Saque e Voleio

Arquivo : mischa zverev

Quadra 18: S03E02
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Alexandre Cossenza

Roger Federer voltou a vencer um slam em cima de Rafael Nadal, Serena Williams voltou a derrotar a irmã Venus em uma decisão, e o tênis viveu um fim de semana dos mais memoráveis no Australian Open. Mas houve muito mais do que isso nas duas semanas do torneio. Djokovic, Murray e Kerber foram vítimas de zebras, Coco Vandeweghe finalmente surgiu como nome forte em um torneio grande, Mirjana Lucic-Baroni protagonizou a história mais feliz… É muito assunto!

Como sempre, Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu nos reunimos para gravar mais uma edição do podcast Quadra 18. Comentamos tudo citado acima e um pouco mais. Falamos dos modelitos bonitos e feios, do noivo de Serena e até do poema de Melbourne! Para ouvir, basta clicar no player abaixo. Se preferir baixar para ouvir depois, é só clicar neste link com o botão direito do mouse e selecione “salvar como”.

Os temas

0’30” – Aliny Calejon apresenta os temas
2’30” – Roger Federer e a campanha até o título
9’15” – A decisão de Federer de abrir mão do 2º semestre de 2016
10’50” – O suíço se defendeu melhor neste Australian Open?
13’55” – O que faltou para Nadal na hora decisiva?
16’45” – O que a final significa para a rivalidade Federer x Nadal?
18’10” – O quão importante é a disputa por mais títulos de slam?
21’20” – Teremos mais finais “vintage” este ano ou foi uma exceção?
22’21” – Qual a importância de Ljubicic e Moyá no “retorno” de Federer e Nadal?
25’45” – Federer e Nadal vão continuar lutando por títulos de slams e Masters?
27’30” – Federer vai pular a temporada de saibro novamente?
29’35” – Nadal já pode ser considerado favorito para Roland Garros?
30’15” – Federer e Nadal teriam feito a final sem as derrotas de Djokovic e Murray?
31’04” – As zebras de Istomin e Zverev em cima de Djokovic e Murray
35’30” – Que zebras em outros slams são comparáveis a essas?
37’33” – O desfecho do AO será motivação extra para Djokovic e Murray?
38’40” – Dimitrov pode entrar na briga pelos slams?
41’18” – As surpresas e decepções do Australian Open
45’40” – O quanto a quadra mais rápida ajudou Federer no torneio?
47’51” – Quadras mais rápidas serão tendência no circuito?
49’48” – The Greatest (Sia)
50’34” – As campanhas das irmãs Williams
57’50” – Por que 18 > 23 na matemática tenística?
59’25” – O quanto o recorde de slams da Court deve ser relevante para Serena?
63’17” – E a campanha da Nike sobre Serena como maior de todos os tempos?
64’32” – Precisamos falar de Coco Vandeweghe
70’50” – A fantástica história de Mirjana Lucic-Baroni
73’25” – O que acontece com Angelique Kerber?
76’18” – Muguruza é tenista de um slam só?
77’48” – O noivo de Serena Williams e o Reddit
79’57” – High and Low (Two Vines)
80’30” – A campanha de Kontinen e Peers, campeões de duplas
84’35” – Qual o segredo de Kontinen e Peers?
85’45” – Os Bryans vão voltar a ganhar um slam?
87’05” – As campanhas dos brasileiros em Melbourne
89’35” – Marcelo Melo acertou na escolha de Kubot como parceiro?
92’45” – A campanha de André Sá e Leander Paes
94’25” – Como o título de Kontinen e Peers afeta a briga pela liderança do ranking
95’45” – Qual foi o GIF mais épico da Aliny no Australian Open?
97’40” – Mais reclamações sobre a camisa de Roger Federer
103’20”- O poema de Melbourne é eficaz ou contraproducente?


AO, dia 9: americanas e suíços sem drama nas semifinais
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Alexandre Cossenza

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Não foram as quartas de final mais emocionantes que um torneio – ainda mais um do Grand Slam – poderia ter. Quatro jogos, quatro vitórias em sets diretos. Duas americanas e dois suíços avançaram e vão se enfrentar na quinta-feira. O resumaço do dia traz um breve relato de cada um desses encontros mais a carta de uma boleira a Jo-Wilfried Tsonga e a lista de indicados ao Hall da Fama, que terá Kim Clijsters e Andy Roddick eternizados em 2017.

As americanas

A primeira semifinal feminina do Australian Open será entre duas americanas: Venus Williams e Coco Vandeweghe. No primeiro jogo do dia, a veterana de 36 anos bateu Anastasia Pavlyuchenkova por 6/4 e 7/6(3) numa partida com quase nenhuma variação tática. Venus ganhou nos detalhes – atacou melhor nos momentos mais delicados. É sua primeira semifinal em Melbourne desde 2003, quando foi vice-campeã, perdendo para Serena na decisão. Venus agora é a semifinalista mais velha do Australian Open na Era Aberta (a partir de 1968).

