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RG, dia 11: o Djokovic dos US$ 100 milhões e o Andy estrategista
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Alexandre Cossenza

Eis que tivemos um dia quase normal em Roland Garros. Favoritos vencendo, franceses perdendo jogos importantes e alguns nomes importantes correndo por fora e jogando bem. O post de hoje (que chega mais tarde por causa de compromissos pessoais inadiáveis) fala da rodada e do que esperar dos ótimos confrontos marcados para os próximos dias. Que tal ler e opinar?

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O homem de US$ 100 milhões

Novak Djokovic fez bem seu dever de casa. Fechou rapidinho o terceiro set (o placar mostrava 4/1 quando o jogo foi interrompido ontem) e fez um competente quarto set, no qual ganhou poucos pontos de graça de Roberto Bautista Agut (#16). O número 1 sacou atrás no placar a parcial inteira, mas não permitiu que a pressão para evitar um quinto set lhe tirasse o foco. Pelo contrário. Quando sacou com 4/5 e esteve a três pontos de perder a parcial, não deu chances ao espanhol. No fim, fez 3/6, 6/4, 6/1 e 7/5.

A vitória desta quarta-feira faz com que Djokovic se torne a primeira pessoa a acumular mais de US$ 100 milhões em prêmios em dinheiro no tênis.

Os favoritos não tão ricos

Se jogar quatro partidas em quatro dias vai pesar contra Serena Williams, nós vamos descobrir lá na frente. Por enquanto, talvez a consciência de que haverá pouco tempo para recuperação física tenha ajudado a número 1 do mundo. Nesta quarta, a americana entrou em alto nível e permaneceu jogando assim durante 1h02min. Foi o tempo necessário para despachar a ucraniana Elina Svitolina por 6/1 e 6/1 e avançar às quartas. Serena agora vai enfrentar Yulia Putintseva (#60), que bateu a espanhola Carla Suárez Navarro (#14) por 7/5 e 7/5.

Mais tarde, foi a vez de Garbiñe Muguruza (#4) fazer Shelby Rogers (#108) aboborizar e voltar à Terra, fazendo 7/5 e 6/3. A americana, no entanto, não se despediu sem uma boa luta. Teve set point sacando no primeiro set e, mesmo depois de ver a espanhola vencer sete games seguidos, abrindo 3/0 na segunda parcial, lutou e buscou o empate. No fim das contas, porém, Muguruza tinha mais de onde tirar e avançou às semifinais.

Quadrifinalista em 2014 e 2015, a espanhola vai à sua primeira semifinal em Roland Garros e jogando bem. Desde o susto da estreia, não perdeu sets. Ainda que não tenha atravessado um caminho tão espinhoso, é importante dizer que Muguruza somou ótimas atuações desde a segunda rodada.

O próximo desafio será tão duro de prever quanto o nível de tênis que sua adversária, Sam Stosur (#24), mostrará no dia. A australiana conquistou a vaga entre as quatro melhores do Slam francês também derrubando alguém que não esperava estar nas quartas: Tsvetana Pironkova (#102), por 6/4 e 7/6(6).

Não arrisco palpite. O consenso é que Muguruza é favorita, o que faz sentido, já que a espanhola, em um dia normal, é mais consistente do que Stosur. As duas tenistas, porém, são capazes de viver dias pavorosos ou de atuações memoráveis como a vitória da australiana sobre Serena Williams na final do US Open.

O jogo mais esperado

Andy Murray (#2), em sua melhor temporada no saibro, contra Richard Gasquet (#12), queridinho da torcida e fazendo a melhor campanha da vida em Roland Garros. Por dois sets, a expectativa foi correspondida. Lances bonitos, ralis equilibrados, curtinhas e toda oscilação que normalmente é esperada de ambos. Murray sacou para fechar os dois primeiros sets, mas só venceu o segundo – e, mesmo assim, no tie-break. Parecia que muito jogo ainda rolaria, mas o francês sucumbiu, e o britânico fez 5/7, 7/6(3), 6/0 e 6/2.

