Saque e Voleio

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Quadra 18: S03E04
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Alexandre Cossenza

Na ATP, Roger Federer é campeão mais uma vez e com sobras. Na WTA, Elena Vesnina venceu uma final nervosa contra a compatriota Svetlana Kuznetsova. Nas duplas, Marcelo Melo e Lukasz Kubot conseguiram finalmente um grande resultado em 2016. Após a conclusão do torneio de Indian Wells, o podcast Quadra 18 está de volta para comentar o que rolou de mais interessante na Califórnia durante as últimas duas semanas.

Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu falamos do momento “diferente” de Djokovic, da possível arrancada de Nick Kyrgios e das fases nada espetaculares dos atuais números 1 do mundo, Andy Murray e Angelique Kebrer. Também comentamos a polêmica sobre a final russa da WTA – houve quem não gostasse, da chance perdida de Karolina Pliskova e do que esperar de Melo e (principalmente de) Kubot. Para ouvir, basta clicar no player abaixo. Se preferir baixar e ouvir depois, clique neste link com o botão direito do mouse e selecione “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’15” – Alexandre Cossenza apresenta os temas
0’40” – A campanha de Federer até o título em Indian Wells
5’05” – Existe alguém jogando em nível para parar Roger Federer em 2017?
6’36” – A bolinha é ruim, muito ruim ou ruim pra c…? Algum jogador reclama abertamente disso em Indian Wells?
8’12” – As campanhas de Murray e Djokovic, e o que faz mais falta ao Nole?
11’06” – É o começo do “deslanchar” de Nick Kyrgios?
13’13” – Já devemos nos preocupar com o futuro de Murray na temporada?
15’15” – Sheila Vieira e o fã clube de Stan Wawrinka
17’05” – California Gurls (Katy Perry)
17’32” – O título feliz da feliz e carismática Elena Vesnina
21’33” – A chave menos complicada de Svetlana Kuznetsova
22’11” – Karolina Pliskova e uma chance perdida
23’12” – Vesnina x Kuznetsova é uma final ruim para o tênis feminino?
27’28” – O momento de Angelique Kerber e sua volta ao posto de número 1
29’20” – Murray e Kerber estão decepcionando como líderes do ranking?
31’05” – Queen of California (John Mayer)
31’33” – Melo e Kubot engrenam depois do vice em Indian Wells?
37’48” – Kubot é o novo Peya?
38’09” – A boa campanha de Soares e Murray em uma chave duríssima
40’11” – Mahut, Kontinen e a briga pelo número 1 de duplas
42’25” – Miami e as ausências de Serena, Murray e Djokovic
43’44” – Quem quer vencer slam precisa abrir mão de jogar Masters 1.000?
45’13” – Bia Haddad Maia e seu convite para o WTA de Miami


Precisamos considerar a hipótese de Federer como número 1 outra vez
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Alexandre Cossenza

Tudo bem, são só dois meses e meio de temporada. Tudo bem, Andy Murray ainda lidera o ranking mundial com folga. A contar desta segunda-feira, 20 de março, o britânico tem mais de 3 mil pontos sobre Novak Djokovic, o vice-líder. Só que esses dois meses e meio incluíram um slam, um Masters 1000, e Roger Federer venceu ambos. Não dá para jogar o assunto para baixo do tapete. Já é preciso considerar a possibilidade de ver o suíço como número 1 do mundo mais uma vez.

Não só pelo começo de ano estrondoso do suíço. Novak Djokovic ainda não fez nada de relevante em 2017, e o máximo que Andy Murray conseguiu foi vencer um ATP 500. O britânico caiu na estreia em Indian Wells e não estará em Miami. O sérvio, eliminado nas oitavas na Califórnia, também será ausência na Flórida. Enquanto isso, Federer viaja embalado, dono do melhor tênis jogado no ano.

Ainda faltam três slams, oito Masters 1.000 e um ATP Finals. Ninguém está dizendo que é provável ou muito provável a volta de Federer ao topo. Mas talvez seja um momento bom para observar o que joga a favor ou contra esse cenário.

O que ajuda

– O que já aconteceu: Federer jogou três torneios, ganhou dois e somou 3.045 pontos. O segundo colocado no ranking da temporada é Nadal, com 1.635 – pouco mais da metade. É de se esperar que Djokovic e Murray somem mais pontos nos próximos meses. Até agora, contudo, o sérvio somou só 475, enquanto o britânico acumula 840. A vantagem do suíço é considerável.

– O pequeno desgaste: Não dá para dizer que Federer está cansado. Até agora, esteve em três torneios. Perdeu na segunda rodada em Dubai e ganhou AO e IW, dois eventos com um dia de intervalo entre a maioria dos jogos. Na Califórnia, venceu uma partida por WO e só entrou em quadra cinco vezes. Não jogou três sets nenhuma vez, e a apresentação mais longa durou 1h34min. Resumindo? Somando o estilo de jogo “econômico” para o corpo e a facilidade das vitórias recentes, o suíço está em ótima forma e sem desgate acumulado.

O que pode jogar contra

– A idade é sempre o primeiro ponto de interrogação. Lesões são mais frequentes quando um atleta tem 35 anos. Embora não lide com nenhum incômodo no momento, esse tipo de coisa acontece sem aviso. Foi assim ano passado. Oficialmente, o problema no joelho, aquele que exigiu uma cirurgia e deixou o suíço seis meses sem jogar, começou fora de quadra.

– O calendário reduzido. Quanto menos torneios, menor a margem para atuações ruins. Federer já avisou que vai jogar menos em 2017, mas ainda não está claro o quão enxuta será a lista de eventos. Ele vai cortar a temporada de saibro inteira? Parece improvável. Ficará fora de algum outro Masters 1000? Possivelmente, mas de quantos? Ninguém sabe ainda.

Administrando as expectativas

Federer e qualquer outro tenista sabem a loucura que é repercussão quando alguém diz “vou atrás do número 1”. Por isso, o discurso padrão do Big Four quase sempre foi “o ranking não é minha prioridade”, “quero jogar bem”, “se estiver jogando bem, o ranking vai refletir isso”, etc. e tal. A versão atual do suíço não é muito diferente. Após vencer a semi, Federer disse com todas as letras que há uma possibilidade e que ele adoraria ser número 1 de novo. Mas isso tudo vem numa análise realista de suas chances e numa tentativa de conter a expectativa. Leiam:

“Como não vou jogar muito, é de se imaginar que eu precisaria ganhar provavelmente outro grand slam para isso acontecer. Como já tenho um no bolso, acho que existe uma possibilidade. Além disso, estou jogando bem aqui, fora dos grand slams, mas os slams dão tantos pontos que é provavelmente onde eu teria que ir longe mais uma novamente. E um talvez não seja suficiente porque eles vão elevar seu nível de jogo.”

“Eles vão elevar seu nível e vão ganhar torneios de novo. Então só porque Novak pode não jogar em Miami e porque Andy não vai e estou na final aqui, não muda nada no meu calendário. Eu adoraria ser número 1 outra vez, mas qualquer coisa que não seja número 1 do mundo não é interessante para mim. Então é por isso que o ranking não é uma prioridade agora. É ficar saudável curtir os torneios que eu jogar e tentar vencê-los.”

Entre o possível e o provável

É claro que é cedo para fazer previsões e dizer que Federer tem uma enorme chance de voltar ao topo do ranking. O que não se pode fazer é, diante de seu altíssimo nível de jogo e do começo de ano pouco empolgante de Murray e Djokovic, ignorar essa possibilidade. Se o próprio suíço hoje em dia adota cautela, é de se esperar que a postura mude à medida em que o número 1 começar a se tornar algo palpável. Até o calendário enxuto pode ganhar umas datas a mais. O certo é que hoje essa hipótese não pode ser ignorada. Quem sabe?

Coisa que eu acho que acho:

– Sobre o calendário reduzido de Federer, não me parece nada impossível que ele alcance o número 1 jogando de 13 a 15 torneios na temporada. Quinze parece um número bastante razoável, nada exagerado, e não deve ser muito menos do que Djokovic, Murray e Nadal disputarão. Basta lembrar que em 2016, sem contar os Jogos Olímpicos e a Copa Davis (que não contam pontos para o ranking mundial), Murray esteve em 16 torneios, enquanto Djokovic disputou 15.


Um sinal animador para Marcelo Melo
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Alexandre Cossenza

Marcelo Melo e Bruno Soares, os dois que apostaram em Acapulco como adaptação às quadras duras e preparação para Indian Wells, tiveram seus planejamentos recompensados. Soares, campeão no ATP 500 mexicano, somou sete vitórias consecutivas ao lado de Jamie Murray até ser eliminado nas semifinais em India Wells. E seu algoz na Califórnia foi o conterrâneo. E é justamente a parceria Melo/Kubot o assunto mais interessante no momento.

Depois de um início de ano sem os resultados desejados, Melo finalmente encaixou uma boa semana ao lado de Lukasz Kubot. Brasileiro e polonês estiveram perto do título, mas foram derrotados de virada por Rajeev Ram e Raven Klaasen por 6/7(1), 6/4 e 10/8.

Kubot fez um primeiro set excelente e foi o melhor em quadra durante o primeiro tie-break. O polonês só não manteve o nível altíssimo e acabou dando três pontos de graça no match tie-break. Errou dois voleios fáceis, devolvendo mini-breaks, e ainda jogou na rede uma devolução de segundo saque no 7/8. As falhas custaram caro, e Kubot parecia saber disso na cerimônia de premiação.

