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AO, dia 6: a vez do Nadal ‘vintage’
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Alexandre Cossenza

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A edição 2017 do Australian Open está definitivamente sendo saborosa para os apreciadores dos maiores vencedores de Slams em atividade. Menos de 24 horas depois de uma atuação clássica de Roger Federer, foi a vez de Rafael Nadal conquistar uma vitória enorme de um jeito que ninguém fez melhor nos últimos tempos. Com luta, em cinco sets, em 4h06min de jogo e terminando com um adversário esgotado e com cãibras do outro lado da rede.

Lembrou o melhor Nadal, aquele das vitórias sobre Verdasco e Federer no mesmo Australian Open em 2009, do triunfo sobre Djokovic em Roland Garros 2013 (ou Madri/2009), de tantas e tantas vitórias que exigiram tanto da tática e da técnica quanto de algo extra: a força mental, altíssima ao longo de todo jogo, e a preparação física. Alexander Zverev, 19 anos e dono de um tênis (quase) completo (falta ir à rede), foi um adversário notável, mas que não conseguiu se equiparar durante o tempo necessário e acabou como vítima de um majestoso triunfo por 4/6, 6/3, 6/7(5), 6/3 e 6/2.

Resumir o Nadal de hoje – ou o melhor Nadal ou qualquer Nadal – à figura de um gladiador, ainda que tentador, é burrice. O próprio Rafa cedeu momentaneamente quando entrevistado por Jim Courier após o jogo. Ao explicar ao ex-tenista como venceu o jogo, começou com uma resposta curta: “Lutando.” Ganhou aplausos e sorrisos, mas continuou a resposta fazendo uma enorme análise tática. Sim, Nadal nem havia saído da quadra e tinha o jogo inteiro na cabeça. Se você leitor, acha que é fácil, sugiro prestar mais atenção nas tantas respostas rasas das entrevistas pós-jogo de outros aletas.

Talvez não exista ilustração melhor sobre este Nadal inteligente do que a partida deste sábado na Rod Laver Arena (RLA). Porque o Nadal de hoje é agressivo, gosta de e precisa jogar mais no ataque, mas os saques e golpes de fundo de Zverev assustam. No primeiro set, bastou uma quebra – no primeiro game – para que o alemão saísse na frente. A potência fazia diferença.

Rafa, o cabeça 9, fez ajustes. Passou a usar slices, variou o peso de bola e usou todo tipo de saque em seu arsenal. Mexeu com a cabeça de Zverev, conseguiu uma quebra e equilibrou as ações. O espanhol ainda levava vantagem tática na terceira parcial, mas o adolescente tinha o saque para igualar o duelo. No tie-break, agrediu mais e levou.

Nesse momento, tudo jogava contra. Os 30 anos de idade, o histórico recente de três derrotas seguidas em jogos com cinco sets e até as duas vitórias de Zverev em seus últimos jogos de cinco sets. Nadal passou a devolver o saque lá do fundão e teve resultado. Enquanto o alemão ainda vibrava com o tie-break vencido, Nadal abria 3/0 na parcial. Nesse momento, chegando perto das 3h de jogo, o espanhol parecia mais inteiro, mais senhor do jogo.

O golpe final ainda estava por vir. Nadal quebrou primeiro no quinto set, mas perdeu o serviço pouco depois. Veio, então, o decisivo quinto game. Sim, o quinto. Zverev teve 40/15 e uma bola fácil em sua direita para matar o ponto e fechar o game. Jogou na rede. Com o game em iguais, os tenistas disputaram um espetacular rali de 37 golpes. O alemão ganhou o ponto. O espanhol ganhou o jogo. Ali, ao término do ponto interminável, o adolescente sentiu cãibras.

Nadal castigou. Colocou para correr, deu curtinhas, lobs, ganhou mais ralis. Zverev até que lutou contra o corpo. Foi bravo até o último ponto, tentando o que lhe restava. Nada adiantou. Não ganhou mais um game. O ex-número 1 comemorou e disse que, até pelas derrotas recentes em três sets, foi um dia muito especial. Para ele e para todos. Um clássico. Vintage Rafa.

O adversário

Nas oitavas de final, Nadal vai enfrentar Gael Monfils (#6), que precisou só de três sets para despachar Philipp Kohlschreiber: 6/3, 7/6(1) e 6/4. O último jogo entre eles teve dois sets de altíssimo nível. Foi na final do Masters 1.000 de Monte Carlo de 2016, quando Rafa fez 7/5, 5/7 e 6/0. No total, o retrospecto de confrontos diretos é amplamente favorável ao #9: são 12 vitórias dele contra duas de Monfils.

A favorita

Depois de duas rodadas complicadas contra Bencic e Safarova, Serena Williams encarou uma adversária de menos nome e aproveitou. A compatriota Nicole Gibbs, #92, conseguiu fazer apenas quatro games. A número 2 do mundo completou a vitória por 6/1 e 6/3 em apenas 1h03min, mesmo com números nada estelares: quatro aces, quatro duplas falas, 17 winners e 26 erros não forçados.

A próxima oponente da #2 será a perigosa Barbora Strycova, cabeça 16. A tcheca passou por Kulichkova, Petkovic e Garcia sem perder um set sequer e será um desafio interessante para Serena. Strycova tem golpes para mudar a velocidade do jogo e exigir um pouco mais de movimentação da americana, mas será o bastante para anular a potência da ex-número 1?

Outros candidatos

Na Margaret Court Arena (MCA), Johanna Konta, cabeça de chave número 9, ampliou sua série de vitórias com um massacre sobre Caroline Wozniacki: 6/3 e 6/1. A britânica impôs sua potência desde o início do jogo, dando as cartas e fazendo a dinamarquesa correr de um lado para o outro da quadra. Sem golpes de fundo para mudar a partida e sem tentar grandes variações, a ex-número 1 chegou a perder nove games seguidos antes de “furar o pneu” no fim do segundo set.

Konta agora soma oito vitórias seguidas, emendando com o título do WTA de Sydney. Nas oitavas em Melbourne, ela vai enfrentar a russa Ekaterina Makarova, que jogou muito, jogou nada e jogou muito de novo para derrotar Dominika Cibulkova por 6/2, 6/7(3) e 6/3. O placar puro e simples omite que a russa teve 6/2 e 4/0 de vantagem, perdeu cinco games seguidos, salvou três set points e perdeu a segunda parcial.

Makarova também abriu o terceiro set com uma quebra, mas só para perder o serviço logo em seguida. Na hora de decidir, contudo, aproveitou melhor as chances. Salvou três break points no sétimo game, quebrou Cibulkova no oitavo e fechou no nono. Uma atuação que foi suficiente para vencer neste sábado, mas que possivelmente não resolverá contra a mais consistente Konta.

A eslovaca, por sua vez, saiu lamentando as chances perdidas no terceiro set, quando parecia que o jogo ia mudar de mãos definitivamente.

Dominic Thiem e David Goffin também avançaram. O austríaco bateu Benoit Paire em um jogo com altos e baixos por 6/1, 4/6, 6/4 e 6/4, enquanto o belga dominou Ivo Karlovic e fez 6/3, 6/2 e 6/4. Goffin, aliás, já vinha de um triunfo sobre um sacador. Na primeira rodada, superou Riley Opelka (2,11m) em cinco sets. Agora, Thiem e Goffin duelam por um lugar nas quartas de final.

Cabeça de chave número 3 e mais bem ranqueado na metade de baixo da chave – depois da eliminação de Djokovic – Milos Raonic voltou a avançar. Desta vez, em um jogo mais complicado do que o placar sugere. Gilles Simon resistiu bravamente, mas a derrota no tie-break do parelho segundo set colocou o francês num buraco fundo demais para sair. Simon ainda saiude uma quebra atrás para vencer a terceira parcial, mas a margem para erro era pequena demais, e o canadense acabou fechando em seguida: 6/2, 7/6(5), 3/6 e 6/3. Ele agora encara Roberto Bautista Agut (#14), que venceu o duelo espanhol com David Ferrer (#23): 7/5, 6/7(6), 7/6(3) e 6/4.

Os brasileiros

A rodada começou com uma vitória bastante grande para Marcelo Demoliner. Ele e o neozelandês Marcus Daniell eliminaram os cabeças de chave número 6, Rajeev Ram e Raven Klaasen, por 6/1 e 7/6(4).

O resultado coloca o time nas oitavas de final contra Sam Groth e Chris Guccione, que passarem por Treat Huey e Max Mirnyi: 7/6(10) e 7/6(5). Por enquanto, a campanha já iguala o melhor resultado de Demoliner em Slams. Ele também alcançou as oitavas em Wimbledon/2015 (também com Daniell) e no US Open/2016 (Bellucci). O gaúcho, por enquanto, vai subindo nove posições no ranking e alcançando o 55º posto – o melhor da carreira.

Mais tarde, Marcelo Melo e Lukazs Kubot, cabeças de chave 7, superaram Nicholas Monroe e Artem Sitak e tambem passaram para as oitavas: 6/4 e 7/6(3). O próximo jogo é aquele do climão, já que o mineiro vai encarar seu ex-parceiro, Ivan Dodig, que atualmente joga com Marcel Granollers. Embora ninguém tenha dito nada hostil publicamente, a separação não foi no melhor dos termos e incluiu um péssimo clima no ATP Finals e unfollows em redes sociais.

Na chave de duplas mistas, Bruno Soares, em parceria com Katerina Siniakova, passou pela estreia. A dupla de brasileiro e tcheca, que são os cabeças de chave número 6, derrotou Pablo Cuevas e María José Martínez Sánchez por 6/4 e 6/3.

A boyband de Roger Federer

O suíço não entrou em quadra neste sábado, mas foi assunto nas redes quando postou o vídeo abaixo. Ele, Grigor Dimitrov e Tommy Haas cantam Hard To Say I’m Sorry (Chicago) com David Foster (ex-Chicago) no piano. Vejam, riam e julguem!

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As oitavas de final

[1] Andy Murray x Mischa Zverev
[17] Roger Federer x Kei Nishikori [5]
[4] Stan Wawrinka x Andreas Seppi
[12] Jo-Wilfried Tsonga x Daniel Evans
[6] Gael Monfils x Rafael Nadal [9]
[13] Roberto Bautista Agut x Milos Raonic [3]
[8] Dominic Thiem x David Goffin [11]
[15] Grigor Dimitrov x Denis Istomin

[1] Angelique Kerber x Coco Vandeweghe
Sorana Cirstea x Garbiñe Muguruza [7]
Mona Barthel x Venus Williams [13]
[24] Anastasia Pavlyuchenkova x Svetlana Kuznetsova [8]
[5] Karolina Pliskova x Daria Gavrilova [22]
[Q] Jennifer Brady x Mirjana Lucic-Baroni
[30] Ekaterina Makarova x Johanna Konta [9]
[16] Barbora Strycova x Serena Williams [2]

Infelizmente, por questões pessoais, não houve tempo de incluir uma breve análise das vitórias de Karolina Pliskova (que foi um jogão, com drama de sobra) e Grigor Dimitrov. Agradeço a compreensão.


Tudo que você precisa saber sobre o Rio Open
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Alexandre Cossenza

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A organização do Rio Open promoveu, nesta quarta-feira, um encontro de jornalistas com o diretor do torneio, Lui Carvalho, para um bate-papo durante um café da manhã em um hotel na zona sul da cidade. Como já aconteceu no ano passado, a conversa é bastante interessante, com o diretor dando uma espécie de tour pelos bastidores das negociações com jogadores e falando sobre o que a organização espera para o futuro do ATP 500 carioca.

Entre os destaques do dia, Lui falou: das conversas com Del Potro, Murray, Djokovic, Nadal, Wawrinka, Berdych, Dimitrov, Monfils, Dustin Brown e outros; dos planos para transformar o Rio Open em um torneio de quadra dura; do desejo de fazer o evento no Parque Olímpico; da exclusão e da falta de interesse pelo torneio feminino; das vendas de ingressos; e de uma grande expectativa em relação a Thomaz Bellucci e Thiago Monteiro. A declaração sobre Bellucci, em especial, é interessantíssima!

Selecionei os trechos que achei mais importantes e listei abaixo, com comentários meus e, em itálico, frases de Lui Carvalho. A lista com os tenistas inscritos está no fim do post.

Negociações com tenistas

Juan Martín Del Potro

“Um dos atletas que a gente esteve muito perto de conseguir foi o Del Potro. Ele fez a virada da carreira dele nos Jogos Olímpicos, no Rio, e a gente tinha toda a história montada para ele. Voltando de lesão, jogando no Rio, público apoiando, o único atleta argentino que não é vaiado no Brasil e ele tem essa conexão com o Brasil, mas infelizmente o fator piso pesou. Ele não quis jogar no saibro nessa época do ano, mesmo por valor nenhum. A gente estava pensando em fazer uma proposta conjunta Buenos Aires-Rio, mas infelizmente ele optou por jogar, se não me engano, Delray Beach e Acapulco. Não foi uma questão nem de dinheiro nem de vontade. Foi uma questão de preferência de piso.”

Gael Monfils

“É um namoro antigo nosso, até pela relação que a gente tinha com a nossa última fornecedora de material esportivo [Asics]. Monfils foi o primeiro atleta com quem a gente chegou a conversar, logo depois do Rio Open 2016. Já estava rolando bastante conversa, bastante troca de email para ver se a gente conseguia chegar num acordo, mas ele optou por um calendário diferente. Não tanto pelo piso, mas mais pelo calendário de não ter que voltar da Austrália para a América do Sul e ir direto para os Estados Unidos. Ele preferiu ficar em casa e jogar, se não me engano, Roterdã e Dubai.”

Janko Tipsarevic

“A gente estava esperando fechar a lista. É um ex-top 10, a gente acha um nome muito interessante para o torneio. É um cara divertidíssimo, ele é muito doido. E é um cara inteligentíssimo. Ele realmente pediu [um wild card], e a gente vai começar a ver os wild cards agora.”

Good first week…💪😈💪 @tipsarevictennisacademy #bangkok #keepgrinding #keeppushing #keepdigging

A photo posted by Janko Tipsarevic (@tipsarevicjanko) on

Grigor Dimitrov e Tomas Berdych

“A gente ficou meio nesse jogo de xadrez entre Nishikori e Thiem e Berdych e Dimitrov. Então a gente ficou meio jogando esse joguinho. Quem desses quatro a gente consegue trazer? É um tremendo jogo de xadrez.”

A forte concorrência de Dubai, Roterdã e Acapulco

“A gente disputa os atletas com Dubai, Roterdã e Acapulco, os ATPs 500 dessa época. Se o atleta joga Dubai, ele não joga Rio. Se ele joga Acapulco, é mais possível que ele jogue Rio. A gente fica muito na região. Nós e Acapulco coordenando aqui, Dubai e Roterdã de lá. Dubai está completando 25 anos, então o sheik está vindo com um A380 de dinheiro da Emirates. Acapulco, de um ano para o outro, decidiu investir um caminhão de dinheiro. A gente não sabe da onde está vindo tanto dinheiro também. E Roterdã está tentando consertar o que aconteceu em 2016. Não teve nenhum top 10. (…) Não pegou muito bem com público, patrocinador, ficou uma situação um pouco delicada.”