Importante destacar o plano de jogo do escocês, cheio de curtinhas. Estratégia difícil da aplicar. Exige uma precisão monstruosa. Murray errou em momentos delicados, mas também ganhou três pontos com drop shots no tie-break. Funcionou bastante contra Gasquet por uma série de motivos. Primeiro porque o francês joga muito afastado da linha de base. Segundo porque Murray quase sempre buscava o backhand do francês, e todo mundo sabe o quão difícil é fazer um backhand de uma mão só em uma bola baixa e perto da rede. E, por último, não é segredo que o preparo físico não é o forte de Gasquet. Talvez isso ajude a explicar as parciais folgadas dos dois últimos sets.

Quem espera Murray nas semifinais é o atual campeão, Stan Wawrinka, que navegou pela chave mais fácil do torneio, teve tempo de calibrar seu tênis e fez provavelmente sue melhor jogo nesta quarta, ao eliminar Albert Ramos Ramos Viñolas (#55) por 6/2, 6/1 e 7/6(7).

A grande questão agora é: Wawrinka ou Murray? Páreo duro, não? Nenhum dos dois fez um torneio exatamente consistente. O britânico sofreu mais, mas pegou um caminho mais complicado. Em compensação, chega à semi forte, saindo de uma vitória em um jogo complicadíssimo e que apresentou desafios não tão diferentes dos que vai encontrar na semifinal. Stan, por sua vez, ainda não foi testado de verdade. A seu favor pesa o histórico diante de Murray no saibro: três vitórias em três partidas.

Opinião: sempre coloquei Murray como mais cotado do que Wawrinka em Paris, mas por um motivo simples. Acreditei que o suíço tinha mais chances de ficar pelo caminho. No confronto direto, não vejo essa vantagem do britânico. Embora as casas de apostas deem o favoritismo ao número 2 do mundo, eu colocaria minhas fichas (se as tivesse!) no atual campeão.

Bacana ver o respeito que Wawrinka tem por Murray e pelo chamado Big Four. O suíço, dono de dois títulos de Slam (mesmo número do rival), continua afirmando que a carreira do escocês é muito superior. A declaração desta quarta, reproduzida pela BBC no tweet acima, é bastante consciente.

A zebra

Quando a chave foi divulgada, quem imaginaria que Kiki Bertens (#58) estaria nas quartas de final? A holandesa, que estrearia contra a campeã do Australian Open, Angelique Kerber, era carta fora do baralho. No entanto, aconteceu. Em quatro jogos, Bertens eliminou três cabeças de chave. Kerber na estreia, Kasatkina na terceira rodada e, hoje, Madison Keys (#17) por 7/6(4) e 6/3. E agora, quem vai dizer que a holandesa não tem chances contra Timea Bacsinszky (#9)? A suíça, no entanto, vem de um triunfo por 6/2 e 6/4 contra Venus Williams (#11) e deve ser considerada favorita aqui.

Os brasileiros

Marcelo Melo e Ivan Dodig voltaram à quadra nesta quarta e venceram mais uma vez. As vítimas do dia foram Florin Mergea e Rohan Bopanna, que perderam por 6/4 e 6/4. A duas vitórias do bicampeonato em Paris, a dupla de brasileiro e croata manteve Marcelo na briga pelo número 1, já que Nicolas Mahut e Pierre-Hugues Herbert foram derrotados nesta quarta – uma vitória garantiria a Mahut a liderança do ranking mundial.

A briga agora continua com Marcelo Melo e Bob Bryan vivos no torneio. Se um dos dois for campeão, sai de Paris no alto da lista da ATP. Se nenhum deles, levantar o troféu Mahut ficará com o número 1. Nas semifinais, Melo e Dodig esperam os vencedores do jogo entre Feliciano e Marc López e os franceses Julien Benneteau e Edouard Roger-Vasselin.

