Saque e Voleio

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Quadra 18: S02E13
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Alexandre Cossenza

Teve muito tênis na Ásia, mas também teve muita polêmica e assunto quente nos últimos dias. Primeiro, com a redução da pena por doping de Maria Sharapova e a consequente “briga de textões” entre a russa, a ITF e o empresário Max Eisenbud. Depois, com a notícia de que a Justiça Federal vai investigar Jorge Lacerda, presidente da CBT, e Dacio Campos, comentarista do SporTV. Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu relatamos os fatos e damos nossas opiniões sobre o caso Maria e o cenário nebuloso do tênis brasileiro.

Mas este episódio do podcast é um pouco diferente. Aproveitando a presença de vários atletas do país no Challenger de Campinas e contando com participações mais do que especiais de Marcelo Melo (direto de Pequim) e Bruno Soares (direto de Tóquio), desvendamos as preferências dos tenistas no mundo pop. Música seriados, filmes e tudo mais. Para descobrir quem ouve Wesley Safadão e quem já fez maratona de Supernatural, basta clicar no player abaixo. Se preferir baixar e ouvir depois, clique neste link com o botão direito do mouse e selecione a opção “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’20” – Sheila apresenta os temas, Aliny e Cossenza se apresentam
3’10” – O resumo do caso Sharapova e a redução de sua suspensão
3’55” – A resposta agressiva de Sharapova e a “tréplica” da ITF
6’00” – A decisão da Corte Arbitral do Esporte surpreendeu?
08’00” – O quanto a postura de Sharapova tem do elemento marketing?
08’45” – O quanto a imagem de Sharapova ficou prejudicada no circuito?
09’15” – A turnê de entrevistas mudou a opinião da maioria sobre o caso?
10’50” – Como o caso Lepchenko joga contra a justificativa de Sharapova
12’14” – “Faltou um pouquinho de humildade para a Maria”
14’22” – “O discurso da Sharapova é rancoroso e beira o mimado”
16’20” – A pior consequência desse caso de doping para Sharapova
17’40” – O resumo do caso envolvendo a denúncia do MP contra Jorge Lacerda
20’50” – As explicações de Lacerda, Dacio Campos e Ricardo Marzola
23’30” – O quanto o caso prejudica o tênis brasileiro
25’30” – The Currents (Bastille)
26’03” – Sheila introduz o bloco POP do podcast
26’21” – Marcelo Melo manda recado e fala sobre suas preferências
30’07” – “O Marcelo é a minha mãe”
32’47” – Bruno Soares fala de Ed Sheeran, Ben Affleck e Skank
37’50 – Thiago Monteiro cita Safadão, John Mayer, Breaking Bad e DiCaprio
40’45” – “Qual o filme preferido do DiCaprio de vocês?”
44’05” – Comentários aleatórios sobre Wesley Safadão
45’23” – Rogerinho fala de futebol no videogame, Rappa, cavaquinho e violão
48’05” – Prioridades: respondemos se Rogerinho joga FIFA ou PES
52’21” – Felipe Meligeni Alves fala de funk, Prison Break e filmes de terror
54’50” – “Assustador como o Felipe lembra o Fino”
56’11” – Zormann fala sobre Supernatural, Sherlock e Batman vs Super-Homem
58’53” – “Qual o filme do Batman preferido de vocês?”
61’17” – Quando Murray comemorou gravações de Sherlock
62’09” – Orlandinho fala sobre Drake, Ariana Grande, GOT e maratonas de seriados
65’00” – Nossas maratonas de seriados
67’20” – As preferências de Aliny Calejon
69’53” – Os preferidos de Alexandre Cossenza
72’24” – Sheila Vieira e suas preferências


Davis, dia 2: tombo inesperado encerra fim de semana decepcionante
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Alexandre Cossenza

O golpe fatal veio de onde não se esperava. Ruben Bemelmans e Joris De Loore, a dupla escalada pela Bélgica mais para poupar David Goffin e Steve Darcis do que para ganhar de fato, acabou derrubando os favoritos Bruno Soares e Marcelo Melo em cinco sets. O tombo dos mineiros por 3/6, 7/6(5), 4/6, 6/4 e 6/4 completou um fim de semana decepcionante – mais pelas atuações do que pelo resultado final – para o time do capitão João Zwetsch, que mostrou pouco poder de reação e quase nenhuma variação tática nas simples de sexta-feira.

Zwetsch_BraBel_cbt2_blog

Com o 3 a 0, a Bélgica continua no Grupo Mundial, a elite da Copa Davis, enquanto o Brasil volta para o Zonal das Américas, onde esteve em nove das últimas 11 temporadas. Neste sentido, não há grandes e novas conclusões a tirar. O Brasil continuará sendo favorito dentro do continente para alcançar os playoffs, mas ainda dependerá de um sorteio favorável (e o confronto contra a Bélgica não era nem de longe o pior dos cenários) e/ou da ascensão de um segundo simplista.

A maior expectativa agora fica por conta de Thiago Monteiro, que obteve ótimos resultados em 2016. Seria bom mesmo que o cearense de 22 anos desse outro passo adiante na carreira e se firmasse como tenista de nível ATP. Até porque entre os brasileiros mais novos que ele ainda não há ninguém mostrando tênis suficiente para defender o país internacionalmente.

O favoritismo era brasileiro, claro. Afinal, dois vencedores de Slam com muito tempo de quadra juntos enfrentariam jogadores que só haviam atuado juntos uma vez – uma derrota na primeira rodada de um Challenger. Um deles, De Loore, nunca havia vestido as cores do país na Copa Davis. O nervosismo ficou evidente. O jovem de 23 anos fez um foot fault e errou um voleio fácil logo no segundo game. A quebra veio, e os brasileiros não deram chance para reação. Os belgas não ameaçaram em momento algum e venceram apenas dois (dois!) pontos de devolução no primeiro set inteiro.

Se parecia um passeio de fim de semana, logo apareceu aquele engarrafamento que ninguém espera porque a PM montou uma blitz às 10h no único caminho até a praia. Bemelmans e De Loore acharam um ritmo melhor, sacaram espetacularmente (83% de aproveitamento de primeiro serviço) e arriscaram nas devoluções. Tiveram dois break points em games diferentes, mas De Loore, jogando no lado da vantagem, não conseguiu encaixar devoluções. No tie-break, a postura agressiva junto à rede que vinha dando certo saiu pela culatra. Bemelmans acertou um belo lob sobre Marcelo, e a Bélgica abriu 6/4. Foi o único mini-break do game, e os donos da casa empataram a partida.

O equilíbrio continuou, com pequenas chances para os dois lados. O terceiro set só teve um break point. Foi no décimo game, e Melo converteu com uma devolução vencedora (vide tweet acima). A quarta parcial começou com uma quebra da Bélgica, e o time da casa salvou dos break points em games diferentes antes de devolver o 6/4 anterior e mandar a decisão para o quinto set.

A essa altura, Bemelmans já tinha o tempo dos saques brasileiros e cravava devoluções impressionantes. Quando De Loore fazia o mesmo, significava perigo de quebra. Aconteceu no terceiro game, e Melo perdeu o saque. Os donos da casa abriram 3/1 e continuaram melhores nos games de serviço. O time mineiro tentou e ainda venceu um pontaço (vídeo abaixo), mas não conseguiu devolver a quebra. Game, set, match, Bélgica: 3/6, 7/6(5), 4/6, 6/4 e 6/4.

Uma temporada nada memorável

Se não voltarem a jogar juntos em 2016 (não há nada previsto até agora), Bruno Soares e Marcelo Melo terminarão a temporada com uma campanha de seis vitórias e quatro derrotas atuando juntos. Ainda que os mineiros tenham ficado a uma vitória de brigar pela medalha olímpica, trata-se de um histórico nada memorável para o potencial de ambos – especialmente considerando que três dessas vitórias aconteceram contra duplas irrelevantes no circuito: Fabiano de Paula/Orlandinho, Emilio Gómez/Roberto Quiroz e Nicolás Almagro/Eduardo Russi.


Quadra 18: S02E11
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Alexandre Cossenza

Os Jogos Olímpicos Rio 2016 mal acabaram, e o US Open já está aí batendo à porta, sem deixar ninguém descansar e mantendo lá no alto a temperatura do mundo do tênis. Por isso, o episódio desta semana do podcast Quadra 18 é uma pizza metade Rio 2016, metade US Open. Quer dizer, sendo bem sincero mesmo, a divisão ficou 2/3 Errejota, 1/3 Nova York, o que é muito justo já que o torneio olímpico de tênis foi melhor do que muito Slam.

Neste episódio, Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu lembramos dos melhores momentos dos Jogos Rio 2016 e compartilhamos episódios emocionantes e curiosos vividos na Cidade Maravilhosa, mas não deixamos de lembrar como está desenhado o cenário pré-US Open. Quer ouvir? É só clicar neste link. Se preferir baixar e ouvir depois, clique com o botão direito do mouse e selecione a opção “salvar como”.

Os temas

0’00” – Cossenza apresenta os temas
1’55” – O torneio olímpico de tênis foi tão marcante quanto um Slam?
5’31” – Os duplistas mineiros no torneio olímpico
7’38” – A boa chance de medalha para Melo e Soares
10’00” – A chave que se abriu sem Herbert/Mahut e Cabal/Farah
13’00” – A medalha que escapou de Daniel Nestor
13’40” – O nível altíssimo de André Sá nos Jogos Olímpicos
15’20” – A inesperada campanha de Thomaz Bellucci até as quartas
17’44” – Del Potro x Djokovic foi o melhor jogo do torneio?
21’15” – A inteligência do jogo agressivo e do slice de Del Potro
23’13” – Djokovic: a sintonia com o público brasileiro, as lágrimas, o que significou a derrota e o que pode vir a acontecer em Tóquio 2020
26’02” – O mistério sobre a lesão de Djokovic antes do US Open
27’30” – Nadal: a maratona, a medalha, as reclamações e o comprometimento
31’50” – Murray: o favoritismo, a obrigação e os (muitos) dramas
34’03” – Mónica Puig e a medalha de ouro na chave feminina
38’10” – As derrotas de Serena e Muguruza, maiores surpresas do torneio
39’09” – O pódio feminino e o “espírito de Fed Cup”
41’05” – O ouro olímpico seria o começo de uma arrancada de Mónica Puig?
44’05” – A loucura do estádio olímpico vibrando com Kirsten Flipkens
44’55” – Serena e Venus decepcionaram?
47’10” – Os resultados de Teliana e Paula Gonçalves no Rio
48’48” – A bolada de Martina Hingis em Andrea Hlavackova
51’30” – O ouro das “brunetes” Makarova e Vesnina
52’58” – O momento de Cossenza com Leander Paes
57’06” – A pergunta mais importante: quem pegou zika?
58’13” – Música em homenagem a Mónica Puig
58’50” – O comportamento da torcida: brasileiros acertam quando vaiam?
66’25” – Os encontros olímpicos de Aliny Calejon com Marin Cilic e Horia Tecau
73’10” – Os encontros de Cossenza e Sheila com Robin Soderling
74’00” – Outros esportes que vimos nos Jogos Rio 2016
77’21” – O drama de Sheila para ver Usain Bolt
82’21” – Engenhão à meia-noite: Cossenza “recomenda”
84’20” – Por que os episódios do podcast Quadra 18 são tão longos?
86’37” – Empire State of Mind (Jay Z featuring Alicia Keys)
87’11” – O US Open e suas novidades como o teto retrátil e a Grandstand
87’50” – Chave masculina está mais indefinida do que nos últimos Slams?
90’51” – A briga entre Serena e Kerber pelo posto de #1 do mundo
92’00” – Recordes que Serena pode bater nas próximas semanas
95’45” – O que esperar dos brasileiros nas duplas?
99’25” – As chances de Marcelo Melo voltar ao topo do ranking após o US Open
102’37” – Carry Me (Kygo featuring Julia Michaels)


Meus 11 momentos inesquecíveis do tênis nos Jogos Olímpicos Rio 2016
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Alexandre Cossenza

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Quando o último slice de Juan Martín del Potro ficou na rede, já entrando na noite de domingo, o cenário estava claro há muito tempo. Todo mundo sabia quem quem veio ao Rio por amor e quem deixou de estar nos Jogos Olímpicos porque preferiu sair em busca de pontos e cachês. E quem esteve no Parque Olímpico nos últimos nove dias viu e entendeu que as ausências não diminuíram em nada o torneio olímpico de tênis. Exemplos não faltaram. Os que me marcaram estão aqui.

