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AO, dia 2: grande virada de Rogerinho, 75 aces de Ivo e Serena leva noivo
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Alexandre Cossenza

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Foi um segundo dia cheio de emoções em Melbourne – ainda que nenhum dos principais candidatos ao título tenha sido ameaçado. A começar pela enorme virada de Rogerinho, que começou perdendo por 2 sets a 0, mas saiu de quadra como o único brasileiro a passar para a segunda rodada.

A terça-feira do Australiana Open também teve os 75 aces de Ivo Karlovic, que colocou mais uma vez seu nome na lista de mais saques indefensáveis em uma só partida, e os nove match points salvos por Lucie Safarova. A tcheca, aliás, vai enfrentar Serena Williams, que anunciou recentemente seu noivado e tem o sortudo na torcida em Melbourne.

Este resumaço do dia ainda lembra do susto de Zverev, das vitórias confortáveis de Djokovic e Nadal e do perfeito Gran Willy de Radwanska contra Pironkova.

O brasileiro

Rogerinho, o brasileiro que mais deu sorte na chave, foi também quem mais ficou em quadra e saiu recompensado com uma grande vitória sobre Jared Donaldson, 20 anos e #101 do mundo, por 3/6, 0/6, 6/1, 6/4 e 6/4. E nem parecia que seria o caso quando o Donaldson venceu rapidinho os dois primeiros sets. O paulista não desistiu. Cresceu no jogo, passou a encaixar seu primeiro saque com mais frequência e levou a decisão para o quinto set.

Abriu com uma quebra de saque, lutou quando jogou mal e manteve o serviço a duras penas (e com um pouco de sorte, como no break point em que seu backhand tocou na fita e morreu do outro lado), mas manteve a cabeça, continuou com o plano de jogo que vinha funcionando e conquistou uma bela vitória. A comemoração foi um longo abraço em Larri Passos, que viu a partida e deu alguns toques durante a semana.

Para que não fique dúvida: Rogerinho treina com o argentino Andrés Schneiter, e Larri Passos está em Melbourne acompanhando uma tenista francesa.

O triunfo desta terça foi o sexto da carreira de Rogerinho (32 anos) em quadras duras em torneios de nível ATP. Antes, o paulista tinha vitórias no US Open em 2011 (Sorensen), 2012 (Gabashvili) e 2013 (Pospisil), nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro (Fabbiano) e em Chennai/2017 (Lajovic). O próximo passo é um duelo com o francês Gilles Simon. Os dois se enfrentaram em Roland Garros, no ano passado, e Simon confirmou o favoritismo em três sets: 7/6(5), 6/4 e 6/2.

Os favoritos

Serena Williams fez uma bela apresentação. Consciente do perigo representado por Belinda Bencic, a americana fez uma estreia muito melhor do que a média de suas apresentações iniciais em Slams. Mais do que isso, a #2 do mundo foi excelente no único momento delicado da partida: o 4/4 do primeiro set. Depois dali, Serena venceu sete games seguidos ates que Bencic ensaiasse uma frustrada reação no fim da segunda parcial. No fim, 6/4 e 6/3 para Serena.

A atuação da ex-número 1 veio diante dos olhos do noivo, Alex Ohanian, um dos fundadores do Reddit. Serena revelou o noivado há pouco tempo, em um texto no próprio Reddit, e pegou o mundo de surpresa. A história de amor era desconhecida do grande público até então. O Australian Open é o primeiro torneio com presença de Ohanian desde o anúncio.

Abrindo a sessão noturna a Rod Laver Arena, Novak Djokovic encontrou de novo Fernando Verdasco, o mesmo contra quem precisou salvar quatro match points na semifinal do ATP de Doha, há pouco mais de uma semana. Outro jogo tão parelho era improvável. E não foi, a não ser pelo segundo set, quando o espanhol esteve duas vezes com quebra de vantagem – em ambas, perdeu o serviço imediatamente em seguida – e sucumbiu no tie-break. Djokovic fez 6/1, 7/6(4) e 6/2, sem drama.