Nas duplas mistas, Bruno Soares finalmente venceu o jogo que foi marcado para sábado, começou no domingo e não entrou em quadra segunda nem terça. Ele e Elena Vesnina derrotaram a eslovena Andreja Klepac e o filipino Treat Huey por 7/5 e 7/6(3) e avançaram às quartas de final e vão enfrentar Martina Hingis e Leander Paes. Confronto nada, nada fácil.

Correndo por fora

Em outros tempos, seria uma grande surpresa. Hoje, com David Ferrer (#11) mostrando um tênis bastante aquém do seu melhor, era até esperada a vitória de Tomas Berdych (#8), que fez 6/3, 7/5 e 6/3 e avançou às quartas de final.

Ao contrário do que parece um consenso, não acho que o saibro seja um piso ruim para o tcheco. Sua direita, que tem uma preparação mais longa, se beneficia do tempo adicional que o piso lhe dá para armar o golpe (lembram de Robin Soderling?). Alem disso, Berdych não precisa se abaixar com tanta frequência porque o slice não é tão usado na terra batida. Ainda assim, o tcheco entra nas quartas como azarão gigante diante do número 1 do mundo.

Dominic Thiem (#15) finalmente alcançou as quartas de um Slam. Tudo bem que não foi o mais duro jogo de oitavas de sua carreira, pois Marcel Granollers (#56) só avançou porque Rafael Nadal voltou para Mallorca. Ainda assim, o austríaco fez o que tinha a fazer: 6/2, 6/7(2), 6/1 e 6/4. Thiem agora enfrentará David Goffin (#13), que venceu de virada Ernests Gulbis (#80) por 4/6, 6/2, 6/2 e 6/3.

O letão, derrotado, é que não saiu muito feliz de quadra e mal cumprimentou a árbitra de cadeira, Eva Asderaki-Moore. Há quem diga que Gulbis confundiu a grega com a portuguesa Mariana Alves, com quem ele teve um problema sério em Monte Carlo, alguns anos atrás.


RG, dia 7: blecaute, lágrimas de Tsonga e oitavas de final definidas
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Alexandre Cossenza

Não foi um dia de grandes zebras – apesar dos modelitos da adidas – em Roland Garros. Sim, Ana Ivanovic se despediu numa partida em que ela era realmente favorita, mas os demais resultados foram mais ou menos de acordo com o esperado. Os destaques do dia ficaram por conta da desistência de Jo-Wilfried Tsonga, do aperto que Serena Williams passou em um set (um só) e da definição das oitavas de final do torneio. O que rolou de melhor está logo abaixo.

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O apagão

O dia não foi fácil em Roland Garros. Não bastasse a chuva causar um grande atraso na programação, um raio (um dos muitos que causaram uma série de incidentes na capital francesa) causou um blecaute no complexo, deixando o Slam francês sem conseguir transmitir a maioria das partidas. Apenas na Philippe Chatrier, a quadra central, havia uma câmera solitária, que mostrava um ângulo parecido com a de games de tênis. Foi assim, sem geração de caracteres, que o Bandsports mostrou o tie-break decisivo de Serena x Mladenovic.

Os favoritos

Serena Williams (#1) venceu em dois sets, mas com mais trabalho do que o previsto e, por que não, do que o necessário. A americana precisou de mais de duas horas para se livrar da francesa Kristina Mladenovic (#30) por 6/4 e 7/6(10), depois de salvar um set point, mas é preciso apontar que Serena perdeu chance atrás de chance na parcial.

Foram dois break points desperdiçados no quarto game, outras quatro chances perdidas (inclusive um 0/40) no sexto e mais um break point não convertido no oitavo. No próprio game de desempate, a número 1 do mundo teve quatro match points – um deles, com um smash muito mal executado – antes de fechar a partida no quinto. De modo geral, não chega a ser uma atuação preocupante, já que Serena esteve em controle no placar o tempo quase todo, mas ela deve saber que não poderá vacilar assim daqui a alguns dias.

