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AO, dia 10: o conto de fadas de Lucic-Baroni e os 6 set points de Raonic
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Alexandre Cossenza

O Australian Open terminou de definir suas semifinais com duas histórias memoráveis. Primeiro, com Mirjana Lucic-Baroni vencendo outra vez e escrevendo novas linhas no que poderia muito bem ser roteiro de filme de Hollywood. Mais tarde, com Rafael Nadal superando Milos Raonic em um duelo que foi praticamente decidido nos seis set points que o canadense teve na segunda parcial.

O resumaço de hoje trata das últimas quartas de final e, claro, da expectativa por finais “vintage”. Afinal, O primeiro Slam da temporada pode ter Federer x Nadal e Williams x Williams no fim de semana. E sim, estamos em 2017.

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O conto de fadas

O jogo em si foi ruim de ver. Foram muitos winners, muitos erros e quase nenhum rali. Variações táticas não existiram. E, no fim, Mirjana Lucic-Baroni derrubou Karolina Pliskova por 6/4, 3/6 e 6/4. O triunfo colocou a veterana de 34 nas semifinais e escreveu algumas páginas a mais no conto de fadas da croata nascida na Alemanha, casada com um ítalo-americano, residente da Flórida e que agora brilha em Melbourne (coisas fantásticas acontecem quando as pessoas têm oportunidades além das fronteiras de seus países, não?).

Digo “conto de fadas” porque a história de Lucic-Baroni vai muito além da figura de uma veterana alcançando as semifinais de um Slam. A croata era uma das maiores promessas do tênis no fim da década de 1990. Foi campeã (adulta!) de duplas no próprio Australian Open quando tinha 15 anos, em 1998. Um ano antes, já tinha vencido o primeiro WTA que disputou. Foi bicampeã do evento com 16 anos. Aos 17, foi semifinalista de Wimbledon 1999.

Foi aí, no entanto, que problemas particulares interferiram. Nas entrevistas deste Australian Open, Lucic-Baroni evita tocar no assunto e só diz que as pessoas não sabem da metade de sua história. E a metade conhecida já é assustadora o bastante. Ela e a mãe deixaram a Croácia e fugiram para a Flórida por causa de abusos do pai (ele nega e nunca foi condenado, é bom esclarecer). A adolescente saiu do top 100 e passou a enfrentar problemas financeiros. Foi processada pela IMG, empresa que administrava sua carreira.

Até hoje, joga sem patrocínio. Compra roupas por conta própria, veste o acha mais interessante, não importa a marca. Lucic-Baroni só conseguiu voltar a jogar eventos de nível WTA em 2010 – uma década mais tarde. Esta reportagem do New York Times conta tudo com mais detalhes (leitura altamente recomendada!).

Quando avançou às quartas de final, mandou um recado forte: “f___ tudo e todo mundo. Quem quer que seja que te diga que você não pode, apenas apareça e faça com o coração” (vide vídeo acima). Pois é. Nas semifinais, a atual #79 do mundo garante a entrada no top 30 e o melhor ranking da carreira.

Ao completar o triunfo sobre Pliskova – que incluiu uma sequência impressionante depois de uma ida ao banheiro no terceiro set – Lucic-Baroni não segurou as lágrimas e deu um longo abraço na entrevistadora da vez, a ex-tenista Rennae Stubbs. A australiana, aliás, foi a primeira adversária de Lucic-Baroni em Melbourne, lá atrás, em 1998 – e a croata venceu.

No meio de toda essa emoção, mandou outra mensagem: “Sei que significa muito para qualquer jogador chegar às semifinais, mas para mim isso é arrebatador. Nunca vou esquecer este dia e as últimas semanas. Isto fez minha vida e tudo ruim que aconteceu ficar ok. O fato de eu ser tão forte e que valeu a pena lutar tanto é realmente incrível.” Precisa dizer mais?

A próxima página dessa história terá Serena Williams, já que a #2 do mundo terminou com a sequência e vitórias de Johanna Konta por 6/2 e 6/3. A britânica, #9 do ranking, ainda não havia perdido sets em Melbourne e já somava nove triunfos consecutivos, já que vinha do título no WTA de Sydney.