Os 75 aces de Ivo Karlovic

Quando Horacio Zeballos (#68) abriu 2 sets a 0 sobre Ivo Karlovic (#21) em 1h20min de jogo, o argentino parecia ter bem encaminhada sua passagem para a segunda rodada. Só que não foi tão fácil assim. Karlovic, o homem que mais disparou aces na história do tênis, voltou a fazer bem o que faz de melhor: confirmar serviços. Logo, a partida estava no quinto set. E que quinto set, tenso e demorado. Karlovic e Zeballos deram pouquíssimas chances em seus games de serviço, e a partida foi se alongando.

A parcial decisiva, sem tie-break, durou mais que todos os quatro sets anteriores. O croata não parava de disparar aces. No 42º game, Karlovic finalmente conseguiu dois match points. Perdeu o primeiro num rali, mas ganhou o segundo ao acertar um preciso lob de slice. Zeballos correu como um louco, mas não conseguiu colocar a bolinha na quadra. Game, set, match: 6/7(6), 3/6, 7/5, 6/2, 22/20.

Os números oficiais registraram 5h14min de jogo e 75 aces de Karlovic (33 de Zeballos). Os 75 saques indefensáveis colocam o croata na quarta posição na lista de mais aces em uma partida. Ele também ocupa o terceiro (78), o quinto (61), o sétimo (55), o oitavo (53) e o décimo (51) lugares na lista.

O recorde é de John Isner, que executou 133 aces contra Nicolas Mahut na primeira rodada de Wimbledon em 2010. Aquele jogo durou 11h05min, se alongou por três dias e é o mais longo da história do tênis. O americano bateu o francês por 6/4, 3/6, 6/7(7), 7/6(3) e 70/68. Mahut fez 103 aces naquele dia.

Outros candidatos

Alexander Zverev, o “prodígio”, fez um set decente, outros dois pavorosos e esteve a poucos games de uma eliminação desastrosa. Robin Haase, #57, assumiu a dianteira no placar e teve até uma quebra de vantagem no quarto set. Bastava confirmar seu saque, o mas o holandês jogou um pavoroso sexto game, deu quatro pontos de graça a Zverev e colocou o adolescente de volta na partida.

O alemão de 19 anos nem fez lá dois sets irretocáveis, mas fez seu básico enquanto Haase continuava a cometer duplas faltas e dar pontos de graça. O placar final mostrou 6/2, 3/6, 5/7, 6/3 e 6/2, e se Zverev tem motivo para comemorar sua sobrevivência no torneio, também precisa se preocupar com a consistência. É preciso mais para que ele consiga o salto que todos acreditam que ele pode dar para brigar por títulos e pelas primeiras posições do ranking.

O lado bom para o fã de tênis é que ainda existe a possibilidade da badalada partida de terceira rodada entre Zverev e Rafael Nadal. O espanhol, aliás, também estreou com vitória: fez 6/3, 6/4 e 6/4 sobre o alemão Florian Mayer. Nadal não perdeu nenhum game de serviço – o que é mais importante hoje em dia do que já foi no passado – quebrou Mayer uma vez em cada set e faz lances bonitos como sempre – inclusive a paralela do tweet abaixo.

Também desse lado da chave, Milos Raonic fez 6/3, 6/4 e 6/2 sobre Dustin Brown. O canadense é favorito para pelo menos alcançar as quartas de final, quando enfrentará o vencedor da seção que tem Monfils, Kohlschreiber, Nadal e Zverev.

Na chave feminina, considerando seu histórico de fiascos em rodadas iniciais de Slam, Karolina Pliskova fez uma bela estreia. No primeiro jogo do dia na Rod Laver Arena, a vice-campeã do US Open despachou rápido a espanhola Sara Sorribes Tormo (#106) em poco mais de uma hora: 6/2 e 6/0. Melhor ainda para Pliskova é a derrota da perigosa Monica Niculescu (#32), superada pela qualifier russa Anna Blinkova (#189) por 6/2, 4/6 e 6/4.

Johanna Konta, por sua vez, passou por um obstáculo nada simples e eliminou a belga Kirsten Flipkens (#70) por 7/5 e 6/2. A top 10 britânica, que vem de título em Sydney, avança para outro duelo perigoso. Vai encarar a japonesa Naomi Osaka (#48), que venceu um jogo duríssimo contra Luksika Kumkhum (#183) por 6/7(2), 6/4 e 7/5. Caroline Wozniacki e Dominika Cibulkova, outras que que correm por fora em Melbourne, também venceram nesta terça.