Já no fim do dia, Novak Djokovic bateu o britânico Aljaz Bedene (#66) por 6/2, 6/3 e 6/3. O número 1 do mundo, mesmo não jogando um tênis espetacular desde a estreia em Paris, segue como favorito ao título. Difícil avaliar com mais profundidade do que isso baseado em adversários que não significaram ameaça real (Lu, Darcis e Bedene).

Os brasileiros

André Sá, ao lado de Chris Guccione, venceu mais uma. Por 6/1, 6/7(5) e 6/3, mineiro e australiano derrotaram Leo Mayer e João Sousa e conquistaram uma vaga nas oitavas de final. Os adversários são o conterrâneo Marcelo Melo e o croata Ivan Dodig, atuais campeões de Roland Garros.

Atual número 52 do mundo nas duplas, Sá já repete seu resultado de Paris em 2015, quando jogou com Máximo González. Agora, tenta dar um passo a mais e alcançar as quartas, algo que não consegue desde o US Open de 2007. Naquele ano, Sá ainda fazia parceria com Marcelo Melo.

Quem também jogou e venceu foi Bruno Soares, mantendo vivas as chances de seu parceiro, Jamie Murray, sair de Roland Garros como número 1. Brasileiro e britânico bateram os franceses David Guez e Vincent Millot por 6/2 e 7/6(5). Nas oitavas, enfrentarão Leander Paes e Marcin Matkowski.

Para quem se interessar, a matemática da briga pela liderança do ranking de duplas está mastigadinha no site Match Tie-Break, da Aliny Calejon.

Pelas duplas mistas, a partida de Bruno Soares e Elena Vesnina contra a eslovena Andreja Klepac e o filipino Treat Huey acabou adiada por conta do atraso pelo mau tempo. O jogo foi remarcado e será o último da Quadra 3 neste domingo.

Aproveitando a chance

Entre os homens, Dominic Thiem (#15) voltou a derrotar Alexander Zverev (#41): 6/7(4), 6/3, 6/3 e 6/3. Foi a segunda vitória do austríaco sobre o alemão em uma semana (eles também fizeram a final de Nice) e a terceira na carreira. Os dois também jogaram a semifinal do ATP de Munique, em abril deste ano.

São dois jovens talentosos, mas que ainda pecam por escolhas equivocadas de jogadas – especialmente Zverev, três anos mais jovem (tem 19 de idade) e que tende a perder o rumo da partida quando as coisas não acontecem como o esperado. Neste sábado, ficou claro que o jogo no saibro é muito mais natural para Thiem, que parece muito mais convicto do que fazer em quadra.

Sobre a rivalidade das duas “promessas”, foi bacana o abraço junto à rede ao fim da partida. Que o respeito continue.

O austríaco, agora, tem uma chance de ouro graças à desistência de Rafael Nadal. Nas oitavas, vai encarar Marcel Granollers e, se passar, terá nas quartas de final Gulbis ou David Goffin (#13), que bateu Nicolás Almagro (#49) em cinco sets: 6/2, 4/6, 6/3, 4/6 e 6/2.

O belga não foi espetacular, mas oscilou menos que Almagro e foi melhor nos muitos pontos importantes. No entanto, a essa altura, já não é tão difícil imaginar Dominic Thiem nas semifinais de Roland Garros, certo?

Quem vive situação parecida é Carla Suárez Navarro (#14), que venceu um jogo duro contra Dominika Cibulkova (#25) neste sábado: 6/4, 3/6 e 6/1. A espanhola, que está sempre fora dos radares (foi assim que chegou às quartas do Australian Open deste ano), pode muito bem aproveitar o buraco deixado por Victoria Azarenka em sua seção. Nas oitavas, vai encarar Yulia Putintseva (#60) e é favorita para vencer e igualar sua melhor campanha em Paris, onde também foi às quartas em 2008 e 2014.