Kirsten Flipkens, maior aqui do que na Bélgica

Soou estranho para a imprensa estrangeira, que demorou um pouco para entender que o público da quadra central gritava “Flipkens, Flipkens” empurrando a tenista rumo à primeira zebra do torneio. A belga, que eliminou Venus Williams na primeira noite do evento, disse que nunca ouviu isso – nem no seu país. Traçou uma relação com dez anos atrás, quando a Bélgica jogou a final da Fed Cup. Disse ter saído arrepiada da quadra carioca.

A noite inesquecível de André Sá

Aos 39 anos e possivelmente em sua última participação olímpica (ganhou convites em Londres e no Rio), André Sá teve uma vitória à altura de sua carreira. Carregou Thomaz Bellucci nas costas, levantou o público, fez jogadas maravilhosas e eliminou a dupla cabeça 2, formada pelos irmãos Andy e Jamie Murray: 7/6(6) e 7/6(14). Sá e Bellucci perderam na sequência para Fognini e Seppi (até porque a combinação saque de Sá + Bellucci na rede é difícil de sustentar), mas o mineiro nos deu uma lembrança para o resto da vida.

O caso de amor com Novak Djokovic

No mesmo dia e no mesmo horário, na quadra central, Novak Djokovic enfrentava Juan Martín del Potro. Um jogaço de dois tie-breaks com um público espetacular se dividindo entre os barulhentos e incansáveis argentinos e os brasileiros fãs de Djokovic. O sérvio foi eliminado e saiu de quadra às lágrimas, o que evidenciou o tamanho do seu desejo de conquistar um ouro olímpico. Aliás, o caso de amor do #1 com a torcida local foi outro ponto alto do torneio. Até na chave de duplas, enfrentando Bruno Soares e Marcelo Melo, Djokovic foi ovacionado e deixou a quadra aplaudido de pé. Sim, teve relação com o ótimo trabalho de sua imagem no Brasil, mas também teve muito a ver com sua entrega nos Jogos Olímpicos.

O embalo de Thomaz Bellucci

O #1 do Brasil contou com uma enorme dose de sorte – para azar de Dustin Brown, que estava a poucos games de eliminar Bellucci quando sofreu uma violenta torção no tornozelo. O paulista aproveitou e, diante da torcida, passou por Pablo Cuevas e David Goffin. Duas partidas emocionantes em que o público manteve o tenista da casa motivado, mesmo com suas habituais inconstâncias. Bellucci ainda jogaria um primeiro set mágico contra Rafael Nadal antes de as 12 badaladas soarem e transformarem sua carruagem em abóbora. As vitórias não valeram pontos, mas serviram para alimentar a esperança de que o número 1 do Brasil ainda possa vir a ser o tenista que todo mundo sempre quis acreditar que ele seria.

O sacrifício de Rafael Nadal

Ele deixou de jogar em Wimbledon e nunca escondeu que ainda estaria em repouso se não fosse a possibilidade de estar nos Jogos Olímpicos. Nadal, que não esteve em Londres 2012, usou tudo que tinha no tanque no Rio de Janeiro. Foi campeão de duplas ao lado do amigo Marc López e talvez tivesse ido mais longe nas simples se tivesse de onde tirar energia. Jogou com o punho esquerdo incomodando, disputou 15 sets em quatro dias (e 26 no total) e carregou a bandeira do país na cerimônia de abertura. Tudo isso por estar nos Jogos, hospedado na vila dos atletas, sem mordomia e sem ganhar um centavinho.

O beijo de Juan Martín Del Potro

Depois de seguidas cirurgias e longos períodos de recuperação com pouco sucesso, estar nos Jogos Olímpicos era uma vitória por si só para o argentino. Mas ele derrubou Djokovic e Nadal antes de sucumbir a Andy Murray na final. Foi, de longe, a história mais bonita do torneio. Desde o longo abraço no sérvio na segunda noite do torneio, incluindo um beijo nos aros olímpicos pintados na quadra até carinho com o escocês após a final.

A emoção de Leander Paes

Aconteceu longe das TVs. A participação de Leander Paes em seus sétimos Jogos Olímpicos durou pouco. Ele e o parceiro Rohan Bopanna (que nunca quis a parceria) caíram na primeira rodada. Paes passou um bom tempo na zona mista. Quando todos foram embora, ficamos só nós dois. Ele chorou falando da relação com seu pai e da conversa que tiveram durante a abertura. Eu quase chorei lembrando do meu. Ele, então, lembrou da emoção de Atlanta 1996, quando ganhou o bronze. Disse coisas lindas sobre Fernando Meligeni, seu adversário naquele dia. Falou de Pelé, lembrou que algumas pessoas viam semelhança física entre ele (Paes) e Romário, disse que atletas de países como Brasil e Índia entendem melhor o que é competir pela bandeira. Foi um papo curto, coisa de cinco minutos, mas que pareceu durar meia hora. Pessoalmente, foi a maior emoção que vivi nos Jogos até agora. Qualquer dia, transcrevo a conversa aqui.

As “brunetes”

Chegar ao Rio já foi difícil. Elena Vesnina e Ekaterina Makarova foram campeãs em Montreal, perderam a conexão rumo ao Brasil e tiveram problemas para encontrar um voo. Tiveram de abrir mão de seus bilhetes de classe executiva e entraram nos dois últimos assentos de um avião salvador. Chegaram prontas para tudo. Não reclamaram da vila nem da comida. Apareceram, jogaram e esbanjaram simpatia. Enquanto Vesnina falava, Makarova, que não tem inglês tão fluente quanto o da parceira, sorria. O ouro foi uma recompensa e tanto, e ouvir o hino russo no tênis foi mais especial ainda por causa de toda turbulência que colocou uma bigorna de desconfiança nas costas de quase todos atletas do país.

A conquista de Monica Puig

Há quem prefira decisões entre dois nomes de peso e diga que a final feminina não foi lá das melhores. Não sou tão radical. Adoro roteiros que incluem estrelas em ascensão, e Mónica Puig é uma delas. A porto-riquenha é um talento inegável. Entrou no top 50 três anos atrás, mas teve dificuldades para jogar todo seu tênis de forma consistente. No Rio, tudo funcionou. Puig atacou, defendeu e bateu Garbiñe Muguruza, Petra Kvitova e Angelique Kerber. Conquistou o primeiro ouro de seu país e vai voltar ao circuito com a confiança transbordando.

A derrota da dupla

Como escrevi no post anterior, a eliminação de Bruno Soares e Marcelo Melo nas quartas de final foi um grande baque. Não pelo resultado. Perder para Florin Mergea e Horia Tecau – medalhistas de prata – é completamente compreensível. O revés machucou mesmo porque o ambiente era bonito, com torcida empurrando e os mineiros jogando. E sempre havia a esperança de que algo mágico poderia acontecer. Não rolou. Jogadores e jornalistas pareciam abatidos na zona mista. Foi uma das entrevistas pós-jogo mais duras que vi.

O título de Andy Murray

Com as seguidas participações do bicampeão de Wimbledon na Copa Davis, ninguém pode questionar a dedicação de Andy Murray à Grã-Bretanha. No Rio, ele tentou encarar as três modalidades. Perdeu um jogo duríssimo nas duplas e não foi longe nas mistas, mas terminou a semana com a medalha de ouro de simples no peito. Não foi uma semana de tênis espetacular, mas o escocês conseguiu sair de situações delicadas.

Esteve perdendo por 3/0 no terceiro set diante de Fabio Fognini ainda nas oitavas de final. Venceu seis games seguidos e se salvou. Depois, nas quartas, esteve uma quebra atrás no terceiro set contra Steve Johnson. Devolveu a quebra e avançou no tie-break. Por fim, bolou um plano tático inteligente e o aplicou com paciência na final contra Del Potro. O primeiro bicampeão olímpico em simples. Enorme.

Coisas que eu acho que acho:

– A falta de um critério claro estabelecido pela CBT teve seu preço. Até a véspera da inscrição, ninguém sabia quem jogaria nas duplas mistas com Marcelo Melo. Houve problemas e discussões internas até que Teliana Pereira fosse escalada. Ela e Marcelo até venceram uma rodada na chave.

– A convocação de Paula Gonçalves nunca foi explicada (talvez porque os capitães e técnicos da CBT achem que não devem explicação a ninguém). Se Paula foi convocada só para as duplas, que critério foi utilizado? Ninguém falou, mas acredito que foi o chamado “critério técnico”, já que a duplista número 1 do país é (e era na época da convocação) Gabriela Cé.

– É pura questão de opinião, mas achei extremamente ruim a postura de Paula, que ria em quadra nos últimos momentos da derrota na chave de duplas. Não tinha ranking nem resultado para estar ali. Entrou pela cota de país-sede. Foi lá e se divertiu, sem se incomodar nem um pouco com a derrota.

– Mudando de assunto, Venus Williams conquistou sua quinta medalha olímpica. Foi prata nas duplas mistas ao lado de Rajeev Ram. Nas simples e nas duplas, caiu cedo. Não apareceu para entrevistas quando foi eliminada por Flipkens. Quando perdeu nas duplas, apareceu falar. Ouviu uma pergunta, respondeu outra coisa e foi embora. Serena fez o mesmo quando perdeu nas simples. São atletas com feitos enormes e são exemplo em muitos sentidos para mulheres do mundo todo. Mas ninguém vê Federer, Djokovic ou Nadal evitando entrevistas depois de derrotas. Esses são gigantes.

– O ambiente do tênis nos Jogos Olímpicos foi espetacular mesmo quando não havia um atleta da casa competindo. Não gosto nem um pouco de dizer isso, mas a atmosfera no Rio me faz acreditar que, pelo menos no Grupo Mundial, é possível ter sucesso em uma decisão de Copa Davis em sede neutra. Mas que não mexam nos zonais, por favor!


Quando o sonho acaba e é preciso dizer ‘segue o baile’
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Alexandre Cossenza

A noite de terça-feira foi especialmente dura para o tênis brasileiro. Sim, Thomaz Bellucci derrotou Pablo Cuevas e passou para a terceira rodada na chave de simples, mas a maior chance de medalha do país na modalidade acabou. Bruno Soares e Marcelo Melo foram eliminados nas quartas de final pelos romenos Florin Mergea e Horia Tecau.