Embora a semana tenha terminado com uma derrota doída, Melo e Kubot talvez tenham encontrado o sinal que precisavam para levar a parceria além de Miami. Após o Australian Open e, mais tarde, depois do Rio Open (vide aspas abaixo), o mineiro disse que era preciso encontrar um equilíbrio na dupla e que jogar com agressividade excessiva (como Kubot faz boa parte do tempo) deixava o time vulnerável diante de duplas contra as quais deveria ser favorito.

“Normalmente, eu me adapto muito bem [a parceiros de estilos diferentes], mas não adianta a gente jogar muito kamikaze e bomba pra todo lado. Eu gosto de um jogo mais controlado, mais sólido. Às vezes, com menos velocidade e mais porcentagem. A gente precisa encontrar esse balanço porque eu sou mais desse estilo. O Lukasz é mais agressivo. Tem dia que não entra a bola e nós vamos perder para qualquer dupla! Nós precisamos encontrar esse equilíbrio para ver se a gente consegue manter a dupla – para evoluir porque tem que tentar até certo ponto encontrar esse equilíbrio, senão não adianta seguir.”

Resta saber se o vice em Indian Wells é o início de um momento interessante e que pode levar a bons resultados ou se foi uma campanha isolada que, vista com otimismo excessivo, pode fazer os dois continuarem juntos por mais tempo do que o ideal, atrasando a vida de ambos. Miami vem aí para ajudar a esclarecer o tema.

Coisa que eu acho que acho:

– Sobre os altos e baixos do kamikaze Kubot, a impressão que tenho é que isso tudo vem no pacote com o polonês. Ele vai fazer jogos ótimos nos dias bons, mas também vai cometer duplas faltas em sequência nos dias ruins. Não adiante, por exemplo, culpá-lo pela derrota deste sábado. Talvez sem ele, a dupla nem tivesse vencido o primeiro set. Tudo é questão de avaliar o custo-benefício e ver se vale a pena investir no produto.

– Podem reclamar e dizer quanto quiserem que Marcelo Melo e Bruno Soares deveriam ter feito mais esforço, que não foram patriotas e tudo mais porque não jogaram em São Paulo, no Brasil Open. Já debati este tema num post anterior e, depois, no podcast Quadra 18. Agora, vendo os resultados em Indian Wells, fica ainda mais clara a lógica por trás da opção por Acapulco. Não há o que questionar.


Quadra 18: S03E03
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Alexandre Cossenza

Rio Open, Brasil Open e o começo de Indian Wells. O podcast Quadra 18 demorou, mas finalmente está de volta, falando sobre um pouco de tudo que aconteceu nas últimas três semanas de tênis. Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu discutimos assuntos “quentes” como os problemas físicos de Thomaz Bellucci, os wild cards para Maria Sharapova, a opção de Bruno Soares e Marcelo Melo por Acapulco em vez de São Paulo, o momento de Novak Djokovic, o futuro do Rio Open e até por onde anda o comentarista do SporTV Dácio Campos.

Para ouvir, basta clicar no player abaixo. Se preferia baixar para ouvir em casa, clique neste link com o botão direito do mouse e selecione “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’15” – Sheila Vieira apresenta os temas
2’02” – A estreia de Bellucci contra Nishikori, e a dura adaptação do japonês
4’45” – Os problemas físicos de Bellucci contra Thiago Monteiro
5’48” – O quanto foi ruim enfrentar Monteiro logo após derrotar Nishikori
6’18” – O “surgimento” de Casper Ruud
7’50” – A história de Christian Ruud, pai de Casper, que enfrentou Guga e Meligeni
8’25” – O título sem ameaças de Dominic Thiem
10’53” – Por que Carreño Busta e Ramos Viñolas são pouco reconhecidos?
12’20” – A chave de duplas e o carisma de Jamie Murray
14’23” – Marcelo Melo e suas declarações sobre a parceria com Lukasz Kubot
19’00” – O primeiro Rio Open sem WTA foi melhor ou pior?
23’27” – Pablo Cuevas, o título do Brasil Open e a chuva interminável
25’53” – Os problemas físicos e a falta de motivação de Thomaz Bellucci
27’08” – Por que tenista são “julgados” quando entram em quadra mal fisicamente?
28’45” – A boa chave do Brasil Open apesar da péssima data no calendário da ATP
30’17” – O título de Rogerinho e André Sá, e a ascensão de Demoliner nas duplas
32’47” – André Sá voltará a jogar com Leander Paes?
33’50” – A opção de Bruno e Marcelo por jogam em Acapulco em vez de São Paulo
37’08” – O bairrismo Rio-São Paulo
38’00” – Comparando Guga no Sauípe e Bruno/Marcelo em Acapulco
39’38” – Under the Bridge (Red Hot Chilli Pepers)
40’10” – Indian Wells e o quadrante com Djokovic, Delpo, Nadal, Federer, Kyrgios e Zverev no mesmo quadrante
42’40” – O mantra “o que está acontecendo com Djokovic?”
44’50” – Nadal em Acapulco, Murray e Federer em Dubai
46’21” – “Eu espero dignidade de Marin Cilic”
47’37” – Quem ganha o Masters de Indian Wells? Hora dos palpites!
48’43” – É justo Sharapova receber convites após a suspensão por doping?
55’18” – Serena Williams, mais uma lesão e como a chave mudou sem ela
57’37” – Palpites: quem é a favorita para o WTA de Indian Wells?
59’10” – A chave de Djokovic pode fazer ele atuar como Serena no AO 2017?
59’38” – A falta de público no Rio Open é culpa da organização ou da falta de tradição brasileira no tênis?
61’20” – O Brasil Open soluciona problemas melhor do que o Rio Open?
61’44” – Por onde anda Dácio Campos? Ele vai comentar Indian Wells?
62’37” – Kerber voltará dignamente ao #1? Veremos evolução no jogo dela?
63’45” – Há alguma chance de Melo não completar a temporada com Kubot?
63’57” – O Rio Open pode virar Masters 1000? Qual a chance de virar piso duro?
66’45” – Os valores de ingressos em Rio e SP valeram pelos atletas que vieram e pelo tênis jogado?

Importante:

– Tivemos problemas de som no meu áudio durante a gravação. Por isso, algumas das minhas falas estão incompletas. Pedimos desculpas, mas os cortes no meu áudio só foram percebidos durante a edição.


Serena Williams: quando devemos nos preocupar?
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Alexandre Cossenza

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Serena Williams em 2015: campeã do Australian Open, semifinalista em Indian Wells (abandonou antes de jogar a semi) e vencedora do WTA de Miami.
Serena Williams em 2016: vice-campeã em Melbourne, derrotada por Angelique Kerber na decisão, vice também em Indian Wells, superada por Victoria Azarenka, e eliminada nas oitavas de final em Miami por Svetlana Kuznetsova.

Sim, são só três torneios, há muito pela frente na temporada. É cedo para julgar a multicampeã e certamente soa injusto usar como parâmetro justamente a melhor temporada da carreira de Serena Williams. É perfeitamente normal que a número 1 do mundo tenha um 2016 inferior. Ela, inclusive, já igualou seu número de derrotas de 2015 (três!). Mas não é uma questão só de resultados, embora seja o pior início de ano da americana desde 2012, quando ainda voltava ao circuito após uma embolia pulmonar.

Longe de querer soar apocalíptico, há alguns indícios de que o mundo pode estar vendo o início do fim de Serena-como-a-conhecemos, ou seja, Serena 2013-15. Não que haja algo errado ou que alguém precise ser fuzilado publicamente por isso, mas vale analisar com atenção alguns momentos de Serena-2016:

A idade

Não que seja o mais decisivo dos fatores no caso de Serena, mas cedo ou tarde até os grandes sentem os efeitos do tempo. Pete Sampras sempre disse que perdeu a regularidade. Que treinava da mesma forma, mas não conseguia ter a mesma precisão dentro de quadra. Era espetacular num dia, pavoroso (para seus padrões) em outro.

Para a americana, ainda deve haver uma preocupação com lesões, como a que incomodou durante o US Open do ano passado. Especialmente porque Serena não é a tenista mais leve do circuito. Não compro a teoria de que ela esteja acima de seu peso normal (a foto desta quarta, postada por ela no Instagram, “concorda” comigo), mas é difícil imaginar uma atleta como ela ganhando tanto há tanto tempo e não sentindo o desgaste acumulado.

O desgaste do Grand Slam

Só Serena sabe o quão extenuante foi a última temporada. O enorme número de jogos, a incessante pressão para vencer todos eles, a expectativa e a proximidade do Grand Slam de fato… Tudo isso vai somando e esgota a pessoa. Mal comparando, é como o cidadão que colocava todas suas energias em um vestibular e ficava perto, mas não conseguia a aprovação e recebia o resultado pensando “nunca mais passo por isso.”

É preciso um tempo para absorver tudo que aconteceu, deixar a cabeça descansar e só depois pensar na vida e no que fazer. Cada pessoa tem um tempo diferente e vai tomar decisões diferentes. Pode ser que ela ainda esteja contemplando tudo isso e o que fazer daqui em diante. Talvez Serena não tenha mais a disposição para se cobrar os resultados dos últimos três anos. Seja o que for, com o currículo que tem (e mesmo que não tivesse!), pode tomar qualquer decisão e encarar o circuito da maneira que achar melhor – sem olhar para trás.