Outros nomes

“A gente falou com Zverev, Coric, Wawrinka, Murray, Djokovic… A gente chegou a conversar com todos top 10.”

Mudança de piso

“O que a gente está tentando mostrar [para a ATP] é que a competição agora é desleal. Nadal, que é um jogador de saibro, escolher Roterdã e fazer um calendário Roterdã-Acapulco… Os jogadores já não têm argumento para manter o [Rio Open] no saibro porque o carro-chefe deles já está botando a bandeirinha branca e dizendo ‘quero jogar na dura’. É uma politicagem de torneios tentando entrar num acordo do que faria sentido no calendário. (…) Hoje em dia, os jogadores querem mudar pouquíssimo de piso. O que a gente gostaria é de uma oportunidade para testar o Rio Open na [quadra] dura. E é isso que a gente está pedindo para a ATP.”

Calendário pós-2018

Até 2018, a ATP é obrigada a manter a estrutura atual de torneios, com Masters 1000, ATPs 5000 e ATPs 250. Juridicamente, a entidade pode mudar tudo a partir de 2019. Embora alterações radicais não sejam prováveis, é bem possível que o calendário sofra alterações e um aumento no número de datas. A intenção da ATP é decidir tudo isso até o fim deste ano.

“Existem milhares de discussões acontecendo. Por exemplo, a ATP e os diretores de torneio fizeram um trabalho conjunto para diminuir o calendário. O que aconteceu? Entrou a IPTL. Foi inteligente da nossa parte? Não. Foi a maior burrice que a gente fez. A gente deveria ter deixado o calendário com 52 semanas, assim não entra ninguém. Os jogadores fizeram um movimento ‘não quero jogar, quero ter offseason’. A gente ‘tá bom, então vamos diminuir o calendário’. Prejudicou um monte de torneio. E o que os jogadores fazem? Começam a jogar exibição na offseason. Sacanagem, né? Quem faz os jogadores são os torneios! Só existe o Federer, o Nadal porque existe um circuito que faz eles virarem estrelas. Aí eles viram estrelas e viram as coisas pra gente e vão jogar um circuito que não tem nada a ver com a gente? Realmente, é uma discussão que a gente tem em todas as reuniões.”

Desejo de jogar no Parque Olímpico

“A gente tem o desejo de jogar no Parque Olímpico um dia, mas isso não é uma decisão nossa. Depende de uma série de fatores. Depende de quem vai administrar o local, de como vai ser essa negociação, em que condições que a gente vai pra lá… A gente quer deixar isso bem explicado. Nosso evento é no saibro. A gente não conseguiu aprovação pra mudar de piso. A gente tentou e não conseguiu. Não teria tempo hábil pra mudar de dura pra saibro. Para 2018, a gente está tentando ver como pode fazer isso ser possível.”

Interesse no torneio feminino e valores dos ingressos

Com relação a esse assunto, argumentei com Lui Carvalho que não seria justo dizer que o torneio está cobrando o mesmo pelos ingressos de segunda a quinta, já que ano passado o Rio Open tinha um torneio feminino e, logo, o dobro do número de partida. Este ano, o preço é o mesmo, mas só para jogos masculinos. Ele respondeu argumentando que o interesse era mínimo para a chave feminina.

“Você tem a metade de partidas para ver, mas a gente foca no conteúdo, né? Não vou conseguir concordar com você. Se você fizer uma enquete com as pessoas, quantas compraram pra assistir a um jogo do feminino? Quando a gente toma a decisão de tirar o feminino, foi a primeira coisa que a gente falou: ‘a gente vai perder conteúdo?’ A gente fez uma enquete com várias pessoas. O nível do evento já começa muito diferente. Vamos imaginar que fosse um WTA International que tivesse uma Radwanska de cabeça 1 – eu sei que você adora a Radwanska. O nível já começa diferente. Com a data contra Doha e Dubai, o gap ficava ainda maior. A gente teve muita sorte de as brasileiras fazerem boas campanhas nos três anos. (…) Quantas pessoas compraram ingresso para ver a Schiavone? Não sei, mas você concorda comigo que as pessoas compraram ingresso para ver o Nadal, o Tsonga, o Isner? Até acho que quando a gente anunciou a Bouchard, a Madison, não mexe no ponteiro. Não mexe mesmo.”

Venda de ingressos

Até esta quarta, o Rio Open tinha vendido cerca de 60% dos ingressos e ainda havia bilhetes para todas sessões. Segundo Lui Carvalho, a final no domingo de Carnaval não atrapalha a venda. O torneio, aliás, vende pacotes de tênis+carnaval por meio da Faberg, agência parceira. Os ingressos estão à venda aqui.

Expectativa por uma boa campanha de Bellucci e Monteiro

Aqui, é interessante lembrar que Lui Carvalho não fala só como diretor do Rio Open, mas como manager da carreira de Thomaz Bellucci. A relação deles é de longa data e vem desde quando a carreira do tenista era gerida pela Koch Tavares. Lui, então funcionário da Koch, já era o responsável por administrar tudo relacionado a Bellucci.

“Acho que está na hora de o Bellucci e o Thiago fazerem alguma coisa especial no Rio Open. Tá na hora! Eles precisam, sabe? Bellucci precisa meter uma semi num ATP 500 no Brasil. Eles precisam disso. Isso vai ajudar o nosso esporte. Esses caras precisam botar o coração na quadra e dizer ‘eu vou fazer o que o Guga fez’. O Guga levou o tênis nas costas durante seis, sete, oito anos. Eles precisam fazer isso. A gente precisa disso. Estou apostando nisso.”

“Minha conversa com o Thomaz no fim de 2016 foi essa. ‘Você tem 30 anos de idade, entendeu? Ou você vai ou você vai. Não quero que você chegue no final da carreira Rubinho Barrichello. É a única coisa que não quero. Quero que você chegue Felipe Massa. Comoveu a galera. O Thomaz está numa fase que casou, está mais responsável, está numa fase boa pessoal. Ele precisa botar isso dentro de quadra.”

“Acho que os jogadores não entendem a responsabilidade deles dentro do esporte. Acho que eles olham muito a conta bancária deles e ‘ah, tá pingando’ e não entendem que o que eles fazem dentro de quadra move milhões de pessoas. Eles precisam ter mais essa consciência. É muito mais do que a vida deles, do que o patch da manga.”

Lista de participantes


NY, dia 1: Garbiñe assusta, Djokovic preocupa, Nadal empolga
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Alexandre Cossenza

Para um primeiro dia de Slam, a segunda-feira que abriu o primeiro US Open com teto retrátil no Estádio Arthur Ashe (sim, o estádio da foto abaixo, clicado no show que antecedeu a sessão noturna) foi bastante interessante. Não teve grandes zebras – nem a queda de Richard Gasquet chocou tanto assim -, mas contou com partidas intrigantes de Garbiñe Muguruza, Rafael Nadal e Novak Djokovic. Angelique Kerber também venceu, mas seu jogo só serviu para alimentar a primeira polêmica do torneio. O resumo do dia traz um pouco de tudo que rolou.

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Os favoritos / A primeira polêmica

Entre os homens, o primeiro dos quatro cabeças a estrear foi Rafael Nadal (#5), que encarou Denis Istomin (#107) e passou por cima: 6/1, 6/4 e 6/2, chegando a vencer nove games seguidos nos primeiros dois sets. Ainda é cedo e o espanhol não foi tão exigido assim, mas Nadal deu bons sinais. Sacou bem (e com potência!), agrediu bastante do fundo de quadra e foi consistente quando a ocasião pediu. Com uma chave acessível até pelo menos as quartas de final, terá tempo de afiar seu tênis e chegar bem na segunda semana. Se a lesão no punho deixar, os outros candidatos que se cuidem.

Na chave feminina, Angelique Kerber (#2) ficou apenas 33 minutos em quadra. Sua adversária, a eslovena Polona Hercog (#120), abandonou quando perdia por 6/0 e 1/0, alegando tonturas sob o forte sol desta segunda-feira. Até aí, tudo bem. O problema é que o abandono não foi muito bem recebido por Donna Vekic, que perdeu na última rodada do quali e aguarda uma vaga como lucky loser. A croata foi sarcástica no Twitter ao ver o resultado:

Indagada sobre o assunto, Hercog disse não saber o que dizer porque “ela não sabe o que estava acontecendo. Não sei como ela pode julgar.” A eslovena ainda disse “não é minha culpa se ela perdeu na última rodada do quali.”

Na sessão noturna do Ashe, pouco depois de uma apresentação de Phil Collins, Novak Djokovic (#1) derrotou Jerzy Janowicz (#247) em quatro sets: 6/3, 5/7, 6/2 e 6/1. Aqui valem todas as ressalvas do tipo “ainda é cedo”, mas foi uma atuação preocupante para os fãs do sérvio. Djokovic, que chegou a Nova York ainda se recuperando de uma lesão no punho esquerdo, pediu atendimento médico e recebeu tratamento no cotovelo direito ainda no início do jogo.

Seus saques estiveram abaixo do esperado – a velocidade média do segundo serviço ficou em 140 km/h (em Wimbledon, a mesma média ficou na casa dos 150 km/h) e seu jogo não mostrou nada de especial nesta segunda. O duelo poderia até ter se complicado não fossem a inconstância e as 13 duplas faltas de Janowicz, que pouco fez no terceiro e no quarto sets. O grande mérito de Djokovic foi a consistência (18 erros não forçados em quatro sets).

Ao fim do jogo, o número 1 do mundo fugiu duas vezes da pergunta sobre o atendimento em seu braço. Cantou e dançou até finalmente afirmar apenas que ninguém está 100% em todos os jogos e que não era a hora de falar naquilo. Resta saber se é (mais) alguma coisa que ele vai carregar para o resto do torneio ou se foram dores ocasionais que desaparecerão com tratamento ao longo dos dias.

Cabeças que rolaram

Richard Gasquet (#15) foi o principal cabeça de chave a dar adeus nesta segunda-feira. O francês disse que a lesão nas costas que o tirou de Wimbledon não incomodou em Nova York, mas a impressão era de que ele não estava 100% fisicamente. De qualquer modo, Kyle Edmund (#84) foi muito superior. O britânico disse inclusive ter jogado melhor do que esperava no triunfo por 6/2, 6/2 e 6/3.

Quem também se despediu foi Martin Klizan (#29), embora sua derrota seja uma surpresa muito mais pelo placar do que pelo adversário. O russo Mikhail Youzhny (#61) aplicou 6/2, 6/1 e 6/1.

A chave feminina também teve um punhado de cabeças rolando, mas parece justo dizer que nenhum dos resultados causou grande abalo. Coco Vandeweghe (#30) foi eliminada por Naomi Osaka (#81); Sara Errani (#28) tombou diante de Shelby Rogers (#49); Irina-Camelia Begu (#23) caiu diante da Lesia Tsurenko (#99); e Misaki Doi (#32) perdeu para Carina Witthoeft (#102).

O susto

Garbiñe Muguruza (#3) não esteve tão perto assim da eliminação, mas assustou seus fãs quando perdeu o primeiro set por 6/2 para a qualifier belga Elise Mertens (#137). A espanhola, no entanto, se aprumou, aplicou um pneu no segundo set e venceu por 2/6, 6/0 e 6/3. Não foi a estreia dos sonhos, mas Muguruza também fez uma primeira partida preocupante em Roland Garros e não perdeu sets depois, batendo inclusive Serena Williams na final.

Seria uma coincidência enorme se acontecesse de novo, mas o importante é sobreviver nos dias ruins, e a número 3 do mundo fez isso nesta segunda. Muguruza, lembremos, é uma das tenistas com chance de sair de Nova York no topo do ranking mundial (veja as chances no tweet abaixo).

A ressaca olímpica

A tarefa não era mesmo das mais fáceis. Depois da conquista olímpica, Mónica Puig (#35) virou um ícone de Porto Rico. Fez aparições por toda parte e carregou a medalha de ouro por onde esteve. Acabou derrotada na primeira rodada do US Open pela chinesa Saisai Zheng (#61): 6/4 e 6/2.

No papel, o resultado deixa mais fácil a vida de Muguruza, que enfrentaria Puig na terceira rodada. Foi a porto-riquenha, lembremos, que aplicou 6/1 e 6/1 e despachou a espanhola dos Jogos Olímpicos Rio 2016. Muguruza agora só enfrentará uma cabeça de chave nas oitavas, quando terá pela frente quem sair da seção que tem como Konta e Bencic como nomes mais fortes.

O acidente

Na vitória sobre o luxemburguês Gilles Muller (#37) por 6/4, 6/2 e 7/6(5), Gael Monfils (#12) tentou uma defesa quase de beisebol (que faria sentido no estádio do NY Mets, pertinho de Flushing Meadows) e acabou deixando o relógio do fundo de quadra completamente despedaçado.

A aboborização

Francis Tiafoe, 18 anos e #125 do mundo, esteve a dois pontos de derrotar John Isner (#21) e conquistar sua primeira vitória em um Slam, mas se afobou no tie-break do terceiro set e deixou o compatriota entrar no jogo. Tiafoe também sacou para fechar o jogo no quinto set, mas cedeu a quebra quando jogou uma direita fácil no meio da rede. Isner não perdoou e venceu o tie-break decisivo, fechando em 3/6, 4/6, 7/6(5), 6/2 e 7/6(3).

Depois de ver sua carruagem virar abóbora, o adolescente deu um grande abraço e não queria soltar o veterano. Isner, que disparou 35 aces, sobreviveu para enfrentar Steve Darcis na segunda rodada. Depois da queda de Gasquet, Isner pode encontrar um cabeça de chave apenas nas oitavas de final. Pode ser, quem sabe, um duelo com Novak Djokovic.

Correndo por fora / O recorde noturno / O patrocínio vetado

Além de Marin Cilic, campeão do US Open em 2014, a lista de candidatos ao título que venceram nesta segunda inclui também Milos Raonic (#6), que superou Dustin Brown (#86) por 7/5, 6/3 e 6/4.

Na chave feminina, Petra Kvitova (#16) teve seu saque quebrado no primeiro e no terceiro games, mas se recuperou e nem precisou de três sets. Fez 7/5 e 6/3 em cima de Jelena Ostapenko (#36).

O último jogo do dia já começou tarde, por conta do show de Phil Collins e da partida não-tão-rápida de Djokovic. Madison Keys (#9) perdeu o primeiro set, esteve uma quebra atrás na segunda parcial e até viu a compatriota Alison Riske (#60) sacar em 5/4 no tie-break do segundo set, mas escapou por pouco. A top 10 acabou triunfando por 4/6, 7/6(5) e 6/2.

O encontro terminou à 1h48min da manhã (horário local), estabelecendo um novo recorde para fim de jogo mais tarde em uma partida feminina no US Open.