O Gran Willy

Por fim, no último jogo da Rod Laver Arena, Agnieszka Radwanska precisou de três sets, mas eliminou Tsvetana Pironkova por 6/1, 4/6 e 6/1. Foi uma boa atuação da polonesa, que só não venceu com mais facilidade porque a búlgara conseguiu – pelo menos no segundo set – agredir com eficiência o serviço frágil de Aga. Na parcial decisiva, contudo, Radwanska conseguiu alongar ralis e impor suas variações com curtinhas, slices e um pouco de tudo. E, entre tantos pontos bonitos, o Gran Willy do vídeo acima foi o ponto alto.

Nove match points

Não é todo dia que alguém perde tantas chances assim de fechar um jogo. A ex-top 20 Yanina Wickmayer teme nove match points contra a tcheca Lucie Safarova no segundo set e não conseguiu converter. Safarova se defendeu de cinco match points no 12º game, com seu serviço, e de mais quatro pontos no tie-break. Quando conseguiu forçar o terceiro set, avançou cheia de moral, enquanto Wickmayer sucumbiu: 3/6, 7/6(7) e 6/1.

O prêmio por tanto esforço? Um duelo com Serena Williams na segunda rodada. Sim, tcheca e americana, que fizeram a final de Roland Garros em 2015, agora vão se encontrar na segunda rodada de um Slam. O favoritismo, claro, é de Serena que tem um histórico de 9 a 0 em confrontos diretos contra a tcheca.


AO, dia 1: Serena mostra força, Wozniacki cai e uma velha polêmica ressurge
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Alexandre Cossenza

Os assuntos do primeiro dia deste Australian Open não foram muitos, mas tiveram a intensidade proporcional a um torneio do Grand Slam. Antes de o dia começar, o assunto foi um par de reportagens que prometiam revelações sobre manipulações de resultados no tênis. Já com a bola em jogo, Serena Williams mostrou força (e um joelho aparentemente recuperado), assim como Novak Djokovic e os demais sérios candidatos ao título em Melbourne.

Houve, porém, um número considerável de zebras, embora a maioria das cabeças de chave eliminadas nesta segunda-feira não fossem consideradas favoritas a ir tão longe nas chaves. O nome de maior peso foi o da dinamarquesa Caroline Wozniacki, que levou uma inesperada virada.

Este resumaço do primeiro dia do Australian Open também traz um lance espetacular do francês Benoit Paire em um momento delicado, imagens dos modelitos mais comentados, vídeos de croatas descontando a raiva na raquete (gracias, Aliny) e o que há de mais interessante na programação de terça-feira. Role a página e fique por dentro.

Os favoritos

Serena Williams tranquilizou seus fãs com uma vitória em um jogo nada simples. Camila Giorgi, #36, entrou na Rod Laver Arena soltando o braço e disposta a trocar pancadas contra a número 1. Não deu muito certo no set inicial, mas foi o bastante para emparelhar a segunda parcial. Serena, contudo, segurou bem a onde com seu saque, sem ceder break points, e aproveitou uma chance de quebra no 11º game para fechar em 6/4 e 7/5.

Se não entrou em longas trocas de bola, a americana mostrou bom deslocamento lateral um movimento de saque aparentemente normal (leia-se: sem sinais das dores no joelho que incomodaram na Copa Hopman). Logo, Serena mantém-se como favorita absoluta ao título, como em qualquer outro Slam. Desta vez, com a vantagem de não precisar enfrentar uma cabeça de chave antes das quartas (entenda abaixo, na seção “cabeças que rolaram”).

O principal favorito entre os homens não decepcionou. Novak Djokovic controlou as ações e teve resposta para tudo que o talentoso-porém-inexperiente sul-coreano Hyeon Chung, 19 anos e #52. Sempre mais consistente e com uma arma a mais do que o adversário, Nole fez 6/3, 6/2 e 6/4, perdendo o saque apenas uma vez – no set inicial, quando vencia por uma quebra de vantagem.

A lista de candidatos ao título que venceram sem drama ainda inclui Kei Nishikori, Tomas Berdych e Roger Federer na chave masculina, e Petra Kvitova, Agnieszka Radwanska, Belinda Bencic e Maria Sharapova entre as mulheres.

