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AO, dia 3: o karma de Kyrgios, sustos de Kerber e Murray, tombo de Cilic
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Alexandre Cossenza

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Demorou, mas o terceiro dia do Australian Open teve seus momentos de emoção. Depois de uma sessão diurna sem grandes dramas – apenas Angelique Kerber sofreu com o sol – a noite chegou com um jogão de cinco sets entre Nick Kyrgios e Andreas Seppi, a eliminação de Marin Cilic e um pequeno susto de Andy Murray.

O resumaço de hoje comenta esses momentos e ainda avalia as apresentações de Federer, Nishikori, Wawrinka, Venus e Bouchard, além de registrar a única vitória brasileira do dia – que veio na chave de duplas. Então, se você não ficou acordado na madrugada, sem problema. É só rolar a página e se informar.

A zebra e a vingança

É um desses casos que a gente costuma classificar como “ironia do destino” pela simples falta de explicação melhor. Chamem de karma, vingança, retribuição, o que preferirem. Não acontece todo dia. Mas aconteceu dois anos atrás, na Hisense Arena. Andreas Seppi enfrentou Nick Kyrgios nas oitavas de final. O italiano, mais bem ranqueado dos dois, abriu 2 sets a 0, teve um match point, não conseguiu converter e acabou eliminado com o placar do quinto set mostrando 8/6 para Kyrgios.

E aconteceu nesta quarta-feira, de novo na Hisense Arena, no Australian Open. O jogo valia pela segunda rodada, e Kyrgios, o mais bem ranqueado em quadra, saiu na frente. Venceu os dois primeiros sets. Seppi reagiu e venceu os dois seguintes, mas foi o tenista da casa quem teve um match point desta vez. O italiano se salvou, enfiando uma direita arriscadíssima na paralela. Sem defesa. Dois games depois, Seppi comemorou. Completou a virada: 1/6, 6/7(1), 6/4, 6/2 e 10/8.

Aos 32 anos e #89 do mundo, Seppi disse ao fim do jogo que não sabe quantas partidas assim, com essa emoção e disputados no ambiente maravilhoso da Hisense, lhe restam na carreira. Pode até ser sua última grande vitória. No momento, pouco importa. Foi bonita, vibrante, gloriosa. E lhe valeu uma vaga na terceira rodada contra Steve Darcis, o que não é nada mau também, né?

Kyrgios, por sua vez, saiu vaiado da quadra e deu mais uma daquelas coletivas intrigantes. Admitiu que fez “coisas que não deveria” nas férias, como jogar basquete e lesionar o corpo, falou que jogou o torneio com problema nos joelhos, reclamou das vaias que levou e ironizou quando lhe perguntaram que tipo de dor ele sentia: “Não sei. Pergunte a Johnny Mac [John McEnroe]. Ele sabe tudo.”

Os sustos dos favoritos

Angelique Kerber passou por mais um susto antes de comemorar seu 29º aniversário na Rod Laver Arena (RLA) nesta quarta-feira. A #1 do mundo, que ainda não teve uma grande atuação em 2017, voltou a sofrer com a irregularidade e, desta vez, teve problemas para sacar com o sol na cara – especialmente no segundo set. A também alemã Carina Witthoeft, #89 e 21 anos, nem aproveitou tão bem assim os saques fraquíssimos da #1 (beirando os 110km/h), mas ganhou a segunda parcial e forçou o terceiro set. A desafiante até começou o set decisivo com uma quebra, mas não conseguiu manter a vantagem. Kerber encaixou uma sequência de games bons, virou o placar e fechou em 6/2, 6/7(3) e 6/2.

O copo meio cheio de Kerber é mais uma vitoria jogando mal. Também foi assim na primeira rodada, contra Lesia Tsurenko. É importante anotar triunfos em dias ruins. São esses jogos que permitem que ela cresça no torneio e chegue forte na segunda semana. O copo meio vazio, contudo, é que fica difícil imaginar a alemã avançando na segunda semana do torneio jogando assim. Kerber pode ter um duelo duro contra Eugenie Bouchard nas oitavas e outro contra Garbiñe Muguruza nas quartas. Nenhuma das duas perdoaria saques tão frágeis como os desta quarta.

Fechando a sessão noturna na RLA, Andy Murray dominou o russo Andrey Rublev (19 anos, #152 do mundo) do começo ao fim. O único momento realmente tenso da partida veio no início do terceiro set, quando o #1 do mundo torceu o tornozelo direito e ficou caído na quadra por alguns instantes.

Por sorte, não foi nada grave, e Murray voltou logo ao jogo para completar a vitória por 6/3, 6/0 e 6/2. Embora sua chave tenha sido um pouco facilitada pelas quedas de Pouille e Isner (esperava-se que um dos dois enfrentasse o britânico nas oitavas), a próxima rodada não tem nada de fácil. O escocês vai duelar com Sam Querrey e, nas quadras rapidíssimas deste ano em Melbourne, qualquer sacador é um obstáculo ainda maior do que de costume.

Outros candidatos

Kei Nishikori abriu a programação na Hisense Arena (HA) e conseguiu uma vitória em três sets em um jogo que poderia ter sido mais complicado contra Jeremy Chardy. O curioso é que o japonês não chegou a empolgar. Cometeu mais erros do que winners (30 e 21, respectivamente) e perdeu o serviço três vezes. Só não teve mais dificuldades porque Chardy, que não estava em um dia animador, somou 53 erros não forçados. De qualquer modo, Nishikori está na terceira rodada e vai enfrentar Lukas Lacko, que passou por Dudi Sela por 2/6, 6/3, 6/2 e 6/4.

A sessão diurna continuou com vitórias sem drama algum. Stan Wawrinka fez 3 sets a 0 em cima de Steve Johnson, o que é um sinal positivo depois dos nervosos cinco sets contra Martin Klizan. Desta vez, o placar final foi de 6/3, 6/4 e 6/4. O duro caminho do #1 da Suíça continua contra Victor Troicki na terceira rodada.

Enquanto isso, Roger Federer encarava o qualifier Noah Rubin, 20 anos e #200 do ranking. O garotão deu trabalho no primeiro set, confirmando seus serviços e equilibrando a parcial. Só sucumbiu no 12º game, quando Federer parou de tentar trocar só pancadas e foi mais paciente. O triunfo por 7/5, 6/3 e 7/6(3) só veio depois de um inconsistente suíço salvar um set point no terceiro set. Não fossem os nervos de Rubin, a partida poderia ter se alongado mais do que o desejável para Federer.

No geral, não foi uma apresentação memorável, mas foi o bastante para avançar sem problemas. De positivo, seu serviço continua excelente, rendendo vários pontos de graça. Mesmo assim, Rubin conseguiu agredir com eficiência em alguns segundos saques. É de se esperar que Tomas Berdych, próximo adversário do ex-número 1, faço o mesmo – ou melhor.

Nesta quarta, o tcheco fez 6/3, 7/6(6) e 6/2 sobre Ryan Harrison. Avançou sem sustos, como era de se esperar. Mas e agora, será que Berdych consegue fazer mais do que nos últimos cinco jogos contra Federer? O suíço venceu todos e ganhou dez sets consecutivos.

Entre as mulheres, Venus Williams sempre corre por fora e vale ficar de olho na ex-número 1 porque sua chave ficou bem mais acessível depois das eliminações de Simona Halep e Kiki Bertens. Nesta quarta, a americana fez o seu. Bateu Stefanie Voegele por 6/3 e 6/2 marcou um encontro com Ying-Ying Duan (#87), que eliminou Varvara Lepchenko (#88) por 6/3, 3/6 e 10/8.

Quem segue impressionando é Eugenie Bouchard, que voltou a jogar bem e está sem problemas físicos. Nesta quarta, despachou Shuai Peng (#83) por 7/6(5) e 6/2, tomando a iniciativa na maioria dos pontos e jogando com precisão. Ex-top 5 e solta na chave (ocupa o 47º posto hoje), a canadense enfrentará Coco Vandeweghe, que passou por Pauline Parmentier por 6/4 e 7/6(5), na terceira rodada em busca de um possível duelo com Kerber nas oitavas. Será?

Por fim, abrindo a sessão noturna da Rod Laver Arena, Garbiñe Muguruza derrotou Samantha Crawford por 7/5 e 6/4. Não foi lá uma jornada impecável da espanhola, que desperdiçou duas quebras de vantagem na primeira parcial, mas foi o bastante para evitar um terceiro set. Ela agora enfrenta Anastasija Sevastova, cabeça de chave número 32, em busca de um lugar nas oitavas.

Mais cabeças que rolaram

Cabeça de chave #19, John Isner entrou em quadra como favorito contra Mischa Zverev. Aumentou seu favoritismo depois de abrir 2 sets a 0. Só que o alemão, irmão mais velho do “prodígio” Alexander, equilibrou a partida. Venceu um, dois e forçou o quinto set. Isner, que não tem lá um retrospecto tão bom assim em melhor de cinco sets, até salvou um match point com sorte…

O americano, no entanto, acabou sucumbindo depois de não conseguir converter dois match points no quarto set: 6/7(4), 6/7(4), 6/4, 7/6(7) e 9/7. A maior consequência do resultado é deixar, no papel, a chave menos complicada para Andy Murray, que enfrentaria Isner (ou Pouille) nas oitavas. Zverev, por sua vez, avança para encarar Jaziri em busca de um lugar nessas oitavas que possivelmente serão contra o número 1 do mundo.

No fim do dia, foi a vez de Marin Cilic ser o primeiro top 10 a dar adeus a Melbourne, o que confirmou um péssimo início de temporada, que já incluía uma derrota para o eslovaco Jozef Kovalik (#117 do mundo) no ATP de Chennai e um susto diante de Jerzy Janowicz na primeira rodada em Melbourne. Nesta quarta, o algoz do croata foi o britânico Dan Evans, que fez 3/6, 7/5, 6/3 e 6/3.

A chave feminina também teve um punhado de cabeças de chave que rolaram, como Shuai Zhang, eliminada por Alison Riske, e Irina-Camelia Begu, que caiu diante de Kristina Pliskova. As quedas mais relevantes foram a de Carla Suárez Navarro, cabeça 10, que foi superada por Sorana Cirstea (sim, aquela!), e Mónica Puig, a campeã olímpica, que não passou pela alemã Mona Barthel.

Os brasileiros

Já eliminado nas simples, Thomaz Bellucci voltou a Melbourne Park para tentar a sorte nas duplas. Ele o argentino Máximo González, no entanto, não passaram da estreia e perderam para Pablo Cuevas e Rohan Bopanna: 6/4 e 7/6(4). Assim, o #1 do Brasil e #62 do mundo encerra sua passagem pela Ásia com três derrotam. Em Sydney, apenas nas simples, foi derrotado por Nicolas Mahut na estreia.

Marcelo Demoliner fez melhor e avançou. Ele e o neozelandês Marcus Daniell derrotaram o argentino Guillermo Duran e o português João Sousa por 7/6(2) e 6/4. Bruno Soares, que joga ao lado de Jamie Murray; Marcelo Melo, que faz parceria com Lukasz Kubot; e André Sá, que atua com o indiano Leander Paes, ainda não estrearam no torneio.


NY, dia 1: Garbiñe assusta, Djokovic preocupa, Nadal empolga
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Alexandre Cossenza

Para um primeiro dia de Slam, a segunda-feira que abriu o primeiro US Open com teto retrátil no Estádio Arthur Ashe (sim, o estádio da foto abaixo, clicado no show que antecedeu a sessão noturna) foi bastante interessante. Não teve grandes zebras – nem a queda de Richard Gasquet chocou tanto assim -, mas contou com partidas intrigantes de Garbiñe Muguruza, Rafael Nadal e Novak Djokovic. Angelique Kerber também venceu, mas seu jogo só serviu para alimentar a primeira polêmica do torneio. O resumo do dia traz um pouco de tudo que rolou.

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Os favoritos / A primeira polêmica

Entre os homens, o primeiro dos quatro cabeças a estrear foi Rafael Nadal (#5), que encarou Denis Istomin (#107) e passou por cima: 6/1, 6/4 e 6/2, chegando a vencer nove games seguidos nos primeiros dois sets. Ainda é cedo e o espanhol não foi tão exigido assim, mas Nadal deu bons sinais. Sacou bem (e com potência!), agrediu bastante do fundo de quadra e foi consistente quando a ocasião pediu. Com uma chave acessível até pelo menos as quartas de final, terá tempo de afiar seu tênis e chegar bem na segunda semana. Se a lesão no punho deixar, os outros candidatos que se cuidem.

Na chave feminina, Angelique Kerber (#2) ficou apenas 33 minutos em quadra. Sua adversária, a eslovena Polona Hercog (#120), abandonou quando perdia por 6/0 e 1/0, alegando tonturas sob o forte sol desta segunda-feira. Até aí, tudo bem. O problema é que o abandono não foi muito bem recebido por Donna Vekic, que perdeu na última rodada do quali e aguarda uma vaga como lucky loser. A croata foi sarcástica no Twitter ao ver o resultado:

Indagada sobre o assunto, Hercog disse não saber o que dizer porque “ela não sabe o que estava acontecendo. Não sei como ela pode julgar.” A eslovena ainda disse “não é minha culpa se ela perdeu na última rodada do quali.”

Na sessão noturna do Ashe, pouco depois de uma apresentação de Phil Collins, Novak Djokovic (#1) derrotou Jerzy Janowicz (#247) em quatro sets: 6/3, 5/7, 6/2 e 6/1. Aqui valem todas as ressalvas do tipo “ainda é cedo”, mas foi uma atuação preocupante para os fãs do sérvio. Djokovic, que chegou a Nova York ainda se recuperando de uma lesão no punho esquerdo, pediu atendimento médico e recebeu tratamento no cotovelo direito ainda no início do jogo.

Seus saques estiveram abaixo do esperado – a velocidade média do segundo serviço ficou em 140 km/h (em Wimbledon, a mesma média ficou na casa dos 150 km/h) e seu jogo não mostrou nada de especial nesta segunda. O duelo poderia até ter se complicado não fossem a inconstância e as 13 duplas faltas de Janowicz, que pouco fez no terceiro e no quarto sets. O grande mérito de Djokovic foi a consistência (18 erros não forçados em quatro sets).

Ao fim do jogo, o número 1 do mundo fugiu duas vezes da pergunta sobre o atendimento em seu braço. Cantou e dançou até finalmente afirmar apenas que ninguém está 100% em todos os jogos e que não era a hora de falar naquilo. Resta saber se é (mais) alguma coisa que ele vai carregar para o resto do torneio ou se foram dores ocasionais que desaparecerão com tratamento ao longo dos dias.

Cabeças que rolaram

Richard Gasquet (#15) foi o principal cabeça de chave a dar adeus nesta segunda-feira. O francês disse que a lesão nas costas que o tirou de Wimbledon não incomodou em Nova York, mas a impressão era de que ele não estava 100% fisicamente. De qualquer modo, Kyle Edmund (#84) foi muito superior. O britânico disse inclusive ter jogado melhor do que esperava no triunfo por 6/2, 6/2 e 6/3.

Quem também se despediu foi Martin Klizan (#29), embora sua derrota seja uma surpresa muito mais pelo placar do que pelo adversário. O russo Mikhail Youzhny (#61) aplicou 6/2, 6/1 e 6/1.

A chave feminina também teve um punhado de cabeças rolando, mas parece justo dizer que nenhum dos resultados causou grande abalo. Coco Vandeweghe (#30) foi eliminada por Naomi Osaka (#81); Sara Errani (#28) tombou diante de Shelby Rogers (#49); Irina-Camelia Begu (#23) caiu diante da Lesia Tsurenko (#99); e Misaki Doi (#32) perdeu para Carina Witthoeft (#102).

