Saque e Voleio

Arquivo : kuznetsova

Quadra 18: S03E04
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Na ATP, Roger Federer é campeão mais uma vez e com sobras. Na WTA, Elena Vesnina venceu uma final nervosa contra a compatriota Svetlana Kuznetsova. Nas duplas, Marcelo Melo e Lukasz Kubot conseguiram finalmente um grande resultado em 2016. Após a conclusão do torneio de Indian Wells, o podcast Quadra 18 está de volta para comentar o que rolou de mais interessante na Califórnia durante as últimas duas semanas.

Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu falamos do momento “diferente” de Djokovic, da possível arrancada de Nick Kyrgios e das fases nada espetaculares dos atuais números 1 do mundo, Andy Murray e Angelique Kebrer. Também comentamos a polêmica sobre a final russa da WTA – houve quem não gostasse, da chance perdida de Karolina Pliskova e do que esperar de Melo e (principalmente de) Kubot. Para ouvir, basta clicar no player abaixo. Se preferir baixar e ouvir depois, clique neste link com o botão direito do mouse e selecione “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’15” – Alexandre Cossenza apresenta os temas
0’40” – A campanha de Federer até o título em Indian Wells
5’05” – Existe alguém jogando em nível para parar Roger Federer em 2017?
6’36” – A bolinha é ruim, muito ruim ou ruim pra c…? Algum jogador reclama abertamente disso em Indian Wells?
8’12” – As campanhas de Murray e Djokovic, e o que faz mais falta ao Nole?
11’06” – É o começo do “deslanchar” de Nick Kyrgios?
13’13” – Já devemos nos preocupar com o futuro de Murray na temporada?
15’15” – Sheila Vieira e o fã clube de Stan Wawrinka
17’05” – California Gurls (Katy Perry)
17’32” – O título feliz da feliz e carismática Elena Vesnina
21’33” – A chave menos complicada de Svetlana Kuznetsova
22’11” – Karolina Pliskova e uma chance perdida
23’12” – Vesnina x Kuznetsova é uma final ruim para o tênis feminino?
27’28” – O momento de Angelique Kerber e sua volta ao posto de número 1
29’20” – Murray e Kerber estão decepcionando como líderes do ranking?
31’05” – Queen of California (John Mayer)
31’33” – Melo e Kubot engrenam depois do vice em Indian Wells?
37’48” – Kubot é o novo Peya?
38’09” – A boa campanha de Soares e Murray em uma chave duríssima
40’11” – Mahut, Kontinen e a briga pelo número 1 de duplas
42’25” – Miami e as ausências de Serena, Murray e Djokovic
43’44” – Quem quer vencer slam precisa abrir mão de jogar Masters 1.000?
45’13” – Bia Haddad Maia e seu convite para o WTA de Miami


Quadra 18: S02E14
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Um WTA finals com uma campeã surpreendente, uma separação importante no circuito de duplas, as chances de um brasileiro se tornar número 1 do mundo e a disputa pela liderança nas simples são os assuntos mais quentes do podcast Quadra 18 desta semana.

Como sempre, Aliny Calejon, Sheila Vieira e eu falamos um pouco sobre tudo, desde a cobrança em cima de Angelique Kerber, incluindo os parceiros em potencial para Marcelo Melo até a matemática da briga entre Novak Djokovic e Andy Murray na briga pelo número 1. Para ouvir, basta clicar no player abaixo. Se preferir baixar e ouvir depois, clique neste link com o botão direito do mouse e selecione “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’15” – Cossenza apresenta os temas
1’20” – O WTA Finals, com o título de Dominika Cibulkova, foi um bom Finals?
3’53” – O balde de água fria da temporada de Angelique Kerber
5’07” – É justo dizer que a Kerber dominou a temporada?
9’24” – É justa toda essa expectativa em relação aos resultados da Kerber?
10’46” – Surpresas e decepções do WTA Finals
12’55” – Aliny Calejon comenta a separação de Marcelo Melo e Ivan Dodig
15’25” – Quais as chances de Marcelo formar dupla com Sá, Bellucci ou Demoliner?
17’15” – Quem seria o parceiro ideal para Marcelo Melo agora?
19’00” – Bruno Soares e a chance de ser número 1 do ranking
20’22” – Murray #1 agora ou Djokovic #1 até o fim do ano? O que é mais provável?
24’00” – Até quando vai durar o discurso zen de Novak Djokovic?
25’45” – As chances de Murray ser #1 são maiores agora ou no ano que vem?
26’47” – “Acho que ano que vem o Djokovic vai ser outro Djokovic”
27’21” – A disputa pelas últimas vagas para o ATP Finals
30’00” – Vai haver Challenger Finals em São Paulo este ano?
31’50” – Existem projetos para o tênis sufocados pela “dinastia perpétua” da CBT?


Dominika Cibulkova, o retrato de 2016
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Cibulkova_WTAFinals2016_trophy_get_blog

Duas novas campeãs de torneios do Grand Slam; o fim do domínio de Serena Williams, derrotada por Angelique Kerber em Melbourne e Garbiñe Muguruza em Paris; uma ex-número 1 suspensa por doping; uma ex-número 1 afastada por gravidez; uma nova número 1; uma porto-riquenha campeã olímpica; e, por fim, para completar um ano dos mais atípicos para o tênis feminino e consolidar um novo momento na modalidade, Dominika Cibulkova conquistou o WTA Finals.

Foi uma final memorável para eslovaca, que jogou em nível altíssimo desde o primeiro game e só engasgou quando sacou para o jogo e cometeu seguidos erros. Mesmo assim, se recuperou, salvou um break point da forma mais esquisita possível e fechou o jogo em 6/3 e 6/4, com um match point que ilustrou bem o quanto tudo deu certo para ela neste domingo.

Foi, como ela mesma disse, o maior título da carreira de Cibulkova. Um momento especial, que premia uma temporada belíssima, com títulos em Katowice, Eastbourne e Linz, além de vices em Wuhan, Madri e Acapulco. Não por acaso, a eslovaca de 27 anos termina 2016 na quinta posição do ranking – a melhor de sua carreira – e com um paquidérmico cheque de US$ 2.054.000.

Sobre esse novo momento da WTA, escrevi um pouco nesse texto. Embora o Finals não tenha sido o mais empolgante dos torneios, foi uma mistura interessante de surpresas (Cibulkova perdeu as duas primeiras partidas, enquanto Kuznetsova se classificou em primeiro na outra chave), decepções (Halep e Muguruza não passaram da fase de grupos) e partidas empolgantes, ainda que não tecnicamente espetaculares.

Kerber termina a temporada como líder, dona de dois títulos de Slam (Australian Open e US Open) e com resultados consistentes ao longo do ano. Não é (ainda?) uma número 1 dominante, mas fecha 2016 com dois mil pontos de vantagem sobre Serena Williams e 3.400 de frente para Agnieszka Radwanska, atual #3.

Ainda que a americana tenha disputado apenas um terço dos eventos de Kerber (somou 7.050 pontos em sete torneios, enquanto Kerber disputou 21 e acumula 9.080), o cenário parece indicar o que será da WTA após a aposentadoria de Serena Williams.

Nas férias (porque não consigo ver relevância no WTA Elite, torneio caça-níqueis de consolação), fico aqui a imaginar o que será do circuito se Kvitova voltar a jogar consistentemente, se Sharapova retornar em forma, se Azarenka conseguir se concentrar no circuito outra vez e se Wozniacki continuar a mostrar o tênis que reencontrou no fim deste ano. Seria um circuito incrível, não?


Wimbledon, dia 7: drama, breu, outra ameaça e o melhor jogo do torneio
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

A Manic Monday, como é chamada a tradicional segunda-segunda-feira de Wimbledon, com todas oitavas de final em quadra, correspondeu às expectativas. Quintos sets longos, chuva, tie-breaks dramáticos, viradas, atuações impecáveis dos favoritos e jogos adiados por falta de luz natural. Teve um pouco de tudo. Teve até número 1 do mundo ameaçando processar. Perdeu tudo isso? O resumaço traz quase tudo nas linhas abaixo.

Radwanska_Cibulkova_R16_reu_blog

O melhor jogo do torneio

Foram 180 minutos fantásticos. Desde o espetacular primeiro set de Dominika Cibulkova, passando pela reação memorável de Agnieszka Radwanska, que salvou match point no segundo set e forçou mais uma parcial, até o longo terceiro set, sem tie-break, com break points em dez games diferentes e que terminou de forma magnífica, com a eslovaca vencendo e ganhando um abraço da polonesa. O placar final mostrou 6/3, 5/7 e 9/7 para Cibulkova.

É bem verdade que a número 18 do mundo poderia ter vencido mais rápido. Distribuiu pancadas do fundo de quadra, jogando Radwanska para os lados. Teve chances de fechar antes, mas vacilou. Não que a terceira colocada no ranking não tenha seus méritos. Lutou bravamente com seu tênis inteligente e teve até um match point no 12º game do terceiro set. Cibulkova se salvou.

Classificada para as quartas, Cibulkova leva consigo uma sequência de nove triunfos na grama. Ela ainda não perdeu no piso na temporada. Antes de Wimbledon, disputou apenas o WTA de Eastbourne e foi campeã. A eslovaca será favorita contra a russa Elena Vesnina (#50), que bateu Ekaterina Makarova (#35) de virada: 5/7, 6/1 e 9/7.