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Faltava uma vitória para que os mineiros jogassem por uma medalha. Faltou, no fim das contas, um set. Foi um golpe e tanto. Foi um baque na torcida, que encheu a Quadra 1 e deu show nos três jogos de Soares e Melo em uma sintonia rara de ver; foi duro para a imprensa, que acompanhou a trajetória bacana de dois campeões de Grand Slam; e, claro, foi devastador para Bruno e Marcelo.

Machucou porque foi em casa, porque coincidiu de os Jogos Olímpicos acontecerem no Brasil e justamente durante o auge da carreira de ambos. Doeu porque os dois queriam muito. Bruno disse durante a semana que nunca viveu o tênis tão intensamente quanto nestes dias. Nunca curtiu tanto ir dormir pensando no jogo do dia seguinte. Abalou porque era possível. Quase palpável. Tecau e Mergea são uma ótima dupla, mas não são um Phelps. “Só” jogaram como se fossem. Ainda assim, duas bolas aqui, outras duas ali, e o jogo teria outro fim.

Só que o que dá o sabor tão especial ao Jogos Olímpicos é o mesmo ingrediente da crueldade. Não há margem para erro. A próxima chance vem só daqui a quatro anos e será longe de casa, em Tóquio, trocando o dia pela noite. Marcelo terá 36 anos. Bruno, 38. É possível que ambos já não estejam jogando seu melhor tênis. E isso faz doer mais ainda. Talvez a melhor chance – não a única – tenha passado.

Bruno e Marcelo não fazem parte de nenhuma minoria social ou étnica. Não foram criados na favela, não são nordestinos nem negros. São homens criados em famílias que nunca passaram fome. Não precisaram lidar com preconceitos. Nem por isso são menos brasileiros ou merecedores que outros. Encararam o mais duro dos esportes individuais, abraçando uma vida em que não há clubes bancando treinadores nem viagens. É cada um por si, e os patrocinadores são escassos.

A dupla mineira nunca se escondeu atrás de assessores de imprensa e jamais fugiu de uma entrevista depois de uma derrota. Bruno e Marcelo não são de desculpas. Reconhecem suas falhas, dão mérito aos rivais. Uma medalha coroaria duas carreiras fantásticas, mas mais do que isso: duas pessoas fantásticas.

Uma entrevista pós-derrota quase sempre inclui um “segue o baile” vindo de Bruno. Não é minimizar o revés. É aceitar o que aconteceu e olhar para a frente. Foi assim que ele fez a vida inteira. Marcelo também. Sempre deu certo. E pode ser que em menos de um mês um deles esteja comemorando outro título de Slam. Acabam os Jogos Olímpicos. É difícil engolir e aceitar que o sonho acabou. Talvez nunca tenha sido tão difícil pedir ao DJ ou voltar à pista, mas não tem jeito. “Segue o baile.”


Davis: uma obrigação cumprida, um playoff à vista e um par de perguntas
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Alexandre Cossenza

Não foi tão fácil como poderia ter sido, mas tampouco foi dramático. De volta ao Zonal americano, Brasil derrotou o Equador em Belo Horizonte por 3 a 1 e garantiu mais uma participação no playoff da Copa Davis. A equipe que tem Thomaz Bellucci, Marcelo Melo e Bruno Soares como ocupantes cativos terá, assim, mais uma chance de retornar à primeira divisão do tênis mundial, lugar que ocupou por apenas duas temporadas nos últimos 13 anos.

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O triunfo sobre o Equador veio com um pequeno susto logo na abertura do confronto. Rogerinho, 90º do mundo, jamais se mostrou confortável no piso duro do Minas Tênis Clube e foi derrotado por Emilio Gómez, 24 anos e número 317 do mundo: 4/6, 7/5, 6/0 e 6/4.

Ainda assim, precisaria que muita coisa desse errado para que o Brasil perdesse para o modesto time visitantes. E, mesmo com um sobressalto aqui e outro ali, a equipe da casa venceu os três pontos seguintes. Thomaz Bellucci, que não foi espetacular nem na sexta nem no domingo, primeiro bateu Roberto Quiroz, 27 anos e número 396 do ranking, por 7/5, 7/6(3), 3/6 e 6/3. Depois, fechou o confronto no domingo ao superar Gómez por 7/6(11), 6/7(6), 6/2 e 7/5.

No sábado, vale lembrar, Bruno Soares e Marcelo Melo até perderam o primeiro set, mas confirmaram o favoritismo sem drama: 6/7(4), 6/3, 6/3 e 6/2. Foi, aparentemente, o dia mais divertido, com os mineiros jogando diante de sua torcida e comemorando junto com eles também.

Daqueles momentos que marcam, lindíssima a festa dos mineiros com os amigos e família. #DavisCup

A video posted by Aliny Calejon (@alcalejon) on

Um par de perguntas

Oficialmente, o discurso da CBT e dos tenistas nas coletivas pré-confronto foi de que o duelo em quadra dura ajudaria na preparação para os Jogos Olímpicos. Não tenho, contudo, resposta para as seguintes perguntas:

– Se a intenção é preparar para as Olimpíadas, por que Bellucci e Rogerinho jogarão torneios no saibro na próxima semana? Havia a opção de jogar em Washington, um ATP 500 em quadra dura. Ambos entrariam direto na chave principal. Todo mundo sabe do ótimo histórico de Bellucci em Gstaad e é perfeitamente compreensível sua escolha por voltar ao torneio suíço. O problema é que o discurso de preparação para os Jogos, assim, mostra-se inconsistente.

– O torneio olímpico será no Rio de Janeiro, a nível do mar e em quadras outdoor. O duelo em Belo Horizonte é disputado em quadra coberta a mais de 800 metros acima do nível do mar. De que maneira um confronto assim teria sido a melhor preparação possível? Para piorar, o capitão João Zwetsch, para defender o emprego, se prestou ao papel de dizer que a quadra estava lenta, dando “uma boa equilibrada, bem próximo ao que vamos encontrar no Rio de Janeiro”, no Parque Olímpico (frase retirada de comunicado enviado pela CBT).

Ficou mais feio ainda porque Rogerinho deixou a quadra derrotado no primeiro dia, dizendo que “as condições estão muito rápidas, e isso o favoreceu um pouco, também, porque são as condições em que ele mais gosta de jogar.”

No fim das contas, a escolha da sede, se valeu para algo, ajudou os mineiros. Eles, sim, vão às quadras duras de Washington, onde jogarão juntos (deixando de lado Jamie Murray e Ivan Dodig, os parceiros habituais) em uma preparação de fato para os Jogos Olímpicos. É bom ver que a principal esperança de medalha do Brasil no tênis vem levando a coisa a sério.

O recado

A melhor declaração do fim de semana foi (de quem mais?) de Bruno Soares, que falou sobre as desistências de tenistas que citam a ameaça do vírus zika como justificativa para não disputarem os Jogos Olímpicos Rio 2016 (evento que, coincidência ou não, não dá pontos no ranking nem prêmio em dinheiro aos participantes. Bruno elogiou a postura de Dominic Thiem, que foi honesto quanto à sua decisão de não disputar os Jogos, mas ressaltou que “a turma está se abraçando numa desculpa fraca pra não vir, inconsistente.” Leia a íntegra aqui.

Aviso

Entro de férias (de mim mesmo, na verdade) nesta segunda-feira, portanto o blog não terá as atualizações costumeiras. Até os Jogos Olímpicos – e possivelmente inclusive durante os Jogos – não pintarão muitos textos por aqui (eu poderia até escrever mais, mas não vou por causa do zika – rs). Até daqui a pouco.


Quadra 18: S02E10
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Alexandre Cossenza

Serena Williams conquistou seu 22º título em um torneio do Grand Slam; Andy Murray voltou a triunfar em Wimbledon; Djokovic e Muguruza ficaram pelo caminho; Federer e Kerber ficaram no quase; e o que Lleyton Hewitt foi fazer em Londres? Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu gravamos mais um bem humorado podcast Quadra 18, resumindo os feitos, as decepções, as confusões e tudo mais que rolou nas duas semanas do Slam da grama.

Também falamos, claro, de Brasil x Equador, confronto deste fim de semana em Belo Horizonte, e demos uma pincelada no cenário que se desenha para os Jogos Olímpicos Rio 2016. Quer ouvir? É só clicar no player acima. Se preferir, baixar e ouvir depois, clique neste link com o botão direito do mouse e selecione a opção “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’15” – Sheila apresenta os temas
1’40” – O título de Andy Murray
2’35” – Como o jogo de Murray se encaixa na grama
4’15” – Como “casa” bem para Murray o duelo com o Raonic
6’39” – A primeira final de Slam sem enfrentar Federer ou Djokovic
8’18” – Murray será número 1 do mundo?
10’15” – Raonic vai ganhar um Slam um dia?
12’44” – A consultoria de John McEnroe com Raonic e o conflito de interesse
14’45” – Como avaliar a campanha de Federer? Melhor ou pior do que o esperado?
17’32” – Foi a última grande chance de Federer ganhar um Slam?
21’05” – Djokovic e a derrota para Sam Querrey
25’00” – A especulação sobre a não vinda de Djokovic aos Jogos Olímpicos
26’20” – Djokovic, Murray e o confronto de Copa Davis
27’45” – A campanha de Juan Martín del Potro
29’00” – Wawrinka, a decepção
30’20” – A história louca de Marcus Willis
30’40” – Marin Cilic e outros destaques do torneio
34’10” – Right Action (Franz Ferdinand)
34’35” – Serena Williams, heptacampeã em Wimbledon
35’50” – A importância do 22º Slam no currículo da número 1
38’35” – A ótima campanha de Angelique Kerber e a análise da final
41’35” – A eliminação/decepção de Garbiñe Muguruza
42’42” – De onde surgiu Elena vesnina, semifinalista?
43’40” – Strycova, Pliskova e Keys, abaixo do esperado
45’00” – Os enormes atrasos pela chuva e o teto retrátil
49’35” – Será que vai chover durante as Olimpíadas?
52’20” – Side (Travis)
53’10” – O efeito melhor-de-três na chave de duplas
55’20” – As duas duplas francesas na final
57’26” – Como avaliar as campanhas dos brasileiros?
60’25” – Lleyton Hewitt ainda volta a jogar?
63’45” – Brasil x Equador na Copa Davis: o que esperar?
65’30” – O estranho calendário de Bellucci com seguidas mudanças de piso
66’08” – A não convocação de Thiago Monteiro

Créditos musicais

A faixa de abertura é chamada “Rock Funk Beast”, de longzijum. Em seguida, entram Right Action (Franz Ferdinand), Side (Travis) e Bang Your Drum (Dead Man Fall).


Wimbledon, dia 11: Raonic, finalmente um finalista
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Alexandre Cossenza

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Milos Raonic apareceu no top 10 em 2013 e, fora uma lesão aqui e outra ali, passou a maior parte do tempo desde então entre os dez primeiros do mundo. Três anos atrás, já era dono de um saque gigante, mas ainda faltava um bocado a seus outros fundamentos. Naquela época, já fazia jogos duros com a elite, mas faltavam resultados grandes em torneios grandes.

Conquistou até agora oito título na carreira, mas a maioria em ATPs 250. Nenhum em um Masters. Pouco para um top 10 com pretensões ousadas (e justificadas). Aos poucos, porém, as coisas foram se encaixando. O slice melhorou. A movimentação lateral também – algo essencial para um atleta de 1,96m de altura. Os slices, idem. As devoluções, nem tanto. Só que hoje, Raonic, 25 anos, treinado por Carlos Moyá e com a consultoria de John McEnroe, mostra uma maturidade e uma inteligência tenística dignas de um finalista de Wimbledon.