O susto

Garbiñe Muguruza (#3) não esteve tão perto assim da eliminação, mas assustou seus fãs quando perdeu o primeiro set por 6/2 para a qualifier belga Elise Mertens (#137). A espanhola, no entanto, se aprumou, aplicou um pneu no segundo set e venceu por 2/6, 6/0 e 6/3. Não foi a estreia dos sonhos, mas Muguruza também fez uma primeira partida preocupante em Roland Garros e não perdeu sets depois, batendo inclusive Serena Williams na final.

Seria uma coincidência enorme se acontecesse de novo, mas o importante é sobreviver nos dias ruins, e a número 3 do mundo fez isso nesta segunda. Muguruza, lembremos, é uma das tenistas com chance de sair de Nova York no topo do ranking mundial (veja as chances no tweet abaixo).

A ressaca olímpica

A tarefa não era mesmo das mais fáceis. Depois da conquista olímpica, Mónica Puig (#35) virou um ícone de Porto Rico. Fez aparições por toda parte e carregou a medalha de ouro por onde esteve. Acabou derrotada na primeira rodada do US Open pela chinesa Saisai Zheng (#61): 6/4 e 6/2.

No papel, o resultado deixa mais fácil a vida de Muguruza, que enfrentaria Puig na terceira rodada. Foi a porto-riquenha, lembremos, que aplicou 6/1 e 6/1 e despachou a espanhola dos Jogos Olímpicos Rio 2016. Muguruza agora só enfrentará uma cabeça de chave nas oitavas, quando terá pela frente quem sair da seção que tem como Konta e Bencic como nomes mais fortes.

O acidente

Na vitória sobre o luxemburguês Gilles Muller (#37) por 6/4, 6/2 e 7/6(5), Gael Monfils (#12) tentou uma defesa quase de beisebol (que faria sentido no estádio do NY Mets, pertinho de Flushing Meadows) e acabou deixando o relógio do fundo de quadra completamente despedaçado.

A aboborização

Francis Tiafoe, 18 anos e #125 do mundo, esteve a dois pontos de derrotar John Isner (#21) e conquistar sua primeira vitória em um Slam, mas se afobou no tie-break do terceiro set e deixou o compatriota entrar no jogo. Tiafoe também sacou para fechar o jogo no quinto set, mas cedeu a quebra quando jogou uma direita fácil no meio da rede. Isner não perdoou e venceu o tie-break decisivo, fechando em 3/6, 4/6, 7/6(5), 6/2 e 7/6(3).

Depois de ver sua carruagem virar abóbora, o adolescente deu um grande abraço e não queria soltar o veterano. Isner, que disparou 35 aces, sobreviveu para enfrentar Steve Darcis na segunda rodada. Depois da queda de Gasquet, Isner pode encontrar um cabeça de chave apenas nas oitavas de final. Pode ser, quem sabe, um duelo com Novak Djokovic.

Correndo por fora / O recorde noturno / O patrocínio vetado

Além de Marin Cilic, campeão do US Open em 2014, a lista de candidatos ao título que venceram nesta segunda inclui também Milos Raonic (#6), que superou Dustin Brown (#86) por 7/5, 6/3 e 6/4.

Na chave feminina, Petra Kvitova (#16) teve seu saque quebrado no primeiro e no terceiro games, mas se recuperou e nem precisou de três sets. Fez 7/5 e 6/3 em cima de Jelena Ostapenko (#36).

O último jogo do dia já começou tarde, por conta do show de Phil Collins e da partida não-tão-rápida de Djokovic. Madison Keys (#9) perdeu o primeiro set, esteve uma quebra atrás na segunda parcial e até viu a compatriota Alison Riske (#60) sacar em 5/4 no tie-break do segundo set, mas escapou por pouco. A top 10 acabou triunfando por 4/6, 7/6(5) e 6/2.

O encontro terminou à 1h48min da manhã (horário local), estabelecendo um novo recorde para fim de jogo mais tarde em uma partida feminina no US Open.

A grande curiosidade da noite, porém, foi o veto da USTA ao plano de Madison Keys de usar a marca de um patrocinador tatuada na pela (tatuagem temporária, claro). A ideia foi do agente da moça, Max Eisenbud, o mesmo empresário de Sharapova. Sim, ele é o cidadão que seria responsável por ler as mudanças na lista de substâncias proibidas pela Wada, mas não o fez “porque deixou de viajar para o Caribe nas férias” (bom argumento, não?).

A intenção era driblar uma proibição da Nike, que não deixa que seus atletas usem marcas de outros patrocinadores na roupa. A Nike até concordou com a tatuagem, mas o plano foi impedido pela USTA, organizadora do torneio. Segundo o porta-voz da entidade, as regras para torneios do Grand Slam proíbem patrocínio co corpo. Leia mais no link do tweet acima.

Os brasileiros

Em uma jornada pavorosa, Thomaz Bellucci (#65) acabou eliminado pelo russo Andrey Kuznetsov (#47): 6/4, 3/6, 6/1 e 7/6(5). O número 1 do Brasil teve todas as chances do mundo para voltar na partida – inclusive depois de salvar três match points no quarto set – contra um adversário errático, mas não conseguiu. Como alcançou a terceira rodada no ano passado, Bellucci perderá pontos e cairá pelo menos para o 75º posto na lista da ATP.

Rogerinho (#108) deu azar no sorteio e até fez uma apresentação bem digna, dando trabalho para Marin Cilic (#9), mas acabou eliminado em três sets: 6/4, 7/5 e 6/1, em 2h de jogo. O paulista também perderá posições no ranking, indo parar em 120º na melhor das hipóteses. Rogerinho pode até ser ultrapassado por Feijão, que não passou pelo quali do US Open e joga esta semana um Challenger em Curitiba.

Por fim, Guilherme Clezar (#203), que furou o qualifying e deu a sorte de enfrentar outro qualifier na estreia, venceu o primeiro set e sacou em 5/4 no tie-break da segunda parcial, mas acabou superado pelo suíço Marco Chiudinelli (#144): 2/6, 7/6(6), 6/2 e 6/4.

Os melhores lances

Não foi lá um ponto fantástico, mas um único golpe espetacular. Vale ver o forehand vencedor de Nadal que lhe deu a quebra decisiva no segundo set contra Denis Istomin. Um canhão.


Wimbledon, Middle Sunday: tudo em dia e com as oitavas definidas
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Alexandre Cossenza

O Middle Sunday, tradicional domingo de descanso em Wimbledon, teve jogos desta vez. Não foram tantos. Apenas o necessário para colocar em dia a programação, prejudicada pelo mau tempo. Os resultados também não foram nada surpreendentes, mas agora já dá para saber quem é quem antes da segunda semana de Wimbledon. O resumo do que rolou está nas próximas linhas.

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A favorita

De favorito-favorito-mesmo, só Serena Williams entrou em quadra neste domingo. E nem ficou lá tanto tempo assim. A americana foi quebrada em seu segundo game de serviço e viu Annika Beck (#43) abrir 2/1, mas venceu 11 dos 12 games seguintes e avançou por 6/3 e 6/0. Foi a 300ª vitória dela em Slams.

Depois de pegar um caminho relativamente fácil (Christina McHale não teria sido uma ameaça num dia normal), Serena terá um confronto perigoso nas oitavas contra Svetlana Kuznetsova (#14), que chega forte e embalada por uma virada fantástica contra Sloane Stephens (#22), que liderou o terceiro set por 5/2. A russa terminou com a vitória por 6/7(1), 6/2 e 8/6. E não custa lembrar que foi Kuznetsova quem eliminou Serena em Miami este ano…

Cabeças que rolaram

Não foi um domingo de surpresas – até porque não foi um dia com tantos jogos assim, mas fica o registro da top 10 eliminada. Roberta Vinci (#7) deu adeus ao ser derrotada pela americana Coco Vandeweghe (#30): 6/3 e 6/4.

Coco, nunca é demais lembrar, vem de um título em ’s-Hertogenbosch e uma semi em Birmingham. Com seu saque, a americana é sempre mais perigosa na grama. Ela agora fica a uma vitória de igualar sua campanha em Wimbledon no ano passado, quando alcançou as quartas.

Para isso, precisará bater Anatasia Pavlyuchenkova (#23), uma das maiores surpresas nas oitavas. A russa, que eliminou Timea Bacsinszky (#11) por 6/3 e 6/2, tinha retrospecto negativo em Wimbledon até este ano (8v e 9d).

O jogo boyhoodiano

Lembrou de leve aquele duelo da Quadra 18, seis anos atrás. Só de leve. JOhn Isner (#17) e Jo-Wilfried Tsonga (#12), que continuaram neste domingo a partida iniciada no sábado, mergulharam em um quinto set longo, com poucas chances de quebra e um monte de saques vencedores. O americano salvou um break point solitário no 11º game e, depois disso, a chance de quebra seguinte aconteceu só quando o francês sacou em 15/16, com match point contra.

Tsonga se salvou a conseguiu quebrar Isner no 35º game do quinto set. Fechou o jogo em seguida, em 6/7(3), 3/6, 7/6(5), 6/2 e 19/17. A partida durou 4h24min ao todo, mas só os dois últimos sets foram disputados nesta domingo. Tsonga não sairá tanto no prejuízo assim contra Richard Gasquet (#10), seu próximo adversário, que avançou ao bater Albert Ramos (#36) por 2/6, 7/6(5), 6/2 e 6/3.

Correndo por fora

Tomaz Berdych (#9) tinha um jogo perigoso contra Alexander Zverev (#28), mas passou jogando um belo tênis – com a exceção de um início ruim no terceiro set. Fez 6/3, 6/4, 4/6 e 6/1 sobre o adolescente e avançou às oitavas para encarar Jiri Vesely (#64), que já havia eliminado Dominic Thiem e bateu, neste domingo, João Sousa (#31) por 6/2, 6/2 e 7/5.

O top 10 tcheco é o principal nome dessa parte da chave depois das quedas de Wawrinka e Thiem. O triunfo sobre Zverev já foi um bom indício de que a pressão não afetou seu nível de tênis. Finalista de Wimbledon em 2010, quando eliminou Federer, Berdych é favoritíssimo para alcançar pelo menos a semi.

Outros nomes fortes na chave masculina são Nick Kyrgios (#18), que passou por uma chave duríssima, com Stepanek, Brown e, agora, Feliciano López (#21); e Richard Gasquet (#10), que confirmou o favoritismo e completou neste domingo seu triunfo sobre Albert Ramos (#36).

Foi bom enquanto durou

O grande azarão a vencer no dia foi Lucas Pouille (#30), que eliminou Juan Martín del Potro (#165). O francês perdeu o primeiro set em um tie-break, mas venceu os três sets seguintes e fechou em 6/7(4), 7/6(6), 7/5 e 6/1. O resultado talvez diga mais sobre o atual nível de Stan Wawrinka do que o de Del Potro, algoz do suíço na segunda rodada. Ainda perigoso, o argentino tem no backhand uma fragilidade evidente e ele mesmo admite que é o golpe que precisa evoluir mais para que ele consiga voltar ao alto do ranking.

O preparo físico também é uma preocupação. Del Potro disse que saiu de quadra cansado em todos os jogos. Foi a primeira vez em muito tempo que o ex-top 10 argentino jogou partidas em melhor de cinco sets. Fica claro agora que ele não teria mesmo condições de ser competitivo em Roland Garros.

As oitavas de final

[28] Sam Querrey x Nicolas Mahut
[11] David Goffin x Milos Raonic [6]
[3] Roger Federer x Steve Johnson
[9] Marin Cilic x Kei Nishikori [5]
Vesely / [31] Sousa x Tomas Berdych [10]
[19] Bernard Tomic x Lucas Pouille [32]
[7] Richard Gasquet x Jo-Wilfried Tsonga [12]
[15] Nick Kyrgios x Andy Murray [2]

[1] Serena Williams x Svetlana Kuznetsova [13]
[21] Anastasia Pavlyuchenkova x Coco Vandeweghe [27]
[3] Agnieszka Radwanska x Dominika Cibulkova [19]
Ekaterina Makarova x Elena Vesnina
[5] Simona Halep x Madison Keys [9]
Misaki Doi x Angelique Kerber [4]
[8] Venus Williams x Carla Suárez Navarro [12]
Yaroslava Shvedova x Lucie Safarova [28]

A bolada

Aconteceu no jogo entre Lucas Pouille e Juan Martín del Potro. O francês sacou, e a bola não voltou, mas o toque de raspão na raquete do argentino fez a bolinha ir na cabeça da juíza de linha. Parece que doeu. Parece.

Os brasileiros

Na chave de duplas, Bruno Soares e Jamie Murray confirmaram o favoritismo sem drama contra Federico Delbonis e Diego Schwartzman: 6/3 e 6/3. Brasileiro e britânico, cabeças de chave 3, vão enfrentar agora Mate Pavic e Michael Venus, cabeças número 16.

Nas mistas, duas derrotas. Marcelo Demoliner perdeu na estreia ao lado de Nicole Melichar, enquanto André Sá, na segunda rodada, foi eliminado junto com a tcheca Barbora Krejcikova.


RG, dia 8: Muguruza em alta, Nishikori em baixa e uma zebraça nas quartas
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Alexandre Cossenza

Não é todo dia que alguém fora do top 100 consegue uma vaga nas quartas de final de um Slam. Pois foi isso que Shelby Rogers fez ao derrotar (por enquanto) as cabeças de chave Karolina Pliskova, Petra Kvitova e Irina Camelia Begu. A americana, no entanto, não foi a única a derrubar um favorito neste domingo. Richard Gasquet, fazendo um torneio impecável, eliminou Kei Nishikori. Quem segue inabalável é a espanhola Garbiñe Muguruza, cada vez mais candidata ao título em Paris. O resumo do dia trata disso tudo, analisa mais uma vitória de Andy Murray, atualiza a disputa pelo número 1 nas duplas e traz grandes vídeos como o de Stan Wawrinka brincando com um boleiro durante a partida contra Viktor Troicki. É só rolar a página e ficar por dentro!

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Os favoritos

Garbiñe Muguruza tinha um jogo nada simples neste domingo, mas conseguiu fazer parecer pouco complicada a tarefa de derrotar Svetlana Kuznetsova (#15) e avançou por 6/3 e 6/4. A russa até ameaçou uma reação na segunda metade da segunda parcial e ninguém sabe o que teria acontecido em um terceiro set, mas Muguruza segurou bem a onda no fim, inclusive salvando break point depois de perder dois match points. Depois de uma estreia que lançou pontos de interrogação, parece seguro dizer que a espanhola faz um belo torneio e é candidatíssima a chegar à final.

Mais tarde, Andy Murray (#2) voltou a encarar um sacador e a vencer por 3 sets a 0. John Isner deu trabalho no primeiro set e teve uma bola à disposição para vencer o tie-break, mas jogou em cima do britânico e levou uma passada. Foi, no fundo, a única real chance do americano, que tombou por 7/6(9), 6/4 e 6/3.

Difícil dizer o quanto esse jogo ajudou na caminhada de Murray rumo às fases mais complicadas, mas não deixa de ser bom ver que o britânico fez o dever de casa sem se complicar mais do que o necessário. O próximo jogo, contra Richard Gasquet (#12) – e a torcida parisiense – não pode ser classificado como o primeiro grande teste de Murray no torneio, mas ele traz um cenário novo: o francês será o primeiro a entrar em quadra bem cotado para bater o escocês. E agora?

Para não deixar sem registro: é a sexta vez que Andy Murray alcança as quartas de final em Roland Garros. Para um tenista que passou a maior parte da carreira sendo criticado pelo retrospecto no saibro, parece um currículo bem digno, não?