Taticamente, Serena não tem sido a mais paciente das tenistas. Foi assim tanto na final do Australian Open quanto na decisão em Indian Wells. Enquanto Kerber e Azarenka se defendiam, a americana atacava com certa afobação, às vezes abusando da potência e correndo riscos desnecessários em bolas pouco colocadas. Se isso é reflexo do desgaste ou simplesmente planos de jogo mal executados, é impossível dizer de longe.

O comportamento nas premiações

Tanto em Melbourne quanto na Califórnia, Serena foi extremamente graciosa. Distribuiu sorrisos, elogiou Kerber e Azarenka ao extremo, saiu de quadra quase feliz. Parecia até pouco incomodada com os resultados. Não vejo nada de necessariamente errado na postura, mas assisti às duas cerimônias um pouco espantado. A Serena campeã que eu conheci lá atrás não reagia bem a derrotas em ocasiões tão importantes.

Claro que a maturidade veio, mas as duas finais me deixaram imaginando se a atual número 1 deixou para no passado um pouco daquele instinto assassino ou se realmente assumiu o cargo não oficial de embaixadora do tênis feminino, mostrando o quanto a modalidade é forte e, suas tenistas, muito capazes. Ou ambos, já que uma postura não exclui a outra.

O que esperar, então?

Como escrevi lá no alto do post, ainda é o início da temporada e não convém tirar conclusões definitivas sobre os resultados ou o comportamento de Serena em 2016. O Grand-Slam-que-não-foi de 2015 ainda pesa? O instinto assassino acabou? Serena está se poupando para os Jogos Olímpicos e um calendário congestionado no segundo semestre? A temporada de saibro, que começa agora, costuma ser um bom termômetro para medir as pretensões e a dedicação da americana. Vale ficar de olho, prestar atenção nos sinais e, principalmente, aproveitar Serena Williams. Depois da exaustão de 2015, sabe-se lá até quando continuará jogando no nível que é só dela.

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Homens x mulheres: machismo e mercado no tênis
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Alexandre Cossenza

A polêmica do fim de semana foi das grandes. Em uma roda de café da manhã com jornalistas, o CEO de Indian Wells, Raymond Moore, soltou frases nada elogiosas ao circuito feminino de hoje. Em seguida, indagado sobre o assunto, Novak Djokovic reacendeu a sempre debatida questão da igualdade na premiação de homens e mulheres.

O assunto é delicado – como os dois senhores acima deixaram claro – e há questões que precisam ser lembradas para ajudar a contextualizar-sem-defender os dois cavalheiros. Este é um texto opinativo, então peço que leiam até o fim e, depois, comentem à vontade. Vamos, primeiro, às declarações.

“Na minha próxima vida, quando voltar, quero ser alguém na WTA (risos) porque elas pegam carona nos homens. Elas não tomam decisão alguma e são sortudas. Elas têm muita, muita sorte. Se eu fosse uma jogadora, me ajoelharia toda noite e agradeceria a Deus por Roger Federer e Rafael Nadal terem nascido porque eles têm carregado este esporte.”

A frase acima é a primeira frase polêmica de Moore. Ele ainda se atrapalhou ao dizer que a WTA tem “um punhado de promessas atraentes/atrativas que podem assumir o manto (de Serena). Vocês sabem, Muguruza, Genie Bouchard. Eles têm um monte de jogadoras atraentes/atrativas E o padrão do tênis das moças aumentou inacreditavelmente.”

“Attractive”, a palavra original, em inglês, pode significar atrativo ou atraente em português. Para nossa sorte, um jornalista insistiu no assunto e perguntou se Moore estava se referindo aos méritos estéticos ou competitivos das moças. A isto, Moore respondeu que falava de ambos, o que não ajudou exatamente sua causa.

Mais tarde, depois de derrotar um combalido Milos Raonic em uma final sonolenta, Novak Djokovic foi questionado sobre as declarações do CEO de Indian Wells. Sua declarações navegam entre o corajoso, o machista e o impróprio. A íntegra da coletiva está aqui. As partes mais importantes estão abaixo.

“Igualdade de premiação foi o principal assunto no tênis nos últimos sete, oito anos. Passei por esse processo também, então entendo quanta força e energia a WTA e todos que advogam por premiação igual investiram para alcançar isso. Eu as aplaudo por isso. Honestamente. Elas lutaram pelo que merecem e conseguiram. Por outro lado, acho que nosso mundo do tênis masculino, o mundo da ATP, deveria lutar por mais porque as estatísticas mostram que temos mais espectadores nas partidas masculinas. Acho que essa é uma das razões pelas quais deveríamos receber mais. Mas não podemos reclamar porque também temos ótimos prêmios em dinheiro no tênis masculino.”

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Djokovic aparentemente caiu numa contradição ao aplaudir as mulheres e, logo em seguida, dizer que os homens merecem mais. Digo aparentemente porque ele se explica (ou tenta se explicar) na resposta seguinte, quando lhe perguntam se a premiação não deveria ser igual.

“Minha resposta não é ‘sim e não’. É ‘mulheres devem lutar pelo que acham que merecem e nós devemos lutar pelo que acreditamos que merecemos.’ Acho que enquanto for assim e houver dados e estatísticas disponíveis sobre quem atrai mais atenção, espectadores, quem vende mais ingressos e coisas assim, é preciso que seja distribuído justamente com base nisso.”

E, logo na sequência, o número 1 do mundo responde com “absolutamente”, que mulheres deveriam ganhar mais do que homens se as estatísticas mostrarem que elas atraem mais atenção (e dinheiro, claro) do que homens. Depois disso, Nole ainda se atrapalha ao tentar mostrar respeito pelas mulheres, dizendo que “seus corpos são muito diferentes” e “elas precisam passar por muitas coisas diferentes que nós (homens) não precisamos. Vocês sabem, hormônios e coisas diferentes, não precisamos entrar em detalhes.”

Mulheres não decidem

Moore acabou pedindo demissão na segunda-feira, pouco mais de 24 horas depois de suas declarações atabalhoadas. No comunicado oficial divulgado pelo torneio, Larry Ellison, dono do evento, citou Billie Jean King e sua “campanha histórica” pela igualdade no tênis. “O que se seguiu foi um movimento progressivo, de várias gerações e em andamento para tratar mulheres e homens igualmente no esporte.” O bilionário também lembrou que Indian Wells paga o mesmo a homens e mulheres há uma década. A íntegra do comunicado está aqui.

A saída de Moore parece uma resolução adequada para um caso embaraçoso e que poderia, quem sabe, provocar um boicote feminino ao torneio em 2017. Um torneio desse porte, que já ficou tanto tempo sem as irmãs Williams, e que inclusive cogita estar em um patamar ainda maior, não se pode dar ao luxo de permitir outro cenário que prejudique sua imagem.

Dito tudo isto, há dois pontos que ajudam a entender – pelo menos parcialmente – a origem da queixa de alguns homens por prêmios maiores. O primeiro: a última grande negociação por aumento de premiação nos Slams foi liderada pelos integrantes da ATP (com direito a ameaça de boicote). O segundo: tenistas e dirigentes ouviram de executivos dos Slams que seria possível até aumentar a premiação um pouco mais (do que já foi elevado), só que os torneios se viam de mãos atadas porque precisavam igualar as quantias pagas às mulheres.

Resumindo: parte da ATP guarda essa, digamos, mágoa de não ver sua premiação tão alta por causa do circuito feminino. Essa explicação, afinal, foi dada pelos próprios torneios. Não, não justifica o comportamento de Moore, que foi preconceituoso e atabalhoado tanto no que disse quando na maneira como se colocou. No entanto, tendo em vista essa recente negociação, ele não está totalmente equivocado quando diz que as mulheres não decidem.

O mercado livre de Djokovic

Antes de mais nada, é preciso esclarecer um ponto que foi meio distorcido por aí sobre o que declarou o número 1 do mundo. Djokovic não disse pura e simplesmente que “homens devem ganhar mais do que mulheres”. Para o sérvio, não é uma questão de sexo, mas uma relação de mercado, de oferta e demanda. Ele diz se basear em números que provam que o circuito masculino hoje é mais atrativo e, consequentemente, faz mais dinheiro circular. Mas também afirma que se os números fossem inversos, as mulheres deveriam receber mais.

É um mar perigoso para Djokovic navegar e é preciso admirar, nem que por um breve instante, sua coragem de tirar o iate milionário do cais de Monte Carlo e encarar essas ondas traiçoeiras. Gosto da tese do sérvio – enquanto tese. Quem tem mais procura deve cobrar mais. Usando um exemplo assexuado, quem deve cobrar mais pelos direitos de transmissão: a Champions League ou a Libertadores? A melhor competição, com mais mercado, deve cobrar mais. Simples assim.

O comunicado oficial da ATP sobre a polêmica (vide tuíte acima) deixa claro que a entidade adota a mesma linha de pensamento do sérvio. Por isso, ressalta que “operamos no negócio de esporte e entretenimento” e que “respeita o direito dos torneios de tomarem suas próprias decisões em relação à premiação em dinheiro para o tênis feminino, que é um circuito separado.”

