Saque e Voleio

Arquivo : kerber

Quadra 18: S03E02
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Alexandre Cossenza

Roger Federer voltou a vencer um slam em cima de Rafael Nadal, Serena Williams voltou a derrotar a irmã Venus em uma decisão, e o tênis viveu um fim de semana dos mais memoráveis no Australian Open. Mas houve muito mais do que isso nas duas semanas do torneio. Djokovic, Murray e Kerber foram vítimas de zebras, Coco Vandeweghe finalmente surgiu como nome forte em um torneio grande, Mirjana Lucic-Baroni protagonizou a história mais feliz… É muito assunto!

Como sempre, Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu nos reunimos para gravar mais uma edição do podcast Quadra 18. Comentamos tudo citado acima e um pouco mais. Falamos dos modelitos bonitos e feios, do noivo de Serena e até do poema de Melbourne! Para ouvir, basta clicar neste link. Se preferir baixar e ouvir depois, clique no link com o botão direito do mouse e selecione “salvar como”.

Os temas

0’30” – Aliny Calejon apresenta os temas
2’30” – Roger Federer e a campanha até o título
9’15” – A decisão de Federer de abrir mão do 2º semestre de 2016
10’50” – O suíço se defendeu melhor neste Australian Open?
13’55” – O que faltou para Nadal na hora decisiva?
16’45” – O que a final significa para a rivalidade Federer x Nadal?
18’10” – O quão importante é a disputa por mais títulos de slam?
21’20” – Teremos mais finais “vintage” este ano ou foi uma exceção?
22’21” – Qual a importância de Ljubicic e Moyá no “retorno” de Federer e Nadal?
25’45” – Federer e Nadal vão continuar lutando por títulos de slams e Masters?
27’30” – Federer vai pular a temporada de saibro novamente?
29’35” – Nadal já pode ser considerado favorito para Roland Garros?
30’15” – Federer e Nadal teriam feito a final sem as derrotas de Djokovic e Murray?
31’04” – As zebras de Istomin e Zverev em cima de Djokovic e Murray
35’30” – Que zebras em outros slams são comparáveis a essas?
37’33” – O desfecho do AO será motivação extra para Djokovic e Murray?
38’40” – Dimitrov pode entrar na briga pelos slams?
41’18” – As surpresas e decepções do Australian Open
45’40” – O quanto a quadra mais rápida ajudou Federer no torneio?
47’51” – Quadras mais rápidas serão tendência no circuito?
49’48” – The Greatest (Sia)
50’34” – As campanhas das irmãs Williams
57’50” – Por que 18 > 23 na matemática tenística?
59’25” – O quanto o recorde de slams da Court deve ser relevante para Serena?
63’17” – E a campanha da Nike sobre Serena como maior de todos os tempos?
64’32” – Precisamos falar de Coco Vandeweghe
70’50” – A fantástica história de Mirjana Lucic-Baroni
73’25” – O que acontece com Angelique Kerber?
76’18” – Muguruza é tenista de um slam só?
77’48” – O noivo de Serena Williams e o Reddit
79’57” – High and Low (Two Vines)
80’30” – A campanha de Kontinen e Peers, campeões de duplas
84’35” – Qual o segredo de Kontinen e Peers?
85’45” – Os Bryans vão voltar a ganhar um slam?
87’05” – As campanhas dos brasileiros em Melbourne
89’35” – Marcelo Melo acertou na escolha de Kubot como parceiro?
92’45” – A campanha de André Sá e Leander Paes
94’25” – Como o título de Kontinen e Peers afeta a briga pela liderança do ranking
95’45” – Qual foi o GIF mais épico da Aliny no Australian Open?
97’40” – Mais reclamações sobre a camisa de Roger Federer
103’20”- O poema de Melbourne é eficaz ou contraproducente?


AO, dia 7: os tombos dos líderes e a comovente história de Mischa Zverev
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Alexandre Cossenza

É bem verdade que o domingo australiano começou devagar, com jogos sem empolgar, mas o resto do dia foi dos melhores. A começar pelo fim de tarde, quando Mischa Zverev fez uma apresentação gloriosa na Rod Laver Arena (RLA) para chocar o planeta e derrubar o número 1 do mundo, Andy Murray. Depois foi a vez de Roger Federer apagar um péssimo começo de jogo e duelar com Kei Nishikori por cinco sets. Por fim, quase entrando pela madrugada, a número 1 do mundo no circuito feminino também tombou – cortesia de Coco Vandeweghe.

O resumaço de hoje traz a história desses três jogos e um relato da fantástica volta de Mischa Zverev, que quase largou o circuito mundial para virar técnico, mas voltou inspirado pelo talentoso irmão dez anos mais novo.

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A zebra

De um lado, Andy Murray, o número 1 do mundo, vice-campeão cinco vezes no Australian Open, vindo de 30 vitórias nos últimos 31 jogos, com a única derrota vindo diante de Novak Djokovic, o vice-líder do ranking. Do outro, Mischa Zverev, 29 anos, 50º no ranking, em sua primeira aparição nas oitavas de final em um Slam, irmão dez anos mais velho de Alexander, o mesmo que foi eliminado por Rafael Nadal na RLA um dia antes.

E é preciso mais contexto. O último jogo da sessão diurna deste domingo em Melbourne tinha um dos melhores devolvedores de saque do circuito – um pesadelo para sacadores – contra alguém que tenta manter vivo o estilo do saque-e-voleio, subindo à rede o tempo todo. Parecia quase impossível a missão de Mischa diante de um dos melhores passadores do tênis moderno.

O jogo começou, Andy Murray abriu 3/1, chegou a 5/4 e parecia tudo sob controle. Pois o número 1 perdeu o saque duas vezes seguidas, e Mischa fez 7/5. A segunda parcial teve mais drama, mas o britânico fez 7/5, quebrando Zverev pela terceira vez no set no 12º game. Era claramente uma atuação abaixo da média para Murray, que já tinha sido quebrado cinco vezes em dois sets. Ainda assim, ao fim do segundo set ficava a impressão que a primeira parcial havia sido um acidente e que o favorito tomaria o controle da situação logo, logo.

Só que Mischa continuava sacando, subindo e voleando. E fazendo tudo isso bem, com muito mais sucesso do que o esperado – e com mais sucesso do que no começo do jogo. No terceiro set, encaixou 74% dos primeiros serviços. Fez 6/2. E aí virou drama. Mais ainda quando o #1 perdeu o serviço no primeiro game do quarto set. Mischa, por sua vez, continuava sacando e voleando e acertando a maioria.

Murray, sejamos justos, fez winners de todo tipo. Terminou a partida com 71 deles e apenas 28 erros não forçados. Hoje em dia, não se vê ninguém perdendo com esses números, mas está aí o brilho do saque-e-voleio. Ao subir à rede, Zverev força erros dos adversários – e isso não entra nos números (não no Australian Open, pelo menos). E saque após saque, voleio após voleio, Mischa foi se aproximando da zebra.

No décimo game, com 5/4 no placar, o alemão foi um tanto exigido por Murray. Não mudou a tática, não piscou, não patinou, não engasgou. Fez voleios dificílimos, sacou bem e fechou: 7/5, 5/7, 6/2 e 6/4. “Simples” assim. Sem tremer. E sem conseguir explicar.

A linda história

A arrancada de Mischa aos 29 anos é só a parte mais recente de uma história que só pode ter final feliz. O Zverev mais velho foi top 50 em 2009, mas sofreu com uma série de lesões. Teve uma fratura em um punho, duas costelas fraturadas, uma hérnia de disco e uma ruptura pequena na patela. Saiu do top 100 em 2011. Depois, saiu do top 200 e até do “top” 1000. Caiu para o 1067º lugar.

Mischa quase não voltou a competir quando teve todas essas lesões. Começou a viajar como treinador de dois adolescentes, mas foi aí que sentiu falta dos torneios, da tensão dos jogos. Voltou aos poucos e e sempre disse que o irmão, Alexander, teve muito a ver com isso.

“Meu irmão foi um grande fator porque sempre me empurrou e me fez trabalhar duro de novo para tentar fazer o melhor possível. Ele vem tendo bons resultados nos últimos anos, e eu não quis ficar muito atrás dele. Acho que nos ajudamos porque treinamos muito juntos e tentamos nos desafiar e cada um fazer o outro melhorar. Acho que ainda posso jogar bem e fazer algum estrago aqui e ali”, disse ao site da ATP em outubro do ano passado, quando voltou ao top 100.

O próximo adversário

Ainda na quadra, Mischa falou sobre a possibilidade de enfrentar Federer nas quartas de final e disse que seria um sonho porque o suíço é seu tenista preferido. Bom, o pedido do alemão foi atendido. Depois de um começo preocupante, perdendo os quatro primeiros games, Federer encontrou seu saque, equilibrou os ralis e tomou o controle do jogo.

Nishikori, por sua vez, evitou um desastre ao vencer o tie-break do primeiro set, mas passou a sacar mal, foi afobado em subidas à rede e até perdeu o controle dos ralis – onde mais levou vantagem no início. Desistiu mentalmente no meio do terceiro set, foi ao banheiro ao fim da parcial e parecia batido no jogo quando teve de encarar break points no quarto game do quarto set.

O japonês se salvou e contou com a sorte. Federer jogou um péssimo quinto game, com subidas à rede precipitadas e um smash fácil errado. Pagou caro e precisou ir a um quinto set que nem deveria ter jogado. Se serve de consolo, o suíço não teve tanto trabalho na parcial decisiva. Nishikori se quebrou no segundo game e pediu atendimento no quadril pouco depois. Federer, finalmente, aproveitou a ladeira abaixo até fechar: 6/7(4), 6/4, 6/1, 4/6 e 6/3.

A consequência matemática

Vice-campeão no ano passado, Murray perde a chance de aumentar consideravelmente sua vantagem para Novak Djokovic, atual campeão. O britânico deixa o torneio com 1.715 pontos de frente, mas poderia ter ampliado a diferença para até 3.535 pontos. Nole, no entanto, tem mais pontos a defender nos próximos meses (ganhou Indian Wells e Miami em 2016), por isso é improvável – não impossível – que Murray tenha o #1 ameaçado até Roland Garros.

A segunda zebra do dia

No último jogo do dia na RLA, foi a vez de Angelique Kerber ser testada de verdade pela primeira vez neste Australian Open. A número 1 do mundo, que já vinha fazendo um torneio bem mais ou menos, não resistiu à agressividade de Coco Vandeweghe e deu adeus: 6/2 e 6/3.

Não foi sequer uma partida equilibrada. A americana agrediu desde o começo, massacrou o serviço da alemã e nem no segundo set, quando Kerber abriu 2/0, houve emoção. Vandeweghe, atual #35, venceu cinco games seguidos, saindo de 1/3 para 6/3. Um resultado que só confirmou o começo de ano ruim da #1. Kerber já vinha de derrotas precoces em Brisbane e Sydney.

A alemã, aliás, pode sair de Melbourne sem a liderança do ranking, já que Serena Williams, vice em 2016, voltará a ser a número 1 se conquistar o título este ano.

Vandeweghe, por sua vez, avança para encarar Garbiñe Muguruza nas quartas de final. A espanhola, atual campeã de Roland Garros, passou fácil por Sorana Cirstea (#78): 6/2 e 6/3. Muguruza será um obstáculo bem diferente para Coco, já que tem poder de fogo para responder do fundo de quadra.

Outros candidatos

A chave feminina também teve vitórias de Anastasia Pavlyuchenkova e Venus Williams. Nenhuma teve trabalho além do esperado, embora ambas tenham feito partidas bastante razoáveis. A russa passou pela compatriota Svetlana Kuznetsova por 6/3 e 6/3 enquanto a americana despachou a alemã Mona Barthel por 6/3 e 7/5. Pavs e Venus se enfrentam nas quartas em busca da vaga na semifinal contra a vencedora de Vandeweghe x Muguruza.

