Saque e Voleio

Arquivo : Nadal

Quadra 18: S03E04
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Alexandre Cossenza

Na ATP, Roger Federer é campeão mais uma vez e com sobras. Na WTA, Elena Vesnina venceu uma final nervosa contra a compatriota Svetlana Kuznetsova. Nas duplas, Marcelo Melo e Lukasz Kubot conseguiram finalmente um grande resultado em 2016. Após a conclusão do torneio de Indian Wells, o podcast Quadra 18 está de volta para comentar o que rolou de mais interessante na Califórnia durante as últimas duas semanas.

Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu falamos do momento “diferente” de Djokovic, da possível arrancada de Nick Kyrgios e das fases nada espetaculares dos atuais números 1 do mundo, Andy Murray e Angelique Kebrer. Também comentamos a polêmica sobre a final russa da WTA – houve quem não gostasse, da chance perdida de Karolina Pliskova e do que esperar de Melo e (principalmente de) Kubot. Para ouvir, basta clicar no player abaixo. Se preferir baixar e ouvir depois, clique neste link com o botão direito do mouse e selecione “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’15” – Alexandre Cossenza apresenta os temas
0’40” – A campanha de Federer até o título em Indian Wells
5’05” – Existe alguém jogando em nível para parar Roger Federer em 2017?
6’36” – A bolinha é ruim, muito ruim ou ruim pra c…? Algum jogador reclama abertamente disso em Indian Wells?
8’12” – As campanhas de Murray e Djokovic, e o que faz mais falta ao Nole?
11’06” – É o começo do “deslanchar” de Nick Kyrgios?
13’13” – Já devemos nos preocupar com o futuro de Murray na temporada?
15’15” – Sheila Vieira e o fã clube de Stan Wawrinka
17’05” – California Gurls (Katy Perry)
17’32” – O título feliz da feliz e carismática Elena Vesnina
21’33” – A chave menos complicada de Svetlana Kuznetsova
22’11” – Karolina Pliskova e uma chance perdida
23’12” – Vesnina x Kuznetsova é uma final ruim para o tênis feminino?
27’28” – O momento de Angelique Kerber e sua volta ao posto de número 1
29’20” – Murray e Kerber estão decepcionando como líderes do ranking?
31’05” – Queen of California (John Mayer)
31’33” – Melo e Kubot engrenam depois do vice em Indian Wells?
37’48” – Kubot é o novo Peya?
38’09” – A boa campanha de Soares e Murray em uma chave duríssima
40’11” – Mahut, Kontinen e a briga pelo número 1 de duplas
42’25” – Miami e as ausências de Serena, Murray e Djokovic
43’44” – Quem quer vencer slam precisa abrir mão de jogar Masters 1.000?
45’13” – Bia Haddad Maia e seu convite para o WTA de Miami


Precisamos considerar a hipótese de Federer como número 1 outra vez
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Alexandre Cossenza

Tudo bem, são só dois meses e meio de temporada. Tudo bem, Andy Murray ainda lidera o ranking mundial com folga. A contar desta segunda-feira, 20 de março, o britânico tem mais de 3 mil pontos sobre Novak Djokovic, o vice-líder. Só que esses dois meses e meio incluíram um slam, um Masters 1000, e Roger Federer venceu ambos. Não dá para jogar o assunto para baixo do tapete. Já é preciso considerar a possibilidade de ver o suíço como número 1 do mundo mais uma vez.

Não só pelo começo de ano estrondoso do suíço. Novak Djokovic ainda não fez nada de relevante em 2017, e o máximo que Andy Murray conseguiu foi vencer um ATP 500. O britânico caiu na estreia em Indian Wells e não estará em Miami. O sérvio, eliminado nas oitavas na Califórnia, também será ausência na Flórida. Enquanto isso, Federer viaja embalado, dono do melhor tênis jogado no ano.

Ainda faltam três slams, oito Masters 1.000 e um ATP Finals. Ninguém está dizendo que é provável ou muito provável a volta de Federer ao topo. Mas talvez seja um momento bom para observar o que joga a favor ou contra esse cenário.

O que ajuda

– O que já aconteceu: Federer jogou três torneios, ganhou dois e somou 3.045 pontos. O segundo colocado no ranking da temporada é Nadal, com 1.635 – pouco mais da metade. É de se esperar que Djokovic e Murray somem mais pontos nos próximos meses. Até agora, contudo, o sérvio somou só 475, enquanto o britânico acumula 840. A vantagem do suíço é considerável.

– O pequeno desgaste: Não dá para dizer que Federer está cansado. Até agora, esteve em três torneios. Perdeu na segunda rodada em Dubai e ganhou AO e IW, dois eventos com um dia de intervalo entre a maioria dos jogos. Na Califórnia, venceu uma partida por WO e só entrou em quadra cinco vezes. Não jogou três sets nenhuma vez, e a apresentação mais longa durou 1h34min. Resumindo? Somando o estilo de jogo “econômico” para o corpo e a facilidade das vitórias recentes, o suíço está em ótima forma e sem desgate acumulado.

O que pode jogar contra

– A idade é sempre o primeiro ponto de interrogação. Lesões são mais frequentes quando um atleta tem 35 anos. Embora não lide com nenhum incômodo no momento, esse tipo de coisa acontece sem aviso. Foi assim ano passado. Oficialmente, o problema no joelho, aquele que exigiu uma cirurgia e deixou o suíço seis meses sem jogar, começou fora de quadra.

– O calendário reduzido. Quanto menos torneios, menor a margem para atuações ruins. Federer já avisou que vai jogar menos em 2017, mas ainda não está claro o quão enxuta será a lista de eventos. Ele vai cortar a temporada de saibro inteira? Parece improvável. Ficará fora de algum outro Masters 1000? Possivelmente, mas de quantos? Ninguém sabe ainda.

Administrando as expectativas

Federer e qualquer outro tenista sabem a loucura que é repercussão quando alguém diz “vou atrás do número 1”. Por isso, o discurso padrão do Big Four quase sempre foi “o ranking não é minha prioridade”, “quero jogar bem”, “se estiver jogando bem, o ranking vai refletir isso”, etc. e tal. A versão atual do suíço não é muito diferente. Após vencer a semi, Federer disse com todas as letras que há uma possibilidade e que ele adoraria ser número 1 de novo. Mas isso tudo vem numa análise realista de suas chances e numa tentativa de conter a expectativa. Leiam:

“Como não vou jogar muito, é de se imaginar que eu precisaria ganhar provavelmente outro grand slam para isso acontecer. Como já tenho um no bolso, acho que existe uma possibilidade. Além disso, estou jogando bem aqui, fora dos grand slams, mas os slams dão tantos pontos que é provavelmente onde eu teria que ir longe mais uma novamente. E um talvez não seja suficiente porque eles vão elevar seu nível de jogo.”

“Eles vão elevar seu nível e vão ganhar torneios de novo. Então só porque Novak pode não jogar em Miami e porque Andy não vai e estou na final aqui, não muda nada no meu calendário. Eu adoraria ser número 1 outra vez, mas qualquer coisa que não seja número 1 do mundo não é interessante para mim. Então é por isso que o ranking não é uma prioridade agora. É ficar saudável curtir os torneios que eu jogar e tentar vencê-los.”

Entre o possível e o provável

É claro que é cedo para fazer previsões e dizer que Federer tem uma enorme chance de voltar ao topo do ranking. O que não se pode fazer é, diante de seu altíssimo nível de jogo e do começo de ano pouco empolgante de Murray e Djokovic, ignorar essa possibilidade. Se o próprio suíço hoje em dia adota cautela, é de se esperar que a postura mude à medida em que o número 1 começar a se tornar algo palpável. Até o calendário enxuto pode ganhar umas datas a mais. O certo é que hoje essa hipótese não pode ser ignorada. Quem sabe?

Coisa que eu acho que acho:

– Sobre o calendário reduzido de Federer, não me parece nada impossível que ele alcance o número 1 jogando de 13 a 15 torneios na temporada. Quinze parece um número bastante razoável, nada exagerado, e não deve ser muito menos do que Djokovic, Murray e Nadal disputarão. Basta lembrar que em 2016, sem contar os Jogos Olímpicos e a Copa Davis (que não contam pontos para o ranking mundial), Murray esteve em 16 torneios, enquanto Djokovic disputou 15.


Quadra 18: S03E03
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Alexandre Cossenza

Rio Open, Brasil Open e o começo de Indian Wells. O podcast Quadra 18 demorou, mas finalmente está de volta, falando sobre um pouco de tudo que aconteceu nas últimas três semanas de tênis. Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu discutimos assuntos “quentes” como os problemas físicos de Thomaz Bellucci, os wild cards para Maria Sharapova, a opção de Bruno Soares e Marcelo Melo por Acapulco em vez de São Paulo, o momento de Novak Djokovic, o futuro do Rio Open e até por onde anda o comentarista do SporTV Dácio Campos.

Para ouvir, basta clicar no player abaixo. Se preferia baixar para ouvir em casa, clique neste link com o botão direito do mouse e selecione “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’15” – Sheila Vieira apresenta os temas
2’02” – A estreia de Bellucci contra Nishikori, e a dura adaptação do japonês
4’45” – Os problemas físicos de Bellucci contra Thiago Monteiro
5’48” – O quanto foi ruim enfrentar Monteiro logo após derrotar Nishikori
6’18” – O “surgimento” de Casper Ruud
7’50” – A história de Christian Ruud, pai de Casper, que enfrentou Guga e Meligeni
8’25” – O título sem ameaças de Dominic Thiem
10’53” – Por que Carreño Busta e Ramos Viñolas são pouco reconhecidos?
12’20” – A chave de duplas e o carisma de Jamie Murray
14’23” – Marcelo Melo e suas declarações sobre a parceria com Lukasz Kubot
19’00” – O primeiro Rio Open sem WTA foi melhor ou pior?
23’27” – Pablo Cuevas, o título do Brasil Open e a chuva interminável
25’53” – Os problemas físicos e a falta de motivação de Thomaz Bellucci
27’08” – Por que tenista são “julgados” quando entram em quadra mal fisicamente?
28’45” – A boa chave do Brasil Open apesar da péssima data no calendário da ATP
30’17” – O título de Rogerinho e André Sá, e a ascensão de Demoliner nas duplas
32’47” – André Sá voltará a jogar com Leander Paes?
33’50” – A opção de Bruno e Marcelo por jogam em Acapulco em vez de São Paulo
37’08” – O bairrismo Rio-São Paulo
38’00” – Comparando Guga no Sauípe e Bruno/Marcelo em Acapulco
39’38” – Under the Bridge (Red Hot Chilli Pepers)
40’10” – Indian Wells e o quadrante com Djokovic, Delpo, Nadal, Federer, Kyrgios e Zverev no mesmo quadrante
42’40” – O mantra “o que está acontecendo com Djokovic?”
44’50” – Nadal em Acapulco, Murray e Federer em Dubai
46’21” – “Eu espero dignidade de Marin Cilic”
47’37” – Quem ganha o Masters de Indian Wells? Hora dos palpites!
48’43” – É justo Sharapova receber convites após a suspensão por doping?
55’18” – Serena Williams, mais uma lesão e como a chave mudou sem ela
57’37” – Palpites: quem é a favorita para o WTA de Indian Wells?
59’10” – A chave de Djokovic pode fazer ele atuar como Serena no AO 2017?
59’38” – A falta de público no Rio Open é culpa da organização ou da falta de tradição brasileira no tênis?
61’20” – O Brasil Open soluciona problemas melhor do que o Rio Open?
61’44” – Por onde anda Dácio Campos? Ele vai comentar Indian Wells?
62’37” – Kerber voltará dignamente ao #1? Veremos evolução no jogo dela?
63’45” – Há alguma chance de Melo não completar a temporada com Kubot?
63’57” – O Rio Open pode virar Masters 1000? Qual a chance de virar piso duro?
66’45” – Os valores de ingressos em Rio e SP valeram pelos atletas que vieram e pelo tênis jogado?

Importante:

– Tivemos problemas de som no meu áudio durante a gravação. Por isso, algumas das minhas falas estão incompletas. Pedimos desculpas, mas os cortes no meu áudio só foram percebidos durante a edição.


Quadra 18: S03E02
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Alexandre Cossenza

Roger Federer voltou a vencer um slam em cima de Rafael Nadal, Serena Williams voltou a derrotar a irmã Venus em uma decisão, e o tênis viveu um fim de semana dos mais memoráveis no Australian Open. Mas houve muito mais do que isso nas duas semanas do torneio. Djokovic, Murray e Kerber foram vítimas de zebras, Coco Vandeweghe finalmente surgiu como nome forte em um torneio grande, Mirjana Lucic-Baroni protagonizou a história mais feliz… É muito assunto!

Como sempre, Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu nos reunimos para gravar mais uma edição do podcast Quadra 18. Comentamos tudo citado acima e um pouco mais. Falamos dos modelitos bonitos e feios, do noivo de Serena e até do poema de Melbourne! Para ouvir, basta clicar no player abaixo. Se preferir baixar para ouvir depois, é só clicar neste link com o botão direito do mouse e selecione “salvar como”.