Importante: Cibulkova tem seu casamento marcado para sábado. Se alcançar a final, já avisou que não se importará de adiar a cerimônia. “Escolhemos essa data porque nunca me vi como uma jogadora de grama”, explicou, segundo o site do torneio.

Os favoritos

Enquanto Radwanska e Cibulkova terminavam o segundo set na Quadra 3, Roger Federer (#3) entrava na Central para enfrentar Steve Johnson (#29). Os três sets do suíço duraram mais ou menos o mesmo que o terceiro set da Quadra 3. Tirando um par de break points no quinto game do primeiro set, quando o jogo ainda estava empatado, e uma quebra de Johnson no terceiro, Federer dominou. Venceu por 6/2, 6/3 e 7/5 e chegou à 306ª vitória em Slams na carreira, igualando a marca de Martina Navratilova.

É inevitável pensar que tudo conspirou para o heptacampeão até agora. Não só a chave tranquila na primeira semana, justamente o que ele precisava depois de resultados aquém do esperado em Stuttgart e Halle, mas também com a derrota de Novak Djokovic, o único a derrotá-lo nos dois últimos anos em Wimbledon, e talvez até com a lesão de Kei Nishikori, que abandonou e colocou Marin Cilic como rival de Federer nas quartas de final.

Por outro lado, Cilic faz uma campanha bastante digna na grama este ano (fez semi em Queen’s) e promete ser o primeiro teste de verdade para o suíço no All England Club. O próprio Federer lembrou que o croata passou como um caminhão por ele no US Open de 2014, seu último duelo. Será que Cilic consegue repetir? Não parece provável, mas também não parecia em Nova York…

Em seguida, Serena Williams fez uma apresentação bastante … serenesca diante de Svetlana Kuznetsova (#14). Um começo arrasador, um momento instável no fim do primeiro set, e uma segunda parcial quase perfeita. Fez 14 aces, 43 winners e derrotou a russa em 1h16min, por 7/5 e 6/0, avançando às quartas.

Foi o tipo de atuação que se espera ver da número 1 do mundo, especialmente em Wimbledon, e que ainda não tinha acontecido. Passou o recado de que não será fácil derrotá-la no All England Club. O resto da chave deve estar preocupado, assim como Anastasia Pavlyuchenkova (#23), sua próxima adversária.

A russa avançou ao bater Coco Vandeweghe (#30) por 6/3 e 6/3 e já está no lucro. Afinal, ninguém esperava que Pavlyuchenkova fosse tão longe, já que somava mais derrotas do que vitórias na carreira em Wimbledon. Agora chega sem responsabilidade e pode entrar “solta” na quadra Serena. Parece justo dizer que não há muita gente acreditando na russa contra a número 1.

Por último, Andy Murray também mostrou todo seu arsenal contra Nick Kyrgios (#18), descomplicando o que muitos viam como uma partida duríssima. De duro mesmo, só o primeiro set, que o britânico fechou fazendo um último game impecável. O triunfo veio por 7/5, 6/1 e 6/4, com um Kyrgios perdido, sem encontrar alternativa para superar o favorito.

O próximo obstáculo para o escocês será Jo-Wilfried Tsonga (#12), que se beneficiou de uma lesão nas costas de Richard Gasquet (#10), que abandonou a partida quando perdia o primeiro set por 4/2. Nada ruim para Tsonga, que vinha de completar um partida um tanto longa contra John Isner no domingo. Não que ele estivesse esgotado, mas o descanso não fará nada mal.

Mais uma ameaça judicial

Incomodada com os pingos que caíam timidamente na Quadra Central, Serena Williams achava que a quadra estava escorregadia demais para continuar a partida. Sem ser atendida imediatamente (o teto foi fechado pouco depois), a número 1 disparou: “Se eu me machucar, vou processar”.

O susto

Milos Raonic (#7), desde sempre considerado a maior ameaça ao então-vivo-na-chave-Djokovic antes das semifinais, esteve a um set da eliminação nesta segunda-feira. Com seu saque quebrado duas vezes, perdeu dois sets. Sorte que do outro lado da rede estava David Goffin (#11), que não tem exatamente um histórico de grandes atuações em momentos cruciais. Raonic conseguiu uma quebra logo no terceiro game do terceiro set e mudou o rumo da partida. Acabou saindo com a vitória por 4/6, 3/6, 6/4, 6/4 e 6/4.

Foi a primeira vez na carreira que Raonic venceu um jogo após estar perdendo por 2 sets a 0. O canadense agora vai enfrentar Sam Querrey (#41), algoz de Djokovic que venceu mais uma ao derrotar Nicolas Mahut (#51) por 6/4, 7/6(5) e 6/4. Preparem-se para contar aces e ver poucos ralis.

Correndo por fora

Venus Williams (#8) continua aproveitando o máximo sua chave, que nunca foi das mais complicadas. Nesta segunda, eliminou Carla Suárez Navarro (#12) por 7/6(3) e 6/4. O primeiro set teve momentos delicados, com a espanhola sacando para o jogo e uma interrupção por chuva. Venus, no entanto, segue avançando e já tem sua melhor campanha em Wimbledon desde 2010, quando também avançou às quartas e foi eliminada por Tsvetana Pironkova.

Venus, 36 anos, é a tenista mais velha a alcançar as quartas de final de Wimbledon desde Martina Navratilova em 1994. A ex-número 1 do mundo também será favorita na próxima rodada, já que vai encontrar Yaroslava Shvedova (#96), uma das maiores surpresas o torneio até agora. A cazaque, que já havia eliminado Svitolina e Lisicki, despachou Lucie Safarova as oitavas: 6/2 e 6/4.

O outro jogo nessa metade da chave é entre duas candidatíssimas: Simona Halep (#5), que despachou Madison Keys por 6/7(5), 6/4 e 3/3, e Angelique Kerber (#4), que encerrou o torneio de Misaki Doi (#49) por 6/3 e 6/1. Promete ser o confronto mais interessante das quartas de final femininas.

Entre os homens, Tomas Berdych (#9) esteve perto de dar mais um passo, mas deixou passar uma ótima chance de despachar o compatriota Jiri Vesely (#64). O top 10 sacou para fechar a partida no quarto set, mas foi quebrado e, quando chegou ao tie-break, depois de Vesely salvar três match points, já reclavama da luz, argumentando que o jogo deveria ter sido interrompido.

O game de desempate foi louco. Vesely abriu 6/1, Berdych virou para 7/6 e teve mais dois match points, mas não conseguiu fechar. Vesely acabou vencendo e forçando um quinto set. A continuação também ficou para terça-feira. Quem vencer enfrentará Lucas Pouille (#30), que despachou de virada o australiano Bernard Tomic (#19): 6/4, 4/6, 3/6, 6/4 e 10/8.

As quartas de final

[28] Sam Querrey x Milos Raonic [6]
[3] Roger Federer x Marin Cilic [9]
[10] Tomas Berdych ou Jiri Vesely x Lucas Pouille [32]
[12] Jo-Wilfried Tsonga x Andy Murray [2]

[1] Serena Williams x Anastasia Pavlyuchenkova [21]
[19] Dominika Cibulkova x Elena Vesnina
[5] Simona Halep x Angelique Kerber [4]
[8] Venus Williams x Yaroslava Shvedova

Os brasileiros

O dia foi difícil para os mineiros. Marcelo Melo e Ivan Dodig foram eliminados em três sets por Raven Klaasen e Rajeev Ram: 7/6(3), 7/6(5) e 6/3. Em seguida, Bruno Soares e Jamie Murray fizeram uma partida longa e dramática contra Mate Pavic e Michael Venus. Brasileiro e britânico venceram os dois primeiros sets, mas perderam os dois seguintes e mergulharam em um quinto set longo.

Por suas vezes, Bruno e Jamie tiveram quebras de vantagem, e o britânico até sacou para o jogo em 5/3. Depois de um match point, o saque do escocês foi quebrado, e a partida continuou dramática, noite adentro, sem tie-break. A partida foi interrompida pouco depois das 21h locais, após o 26º game, depois que Venus e Pavic salvaram mais um match point.

Bom humor na adversidade

Logo depois de perder o quarto set, Bruno Soares reclamou com a árbitra de cadeira por levar uma advertência. A juíza explicou que a grama é sensível, e o brasileiro respondeu “eu também sou sensível, acabei de perder um set”.


Wimbledon 2016: o guia (versão feminina)
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Serena Williams à parte, Wimbledon é sempre um mistério no que diz respeito à chave feminina. As surpresas não foram poucas nos anos recentes, desde Agnieszka Radwanska em 2012 a Garbiñe Muguruza no ano passado, passando por Lisicki e Bouchard e incluindo, é claro, o inesperado título de Marion Bartoli. O que a edição de 2016 reserva? Serena Williams, vice em Melbourne e Paris, voltará a vencer um Slam? Quem seria a principal candidata a pará-la?

Este guiazão de Wimbledon traz uma análise da chave feminina, avaliando os resultados recentes e imaginado o que pode acontecer nas próximas duas semanas. É só rolar a página…

Muguruza_W16_pre_div_blog

As favoritas / Quem se deu bem

De forma geral, não dá para dizer que alguém “ganhou” esse sorteio de sexta-feira em Wimbledon. Serena Williams, por exemplo, tem um caminho sem um óbvio nome forte em boa fase, mas tem alguns trechos escorregadios como um possível encontro com Mladenovic na terceira rodada ou Sloane Stephens nas oitavas, onde também pode aparecer Kuznetsova ou Wozniacki. Pelo ranking, a provável rival de Serena nas quartas seria Roberta Vinci, cabeça 6, mas na prática a italiana corre muito por fora. Coco Vandewegue, campeã em ’s-Hertogenbosch e quadrifinalista de Wimbledon no ano passado, parece ser o nome mais interessante aqui.