Entre os homens, Stan Wawrinka avançou em três tie-breaks, sendo superior nos momentos decisivos em uma partida que poderia facilmente se complicar contra Andreas Seppi: 7/6(2), 7/6(4) e 7/6(4). O #1 da Suíça agora vai enfrentar Tsonga, que passou por Dan Evans por 6/7(4), 6/2, 6/4 e 6/4. Tanto Wawrinka quanto Tsonga têm a vantagem de, até agora, estarem meio longe dos holofotes. Por enquanto, “o” assunto em Melbourne continua limitado ao Big Four, com tudo que envolveu as derrotas de Murray e Djokovic e as campanhas de Federer e Nadal.

É o típico cenário em que Wawrinka costuma aparecer e brilhar nas fases decisivas. E não seria fantástica uma semifinal entre ele e Federer? O retrospecto recente entre Stan e Jo joga a favor desse cenário. O suíço venceu os quatro últimos jogos.

Observação: o trecho sobre Kerber entra mais tarde.


AO, dia 5: um Federer ‘vintage’ e um Murray impecável
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Alexandre Cossenza

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Quem esteve na Rod Laver Arena para a sessão noturna saiu de lá com um sorriso no rosto e a sensação de ter testemunhado algo especial. Foi Roger Federer, “aquele” Federer, fazendo de tudo com o esforço de quem está fazendo nada. Lembrou o melhor Federer, o que foi número 1, que deu seguidas aulas em Andy Roddick, que encantou e dominou o circuito anos atrás.

Durante os 90 minutos de jogo – tão pouco que deixou todos querendo mais – o atual número 17 do mundo tirou tudo da cartola. Aces, curtas, slices, bloqueios de devolução, paralelas de backhand, bate-prontos da linha de base, voleios… Uma atuação para emoldurar e que terminou com o placar mostrando 6/2, 6/4 e 6/4.

Taticamente falando, o Federer desta sexta-feira foi bastante diferente do tenista teimoso que trocou pancadas o jogo inteiro contra Noah Rubin, na segunda rodada. Diante do mais perigoso Berdych, o suíço já entrou bloqueando nas devoluções, tirando peso da bola e forçando o tcheco a arriscar.

É bem verdade que foi um dia ruim do tcheco, mas é preciso avaliar o peso de Federer nessa equação. As variações impostas pelo suíço foram tantas que Berdych jamais se sentiu confortável e não encontrou ritmo algum. Nem no serviço, nem no fundo de quadra e muito menos junto à rede. Federer aplicou um xeque-mate em 10 minutos e depois ficou jogando damas.

O melhor ponto

Foram tantos grandes pontos que é quase impossível apontar o melhor momento do suíço nesta sexta-feira, só que o ponto do tweet abaixo tem algo de especial. Primeiro porque Federer sai de uma posição defensiva para anular os ataques de Berdych. Depois porque constrói o ataque com um par de golpes até conseguir a posição perfeita para o golpe final. Magistral.

O próximo adversário

Agora, nas oitavas de final, Federer vai encontrar Kei Nishikori, alguém que provavelmente vai exigir mais em ralis – se o japonês estiver 100% fisicamente, claro. Nesta sexta, diante de Lukas Lacko, Nishikori ficou pouco tempo em quadra. Fez 6/4, 6/4 e 6/4 em 2h11. O japonês mandou na maioria dos ralis e terminou o jogo com 46 winners e 32 erros não forçados. Números de respeito.

Se Nishikori não tem a mesma potência de saque de Berdych (e tem um segundo serviço um tanto vulnerável para um top 5), é de se imaginar que ele não deixará Federer dominar os ralis como fez contra Berdych. Além disso, como o próprio #17 disse na entrevista em quadra após a partida, Nishikori tem um dos melhores backhands do circuito e pode se dar ao luxo de ficar cruzando bolas contra a esquerda do suíço pelo tempo que quiser. Por outro lado, como será que o japonês vai lidar com o serviço do suíço, que vem fazendo grande estrago até agora? De qualquer modo, não convém acreditar que o Federer x Berdych desta sexta seja um grande parâmetro para prever o que acontece no encontro de suíço e japonês. O “casamento” dos jogos é bastante distinto.

Os favoritos

Dizem que o primeiro jogo de um tenista após a derrota de seu maior rival no torneio diz muito sobre como ele vai lidar com a pressão do favoritismo. Bom, neste quesito, Andy Murray tirou nota 10. Nesta sexta, o número 1 do mundo esteve em ótima forma diante dos saques pesados de Sam Querrey. Deu pouquíssimas chances ao americano, disparou 40 winners (22 erros não forçados) e até superou o adversário em aces: 8 a 5. Venceu por 6/4, 6/2 e 6/4 e avançou pra enfrentar Mischa Zverev nas oitavas de final.

Vale lembrar que a cada vitória, Murray vai aumentando sua distância para Novak Djokovic, eliminado por Denis Istomin. Caso não vença mais em Melbourne, o britânico deixará o torneio com 1.715 pontos de vantagem. Se levantar o troféu, Murray terá 3.535 pontos a mais que Djokovic.

A atual campeã do Australian Open, Angelique Kerber, finalmente venceu em dois sets: fez 6/0 e 6/4 em cima de Kristyna Pliskova – não confundir com Karolina, a gêmea mais famosa, que foi vice-campeã do US Open no ano passado. O triunfo veio sem grandes dramas, mas Kerber não chegou a empolgar. Terminou com 14 winners e 14 erros não forçados e se aproveitou das 34 falhas de Pliskova. Ainda assim, a tcheca teve chances de complicar o jogo para a alemã no segundo set, mas não aproveitou por conta de erros próprios.

O confronto de oitavas de final de Kerber será contra Coco Vandeweghe (#35), que venceu um jogo duríssimo contra Eugenie Bouchard (#47): 6/4, 3/6 e 7/5. Depois de sair na frente no segundo set, a canadense controlou bem o saque e parecia estar administrando bem as tentativas de Vandeweghe. Bouchard, porém, vacilou no finzinho e perdeu o serviço no oitavo game do set decisivo. Os últimos games foram nervosos, e a americana aproveitou as chances que teve.

Kerber chega às oitavas com dois sets perdidos e, mesmo assim, parece justo dizer que Coco será seu primeiro teste de verdade. Não apenas pela potência do saque da americana, que pode fazer diferença nas quadras rápidas de Melbourne (ainda mais se o jogo for na sessão diurna), mas porque Vandeweghe tem poder de fogo para agredir o frágil segundo serviço da alemã.

Os outros candidatos

Stan Wawrinka venceu mais um jogo complicado. E complicado tanto por méritos do adversário, Viktor Troicki, quanto pela inconstância do próprio suíço. Depois de um ótimo começo e uma péssima segunda metade de primeiro set, Wawrinka se aprumou e parecia navegar tranquilo para fechar o confronto, mas bobeou na reta final. Foi quebrado duas vezes sacando para o jogo (5/4 e 6/5), perdeu um match point no tie-break e precisou salvar um set point antes de, finalmente, avançar por 3/6, 6/2, 6/2 e 7/6(7).

Seu próximo jogo será contra Andreas Seppi, que não era o favorito para chegar às oitavas, mas derrubou Nick Kyrgios na segunda rodada e passou por Steve Darcis nesta sexta: 4/6, 6/4, 7/6(1) e 7/6(2). Aos 32 anos e atual #89 do mundo, o italiano tem experiência e jogo suficientes para se aproveitar de uma jornada ruim do suíço. É mais um jogo complicado para Wawrinka, que vem numa chave espinhosa e já passou por Klizan, Johnson e Troicki.

Na chave feminina, Venus Williams (#17) ficou em quadra por apenas 58 minutos e bateu a chinesa Ying-Ying Duan (#87) por 6/1 e 6/0. Com a velocidade da quadra ajudando seu estilo, a americana chega nas oitavas como favorita contra Mona Barthel, que faz a melhor campanha de sua vida em Grand Slams. A alemã, que já foi #23 mas hoje é apenas a #181 do mundo, furou o quali e aproveitou uma chave acessível – já que Simona Halep caiu na estreia.

No último jogo da noite, Garbiñe Muguruza entrou em quadra lembrando bem de sua última derrota em um Slam. A espanhola até disse depois da partida, em tom de brincadeira, que queria vingança. E foi isso. Jogou bem e bateu Anastasija Sevastova (#33) por 6/4 e 6/2 (a tenista da Letônia eliminou Muguruza em Nova York por 7/5 e 6/4, na segunda rodada).

Em sua melhor campanha num Slam desde o título de Roland Garros, a espanhola, atual número 7 do mundo, agora vai enfrentar Sorana Cirstea (#78), que bateu a americana Alison Riske por 6/2 e 7/6(2). A romena, que já foi #21 do mundo, ainda não perdeu sets e foi a responsável pela eliminação de Carla Suárez Navarro, a cabeça de chave 10 em Melbourne.

As oitavas já definidas

Até agora, o cenário está assim na chave masculina:

[1] Andy Murray x Mischa Zverev
[17] Roger Federer x Kei Nishikori [5]
[4] Stan Wawrinka x Andreas Seppi
[12] Jo-Wilfried Tsonga x Daniel Evans

Os quatro primeiros jogos das oitavas femininas ficaram assim:

[1] Angelique Kerber x Coco Vandeweghe
Sorana Cirstea x Garbiñe Muguruza [7]
Mona Barthel x Venus Williams [13]
[24] Anastasia Pavlyuchenkova x Svetlana Kuznetsova [8]

Boris sobre Novak

Ao New York Times, Boris Becker falou sobre o que achou da atuação de Novak Djokovic na derrota para Denis Istomin. A declaração do alemão não traz novidades, mas é interessante até porque vai ao encontro do que muitos analistas consideraram: que faltou emoção para Nole.

Entre outras coisas (leia na íntegra aqui), Becker afirmou que “acho que ele tentou e jogou cinco sets e quatro horas e meia, mas não vi a intensidade, não vi a vontade absoluta de vencer, não o vi ficando louco mentalmente” e que “esse não é o Novak que eu conheço. Prefiro vê-lo quebrar uma raquete ou rasgar uma camisa para que ele jogue com emoção. Acho que ele esteve muito equilibrado durante toda a partida e foi incomum, não sei o que pensar disso.”


AO, dia 3: o karma de Kyrgios, sustos de Kerber e Murray, tombo de Cilic
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Alexandre Cossenza

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Demorou, mas o terceiro dia do Australian Open teve seus momentos de emoção. Depois de uma sessão diurna sem grandes dramas – apenas Angelique Kerber sofreu com o sol – a noite chegou com um jogão de cinco sets entre Nick Kyrgios e Andreas Seppi, a eliminação de Marin Cilic e um pequeno susto de Andy Murray.

O resumaço de hoje comenta esses momentos e ainda avalia as apresentações de Federer, Nishikori, Wawrinka, Venus e Bouchard, além de registrar a única vitória brasileira do dia – que veio na chave de duplas. Então, se você não ficou acordado na madrugada, sem problema. É só rolar a página e se informar.

A zebra e a vingança

É um desses casos que a gente costuma classificar como “ironia do destino” pela simples falta de explicação melhor. Chamem de karma, vingança, retribuição, o que preferirem. Não acontece todo dia. Mas aconteceu dois anos atrás, na Hisense Arena. Andreas Seppi enfrentou Nick Kyrgios nas oitavas de final. O italiano, mais bem ranqueado dos dois, abriu 2 sets a 0, teve um match point, não conseguiu converter e acabou eliminado com o placar do quinto set mostrando 8/6 para Kyrgios.