E foi tudo isso que o atual número 7 do mundo mostrou nesta sexta-feira, ao eliminar de virada, em um jogo que chegou a estar perto de desandar, o gigante Roger Federer, o senhor da grama, heptacampeão de Wimbledon. Como isso aconteceu? A sequência de eventos e a expectativa para a final estão aqui, no resumo do Dia 11 de Wimbledon.

Roger Federer, primeiro ato

Primeiro set, quarto game. Jogo no começo, ainda equilibrado, o que era de se esperar. Roger Federer abre 30/0 e então comete quatro erros consecutivos até perder o serviço. Milos Raonic não cede break points até o fim e fecha a parcial.

Roger Federer, segundo ato

Quarto set, Federer lidera por 2 sets a 1, e saca em 5/6. O momento da partida está de seu lado. Após vencer as duas parciais anteriores, o suíço teve break points em dois games do canadense e ainda pressionou o rival em 30/30 em outros dois games. Federer abre 40/0. Falta um ponto para o tie-break. Com 40/15, o heptacampeão comete duas duplas faltas seguidas. Salva um break point e mais outro. Não escapa do terceiro. O raro momento, que Federer lamentou intensamente na coletiva pós-jogo, leva a partida, que parecia perto do fim, para um nervoso quinto set.

Roger Federer, terceiro ato

Quinto set, quarto game. Após o fim da parcial anterior, Federer já havia pedido massagem no joelho esquerdo (operado no início do ano). O suíço erra uma direita não forçada e precisa sacar “iguais”. O ponto é longo, e Raonic usa um slice venenoso na paralela quando o rival subia à rede. Federer devolve, mas trava o pé esquerdo tentando voltar para o meio da quadra e sofre um tombo, caindo em cima do mesmo joelho esquerdo.

É break point, mas Federer volta para sua cadeira no meio do game e recebe um rápido atendimento do fisioterapeuta. Salva o break point e comemora, mas faz uma dupla falta e, na sequência, perde o ponto mais espetacular do jogo (vídeo abaixo). Raonic abre uma quebra de vantagem no quinto set e, com o oponente fragilizado, não olha para trás. Game, set, match, Raonic: 6/3, 6/7(3), 4/6, 7/5 e 6/3.

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Os méritos de Raonic

Os três breves momentos acima decidiram o jogo, mas só porque Milos Raonic foi extremamente competente em quase tudo que fez e forçou Federer a jogar com uma margem mínima de erro durante as 3h25min de partida. O canadense sacou monstruosamente o tempo inteiro (constantemente na casa de 225km/h), foi criterioso nas subidas à rede e voleou com maestria na maior parte do tempo. Até sua devolução, conhecido ponto fraco, começou a entrar com mais consistência a partir da metade do quarto set.

Fora do campo técnico/mecânico, Raonic também foi impecável. Jogou bem na grande maioria dos 30/30 e break points, manteve-se vivo na partida quando Federer parecia perto do triunfo no quarto set e mergulhou de cabeça quando a chance se mostrou novamente em cores vivas. Era a grande atuação que faltava em sua carreira, batendo um gigante em um momento enorme.

A final

A primeira final de Slam de Raonic, atual número 7 do mundo, mas que pulará para a quarta posição se for campeão, será contra Andy Murray, o herói britânico, que avançou ao fazer 6/3, 6/3 e 6/3 sobre Tomas Berdych (#9). Foi uma atuação bastante sólida do britânico, que só perdeu o serviço no terceiro game do primeiro set – logo depois de quebrar o tcheco.

Não que Berdych não pudesse fazer mais, mas todos (muitos) recursos do escocês são muito eficientes na grama. Com o jogo calibrado, Murray parte para sua terceira final de Slam na temporada (perdeu para Djokovic em Melbourne e Roland Garros), mas a primeira como favorito.

Se não tem o mesmo poder do saque (ou de fogo!) de Federer, Murray tem na devolução uma arma que o serviço de Raonic ainda não enfrentou no torneio. O britânico também tem um backhand mais sólido, portanto é de se imaginar que Raonic não use tanto seu forehand de dentro para fora. Como foi na semifinal, a chave para o canadense será manter o serviço e forçar Murray a jogar com margem mínima para erros. Mas será que o canadense tem mais essa carta na manga?

O anúncio

Marcelo Melo divulgou, via Twitter, que disputará o ATP de Washington ao lado de Bruno Soares. Faz parte da preparação da dupla para os Jogos Olímpicos.

Bolão impromptu do dia

O vencedor de hoje é o Rafael Trindade, quem mais se aproximou dos 53 games do jogão entre Milos Raonic e Roger Federer.


Wimbledon, dia 7: drama, breu, outra ameaça e o melhor jogo do torneio
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Alexandre Cossenza

A Manic Monday, como é chamada a tradicional segunda-segunda-feira de Wimbledon, com todas oitavas de final em quadra, correspondeu às expectativas. Quintos sets longos, chuva, tie-breaks dramáticos, viradas, atuações impecáveis dos favoritos e jogos adiados por falta de luz natural. Teve um pouco de tudo. Teve até número 1 do mundo ameaçando processar. Perdeu tudo isso? O resumaço traz quase tudo nas linhas abaixo.

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O melhor jogo do torneio

Foram 180 minutos fantásticos. Desde o espetacular primeiro set de Dominika Cibulkova, passando pela reação memorável de Agnieszka Radwanska, que salvou match point no segundo set e forçou mais uma parcial, até o longo terceiro set, sem tie-break, com break points em dez games diferentes e que terminou de forma magnífica, com a eslovaca vencendo e ganhando um abraço da polonesa. O placar final mostrou 6/3, 5/7 e 9/7 para Cibulkova.

É bem verdade que a número 18 do mundo poderia ter vencido mais rápido. Distribuiu pancadas do fundo de quadra, jogando Radwanska para os lados. Teve chances de fechar antes, mas vacilou. Não que a terceira colocada no ranking não tenha seus méritos. Lutou bravamente com seu tênis inteligente e teve até um match point no 12º game do terceiro set. Cibulkova se salvou.

Classificada para as quartas, Cibulkova leva consigo uma sequência de nove triunfos na grama. Ela ainda não perdeu no piso na temporada. Antes de Wimbledon, disputou apenas o WTA de Eastbourne e foi campeã. A eslovaca será favorita contra a russa Elena Vesnina (#50), que bateu Ekaterina Makarova (#35) de virada: 5/7, 6/1 e 9/7.

Importante: Cibulkova tem seu casamento marcado para sábado. Se alcançar a final, já avisou que não se importará de adiar a cerimônia. “Escolhemos essa data porque nunca me vi como uma jogadora de grama”, explicou, segundo o site do torneio.

Os favoritos

Enquanto Radwanska e Cibulkova terminavam o segundo set na Quadra 3, Roger Federer (#3) entrava na Central para enfrentar Steve Johnson (#29). Os três sets do suíço duraram mais ou menos o mesmo que o terceiro set da Quadra 3. Tirando um par de break points no quinto game do primeiro set, quando o jogo ainda estava empatado, e uma quebra de Johnson no terceiro, Federer dominou. Venceu por 6/2, 6/3 e 7/5 e chegou à 306ª vitória em Slams na carreira, igualando a marca de Martina Navratilova.

É inevitável pensar que tudo conspirou para o heptacampeão até agora. Não só a chave tranquila na primeira semana, justamente o que ele precisava depois de resultados aquém do esperado em Stuttgart e Halle, mas também com a derrota de Novak Djokovic, o único a derrotá-lo nos dois últimos anos em Wimbledon, e talvez até com a lesão de Kei Nishikori, que abandonou e colocou Marin Cilic como rival de Federer nas quartas de final.

Por outro lado, Cilic faz uma campanha bastante digna na grama este ano (fez semi em Queen’s) e promete ser o primeiro teste de verdade para o suíço no All England Club. O próprio Federer lembrou que o croata passou como um caminhão por ele no US Open de 2014, seu último duelo. Será que Cilic consegue repetir? Não parece provável, mas também não parecia em Nova York…

Em seguida, Serena Williams fez uma apresentação bastante … serenesca diante de Svetlana Kuznetsova (#14). Um começo arrasador, um momento instável no fim do primeiro set, e uma segunda parcial quase perfeita. Fez 14 aces, 43 winners e derrotou a russa em 1h16min, por 7/5 e 6/0, avançando às quartas.

Foi o tipo de atuação que se espera ver da número 1 do mundo, especialmente em Wimbledon, e que ainda não tinha acontecido. Passou o recado de que não será fácil derrotá-la no All England Club. O resto da chave deve estar preocupado, assim como Anastasia Pavlyuchenkova (#23), sua próxima adversária.

A russa avançou ao bater Coco Vandeweghe (#30) por 6/3 e 6/3 e já está no lucro. Afinal, ninguém esperava que Pavlyuchenkova fosse tão longe, já que somava mais derrotas do que vitórias na carreira em Wimbledon. Agora chega sem responsabilidade e pode entrar “solta” na quadra Serena. Parece justo dizer que não há muita gente acreditando na russa contra a número 1.

Por último, Andy Murray também mostrou todo seu arsenal contra Nick Kyrgios (#18), descomplicando o que muitos viam como uma partida duríssima. De duro mesmo, só o primeiro set, que o britânico fechou fazendo um último game impecável. O triunfo veio por 7/5, 6/1 e 6/4, com um Kyrgios perdido, sem encontrar alternativa para superar o favorito.

O próximo obstáculo para o escocês será Jo-Wilfried Tsonga (#12), que se beneficiou de uma lesão nas costas de Richard Gasquet (#10), que abandonou a partida quando perdia o primeiro set por 4/2. Nada ruim para Tsonga, que vinha de completar um partida um tanto longa contra John Isner no domingo. Não que ele estivesse esgotado, mas o descanso não fará nada mal.

Mais uma ameaça judicial

Incomodada com os pingos que caíam timidamente na Quadra Central, Serena Williams achava que a quadra estava escorregadia demais para continuar a partida. Sem ser atendida imediatamente (o teto foi fechado pouco depois), a número 1 disparou: “Se eu me machucar, vou processar”.

O susto

Milos Raonic (#7), desde sempre considerado a maior ameaça ao então-vivo-na-chave-Djokovic antes das semifinais, esteve a um set da eliminação nesta segunda-feira. Com seu saque quebrado duas vezes, perdeu dois sets. Sorte que do outro lado da rede estava David Goffin (#11), que não tem exatamente um histórico de grandes atuações em momentos cruciais. Raonic conseguiu uma quebra logo no terceiro game do terceiro set e mudou o rumo da partida. Acabou saindo com a vitória por 4/6, 3/6, 6/4, 6/4 e 6/4.

Foi a primeira vez na carreira que Raonic venceu um jogo após estar perdendo por 2 sets a 0. O canadense agora vai enfrentar Sam Querrey (#41), algoz de Djokovic que venceu mais uma ao derrotar Nicolas Mahut (#51) por 6/4, 7/6(5) e 6/4. Preparem-se para contar aces e ver poucos ralis.

Correndo por fora

Venus Williams (#8) continua aproveitando o máximo sua chave, que nunca foi das mais complicadas. Nesta segunda, eliminou Carla Suárez Navarro (#12) por 7/6(3) e 6/4. O primeiro set teve momentos delicados, com a espanhola sacando para o jogo e uma interrupção por chuva. Venus, no entanto, segue avançando e já tem sua melhor campanha em Wimbledon desde 2010, quando também avançou às quartas e foi eliminada por Tsvetana Pironkova.