Não foi uma partida tão parelha quanto muita gente esperava. Agora, depois do encontro, parece justo dizer que foi um daqueles dias em que Serena entrou em quadra especialmente concentrada e disposta a atropelar. A americana adora enfrentar oponentes badalados pela imprensa e pelos fãs. Poucas coisas a motivam mais do que ouvir que alguém “tem boas chances de eliminar Serena.” Não foi diferente nesta quarta-feira.

Serena, vale lembrar, pode reassumir a liderança do ranking mundial. Após a derrota de Angelique Kerber diante de Coco Vandeweghe, só depende da veterana. Serena precisa ser campeã para voltar ao topo.

O caso dos seis set points

O grande jogo masculino desta quarta-feira foi o que definiu o último semifinalista e que abriu a sessão noturna na Rod Laver Arena. Rafael Nadal e Milos Raonic fizeram a partida que vinha sendo considerada como a semifinal antecipada. O espanhol, derrotado há algumas semanas em Brisbane pelo canadense, deu o troco: 6/4, 7/6(7) e 6/4.

Em uma breve análise tática, é possível dizer que Nadal foi competente com seu serviço (sem forçar demais e sem dar tantas chances para que o rival atacasse seu segundo saque), conseguiu devolver um número interessantes de saques do canadense (e sem recuar demais) e foi mais competente nos momentos de pressão, quando precisou salvar break points.

Só que nenhuma história do jogo ficaria completa sem mencionar os seis set points de Raonic na segunda parcial. Os três primeiros vieram no décimo game, com Nadal sacando em 4/5 e cometendo três erros atípicos. O espanhol jogou bem em dois desses break points, mas permitiu que Raonic entrasse em vantagem num rali. O canadense, contudo, errou um backhand despretensioso.

Depois, Raonic teve mais três set points no tie-break. Abriu 6/4 com um lindo lob vencedor, mas sacou em 6/5 e cometeu uma dupla falta. Ainda teve outra chance no 7/6, mas Nadal jogou bem. E quem não aproveita seis set points contra Nadal acaba pagando o preço. Pagou caro.

Classificado para a semifinal e com seu melhor resultado em um Slam desde Roland Garros/2014, Nadal vai encarar o também “renascido” Grigor Dimitrov, que derrubou David Goffin por 6/3, 6/2 e 6/4. O búlgaro, campeão do ATP 250 de Brisbane na primeira semana do ano, vem de dez vitórias consecutivas.

Federer x Nadal no horizonte

Antes do torneio, Roger Federer deu uma entrevista ao New York Times, dizendo que o Australian Open seria épico. Um pouco por causa de seu retorno após seis meses sem competir, mas também pelos momentos de Andy Murray, número 1, Novak Djokovic, o rei destronado, e Rafael Nadal, tentando encontrar uma forma de voltar a brigar por títulos grandes.

Duas semanas depois, o mundo do tênis está a dois jogos de ver mais uma final entre Federer e Nadal. E mais: nas semifinais, os dois são favoritos nas casas de apostas. O suíço, contra seu compatriota Stan Wawrinka; o espanhol, contra Grigor Dimitrov. A ansiedade é geral. A última final de Slam entre eles foi em Roland Garros/2011. Desde então, houve dois encontros em Melbourne, mas ambos nas semis.

Mais “vintage” que isso, só se o Australian Open nos brindar com uma final Williams x Williams na chave feminina. Serena enfrenta Lucic-Baroni, enquanto Venus encara Coco Vandeweghe. Não parece nada impossível, hein?

Leitura recomendada

Indicação de Fernando Nardini, que contou a história durante a transmissão nesta madrugada: em entrevista ao jornal La Nación, Juan Mónaco fala sobre sua lesão no punho, como adiou a cirurgia tomando injeções de cortisona enquanto pôde e o quanto pensa em deixar o tênis profissional. É um papo longo, com várias revelações e até alguns momentos descontraídos, como relatos de jogos de PlayStation com Rafael Nadal, Carlos Moyá e David Ferrer. Leia aqui.


Semana 14: dobradinha argentina, um carro de presente e uma aula de dança
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Alexandre Cossenza

Tudo bem, não foi lá a mais agitada das semanas tenísticas de 2016. Na primeira semana do saibro, a maioria dos principais nomes do tênis masculino preferiu descansar e se preparar em Monte Carlo. Entre as mulheres, não foi tão diferente, mas o WTA de Charleston teve cinco tenistas entre as 20 primeiras do ranking e alguns jogos interessantes. Chegou a hora, então, de lembrar o que rolou.