Os temas

0’30” – Aliny Calejon apresenta os temas
2’30” – Roger Federer e a campanha até o título
9’15” – A decisão de Federer de abrir mão do 2º semestre de 2016
10’50” – O suíço se defendeu melhor neste Australian Open?
13’55” – O que faltou para Nadal na hora decisiva?
16’45” – O que a final significa para a rivalidade Federer x Nadal?
18’10” – O quão importante é a disputa por mais títulos de slam?
21’20” – Teremos mais finais “vintage” este ano ou foi uma exceção?
22’21” – Qual a importância de Ljubicic e Moyá no “retorno” de Federer e Nadal?
25’45” – Federer e Nadal vão continuar lutando por títulos de slams e Masters?
27’30” – Federer vai pular a temporada de saibro novamente?
29’35” – Nadal já pode ser considerado favorito para Roland Garros?
30’15” – Federer e Nadal teriam feito a final sem as derrotas de Djokovic e Murray?
31’04” – As zebras de Istomin e Zverev em cima de Djokovic e Murray
35’30” – Que zebras em outros slams são comparáveis a essas?
37’33” – O desfecho do AO será motivação extra para Djokovic e Murray?
38’40” – Dimitrov pode entrar na briga pelos slams?
41’18” – As surpresas e decepções do Australian Open
45’40” – O quanto a quadra mais rápida ajudou Federer no torneio?
47’51” – Quadras mais rápidas serão tendência no circuito?
49’48” – The Greatest (Sia)
50’34” – As campanhas das irmãs Williams
57’50” – Por que 18 > 23 na matemática tenística?
59’25” – O quanto o recorde de slams da Court deve ser relevante para Serena?
63’17” – E a campanha da Nike sobre Serena como maior de todos os tempos?
64’32” – Precisamos falar de Coco Vandeweghe
70’50” – A fantástica história de Mirjana Lucic-Baroni
73’25” – O que acontece com Angelique Kerber?
76’18” – Muguruza é tenista de um slam só?
77’48” – O noivo de Serena Williams e o Reddit
79’57” – High and Low (Two Vines)
80’30” – A campanha de Kontinen e Peers, campeões de duplas
84’35” – Qual o segredo de Kontinen e Peers?
85’45” – Os Bryans vão voltar a ganhar um slam?
87’05” – As campanhas dos brasileiros em Melbourne
89’35” – Marcelo Melo acertou na escolha de Kubot como parceiro?
92’45” – A campanha de André Sá e Leander Paes
94’25” – Como o título de Kontinen e Peers afeta a briga pela liderança do ranking
95’45” – Qual foi o GIF mais épico da Aliny no Australian Open?
97’40” – Mais reclamações sobre a camisa de Roger Federer
103’20”- O poema de Melbourne é eficaz ou contraproducente?


AO, dia 12: a força de Rafa, o brilho de Grigor e a final dos sonhos
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Alexandre Cossenza

Faltou ar e não foi pouco. Dois tie-breaks, ralis obscenos, bolas improváveis riscando milímetros de linha, break point para cá, chances de quebra para lá… Durante a maior parte das 4h56min, Rafael Nadal e Grigor Dimitrov foram aos limites da quadra, das pernas, da cabeça e do coração. Lançaram equações ao rival, desenharam fórmulas e encontraram soluções. Até que o último backhand errado do búlgaro decretou: 6/3, 5/7, 7/6(5), 6/7(4) e 6/4. Nadal está na final do Australian Open mais uma vez e vai fazer o jogo dos sonhos com Roger Federer.

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A força de Rafa

Tirando o primeiro set, este memorável Nadal x Dimitrov não teve um momento de tranquilidade para tenista algum. E a primeira parcial nem foi tão folgada assim. O espanhol precisou sair de 15/40 já no game inicial antes de quebrar o oponente no quarto game e aproveitar a vantagem. O segundo set foi insano, com os dois nervosos e errando muito. Depois de duas quebras para cada lado, Nadal escapou de quatro set points no décimo game, mas Dimitrov não repetiu o vacilo de Raonic dois dias antes. No 12º game, finalmente quebrou e empatou o jogo.

O duelo para atacar primeiro existiu desde o início. Nadal buscava o backhand de Dimitrov e ganhava mais ralis. O búlgaro sacava melhor, corria mais riscos do fundo de quadra e mantinha tudo equilibrado. Tão equilibrado que dois tie-breaks foram necessários. No primeiro, ganhou a cautela de Nadal, que exigiu riscos de Dimitrov. O búlgaro errou mais e perdeu por 7/5. No segundo, o azarão (quase injusto escrever isso após um jogo assim) se impôs na devolução. Levou por 7/4.

E aí veio o quinto set, com todo drama que faz parte da definição de um quinto set. Dimitrov já saiu de um 15/40 no primeiro game, muito graças a um forehand insano na paralela. Nadal também salvou break point no segundo game. Os dois tinham problemas para confirmar. No oitavo game, foi Nadal que encarou um 15/40. Primeiro, disparou uma paralela enorme de backhand. Depois, subiu à rede com eficiência. A pressão estava de novo na raquete de Dimitrov.

Foi o búlgaro, no fim das contas, quem não resistiu. No 30/40, escolheu subir à rede no forehand do espanhol. Pagou o preço. E assim, 4h56min depois, Nadal confirmou a final contra Roger Federer.

Mais de cinco anos depois, a final dos sonhos

Até o fim da década passada, era quase regra. Pelo menos uma vez por ano, Rafael Nadal e Roger Federer se encontravam em uma final de Slam. Foram duas em 2006, mais duas no ano seguinte, duas em 2008 e uma em 2009 – sem contar a semi/final antecipada de Roland Garros em 2005.

A última vez que isso aconteceu foi na decisão do Slam francês em 2011. Depois daquele jogo, Nadal e Federer oscilaram, enquanto Djokovic dominava. Em 2010, o suíço teve dois match points para encontrar Nadal na final do US Open, mas cedeu a virada para o sérvio na semifinal. Em 2011, o raio caiu pela segunda vez no mesmo lugar. Federer teve dois match points, e Djokovic milagrosamente avançou.

Quando Nadal esteve voando, em 2013, Federer teve lesões. O suíço, por sua vez, jogou finais em 2014 e 2015, mas Nadal ficou pelo caminho. E agora, com o espanhol em nono no ranking e o suíço em 17º, era improvável. Quase impossível. Os dois, afinal, poderiam ter sido sorteados no mesmo lado da chave. Só que não. E ainda contaram com as quedas precoces de Murray e Djokovic.

A rivalidade em números

Será o 35º jogo entre Federer e Nadal. O espanhol leva vantagem em confrontos diretos, com 23 vitórias e 11 derrotas. Em Slams, são 11 encontros, com nove triunfos de Nadal. Em Melbourne, são três duelos – todos vencidos pelo espanhol. E ao todo, em quadras duras (indoor e outdoor), o retrospecto é de 9 a 7 para Rafa.

Em finais de Slam, o placar mostra 6 a 2 para Nadal – Federer venceu em Wimbledon em 2006 e 2007. Nadal venceu em Roland Garros (2006, 07, 08 e 11), Wimbledon (2008) e em Melbourne (2009).

Os 12 encontros de Federer e Nadal em Slams nem são um recorde na Era Aberta. A maior marca é de Federer x Djokovic, com 15 jogos. O segundo lugar é o duelo Djokovic x Nadal, que já aconteceu 13 vezes nesse tipo de torneio.

Contando todo tipo de torneio, a rivalidade Federer x Nadal divide a sexta posição entre os duelos mais jogados. Djokovic x Nadal, com 49, tem o recorde, seguido de Djokovic x Federer (45), Lendl x McEnroe (36), Connors x Lendl (36), Djokovic x Murray (36), Connors x McEnroe (35) e Becker x Edberg (35).

A evolução de Dimitrov

Depois de um 2016 abaixo das expectativas, que incluiu uma série de seis derrotas de Istambul até Queen’s e fez seu ranking cair para #40, o ex-top 10 se reencontrou, agora com a ajuda do treinador Dani Vallverdu (ex-Murray e Berdych). Começou o ano com o título de Brisbane (bateu Thim, Raonic e Nishikori em sequência) e esteve a alguns pontos da final do Australian Open.

A atuação contra Rafa Nadal foi uma ótima vitrine para seus avanços. Sacou bem, mostrou um backhand bastante sólido e, principalmente, manteve-se bem fisicamente durante as quase cinco horas de jogo. Sai de Melbourne como número 12 do mundo e, com folga, como o não-top-10 em melhor forma – sem contar Roger Federer porque o suíço só está no ranking atual por causa da ausência de seis meses provocada por lesão.

A Liga Retrô: por que agora?

Não é só o inquestionável talento que juntou quatro tenistas com mais de 30 anos nas finais do Australian Open. Há um punhado de outros fatores que, com maior ou menor peso, precisam ser levados em conta nessa equação.

No caso de Federer, é inegável que a velocidade da quadra ajudou – como deve ajudar contra Nadal. Com um piso mais rápido, o suíço conseguiu impor um jogo mais agressivo e evitar um número maior de ralis contra Kei Nishikori e Stan Wawrinka, por exemplo. Tanto o japonês quanto o atual número 1 da Suíça teriam mais chances em pisos mais lentos.

O mesmo vale para Venus Williams, que também é dona de um jogo agressivo e não tem a melhor defesa do circuito – normal para quem tem 1,85m de altura e 36 anos. Além disso, as principais candidatas a derrubar a americana ficaram pelo caminho. Simona Halep, cabeça 4, tombou na estreia. Garbiñe Muguruza, a cabeça 7, foi vítima de uma atuação inspirada de Coco Vandeweghe. Venus chega à decisão após passar por Kozlova, Voegele, Duan, Marthel, Pavlyuchenkova e Vandeweghe. Não é a mais dura das chaves em um Slam.

Por fim, apenas registrando o óbvio e que já foi extensamente discutido, o circuito “envelheceu” graças a técnicas de recuperação mais avançadas e que permitem que atletas joguem em alto nível por mais tempo. E, insistindo no óbvio, os quatro são tenistas espetaculares.

As campeãs

A final de duplas foi disputada na tarde desta sexta e terminou com mais um título de Bethanie Mattek-Sands, atual número 1 do mundo, e sua parceira, Lucie Safarova. O chamado “Team Bucie” superou Andrea Hlavackova e Shuai Peng na decisão por 6/7(4), 6/3 e 6/3.

É o quarto Grand Slam da parceria e o segundo em Melbourne. Juntas, Mattek-Sands e Safarova também venceram o Australian Open em 2015, Roland Garros/2015 e o US Open/2016.

A final de duplas masculinas está marcada para este sábado e vai começar após a final feminina entra Serena e Venus Williams.


AO, dia 11: uma decisão em família e cinco sets suíços
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Alexandre Cossenza

O Australian Open retrô de 2017 continua com força total. Primeiro, Venus, 36 anos. Em seguida, Serena, 35. Por último, Federer, 35. Os três venceram nesta quinta-feira, nas semifinais, e estarão nas finais de sábado e domingo. O resumaço do dia conta como isso aconteceu, menciona números, idas ao banheiro e lembra também que os irmãos Bryan, 38, também jogarão pelo título em Melbourne.

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As irmãs

Dezenove anos depois de seu primeiro confronto no circuito – também em Melbourne – Venus e Serena Williams vão duelar pela 28ª vez na final de sábado. Suas semifinais foram vencidas de modo bem diferente.

Primeiro, Venus teve de lidar com a potência de Coco Vandeweghe, que fez um primeiro set competente e saiu na frente no placar. A jovem de 25 anos tinha peso nos golpes para agredir a veterana, mas não conseguiu nem manter o nível da primeira parcial nem encontrar uma maneira de se aproveitar da movimentação lateral de Venus, que não é das melhores (36 anos, 1,85m de altura).

Coco usou poucos ângulos e, quando o fez, se deu mal. Afinal, ela também não é a tenista mais rápida do circuito. Defender não é seu forte. Logo, ficou sem opções produtivas. Venus virou, fechou em 6/7(3), 6/2 e 6/3, e se tornou a finalista mais velha do Australian Open na Era Aberta (a partir de 1968).

O segundo jogo desta quinta-feira foi a semifinal mais velha da Era Aberta, e não foi nada equilibrada. Serena Williams (35 anos e 4 meses) dominou e acabou transformando em abóbora a carruagem do conto de fadas de Mirjana Lucic-Baroni (34 anos, 10 meses): 6/2 e 6/1. Foi mais uma das partidas dominantes de Serena, que não navegava pela chave de um Slam dessa maneira desde pelo menos 2015.

No duelo com a irmã mais velha, Serena terá a chance de retomar a liderança do ranking e de deixar para trás Steffi Graf, tornando-se de forma isolada a maior vencedora de Slams em simples na Era Aberta. Hoje, ambas têm 22 títulos. O recorde geral ainda é de Margaret Court, com 24.

Os cinco sets suíços

Na chave masculina, a primeira semifinal correspondeu às expectativas. Teve drama, pontos espetaculares, duas atendimentos médicos um tanto malandros e cinco sets. Não dava para pedir mais. No fim, Federer, 35 anos, conquistou a vaga na decisão por 7/5, 6/3, 1/6, 4/6 e 6/3 e com um quinto set mais tenso do que o placar sugere.

Quanto à história do jogo, o cabeça 17 fez dois sets quase perfeitos, atacando e variando, sem deixar Wawrinka confortável em momento algum. Irritado, Stan quebrou uma raquete e pediu atendimento médico ao fim da segunda parcial. Voltou mais solto e se aproveitando de um Federer não tão sólido. Atropelou e aproveitou e manteve o embalo no quarto set. Bateu ainda mais forte na bola, fez passadas de direita e esquerda – inclusive de slice – e conseguiu uma quebra no nono game para forçar um dramático quinto set.

Aí foi a vez de Federer receber atendimento no banheiro e deixar o jogo parado por oito minutos. Após a partida, o próprio Roger admitiria a malandragem ao dizer “eu nunca peço tempos médicos, o Stan já pediu o dele, as pessoas não vão ficar bravas. Espero que o Stan não fique bravo. Foi na troca set, você espera que algo funcione”, para risos do público e de Jim Courier, o entrevistador.

A paralisação não mudou muito a partida. Wawrinka continuava levando a melhor quando conseguia iniciar ralis do fundo de quadra. E, no fim das contas, o duelo foi decidido no velho clichê das “chances aproveitadas”. Stan teve dois break points em games diferentes. Não conseguiu converter. Federer teve apenas uma chance de quebra. Nem precisou jogar. Contou com uma dupla falta. Crime sem direito a liberdade condicional. Game, set, match, Federer.