É a mesma metade da chave onde também estão Radwanska, cabeça 3, e a bicampeã de Wimbledon Petra Kvitova. A polonesa vem em uma série de boas campanhas no Slam da grama (finalista em 2012, semi em 2013 e 2015), enquanto a tcheca não venceu dois jogos seguidos no piso este ano (esteve em Birmingham e Eastbourne), mas convém não esquecê-la completamente.

A seção de Radwanska inclui, além de Kvitova, Caroline Garcia, campeã do WTA de Mallorca (em uma chave fraca, é verdade) e que pode ser sua oponente na terceira rodada. A polonesa ainda pode encarar nas oitavas Dominika Cibulkova, sua algoz e campeã em Eastbourne, ou Johanna Konta, semifinalista no mesmo torneio, mas que nunca venceu um jogo em Wimbledon. Se chegar às quartas, aí sim Aga pode enfrentar Kvitova, mas esse seção também tem Ekaterina Makarova, Andrea Petkovic e Belinda Bencic, cabeça 7, mas que vem de duas derrotas seguidas na estreia (Birmingham e Eastbourne).

A metade de baixo, encabeçada por Garbiñe Muguruza, cabeça 2, não é lá tão boa para a espanhola, que estreia contra Camila Giorgi e pode encontrar Lucie Safarova na terceira rodada e Stosur, Lisicki, Rogers ou Svitolina nas oitavas. Se chegar às quartas, Muguruza ainda pode enfrentar Venus, que pegou um caminho menos turbulento. Se o corpo resistir, a veterana de 36 anos tem uma chance interessante de ir longe.

A outra parte tem Angelique Kerber e Simona Halep, cabeças 4 e 5, respectivamente, mas podemos também chamar essa região de “terra de ninguém”. A romena não esteve em nenhum torneio de grama antes de Wimbledon, e a alemã foi a Birmingham, onde perdeu para Suárez Navarro. Parece a seção ideal para alguém surpreender. Aliás, é nesse bolo que estão Madison Keys, campeã do Premier de Birmingham, e Karolina Pliskova, campeã em Nottingham e vice em Eastbourne. Não por acaso, ambas estão bem cotadas nas casas de apostas.

A incógnita

Wimbledon talvez seja o melhor indicador sobre o que esperar do futuro de Serena Williams. A número 1 do mundo não mostrou o nível altíssimo de tênis que o mundo espera dela nem na final do Australian Open nem na decisão de Roland Garros. Momentos justamente em que a americana sempre brilhou. Sua movimentação não foi a mesma de outros anos. O número de aces – principalmente aqueles em pontos importantes – também diminuiu. Uma derrota precoce em Londres, onde sempre foi ainda mais superior ao resto do circuito, pode dar mais um indício de que o fim está próximo. Será?

O número 1 em jogo

A vantagem obscena na liderança do ranking já se foi. Serena começa sua participação em Wimbledon correndo o risco de perder o posto de número 1. Muguruza, Radwanska, Kerber e Halep podem ultrapassá-la, ainda que seja necessária uma combinação de resultados.

Quem corre por fora

Saindo do óbvio-olhei-o-ranking-e-palpitei, a grama sempre oferece uma chance um pouco maior a tenistas que não estão necessariamente entre os favoritos durante o resto da temporada.

Karolina Pliskova é um desses nomes. A tcheca de 1,86m não tem a melhor movimentação do circuito e precisa estar no comando dos pontos para se dar bem. Seu impressionante saque lhe dá essa vantagem, especialmente na grama. Não é por acaso que a líder de aces na temporada (muito à frente de Serena) foi campeã em Nottingham e vice em Eastbourne. No quadrante de Kerber e Halep, não seria a maior das zebras se Pliskova saísse atropelando até a semifinal.

Quem também corre bem nesse quadrante é Madison Keys, que leva consigo um jogo de muita potência do fundo de quadra. A americana, mais nova integrante to top 10 (a primeira americana a entrar no top 10 desde 1999!), só jogou um torneio na grama e foi campeã em Birmingham, justamente o mais importante do calendário pré-Wimbledon. De novo: não seria grande surpresa se Keys e Pliskova se encontrassem nas quartas de final, deixando Halep e Kerber para trás.

Outro nome interessante para a grama é Coco Vandeweghe, a americana que passou pelo media day com a camisa do Independiente da Argentina. Coco não se encaixa no estereótipo de meninas magrinhas do circuito e talvez não seja a mais rápida das tenistas, mas carrega um saque potente e que lhe dá muitos pontos de graça. Foi assim que cegou às quartas de Wimbledon no ano passado e venceu oito jogos seguidos na grama em 2016, levantando o troféu em ’s-Hertogenbosch. Sorteada em uma seção onde a principal cabeça é Roberta Vinci, Coco pode muito bem alcançar as quartas e encarar Serena Williams. Seria interessante.

A brasileira

Teliana Pereira estreará contra a americana Varvara Lepchenko, número 64 do mundo, que não teve grandes resultados na curta temporada de grama e inclusive soma uma derrota para Laura Robson (sim, aquela!). A brasileira, por sua vez, nem jogou na grama antes de Wimbledon.

A maior ausência

Victoria Azarenka abandonou Roland Garros por causa de uma lesão no joelho e não conseguiu se recuperar a tempo. Na última quinta-feira, véspera do sorteio da chave, a bielorrussa anunciou que não disputaria Wimbledon. Semifinalista em 2011 e 2012, ela seria a cabeça de chave número 6.

A desistência teve consequências consideráveis, jogando Venus para o grupo das oito primeiras cabeças e inserindo Andrea Petkovic entre as pré-classificadas.

Os melhores jogos nos primeiros dias

O óbvio jogo mais interessante da primeira rodada será entre Caroline Wozniacki, que não é cabeça de chave, e Svetlana Kuznetsova, e só deus sabe o que esperar desse encontro. Além disso, a segunda e a terça-feira de Wimbledon terão a suíça Belinda Bencic, cabeça 7, enfrentando Tsvetana Pironkova, aquela que até o ano passado só conseguia resultados bons justamente em Wimbledon. Não dá para descartar o potencial de zebra desse jogo, assim como em Muguruza x Giorgi, que é minha partida preferida nessa lista.

Outros confrontos interessantes são Kvitova x Cirstea, Kerber x Robson e Safarova x Mattek-Sands. Ou seja, não vai faltar o que ver nesse dois primeiros dias.

As tenistas mais perigosas que ninguém está olhando

Quando o assunto é grama e Wimbledon, o padrão é pensar em tenistas altas e que batem forte na bola. Serena, Venus, Kvitova, Sharapova… A lista de campeãs sugere isso. Só que de vez em quando aparece uma baixinha talentosa como Agnieszka Radwanska para mostrar que é possível ir longe no All England Club sem essa potência toda.

Neste ano, há dois nomes que mais ou menos se encaixam aí. Um dele é Dominika Cibulkova, que faz uma temporada de recuperação. Em fevereiro, era a número 66 do mundo. Agora, está em 21º no ranking, somando finais em Acapulco, Madri, Katowice e Eastbourne (campeã nestes dois últimos). Sua chave é que não ajuda muito. Cibulkova pode encarar Bouchard ou Konta na terceira rodada e Radwanska nas oitavas. Em todo caso, fiquemos de olho.

Com 1,64m, Barbora Strycova também entra nesta lista aqui. Pouca altura, muito talento e um jogo inteligente, cheio de variações. A semifinal em Birmingham, onde bateu Karolina Pliskova e Coco Vandeweghe, indica que há chances em Wimbledon. Um eventual duelo de terceira rodada contra Kvitova no All England Club daria uma palavra final sobre isso.

Além disso, uma bicampeã do torneio deveria estar entre as favoritas, mas a temporada desastrosa fez Petra Kvitova sair do top 10 pela primeira vez em três anos. Logo, ela chega a Wimbledon bastante fora do radar e não vai ter tanta gente espantada com um revés logo na primeira rodada diante de Cirstea ou uma eliminação na segunda fase diante de Makarova. Maaaas é Kvitova, é grama e tudo pode acontecer. Não dá para esquecer disso.

Para encerrar a lista, que tal lembrar de Venus Williams, ex-número 1, campeã oito anos atrás e que está de volta ao top 10, mas não chama tanta atenção quanto deveria por causa da idade e dos problemas de saúde? A americana tem uma chave bastante favorável e, levando em conta que os jogos na grama costumam ser mais curtos, existe uma chance considerável de Venus fazer uma (última?) campanha para realmente brigar pelo título.

Onde ver

SporTV e ESPN mostram o torneio. Ano passado, lembremos, o canal da Disney driblou o da Globosat, pagando pelos direitos e aproveitando o sinal da ESPN americana para mostrar mais quadras enquanto o SporTV ficava preso a seu pacote básico. Ninguém deu muitos detalhes ainda de como serão as transmissões deste ano, mas já se sabe que a ESPN mostrará o evento em dois canais (contra um do SporTV). Em todo caso, vale ficar com o controle remoto na mão. Durante o torneio, estarei no Twitter dizendo o que rola em cada canal.

Nas casas de apostas

A prestar atenção nas cotações da casa virtual bet365: Madison Keys é a terceira favorita ao título, e Sabine Lisicki está entre os dez primeiros nomes. Coco Vandeweghe também está ali no meio.