E aconteceu nesta quarta-feira, de novo na Hisense Arena, no Australian Open. O jogo valia pela segunda rodada, e Kyrgios, o mais bem ranqueado em quadra, saiu na frente. Venceu os dois primeiros sets. Seppi reagiu e venceu os dois seguintes, mas foi o tenista da casa quem teve um match point desta vez. O italiano se salvou, enfiando uma direita arriscadíssima na paralela. Sem defesa. Dois games depois, Seppi comemorou. Completou a virada: 1/6, 6/7(1), 6/4, 6/2 e 10/8.

Aos 32 anos e #89 do mundo, Seppi disse ao fim do jogo que não sabe quantas partidas assim, com essa emoção e disputados no ambiente maravilhoso da Hisense, lhe restam na carreira. Pode até ser sua última grande vitória. No momento, pouco importa. Foi bonita, vibrante, gloriosa. E lhe valeu uma vaga na terceira rodada contra Steve Darcis, o que não é nada mau também, né?

Kyrgios, por sua vez, saiu vaiado da quadra e deu mais uma daquelas coletivas intrigantes. Admitiu que fez “coisas que não deveria” nas férias, como jogar basquete e lesionar o corpo, falou que jogou o torneio com problema nos joelhos, reclamou das vaias que levou e ironizou quando lhe perguntaram que tipo de dor ele sentia: “Não sei. Pergunte a Johnny Mac [John McEnroe]. Ele sabe tudo.”

Os sustos dos favoritos

Angelique Kerber passou por mais um susto antes de comemorar seu 29º aniversário na Rod Laver Arena (RLA) nesta quarta-feira. A #1 do mundo, que ainda não teve uma grande atuação em 2017, voltou a sofrer com a irregularidade e, desta vez, teve problemas para sacar com o sol na cara – especialmente no segundo set. A também alemã Carina Witthoeft, #89 e 21 anos, nem aproveitou tão bem assim os saques fraquíssimos da #1 (beirando os 110km/h), mas ganhou a segunda parcial e forçou o terceiro set. A desafiante até começou o set decisivo com uma quebra, mas não conseguiu manter a vantagem. Kerber encaixou uma sequência de games bons, virou o placar e fechou em 6/2, 6/7(3) e 6/2.

O copo meio cheio de Kerber é mais uma vitoria jogando mal. Também foi assim na primeira rodada, contra Lesia Tsurenko. É importante anotar triunfos em dias ruins. São esses jogos que permitem que ela cresça no torneio e chegue forte na segunda semana. O copo meio vazio, contudo, é que fica difícil imaginar a alemã avançando na segunda semana do torneio jogando assim. Kerber pode ter um duelo duro contra Eugenie Bouchard nas oitavas e outro contra Garbiñe Muguruza nas quartas. Nenhuma das duas perdoaria saques tão frágeis como os desta quarta.

Fechando a sessão noturna na RLA, Andy Murray dominou o russo Andrey Rublev (19 anos, #152 do mundo) do começo ao fim. O único momento realmente tenso da partida veio no início do terceiro set, quando o #1 do mundo torceu o tornozelo direito e ficou caído na quadra por alguns instantes.

Por sorte, não foi nada grave, e Murray voltou logo ao jogo para completar a vitória por 6/3, 6/0 e 6/2. Embora sua chave tenha sido um pouco facilitada pelas quedas de Pouille e Isner (esperava-se que um dos dois enfrentasse o britânico nas oitavas), a próxima rodada não tem nada de fácil. O escocês vai duelar com Sam Querrey e, nas quadras rapidíssimas deste ano em Melbourne, qualquer sacador é um obstáculo ainda maior do que de costume.

Outros candidatos

Kei Nishikori abriu a programação na Hisense Arena (HA) e conseguiu uma vitória em três sets em um jogo que poderia ter sido mais complicado contra Jeremy Chardy. O curioso é que o japonês não chegou a empolgar. Cometeu mais erros do que winners (30 e 21, respectivamente) e perdeu o serviço três vezes. Só não teve mais dificuldades porque Chardy, que não estava em um dia animador, somou 53 erros não forçados. De qualquer modo, Nishikori está na terceira rodada e vai enfrentar Lukas Lacko, que passou por Dudi Sela por 2/6, 6/3, 6/2 e 6/4.

A sessão diurna continuou com vitórias sem drama algum. Stan Wawrinka fez 3 sets a 0 em cima de Steve Johnson, o que é um sinal positivo depois dos nervosos cinco sets contra Martin Klizan. Desta vez, o placar final foi de 6/3, 6/4 e 6/4. O duro caminho do #1 da Suíça continua contra Victor Troicki na terceira rodada.

Enquanto isso, Roger Federer encarava o qualifier Noah Rubin, 20 anos e #200 do ranking. O garotão deu trabalho no primeiro set, confirmando seus serviços e equilibrando a parcial. Só sucumbiu no 12º game, quando Federer parou de tentar trocar só pancadas e foi mais paciente. O triunfo por 7/5, 6/3 e 7/6(3) só veio depois de um inconsistente suíço salvar um set point no terceiro set. Não fossem os nervos de Rubin, a partida poderia ter se alongado mais do que o desejável para Federer.

No geral, não foi uma apresentação memorável, mas foi o bastante para avançar sem problemas. De positivo, seu serviço continua excelente, rendendo vários pontos de graça. Mesmo assim, Rubin conseguiu agredir com eficiência em alguns segundos saques. É de se esperar que Tomas Berdych, próximo adversário do ex-número 1, faço o mesmo – ou melhor.

Nesta quarta, o tcheco fez 6/3, 7/6(6) e 6/2 sobre Ryan Harrison. Avançou sem sustos, como era de se esperar. Mas e agora, será que Berdych consegue fazer mais do que nos últimos cinco jogos contra Federer? O suíço venceu todos e ganhou dez sets consecutivos.

Entre as mulheres, Venus Williams sempre corre por fora e vale ficar de olho na ex-número 1 porque sua chave ficou bem mais acessível depois das eliminações de Simona Halep e Kiki Bertens. Nesta quarta, a americana fez o seu. Bateu Stefanie Voegele por 6/3 e 6/2 marcou um encontro com Ying-Ying Duan (#87), que eliminou Varvara Lepchenko (#88) por 6/3, 3/6 e 10/8.

Quem segue impressionando é Eugenie Bouchard, que voltou a jogar bem e está sem problemas físicos. Nesta quarta, despachou Shuai Peng (#83) por 7/6(5) e 6/2, tomando a iniciativa na maioria dos pontos e jogando com precisão. Ex-top 5 e solta na chave (ocupa o 47º posto hoje), a canadense enfrentará Coco Vandeweghe, que passou por Pauline Parmentier por 6/4 e 7/6(5), na terceira rodada em busca de um possível duelo com Kerber nas oitavas. Será?

Por fim, abrindo a sessão noturna da Rod Laver Arena, Garbiñe Muguruza derrotou Samantha Crawford por 7/5 e 6/4. Não foi lá uma jornada impecável da espanhola, que desperdiçou duas quebras de vantagem na primeira parcial, mas foi o bastante para evitar um terceiro set. Ela agora enfrenta Anastasija Sevastova, cabeça de chave número 32, em busca de um lugar nas oitavas.

Mais cabeças que rolaram

Cabeça de chave #19, John Isner entrou em quadra como favorito contra Mischa Zverev. Aumentou seu favoritismo depois de abrir 2 sets a 0. Só que o alemão, irmão mais velho do “prodígio” Alexander, equilibrou a partida. Venceu um, dois e forçou o quinto set. Isner, que não tem lá um retrospecto tão bom assim em melhor de cinco sets, até salvou um match point com sorte…

O americano, no entanto, acabou sucumbindo depois de não conseguir converter dois match points no quarto set: 6/7(4), 6/7(4), 6/4, 7/6(7) e 9/7. A maior consequência do resultado é deixar, no papel, a chave menos complicada para Andy Murray, que enfrentaria Isner (ou Pouille) nas oitavas. Zverev, por sua vez, avança para encarar Jaziri em busca de um lugar nessas oitavas que possivelmente serão contra o número 1 do mundo.

No fim do dia, foi a vez de Marin Cilic ser o primeiro top 10 a dar adeus a Melbourne, o que confirmou um péssimo início de temporada, que já incluía uma derrota para o eslovaco Jozef Kovalik (#117 do mundo) no ATP de Chennai e um susto diante de Jerzy Janowicz na primeira rodada em Melbourne. Nesta quarta, o algoz do croata foi o britânico Dan Evans, que fez 3/6, 7/5, 6/3 e 6/3.

A chave feminina também teve um punhado de cabeças de chave que rolaram, como Shuai Zhang, eliminada por Alison Riske, e Irina-Camelia Begu, que caiu diante de Kristina Pliskova. As quedas mais relevantes foram a de Carla Suárez Navarro, cabeça 10, que foi superada por Sorana Cirstea (sim, aquela!), e Mónica Puig, a campeã olímpica, que não passou pela alemã Mona Barthel.

Os brasileiros

Já eliminado nas simples, Thomaz Bellucci voltou a Melbourne Park para tentar a sorte nas duplas. Ele o argentino Máximo González, no entanto, não passaram da estreia e perderam para Pablo Cuevas e Rohan Bopanna: 6/4 e 7/6(4). Assim, o #1 do Brasil e #62 do mundo encerra sua passagem pela Ásia com três derrotam. Em Sydney, apenas nas simples, foi derrotado por Nicolas Mahut na estreia.

Marcelo Demoliner fez melhor e avançou. Ele e o neozelandês Marcus Daniell derrotaram o argentino Guillermo Duran e o português João Sousa por 7/6(2) e 6/4. Bruno Soares, que joga ao lado de Jamie Murray; Marcelo Melo, que faz parceria com Lukasz Kubot; e André Sá, que atua com o indiano Leander Paes, ainda não estrearam no torneio.


AO, dia 1: Halep tomba, brasileiros caem, Federer vence no retorno
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Alexandre Cossenza

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Foi um primeiro dia interessante, considerando que nem sempre há tantos jogos bons nas primeiras rodadas de um torneio do Grand Slam. Pois o Australian Open de 2017 abriu com uma zebraça na Rod Laver Arena, viu três top 10 disputarem jogos de cinco sets e ainda teve a primeira vitória de Roger Federer em um torneio contando pontos para o ranking em mais de seis meses.

A rodada também teve as derrotas de Thomaz Bellucci e Thiago Monteiro, Nick Kyrgios atropelando, Muguruza administrando uma lesão, e Almagro com uma desistência lamentável e uma explicação memorável. Quer ficar por dentro? É só rolar a página e ler o resumaço desta segunda-feira.

Os favoritos

Andy Murray estreou sem perder sets, mas com uma atuação que, em alguns momentos, ficou no limite entre a preguiça e a falta de inspiração. Cometeu 27 erros não forçados, saiu atrás no segundo set e só não se complicou mais porque o adversário, Illya Marchenko, #95, não era tão perigoso assim e não jogou tão bem assim (somou 62 erros não forçados). No fim, venceu por 7/5, 7/6(2) e 6/2.

A sessão noturna começou com Angelique Kerber caminhando para o que parecia uma vitória rotineira, mas a coisa começou a desandar quando a alemã sacou para o jogo, teve match point, mas perdeu o serviço. A ucraniana Lesia Tsurenko (#51) aproveitou o embalo, quebrou de novo e forçou um nervoso terceiro set. No começo da parcial decisiva, um ponto crucial e espetacular mudou o rumo do jogo. Kerber sacou com break point contra e tomou uma ótima devolução cruzada. A alemã não só alcançou a bolinha como acertou uma improvável paralela de fora pra dentro. Depois disso, venceu todos os games e fechou em 6/2, 5/7 e 6/2.

No último jogo do dia na Laver, Roger Federer tirou a ferrugem de seis meses sem jogar um evento que desse pontos para o ranking mundial. O suíço teve lá seus problemas diante do também veterano Jurgen Melzer, 35 anos. O austríaco teve quebras de vantagem no primeiro set e conseguiu uma virada impressionante no segundo antes que Federer tomasse de vez o controle da coisa.