Três sets para Federer x Nadal

A segunda semifinal masculina será nesta sexta-feira, e o oponente de Federer será Grigor Dimitrov ou Rafael Nadal. A essa altura, a expectativa mundial é por um triunfo de Nadal e mais uma partida memorável entre suíço e espanhol na decisão. Se acontecer, será o quarto jogo entre eles em Melbourne. Há muitos números e fatores incontáveis a considerar em um eventual clássico “Fedal”, mas convém mencionar isso em um post futuro – caso Nadal confirme o favoritismo.

Final retrô também nas duplas

Bob e Mike Bryan, 38 anos, estão de volta a uma final de Slam. Eles não levantam um troféu nesse nível desde 2014, o que soa como um jejum enorme para os gêmeos americanos. A vaga veio com uma vitória sobre Pablo Carreño Busta e Guillermo García López por 7/6(1) e 6/3.

Os Bryans tentarão seu 17º título, o que os igualaria a John Newcombe, maior vencedor de Slams em duplas. A final será contra John Peers e Henri Kontinen, que derrubaram os wild cards Marc Polmans e Andrew Whittington por 6/4 e 6/4.


AO, dia 10: o conto de fadas de Lucic-Baroni e os 6 set points de Raonic
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Alexandre Cossenza

O Australian Open terminou de definir suas semifinais com duas histórias memoráveis. Primeiro, com Mirjana Lucic-Baroni vencendo outra vez e escrevendo novas linhas no que poderia muito bem ser roteiro de filme de Hollywood. Mais tarde, com Rafael Nadal superando Milos Raonic em um duelo que foi praticamente decidido nos seis set points que o canadense teve na segunda parcial.

O resumaço de hoje trata das últimas quartas de final e, claro, da expectativa por finais “vintage”. Afinal, O primeiro Slam da temporada pode ter Federer x Nadal e Williams x Williams no fim de semana. E sim, estamos em 2017.

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O conto de fadas

O jogo em si foi ruim de ver. Foram muitos winners, muitos erros e quase nenhum rali. Variações táticas não existiram. E, no fim, Mirjana Lucic-Baroni derrubou Karolina Pliskova por 6/4, 3/6 e 6/4. O triunfo colocou a veterana de 34 nas semifinais e escreveu algumas páginas a mais no conto de fadas da croata nascida na Alemanha, casada com um ítalo-americano, residente da Flórida e que agora brilha em Melbourne (coisas fantásticas acontecem quando as pessoas têm oportunidades além das fronteiras de seus países, não?).

Digo “conto de fadas” porque a história de Lucic-Baroni vai muito além da figura de uma veterana alcançando as semifinais de um Slam. A croata era uma das maiores promessas do tênis no fim da década de 1990. Foi campeã (adulta!) de duplas no próprio Australian Open quando tinha 15 anos, em 1998. Um ano antes, já tinha vencido o primeiro WTA que disputou. Foi bicampeã do evento com 16 anos. Aos 17, foi semifinalista de Wimbledon 1999.

Foi aí, no entanto, que problemas particulares interferiram. Nas entrevistas deste Australian Open, Lucic-Baroni evita tocar no assunto e só diz que as pessoas não sabem da metade de sua história. E a metade conhecida já é assustadora o bastante. Ela e a mãe deixaram a Croácia e fugiram para a Flórida por causa de abusos do pai (ele nega e nunca foi condenado, é bom esclarecer). A adolescente saiu do top 100 e passou a enfrentar problemas financeiros. Foi processada pela IMG, empresa que administrava sua carreira.

Até hoje, joga sem patrocínio. Compra roupas por conta própria, veste o acha mais interessante, não importa a marca. Lucic-Baroni só conseguiu voltar a jogar eventos de nível WTA em 2010 – uma década mais tarde. Esta reportagem do New York Times conta tudo com mais detalhes (leitura altamente recomendada!).

Quando avançou às quartas de final, mandou um recado forte: “f___ tudo e todo mundo. Quem quer que seja que te diga que você não pode, apenas apareça e faça com o coração” (vide vídeo acima). Pois é. Nas semifinais, a atual #79 do mundo garante a entrada no top 30 e o melhor ranking da carreira.

Ao completar o triunfo sobre Pliskova – que incluiu uma sequência impressionante depois de uma ida ao banheiro no terceiro set – Lucic-Baroni não segurou as lágrimas e deu um longo abraço na entrevistadora da vez, a ex-tenista Rennae Stubbs. A australiana, aliás, foi a primeira adversária de Lucic-Baroni em Melbourne, lá atrás, em 1998 – e a croata venceu.

No meio de toda essa emoção, mandou outra mensagem: “Sei que significa muito para qualquer jogador chegar às semifinais, mas para mim isso é arrebatador. Nunca vou esquecer este dia e as últimas semanas. Isto fez minha vida e tudo ruim que aconteceu ficar ok. O fato de eu ser tão forte e que valeu a pena lutar tanto é realmente incrível.” Precisa dizer mais?

A próxima página dessa história terá Serena Williams, já que a #2 do mundo terminou com a sequência e vitórias de Johanna Konta por 6/2 e 6/3. A britânica, #9 do ranking, ainda não havia perdido sets em Melbourne e já somava nove triunfos consecutivos, já que vinha do título no WTA de Sydney.

Não foi uma partida tão parelha quanto muita gente esperava. Agora, depois do encontro, parece justo dizer que foi um daqueles dias em que Serena entrou em quadra especialmente concentrada e disposta a atropelar. A americana adora enfrentar oponentes badalados pela imprensa e pelos fãs. Poucas coisas a motivam mais do que ouvir que alguém “tem boas chances de eliminar Serena.” Não foi diferente nesta quarta-feira.

Serena, vale lembrar, pode reassumir a liderança do ranking mundial. Após a derrota de Angelique Kerber diante de Coco Vandeweghe, só depende da veterana. Serena precisa ser campeã para voltar ao topo.

O caso dos seis set points

O grande jogo masculino desta quarta-feira foi o que definiu o último semifinalista e que abriu a sessão noturna na Rod Laver Arena. Rafael Nadal e Milos Raonic fizeram a partida que vinha sendo considerada como a semifinal antecipada. O espanhol, derrotado há algumas semanas em Brisbane pelo canadense, deu o troco: 6/4, 7/6(7) e 6/4.

Em uma breve análise tática, é possível dizer que Nadal foi competente com seu serviço (sem forçar demais e sem dar tantas chances para que o rival atacasse seu segundo saque), conseguiu devolver um número interessantes de saques do canadense (e sem recuar demais) e foi mais competente nos momentos de pressão, quando precisou salvar break points.

Só que nenhuma história do jogo ficaria completa sem mencionar os seis set points de Raonic na segunda parcial. Os três primeiros vieram no décimo game, com Nadal sacando em 4/5 e cometendo três erros atípicos. O espanhol jogou bem em dois desses break points, mas permitiu que Raonic entrasse em vantagem num rali. O canadense, contudo, errou um backhand despretensioso.

Depois, Raonic teve mais três set points no tie-break. Abriu 6/4 com um lindo lob vencedor, mas sacou em 6/5 e cometeu uma dupla falta. Ainda teve outra chance no 7/6, mas Nadal jogou bem. E quem não aproveita seis set points contra Nadal acaba pagando o preço. Pagou caro.

Classificado para a semifinal e com seu melhor resultado em um Slam desde Roland Garros/2014, Nadal vai encarar o também “renascido” Grigor Dimitrov, que derrubou David Goffin por 6/3, 6/2 e 6/4. O búlgaro, campeão do ATP 250 de Brisbane na primeira semana do ano, vem de dez vitórias consecutivas.

Federer x Nadal no horizonte

Antes do torneio, Roger Federer deu uma entrevista ao New York Times, dizendo que o Australian Open seria épico. Um pouco por causa de seu retorno após seis meses sem competir, mas também pelos momentos de Andy Murray, número 1, Novak Djokovic, o rei destronado, e Rafael Nadal, tentando encontrar uma forma de voltar a brigar por títulos grandes.

Duas semanas depois, o mundo do tênis está a dois jogos de ver mais uma final entre Federer e Nadal. E mais: nas semifinais, os dois são favoritos nas casas de apostas. O suíço, contra seu compatriota Stan Wawrinka; o espanhol, contra Grigor Dimitrov. A ansiedade é geral. A última final de Slam entre eles foi em Roland Garros/2011. Desde então, houve dois encontros em Melbourne, mas ambos nas semis.

Mais “vintage” que isso, só se o Australian Open nos brindar com uma final Williams x Williams na chave feminina. Serena enfrenta Lucic-Baroni, enquanto Venus encara Coco Vandeweghe. Não parece nada impossível, hein?

Leitura recomendada

Indicação de Fernando Nardini, que contou a história durante a transmissão nesta madrugada: em entrevista ao jornal La Nación, Juan Mónaco fala sobre sua lesão no punho, como adiou a cirurgia tomando injeções de cortisona enquanto pôde e o quanto pensa em deixar o tênis profissional. É um papo longo, com várias revelações e até alguns momentos descontraídos, como relatos de jogos de PlayStation com Rafael Nadal, Carlos Moyá e David Ferrer. Leia aqui.


AO, dia 6: a vez do Nadal ‘vintage’
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Alexandre Cossenza

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A edição 2017 do Australian Open está definitivamente sendo saborosa para os apreciadores dos maiores vencedores de Slams em atividade. Menos de 24 horas depois de uma atuação clássica de Roger Federer, foi a vez de Rafael Nadal conquistar uma vitória enorme de um jeito que ninguém fez melhor nos últimos tempos. Com luta, em cinco sets, em 4h06min de jogo e terminando com um adversário esgotado e com cãibras do outro lado da rede.

Lembrou o melhor Nadal, aquele das vitórias sobre Verdasco e Federer no mesmo Australian Open em 2009, do triunfo sobre Djokovic em Roland Garros 2013 (ou Madri/2009), de tantas e tantas vitórias que exigiram tanto da tática e da técnica quanto de algo extra: a força mental, altíssima ao longo de todo jogo, e a preparação física. Alexander Zverev, 19 anos e dono de um tênis (quase) completo (falta ir à rede), foi um adversário notável, mas que não conseguiu se equiparar durante o tempo necessário e acabou como vítima de um majestoso triunfo por 4/6, 6/3, 6/7(5), 6/3 e 6/2.

Resumir o Nadal de hoje – ou o melhor Nadal ou qualquer Nadal – à figura de um gladiador, ainda que tentador, é burrice. O próprio Rafa cedeu momentaneamente quando entrevistado por Jim Courier após o jogo. Ao explicar ao ex-tenista como venceu o jogo, começou com uma resposta curta: “Lutando.” Ganhou aplausos e sorrisos, mas continuou a resposta fazendo uma enorme análise tática. Sim, Nadal nem havia saído da quadra e tinha o jogo inteiro na cabeça. Se você leitor, acha que é fácil, sugiro prestar mais atenção nas tantas respostas rasas das entrevistas pós-jogo de outros aletas.

Talvez não exista ilustração melhor sobre este Nadal inteligente do que a partida deste sábado na Rod Laver Arena (RLA). Porque o Nadal de hoje é agressivo, gosta de e precisa jogar mais no ataque, mas os saques e golpes de fundo de Zverev assustam. No primeiro set, bastou uma quebra – no primeiro game – para que o alemão saísse na frente. A potência fazia diferença.

Rafa, o cabeça 9, fez ajustes. Passou a usar slices, variou o peso de bola e usou todo tipo de saque em seu arsenal. Mexeu com a cabeça de Zverev, conseguiu uma quebra e equilibrou as ações. O espanhol ainda levava vantagem tática na terceira parcial, mas o adolescente tinha o saque para igualar o duelo. No tie-break, agrediu mais e levou.

Nesse momento, tudo jogava contra. Os 30 anos de idade, o histórico recente de três derrotas seguidas em jogos com cinco sets e até as duas vitórias de Zverev em seus últimos jogos de cinco sets. Nadal passou a devolver o saque lá do fundão e teve resultado. Enquanto o alemão ainda vibrava com o tie-break vencido, Nadal abria 3/0 na parcial. Nesse momento, chegando perto das 3h de jogo, o espanhol parecia mais inteiro, mais senhor do jogo.

O golpe final ainda estava por vir. Nadal quebrou primeiro no quinto set, mas perdeu o serviço pouco depois. Veio, então, o decisivo quinto game. Sim, o quinto. Zverev teve 40/15 e uma bola fácil em sua direita para matar o ponto e fechar o game. Jogou na rede. Com o game em iguais, os tenistas disputaram um espetacular rali de 37 golpes. O alemão ganhou o ponto. O espanhol ganhou o jogo. Ali, ao término do ponto interminável, o adolescente sentiu cãibras.

Nadal castigou. Colocou para correr, deu curtinhas, lobs, ganhou mais ralis. Zverev até que lutou contra o corpo. Foi bravo até o último ponto, tentando o que lhe restava. Nada adiantou. Não ganhou mais um game. O ex-número 1 comemorou e disse que, até pelas derrotas recentes em três sets, foi um dia muito especial. Para ele e para todos. Um clássico. Vintage Rafa.

O adversário

Nas oitavas de final, Nadal vai enfrentar Gael Monfils (#6), que precisou só de três sets para despachar Philipp Kohlschreiber: 6/3, 7/6(1) e 6/4. O último jogo entre eles teve dois sets de altíssimo nível. Foi na final do Masters 1.000 de Monte Carlo de 2016, quando Rafa fez 7/5, 5/7 e 6/0. No total, o retrospecto de confrontos diretos é amplamente favorável ao #9: são 12 vitórias dele contra duas de Monfils.