Venus, 36 anos, é a tenista mais velha a alcançar as quartas de final de Wimbledon desde Martina Navratilova em 1994. A ex-número 1 do mundo também será favorita na próxima rodada, já que vai encontrar Yaroslava Shvedova (#96), uma das maiores surpresas o torneio até agora. A cazaque, que já havia eliminado Svitolina e Lisicki, despachou Lucie Safarova as oitavas: 6/2 e 6/4.

O outro jogo nessa metade da chave é entre duas candidatíssimas: Simona Halep (#5), que despachou Madison Keys por 6/7(5), 6/4 e 3/3, e Angelique Kerber (#4), que encerrou o torneio de Misaki Doi (#49) por 6/3 e 6/1. Promete ser o confronto mais interessante das quartas de final femininas.

Entre os homens, Tomas Berdych (#9) esteve perto de dar mais um passo, mas deixou passar uma ótima chance de despachar o compatriota Jiri Vesely (#64). O top 10 sacou para fechar a partida no quarto set, mas foi quebrado e, quando chegou ao tie-break, depois de Vesely salvar três match points, já reclavama da luz, argumentando que o jogo deveria ter sido interrompido.

O game de desempate foi louco. Vesely abriu 6/1, Berdych virou para 7/6 e teve mais dois match points, mas não conseguiu fechar. Vesely acabou vencendo e forçando um quinto set. A continuação também ficou para terça-feira. Quem vencer enfrentará Lucas Pouille (#30), que despachou de virada o australiano Bernard Tomic (#19): 6/4, 4/6, 3/6, 6/4 e 10/8.

As quartas de final

[28] Sam Querrey x Milos Raonic [6]
[3] Roger Federer x Marin Cilic [9]
[10] Tomas Berdych ou Jiri Vesely x Lucas Pouille [32]
[12] Jo-Wilfried Tsonga x Andy Murray [2]

[1] Serena Williams x Anastasia Pavlyuchenkova [21]
[19] Dominika Cibulkova x Elena Vesnina
[5] Simona Halep x Angelique Kerber [4]
[8] Venus Williams x Yaroslava Shvedova

Os brasileiros

O dia foi difícil para os mineiros. Marcelo Melo e Ivan Dodig foram eliminados em três sets por Raven Klaasen e Rajeev Ram: 7/6(3), 7/6(5) e 6/3. Em seguida, Bruno Soares e Jamie Murray fizeram uma partida longa e dramática contra Mate Pavic e Michael Venus. Brasileiro e britânico venceram os dois primeiros sets, mas perderam os dois seguintes e mergulharam em um quinto set longo.

Por suas vezes, Bruno e Jamie tiveram quebras de vantagem, e o britânico até sacou para o jogo em 5/3. Depois de um match point, o saque do escocês foi quebrado, e a partida continuou dramática, noite adentro, sem tie-break. A partida foi interrompida pouco depois das 21h locais, após o 26º game, depois que Venus e Pavic salvaram mais um match point.

Bom humor na adversidade

Logo depois de perder o quarto set, Bruno Soares reclamou com a árbitra de cadeira por levar uma advertência. A juíza explicou que a grama é sensível, e o brasileiro respondeu “eu também sou sensível, acabei de perder um set”.


Wimbledon, dia 5: chuva salva Djokovic, Serena escapa e Del Potro sorri
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Alexandre Cossenza

Novak Djokovic foi salvo pelos céus, Serena Williams esteve a dois games da eliminação, Juan Martín del Potro fez um retorno triunfal à Quadra Central e bateu Stan Wawrinka, Fabio Fognini esteve envolvido em mais um barraco, e Dustin Brown fez o ponto do dia. Tudo isso aconteceu com seguidas paralisações por causa da chuva. Uma delas, inclusive, veio em um momento desagradável para Venus Williams. O resumaço do dia traz tudo isso, inclusive a lista de jogos interrompidos e adiados.

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Salvo pelos céus

Novak Djokovic foi inegavelmente beneficiado nesta sexta-feira. Vivendo um dia estranho e mostrando pouca energia enquanto Sam Querrey jogava um tênis espetacular, o número 1 do mundo deve ter agradecido aos céus quando a chuva apareceu pela enésima vez no dia, pouco depois das 20h locais, e fez o duelo ser suspenso. O placar mostrava 7/6(6) e 6/1 para o americano no momento.

Menos de 20 minutos depois da interrupção, a organização de Wimbledon determinou que a partida só continuaria no sábado. Querrey terá a noite inteira para pensar na possibilidade de derrubar o número 1, configurando a maior zebra de Wimbledon em 2016 e fazendo o que ninguém fez nos últimos quatro Slams. Se isso vai fazer bem ao americano, só a continuação da partida vai dizer. O fato é que Nole precisará vencer três sets e não terá margem nenhuma para engasgar.

O susto

Tudo bem, Serena Williams não esteve tão perto assim de dar adeus, mas nunca é confortável ver o placar em 4/4 no terceiro set já na segunda rodada de um Slam. O dia foi tão ruim para a número 1 do mundo que o jogo ficou duro contra uma oponente dona de um saque vulnerável e sem nenhum golpe dominante. Ainda assim, Christina McHale (#65) faz o possível e só não fez mais porque ser serviço não deixou. Teve game point para 5/4 e pressionar Serena no terceiro set, mas cometeu uma dupla falta que pesou um bocado. Acabou sucumbindo por 6/7(7), 6/2 e 6/4 em 2h29min de jogo.

Ainda é cedo, e a atual campeã só fez duas partidas, mas a atuação desta sexta-feira foi preocupante, com 40 erros não forçados. Sorte que margem para erro era enorme. E os 14 aces também ajudaram a compensar o (muito) que faltou.

O favorito tranquilo

Enquanto Djokovic sofria na Quadra 1, Roger Federer (#3) passeava sob o teto retrátil da Quadra Central. O suíço teve pouco trabalho diante do britânico Daniel Evans (#91) e avançou ao fazer 6/4, 6/2 e 6/2.

O jogo mais esperado

O grande duelo do dia também foi o que terminou com as cenas mais bacanas. Juan Martín del Potro (#165) sorrindo, comemorando e aplaudido de pé na Quadra Central após derrotar Stan Wawrinka (#5) por 3/6, 6/3, 7/6(2) e 6/3. Não que seja uma zebraça. Talvez nem mesmo uma zebrinha. É que, depois de três cirurgias, ver Del Potro derrotando um top 5 na meca do tênis é de fazer qualquer um abrir um sorriso. Até Ivan Lendl deve ter movimentado os lábios em meio milímetro.

Quanto ao jogo, a maior deficiência de Del Potro hoje em dia, o top spin de backhand (o argentino teve uma lesão séria punho esquerdo), acabou sendo uma vantagem contra Wawrinka. O campeão do US Open de 2009 apostou em slices cruzados que, na grama, complicaram muito a vida do suíço, dono de um backhand de uma mão e de preparação longa. Foi como se Del Potro desafiasse, a cada golpe, Wawrinka a arriscar uma paralela. As porcentagens sempre estiveram a favor do argentino.

A eliminação de Wawrinka, combinada com a derrota de Dominic Thiem na quinta-feira, faz com que o principal cabeça de chave dessa seção passe a ser Tomas Berdych, que vai encarar Zverev ou Youzhny na terceira rodada. O tcheco, aliás, pode encontrar Del Potro nas quartas. O “campeão” desse grupo vai enfrentar nas semifinais o vencedor do setor encabeçado por Andy Murray.

O barraco

Fabio Fognini perdeu e houve barraco. Qual é a novidade, você pergunta? A novidade é que quem saiu reclamando foi Feliciano López, chamou alguém (aparentemente no grupo de Fognini) de sujo. “[Você] é o mais sujo que vi em 20 anos de carreira. És um sujo. Porque isso não se faz…”

Feliciano anda tentou cumprimentar Fognini depois disso tudo, mas o italiano não quis muita conversa.

O placar final mostrou 3/6, 6/7(5), 6/3, 6/3 e 6/3 para o espanhol, que vai enfrentar Nick Kyrgios em busca de uma vaga nas oitavas de final em Wimbledon.

Correndo por fora

Venus Williams (#8), que fez uma partida de três sets ontem nas simples e jogou mais dois sets nas duplas, precisou de mais três sets nesta sexta-feira para avançar. A americana fez 7/5, 4/6 e 10/8 sobre a russa Daria Kasatkina (#33) em uma partida que só acabou depois de uma inusitada interrupção por chuva. Os pingos caíram quando a russa se preparava para sacar enfrentando o segundo match point de Venus…

Como ela mesma disse, foram quase 7h de tênis nas últimas 24h, mas com o intervalo (pelo menos nas simples) até segunda-feira, Venus terá tempo para se recuperar fisicamente em uma chave bastante acessível, ainda mais após a queda de Muguruza. Ela encara Carla Suárez Navarro nas oitavas e, se chegar às quartas, pega quem sair do grupo entre Lisicki, Shvedova, Safarova e Cepelova.

Quem está bem na chave masculina é Tomas Berdych (#9), que bateu Benjamin Becker (#102) em três rápidos sets (quer dizer, teriam sido rápidos sem interrupção por chuva): 6/4, 6/1 e 6/2. O tcheco, classificado para a terceira rodada, vai encarar Youzhny ou Zverev e será favorito até a semifinal, já que Wawrinka tombou nesta sexta e Thiem já tinha se despedido. Será, então, que Berdych consegue confirmar o status em uma chave que ficou esburacada?

O brasileiro

Chuva vem, chuva vai, mas Marcelo Melo e Ivan Dodig finalmente conseguiram fazer sua estreia em Wimbledon. Eles derrotaram Paul-Henri Mathieu e Benoit Paire por 6/2 e 6/3, sem grande drama, e vão encarar González e Lipsky na segunda rodada, que, excepcionalmente, também será jogada em melhor de três sets. Sim, as duplas sofrem mais quando chove.

Jogos cancelados

Com tanto mau tempo, a organização precisou cancelar mais jogos, como Raonic x Sock, Halep x Bertens, Goffin x Istomin, Safarova x Cepelova, Kerber x Witthoeft, Keys x Cornet, Doi x Friedsam e Lisicki x Shvedova. Todos eles valiam pela terceira rodada do torneio.

A lista de partidas que começaram e foram interrompidas tem, além de Djokovic x Querrey, Makarova x Kvitova (7/5 para a russa), Cilic x Lacko (croata tem 2 sets a 0), Johnson x Dimitrov (4/3 no primeiro set), Zverev x Youzhny (2/1 no quinto set), Stephens x Minella (3/3 no terceiro set), Niculescu x Bacsinszky (1/0 para a romena no terceiro set) e Mahut x Herbert (dois sets a zero para Mahut).

Jogos no domingo

Tradicionalmente, o primeiro domingo de Wimbledon, chamado por lá de Middle Sunday, é dia de descanso. Só que este ano, com tantos jogos por fazer (ainda há várias partidas de segunda rodada incompletas), a organização já anunciou que colocará jogadores no domingão.

Os melhores lances

Daria para escolher uma meia dúzia de lances do duelo entre Dustin Brown (#85) e Nick Kyrgios (#18), mas acho que esse ponto aqui foi imbatível. E Kyrgios venceu a partida, mas só depois de cinco sets: 6/7(3), 6/1, 2/6, 6/4 e 6/4.