Vandeweghe entrou em quadra na sequência e passou por cima de Garbiñe Muguruza: 6/4 e 6/0. O primeiro set nem foi tão parelho quanto o placar sugere. A americana perdeu várias chances de quebra até que a espanhola, com o segundo serviço pressionado o tempo inteiro, cometeu uma dupla falta e perdeu o saque. Cheia de confiança, Coco (ou Hot Coco, para alguns americanos) soltou ainda mais o braço na segunda parcial. Enquanto isso, Muguruza não mostrou poder de reação nem tentou alguma variação tática. Seguiu tentando bater forte na bola – sem sucesso.

Os suíços

O primeiro jogo das quartas de final masculinas fechou a sessão diurna da Rod Laver Arena com Stan Wawrinka vencendo de maneira surpreendentemente fácil: 7/6(2), 6/4 e 6/3. Jo-Wilfried Tsonga, em uma tarde pouco inspirada, só conseguiu manter o saque na primeira parcial. No segundo set, até conseguiu quebrar na frente, mas Wawrinka respondeu rápido e virou a parcial. O francês não encontrou uma maneira de emparelhar as ações e sucumbiu rápido. Pelo lado do #1 da Suíça, o maior mérito foi brilhar sempre que necessário, fosse salvando break points ou tomando controle rápido do tie-break.

Na sessão noturna, a carruagem de Mischa Zverev, o azarão que derrubou Andy Murray nas oitavas, virou abóbora rapidinho. Roger Federer não se incomodou nadinha com o saque do alemão e venceu o primeiro set em 19 minutos. Mischa até que teve seu momento quando quebrou o oponente no segundo set, mas mal deu emoção ao jogo, já que Federer devolveu logo em seguida. Nada mudou o plano de Zverev de fazer saque-e-voleio o tempo inteiro. Logo, nada mudou no andamento do jogo. No fim, o favorito fez 6/1, 7/5 e 6/2 em 1h32min.

A carta de agradecimento

Ano passado, durante seu jogo de segunda rodada, Tsonga ajudou uma boleira que não passava bem. O francês levou a menina para fora de quadra para que ela fosse atendida (lembre no tweet abaixo):

Pois este ano, antes de enfrentar Wawrinka, Tsonga recebeu uma carta de Giuliana, a boleira. Ela pede desculpas por não ter sido uma boleira tão eficiente, mas explica que havia contraído um vírus que afetava sua visão e sua audição. Ela também agradece pelo gesto de carinho do tenista e desejou boa sorte a Tsonga no resto do torneio. A carta inteira está no link do tweet abaixo.

No Hall da Fama

O Hall da Fama Internacional do Tênis anunciou nesta terça-feira a sua turma de 2017: Kim Clijsters, Andy Roddick, Monique Kalkman-van den Bosch, Steve Flink e Vic Braden. A lista foi revelada em uma cerimônia na Rod Laver Arena, em Melbourne, com a presença do americano, ex-número 1 do mundo, e do “dono” da casa, Rod Laver – além de outros integrantes do Hall.

No Twitter, Roger Federer prestou sua homenagem a Roddick, com quem compartilhou tantas partidas importantes e de quem tirou o número 1 do mundo no início de 2004. “Um chefe, uma lenda, um pai, um marido”, escreveu o suíço, dando os parabéns e se dizendo muito feliz pelo americano.

E talvez tenha passado sem que muitas pessoas notassem, mas Federer podia ter escolhido publicar uma foto dos dois juntos, mas a maioria delas teria o suíço como vencedor. Não seria humilde. Em vez disso, postou imagens neutras. Bacana.

Os brasileiros

Nenhum brasileiro jogou hoje, mas como não fiz resumaço ontem, fica aqui o registro. Marcelo Melo e Lukasz Kubot foram eliminador por Ivan Dodig e Marcel Granollers: 7/6(5) e 7/6(5). Sim, o ex-parceiro de Marcelo levou a melhor e avançou. E não dá para deixar de comentar o “climão” entre brasileiro e croata, que mal se olharam – inclusive durante o aperto de mãos ao fim do jogo.

Como escrevi em um post anterior, o fim da parceria não foi exatamente amistoso. Já ficou claro durante o ATP Finals do ano passado, quando mal havia diálogo. Depois, houve os unfollows nas redes sociais. E Dodig e Granollers, aliás, foram eliminados pelos irmãos Bryan nesta terça-feira.