RG, dia 8: Muguruza em alta, Nishikori em baixa e uma zebraça nas quartas
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Não é todo dia que alguém fora do top 100 consegue uma vaga nas quartas de final de um Slam. Pois foi isso que Shelby Rogers fez ao derrotar (por enquanto) as cabeças de chave Karolina Pliskova, Petra Kvitova e Irina Camelia Begu. A americana, no entanto, não foi a única a derrubar um favorito neste domingo. Richard Gasquet, fazendo um torneio impecável, eliminou Kei Nishikori. Quem segue inabalável é a espanhola Garbiñe Muguruza, cada vez mais candidata ao título em Paris. O resumo do dia trata disso tudo, analisa mais uma vitória de Andy Murray, atualiza a disputa pelo número 1 nas duplas e traz grandes vídeos como o de Stan Wawrinka brincando com um boleiro durante a partida contra Viktor Troicki. É só rolar a página e ficar por dentro!

Gasquet_RG16_r16_get_blog

Os favoritos

Garbiñe Muguruza tinha um jogo nada simples neste domingo, mas conseguiu fazer parecer pouco complicada a tarefa de derrotar Svetlana Kuznetsova (#15) e avançou por 6/3 e 6/4. A russa até ameaçou uma reação na segunda metade da segunda parcial e ninguém sabe o que teria acontecido em um terceiro set, mas Muguruza segurou bem a onda no fim, inclusive salvando break point depois de perder dois match points. Depois de uma estreia que lançou pontos de interrogação, parece seguro dizer que a espanhola faz um belo torneio e é candidatíssima a chegar à final.

Mais tarde, Andy Murray (#2) voltou a encarar um sacador e a vencer por 3 sets a 0. John Isner deu trabalho no primeiro set e teve uma bola à disposição para vencer o tie-break, mas jogou em cima do britânico e levou uma passada. Foi, no fundo, a única real chance do americano, que tombou por 7/6(9), 6/4 e 6/3.

Difícil dizer o quanto esse jogo ajudou na caminhada de Murray rumo às fases mais complicadas, mas não deixa de ser bom ver que o britânico fez o dever de casa sem se complicar mais do que o necessário. O próximo jogo, contra Richard Gasquet (#12) – e a torcida parisiense – não pode ser classificado como o primeiro grande teste de Murray no torneio, mas ele traz um cenário novo: o francês será o primeiro a entrar em quadra bem cotado para bater o escocês. E agora?

Para não deixar sem registro: é a sexta vez que Andy Murray alcança as quartas de final em Roland Garros. Para um tenista que passou a maior parte da carreira sendo criticado pelo retrospecto no saibro, parece um currículo bem digno, não?

Os brasileiros

A campanha na chave de duplas acabou para Bruno Soares e Jamie Murray, que foram superados nas oitavas de final por Leander Paes e Marcin Matkowski em dois tie-breaks: 7/6(5) e 7/6(4). O resultado tirou Jamie da briga pela liderança do ranking nesta semana. Seguem na disputa Marcelo Melo, atual número 1 do mundo, o francês Nicolas Mahut e o americano Bob Bryan. O favorito é Mahut, que garante a posição se vencer mais uma partida em Paris. A matemática está explicadinha no site Match Tie-Break, da Aliny Calejon.

Nas duplas mistas, ao lado de Elena Vesnina, Soares vencia por 7/5 e 1/1 quando o jogo foi interrompido e adiado. Os adversários eram a eslovena Andreja Klepac e o filipino Treat Hey. Vale lembrar que esta partida estava marcada para sábado e não aconteceu por causa da chuva.

Correndo por fora

Stan Wawrinka (#4) segue avançando bem a seu modo. Muitos winners, muitos erros não forçados. Neste domingo, executou 67 bolas vencedoras e cometeu 50 falhas nos quatro sets que precisou para bater Viktor Troicki (#24): 7/6(5), 6/7(7), 6/3 e 6/2. Se a pergunta é “Wawrinka está jogando em nível para ser campeão?”, a resposta provavelmente é não, mas com a velha ressalva: Stan pode encontrar “aquele” nível de um dia para o outro, então é sempre bom ficar de olho nele.

Até agora, é um torneio irregular para o atual campeão, que nem foi tão testado assim. No caminho até as quartas, passou por Rosol, Daniel, Chardy e Troicki. É justo acreditar também que o próximo confronto, contra Albert Ramos Viñolas (#55), será igualmente favorável ao suíço.

Quem faz, sim, um belo torneio é o francês Richard Gasquet (#12), que derrubou Kei Nishikori (#6) neste domingo: 6/4, 6/2, 4/6 e 6/2. Com o backhand calibrado desde a vitória sobre Thomaz Bellucci na estreia, o tenista da casa vem fazendo partidas inteligentes taticamente e tecnicamente bem executadas.

Especificamente sobre o jogo deste domingo, Nishikori esteve longe do seu melhor – como esteve em todo o torneio, na verdade, e talvez tenha dado sorte ao escapar da virada de Verdasco na terceira rodada. Ainda assim, Gasquet é, por enquanto, quem chega mais testado nas quartas. Além de Bellucci e Nishikori, bateu o perigoso Kyrgios e esteve sempre no comando de seus jogos. Murray apresentará um desafio diferente, mas pelo que ambos mostraram até hoje, não convém duvidar de mais uma vitória de Gasquet.

A grande zebra

Número 108 do mundo, Shelby Rogers não estava nem de longe entre as mais cotadas para avançar em uma seção da chave que tinha Karolina Pliskova na estreia e Petra Kvitova em uma eventual terceira rodada. Pois a americana de 23 anos, que um mês atrás jogava ITFs de US$ 50 e 75 mil, avançou sem ganhar nada de graça. Bateu Pliskova (#19) na estreia, Elena Vesnina (#47) na segunda rodada e eliminou Kvitova (#12) na terceira rodada.

Sem perder o embalo, voltou à quadra neste domingo e eliminou mais uma cabeça de chave: Irina Camelia Begu (#28) por 6/3 e 6/4. Com a campanha, já garantiu sua entrada no grupo das 60 melhores do mundo, o que será o melhor ranking de sua carreira. E será que Rogers ainda tem mais uma zebra guardada na manga para enfrentar Muguruza nas quartas?

Mais cabeças que rolaram

Outro cabeça de chave a deixar o torneio foi Milos Raonic (#9), que ganhou uma aula de tênis-no-saibro de Albert Ramos Viñolas (#55). Apostando em ralis e devolvendo serviços muito no fundo de quadra, o espanhol anulou as principais armas do canadense e esperou pacientemente por suas chances.

Com uma tática bem elaborada e executada magistralmente, Ramos Viñolas fez 6/2, 6/4 e 6/4 e conquistou uma vaga nas quartas de final depois de quatro anos consecutivos com eliminações na primeira rodada.

Nas duplas femininas, um par de resultados se destacou. Na Quadra 2, Serena e Venus Williams foram derrotadas por Johanna Larsson e Kiki Bertens por duplo 6/3; e, na Quadra 1, Martina Hingis e Sania Mirza caíram diante das tchecas Barbora Krejcikova e Katerina Siniakova: 6/3 e 6/2. Hingis e Mirza ganharam os três Slams anteriores e completariam um “Santina Slam” com o título em Roland Garros.

Os adiamentos

A chuva – sempre ela – e a falta de iluminação artificial em Paris seguem atrasando a programação. Neste domingo, duas das oitavas de final femininas tiveram de ser adiadas. Sam Stosur (#24) sacava em 3/5 contra Simona Halep (#6) na Quadra 1, enquanto Agnieszka Radwanska (#2) liderava por 6/2 e 3/0 na Suzanne Lenglen contra Tsvetana Pironkova (#102).

Os melhores lances

Não foi um ponto, mas talvez tenha sido a melhor “jogada” de Stan Wawrinka no dia. Enquanto Viktor Troicki recebia atendimento médico no terceiro set, o suíço encontrou uma maneira de se manter aquecido e, ao mesmo tempo, ganhar o público. Cosias de um campeão.

Esse, sim, foi um ponto. Um pontaço do backhand mais violento do planeta.

E já que estamos no tema de backhands, Gasquet não ficou muito atrás hoje…


Semanas 12-13: a serenesca Azarenka e Djokovic, o maior dos milionários
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Azarenka_Miami16_trophy_get2_blog

É bem verdade que os campeões foram quase os mesmos, mas há muita coisa a dizer sobre o período em que foi disputado o Miami Open (WTA Mandatory + Masters 1.000). Além dos títulos de Victoria Azarenka e Novak Djokovic, é preciso lembrar dos problemas físicos de Roger Federer, Rafael Nadal e Thomaz Bellucci,
do novo número 1 do mundo nas duplas, do péssimo timing da ATP ao homenagear Marcelo Melo, de lances espetaculares, de bom humor, de mau humor, de tuítes bacanas e de textos interessantes e importantes. Vamos lá, então? Rolem a página e relembrem as últimas duas semanas.

A melhor de 2016

Três títulos em cinco torneios disputados; 22 vitórias e só uma derrota em 2016; apenas cinco sets perdidos desde o início do ano; uma eliminação por W/O; e uma final vencida rapidinho, em 1h17min. O leitor que escutasse os números acima sem ver a foto do alto do post acreditaria sem questionar se alguém lhe dissesse que a tenista em questão é Serena Williams. Mas não é. A tenista do momento é Victoria Azarenka, que completou, no sábado, um torneio impecável e levantou o troféu so WTA de Miami ao vencer a final sobre Svetlana Kuznetsova por 6/3 e 6/2.