Os brasileiros

A campanha na chave de duplas acabou para Bruno Soares e Jamie Murray, que foram superados nas oitavas de final por Leander Paes e Marcin Matkowski em dois tie-breaks: 7/6(5) e 7/6(4). O resultado tirou Jamie da briga pela liderança do ranking nesta semana. Seguem na disputa Marcelo Melo, atual número 1 do mundo, o francês Nicolas Mahut e o americano Bob Bryan. O favorito é Mahut, que garante a posição se vencer mais uma partida em Paris. A matemática está explicadinha no site Match Tie-Break, da Aliny Calejon.

Nas duplas mistas, ao lado de Elena Vesnina, Soares vencia por 7/5 e 1/1 quando o jogo foi interrompido e adiado. Os adversários eram a eslovena Andreja Klepac e o filipino Treat Hey. Vale lembrar que esta partida estava marcada para sábado e não aconteceu por causa da chuva.

Correndo por fora

Stan Wawrinka (#4) segue avançando bem a seu modo. Muitos winners, muitos erros não forçados. Neste domingo, executou 67 bolas vencedoras e cometeu 50 falhas nos quatro sets que precisou para bater Viktor Troicki (#24): 7/6(5), 6/7(7), 6/3 e 6/2. Se a pergunta é “Wawrinka está jogando em nível para ser campeão?”, a resposta provavelmente é não, mas com a velha ressalva: Stan pode encontrar “aquele” nível de um dia para o outro, então é sempre bom ficar de olho nele.

Até agora, é um torneio irregular para o atual campeão, que nem foi tão testado assim. No caminho até as quartas, passou por Rosol, Daniel, Chardy e Troicki. É justo acreditar também que o próximo confronto, contra Albert Ramos Viñolas (#55), será igualmente favorável ao suíço.

Quem faz, sim, um belo torneio é o francês Richard Gasquet (#12), que derrubou Kei Nishikori (#6) neste domingo: 6/4, 6/2, 4/6 e 6/2. Com o backhand calibrado desde a vitória sobre Thomaz Bellucci na estreia, o tenista da casa vem fazendo partidas inteligentes taticamente e tecnicamente bem executadas.

Especificamente sobre o jogo deste domingo, Nishikori esteve longe do seu melhor – como esteve em todo o torneio, na verdade, e talvez tenha dado sorte ao escapar da virada de Verdasco na terceira rodada. Ainda assim, Gasquet é, por enquanto, quem chega mais testado nas quartas. Além de Bellucci e Nishikori, bateu o perigoso Kyrgios e esteve sempre no comando de seus jogos. Murray apresentará um desafio diferente, mas pelo que ambos mostraram até hoje, não convém duvidar de mais uma vitória de Gasquet.

A grande zebra

Número 108 do mundo, Shelby Rogers não estava nem de longe entre as mais cotadas para avançar em uma seção da chave que tinha Karolina Pliskova na estreia e Petra Kvitova em uma eventual terceira rodada. Pois a americana de 23 anos, que um mês atrás jogava ITFs de US$ 50 e 75 mil, avançou sem ganhar nada de graça. Bateu Pliskova (#19) na estreia, Elena Vesnina (#47) na segunda rodada e eliminou Kvitova (#12) na terceira rodada.

Sem perder o embalo, voltou à quadra neste domingo e eliminou mais uma cabeça de chave: Irina Camelia Begu (#28) por 6/3 e 6/4. Com a campanha, já garantiu sua entrada no grupo das 60 melhores do mundo, o que será o melhor ranking de sua carreira. E será que Rogers ainda tem mais uma zebra guardada na manga para enfrentar Muguruza nas quartas?

Mais cabeças que rolaram

Outro cabeça de chave a deixar o torneio foi Milos Raonic (#9), que ganhou uma aula de tênis-no-saibro de Albert Ramos Viñolas (#55). Apostando em ralis e devolvendo serviços muito no fundo de quadra, o espanhol anulou as principais armas do canadense e esperou pacientemente por suas chances.

Com uma tática bem elaborada e executada magistralmente, Ramos Viñolas fez 6/2, 6/4 e 6/4 e conquistou uma vaga nas quartas de final depois de quatro anos consecutivos com eliminações na primeira rodada.

Nas duplas femininas, um par de resultados se destacou. Na Quadra 2, Serena e Venus Williams foram derrotadas por Johanna Larsson e Kiki Bertens por duplo 6/3; e, na Quadra 1, Martina Hingis e Sania Mirza caíram diante das tchecas Barbora Krejcikova e Katerina Siniakova: 6/3 e 6/2. Hingis e Mirza ganharam os três Slams anteriores e completariam um “Santina Slam” com o título em Roland Garros.

Os adiamentos

A chuva – sempre ela – e a falta de iluminação artificial em Paris seguem atrasando a programação. Neste domingo, duas das oitavas de final femininas tiveram de ser adiadas. Sam Stosur (#24) sacava em 3/5 contra Simona Halep (#6) na Quadra 1, enquanto Agnieszka Radwanska (#2) liderava por 6/2 e 3/0 na Suzanne Lenglen contra Tsvetana Pironkova (#102).

Os melhores lances

Não foi um ponto, mas talvez tenha sido a melhor “jogada” de Stan Wawrinka no dia. Enquanto Viktor Troicki recebia atendimento médico no terceiro set, o suíço encontrou uma maneira de se manter aquecido e, ao mesmo tempo, ganhar o público. Cosias de um campeão.

Esse, sim, foi um ponto. Um pontaço do backhand mais violento do planeta.

E já que estamos no tema de backhands, Gasquet não ficou muito atrás hoje…


Quadra 18: S02E03
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Alexandre Cossenza

Gravado na sala de entrevistas do Esporte Clube Pinheiros, o novo episódio do podcast Quadra 18 está no ar com tudo que aconteceu de mais interessante no Rio Open e no Brasil Open, os dois torneios mais importantes do país. Apresentado por mim ao lado de Sheila Vieira e Aliny Calejon (pela primeira vez, gravamos com os três na mesma sala), o programa tem participações especiais de Felipe Priante e João Victor Araripe, além de áudios de Rafael Nadal, Thomaz Bellucci, Bruno Soares, Marcelo Melo e Thiago Monteiro.

Falamos da impressionante ascensão de Thiago Monteiro, das zebras no Rio de Janeiro, da decepção que foi a passagem de Rafael Nadal pela América do Sul, da surpresa de Paula Gonçalves, da nova sede do torneio paulista, do misterioso problema físico de Thomaz Bellucci e da fantástica Francesca Schiavone, entre muitos outros assuntos.

Também contamos histórias de “bastidores”, falamos sobre o convívio na sala de imprensa e respondemos perguntas de ouvintes. Para ouvir, basta clicar no player acima. Se preferir, clique neste link com o botão direito e, depois, em “salvar como” para fazer o download do episódio e ouvi-lo mais tarde.

Os temas

0’00” – Alexandre Cossenza apresenta programa gravado no Pinheiros
2’25” – Impressões sobre o Rio Open
2’30” – “O que mais gostei foi John Isner”
3’30” – A decepcionante participação de Jo-Wilfried Tsonga
4’40” – As quedas de David Ferrer, Rafael Nadal e Jack Sock
7’05” – A inusitada desistência de Sock nas duplas
7’55” – A passagem de Nadal pela América do Sul
10’20” – Nadal explica sua derrota para Cuevas e fala do início de temporada
12’00” – Cuevas e o “melhor backhand de uma mão do circuito” segundo Guga
13’00” – A participação de Teliana Pereira no Rio Open
14’20” – A surpreendente campanha de Paula Gonçalves
15’55” – A derrota de Bia Haddad e o sucesso de Sorana Cirstea no Brasil
17’10” – A fantástica Francesca Schiavone e sua relação com o Brasil
19’40” – A lona do Rio Open
23’00” – Thomaz Bellucci vendendo pipoca no Rio de Janeiro
24’55” – Summer (Calvin Harris)
25’40” – Impressões sobre o Brasil Open no Esporte Clube Pinheiros
30’50” – Aliny avalia as campanhas de Melo e Soares em RJ e SP
32’20” – “O lado positivo é parar com o oba-boa que vinham fazendo”
33’48” – Bruno Soares avalia os resultados da dupla nos torneios brasileiros
35’09” – Bruno e Marcelo fala sobre a repercussão das derrotas na imprensa
37’10” – As preocupantes derrotas de Thomaz Bellucci
39’32” – Bellucci fala sobre seu problema físico e que seria outro tenista sem ele
42’21” – O momento de Feijão
44’00” – Thiago Monteiro, a grande estrela brasileira nas duas semanas
47’25” – Monteiro faz um balanço das duas semanas
49’00” – Cuevas, o “Rei do Brasil”
50’45” – A curiosa (e curta) passagem de Benoit Paire por São Paulo
52’05” – Os bolos da sala de imprensa do Brasil Open
53’30” – You Never Can Tell (Chuck Berry)
54’00” – “O que vocês levariam de SP para o Rio e do Rio para SP?”
58’05” – “O que os jogadores acharam da estrutura em SP?”
59’10” – “Qual a pessoa mais insuportável das salas de imprensa?”
71’50” – “Como foi a prestação de serviços dos dois torneios? Dá para comparar?”
72’50” – Cossenza critica o serviço prestado a idosos no Rio Open
75’07” – “Favor contar todas fofocas de bastidores”
69’20” – “Rio Open como Masters 1.000: sonho ou realidade?”
71’02” – “Acham que ano que vem vai ter lona no Rio Open?”
71’15” – “Thiago Monteiro já merece ser chamado para a Copa Davis?”
73’45” – “Thiago Monteiro tem condição de entrar no top 50?”
74’30” – Marcelo Melo faz uma declaração para Aliny Calejon

Créditos musicais

A faixa de abertura é chamada “Rock Funk Beast”, de longzijum. Em seguida, entram Summer (Calvin Harris) e You Never Can Tell (Chuck Berry). A faixa de encerramento é Pobre Paulista (Ira!).


Entrevista: diretor explica os porquês do ‘novo’ Brasil Open
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Alexandre Cossenza

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Um torneio de cara nova, em data diferente, com capacidade para menos público e com uma chave modesta. É assim que o Brasil Open faz sua estreia no Esporte Clube Pinheiros, uma sede que deu ao evento mais “cara” de torneio. A missão no (meu) primeiro dia aqui em São Paulo era conversar com o diretor, Roberto Marcher, e entender alguns dos porquês das mudanças. Por que o novo local? Por que não participar das negociações conjuntas para trazer nomes de mais peso? O quanto a alta do dólar pesou? Qual o tamanho do prejuízo da mudança de data imposta pela ATP?

Marcher conversou comigo e com o jornalista Matheus Martins Fontes (por opção editorial, incluí neste post apenas as minhas perguntas) e explicou tudo. Falou muito mais do que o necessário, é bom que se diga – o que é ótimo. Com 70 anos e algumas décadas de experiência na organização de torneios, o diretor do Brasil Open lembrou o quanto o Rio sofreu um baque de público este ano e afirmou que Tsonga “parecia um elefante caminhando” no torneio carioca. A sinceridade foi tanta que Marcher disse até que o wild card para Benoit Paire em São Paulo é um risco porque “ele não bate bem da cabeça”. Confira as partes mais importantes:

O que pesou mais na decisão de deixar o Ibirapuera e vir para o Pinheiros?

São vários fatores, mas o principal é que a gente não acredita ainda – não temos tradição no tênis, né? Imagina se isso tivesse acontecido com Buenos Aires, que é o segundo torneio de terra com mais charme e appeal? Com a tradição argentina, se os caras tiram do Buenos Aires Lawn Tennis Club e levam para outro, sei lá, o Estudiantes? Ali havia uma tradição. Nós, no Brasil, ainda não temos um estádio, um local que tenha tradição. (…) O Ibirapuera foi um sucesso. Começamos em 2011, tivemos casa cheia duas vezes, com problemas ou não, mas isso não vem ao caso aqui, estamos falando de outra coisa. Lotamos o Ibirapuera e depois vimos as coisas baixando. Aí começaram a aparecer problemas… Com agente, o dinheiro começou a… o dólar já… Não dá! Esse torneio aqui foi feito sem nenhuma garantia. Hoje, eu estava com nosso cabeça de chave número 1, Benoit Paire, muito simpático… Não recebeu um centavo. Nada. Cuevas? Não tem, não tem, não tem. Chegou uma hora que a gente disse: “Vamos, em primeiro lugar, tratar dos jogadores.” Eles não gostam de jogar em um lugar que não tenha tradição de tênis. Que seja um clube…. Eles detestam quando a quadra é feita em cima da hora. No Ibirapuera ou no próprio Rio de Janeiro, que as quadras do Jockey eram horríveis e eles deram uma acertada… “Vamos usar o Pinheiros, tem 70 anos, quadra sólida, os jogadores vibram com a atmosfera do clube, que é lindo, etc.” Muito por causa dos jogadores, que se sentiam muito melhor aqui. O Ibirapuera era legal para deixar a casa cheia e etc., mas não tinha charme, não tinha nada. O sujeito ia fora, ia aonde? Num food truck? Não, ele ficava lá por dentro. (…) Então foi principalmente (por causa) dos jogadores, como eles se sentem, aqui foi bem mais em con… (interrompendo) Bem mais, não, mas melhorou tudo. Mudou do conceito de um torneio indoor. Nosso grande inimigo é a chuva, mas que é muito melhor, todo mundo elogiando. Perdemos um pouco a arquibancada – ano que vem vamos aumentar – porque o plano era abrir aquelas duas quadras, quebrar no meio, fazer uma só, aí daria para fazer uma arquibancada enorme, mas a ATP falou que ficaria muito em cima da hora. (…) Claro que os custos caíram, enxugamos muito devido a… acho que qualquer um que lê jornal sabe da crise que atravessa o Brasil. Você me pede hoje, eu te paguei 200 para jogar, como garantia. Aí você me pede a mesma coisa em dólar, torna-se quatro vezes mais caro. Não tem condições. Vamos reduzir um pouco, fazer essa experiência aqui, ver como funciona. Estamos aprendendo com o Pinheiros. Acho que neste momento a gente está surfando a onda da crise.

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Sobre a questão da data, houve a inversão com Buenos Aires, que acabou ficando com uma chave fortíssima…

(interrompendo) Ali tem a data e… não sei de onde eles conseguem dinheiro. O Tsonga, por exemplo, queria fazer uma “tripartida” com Rio, Buenos Aires e nós. Caímos fora. Aí eles pegam grana não sei daonde. Eles têm Claro, governo… Ele fala: “Olha, querido, preciso de tanto para o Tsonga. Ok.” O Nadal tinha um acerto com eles para terminar, aí acabou o Nadal, né? O Ferrer foi lá, gastaram uma grana também. E pagaram pouco para o Isner, não tanto. Ele quase veio aqui, mas “quero tanto”, “te dou tanto”, mexe pra lá, mexe pra cá, graças a Deus. Eles pegaram o Tsonga, que literalmente não quer nada com a bola. Já em Buenos Aires foi ridículo. E tomou uma primeira rodada no Rio de Janeiro. De um jogador que acho que vai ser o próximo grande jogador do Brasil, o Thiago (Monteiro). Mas o Tsonga estava um desastre, parecia um elefante caminhando na quadra. Queria nada com a bola. Isolando direita, chegou uma hora que se ele encheu o saco… Enfim, os caras pagaram um puta granapara esses dois aí e jogaram dinheiro fora. O Isner tomou duas primeiras rodadas. Se esforçou. Tudo 7/6 no terceiro, mas já de cara tomaram uma bela duma porrada. Eu falei para o meu CEO: “Vamos jogar com o que a gente tem aqui.”

Esse custo-benefício não compensaria nem com o que vocês teriam vendido a mais de ingresso?

Não. Nós estamos com uma quadra menor, mas nem no Ibirapuera. A gente não vende antecipado, entende? Não faz essa sacanagem de chegar para o trouxa que comprou e se o Nadal perdeu, problema é teu, né? Mas mesmo assim sofreram bem um baque no público e tudo. Nadal, acho que está quase no fim e, enfim, o Rio tomou um baque. Para nós, não. Estamos sold-out. Nossa quadra aqui está perfeita. É pouquinho? É pouquinho. E também com o dólar a R$ 4, para nós, não compensa.