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As campeãs

No forte WTA Premier de Charleston, que tinha Kerber, bencic, Venus, Safarova, Errani e Petkovic, foi Sloane Stephens, cabeça 8, que venceu neste domingo. A conquista veio com uma vitória sobre a qualifier Elena Vesnina, que chegou a ter um set point quando sacou em 6/5 na primeira parcial: 7/6(4) e 6/2.

O grande momento do dia foi quando Stephens descobriu que o torneio, patrocinado pela Volvo, também lhe daria um carro de presente.

A conquista em Charleston foi a terceira de Stephens em 2016. Ela também foi campeã em Auckland e Acapulco, ambos em quadras duras. O WTA de Charleston é jogado em (um rapidíssimo) saibro verde.

Vale lembrar que Stephens era zebra nas semifinais contra Angelique Kerber, mas a alemã não estava se sentindo bem e abandonou quando perdia por 6/1 e 3/0. A campeã do Australian Open defendia o título do evento americano.

No WTA International de Katowice, na Polônia, Dominika Cibulkova levantou um troféu pela primeira vez desde Acapulco/2014. A eslovaca, finalista do Australian Open naquele mesmo ano, passou por uma cirurgia no tendão de aquiles em 2015, ficou cinco meses sem jogar e chegou a cair para além do 60º posto.

Com a vitória deste domingo por 6/4 e 6/0 sobre Camila Giorgi, Cibulkova, que começou a semana como #54, deve voltar ao top 40 e se aproximar do grupo que é cabeça de chave nos Slams. Cabeça 8 em Katowice, a eslovaca passou por Witthoeft, Kulichkova, Schiavone, Parmentier e Giorgi no caminho até o título. O único set perdido foi justamente o primeiro, diante de Witthoeft.

A principal favorita ao título, Agnieszka Radwanska, seria a cabeça de chave número 1, mas desistiu do torneio por causa de um problema no ombro. A chave foi modificada, e Jelena Ostapenko passou a ocupar o lugar da polonesa.

Os campeões

Em Marraquexe, um dos ATPs menos empolgantes do ano, o título ficou com Federico Delbonis, que bateu Borna Coric por 6/2 e 6/4 na final. Cabeça 4 do torneio, o argentino estreou nas oitavas de final e passou por De Bakker, Carreño Busta, Montañés e Coric para levantar o segundo troféu de sua carreira – e o de número 212 na história do tênis argentino.

Com os pontos, Delbonis sobe para o 36º posto do ranking – um atrás de Thomaz Bellucci e dois atrás da melhor posição de sua carreira. Coric, por sua vez, continua sem títulos na carreira. O jogo deste domingo foi sua segunda final. A primeira, em Chennai, terminou com derrota para Stan Wawrinka.

O cabeça de chave 1, Guillermo García-López (#37), acabou eliminado nas quartas por Jiri Vesely, enquanto o seed 2, João Sousa (#38), tombou na estreia diante de Facundo Bagnis.

No saibro vermelho de Houston, outra conquista argentina. De virada, Juan Mónaco derrotou Jack Sock, que defendia o título, por 3/6, 6/3 e 7/5. Foi o título de número 213 para o tênis argentino e marcou a sexta vez que dois tenistas do país foram campeões no mesmo fim de semana.

A última conquista de Mónaco havia sido em 2013, em Dusseldorf. Desde então, jogou três finais (Kitzbuhel/2013, Gstaad/2014 e Buenos Aires/2015) e saiu derrotado em todas.

Mónaco, que começou a semana como número 148 do ranking, ganhou 62 posições. O ex-top 10 (Mónaco esteve entre os dez melhores do mundo em julho de 2012) aparecerá na lista desta segunda-feira como #86.

Os brasileiros

A semana não foi boa para Teliana Pereira. De volta ao saibro (rapidíssimo, lembremos) em Charleston, a número 1 do Brasil perdeu na estreia para a americana Bathanie Mattek-Sands: 5/7, 6/3 e 6/2. Foi a oitava derrota da pernambucana em nova jogos na temporada e, com os pontos perdidos, Teliana deixa o top 50 e cai para o 54º posto.

A próxima missão da brasileira será tentar defender seu título no WTA de Bogotá, que começa nesta semana. Caso volte a perder na estreia, Teliana terá descontados 280 pontos e pode até deixar o grupo das 80 melhores. Se isso acontecer, haverá até o risco de deixar (pelo menos temporariamente) a lista de classificadas para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. A chave olímpica, lembremos, é composta por 64 atletas, respeitando o limite de quatro por país.