A participação brasileira acabou quando Marcelo Demoliner e o neozelandês Marcus Daniell foram derrotador por Sam Groth e Chris Guccione: 7/6(9) e 6/3. Bruno Soares desistiu das duplas mistas por conta de dores nas costas.


AO, dia 7: os tombos dos líderes e a comovente história de Mischa Zverev
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Alexandre Cossenza

É bem verdade que o domingo australiano começou devagar, com jogos sem empolgar, mas o resto do dia foi dos melhores. A começar pelo fim de tarde, quando Mischa Zverev fez uma apresentação gloriosa na Rod Laver Arena (RLA) para chocar o planeta e derrubar o número 1 do mundo, Andy Murray. Depois foi a vez de Roger Federer apagar um péssimo começo de jogo e duelar com Kei Nishikori por cinco sets. Por fim, quase entrando pela madrugada, a número 1 do mundo no circuito feminino também tombou – cortesia de Coco Vandeweghe.

O resumaço de hoje traz a história desses três jogos e um relato da fantástica volta de Mischa Zverev, que quase largou o circuito mundial para virar técnico, mas voltou inspirado pelo talentoso irmão dez anos mais novo.

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A zebra

De um lado, Andy Murray, o número 1 do mundo, vice-campeão cinco vezes no Australian Open, vindo de 30 vitórias nos últimos 31 jogos, com a única derrota vindo diante de Novak Djokovic, o vice-líder do ranking. Do outro, Mischa Zverev, 29 anos, 50º no ranking, em sua primeira aparição nas oitavas de final em um Slam, irmão dez anos mais velho de Alexander, o mesmo que foi eliminado por Rafael Nadal na RLA um dia antes.

E é preciso mais contexto. O último jogo da sessão diurna deste domingo em Melbourne tinha um dos melhores devolvedores de saque do circuito – um pesadelo para sacadores – contra alguém que tenta manter vivo o estilo do saque-e-voleio, subindo à rede o tempo todo. Parecia quase impossível a missão de Mischa diante de um dos melhores passadores do tênis moderno.

O jogo começou, Andy Murray abriu 3/1, chegou a 5/4 e parecia tudo sob controle. Pois o número 1 perdeu o saque duas vezes seguidas, e Mischa fez 7/5. A segunda parcial teve mais drama, mas o britânico fez 7/5, quebrando Zverev pela terceira vez no set no 12º game. Era claramente uma atuação abaixo da média para Murray, que já tinha sido quebrado cinco vezes em dois sets. Ainda assim, ao fim do segundo set ficava a impressão que a primeira parcial havia sido um acidente e que o favorito tomaria o controle da situação logo, logo.

Só que Mischa continuava sacando, subindo e voleando. E fazendo tudo isso bem, com muito mais sucesso do que o esperado – e com mais sucesso do que no começo do jogo. No terceiro set, encaixou 74% dos primeiros serviços. Fez 6/2. E aí virou drama. Mais ainda quando o #1 perdeu o serviço no primeiro game do quarto set. Mischa, por sua vez, continuava sacando e voleando e acertando a maioria.

Murray, sejamos justos, fez winners de todo tipo. Terminou a partida com 71 deles e apenas 28 erros não forçados. Hoje em dia, não se vê ninguém perdendo com esses números, mas está aí o brilho do saque-e-voleio. Ao subir à rede, Zverev força erros dos adversários – e isso não entra nos números (não no Australian Open, pelo menos). E saque após saque, voleio após voleio, Mischa foi se aproximando da zebra.

No décimo game, com 5/4 no placar, o alemão foi um tanto exigido por Murray. Não mudou a tática, não piscou, não patinou, não engasgou. Fez voleios dificílimos, sacou bem e fechou: 7/5, 5/7, 6/2 e 6/4. “Simples” assim. Sem tremer. E sem conseguir explicar.

A linda história

A arrancada de Mischa aos 29 anos é só a parte mais recente de uma história que só pode ter final feliz. O Zverev mais velho foi top 50 em 2009, mas sofreu com uma série de lesões. Teve uma fratura em um punho, duas costelas fraturadas, uma hérnia de disco e uma ruptura pequena na patela. Saiu do top 100 em 2011. Depois, saiu do top 200 e até do “top” 1000. Caiu para o 1067º lugar.

Mischa quase não voltou a competir quando teve todas essas lesões. Começou a viajar como treinador de dois adolescentes, mas foi aí que sentiu falta dos torneios, da tensão dos jogos. Voltou aos poucos e e sempre disse que o irmão, Alexander, teve muito a ver com isso.

“Meu irmão foi um grande fator porque sempre me empurrou e me fez trabalhar duro de novo para tentar fazer o melhor possível. Ele vem tendo bons resultados nos últimos anos, e eu não quis ficar muito atrás dele. Acho que nos ajudamos porque treinamos muito juntos e tentamos nos desafiar e cada um fazer o outro melhorar. Acho que ainda posso jogar bem e fazer algum estrago aqui e ali”, disse ao site da ATP em outubro do ano passado, quando voltou ao top 100.