Quadra 18: S02E09
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Alexandre Cossenza

Novak Djokovic é tão favorito como sempre foi? E Roger Federer, pode ser considerado um dos favoritos em Wimbledon este ano? Na grama, quem é a maior ameaça a Serena Williams? E quem foram os maiores beneficiados no sorteio das chaves? São essas e outras perguntas Aliny Calejon, Sheila Vieira e eu tentamos responder neste especial pré-Wimbledon do podcast Quadra 18. Quer ouvir? É só clicar no player abaixo:

Se preferir baixar e ouvir depois, clique com o botão direito do mouse neste link e selecione a opção “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’15” – Cossenza apresenta o programa pré-Wimbledon
1’30” – Federer é um dos favoritos ao título este ano?
3’00” – É o momento mais vulnerável de Federer em Wimbledon?
4’44” – O que esperar de Djokovic, que ainda não jogou na grama?
6’22” – Djokovic chega a Wimbledon atrás de Murray na lista de favoritos?
7’15” – Como Djokovic vai lidar com a possibilidade de poder fechar o Grand Slam?
8’08” – A volta de Lendl pode fazer Murray voltar a jogar no nível de 2012 e 2013?
9’05” – O nível de Murray hoje é inferior ao de antes ou é Djokovic que dá essa impressão?
10’30” – E quem está na frente de quem na lista dos favoritos?
11’15” – Murray foi o “ganhador” do sorteio?
12’40” – Os melhores jogos da primeira rodada
15’00” – “Djokovic se deu muito mal nesse sorteio”
17’40” – Mais jogos legais de primeira rodada
18’22” – Nishikori chega às quartas para enfrentar Federer?
19’14” – Registro da presença e do feito histórico de Sergiy Stakhovsky
20’35” – As estreias de Bellucci e Rogerinho
22’00” – Palpites para campeão, decepção e zebra
25’00” – Aliny analisa a chave de duplas
27’50” – As quatro duplas com brasileiros e as estreias duríssimas
31’40” – Good Grief (Bastille)
32’19” – Quem são as favoritas na chave feminina?
35’05” – As cotações as casas de apostas
36’35” – As chances de Keys, Kerber e Karolina Pliskova
38’35” – A chave de Muguruza
39’30” – As boas chances de Venus Williams
40’40” – Quem “ganhou” o sorteio? Radwanska?
41’35” – Palpites para campeã, decepção e zebra

Créditos musicais

A faixa de abertura é chamada “Rock Funk Beast”, de longzijum. Em seguida, entra Good Grief (Bastille).


Semana 24: o ‘Efeito Lendl’, o novo tropeço suíço e outra volta de Hewitt
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Alexandre Cossenza

Andy Murray foi campeão em Queen’s mais uma vez, enquanto em Halle Roger Federer voltou a conquistar – opa, a história mudou este ano. O suíço, voltando de lesões e ainda sem o ritmo ideal, perdeu no torneio que dominou nos últimos anos. A semana ainda teve André Sá em uma final de ATP 500 e a notícia de mais um retorno às quadras de Lleyton Hewitt. Nem parece que o australiano se aposentou há tão pouco tempo…

O resumaço da semana ainda tem as campeãs dos WTAs de Birmingham e Mallorca, as campanhas dos outros brasileiros, a atualização de status de Rafael Nadal, o recurso de Maria Sharapova (pra manter a esperança de jogar na Rio 2016), um tweet hilário, uma história bizarra e uma aparição imperdível de Federer.

<> at Queens Club on June 19, 2016 in London, England.

Os campeões

No ATP 500 de Queen’s, o assunto (e piada recorrente) foi a volta de Ivan Lendl ao time de Andy Murray, que defendia o título. Coincidência e brincadeiras à parte, o escocês foi campeão do torneio londrino pela quinta vez, derrotando de virada Milos Raonic na decisão: 6/7(5), 6/4 e 6/3.

Vale notar que Raonic não tinha sido quebrado a semana inteira e teve 3/0 de frente no segundo set. Murray, então, conseguiu quatro quebras em oito games, jogando um tênis-de-grama de altíssimo nível, e se tornou o primeiro tenista na história a vencer Queen’s cinco vezes.

De modo geral, foi um belo torneio do britânico que, se não atropelou ninguém, passou por rivais perigosíssimos na grama, como Mahut (na estreia), Cilic (semi) e Raonic, agora treinado por John McEnroe, que estava na beira da quadra. É justo dizer, como sempre, que Murray se coloca como candidatíssimo ao título de Wimbledon, que começa daqui a uma semana.

Vale registrar também um dos momentos mais engraçados da cerimônia de premiação, quando Murray disse que foi legal da parte de Lendl esperar pela cerimônia de premiação. No mesmo momento, as câmeras da transmissão mostraram a cadeira de Lendl vazia. Sim, ele já tinha ido embora.

No ATP 500 de Halle, a final dos azarões foi vencida por Florian Mayer, que bateu Alexander Zverev por 6/2, 5/7 e 6/3. Atual número 192 do ranking, o alemão entrou no torneio graças ao ranking protegido e passou por um caminho cheio de espinhos. Bateu Baker, Seppi, Thiem e Zverev, contando ainda com uma vitória por W.O. sobre Nishikori.

Foi o segundo título na carreira de Mayer, que tinha sido campeão quase cinco anos atrás, em Bucareste. Com o resultado, ele voltará ao top 100, o que é algo muito bacana para um veterano de 32 anos que vem sofrendo com lesões, mas não desiste de brigar por seu lugar em torneios grandes.

O cabeça 1 do torneio era Roger Federer, que caiu diante de Zverev nas semifinais (mais sobre isso abaixo), e o o segundo cabeça era Nishikori, que desistiu por causa de dores em uma costela.

As campeãs

No WTA Premier de Birmingham, Madison Keys conseguiu dois feitos importantes na semana. Primeiro, garantiu sua entrada no top 10. Ela será a primeira americana a entrar no grupo de elite desde 1999, quando Serena Williams fez sua estreia entre as dez melhores. Depois, Keys conquistou o título do evento britânico ao derrotar Barbora Strycova por 6/3 e 6/4 na decisão.

Não só pelo título, mas a americana de 21 anos se coloca como nome forte em Wimbledon por seu jogo de potência, algo que a compatriota Coco Vandeweghe também mostrou em Birmingham. Coco, aliás, também foi campeã em ’s-Hertogenbosch e chegou a somar oito triunfos seguidos na grama antes de levar a virada de Strycova na semifinal.

A lembrar sobre Birmingham: a cabeça 1, Agnieszka Radwanska, foi eliminada por Vandeweghe na estreia; Angelique Kerber, cabeça 2, foi batida por Carla Suárez Navarro nas quartas; e Petra Kvitova, bicampeã de Wimbledon, caiu diante de Jelena Ostapenko na segunda rodada. Keys era cabeça 7 e, na campanha até o título, passou por Babos, Paszek, Ostapenko, Suárez Navarro e Strycova.

No WTA International de Mallorca, Caroline Garcia venceu pela segunda vez em 2016 um dos chamados torneios “de aquecimento”. A francesa, campeã também em Estrasburgo, conquistou o modesto evento espanhol ao bater na decisão Anastasija Sevastova por 6/3 e 6/4.

Cabeça de chave 6, Garcia passou por Witthoeft, Friedsam, Ivanovic (cabeça 3), Flipkens e Sevastova no caminho até o título. A cabeça 1, Garbiñe Muguruza, tombou logo na estreia, diante de Flipkens, enquanto a cabeça 2, Jelena Jankovic, foi eliminada por Sevastova.

O suíço

Roger Federer não chegará a Wimbledon como favorito. Longe de descartar uma conquista do suíço em Londres, mas não é o que suas atuações em Stuttgart e Halle indicaram. O ex-número 1 esteve errático, mais impaciente do que o normal e sofreu derrotas para Dominic Thiem (teve dois match points em Stuttgart) e Alexander Zverev, jovens talentosos da #NextGen, a hashtag preferida da ATP.

Como escrevi na semana passada, era de certa forma esperada essa inconstância do suíço, que ficou tanto tempo sem competir e voltou logo na temporada de grama, quando os pontos são mais curtos e é difícil adquirir ritmo. Ainda assim, é estranho ver Federer tendo problemas em um piso no qual seu jogo flui com mais facilidade e seu serviço é muito eficiente.

De qualquer forma, ele ainda tem mais uma semana para calibrar golpes aqui e ali antes de Wimbledon. Também espera-se que a primeira semana do Slam da grama sirva de “aquecimento” para os jogos realmente duros. É nesse momento que Federer precisará de seu melhor tênis.

O imortal

Conhecido por nunca desistir de uma partida, Lleyton Hewitt nunca fez mais justiça ao rótulo de imortal. Aposentado em janeiro e desaposentado logo depois para disputar a Copa Davis, o ex-número 1 do mundo igualará em Wimbledon a marca de Michael Jordan, com dois retornos à profissão. Sim, Hewitt recebeu um wild card para disputar a chave de duplas ao lado do compatriota Jordan Thompson.

Resta saber se é um convite “isolado” ou se teria alguma relação com a possibilidade de Hewitt receber mais um wild card para disputar os Jogos Olímpicos ao lado de Thompson. Será?

Os brasileiros

O grande nome do país na semana foi André Sá, que jogou em Queen’s com o australiano Chris Guccione. Os dois eliminaram Bruno Soares e Jamie Murray nas quartas de final e foram vice-campeões do torneio, só perdendo para Nicolas Mahut e Pierre-Hugues Herbert por 6/3 e 7/6(5). Marcelo Melo também jogou o ATP 500 londrino. Ele e Juan Martín del Potro derrotaram Feliciano e Marc López na estreia, mas foram superados por Herbert e Mahut nas quartas.

No circuito Challenger, em Blois, França (42.500 euros), Thiago Monteiro abandonou o torneio após vencer a primeira rodada por causa de dores nas costas. O cearense explicou que o incômodo começou na semana anterior, em Bordeaux, e que achou melhor tratar o local e se preparar para o qualifying de Wimbledon. Também em Blois, Guilherme Clezar eliminou o cabeça de chave 1, Albert Montañés, mas perdeu na segunda rodada para o holandês Antal Van Der Duim.

Em Perugia, Itália (42.500 euros), Rogerinho foi eliminado nas quartas de final pelo esloveno Blaz Rola: 7/6(4) e 6/2; e Marcelo Zormann, que entrou como lucky loser, perdeu na estreia para o italiano Marco Cecchinato. Em Poprad-Tatry, Eslováquia (42.500 euros), André Ghem também perdeu nas oitavas, sendo superado pelo espanhol Rubén Ramírez Hidalgo.

No ITF de Sumter, EUA (US$ 25 mil), Gabriela Cé foi eliminada na estreia pela australiana Olivia Rogowska: 6/3 e 6/3. Luisa Stefani, que venceu três jogos no quali, foi mais longe e caiu nas oitavas de final diante da mexicana Renata Zarazua por 7/6(3) e 6/4. Em Minsk, outro ITF de US$ 25 mil, Laura Pigossi estreou derrubando a russa Polina Leykina, cabeça de chave 2, por 6/0 e 6/3, mas caiu nas oitavas de final, superada pela grega Valentini Grammatikopoulou: 6/0 e 6/1.