A grande curiosidade da noite, porém, foi o veto da USTA ao plano de Madison Keys de usar a marca de um patrocinador tatuada na pela (tatuagem temporária, claro). A ideia foi do agente da moça, Max Eisenbud, o mesmo empresário de Sharapova. Sim, ele é o cidadão que seria responsável por ler as mudanças na lista de substâncias proibidas pela Wada, mas não o fez “porque deixou de viajar para o Caribe nas férias” (bom argumento, não?).

A intenção era driblar uma proibição da Nike, que não deixa que seus atletas usem marcas de outros patrocinadores na roupa. A Nike até concordou com a tatuagem, mas o plano foi impedido pela USTA, organizadora do torneio. Segundo o porta-voz da entidade, as regras para torneios do Grand Slam proíbem patrocínio co corpo. Leia mais no link do tweet acima.

Os brasileiros

Em uma jornada pavorosa, Thomaz Bellucci (#65) acabou eliminado pelo russo Andrey Kuznetsov (#47): 6/4, 3/6, 6/1 e 7/6(5). O número 1 do Brasil teve todas as chances do mundo para voltar na partida – inclusive depois de salvar três match points no quarto set – contra um adversário errático, mas não conseguiu. Como alcançou a terceira rodada no ano passado, Bellucci perderá pontos e cairá pelo menos para o 75º posto na lista da ATP.

Rogerinho (#108) deu azar no sorteio e até fez uma apresentação bem digna, dando trabalho para Marin Cilic (#9), mas acabou eliminado em três sets: 6/4, 7/5 e 6/1, em 2h de jogo. O paulista também perderá posições no ranking, indo parar em 120º na melhor das hipóteses. Rogerinho pode até ser ultrapassado por Feijão, que não passou pelo quali do US Open e joga esta semana um Challenger em Curitiba.

Por fim, Guilherme Clezar (#203), que furou o qualifying e deu a sorte de enfrentar outro qualifier na estreia, venceu o primeiro set e sacou em 5/4 no tie-break da segunda parcial, mas acabou superado pelo suíço Marco Chiudinelli (#144): 2/6, 7/6(6), 6/2 e 6/4.

Os melhores lances

Não foi lá um ponto fantástico, mas um único golpe espetacular. Vale ver o forehand vencedor de Nadal que lhe deu a quebra decisiva no segundo set contra Denis Istomin. Um canhão.


Semana 19: Andy, Serena e as cartas embaralhadas antes de Roland Garros
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Alexandre Cossenza

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O aniversariante Andy Murray foi campeão em um grandíssimo Masters 1.000 de Roma, Serena Williams voltou a levantar um troféu e brasileiros como Thomaz Bellucci, Teliana Pereira e Rogerinho viveram bons momentos na última semana.

Este resumaço dos últimos dias no circuito inclui Serena Williams experimentando comida para cachorro, a linda homenagem a Flavia Pennetta, (mais) um anúncio de Juan Martín del Potro, uma discussão entre Stan Wawrinka e Carlos Bernardes, a chave do qualifying masculino de Roland Garros e alguns dos lances mais bacanas do período.

O campeão

Aniversariante do dia, vindo de um vice em Madri e com uma chave fraquíssima em Roma, Andy Murray aproveitou a janela que se abriu. O escocês completou 29 anos e comemorou duplamente após derrotar Novak Djokovic por duplo 6/3 na final do torneio italiano.

O resultado quebrou uma sequência de 17 triunfos do número 1 do mundo contra top 10 e deixou tudo meio que embaralhado no circuito masculino antes de Roland Garros. Afinal, em Monte Carlo, Murray perdeu de Nadal, que em Madri perdeu de Djokovic, que perdeu de Murray em Roma. No papel, o favorito segue sendo o sérvio, mas seria irresponsável não admitir que espanhol e britânico estão fortes na briga.

O título pouco afetou porque, na prática, Murray voltou para a vice-liderança do ranking quando Roger Federer foi derrubado por Dominic Thiem. Agora, no entanto, é oficial: o escocês soma 8.435 pontos no ranking e tem boa vantagem sobre o suíço, #3, que acumula 7.015.

Aliás, ainda paira dúvida sobre a participação de Federer no Slam do saibro. Depois de desistir de Madri e não se mostrar totalmente recuperado em Roma, o ex-número 1 pode precisar escolher e decidir que estar em Roland Garros prejudicará sua preparação para Wimbledon. É na grama do All England Club, afinal, que o suíço tem mais chances de voltar a triunfar em um Major.

A campeã

No Premier 5 de Madri, Serena Williams voltou a vencer um torneio. Foi a 70ª vez em sua carreira, mas é bom lembrar que veio em uma chave esburacada. No caminha até o título, a número 1 superou Friedsam, McHale, Kuznetsova, Begu e Keys. Angelique Kerber, cabeça 2, perdeu na estreia para Eugenie Bouchard, que, por sua vez, perdeu para Strycova na rodada seguinte. Não por acaso, foi campeã sem perder nenhum set.

Just won title number 70 today in Rome… 70 never felt better

A photo posted by Serena Williams (@serenawilliams) on

Apesar do eterno favoritismo de Serena, o circuito feminino também é uma incógnita. Victoria Azarenka saiu de Roma com dores nas costas, e ninguém mais mostrou consistência suficiente para se colocar acima do pelotão-pós-Serena. Do grupo que tem Kerber, Halep, Muguruza, Kvitova, Radwanska e Pliskova (será que ela merece lugar aqui?), tudo pode acontecer.

A número 1 no banheiro

Serena Williams contou a história via Snapchat. Pediu o cardápio de comidas para seu cachorro, achou a comida com uma cara boa e decidiu provar. No fim das contas, foi parar no banheiro achando que ia desmaiar. A coletânea de “snaps” foi parar no YouTube.

Pelo menos a número 1 do mundo entrou em quadra bem de saúde o suficiente para derrotar a compatriota Christina McHale por 7/6(5) e 6/1.

A briga pelo número 1

A disputa pela liderança do ranking de duplas está quentíssima. Marcelo Melo resiste na frente, mas terá a dura tarefa de defender o título de Roland Garros nas próximas semanas. Logo atrás dele estão Nicolas Mahut, Jamie Murray e Horia Tecau. Quem será que sairá de Paris no topo?

Os brasileiros

O grande nome da semana foi Thomaz Bellucci, que deu sorte na chave e, enfim, aproveitou chances. Primeiro, ao derrotar um Gael Monfils em um dia pavoroso. Depois, batendo Nicolas Mahut, que vinha de aprontar uma zebra sobre Pablo Cuevas. E, por último, em uma bela apresentação contra Novak Djokovic. Bellucci aplicou um pneu no set inicial (o sérvio não sofria um 6/0 desde Cincinnati/2012, diante de Federer) e não venceu porque o número 1, um tanto errático na primeira parcial, se aprumou a tempo. No fim, Djokovic fez 0/6, 6/3 e 6/2.

Teliana Pereira voltou a ganhar uma partida e, mais uma vez, sobre Annika Beck. A alemã foi a vítima de duas das três vitórias da brasileira em 2016. Em seguida, valendo vaga nas oitavas de final, Teliana foi superada em dois sets pela espanhola Carla Suárez Navarro, #11, por 6/1 e 7/5. De positivo, a brasileira leva os pontos e uma bela reação na segunda parcial, na qual chegou a estar atrás por 5/1. Depois de começar a semana no 90º posto, Teliana aparece agora em 81º.

No circuito Challenger, Rogerinho foi campeão em Bordeaux (US$ 100 mil) ao bater o americano Bjorn Fratangelo por 6/3 e 6/1 na final. Os 100 pontos conquistados jogam o paulista para o alto, subindo nove posições no ranking e indo parar no 85º lugar. O post deixa Rogerinho perto da zona de classificação para os Jogos Olímpicos Rio 2016. Roland Garros será a última chance para somar pontos e se colocar entre os 56 primeiros do ranking olímpico (que respeita o limite de quatro atletas por país e exige participação na Copa Davis). Levando em conta os nomes que já anunciaram que não vão ao Rio de Janeiro, a chance de Rogerinho nem é tão pequena assim…

Thiago Monteiro, André Ghem e Feijão também estavam em Bordeaux. Feijão não passou do quali, Monteiro perdeu nas oitavas e Ghem caiu nas quartas.

No mundo dos ITFs femininos, Paula Gonçalves e BIa Haddad disputaram o torneio de Saint-Gaudens, na França. Bia furou o quali, mas caiu na estreia. Paula foi mais longe e só parou nas semifinais, superada pela grega Maria Sakkari, cabeça de chave 2 do evento. A russa Irina Kromacheva foi campeã.

Por fim, no ITF de La Marsa (US$ 25 mil), Laura Pigossi furou o qualifying sem jogar (era cabeça 1 numa chave de 16 com 15 participantes e oito vagas na chave), e foi eliminada por uma tenista que jogo o quali. A algoz foi a cazaque Galina Voskoboeva, que aplicou 6/1 e 6/4.

A separação

A grande notícia da semana foi a separação de Andy Murray e sua (ex) técnica, Amélie Mauresmo. O anúncio veio logo na segunda-feira, sem dizer de quem tinha sido a decisão. Pouco depois, o Daily Mail publicou as primeiras frases do tenista sobre o assunto. O escocês disse que não estava dando certo porque os dois vinham passando pouco tempo juntos (Mauresmo teve filho recentemente). Leia aqui, em inglês.

A homenagem que faltava

Quando disputou seu último jogo oficial, no fim do ano passado, Flavia Pennetta pegou a raqueteira e deixou a quadra. Sem cerimônia, sem vídeo no telão, sem muito obrigado… Nada. O torneio de Roma não deixou passar e fez a homenagem que a campeã do US Open merecia. A WTA publicou um vídeo com 28 minutos do que aconteceu na terça-feira, na capital italiana.

O mal-entendido

Mais uma polêmica envolvendo um tenista top e o árbitro brasileiro Carlos Bernardes. O juizão aplicou uma advertência no tenista suíço por “obscenidade audível”, mas Stan ficou furioso. Segundo o campeão de Roland Garros, a frase que Bernardes pensou conter um “fuck” foi, na verdade, “why do we practice so much?”. Wawrinka ainda perguntou “você quer ver a câmera e ouvir?” e “como você pode me dar uma advertência por isso?”

Bernardes disse que ouviria a gravação e que, se estivesse errado, pediria desculpas e Wawrinka não seria multado. O suíço, que havia perdido o primeiro set, só perdeu mais dois games depois da discussão e derrotou o francês Benoit Paire por 5/7, 6/2 e 6/1, avançando às oitavas de final.

Sem Roland Garros

Juan Martín del Potro não disputará o Slam do saibro. Em mensagem aos fãs, o argentino disse que “por causa da evolução mostrada nas últimas semanas”, conseguirá pela primeira vez jogar um grupo de torneios em sequência. Por isso, começará logo os treinos na grama. Delpo não confirmou os torneios, mas disse que espera terminar a série juntando-se ao time da Copa Davis.

Soa um tanto estranho quando um tenista diz que houve “evolução” em uma condição física e que vai poder fazer uma sequência de torneios, mas, ao mesmo tempo, acha melhor desistir de um evento tão importante. Resta torcer para que Del Potro esteja falando a verdade e que, no futuro, não precise mais deixar de competir em um Slam.

Lances bacanas

Era só um treino, mas Gael Monfils consegue transformar tênis no concurso de enterradas da NBA…

Na curiosa partida entre David Ferrer e Filippo Volandri, aconteceu este ponto maluco que nem tento descrever. Veja abaixo.

Volandri, que começou a semana como #203 e precisou passar pelo qualifying em Roma, não jogava uma chave principal de nível ATP desde Gstaad/2014. Aos 34 anos, o italiano não vence um jogo neste nível desde Buenos Aires/2014, quando bateu o qualifier Christian Garin. Já são 13 derrotas consecutivas, incluindo o revés diante de Ferrer, #9, por 4/6, 7/5 e 6/1.

As opções eram muitas no jogaço de quartas de final entre Djokovic e Nadal, mas que tal lembrar do ponto que decidiu o primeiro set?

A melhor história

Não é a melhor, mas talvez seja a mais curiosa. A revista americana Sports Illustrated perguntou a tenistas, técnicos, blogueiros e todo tipo de gente envolvida com o tênis se não seria melhor um sistema diferente de pontuação. A publicação sugere uma contagem em que cada set seria até 24 pontos, mais ou menos como em um enorme tie-break. A ideia é se desfazer do sistema de games. Você pode ler a repostagem aqui, em inglês.

A maioria não foi a favor, mas muitos ficaram intrigados com as mudanças que um novo sistema de pontuação provocaria no tênis. É, também o meu caso, embora eu ache os argumentos usados pela Sports Illustrated fraquíssimos.

Os posts da semana

Dois momentos marcantes do Masters 1.000 de Roma foram o pneu aplicado por Bellucci sobre Djokovic e o jogaço entre o número 1 do mundo e Rafael Nadal. Sobre o brasileiro, escrevi sobre o que chamo de sua “luta interna” neste post. Quando à suposta final antecipada (para alguns), escrevi sobre o significado daquele duelo para sérvio e espanhol neste texto aqui.

O qualifying francês

Enquanto alguns tenistas disputam os últimos ATPs antes de Roland Garros, a turma do qualifying entra em quadra já nesta semana. Entre eles estão Feijão, Ghem, Monteiro e Clezar. Veja a chave inteira aqui.

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Quadra 18: S02E06
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Alexandre Cossenza

O podcast Quadra 18 completa um ano de vida e traz um episódio especial e descontraído, cheio de participações especiais. Marcelo Melo, Fernando Meligeni, Sylvio Bastos, Fernando Nardini, Mário Sérgio Cruz, João Victor Araripe enviaram perguntas para os apresentadores. Os ouvintes Anelise Stampfer, Carol Tan e Johnny Garbin também fizeram participações especiais.

É claro que o Quadra 18 não deixou de falar dos resultados da semana. Comentamos o título de Rafael Nadal em Monte Carlo, a derrota precoce de Novak Djokovic, as boas campanhas de Bruno Soares e Marcelo Melo, e também registramos os resultados da Fed Cup e a semi de Paula Gonçalves em Bogotá.

Quer ouvir? É só clicar no player acima. Se preferir baixar para ouvir mais tarde, clique neste link com o botão direito do mouse e selecione a opção “salvar como”.