Cabeças que rolaram

Não é novidade nenhuma que as quadras duras não são o forte de Sara Errani, mas a eliminação da italiana parecia improvável quando a cabeça 17 fez 6/1 no primeiro set contra a russa Margarita Gasparyan. Só que Errani, primeira mulher a ganhar um set neste Australian Open, acabou se tornando a primeira seed a dar adeus. Gasparyan, #58, acabou vencendo por 1/6, 7/5 e 6/1.

Cabeça 24, Sloane Stephens também parecia barbada contra a qualifier chinesa Qiang Wang, #102, mas deu adeus em pouco mais de 1h20min de partida. Em uma ótima atuação, Wiang fez 6/3 e 6/3 e saltou para a segunda rodada. O resultado deixa a seção um tanto imprevisível, já que Stephens seré considerada favorita em um grupo encabeçado por Roberta Vinci. E se é difícil prever quem chegará às oitavas, é fácil concluir que o caminha fica um pouco melhor para quem avançar de um grupo fortíssimo que tem Aga Radwanska, McHale, Bouchard, Puig e Stosur.

A maior surpresa do dia na chave feminina, contudo, foi a queda de Caroline Wozniacki, ex-número 1 do mundo e atual #18, diante da cazaque Yulia Putintseva, #76. A dinamarquesa saiu na frente, vencendo a primeira parcial com folga, abriu o segundo set com uma quebra e chegou a sacar em 6/1 e 4/2, mas viu a partida mudar rapidamente. Putintseva venceu o segundo set no tie-break e levou amelhor no terceiro: 1/6, 7/6(3) e 6/4.

Wozniacki não está nada feliz (vide tuíte acima) com seu começo de temporada, que também inclui uma derrota para Sloane Stephens na semifinal em Auckland. O mais curioso, no entanto, é que a dinamarquesa sabia de uma “tendência” negativa quando entrou em quadra. Desde 2011, vem sendo mais eliminada mais cedo em Melbourne. Pois não conseguiu mudar a maré nesta segunda-feira.

Não que fosse necessário, mas a maior beneficiada com as “cabeças que rolaram” logo neste primeiro dia de Australian Open foi Serena Williams. Com a eliminação de Wozniacki e as derrotas de Anna Schmiedlova (cabeça 27) e Sara Errani (cabeça 17), a número 1 pode alcançar as oitavas de final sem enfrentar uma cabeça de chave. Para chegar à semi, Serena só enfrentará uma seed, que sairá da seção que tem Sharapova, Bencic e Kuznetsova.

Aliás, Anastasia Pavlyuchenkova (cabeça 26) estava neste grupo também e já se despediu. O mesmo vale para a alemã Andrea Petkovic (cabeça 22), que foi derrotada em dois sets pela russa Elizaveta Kulichkova (7/5 e 6/4), e a australiana Sam Stosur, que continua sem conseguir uma campanha expressiva “em casa”. Nesta segunda, ela foi eliminada pela qualifier Krystina Pliskova, #114 (irmã de Karolina, #12 do mundo), que fez 6/4 e 7/6(6). Stosur, ex-top 5 e campeã do US Open de 2011, segue sem conseguir alcançar as oitavas de final em Melbourne desde 2010.

Na chave masculina, o resultado mais significativo foi a queda do francês Benoit Paire, #18, diante do jovem americano Noah Rubin, de 19 anos e #328. O adolescente, que joga o torneio australiano com um wild card, levou a melhor em três tie-breaks: 7/6(4), 7/6(6) e 7/6(5).

O francês, que teve dois set points no segundo set e sacou para fechar o terceiro, saiu da quadra direto para a sala de coletivas, onde mostrou toda sua insatisfação, dizendo que “ele (Rubin) não é um bom jogador, mas eu fui muito mal hoje. Sim, ele não é um jogador muito bom. Eu fui pior que ele hoje.”

Crises de raiva croatas

Quem também se complicou foi o campeão do US Open de 2014, Marin Cilic. O croata, no entanto, saiu de um buraco no segundo set, depois de holandês Thiemo de Bakker, #98, vencer o primeiro set e ter dois set points na segunda parcial. Cilic escapou dos set points com duas direitas vencedoras, venceu a parcial quebrando o holandês e, aí sim, tomou o controle do jogo: 6/7(4), 7/5, 6/2 e 6/4.