A apelação de Sharapova

Na terça-feira, a Corte de Arbitragem do Esporte (CAS) anunciou que Maria Sharapova havia apelado de sua suspensão de dois anos por doping. A tenista pede que o período de suspensão seja eliminado ou, pelo menos, reduzido. Segundo a CAS, o recurso será julgado rapidamente, com uma decisão a ser divulgada até o dia 18 de julho. Sim, daria tempo de Sharapova participar dos Jogos Olímpicos, mas apenas se o período da suspensão for reduzido para seis meses. A ver como a CAS analisa a questão.

Rumo ao Rio

Para quem estava preocupado com a participação de Rafael Nadal nos Jogos Olímpicos Rio 2016, uma boa notícia. Seu tio afirma que Rafa estará recuperado a tempo de brigar por medalhas. O plano é voltar às quadras no Masters de Toronto e, depois, rumar para o Brasil.

Vale lembrar que, se tudo correr conforme os planos, Nadal disputará três medalhas no Rio: simples, duplas (com Marc López) e duplas mistas (ao lado de Garbiñe Muguruza).

O melhor tweet

Em Londres e presenciando toda especulação em torno do rendimento de Andy Murray pós-retorno de Ivan Lendl, Bruno Soares soltou o melhor tweet da semana.

Em tradução livre, o mineiro disse estar sentindo seu tênis melhor porque Lendl voltou com Andy, que é irmão de Jamie, que é seu parceiro.

O relato bizarro

A chilena Andrea Koch Benvenuto foi suspensa por três meses após uma série de violações do código de conduta da ITF durante um torneio em São José dos Campos (SP). A tenista foi condenada a pagar US$ 500 de multa, além de US$ 199 equivalentes ao valor do telefone celular do supervisor do torneio que ela quebrou quando foi questionar sua desclassificação. Taí algo que não se vê todo dia…

Leitura obrigatória

Indicação da Diana Gabanyi, a entrevista de Simon Briggs com Andy Murray não é tão reveladora assim, mas traz números e declarações interessantes do atual número 2 do mundo – inclusive a frase sobre Ivan Lendl, inserida no título. Murray diz que precisava de alguém que lhe dissesse que era ok perder em vez de classificar derrotas em finais de Slam como um desastre. Leiam!

Fanfarronice da semana

Não tem nada de publicitário na foto, mas vale o registro porque foi “apenas” Roger Federer trollando a foto de Sergiy Stakhovsky como o ucraniano trollou com seu Wimbledon em 2013.


Quadra 18: S02E08
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Alexandre Cossenza

O Career Slam, o Nole Slam, o Golden Slam e tudo mais que envolve os feitos que Novak Djokovic já alcançou e ainda pode alcançar; o título de Garbiñe Muguruza e o momento de Serena Williams; a (mais uma!) decepção com a organização de Roland Garros; a participação brasileira em Paris; o novo número 1 nas duplas; quem já está garantidos nos Jogos Olímpicos; e o coração de Guga desenhado pelo número 1 do mundo no saibro da Quadra Philippe Chatrier.

É muito assunto para o podcast Quadra 18, então Aliny Calejon, Sheila Vieira e eu preparamos um programaço de quase 1h30min respondendo questões de vários ouvintes e batendo aquele papo descontraído sobre tênis que vocês já conhecem bem. Quer ouvir? É só clicar neste link. Se preferir baixar e ouvir depois, clique com o botão direito do mouse e selecione a opção “salvar como”.

Os temas

0’00” – Aliny Calejon apresenta os temas
1’39” – Novak Djokovic e sua campanha em Roland Garros
3’33” – O comportamento mais comedido do sérvio na final
6’30” – A comemoração com o coração de Guga no saibro da Chatrier
7’55” – A reverência por um ídolo brasileiro e a dimensão de Guga no tênis
8’51” – Djokovic é puro carisma ou é tudo jogada de marketing?
12’52” – Se Guga jogasse hoje, seria chamado de marqueteiro?
13’45” – Cossenza perde a paciência com Cincinnati
14’50” – A expectativa enorme e como Djokovic vai encarar Wimbledon
16’00” – Djokovic vai alcançar as 302 semanas do Federer como #1?
16’50” – O que é mais difícil: as 302 semanas, 4 Slams no mesmo ano, os 17 Slams ou receber o dinheiro que o Rio de Janeiro está devendo?
18’20” – Veremos outro jogador fechar o Career Slam tão cedo?
19’10” – O domínio de Djokovic é maior hoje do que o domínio de Federer e Nadal em seus respectivos auges?
20’58” – Os títulos que faltam a cada um do Big Four
23’07” – A ausência de Rafael Nadal pode mudar a maneira de ver o título de Djokovic em Roland Garros?
24’10” – Quanto uma dominância assim é ruim para o tênis?
26’46” – Djokovic começou a ganhar RG na derrota contra Vesely em MC?
27’40” – O quanto Boris Becker ajudou Djokovic?
32’45” – Alguns anos atrás, Djokovic perdia finais, mas dava mostras do que estava por vir. Murray dá esses mesmos sinais de que pode chegar a número 1?
34’25” – O possível “Silver Slam” de Andy Murray
35’43” – A Ausência de um técnico principal prejudicou Murray em RG?
36’35” – Os desempenhos de Wawrinka, Thiem, Nadal e Federer
42’07” – Dominic Thiem vai ser número 1 do mundo?
43’00” – Paris (Friendly Fires)
43’30” – A campanha de Garbiñe Muguruza até o título
47’05” – O que Serena poderia/deveria ter feito de diferente na final?
48’45” – Lesão ou idade? O que teria incomodado mais Serena na decisão?
50’06” – Muguruza tem mais potencial que Halep/Bouchard/Bencic?
53’17 – As surpresas e decepções: Bertens, Rogers, Kerber, Vika e Halep
57’50” – A expectativa para a temporada de grama
59’30” – Roland Garros sai com o filme queimado?
63’25” – Não Aprendi a Dizer Adeus (Leandro e Leonardo)
64’05” – O que aconteceu na chave de duplas
65’03” – A campanha e os méritos de Feliciano e Marc López
66’00” – O resultado de Marcelo Melo e Ivan Dodig
68’40” – As campanhas de Bruno Soares e André Sá
69’20” – O carrasco Leander Paes de legging
72’35” – Nota de repúdio de Alexandre Cossenza
73’30” – Nicolas Mahut, o novo duplista número 1 do mundo
74’37” – O novo ranking e a classificação olímpica
77’50” – As derrotas de Bellucci e Rogerinho
80’07” – Teliana Pereira e o duelo com Serena Williams
81’20” – Orlandinho, vice juvenil nas duplas, deveria ainda estar entre os juvenis?
82’30” – Que tenista atual tem estilo de jogo mais parecido com o Guga?
83’30” – Perguntas e respostas sobre a transmissão de RG na TV brasileira.
87’40” – Paris (Magic Man)

Créditos musicais

A faixa de abertura é chamada “Rock Funk Beast”, de longzijum. Em seguida, entram Paris (Friendly Fires), Não Aprendi a Dizer Adeus (Leandro e Leonardo) e Paris (Magic Man). O pequeno trecho durante os comentários sobre Alexander Peya é da canção Hier Kommt Alex (Die Toten Hosen).


RG, dia 13: Muguruza, Serena, Djokovic e Murray. Quem está surpreso?
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Alexandre Cossenza

Choveu muito, houve zebras e partidas divertidas, mas treze dias de jogos depois, Roland Garros definiu seus finalistas no óbvio. Serena Williams e Garbiñe Muguruza na decisão feminina, Novak Djokovic e Andy Murray brigando pelo título no domingo. O resumo do dia analisa as quatro semifinais e o que esperar nos próximos dois dias de torneio. O texto também atualiza o cenário na briga pelo número 1 das duplas e traz vídeos de pontos interessantes, que ilustram os porquês de alguns dos resultados do torneio francês.

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Muguruza voando x Serena em modo avião

Por caminhos estranhos e menos espinhosos do que o previsto, deu o óbvio. Serena Williams (#1) e Garbiñe Muguruza (#4) farão a final de Roland Garros. O curioso mesmo é que algumas casas de apostas colocam a espanhola como favorita para derrubar a americana (outra vez) em Paris.

É curioso, mas compreensível. Muguruza foi a tenista que melhor jogou durante as duas semanas. Fora a primeira rodada descalibrada e que por pouco não se terminou numa grande zebra, a espanhola foi firme e passou por cima de toda chave, sem perder sets. Nem depois do susto de ser quebrada sacando para a final. A vitória sobre Sam Stosur, nesta sexta, foi relativamente tranquila, sem que a australiana liderasse em momento algum. No fim, o placar de 6/2 e 6/4 foi um bom reflexo do que aconteceu em quadra.

Serena, por sua vez, não anda bem das pernas – literalmente. Segundo Marion Bartoli, a americana vem lidando com uma lesão no adutor. Isso explica a movimentação limitada e a tentativa de limitar trocas longas. Na semifinal contra Kiki Bertens (#58), foi como se Serena estivesse jogando em modo avião – aquilo que a gente faz pra poupar bateria quando não encontra um carregador por perto para manter o celular ligado.

Foi um jogo interessante, mas só porque Bertens saiu na frente e sacou para fechar o primeiro set. O nível técnico ficou bastante aquém do esperado para uma semi de Slam – e até mesmo para qualquer partida envolvendo Serena Williams. Nem a holandesa fez uma partida excepcional enquanto liderou. O placar final, 7/6(7) e 6/4 refletiu um equilíbrio que só existiu porque a #1 esteve abaixo de seu normal.

A lógica é apostar no velho “se Serena jogar assim, não ganha”, mas é uma condicional bastante grande para uma final, até porque Serena confirmou a lesão sem dizer o quão séria ela é e também porque, como todo mundo sabe, a número 1 tem muito mais tênis do que mostrou na final. Ainda assim, não são nada ruins as chances de Muguruza. E não custa lembrar que sua única vitória sobre Serena aconteceu justamente em Paris.

Djokovic e Murray se encontram outra vez

Entre os homens, chegaram lá também os dois mais cotados desde o princípio para estarem na final. Djokovic mostrou que aproveitou bem a chave acessível para chegar em forma na decisão. Nesta sexta, diante de Dominic Thiem (#15), também deixou claro ainda estar pelo menos um nível acima do jovem e talentoso austríaco. Fez 6/2, 6/1 e 6/4 em um jogo que foi mais divertido do que equilibrado.

Thiem fez o possível, batendo forte na bola e tentando empurrar Djokovic para trás, mas ainda não possui a consistência para esse tipo de situação (melhor de cinco + semifinal de Slam + número 1 do mundo). Ainda conseguiu abrir 3/0 no terceiro set, dando um pouco de emoção ao duelo, mas o sérvio abafou a reação vencendo cinco games seguidos e deixando claro quem é quem.

O adversário será Andy Murray, décimo tenista da Era Aberta (desde 1968) a estar nas finais de todos os torneios do Grand Slam. A vaga foi conquistada com mais um plano de jogo inteligente e bem executado. Em quatro sets, encerrou a série de três derrotas para Stan Wawrinka: 6/4, 6/2, 4/6 e 6/2.

Não foi uma partida tão parelha quanto muitos esperavam, ainda que Wawrinka não tenha feito uma apresentação especialmente ruim. O suíço ficou naquilo que fez durante todo o torneio, e isso talvez diga muito sobre a chave fraquíssima que ele encontrou para alcançar a semi. Murray, em melhor forma e mais exigido quando jogou mal, chega à decisão bem forte.