Os temas

0’00” – Tema de abertura.
0’30” – Trio lembra do aniversário de 1 ano do podcast.
1’50” – Johnny Garbin pergunta: “O que foi surpreendente e vocês aprenderam nesse ano de podcast?”
5’25” – Carol Tan pergunta: “Se vocês pudessem cobrir só um torneio in loco durante o ano, qual seria?”
7’50” – Sylvio Bastos pergunta: “Quanto tempo a gente vai levar para que as pessoas que gostam de tênis no Brasil tenham mais noção do que é o tênis?”
13’42” – João Victor Araripe pergunta: “Qual o momento mais vergonha alheia que vocês já passaram num torneio de tênis?”
14’25” – Aliny conta caso sobre “surdos” no Rio Open.
15’35” – Sheila lembra de histórias envolvendo Bellucci e Fognini.
17’40” – Cossenza fala de caso sobre João Sousa e João Victor.
19’55” – Anelise Stampfer pergunta: “O que é pior: dar uma verdascada, uma goffinhada ou uma cagada kohlschreiberiana?”
22’25” – Sheila lembra de traumas com “djokovicadas” anos atrás.
23’30” – Fernando Meligeni diz: “Digam um cara bom e outro cara não tão bom para o tênis brasileiro!”
24’55” – Sheila responde.
24’56” – Cossenza tem acesso de riso.
27’25” – Mário Sérgio pergunta: “Como vocês acham que vai ser a despedida de Roger Federer?”
31’50” – “Para quem vocês estão torcendo para ganhar medalhas nas Olimpíadas?”
37’00” – “O que vocês acham da campanha #NextGen da ATP?”
40’40” – Fernando Nardini pergunta para Aliny: “Qual é seu duplista preferido?”
42’00” – Marcelo Melo envia duas perguntas para Aliny. Uma delas é “Qual duplista você levaria para uma ilha deserta?”
44’25” – Música de aniversário.
44’55” – A derrota de Novak Djokovic em Monte Carlo.
45’55” – A chave deliciosa de Gael Monfils.
46’50” – Nadal voltou?
49’30” – Cotações para Roland Garros nas casas de apostas.
51’15” – Monfils já entra na lista de favoritos para RG?
54’50” – Aliny fala de Herbert e Mahut, campeões em IW, Miami e MC.
55’30” – As ótimas campanhas de Bruno Soares e Marcelo Melo.
58’50” – Resultados de Charleston e Bogotá.
59’20” – A subida de Paula Gonçalves e a queda de Teliana Pereira.
62’10” – Os resultados da Fed Cup, com a República Tcheca em outra final.
66’20” – André Sá toca guitarra com os irmãos Bryan


Quadra 18: S02E05
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Alexandre Cossenza

Novak Djokovic segue dominando, e Victoria Azarenka se estabelece como a melhor tenista de 2016. Após o Masters 1.000 de Miami, o podcast Quadra 18 está de volta, comentando tudo que rolou no torneio da Flórida, desde as centenas de “Fora, Dilma” até a situação de Serena Williams, passando pelo novo número 1 nas duplas, as estranhas desistências e o drama de Juan Martín Del Potro.

Quer ouvir? É só clicar no player acima. SE preferia baixar e ouvir depois, clique com o botão direito do mouse neste link e selecione a opção “salvar como”.

Os temas

0’15” – Aliny, de volta, apresenta o podcast
1’16” – Marcelo Melo manda mensagem para Aliny
1’30” – O título de Novak Djokovic em Miami
2’00” – Sheila fala sobre as duas partidas interessantes de Djokovic no torneio
3’49” – O Djokovic de 2016 dá mais brecha para os adversários do que o de 2015?
5’52” – Quanto tempo vai levar até alguém jogar de igual para igual com Djokovic?
8’03” – As desistências na chave masculina
8’45” – “Gastroenterite foi a razão oficial, mas sinceramente não acredito”
9’30” – “Foi triste ver o Del Potro nessa situação de novo”
9’58” – A semelhança com a sensação de ver Guga sofrendo com o quadril
10’31” – “Ele não vai conseguir jogar só com o slice”
10’45” – A bizarra desistência de Nadal
12’20” – Coisas que só Aliny Calejon consegue
12’25” – Bellucci e a desistência mais esperada do torneio
15’25” – “Derrotinhas ridículas” nas primeiras rodadas
16’45” – Monfils x Nishikori: como um seriado da Shonda Rhimes
18’08” [Música sobre o momento de Djokovic e Azarenka]
19’30” – O título de Victoria Azarenka
22’55” – A intrigante ida para o saibro do circuito feminino
23’49” – Expectativa para os desempenhos de Vika e Rafa no saibro.
25’25” – E Serena Williams? Avaliações sobre seu começo de ano.
27’02” – Serena Williams estaria acima do peso?
29’02” – As atuações de Teliana e Bia em Miami
29’50” – A fragilidade do serviço de Teliana Pereira
31’35” – A pontuação de Teliana em busca de uma vaga nos Jogos Olímpicos
32’55” – El Cuarto de Tula (Buena Vista Social Club)
33’35” – Aliny fala das duplas em Miami
36’34” – Reações ao calor: “Do nada, eu enxergava roxo” + metrô de SP
38’05” – A campanha de Marcelo Melo e Ivan Dodig
39’12” – Jamie Murray assume a liderança do ranking de duplas
40’30” – A gafe da ATP com Marcelo Melo
41’31” – Melo perdendo o #1 acaba com o oba-oba do “já ganhou” olímpico?
42’38” – IW e Miami mostram uma tendência para 2016?
43’48” – A ótima campanha de Feijão no México + Davis em Belo Horizonte
46’05” – Precisa dar muita coisa errado para o Brasil perder no Zonal hoje
46’35” – “Fora Dilma” em Miami: qual a utilidade?
48’10” – “É verdade que tenistas usam raquetes diferentes dos modelos vendidos em loja?”
50’30” – Bandsports ou SporTV?

Créditos musicais

A faixa de abertura é chamada “Rock Funk Beast”, de longzijum. Em seguida, entram El Cuarto de Tula (Buena Vista Social Clube) e Everybody Loves Miami (The Underdog Project).


Semana 7: um decepcionante Nadal e um trio de jovens em ascensão
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Alexandre Cossenza

Como todos vocês sabem, o blog tirou miniférias na segunda-feira, então o resumo desta sétima semana de 2016 será menor do que de costume. Ainda assim, há bastante a dizer sobre Rafael Nadal em Buenos Aires e outros assuntos, como a ótima campanha do garotão Taylor Fritz em Memphis, a entrada de Belinda Bencic no top 10 e a conquista de Dominic Thiem no saibro portenho.

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O intrigante Nadal

Antes de mais nada, não dá para não comentar a semana desastrosa de Rafael Nadal em Buenos Aires. Além da dor de barriga e das dificuldades encontradas com o calor e a umidade, o espanhol fez dois péssimos jogos em sequência. Primeiro, na sexta-feira, encontrou dificuldades inesperadas contra Paolo Lorenzi. Venceu por 7/6(3) e 6/2, mas jogando um tênis confuso, com escolhas de golpes ruins e execuções igualmente inconstantes. Triunfou porque a diferença de nível para o atual #52 era muito grande.

Depois, no sábado, fez mais do mesmo contra Dominic Thiem, 22 anos, #19 do mundo e bastante talento à disposição. Não foi o bastante, embora os nervos de Thiem tenham colaborado a ponto de Nadal ter um match point. O austríaco, contudo, salvou-se de maneira gloriosa (vide Vine abaixo) e beneficiou-se de um tie-break pavoroso do espanhol para fazer 6/4, 4/6 e 7/6(4).

Nadal começou o ano se dizendo em melhor forma do que em 2015, mas os resultados e as atuações recentes apontam o contrário. Uma queda na estreia em Melbourne, onde seu saque foi vilipendiado por Fernando Verdasco, foi seguida de atuações assustadoras para seu padrão de jogo no saibro.

O Nadal de Buenos Aires foi, provavelmente, o pior Nadal da história em um torneio de saibro. Oscilou entre seu tênis de segurança, mais adequado para o piso, e o estilo agressivo que tentou aplicar nas quadras duras. Não fez nenhum dos dois com consistência. Nem sequer aplicou a tática de bolas altas no backhand de uma só mão de Thiem. O saque foi frágil. O backhand, idem.

Muito se fala da necessidade de Nadal trazer um técnico de fora, alguém que se junte a tio Toni e procure as soluções que o espanhol não encontra desde 2015. Ainda que aos olhos de muitos pareça um recurso ao qual Nadal terá de recorrer em algum momento, vale lembrar que as atuações de Buenos Aires parecem muito além dos serviços de um treinador.

No saibro portenho (no saibro!), o ex-número 1 esteve confuso em seu plano de jogo. Foi afobado, agressivo e excessivamente defensivo. Tudo no mesmo jogo (às vezes no mesmo ponto!) e sem fazer nada bem. A não ser que Nadal esteja escondendo uma lesão ou algum problema recente, é difícil entender o que aconteceu com seu tênis – que inclusive parecia mais sólido no fim de 2015.

Toni disse recentemente que se não fosse tio, provavelmente já teria sido dispensado, mas não custa lembrar: foi com Toni que Nadal sacou frequentemante acima dos 200 km/h no US Open de 2010. Toni também sempre recebeu quase todo crédito pela força mental de Nadal. Será que a solução passa mesmo por um novo técnico? E será que há solução?

Enquanto o tênis segue aguardando essa resposta, vale ressaltar que Nadal não parece tão incomodado. Após a derrota para Thiem, disse que não estava preocupado “porque não uma fiz uma partida ruim hoje, apenas me faltou consistência, me faltou cometer menos erros, principalmente com o revés.” Sim, Nadal esteve a um ponto da vitória, mas o que se viu no sábado pareceu muito, muito longe do espanhol que o mundo se habituou a ver no saibro.

Os brasileiros

Thomaz Bellucci pulou Buenos Aires, o que pode ter feito um bem danado. Embora tenha conquistado sua primeira vitória em um ATP na capital argentina, as altas temperaturas e a umidade da cidade portenha não renderam boas memórias. Aquele primeiro triunfo, ainda em 2008, é seu único no torneio até hoje.

Nas duplas, Bruno Soares não jogou, mas Marcelo Melo tentou a sorte em Roterdã ao lado de Ivan Dodig. O número 1 do mundo e seu parceiro croata perderam nas quartas de final (segunda rodada) para Henri Kontinen e John Peers: 3/6, 7/6(2) e 10/7. Melo e Dodig tiveram match point no segundo set.

Em Buenos Aires, ninguém passou da estreia. Marcelo Demoliner, em parceria com Alber Ramos-Viñolas, foi derrotado pelos colombianos Juan Sebastian Cabal e Robert Farah por 7/6(5) e 6/2. André Sá, por sua vez, formou parceria com o argentino Máximo González e foi superado por Gero Kretschmer e Alexander Satschko: 6/1 e 7/5.

Os campeões

No 500 de Roterdã, o ATP mais valioso da semana (em pontos, pelo menos), Martin Klizan protagonizou uma das semanas mais espetaculares da história recente nos ATPs 500. Salvou cinco match points nas quartas de final contra Roberto Bautista Agut e outros três na semi contra Nicolas Mahut antes de derrotar Gael Monfils por 6/7(1), 6/3 e 6/1 na decisão.

Ao todo, foram três viradas em sequência e seu melhor resultado da carreira. Klizan, #43, agora tem quatro títulos em quatro finais disputadas (também venceu São Petersburgo em 2012, Munique em 2014 e Casablanca em 2015). Ah, sim: a ATP informa (vide tuíte acima) que desde 2001 ninguém salvava tantos match points rumo a um título.

Em Buenos Aires, a sensação foi o austríaco Dominic Thiem, 22 anos, que eliminou Rafael Nadal nas semifinais – depois de salvar match point – e superou Nicolás Almagro na decisão por 7/6(2), 3/6 e 7/6(4). Ressalto: foram duas partidas longas em dois dias, e Thiem venceu todos games de desempate. Ainda que tenha contado com uma atuação abaixo da crítica de Nadal, o austríaco anota um resultado maiúsculo em sua jovem carreira.

Número 22 do mundo antes da conquista na Argentina, Thiem agora soma quatro títulos na carreira. Todos vieram no saibro em em eventos da série 250. Os três anteriores foram em 2015: Gstaad, Umag e Nice. Seu único vice foi em 2014, também no saibro, em Kitzbuhel.

Em Memphis, Kei Nishikori foi campeão. Até aí, surpresa nenhuma. A novidade mesmo foi a presença do americano Taylor Fritz, 18 anos e #145, na final. O adolescente até que deu trabalho ao favorito no primeiro set, mas acabou não conseguido igualar a consistência do rival. Nishikori levou a melhor por 6/4 e 6/4.

O triunfo deste domingo foi o 17º seguido do japonês em Memphis. Ele venceu as quatro últimas edições da competição. Para Fritz, que fazia apenas seu terceiro torneio de nível ATP, vale a memória de ter sido o mais jovem americano em uma final deste porte desde 1989.

No WTA mais importante da semana, em São Petersburgo, Roberta Vinci derrotou Belinda Bencic na final por 6/4 e 6/3. A italiana fez seu jogo de variações e escolheu bom os momentos de ir à rede. Ao todo, em 25 subidas, ganhou 17.

A veterana de 32 anos conquistou seu primeiro torneio de nível Premier. Enquanto isso, se serve de consolo, Bencic, 18 anos, aparecerá como no top 10 no ranking desta segunda-feira pela primeira vez na carreira.

Nas duplas, o registro quase semanal é mais uma conquista de Martina Hingis e Sania Mirza. #Santina conquistou sua 40ª vitória seguida ao bater Vera Dushevina e Barbora Krejcikova por 6/3 e 6/1 na final.

A última derrota de Hingis e Mirza como parceria aconteceu em agosto do ano passado, nas semifinais de Cincinnati, diante de Hao-Ching Chan e Yung-Jan Chan, de Taiwan. As irmãs Chan, aliás, também foram campeãs neste domingo. Em casa, no WTA de Kaohsiung, elas bateram as japonesas Eri Hozumi e Miyu Kato na final por 6/4 e 6/3, em 1h17min de partida.

Falando no modesto WTA de Kaohsiung, o torneio só não foi minúsculo graças à presença de Venus Williams, atual #12. A americana aproveitou a chave fraca e conquistou seu 49º título na carreira ao derrotar na final a cabeça 2, Misaki Doi, #62, por 6/4 e 6/2. Venus, vale lembrar, não perdeu um set sequer.

Foi o terceiro título seguido da ex-número 1 do mundo na Ásia. As duas conquistas anteriores de Venus aconteceram em Wuhan e Zhuhai.

Lances bacanas

Nem vou tentar descrever esse voleio de Dustin Brown em Bergamo…

A cidade italiana parece fazer bem ao alemão. Em 2014, ele fez essa passada que a ATP resgatou nos últimos dias:

Gael Monfils é bem parecido com Dustin Brown no sentido de deixar o espectador sem saber se um golpe foi muito fácil ou se o tenista foi displicente na execução. Até agora não entendi qual foi o caso neste ponto do francês em Roterdã.

Em Roterdã, a semifinal entre Martin Klizan e Nicolas Mahut teve até uma cambalhota do eslovaco para comemorar.

Klizan tinha lá seus motivos para comemorar. Pouco antes deste game, ele salvou um match point quando sacou em 3/5 no segundo set. A cambalhota veio ao quebrar Mahut e igualar a parcial em 5/5. Klizan ainda salvou outros dois match points no tie-break para forçar o terceiro set e vencer por 6/7(3), 7/6(7) e 6/2.

Outro pontaço da semana veio como cortesia de Ricardas-Richard-Ricardas-de-novo Berankis. O lance veio na partida contra Taylor Fritz, que acabou saindo vencedor por 2/6, 6/3 e 6/4.