O próximo adversário

Ainda na quadra, Mischa falou sobre a possibilidade de enfrentar Federer nas quartas de final e disse que seria um sonho porque o suíço é seu tenista preferido. Bom, o pedido do alemão foi atendido. Depois de um começo preocupante, perdendo os quatro primeiros games, Federer encontrou seu saque, equilibrou os ralis e tomou o controle do jogo.

Nishikori, por sua vez, evitou um desastre ao vencer o tie-break do primeiro set, mas passou a sacar mal, foi afobado em subidas à rede e até perdeu o controle dos ralis – onde mais levou vantagem no início. Desistiu mentalmente no meio do terceiro set, foi ao banheiro ao fim da parcial e parecia batido no jogo quando teve de encarar break points no quarto game do quarto set.

O japonês se salvou e contou com a sorte. Federer jogou um péssimo quinto game, com subidas à rede precipitadas e um smash fácil errado. Pagou caro e precisou ir a um quinto set que nem deveria ter jogado. Se serve de consolo, o suíço não teve tanto trabalho na parcial decisiva. Nishikori se quebrou no segundo game e pediu atendimento no quadril pouco depois. Federer, finalmente, aproveitou a ladeira abaixo até fechar: 6/7(4), 6/4, 6/1, 4/6 e 6/3.

A consequência matemática

Vice-campeão no ano passado, Murray perde a chance de aumentar consideravelmente sua vantagem para Novak Djokovic, atual campeão. O britânico deixa o torneio com 1.715 pontos de frente, mas poderia ter ampliado a diferença para até 3.535 pontos. Nole, no entanto, tem mais pontos a defender nos próximos meses (ganhou Indian Wells e Miami em 2016), por isso é improvável – não impossível – que Murray tenha o #1 ameaçado até Roland Garros.

A segunda zebra do dia

No último jogo do dia na RLA, foi a vez de Angelique Kerber ser testada de verdade pela primeira vez neste Australian Open. A número 1 do mundo, que já vinha fazendo um torneio bem mais ou menos, não resistiu à agressividade de Coco Vandeweghe e deu adeus: 6/2 e 6/3.

Não foi sequer uma partida equilibrada. A americana agrediu desde o começo, massacrou o serviço da alemã e nem no segundo set, quando Kerber abriu 2/0, houve emoção. Vandeweghe, atual #35, venceu cinco games seguidos, saindo de 1/3 para 6/3. Um resultado que só confirmou o começo de ano ruim da #1. Kerber já vinha de derrotas precoces em Brisbane e Sydney.

A alemã, aliás, pode sair de Melbourne sem a liderança do ranking, já que Serena Williams, vice em 2016, voltará a ser a número 1 se conquistar o título este ano.

Vandeweghe, por sua vez, avança para encarar Garbiñe Muguruza nas quartas de final. A espanhola, atual campeã de Roland Garros, passou fácil por Sorana Cirstea (#78): 6/2 e 6/3. Muguruza será um obstáculo bem diferente para Coco, já que tem poder de fogo para responder do fundo de quadra.

Outros candidatos

A chave feminina também teve vitórias de Anastasia Pavlyuchenkova e Venus Williams. Nenhuma teve trabalho além do esperado, embora ambas tenham feito partidas bastante razoáveis. A russa passou pela compatriota Svetlana Kuznetsova por 6/3 e 6/3 enquanto a americana despachou a alemã Mona Barthel por 6/3 e 7/5. Pavs e Venus se enfrentam nas quartas em busca da vaga na semifinal contra a vencedora de Vandeweghe x Muguruza.

Entre os homens, Stan Wawrinka avançou em três tie-breaks, sendo superior nos momentos decisivos em uma partida que poderia facilmente se complicar contra Andreas Seppi: 7/6(2), 7/6(4) e 7/6(4). O #1 da Suíça agora vai enfrentar Tsonga, que passou por Dan Evans por 6/7(4), 6/2, 6/4 e 6/4. Tanto Wawrinka quanto Tsonga têm a vantagem de, até agora, estarem meio longe dos holofotes. Por enquanto, “o” assunto em Melbourne continua limitado ao Big Four, com tudo que envolveu as derrotas de Murray e Djokovic e as campanhas de Federer e Nadal.

É o típico cenário em que Wawrinka costuma aparecer e brilhar nas fases decisivas. E não seria fantástica uma semifinal entre ele e Federer? O retrospecto recente entre Stan e Jo joga a favor desse cenário. O suíço venceu os quatro últimos jogos.

Observação: o trecho sobre Kerber entra mais tarde.


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