Vika se tornou a terceira tenista a vencer os dois eventos em sequência, juntando-se a Steffi Graf e Kim Clijsters (feito que Serena Williams teve pouquíssimas chances de igualar porque boicotou o evento da Califórnia por muito tempo). A bielorrussa agora também está de volta ao top 5, onde não figurava há quase dois anos (o ranking 26 de maio de 2014 foi a última vez). E, claro, é preciso lembrar: depois de um Slam, dois WTAs com premiação de mil pontos (IW e Miami) e outro WTA com 900 pontos para a campeã (Doha), Azarenka é a líder da “Corrida”, o ranking que conta apenas os pontos conquistados neste ano.

Números à parte, as atuações de Vika vêm falando mais alto. Desde o primeiro torneio do ano, onde atropelou em Brisbane (com uma chave não tão forte, é verdade), incluindo as primeiras rodadas em Melbourne, o desempenho sólido diante de Serena na final de Indian Wells e, agora, uma campanha irretocável na Flórida, onde teve dois testes de fogo antes da decisão.

Primeiro, passou por Muguruza em dois tie-breaks, salvando dois set points na primeira parcial. Depois, fez uma partida espetacular contra Angelique Kerber, que, apesar da ótima atuação, jamais teve o controle do jogo. Sempre que precisou, Azarenka teve de onde tirar um nível mais alto e mais consistente de tênis.

Com o início de temporada nada espetacular de Serena Williams, parece seguro dizer que Azarenka é, neste momento, a melhor tenista do circuito, o que deixa 2016 muito mais interessante. Será que a bielorrussa manterá o pique e se aproximará de Serena Williams em uma eventual briga pelo posto de número 1 do mundo? E a americana? Esboçará uma recuperação na temporada de saibro que começa esta semana, em Charleston?

O maior dos milionários

O Masters 1.000 de Miami só teve surpresas nos primeiros dias, quando Roger Federer (virose) desistiu do torneio antes de estrear e, depois, com Rafael Nadal, que passou mal e abandonou a partida contra Damir Dzumhur no terceiro set. O título, conforme o aparente novo protocolo da ATP, terminou nas mãos de Novak Djokovic, o campeão de tudo-menos-Roland-Garros.

De novo mesmo, só algumas marcas do sérvio. Nole agora é o recordista isolado de títulos de Masters 1.000, com 28 taças (Nadal tem 27), o primeiro tenista a vencer quatro vezes a sequência Miami-Indian Wells e, principalmente, o recordista em prêmios em dinheiro na história da modalidade. Com o título deste domingo, Djokovic agora acumula US$ 98.199.548. Federer tem “só” US$ 97.855.881.

Fora isso, nada mais tenho a acrescentar sobre o tênis de Djokovic. O número 1 venceu todos jogos em sets diretos e continua dominando o circuito. Vale lembrar que ele lidera o ranking mundial de forma ininterrupta desde julho de 2014 e possui atualmente 8.725 pontos de vantagem sobre Andy Murray, o vice-líder. O escocês, por sua vez, está apenas 120 pontos acima de Roger Federer.

O tuíte abaixo, do jornalista Ben Rothenberg, mostra o retrospecto de Djokovic em Masters 1.000 e Grand Slams (incluindo o ATP Finals) desde o início de 2015. No período, se somarmos todas as competições, o sérvio disputou 21 torneios; alcançou 19 finais; e venceu 110 jogos e perdeu apenas sete.

Os brasileiros

Não foi um torneio nada bom para brasileiros. Desde o ingrato confronto entre Teliana Pereira e Bia Haddad na primeira rodada até a desistência de Thomaz Bellucci diante de Mikhail Kukushkin. O brasileiro, que durante a semana revelou ter problema de desidratação, perdendo até 6 quilos, e até visão turva em certas situações, sucumbiu ao calor e à umidade de Miami depois de um set e meio. Esgotado, deixou a quadra depois de vencer o primeiro set e perder o segundo.

O abandono na Flórida é especialmente lamentável porque Rafael Nadal, seu provável adversário de terceira rodada, também abandonou. Logo, se passasse por Kukushkin, o brasileiro enfrentaria Damir Dzumhur por uma vaga nas oitavas de um Masters 1.000. O problema físico de Bellucci foi o mesmo que ocorreu no Rio Open, em menor grau, e no Brasil Open, já manifestado de maneira mais evidente. O paulista passou por uma bateria de exames e, até agora, nenhum diagnóstico foi conclusivo. Resta a ele torcer por temperaturas mais amenas e condições favoráveis na temporada europeia de saibro.

Quanto a Teliana, o lado positivo foi conquistar sua primeira vitória na temporada. A segunda rodada, contudo, trouxe uma derrota diante de Ana Ivanovic por 6/3 e 6/0. A sérvia foi superior o tempo quase todo, e a brasileira, mais uma vez, foi vítima de seu saque vulnerável – confirmou apenas uma vez no jogo. Nas trocas de bola, Teliana até conseguia ser agressiva quando tinha a oportunidade de entrar em um rali. Ivanovic, no entanto, não lhe deu tantas chances assim, quase sempre atacando primeiro e controlando os pontos. A sérvia dominou tanto o saque de Teliana que se deu o luxo de se posicionar muito dentro de quadra na devolução.

Até agora, Teliana soma uma vitória e sete derrotas em 2016, com dois sets vencidos e 14 perdidos (o único triunfo e ambos sets vieram sobre Bia Haddad). É bem possível que a volta para o saibro, seu piso preferido, traga dias melhores. Não por acaso, a número 1 do Brasil, atual #49 do mundo, agora tem um calendário entupido de eventos na terra batida.

Terminando o giro brasileiro nas simples em Miami, vale lembrar de Rogerinho, que perdeu no qualifying, mas ganhou uma vaga de lucky loser para estrear contra o russo Andrey Kuznetsov. A sorte, porém, não conseguiu carregar o #2 do Brasil para a rodada seguinte. Kuznetsov fez 6/3 e 6/3 e avançou. O russo, aliás, bateu Stan Wawrinka na segunda rodada e Adrian Mannarino na terceira. Só caiu nas oitavas, superado pelo semifinalista Nick Kyrgios.

No circuito Challenger, quem teve boa semana foi Feijão – finalmente. Depois de perder no quali em Miami, o paulista encarou o Challenger de León, no México, e alcançou a final, perdendo para o alemão Michael Berrer. A campanha rendeu uma subida de mais de 50 posições no ranking e o retorno ao top 200. Feijão saiu de #239 e aparece nesta segunda-feira como o 186º melhor tenista do mundo. Se ainda está longe de seu melhor ranking (69º, exatamente um ano atrás), já dá passos animadores adiante, o que não vinha acontecendo há um bom tempo.

Marcelo perde o #1

A pressão já havia sido grande em Indian Wells, onde Jamie Murray esteve a dois pontos de roubar a liderança do ranking. Em Miami, precisando defender os pontos da semifinal do ano passado, Marcelo Melo tinha de alcançar pelo menos as quartas de final para seguir como número 1. Não conseguiu. Nas oitavas, ele e Ivan Dodig perderam para Treat Huey e Max Mirnyi por 7/6(1) e 6/4.

A derrota de Melo deu o número 1 a Jamie, que já estava eliminado em Miami. Ele e Bruno Soares caíram na estreia diante de Raven Klaasen e Rajeev Ram. O irmão mais velho de Andy Murray conta que estava no carro quando começaram a pipocar mensagens de parabéns em seu celular.

Desde a existência do atual ranking da ATP, nenhum britânico havia alcançado o topo – nem em simples nem em duplas. Jamie é o primeiro e, por isso, vem sendo um tanto badalado pela imprensa do Reino Unido.

A gafe

A ATP decidiu entregar um pequeno “troféu” para marcar definitivamente o número 1 de Marcelo Melo. Pena que fizeram essa cerimônia logo no domingo, dia que ele e Ivan Dodig foram eliminados do torneio.

Jogo rápido

Mats Wilander e Madison Keys, que decidiram trabalhar juntos a partir do WTA de Miami, já se separaram. A parceria durou oito dias (!) e terminou com a americana invicta. O tricampeão de Roland Garros, que também é comentarista do Eurosport, não quis revelar ao jornalista Michal Samulski (o primeiro a dar a notícia) o motivo da separação.

Bolão impromptu da semana

Parabéns à Raissa Picorelli por acertar a resposta para a pergunta aleatória da semana. Ela foi a primeira seguidora do @saqueevoleio a acertar o número de games vencidos por Kei Nishikori na final.

Lances bacanas

Que tal essa curtinha de devolução de Agnieszka Radwanska contra Alizé Cornet? E antes de alguém chame de “sneak attack”, prefiro “ninja attack by Aga”.

Outro momento raro da semana envolveu o sérvio Viktor Troicki. Após um voleio de David Goffin quicar na quadra do sérvio e voltar, Troicki saltou a rede e golpeou a bola. Foi bonito, mas perdeu o ponto.

Para quem não sabe a regra, a explicação não é tão complicada: como a bola quicou e voltou, Troicki podia até invadir o “espaço aéreo” da quadra de Goffin e golpear a bola, mas perdeu o ponto quando pisou na quadra do rival.

Em casos assim, a “vítima” do backspin tem duas opções para ganhar o ponto: 1) golpear a bola no ar, mesmo invadindo a quadra do rival com a raquete, mas mantendo os pés em sua própria quadra; ou 2) saltar a rede, golpear a bola e “aterrissar” fora das linhas de jogo. Era muito difícil de conseguir, mas Troicki teria vencido o ponto se tivesse saltado e pisado além da linha lateral de simples.