A favorita

Depois de duas rodadas complicadas contra Bencic e Safarova, Serena Williams encarou uma adversária de menos nome e aproveitou. A compatriota Nicole Gibbs, #92, conseguiu fazer apenas quatro games. A número 2 do mundo completou a vitória por 6/1 e 6/3 em apenas 1h03min, mesmo com números nada estelares: quatro aces, quatro duplas falas, 17 winners e 26 erros não forçados.

A próxima oponente da #2 será a perigosa Barbora Strycova, cabeça 16. A tcheca passou por Kulichkova, Petkovic e Garcia sem perder um set sequer e será um desafio interessante para Serena. Strycova tem golpes para mudar a velocidade do jogo e exigir um pouco mais de movimentação da americana, mas será o bastante para anular a potência da ex-número 1?

Outros candidatos

Na Margaret Court Arena (MCA), Johanna Konta, cabeça de chave número 9, ampliou sua série de vitórias com um massacre sobre Caroline Wozniacki: 6/3 e 6/1. A britânica impôs sua potência desde o início do jogo, dando as cartas e fazendo a dinamarquesa correr de um lado para o outro da quadra. Sem golpes de fundo para mudar a partida e sem tentar grandes variações, a ex-número 1 chegou a perder nove games seguidos antes de “furar o pneu” no fim do segundo set.

Konta agora soma oito vitórias seguidas, emendando com o título do WTA de Sydney. Nas oitavas em Melbourne, ela vai enfrentar a russa Ekaterina Makarova, que jogou muito, jogou nada e jogou muito de novo para derrotar Dominika Cibulkova por 6/2, 6/7(3) e 6/3. O placar puro e simples omite que a russa teve 6/2 e 4/0 de vantagem, perdeu cinco games seguidos, salvou três set points e perdeu a segunda parcial.

Makarova também abriu o terceiro set com uma quebra, mas só para perder o serviço logo em seguida. Na hora de decidir, contudo, aproveitou melhor as chances. Salvou três break points no sétimo game, quebrou Cibulkova no oitavo e fechou no nono. Uma atuação que foi suficiente para vencer neste sábado, mas que possivelmente não resolverá contra a mais consistente Konta.

A eslovaca, por sua vez, saiu lamentando as chances perdidas no terceiro set, quando parecia que o jogo ia mudar de mãos definitivamente.

Dominic Thiem e David Goffin também avançaram. O austríaco bateu Benoit Paire em um jogo com altos e baixos por 6/1, 4/6, 6/4 e 6/4, enquanto o belga dominou Ivo Karlovic e fez 6/3, 6/2 e 6/4. Goffin, aliás, já vinha de um triunfo sobre um sacador. Na primeira rodada, superou Riley Opelka (2,11m) em cinco sets. Agora, Thiem e Goffin duelam por um lugar nas quartas de final.

Cabeça de chave número 3 e mais bem ranqueado na metade de baixo da chave – depois da eliminação de Djokovic – Milos Raonic voltou a avançar. Desta vez, em um jogo mais complicado do que o placar sugere. Gilles Simon resistiu bravamente, mas a derrota no tie-break do parelho segundo set colocou o francês num buraco fundo demais para sair. Simon ainda saiude uma quebra atrás para vencer a terceira parcial, mas a margem para erro era pequena demais, e o canadense acabou fechando em seguida: 6/2, 7/6(5), 3/6 e 6/3. Ele agora encara Roberto Bautista Agut (#14), que venceu o duelo espanhol com David Ferrer (#23): 7/5, 6/7(6), 7/6(3) e 6/4.

Os brasileiros

A rodada começou com uma vitória bastante grande para Marcelo Demoliner. Ele e o neozelandês Marcus Daniell eliminaram os cabeças de chave número 6, Rajeev Ram e Raven Klaasen, por 6/1 e 7/6(4).

O resultado coloca o time nas oitavas de final contra Sam Groth e Chris Guccione, que passarem por Treat Huey e Max Mirnyi: 7/6(10) e 7/6(5). Por enquanto, a campanha já iguala o melhor resultado de Demoliner em Slams. Ele também alcançou as oitavas em Wimbledon/2015 (também com Daniell) e no US Open/2016 (Bellucci). O gaúcho, por enquanto, vai subindo nove posições no ranking e alcançando o 55º posto – o melhor da carreira.

Mais tarde, Marcelo Melo e Lukazs Kubot, cabeças de chave 7, superaram Nicholas Monroe e Artem Sitak e tambem passaram para as oitavas: 6/4 e 7/6(3). O próximo jogo é aquele do climão, já que o mineiro vai encarar seu ex-parceiro, Ivan Dodig, que atualmente joga com Marcel Granollers. Embora ninguém tenha dito nada hostil publicamente, a separação não foi no melhor dos termos e incluiu um péssimo clima no ATP Finals e unfollows em redes sociais.

Na chave de duplas mistas, Bruno Soares, em parceria com Katerina Siniakova, passou pela estreia. A dupla de brasileiro e tcheca, que são os cabeças de chave número 6, derrotou Pablo Cuevas e María José Martínez Sánchez por 6/4 e 6/3.

A boyband de Roger Federer

O suíço não entrou em quadra neste sábado, mas foi assunto nas redes quando postou o vídeo abaixo. Ele, Grigor Dimitrov e Tommy Haas cantam Hard To Say I’m Sorry (Chicago) com David Foster (ex-Chicago) no piano. Vejam, riam e julguem!

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As oitavas de final

[1] Andy Murray x Mischa Zverev
[17] Roger Federer x Kei Nishikori [5]
[4] Stan Wawrinka x Andreas Seppi
[12] Jo-Wilfried Tsonga x Daniel Evans
[6] Gael Monfils x Rafael Nadal [9]
[13] Roberto Bautista Agut x Milos Raonic [3]
[8] Dominic Thiem x David Goffin [11]
[15] Grigor Dimitrov x Denis Istomin

[1] Angelique Kerber x Coco Vandeweghe
Sorana Cirstea x Garbiñe Muguruza [7]
Mona Barthel x Venus Williams [13]
[24] Anastasia Pavlyuchenkova x Svetlana Kuznetsova [8]
[5] Karolina Pliskova x Daria Gavrilova [22]
[Q] Jennifer Brady x Mirjana Lucic-Baroni
[30] Ekaterina Makarova x Johanna Konta [9]
[16] Barbora Strycova x Serena Williams [2]

Infelizmente, por questões pessoais, não houve tempo de incluir uma breve análise das vitórias de Karolina Pliskova (que foi um jogão, com drama de sobra) e Grigor Dimitrov. Agradeço a compreensão.


AO, dia 5: um Federer ‘vintage’ e um Murray impecável
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Alexandre Cossenza

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Quem esteve na Rod Laver Arena para a sessão noturna saiu de lá com um sorriso no rosto e a sensação de ter testemunhado algo especial. Foi Roger Federer, “aquele” Federer, fazendo de tudo com o esforço de quem está fazendo nada. Lembrou o melhor Federer, o que foi número 1, que deu seguidas aulas em Andy Roddick, que encantou e dominou o circuito anos atrás.

Durante os 90 minutos de jogo – tão pouco que deixou todos querendo mais – o atual número 17 do mundo tirou tudo da cartola. Aces, curtas, slices, bloqueios de devolução, paralelas de backhand, bate-prontos da linha de base, voleios… Uma atuação para emoldurar e que terminou com o placar mostrando 6/2, 6/4 e 6/4.

Taticamente falando, o Federer desta sexta-feira foi bastante diferente do tenista teimoso que trocou pancadas o jogo inteiro contra Noah Rubin, na segunda rodada. Diante do mais perigoso Berdych, o suíço já entrou bloqueando nas devoluções, tirando peso da bola e forçando o tcheco a arriscar.

É bem verdade que foi um dia ruim do tcheco, mas é preciso avaliar o peso de Federer nessa equação. As variações impostas pelo suíço foram tantas que Berdych jamais se sentiu confortável e não encontrou ritmo algum. Nem no serviço, nem no fundo de quadra e muito menos junto à rede. Federer aplicou um xeque-mate em 10 minutos e depois ficou jogando damas.

O melhor ponto

Foram tantos grandes pontos que é quase impossível apontar o melhor momento do suíço nesta sexta-feira, só que o ponto do tweet abaixo tem algo de especial. Primeiro porque Federer sai de uma posição defensiva para anular os ataques de Berdych. Depois porque constrói o ataque com um par de golpes até conseguir a posição perfeita para o golpe final. Magistral.

O próximo adversário

Agora, nas oitavas de final, Federer vai encontrar Kei Nishikori, alguém que provavelmente vai exigir mais em ralis – se o japonês estiver 100% fisicamente, claro. Nesta sexta, diante de Lukas Lacko, Nishikori ficou pouco tempo em quadra. Fez 6/4, 6/4 e 6/4 em 2h11. O japonês mandou na maioria dos ralis e terminou o jogo com 46 winners e 32 erros não forçados. Números de respeito.

Se Nishikori não tem a mesma potência de saque de Berdych (e tem um segundo serviço um tanto vulnerável para um top 5), é de se imaginar que ele não deixará Federer dominar os ralis como fez contra Berdych. Além disso, como o próprio #17 disse na entrevista em quadra após a partida, Nishikori tem um dos melhores backhands do circuito e pode se dar ao luxo de ficar cruzando bolas contra a esquerda do suíço pelo tempo que quiser. Por outro lado, como será que o japonês vai lidar com o serviço do suíço, que vem fazendo grande estrago até agora? De qualquer modo, não convém acreditar que o Federer x Berdych desta sexta seja um grande parâmetro para prever o que acontece no encontro de suíço e japonês. O “casamento” dos jogos é bastante distinto.

Os favoritos

Dizem que o primeiro jogo de um tenista após a derrota de seu maior rival no torneio diz muito sobre como ele vai lidar com a pressão do favoritismo. Bom, neste quesito, Andy Murray tirou nota 10. Nesta sexta, o número 1 do mundo esteve em ótima forma diante dos saques pesados de Sam Querrey. Deu pouquíssimas chances ao americano, disparou 40 winners (22 erros não forçados) e até superou o adversário em aces: 8 a 5. Venceu por 6/4, 6/2 e 6/4 e avançou pra enfrentar Mischa Zverev nas oitavas de final.

Vale lembrar que a cada vitória, Murray vai aumentando sua distância para Novak Djokovic, eliminado por Denis Istomin. Caso não vença mais em Melbourne, o britânico deixará o torneio com 1.715 pontos de vantagem. Se levantar o troféu, Murray terá 3.535 pontos a mais que Djokovic.

A atual campeã do Australian Open, Angelique Kerber, finalmente venceu em dois sets: fez 6/0 e 6/4 em cima de Kristyna Pliskova – não confundir com Karolina, a gêmea mais famosa, que foi vice-campeã do US Open no ano passado. O triunfo veio sem grandes dramas, mas Kerber não chegou a empolgar. Terminou com 14 winners e 14 erros não forçados e se aproveitou das 34 falhas de Pliskova. Ainda assim, a tcheca teve chances de complicar o jogo para a alemã no segundo set, mas não aproveitou por conta de erros próprios.

O confronto de oitavas de final de Kerber será contra Coco Vandeweghe (#35), que venceu um jogo duríssimo contra Eugenie Bouchard (#47): 6/4, 3/6 e 7/5. Depois de sair na frente no segundo set, a canadense controlou bem o saque e parecia estar administrando bem as tentativas de Vandeweghe. Bouchard, porém, vacilou no finzinho e perdeu o serviço no oitavo game do set decisivo. Os últimos games foram nervosos, e a americana aproveitou as chances que teve.

Kerber chega às oitavas com dois sets perdidos e, mesmo assim, parece justo dizer que Coco será seu primeiro teste de verdade. Não apenas pela potência do saque da americana, que pode fazer diferença nas quadras rápidas de Melbourne (ainda mais se o jogo for na sessão diurna), mas porque Vandeweghe tem poder de fogo para agredir o frágil segundo serviço da alemã.

Os outros candidatos

Stan Wawrinka venceu mais um jogo complicado. E complicado tanto por méritos do adversário, Viktor Troicki, quanto pela inconstância do próprio suíço. Depois de um ótimo começo e uma péssima segunda metade de primeiro set, Wawrinka se aprumou e parecia navegar tranquilo para fechar o confronto, mas bobeou na reta final. Foi quebrado duas vezes sacando para o jogo (5/4 e 6/5), perdeu um match point no tie-break e precisou salvar um set point antes de, finalmente, avançar por 3/6, 6/2, 6/2 e 7/6(7).

Seu próximo jogo será contra Andreas Seppi, que não era o favorito para chegar às oitavas, mas derrubou Nick Kyrgios na segunda rodada e passou por Steve Darcis nesta sexta: 4/6, 6/4, 7/6(1) e 7/6(2). Aos 32 anos e atual #89 do mundo, o italiano tem experiência e jogo suficientes para se aproveitar de uma jornada ruim do suíço. É mais um jogo complicado para Wawrinka, que vem numa chave espinhosa e já passou por Klizan, Johnson e Troicki.

Na chave feminina, Venus Williams (#17) ficou em quadra por apenas 58 minutos e bateu a chinesa Ying-Ying Duan (#87) por 6/1 e 6/0. Com a velocidade da quadra ajudando seu estilo, a americana chega nas oitavas como favorita contra Mona Barthel, que faz a melhor campanha de sua vida em Grand Slams. A alemã, que já foi #23 mas hoje é apenas a #181 do mundo, furou o quali e aproveitou uma chave acessível – já que Simona Halep caiu na estreia.

No último jogo da noite, Garbiñe Muguruza entrou em quadra lembrando bem de sua última derrota em um Slam. A espanhola até disse depois da partida, em tom de brincadeira, que queria vingança. E foi isso. Jogou bem e bateu Anastasija Sevastova (#33) por 6/4 e 6/2 (a tenista da Letônia eliminou Muguruza em Nova York por 7/5 e 6/4, na segunda rodada).