Correndo por fora

Três jogos, três vitórias em sets diretos. Timea Bacsinszky (#9) continua fazendo seu dever de casa, ainda que com certos altos e baixos. Neste sábado, vindo de triunfo sobre Eugenie Bouchard, a suíça despachou a francesa Pauline Parmentier (#88) por 6/4 e 6/2. Ainda parece cedo para dizer se Bacsinszky, semifinalista em 2015, é uma séria candidata ao título de 2016? Talvez seu próximo jogo, contra Venus Williams (#11) deixe o cenário mais claro.

Sobre a americana, vale lembrar que a vitória sobre Cornet por 7/6(5), 1/6 e 6/0, antes mesmo que a francesa tivesse tempo de sentir cãibras, vale sua primeira aparição nas oitavas de final de Roland Garros desde 2010. Minha opinião? Venus já está no lucro e pode jogar livre, leve e solta contra Bacsinszky. A questão é saber o quanto a suíça conseguirá tirar a ex-número 1 de sua zona de conforto no fundo de quadra. Se tiver sucesso e mexer a americana, a suíça tem boas chances.

Entre os homens, o dia foi de David Ferrer (#11) e Tomas Berdych (#8). O espanhol passou pelo compatriota Feliciano López (#23) por 6/4, 7/6(6) e 6/1, enquanto o tcheco eliminou Pablo Cuevas (#27) por 4/6, 6/3, 6/2 e 7/5. O trunfo de Berdych sobre o uruguaio é um tanto relevante, já que o top 10 chegou meio desacreditado a Paris, vindo de campanhas nada animadoras em Monte Carlo (primeira rodada), Madri (quartas) e Roma (oitavas).

Os dois agora se enfrentarão pelo direito de possivelmente enfrentar Djokovic nas quartas. Vale lembrar que o Berdych bateu Ferrer em Madri por 7/6(8) e 7/5.

O abandono

O momento triste do dia ficou por conta de Jo-Wilfried Tsonga (#7). O tenista da casa tinha o primeiro set bem encaminhado, vencendo por 5/2, quando pediu tempo médico e recebeu atendimento fora de quadra por causa de dores no adutor. Quando voltou, dirigiu-se a Ernests Gulbis (#80) e cumprimentou o letão, abandonando o jogo.

Enquanto Tsonga deixou o torneio às lágrimas, Gulbis avança para as oitavas em uma chave nada fácil. Bateu Andreas Seppi na estreia e João Sousa na segunda rodada. Agora tenta sua sorte contra David Goffin.

O francês era o principal cabeça de chave vivo naquela seção da chave após a desistência de Nadal. Agora, um dos semifinalistas de Roland Garros sairá do grupo que tem Thiem, Granollers, Goffin/Almagro e Gulbis.

As oitavas definidas

[1] Novak Djokovic x Roberto Batista Agut [14]
[11] David Ferrer x Tomas Berdych [7]
Marcel Granollers x Dominic Thiem [13]
[12] David Goffin x Ernests Gulbis
[8] Milos Raonic x Albert Ramos Viñolas
[22] Viktor Troicki x Stan Wawrinka [3]
[5] Kei Nishikori x Richard Gasquet [9]
[15] John Isner x Andy Murray [2]

[1] Serena Williams x Elina Svitolina [18]
[12] Carla Suárez Navarro x Yulia Putintseva
Bertens x Keys [15]
[9] Venus Williams x Timea Bacsinzky [8]
[25] Irina-Camelia Begu x Shelby Rogers
[13] Svetlana Kuznetsova x Garbiñe Muguruza [4]
[6] Simona Halep x Sam Stosur [21]
Tsvetana Pironkova x Agnieszka Radwanska [2]

Cabeças que rolaram

Não que Ana Ivanovic (#16) fosse favorita para ir longe em Roland Garros, especialmente na mesma seção de Serena Williams na chave, mas a sérvia era bastante favorita para vencer hoje. Afinal, eram sete vitórias em sete jogos contra a ucraniana Elina Svitolina (#20). Na prática, não foi isso que aconteceu. Com 29 erros não forçados, a ex-número 1 do mundo tombou por 6/4 e 6/4.