Cilic nem foi o único croata a descontar sua raiva na raquete neste dia inicial de torneio. Ivan Dodig, que acabou eliminado pelo wild card francês Quentin Halys, também experimentou a terapia mais comum entre tenistas.

E embora eu não tenha encontrado um vídeo do momento, vale registrar que Borna Coric foi outro croata a destruir uma raquete. O garotão, que nunca venceu na chave principal do Australian Open, sofreu uma derrota dura nesta segunda. Acabou eliminado pelo espanhol Albert Ramos Viñolas por 6/2, 6/2 e 6/3.

A brasileira

A participação de Teliana Pereira no Australian Open não foi não diferente assim de suas aparições em Brisbane e Hobart. Aliás, numericamente, foi até bastante parecida, já que a brasileira venceu apenas três games e foi eliminada na estreia pela romena Monica Niculescu (6/2 e 6/1).

O número foi o mesmo dos outros dois torneios anteriores. Em Brisbane, Teliana foi eliminada por Andrea Petkovic por 6/1 e 6/2. Em Hobart, Heather Watson foi a algoz da pernambucana, fazendo 6/3 e 6/0. Definitivamente, o começo de ano nas quadras duras vem sendo complicado para a número 1 do Brasil.

Os melhores lances

Benoit Paire deu adeus ao torneio, mas deixou este lance de lembrança:

E que tal esse backhand de Roger Federer?

No mundo fashion (ou nem tanto)

Não tenho uma opinião formada sobre o modelito de Serena Williams para este Australian Open, mas a Aliny fez uma comparação pertinente.

O visual sem mangas de Grigor Dimitrov não foi tão elogiado…

Pelo menos Maria Sharapova parece ter agradado à maioria:

A desistência

Ivo Karlovic entrou em quadra sentindo dores no joelho e lutou por dois sets contra Federico Delbonis. No entanto, quando o argentino abriu 2 sets a 0, o croata viu que não adiantaria mais. Com o placar mostrando 7/6(4), 6/4 e 2/1, Karlovic abandonou. Pouco depois, pediu desculpas via Twitter.

Extraquadra

Antes que o torneio começasse, a BBC e o BuzzFeed (combinação interessante, não?) publicaram reportagens sobre a manipulação de resultados no tênis. Fiz um post só sobre o assunto. Leiam aqui.

O melhor de terça-feira

O grande destaque da programação de terça-feira em Melbourne é a partida entre Lleyton Hewitt e o compatriota Kevin Duckworth, que pode significar a despedida de Rusty – este Australian Open será seu último torneio no circuito. Por isso, o duelo foi marcado para abrir a sessão noturna da Rod Laver Arena. Antes, também na principal quadra do complexo, Rafael Nadal e Fernando Verdasco fecham a sessão diurna. Pode ser uma partida um tanto interessante se Verdasco ajudar.

Também na sessão diurna, Andy Murray faz o segundo jogo da Margaret Court Arena (MCA) contra Alexander Zverev. Entre os brasileiros, Thomaz Bellucci faz sua estreia na Quadra 7, no terceiro horário (por volta das 2h30min de Brasília, eu chutaria). Ele é favoritíssimo contra o convidado da casa, Jordan Thompson.


O número 1 ao alcance de Marcelo Melo
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Alexandre Cossenza

Já são 18 torneios, cinco parceiros diferentes e quatro títulos conquistados. Em 2015, Marcelo Melo jogou com Max Mirnyi, Julian Knowle e Bruno Soares. Com Ivan Dodid, seu parceiro habitual, venceu Acapulco e Roland Garros, Com o sul-africano Raven Klaasen, companheiro das últimas duas semanas, varreu Japão e Xangai. E agora, depois de dois títulos consecutivos, Marcelo Melo se aproxima enormemente do posto de duplista número 1 do mundo. Sim, é verdade.

Foi na quinta-feira que a Aliny Calejon, colega do podcast Quadra 18, alertou para a nada desprezível chance de o mineiro encostar e, talvez, ultrapassar os irmãos Bryan. Segundo as contas dela, Marcelo pode sair de Viena, seu próximo ATP, apenas 190 pontos atrás de Bob e Mike. Os gêmeos americanos, vale lembrar, têm 2.300 pontos a defender no Masters 1.000 de Paris e no ATP Finals, já que venceram ambos no ano passado. Enquanto isso, Marcelo somou “apenas” 800 no torneio londrino em 2014, depois de zerar na França. Ou seja, a chance existe e não é nada, nada pequena.