Digo dois parágrafos acima que gosto da ideia de mercado livre “enquanto tese” porque essa teoria não funciona na prática quando comparamos gêneros diferentes na mesma modalidade. Nossa sociedade, de modo geral, não consegue fazer isso. A maioria, infelizmente, ainda vê o esporte masculino como superior, mais desenvolvido, mais atrativo.

Há aspectos históricos e culturais que contribuem para isso. Muito dessa visão centralizada no esporte masculino vem de preconceitos que se arrastam desde um passado ainda mais machista, de quando reinavam noções de que tal esporte não é para moças de bem, que mulher não sabe dirigir, que tal atividade física é exigente demais para a biologia do corpo feminino e outros velhos “argumentos”.

Experimente, caro leitor, dizer a um amigo que você prefere curling feminino ao masculino.Depois volte aqui na caixinha de comentários e diga quanto tempo levou para ouvir uma piada sobre vassoura. São preconceitos como esses que fazem com que modalidades como futebol, automobilismo e basquete, tão populares entre os homens, sejam pouco procuradas, por exemplo, no Brasil. E não só isso. Esse machismo histórico também afasta investimentos. Homens, aliás, são maioria entre executivos responsáveis por direcionar verbas de patrocínio.

A teoria de Djokovic, se aplicada com 100% de justiça e eficácia, seria o reflexo de um planeta perfeito, de uma sociedade sem preconceitos. Mas alguém aí imagina isso acontecendo no mundo de hoje? Eu, não.

Slams: ingressos x premiação

O número 1 do mundo diz ter visto estatísticas. Não é difícil imaginar, de fato, que a ATP de Roger Federer e Rafael Nadal seja mais valiosa do que a WTA de hoje, mesmo com Serena Williams e Maria Sharapova sempre ocupando manchetes. Suíço e espanhol deram uma visibilidade monstruosa ao tênis masculino, conquistando e mantendo legiões de fanáticos. Sempre atuando em níveis absurdos, quebrando todos tipos de recordes.

Em sua coletiva após a final contra Azarenka (íntegra aqui), Serena lembrou que os ingressos para a final feminina do US Open do ano passado esgotaram antes dos bilhetes para a decisão masculina. Não me convence como argumento, embora a número 1 tenha razão ao recordar o legado de Billie Jean King e do efeito negativo que os comentários de Moore podem ter sobre mulheres atletas em todo mundo.

A questão dos ingressos do US Open ressalta o potencial das mulheres, mas o problema de citar uma única final (que, ainda por cima, teve a característica excepcional da possibilidade de uma tenista da casa completar o Grand Slam de fato) é se sujeitar ao contra-argumento de que, talvez, nos últimos cinco anos, as outras 19 finais masculinas esgotaram antes e tinham entradas mais caras.

Dito isto, há outra questão que pesa um bocado contra os homens nos Slams. Com exceção das finais, os ingressos são vendidos com antecedência e sem garantia de programação. Quem compra pode ver homens e mulheres de forma (quase sempre) igual. Além disso, há uma série de variáveis que afetam a quantidade de espectadores em uma determinada partida. Uma delas é o horário, algo estipulado pela organização do torneio. É quase impossível medir a diferença de interesse baseado nisso.

Portanto, é difícil imaginar os Slams dando esse passo para trás e diferenciando as premiações de homens e mulheres. É de se considerar também, obviamente, a questão do “politicamente correto” e da imagem que os eventos querem passar. Parece muito mais plausível, então, que os homens incomodados com a premiação atual questionem a ATP e os valores pagos em seus próprios Masters 1.000 ou ATPs 500. Mas será que os promotores têm “caixa” para bancar tudo que os astros do tênis acreditam merecer? Será que o circuito se sustentaria? Será?


Quadra 18: S02E04
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Alexandre Cossenza

O CEO de Indian Wells disse que as tenistas de hoje deveriam ajoelhar e agradecer por Roger Federer e Rafael Nadal terem nascido. Em seguida, Novak Djokovic reacendeu a polêmica da igualdade de prêmios entre homens e mulheres. No meio disso tudo, Victoria Azarenka derrotou Serena Williams em uma final, enquanto o número 1 do mundo venceu mais um Masters 1.000. Nas duplas, Marcelo Melo ficou a dois pontos de perder a liderança do ranking.

Com tudo isso para comentar, Sheila Vieira e eu (a Aliny estava se recuperando de uma lesão) gravamos este episódio do podcast Quadra 18, que cobre todos assuntos acima e ainda fala do doping de Maria Sharapova. Quer ouvir? É só clicar neste link. Se preferir baixar e ouvir depois, clique com o botão direito do mouse e selecione a opção “salvar como”.

Os temas

0’14” – Sheila apresenta e lista os assuntos do dia e explica a ausência da Aliny
2’25” – Os comentários polêmicos do CEO de Indian Wells sobre a WTA
3’00” – “Bilionário que fica no camarote com uma menina de 12 anos”
8’08” – Cossenza: “A WTA tem uma parcela de culpa porque vendeu essa imagem durante algum tempo”
9’50” – As respostas de Azarenka e Serena
12’11” – Djokovic entra no assunto e provoca mais polêmica sobre premiação igual
13’40” – “Ele acabou de aplaudir as meninas, mas acha que homens devem lutar por um prêmio maior”
14’42” – Sheila: “Amigo, desce do muro”
16’30” – “Um dia, vou entender esse tabu para falar de menstruação”
17’25” – Cossenza fala sobre bastidores de negociação por prize money
19’30” – Cossenza concorda parcialmente com o raciocínio Djokovic, mas diz porque soa absurdo.
22’20” – Sheila cita história de limites impostos pela sociedade
23’20” – Maioria dos investimentos feitos no esporte são decididos por homens
26’05” – Sheila analisa a final entre Serena x Azarenka
28’25” – Cossenza lembra do point penalty e o risco de desclassificação de Serena
30’30” – O novo top 10 feminino e a volta de Azarenka
32’15” – O torneio masculino de Indian Wells e a conquista de Djokovic
33’00” – Djokovic x Nadal, a final antecipada, e a evolução do espanhol
34’45” – A fragilidade no saque, o principal problema de Rafa Nadal
36’30” – A decepção do torneio: Wawrinka ou Murray?
38’27” – A curiosa e “espetacular” Corrida para o Finals
40’05” – Nice Guys Finish Last (Green Day)
40’40” – Início do segundo bloco
40’56” – Áudio de Marcelo Melo e sua importante declaração
41’10” – Como o mineiro quase perdeu o posto de #1 do mundo
42’48” – As chances de Jamie Murray em Miami
45’05” – Os campeões de duplas em Indian Wells
45’20” – André Sá, vice-campeão do Challenger de Irving
46’30” – Bellucci, Rogerinho e Thiago Monteiro
48’10” – Sobre a cobrança e a expectativa em cima de Monteiro
50’00” – O duelo entre Bia e Teliana em Miami: bom ou ruim?
51’09” – Sheila: “A única maneira de lidar com essa loucura é fazer piada”
52’55” – A volta de Roger Federer e as mudanças em seu calendário
54’02” – A importância de ser número 2 do mundo para Federer
54’55” – O caso de doping de Maria Sharapova
57’40” – Sheila e Cossenza tentam adivinhar a punição de Sharapova
62’32” – A chance de Sharapova disputar os Jogos Olímpicos

Créditos musicais

A faixa de abertura é chamada “Rock Funk Beast”, de longzijum. Em seguida, entram Nice Guys Finish Last (Green Day) e Game Set Match (YouTube Audio Libraby).


Semanas 10-11: domínio de Djokovic, título de Vika e otimismo para Nadal
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Alexandre Cossenza

Foram duas semanas e muito assunto, desde as incessantes menções ao doping de Maria Sharapova (que já foi bastante abordado neste blog) até os comentários de péssimo gosto do CEO de Indian Wells, Raymond Moore (que serão comentados em outro texto). Por enquanto, é hora de comentar os títulos de Novak Djokovic e Victoria Azarenka e listar algumas das notícias interessantes e curiosas dos últimos dias. Vamos lá?

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A campeã

Victoria Azarenka, enfim, está de volta ao top 10. O retorno vem com uma memorável vitória sobre Serena Williams: 6/4 e 6/4. Foi apenas o quarto triunfo de Vika sobre a atual número 1 do mundo em 21 jogos, mas vale ressaltar que todos eles aconteceram em finais de torneios (não, nenhum em um Slam).

A conquista em Indian Wells foi marcada pela consistência da bielorrussa, que poderia nem ter alcançado a final se não tivesse encontrado um tênis excelente no fim do primeiro set contra Karolina Pliskova. Azarenka acabou derrotando a tcheca em três sets e se viu diante de Serena na decisão.

O primeiro set começou com um game desastroso de Serena, e Vika aproveitou. Não que Serena não tenha criado chances. Teve cinco break points (em dois games diferentes), mas não conseguiu converter, esbarrando na consistência da adversária e em seus próprios erros. Em diversos momentos do jogo, a americana tentou se impor com a força dos golpes, mas distribuindo pancadas de maneira pouco inteligente.

A segunda parcial começou com Serena errando ainda mais. Vika viu a chance e disparou no placar, abrindo 4/0. Nesse período, a número 1 quebrou uma raquete quando foi quebrada pela segunda vez. A árbitra aplicou, então, uma advertência. Ao chegar no banco, Serena quebrou mais uma raquete – esta, ainda dentro do plástico, ao estilo Baghdatis. Por isso, tomou mais uma punição e perdeu um ponto.