Fanfarronices publicitárias

Milos Raonic desistiu do ATP de Delray Beach, mas apareceu para o jogo das celebridades do All-Star Weekend da NBA (não acho que seja um crime). O canadense até protagonizou a enterrada abaixo!

A melhor história

A reportagem mais interessante entre as que li estava no New York Times e contava a história de Denis Pitner, um árbitro croata que foi suspenso do tênis em agosto do ano passado. Segundo a ITF, Pitner enviou informações sobre o bem-estar físico de um jogador a um técnico durante um torneio. Ele também regularmente se conectava a uma conta em um site de apostas. A tal conta realizava apostas em jogos de tênis. A parte surreal da história – e é o foco da reportagem – é que o árbitro, mesmo suspenso, trabalhou como juiz de linha no US Open. O texto na íntegra (em inglês) está neste link.


AO, dia 10: o tombo de Vika, as chances de Raonic, e Bruno em outra semi
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Alexandre Cossenza

A primeira derrota da cotadíssima Victoria Azarenka em 2016, a discussão sobre os méritos (ou não) de Angelique Kerber, o jogão de Andy Murray e David Ferrer, as chances de Milos Raonic e mais uma semifinal para Bruno Soares são os principais assuntos desta quarta-feira, décimo dia do Australian Open 2016.

Este resumaço da jornada inclui também o emocionante abraço de Johanna Konta e Shuai Zhang, os planos dos maiores órgãos do tênis para fortalecer o combate à manipulação de resultados, uma gafe do torneio e um bolão improvisado durante a madrugada. Role a página, clique nos muitos links e fique por dentro.

O jogo mais esperado

No primeiro verdadeiro teste de sua consistência no Australian Open, Victoria Azarenka sucumbiu. O belíssimo torneio da bielorrussa foi jogado fora em dois momentos. Um péssimo começo de partida e um desastroso fim de segundo set, com cinco set points perdidos em seu próprios games de serviço. Angelique Kerber, o retrato da regularidade, sobreviveu mesmo com um saque vulnerável e fez 6/3 e 7/5 para alcançar as semifinais em Melbourne pela primeira vez na carreira.

Obviamente foi um dia ruim de Vika, que nunca esteve à vontade para atacar buscando as linhas, algo necessário para enfrentar Kerber. Depois de deixar a alemã abrir 4/0, a bielorrussa diminuiu um pouco a agressividade, deixou a adversária errar um pouco mais e até equilibrou as ações, devolvendo uma das quebras, mas foi só.

A segunda parcial parecia bem encaminhada, mas a coisa desandou depois que Azarenka abriu 5/2 e 40/0. Kerber venceu três pontos seguidos sendo mais agressiva e salvou mais dois set points quando Vika teve 5/4 e 40/15. O que parecia um terceiro set certo tornou-se um pesadelo para a ex-número 1. Kerber viu a chance e não bobeou. Virou o set, conseguiu sua primeira vitória em sete partidas contra Azarenka e esbanjou alegria na comemoração.

A adversária de Kerber na semifinal será a britânica Johanna Konta (#47), que venceu o duelo de zebras contra a chinesa Shuai Zhang (#133). A inglesa nascida na Austrália fez 6/4 e 6/1 e se tornou a primeira britânica a alcançar a semifinal do Australian Open desde Jo Durie em 1983, ano em que foram lançados Billie Jean (Michael Jackson) e O Retorno de Jedi. Também foi o ano do bicampeonato do espetacular Nelson Piquet na Fórmula 1.

Konta, é bom lembrar, disputa uma chave principal de Slam pela nona vez, mas fez este ano sua estreia entre as 128 em Melbourne. De 2013 a 2015, disputou o qualifying e não conseguiu se classificar.

Eu ganhei, nós empatamos, vocês perderam

Em todo Slam, acontece pelo menos uma vez. Um tenista famoso perde e deixa a quadra dizendo algo do tipo “o jogo estava na minha raquete” ou “eu perdi”, sem dar o devido mérito à adversária. Até que demorou, mas chegou este momento na edição 2016 do torneio australiano, cortesia de Victoria Azarenka – ou da interpretação que deram a sua entrevista coletiva.

A percepção da maioria (e eu nem sei se concordo, mas isso é outra discussão) foi que Vika não deu o devido mérito para Kerber. De fato, Azarenka faz uma grande lista se suas falhas durante o jogo, mas ela também admite que a alemã foi agressiva e que sacou bem nos momentos mais importantes.

A frase que marca mais é a seguinte: “Acho que ela foi agressiva. Ela sacou bem. Especialmente nos momentos importantes ela sacou muito bem, mas para mim é difícil de julgar porque acho que nos conhecemos muito bem. Hoje, eu realmente sinto que foi minha culpa. Não fiz o suficiente com o que tive hoje.”

A avaliação de Kerber (que até onde eu sei, não tinha ideia da declaração de Azarenka) rendeu até o tuíte oficial do Australian Open copiado acima. A alemã crava: “Eu fiz meu jogo desde o primeiro ponto. Fui mais agressiva desta vez. Ela não perdeu; eu venci de verdade.”

E os homens?

Andy Murray (#2) x David Ferrer (#8) foi tudo que se esperava de um jogo entre eles. Um tanto previsível, é bem verdade, mas bem divertido de ver. Ralis impressionantes, defesas incríveis, contra-ataques espetaculares e oito saques quebrados. O nível foi bem alto e se manteve bem alto durante a maior parte das 3h25min de jogo. De novidade, apenas uma paralisação de cerca de dez minutos para fechar o teto retrátil, já que uma chuva forte se aproximava.

No fim, porém, o placar também foi previsível: Murray venceu em quatro sets, com parciais de 6/3, 6/7(5), 6/2 e 6/3. Apenas pela curiosidade, os três últimos duelos entre eles em torneios do Grand Slam terminaram em quatro sets, com o britânico levando a melhor e com o espanhol ganhando um tie-break.

Murray, o vencedor

Soa como piada pronta, mas o grande vencedor desse jogo de quartas de final entre Milos Raonic e Gael Monfils foi… Andy Murray! Pelo menos era isso que estava na chave no site do Australian Open na noite deste quarta.

A verdade verdadeira

No mundo real, Andy Murray vai enfrentar Milos Raonic (#14) nas semifinais. O canadense enfrentou pouca resistência de Gael Monfils (#25), que até venceu um set, mas nem esteve perto nos outros. As parciais foram 6/3, 3/6, 6/3 e 6/4. Será a primeira semifinal em Melbourne na carreira de Raonic – a segunda em um Slam, depois de Wimbledon/2014.

Não dá para ignorar que o canadense agora tem nove vitórias consecutivas, o que é um recorde para ele em torneios de nível ATP. Antes do Australian Open, Raonic foi campeão em Brisbane, onde bateu Roger Federer na final. A sequência de vitórias também inclui triunfos sobre Stan Wawrinka, Viktor Troicki e Bernard Tomic. O momento é realmente estupendo e é justo imaginar que ele terá chances contra Andy Murray na sexta-feira. Mas… será?

O brasileiro

Bruno Soares venceu outra vez. Pela 11 vez seguida, aliás, somando o título do ATP de Sydney e as campanhas nas duplas e duplas mistas em Melbourne. O triunfo desta quarta colocou o mineiro nas semifinais também nas mistas. Ele e Elena Vesnina derrubaram Jamie Murray (sim, o parceiro) e Katarina Srebotnik por 6/2 e 6/3, sem grandes problemas.

Brasileiro e russa, que fizeram um bate-papo ao vivo via Periscope nesta quarta-feira, agora aguardam por seus próximos adversários, que sairão do jogo entre Sania Mirza e Ivan Dodig, cabeças de chave 1, e Martina Hingis e Leander Paes. Quem quer que vença será um adversário bastante indigesto.

A chave masculina:

[1] Novak Djokovic x [3] Roger Federer
[13] Milos Raonic x Andy Murray [2]

A chave feminina:

[1] Serena Williams x [4] Agnieszka Radwanska
[7] Angelique Kerber x Johanna Konta

Os melhores lances

Nem de perto foi o melhor lance do jogo, mas foi o que escolheram no canal oficial do Australian Open no YouTube. De qualquer modo, fica o registro dessa passada de Andy Murray na corrida.

Não foi um ponto, mas foi um lindo momento de Johanna Konta e Shuai Zhang junto à rede, logo depois do match point. Vale ver.

Bolão Impromptu do Dia

A partir deste parágrafo, esta seção é criada com status de permanente para elogiar os tuiteiros da madrugada que se dispõem a tentar acertar uma pergunta aleatória lançada durante uma partida qualquer. O grande nome desta quarta-feira foi o Matheus Bernardes, primeiro a dar a resposta certa.

União contra a manipulação

Após a polêmica história-não-história da semana passada, quando BBC e BuzzFeed disseram possuir uma lista de partidas investigadas, mas não divulgaram nomes, os principais órgãos do tênis (ITF, ATP, WTA e o Grand Slam Board) anunciaram a criação de um processo independente de revisão que tem como objetivo “preservar a integridade do jogo”. A história completa está aqui.

O chamado IRP (Independent Review Panel), que será liderado por Adam Lewis, especializado em lei esportiva, terá como principais objetivos analisar questões como as citadas abaixo e fazer recomendações:

– Como a Tennis Integrity Unit (TIU, órgão que investiga partidas sob suspeita de manipulação) pode ser mais transparente sem comprometer a necessidade de confidencialidade em suas investigações;

– Avaliar recursos adicionais para a TIU nos torneio e internamente;

– Mudanças estruturais e/ou de governança que deem mais independência à TIU; e

– Como aumentar o alcance do programa de educação de integridade no tênis.

A história completa está no site da ITF.

O que vem por aí no dia 11

A programação de quinta-feira, em Melbourne, começa com Bruno Soares e Jamie Murray tentando uma vaga na final de duplas. Brasileiro e britânico encaram os franceses Adrian Mannarino e Lucas Pouille na Rod Laver Arena logo no primeiro horário do dia. Os outros dois jogos lá serão as semifinais femininas. Primeiro, Serena Williams enfrenta Agnieszka Radwanska. Em seguida, Angelique Kerber e Johanna Konta decidem a segunda vaga na decisão. À noite, Roger Federer e Novak Djokovic fazem a primeira semifinal masculina.

Veja aqui os horários e a programação completa.


AO, dia 8: aces que sumiram, a dor de Keys e “3” vitórias de Bruno Soares
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Alexandre Cossenza

A segunda-feira não foi um dia de muitos aces em Melbourne. John Isner disparou 18 e acabou eliminado, enquanto Milos Raonic conseguiu 24 em cinco sets (mesma média de Isner), mas compensou com voleios eficientes e um plano de jogo perfeito. O oitavo dia do Australian Open, porém, foi bom mesmo para Bruno Soares. Além de duas vitórias em quadra, o mineiro contou com a eliminação de Bob e Mike Bryan, que seriam seus adversários nas quartas de final.

Este resumo do dia fala ainda do esperado duelo entre Victoria Azarenka e Angelique Kerber, da doída – literalmente – eliminação de Madison Keys, da zebra de Johanna Konta e de Andy Murray, que venceu em três sets após um par de dias nada normais durante um Slam. Role a página e fique por dentro.

O brasileiro

Único representante do país no torneio, Bruno Soares continua 100% em Melbourne depois de duas partidas e “três” vitórias nesta segunda. Primeiro, ele e Jamie Murray derrotaram Robert Lindstedt e Dominic Inglot por 6/3 e 6/4. O jogo só teve drama no fim do segundo set, quando brasileiro e escocês perderam dois match points no saque de Lindstedt e depois precisaram salvar dois break points no serviço de Murray. Tudo, porém, deu certo, e Bruno Soares está nas quartas de final. O brasileiro, aparentemente, ganhou até no “Pedra, Papel, Tesoura”.

A segunda vitória para Bruno e Jamie foi saber que eles não enfrentarão Bob e Mike Bryan nas quartas. Os gêmeos americanos levaram a virada e foram eliminados por Raven Klaasen e Rajeev Ram: 3/6, 6/3 e 6/4. A notícia é ótima também para Marcelo Melo, duplista número 1 do mundo, que perderia a liderança do ranking se os Bryans fossem campeões. O mineiro, no entanto, ainda não está 100% seguro e será ultrapassado se Horia Tecau e Jean Julien Rojer levantarem a taça.

Do ex-parceiro para o atual

Nas duplas mistas, Bruno Soares e Elena Vesnina venceram outra vez. As vítimas do dia foram o ex-parceiro de Bruno, Alexander Peya, e a taiwanesa Su-Wei Hsieh: 6/2 e 6/3, sem drama. A curiosidade é que nas quartas de final brasileiro e russa vão enfrentar o atual parceiro de Bruno, Jamie Murray. O britânico joga a chave de duplas mistas ao lado da eslovena Katarina Srebotnik.

Os favoritos

Na chave feminina, duas favoritas confirmaram as expectativas e se enfrentarão nas quartas. Isso também significa que ambas finalmente terão desafios à altura. Sim, as duas. Antes desta segunda-feira, Angelique Kerber havia derrotado Doi, Dulgheru e Brengle. Victoria Azarenka, por sua vez, teve no caminho Van Uytvanck, Kovinic e Osaka.

Para Kerber, a vítimas de hoje foi Annika Beck (#55), que até fez um primeiro set equilibrado com a compatriota, mas não conseguiu acompanhar a consistência da adversária no segundo set. Kerber acabou triunfando por 6/4 e 6/0.

Azarenka também teve mais trabalho. Mais do que em toda a temporada, é bom dizer. Barbora Strycova (#48) fez uma partida inteligente, usando curtinhas, slices e todas variações à disposição, mas acabou sucumbindo diante de uma oponente mais regular e com golpes mais potentes: 6/2 e 6/4.

Vale lembrar que os seis games conquistados por Strycova foram o máximo que Azarenka cedeu nesta temporada. E mais: somando as primeiras três rodadas do Australian Open, a ex-número 1 havia perdido apenas cinco games. Ela e Kerber agora reeditarão a final de Brisbane, vencida por Vika por 6/3 e 6/1. A bielorrussa, recordemos, nunca perdeu para a alemã – e já foram seis confrontos.

Ao fim do duelo desta segunda, Azarenka, fã de futebol americano (ou hater de Tom Brady, não sei exatamente o nível de sua ligação com a NFL) ainda perguntou em público se o Denver Broncos havia vencido a final da AFC contra o New England Patriots. Quando soube que sim, deu um grito que deixou o público meio confuso na Rod Laver Arena.

O estranho é que quando Azarenka entrou em quadra, o jogo entre Broncos e Patriots já havia acabado há mais de duas horas. Logo, ou Vika ficou totalmente desligada dos acontecimentos ou quis só fazer uma graça, comemorando na quadra central do Australian Open.

Entre os homens, o grande favorito da noite era Andy Murray (#2), que fez o esperado e despachou Bernard Tomic (#17): 6/4, 6/4 e 7/6(4). Foi o quarto duelo entre eles, e o australiano ainda não venceu um set. Apesar de vir em um jogo um tanto inconstante, com muitas quebras, a vitória em sets diretos é uma notícia ótima para o favorito, que viveu dias complicados. No sábado, correu para o hospital para ver o estado de seu sogro, que desmaiou durante uma partida de Ana Ivanovic. No domingo, voltou ao hospital para uma visita.