Classificada para as oitavas, Svitolina enfrentará Serena Williams para tentar igualar sua melhor campanha em Roland Garros, Ano passado, a ucraniana alcançou as quartas de final, quando foi derrotada por… ela mesmo, Ana Ivanovic.

Os melhores lances

Kristina Mladenovic exigiu bastante de Serena quando conseguiu tirar a número 1 do mundo do fundo de quadra. O melhor exemplo talvez seja este ponto aqui:

Para terminar, um pouquinho do potencial de Zverev e Thiem.


AO, dia 2: Sete anos depois, o “mesmo” Verdasco e outro Nadal
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Alexandre Cossenza

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A semifinal de 2009 foi dos jogos mais memoráveis do Australian Open. Foram 5h14min de lances espetaculares e um equilíbrio de tirar o fôlego. Rafael Nadal, vencedor naquele dia, era o número 1 do mundo. Fernando Verdasco, o 15º. Seria injusto esperar o mesmo nível de tênis sete anos depois, com um Nadal longe daquele nível e seu compatriota em 45º lugar no ranking.

Verdasco, imagino, discorda da afirmação acima. O veterano de 32 anos disparou 90 winners (!!!) em 4h41min, destruindo Nadal e vencendo seis games seguidos no quinto set para fechar o jogo em 7/6(6), 4/6, 3/6, 7/6(4) e 6/2. Uma atuação irregular, bem ao estilo Verdasco (com 91 erros não forçados), mas espetacular no momento crucial – algo que vai de encontro à sua fama de vacilar em pontos “grandes”.

A vitória de Verdasco parecia improvável desde o fim do terceiro set. Na quarta parcial, o azarão foi quebrado quando sacou para fechar e ainda precisou sair de um 5/6 e 0/30para forçar o tie-break e, em seguida, o quinto set. Na parcial decisiva, Nadal novamente teve vantagem. Abriu 2/0 e teve um break point para fazer 3/0. Errou a devolução de saque e viu Verdasco renascer.

Arriscando – e acertando – nas devoluções, Verdasco demoliu o saque de Nadal, que já não conseguia mandar em ponto algum. Ao fim do confronto, enquanto o ex-número 1 rumava para perder seis games em sequência, o duelo parecia uma versão bizarra de Verdasco/2009 contra Nadal/2016. Um em grande momento; o outro, vacilante e não mais indestrutível.

Sim, Nadal executou golpes espetaculares em diversos momentos do jogo. Fez 37 winners, o que nem é tão pouco considerando o nível de risco que seu adversário aceitou assumir a partida inteira. Só que não foi uma atuação espetacular. Longe disso. Se não foi inconsistente, faltaram saque e a velha capacidade de fechar as portas para reações dos seus adversários. O Nadal de hoje, que se diz bem melhor do que no ano passado, ainda se parece mais com Nadal/2015 do que com Nadal/2009, e o circuito inteiro sabe disso. Esse “retorno” fica mais difícil a cada dia.

A última vitória

O segundo dia do Australian Open, porém, não foi só de Verdasco. Favoritos venceram, cabeças rolaram, muitos aces foram disparados e Bellucci venceu. Também houve desistências, inclusive com um tenista sendo retirado da quadra em uma maca. Mas comecemos por um dos momentos mais emocionantes do dia…

Lleyton Hewitt, fazendo o último torneio da carreira, entrou na sessão noturna da Rod Laver Arena com o país quase inteiro em reverência, apesar de o rival da estreia ser o compatriota James Duckworth. Pois Rusty foi lá e venceu em três sets, com parciais de 7/6(5), 6/2 e 6/4. Sua comemoração foi possivelmente o momento mais emocionante da terça-feira.

É bem provável que tenha sido a última vitória da carreira de Hewitt. O ex-número 1 do mundo, hoje com 34 anos, enfrentará David Ferrer na sequência. É grande a chance de que a última partida de Hewitt aconteça na quinta-feira.