O placar final mostrou 7/5, 3/6, 6/2 e 6/2, e o que aconteceu em quadra não foi tão animador assim para o suíço. Afinal, não foi o tênis “limpo” e afiado que os fãs gostariam de ver e, principalmente, que será necessário para sair com o título do Australian Open. Federer ainda tem vários ajustes a fazer e, não fossem os 19 aces desta segunda, a história com Melzer teria sido muito mais longa.

A zebra

Ela apareceu logo no primeiro jogo, bem na quadra central. Simona Halep, “a primeira da fila” dos sem Slam, mostrou um tênis muito pouco inspirado desde os primeiros games. Shelby Rogers, #52 do mundo, não tinha nada a ver com isso e entrou soltando o braço e agredindo. A romena não só jogou mal. Sentiu dores no joelho esquerdo. Pediu atendimento medico antes do segundo set. Não adiantou. E Halep, sejamos justos, também tomou decisões ruins em quadra. Como o swing volley que tentou diante de um break point no primeiro set. Jogou a bola na rede e selou sua sorte na parcial. No segundo set, com a rival claramente abatida, Rogers disparou no placar e fechou em 6/3 e 6/1.

Na chave, a consequência do resultado é deixar Svetlana Kuznetsova como a tenista mais bem ranqueada no segundo quadrante. A semifinalista sairá de um grupo que já perdeu três cabeças (Siegemund e Bertens também caíram) no primeiro dia. Restaram, além de Sveta, Svitolina, Venus, Pavlyuchenkova e Puig. Uma delas vai longe, mas quem se candidata a adivinhar quem?

Três top 10 e 15 sets

A chave masculina viu Kei Nishikori em um dia nada brilhante, precisando de cinco sets para despachar Andrey Kuznetsov: 5/7, 6/1, 6/4, 6/7(6) e 6/2. A arrancada final no quinto set só começou depois de um atendimento médico. Após a interrupção, Kuznetsov perdeu o serviço e não se recuperou mais.

O segundo top 10 a suar foi Marin Cilic. Depois de perder os dois primeiros sets para o polonês Jerzy Janowicz, o croata #7 do mundo dominou as parciais seguintes e fez 4/6, 4/6, 6/2, 6/2 e 6/3. Um resultado importante não só pela sobrevivência no torneio, mas porque Cilic havia perdido três de suas últimas quatro partidas decididas em um quinto set. Nesses três reveses, o croata saiu ganhando por 2 a 0.

Por fim, Stan Wawrinka tomou um grande susto diante de Martin Klizan, que teve quebras de vantagem em todos os cinco sets. O eslovaco inclusive sacou em 4/3 e 40/15 no quinto, mas perdeu o serviço e viu o suíço iniciar uma reação furiosa – que incluiu uma curiosa bolada em um ponto ganho.

Não houve briga, e Wawrinka arrancou para fechar a partida em 4/6, 6/4, 7/5, 4/6 e 6/4. E, no fim das contas, todos grandes nomes da chave masculina venceram no primeiro dia do torneio.

Outros candidatos

Ao mesmo tempo em que Halep sofria na Rod Laver Arena, Garbiñe Muguruza sentia dores na coxa (a mesma lesionada em Brisbane) na MCA. A espanhola, contudo, já havia vencido o primeiro set quando enfiou-se num buraco, perdendo a segunda parcial por 4/1 para Marina Erakovic. A favorita, no entanto, “voltou” a tempo e avançou por 7/5 e 6/4.

Nick Kyrgios trabalhou bem (e rápido) para apagar as dúvidas sobre sua condição física. O australiano, lembremos, jogou a Copa Hopman se queixando de dores. Nesta segunda, porém, atropelou o português Gastão Elias: 6/1, 6/2 e 6/2.

Os brasileiros

Thomaz Bellucci foi amplamente dominado por Bernard Tomic. O australiano foi mais consistente, se defendeu melhor, agrediu bastante o segundo serviço do brasileiro e avançou por 6/2, 6/1 e 6/4. A atuação de Bellucci foi tão infeliz que deixou a desejar até nos desafios. Falo mais sobre o #1 do Brasil no próximo post.

Mais tarde, Thiago Monteiro reencontrou Jo-Wilfried Tsonga e soube o gostinho de enfrentar o francês de verdade – não aquela versão desinteressada que esteve no Rio Open do ano passado. Em Melbourne, Tsonga fez 6/1, 6/3, 6/7(5) e 6/2. Monteiro fez um esforço louvável para esticar o jogo, mas o duelo não foi tão equilibrado assim. O francês controlou as ações a maior parte do tempo e manteve uma sequência interessante: desde 2007, não perde na primeira fase de um Slam.

O milionário

Nicolás Almagro ficou menos de meia hora vivo no torneio. Abandonou após perder quatro games, com 25 minutos de jogo. Jeremy Chardy avançou para a segunda rodada. Indagado na coletiva se tinha entrado em quadra só pelo prêmio em dinheiro, Almagro foi direto como sempre. Disse que não e que tem mais de US$ 10 milhões. Bem explicado, não?

Depois, o espanhol postou em sua conta no Twitter a mensagem acima, dizendo que entrou em quadra sentindo dores e que não disputará os próximos torneios porque seu filho está prestes a nascer.

Os forehands mais rápidos

O Australian Open colheu dados estatísticos em suas últimas edições, e o New York Times mostrou uma pequena parte disso. A reportagem mostra os forehands e backhands mais rápidos dos últimos cinco anos de torneio.

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A curiosidade é que Rafael Nadal tem o forehand mais rápido do circuito. Além disso, na média Madison Keys tem uma direita tão forte quanto a de Tomas Berdych e um backhand que só perde em velocidade para Na Li. Os detalhes de como os números foram colhidos estão aqui.

O envelhecimento do torneio

Na tarde deste domingo, graças a um RT do jornalista Mário Sérgio Cruz, do Tenisbrasil, cheguei ao gráfico abaixo, que mostra o “envelhecimento” do circuito. Em 1989, a idade média dos tenistas no Australian Open era de 24,02. Hoje, é de 27,93. Enquanto em 1989 só havia quatro tenistas com mais de 30 anos, a chave deste ano possui 46 tenistas acima dos 30 e dez atletas acima dos 35. É uma diferença muito grande.


AO 2017: o guia da chave feminina
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Alexandre Cossenza

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Depois de analisar a chave masculina, chega a hora de dar uma olhada no sorteio das mulheres no Australian Open e ver a quantas andam cada uma das das candidatas ao título em Melbourne. É também o momento de imaginar as possíveis zebras e pensar em quem pode pegar todo mundo de surpresa nas próximas duas semanas. E é isso que sempre tento nestes textos pré-Slam. Role a página, fique por dentro e, depois, fique à vontade para deixar seus palpites nos comentários.

As favoritas

Angelique Kerber aparece pela primeira vez como cabeça de chave 1 em um Slam, mas nem todo mundo acredita que isso faz dela a principal candidata ao título. De qualquer modo, suas atuações pré-Melbourne não foram das mais animadoras. Kerber fez três jogos, perdeu dois e penou para derrotar a #232 do mundo (ainda que Ashleigh Barty tenha tênis para um ranking mais digno).

A chave da #1 no Australian Open também não é das mais tranquilas. Ela pode enfrentar Bouchard (ou Kasatkina ou Vinci) nas oitavas, Muguruza nas quartas e Halep na semi. E aí vale dizer que o caminho de Muguruza, cabeça 7, parece muito mais atraente. Dá para imaginar a espanhola indo longe, sem drama, e chegando a esse possível confronto de quartas de final em grande forma.

Serena, por sua vez, tem uma chave ainda mais complicada. A começar pela estreia contra a inteligente e perigosa Belinda Bencic, que sofreu uma lesão na Copa Hopman, abandonou seu jogo de estreia em Sydney, mas disse estar “bastante perto de 100%” para jogar em Melbourne. Além disso, a #2 do mundo pode se ver jogando contra Lucie Safarova já na segunda rodada (as duas fizeram a final de Roland Garros em 2015, lembram?).

Ainda no caminho de Serena podem aparecer Strycova/Garcia na terceira rodada e Cibulkova/Makarova/Wozniacki/Konta nas oitavas. A semi seria contra a vencedora do quadrante que tem Agnieszka Radwanska e Karolina Pliskova (sim, a mesma que eliminou Serena no US Open). Bom, já deu para entender, né? Ainda que seja eternamente favorita, a americana tem, de longe, a trilha mais trabalhosa rumo ao título do Australian Open. Será?

O número 1 em jogo

Kerber e Serena continuam brigando pelo posto de número 1 do mundo em Melbourne. Entretanto, como as duas foram finalistas no ano passado, o posto só muda de mãos com uma excelente campanha da americana. Para ultrapassar a alemã, Serena precisa pelo menos chegar à final. Caso Kerber alcance as oitavas, a americana precisa ser campeã e torcer para que a rival perca antes da decisão. Por fim, se Kerber alcançar a final, ela garante a manutenção do #1, mesmo em caso de título de Serena.

Correndo por fora

Esse grupo não muda muito. O que varia é a forma de cada uma em determinado torneio, mas basicamente falamos sempre de Simona Halep, Agnieszka Radwanska, Garbiñe Muguruza e Karolina Pliskova.

Do quarteto, apenas Muguruza, campeã de Roland Garros, tem um título de Slam no bolso. Só que depois dessa conquista a espanhola não passou da segunda rodada nem em Wimbledon nem no US Open. Em Melbourne, há motivo para otimismo, já que a chave é interessante. Cabeça 7, Muguruza só enfrentaria Kerber nas quartas. Antes disso, tem como principais rivais, no papel, Suárez Navarro, Sevastova e Zhang. A janela está escancarada e ela diz que está recuperada do problema na coxa que sentiu em Brisbane.

Simona Halep é outro nome forte – sempre. De certa forma, a romena parece a primeira da fila na lista das que buscam seu primeiro Slam. Seu tênis vem se mostrando ainda mais consistente, e seu caminho em Melbourne é favorável. Aliás, pode ser o quadrante mais fácil de toda a chave feminina, ainda que inclua Mónica Puig (que não tem um bom resultado desde os Jogos Olímpicos) e Venus Williams (que não tem físico para se movimentar em ralis contra Halep).

Agnieszka Radwanska parece destinada a lutar eternamente em nome das tenistas sem grande potência nos golpes. A polonesa segue capaz de vencer a maioria das rivais, mas cedo ou tarde torna-se vítima de alguém que bate mais forte na bola e atravessa uma ótima semana. Foi assim com Johanna Konta em Sydney, por exemplo, e a chance de isso acontecer na segunda semana de um Slam é sempre grande. Sua sorte em Melbourne é que seu quadrante tem como principal desafiante Karolina Pliskova, contra quem Aga tem um histórico de sete vitórias em sete jogos – e nenhum set perdido.

Por fim, este Australian Open mostra-se como o primeiro grande teste de Pliskova pós-final de US Open. A campanha em Nova York foi também sua primeira campanha realmente digna de seu tênis em um Slam. Melbourne talvez mostre se a tcheca vai se tornar uma candidata permanente a títulos deste porte. Por enquanto, 2017 é animador. Pliskova foi campeã em Brisbane após derrotar Vinci, Svitolina e Cornet em sequência.

As brasileiras

O Australian Open não terá brasileiras na chave principal. Teliana Pereira e Paula Gonçalves disputaram o qualifying, mas acabaram derrotadas na segunda rodada. A pernambucana foi superada por Mona Barthel por 6/0 e 6/4, enquanto a paulista caiu diante de Aliaksandra Sasnovich por 4/6, 6/1 e 6/3.

As grandes ausências

Uma top 10 e uma campeã de Slam não estão na chave deste ano. Madison Keys, atual #8 do mundo, passou por uma artroscopia no punho esquerdo em outubro do ano passado, logo depois do WTA Finals, e ainda não está recuperada. A outra grande ausência sentida será a de Petra Kvitova, que foi vítima de um assalto em dezembro e precisou passar por uma cirurgia na mão esquerda (a de seu forehand).