Na coletiva, Murray adotou um discurso bem diferente do de Federer para falar sobre Tomic. O escocês disse que Tomic vem evoluindo, que lida bem com a pressão e que costuma jogar bem no Australian Open. Para Murray, falta consistência ao longo do ano, mas “é normal para jovens ter altos e baixos.” O britânico terminou a “avaliação” cravando que Tomic será um top 10 “for sure”.

O jogo mais esperado

Stan Wawrinka (#4) tem ótimo histórico em Melbourne e vinha de um título em Chennai. Milos Raonic (#14) chegou embalado pela conquista em Brisbane e jogou um tênis empolgante nas primeiras rodadas. Por isso tudo, o duelo entre eles começou cheio de expectativa e não decepcionou.

O suíço teve problemas para encontrar seu jogo. Com Raonic sacando bem e pressionando com ótimas subidas à rede – tanto na execução de voleios e smashes quanto na escolha do momento de avançar – Wawrinka demorou a ficar à vontade do fundo de quadra. Perdeu o primeiro set e até conseguiu uma quebra no início do segundo, mas também acabou superado.

A partida começou a virar na terceira parcial, com o suíço finalmente encaixando alguns de seus melhores golpes do fundo de quadra e, principalmente, voltando a usar toda potência de forehands e backhands. Venceu o terceiro, venceu o quarto e forçou o quinto set.

O problema é que a pressão de Raonic era sempre grande e quem saca a mais de 200 km/h com tanta frequência acaba tendo uma certa margem para agredir mais. Se não conseguiu converter nenhum dos quatro break points no fim do quarto set, o canadense chegou à quebra no sexto game da parcial decisiva. Depois disso, Wawrinka não ameaçou mais: 6/4, 6/3, 5/7, 4/6 e 6/3, em 3h47min.

O adversário do invicto Raonic nas quartas em Melbourne será Gael Monfils (#25), que faz sua melhor campanha no Slam australiano. Não que não seja esperado. O francês se beneficiou da chave esburacada sem a presença de Rafael Nadal e foi avançando, derrubando Yuichi Sugita (#124), Nicolas Mahut (#63), Stéphane Robert (#225) e, nesta segunda, Andrey Kuznetsov (#74). Muitos ATPs 250 não têm chave tão acessível quando a de Monfils em Melbourne.

E antes que o leitor afobado diga “nossa, o Cossenza quer tirar o mérito do Monfils”, digo que não. São duas coisas diferentes. Uma: Monfils não tem culpa de pegar a chave que pegou. Entrou em quadra e fez o seu. A outra: não dá para dizer que foram atuações espetaculares ou que o francês chega às quartas jogando um tênis de altíssimo nível porque a verdade é que ele não foi testado. Sem drama.

Os aces que faltaram

John Isner (#11) chegou às oitavas de final em Melbourne como líder de aces do torneio e sem ceder um break point sequer. Nesta segunda, diante de David Ferrer (#8), foi quebrado três vezes e eliminado do torneio por 3 sets a 0: 6/4, 6/4 e 7/5, em 2h05min de jogo.

Vale lembrar que Isner pediu para jogar no fim do dia porque queria ver a final da NFC, com o “seu” Carolina Panthers enfrentando e atropelando o Arizona Cardinals. O jogo, inclusive, teve um daqueles raros momentos em que 40-15 não é um placar de tênis. Mas eu divago. O interessante é imaginar se jogar à noite, quando as condições são bem mais lentas do que de dia, atrapalhou o americano. É impossível dizer ao certo o quanto Ferrer se beneficiou com o horário, mas talvez Isner passe algum tempo pensando nisso.

Ferrer, por outro lado, chega às quartas sem perder um set (bateu Gojowczyk, Hewitt, Johnson e Isner) sequer. Logo ele que trocou de raquete no começo do ano e teve apenas um mês para se adaptar à nova “ferramenta”.

A zebra

Não foi um dia de resultados espantosos, mas é preciso registrar a surpreendente vitória da britânica Johanna Konta (#47) sobre a russa Ekaterina Makarova (#24): 4/6, 6/4 e 8/6, em 3h04min.

Responsável pela eliminação de Venus Williams na primeira rodada, a britânica que nasceu em Sydney (mas adotou a Inglaterra como residência) se tornou a primeira britânica desde Jo Durie – em 1983 – a alcançar as quartas de final.

Enquanto britânicos e australianos brigam pela nacionalidade de Johanna Konta, a moça se prepara para enfrentar a qualifier chinesa Shuai Zhang (#133), que passou pela americana Madison Keys (#17) em um jogo dramático: 3/6, 6/3 e 6/3.

A tensão ficou por conta de Keys, que venceu a primeira parcial, mas começou a sentir fortes dores desde o início do segundo set. Sem conseguir se movimentar normalmente, a americana fez o possível para se manter com chances de avançar, mas não foi possível. Saiu de quadra às lágrimas, de cabeça baixa, enquanto Zhang festejava e mal encontrava palavras (em inglês) para dar sua entrevista.

As quartas de final definidas

Na chave masculina, as quartas de final ficaram assim:

[1] Novak Djokovic x Kei Nishikori [7]
[3] Roger Federer x Tomas Berdych [6]
Gael Monfils [23] x [13] Milos Raonic
[8] David Ferrer x Andy Murray [2]

Na chave feminina, este é o cenário:

[1] Serena Williams x Maria Sharapova [5]
[4] Agnieszka Radwanska x [10] Carla Suárez Navarro
[7] Angelique Kerber x [14] Victoria Azarenka
Johanna Konta x [15] Madison Keys / Shuai Zhang

Os melhores lances

Um rali de 32 golpes entre Andy Murray e Bernard Tomic terminou com um incrível ângulo encontrado pelo escocês.

O melhor do dia 9

A programação de terça-feira, em Melbourne, tem apenas quatro jogos de simples, mas são todos grandes duelos. A sessão diurna da Rod Laver Arena tem Radwanska x Suárez Navarro, Serena x Sharapova e Federer x Berdych. À noite, Djokovic enfrenta Nishikori.

Na chave de duplas masculinas, Bruno Soares e Jamie Murray voltam à quadra em busca de um lugar nas semifinais. Eles fazem o quarto jogo da Quadra 2 contra Raven Klaasen e Rajeev Ram. Veja aqui os horários e a programação completa.


AO, dia 6: desmaio de técnico, frases polêmicas e surpresas nas oitavas
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Alexandre Cossenza

Se Andy Murray e Victoria Azarenka cumpriram o script, Garbiñe Muguruza apareceu no set com as falas mal ensaiadas. A espanhola acabou eliminada do Australian Open neste sábado, dia em que todos confrontos de oitavas de final foram definidos.

Foi uma jornada tumultuado dentro e fora de quadra. Desde o desmaio do técnico de Ana Ivanovic até as declarações polêmicas de Gilles Simon e – sempre ele – Bernard Tomic. Houve também muitos aces, lances espetaculares (e fanfarrões) e uma bela mensagem de solidariedade. Siga lendo o resumaço e fique por dentro do que anda acontecendo no primeiro Slam de 2016.

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Os favoritos

“Victoria Azarenka atropelou” é a versão 2016 do manjado título jornalístico “Federer dá show”, certo? Bom, pelo menos por enquanto. A bielorrussa, bicampeã do torneio, voltou a vencer com folga em Melbourne. A vítima do sábado foi a qualifier japonesa Naomi Osaka (#127), que caiu por 6/1 e 6/1.

O jogo até chegou a parecer interessante, mas só por alguns minutos. Foi quando Vika perdeu o serviço logo no primeiro game. Depois disso, Azarenka venceu oito games seguidos e restabeleceu a ordem das coisas.

Ainda sem enfrentar uma cabeça de chave sequer, a ex-número 1 ainda deu sorte – com a eliminação de Garbiñe Muguruza (leia mais abaixo) – e vai enfrentar a tcheca Barbora Strycova (#48) nas oitavas. Ou seja, Vika pode alcançar as quartas sem enfrentar uma cabeça de chave.

Sim, eu sempre posto um tuíte como o acima, mostrando a espetacular sequência de resultados de Azarenka em 2016. Vale perguntar, a propósito, quando o Twitter vai aprovar o uso de mais de 140 caracteres nas postagens. Se demorar, os jornalistas precisarão postar imagens com as parciais de Vika.

Na chave masculina, Andy Murray perdeu um set, mas derrotou o português João Sousa sem muito drama: 6/2, 3/6, 6/2 e 6/2. Foi a sétima vitória de Murray em cima de Sousa, que só conseguiu tirar dois sets do britânico em todos esses confrontos. O jornalismo português, aliás, deve ser o detentor do recorde de escrever “enfrenta Andy Murray” nos últimos dois anos. De 2014 até este Australian Open, foram seis partidas entre os atletas em questão.

A grande cabeça que rolou

Na chave feminina, finalmente uma zebra grande. Garbiñe Muguruza (#3), que vinha de duas boas vitórias e atuações convincentes, deu adeus precoce a Melbourne neste sábado, eliminada pela tcheca Barbora Strycova (#48). A espanhola entrou em quadra agressiva e até conseguiu um break point no game inicial, mas não converteu.

Muguruza, contudo, atacou além da conta, e os erros começaram a aparecer já no segundo game. Strycova conseguiu duas quebras e, a partir do quarto game, manteve a liderança até fechar o set. A segunda parcial não foi muito diferente. Em momento algum, Muguruza conseguiu o ritmo necessário para agredir a rival com eficiência e consistência. A tcheca, que não deu o ritmo que Muguruza gostaria, acabou triunfando por 6/3 e 6/2, em 1h18min.

O susto

Ana Ivanovic (#23) vencia a partida contra Madison Keys (#17) por 6/4 e 1/0 quando a partida precisou ser interrompida por causa de um espectador que havia desmaiado. Pouco depois, foi confirmado que o cidadão era Nigel Sears, técnico de Ivanovic e sogro de Andy Murray.

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As duas tenistas tiveram a opção de adiar a partida, mas ambas preferiram continuar, e o jogo seguiu após uma interrupção de 50 minutos. Ivanovic chegou a abrir 4/2 no segundo set, mas acabou sofrendo a virada. Keys fechou a parcial em 6/4 depois de um último game que teve seis break points e três game/set points.

A parcial decisiva também foi cheia de variações, e Ivanovic novamente abriu vantagem. Keys, no entanto, saiu de 0/3 para 5/3 e finalmente fechou a partida em 4/6, 6/4 e 6/3. O torneio deu às tenistas a opção de não ir à coletiva obrigatória, e ambas aceitaram. Andy Murray, que jogava na Margaret Court Arena ao mesmo tempo, também se recusou a falar.

Ele e mãe saíram do Melbourne Park direto para o hospital. Os relatos mais recentes dão conta de que Nigel Sears está consciente e passa bem.

Frases polêmicas

Gilles Simon disse ao jornal francês L’Équipe que terá todo o vestiário (leia-se “todos os jogadores”) na torcida a seu favor no domingo, quando enfrentará Novak Djokovic nas oitavas de final. Segundo o #15 do mundo, todo mundo anda de saco cheio de ser humilhado pelo sérvio.

Tenho cá minhas dúvidas sobre se foi algo inteligente a dizer um dia antes de enfrentar o número 1 do mundo. Isso desestabilizaria ou incentivaria ainda mais Djokovic nas oitavas de um Slam? Aguardemos até a partida então.

Outro que andou falando sobre alguém do Big Four foi – surpresa! – Bernard Tomic. Depois de cinco dias sem falar ou fazer bobagem, o australiano foi indagado sobre uma entrevista de Federer, na qual o suíço ressaltava a inconsistência de Tomic, que sempre ficou longe de entrar no top 10. Neste sábado, o australiano disse também achar que o suíço está muito longe do tênis de Djokovic hoje em dia.

Se alguém estiver imaginando, Tomic só enfrentará Federer neste Australian Open se ambos alcançarem a final. Não parece lá muito provável.

As oitavas definidas

Na chave masculina, as oitavas de final ficaram assim:

[1] Novak Djokovic x Gilles Simon [14]
[9] Jo-Wilfried Tsonga x Kei Nishikori [7]
[3] Roger Federer x David Goffin [15]
[24] Robert Bautista Agut x Tomas Berdych [6]
Andrey Kuznetsov x Gael Monfils [23]
[13] Milos Raonic x Stan Wawrinka [4]
[8] David Ferrer x John Isner [10]
[16] Bernard Tomic x Andy Murray [2]

Na chave feminina, este é o cenário:

[1] Serena Williams x Margarita Gasparyan
[12] Belinda Bencic x Maria Sharapova [5]
[4] Agnieszka Radwanska x Anna-Lena Friedsam
[10] Carla Suárez Navarro x Daria Gavrilova
[7] Angelique Kerber x Annika Beck
[14] Victoria Azarenka x Barbora Strycova
Johanna Konta x Ekaterina Makarova [21]
[15] Madison Keys x Shuai Zhang

O sortudo

Não é todo dia que alguém chega às oitavas de final em um Slam depois de derrotar Ryan Harrison, Jeremy Chardy e Dudi Sela, certo? Principalmente em uma chave que tinha Rafael Nadal (e, depois, Fernando Verdasco). Só que Andrey Kuznetsov (#74) tem lá seu mérito. Viu as oportunidades e aproveitou, derrotando um cabeça de chave, digamos, derrotável, e, em seguida, batendo o israelense Dudi Sela, que ninguém imaginava estar vivo na terceira rodada.

A maior surpresa

Não, Shuai Zhang (#133) não protagonizou nenhuma surpresa gigante neste sábado, embora a chinesa não fosse a mais cotada para vencer o duelo com a americana Varvara Lepchenko (#51). Ainda assim, a qualifier de 27 anos triunfou e avançou às oitavas por 6/1 e 6/3.

A parte mais bacana da história é que Shuai Zhang vem caminhando em território desconhecido desde a primeira rodada, quando derrotou a vice-líder do ranking, Simona Halep. Antes deste Australian Open, a chinesa havia disputado 14 Slams e perdido na estreia em todas 14 oportunidades.

Os brasileiros

Bruno Soares e Jamie Murray venceram outra vez e alcançaram as oitavas de final. Brasileiro e escocês, cabeças de chave 7 em Melbourne, fizeram 7/5 e 6/3 em cima de Mariusz Fyrstenberg e Jerzy Janowicz, uma dupla nada fácil de derrotar. Em uma seção duríssiva da chave, Bruno e Jamie vão enfrentar agora Dominic Inglot e Robert Lindstedt, cabeças 11. Quem vencer vai às quartas para encarar – provavelmente – os irmãos Bob e Mike Bryan.

O sábado também marcou o início do torneio juvenil do Australian Open, mas não há brasileiros inscritos. Dos quatro brasileiros mais bem colocados no ranking mundial juvenil, três optaram por disputar a Copa Barranquilla, na Colômbia. É um torneio de nível I. Gabriel Decamps foi eliminado nas oitavas de final (por desistência), assim como Lucas Koelle. Felipe Meligeni Alves, cabeça 1, caiu na estreia. Orlando Luz, por sua vez, ainda não jogou em 2016.