Os favoritos

Atual vice-campeão do torneio, Andy Murray entrou em quadra para uma estreia perigosa contra Alexander Zverev, mas logo cedo ficou claro que a maré não estava a favor do jovem alemão de 18 anos, #83. Já no segundo game, o adolescente teve um sangramento no nariz e recebeu atendimento médico, o que atrasou o jogo por quase uns dez minutos.

Quando o jogo recomeçou, Murray ditou o jogo, fez belíssimas jogadas e não deu muitas chances a Zverev. Ao todo, foi uma ótima atuação do número 2 do mundo, deixando poucas dúvidas de que o escocês chegou em forma a Melbourne.

Outros nomes de peso que venceram neste segundo dia de evento na chave masculina foram Stan Wawrinka (seu adversário, Dmitry Tursunov, abandonou após dois sets) e Milos Raonic (atropelou Lucas Pouille), David Ferrer e John Isner.

Entre as mulheres, Victoria Azarenka foi quem mais impressionou. Escalada para o último jogo da Rod Laver Arena, entrou afiadíssima e não vacilou nem por um momento. Aplicou uma bicicleta (6/0 e 6/0) na belga Alison Van Uytvanck e deu uma primeira amostra em Melbourne de que é mesmo uma séria candidata.

O mesmo vale para a espanhola Garbiñe Muguruza, que fez o dever de cassa e passou fácil por Anna Kontaveit (6/0 e 6/4). Enquanto isso – acreditem – Ana Ivanovic voltou a vencer. A sérvia, beneficiada com um sorteio que lhe colocou diante de Tammi Paterson, convidada da organização e #459 do mundo, triunfou por 6/2 e 6/3. E antes que você pergunte “mas hoje não jogavam Halep, Kerber e Venus?”, já sugiro que o leitor role a página porque elas se encaixam em outros tópicos deste resumaço.

Cabeças que rolaram

Das dez primeiras tenistas do ranking, apenas duas não sofreram com problemas físicos antes do Australian Open. Venus Williams foi uma delas. Talvez não sirva de consolo, já que a americana, atual #10, foi eliminada logo na primeira rodada em Melbourne. Sua algoz foi a britânica Johanna Konta (#47), que fez 6/4 e 6/2. Andy Murray aplaudiu virtualmente.

Após terminar o ano no top 10 – como bem lembrou o Mário Sérgio Cruz – Venus ainda não venceu em 2016. Em Auckland, seu primeiro torneio, foi derrotada pela russa Daria Kasatkina.

O “buraco” deixado por Venus na chave deixa a vida mais fácil no quadrante que era de Simona Halep. “Era” de Halep porque a número 2 do mundo também tombou no fim do dia. Carregando uma lesão no tendão de aquiles e vindo de uma semi em Sydney, a romena foi praticamente dominada pela qualifier chinesa Shuai Zhang, atual #133 do mundo, logo no início.

Halep até começou melhor a segunda parcial, com uma quebra de vantagem, mas perdeu os últimos cinco games e deu adeus ao torneio: 6/4 e 6/3. Enquanto isso, Zhang, 26 anos, revelou que por pouco não se aposentou e que viajou para a Austrália pensando que seria sua última vez no torneio.

Sem Venus e Halep no quadrante, as cabeças de chave restante nesse quadrante são Karolina Pliskova, Makarova, Ivanovic e Lisicki. É bem possível que uma delas alcance a semifinal em Melbourne. Ah, sim: vale registrar que a lista de cabeças eliminadas neste segundo dia de torneio também inclui Irina Camelia Begu (cabeça 29), Caroline Garcia (32) e Lesia Tsurenko (31).

Na chave masculina, a derrota mais significativa – depois de Nadal, claro – foi a do sul-africano Kevin Anderson, #12. Com problemas no joelho, o sul-africano perdia para o americano Rajeev Ram por 7/6(4), 6/7(4), 6/3 e 3/0 quando desistiu da partida. O resultado beneficia diretamente Gael Monfils, que enfrentaria Anderson na terceira rodada. Aliás, se o favoritismo prevalecesse, o vencedor de Anderson/Monfils enfrentaria Nadal nas quartas.