Outros desfalques incluem Anna Lena Friedsam (lesão no ombro direito), Sloane Stephens (lesão no pé direito), Sabine Lisicki (lesão no ombro direito) e Catherine Bellis (lesão no quadril). E, claro, lembremos que Ana Ivanovic anunciou sua aposentadoria dias atrás e que Maria Sharapova continua suspensa por doping – ela foi flagrada no Australian Open do ano passado.

❤☀️ Cairns #beach #water #sunshine

A photo posted by Jarmila Wolfe (Gajdosova) (@tennis_jarkag) on

Para não deixar passar: quem também anunciou aposentadoria recentemente foi a australiana Jarmila Wolfe (ex-Groth e ex-Gajdosova), que tem um problema crônico nas costas. Campeã de duplas mistas em Melbourne em 2013, ela pediu um wild card para fazer sua despedida, mas o torneio negou. Assim, ela decidiu encerrar a carreira e curtir a vida (nota-se no post de Instagram colado acima) junto com seu marido e seus cachorros. Faz muito bem.

Os melhores jogos nos primeiros dias

Além do óbvio e aguardado Serena x Bencic, vai ter bastante coisa boa pra ver na primeira rodada em Melbourne. Minha listinha pessoal aqui inclui Vandeweghe x Vinci, Siegemund x Jankovic (que não é mais cabeça de chave), Giorgi x Bacsinszky (porque a italiana sempre pode aprontar), Stosur x Watson (sempre intrigante e dramático acompanhar Stosur na Austrália) e Radwanska x Pironkova.

Talvez o mais interessante mesmo seja Johanna Konta x Kirsten Flipkens, com a britânica chegando de um título em Sydney, onde atropelou Radwanska na final. A top 10 é obviamente favorita contra Flipkens, mas a belga pode exigir uma consistência que Konta pode não conseguir mostrar com o pouco tempo de treino nas quadras de Melbourne.

A tenista mas perigosa “solta” na chave

Nitidamente, o nome mais temido aqui é o de Eugenie Bouchard. Não só pelo passado de bons resultados (a canadense foi top 5 em 2014), mas porque já mostrou bom tênis neste início de ano, alcançando a semi em Sydney – perdeu para a campeã, Konta. No Australian Open, Genie é favorita contra Chirico na estreia e possivelmente fará um duelo interessante contra Kasatkina na segunda fase. Tem cara de jogo-chave. Se avançar e ganhar ritmo, Bouchard pode muito bem desafiar Angelique Kerber nas oitavas – e com chances interessantes.

Outra tenista perigosa e “esquecida” na chave é Kristina Mladenovic, que caiu na metade de baixo e estreia contra Ana Konjuh. Não é nada impossível que a francesa elimine a croata e faça o mesmo com a cabeça de chave Gavrilova na segunda rodada. Kiki ainda teria Bacsinszky pela frente na terceira rodada, antes de um eventual encontro com Kristina Pliskova, mas parece justo dizer que, na semana certa, a francesa poderia deixar todas essas oponentes para trás.

Onde ver

No Brasil, a ESPN transmite o Australian Open com exclusividade e em dois canais: ESPN e ESPN+. Fernando Meligeni e Fernando Nardini também tocam o Pelas Quadras, programa diário com convidados que aborda o que acontece no torneio e vai ao ar sempre às 21h (de Brasília).

Vale acompanhar também o Watch ESPN, que terá imagens de todas as quadras – até porque haverá conflito de grade na ESPN e na ESPN+ com partidas de NBA e NFL. Quando isso acontecer, todos precisarão correr para o Watch.

Se nada disso der certo, tente o site do Australian Open. O site do torneio transmite, de graça, todas as quadras. A qualidade do streaming oscila e às vezes fica impossível acompanhar os jogos por lá, mas não custa tentar.

Nas casas de apostas

Serena ainda aparece como a mais cotada ao título na maioria das casas de apostas. A cotação abaixo, da casa virtual bet365, mostra a americana pagando 4,0 para um (quem apostar US$ 1 ganha US$ 4 se Serena for campeã), seguida de pertinho por Kerber. Pliskova vem em terceiro, seguida por Muguruza e Halep. Konta, Radwanska, Cibulkova, Wozniacki e Svitolina completam o top 10. Vale notar a presença de Eugenie Bouchard na 11ª posição. A canadense, lembremos, nem cabeça de chave é em Melbourne, mas provavelmente está bem cotada por seu enorme potencial.


Quadra 18: S03E01
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Alexandre Cossenza

Se tem Grand Slam, tem Quadra 18. O podcast de tênis mais popular do país começa sua terceira temporada analisando as chaves do Australian Open e fazendo aquele costumeiro exercício de imaginação sobre o que pode acontecer nas próximas duas semanas em Melbourne.

Do jeito descontraído de sempre, Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu falamos de ATP, WTA, duplas e até damos dicas preciosas (é verdade!) de como passar madrugadas inteiras vendo tênis sem cair no sono. Para ouvir, basta clicar no player abaixo. Se preferia baixar para ouvir depois, clique neste link com o botão direito do mouse e selecione “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’13” – Cossenza apresenta os temas
1’23” – Quem é “o” favorito na chave masculina? Murray ou Djokovic?
3’02” – Djokovic e a chave mais fácil do que a de Murray
7’35” – O que esperar de Federer e Nadal?
8’13” – O esperado jogo-chave entre Nadal e Zverev na terceira rodada
9’21” – A expectativa por um Djokovic x Dimitrov
11’12” – A divertida seção com Fognini, Feliciano, Haas e Paire
12’42” – Troicki pode desafiar Wawrinka?
13’32” – A expectativa por Raonic x Dustin Brown e Cilic x Janowicz
14’25” – Quem ganha Bellucci x Tomic?
14’18” – Jo-Wilfried Tsonga x Thiago Monteiro e Rogerinho x Donaldson
16’33” – Palpites para azarão do torneio
18’28” – Palpites para decepção do torneio
20’17” – Down Under (Men at Work)
21’05” – A chave de Serena é tão difícil assim?
23’34” – A chave e a preocupante forma de Angelique Kerber
25’18” – A seção favorável de Garbiñe Muguruza
25’56” – Simona Halep, agora vai?
26’42” – E o que dizer de Venus Williams?
27’30” – Karolina Pliskova e a expectativa por seu primeiro Slam como top 5
30’24” – O caminho de Radwanska
31’15” – Palpites para campeã, zebra e decepção
33’35” – Cheap Thrills (Sia)
34’30” – Novos times e velhos favoritos no circuito de duplas
37’05” – O começo não tão animador de Melo e Kubot
39’28” – A nova parceria de André Sá e Leander Paes
40’07” – Serena começar devagar os Slams faz o jogo com a Bencic mais perigoso?
41’14” – Dimitrov chegou no momento “ou vai ou racha” da carreira?
42’25” – Qual dos topos se complicou mais na chave?
42’54” – As cotações das casas de apostas para a chave masculina
44’29” – Existe uma temperatura máxima para interromper os jogos em Melbourne?
45’25” – Qual a quadra mais legal para ver jogos no Melbourne Park?
48’40” – “Dormir é para os fracos?” e dicas para ver o torneio na madrugada


Quadra 18: S02E14
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Alexandre Cossenza

Um WTA finals com uma campeã surpreendente, uma separação importante no circuito de duplas, as chances de um brasileiro se tornar número 1 do mundo e a disputa pela liderança nas simples são os assuntos mais quentes do podcast Quadra 18 desta semana.

Como sempre, Aliny Calejon, Sheila Vieira e eu falamos um pouco sobre tudo, desde a cobrança em cima de Angelique Kerber, incluindo os parceiros em potencial para Marcelo Melo até a matemática da briga entre Novak Djokovic e Andy Murray na briga pelo número 1. Para ouvir, basta clicar no player abaixo. Se preferir baixar e ouvir depois, clique neste link com o botão direito do mouse e selecione “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’15” – Cossenza apresenta os temas
1’20” – O WTA Finals, com o título de Dominika Cibulkova, foi um bom Finals?
3’53” – O balde de água fria da temporada de Angelique Kerber
5’07” – É justo dizer que a Kerber dominou a temporada?
9’24” – É justa toda essa expectativa em relação aos resultados da Kerber?
10’46” – Surpresas e decepções do WTA Finals
12’55” – Aliny Calejon comenta a separação de Marcelo Melo e Ivan Dodig
15’25” – Quais as chances de Marcelo formar dupla com Sá, Bellucci ou Demoliner?
17’15” – Quem seria o parceiro ideal para Marcelo Melo agora?
19’00” – Bruno Soares e a chance de ser número 1 do ranking
20’22” – Murray #1 agora ou Djokovic #1 até o fim do ano? O que é mais provável?
24’00” – Até quando vai durar o discurso zen de Novak Djokovic?
25’45” – As chances de Murray ser #1 são maiores agora ou no ano que vem?
26’47” – “Acho que ano que vem o Djokovic vai ser outro Djokovic”
27’21” – A disputa pelas últimas vagas para o ATP Finals
30’00” – Vai haver Challenger Finals em São Paulo este ano?
31’50” – Existem projetos para o tênis sufocados pela “dinastia perpétua” da CBT?


Dominika Cibulkova, o retrato de 2016
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Alexandre Cossenza

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Duas novas campeãs de torneios do Grand Slam; o fim do domínio de Serena Williams, derrotada por Angelique Kerber em Melbourne e Garbiñe Muguruza em Paris; uma ex-número 1 suspensa por doping; uma ex-número 1 afastada por gravidez; uma nova número 1; uma porto-riquenha campeã olímpica; e, por fim, para completar um ano dos mais atípicos para o tênis feminino e consolidar um novo momento na modalidade, Dominika Cibulkova conquistou o WTA Finals.

Foi uma final memorável para eslovaca, que jogou em nível altíssimo desde o primeiro game e só engasgou quando sacou para o jogo e cometeu seguidos erros. Mesmo assim, se recuperou, salvou um break point da forma mais esquisita possível e fechou o jogo em 6/3 e 6/4, com um match point que ilustrou bem o quanto tudo deu certo para ela neste domingo.

Foi, como ela mesma disse, o maior título da carreira de Cibulkova. Um momento especial, que premia uma temporada belíssima, com títulos em Katowice, Eastbourne e Linz, além de vices em Wuhan, Madri e Acapulco. Não por acaso, a eslovaca de 27 anos termina 2016 na quinta posição do ranking – a melhor de sua carreira – e com um paquidérmico cheque de US$ 2.054.000.

Sobre esse novo momento da WTA, escrevi um pouco nesse texto. Embora o Finals não tenha sido o mais empolgante dos torneios, foi uma mistura interessante de surpresas (Cibulkova perdeu as duas primeiras partidas, enquanto Kuznetsova se classificou em primeiro na outra chave), decepções (Halep e Muguruza não passaram da fase de grupos) e partidas empolgantes, ainda que não tecnicamente espetaculares.

Kerber termina a temporada como líder, dona de dois títulos de Slam (Australian Open e US Open) e com resultados consistentes ao longo do ano. Não é (ainda?) uma número 1 dominante, mas fecha 2016 com dois mil pontos de vantagem sobre Serena Williams e 3.400 de frente para Agnieszka Radwanska, atual #3.

Ainda que a americana tenha disputado apenas um terço dos eventos de Kerber (somou 7.050 pontos em sete torneios, enquanto Kerber disputou 21 e acumula 9.080), o cenário parece indicar o que será da WTA após a aposentadoria de Serena Williams.

Nas férias (porque não consigo ver relevância no WTA Elite, torneio caça-níqueis de consolação), fico aqui a imaginar o que será do circuito se Kvitova voltar a jogar consistentemente, se Sharapova retornar em forma, se Azarenka conseguir se concentrar no circuito outra vez e se Wozniacki continuar a mostrar o tênis que reencontrou no fim deste ano. Seria um circuito incrível, não?