O melhor da semana, contudo, foi Alexandre Sidorenko. No Challenger de Saint-Brieuc, o francês-nascido-na-Rússia de 28 anos disparou uma passada vencedora de costas contra o alemão Tobias Kamke.

As melhores histórias

Vale ler o texto do New York Post intitulado “Por que todo mundo no tênis odeia Maria Sharapova”. O título soa um tanto exagerado, mas o conteúdo aborda os motivos pelos quais a russa não recebeu muitas mensagens de simpatia após testar positivo em um exame antidoping.

No Globoesporte.com, o jornalista Thiago Quintella conversou com João Zwetsch, técnico de Thomaz Bellucci, que relatou os sintomas do tenista brasileiro durante seus problemas físicos. Entre eles, visão turva. Em outra entrevista, dias depois, o próprio Bellucci disse perder até seis quilos em um jogo.

Bom humor

Novak Djokovic, número 1 do mundo e reinando soberano na liderança do ranking mundial, mostrou que é possível ter momentos de descontração mesmo em partidas oficiais. No comecinho do jogo contra o britânico Kyle Edmund, o sérvio fez essa “mágica” encaixando a bolinha no bolso.

O lance me lembrou do iraniano Mansour Bahrami, possivelmente o cidadão mais divertido de ver numa quadra de tênis, que sempre fazia o “truque” da bola no bolso. Quem tiver a curiosidade, pode conferir alguns momentos de exibições de Bahrami neste vídeo.

No mundo do vôlei (sim, vôlei!) Alexander Markin, do Dínamo de Moscou, também testou positivo para meldonium, a substância responsável pelo doping de Maria Sharapova. Uma confeitaria chamada Dolce Gusti enviou ao atleta (que aguarda julgamento da FIVB) um bolo de… meldonium!

Não tão bom humor

Serena Williams, incomodada com o árbitro de cadeira Kader Nouni durante o jogo contra Zarina Diyas, não economizou. “Não comece comigo hoje”, “não implique comigo”, “estou cheia de você implicar comigo” e “a não ser que você vá me dar um warning, não fale comigo” foram parte do repertório da número 1.

Serena venceu aquele jogo por 7/5 e 6/3, mas tombou na rodada seguinte, diante de Svetlana Kuznetsova: 6/7(3), 6/1 e 6/2.

Os melhores tuítes segundo ninguém (uma breve coletânea descompromissada e completamente desprovida de critérios)

O melhor continua sendo o melhor: Andy Roddick. Desta vez, o ex-número 1 do mundo corrigiu o jornalista americano Darren Rovell, da ESPN, que fazia uma piadinha com Novak Djokovic. Rovell publicou uma foto de Federer na quadra central de Miami e disse: “Ei, Djokovic, esse é o público em um jogo de Federer neste momento. Quanto ele deve receber?”

Rovell, no entanto, não sabia que a imagem era de um treino do suíço. Roddick explicou bem à sua moda: “Como tenho certeza que você sabe, Darren, a chave principal masculina não começou ainda em Miami… Isso é um treino.”

roddick_usatoday_blog

O jornalista se corrigiu, avisando seus seguidores (são mais de um milhão deles) que a imagem era de um treino. Em seguida, apagou os tuítes (por isso, publiquei aqui essa montagem, feita pelo USA Today).

A conta oficial do torneio de Miami registrou essa disputa quente entre Nick Kyrgios e… sua camisa. É nisso que dá fazer experiências no mundo da moda.

Tênis por WhatsApp

O UOL agora envia notícias de tênis por WhatsApp. Para se cadastrar, adicione à agenda de seu celular o número +55 11 99007-1706 e envie para esse número uma mensagem contendo o texto guga97. Em alguns dias, você vai passar a receber, de graça, as notícias. Saiba mais aqui.


Australian Open 2016: o guia feminino
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Antes de mais nada, atenção para o que aconteceu com o top 5 nas últimas duas semanas: Serena Williams (#1 do mundo) desistiu da Copa Hopman por causa de dores no joelho; Simona Halep (#2) abandonou o WTA de Brisbane e jogou em Sydney com uma inflamação no tendão de aquiles; Garbiñe Muguruza (#3) saiu de Brisbane por causa de dores no pé esquerdo; e Maria Sharapova (#5) abandonou também em Brisbane por causa de uma lesão no antebraço esquerdo.

E o resto do top 10? Petra Kvitova (#6) sofreu um mal-estar em Shenzhen e deixou a China. Poucos dias depois, também anunciou que não jogaria em Sydney. Angelique Kerber (#7) deixou Sydney pelo mesmo motivo. Flavia Pennetta (#8) se aposentou no fim do ano passado. Lucie Safarova (#9) está fora do Australian Open devido a uma infecção pulmonar.

Sobram Agnieszka Radwanska (#4), campeã do modesto WTA de Shenzhen, e Venus Williams (#10), que só jogou uma partida no ano e perdeu (em Auckland para a russa Daria Kasatkina). São muitos problemas físicos e de saúde e, às vésperas de um Slam, é difícil saber quem está sendo cauteloso e quem realmente vem sentindo dores fortes.

A questão toda é que ficou duríssimo estabelecer um cenário de favoritismo para o Australian Open, que começa nesta segunda-feira (noite de domingo no Brasil). A única certeza por enquanto é que Victoria Azarenka, bicampeã do torneio, surge como nome forte após o título em Brisbane. Mas será que é justo alçar Vika à condição de principal favorita? Este guiazão da chave feminina tenta encontrar resposta para essa e outras perguntas.

As favoritas / Quem se deu bem

Ao mesmo tempo em que pode soar arriscado cravar Serena Williams como favorita mesmo com uma lesão no joelho, é igualmente ousado colocar a americana em qualquer lugar que não seja o topo da lista de mais cotadas. Até prova incontestável do contrário, Serena ainda é Serena, a número 1 do mundo que venceu três Slams e ficou a duas vitórias do Grand Slam (de fato) em 2015.

Em público, Serena afirma que a lesão não é séria e que ela não tem nada a perder. Bobagem. Era o mesmo discurso do US Open do ano passado, e o mundo inteiro viu seu estado de nervos naquela semifinal contra Roberta Vinci. A pressão, desta vez, não é tão grande, mas Camila Giorgi, sua oponente na primeira rodada, pode lhe dar algum trabalho. De qualquer modo, o mais provável é que Serena tenha uma semana para calibrar seus golpes até encarar Caroline Wozniacki nas oitavas. Aí será preciso estar realmente em forma.

Esse quadrante ainda tem Belinda Bencic e Maria Sharapova, que chega sem ritmo de jogo. A suíça, por sua vez, tem um caminho nada tranquilo, com Alison Riske na estreia, possivelmente Heather Watson na segunda rodada e, quem sabe, Svetlana Kuznetsova (campeã em Sydney) na terceira. Quem avançar dessa turma pode encontrar Sharapova nas oitavas. Difícil prever alguma coisa, não?

O quadrante logo abaixo é encabeçado por Agnieszka Radwanska e Petra Kvitova. Única em forma no top 10, a polonesa estaria mais cotada ao título não fosse por uma chave ingratíssima, que tem Christina McHale na estreia, Eugenie Bouchard na segunda rodada, e Stosur/Puig na terceira. Sloane Stephens ainda pode ser sua oponente nas oitavas.

Enquanto isso, Kvitova é a incógnita de sempre. Mesmo que tenha superado o problema de saúde de Shenzhen, a tcheca precisará lidar com o calor (a previsão para este ano é de um Australian Open quentíssimo), o que deve preocupar uma tenista que joga três sets com uma frequência nada agradável. Em compensação, sua chave não é das piores. Petra tem Kumkhum na estreia, Hradecka ou Gavrilova na segunda rodada e Mladenovic ou Cibulkova em seguida. As oitavas seria contra Suárez Navarro ou Petkovic. Só nas quartas é que enfrentaria quem avançar na forte seção de Radwanska.

Angelique Kerber, vice-campeã em Brisbane, talvez tenha o caminho menos duro até as quartas. É aí que entra a vencedora da seção que tem Garbiñe Muguruza e Victoria Azarenka. E o que pensar de Vika? A bielorrussa está bem fisicamente, como demonstrou em Brisbane, onde foi campeã. O porém é que muito de seu favoritismo está baseado no currículo (bicampeã em Melbourne) e não necesariamente na campanha de Brisbane, onde encontrou uma chave nada complicada: bateu Vesnina, Bonaventure, Vinci, Crawford e Kerber.

Sim, foi uma grande atuação de Azarenka na decisão contra Kerber, mas será que um grande jogo é o suficiente para dar esse status todo à bielorrussa? Talvez esse esperado jogo de oitavas contra Muguruza nos dê a resposta definitiva. Uma vitória assim colocará Vika cheia de confiança na segunda semana do Australian Open.

Finalmente, o último quadrante é liderado por Simona Halep e tem Venus Williams na outra ponta. Se a romena conseguir atuar em bom nível mesmo com o incômodo no tendão de aquiles, pode ir longe, mas há algumas “cascas de banana” pelo caminho. Uma delas é Alizé Cornet, campeã em Hobart, que é sua provável oponente na segunda rodada. E não convém descartar quem passar do possível encontro entre a americana Madison Keys e a sérvia Ana Ivanovic na terceira rodada. Ainda assim, Halep seria, em condições normais, a favorita para ir pelo menos até a semifinal. Mas será?