O que atrapalhou mais? A data ou o dólar? Se é que dá para fazer essa distinção…

Dá: o dólar. E os dois atrapalharam.

Com o dólar, suponhamos, a R$ 2, daria para trazer mais gente de peso mesmo com essa data?

Sim. A data é ruim porque somos o único torneio da ATP que compete com dois ATPs 500. Não existe no calendário da ATP. Nenhum torneio – isso é uma sacanagem – compete contra dois… E tem outro detalhe. Se o cara for top, eles terminam aqui, e o técnico já convoca para treinar (para a Copa Davis). O Benoit, apesar de ser um craque, não vai. Fora da quadra, ele é uma moça. Muito legal! E é namorado de uma popstar, que enche estádio na França (Shy’m), e nem se importa. Ele disse “Eu tô a fim de jogar aí. Você me dá wild card?” Eu digo “Você não quer nada? Vinte e um do mundo? Tá dado o wild card.” Os caras todos cobrando uma fortuna, gente que… Sabe? Não dá para acreditar que o Verdasco me peça dinheiro. Você tá me gozando? Não tem dinheiro. Wild card, não te dou. Se você não se inscreveu, não quero ver você aqui. Esse aí (Paire) eu quero. Tomando um risco… Ele não bate bem da cabeça. Dentro da quadra, pode acontecer qualquer coisa. É um Fognini piorado. Você não sabe o que pode acontecer. Mas de qualquer forma, a gente pegou e não pagou nada. Mas a data foi péssima, mas quem escolhe… Tudo é política e dinheiro. Eu sei que os caras (ATP) olharam o Brasil em crise, os caras (argentinos) forçaram, e a data foi para eles. Posso fazer o quê?

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E o que o torneio pode fazer? Existe possibilidade de brigar para mudar outra vez de data?

No outro ano, não dá mais. Só para o outro.

Para 2018?

Sim.

Mas a ideia…

(interrompendo) A ideia… Essa data é péssima, cara! Os caras já querem ir embora, compete contra Acapulco… Está tudo sendo estudado. Nunca se sabe o que vai acontecer. De repente, a Argentina dá um treco. É uma luta… Não vou dizer que não seja de igual para igual. É. Argentina e Brasil é uma guerra em tudo…

Chance zero de pleitear, de repente, a data de Quito?

Não, não é chance zero, mas também é outra data de merda…

Porque é colada na Austrália…

Quito foi um horror o torneio. Esses torneios que dependem do governo ficam muito problemáticos. Para você ter o patrocinador, o patrocinador no ano que vem não quer mais o Tsonga. Agora ele vai querer o Djokovic.

Última coisa… O contrato com o Pinheiros é só para este ano?

Não, não é não. É para o ano que vem e depois tem opção de renovação. É um contrato bem feito.


Rio Open, dia 1: o naufrágio da Quadra Guga Kuerten e uma lição olímpica
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Alexandre Cossenza

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A segunda-feira que começou quente, com céu limpo e previsão de temperaturas acima dos 40 graus, mas acabou molhado e com meia dúzia de jogos cancelados. A chuva veio forte e rápido, deixando a Quadra Guga Kuerten sob um palmo de água, o que causou um atraso gigante na programação. O estado submerso da arena inclusive que fosse realizada a homenagem ao tricampeão de Roland Garros, que empresta seu nome à quadra (que tem estrutura provisória) a partir deste ano.

O temporal fez com que o torneio cancelasse a partida de Fabio Fognini e, depois, o encontro entre Thomaz Bellucci e Alexandr Dolgopolov de volta para o hotel. John Isner e Guido Pella, que tiveram o jogo interrompido por volta das 18h, só voltaram a disputar um ponto às 22h. Americano e argentino, aliás, só haviam disputado 46 minutos de jogo, e a continuidade de sua partida foi especialmente conveniente para a organização do torneio, que precisaria devolver os ingressos – ou efetuar trocas para outras sessões – no caso de menos de uma hora de tênis.

Treino na chuva

Entre as cenas curiosas do dia, vale ressaltar que Rafael Nadal e David Ferrer treinaram na chuva – pelo menos enquanto foi possível.

Vale lembrar que, durante a pequena tempestade, a Quadra Central não foi coberta com uma lona. A justificativa de Lui Carvalho, diretor do torneio, foi de que a chuva caiu muito forte e muito rápido. Por isso, com o volume de água que molhou o saibro, já não se poderia mais fazer uso da lona – que cobriria a água. Talvez valha apontar aqui que a lona não estava na beira da quadra (como fica em Roland Garros, por exemplo) na hora que a chuva veio.

Também é importante registrar que as quadras externas sofreram bem menos com a quantidade de água. A Quadra 5, por exemplo, estava em condições bem melhores no mesmo horário, vide imagem abaixo. Embora a luz indique outra coisa, a foto da Quadra 5 foi feita depois da imagem da Central que está no alto deste post (o que aconteceu por volta das 19h30min).

O diretor, porém, ressaltou que a drenagem da Quadra Guga Kuerten é ótima. O problema desta segunda, ele revelou, foi causado por dois ralos que entupiram e impediram que a água escoasse devidamente. “Quando conseguimos desentupir, teve jogo meia hora depois.”

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As brasileiras

No início do dia, enquanto o clima colaborou, Ana Bogdan eliminou Gabriela Cé por 6/2 e 6/3. Foi a única brasileira que teve uma partida de simples encerrada antes da chuva. Bia Haddad teve sua partida interrompida quando perdia para Sorana Cirstea por 6/2 e 2/0. A interrupção não ajudou tampouco ajudou. A romena, que havia quebrado o serviço da brasileira em todas cinco oportunidades antes da chuva, quebrou mais uma vez na sequência e fechou por 6/2 e 6/1.

O sofrimento no saibro

John Isner saiu derrotado por Guido Pella por 7/6(5), 5/7 e 7/6(8). O americano, contudo, mostrou enorme esforço para vencer no saibro carioca, mais do que justificando o cachê que recebeu. Fez mais de 30 aces, salvou três match points (um deles com um espetacular ace de segundo saque), virou um tie-break complicado e, não fosse por cãibras e um voleio desastroso (talvez uma coisa tenha levado à outra), teria esticado sua passagem pela América do Sul. Diante das circunstâncias desta segunda-feira – quadra pesadíssima e adversário perigoso no saibro, parece injusto classificar o resultado como desastroso.

A programação

A quantidade de partidas canceladas na segunda-feira causou um engarrafamento na programação de terça, e o Rio Open precisou voltar aos horários do ano passado, quando as rodadas começavam às 11h. A solução foi encaixar e distribuir nomes de peso em quadras pequenas.

Feijão, David Ferrer e Nicolás Almagro jogarão na Quadra 1, com capacidade para 1.200 pessoas. Dominic Thiem, campeão do ATP 250 de Buenos Aires, estará na Quadra 4, onde cabem pouco mais de 50 pessoas. Jack Sock enfrentará Federico Delbonis no mesmo local. Juan Mónaco também jogará lá.

A Quadra Guga Kuerten ficou com Paula Gonçalves x Julia Glushko, Teliana Pereira x Petra Martic, Thomaz Bellucci x Alexandr Dolgopolov, Thiago Monteiro x Jo-WIlfried Tsonga e Rafael Nadal x Pablo Carreño Busta. Veja a programação completa aqui.

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O vírus

Fora de quadra, as entrevistas deram assunto para os jornalistas (e salvaram o dia, sejamos sinceros). Um dos temas recorrentes da segunda-feira foi a ameaça do vírus zika, que ganhou manchetes no mundo inteiro. Curiosamente, as perguntas vieram de jornalistas estrangeiros – não vi os jornalistas brasileiros (eu inclusive) muito preocupados com o assunto. Quanto aos tenistas, Ferrer, que deu a primeira coletiva do dia, e Nadal evitaram fazer drama sobre o assunto.

Os dois adotaram um discurso bem parecido, inclusive, dizendo que o torneio havia tomado medidas para evitar mosquitos e que não havia muito mais a fazer. Nadal foi mais enfático, afirmando que viu o povo normalmente nas ruas, indo às praias e aos restaurantes. “Se o povo está vivendo normalmente, imagino que não seja tão grave. Estou saindo à noite, estou feliz aqui, não estou preocupado.”

Bellucci, o valor dos brasileiros e a lição olímpica

A entrevista de Gustavo Kuerten também foi interessante. Entre outras coisas, o tricampeão de Roland Garros, que será homenageado e dará nome à quadra (provisória) central do Rio Open, ressaltou a importância de valorizar os feitos dos tenistas brasileiros. Guga falou em especial de Thomaz Bellucci, que se mantém entre “20, 30, 40 do mundo por cinco anos.” Para o catarinense, “Bellucci recebe muito pouco valor pelo que faz.”

O ex-número 1 também falou sobre as chances de Marcelo Melo e Bruno Soares nos Jogos Olímpicos. Guga ressaltou que a chance de medalha é “claríssima”, mas lembrou que o torneio de duplas é muito acirrado e que o povo brasileiro precisa aprender a valorizar seu atleta independentemente de resultado. “As Olimpíadas vão deixar uma lição importante para a gente aprender. Os maiores atletas do planeta vão estar aqui, e a maioria vai sair derrotada.” Para o ex-número 1, é essencial saber que o esporte vai “além da chance de medalha.”

Thiem e a nova geração

Outro momento que vale destaque foi a resposta de Rafael Nadal, questionado por uma jornalista alemã sobre Dominic Thiem. O espanhol elogiou o jovem austríaco, disse que é um dos melhores nomes da geração e afirmou que esta geração atual, que surge com nomes como Thiem, Zverev e Fritz, é a que provavelmente vai causar a mudança de gerações da qual se fala na ATP há anos. Nadal lembrou, inclusive, que o assunto é recorrente há algum tempo, mas que o circuito continua dominado pelo mesmo grupo de antes.

Correção

Alterei um trecho do primeiro parágrafo nesta terça. O texto dizia “quadra provisória” e dava a entender que tudo era temporário. Na verdade, a quadra de saibro é permanente. As arquibancadas e toda estrutura montada para o Rio Open é que são temporários.


Rio Open: o que já rolou e o que esperar
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Alexandre Cossenza

O maior torneio de tênis da America do Sul começa nesta segunda-feira com muita expectativa – e não seria diferente em uma chave com Nadal, Ferrer, Isner, Tsonga, Sock, Dolgopolov e, claro, Thomaz Bellucci. Mas muita coisa já aconteceu dentro e fora das quadras nos dois dias de qualifying no Jockey Club Brasileiro. Que tal, então, dar uma olhada nas chaves e repassar o que rolou no fim de semana? Role a página, leia tudo e fique por dentro!

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Os homens

Nenhum dos grandes nomes citados acima fez um torneio memorável em Buenos Aires, onde Nicolás Almagro e Dominic Thiem disputaram a final. A boa notícia é que todos chegaram mais cedo ao Rio e estarão mais adaptados ao saibro, o que aumenta a chance de duelos com bom nível técnico.

Entre os principais favoritos, o sorteio da chave não colocou nenhum jogo espetacular na primeira rodada, mas deixou algumas ótimas possibilidades já para a segunda fase, como Nadal x Almagro e Tsonga x Cuevas.

As mulheres

Não tem como jogar para baixo do tapete: a chave feminina (é um WTA International, lembremos) é uma das mais fracas do circuito. Bom para Teliana Pereira, que é a principal cabeça de chave e terá a seu favor o calor carioca.

O sorteio não foi nada bom para as convidadas Bia Haddad e Sorana Cirstea, que se enfrentam já na primeira rodada. Elas duelaram recentemente em um ITF de US$ 25 mil no Guarujá, e a romena derrotou a brasileira nas semifinais por 2/6, 6/3 e 6/1. Quem vencer deve encontrar Polona Hercog (#83, cabeça 5) na sequência.

A chave ainda tem Francesca Schiavone “solta” por ali. A italiana, que hoje é apenas a 114ª do ranking, encara Tatjana Maria (#90, cabeça 7) na estreia, na minúscula Quadra 2 do Jockey Club Brasileiro.

Não há muito que esperar em termos de excelência técnica no evento (se compararmos com o circuito WTA, claro). O melhor cenário possível seria o que aconteceu no fraquíssimo WTA de Florianópolis: uma brasileira indo longe, atraindo público e enchendo a quadra.

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Os brasileiros

Talvez a maior atração brasileira seja a dupla de Marcelo Melo, número 1 do mundo, e Bruno Soares, campeão do Australian Open. Os dois, que atuarão juntos nos Jogos Olímpicos Rio 2016, formarão time no Rio Open, o que já gera uma expectativa enorme. Os mineiros são os cabeças de chave número 1 e estrearão contra os compatriotas Fabiano de Paula e Orlando Luz.

A chave de duplas não está nada fraca. Os cabeças 2 são os colombianos Juan Sebastian Cabal e Robert Farah, enquanto Pablo Cuevas e Fabio Fognini são os cabeças 3, que em tese encontram os mineiros nas semifinais. Vale ainda prestar atenção em Philip Petzschner / Alexander Peya, Jo-Wilfried Tsonga / Paul-Henri Mathieu, e Jack Sock / Nicholas Monroe.

Nas simples, Thomaz Bellucci teve o pior sorteio possível considerando sua posição como oitavo cabeça de chave. Não só caiu no quadrante de Rafael Nadal (possível confronto de quartas de final) como estreará contra Alexandr Dolgopolov, ucraniano contra quem costuma ter problemas.

Eles já se enfrentaram duas vezes, e Dolgo venceu todos os quatro sets. O último jogo foi em Sydney, no começo deste ano, e o ucraniano aplicou 6/1 e 6/4. O copo-meio-cheio para Bellucci é que os confrontos anteriores foram em quadra dura. Talvez o saibro lhe seja mais favorável. Vale lembrar, porém, que Dolgopolov foi vice-campeão do Rio Open em 2014.

Feijão teve mais sorte. Convidado da organização, o paulista enfrentará o argentino Diego Schwartzman na estreia. Se vencer, pega Thiem ou Andújar. Feijão não vem jogando o mesmo nível de tênis do ano passado, quando foi semifinalista no Brasil Open e chegou às quartas no Rio, mas sabe jogar com a torcida e terá a chance de contar com o público para lhe empurrar em um momento tão importante. Feijão é hoje o #168 e ainda precisa defender os 90 pontos do Rio Open de 2015 (os 90 de São Paulo foram descontados nesta segunda-feira).

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As brasileiras

Teliana Pereira, querendo admitir ou não, é forte candidata ao título do torneio. Não só pelo nível da chave, mas pelo saibro e pelo clima. Enquanto isso, Gabriela Cé, convidada da organização, joga sem pressão.

A boa notícia do fim de semana ficou por conta de Paula Gonçalves, que furou o qualifying e chegou à chave principal para enfrentar a israelense Julia Glushko na primeira rodada. Nem de longe é o pior dos cenários.

Paula, lembremos, jogou a chave principal em 2014 e 2015 e somou duas derrotas para a paraguaia Verónica Cepede Royg. Em 2014, sacou para fechar os dois sets, mas perdeu ambos. Talvez o qualifying tenha dado do ritmo que a paulista precisava para avançar inclusive na chave principal. Vale prestar atenção.

O qualifying deles

Na chave masculina, nenhum dos seis brasileiros passou pelo quali. Rogerinho, André Ghem, Guilherme Clezar, José Pereira, Carlos Eduardo Severino e Orlandinho disputaram. Rogerinho foi o único a vencer na primeira rodada, no sábado, mas acabou derrotado por Gastão Elias no domingo.