Em sua melhor campanha num Slam desde o título de Roland Garros, a espanhola, atual número 7 do mundo, agora vai enfrentar Sorana Cirstea (#78), que bateu a americana Alison Riske por 6/2 e 7/6(2). A romena, que já foi #21 do mundo, ainda não perdeu sets e foi a responsável pela eliminação de Carla Suárez Navarro, a cabeça de chave 10 em Melbourne.

As oitavas já definidas

Até agora, o cenário está assim na chave masculina:

[1] Andy Murray x Mischa Zverev
[17] Roger Federer x Kei Nishikori [5]
[4] Stan Wawrinka x Andreas Seppi
[12] Jo-Wilfried Tsonga x Daniel Evans

Os quatro primeiros jogos das oitavas femininas ficaram assim:

[1] Angelique Kerber x Coco Vandeweghe
Sorana Cirstea x Garbiñe Muguruza [7]
Mona Barthel x Venus Williams [13]
[24] Anastasia Pavlyuchenkova x Svetlana Kuznetsova [8]

Boris sobre Novak

Ao New York Times, Boris Becker falou sobre o que achou da atuação de Novak Djokovic na derrota para Denis Istomin. A declaração do alemão não traz novidades, mas é interessante até porque vai ao encontro do que muitos analistas consideraram: que faltou emoção para Nole.

Entre outras coisas (leia na íntegra aqui), Becker afirmou que “acho que ele tentou e jogou cinco sets e quatro horas e meia, mas não vi a intensidade, não vi a vontade absoluta de vencer, não o vi ficando louco mentalmente” e que “esse não é o Novak que eu conheço. Prefiro vê-lo quebrar uma raquete ou rasgar uma camisa para que ele jogue com emoção. Acho que ele esteve muito equilibrado durante toda a partida e foi incomum, não sei o que pensar disso.”


AO, dia 4: quando Istomin desafiou a lógica e derrubou Djokovic
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Alexandre Cossenza

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Na maior zebra do torneio (e dos últimos anos no tênis), Novak Djokovic deu adeus ao Australian Open na segunda rodada, cortesia de uma atuação bravíssima do wild card Denis Istomin. O uzbeque roubou os holofotes por um dia, mas não foi só ele o único a brilhar nesta quinta-feira em Melbourne. Mirjana Lucic-Baroni também se fez notar ao eliminar Agnieszka Radwanska, a cabeça de chave número 3.

O quarto dia do torneio também teve Serena Williams levando a melhor em um jogão contra Lucie Safarova, enquanto Karolina Pliskova e Johanna Konta ampliaram suas séries de vitórias e também passaram à terceira rodada. O resumaço do dia conta tudo, inclusive os resultados de todos brasileiros, e ainda traz uma prévia do jogão entre Roger Federer e Tomas Berdych, a principal atração da sexta-feira em Melbourne Park.

A zebraça

Denis Istomin sempre foi um tenista respeitado e perigoso. Capaz de dias inspiradíssimos, mas inconsistente. Sempre que teve chances de enfrentar a elite, ficou aquém do que poderia. É o tipo de jogo legal de ver. Istomin “faz uns pontaços, a galera começa a acreditar, mas termina sempre 6/4, 6/3, 6/1”, registrei no Twitter antes de o jogo começar (seguido pelo gráfico abaixo).

E o duelo já começou equilibrado, com Istomin sempre agredindo, não fugindo do seu estilo natural. O uzbeque, atual #117 do mundo, quebrou o saque do sérvio no sétimo game, mas perdeu o serviço logo depois. Teve um set point no tie-break, mas não converteu. Era de se esperar que Djokovic, eventualmente, tomasse o controle das coisas. Não aconteceu. O #2 do mundo teve até um set point em seu próprio serviço, mas perdeu três pontos seguidos e viu Istomin fazer 7/6(8).

Tudo bem, era um set só. O jogo seguia parelho. Tipo de duelo em que o azarão, em algum momento, comete uma série de erros e vê a coisa desandar. Pois Istomin, depois de não conseguir converter dois set points no décimo game do segundo set, cometeu três erros, perdendo o saque e a parcial. Djokovic fez 7/5. Era mesmo o esperado. O jogo já tinha 2h30 de duração. O mais provável seria ver o azarão se esgotando (mental ou fisicamente), e o favorito deslanchando.

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Pois Istomin começou a sentir cãibras no terceiro set. O sérvio fez 6/2 na parcial. Jogo sob controle. O dominante Djokovic não deixaria escapar uma vantagem assim numa segunda rodada de Grand Slam, certo? Errado. O Djokovic de hoje ficou muito aquém do tenista que deu as cartas no circuito de 2014 até a metade de 2016. Não jogou mal nesta quinta, mas não mostrou nem a inspiração nem o instinto assassino de outros tempos. Não agarrou a partida como já fez tantas vezes no passado. Ainda assim, com o jogo se alongando por mais de 3h, era difícil imaginar Istomin resistindo fisicamente para virar o placar.

Só que Djokovic perdeu o saque no comecinho do quarto set. Na hora que precisava se mostrar no controle, deu ao rival uma luz no fim do túnel. Istomin se apegou a ela e lutou. O uzbeque perdeu a quebra de vantagem e perdeu também um set point no décimo game, mas foi feroz em mais um tie-break: 7/6(5).

E se é inevitável dizer que Djokovic, hexacampeão e favorito, deixou a partida escapar, é igualmente necessário frisar que Istomin tem muito mérito. Teve coragem o tempo inteiro, agredindo de forma inteligente, e jogou muito – muito mesmo! – em quase todos momentos delicados. Não piscou no quinto set, sacou horrores quando pressionado e chegou ao fim das 4h48 de partida com 63 winners (cinco a menos que Djokovic) e 61 erros não forçados (contra 72 de Nole). Um feito gigante, uma zebra enorme. Game, set, match, Istomin: 7/6(8), 5/7, 2/6, 7/6(5) e 6/4.

A um ponto de não estar em Melbourne

Istomin só disputa o Australian Open porque ganhou um wild card, que não foi um daqueles convites dados de graça. Para receber, precisou jogar um torneio de classificação chamado “AO Asia-Pacific Wildcard Play-off”, realizado em Zhuhai, na China. O uzbeque foi campeão ao derrotar na final Duckee Lee por 7/5 e 6/1.

Mas essa final quase não aconteceu. Na semi, Istomin enfrentou o indiano Prajnesh Gunneswaran, que hoje é o #319 do ranking mundial. Naquele dia, Gunneswaran teve quatro match points em seu saque no décimo game, mas não conseguiu fechar. Istomin salvou três deles com winners. Depois, perdeu três match points no 14º antes de, finalmente, fechar em 6/2, 1/6 e 11/9.

Murray mais longe na liderança

Líder do ranking com 780 pontos de vantagem sobre Djokovic, Andy Murray aumentará bastante sua distância para o sérvio. Como Nole é o atual campeão e defendia dois mil pontos, o escocês, vice em 2016, sairá de Melbourne com pelo menos 1.625 pontos de frente. Isso, claro, se não passar da terceira rodada. Caso levante o troféu, o britânico terá 3.535 pontos a mais que Djokovic.

Levando em conta que o sérvio ainda precisa defender mais dois mil pontos em março (venceu Indian Wells e Miami), enquanto Murray só somou 90 pontos no mesmo período no ano passado, é justo imaginar que o britânico não será ameaçado na liderança pelo menos até o segundo semestre.

Mais zebra

A chave feminina também teve uma zebra de grande porte passeando por Melbourne Park nesta quinta. Agnieszka Radwanska, cabeça de chave número 3, foi eliminada por Mirjana Lucic-Baroni (#79): 6/3 e 6/2.

Quem ganha com isso é Karolina Pliskova, que passa a ser a maior cabeça de chave do terceiro quadrante – o que, em tese, encontra Serena Williams na semi. Apesar de viver melhor momento, Pliskova tem um retrospecto incrivelmente negativo de sete derrotas em sete jogos contra Radwanska. Logo, a polonesa seria a mais cotada no caso de um duelo nas quartas de final.

A favorita

Serena Williams viveu outro grande momento em Melbourne. Em uma chave nada amigável, a número 2 do mundo, que já havia derrotado Belinda Bencic na estreia, agora passou por Lucie Safarova por 6/3 e 6/4. Foi um encontro mais complicado do que o placar sugere, mas se isso não fica visível nos números, é justamente por mérito de Serena. A americana jogou melhor os pontos importantes, salvando tries break points no primeiro set e outros três na segunda parcial.

Na terceira rodada, a atual vice-campeã do Australian Open vai enfrentar a compatriota Nicole Gibbs, o que, a essa altura do torneio, parece ser um refresco em comparação com as duas rodadas anteriores.

Os outros candidatos

Karolina Pliskova segue voando. A vice-campeã do US Open, que chegou a Melbourne embalada pelo título em Brisbane, alcançou sua sétima vitória consecutiva nesta quinta ao fazer 6/0 e 6/2 sobre a russa Anna Blinkova (#189). A tcheca chega à terceira rodada com apenas quatro games perdidos. Sim, sua chave foi fácil até agora, mas Pliskova tirou proveito, ganhando mais de 80% dos pontos com seu primeiro saque. Na terceira fase, ela encara Jelena Ostapenko, que bateu Yulia Putintseva, cabeça 31, por 6/3 e 6/1.

Johanna Konta vive momento semelhante. A top 10 britânica, campeã recentemente em Sydney, também venceu seu sétimo jogo seguido ao eliminar Naomi Osaka (#47) por 6/4 e 6/2. A japonesa de 19 anos até conseguiu manter o duelo parelho no primeiro set e teve, inclusive, um break point. Não conseguiu a quebra e perdeu o serviço em seguida. Era o que Konta precisava para arrancar no placar e fazer 6/4 e 6/2. A inglesa marcou um esperado confronto com Caroline Wozniacki, que eliminou Donna Vekic por 6/1 e 6/3.

Outro jogo interessante na terceira rodada será entre a #6 do mundo, Dominika Cibulkova, e a russa Ekaterina Makarova, #33. A eslovaca passou pela taiwanesa Su-Wei Hsieh por 6/4 e 7/6(8), enquanto Makarova avançou após a desistência de Sara Errani, que perdia por 6/2 e 3/2. A italiana saiu de quadra chorando, com dores na perna esquerda.

Milos Raonic, por sua vez, venceu o duelo de sacadores com Gilles Muller: 6/3, 6/4 e 7/6(4). O canadense enfrenta Gilles Simon na terceira rodada em um duelo bem interessante. Outro jogo legal da fase seguinte será entre Grigor Dimitrov e Richard Gasquet. O búlgaro bateu Hyeon Chung por 1/6, 6/4, 6/4 e 6/1, enquanto o francês atropelou Carlos Berlocq por triplo 6/1.

Por fim, fechando a programação da Rod Laver Arena, Rafael Nadal encarou Marcos Baghdatis e fez 6/3, 6/1 e 6/3, confirmando a expectativa de quase todos quando a chave foi sorteada. Ele e Zverev vão se enfrentar na terceira rodada no que parece ser um jogo-chave para ambos. Digo “chave” porque quem avançar pode muito bem alcançar a semifinal. E agora, após a queda de Djokovic, quem chegar a semifinal nesse quadrante tem chances maiores de ir à final.

Sobre a atuação desta quinta, Nadal tentou ser agressivo o tempo inteiro e, embora Baghdatis não tenha colocado em risco o placar, o espanhol teve problemas para confirmar seu saque no primeiro set. Aos poucos, Nadal foi jogando e melhor e sacando com mais eficiência – terminou com 80% de aproveitamento de primeiro serviço. O ex-número 1 chegou ao fim do encontro com 32 winners e 33 erros não forçados, o que é um número aceitável para quem agrediu tanto.

Os brasileiros

Rogerinho, único brasileiro na segunda rodada, teve uma tarde difícil diante de Gilles Simon, um adversário superior técnica e taticamente. O brasileiro conseguiu fazer pouco além de correr atrás de todas as bolas e não desistir. Nada, contudo, que compensasse a diferença no tênis jogado pelos atletas. Simon fez 6/4, 6/1 e 6/1 e colocou um ponto final na participação brasileira na chave de simples.

Nas duplas, André Sá e Leander Paes fizeram uma boa apresentação, mas levaram a virada dos cabeças de chave 10, Max Mirnyi e Treat Huey. Brasileiro e indiano venceram o set inicial e tiveram 3/0 no tie-break do segundo, mas perderam sete pontos seguidos – mais por mérito dos rivais do que por falhas próprias – e a melhor chance de fechar o jogo. Sá e Paes ainda tiveram dois break points no terceiro set, mas não converteram. Em um jogo tão parelho, custou caro. Mirnyi e Huey finalmente quebraram o serviço de Paes e venceram por 4/6, 7/6(3) e 6/4.

Em seguida, o único triunfo brasileiro do dia. Marcelo Melo e Lukasz Kubot derrotaram Johan Brunstrom e Andreas Siljestrom em três sets: 7/5, 4/6 e 6/4. Cabeças de chave #7, brasileiro e polonês vão encarar na segunda rodada o time formado por Nicholas Monroe e Artem Sitak.

Bruno Soares e Jamie Murray, atuais campeões do Australian Open, foram eliminados logo na estreia. Eles caíram diante de Donald Young e Sam Querrey por 6/3 e 7/6(5). Com os pontos perdidos, brasileiro e britânico cairão pelo menos duas posições cada no ranking. O brasileiro, que começou a semana como #3 do mundo, pode até sair do top 10. O mesmo vale para Jamie, atual #4.

Amanhã: o que esperar de Roger Federer x Tomas Berdych

A grande atração do quinto dia de jogos em Melbourne é o confronto entre Roger Federer e Tomas Berdych. O suíço, cabeça de chave 17, vem de vitórias contra Jurgen Melzer e Noah Rubin, enquanto o tcheco bateu Luva Vanni e Ryan Harrison. O favoritismo ainda é de Federer, que tem 16 vitórias e seis derrotas contra Berdych e também triunfou nos últimos cinco encontros, faturando 11 sets em sequência.