O canhão

John Isner (#11) venceu outra vez e, como quase sempre, disparando um monte de aces. Neste sábado, contra Feliciano López (#19), foram 44, número que iguala sua terceira melhor partida no quesito. O espanhol até emparelhou a partida durante os dois primeiros set, mas Isner conseguiu a primeira quebra de saque da partida logo no game inicial do terceiro set e dominou o confronto a partir dali. No fim, o placar mostrou 6/7(8), 7/6(5), 6/2 e 6/4.

Os números de Isner neste Australian Open são, de fato, impressionantes. Em três partidas, o americano de 2,08m de altura acumula 101 aces (e apenas cinco duplas faltas) e 161 saques não devolvidos. Além disso, em 54 games com o saque, Isner não cedeu um break point sequer. Os números são cortesia do tuíte de Craig O’Shannessy, colado abaixo.

O bom moço

Milos Raonic (#14) havia acabado de derrotar Viktor Troicki (#26) por 6/2, 6/3 e 6/4, mas aproveitou a entrevista pós-jogo para mandar um recado solidário. Ele dedicou a vitória a uma comunidade de Saskatchewan, no Canadá, onde houve um tiroteio que deixou quatro mortos e pelo menos dois feridos em uma escola.

“A vitória de hoje foi por essa comunidade e por uma recuperação rápida, e o Canadá inteiro, e tenho certeza que o mundo, está com vocês.”

Os melhores lances

Na chave de duplas mistas, Ivan Dodig derrubou a placa de propaganda na beira da quadra, mas conseguiu o winner. Ele e a indiana Sania Mirza derrotaram Alja Tomljanovic e Nick Kyrgios por 7/5 e 6/1.

Dodig também tentou jogar tênis sem a raquete.

O jogo entre os franceses Gael Monfils (#25) e Stephane Robert (#225) não foi lá equilibrado, mas teve seus momentos divertidos. Como este ponto de Robert depois de um longo rali com o compatriota.

Robert e Monfils, aparentemente, estavam no espírito de fazer gracinhas.

O melhor do dia 7

A programação de domingo, em Melbourne, marca o início das oitavas de final, ou seja, serão poucas as partidas desinteressantes. A começar pela primeiro jogo da Rod Laver Arena, entre Maria Sharapova e Belinda Bencic, que será disputado no mesmo horário de Jo-Wilfried Tsonga x Kei Nishikori, marcado para a Hisense Arena. A sessão diurna da RLA encerra com Novak Djokovic x Gilles Simon, duelo que ficou mais curioso depois das declarações do francês. No fim do dia, também na RLA, temos Roger Federer x David Goffin. Se o belga não costuma ameaçar o suíço, pelo menos a partida deve render alguns lances de efeito.

Entre os brasileiros, Marcelo Melo tenta uma vaga nas quartas de final. Ele e Ivan Dodig enfrentam Pablo Cuevas e Marcel Granollers na segunda partida do dia na Hisense Arena. Na Quadra 6, Bruno Soares finalmente fará sua estreia nas mistas, inicialmente marcada para sexta-feira, mas cancelada por causa da chuva. Ele e Elena Vesnina jogam contra a chinesa Saisai Zheng e o sul-coreano Hyeon Chung. Veja aqui os horários e a programação completa.


Entre sustos e zebras, as primeiras impressões de Roland Garros
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Alexandre Cossenza

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Cinco dias, duas rodadas, muitos favoritos avançando com folga, um par de jogos memoráveis, um duelo esperado que se confirmou, outro duelo esperado se aproxima a galopes e uma chave aberta que se escancarou após uma zebra. Ainda é cedo para tirar conclusões definitivas em Roland Garros, mas assunto não falta por Paris. Que tal um resumo do que rolou de mais importante?

Os favoritos

A chave masculina não teve lá surpresas impactantes, embora o rol de eliminados já conte com Grigor Dimitrov, John Isner, Fabio Fognini e Tommy Robredo. Djokovic, Federer, Murray e Nadal perderem, somados, um set (vencido por João Sousa sobre o escocês). Que surpresa, não? O que importa é que falta pouco para o aguardado Federer x Monfils nas oitavas e só um pouquinho mais para o superjogo entre Nadal e Djokovic, que deve acontecer nas quartas.

Esse grupo só viu calar fora de quadra. Principalmente com Nadal, que deu uma primeira coletiva atacando a federação espanhola e admitindo publicamente (pela primeira vez) ter feito um pedido à ATP para que o árbitro brasileiro Carlos Bernardes não fosse mais escalado em seus jogos. Declarações polêmicas, certamente. Ainda mais a segunda, que foi provocada pelo curioso momento em que Nadal trocou de shorts no meio da quadra central do Rio Open.

Nadal troca de short no meio da quadra (Rio Open)

Segundo o espanhol, que vinha de ganhar o segundo set, estava em melhor momento na partida, mas colocou os calções ao contrário (com os bolsos virados para trás), Bernardes havia lhe dado autorização para tirar e colocar novamente os shorts e, mesmo assim, aplicou-lhe uma advertência por violação de tempo. O árbitro, como é de praxe, não falou sobre o lance com os jornalistas. Uma história tão estranha que deixarei para comentá-la, talvez, num podcast. Talvez.

Dentro de quadra, porém, Nadal mostrou consistência admirável (algo que vinha faltando) na vitória em três sets sobre Nicolás Almagro – adversário sempre perigoso. Difícil imaginá-lo encontrando problemas para chegar às quartas jogando esse nível de tênis. Enquanto isso, Djokovic, pouco exigido, só assustou quando pediu atendimento médico na partida contra Gilles Muller. Nada grave, ele disse depois do jogo.

O que ver na terceira rodada

Fora do Big Four, vale apontar os três jovens que eu mais acredito que disputarão o topo quando Federer e companhia baterem suas botas tenísticas: Nick Kyrgios, Borna Coric e Thanasi Kokkinakis. Os três estão na segunda rodada, e dois deles serão azarões, mas com a chance de protagonizarem zebras maiúsculas. Kyrgios encara Murray, enquanto Kokk, depois de uma virada espetacular (perdia por 2 sets a 0 e, depois, por 5/2 no quinto set para Bernard Tomic), enfrentará o número 1. Este Roland Garros não parece o palco mais provável, mas chegará o dia em que Kokk e Coric derrubarão favoritos em Grand Slams (Kyrgios já bateu Nadal em Wimbledon no ano passado).

Outro jogo interessante dessa terceira rodada será Monfils x Cuevas, com o uruguaio podendo atrapalhar os planos do francês de encarar Roger Federer. O suíço, todos devem lembrar, perdeu os últimos dois jogos para Monfils (e precisou salvar match point antes de sobreviver no antepenúltimo).

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Quem merece um pouco de atenção também é o sempre brigador Carlos Berlocq. O argentino, que venceu em cinco sets depois de deixar Illya Marchenko abrir 2 a 0 na primeira fase, viu-se na mesma situação diante de Richard Gasquet nesta quinta-feira. Ouso dizer que, houvesse luz natural, Berlocq haveria avançado outra vez – dado o momento de ambos no jogo e o histórico do francês em quintos sets. A partida, no entanto, foi interrompida ao fim do quarto set, dando nova vida ao tenista da casa. O vencedor enfrenta Kevin Anderson, que não lá o mais imbatível dos tenistas em quadras de saibro. Chance de ouro para Berlocq, que nunca chegou à terceira rodada de um Slam, chegar logo às oitavas.

Os brasileiros

Feijão amargou sua nona derrota seguida ao perder em três sets para o espanhol Daniel Gimeno-Traver. O número 2 do Brasil teve lá suas chances – em todas as parciais – mas não conseguiu aproveitar. Tipo do jogo que aparentemente teria outro fim se a maré não fosse tão negra para João Souza.

Thomaz Bellucci, por sua vez, fez um papel digno. Venceu fácil e sem fazer esforço na estreia contra um desinteressado e errático Marinko Matosevic (que embolsou seus 27 mil euros pela ridícula apresentação) e fez um bom jogo, porém irregular, diante de Kei Nishikori, que triunfou por 3 sets a 0. Bellucci só teve chances mesmo na primeira parcial. Duplas faltas no fim do primeiro set e no início do segundo cavaram sua cova metafórica.

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As favoritas

A queda da romena Simona Halep, vice-campeã no ano passado e cabeça de chave 3, abriu uma cratera na parte de baixo da chave, onde ela era favoritíssima para chegar às semifinais. Sem a número 3 do mundo, o favoritismo passou para Ana Ivanovic e Ekaterina Makarova, que podem se enfrentar nas oitavas. Quem avançar terá pela frente nas quartas a vencedora de uma seção que tem Beck, Svitolina, Cornet e Lucic-Baroni (a algoz de Halep).

A outra metade da parte de baixo continua fortíssima, já que todas cabeças de chave avançaram. Maria Sharapova, a favorita, terá de passar por Sam Stosur, Safarova/Lisicki e Suárez Navarro/Pennetta/Muguruza/Kerber.

A parte de cima da chave é a mais emocionante até agora – e não só porque Serena Williams e Victoria Azarenka confirmaram aquele esperado duelo de terceira rodada. Essa metade teve o jogo mais emocionante do torneio até agora: a vitória da veteraníssima e campeã de Roland Garros 2010 Francesca Schiavone (34 anos, #92 do mundo) sobre a também campeã do torneio (2009) Svetlana Kuznetsova. A partidaça, que durou 3h54min, teve um tie-break de 24 pontos no primeiro set e só terminou em 10/8 no terceiro, depois de Kuznetsova sacar quatro vezes para o jogo, depois de Schiavone salvar um match point e depois de uma sequência que teve dez quebras de saque em 11 games. Ufa! E a cena com a italiana correndo e comemorando pela Quadra 1 foi das mais emocionantes.

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O que ver na terceira rodada

“O que ver” além de Serena x Azarenka, né? É “o” jogo desde que a chave foi divulgada. E, considerando o duelo entre elas em Madri (Serena salvou match point antes de vencer), é de se esperar um jogão. A americana ainda não mostrou nada fantástico em Paris, mas o desafio de Vika pode ser o necessário para a número 1 acordar de vez para o torneio (ou o carimbo no passaporte de volta aos EUA).

Outros jogos interessantes são Petkovic x Errani, Bacsinszky x Keys e todos da chave de baixo. Sério. To-dos. Suárez Navarro x Pennetta, Muguruza x Kerber, Safarova x Lisicki e Stosur x Sharapova. Talvez seja o quadrante mais forte em uma terceira rodada de Grand Slam feminino em muito, muito tempo.

A brasileira

Teliana Pereira fez uma boa apresentação. Ganhou sem problemas um jogo em que era favorita (contra Fiona Ferro, convidada da organização) e deu trabalho à top 10 Makarova na segunda rodada. A brasileira teve até um break point para sair na frente na parcial decisiva, mas não conseguiu aproveitar. Para piorar, sacou em 40/0 no game seguinte e cedeu a quebra. A russa abriu 3/1 e só perdeu dois pontos no serviço até o fim do jogo.

Coisas que eu acho que acho:

Em cinco dias, fica claro por que Roland Garros é o Slam menos elogiado em termos de organização pelos tenistas. As poucas quadras disponíveis para treino (duplistas estavam sendo enviados a outros clube para aquecer – não treinar – antes os jogos) foram um problema levíssimo se comparadas com a falha grave de segurança – novamente em um jogo de Roger Federer – que deixou que um garoto entrasse na quadra de jogo e tirasse uma selfie com o suíço após o jogo.


Roland Garros 2015: o guia
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Alexandre Cossenza

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Roger Federer de um lado, Novak Djokovic, Rafael Nadal e Andy Murray do outro. Sérvio e espanhol, que se enfrentaram em Paris 2006, 2007, 2008, 2012, 2013 e 2014, podem se encarar logo nas quartas de final. E não falta é assunto nesta sexta-feira, depois do sorteio das chaves de Roland Garros.

Nadal, que já não teve muito acontecendo a seu favor nos último meses, foi o grande perdedor do dia. Ainda em busca da consistência que lhe deu nove títulos em Paris, o espanhol pode se deparar bem cedo com seu maior rival. Traduzindo: terá alguns dias a menos para encontrar o ritmo que não conseguiu durante toda temporada de saibro europeia. Pode não significar muito, mas parece ser consenso no circuito que Nadal é mais “derrotável” longe da final. E isso porque ainda será preciso passar por Almagro/Dolgopolov (segunda rodada) e, talvez, Dimitrov nas oitavas. Não é o mais fácil dos caminhos.

Djokovic, que já perdeu duas finais e três semis para Nadal em Paris, não deve estar nada triste com a possibilidade de um duelo nas quartas (só aconteceu antes em 2006, no primeiro jogo entre eles). E, convenhamos, não é nada ruim para o número 1 uma chave que, antes das quartas, traz Nieminen, Muller/Lorenzi, Tomic/Kokkinakis e Anderson/Gasquet. O sérvio é presença quase certa entre os oito melhores do torneio. Murray, por sua vez, estreia contra um qualifier e depois pega, se os favoritos avançarem, Pospisil/Sousa, Kyrgios/Istomin, Isner/Goffin e Ferrer. Também não é o mais complicado dos caminhos, mas existe, claro, a grande possibilidade de ver Djokovic (ou Nadal) nas semifinais.

Logo, os grandes sortudos do dia ficaram na outra metade da chave. Roger Federer, cabeça 2 e na outra extremidade, vai ter bastante tempo para fazer aqueles “treinos com torcida” na Chatrier. Estreia contra um quali, depois enfrenta quali/Granollers e Karlovic/Baghdatis até, talvez, encontrar Gael Monfils nas oitavas. Embora não tenha feito uma grande temporada de saibro, o francês jogará em casa e com o retrospecto de duas vitórias nos dois últimos encontros com o suíço. Se acontecer, será um daqueles jogos com muita expectativa e torcida barulhenta. E, nas quartas, Federer enfrentaria o-freguês-Wawrinka.

O maior vencedor do dia, porém, talvez tenha sido Kei Nishikori. Cabeça 5, o japonês tem como adversário mais forte Tomas Berdych – o provável adversário de quartas de final. Antes, pega Mathieu na estreia e, depois, Matosevic/Bellucci, Verdasco e Bautista/Feliciano/Delbonis. Talvez tenha chegado o momento de Nishikori dar aquele passo adiante e finalmente se mostrar como postulante frequente às semifinalistas de Grand Slams – até agora, soma apenas a boa campanha no US Open do ano passado. E, é bom dizer, uma semifinal de Roland Garros contra Federer (leia-se “escapando de Djokovic e Nadal”) não é o pior dos cenários, certo? Obviamente, o suíço deve estar pensando o mesmo: “antes Nishikori que os outros dois.”