Azarenka teve 5/1, mas Serena reagiu. Devolveu uma quebra e forçou Vika a sacar em 5/4. A americana, então, teve mais dois break points. Como aconteceu em quase todo o jogo, a bielorrussa se salvou. Primeiro, com um ace. Depois, com um erro da adversária. Dois pontos depois, Azarenka comemorava o título e seu retorno ao top 10 – ela estava fora do grupo desde agosto de 2014. Aposto que nem o susto do canhão de papel (vide tuíte abaixo) incomodou…

O campeão

Pela quinta vez, Djokovic levantou o troféu em Indian Wells. Foi sua 17ª vitória seguida no torneio e a 16ª consecutiva em um Masters 1.000 (a última derrota foi para Federer em Cincinnati). O sérvio agora soma 27 títulos em torneios deste nível e 62 ao todo na carreira. E seu domínio se reflete no ranking: com 16.540 pontos, Djokovic tem 8.170 de vantagem sobre Andy Murray, o número 2 do mundo. Comparando com Federer e Nadal, o sérvio tem 1.150 pontos a mais que o dobro do suíço e 1.570 a mais do que o triplo do espanhol.

A final foi entediante. Com Raonic longe de estar em suas melhores condições, Djokovic fez abriu 4/0 rapidinho e passeou em quadra depois disso. O placar final mostrou 6/2 e 6/0. Foi mais um caso daqueles em que a superioridade do sérvio deixou uma final sem graça. Não ouso repetir o que já analisei a fundo aqui.

Sobre a campanha, talvez o momento mais intrigante tenha sido o primeiro set contra o americano Bjorn Fratangelo, que venceu por 6/2. Até ali, ficava a impressão de que Djokovic havia chegado da Copa Davis fora de forma e corria o risco de ser eliminado de forma precoce. Pois não aconteceu nem ali nem nunca mais. Nem mesmo com Jo-Wilfried Tsonga fazendo dois ótimos sets (e dois péssimos tie-breaks) ou com Rafael Nadal sendo competitivo.

Nadal voltou?

É até possível que Rafael Nadal tenha deixado Indian Wells quase tão contente quanto Djokovic. Não só pelos 360 pontos (numericamente, o melhor resultado da temporada) das semifinais, mas por como se desenrolou sua campanha no torneio californiano. Depois de perder jogos apertados em Melbourne, Buenos Aires e Rio de Janeiro, o ex-número 1 ganhou três jogos assim na mesma semana.

Primeiro, saiu vencedor em uma partida tensa contra Gilles Muller. Em seguida, faturou um tie-break duríssimo contra Fernando Verdasco. Depois, escapou de dois match points contra Alexander Zverev, que teria triunfado se não errasse um voleio fácil. O momento favorável continuou com uma virada que parecia improvável no primeiro set contra Kei Nishikori – foi sua primeira vitória sobre um top em 2016.

Além disso, o espanhol se mostrou competitivo contra Djokovic de uma maneira que não vinha sendo há algum tempo. Nadal, aliás, chegou a ter um set point na primeira parcial da semi, mas Djokovic escapou com um winner de direita.

Tão importante quanto os resultados e a confiança adquirida com eles foi o nível de tênis exibido. Nadal foi consistente como não era há algum tempo. Não, o ex-número 1 não abandonou totalmente a tentativa de ser mais agressivo, mas foi menos afobado e tomou decisões melhores em todo o torneio – inclusive no duro duelo com o brilhante (e ainda inconsistente) Zverev.

O serviço, não esqueçamos, ainda continua um calcanhar de aquiles. Nadal continua ganhando poucos pontos de graça com o primeiro saque e, para piorar, segue com um segundo serviço lento e vulnerável. Uma tentativa de lidar com o dilema foi vista nas quartas, contra Nishikori, quando Nadal reduziu a potência e encaixou 89% de seus primeiros saques. No entanto, sacar entre 160 e 170 km/h não adiantaria contra Djokovic, e Nadal precisou acelerar na semifinal. Ainda assim, as excelentes devoluções do sérvio mantiveram o espanhol pressionado durante a maior parte do confronto.

Em todo caso, vale ficar de olho em Nadal durante o Masters de Miami para ver se a consistência se mantém. Em caso positivo, será que a temporada europeia de saibro lhe conduzirá de novo aos grandes títulos? Será?

A nova número 2

A novidade da semana no ranking é a subida de Agnieszka Radwanska, que assumirá a vice-liderança nesta segunda-feira. A polonesa se garantiu como número 2 ao derrotar Petra Kvitova por 6/2 e 7/6(3). E, como apontou a WTA, Aga alcançou pelo menos a semifinal em oito dos últimos nove eventos que disputou. No período, foi campeã em Tóquio, Tianjin, Cingapura (WTA Finals) e Shenzhen.

Kvitova, por sua vez, não se encontrou ainda na temporada. A tcheca, que se separou do técnico David Kotyza, após o Australian Open, acumula mais derrotas do que vitórias desde então. Em Indian Wells, penou para vencer jogos contra Kovinic (7/6 no terceiro set), Larsson (7/5 no terceiro set) e Gibbs (6/4 no terceiro). Diante de Radwanska, primeira cabeça de chave que precisou enfrentar, não conseguiu forçar mais um terceiro set.

Fiascos junto à rede

O torneio de Indian Wells também viu smashes… nada admiráveis. Sim, o sol tem sua parcela de culpa, mas vale ver Magdalena Rybarikova, que fez isso quando vencia por 4/1 o terceiro set contra Belinda Bencic…

Mas nem foi o pior erro de smash do torneio. A mesma Rybarikova, sacando para fechar o mesmo jogo, conseguiu errar esse golpe:

Rybarikova pode ter errado o smash mais fácil, mas certamente aquele ponto perdido não foi o mais doído do torneio. Essa honra pertence a Stan Wawrinka, que teve a chance de fazer 6/5 no tie-break do terceiro e chegar a um match point contra David Goffin, mas falhou miseravelmente.

Eu escrevi o parágrafo acima na tarde de quarta-feira. À noite, Alexander Zverev tornou-se forte candidato a roubar o “título” de Wawrinka. Sacando em 5/3 e 40/30, com match point para eliminar Rafael Nadal, o alemão de 18 anos jogou um voleio nada difícil na rede.

Depois disso, Zverev implodiu mentalmente. Venceu apenas um dos 16 pontos seguintes e cedeu a virada a um competentíssimo espanhol.

Fora de quadra

Muito já foi escrito neste blog sobre Maria Sharapova e seu caso de doping, mas vale lembrar que, nesta semana, a ONU suspendeu a russa de sua posição de embaixadora da boa vontade. Em comunicado, a Organização das Nações Unidas agradece a Sharapova pelo apoio, mas diz que sua participação e as atividades planejadas ficarão suspensas enquanto a investigação continuar.

Chupa

A empresa russa Rubiscookies lançou uma linha de pirulitos “100% Sharapova, sem meldonium”. Os doces vêm no formato da cabeça da tenista. O fabricante prometeu doar 50% dos lucros a instituições de caridade apoiadas por Sharapova.

O bom samaritano

É o tipo de situação que quando acontece em um jogo de exibição, as pessoas ficam se imaginando se o tenista faria o mesmo em uma partida oficial e equilibrada. Pois Djokovic fez nas quartas de final, no tie-break do primeiro set contra Jo-Wilfried Tsonga. Depois de ganhar o ponto e ouvir o placar de 3/0 anunciado pelo árbitro de cadeira, o número 1 do mundo admitiu que havia tocado na bola e deu o ponto ao francês. Veja o momento:

De volta à quadra

Roger Federer voltará em Miami. O suíço, que andou treinando com uma camisa estampada com seu próprio emoji, fez o anúncio do retorno usando ideogramas:

A recuperação de Federer foi mais rápida do que o planejado. O número 3 do mundo tinha em seu calendário apenas o Masters 1.000 de Monte Carlo, no mês que vem. O torneio monegasco, aliás, foi incluído logo que o suíço anunciou a cirurgia no joelho. Será que agora, com a participação em Miami, Monte Carlo vai ser deixado de lado mais uma vez?

Bolão impromptu da semana

Como sempre, joguei no ar uma pergunta durante o torneio. O acertador, desta vez, foi João Henrique Macedo, que acertou o número de games vencidos por Rafael Nadal contra Novak Djokovic, no sábado.

O tuíte quase aleatório da semana

De Genie Bouchard, na quinta-feira, o St. Patrick’s Day.


Djokovic 2015: espetacular até quando não é espetacular
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Alexandre Cossenza

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Australian Open, Indian Wells e, agora, Miami. Pela segunda vez na carreira, Novak Djokovic vence os três primeiros torneios grandes de quadra dura em uma temporada. A outra vez que isso aconteceu todo mundo lembra (ou deveria lembrar) muito bem: foi em 2011, quando o sérvio, então à caça de Rafael Nadal no ranking, chegou a 43 vitórias consecutivas e só foi derrotado em Roland Garros – por Roger Federer, nas semifinais.