A grande questão é que Federer não fez lá grandes apresentações até agora. Contra Rubin, variou pouco seu jogo e entrou numa pancadaria desnecessária. Só levou vantagem quando tirou um pouco o peso das bolas e deu ao garotão a chance de errar. Rubin sentiu o peso e se complicou. Ainda assim, o americano conseguiu agredir os saques do suíço e teve set point na terceira parcial para alongar o encontro.

A questão é saber o quanto Federer vai insistir em pancadas do fundo de quadra contra Berdych, que gosta de bolas retas, saca melhor do que Rubin e tem a capacidade de controlar os pontos quando consegue encaixar suas devoluções. Será que Federer foi teimoso do fundo de quadra contra Rubin porque queria calibrar seus golpes e sabia que tinha margem para erro? Ou será que o ex-número 1 vai insistir mesmo nesse estilo de jogo até o fim do torneio?

A chave contra Berdych sempre foi a variação. Federer precisa encaixar muitos primeiros serviços, usar slices e subir à rede, tirando Berdych de sua zona de conforto – até porque é muito difícil passar Federer usando bolas retas, ainda mais se elas chegarem até o tcheco via slice. Se conseguir repetir seu plano de jogo dos últimos triunfos contra o rival, o suíço provavelmente chegará às oitavas. Se insistir em pancadas do fundo, a coisa pode complicar.

Se Federer perder, sairá do top 30 pela primeira vez em mais de 16 anos. A última vez que apareceu na lista da ATP além do 30º posto foi em 23 de outubro de 2000.


AO, dia 2: grande virada de Rogerinho, 75 aces de Ivo e Serena leva noivo
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Alexandre Cossenza

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Foi um segundo dia cheio de emoções em Melbourne – ainda que nenhum dos principais candidatos ao título tenha sido ameaçado. A começar pela enorme virada de Rogerinho, que começou perdendo por 2 sets a 0, mas saiu de quadra como o único brasileiro a passar para a segunda rodada.

A terça-feira do Australiana Open também teve os 75 aces de Ivo Karlovic, que colocou mais uma vez seu nome na lista de mais saques indefensáveis em uma só partida, e os nove match points salvos por Lucie Safarova. A tcheca, aliás, vai enfrentar Serena Williams, que anunciou recentemente seu noivado e tem o sortudo na torcida em Melbourne.

Este resumaço do dia ainda lembra do susto de Zverev, das vitórias confortáveis de Djokovic e Nadal e do perfeito Gran Willy de Radwanska contra Pironkova.

O brasileiro

Rogerinho, o brasileiro que mais deu sorte na chave, foi também quem mais ficou em quadra e saiu recompensado com uma grande vitória sobre Jared Donaldson, 20 anos e #101 do mundo, por 3/6, 0/6, 6/1, 6/4 e 6/4. E nem parecia que seria o caso quando o Donaldson venceu rapidinho os dois primeiros sets. O paulista não desistiu. Cresceu no jogo, passou a encaixar seu primeiro saque com mais frequência e levou a decisão para o quinto set.

Abriu com uma quebra de saque, lutou quando jogou mal e manteve o serviço a duras penas (e com um pouco de sorte, como no break point em que seu backhand tocou na fita e morreu do outro lado), mas manteve a cabeça, continuou com o plano de jogo que vinha funcionando e conquistou uma bela vitória. A comemoração foi um longo abraço em Larri Passos, que viu a partida e deu alguns toques durante a semana.

Para que não fique dúvida: Rogerinho treina com o argentino Andrés Schneiter, e Larri Passos está em Melbourne acompanhando uma tenista francesa.

O triunfo desta terça foi o sexto da carreira de Rogerinho (32 anos) em quadras duras em torneios de nível ATP. Antes, o paulista tinha vitórias no US Open em 2011 (Sorensen), 2012 (Gabashvili) e 2013 (Pospisil), nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro (Fabbiano) e em Chennai/2017 (Lajovic). O próximo passo é um duelo com o francês Gilles Simon. Os dois se enfrentaram em Roland Garros, no ano passado, e Simon confirmou o favoritismo em três sets: 7/6(5), 6/4 e 6/2.

Os favoritos

Serena Williams fez uma bela apresentação. Consciente do perigo representado por Belinda Bencic, a americana fez uma estreia muito melhor do que a média de suas apresentações iniciais em Slams. Mais do que isso, a #2 do mundo foi excelente no único momento delicado da partida: o 4/4 do primeiro set. Depois dali, Serena venceu sete games seguidos ates que Bencic ensaiasse uma frustrada reação no fim da segunda parcial. No fim, 6/4 e 6/3 para Serena.

A atuação da ex-número 1 veio diante dos olhos do noivo, Alex Ohanian, um dos fundadores do Reddit. Serena revelou o noivado há pouco tempo, em um texto no próprio Reddit, e pegou o mundo de surpresa. A história de amor era desconhecida do grande público até então. O Australian Open é o primeiro torneio com presença de Ohanian desde o anúncio.

Abrindo a sessão noturna a Rod Laver Arena, Novak Djokovic encontrou de novo Fernando Verdasco, o mesmo contra quem precisou salvar quatro match points na semifinal do ATP de Doha, há pouco mais de uma semana. Outro jogo tão parelho era improvável. E não foi, a não ser pelo segundo set, quando o espanhol esteve duas vezes com quebra de vantagem – em ambas, perdeu o serviço imediatamente em seguida – e sucumbiu no tie-break. Djokovic fez 6/1, 7/6(4) e 6/2, sem drama.

Os 75 aces de Ivo Karlovic

Quando Horacio Zeballos (#68) abriu 2 sets a 0 sobre Ivo Karlovic (#21) em 1h20min de jogo, o argentino parecia ter bem encaminhada sua passagem para a segunda rodada. Só que não foi tão fácil assim. Karlovic, o homem que mais disparou aces na história do tênis, voltou a fazer bem o que faz de melhor: confirmar serviços. Logo, a partida estava no quinto set. E que quinto set, tenso e demorado. Karlovic e Zeballos deram pouquíssimas chances em seus games de serviço, e a partida foi se alongando.

A parcial decisiva, sem tie-break, durou mais que todos os quatro sets anteriores. O croata não parava de disparar aces. No 42º game, Karlovic finalmente conseguiu dois match points. Perdeu o primeiro num rali, mas ganhou o segundo ao acertar um preciso lob de slice. Zeballos correu como um louco, mas não conseguiu colocar a bolinha na quadra. Game, set, match: 6/7(6), 3/6, 7/5, 6/2, 22/20.

Os números oficiais registraram 5h14min de jogo e 75 aces de Karlovic (33 de Zeballos). Os 75 saques indefensáveis colocam o croata na quarta posição na lista de mais aces em uma partida. Ele também ocupa o terceiro (78), o quinto (61), o sétimo (55), o oitavo (53) e o décimo (51) lugares na lista.

O recorde é de John Isner, que executou 133 aces contra Nicolas Mahut na primeira rodada de Wimbledon em 2010. Aquele jogo durou 11h05min, se alongou por três dias e é o mais longo da história do tênis. O americano bateu o francês por 6/4, 3/6, 6/7(7), 7/6(3) e 70/68. Mahut fez 103 aces naquele dia.

Outros candidatos

Alexander Zverev, o “prodígio”, fez um set decente, outros dois pavorosos e esteve a poucos games de uma eliminação desastrosa. Robin Haase, #57, assumiu a dianteira no placar e teve até uma quebra de vantagem no quarto set. Bastava confirmar seu saque, o mas o holandês jogou um pavoroso sexto game, deu quatro pontos de graça a Zverev e colocou o adolescente de volta na partida.

O alemão de 19 anos nem fez lá dois sets irretocáveis, mas fez seu básico enquanto Haase continuava a cometer duplas faltas e dar pontos de graça. O placar final mostrou 6/2, 3/6, 5/7, 6/3 e 6/2, e se Zverev tem motivo para comemorar sua sobrevivência no torneio, também precisa se preocupar com a consistência. É preciso mais para que ele consiga o salto que todos acreditam que ele pode dar para brigar por títulos e pelas primeiras posições do ranking.

O lado bom para o fã de tênis é que ainda existe a possibilidade da badalada partida de terceira rodada entre Zverev e Rafael Nadal. O espanhol, aliás, também estreou com vitória: fez 6/3, 6/4 e 6/4 sobre o alemão Florian Mayer. Nadal não perdeu nenhum game de serviço – o que é mais importante hoje em dia do que já foi no passado – quebrou Mayer uma vez em cada set e faz lances bonitos como sempre – inclusive a paralela do tweet abaixo.

Também desse lado da chave, Milos Raonic fez 6/3, 6/4 e 6/2 sobre Dustin Brown. O canadense é favorito para pelo menos alcançar as quartas de final, quando enfrentará o vencedor da seção que tem Monfils, Kohlschreiber, Nadal e Zverev.

Na chave feminina, considerando seu histórico de fiascos em rodadas iniciais de Slam, Karolina Pliskova fez uma bela estreia. No primeiro jogo do dia na Rod Laver Arena, a vice-campeã do US Open despachou rápido a espanhola Sara Sorribes Tormo (#106) em poco mais de uma hora: 6/2 e 6/0. Melhor ainda para Pliskova é a derrota da perigosa Monica Niculescu (#32), superada pela qualifier russa Anna Blinkova (#189) por 6/2, 4/6 e 6/4.

Johanna Konta, por sua vez, passou por um obstáculo nada simples e eliminou a belga Kirsten Flipkens (#70) por 7/5 e 6/2. A top 10 britânica, que vem de título em Sydney, avança para outro duelo perigoso. Vai encarar a japonesa Naomi Osaka (#48), que venceu um jogo duríssimo contra Luksika Kumkhum (#183) por 6/7(2), 6/4 e 7/5. Caroline Wozniacki e Dominika Cibulkova, outras que que correm por fora em Melbourne, também venceram nesta terça.

O Gran Willy

Por fim, no último jogo da Rod Laver Arena, Agnieszka Radwanska precisou de três sets, mas eliminou Tsvetana Pironkova por 6/1, 4/6 e 6/1. Foi uma boa atuação da polonesa, que só não venceu com mais facilidade porque a búlgara conseguiu – pelo menos no segundo set – agredir com eficiência o serviço frágil de Aga. Na parcial decisiva, contudo, Radwanska conseguiu alongar ralis e impor suas variações com curtinhas, slices e um pouco de tudo. E, entre tantos pontos bonitos, o Gran Willy do vídeo acima foi o ponto alto.

Nove match points

Não é todo dia que alguém perde tantas chances assim de fechar um jogo. A ex-top 20 Yanina Wickmayer teme nove match points contra a tcheca Lucie Safarova no segundo set e não conseguiu converter. Safarova se defendeu de cinco match points no 12º game, com seu serviço, e de mais quatro pontos no tie-break. Quando conseguiu forçar o terceiro set, avançou cheia de moral, enquanto Wickmayer sucumbiu: 3/6, 7/6(7) e 6/1.

O prêmio por tanto esforço? Um duelo com Serena Williams na segunda rodada. Sim, tcheca e americana, que fizeram a final de Roland Garros em 2015, agora vão se encontrar na segunda rodada de um Slam. O favoritismo, claro, é de Serena que tem um histórico de 9 a 0 em confrontos diretos contra a tcheca.


Quadra 18: S03E01
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Alexandre Cossenza

Se tem Grand Slam, tem Quadra 18. O podcast de tênis mais popular do país começa sua terceira temporada analisando as chaves do Australian Open e fazendo aquele costumeiro exercício de imaginação sobre o que pode acontecer nas próximas duas semanas em Melbourne.

Do jeito descontraído de sempre, Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu falamos de ATP, WTA, duplas e até damos dicas preciosas (é verdade!) de como passar madrugadas inteiras vendo tênis sem cair no sono. Para ouvir, basta clicar no player abaixo. Se preferia baixar para ouvir depois, clique neste link com o botão direito do mouse e selecione “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’13” – Cossenza apresenta os temas
1’23” – Quem é “o” favorito na chave masculina? Murray ou Djokovic?
3’02” – Djokovic e a chave mais fácil do que a de Murray
7’35” – O que esperar de Federer e Nadal?
8’13” – O esperado jogo-chave entre Nadal e Zverev na terceira rodada
9’21” – A expectativa por um Djokovic x Dimitrov
11’12” – A divertida seção com Fognini, Feliciano, Haas e Paire
12’42” – Troicki pode desafiar Wawrinka?
13’32” – A expectativa por Raonic x Dustin Brown e Cilic x Janowicz
14’25” – Quem ganha Bellucci x Tomic?
14’18” – Jo-Wilfried Tsonga x Thiago Monteiro e Rogerinho x Donaldson
16’33” – Palpites para azarão do torneio
18’28” – Palpites para decepção do torneio
20’17” – Down Under (Men at Work)
21’05” – A chave de Serena é tão difícil assim?
23’34” – A chave e a preocupante forma de Angelique Kerber
25’18” – A seção favorável de Garbiñe Muguruza
25’56” – Simona Halep, agora vai?
26’42” – E o que dizer de Venus Williams?
27’30” – Karolina Pliskova e a expectativa por seu primeiro Slam como top 5
30’24” – O caminho de Radwanska
31’15” – Palpites para campeã, zebra e decepção
33’35” – Cheap Thrills (Sia)
34’30” – Novos times e velhos favoritos no circuito de duplas
37’05” – O começo não tão animador de Melo e Kubot
39’28” – A nova parceria de André Sá e Leander Paes
40’07” – Serena começar devagar os Slams faz o jogo com a Bencic mais perigoso?
41’14” – Dimitrov chegou no momento “ou vai ou racha” da carreira?
42’25” – Qual dos topos se complicou mais na chave?
42’54” – As cotações das casas de apostas para a chave masculina
44’29” – Existe uma temperatura máxima para interromper os jogos em Melbourne?
45’25” – Qual a quadra mais legal para ver jogos no Melbourne Park?
48’40” – “Dormir é para os fracos?” e dicas para ver o torneio na madrugada


AO 2017: o guia da chave masculina
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Alexandre Cossenza

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E lá vamos nós de novo. Mais um torneio do Grand Slam. Un evento incomum pelas posições de Roger Federer (cabeça 17) e Rafael Nadal (9) na chave, mas um torneio com todos elementos comuns de um típico Australian Open. Novak Djokovic como favorito, Andy Murray cotadíssimo, duelos fortíssimos já na primeira rodada, expectativa de calor, etc. e tal. Vocês sabem o esquema.

As chaves foram sorteadas nesta sexta-feira, o que significa que é hora de analisar não só o momento de cada tenista, mas quais desafios ele vai encontrar pela frente e se suas chances de ir longe em Melbourne aumentaram ou diminuíram depois disso. É também a hora de olhar os azarões e começar a imaginar quem pode pegar todo mundo de surpresa nas próximas duas semanas. E é isso que tento fazer nas linhas abaixo. Role a página, fique por dentro e, depois, fique à vontade para deixar seus palpites nos comentários.

Os favoritos

Pra começar, há dois candidatos mais claros neste torneio. Novak Djokovic e Andy Murray. Nesta ordem, que leva em consideração a final de Doha, vencida pelo sérvio em cima do britânico. Sim, foi apenas um ATP 250, mas não dá para desconsiderar o peso psicológico de um jogo daqueles, brigado e com quase 3h de duração. Por isso, Nole sai na frente, pelo menos no papel.

A chave de Djokovic não é a mais fácil, mas não me parece complicada pelo “ponto de vista Djokovic”, ou seja, pelo estilo de jogo e pelo histórico de confrontos diretos dos adversários. “Ah, mas Nole não estreia contra Verdasco, que quase venceu em Doha?”, pode imaginar alguém. Sim, mas vai ser necessário um alinhamento de 38 planetas e 17 asteroides para aquilo acontecer de novo. Desde já, esse Djokovic x Verdasco da primeira rodada é meu grande favorito a “jogo cheio de expectativa que acaba dando sono”.

Depois disso, Djokovic pega Istomin/qualifier, possivelmente Carreño Busta na terceira rodada, Dimitrov/Gasquet nas oitavas e o vencedor da seção com Thiem, Feliciano, Karlovic e Goffin nas quartas. A maior casca de banana aí parece o confronto de oitavas, mas Djokovic venceu os últimos dez jogos contra Gasquet (perdeu só um set!) e bateu Dimitrov seis vezes em sete encontros. A única vitória do búlgaro aconteceu em 2013, no saibro de Madri. Não me parece lá um retrospecto tão animador para o azarão, embora precisemos levar em conta o recente ressurgimento de Dimitrov, que atropelou e foi campeão em Brisbane, batendo Thiem, Raonic e Nishikori em sequência.

Lembremos também que Djokovic tem em sua metade da chave Milos Raonic, o que é melhor do ter Stan Wawrinka na semifinal. Além disso, Federer também ficou na outra metade da chave, o que não deixa de ser bom para para o sérvio.

O sorteio não foi tão amigável com Andy Murray, embora não tire seu status de favorito na metade de cima da chave. Vários elementos podem jogar contra o número 1 do mundo em momentos diferentes, a começar por possíveis duelos com Querrey na terceira rodada e Isner/Pouille nas oitavas. Embora Murray seja um excelente devolvedor, não é difícil imaginar esses jogos em rodadas diurnas, com sol forte e bolinhas voando mais rápidas ainda, o que não é nada bom para o #1.

Além disso, Murray provavelmente vai precisar passar por Federer, Berdych ou Nishikori nas quartas. Berdych não seria o maior dos problemas, mas o japonês costuma causar problemas para o escocês. Além disso, se o suíço chegar às quartas, terá passado por Berdych e Nishikori e estará em excelente forma. Ou seja, o cenário não é dos mais animadores para Murray.

As “lendas”

Federer estreia contra um qualifier, pega outro qualifier na segunda rodada e deve encarar Tomas Berdych já na terceira fase. Considerando que o suíço chega a Melbourne como cabeça de chave 17, está longe de ser o pior dos cenários, mesmo com um eventual confronto com Kei Nishikori nas oitavas. O japonês, lembremos, sentiu dores no quadril em Brisbane e não se sabe se estará 100% para o início do Australian Open. Acredito que a forma física de Nishikori será chave. Caso o asiático consiga alongar uma partida com Federer, suas chances aumentam. Caso contrário, o suíço pode bem se encontrar na segunda semana diante de Andy Murray nas quartas.

Nadal, cabeça 9, também não teve um sorteio dos piores, mas seu caminho tem uma pedra grande: Alexander Zverev na terceira rodada. O adolescente alemão, contudo, ainda não tem uma vitória grande num Slam. Esse jogo pode muito bem determinar um semifinalista, já que o vencedor sairá com status de favorito pelo menos até as quartas de final, quando Milos Raonic, o cabeça 3, pode aparecer.

Os brasileiros

Thomaz Bellucci e Thiago Monteiro vão estrear contra cabeças de chave, o que nunca é bom. O paulista vai encarar Bernard Tomic, o que não é desastroso. Afinal, entre todos cabeças que Bellucci poderia enfrentar, pegará um contra quem tem retrospecto favorável (2 a 1). É bem verdade que Tomic joga em casa, onde supostamente (favor colocar negrito mental e ler beeeeem devagar a palavra su-pos-ta-men-te!) não gostaria de dar (mais um) vexame. Mas também é inegável que tudo pode acontecer quando o australiano entra em quadra. Por outro lado, é bem possível que Tomic esteja pensando o mesmo de Bellucci: “tudo pode acontecer”.

Monteiro vai encarar Jo-Wilfried Tsonga. Sim, o mesmo Tsonga que ele derrotou no Rio Open do ano passado. Desta vez, na quadra dura, sem o insuportável calor carioca (onde todos tenistas dizem que é muito mais difícil jogar do que em Melbourne) e valendo por Grand Slam. É outro nível de importância. E Tsonga, às vezes vulnerável em torneios menores, não perde uma estreia em Slam desde 2007, quando ganhou um convite para o Australian Open e pegou Andy Roddick, então número 7 do mundo, na primeira rodada.

Rogerinho teve melhor sorte. Estreia contra Jared Donaldson, #101 do mundo. O americano vem de boa campanha em Brisbane, onde furou o quali, eliminou Gilles Muller na estreia e até venceu o primeiro set contra Nishikori na segunda rodada. O japonês acabou levando a melhor. De qualquer maneira, é melhor do que estrear logo contra um cabeça de chave. Se avançar, o paulista vai enfrentar o vencedor do jogo entre Gilles Simon e Michael Mmoh.

A grande ausência

Juan Martín Del Potro afirmou que não estaria pronto fisicamente já em janeiro e decidiu abortar o primeiro Slam da temporada. Ele também não quis (como nunca quis mesmo) jogar na temporada sul-americana de saibro e vai começar 2017 jogando em quadras duras. Resumindo? O argentino curtiu bem as férias (vide tweet abaixo) e não quis forçar seu corpo.

Os melhores jogos na primeira rodada

O que não falta é jogo bom e por um monte de motivos diferentes. Comecemos pelos cabeças de chave. Stan Wawrinka x Martin Klizan é o tipo de confronto em que o suíço precisa entrar firme. Um diazinho ruim de primeira rodada pode acabar com seu torneio, já que o eslovaco tem aqueles dias de bater forte em todas as bolas e acertar tudo. Vale ficar de olho. O mesmo perigo existe para Gael Monfils, que enfrenta Jiri Vesely, e para Marin Cilic, que duela com o “perturbado” Jerzy Janowicz. Só deus sabe o que sai da raquete do polonês.

Outro jogo intrigante é Dolgopolov x Coric, cujo vencedor encara Monfils ou Vesely, o que faz dessa seção a mais imprevisível do torneio. Falando em imprevisibilidade, já mencionei acima Bellucci x Tomic, mas cito também Youzhny x Baghdatis (dois malucos gente boa). Vale prestar atenção também em Haas (sim, Tommy Haas, AQUELE, que está de volta!) x Paire e Kyrgios (lesionado) x Elias porque não dá para descartar uma zebra do português aqui.

No quesito “fim provável, meio improvável”, recomendo acompanhar Raonic x Brown porque embora o canadense seja favoritíssimo, não dá pra perder os momentos de brilho do alemão. E, por fim, o confronto mais quente, com sangue latino, entre Fognini e Feliciano López. Até porque a coisa não acabou bem quando os dois se enfrentaram em Wimbledon no ano passado (vejam o vídeo acima).

O que mais pode acontecer de legal

De modo geral, as atenções vão mesmo continuar voltadas para o desenrolar das campanhas de Federer e Nadal e como elas vão afetar o andamento das chaves, mas algumas outras formações bem interessantes podem vir na segunda rodada ou nas seguintes, como um encontro entre Dominic Thiem e João Sousa. Outro jogo esperado mais para a frente é Gasquet x Dimitrov, que pode acontecer na terceira rodada. E também, meio escondido no meio disso tudo, imagino um interessante jogo entre Raonic e Taylor Fritz na segunda rodada.

Os tenistas mais perigosos que ninguém está olhando

A essa altura, todo mundo já está prestando atenção em quem jogou bem nas primeiras semanas. São os casos de Zverev, que bateu Federer na Copa Hopman, e de Dimitrov, campeão em Brisbane, por exemplo. Ainda assim, alguns nomes mereciam mais atenção. Acho que João Sousa é um deles. O português, #44, segue obtendo resultados acima do que normalmente se espera. Não me parece nada impossível imaginá-lo batendo Jordan Thompson e Dominic Thiem nas duas primeiras rodadas. Resta saber, porém, em que condições físicas Sousa chegará a Melbourne, já que ainda está em Auckland, onde disputa a final.

Outro tenista que eu gosto e que cedo ou tarde vai ser uma realidade em torneios maiores é Taylor Fritz, 19 anos e #91 do mundo. Tem um saque gigante, golpes potentes de fundo e uma movimentação até boa para seu 1,93m de altura. Ano passado, já conseguiu um punhado de resultados relevantes. Falta, claro, maturidade. E sua chave em Melbourne não é das piores. Ele enfrenta Gilles Muller, outro “sacador” na estreia e, se vencer, pega Milos Raonic, alguém com um jogo muito parecido com o seu. Existe uma janelinha para ele dar esse salto já neste Australian Open.

Onde ver

A ESPN transmite o Australian Open com exclusividade e em dois canais: ESPN e ESPN+. Fernando Meligeni e Fernando Nardini também tocam o Pelas Quadras, programa diário com convidados que aborda o que acontece no torneio e vai ao ar sempre às 21h (de Brasília).

Nas casas de apostas

Na casa virtual bet365, a lista de mais cotados tem, nesta ordem, Djokovic, Murray, Wawrinka, Nadal, Raonic, Federer, Nishikori, Kyrgios, Dimitrov e Cilic no top 10. Vale notar a distância entre as cotações de Murray (paga US$ 2,62 para cada dólar apostado), segundo favorito, e Wawrinka (13), o terceiro.

O guia feminino

Não vai dar tempo de publicar o guia para a chave feminina ainda hoje. Ele deve pintar aqui no blog amanhã (sábado). Até lá!


Primeiras impressões de 2017
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Alexandre Cossenza

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Uma semana de jogos. É só isso que o mundo tem para analisar até agora e imaginar o que pode acontecer no Australian Open. É uma amostra pequena, é bem verdade, e muita gente se preocupa mais em calibrar os golpes do que no resultado imediato. Por isso, nem sempre é fácil “ler” o que aconteceu nestes primeiros torneios de 2017. Mesmo assim, já dá para começar a notar algumas tendências. Se elas vão ou não se confirmar em Melbourne e no resto do ano, é impossível saber. Mas elas estão aí, e este post é justamente sobre essas primeiras impressões da nova temporada. Comecemos pelo topo do circuito masculino, onde há dois favoritos óbvios e um interessante equilíbrio abaixo.

Andy Murray e Novak Djokovic

Britânico e sérvio, números 1 e 2 do mundo, respectivamente, são indiscutíveis como favoritos ao título do Australian Open. Ambos jogaram para o gasto em Doha e chegaram na final. E que final! Um jogo surpreendentemente bom para um primeira semana de temporada e que valia só 100 pontos (ou 200, se você é adepto da expressão futebolística “jogo de seis pontos”).

O que estava mesmo em jogo na final de Doha era moral, por isso Djokovic sai na frente. Para ele, o triunfo era mais importante. Murray já vinha de vitória sobre o sérvio no ATP Finals. Um resultado igual em Doha poderia mexer com o equilíbrio desse matchup. Com o título nas mãos de Djokovic, o cenário parece voltar a ser o mesmo de quase sempre: o sérvio será favorito caso os dois se encontrem na final em Melbourne.

O segundo pelotão

Kei Nishikori, finalista em Brisbane, talvez tenha mostrado o tênis mais sólido do começo ao fim da semana. Não deixa de ser um ótimo sinal para o japonês, mas vale ligar o alerta para a questão física. O tênis de Nishikori costuma cobrar contas altas, e a primeira de 2017 já apareceu. O japonês saiu da final de Brisbane se queixando de dores no quadril e dizendo que “vou tentar ficar saudável na próxima semana e espero estar pronto para o Australian Open.”