Entre os homens, Rogerinho e Thiago Monteiro conseguiram pontos importantes. O paulista caiu nas oitavas de final em Nápoles, mas subiu três posições e agora figura no top 100 pela primeira vez desde maio de 2013. O cearense apostou no forte torneio de Le Gosier (US$ 100 mil) e caiu nas quartas, superado por Malek Jaziri (#94) por 6/2, 4/6 e 7/5. Com a campanha, Monteiro alcançou o melhor ranking da carreira, entrando no top 200 como justamente o #200.

Nas duplas, André Sá tentou a sorte em Houston. Ele e o australiano Chris Guccione foram superados nas quartas de final por Steve Johnson e Sam Querrey: 6/3, 2/6 e 10/8. O mineiro, aliás, briihou no vídeo abaixo, tocando guitarra em uma apresentação dos irmãos Bryan.

A melhor história

Dica do Mário Sérgio Cruz, do Tenisbrasil: em entrevista ao Diário de Canoas, Larri Passos fala um pouco de seus primeiros dias no tênis, de sua mudança para os Estados Unidos e da crise que vive o Brasil. Diz que o Brasil é o país mais corrupto do mundo e que Dilma deveria renunciar.

Larri também declarou que o projeto olímpico do tênis foi uma grande decepção (durou só 11 meses) por causa da má administração da CBT e do Ministério do Esporte: “Esse governo destruiu meus sonhos.” Larri também pediu a saída do presidente da CBT Jorge Lacerda: “Faz cinco anos que a CBT está sendo investigada e o presidente não saiu ainda. Está na hora dele ir embora.”

Leia a íntegra aqui.

A aula de dança

Serena Williams, em grande forma, aproveitou o intervalo nas gravações de um comercial e resolveu gravar uma aula informal de como fazer o “twerk”. Ela também ensinou o “milly rock”. A número 1 do mundo também lembrou que o “dab” já saiu de moda. E Azarenka, pelo visto, aposentou o movimento após o Super Bowl.

O acidente

No Challenger de Nápoles, na Itália, uma bolada não-intencional-mas-certeira acabou com uma dupla desclassificada. Os poloneses Mateus Kowalczyk e Adam Majchrowicz venciam por 6/3 e 4/4, mas quem avançou a parceria de Rameez Junaid e Ken Skupski.

Nem todo mundo concordou com a decisão do árbitro de desclassificar a dupla polonesa. Bruno Soares, campeão do Australian Open, escreveu (citando a conta da ATP) que a punição foi exagerada.

A próxima parada

O grande torneio masculino da próxima semana é o Masters 1.000 de Monte Carlo. O vídeo abaixo mostra como três quadras do Monte-Carlo Country Club se transformam na quadra central do torneio.

Monte Carlo Center Court amazing transformation

To Monte Carlo Country Club μεταμορφώνεται, κυριολεκτικά, για να υποδεχθεί τα μεγαλύτερα αστέρια του παγκοσμίου τένις! Κάθε χρόνο γίνεται αυτή η διαδικασία για να φτιαχτεί το κεντρικό court με την ομορφότερη θέα στον κόσμο!Πρόγραμμα μεταδόσεων OTE TV: -> https://bit.ly/1UGvskY

Posted by Tennis24 on Thursday, April 7, 2016

Aliás, falando em Monte Carlo, que tal a divertidíssima chave do torneio, hein? A começar por Thomaz Bellucci, que estreia contra Guillermo García-López e, se vencer, enfrentará um Roger Federer que se recupera de uma cirurgia no joelho e não joga uma partida oficial há mais de dois meses. Seria uma boa chance?

E a volta de Rafael Nadal ao saibro? O espanhol possivelmente pegou um caminho duríssimo e pode ter de enfrentar, em sequência, Dominic Thiem, Stan Wawrinka e Andy Murray antes da final (contra Djokovic?).

Lances bacanas

Não foi na última semana, mas vale lembrar porque foi eleito o ponto do mês da WTA. Com ela, Agnieszka Radwanska.