O favorito para final é Djokovic, que joga por um punhado de feitos espetaculares. O Djokoslam (ganhar os 4 seguidos), o Career Slam (os quatro em anos diferentes), a dobradinha AO-RG (que ninguém faz desde 1992) e as chances de completar o Grand Slam de fato (os quatro no mesmo ano) e o Golden Slam (os quatro mais a medalha de ouro olímpica).

Tudo isso, claro, pode pesar contra o sérvio, que vem de uma derrota no saibro para Murray (final do Masters de Roma). Muita coisa, no entanto, pesa a favor. O histórico favorável contra o britânico, o “encaixe” dos estilos de jogo e sua maior consistência. Parece que todos disseram o mesmo no ano passado, antes da decisão contra Wawrinka, mas parece novamente que Novak Djokovic terá a melhor chance da carreira para triunfar em Roland Garros.

O Big Four de volta

Convém lembrar também que a derrota de Wawrinka na semifinal coloca Rafael Nadal de volta no quarto lugar do ranking mundial. Ou seja, o chamado Big Four estará novamente completo no alto da lista da ATP, embora continuem insistindo em dizer que o “Big Four acabou”.

O brasileiro

Marcelo Melo e Ivan Dodig deram adeus ao torneio nesta sexta-feira, derrotados nas semifinais. Os atuais campeões de Roland Garros foram derrotados pelos espanhóis Feliciano e Marc López (que, repito, não são irmãos) em uma partida nervosa que terminou com Dodig errando um voleio e cedendo a quebra decisiva no serviço do mineiro: 6/2, 3/6 e 7/5.

Com o resultado, o ranking de duplas terá um novo número 1. Marcelo Melo deixará o posto, que ficará com Nicolas Mahut ou Bob Bryan. O americano precisa conquistar o título para voltar ao topo. Caso contrário, o francês assumirá a ponta.

Se vira nos 30

Rafael Nadal completou 30 anos nesta sexta-feira em uma das raras oportunidades que teve de festejar seu aniversário junto com toda família em Mallorca. Na maior parte da última década, o espanhol soprou velinhas em Paris, rumo a um de seus nove títulos de Roland Garros.

A Telefónica, um de seus patrocinadores, preparou um vídeo cheio de gente conhecida dando os parabéns ao tenista. Até Casemiro (sim, o brasileiro do real Madrid) e Kaká fazem aparições.

Piada Pós-Paris

Eugenie Bouchard chegou à imigração na Holanda e teve de explicar o motivo de sua visita ao país: “torneio de tênis”. O oficial, então, perguntou à canadense se ela não deveria estar em Paris ainda…

Os melhores lances

Plasticamente, não aconteceu nada de espetacular no ponto abaixo, mas vale ver pelos 30 golpes do rali e pelo fantástico trabalho de construção de ponto que Djokovic fez até colocar Thiem na defensiva. Vale notar também o quanto o austríaco fez de força a mais do que o sérvio para manter-se no ponto. Uma aula.

Outro lance do sérvio. Velocidade, defesa, precisão, contra-ataque, potência. Em 20 segundos, o porquê de Djokovic ser o número 1 do mundo.

Para finalizar, um exemplo do que Murray fez em muitos momentos da partida. Ofereceu o lado direito, desafiando Wawrinka a atacar com a paralela de backhand, e ficou plantado na esquerda, esperando a chance de matar com seu melhor golpe, o backhand. No caso do ponto abaixo, um break point, Stan fugiu do backhand e deixou a quadra escancarada para a passada.


RG, dia 12: Sustos para Serena e Djokovic, sequência segue para Bertens
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Alexandre Cossenza

Aos poucos, Roland Garros vai pegando quase que no tranco. Nesta quinta-feira, ainda que com algumas interrupções por chuva, os poucos jogos de simples trouxeram momentos muito interessantes. Serena Williams esteve a cinco pontos de dar adeus; Novak Djokovic esteve a cinco centímetros (ou um pouco mais) de ser desclassificado; e Dominic Thiem esteve a um pontinho de precisar jogar cinco sets. O resumo do dia fala de todas as partidas de simples do dia, de como andam os brasileiros em Paris, de um livro escrito por um cachorro a até dos cães antibomba de Wimbledon.

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O número 1

Novak Djokovic fez seu melhor jogo no torneio, ponto. Veio em boa hora porque Tomas Berdych (#8) teve uma atuação bem digna, brigando em todos os sets. O tcheco se recuperou de uma quebra de desvantagem na segunda parcial e até abriu o terceiro set na frente. Ainda assim, o número 1 do mundo estava firme nesta quinta. Devolveu com agressividade, usou bem curtinhas e lobs, explorou a movimentação ruim do rival e fez 6/3, 7/5 e 6/3. Continua tão favorito como sempre.

O susto

Djokovic só esteve perto da eliminação quando, ao descontar a raiva momentânea, um quique inesperado da raquete fez com que ela saísse do controle do tenista e quase atingisse um dos juízes de linha. Não fosse a agilidade do árbitro, haveria motivo suficiente para a desclassificação do número 1.

Correndo por fora

Dominic Thiem (#15) e David Goffin (#13) fizeram mais uma edição do que eu gosto de chamar de clássico-dos-tenistas-mais-talentosos-que tomam-as-piores-decisões-em-momentos-cruciais. O jogo não decepcionou, com vários lances empolgantes e muitos golpes mal escolhidos. Logo, houve equilíbrio e muitas quebras nos três primeiros sets. Primeiro, Goffin saiu uma quebra atrás e venceu o primeiro set. Depois, sacou para a segunda parcial, teve set point (vide tweet abaixo) e viu Thiem conseguir a virada. O austríaco também saiu de 2/4 para vencer nove games seguidos e disparar até fechar em 4/6, 7/6(7), 6/4 e 6/1.

Ainda que tenha contado com uma boa dose de sorte na chave, Thiem aproveitou as chances e chegou, portanto, a sua primeira semifinal em um torneio do Grand Slam. Será um claro azarão contra Djokovic, mas um azarão perigoso. Se o sérvio deixá-lo jogar (como costuma fazer com Wawrinka), corre risco de passar um aperto. Minha opinião é que o cenário mais provável será Thiem agredindo até errar, com o número 1 apostando na consistência e arriscando pouco. O austríaco precisará de um dia espetacular para vencer.

A número 1

Não foi um bom primeiro set para Serena Williams diante de Yulia Putintseva (#60). Cometendo muitos erros (24 não forcados ao todo), a número 1 foi vítima de uma estratégia inteligente e bem executada da cazaque: paciência, bolas altas e fundas e poucos riscos. A quadra pesada também ajudou Putintseva, que só cedeu dois pontos em erros não forcados, saiu na frente e seguiu resistindo na segunda parcial, mesmo cedendo uma quebra no início.

Serena escapou por pouco. Esteve a um ponto de ver a adversária sacar para o jogo, mas salvou o break point no 4/4 e ganhou uma quebra decisiva quando a cazaque cometeu uma dupla falta no set point. Com a #1 jogando melhor e falhando menos, Putintseva não teve como manter o ritmo, embora tenha “brigado” até o último game. Jeu, set et match, Williams: 5/7, 6/4 e 6/1.

A zebra

A adversária de Serena na semifinal será Kiki Bertens (#58), que deu mais uma passo em uma sequência espetacular que começou no qualifying do WTA International de Nuremberg, mais de uma semana atrás, e chega agora a 12 triunfos. Depois do título no torneio de aquecimento para Roland Garros, a holandesa já derrubou mais duas top 10. Na estreia, bateu Angelique Kerber. Nesta quinta, a vítima foi Timea Bacsinszky (#9), por 7/5 e 6/2.

Foi um jogo equilibrado e cheio de quebras na primeira parcial. Bertens esteve uma quebra atrás em três oportunidades, mas foi superior nos momentos decisivos, salvando um break point no 11º game e quebrando a suíça no 12º. Na segunda parcial, saiu na frente, abrindo 4/0 e segurando uma reação de Bacsinszky, que devolveu uma das quebras e teve três break points para “voltar” no jogo.

O público

O ponto negativo de Roland Garros neste quinta-feira foi o público. A quadra Suzanne Lenglen, segunda maior do complexo não esteve perto de sua lotação em momento algum. A quantidade de espectadores, que já era minúscula quando Thiem e Goffin abriram a programação, às 13h, era patética às 17h30min (horários locais), quando Bacsinszky e Bertens brigavam por uma vaga na semifinal feminina (vide tweet abaixo).

É mais uma prova de como a organização de Roland Garros reage mal a imprevistos. Pela programação original, não haveria jogos de simples na Lenglen nesta quinta-feira. No entanto, sabe-se desde terça que mudou tudo. Ainda assim, o torneio não conseguiu atrair um número decente de espectadores para ver duas quartas de final de um torneio do Grand Slam.

A programação de sexta-feira tem dois jogos na Lenglen. Muguruza x Stosur e Djokovic x Thiem. Roland Garros está vendendo esses ingressos por dez euros. Será que assim vai lotar?

Os brasileiros

Nas duplas mistas, Bruno Soares foi eliminado nas quartas de final. Ele e Elena Vesnina perderam para a parceria de Leander Paes e Martina Hingis: 6/4 e 6/3.

Marcelo Melo não entrou em quadra, mas ficou sabendo quem serão seus adversários nas semifinais. Feliciano e Marc López (que não são irmãos, embora há quem fale isso por aí) salvaram seis match points e derrotaram os franceses Julien Benneteau e Edouard Roger-Vasselin por 3/6, 6/4 e 7/6(7). Feliciano saiu da quadra para o banho de gelo.

Enquanto isso, do lado de fora da quadra, Gustavo Kuerten foi anunciado como novo embaixador do Hall da Fama Internacional do Tênis. O catarinense, não esqueçamos, foi imortalizado em Newport (EUA) em 2012.

Os brasileirinhos

Passou sem registro no post de ontem, mas não esqueçamos: nenhum brasileiro passou da segunda rodada no torneio juvenil de Roland Garros. E, também lembremos, não havia nenhuma representante do país na chave feminina.

Leitura recomendada

Pensando bem, não sei se recomendo, mas informo: Maggie Mayhem, cadela de Andy Murray e sua esposa, Kim, escreveu um livro chamado “Como Cuidar de Seu Humano”, lançado nesta quinta-feira.

Do outro lado do canal

Wimbledon apresentou hoje seu trio de cães antibomba: Duffy, Brian e Biggles.

Introducing Duffy, Brian and Biggles, some of our police explosive search dogs for Wimbledon 2016 🐶

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Falando em Wimbledon, parece improvável a participação de Rafael Nadal no torneio deste ano. Depois de deixar Roland Garros por causa de uma lesão no punho esquerdo (seu forehand), o espanhol já avisou que não estará no ATP 500 de Queen’s. Talvez Nadal esteja avaliando suas prioridades, e ele já disse algumas vezes que os Jogos Olímpicos Rio 2016 estão no topo de sua lista. Nadal, afinal, ficou fora de Londres 2012 também por causa de lesão.

Os melhores lances

Serena Williams, a número 1 do mundo, sem conseguir ganhar pontos na base da potência por causa da quadra pesada e das bolas fundas de Yulia Putintseva, dá uma aula de como construir um ponto.

Outra lição, agora ensinada por Novak Djokovic, que explorou bem a movimentação limitada de Tomas Berdych para construir esse ponto abaixo: