos originais e um lance espetacular de Rafa Nadal.

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Os favoritos

Andy Murray (#2) completou sua escalada rumo à superfície, mas não sem drama. Depois de fechar o quarto set, o britânico teve chances nos três primeiros games de serviço de Stepanek (#128) na parcial decisiva, mas não conseguiu quebrar. O tcheco, então, esteve a dois pontos da vitória, com Murray sacando em 30/30 e “iguais”. O triunfo do escocês só veio com quatro pontos de graça do adversário no 11º game. E nem assim o drama acabou. Murray ainda cometeu uma dupla falta sacando em 40/30 (match point) antes de fechar a partida em um voleio errado do tcheco. O placar final mostrou 3/6, 3/6, 6/0, 6/3 e 7/5.

Murray, que agora tem no currículo nove vitórias após estar perdendo por 2 sets a 0, precisará voltar para um terceiro dia consecutivo nesta quarta-feira, quando vai enfrentar o wild card francês Mathias Bourgue (#164), que avançou após bater o qualifier espanhol Jordi Samper-Montana (#216) em três sets.

Enquanto Murray sofria em um set e meio, Rafael Nadal entrou e saiu rapidinho de quadra. Fez 6/1, 6/1 e 6/1 sobre Sam Groth (#100), com direito a um winner de Gran Willy – o ponto do torneio até agora (veja mais abaixo no post). Foi uma estreia maiúscula, ainda que o australiano não tenha oferecido tanta resistência assim.

Em seguida, Novak Djokovic começou mais uma campanha parisiense sem drama. Fez 6/4, 6/1 e 6/1 sobre Yen-Hsun Lu (#95) e avançou para enfrentar o qualifier belga Steve Darcis. O triunfo desta terça foi o 49º do número 1 do mundo em Roland Garros. Curiosamente, é o mesmo número de vitórias que Bjorn Borg, hexacampeão do torneio.

Serena Williams esteve em quadra por apenas 42 minutos. Foi o tempo necessário para despachar Magdalena Rybarikova (#77) por 6/2 e 6/0. A eslovaca vem sofrendo com lesões e entrou em quadra com uma proteção no tornozelo direito, outra no punho esquerdo e uma faixa abaixo do joelho direito. A número 1 do mundo agora vai enfrentar…

Os brasileiros

…Teliana Pereira, que voltou a vencer. A número 1 do Brasil e 81 do mundo passou pela tcheca Kristyna Pliskova (#109) em três sets, com direito a parcial decisiva longa e nervosa: 7/5, 3/6 e 9/7. Foi apenas a quarta vitória da pernambucana em 2016 (já são 13 derrotas desde janeiro), mas valeu a manutenção dos pontos do ano passado, quando Teliana também avançou à segunda rodada para enfrentar uma top 10.

O outro brasileiro a entrar em quadra nesta terça-feira foi André Sá. Ele e Chris Guccione perderam o primeiro set por 6/4, mas venceram a segunda parcial contra os colombianos Juan Sebastián Cabal e Robert Farah por 7/6(5). A partida foi interrompida por falta de luz natural.

As cabeças que rolaram

A primeira zebra veio logo no primeiro jogo do dia na Philippe Chatrier. Angelique Kerber (#3), cabeça 3 em Paris, com uma atuação nada inspirada, tombou logo na estreia diante da holandesa Kiki Bertens: 6/2, 3/6 e 6/3. Atual número 58, Bertens fez um jogo bem a seu estilo. Agressivo e comandando os pontos. Seu maior mérito talvez tenha sido manter a postura no terceiro set, em dois momentos importantes. Primeiro, depois de abrir 3/0 e ver Kerber receber um longo atendimento médico. Depois, mais tarde, quando sacou em 5/3 e 40/15 e perder dois match points. O primeiro, com uma bela passada da alemã, que conquistou até um break point no game. Bertens se salvou, conquistou outra chance para fechar o jogo e, aí sim, completou a zebra.

Bertens, vale lembrar, vem numa sequência de oito vitórias. Na semana passada, no WTA de Nuremberg, furou o qualifying e conquistou o título, pulando da 89ª posição no ranking para o atual 58º posto. Agora, depois de bater a número 1 alemã, tem a chave “aberta” para ir mais longe.

Sem Kerber, a parte de cima da chave perde o nome favorito para enfrentar Serena na semi. Agora, a maior cabeça ali é a suíça Timea Bacsinzky (#9), que derrotou a lucky loser espanhola Silvia Soler Espinosa por 6/3 e 6/1 e enfrentará Eugenie Bouchard (#47) na segunda rodada.

A segunda queda de peso do dia veio mais tarde, com Victoria Azarenka, número 5 do mundo. A bielorrussa, aparentemente, entrou em quadra para enfrentar a italiana Karin Knapp (#118) já com algum incômodo no joelho. O problema se agravou na metade do segundo set, quando Vika parou no meio de um ponto e pediu atendimento médico.

Voltou para o jogo se movimentando melhor, mas sentiu dores outra vez. Knapp sacou duas vezes para a vitória, mas foi quebrada e acabou derrotada também no tie-break, depois de perder um match point, mas com Azarenka correndo normalmente em quadra. No terceiro set, contudo, a dor voltou, e Vika teve de limpar lágrimas em um momento. A bielorrussa acabou optando por abandonar a partida quando perdia por 6/3, 6/7(6) e 4/0.

É mais um caso de lesão em uma carreira cheia delas. Em toda carreira, são mais de 30 jogos perdidos por abandono ou WO. Levando em conta os torneios em que Azarenka disputou a chave principal, a porcentagem de reveses em casos assim é extremamente alta (vide tweet abaixo).

Os cabeças que rolaram

Entre os homens, a eliminação mais relevante do dia foi a de Fabio Fognini (#33), cabeça 32 do torneio e possível adversário de Rafael Nadal na terceira rodada. O italiano foi eliminado rapidamente, em três sets, pelo espanhol Marcel Granollers (#56): 7/5, 6/4 e 6/3. Fognini vinha de três derrotas consecutivas (Madri, Roma e Nice), mas era visto como o maior perigo para Nadal na primeira semana. O eneacampeão de Roland Garros agora tem Bagnis pela frente na segunda rodada e Granollers ou Mahut na sequência.

Outro cabeça eliminado foi Kevin Anderson (#20), superado pelo francês Stéphane Robert (#90) por 6/4, 6/2, 1/6 e 7/5. O resultado, em tese, abre caminho para Alexander Zverev, que passa a ser um ótimo nome para encarar Dominic Thiem na terceira rodada. Alemão e austríaco se enfrentaram no sábado, na final do ATP 250 de Nice, com vitória de Thiem em três sets. Zverev, entretanto, ainda precisa vencer a estreia, interrompida por falta de luz natural. Ele vencia o francês Pierre-Hugues Herbert por 5/7, 7/2 e 7/6(6).

Correndo por fora

Na chave feminina, o dia teve vitórias de: Sam Stosur (#24), que bateu a japonesa Misaki Doi (#42) por 6/2, 4/6 e 6/3; Dominika Cibulkova (#25), que fez 6/3 e 6/1 sobre Saisai Zheng (#85); Carla Suárez Navarro (#14) em cima de Katerina Siniakova (#104) por 6/2, 4/6 e 6/2; Madison Keys (#17), que eliminou Donna Vekic (#96) por 6/3 e 6/2; Venus Williams (#11), que venceu dois tie-breaks – 7/6(5) e 7/6(4) contra Annet Kontaveit (#82); e Ana Ivanovic (#16), que perdeu um set para a convidada francesa Océane Dodin (#148), mas avançou por 6/0, 5/7 e 6/2.

Entre os homens, Tomas Berdych (#8) teve pouco trabalho diante de Vasek Pospisil (#46) e aplicou 6/3, 6/2 e 6/1. Outro postulantes à categoria de azarão do evento que triunfou nesta terça foi o austríaco rei dos ATPs 250, Dominic Thiem (#15), que passou aperto contra o espanhol Iñigo Cervantes (#69), mas se beneficiou de um problema físico do adversário e fez 3/6, 6/2, 7/5 e 6/1. Cervantes chegou a sacar em 5/4 para abrir 2 sets a 1, mas não aguentou o tranco.

Outro trio de nomes respeitáveis, mas que correm por fora, avançou sem problemas: David Ferrer (#11) fez 6/1, 6/2 e 6/0 sobre Evgeny Donskoy (#75), Jo-Wilfried Tsonga (#7) bateu o qualifier alemão Jan-Lennard Struff (#101) por 6/3, 6/4 e 6/4, e David Goffin (#13) superou o wild card francês Gregoire Barrere (#242) por 6/3, 6/3 e 6/4.

O melhor lance

De Rafael Nadal, contra Sam Groth. Winner de gran willy. O ponto do torneio.

Leitura recomendada

A chuva dos dois primeiros dias em Paris requentou o eterno assunto da expansão do complexo de Roland Garros (o menor dos quatro Slams) e da construção de um teto retrátil sobre a Quadra Philippe Chatrier. O diretor do torneio, Guy Forget, culpa a burocracia francesa, mas o assunto não é tão simples assim. Este texto do New York Times (em inglês) explica os porquês do processo demorado.

O melhor tweet

De Andre Agassi, campeão de Roland Garros em 1999, endereçado a Rafael Nadal. O americano diz que levou a maior parte da carreira tentando completar a “tarefa hercúlea” de vencer o Slam francês e afirma que ver o espanhol tentar a façanha pela décima vez em Paris não é apenas memorável, como inspirador. “Você me faz acreditar que na vida tudo é alcançável e nada é impossível!”

O barraco

Nicolás Almagro foi mais um a entrar em um debate acalorado com o árbitro brasileiro Carlos Bernardes. Não consegui vídeo da confusão inteira, mas os relatos na internet são de que a conversa durou sete minutos e teria sido causada porque Bernardes deu uma advertência após ouvir um palavrão de Almagro. O tenista questionou os critérios para aplicação da advertência, alegando que Andy Murray, por exemplo, fala palavrões o tempo inteiro e nunca é punido.

Foco fashion

Aparentemente, o assunto do torneio é a linha da adidas, que colocou seus jogadores vestidos de zebra em Roland Garros. Importante notar que o conceito de zebra como resultado inesperado é exclusivamente brasileiro, então para a fabricante alemã trata-se meramente de uma questão fashion mesmo.

Mas não foram só as “zebras” da adidas que chamaram atenção. Que tal esse modelito bem incomum da francesa Alizé Lim?

Fora de quadra, ou melhor, dentro, mas só para as entrevistas, Marion Bartoli também mostrou um visual nada convencional.

Fanfarronices publicitárias

O vídeo do dia é de Thomaz Bellucci pegando carona com Guga em Paris. O paulista até experimentou uma peruca dentro do carro! Faz parte das ações da Peugeot, patrocinadora do torneio.


Quadra 18: S02E07
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Alexandre Cossenza

Roland Garros começa neste domingo, e o podcast Quadra 18 está de volta com uma análise da temporada do saibro e das chaves do Grand Slam francês. Aliny Calejon, Sheila Vieira e eu também falamos das ausências de Roger Federer e Maria Sharapova e damos nossos palpitões para o torneio.

Este episódio tem uma novidade: um quiz sobre o torneio, com participações especiais de João Victor Araripe, do Break Point Brasil, e de Mário Sérgio Cruz, do Tenisbrasil. Ficou muito, muito divertido. Quer ouvir? É só clicar no player abaixo.

Quem preferir baixar para ouvir depois, pode clicar neste link com o botão direito do mouse e, depois, na opção “salvar como”.

Os temas

0’00” – Tema de abertura
0’15” – Sheila apresenta
2’30” – Como os últimos resultados influenciaram as expectativas para RG
3’00” – Faz sentido acreditar que Andy Murray tem chance de ganhar RG?
4’30” – A atuação de Djokovic em Roma e o que tirar disso
6’28” – A posição de Nadal em relação a Djokovic e Murray
7’48” – Em melhor de cinco, quem leva? Nadal ou Murray?
9’23” – A (pequena) expectativa em torno do atual campeão, Stan Wawrinka
11’12” – Serena, campeã em Roma e de volta ao normal
13’25” – Kerber e Halep são as principais concorrentes de Serena em Paris?
13’48” – “Eu acho a Azarenka carta fora do baralho nesse torneio”
14’24” – A falta que a Sharapova faz neste Roland Garros
16’30” – “Cossenza com saudade da Sharapova”
17’20” – Lembranças de como era o mundo antes da sequência de Federer
17’40” – O que Aliny, Sheila e Cossenza faziam em 1999
20’15” – Duplas e a briga pela liderança do ranking mundial
21’43” – O sucesso dos Bryans no saibro em 2016
23’00” – A briga pelo top 10 por causa dos Jogos Olímpicos
25’32” – O doping de Marcelo Demoliner
26’34” – A chave masculina em Roland Garros: quem se deu bem?
26’55” – A seção favorável de Andy Murray
27’48” – O bom caminho de Novak Djokovic
29’50” – A chave de Stan Wawrinka, “uma delícia”
31’45” – Rafael Nadal e o quadrante mais difícil
32’50” – A boa chance para David Goffin
33’55” – Os palpites para a chave masculina: favoritos, zebras e decepções
37’35” – A chave de Serena WIlliams em Roland Garros
39’25” – A seção “ridícula” de Angelique Kerber
40’20” – O quadrante mais forte de Garbiñe Muguruza
41’34” – O caminho de Simona Halep
42’30” – Os palpites para a chave feminina: favoritos, zebras e decepções
45’30” – Quiz Roland Garros com Mário Sérgio Cruz e João Victor Araripe

Créditos musicais

A faixa de abertura é chamada “Rock Funk Beast”, de longzijum. Em seguida, entra Jai Ho (Sukhvinder Singh, Tanvi Shah, Mahalaxmi Iyer e Vijay Prakash).