A brasileira

Teliana Pereira não terá vida fácil. Depois de derrotas em Brisbane e Hobart diante de Andrea Petkovic e Heather Watson, a brasileira, atual #46 do mundo, estreará contra Monica Niculescu (#38) em Melbourne. Não foi o pior dos sorteios para Teliana, mas a romena tem um jogo cheio de variações que não dá ritmo e tira a brasileira da sua zona de conforto.

Foi exatamente o que aconteceu quando as duas se enfrentaram em Bucareste no ano passado. A dúvida sobre que estratégia adotar provocou cenas curiosas entre Teliana a seu técnico/irmão, Renato Pereira. Vejam no vídeo abaixo.

Talvez a partida em Bucareste tenha apontado uma direção a seguir desde o início para Teliana, o que pode facilitar as coisas, Por outro lado, a combinação dos slices de Niculescu com a quadra dura de Melbourne pode exigir ainda mais da brasileira. O fato é que, pelo menos no papel, a romena entra como favorita.

A ausência

Francesca Schiavone, depois de jogar 61 Slams de forma consecutiva, está fora do Australian Open. A italiana de 35 anos, campeã de Roland Garros em 2010, mas atual número 115 do mundo, foi derrotada no qualifying pela francesa Virginie Razzano. Como bem lembrou o jornalista americano Ben Rothenberg, Razzano também encerrou uma série espetacular de Serena Williams quatro anos atrás. A americana levava consigo uma série de 46 vitórias em estreias nos Slams.

Os melhores jogos nos primeiros dias

O sorteio da chave já formou um trio de partidas interessantes para a rodada inicial. A começar por Serena Williams x Camila Giorgi, com a número 1 do mundo sem ritmo e se recuperando de um problema no joelho. Ainda que a americana seja uma tenista muito superior, não custa lembrar que a italiana tem no currículo um punhado de vitórias relevantes sobre top 10 (Wozniacki no US Open, Sharapova em Indian Wells, Cibulkova em Roma e Azarenka em Eastbourne, por exemplo).

Outro jogo interessante, mas que deve ficar fora do radar (foi escalado para a Quadra 7 nesta segunda-feira) é Belinda Bencic x Alison Riske. A suíça é a número 14 do mundo e favorita, mas vem de um abandono em Sydney. Riske, por sua vez, fez semifinal em Shenzhen e parece ter deixado para trás o momento ruim do segundo semestre do ano passado (sofreu oito derrotas seguidas).

O melhor de todos pode muito bem ser Dominika Cibulkova x Kristina Mladenovic, que estarão escondidas na Quadra 19, apesar de a eslovaca ter sido vice-campeã do torneio em 2014 e a francesa ser cabeça de chave. Mladenovic é mais agressiva, enquanto Cibulkova gosta de contra-atacar. Parece uma combinação interessante entre duas tenistas talentosos.

Há também um clássico com sensação retrô, já que ambas parecem estar na parte final de suas carreiras: Svetlana Kuznetsova (#25) x Daniela Hantuchova (#88). As duas já se enfrentaram 14 vezes, com a russa levando a melhor em dez. Sveta, aliás, é a favorita aqui, já que vem de uma importante conquista em Sydney.

O que pode acontecer de mais legal

As possibilidades de confrontos de segunda rodada são empolgantes. Muito mais do que na chave masculina, aliás. De cima para baixo, a primeira metade da chave pode ter Bencic x Watson, Aga Radwanska x Bouchard e Stosur x Puig (as duas se enfrentaram em Sydney). Na outra metade, lá embaixo, um Halep x Cornet se desenha. Isso, é claro, se nenhuma zebra ocorrer na primeira fase.

O intangível

O grande fator que precisa ser levado em conta neste Australian Open é o calor. A previsão indica um torneio bem mais quente que os anteriores. Também entra na conta o fator sorte (quem vai estar jogando nas quadras cobertas nos dias mais quentes?), mas o preparo físico será essencial.

É difícil imagina, por exemplo, Petra Kvitova indo longe no torneio se encarar uma sequência de dias quentes. A tcheca tem saúde mais frágil que a maioria e pode muito bem ficar pelo caminho se a coisa literalmente esquentar. Resta saber quando isso vai acontecer e quem vai estar em quadra nesses momentos.

A tenista mais perigosa que ninguém está olhando

Com tanto equilíbrio e tantos jogos bons nas primeiras rodadas, é difícil não prestar atenção em alguém. Talvez Andrea Petkovic seja a pessoa mais indicada para esta seção. Embora não tenha obtido um resultado expressivo em seu único torneio até agora (perdeu para Samantha Crawford por 6/3 e 6/0 nas quartas), a alemã derrotou Ekaterina Makarova em Brisbane e, em Melbourne, tem uma chave interessante. Estreia contra Kulichkova, pega Teliana/Niculescu em seguida e, se passar por Suárez Navarro (ou alguma zebra) na terceira rodada, estará nas oitavas contra Kvitova ou Mladenovic.

Levando em conta a inconstância de tcheca e francesa (sem esquecer a irregularidade da própria Petkovic), não é tão difícil assim imaginar a alemã igualando seu melhor resultado no Australian Open e alcançando as quartas – como fez em 2011, quando eliminou Sharapova nas oitavas.

Quem pode (ou não) surpreender

A partir dos resultados de Auckland e Sydney – duas derrotas e nenhum set vencido -, já será uma surpresa se Ana Ivanovic fizer alguma coisa no torneio. Brincadeira à parte, a sérvia inicia este Australian Open sem expectativa alguma e se deu bem no sorteio, que lhe colocou diante de Tammi Patterson, #462 e convidada da organização. Talvez seja o jogo que Ivanovic precisa para ganhar um pouco de confiança e arrancar.

Vale prestar atenção também em Madison Keys. Em dias quentes, com a bola “voando”, a americana (#17) é perigosíssima. Se o favoritismo se confirmar, ela e Ivanovic duelarão nas oitavas, com a vencedora avançando para encarar a baleada Halep. Será que… Fiquemos de olho.

Onde ver

Os canais ESPN mostram o torneio com o auxílio do recurso online do WatchESPN. “Serão mais de 1.400 horas de tênis na Internet e cerca de 130 horas de cobertura ao vivo na ESPN e na ESPN+!”

A ESPN, inclusive, anunciou recentemente a renovação dos direitos de transmissão do Australian Open até 2021. A partir de 2017, o canal terá também os direitos da Copa Hopman do ATP de Brisbane e do ATP de Sydney.

Nas casas de apostas

Na casa virtual Bet365, Serena não é tão favorita quanto já foi, e Victoria Azarenka passa a ser cotadíssima depois do título em Brisbane. A americana, contudo, ainda lidera a lista de favoritas, e um título seu paga 3/1, ou seja, três dólares para cada um apostado em seu triunfo. Vika vem logo atrás, cotada em 4/1.

As outras candidatas estão bem para trás. O top 10 ainda inclui Simona Halep (9/1), Maria Sharapova (10/1), Garbiñe Muguruza (12/1), Petra Kvitova (14/1), belinda Bencic (18/1), Agnieszka Radwanska (18/1), Angelique Kerber (28/1) e, sim, acreditem, Eugenie Bouchard (33/1), empatada com Sloane Stephens.


Entre sustos e zebras, as primeiras impressões de Roland Garros
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Schiavone_RG_2r_afp_blog

Cinco dias, duas rodadas, muitos favoritos avançando com folga, um par de jogos memoráveis, um duelo esperado que se confirmou, outro duelo esperado se aproxima a galopes e uma chave aberta que se escancarou após uma zebra. Ainda é cedo para tirar conclusões definitivas em Roland Garros, mas assunto não falta por Paris. Que tal um resumo do que rolou de mais importante?

Os favoritos

A chave masculina não teve lá surpresas impactantes, embora o rol de eliminados já conte com Grigor Dimitrov, John Isner, Fabio Fognini e Tommy Robredo. Djokovic, Federer, Murray e Nadal perderem, somados, um set (vencido por João Sousa sobre o escocês). Que surpresa, não? O que importa é que falta pouco para o aguardado Federer x Monfils nas oitavas e só um pouquinho mais para o superjogo entre Nadal e Djokovic, que deve acontecer nas quartas.

Esse grupo só viu calar fora de quadra. Principalmente com Nadal, que deu uma primeira coletiva atacando a federação espanhola e admitindo publicamente (pela primeira vez) ter feito um pedido à ATP para que o árbitro brasileiro Carlos Bernardes não fosse mais escalado em seus jogos. Declarações polêmicas, certamente. Ainda mais a segunda, que foi provocada pelo curioso momento em que Nadal trocou de shorts no meio da quadra central do Rio Open.

Nadal troca de short no meio da quadra (Rio Open)

Segundo o espanhol, que vinha de ganhar o segundo set, estava em melhor momento na partida, mas colocou os calções ao contrário (com os bolsos virados para trás), Bernardes havia lhe dado autorização para tirar e colocar novamente os shorts e, mesmo assim, aplicou-lhe uma advertência por violação de tempo. O árbitro, como é de praxe, não falou sobre o lance com os jornalistas. Uma história tão estranha que deixarei para comentá-la, talvez, num podcast. Talvez.