Em Viena, Melo joga ao lado do polonês Lukasz Kubot em uma chave pequena, mas nada fácil. A estreia será contra os colombianos Juan Sebastián Cabal e Robert Farah. A curiosidade da semana, contudo, fica por conta de Mike Bryan, que jogará sem o irmão pela primeira vez desde 2002. Seu parceiro no torneio será o também americano Steve Johnson.

O resultado disso é que os dois irmãos podem se separar no ranking. E como todo “pode” deveria vir sempre acompanhado de “ou não”, vale apontar que Mike e Steve Johnson estrearão em Viena contra Jamie Murray e John Peers, vice-campeões de Wimbledon e do US Open. Se escocês e australiano vencerem, manterão os gêmeos juntos no ranking e darão uma forcinha a Marcelo Melo.

Público existe ou se faz?

A nota triste sobre isso é que o SporTV novamente não mostrou uma final de Masters 1.000 envolvendo Marcelo Melo. Já havia acontecido dois anos atrás, quando ele venceu o mesmo torneio, junto com Ivan Dodig. Conversei na época com uma pessoa do canal sobre isso. Ela me respondeu o seguinte: “É dupla e de madrugada. Não tem público.”

Esse raciocínio tem lá sua lógica. Por que gastar e movimentar uma equipe de transmissão na madrugada se a audiência não é tanta assim? Há quem diga, no entanto, que “público se faz.” Quando o canal faz uma cobertura boa e valoriza o produto que tem, a audiência cresce. Um bom exemplo seria o público de NFL, que cresceu bastante no Brasil desde que a ESPN adquiriu os direitos exclusivos e mostra vários jogos por rodada. Parece ser um debate interessante.

A temporada espetacular

Desde o US Open, última vez que postei sobre o circuito masculino, pouca coisa mudou – a não ser pela espantosa derrota de Roger Federer para Albert Ramos-Viñolas na primeira rodada em Xangai. No topo do ranking, Novak Djokovic continua imbatível. Venceu Pequim (500) e Xangai (1.000) de forma absoluta. Foram dez vitórias sem perder sets e apenas dois rivais conseguiram vencer pelo menos quatro games em um set: Tomic e Tsonga, ambos em Xangai.

A sequência, não esqueçamos, incluiu partidas contra David Ferrer, John Isner, David Ferrer, Rafael Nadal e Andy Murray. É assustadora a superioridade do sérvio neste momento. Sua vantagem sobre o escocês, atual número 2 do ranking, já é de mais de oito mil pontos (o equivalente a quatro títulos de Grand Slam). Seus resultados são comparáveis aos da fantástica temporada de 2011. Melhores, talvez? É outro debate interessante.

Há até quem considere a possibilidade de ser a melhor temporada da Era Aberta, mas é um argumento difícil de se fazer. Além de todas as ressalvas costumeiras (momentos, adversários e tecnologias diferentes), é preciso considerar que Rod Laver, lá atrás, venceu os quatro Slams no mesmo ano. Seria, então, a melhor campanha da Era Aberta com três Slams no mesmo ano? Talvez, mas “três Slams no mesmo ano” já é um asterisco que, pelo menos para mim, faz a comparação perder o sentido. Nada disso, no entanto, altera o inegável: é um ano memorável para o sérvio.

O recorde que não foi

Outro tema interessante (desde o último post sobre ATP aqui no Saque e Voleio) foi o recorde de aces quebrado por Ivo Karlovic, que superou o compatriota Goran Ivanisevic durante o ATP de Pequim. Dr. Ivo agora tem 10.247 (considerando que ele não sacará mais nenhum até a publicação deste post) saques indefensáveis na carreira contra 10.237 de Ivanisevic.

Entretanto, a marca de Karlovic, muito divulgada pela ATP (que precisa de assunto nesse período pós-US Open e pré-Finals), também já vem sendo bastante contestada. Não pelos números que existem, que são incontestáveis, mas pelos que nunca foram (nem serão) registrados. Este texto do Tennis Abstract, por exemplo, lembra que são muitas as partidas não contabilizadas de Ivanisevic. Segundo uma estimativa do site, Goran teria algo perto de 12.550 aces – número que dificilmente seria alcançado pelo compatriota.


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