Carioca style

Rio de Janeiro é aquela coisa… Quando o povo não está sendo assaltado ou fugindo de arrastões na Linha Vermelha e no Túnel Rebouças, está vendo paisagens e postando fotos nas redes sociais. Não seria diferente em um torneio de tênis. As fotos são muitas, a começar com Fabio Fognini e Flavia Pennetta curtindo o Cristo Redentor.

Na praia de São Conrado, as meninas foram tomar água de coco: Danka Kovinic, Sorana Cirstea, Christina Mchale e Teliana Pereira.

John Isner também curtiu praia e água de coco, mas foi até a Rocinha bater bola com alguns garotos da comunidade.

Jack Sock correu na Lagoa Rodrigo de Freitas e se juntou a Bellucci e Isner para um passeio de helicóptero pela Cidade Maravilhosa.

A programação

O primeiro dia de chave principal no Rio Open tem Gabriela Cé x Ana Bogdan como jogo único da sessão diurna na quadra central, começando às 14h15min. Na sessão noturna, com início não antes das 17h, o torneio escalou Pella x Isner, Bellucci x Dolgopolov e Fognini x Bedene, nesta ordem. Veja a programação completa neste link.

Fora do Rio

Apenas a título de registro, vale a pena ficar de olho em Delray Beach, onde Juan Martín del Potro fez seu muito aguardado retorno às quadras após uma cirurgia no punho esquerdo realizada no dia 18 de junho de 2015.

Seis anos atrás, em 2010, Del Potro também fez um retorno em Delray Beach – também por causa de uma cirurgia no punho (era o direito na época). Naquele ano, o argentino foi campeão sem perder um set sequer.

Del Potro ainda tem “só” 27 anos, já venceu um Slam e constantemente dava trabalho aos melhores do mundo. Entre outros feitos, derrotou Federer numa final de Slam e tirou uma medalha olímpica de Djokovic. Tê-lo em excelente nível outra vez seria fantástico para o tênis.


AO, dia 8: aces que sumiram, a dor de Keys e “3” vitórias de Bruno Soares
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Alexandre Cossenza

A segunda-feira não foi um dia de muitos aces em Melbourne. John Isner disparou 18 e acabou eliminado, enquanto Milos Raonic conseguiu 24 em cinco sets (mesma média de Isner), mas compensou com voleios eficientes e um plano de jogo perfeito. O oitavo dia do Australian Open, porém, foi bom mesmo para Bruno Soares. Além de duas vitórias em quadra, o mineiro contou com a eliminação de Bob e Mike Bryan, que seriam seus adversários nas quartas de final.

Este resumo do dia fala ainda do esperado duelo entre Victoria Azarenka e Angelique Kerber, da doída – literalmente – eliminação de Madison Keys, da zebra de Johanna Konta e de Andy Murray, que venceu em três sets após um par de dias nada normais durante um Slam. Role a página e fique por dentro.

O brasileiro

Único representante do país no torneio, Bruno Soares continua 100% em Melbourne depois de duas partidas e “três” vitórias nesta segunda. Primeiro, ele e Jamie Murray derrotaram Robert Lindstedt e Dominic Inglot por 6/3 e 6/4. O jogo só teve drama no fim do segundo set, quando brasileiro e escocês perderam dois match points no saque de Lindstedt e depois precisaram salvar dois break points no serviço de Murray. Tudo, porém, deu certo, e Bruno Soares está nas quartas de final. O brasileiro, aparentemente, ganhou até no “Pedra, Papel, Tesoura”.

A segunda vitória para Bruno e Jamie foi saber que eles não enfrentarão Bob e Mike Bryan nas quartas. Os gêmeos americanos levaram a virada e foram eliminados por Raven Klaasen e Rajeev Ram: 3/6, 6/3 e 6/4. A notícia é ótima também para Marcelo Melo, duplista número 1 do mundo, que perderia a liderança do ranking se os Bryans fossem campeões. O mineiro, no entanto, ainda não está 100% seguro e será ultrapassado se Horia Tecau e Jean Julien Rojer levantarem a taça.

Do ex-parceiro para o atual

Nas duplas mistas, Bruno Soares e Elena Vesnina venceram outra vez. As vítimas do dia foram o ex-parceiro de Bruno, Alexander Peya, e a taiwanesa Su-Wei Hsieh: 6/2 e 6/3, sem drama. A curiosidade é que nas quartas de final brasileiro e russa vão enfrentar o atual parceiro de Bruno, Jamie Murray. O britânico joga a chave de duplas mistas ao lado da eslovena Katarina Srebotnik.

Os favoritos

Na chave feminina, duas favoritas confirmaram as expectativas e se enfrentarão nas quartas. Isso também significa que ambas finalmente terão desafios à altura. Sim, as duas. Antes desta segunda-feira, Angelique Kerber havia derrotado Doi, Dulgheru e Brengle. Victoria Azarenka, por sua vez, teve no caminho Van Uytvanck, Kovinic e Osaka.

Para Kerber, a vítimas de hoje foi Annika Beck (#55), que até fez um primeiro set equilibrado com a compatriota, mas não conseguiu acompanhar a consistência da adversária no segundo set. Kerber acabou triunfando por 6/4 e 6/0.

Azarenka também teve mais trabalho. Mais do que em toda a temporada, é bom dizer. Barbora Strycova (#48) fez uma partida inteligente, usando curtinhas, slices e todas variações à disposição, mas acabou sucumbindo diante de uma oponente mais regular e com golpes mais potentes: 6/2 e 6/4.

Vale lembrar que os seis games conquistados por Strycova foram o máximo que Azarenka cedeu nesta temporada. E mais: somando as primeiras três rodadas do Australian Open, a ex-número 1 havia perdido apenas cinco games. Ela e Kerber agora reeditarão a final de Brisbane, vencida por Vika por 6/3 e 6/1. A bielorrussa, recordemos, nunca perdeu para a alemã – e já foram seis confrontos.

Ao fim do duelo desta segunda, Azarenka, fã de futebol americano (ou hater de Tom Brady, não sei exatamente o nível de sua ligação com a NFL) ainda perguntou em público se o Denver Broncos havia vencido a final da AFC contra o New England Patriots. Quando soube que sim, deu um grito que deixou o público meio confuso na Rod Laver Arena.

O estranho é que quando Azarenka entrou em quadra, o jogo entre Broncos e Patriots já havia acabado há mais de duas horas. Logo, ou Vika ficou totalmente desligada dos acontecimentos ou quis só fazer uma graça, comemorando na quadra central do Australian Open.

Entre os homens, o grande favorito da noite era Andy Murray (#2), que fez o esperado e despachou Bernard Tomic (#17): 6/4, 6/4 e 7/6(4). Foi o quarto duelo entre eles, e o australiano ainda não venceu um set. Apesar de vir em um jogo um tanto inconstante, com muitas quebras, a vitória em sets diretos é uma notícia ótima para o favorito, que viveu dias complicados. No sábado, correu para o hospital para ver o estado de seu sogro, que desmaiou durante uma partida de Ana Ivanovic. No domingo, voltou ao hospital para uma visita.

Na coletiva, Murray adotou um discurso bem diferente do de Federer para falar sobre Tomic. O escocês disse que Tomic vem evoluindo, que lida bem com a pressão e que costuma jogar bem no Australian Open. Para Murray, falta consistência ao longo do ano, mas “é normal para jovens ter altos e baixos.” O britânico terminou a “avaliação” cravando que Tomic será um top 10 “for sure”.

O jogo mais esperado

Stan Wawrinka (#4) tem ótimo histórico em Melbourne e vinha de um título em Chennai. Milos Raonic (#14) chegou embalado pela conquista em Brisbane e jogou um tênis empolgante nas primeiras rodadas. Por isso tudo, o duelo entre eles começou cheio de expectativa e não decepcionou.

O suíço teve problemas para encontrar seu jogo. Com Raonic sacando bem e pressionando com ótimas subidas à rede – tanto na execução de voleios e smashes quanto na escolha do momento de avançar – Wawrinka demorou a ficar à vontade do fundo de quadra. Perdeu o primeiro set e até conseguiu uma quebra no início do segundo, mas também acabou superado.

A partida começou a virar na terceira parcial, com o suíço finalmente encaixando alguns de seus melhores golpes do fundo de quadra e, principalmente, voltando a usar toda potência de forehands e backhands. Venceu o terceiro, venceu o quarto e forçou o quinto set.

O problema é que a pressão de Raonic era sempre grande e quem saca a mais de 200 km/h com tanta frequência acaba tendo uma certa margem para agredir mais. Se não conseguiu converter nenhum dos quatro break points no fim do quarto set, o canadense chegou à quebra no sexto game da parcial decisiva. Depois disso, Wawrinka não ameaçou mais: 6/4, 6/3, 5/7, 4/6 e 6/3, em 3h47min.

O adversário do invicto Raonic nas quartas em Melbourne será Gael Monfils (#25), que faz sua melhor campanha no Slam australiano. Não que não seja esperado. O francês se beneficiou da chave esburacada sem a presença de Rafael Nadal e foi avançando, derrubando Yuichi Sugita (#124), Nicolas Mahut (#63), Stéphane Robert (#225) e, nesta segunda, Andrey Kuznetsov (#74). Muitos ATPs 250 não têm chave tão acessível quando a de Monfils em Melbourne.

E antes que o leitor afobado diga “nossa, o Cossenza quer tirar o mérito do Monfils”, digo que não. São duas coisas diferentes. Uma: Monfils não tem culpa de pegar a chave que pegou. Entrou em quadra e fez o seu. A outra: não dá para dizer que foram atuações espetaculares ou que o francês chega às quartas jogando um tênis de altíssimo nível porque a verdade é que ele não foi testado. Sem drama.

Os aces que faltaram

John Isner (#11) chegou às oitavas de final em Melbourne como líder de aces do torneio e sem ceder um break point sequer. Nesta segunda, diante de David Ferrer (#8), foi quebrado três vezes e eliminado do torneio por 3 sets a 0: 6/4, 6/4 e 7/5, em 2h05min de jogo.

Vale lembrar que Isner pediu para jogar no fim do dia porque queria ver a final da NFC, com o “seu” Carolina Panthers enfrentando e atropelando o Arizona Cardinals. O jogo, inclusive, teve um daqueles raros momentos em que 40-15 não é um placar de tênis. Mas eu divago. O interessante é imaginar se jogar à noite, quando as condições são bem mais lentas do que de dia, atrapalhou o americano. É impossível dizer ao certo o quanto Ferrer se beneficiou com o horário, mas talvez Isner passe algum tempo pensando nisso.

Ferrer, por outro lado, chega às quartas sem perder um set (bateu Gojowczyk, Hewitt, Johnson e Isner) sequer. Logo ele que trocou de raquete no começo do ano e teve apenas um mês para se adaptar à nova “ferramenta”.

A zebra

Não foi um dia de resultados espantosos, mas é preciso registrar a surpreendente vitória da britânica Johanna Konta (#47) sobre a russa Ekaterina Makarova (#24): 4/6, 6/4 e 8/6, em 3h04min.

Responsável pela eliminação de Venus Williams na primeira rodada, a britânica que nasceu em Sydney (mas adotou a Inglaterra como residência) se tornou a primeira britânica desde Jo Durie – em 1983 – a alcançar as quartas de final.

Enquanto britânicos e australianos brigam pela nacionalidade de Johanna Konta, a moça se prepara para enfrentar a qualifier chinesa Shuai Zhang (#133), que passou pela americana Madison Keys (#17) em um jogo dramático: 3/6, 6/3 e 6/3.

A tensão ficou por conta de Keys, que venceu a primeira parcial, mas começou a sentir fortes dores desde o início do segundo set. Sem conseguir se movimentar normalmente, a americana fez o possível para se manter com chances de avançar, mas não foi possível. Saiu de quadra às lágrimas, de cabeça baixa, enquanto Zhang festejava e mal encontrava palavras (em inglês) para dar sua entrevista.

As quartas de final definidas

Na chave masculina, as quartas de final ficaram assim:

[1] Novak Djokovic x Kei Nishikori [7]
[3] Roger Federer x Tomas Berdych [6]
Gael Monfils [23] x [13] Milos Raonic
[8] David Ferrer x Andy Murray [2]

Na chave feminina, este é o cenário:

[1] Serena Williams x Maria Sharapova [5]
[4] Agnieszka Radwanska x [10] Carla Suárez Navarro
[7] Angelique Kerber x [14] Victoria Azarenka
Johanna Konta x [15] Madison Keys / Shuai Zhang

Os melhores lances

Um rali de 32 golpes entre Andy Murray e Bernard Tomic terminou com um incrível ângulo encontrado pelo escocês.

O melhor do dia 9

A programação de terça-feira, em Melbourne, tem apenas quatro jogos de simples, mas são todos grandes duelos. A sessão diurna da Rod Laver Arena tem Radwanska x Suárez Navarro, Serena x Sharapova e Federer x Berdych. À noite, Djokovic enfrenta Nishikori.

Na chave de duplas masculinas, Bruno Soares e Jamie Murray voltam à quadra em busca de um lugar nas semifinais. Eles fazem o quarto jogo da Quadra 2 contra Raven Klaasen e Rajeev Ram. Veja aqui os horários e a programação completa.


AO, dia 6: desmaio de técnico, frases polêmicas e surpresas nas oitavas
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Alexandre Cossenza

Se Andy Murray e Victoria Azarenka cumpriram o script, Garbiñe Muguruza apareceu no set com as falas mal ensaiadas. A espanhola acabou eliminada do Australian Open neste sábado, dia em que todos confrontos de oitavas de final foram definidos.

Foi uma jornada tumultuado dentro e fora de quadra. Desde o desmaio do técnico de Ana Ivanovic até as declarações polêmicas de Gilles Simon e – sempre ele – Bernard Tomic. Houve também muitos aces, lances espetaculares (e fanfarrões) e uma bela mensagem de solidariedade. Siga lendo o resumaço e fique por dentro do que anda acontecendo no primeiro Slam de 2016.

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Os favoritos

“Victoria Azarenka atropelou” é a versão 2016 do manjado título jornalístico “Federer dá show”, certo? Bom, pelo menos por enquanto. A bielorrussa, bicampeã do torneio, voltou a vencer com folga em Melbourne. A vítima do sábado foi a qualifier japonesa Naomi Osaka (#127), que caiu por 6/1 e 6/1.

O jogo até chegou a parecer interessante, mas só por alguns minutos. Foi quando Vika perdeu o serviço logo no primeiro game. Depois disso, Azarenka venceu oito games seguidos e restabeleceu a ordem das coisas.

Ainda sem enfrentar uma cabeça de chave sequer, a ex-número 1 ainda deu sorte – com a eliminação de Garbiñe Muguruza (leia mais abaixo) – e vai enfrentar a tcheca Barbora Strycova (#48) nas oitavas. Ou seja, Vika pode alcançar as quartas sem enfrentar uma cabeça de chave.

Sim, eu sempre posto um tuíte como o acima, mostrando a espetacular sequência de resultados de Azarenka em 2016. Vale perguntar, a propósito, quando o Twitter vai aprovar o uso de mais de 140 caracteres nas postagens. Se demorar, os jornalistas precisarão postar imagens com as parciais de Vika.

Na chave masculina, Andy Murray perdeu um set, mas derrotou o português João Sousa sem muito drama: 6/2, 3/6, 6/2 e 6/2. Foi a sétima vitória de Murray em cima de Sousa, que só conseguiu tirar dois sets do britânico em todos esses confrontos. O jornalismo português, aliás, deve ser o detentor do recorde de escrever “enfrenta Andy Murray” nos últimos dois anos. De 2014 até este Australian Open, foram seis partidas entre os atletas em questão.