Stan Wawrinka fica um pouquinho atrás, mas só um pouquinho mesmo. Afinal, foi superado por Nishikori na semi em Brisbane, mas mostrou um tênis interessante o suficiente para início de temporada. É importante notar também que Stan se mostrou pouco incomodado com a eliminação e um tanto satisfeito com o nível de tênis que apresentou. Afinal, nestas primeiras duas semanas, o resultado final nem sempre é o mais importante. Assim, com o devido tempo antes do Australian Open para fazer a sintonia fina e os últimos ajustes, é justo dizer que o #1 da Suíça pode chegar forte mais uma vez a Melbourne.

Milos Raonic já tem na temporada uma respeitável vitória sobre Rafael Nadal, o que não é pouco – embora o revés diante de Grigor Dimitrov um dia depois tenha “esfriado” o canadense. Ainda assim, Raonic, assim como Nishikori e Wawrinka, pode “esquentar” e sair atropelando em Melbourne. Vale, porém, considerar sua fragilidade física, o que pode se acentuar no verão australiano, especialmente se for necessário disputar partidas longas.

E as lendas, onde ficam?

Aqui reside o maior ponto de interrogação do Australian Open. Nem tanto pelos momentos de Roger Federer e Rafael Nadal, mas por seus rankings. Nenhum dos dois estará entre os oito principais cabeças de chave em Melbourne, e isso certamente vai bagunçar as expectativas e as cotações das casas de apostas.

Tudo aponta para que Federer seja o cabeça 17 na Austrália, o que significa a possibilidade de um confronto de terceira rodada já contra um cabeça de chave 9 a 12. E como Nadal deve ser o cabeça 9, isso significa que, sim, é possível um “Fedal” já na terceira rodada. Mas o suíço também pode encarar Berdych, Goffin ou Tsonga nessa fase. Resumindo: as consequências serão grandes.

E isso, claro, se ninguém desistir até o início do torneio. Porque se isso acontecer, Nadal sobre para cabeça 8, e Federer, para 16. Nesse caso, aumentam muito as chances de o suíço encarar Murray ou Djokovic nas oitavas. Já pensaram?

Quanto à forma tenística, Federer fez um belo retorno. Jogou a Copa Hopman, se movimentou bem e conseguiu duas vitórias esperadas (Daniel Evans e Richard Gasquet). Mostrou um tênis que deve lhe render vitórias tranquilas nos primeiros jogos em Melbourne. É bem verdade que o suíço foi superado em três tie-breaks por Alexander Zverev e que foi o alemão que venceu a maioria dos ralis. Cabe, no entanto, a velha ressalva de pré-temporada.

Fosse um torneio oficial, Federer teria somado tantos erros não forçados (e foram muitos mesmo!) ou teria arriscado menos? O que ele queria mais: vencer aquela partida ou calibrar seu tênis? Fico com a segunda hipótese, pelo menos por enquanto. Não vejo motivo para desespero. Ainda assim, pairam as mesmas perguntas que todos faziam em 2014 e 2015. O Federer de hoje, com 35 anos, consegue passar por Murray e/ou Djokovic em cinco sets?

No que diz respeito a Nadal, o espanhol vem jogando o tênis agressivo que acredita precisar jogar. Quando dá certo, o ex-número 1 tem grandes atuações. Quando não, perde jogos que não deixaria escapar em outros tempos. Jogando desse jeito, a margem para dias ruins diminui. Não consigo ver o Nadal de hoje ganhando tantos jogos sem jogar seu melhor, como fez por tanto tempo. E lembremos: jogando assim, Nadal não encaixa duas semanas inteiras de ótimo tênis desde o US Open de 2013. A cada dia que passa, fica mais difícil (mas não impossível) imaginar que isso vá se repetir.

Quem corre por fora?

Por enquanto, é difícil dizer o que esperar de Dominic Thiem. No início da semana, o revés diante de Dimitrov parecia decepcionante, um começo de ano abaixo da expectativa. Agora, depois de ver o búlgaro com o título, nem tanto.

Alexander Zverev também chega cheio de moral após a Hopman – especialmente com a vitória sobre Federer. No entanto, o adolescente que muitos acreditam estar no rumo para ser número 1 do mundo ainda precisa de uma grande campanha em um Slam. Talvez de uma grande vitória (em um torneio oficial) para servir de trampolim para voos mais altos. Até que isso aconteça, Sasha entra em qualquer torneio brigando pelo posto de “meu azarão favorito”.

O que dizer de Nick Kyrgios, que chegou à Copa Hopman com uma lesão sofrida numa pelada de basquete? A falta de compromisso do garotão não chega a ser uma surpresa (ele vive dizendo que não gosta de tênis), mas me parece um abuso para quem andou falando que poderia conquistar o Australian Open já este ano. Jogo para isso ele, de fato, tem. Ainda precisa mostrar que tem cabeça, foco e todos aqueles atributos que são mais do que bater bem na bolinha.

Quem surpreendeu?

O grande nome da primeira semana na ATP é, inquestionavelmente, Grigor Dimitroc. O búlgaro começou 2017 com três vitórias sobre top 10: Thiem, Raonic e Nishikori. Foi quem mais impressionou – pelo menos em termos de resultados – até agora, e o título de Brisbane lhe dá a confiança necessária para chegar a Melbourne realmente acreditando na possibilidade de uma grande campanha.

As grandes questões para Dimitrov, agora, são: ele teria feito o mesmo em um torneio mais importante, onde o resultado imediato fosse prioridade para todos tenistas?; e ele conseguirá repetir esses resultados em jogos de cinco sets, lembrando que ele não alcança as quartas de um Slam desde 2014? Talvez seja injusto levantar tais questões na primeira semana do ano, mas é nisso que a gente vai prestar atenção em Melbourne, não é verdade?

Nas casas de apostas

Fiquem de olho nas cotações pós Hopman/Doha/Sydney. Vai ser interessante ver o quanto elas vão mudar após o sorteio da chave em Melbourne.

Os brasileiros

Para o Brasil, até que os primeiros torneios do ano renderam resultados animadores. Thiago Monteiro perdeu na primeira rodada em Chennai, mas venceu dois jogos (Fabbiano e Giraldo) e entrou na chave principal em Sydney. O cearense também anunciou seu novo fornecedor de material esportivo: a espanhola Joma, que entra no lugar da Lacoste. Monteiro, lembremos, deixou de ser agenciado por Gustavo Kuerten (garoto-propaganda da Lacoste) para ser atleta da LinkinFirm, de Márcio Torres, que também agencia Bruno Soares, André Sá e Teliana Pereira.

Rogerinho, por sua vez, venceu uma partida (Lajovic) em Chennai, mas caiu nas oitavas de final, superado por Roberto Bautista Agut, que acabou como campeão do torneio. Em Sydney, porém, o paulista foi eliminado na primeira rodada do qualifying por Nikoloz Basilashvili.

Thomaz Bellucci, o #1 do Brasil, entrou na última hora na chave em Sydney, mas não passou da estreia. Diante de Nicolas Mahut, fez um primeiro set nada animador e só esboçou uma reação no finzinho do segundo set. Até teve chances de estender a partida, mas terminou derrotado por 6/2 e 7/6(2).

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Vale notar também que Bellucci não é mais atleta da adidas. O paulista jogou em Sydney vestindo Wilson, marca que já era sua fornecedora de raquetes. O texto de sua assessoria de imprensa cita como marcas parceiras de Bellucci a Claro, a Embratel (que são a mesma empresa) e a Wilson.


Que Federer tenha razão sobre 2017
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Alexandre Cossenza

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“Acho que o começo do ano, especialmente o verão australiano, vai ser épico.” A frase é de Roger Federer, em entrevista ao New York Times. O suíço fazia uma análise do que pode acontecer em seu retorno ao circuito mundial e afirmou que, tendo em vista o momento dos quatro integrantes do Big Four, o mundo pode ver histórias sensacionais no começo de 2017. Não era nem um exercício de futurologia. Federer falou com propriedade, e parece justo dizer que mundo inteiro espera que o ex-número 1 do mundo esteja certíssimo.

Dando um desconto pelo manjado uso do adjetivo “épico” (quem me segue no Twitter sabe que acho extremamente irritante e pobre a banalização de termos como “épico” e “histórico”), Federer foi preciso na análise. São quatro grandes histórias em curso. E não digo “histórias” no sentido de carreiras (embora todos tenham feitos, ahem, “históricos”), mas no aspecto jornalístico da coisa. São relatos incríveis que, contextualizados, ganham ainda mais importância. Vejamos:

Andy Murray

É o número 1 do mundo após um segundo semestre espetacular em 2016. É a primeira vez que o escocês abre uma temporada como o homem a ser perseguido. Há certa pressão nisso, mas também conta a seu favor o número menor de pontos a defender até abril em comparação com Djokovic. Resta saber se Murray encontrou/encontrará um nível de conforto em seu tênis para continuar jogando com essa intensidade e vencendo com essa frequência.

Além disso, tem toda a questão psicológica da coisa. Tem gente que se sente à vontade e mais poderoso ainda como número 1 (vide Federer), mas nem todos lidam tão bem assim com todos alvos do planeta apontados para sua cabeça. Como Murray vai se comportar no topo do ranking? Ser número 1 coloca ou tira peso em suas costas? Tudo é questão de perspectiva, e o mundo só vai saber isso com 100% de certeza quando a temporada de 2017 começar.

Novak Djokovic

O homem que dominou o circuito em 2014 e 2015, colocando-se como favorito de uma maneira inédita (mais cotado a vencer qualquer tenista em qualquer piso) no tênis moderno, perdeu gás após completar o Career Slam em Roland Garros. terminou o ano como número 2, contratando uma espécie de guru (embora ele não goste do termo guru) e encerrando a parceria com Boris Becker, que saiu dizendo que faltou dedicação no segundo semestre. Os motivos para a queda de Nole já foram bem discutidos e debatidos neste blog. Os sinais de esgotamento estavam lá para todo mundo ver.

Mas o que vem por aí agora? Becker fará falta? Com Vajda ainda no time, não me parece que o alemão será um desfalque tão grande assim. De qualquer modo, será que o Djokovic faminto e sufocante voltará a dar as caras em 2017? Ou será que vem um ano mais ou menos por aí? É bem verdade que Nole tem tênis de sobra para continuar brigando por títulos mesmo aquém de seu melhor, mas talvez aquele ingrediente que faltou nos últimos meses de 2016 seja necessário para brigar pelo número 1. Ou não? O ATP de Doha, que começa no dia 2 de janeiro, nos dará os primeiros indícios.

Rafael Nadal

A temporada de 2016 deveria ter sido o ano que mostraria onde está de fato o tênis de Rafael Nadal, mas nem isso deu para ver com tanta clareza assim. Uma lesão no punho tirou o espanhol de Roland Garros, que acabou não jogando Wimbledon e até fez uma bela Olimpíada, mas encerrou a temporada mais cedo. Houve (esperados) títulos no saibro, vide Monte Carlo e Barcelona, mas também houve (inesperadas) derrotas doídas, como em Melbourne e Nova York.

Nadal foi melhor quando jogou seu básico – não tão agressivo quanto em 2015 – mas deu a impressão de que seu tênis, hoje, está em uma posição desagradável. Aos 30 anos, Nadal não tem o físico para jogar as partidas e os pontos longos que destruíam mentalmente seus adversários (inclusive fugiu do calor e da umidade de Buenos Aires e do Rio de Janeiro em 2017), mas também não mostrou uma consistência nem técnica nem mental na agressividade que precisa para vencer jogos mais curtos.

Com a contratação de Carlos Moyá para seu time, Nadal mostra que não está satisfeito e busca um olhar diferente para seu jogo. Não ouso especular sobre o que Moyá vai conseguir fazer pelo compatriota, mas é bem possível que 2017 seja o ano do vai-ou-racha para Nadal. Afinal, não me parece que ele ficará satisfeito se repetir os resultados de 2016. Se isso acontecer, será preciso decidir se vale a pena continuar competindo assim.

Roger Federer

A história mais intrigante de 2017. Pela primeira vez na vida, o suíço fará um “retorno” após longa parada. A cirurgia no joelho, no começo do ano passado, já foi uma novidade estranha para Federer. Ele adiou a volta duas vezes (Indian Wells e Miami), disputou torneios no saibro e evitou Roland Garros. Insistiu, jogou três torneios na grama, mas viu que não dava para continuar.

Após seis meses de pausa, é de se esperar que o veterano de 35 anos esteja em plena forma. Afinal, se alguém pode estar em plena forma aos 35, Federer é o nome. Só que o resultado desses seis meses longe do circuito ainda é uma incógnita. É bem provável que ele apareça na Austrália de cabeça fresca e mais motivado do que nunca, o que será extremamente saudável para seu tênis, mas daí a capitalizar isso em resultados é outra história. Que ninguém ouse duvidar do suíço, mas com tanta gente boa surgindo no circuito e com o esporte cada vez mais veloz, a luta pelo 18º Slam só fica mais complicada.

Coisas que eu acho que acho:

– O Big Four caminha para um Australian Open diferente e intrigante. Do jeito que o ranking se mostra, é bem possível que Nadal e Federer estejam fora do grupo dos 8 cabeças de chave. Ou seja, podem enfrentar Murray e/ou Djokovic logo nas oitavas de final, o que encurtaria alguma(s) das quatro histórias acima.

– Além das quatro histórias citadas por Federer, o que não vai faltar é roteiro interessante no início de 2017. Teremos Nick Kyrgios voltando de suspensão (e já falou que pode ganhar este Australian Open); Dominic Thiem ainda tentando se firmar como tenista-de-torneio-grande; Milos Raonic, o #3, indo atrás do sonhado Slam; Wawrinka sendo Wawrinka (leia-se “podendo ganhar de qualquer um a qualquer hora); e até David Ferrer tentando voltar a um lugar mais digno.

– Faltará, obviamente, Juan Martín del Potro, o grande fator de desequilíbrio de 2016. O argentino, campeão da Copa Davis, já anunciou que não vai jogar o Australian Open por questões físicas. Segundo a imprensa argentina, Delpo quer fazer uma boa pré-temporada antes de voltar com força ao circuito.