Quadra 18: S02E12
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Alexandre Cossenza

Stan Wawrinka derrubou Novak Djokovic mais uma vez, Angelique Kerber tomou posto de #1 das mãos de Serena Williams e Bruno Soares conquistou mais um título em um torneio do Grand Slam. Não faltou assunto neste episódio do podcast Quadra 18. Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu conversamos sobre um pouco de tudo que aconteceu no US Open, desde a polêmica do pé sangrando de Djokovic até a “carta fantasma” de Wozniacki.

O programa ainda tem áudios especiais enviados por Bruno Soares após sua conquista, além de análises táticas, surpresas e decepções, exercícios bem humorados de “futurologia” e uma indagação curiosa sobre a Bel Pesce do tênis. Quer ouvir? É só clicar no player acima. Se preferir baixar e ouvir depois, clique neste link com o botão direito do mouse e selecione a opção “salvar como”.

Os temas

0’00” – Aliny apresenta os temas
01’00” – O quinto título de Slam de Bruno Soares
01’33” – Bruno e Marcelo causam divisão no podcast
02’45” – Os motivos do sucesso de Bruno Soares e Jamie Murray
06’08” – Bruno Soares fala da preparação e da dura estreia no US Open
08’00” – O tenso confronto de oitavas contra André Sá e Chris Guccione
09’13” – “Eu me identifico com o Guccione”
11’54” – Como Carreño Busta e García López chegaram na final
13’28” – Bruno Soares fala da sensação de ter cinco títulos de Slam no currículo
14’40” – Bruno Soares fala sobre a intenção de brigar para ser #1 do mundo
15’02” – As campanhas dos outros brasileiros na chave de duplas
17’50” – “Marcelo deve insistir na parceria com Dodig para 2016?”
20’15” – Quem seria um novo bom parceiro para Marcelo Melo?
22’58” – Don’t Lose My Number (Phil Collins)
23’45” – Wawrinka e seu terceiro título em um torneio do Grand Slam
24’00” – “Só falta Wimbledon mudar para o saibro!”
24’30” – Como explicar as 11 vitórias seguidas em finais de Stan Wawrinka?
25’55” – Uma semelhança entre Stan Wawrinka e Thomaz Bellucci
28’05” – O nível de Djokovic na final e a questão física
29’30” – O que vai ser da ATP? Djokovic terá seu #1 ameaçado?
31’15” – O momento de Rafael Nadal
32’25” – Stan pode fechar o Career Slam? E Bruno Soares?
35’15” – Stan vai manter a meta de um Slam por ano ou é melhor deixar a meta aberta e dobrar depois?
36’10” – Ouvinte: Wawrinka já é maior que Murray e Wawrinka?
39’05” – Djokovic acertou no plano de jogo na final do US Open?
42’15” – Opiniões sobre a polêmica do pé sangrando de Djokovic
46’54” – Djokovic precisa de um tempo parado para tratar as questões físicas?
47’30” – Djokovic estará no Rio Open em 2017? E Andy Murray?
48’53” – Andy Murray decepcionou no US Open?
52’21” – Rafael Nadal, sua eliminação
55’14” – Nadal teria sentido pressão na derrota contra Pouille?
56’00” – Raonic e Cilic, as grandes decepções do torneio masculino
58’13” – Monfils foi antiesportivo na partida contra Novak Djokovic?
60’21” – Monfils, o homem mais sortudo de 2016 e sua chave no US Open
62’04” – O título juvenil nas duplas de Felipe Meligeni
62’50” – Sheila e Cossenza contam histórias com Fernando e Felipe Meligeni
66’23” – Send Me An Angel (Scorpions)
66’54” – O título de Angelique Kerber
67’55” – Cossenza enumera as qualidades da campeã: “Virei fã da Kerber”
69’33”- Kerber como uma evolução de Wozniacki
70’30” – Angelique Kerber vai se manter como número 1 por algum tempo?
72’25” – O que fez Karolina Pliskova finalmente ir longe em um Slam?
75’15” – Acabou a era de domínio de Serena Williams?
76’34” – Patrick Mouratoglou paga para treinar Serena Williams?
78’18” – “Seria Patrick Mouratoglou a Bel Pesce do tênis?”
79’05” – Garbiñe Muguruza, a decepção do torneio feminino
80’18” – Ana Konjuh e Caroline Wozniacki, as surpresas do US Open
82’40” – A “carta fantasma” de Caroline Wozniacki
84’25” – Wozniacki voltará a ser um nome relevante na WTA?
87’30” – Angels (Robbie Williams)

Crédito musical

A faixa de abertura é chamada “Rock Funk Beast”, de longzijum.


NY, dia 13: Kerber, campeã e ícone de um novo momento no tênis feminino
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Alexandre Cossenza

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Angelique Kerber colocou um ponto de exclamação em sua chegada ao topo do ranking feminino ao, neste sábado, conquistar o título do US Open. O número 1 já estava assegurado desde que Serena Williams caiu nas semifinais, mas a alemã voltou ao Estádio Arthur Ashe e derrotou Karolina Pliskova por 6/3, 4/6 e 6/4 para conquistar seu segundo título em um Slam na temporada.

A decisão foi mais uma demonstração de todas as (muitas) qualidades do tênis de Kerber. Agressividade na medida certa, paciência para trabalhar pontos, contra-ataques precisos, enorme capacidade defensiva e uma paralela de forehand (a alemã é canhota) que “quebra” qualquer adversário.

Andy Roddick, periscopando durante a final, foi muito feliz ao comparar Kerber com Tim Duncan, o ala-pivô aposentado que foi cinco vezes campeão da NBA pelo San Antonio Spurs. O ex-número 1 do mundo disse (em tradução livre) que “a grandeza de Tim Duncan estava em sua capacidade de dominar os fundamentos do jogo. Nada saltava aos olhos, nada era um highlight, mas ele foi jogador defensivo do ano, esteve no time defensivo da NBA, foi MVP, conquistou títulos e, ao mesmo tempo, parecia um cara normal. Angelique Kerber é igual. Ela domina os fundamentos. Ela mantém muito espaço entre ela e sua adversária, a não ser que seja de propósito…”, “…escolhe a hora certa para mudar a direção, põe em joga várias devoluções, varia bastante a trajetória em suas devoluções…” “Espero que se fale mais sobre seu QI tenístico. Acho que é altíssimo e que é maior do que era dois ou três anos atrás.”

O novo momento

O título de Kerber marca sua chegada ao topo e, ao mesmo tempo, parece que a temporada de 2016 ficará para a história como o ano do fim do domínio de Serena Williams. A americana, que completa 35 neste mês de setembro, ainda é a tenista mais completa do circuito. É quem tem mais armas e, em condições normais, é favorita a qualquer troféu. Serena, aliás, ainda tem boas chances de terminar o ano como número 1 do mundo, desde que não decida, como no ano passado, encerrar sua temporada mais cedo.

O ponto é que o enorme vão que a separava do resto do circuito encolheu com a ascensão da turma de Kerber, Muguruza, Halep e, quem sabe, Keys, Pliskova. Serena já não tem físico para jogar um calendário cheio. Disputou apenas oito eventos em 2016 e, mesmo assim, teve de lidar com lesões. Em dias abaixo de seu normal, já não consegue mais sair de buracos como antes. Foi assim em Melbourne e Nova York. Em Paris, foi diferente. O grande tênis de Muguruza sufocou a americana. Impensável tempos atrás. Hoje, nem tanto. O domínio, na plena acepção da palavra, não existe mais.

O top 10

Após o US Open, o ranking feminino tem dois nomes dentro do top 10 alcançando sua melhor posição na carreira. Além de Kerber, que assume a liderança, Pliskova salta para o sexto posto. A ordem fica assim:

1. Angelique Kerber – 8.730 pontos
2. Serena Williams – 7.050
3. Garbiñe Muguruza – 5.830
4. Agnieszka Radwanska – 5.815
5. Simona Halep – 4.801
6. Karolina Pliskova – 4.425
7. Venus Williams – 3.815
8. Carla Suárez Navarro – 3.330
9. Madison Keys – 3.286
10. Svetlana Kuznetsova – 3.250

Teliana Pereira, que ainda ocupa o posto de número 1 do Brasil, cairá para além do 150º posto. Paula Gonçalves não está muito longe e soma apenas 23 pontos a menos que a pernambucana. Enquanto isso, a suspensa Maria Sharapova ocupa o 93º posto, à frente de Francesca Schiavone (94) e Kristyna Pliskova (95).

Leitura recomendada:

Como foram duas semanas complicadas para mim, acabei deixando de lado esta seção de recomendações de artigos durante o US Open. Hoje, contudo, esbarrei num texto indicado pelo jornalista americano Ben Rothenberg e que foi publicado no Washington Post. Nele, a tenista universitária Allegra Hanlon conta como a federação americana (USTA) proíbe os jovens do país de gritar “Vamos!” ou qualquer outra palavra que não seja em inglês durante as partidas. Os relatos – Allegra não foi a única vítima da regra – são entristecedores.

O juvenil brasileiro campeão

Felipe Meligeni Rodrigues Alves, sobrinho do semifinalista de Roland Garros, conquistou o título de duplas juvenis do US Open. Ao lado do boliviano Juan Carlos Aguilar Peña, o brasileiro bateu os canadenses Felix Auger-Aliassime e Benjamin Sigouin por 6/3 e 7/6(4). Foi o último Slam juvenil do brasileiro de 18 anos, que abriu a semana como #40 do mundo em sua faixa etária.

A partir de 2017, Felipe entrará de cabeça no circuito profissional. Até agora, tentou a sorte em cinco ITFs e venceu um jogo – em São José do Rio Preto, em agosto de 2015. Em 2016, o campineiro jogou um Future e um Challenger. Perdeu para José Pereira no primeiro e para Carlos Eduardo Severino no segundo.


NY, dia 11: Bruno na final, o tombo de Serena e a nova número 1
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Alexandre Cossenza

Bruno Soares fará sua terceira final de Slam em 2016; Serena Williams tombou no Estádio Arthur Ashe diante de Karolina Pliskova; e Angelique Kerber, que entrou em quadra já com o número 1 do mundo garantido pelo revés da americana, fez um jogão e se garantiu em mais uma final de major na temporada. É seguro dizer que foi uma quinta-feira interessante em Flushing Meadows. Vejamos como foi:

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O brasileiro finalista

Bruno Soares está na decisão da chave de duplas. Em uma partida apertadíssima, com margens mínimas para erro, ele e Jamie Murray derrotaram a melhor dupla do ano – até agora – por 7/5, 4/6 e 6/3. Nicolas Mahut e Pierre-Hugues Herbert continuarão com o primeiro lugar na Corrida (ranking que conta só os pontos de 2016), mas Soares e Murray, que já estão classificados para o ATP Finals, assumirão a vice-liderança.

Sabadão é dia de final. #usopen2016 #brasilnasduplas #doublesisfun

A photo posted by Bruno Soares (@brunosoares82) on

A outra semifinal terminou com um resultado nada ruim para brasileiro e britânico. Seus adversários na decisão serão Pablo Carreño-Busta e Guillermo García-López, que surpreenderam os compatriotas Feliciano López e Marc López por 6/3 e 7/6(4). Feliciano e Marc vinham de vitória sobre os irmãos Bob e Mike Bryan. Além disso, López e López derrotaram Soares e Murray três vezes nesta temporada: Doha, Indian Wells e Barcelona.

E vale lembrar: será a terceira final de Slam para Bruno Soares em 2016. No Australian Open, ele foi campeão de duplas e duplas mistas. Seu currículo inclui ainda os títulos de duplas mistas do US Open em 2012 e 2014. O mineiro também fez a final de duplas do US Open em 2013, mas seu parceiro na ocasião, Alexander Peya, entrou em quadra com uma lesão nas costas. O time não teve chances diante de Leander Paes e Radek Stepanek.