O ano de 2015 não tem números tão espetaculares para Nole (ainda?). Depois de sofrer reveses em Doha (para Ivo Karlovic) e Dubai (para Federer), o número 1 do mundo encerra Miami com “apenas” 12 vitórias seguidas. E, enquanto Rafael Nadal não encontra seu melhor tênis, Roger Federer evita o calor da Flórida, Andy Murray não tem a regularidade necessária e o resto do circuito ainda não se mostra pronto para desbancar o top 4 consistentemente, o sérvio dispara na ponta do ranking.

A vantagem de Djokovic sobre Roger Federer, atual número 2, é de 4.310 pontos (pouco mais de dois Slams), mas, no momento, o que vem chamando a atenção no circuito é o quanto o sérvio não vem jogando um tênis espetacular. Isso não é uma crítica. Muito pelo contrário. O fato é que Nole já venceu 25 jogos em 2015 e, com uma visão um pouco mais exigente, quem consegue dizer que ele jogou um tênis espetacular-do-começo-ao-fim em mais de meia dúzia?

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Djokovic vem oscilando um bocado entre os jogos e até mesmo durante as partidas. Miami, mesmo com condições mais duras de jogo (calor e umidade), foi um belo exemplo. Desde o set perdido na estreia em um jogo aparentemente sob controle contra Martin Klizan, passando por um set inicial muito ruim contra Alexandr Dolgopolov e chances perdidas contra David Ferrer, até a final em que Andy Murray teve um bocado de chances nos primeiros dois sets. A única apresentação boa do começo ao fim veio na semi, contra John Isner.

O que é espetacular, isso sim, é que Djokovic vem vencendo todos esse jogos. Traduzindo: sua superioridade no circuito é tão grande que lhe permite um bocado de momentos abaixo da média (sua média é altíssima, lembremos, mas o julgamento deve ser proporcional ao nível do tenista). Na final de Indian Wells, contra Roger Federer, Nole saiu de belíssimo início de jogo para um péssimo tie-break no segundo set. Ainda assim, venceu confortavelmente no fim. Não foi muito diferente neste domingo, na decisão do Masters de Miami.

O resumo disso tudo? Hoje em dia, Novak Djokovic é espetacular até errando smashes e fazendo duplas faltas. O circuito inteiro está muito, muito atrás.

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Coisas que eu acho que acho:

– Embora não esteja jogando no nível fabuloso de 2011, Djokovic leva uma vantagem enorme para a temporada de saibro: já perdeu este ano. É um pouco de pressão a menos, algo que nunca pode ser subestimado – especialmente em um momento em que o título de Roland Garros parece mais palpável do que nunca.

– Sobre Andy Murray e suas oscilações – mais mentais do que técnicas -, o lado positivo é que o escocês faz três ótimos torneios justamente nos eventos mais importantes da temporada. Calhou de trombar (e cair!) em Djokovic em todos eles, o que provocou três derrotas. Mas vale lembrar que Môri é o vice-líder em pontos conquistados neste início de ano. São 2.420, contra 4.385 de Djokovic e 1.890 de Berdych, o terceiro colocado. Federer, em sexto nesta lista, somou 1.515, e Nadal, em uma incomum nona posição, acumula 1.015.


Irregular, e daí? Djokovic fatura Indian Wells
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Alexandre Cossenza

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Novak Djokovic não fez uma partida fantástica neste domingo, quando derrotou Roger Federer por 3/6, 6/3 e 7/6(3) e conquistou o título do Masters 1.000 de Indian Wells. Nem um pouco. Durante um set e meio, o sérvio errou muito mais do que o normal e permitiu que Federer agredisse um bocado do fundo de quadra, atacando bolas que chegavam até ele sem o peso costumeiro.

Foi só na metade do segundo set que o sérvio se encontrou. Aos poucos, reduziu seu número de erros, aprofundando seus golpes, adquirindo confiança. Quando tudo começou a funcionar, o atual número 2 do mundo teve o domínio da partida. Quebrou Federer na primeira chance que teve, ainda no fim da segunda parcial, e teve mais break points no primeiro e no terceiro games do set decisivo.

Nole quebrou uma vez, e parecia o suficiente, até que Federer ofereceu resistência, devolveu a quebra quando Djokovic sacava para o título (5/4) e adiou a decisão para o tie-break. No game de desempate, contudo, o suíço não foi páreo para a consistência do adversário. Djokovic, firma no saque, sólido nas devoluções e sem dar pontos de graça nos ralis (deu unzinho, jogando uma direita fácil para fora, quando sacava em 6/2) triunfou.

O título completa uma semana que nem de longe foi parecida com os melhores momentos do sérvio. Djokovic foi instável o tempo quase todo. Perdeu um set para Alejandro González quando parecia ter o jogo na mão. Depois, levou 6/1 de Marin Cilic no set inicial. Na semi, sacou duas vezes para o jogo, mas foi quebrado e perdeu um tie-break para John Isner. Federer parecia favorito na final. Nole, contudo, encontrou-se a tempo mais uma vez.

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Sobre o suíço, é animador vê-lo jogando bem – o que vem acontecendo desde o começo da temporada. E Indian Wells nem foi seu melhor momento. O caminho até final foi facilitado por derrotas precoces de seus principais obstáculos na chave (Nadal, Wawrinka e Murray estavam na mesma seção), e Federer chegou ao duelo com Djokovic sem ter sido testado de verdade. Ainda assim, é bom constatar que as pavorosas derrotas de 2013 parecem um passado distante.

Sem ir na toalha (para ler em até 25 segundos):

– Até Indian Wells, a vantagem de Rafael Nadal na liderança do ranking era de 3.825 pontos. Nesta segunda-feira, é de 2.230. A diferença cai razoavelmente com o título de Djokovic. Em Miami, que começa nesta semana, Nadal não tem nada a defender. O sérvio, só 90 pontos. O que acontecer nos próximos 14 dias pode fazer uma bela diferença na briga pela ponta.

– Federer sai de número 8 para o quinto posto, pertinho de Ferrer, que acumula apenas 105 pontos a mais. O top 10 da semana fecha com Nadal, Djokovic, Wawrinka, Ferrer, Federer, Murray, Berdych, Del Potro, Gasquet e Isner.

Coisas que eu acho que acho:

– Importante lembrar da campanha de Bruno Soares e Alexander Peya, que foram vice-campeões de duplas em Indian Wells. Brasileiro e austríaco derrotaram Federer e Wawrinka nas semifinais (6/4 e 6/1) e perderam a decisão para Bob e Mike Bryan (6/4 e 6/3). A diferença entre as duplas diminuirá no ranking, já que Soares e Peya defendiam semifinais, enquanto Bob e Mike repetiram a campanha de 2013, quando também foram campeões. No vídeo acima, o fim do jogo contra Federer e Wawrinka.

– Talvez estejamos vendo a temporada mais interessante dos últimos dez anos. Tivemos Wawrinka vencendo um Slam, Federer, Nadal e Berdych levantando troféus em ATPs 500 e, agora, Djokovic conquistando um Masters 1.000. Por enquanto, nenhum tenista joga em um nível claramente superior aos demais.

– Levando em consideração o parágrafo acima, se Djokovic venceu Federer e conquistou um Masters 1.000 com uma atuação tão irregular, o que acontecerá quando (e se!) o sérvio encontrar a sua consistência costumeira?

– Ainda sobre Djokovic, não gosto da associação do título de Indian Wells à presença de Marian Vajda em seu box. Já houve quem especulasse que Boris Becker estaria com os dias contados por causa de sua ausência em Indian Wells – apesar de a programação anunciada no início da parceria prever a ida de Vajda ao torneio californiano. Agora começa oficialmente a temporada de rumores e pessoas apontando “coincidências” e “curiosidades”. Vide o tuíte de Jonas Bjorkman.

 

– Ainda que a escolha de Becker como técnico tenha sido um tanto questionável (e eu mesmo escrevi isto na época do anúncio), parece um pouco precipitado julgar o trabalho de alguém baseado em dois eventos. Na Austrália, Djokovic perdeu para o campeão ao cometer dois erros bizarros. Em Dubai, Nole também perdeu para o campeão, apesar de abrir um set e uma quebra de vantagem. Seria mesmo justo culpar o alemão tão cedo? A não ser por um problema pessoal, de conflito de egos (e Djokovic-Becker não parece ser um caso do tipo Sharapova-Connors), não acredito que o ex-número 1 desistirá da nova parceria por agora.


Sussurrando sobre as duplas
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Alexandre Cossenza

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Bruno Soares e Alexander Peya, dupla número 2 do mundo, derrotaram Roger Federer e Stanislas Wawrinka por 6/4 e 6/1. A partida desta sexta-feira valeu pelas semifinais do Masters 1.000 de Indian Wells. Convém, no entanto, falar baixinho sobre o jogo. Sussurrar mesmo. Afinal, ninguém viu o jogo. Não houve transmissão, apesar de envolver um ex-número 1 do mundo e o atual campeão (de simples) do Australian Open. Assim sendo, não espalhemos a notícia. Aparentemente, parece que o tênis não está muito interessado em divulgar a existência das duplas.

Quando digo “o tênis”, falo da ATP, que é quem manda no circuito masculino (e a WTA não é nada diferente, mas não é o caso aqui). A associação que mudou o regulamento para encurtar partidas (vide o no-ad e o match tie-break) e faz o possível para facilitar a entrada de simplistas nas chaves de duplas é a mesma que não faz um pingo de esforço para exibir partidas importantes (hoje era semifinal!) envolvendo nomes gigantes (Federer e Wawrinka!). Foi o que aconteceu, afinal, nesta sexta. E pouco faz diferença, analisando a situação em um panorama mais amplo, de quem foi a decisão de não mostrar o jogo. A grande falha é da ATP, que não exige – nem parece fazer força para – que isto aconteça.