A grande cabeça que rolou

Na chave feminina, finalmente uma zebra grande. Garbiñe Muguruza (#3), que vinha de duas boas vitórias e atuações convincentes, deu adeus precoce a Melbourne neste sábado, eliminada pela tcheca Barbora Strycova (#48). A espanhola entrou em quadra agressiva e até conseguiu um break point no game inicial, mas não converteu.

Muguruza, contudo, atacou além da conta, e os erros começaram a aparecer já no segundo game. Strycova conseguiu duas quebras e, a partir do quarto game, manteve a liderança até fechar o set. A segunda parcial não foi muito diferente. Em momento algum, Muguruza conseguiu o ritmo necessário para agredir a rival com eficiência e consistência. A tcheca, que não deu o ritmo que Muguruza gostaria, acabou triunfando por 6/3 e 6/2, em 1h18min.

O susto

Ana Ivanovic (#23) vencia a partida contra Madison Keys (#17) por 6/4 e 1/0 quando a partida precisou ser interrompida por causa de um espectador que havia desmaiado. Pouco depois, foi confirmado que o cidadão era Nigel Sears, técnico de Ivanovic e sogro de Andy Murray.

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As duas tenistas tiveram a opção de adiar a partida, mas ambas preferiram continuar, e o jogo seguiu após uma interrupção de 50 minutos. Ivanovic chegou a abrir 4/2 no segundo set, mas acabou sofrendo a virada. Keys fechou a parcial em 6/4 depois de um último game que teve seis break points e três game/set points.

A parcial decisiva também foi cheia de variações, e Ivanovic novamente abriu vantagem. Keys, no entanto, saiu de 0/3 para 5/3 e finalmente fechou a partida em 4/6, 6/4 e 6/3. O torneio deu às tenistas a opção de não ir à coletiva obrigatória, e ambas aceitaram. Andy Murray, que jogava na Margaret Court Arena ao mesmo tempo, também se recusou a falar.

Ele e mãe saíram do Melbourne Park direto para o hospital. Os relatos mais recentes dão conta de que Nigel Sears está consciente e passa bem.

Frases polêmicas

Gilles Simon disse ao jornal francês L’Équipe que terá todo o vestiário (leia-se “todos os jogadores”) na torcida a seu favor no domingo, quando enfrentará Novak Djokovic nas oitavas de final. Segundo o #15 do mundo, todo mundo anda de saco cheio de ser humilhado pelo sérvio.

Tenho cá minhas dúvidas sobre se foi algo inteligente a dizer um dia antes de enfrentar o número 1 do mundo. Isso desestabilizaria ou incentivaria ainda mais Djokovic nas oitavas de um Slam? Aguardemos até a partida então.

Outro que andou falando sobre alguém do Big Four foi – surpresa! – Bernard Tomic. Depois de cinco dias sem falar ou fazer bobagem, o australiano foi indagado sobre uma entrevista de Federer, na qual o suíço ressaltava a inconsistência de Tomic, que sempre ficou longe de entrar no top 10. Neste sábado, o australiano disse também achar que o suíço está muito longe do tênis de Djokovic hoje em dia.

Se alguém estiver imaginando, Tomic só enfrentará Federer neste Australian Open se ambos alcançarem a final. Não parece lá muito provável.

As oitavas definidas

Na chave masculina, as oitavas de final ficaram assim:

[1] Novak Djokovic x Gilles Simon [14]
[9] Jo-Wilfried Tsonga x Kei Nishikori [7]
[3] Roger Federer x David Goffin [15]
[24] Robert Bautista Agut x Tomas Berdych [6]
Andrey Kuznetsov x Gael Monfils [23]
[13] Milos Raonic x Stan Wawrinka [4]
[8] David Ferrer x John Isner [10]
[16] Bernard Tomic x Andy Murray [2]

Na chave feminina, este é o cenário:

[1] Serena Williams x Margarita Gasparyan
[12] Belinda Bencic x Maria Sharapova [5]
[4] Agnieszka Radwanska x Anna-Lena Friedsam
[10] Carla Suárez Navarro x Daria Gavrilova
[7] Angelique Kerber x Annika Beck
[14] Victoria Azarenka x Barbora Strycova
Johanna Konta x Ekaterina Makarova [21]
[15] Madison Keys x Shuai Zhang

O sortudo

Não é todo dia que alguém chega às oitavas de final em um Slam depois de derrotar Ryan Harrison, Jeremy Chardy e Dudi Sela, certo? Principalmente em uma chave que tinha Rafael Nadal (e, depois, Fernando Verdasco). Só que Andrey Kuznetsov (#74) tem lá seu mérito. Viu as oportunidades e aproveitou, derrotando um cabeça de chave, digamos, derrotável, e, em seguida, batendo o israelense Dudi Sela, que ninguém imaginava estar vivo na terceira rodada.

A maior surpresa

Não, Shuai Zhang (#133) não protagonizou nenhuma surpresa gigante neste sábado, embora a chinesa não fosse a mais cotada para vencer o duelo com a americana Varvara Lepchenko (#51). Ainda assim, a qualifier de 27 anos triunfou e avançou às oitavas por 6/1 e 6/3.

A parte mais bacana da história é que Shuai Zhang vem caminhando em território desconhecido desde a primeira rodada, quando derrotou a vice-líder do ranking, Simona Halep. Antes deste Australian Open, a chinesa havia disputado 14 Slams e perdido na estreia em todas 14 oportunidades.

Os brasileiros

Bruno Soares e Jamie Murray venceram outra vez e alcançaram as oitavas de final. Brasileiro e escocês, cabeças de chave 7 em Melbourne, fizeram 7/5 e 6/3 em cima de Mariusz Fyrstenberg e Jerzy Janowicz, uma dupla nada fácil de derrotar. Em uma seção duríssiva da chave, Bruno e Jamie vão enfrentar agora Dominic Inglot e Robert Lindstedt, cabeças 11. Quem vencer vai às quartas para encarar – provavelmente – os irmãos Bob e Mike Bryan.

O sábado também marcou o início do torneio juvenil do Australian Open, mas não há brasileiros inscritos. Dos quatro brasileiros mais bem colocados no ranking mundial juvenil, três optaram por disputar a Copa Barranquilla, na Colômbia. É um torneio de nível I. Gabriel Decamps foi eliminado nas oitavas de final (por desistência), assim como Lucas Koelle. Felipe Meligeni Alves, cabeça 1, caiu na estreia. Orlando Luz, por sua vez, ainda não jogou em 2016.

O canhão

John Isner (#11) venceu outra vez e, como quase sempre, disparando um monte de aces. Neste sábado, contra Feliciano López (#19), foram 44, número que iguala sua terceira melhor partida no quesito. O espanhol até emparelhou a partida durante os dois primeiros set, mas Isner conseguiu a primeira quebra de saque da partida logo no game inicial do terceiro set e dominou o confronto a partir dali. No fim, o placar mostrou 6/7(8), 7/6(5), 6/2 e 6/4.

Os números de Isner neste Australian Open são, de fato, impressionantes. Em três partidas, o americano de 2,08m de altura acumula 101 aces (e apenas cinco duplas faltas) e 161 saques não devolvidos. Além disso, em 54 games com o saque, Isner não cedeu um break point sequer. Os números são cortesia do tuíte de Craig O’Shannessy, colado abaixo.

O bom moço

Milos Raonic (#14) havia acabado de derrotar Viktor Troicki (#26) por 6/2, 6/3 e 6/4, mas aproveitou a entrevista pós-jogo para mandar um recado solidário. Ele dedicou a vitória a uma comunidade de Saskatchewan, no Canadá, onde houve um tiroteio que deixou quatro mortos e pelo menos dois feridos em uma escola.

“A vitória de hoje foi por essa comunidade e por uma recuperação rápida, e o Canadá inteiro, e tenho certeza que o mundo, está com vocês.”

Os melhores lances

Na chave de duplas mistas, Ivan Dodig derrubou a placa de propaganda na beira da quadra, mas conseguiu o winner. Ele e a indiana Sania Mirza derrotaram Alja Tomljanovic e Nick Kyrgios por 7/5 e 6/1.

Dodig também tentou jogar tênis sem a raquete.

O jogo entre os franceses Gael Monfils (#25) e Stephane Robert (#225) não foi lá equilibrado, mas teve seus momentos divertidos. Como este ponto de Robert depois de um longo rali com o compatriota.

Robert e Monfils, aparentemente, estavam no espírito de fazer gracinhas.

O melhor do dia 7

A programação de domingo, em Melbourne, marca o início das oitavas de final, ou seja, serão poucas as partidas desinteressantes. A começar pela primeiro jogo da Rod Laver Arena, entre Maria Sharapova e Belinda Bencic, que será disputado no mesmo horário de Jo-Wilfried Tsonga x Kei Nishikori, marcado para a Hisense Arena. A sessão diurna da RLA encerra com Novak Djokovic x Gilles Simon, duelo que ficou mais curioso depois das declarações do francês. No fim do dia, também na RLA, temos Roger Federer x David Goffin. Se o belga não costuma ameaçar o suíço, pelo menos a partida deve render alguns lances de efeito.

Entre os brasileiros, Marcelo Melo tenta uma vaga nas quartas de final. Ele e Ivan Dodig enfrentam Pablo Cuevas e Marcel Granollers na segunda partida do dia na Hisense Arena. Na Quadra 6, Bruno Soares finalmente fará sua estreia nas mistas, inicialmente marcada para sexta-feira, mas cancelada por causa da chuva. Ele e Elena Vesnina jogam contra a chinesa Saisai Zheng e o sul-coreano Hyeon Chung. Veja aqui os horários e a programação completa.


AO, dia 2: Sete anos depois, o “mesmo” Verdasco e outro Nadal
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Alexandre Cossenza

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A semifinal de 2009 foi dos jogos mais memoráveis do Australian Open. Foram 5h14min de lances espetaculares e um equilíbrio de tirar o fôlego. Rafael Nadal, vencedor naquele dia, era o número 1 do mundo. Fernando Verdasco, o 15º. Seria injusto esperar o mesmo nível de tênis sete anos depois, com um Nadal longe daquele nível e seu compatriota em 45º lugar no ranking.

Verdasco, imagino, discorda da afirmação acima. O veterano de 32 anos disparou 90 winners (!!!) em 4h41min, destruindo Nadal e vencendo seis games seguidos no quinto set para fechar o jogo em 7/6(6), 4/6, 3/6, 7/6(4) e 6/2. Uma atuação irregular, bem ao estilo Verdasco (com 91 erros não forçados), mas espetacular no momento crucial – algo que vai de encontro à sua fama de vacilar em pontos “grandes”.

A vitória de Verdasco parecia improvável desde o fim do terceiro set. Na quarta parcial, o azarão foi quebrado quando sacou para fechar e ainda precisou sair de um 5/6 e 0/30para forçar o tie-break e, em seguida, o quinto set. Na parcial decisiva, Nadal novamente teve vantagem. Abriu 2/0 e teve um break point para fazer 3/0. Errou a devolução de saque e viu Verdasco renascer.

Arriscando – e acertando – nas devoluções, Verdasco demoliu o saque de Nadal, que já não conseguia mandar em ponto algum. Ao fim do confronto, enquanto o ex-número 1 rumava para perder seis games em sequência, o duelo parecia uma versão bizarra de Verdasco/2009 contra Nadal/2016. Um em grande momento; o outro, vacilante e não mais indestrutível.

Sim, Nadal executou golpes espetaculares em diversos momentos do jogo. Fez 37 winners, o que nem é tão pouco considerando o nível de risco que seu adversário aceitou assumir a partida inteira. Só que não foi uma atuação espetacular. Longe disso. Se não foi inconsistente, faltaram saque e a velha capacidade de fechar as portas para reações dos seus adversários. O Nadal de hoje, que se diz bem melhor do que no ano passado, ainda se parece mais com Nadal/2015 do que com Nadal/2009, e o circuito inteiro sabe disso. Esse “retorno” fica mais difícil a cada dia.

A última vitória

O segundo dia do Australian Open, porém, não foi só de Verdasco. Favoritos venceram, cabeças rolaram, muitos aces foram disparados e Bellucci venceu. Também houve desistências, inclusive com um tenista sendo retirado da quadra em uma maca. Mas comecemos por um dos momentos mais emocionantes do dia…

Lleyton Hewitt, fazendo o último torneio da carreira, entrou na sessão noturna da Rod Laver Arena com o país quase inteiro em reverência, apesar de o rival da estreia ser o compatriota James Duckworth. Pois Rusty foi lá e venceu em três sets, com parciais de 7/6(5), 6/2 e 6/4. Sua comemoração foi possivelmente o momento mais emocionante da terça-feira.

É bem provável que tenha sido a última vitória da carreira de Hewitt. O ex-número 1 do mundo, hoje com 34 anos, enfrentará David Ferrer na sequência. É grande a chance de que a última partida de Hewitt aconteça na quinta-feira.

Os favoritos

Atual vice-campeão do torneio, Andy Murray entrou em quadra para uma estreia perigosa contra Alexander Zverev, mas logo cedo ficou claro que a maré não estava a favor do jovem alemão de 18 anos, #83. Já no segundo game, o adolescente teve um sangramento no nariz e recebeu atendimento médico, o que atrasou o jogo por quase uns dez minutos.

Quando o jogo recomeçou, Murray ditou o jogo, fez belíssimas jogadas e não deu muitas chances a Zverev. Ao todo, foi uma ótima atuação do número 2 do mundo, deixando poucas dúvidas de que o escocês chegou em forma a Melbourne.

Outros nomes de peso que venceram neste segundo dia de evento na chave masculina foram Stan Wawrinka (seu adversário, Dmitry Tursunov, abandonou após dois sets) e Milos Raonic (atropelou Lucas Pouille), David Ferrer e John Isner.

Entre as mulheres, Victoria Azarenka foi quem mais impressionou. Escalada para o último jogo da Rod Laver Arena, entrou afiadíssima e não vacilou nem por um momento. Aplicou uma bicicleta (6/0 e 6/0) na belga Alison Van Uytvanck e deu uma primeira amostra em Melbourne de que é mesmo uma séria candidata.

O mesmo vale para a espanhola Garbiñe Muguruza, que fez o dever de cassa e passou fácil por Anna Kontaveit (6/0 e 6/4). Enquanto isso – acreditem – Ana Ivanovic voltou a vencer. A sérvia, beneficiada com um sorteio que lhe colocou diante de Tammi Paterson, convidada da organização e #459 do mundo, triunfou por 6/2 e 6/3. E antes que você pergunte “mas hoje não jogavam Halep, Kerber e Venus?”, já sugiro que o leitor role a página porque elas se encaixam em outros tópicos deste resumaço.

Cabeças que rolaram

Das dez primeiras tenistas do ranking, apenas duas não sofreram com problemas físicos antes do Australian Open. Venus Williams foi uma delas. Talvez não sirva de consolo, já que a americana, atual #10, foi eliminada logo na primeira rodada em Melbourne. Sua algoz foi a britânica Johanna Konta (#47), que fez 6/4 e 6/2. Andy Murray aplaudiu virtualmente.

Após terminar o ano no top 10 – como bem lembrou o Mário Sérgio Cruz – Venus ainda não venceu em 2016. Em Auckland, seu primeiro torneio, foi derrotada pela russa Daria Kasatkina.

O “buraco” deixado por Venus na chave deixa a vida mais fácil no quadrante que era de Simona Halep. “Era” de Halep porque a número 2 do mundo também tombou no fim do dia. Carregando uma lesão no tendão de aquiles e vindo de uma semi em Sydney, a romena foi praticamente dominada pela qualifier chinesa Shuai Zhang, atual #133 do mundo, logo no início.

Halep até começou melhor a segunda parcial, com uma quebra de vantagem, mas perdeu os últimos cinco games e deu adeus ao torneio: 6/4 e 6/3. Enquanto isso, Zhang, 26 anos, revelou que por pouco não se aposentou e que viajou para a Austrália pensando que seria sua última vez no torneio.