O tombo de Serena

Na primeira semifinal da noite, Serena Williams cometeu um erro essencial: começou a partida tentando decidir os pontos rapidamente e, para isso, agrediu além da conta. Perdeu um saque com quatro boas devoluções de Pliskova e cometeu muitas falhas na tentativa de matar o ponto antes que a tcheca atacasse.

Era uma tática arriscada, a Serena pagou o preço. Com pontos curtos o jogo inteiro – à exceção de mais dúzia de ralis fantásticos – a americana jamais encontrou um ritmo em que se sentisse confortável. Serena e seu técnico, Patrick Mouratoglou, deveriam imaginar que não haveria margem para jogar meia dúzia de pontos longos, calibrar os golpes e se recompor. E não houve. Ao asir atrás, a cabeça de chave 1 teve de andar na corda bamba o tempo inteiro.

Pliskova, por sua vez, esteve mais perto de sua zona de conforto o tempo inteiro. Sacou bem durante a maior parte do jogo, atacou com mais inteligência e teve o enorme mérito de não perder o foco quando Serena esboçou uma reação na segunda parcial, gritando “come on”s e comemorando vários erros da oponente. Confirmou seu saque, largou na frente no tie-break e, de novo, manteve a calma quando Serena saiu de 0/3 para 4/3. A tcheca venceu um ponto enorme no 5/5 e, no match point, viu a rival cometer uma dupla falta. Game, set, match: 6/2, 7/6(5).

A tcheca agora chega à final do US Open com 11 vitórias nas costas. Desde a derrota para Simona Halep em Montreal, Pliskova encontrou um nível consistente para sua agressividade e colecionou uma lista invejável de vítimas: Serena, Kerber, Muguruza, Venus e Kuznetsova. São cinco top 10 em dois torneios.

A nova número 1

Se alguém não conhecia Angelique Kerber e decidiu ver seu jogo após a derrota de Serena, logo entendeu por que a alemã assumirá a liderança do ranking mundial depois do US Open. A campeã do Australian Open deu uma aula de tênis em Caroline Wozniacki, que joga um tênis parecidíssimo com o de Kerber. Quando a partida começou, contudo, ficou claro que a alemã joga uma espécie de versão turbinada do que a dinamarquesa faz/fazia quando foi número 1 do mundo.

Os dois sets foram parecidos. Kerber abriu duas quebras de saque em ambos. Wozniacki devolveu um, mas sempre sem muito tempo para reagir. A dinamarquesa tentou balões, recebeu instrução do pai (Kerber ouviu e relato à árbitra de cadeira) e tudo mais, mas não tinha mais o que tirar de sua (curta) manga. Kerber fez 6/4 e 6/3 e deu seu primeiro passo como número 1 do mundo.

As semifinais masculinas

Por questões pessoais, acabei não conseguindo escrever sobre as quartas de final masculinas, então deixo aqui o que acho sobre os quatro semifinalistas. As partidas serão disputadas nesta sexta-feira. Primeiro, não antes das 16h (de Brasília), Novak Djokovic enfrenta Gael Monfils. Em seguida, não antes das 17h30min, Stan Wawrinka encara Kei Nishikori.

Djokovic fez o básico. Venceu dois sets sobre um Jo-Wilfried Tsonga lesionado, que acabou abandonando a partida antes do início da terceira parcial. Depois de uma vitória por WO sobre Jiri Vesely na segunda rodada e da desistência de Mikhail Youzhny no primeiro set da terceira fase, o número 1 do mundo alcança a semi com apenas duas partidas completas. Mesmo sem o ritmo ideal de torneio, chega como favorito. Como sempre.

Gael Monfils, o homem mais sortudo de 2016 (favor conferir as chaves de Melbourne, Miami, Indian Wells, Monte Carlo e Nova York), fez um torneio competentíssimo. Só enfrentou um cabeça de chave, que foi Lucas Pouille. O compatriota chegou às quartas vindo de três jogos de cinco sets e na ressaca emocional de uma vitória triunfal sobre Rafael Nadal. Não lhe sobrou muito contra Monfils, que fez o dever de casa. Difícil avaliar suas chances contra o número 1. O francês ainda não perdeu um set neste US Open, mas tampouco foi testado em um nível sequer parecido com o que será exigido por Djokovic na semi.

O grande nome da quarta-feira foi Kei Nishikori. O japonês esteve perdendo por 2 sets a 1 e precisou sair de um 15/40 no quarto set para não deixar Andy Murray disparar no marcador. Quando quebrou o escocês, o japonês tomou o controle do jogo e não soltou mais. Disparou seguidos winners de devolução e tomou sempre a iniciativa do fundo de quadra, enquanto Murray tentava reencontrar uma zona de conforto que não se apresentou mais. Não foi uma atuação linear de Nishikori, que acabou dando um punhado de pontos de graça, mas talvez os riscos tenham sido necessários para fazer com que o escocês não dominasse as ações.

Stan Wawrinka, por sua vez, também chega às semis com uma vitória grade nas costas. Começou mal, mas terminou muito superior ao emocionante e emocionado Juan Martín del Potro. O suíço mostrou que aprendeu a lição em Wimbledon. Alongou ralis, fez o argentino trabalhar mais por cada ponto e acabou recompensado – e talvez até um pouco auxiliado pelo cansaço do oponente, mas Stan também merece valor por isso. Quando encontrou o jeito de jogar, virou o primeiro set e caminhou de jeito inteligente até a vitória. Quem é o favorito? Duríssimo dizer. Nishikori e Wawrinka oscilam um bocado. Pelo que vi nas quartas, vejo Nishikori com mais chances, mas ninguém sabe como esses dois entrarão em quadra. Afinal, pelo que vi antes das quartas, Murray também era favoritíssimo.


NY, dia 1: Garbiñe assusta, Djokovic preocupa, Nadal empolga
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Alexandre Cossenza

Para um primeiro dia de Slam, a segunda-feira que abriu o primeiro US Open com teto retrátil no Estádio Arthur Ashe (sim, o estádio da foto abaixo, clicado no show que antecedeu a sessão noturna) foi bastante interessante. Não teve grandes zebras – nem a queda de Richard Gasquet chocou tanto assim -, mas contou com partidas intrigantes de Garbiñe Muguruza, Rafael Nadal e Novak Djokovic. Angelique Kerber também venceu, mas seu jogo só serviu para alimentar a primeira polêmica do torneio. O resumo do dia traz um pouco de tudo que rolou.

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Os favoritos / A primeira polêmica

Entre os homens, o primeiro dos quatro cabeças a estrear foi Rafael Nadal (#5), que encarou Denis Istomin (#107) e passou por cima: 6/1, 6/4 e 6/2, chegando a vencer nove games seguidos nos primeiros dois sets. Ainda é cedo e o espanhol não foi tão exigido assim, mas Nadal deu bons sinais. Sacou bem (e com potência!), agrediu bastante do fundo de quadra e foi consistente quando a ocasião pediu. Com uma chave acessível até pelo menos as quartas de final, terá tempo de afiar seu tênis e chegar bem na segunda semana. Se a lesão no punho deixar, os outros candidatos que se cuidem.

Na chave feminina, Angelique Kerber (#2) ficou apenas 33 minutos em quadra. Sua adversária, a eslovena Polona Hercog (#120), abandonou quando perdia por 6/0 e 1/0, alegando tonturas sob o forte sol desta segunda-feira. Até aí, tudo bem. O problema é que o abandono não foi muito bem recebido por Donna Vekic, que perdeu na última rodada do quali e aguarda uma vaga como lucky loser. A croata foi sarcástica no Twitter ao ver o resultado:

Indagada sobre o assunto, Hercog disse não saber o que dizer porque “ela não sabe o que estava acontecendo. Não sei como ela pode julgar.” A eslovena ainda disse “não é minha culpa se ela perdeu na última rodada do quali.”

Na sessão noturna do Ashe, pouco depois de uma apresentação de Phil Collins, Novak Djokovic (#1) derrotou Jerzy Janowicz (#247) em quatro sets: 6/3, 5/7, 6/2 e 6/1. Aqui valem todas as ressalvas do tipo “ainda é cedo”, mas foi uma atuação preocupante para os fãs do sérvio. Djokovic, que chegou a Nova York ainda se recuperando de uma lesão no punho esquerdo, pediu atendimento médico e recebeu tratamento no cotovelo direito ainda no início do jogo.

Seus saques estiveram abaixo do esperado – a velocidade média do segundo serviço ficou em 140 km/h (em Wimbledon, a mesma média ficou na casa dos 150 km/h) e seu jogo não mostrou nada de especial nesta segunda. O duelo poderia até ter se complicado não fossem a inconstância e as 13 duplas faltas de Janowicz, que pouco fez no terceiro e no quarto sets. O grande mérito de Djokovic foi a consistência (18 erros não forçados em quatro sets).

Ao fim do jogo, o número 1 do mundo fugiu duas vezes da pergunta sobre o atendimento em seu braço. Cantou e dançou até finalmente afirmar apenas que ninguém está 100% em todos os jogos e que não era a hora de falar naquilo. Resta saber se é (mais) alguma coisa que ele vai carregar para o resto do torneio ou se foram dores ocasionais que desaparecerão com tratamento ao longo dos dias.

Cabeças que rolaram

Richard Gasquet (#15) foi o principal cabeça de chave a dar adeus nesta segunda-feira. O francês disse que a lesão nas costas que o tirou de Wimbledon não incomodou em Nova York, mas a impressão era de que ele não estava 100% fisicamente. De qualquer modo, Kyle Edmund (#84) foi muito superior. O britânico disse inclusive ter jogado melhor do que esperava no triunfo por 6/2, 6/2 e 6/3.

Quem também se despediu foi Martin Klizan (#29), embora sua derrota seja uma surpresa muito mais pelo placar do que pelo adversário. O russo Mikhail Youzhny (#61) aplicou 6/2, 6/1 e 6/1.

A chave feminina também teve um punhado de cabeças rolando, mas parece justo dizer que nenhum dos resultados causou grande abalo. Coco Vandeweghe (#30) foi eliminada por Naomi Osaka (#81); Sara Errani (#28) tombou diante de Shelby Rogers (#49); Irina-Camelia Begu (#23) caiu diante da Lesia Tsurenko (#99); e Misaki Doi (#32) perdeu para Carina Witthoeft (#102).

O susto

Garbiñe Muguruza (#3) não esteve tão perto assim da eliminação, mas assustou seus fãs quando perdeu o primeiro set por 6/2 para a qualifier belga Elise Mertens (#137). A espanhola, no entanto, se aprumou, aplicou um pneu no segundo set e venceu por 2/6, 6/0 e 6/3. Não foi a estreia dos sonhos, mas Muguruza também fez uma primeira partida preocupante em Roland Garros e não perdeu sets depois, batendo inclusive Serena Williams na final.

Seria uma coincidência enorme se acontecesse de novo, mas o importante é sobreviver nos dias ruins, e a número 3 do mundo fez isso nesta segunda. Muguruza, lembremos, é uma das tenistas com chance de sair de Nova York no topo do ranking mundial (veja as chances no tweet abaixo).

A ressaca olímpica

A tarefa não era mesmo das mais fáceis. Depois da conquista olímpica, Mónica Puig (#35) virou um ícone de Porto Rico. Fez aparições por toda parte e carregou a medalha de ouro por onde esteve. Acabou derrotada na primeira rodada do US Open pela chinesa Saisai Zheng (#61): 6/4 e 6/2.

No papel, o resultado deixa mais fácil a vida de Muguruza, que enfrentaria Puig na terceira rodada. Foi a porto-riquenha, lembremos, que aplicou 6/1 e 6/1 e despachou a espanhola dos Jogos Olímpicos Rio 2016. Muguruza agora só enfrentará uma cabeça de chave nas oitavas, quando terá pela frente quem sair da seção que tem como Konta e Bencic como nomes mais fortes.