Por definição, não sou contra a “invasão” dos simplistas em chaves de duplas. Quase nunca acontece, afinal. Mas sempre rola em Indian Wells, onde também entra aquela caixinha para alguns tenistas. É uma espécie de one-night stand dos simplistas com aquela nerd que usa óculos e roupas comportadas, mas soltou o cabelo, mostrou um decote e se produziu toda para aquela festinha que só acontece uma vez por ano.

O resultado é que alguns duplistas “de ofício” ficam fora da chave (os amiguinhos das nerds não são jogados para escanteio também?). Robert Farah e Juan Sebastian Cabal, campeões no ATP 500 do Rio, são os primeiros nomes que me vêm à mente. Mas se é para trocar Cabal e Farah (e mais alguns) por Federer, Wawrinka, Murray e Djokovic, acho bacana. É melhor para o público e, no fim das contas, dá mais exposição ao jogo de duplas, que sempre fica escondidinho na maior parte dos torneios (a Aliny discutiu isso mais a fundo – leiam aqui).

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Antes que você comece a interpretar este texto como chororô (ou mimimi ou recalque, palavras que estão na moda no mundo internético) de um brasileiro que quer ver seus tenistas, digo logo que não é o caso. Sim, estou aproveitando o dia de um jogo envolvendo Bruno Soares, mas o ponto aqui é levantar a questão do que a ATP realmente pensa para o futuro do jogo de duplas. Ou melhor: a ATP sequer pensa em um futuro para o jogo de duplas? Se a entidade realmente se interessa minimamente em fazer a modalidade crescer, por que não criar mecanismos para garantir que a modalidade seja exibida ao menos via internet?

Por uma série de motivos – homogeneização de pisos e estilos de jogo são os principais, ao meu ver -, o tênis de hoje é comercializado com base em um punhado de nomes grandes: Nadal, Djokovic, Federer e, dependendo do lugar, Murray. Se um torneio tem um desses quatro nomes, vai ter casa cheia. Caso contrário, só com algum tenista da casa indo bem ou em uma cidade com público de tênis fiel (e não são tantos lugares assim).

As duplas ficam em segundo terceiro quarto quinto plano. Salvo raras exceções, os jogos ficam em quadras pequenas, em horários nada favoráveis e, não raramente, coincidindo com partidas badaladas de simples. O prêmio em dinheiro, então, é uma porcentagem ínfima. Em Indian Wells, o campeão de simples embolsa exatamente US$ 1 milhão. A dupla vencedora leva US$ 258 mil (US$ 129 mil para casa tenista, o equivalente a 12,9% do prêmio de simples). E sejamos sinceros: no cenário de hoje, o prize money dos duplistas é até proporcionalmente maior do que a atenção dada à modalidades – em comparação com as simples, claro.

A questão é que a ATP não parece estar fazendo muito para mudar o panorama. A exigência física do tênis atual afastou os melhores atletas do circuito de duplas, e a entidade parece viver um dilema eterno, sem saber o que fazer. Por enquanto, age como a diretoria da escola que prefere deixar o grupinho pouco popular se isolar do resto da classe. É difícil mudar a sociedade, não dá para comprar roupas de grife nem colocar os gordinhos de dieta, então é mais prático fechar os olhos e deixar aquela panelinha ali quieta, isolada. Ninguém está vendo mesmo…

Não, a ATP não vai acabar com o circuito de duplas. Criaria um exército de desempregados (incluindo aí árbitros de cadeira, juízes de linha e mais um punhado de gente) e seria um desastre de relações públicas. A impressão que fica, contudo, é que o no-ad e o match tie-break eram a última (e única) cartada da entidade. As mudanças não resolveram o problema, e agora ninguém sabe mais o que fazer. E enquanto a coisa não muda, a gente fala de duplas como se fôssemos uma sociedade secreta, um clubinho fechado com acesso exclusivo a alguma coisa. A diferença é que não temos acesso (quase) nenhum…

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Coisas que eu acho que acho:

– Vocês não vão ver muitos duplistas fazendo campanha pública por mais visibilidade. Embora a ATP esteja num beco sem saída aparente, não é culpa da entidade se o tênis caminhou para ser o que é hoje, com todos sendo fisicamente exigidos de forma inacreditável. Assim, os principais nomes ficam só nas simples, o que inevitavelmente tira a atenção das duplas.

– Além disso, duplistas não têm poder de barganha. Já imaginaram se ameaçarem um boicote só de duplas? É capaz de muito torneio por aí vai achar bom. É duro escrever isto, mas é verdade. Na cabeça de muita gente, a modalidade só existe para atrasar e dificultar a programação dos jogos de simples.

– Claro que ajudaria se a ATP tomasse medidas para que mais fãs tivessem acesso às duplas. Isso passaria obrigatoriamente por um número muito maior de partidas transmitidas, ainda que só na internet. Não acredito, porém, que seja uma solução nem a médio nem a longo prazo.

– Ajudaria também um regulamento que exigisse dos torneios alguma porcentagem de jogos de duplas em quadras centrais. Do jeito que estão escritas as regras hoje, cheias de exceções, os torneios não são obrigados a nada. Tudo passa pelos interesses do canal que compra os direitos de transmissão. E aí entra a discussão interminável sobre o ovo e a galinha.

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– Expandindo sobre o parágrafo anterior, conversei recentemente sobre as transmissões de duplas com um funcionário de um canal (não convém citar seu nome aqui) que detém direitos de alguns torneios. Sua resposta foi simples: “dupla não dá audiência.” Por isso, o canal quase não mostra a modalidade. Se mostrasse, apresentaria os duplistas ao público e, com o tempo, criaria uma audiência. O canal, entretanto, opta pela saída mais prática (preguiçosa).

Sem ir na toalha (para ler entre viradas de lado no match tie-break):

– Bruno Soares e Alexander Peya vão enfrentar Bob e Mike Bryan na final de Indian Wells. O jogo está marcado para começar não antes das 21h30min (de Brasília) e terá transmissão do TennisTV. Não há informação no site do SporTV.

– Se você quer pedir mais cobertura de duplas para a ATP, participe desse abaixo-assinado aqui.

– Para não deixar dúvidas (porque sempre alguém quer encontrar entrelinha onde não tem): não houve transmissão nenhuma da partida entre Peya/Soares e Federer/Wawrinka. Nem na internet nem na TV local, muito menos no Brasil. O máximo que alguns bravos puderam fazer foi acompanhar o jogo pela rádio do torneio.


Um trio de trapalhadas
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Alexandre Cossenza

Não que fosse esta a intenção, mas a arbitragem anda falhando tanto em Indian Wells que os últimos dias acabaram criando uma espécie de Semana da Perseguição aos Árbitros aqui no blog. Desta vez, quem falhou (e feio!) foi o conceituado árbitro Mohamed Lahyani. O simpático sueco cometeu três erros na partida entre o britânico Andy Murray e o tcheco Jiri Vesely. Veja no vídeo:

 

No primeiro ponto, o juiz de linha aponta bola dentro de Vesely, mas Lahyani chama bola fora. O tcheco, então, pede o replay, que mostra a bola quicando em cima da linha. Ponto para Vesely. No lance imediatamente (!) seguinte, o juizão erra de novo. Murray manda um backhand na paralela, e o juiz de linha grita bola fora. Lahyani, rapidamente, grita “correção, a bola foi boa”. Vesely nem pisca e pede o Hawk-Eye outra vez. Novamente, o replay comprova o erro do árbitro.

A falha mais grave, contudo, veio no tie-break do primeiro set. Com o placar em 2/1 para o adversário, Murray joga uma bola para o alto, e Vesely não espera a bola passar pela rede para rebatê-la. A câmera no meio da quadra mostra nitidamente que o tcheco cometeu a infração, e Lahyani não viu. O campeão de Wimbledon questionou, mas não é possível usar o replay para lances deste tipo. Murray perdeu o tie-break, mas venceu de virada: 6/7(2), 6/4 e 6/4.

E não foi só Andy Murray que teve problemas com a arbitragem na última rodada. Maria Sharapova teve um desafio “roubado”. Ao levantar os braços para reclamar de um grito que veio de fora da quadra, a russa teve seu gesto interpretado como um pedido de replay. A portuguesa Mariana Alves, árbitra de cadeira da partida, acionou o Hawk-Eye sem que esta fosse a intenção de Sharapova.

A ex-número 1 do mundo, no entanto, só queria reclamar de uma chamada de bola fora que veio, aparentemente, do box onde estava a equipe de sua adversária, a italiana Camila Giorgi. Alguém ali gritou bola fora antes do juiz de linha. Como a bola saiu de fato, não fez diferença e, portanto, a queixa de Sharapova não lhe daria o ponto de volta. Ela, no entanto, ficou sem o replay. Veja no vídeo acima.