Sem Venus e Halep no quadrante, as cabeças de chave restante nesse quadrante são Karolina Pliskova, Makarova, Ivanovic e Lisicki. É bem possível que uma delas alcance a semifinal em Melbourne. Ah, sim: vale registrar que a lista de cabeças eliminadas neste segundo dia de torneio também inclui Irina Camelia Begu (cabeça 29), Caroline Garcia (32) e Lesia Tsurenko (31).

Na chave masculina, a derrota mais significativa – depois de Nadal, claro – foi a do sul-africano Kevin Anderson, #12. Com problemas no joelho, o sul-africano perdia para o americano Rajeev Ram por 7/6(4), 6/7(4), 6/3 e 3/0 quando desistiu da partida. O resultado beneficia diretamente Gael Monfils, que enfrentaria Anderson na terceira rodada. Aliás, se o favoritismo prevalecesse, o vencedor de Anderson/Monfils enfrentaria Nadal nas quartas.

Outra cabeça que rolou foi a de Fabio Fognini, em uma partida tensa de quatro tie-breaks que testou os nervos do italiano. O luxemburguês Gilles Muller, dono de um saque invejável e de 34 aces no duelo, fez 7/6(6), 7/6(7), 6/7(5) e 7/6(1). Fognini fez um pouco de tudo: perdeu set points nas duas primeiras parciais, atirou raquetes, foi punido e esbravejou com árbitros.

Os sustos

A chave feminina por pouco não perdeu uma candidata ao título – ainda que seja uma das que correm por fora. Angelique Kerber encontrou sérios problemas com a agressividade de Misaki Doi, que topou correr riscos e, com os golpes calibrados, colocou a alemã para correr durante boa parte dos dois primeiros sets. Venceu o primeiro set depois de estar perdendo por 3/0 (duas quebras) e teve até um match point no tie-break da segunda parcial.

A chance foi breve. Doi devolveu para fora um saque de Kerber (que nem foi tão forçado ou colocado assim) e, depois, viu a alemã vencer mais dois pontos em sequência para forçar o terceiro set. No fim, Kerber, mais consistente, triunfou por 6/7(4), 7/6(6) e 6/3 em 2h45min. A número 6 do mundo agora enfrentará a romena Alexandra Dulgheru na segunda rodada.

Não, Andy Murray não esteve perto da eliminação, mas tomou esse sustinho aí quando a bola não estava em jogo.

O (outro) jogo boyhoodiano

Foram cinco sets, sete match points e 4h43min, até que Jeremy Chardy eliminou Ernests Gulbis por 7/5, 2/6, 6/7(5), 6/3 e 13/11. O resultado é especialmente amargo para o letão, não só pela derrota mas pela repetição do cenário. Ano passado, também na primeira rodada, Gulbis foi eliminado pelo australiano Thanasi Kokkinakis, que fechou em 8/6 no quinto set. Na ocasião, o letão teve quatro match points e não conseguiu converter.

O canhão

Atenção para os números da estreia de John Isner, que despachou o polonês Jerzy Janowicz em três sets: 37 aces, 78% de aproveitamento de primeiro serviço, 91% dos pontos vencidos com o primeiro saque e 72% com o segundo.

O brasileiro

Thomaz Bellucci fez o que se esperava – e fez bem feito. Diante do desconhecido convidado Jordan Thompson (#143), o brasileiro foi consistente e esteve sempre à frente no placar. No fim, fechou por 6/2, 6/3 e 6/2 e avançou à segunda rodada.

Caso volte a vencer, Bellucci alcançará o melhor resultado de sua carreira no Australian Open. Seu próximo oponente será o americano Steve Johnson, #32 e cabeça de chave 31 do torneio. Na estreia, Johnson derrotou o britânico Aljaz Bedene por 6/3, 6/4 e 7/6(3).

Os melhores lances

Foi o momento que selou o segundo set e, no fim das contas, acabou não sendo tão decisivo quanto pareceu na hora. Mesmo assim, este ponto vencido por Rafael Nadal merece ser visto e revisto.

A desistência

O abandono doído – literalmente – deste segundo dia do torneio ficou por conta de Diego Schwartzman, que chegou a ter dois sets de frente sobre o australiano John Millman. O argentino teve cãibras no calor e precisou ser retirado da quadra de maca. Millman herdou a vitória quando o placar mostrava 3/6, 5/7, 7/6(2) e 5/0.

O melhor do dia 3

Dois jogos se destacam na programação de quarta-feira em Melbourne. Primeiro, fechando a sessão diurna da Rod Laver Arena, Roger Federer encara Alexandr Dolgpolov. Em seguida, na abertura da sessão noturna, Agnieszka Radwanska enfrenta Eugenie Bouchard. A rodada ainda tem jogos de Maria Sharapova, Serena Williams, Novak Djokovic, Kei Nishikori e Petra Kvitova, entre outros.

Nas duplas, Marcelo Melo e Ivan Dodig fazem sua estreia. Eles jogam contra Aljaz Bedene e Dustin Brown na Quadra 5. Na Quadra 10, Bellucci e Demoliner enfrentam Santiago González e Julian Knowle. Veja a programação completa aqui.


Rio Open: sobre ingressos, estrutura, bastidores e um pouco mais
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Alexandre Cossenza

Na manhã desta quinta-feira, o diretor do torneio, Luiz Procópio Carvalho, recebeu na sede da IMM alguns jornalistas que acompanham tênis para um café da manhã e um bate papo informal sobre os preparativos para o torneio. Lui, como o diretor é conhecido no circuito, deu muita informação: falou sobre a loucura que será fazer a programação com tantos nomes de peso, revelou detalhes da estrutura da edição 2016 do torneio e deu valiosas informações sobre como aconteceram as negociações com jogadores que o evento queria trazer ao Rio de Janeiro.

Separei abaixo os melhores trechos da conversa que durou cerca de 1h30min. Leiam até o fim porque há dicas importantes sobre o evento.

Quadra Central e valiosos ingressos sobrando

Como já foi anunciado em dezembro, o Rio Open terá apenas quatro jogos por dia na Quadra Central (em vez dos seis de 2014 e 2015). Parte da intenção é poupar os jogadores do calor. A outra parte é evitar que os jogos noturnos se estendam demais, como aconteceu de Nadal entrar em quadra à 1h e sair às 3h da madrugada no ano passado.

Com a chave masculina tão forte e outras atrações importantes (Nadal, Ferrer, Isner, Tsonga, Bellucci, Teliana, Bouchard, Soares e Melo), Lui já prevê que será complicado encaixar todos na arena principal do Rio Open, pelo menos nos primeiros dias do torneio.

O pepino para a organização é, ao mesmo tempo, uma recompensa aos fãs. É bastante provável que quem tiver ingresso para segunda e terça-feira vai ver ótimos nomes nas quadras externas. E vale lembrar que bilhetes da sessão diurna dão direito ao dia inteiro no complexo. O espectador pode chegar e ver o primeiro jogo da Quadra Central e ficar até a noite nas quadras menores.

Tudo depende do sorteio da chave, obviamente, mas é grande a chance de que nomes como Almagro, Fognini, Verdasco, Cuevas e Thiem joguem fora da Quadra Central. Ah, sim: há ingressos sobrando para as quatro sessões de segunda e terça (e nem são os mais caros), então, como dizem por aí, fica a dica.

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Programação

Sobre os jogos femininos, a intenção do torneio é abrir a programação da Quadra Central todos os dias com uma partida da WTA ou de duplas. De cara, a vontade é ter Teliana Pereira e Genie Bouchard nos primeiros dias (segunda e terça, logo no primeiro horário, às 14h15min). Tudo depende, claro, do sorteio da chave e de quando os jogadores chegarão ao Rio de Janeiro.

Sobre as duplas, o Rio Open pediu inclusive uma autorização especial para realizar a final de duplas no domingo, “no prime time”, após a final de simples (o regulamento não permite o jogo de duplas por último). Lui explica que fez o pedido porque possivelmente terá o duplista número 1 do mundo no torneio. Além disso, o diretor existe a possibilidade de Marcelo atuar ao lado de Bruno Soares.

Lui também falou que vem se mantendo em constante contato com André Sá e Bruno Soares – “especialmente o Bruno, que é mais vocal” – para conseguir agradar a todos na montagem da programação de jogos. “Está falado com eles, a gente conversou, eles entendem. Diferentemente do primeiro ano (2014), que foi um erro meu, de comunicação, de não ter falado com eles como ia funcionar o schedule”, explicou Lui.

Negociações com tenistas

Lui conta que “em junho, a gente tinha mais segurança que Nadal e Ferrer voltariam, então a gente queria um nome novo e a gente começou a mapear alguém com perfil ‘brasileiro’. Alguém que seja showman e faça sentido estar aqui. A gente começou a ver Monfils, Tsonga, Berdych e Wawrinka. Aí depende de calendário. Com o Tsonga, a gente deu uma sorte tremenda – e competência, espero – porque ele queria se preparar melhor para Roland Garros e a Copa Davis eles já estavam em conversa para jogar na América Central.”

Com o confronto contra o Canadá marcado para Guadalupe, o Rio Open viu o caminho para fechar com o francês, que tem base em Miami. Monfils, por outro lado, queria ficar na Europa após o Australian Open. Lui também tentou trazer Nishikori, e a negociação caminhou bastante. O torneio até se comprometeu a ceder um jatinho para que o japonês deixasse o Rio rumo a onde quer que fosse (o Japão joga na Inglaterra pela Copa Davis), mas Nishikori acabou decidindo não vir, optando por jogar em Acapulco na semana seguinte – o torneio é em quadra dura.

Quanto a Isner, a negociação começou com uma conversa informal com Justin Gimelstob, técnico do americano. O treinador acredita que Isner deveria jogar mais no saibro, então as negociações caminharam até o anúncio de dezembro. O detalhe é que as conversas começaram com a participação de Buenos Aires e São Paulo, mas o Brasil Open acabou não conquistando ninguém. “Infelizmente, São Paulo não quis dançar com a gente”, disse Lui. A negociação em conjunto continuou com o torneio portenho, que também terá o americano.

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A estrutura

De modo geral, a organização ficou satisfeita com a estrutura de 2015, por isso não haverá grandes mudanças. Ainda assim, houve uma alteração no lado da entrada dos jogadores para evitar tumulto e encurtar o tempo entre as partidas.

O Leblon Boulevard, que Lui chama carinhosamente de “nossa minicidade cenográfica” será um pouco maior, já que há novos patrocinadores. O torneio manteve 85% dos patrocinadores e conquistou outros dez parceiros para 2016. Considerando o momento da economia do país, é um feito e tanto.

O Rio Open terá um novo bar da Stella Artois, construído nos moldes de bares de grandes eventos como o US Open e o Miami Open, que tem lounge e TVs. Será posicionado bem na frente do telão que fica na lateral da Quadra Central.

Na questão de alimentação, fazem parte das novidades o food truck Frites e o Popcorn Truck da rede Cinemark, com pipoca gourmet.

Os banheiros, grande problema da edição da estreia que foi corrigido em 2015, terão a mesma (ótima) estrutura este ano. A novidade é a parceria com a Granado, o que garante a manutenção da qualidade (nenhuma marca patrocina banheiro sujo, então temos um fator tranquilizador a mais).

Nada muda no estacionamento. Ou seja, não há estacionamento do evento. A organização lembra, contudo, que há bolsões perto do Jockey Club Brasileiro: Parque dos Partins, Lagoon, Shopping Leblon, Cobal Leblon e Estapar na rua Jardim Botânico.

Transmissão de TV

Assim como no ano passado, não haverá transmissão dos jogos na Quadra 1 (em 2014, havia estrutura para transmissão de lá).

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Centro Olímpico

É uma questão recorrente, até porque ninguém sabe até agora quem administrará o Centro Olímpico de Tênis após os Jogos Rio 2016. A instalação, aliás, virou alvo de uma pendenga jurídica que só deus sabe como vai terminar. Mas eu divago. A questão é saber se o Rio Open, que continua crescendo apesar da economia brasileira, mudaria para a região do ex-autódromo de Jacarepaguá.

Lui inclusive concordou quando eu disse que a chave do Rio Open deste ano indica que o torneio está crescendo além da capacidade do Jockey Club. “A gente mensura o apetite pelo evento. A gente bota os ingressos à venda, e esgota sábado e domingo em três horas. Se tivesse uma quadra maior, iria vender mais ingresso, mas eu tenho a limitação de espaço do Jockey. A gente quer crescer o evento, mas organicamente. Não dá para fazer uma loucura. A pergunta é ‘o Rio Open dentro do Centro Olímpico tem uma quadra lotada?’ É difícil de responder. Botar dez mil pessoas constantemente… Porque é isso que a gente quer. A gente quer quadra lotada de segunda a domingo.”

Lui não dá uma resposta definitiva e lembra que existe a questão política que decidirá o que vai acontecer com o Centro após os Jogos, mas insiste em dizer quer “continuar crescendo o evento” e abraçar a oportunidade de se tornar um Masters 1.000 se ela se apresentar. “Acho que não é um sonho a América do Sul pleitear um Masters 1.000. Acho que agora a gente está num momento que faz sentido. A Europa tem, a Ásia tem, por que a América do Sul não tem? É um ponto questionável, e a gente gostaria de estar nessas conversas se isso for cogitado.”

Projetos sociais

O torneio ainda não anunciou oficialmente, mas haverá parcerias com três projetos sociais. Não só porque existe uma necessidade de boleiros, mas porque Lui lembra que “é uma coisa pessoal. Meu pai foi pegador de bola na infância, virou rebatedor, virou professor, tem uma academia de tênis e construiu o que ele tem graças ao tênis. O tênis não só forma profissionais como Julinho e Rogerinho, mas forma cidadãos. A história da minha família eu agarro com muito orgulho.”

O Rio Open cede bolas usadas para projetos sociais, mas dá material e alimentação para todos meninos e meninas. Além disso, cerca de 10-12 jovens com mais de 18 anos de projetos sociais que vão trabalhar no torneio nas áreas de tecnologia, entretenimento, ticketing e outras.

Também haverá um torneio entre cinco projetos sociais. As crianças serão misturadas (nada de um projeto jogando contra o outro) e formarão cinco equipes que se enfrentarão em partidas realizadas na Quadra 1 do Rio Open. A equipe campeã vai tirar uma foto com o tenista de der nome ao time. Se o Time Nadal for campeão, o grupo faz o clique com o eneacampeão de Roland Garros.

Na segunda-feira, primeiro dia da chave principal, o Rio Open distribuirá 400 ingressos para vários projetos sociais. A intenção é sempre “para incentivar a seguir no esporte mesmo. Eu acredito em formar melhor cidadãos.”

Coisas que eu acho que acho:

– Apenas por curiosidade (mesmo sem achar que teria uma resposta definitiva), perguntei se o cachê de Rafael Nadal havia diminuído depois de uma temporada abaixo das expectativas. Lui sorriu e respondeu: “Nadal é Nadal, amigo. Nadal é Nadal. Para mim, se Nadal chegar número 1 ou 25… É mais para a imprensa escrever porque é Nadal, cara. As pessoas continuam querendo ver.”

– Lembrete importante: as chaves do Australian Open foram sorteadas nesta sexta-feira (noite de quinta no Brasil). Até amanhã o blog terá os tradicionais posts sobre as chaves masculina e feminina. Até lá!


Roland Garros 2015: o guia
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Alexandre Cossenza

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Roger Federer de um lado, Novak Djokovic, Rafael Nadal e Andy Murray do outro. Sérvio e espanhol, que se enfrentaram em Paris 2006, 2007, 2008, 2012, 2013 e 2014, podem se encarar logo nas quartas de final. E não falta é assunto nesta sexta-feira, depois do sorteio das chaves de Roland Garros.