Dentro de quadra, porém, Nadal mostrou consistência admirável (algo que vinha faltando) na vitória em três sets sobre Nicolás Almagro – adversário sempre perigoso. Difícil imaginá-lo encontrando problemas para chegar às quartas jogando esse nível de tênis. Enquanto isso, Djokovic, pouco exigido, só assustou quando pediu atendimento médico na partida contra Gilles Muller. Nada grave, ele disse depois do jogo.

O que ver na terceira rodada

Fora do Big Four, vale apontar os três jovens que eu mais acredito que disputarão o topo quando Federer e companhia baterem suas botas tenísticas: Nick Kyrgios, Borna Coric e Thanasi Kokkinakis. Os três estão na segunda rodada, e dois deles serão azarões, mas com a chance de protagonizarem zebras maiúsculas. Kyrgios encara Murray, enquanto Kokk, depois de uma virada espetacular (perdia por 2 sets a 0 e, depois, por 5/2 no quinto set para Bernard Tomic), enfrentará o número 1. Este Roland Garros não parece o palco mais provável, mas chegará o dia em que Kokk e Coric derrubarão favoritos em Grand Slams (Kyrgios já bateu Nadal em Wimbledon no ano passado).

Outro jogo interessante dessa terceira rodada será Monfils x Cuevas, com o uruguaio podendo atrapalhar os planos do francês de encarar Roger Federer. O suíço, todos devem lembrar, perdeu os últimos dois jogos para Monfils (e precisou salvar match point antes de sobreviver no antepenúltimo).

Monfils_RG_2r_reu_blog

Quem merece um pouco de atenção também é o sempre brigador Carlos Berlocq. O argentino, que venceu em cinco sets depois de deixar Illya Marchenko abrir 2 a 0 na primeira fase, viu-se na mesma situação diante de Richard Gasquet nesta quinta-feira. Ouso dizer que, houvesse luz natural, Berlocq haveria avançado outra vez – dado o momento de ambos no jogo e o histórico do francês em quintos sets. A partida, no entanto, foi interrompida ao fim do quarto set, dando nova vida ao tenista da casa. O vencedor enfrenta Kevin Anderson, que não lá o mais imbatível dos tenistas em quadras de saibro. Chance de ouro para Berlocq, que nunca chegou à terceira rodada de um Slam, chegar logo às oitavas.

Os brasileiros

Feijão amargou sua nona derrota seguida ao perder em três sets para o espanhol Daniel Gimeno-Traver. O número 2 do Brasil teve lá suas chances – em todas as parciais – mas não conseguiu aproveitar. Tipo do jogo que aparentemente teria outro fim se a maré não fosse tão negra para João Souza.

Thomaz Bellucci, por sua vez, fez um papel digno. Venceu fácil e sem fazer esforço na estreia contra um desinteressado e errático Marinko Matosevic (que embolsou seus 27 mil euros pela ridícula apresentação) e fez um bom jogo, porém irregular, diante de Kei Nishikori, que triunfou por 3 sets a 0. Bellucci só teve chances mesmo na primeira parcial. Duplas faltas no fim do primeiro set e no início do segundo cavaram sua cova metafórica.

Halep_RG_2r_ap_blog

As favoritas

A queda da romena Simona Halep, vice-campeã no ano passado e cabeça de chave 3, abriu uma cratera na parte de baixo da chave, onde ela era favoritíssima para chegar às semifinais. Sem a número 3 do mundo, o favoritismo passou para Ana Ivanovic e Ekaterina Makarova, que podem se enfrentar nas oitavas. Quem avançar terá pela frente nas quartas a vencedora de uma seção que tem Beck, Svitolina, Cornet e Lucic-Baroni (a algoz de Halep).

A outra metade da parte de baixo continua fortíssima, já que todas cabeças de chave avançaram. Maria Sharapova, a favorita, terá de passar por Sam Stosur, Safarova/Lisicki e Suárez Navarro/Pennetta/Muguruza/Kerber.

A parte de cima da chave é a mais emocionante até agora – e não só porque Serena Williams e Victoria Azarenka confirmaram aquele esperado duelo de terceira rodada. Essa metade teve o jogo mais emocionante do torneio até agora: a vitória da veteraníssima e campeã de Roland Garros 2010 Francesca Schiavone (34 anos, #92 do mundo) sobre a também campeã do torneio (2009) Svetlana Kuznetsova. A partidaça, que durou 3h54min, teve um tie-break de 24 pontos no primeiro set e só terminou em 10/8 no terceiro, depois de Kuznetsova sacar quatro vezes para o jogo, depois de Schiavone salvar um match point e depois de uma sequência que teve dez quebras de saque em 11 games. Ufa! E a cena com a italiana correndo e comemorando pela Quadra 1 foi das mais emocionantes.

Serena_RG_2r_afp_blog

O que ver na terceira rodada

“O que ver” além de Serena x Azarenka, né? É “o” jogo desde que a chave foi divulgada. E, considerando o duelo entre elas em Madri (Serena salvou match point antes de vencer), é de se esperar um jogão. A americana ainda não mostrou nada fantástico em Paris, mas o desafio de Vika pode ser o necessário para a número 1 acordar de vez para o torneio (ou o carimbo no passaporte de volta aos EUA).

Outros jogos interessantes são Petkovic x Errani, Bacsinszky x Keys e todos da chave de baixo. Sério. To-dos. Suárez Navarro x Pennetta, Muguruza x Kerber, Safarova x Lisicki e Stosur x Sharapova. Talvez seja o quadrante mais forte em uma terceira rodada de Grand Slam feminino em muito, muito tempo.

A brasileira

Teliana Pereira fez uma boa apresentação. Ganhou sem problemas um jogo em que era favorita (contra Fiona Ferro, convidada da organização) e deu trabalho à top 10 Makarova na segunda rodada. A brasileira teve até um break point para sair na frente na parcial decisiva, mas não conseguiu aproveitar. Para piorar, sacou em 40/0 no game seguinte e cedeu a quebra. A russa abriu 3/1 e só perdeu dois pontos no serviço até o fim do jogo.

Coisas que eu acho que acho:

Em cinco dias, fica claro por que Roland Garros é o Slam menos elogiado em termos de organização pelos tenistas. As poucas quadras disponíveis para treino (duplistas estavam sendo enviados a outros clube para aquecer – não treinar – antes os jogos) foram um problema levíssimo se comparadas com a falha grave de segurança – novamente em um jogo de Roger Federer – que deixou que um garoto entrasse na quadra de jogo e tirasse uma selfie com o suíço após o jogo.


Zebra americana de 15 anos rejeita prêmio de US$ 60 mil
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Bellis_USO_1r_get_blog

O segundo dia do US Open foi indubitavelmente mais interessante que o primeiro. Não tanto pela qualidade dos jogos ou pelas combinações de confrontos vistas no papel no início da jornada (a sessão diurna pouco empolgava), mas pelo desenrolar de eventos. Na chave feminina, uma moça em particular roubou atenções: a americana Catherine Collins, mais conhecida como CiCi, de 15 aninhos. A tenista mais jovem do torneio, juvenil número 2 do mundo, fez sua estreia em um torneio de nível WTA e derrubou a vice-campeã do Australian Open, Dominika Cibulkova, com parciais de 6/1, 4/6 e 6/4.

A vitória de CiCi teve marcas relevantes. Ela era a tenista mais jovem na chave principal de um Slam desde Alizé Cornet, em Roland Garros/2005 e a mais jovem no US Open desde 2004. Ao triunfar, a adolescente tornou-se a também a mais jovem desde 1996 (Anna Kournikova) a vencer uma partida no torneio americano. O número mais impressionante, contudo, talvez seja 60 mil. Sim, CiCi tinha direito ao prêmio de US$ 60 mil (pouco mais de R$ 130 mil) no US Open, mas não vai levar o dinheiro para casa porque quer manter seu status de amadora. Assim, ainda pode optar pela carrreira universitária e continuar jogando tênis.

Na próxima fase, CiCi Bellis encara a cazaque Zarina Diyas, que aplicou 6/1 e 6/2 em cima da qualifier Lesia Tsurenko. Será que dá?

No balanço geral, não foi um dia cheio de zebras, só que Cibulkova não foi a única pré-classificada a dar adeus. Svetlana Kuznetsova, cabeça 20, teve o jogo na mão e sacou para a vitória, mas perdeu o serviço e permitiu que a neozelandesa Marina Erakovic protagonizasse uma improvável virada: 3/6, 6/2 e 7/6(3).

No grupo de candidatos (mesmo!) ao título, nenhuma surpresa. Na sessão diurna, Ana Ivanovic, Petra Kvitova e Eugenie Bouchard venceram com folga. À noite, Serena fez o mesmo diante da talentosa e promissora compatriota Taylor Townsend. Poderia ter sido um jogo perigoso, mas a número 1 do mundo entrou em quadra afiada o bastante para impedir que a rival crescesse no jogo. Victoria Azarenka, sem ritmo e correndo por fora, mostrou por que está sem ritmo e correndo por fora. Perdeu o set inicial para a japonesa Misaki Doi e reclamou um bocado de si mesma, mas, meio que na marra, manteve-se na partida o suficiente para encontrar um nível melhor, que lhe permitisse sobreviver no evento.

Por fim, Teliana Pereira venceu apenas dois games. Tombou por 6/2 e 6/0 diante da russa Anastasia Pavlyuchenkova. Não foi o mais inesperado dos resultados. Sem competir há um mês, a brasileira não fez a melhor das preparações para o US Open. Teliana, aliás, não competia em quadras duras desde março. Como consolação, volta para casa com pouco mais de US$ 35 mil.


< Anterior | Voltar à página inicial | Próximo>