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Os brasileiros

Primeira rodada acessível, segunda fase dura. O mesmo pode ser dito de Thomaz Bellucci e Feijão. O número 1 do país, que está na final do ATP de Genebra, estreará em Paris contra o imprevisível australiano Marinko Matosevic. Se vencer, provavelmente terá de colocar sua consistência em prova contra Kei Nishikori. Feijão, que amarga uma série de oito derrotas, encara o espanhol Daniel Gimeno-Traver. Se espantar a má fase, possivelmente enfrentará David Ferrer. Difícil imaginar um brasileiro na terceira rodada.

O que ver (ou não) na TV

Difícil saber como será a transmissão para o Brasil, já que o Band Sports pouco deu detalhes sobre como seria e houve boatos de que o canal iria com equipe reduzida a Paris. Inclusive até hoje não há informação no site do BS sobre o segundo canal, aberto nos anos anteriores para assinantes da Sky.

Independentemente disso, a chave não foi muito generosa com o público na primeira rodada. São poucos os confrontos com alguma expectativa para os primeiros dias. Na segunda rodada, a coisa melhora pouco. Talvez tenhamos Nadal x Almagro/Dolgopolov, mas nada de confrontos entre grandes nomes. Vale ficar de olho para Murray x Kyrgios e Berdych x Fognini (um jogão em Roma) na terceira rodada, mas a coisa só deve esquentar mesmo a partir das oitavas.

Para o Brasil, claro, fica a expectativa de Bellucci x Nishikori e Feijão x Ferrer. O primeiro confronto, principalmente, pode ser uma bela partida.

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O que pode (ou não) acontecer de mais legal

No cenário dos sonhos, as oitavas começariam com Federer x Monfils. Partida com potencial de zebra, envolvendo tenista da casa e com muita coisa em jogo. Quem passar avança no quarto teoricamente mais acessível do torneio. Uma derrota seria uma chance enorme perdida por Federer. Uma vitória, por outro lado, abriria o caminho para, quem sabe, uma final que nem era tão esperada assim até umas semanas atrás. Será? De qualquer modo, seria um jogo pra qualquer fã de tênis lamber os beiços.

O tenista mais perigoso que ninguém está olhando

Pelo que li por aí das análises de chaves, dois nomes estão um pouco “esquecidos”. Um deles é o do próprio Monfils. Como já escrevi lá no alto, o francês não brilhou tanto assim nos torneios recentes, mas seu caminho até as oitavas não é tão duro assim. Logo, se conseguir aproveitar torcida, piso e repetir o triunfo sobre Federer, abre-se uma janela gigante.

O outro é Thomaz Bellucci, que somou bons resultados no saibro europeu, voltará ao top 50 na segunda-feira (ganhando ou não a final de Genebra) e também entrou na metade menos dura de Roland Garros. Obviamente, o brasileiro será um azarão e tanto se enfrentar Nishikori na segunda rodada. Mas e se vencer? O caminho até as quartas teria como rivais mais fortes Verdasco, Bautista Agut e Feliciano López. Em boa fase, Bellucci é muito bem capaz de derrotar os três.

Quem pode (ou não) surpreender

O quarto de chave com Murray e Ferrer não está nada, nada, garantido com britânico e espanhol se enfrentando nas quartas. A seção de Môri, especialmente, tem dois nomes perigosos: Nick Kyrgios e John Isner. O australiano, que estreia contra Istomin e pega um quali se avançar, pode encarar o escocês já na terceira fase. Caso não mostre os porquês de seguir invicto no saibro, Murray corre um grande risco nesse jogo. E quem vencer o duelo provavelmente terá Isner pela frente nas oitavas. O americano, que muita gente ainda não vê como ameaça em Roland Garros, vem de boas campanhas na Europa e não pode ser descartado.

Nas casas de apostas

Na casa australiana sportsbet, Novak Djokovic (surpresa!) lidera as cotações. Um título do sérvio paga 1,91 para cada “dinheiro” apostado nele. Em seguida, vêm Nadal (5,5), Murray (7,00), Federer (9,00) e Nishikori (13,00). Bellucci paga 301,00, enquanto a cotação de Feijão é de 501,00 – é quem paga mais, junto com duas dúzias de outros azarões.

Na britânica WIlliam Hill, a situação não é muito diferente. Djokovic (5/6 – cinco “dinheiros” pagos para cada seis apostados em caso de título) lidera, seguido por Nadal (7/2), Murray (9/1), Federer (11/1) e Nishikori (12/1). Bellucci paga 500/1, o mesmo que Feijão.


Quadra 18: S01E01
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Alexandre Cossenza

A vontade sempre existiu (a amizade, idem), mas faltava organizar o formato, encontrar tempo livre e colocar tudo na prática. Hoje, essa ideia sai do papel e nasce o podcast Quadra 18 com as amigas Aliny Calejon e Sheila Vieira, pessoas que gostam de tênis tanto quanto eu – e isso, no fundo, é o mais importante.

Neste episódio de estreia (S01E01), falamos sobre:

– Novak Djokovic e sua superioridade no circuito
– Andy Murray voltará a conquistar um Grand Slam?
– Serena Williams é menos valorizada do que merece ou a WTA atual é fraca?

No fim do programa, em um momento mais descontraído, também falamos sobre os tenistas que odiamos gratuitamente (ou quase isso). Para ouvir, clique acima ou faça o download diretamente deste link!

O podcast está aberto à participação de vocês. Quem quiser perguntar algo, tirar uma dúvida ou levantar uma polêmica, basta enviar sua questão ou sugestão via email (link na barra lateral do blog), Facebook ou Twitter (@saqueevoleio, @sheilokavieira e @alcalejon com a hashtag #Quadra18) para um de nós.


Porque Federer precisava vencer a Davis
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Alexandre Cossenza

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Nos últimos 11 anos, desde que se estabeleceu como número 1 do mundo e senhor do circuito, Roger Federer tentou ganhar a Copa Davis apenas duas vezes. A primeira foi em 2004, quando a Suíça sucumbiu diante da França. Seus parceiros, Ivo Heuberger, Michel Kratochvil e Yves Allegro, não seguraram a onda. A segunda tentativa, em 2012, aconteceu quando vislumbrava-se uma campanha só com jogos em casa e terminou em um decepcionante 5 a 0 para os EUA.

Na maior parte do tempo, Federer priorizou calendário e ranking, optando por vestir o vermelho e branco da Suíça quase sempre só nos playoffs. Só que um tenista com tantas conquistas, troféus e, claro, dinheiro, não poderia não tentar mais uma vez. Ele até falou que não precisava. “Ganhei tanto na minha carreira que não precisava marcar um X numa caixinha”, disse neste domingo. Bobagem. A grande história do fim de semana é simples: Roger Federer conquistou a Copa Davis. Empurrado por Stan Wawrinka, grande nome do fim de semana, o ex-número 1 do mundo finalmente alcança um dos poucos feitos relevantes que faltavam em seu currículo.

O triunfo veio num fim de semana especial, com recorde de público (mais de 27 mil pessoas por dia) em Lille, no saibro e na casa dos adversários. E veio depois de uma lesão nas costas que o forçou a não disputar a decisão do ATP Finals, uma semana atrás. E veio depois de uma derrota doída na sexta-feira, um 3 a 0 diante de Gael Monfils em que Federer esteve longe de seu melhor e não esboçou reação diante do tenista número 2 do time da casa.

Mas veio com uma recuperação física impressionante. Nada abalado pelo resultado da sexta-feira, o número 1 suíço não só entrou nas duplas como voltou à arena no domingo. E veio, meio que como uma recompensa dos deuses do tênis, com ele em quadra, em uma atuação impecável diante de um confuso Richard Gasquet. Sim, senhores: Roger Federer, 33 anos, é campeão da Copa Davis. Porque não fazia sentido o tenista mais vitorioso de sua geração chegar ao fim da carreira sem vencer a mais legal das competições.

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Coisas que eu acho que acho sobre a Suíça:

– Wawrinka merece como ninguém a Copa Davis. Nas muitas ocasiões em que Federer priorizou seu calendário pessoal e sua posição no ranking, foi Stan the Man que segurou a barra sozinho, levando consigo Lammer, Chiudinelli, Allegro, fosse quem fosse. Contou com a ajuda de Federer em alguns playoffs, claro, mas esteve sempre ali, vestindo as cores do país.

– A campanha suíça em 2014 tem méritos de ambos. Federer, então número 2 do país, carregou o time contra o Cazaquistão, no que poderia ter sido uma zebra gigante em Genebra. Wawrinka no entanto, foi o nome do fim de semana em Lille. Esteve fantástico contra Tsonga (e talvez tenha sido o responsável pela lesão do francês) e foi o melhor em quadra também nas duplas.

– O banco suíço durante a final tinha 11 pessoas. Difícil imaginar o mesmo com o Brasil, que enche o espaço com juvenis, ex-tenistas, preparadores físicos, médicos, fisioterapeutas e, às vezes, até dirigentes de clubes e assessores de imprensa (ou seja, todo mundo menos Fernando Meligeni).

– Não lembro quem escreveu isso no Twitter durante este domingo, mas impressionou a recuperação física de Federer. Fosse Djokovic ou Nadal na mesma situação, a internet estaria cheia de teorias de conspiração. Que tal adotarmos critérios iguais a todos? Que tal entender que hoje em dia a recuperação é muito mais rápida, até para tenistas com mais de 30?

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Coisas que eu acho que acho sobre a França:

– Richard Gasquet esteve entre os trending topics do Twitter nos últimos dois dias, e não de maneira positiva. Sua escalação foi questionada, e as atuações deixaram muito a desejar. Normal que se questione a convocação, mas é compreensível que o capitão, Arnaud Clément, tenha apostado em um tenista que foi importante, vencendo dois jogos nas semifinais.

– Ainda assim, era difícil imaginar Gasquet derrotando Wawrinka ou Federer. Dada a condição física desconhecida do número 1 suíço antes do confronto, faria sentido escalar Gilles Simon, que poderia ter, no mínimo, alongado uma partida contra Federer na sexta-feira. Ainda assim, Gasquet não era a primeira opção de Clément. A intenção era jogar com Tsonga, que foi mal contra Wawrinka e ficou fora do resto do confronto alegando uma lesão no cotovelo (em Copa Davis, sempre convém duvidar das explicações oficiais).

– Com a quantidade de tenistas disponíveis, é fácil questionar a escalação francesa (eu mesmo acho que, no saibro, Simon e Chardy teriam mais chances contra Federer do que Gasquet e Tsonga), mas o time que foi pensado inicialmente por Clément, com Tsonga e Monfils nas simples e Tsonga/Benneteau nas duplas, poderia ter vencido o confronto. No fim das contas, o time francês não jogou o bastante e tem muito a lamentar sobre o fim de semana.


Sorteio da Davis é pior do que parece
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Alexandre Cossenza

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Tecnicamente falando, A Argentina não era o pior adversário possível para o Brasil Na Copa Davis. David Nalbandian já deixou as quadras, Juan Martín del Potro raramente atua pela competição, e o país que já foi uma potência na competição hoje não tem um tenista que possa ser considerado um ponto certo em qualquer confronto que seja. Entre Leonardo Mayer, Federico Delbonis, Carlos Berloqc e Juan Mónaco, a Argentina tem muitas opções para formar uma equipe, mas nenhum dos quatro é imbatível, não importa o piso.

Aliás, o melhor piso deles é também o melhor para os brasileiros, o que não deixa de ser um fator facilitador para João Zwetsch. Assim como a falta de uma dupla confiável. No sábado, o Brasil será favoritíssimo. Chegamos, então, ao ponto em que o leitor faz a seguinte pergunta: se a Argentina não é mais a potência de antes e se eles também gostam do saibro, como o sorteio pode ter sido tão ruim?

O principal motivo é o local do confronto. Brasil e Argentina vão se enfrentar de 6 a 9 de março, quando ainda faz bastante calor por lá. Pior: Buenos Aires é uma cidade com índices altos de umidade. Todos sabemos, desde Chennai, o histórico de Thomaz Bellucci em lugares quentes e úmidos. Este ano mesmo, em fevereiro, o número 1 do Brasil vencia, mas abandonou sua partida de primeira rodada no qualifying do ATP 250 portenho sentindo o desgaste. Aliás, Bellucci só jogou na capital argentina quatro vezes. Só na primeira, em 2008, venceu jogos.

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Hoje, não parece lá muito provável que Bellucci consiga duas vitórias em condições tão adversas – sem contar a torcida local. Entretanto, faltam seis meses para o confronto. Não convém julgar nada cedo demais.

Mas não foi só na dificuldade que o sorteio atrapalhou o tênis brasileiro e seus fãs. Com o confronto fora do país, fica mais difícil a vida dos promotores dos ATPs de São Paulo e do Rio de Janeiro. O torneio fluminense, mais importante e com mais “poder aquisitivo”, sofre mais. Disputado duas semanas antes da Copa Davis, o evento poderia garantir um figurão interessado em chegar ao país cedo e fazer uma devida adaptação ao saibro e ao clima local. Havia a chance de o Brasil encarar Suíça, Sérvia ou República Tcheca por aqui. Logo, Roger Federer, Stan Wawrinka, Novak Djokovic e Tomas Berdych seriam nomes cobiçados e um tanto viáveis.

E não é só isso. Se Bellucci e cia. enfrentassem qualquer um dos outros 14 países do Grupo Mundial, existiria a possibilidade de a Argentina jogar em casa e trazer outros grandes nomes. Poderíamos ter, por exemplo, a Suíça jogando no Brasil enquanto a Sérvia estaria no país vizinho. Logo, haveria uma chance dupla de atrair grandes nomes.  Do jeito que ficou o cenário pós-torneio, tchecos e sérvios jogarão em casa, enquanto a Suíça viaja, mas sem sair da Europa.

Coisas que eu acho que acho:

– Nunca é tarde para lembrar deste momento fantástico em Roland Garros, no duelo entre França e República Tcheca. Não só pelo golpe de Gael Monfils, mas pela reação da torcida e pela festa do próprio tenista na sequência. Tipo de cena que só se vê em Copa Davis. Para lembrar para sempre.

– Outra noticia que agitou a semana foi a saída de Carlos Moyá como capitão do time espanhol. Sem conseguir montar uma equipe com os melhores atletas do país, o ex-número 1 do mundo deixou o cargo. Não li nada específico sobre uma rejeição dos tenistas ao nome de Moyá como capitão. A questão é que a geração atual espanhol parece ser composta ou por tenistas já satisfeitos com suas conquistas na Davis (Ferrer) ou indispostos ao sacrifício necessário para defender o país na posição de segunda opção (Robredo e Verdasco). Sem os lesionados Nadal e Almagro, a Espanha passa a ser um time “normal”, tão derrotável quanto qualquer outro fora de casa. É compreensível a atitude de Moyá. Se é para comandar uma equipe eternamente desfalcada e ser cobrado por resultados de times do passado, é melhor pedir o boné. Eu faria o mesmo.

– Os confrontos da primeira fase no Grupo Mundial de 2015 são os seguintes (times da casa mencionados primeiro): Alemanha x França, Grã-Bretanha x EUA, República Tcheca x Austrália, Cazaquistão x Itália, Argentina x Brasil, Sérvia x Croácia, Canadá x Japão e Bélgica e Suíça.