O acidente

Na vitória sobre o luxemburguês Gilles Muller (#37) por 6/4, 6/2 e 7/6(5), Gael Monfils (#12) tentou uma defesa quase de beisebol (que faria sentido no estádio do NY Mets, pertinho de Flushing Meadows) e acabou deixando o relógio do fundo de quadra completamente despedaçado.

A aboborização

Francis Tiafoe, 18 anos e #125 do mundo, esteve a dois pontos de derrotar John Isner (#21) e conquistar sua primeira vitória em um Slam, mas se afobou no tie-break do terceiro set e deixou o compatriota entrar no jogo. Tiafoe também sacou para fechar o jogo no quinto set, mas cedeu a quebra quando jogou uma direita fácil no meio da rede. Isner não perdoou e venceu o tie-break decisivo, fechando em 3/6, 4/6, 7/6(5), 6/2 e 7/6(3).

Depois de ver sua carruagem virar abóbora, o adolescente deu um grande abraço e não queria soltar o veterano. Isner, que disparou 35 aces, sobreviveu para enfrentar Steve Darcis na segunda rodada. Depois da queda de Gasquet, Isner pode encontrar um cabeça de chave apenas nas oitavas de final. Pode ser, quem sabe, um duelo com Novak Djokovic.

Correndo por fora / O recorde noturno / O patrocínio vetado

Além de Marin Cilic, campeão do US Open em 2014, a lista de candidatos ao título que venceram nesta segunda inclui também Milos Raonic (#6), que superou Dustin Brown (#86) por 7/5, 6/3 e 6/4.

Na chave feminina, Petra Kvitova (#16) teve seu saque quebrado no primeiro e no terceiro games, mas se recuperou e nem precisou de três sets. Fez 7/5 e 6/3 em cima de Jelena Ostapenko (#36).

O último jogo do dia já começou tarde, por conta do show de Phil Collins e da partida não-tão-rápida de Djokovic. Madison Keys (#9) perdeu o primeiro set, esteve uma quebra atrás na segunda parcial e até viu a compatriota Alison Riske (#60) sacar em 5/4 no tie-break do segundo set, mas escapou por pouco. A top 10 acabou triunfando por 4/6, 7/6(5) e 6/2.

O encontro terminou à 1h48min da manhã (horário local), estabelecendo um novo recorde para fim de jogo mais tarde em uma partida feminina no US Open.

A grande curiosidade da noite, porém, foi o veto da USTA ao plano de Madison Keys de usar a marca de um patrocinador tatuada na pela (tatuagem temporária, claro). A ideia foi do agente da moça, Max Eisenbud, o mesmo empresário de Sharapova. Sim, ele é o cidadão que seria responsável por ler as mudanças na lista de substâncias proibidas pela Wada, mas não o fez “porque deixou de viajar para o Caribe nas férias” (bom argumento, não?).

A intenção era driblar uma proibição da Nike, que não deixa que seus atletas usem marcas de outros patrocinadores na roupa. A Nike até concordou com a tatuagem, mas o plano foi impedido pela USTA, organizadora do torneio. Segundo o porta-voz da entidade, as regras para torneios do Grand Slam proíbem patrocínio co corpo. Leia mais no link do tweet acima.

Os brasileiros

Em uma jornada pavorosa, Thomaz Bellucci (#65) acabou eliminado pelo russo Andrey Kuznetsov (#47): 6/4, 3/6, 6/1 e 7/6(5). O número 1 do Brasil teve todas as chances do mundo para voltar na partida – inclusive depois de salvar três match points no quarto set – contra um adversário errático, mas não conseguiu. Como alcançou a terceira rodada no ano passado, Bellucci perderá pontos e cairá pelo menos para o 75º posto na lista da ATP.

Rogerinho (#108) deu azar no sorteio e até fez uma apresentação bem digna, dando trabalho para Marin Cilic (#9), mas acabou eliminado em três sets: 6/4, 7/5 e 6/1, em 2h de jogo. O paulista também perderá posições no ranking, indo parar em 120º na melhor das hipóteses. Rogerinho pode até ser ultrapassado por Feijão, que não passou pelo quali do US Open e joga esta semana um Challenger em Curitiba.

Por fim, Guilherme Clezar (#203), que furou o qualifying e deu a sorte de enfrentar outro qualifier na estreia, venceu o primeiro set e sacou em 5/4 no tie-break da segunda parcial, mas acabou superado pelo suíço Marco Chiudinelli (#144): 2/6, 7/6(6), 6/2 e 6/4.

Os melhores lances

Não foi lá um ponto fantástico, mas um único golpe espetacular. Vale ver o forehand vencedor de Nadal que lhe deu a quebra decisiva no segundo set contra Denis Istomin. Um canhão.


Quadra 18: S02E11
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Alexandre Cossenza

Os Jogos Olímpicos Rio 2016 mal acabaram, e o US Open já está aí batendo à porta, sem deixar ninguém descansar e mantendo lá no alto a temperatura do mundo do tênis. Por isso, o episódio desta semana do podcast Quadra 18 é uma pizza metade Rio 2016, metade US Open. Quer dizer, sendo bem sincero mesmo, a divisão ficou 2/3 Errejota, 1/3 Nova York, o que é muito justo já que o torneio olímpico de tênis foi melhor do que muito Slam.

Neste episódio, Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu lembramos dos melhores momentos dos Jogos Rio 2016 e compartilhamos episódios emocionantes e curiosos vividos na Cidade Maravilhosa, mas não deixamos de lembrar como está desenhado o cenário pré-US Open. Quer ouvir? É só clicar neste link. Se preferir baixar e ouvir depois, clique com o botão direito do mouse e selecione a opção “salvar como”.

Os temas

0’00” – Cossenza apresenta os temas
1’55” – O torneio olímpico de tênis foi tão marcante quanto um Slam?
5’31” – Os duplistas mineiros no torneio olímpico
7’38” – A boa chance de medalha para Melo e Soares
10’00” – A chave que se abriu sem Herbert/Mahut e Cabal/Farah
13’00” – A medalha que escapou de Daniel Nestor
13’40” – O nível altíssimo de André Sá nos Jogos Olímpicos
15’20” – A inesperada campanha de Thomaz Bellucci até as quartas
17’44” – Del Potro x Djokovic foi o melhor jogo do torneio?
21’15” – A inteligência do jogo agressivo e do slice de Del Potro
23’13” – Djokovic: a sintonia com o público brasileiro, as lágrimas, o que significou a derrota e o que pode vir a acontecer em Tóquio 2020
26’02” – O mistério sobre a lesão de Djokovic antes do US Open
27’30” – Nadal: a maratona, a medalha, as reclamações e o comprometimento
31’50” – Murray: o favoritismo, a obrigação e os (muitos) dramas
34’03” – Mónica Puig e a medalha de ouro na chave feminina
38’10” – As derrotas de Serena e Muguruza, maiores surpresas do torneio
39’09” – O pódio feminino e o “espírito de Fed Cup”
41’05” – O ouro olímpico seria o começo de uma arrancada de Mónica Puig?
44’05” – A loucura do estádio olímpico vibrando com Kirsten Flipkens
44’55” – Serena e Venus decepcionaram?
47’10” – Os resultados de Teliana e Paula Gonçalves no Rio
48’48” – A bolada de Martina Hingis em Andrea Hlavackova
51’30” – O ouro das “brunetes” Makarova e Vesnina
52’58” – O momento de Cossenza com Leander Paes
57’06” – A pergunta mais importante: quem pegou zika?
58’13” – Música em homenagem a Mónica Puig
58’50” – O comportamento da torcida: brasileiros acertam quando vaiam?
66’25” – Os encontros olímpicos de Aliny Calejon com Marin Cilic e Horia Tecau
73’10” – Os encontros de Cossenza e Sheila com Robin Soderling
74’00” – Outros esportes que vimos nos Jogos Rio 2016
77’21” – O drama de Sheila para ver Usain Bolt
82’21” – Engenhão à meia-noite: Cossenza “recomenda”
84’20” – Por que os episódios do podcast Quadra 18 são tão longos?
86’37” – Empire State of Mind (Jay Z featuring Alicia Keys)
87’11” – O US Open e suas novidades como o teto retrátil e a Grandstand
87’50” – Chave masculina está mais indefinida do que nos últimos Slams?
90’51” – A briga entre Serena e Kerber pelo posto de #1 do mundo
92’00” – Recordes que Serena pode bater nas próximas semanas
95’45” – O que esperar dos brasileiros nas duplas?
99’25” – As chances de Marcelo Melo voltar ao topo do ranking após o US Open
102’37” – Carry Me (Kygo featuring Julia Michaels)


Quadra 18: S02E10
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Alexandre Cossenza

Serena Williams conquistou seu 22º título em um torneio do Grand Slam; Andy Murray voltou a triunfar em Wimbledon; Djokovic e Muguruza ficaram pelo caminho; Federer e Kerber ficaram no quase; e o que Lleyton Hewitt foi fazer em Londres? Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu gravamos mais um bem humorado podcast Quadra 18, resumindo os feitos, as decepções, as confusões e tudo mais que rolou nas duas semanas do Slam da grama.

Também falamos, claro, de Brasil x Equador, confronto deste fim de semana em Belo Horizonte, e demos uma pincelada no cenário que se desenha para os Jogos Olímpicos Rio 2016. Quer ouvir? É só clicar no player acima. Se preferir, baixar e ouvir depois, clique neste link com o botão direito do mouse e selecione a opção “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’15” – Sheila apresenta os temas
1’40” – O título de Andy Murray
2’35” – Como o jogo de Murray se encaixa na grama
4’15” – Como “casa” bem para Murray o duelo com o Raonic
6’39” – A primeira final de Slam sem enfrentar Federer ou Djokovic
8’18” – Murray será número 1 do mundo?
10’15” – Raonic vai ganhar um Slam um dia?
12’44” – A consultoria de John McEnroe com Raonic e o conflito de interesse
14’45” – Como avaliar a campanha de Federer? Melhor ou pior do que o esperado?
17’32” – Foi a última grande chance de Federer ganhar um Slam?
21’05” – Djokovic e a derrota para Sam Querrey
25’00” – A especulação sobre a não vinda de Djokovic aos Jogos Olímpicos
26’20” – Djokovic, Murray e o confronto de Copa Davis
27’45” – A campanha de Juan Martín del Potro
29’00” – Wawrinka, a decepção
30’20” – A história louca de Marcus Willis
30’40” – Marin Cilic e outros destaques do torneio
34’10” – Right Action (Franz Ferdinand)
34’35” – Serena Williams, heptacampeã em Wimbledon
35’50” – A importância do 22º Slam no currículo da número 1
38’35” – A ótima campanha de Angelique Kerber e a análise da final
41’35” – A eliminação/decepção de Garbiñe Muguruza
42’42” – De onde surgiu Elena vesnina, semifinalista?
43’40” – Strycova, Pliskova e Keys, abaixo do esperado
45’00” – Os enormes atrasos pela chuva e o teto retrátil
49’35” – Será que vai chover durante as Olimpíadas?
52’20” – Side (Travis)
53’10” – O efeito melhor-de-três na chave de duplas
55’20” – As duas duplas francesas na final
57’26” – Como avaliar as campanhas dos brasileiros?
60’25” – Lleyton Hewitt ainda volta a jogar?
63’45” – Brasil x Equador na Copa Davis: o que esperar?
65’30” – O estranho calendário de Bellucci com seguidas mudanças de piso
66’08” – A não convocação de Thiago Monteiro

Créditos musicais

A faixa de abertura é chamada “Rock Funk Beast”, de longzijum. Em seguida, entram Right Action (Franz Ferdinand), Side (Travis) e Bang Your Drum (Dead Man Fall).