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Copa Davis: enfim, Feijão
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Alexandre Cossenza

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No último dia do prazo para o anúncio dos times que disputarão a primeira rodada do Grupo Mundial da Copa Davis, a Confederação Brasileira de Tênis confirmou a (inevitável) escalação que todos sabiam há semanas (desde que José Nilton Dalcim divulgou): João Souza, Thomaz Bellucci, Marcelo Melo e Bruno Soares.

O complicado confronto em Buenos Aires, contra a Argentina, em uma quadra de saibro, possivelmente com muito calor e umidade, marca a volta de Feijão ao time brasileiro. O paulista de 26 anos é atualmente o número 77 do mundo e será o mais bem ranqueado simplista do país na semana do duelo. Só que mais do que rankings e números, a convocação vem para coroar oito meses de belo tênis. Desde as ótimas campanhas em Challengers no segundo semestre do ano passado até as vitórias em torneios de nível ATP em 2015.

O Feijão de hoje é um tenista mais qualificado e, principalmente, mais equilibrado. Não só na parte técnica, na qual seus pontos fracos (a movimentação e o backhand) já não são tão fracos, mas também na questão mental. João Souza, hoje, deixa se incomodar com muito menos facilidade do que anos atrás. E se às vezes ainda mostra instabilidade e perde chances (como no voleio fácil que errou quando teve match point contra Blaz Rola no Rio de Janeiro), também mostra capacidade de recuperação maior (vide a reação no terceiro set do mesmo jogo).

O Feijão de hoje, repito, é mais maduro do que aquele de 2011, que deixou já decidido o confronto contra o Uruguai, em Montevidéu, quando soube que não iria jogar. É também mais experiente do que o João Souza de 2012, que treinou brilhantemente, mas não rendeu o mesmo quando estreou na competição contra Santiago Giraldo, da Colômbia.

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A Argentina continua sendo um time mais forte. Ganhável, porém mais forte do que o Brasil. Com Daniel Orsanic (ex-técnico de Bellucci) no posto de capitão, os hermanos jogarão com Leonardo Mayer, Federico Delbonis, Diego Schwartzman e Carlos Berlocq. Nenhum cracaço, nenhum tenista imbatível, mas uma equipe homogênea que dá muitas opções ao capitão. Um exemplo? Mayer, 29 do mundo e mais bem ranqueado entre os argentinos, vem de derrota para Feijão em São Paulo. Schwartzaman, por sua vez, é o 64º na lista da ATP, mas derrotou João Souza nos dois últimos encontros.

Orsanic, que optou por deixar o mais experiente Juan Mónaco fora do time (segundo Orsanic, a dúvida era entre ele e Schwartzman), deve saber que jogará como azarão na partida de duplas (Berlocq e Mayer, que jogaram juntos no Australian Open, em São Paulo e no Rio são uma opção), mas sabe que tem chance de ganhar os outros quatro jogos de simples.

A favor da Argentina, obviamente, pesarão a barulhenta torcida e o calor. A combinação de altas temperaturas e umidade são cruéis para Bellucci, que teve problemas recentemente em Buenos Aires. Em 2014, esgotado, abandonou seu primeiro jogo no qualifying. Nesta semana, voltou a sofrer e dava sinais de exaustão já no fim do segundo set. Como talvez precise jogar até cinco na Copa Davis, sua condição física será sempre uma preocupação brasileira.

Coisas que eu acho que acho:

– A polêmica na Argentina fica por conta da ausência de Mónaco. Como relatei acima, Orsanic afirmou que estava na dúvida entre ele e Schwartzman. Contudo, um grande ponto de interrogação paira no ar. Juan Martín del Potro fez as pazes com a federação argentina e já se mostrou disposto a voltar ao time. Mónaco, por sua vez, não esconde de ninguém que nem fala com Delpo. E agora?

– Dada a insegurança com a durabilidade de Thomaz Bellucci, talvez fosse, no mundo ideal, o caso de Zwetsch convocar mais um simplista. O problema é que incluir Guilherme Clezar, André Ghem, Rogerinho, Fabiano de Paula ou quem quer que seja significaria abrir mão de um duplista e, consequentemente, colocar em risco o ponto mais provável do Brasil no confronto. Além disso, no mundo ideal o Brasil teria mais um simplista capaz de ganhar jogos neste nível. E ninguém além de Feijão e Bellucci vem mostrando tênis para isso.