Nadal, que já não teve muito acontecendo a seu favor nos último meses, foi o grande perdedor do dia. Ainda em busca da consistência que lhe deu nove títulos em Paris, o espanhol pode se deparar bem cedo com seu maior rival. Traduzindo: terá alguns dias a menos para encontrar o ritmo que não conseguiu durante toda temporada de saibro europeia. Pode não significar muito, mas parece ser consenso no circuito que Nadal é mais “derrotável” longe da final. E isso porque ainda será preciso passar por Almagro/Dolgopolov (segunda rodada) e, talvez, Dimitrov nas oitavas. Não é o mais fácil dos caminhos.

Djokovic, que já perdeu duas finais e três semis para Nadal em Paris, não deve estar nada triste com a possibilidade de um duelo nas quartas (só aconteceu antes em 2006, no primeiro jogo entre eles). E, convenhamos, não é nada ruim para o número 1 uma chave que, antes das quartas, traz Nieminen, Muller/Lorenzi, Tomic/Kokkinakis e Anderson/Gasquet. O sérvio é presença quase certa entre os oito melhores do torneio. Murray, por sua vez, estreia contra um qualifier e depois pega, se os favoritos avançarem, Pospisil/Sousa, Kyrgios/Istomin, Isner/Goffin e Ferrer. Também não é o mais complicado dos caminhos, mas existe, claro, a grande possibilidade de ver Djokovic (ou Nadal) nas semifinais.

Logo, os grandes sortudos do dia ficaram na outra metade da chave. Roger Federer, cabeça 2 e na outra extremidade, vai ter bastante tempo para fazer aqueles “treinos com torcida” na Chatrier. Estreia contra um quali, depois enfrenta quali/Granollers e Karlovic/Baghdatis até, talvez, encontrar Gael Monfils nas oitavas. Embora não tenha feito uma grande temporada de saibro, o francês jogará em casa e com o retrospecto de duas vitórias nos dois últimos encontros com o suíço. Se acontecer, será um daqueles jogos com muita expectativa e torcida barulhenta. E, nas quartas, Federer enfrentaria o-freguês-Wawrinka.

O maior vencedor do dia, porém, talvez tenha sido Kei Nishikori. Cabeça 5, o japonês tem como adversário mais forte Tomas Berdych – o provável adversário de quartas de final. Antes, pega Mathieu na estreia e, depois, Matosevic/Bellucci, Verdasco e Bautista/Feliciano/Delbonis. Talvez tenha chegado o momento de Nishikori dar aquele passo adiante e finalmente se mostrar como postulante frequente às semifinalistas de Grand Slams – até agora, soma apenas a boa campanha no US Open do ano passado. E, é bom dizer, uma semifinal de Roland Garros contra Federer (leia-se “escapando de Djokovic e Nadal”) não é o pior dos cenários, certo? Obviamente, o suíço deve estar pensando o mesmo: “antes Nishikori que os outros dois.”

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Os brasileiros

Primeira rodada acessível, segunda fase dura. O mesmo pode ser dito de Thomaz Bellucci e Feijão. O número 1 do país, que está na final do ATP de Genebra, estreará em Paris contra o imprevisível australiano Marinko Matosevic. Se vencer, provavelmente terá de colocar sua consistência em prova contra Kei Nishikori. Feijão, que amarga uma série de oito derrotas, encara o espanhol Daniel Gimeno-Traver. Se espantar a má fase, possivelmente enfrentará David Ferrer. Difícil imaginar um brasileiro na terceira rodada.

O que ver (ou não) na TV

Difícil saber como será a transmissão para o Brasil, já que o Band Sports pouco deu detalhes sobre como seria e houve boatos de que o canal iria com equipe reduzida a Paris. Inclusive até hoje não há informação no site do BS sobre o segundo canal, aberto nos anos anteriores para assinantes da Sky.

Independentemente disso, a chave não foi muito generosa com o público na primeira rodada. São poucos os confrontos com alguma expectativa para os primeiros dias. Na segunda rodada, a coisa melhora pouco. Talvez tenhamos Nadal x Almagro/Dolgopolov, mas nada de confrontos entre grandes nomes. Vale ficar de olho para Murray x Kyrgios e Berdych x Fognini (um jogão em Roma) na terceira rodada, mas a coisa só deve esquentar mesmo a partir das oitavas.

Para o Brasil, claro, fica a expectativa de Bellucci x Nishikori e Feijão x Ferrer. O primeiro confronto, principalmente, pode ser uma bela partida.

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O que pode (ou não) acontecer de mais legal

No cenário dos sonhos, as oitavas começariam com Federer x Monfils. Partida com potencial de zebra, envolvendo tenista da casa e com muita coisa em jogo. Quem passar avança no quarto teoricamente mais acessível do torneio. Uma derrota seria uma chance enorme perdida por Federer. Uma vitória, por outro lado, abriria o caminho para, quem sabe, uma final que nem era tão esperada assim até umas semanas atrás. Será? De qualquer modo, seria um jogo pra qualquer fã de tênis lamber os beiços.

O tenista mais perigoso que ninguém está olhando

Pelo que li por aí das análises de chaves, dois nomes estão um pouco “esquecidos”. Um deles é o do próprio Monfils. Como já escrevi lá no alto, o francês não brilhou tanto assim nos torneios recentes, mas seu caminho até as oitavas não é tão duro assim. Logo, se conseguir aproveitar torcida, piso e repetir o triunfo sobre Federer, abre-se uma janela gigante.

O outro é Thomaz Bellucci, que somou bons resultados no saibro europeu, voltará ao top 50 na segunda-feira (ganhando ou não a final de Genebra) e também entrou na metade menos dura de Roland Garros. Obviamente, o brasileiro será um azarão e tanto se enfrentar Nishikori na segunda rodada. Mas e se vencer? O caminho até as quartas teria como rivais mais fortes Verdasco, Bautista Agut e Feliciano López. Em boa fase, Bellucci é muito bem capaz de derrotar os três.

Quem pode (ou não) surpreender

O quarto de chave com Murray e Ferrer não está nada, nada, garantido com britânico e espanhol se enfrentando nas quartas. A seção de Môri, especialmente, tem dois nomes perigosos: Nick Kyrgios e John Isner. O australiano, que estreia contra Istomin e pega um quali se avançar, pode encarar o escocês já na terceira fase. Caso não mostre os porquês de seguir invicto no saibro, Murray corre um grande risco nesse jogo. E quem vencer o duelo provavelmente terá Isner pela frente nas oitavas. O americano, que muita gente ainda não vê como ameaça em Roland Garros, vem de boas campanhas na Europa e não pode ser descartado.

Nas casas de apostas

Na casa australiana sportsbet, Novak Djokovic (surpresa!) lidera as cotações. Um título do sérvio paga 1,91 para cada “dinheiro” apostado nele. Em seguida, vêm Nadal (5,5), Murray (7,00), Federer (9,00) e Nishikori (13,00). Bellucci paga 301,00, enquanto a cotação de Feijão é de 501,00 – é quem paga mais, junto com duas dúzias de outros azarões.

Na britânica WIlliam Hill, a situação não é muito diferente. Djokovic (5/6 – cinco “dinheiros” pagos para cada seis apostados em caso de título) lidera, seguido por Nadal (7/2), Murray (9/1), Federer (11/1) e Nishikori (12/1). Bellucci paga 500/1, o mesmo que Feijão.


Quadra 18: S01E04
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Alexandre Cossenza

Também conhecido como “Episódio Dinara Safina”, o quarto programa resume de uma forma descontraída o que rolou nos torneios de Roma e Madri. Aliny Calejon, Sheila Viera e eu discutimos por que ninguém gosta de Madri e seu curioso troféu e, ao mesmo tempo, todo mundo adora Roma. Também falamos sobre Djokovic, Murray, Federer, Nadal, duplas, o momento de Bellucci e a desclassificação de Teliana. Ouça abaixo:

Quem preferir pode baixar o arquivo neste link ou assinar nosso feed e ouvir no iTunes (este quarto episódio vai estar lá em breve).

Vale lembrar que guardamos sempre um espaço no fim do programa para responder perguntas de leitores. Desta vez, falamos sobre os critérios que definem que duplas podem entrar nas chaves. Também comentamos, de forma divertida, os tenistas incompreendidos que só nós amamos.

Quem quiser participar pode enviar suas questões, críticas e sugestões de preferência via Twitter, incluindo sempre a hashtag #Quadra18.

Os temas

Como é também nosso programa mais longo e nem todos vocês querem ouvir tudo, deixo abaixo em que momento falamos sobre cada tema. Assim, quem preferir pode avançar direto até o trecho que preferir.

3’20’’ – Todas (e muitas) falhas do torneio de Madri
3’45’’ – As modelos espanholas
5’20’’ – As placas publicitárias problemáticas
6’00’’ – O troféu que “nem para vibrador serve”
7’15’’ – Futebol no telão durante partida
7’35’’ – Os camarotes gigantes e vazios
8’35’’ – Kyrgios derrotou Federer
9’00’’ – A decepção de Nadal na final
9’50’’ – Murray mais favorito a Roland Garros do que Federer
12’15’’ – O mais legal do torneio de Roma
13’00’’ – Italianos na Pietrangeli
14’25’’ – Wawrinka pós-divórcio
16’05’’ – O retorno da “Claypova”
16’25’’ – Abandonos recentes de Serena
20’05’’ – Aliny comenta as duplas (ou não)
22’08’’ – Bryans rumando à aposentadoria
24’50’’ – Bom momento de Bellucci
27’00’’ – Djokovic usa balões / méritos táticos do sérvio
29’10’’ – Federer e a evolução tática de seu jogo
32’15’’ – A rolha que quase encerra a carreira de Djokovic
33’30’’ – A desclassificação de Teliana
38’10’’ – Participante entretida com Bruna Surfistinha
38’40’’ – Aliny explica que critérios definem as duplas que entram nos torneios
41’00’’ – Tenistas incompreendido que só nós gostamos
49’25’’ – “Eu gosto do corpo dele”

Créditos musicais

A faixa de abertura do podcast, chamada “Rock Funk Beast”, é de longzijun. As demais faixas deste episódio são chamadas “So Bueno” e “Game Set Match”. Ambas fazem parte da audio library do YouTube.


Sobre Murray e o mais intrigante dos cenários no saibro
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Alexandre Cossenza

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Após quatro semanas de torneios na Europa, todo mundo já sujou as meias e deu aquelas raquetadas no tênis para tirar o saibro da sola. Logo, o circuito já passou por um CTRL+Z no blur e começa a ficar claro quem é quem no período que antecede o Grand Slam da terra batida. É o momento, então, de avaliar em que pé estão os principais candidatos ao título de Roland Garros.

O nome do momento, claro, é Andy Murray. O britânico, que nunca venceu um torneio de ATP no saibro como solteiro, casou-se na semana de Monte Carlo e não perde desde então. Faturou Munique, um torneio tumultuado pela chuva e que só terminou na segunda-feira, e deu sequência com uma semana fantástica em Madri. Nas semifinais, derrubou Kei Nishikori – campeão em Barcelona – e, na decisão, superou Rafael Nadal em menos de 1h30min, num 6/3 e 6/2 surpreendentemente sem drama. Um resultado que o coloca instantaneamente como forte candidato ao título em Paris – não confundir “forte candidato” com “favorito”, por favor.

Sobre as campanhas do escocês, que soma nove vitórias seguidas, vale apontar alguns pontos. O mais importante deles é que Murray vem usando bem todos seus recursos – que não são poucos – e variando inteligentemente o jogo de acordo com adversário e momento. Na final, sacou muito bem quando esteve diante de break points e distribuiu o jogo do fundo de quadra, encontrando um equilíbrio quase perfeito, sem correr riscos desnecessários numa noite em que Nadal estava claramente jogando um tênis abaixo de seu normal.

O outro ponto a destacar foi a pitada de sorte na chave. Murray chegou a Madri atrasado por causa da final na segunda-feira em Munique e deve ter ficado um tanto feliz ao saber que seu primeiro adversário seria Philipp Kohlschreiber, o mesmo que derrotou no torneio alemão. Não só pelo triunfo recente, mas porque não seria necessário encarar um oponente mais descansado ou mais adaptado às condições de Madri. De resto, jogou muito tênis e fim de papo. Em sete dias, colocou-se entre os nomes mais fortes em Paris.

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Rafael Nadal, por sua vez, continua com um ponto de interrogação de tamanho considerável sobre sua bandana. Ao longo dos três torneios que disputou (Monte Carlo, Barcelona e Madri), foi evoluindo e, quando fez uma ótima partida contra Tomas Berdych na semifinal do último sábado, levou muita gente a acreditar que atropelaria na final. Pois viveu outro dos dias inconstantes que vêm lhe incomodando desde o início da temporada. Não me parece alarmante, ainda que seja incomum vê-lo ficar três semanas sem ser campeão no saibro.

Vale a ressalva: boa parte da preocupação com os resultados do ex-número 1 do mundo vem de seu currículo no saibro: nove títulos em Roland Garros, oito em Monte Carlo, oito em Barcelona e sete em Roma. Tamanho domínio não duraria para sempre. E já não aconteceu no ano passado, quando, lembremos, Nadal tornou-se eneacampeão em Paris. A falta de títulos em 2015 talvez signifique que o espanhol não será tão favorito quanto em outras temporadas, mas ainda será um feito e tanto se alguém derrotá-lo na terra batida em um jogo melhor de cinco sets.

O grande favorito ainda é Novak Djokovic, e sua ausência em Madri não enfraqueceu em nada seu status – pelo menos nos olhos de seus oponentes. Para muitos, Andy Murray só levantou o Dildo Dourado (vide foto acima) porque o número 1 do mundo não esteve na capital espanhola. Portanto, o sérvio ainda chega (descansado!) a Roma como o homem a ser batido no momento.

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Quanto a Roger Federer, o torneio de Istambul provou-se inconclusivo. Somando Monte Carlo e Madri, o suíço fez três jogos e perdeu dois – em chaves complicadas, é bom frisar. A derrota para Nick Kyrgios na Espanha foi tão precoce que quase forçou o número 2 do mundo a ir a Roma, que não estava nos planos. Ainda há tempo para adquirir ritmo e confiança, já que o sorteio italiano lhe foi mais favorável. Por enquanto, Federer corre por fora, talvez emparelhado com Kei Nishikori, que venceu Barcelona (onde escapou dos nomes mais fortes da chave) e fazia um grande torneio em Madri até esbarrar em Murray.

Também fazendo a curva por fora, mas alguns corpos atrás, vem uma turma com Berdych, Isner, Kyrgios (os três estavam no quadrante de Federer em Madri!), Raonic e Ferrer. Wawrinka e Dimitrov também estão por ali. Todos esses nomes são capazes, no dia certo, de derrotar qualquer nome na chave. Logo, o cenário que se desenha para Roland Garros é o mais interessante dos últimos tempos.

Coisas que eu acho que acho:

– O jejum era curioso, mas não tão difícil assim de explicar. Murray nunca deu preferência ao saibro em seu calendário e jogou pouquíssimos torneios pequenos. Quando jogou um bom tênis no piso, sempre esbarrou em Nadal ou Djokovic. Sempre foi, no entanto, curioso como alguém com tantos recursos, ótimos golpes com top spin e boa velocidade para se defender levou tanto tempo para levantar um troféu na terra batida.

– A falta de tempo (leia-se “Dia das Mães” neste caso) não me permitiu escrever um texto apenas para a chave feminina. Vale registrar, porém, a semana espetacular de Petra Kvitova, que atropelou Serena Williams na semifinal e fez o mesmo com Svetlana Kuznetsova na decisão. A tcheca não vem conseguindo resultados consistentes ultimamente e optou por não ir a Indian Wells e Miami. Desde então, venceu oito jogos e perdeu apenas um. E quando tudo encaixa em seu jogo, que tem um bocado de opções, até Serena encontra problemas.


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