Em um jogo com muitas quebras de saque, Giorgi surpreendeu e eliminou Sharapova em três sets:6/3, 4/6 e 7/5

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Coisas que eu acho que acho:

– Andy Murray teve outro daqueles dias em que pouca coisa dá certo, mas escapou da eliminação porque Vesely cometeu muitos erros bobos sempre que esteve perto de fechar o jogo. Entre essas falhas, uma meia dúzia de smashes nada complicados. O britânico, contudo, não deixou seus fãs muito animados. Seu próximo desafio, nas oitavas de final, será contra o canadense Milos Raonic.

– Enquanto isso, Roger Federer precisou de dois tie-breaks para eliminar o russo Dmitry Tursunov: 7/6(7) e 7/6(2). Apesar do placar apertado, jamais tive a sensação de que o suíço não esteve no controle das ações. Federer vem jogando um belíssimo tênis desde Melbourne e já acumula vitórias sobre Djokovic, Murray e Berdych em 2014. Um começo de ano muito superior ao de 2013.

– Rafael Nadal não escapou da zebra e tombou diante de Alexandr Dolgopolov em três sets: 6/3, 3/6 e 7/6(5). O número 1 do mundo não joga um tênis eficiente com consistência desde o Australian Open – e nem em Melbourne encantou seus fãs, a não ser nas vitórias sobre Monfils e Federer. No saibro do Rio, foi pouco exigido e, ainda assim, precisou salvar match points contra Pablo Andújar. Em Indian Wells, penou na estreia contra Radek Stepanek e pagou o preço de sua inconsistência contra Dolgopolov. E o ucraniano ainda deu chances, vacilando quanto sacou em 5/3 no terceiro set. No tie-break, Nadal abriu 4/2 e, mais tarde, errou uma bola nada complicada no 5/5. Dolgo avança para encarar Fognini.

– Importante notar: em 2013, Nadal somou 1.900 pontos até o fim de Indian Wells. Este ano, acumulou 1.995. Caminhos diferentes, números parecidos. Este ano, o espanhol ainda disputará o Masters de Miami, algo que não fez no ano passado. Assim, deve terminar o mês de março com mais pontos do que na temporada anterior. Resta saber o que Djokovic, com caminho livre em Indian Wells, somará este ano. Em 2013, o sérvio somou 2.860 até o fim do torneio californiano. Este ano,
tem 540 e pode chegar a 1.540.


O peso da “fama”
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Alexandre Cossenza

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Todo mundo sabe como funciona – em qualquer esporte. No futebol, zagueiro com fama de violento leva cartão até quando não fez falta grave. No basquete, os encrenqueiros famosos são punidos com falta técnica por muito menos do que aqueles com reputação de bom moço. A tolerância, de modo geral, é menor com quem tem precedente. E isso vale também para o tênis, claro.

No post anterior do blog, publiquei o vídeo da trapalhada do árbitro de cadeira Mohamed El Jennati, que “garfou” absurdamente o uzbeque Denis Istomin no Masters 1.000 de Indian Wells. Pois dois dias depois o oficial marroquino esteve envolvido em outra polêmica. O pivô da vez foi o italiano Fabio Fognini, que se sentiu prejudicado no jogo contra o americano Ryan Harrison e disparou meia dúzia (talvez um pouco mais) de palavrões.

No meio das ofensas, Fognini ainda lembrou do episódio de Istomin, dizendo coisas do tipo “Você fez a mesma m… ontem com o Istomin. Quem estava na cadeira? Você estava!” e “É a segunda vez em dois dias.” “Vejam o vídeo!

Desta vez, contudo, a situação não é tão clara quanto o caso envolvendo Istomin. Aqui, Fognini faz um slice e, quando Harrison está indo atrás da bola para tentar rebater, um juiz de linha marca bola fora. O italiano pede o replay, que mostra bola boa. A decisão, então, requer o julgamento do árbitro de cadeira: o erro de Harrison aconteceu porque a bola foi chamada fora pelo juiz de linha?

El Jennati considera que sim e argumenta, com seu inglês macarrônico, repetindo “same time” (ao mesmo tempo). Ou seja, o árbitro acredita que a chamada do juiz de linha aconteceu ao mesmo tempo em que Harrison estava indo na direção e que, por isso, o americano errou na hora de devolver a amarelinha.

É uma interpretação contestável, já que Harrison estava em uma posição desconfortável em quadra e provavelmente perderia o ponto. Além disso, ele levanta a mão esquerda (indicando bola fora) assim que rebate. Será que o fez porque ouviu o juiz de linha ou porque pediria o uso do replay caso nenhum juiz marcasse bola fora? Impossível saber.

De qualquer modo, é injusto comparar com o caso Istomin. Aqui, El Jennati faz um julgamento em um lance nada fácil. Até olhando o replay é difícil saber a ordem das coisas. Para Fognini, no entanto, a reputação do árbitro pesou. Foi o pretexto para uma discussão, meia dúzia de palavrões e uma paralisação de quase cinco minutos. E o italiano, que havia perdido o primeiro set por 7/5, fez 6/1 e 6/4 e avançou no Masters de Indian Wells.

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Coisas que eu acho que acho:

– Sobre o que aconteceu no torneio até agora, vale destacar o retorno frustrante/frustrado de Victoria Azarenka. A ex-número 1 claramente não estava recuperada de uma lesão no pé, e o resultado foi a decepcionante atuação diante da americana Lauren Davis, que venceu por 6/0 e 7/6(2). Após a partida, Vika não se mostrou arrependida e disse que precisava testar o pé para saber se conseguiria jogar. Resta saber se a lesão foi agravada durante os dois sets jogados.

– Rafael Nadal e Andy Murray escaparam de derrotas em suas estreias. O britânico esteve um set e uma quebra atrás de Lukas Rosol, mas avançou por 4/6, 6/3 e 6/2. O número 1, por sua vez, perdeu o set inicial para Radek Stepanek, mas virou: 2/6, 6/4 e 7/5. E Nadal teve de sacar em 2/3 e 0/40 na parcial decisiva.

– Em uma chave fortíssima, cheia de simplistas talentosos, os duplistas brasileiros conseguiram vitórias nada fáceis na primeira rodada. Bruno Soares e Alexander Peya derrotaram Eric Butorac e Raven Klaasen no match tie-break (2/6, 7/6 e 10/6), enquanto Marcelo Melo e Ivan Dodig superaram Marx Mirnyi e Mikhail Youzhny por 6/3 e 6/2. Soares e Peya agora vão encarar Andy Murray e Jonathan Marray. Melo e Dodig ainda não conhecem seus próximos oponentes.

– Sobre a polêmica (e anual) questão de muitos simplistas jogando duplas, recomendo o post da Aliny Calejon, do Match Tie-Break. Está ótimo. Leitura obrigatória!


Tutorial: como “garfar” um uzbeque
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Alexandre Cossenza

Depois de duas semanas cheias, decidi dar uma reduzida no ritmo por estes dias. O blog voltará à frequência normal de posts na semana que vem. Por enquanto, deixo vocês com a trapalhada que o árbitro de cadeira marroquino Mohamed El Jennati aprontou durante a partida entre Radek Stepanek e Denis Istomin, na primeira rodada do Masters 1.000 de Indian Wells. Veja o vídeo!

A discórdia aconteceu quando o uzbeque tinha um break point e Stepanek sacava em 3/4 no segundo set. Os dois jogam um rali até que Istomin, ao acreditar que uma bola de seu adversário saiu, rebate, levanta o braço e sinaliza o pedido de replay. Stepanek ainda bate mais uma vez na bola e manda para fora. E o que acontece? O juizão dá ponto para o tcheco.

A lógica? Nenhuma. El Jennati argumenta que não viu Istomin pedir o replay – uma vergonha, porque o gesto foi bastante nítido, e o estádio viu. O uzbeque até ironiza, perguntando se, da vez seguinte, precisaria pular e gesticular ao mesmo tempo (dá para ouvir a plateia dando gargalhadas). Nada, no entanto, convence o árbitro. E o erro é mais grave porque a bola seguinte de Stepanek saiu! Ou seja, mesmo que Istomin não tivesse pedido o replay, o tcheco errou a bola seguinte.

O juizão, contudo, se perdeu lindamente. Quando o português Carlos Sanches, supervisor do torneio, entrou em quadra, El Jennati ainda teve a cara de pau de dizer que: 1) Istomin não pediu o replay; e 2) Istomin seguiu na disputa do ponto. Dois absurdos, que ficam ainda mais absurdos no replay.

Istomin, reclamou, gesticulou, tentou explicar que teria direito pelo menos ao replay da bola seguinte de Stepanek (a que foi claramente fora), mas nada adiantou. O uzbeque tinha razão em tudo e perdeu o ponto. O estrago só não foi mais grave porque Istomin, alguns pontos depois, conseguiu a quebra e venceu o segundo set. Stepanek, contudo, levou a terceira parcial e avançou para a segunda rodada por 6/1, 3/6 e 6/1. Seu prêmio? Enfrentar o cabeça 1, Rafael Nadal.

Coisas que eu acho que acho:

– A primeira parte bizarra da cena acontece quando El Jennati, ao ouvir Istomin dizer que pediu o replay, rebate com um “you didn’t”, ou seja “você não pediu”. Logo depois, talvez percebendo a bobagem, o árbitro se corrige, dizendo “eu não vi.”

– Igualmente surreal é o momento em que Istomin começa a explicar o lance ao supervisor, e El Jennati segue interrompendo, como uma criança querendo contar sua versão primeiro ao coordenador da escola. Patético.


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