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– Não sei qual o critério adotado pela CBT, mas o timing do anúncio, especialmente nesta convocação, acabou sendo o pior possível. Todos no meio do tênis sabiam que Feijão seria convocado (José Nilton Dalcim publicou a informação semanas atrás), e o tenista, proibido de revelar, teve de passar duas semanas dando respostas idiotas à imprensa. Nos últimos dias do Rio Open, o próprio Feijão ria das respostas toda vez que incluía um “se eu for chamado”.

– Para quem não sabia que Feijão seria convocado, o anúncio pós-Brasil Open e Rio Open pode passar a impressão de que João Zwetsch não queria o atleta, mas teve de engolir a boa fase de um jogador que foi equivocadamente preterido (vide o desempenho de Rogerinho) no confronto anterior. Não foi o que aconteceu (pelo menos na parte que diz respeito aos ATPs brasileiros), mas a CBT deveria trabalhar para não dar margem a esse tipo de pensamento.

– Por que alguém pensaria como o que sugeri no parágrafo acima? Por causa de toda polêmica do confronto contra a Espanha. Para quem não lembra, Zwetsch explicou mal a opção por Rogerinho (alegou questões físicas, depois falou em recompensa pela atuação contra o Equador); Feijão reclamou e inclusive afirmou que o capitão da Davis não deveria ser treinador de outros atletas; Ricardo Acioly, ex-capitão da Davis e técnico de Feijão, criticou duramente a postura de Zwetsch; e Zwetsch culpou “fantasmas” pela má atuação de Rogerinho.


Uma puta vitória
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Alexandre Cossenza

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A melhor história do primeiro dia (de chave principal) do Rio Open foi, sem dúvida, a inesperada vitória de Gabriela Cé, número 261 do mundo, sobre a francesa Pauline Parmentier, 95ª do ranking mundial. A gaúcha de 21 anos apostou em muitas bolas altas na esquerda da adversária e contou com os erros que precisava. Gabriela vibrou, levantou a torcida e, no fim, diante de uma francesa esgotada e cansada de bater na bola, aplicou um pneu, completando sua primeira vitória em um WTA.

A comemoração não poderia ser mais bacana. Gabriela não conseguia esconder o sorriso e, na entrevista para a TV após o jogo, foi tão espontânea que soltou seis vezes a palavra “puta” na conversa ao vivo – o que incomoda alguns puristas incapazes de reconhecer uma linguagem informal e a emoção do momento.

A entrevista coletiva, alguns minutos depois, não foi muito diferente. Com o repórter Felipe Priante fazendo a primeira pergunta e falando de uma “puta vitória”, o que provocou risos de todos, Gabriela ainda tinha o sorriso congelado. Seguem os trechos mais interessantes do que a gaúcha falou.

“Acho que tá na minha cara como eu tô me sentindo porque, puta, é muita felicidade. Foi duro, eu me superei em vários momentos e, analisando num geral, acho que lidei bem com a pressão. Não é fácil ter a primeira chave de WTA com uma baita torcida e administrar para fechar o jogo. Dentro das condições, lidei bem. E eu tô feliz demais.”

“Quando fechou o segundo set, eu pensei ‘puta, mas esse jogo é meu’. Aí o Fernandão (Fernando Roese, técnico) entrou na quadra, me deu uma chamada que foi bem positiva. Entrei no terceiro set a mil por hora, voltei a fazer o que eu vinha fazendo na maior parte do jogo e consegui concretizar com o 6/0 ali no final.”

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(indagada sobre quais tinham sido as palavras de Roese)
“Putz… (risos)
(após o repórter dizer que Gabriela poderia excluir os palavrões)
“É, né? Ele falou, resumindo, que eu tinha que ter decisão, ir para ganhar e, na hora que tivesse o jogo na mão, era ir decidida, com confiança. Era isso, assim, resumindo bem resumido” (mais risos)

(questionada se já havia participado de uma coletiva com tantos repórteres)
“Na verdade, na Fed Cup tinha bastante gente, mas era a equipe o foco, e como eu não joguei as simples, acabei não sendo o foco direto. Sendo o foco, nunca tinha participado, mas acho que eu não tenho muito problema em falar. Acho que é pelo contrário. Até falo demais.”

Mais curtinhas cariocas:

– Cheguei atrasado, mas consegui um lugarzinho para ver a dupla de Feijão e André Sá contra Máximo González e Juan Mónaco. Os brasileiros venceram um primeiro set apertado, com break points para cá e para lá, e deslancharam no segundo set (7/5 e 6/0). O ponto alto foi notar o quanto os dois brasileiros se entendem em quadra. A lamentar, um torcedor que ofendeu Mónaco, o que deixou a partida parada por alguns instantes. Até Sá lamentou o incidente.

– Mónaco já teve problema com torcedores embriagados em São Paulo. Leo Mayer, que ouviu absurdos em 2012, quando enfrentou Bellucci, voltou a reclamar este ano, quando enfrentou Feijão no Ibirapuera. É o tipo de situação que só complica a relação Brasil-Argentina. Para piorar, o clima esquenta pouco antes de um confronto de Copa Davis marcado para Buenos Aires.

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– Para quem gosta de ver treinos, o Rio Open tem sido um prato cheio. Nesta segunda, ao mesmo tempo, era possível ver Bellucci e Delbonis em uma quadra, Robredo em outra, e Nadal e Zé Pereira logo ao lado. Vale comprar o ingresso para a sessão diurna e ficar de plantão pelas quadras secundárias.

– No fim do dia, Christian Lindell ainda estava pelo clube, com cara de cansado. O “carioca sueco”, que perdeu na última rodada do quali, passou o dia inteiro no Jockey Club à espera de eventuais desistências que o colocariam na chave principal como lucky loser. Como a primeira rodada ainda não acabou, ele e Fabiano de Paula ainda têm esperanças.

– No fim da noite, Guilherme Clezar tinha um jogo ganhável contra Thiemo de Bakker e até venceu o primeiro set, mas deixou escapar a vitória. Enquanto o gaúcho esbraveja consigo mesmo por boa parte do segundo e do terceiro sets (o que não melhorou em nada seu tênis), o holandês seguiu fazendo o básico (bem feito) e vencendo games.


No primeiro dia, brasileiros reclamam
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Alexandre Cossenza

As chaves principais do Rio Open (torneio ATP 500 + WTA International) ainda não começaram, mas já tem brasileiro reclamando da programação. A primeira queixa oficial (pública) vem de Bruno Soares, escalado para jogar na Quadra 1, a segunda maior do complexo. Ele e Alexander Peya, números 3 do mundo e cabeças de chave 1 no Rio de Janeiro, vão enfrentar o também brasileiro André Sá, que forma parceria com o argentino Juan Mónaco.

Soares, que passou boa parte do Brasil Open do ano passado jogando no Mauro Pinheiro (o ginásio de apoio, que tinha problemas de goteira, no piso e até nas linhas das quadras), onde o público não consegue ver a partida devidamente, agora começará o Rio Open em uma quadra secundária – e logo em um duelo com outro brasileiro. No Twitter, o mineiro deixou registrada sua insatisfação.

 

Atual vice-campeão do US Open, Soares também retuitou vários comentários de fãs que questionavam a programação do Rio Open desta segunda-feira. O torneio colocou na Quadra Central as seguintes partidas: Silvia Soler-Espinosa x Laura Pigossi, Guillermo García-López x Martin Klizan, João Souza x Facundo Bagnis, Katarzyna Piter x Beatriz Haddad Maia, Santiago Giraldo x Thomaz Bellucci e Guilherme Clezar x Federico Delbonis. Veja os horários aqui.

André Sá também parece não ter ficado muito satisfeito. Embora não tenha deixado nada escrito em seu Twiitter, o ex-top 20 e atual número 71 do mundo retuitou um par de mensagens de seguidores nada felizes com a programação.

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Coisas que eu acho que acho:

– Definitivamente, não é o início dos sonhos para o Rio Open. Receber queixas dos tenistas da casa logo no primeiro dia não é nada bom. Especialmente quando a reclamação vem de Bruno Soares, que parece ser a maior esperança de um título brasileiro no evento.

– Esta segunda será o primeiro teste de verdade do torneio. Durante o quali, o Rio Open já fez alguns ajustes aqui e ali. O controle de acesso às quadras (inexistente no primeiro dia, quando qualquer um podia entrar em qualquer quadra durante os pontos) já funciona devidamente, os estandes já estão devidamente montados e os bares funcionam. A questão do estacionamento parece ser mesmo o maior ponto de interrogação. Já conversei com o diretor do torneio, Lui Carvalho, e ele recomenda que o público vá de táxi ao torneio. Volto a tocar no assunto em breve.


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