Outra cabeça que rolou foi a de Fabio Fognini, em uma partida tensa de quatro tie-breaks que testou os nervos do italiano. O luxemburguês Gilles Muller, dono de um saque invejável e de 34 aces no duelo, fez 7/6(6), 7/6(7), 6/7(5) e 7/6(1). Fognini fez um pouco de tudo: perdeu set points nas duas primeiras parciais, atirou raquetes, foi punido e esbravejou com árbitros.

Os sustos

A chave feminina por pouco não perdeu uma candidata ao título – ainda que seja uma das que correm por fora. Angelique Kerber encontrou sérios problemas com a agressividade de Misaki Doi, que topou correr riscos e, com os golpes calibrados, colocou a alemã para correr durante boa parte dos dois primeiros sets. Venceu o primeiro set depois de estar perdendo por 3/0 (duas quebras) e teve até um match point no tie-break da segunda parcial.

A chance foi breve. Doi devolveu para fora um saque de Kerber (que nem foi tão forçado ou colocado assim) e, depois, viu a alemã vencer mais dois pontos em sequência para forçar o terceiro set. No fim, Kerber, mais consistente, triunfou por 6/7(4), 7/6(6) e 6/3 em 2h45min. A número 6 do mundo agora enfrentará a romena Alexandra Dulgheru na segunda rodada.

Não, Andy Murray não esteve perto da eliminação, mas tomou esse sustinho aí quando a bola não estava em jogo.

O (outro) jogo boyhoodiano

Foram cinco sets, sete match points e 4h43min, até que Jeremy Chardy eliminou Ernests Gulbis por 7/5, 2/6, 6/7(5), 6/3 e 13/11. O resultado é especialmente amargo para o letão, não só pela derrota mas pela repetição do cenário. Ano passado, também na primeira rodada, Gulbis foi eliminado pelo australiano Thanasi Kokkinakis, que fechou em 8/6 no quinto set. Na ocasião, o letão teve quatro match points e não conseguiu converter.

O canhão

Atenção para os números da estreia de John Isner, que despachou o polonês Jerzy Janowicz em três sets: 37 aces, 78% de aproveitamento de primeiro serviço, 91% dos pontos vencidos com o primeiro saque e 72% com o segundo.

O brasileiro

Thomaz Bellucci fez o que se esperava – e fez bem feito. Diante do desconhecido convidado Jordan Thompson (#143), o brasileiro foi consistente e esteve sempre à frente no placar. No fim, fechou por 6/2, 6/3 e 6/2 e avançou à segunda rodada.

Caso volte a vencer, Bellucci alcançará o melhor resultado de sua carreira no Australian Open. Seu próximo oponente será o americano Steve Johnson, #32 e cabeça de chave 31 do torneio. Na estreia, Johnson derrotou o britânico Aljaz Bedene por 6/3, 6/4 e 7/6(3).

Os melhores lances

Foi o momento que selou o segundo set e, no fim das contas, acabou não sendo tão decisivo quanto pareceu na hora. Mesmo assim, este ponto vencido por Rafael Nadal merece ser visto e revisto.

A desistência

O abandono doído – literalmente – deste segundo dia do torneio ficou por conta de Diego Schwartzman, que chegou a ter dois sets de frente sobre o australiano John Millman. O argentino teve cãibras no calor e precisou ser retirado da quadra de maca. Millman herdou a vitória quando o placar mostrava 3/6, 5/7, 7/6(2) e 5/0.

O melhor do dia 3

Dois jogos se destacam na programação de quarta-feira em Melbourne. Primeiro, fechando a sessão diurna da Rod Laver Arena, Roger Federer encara Alexandr Dolgpolov. Em seguida, na abertura da sessão noturna, Agnieszka Radwanska enfrenta Eugenie Bouchard. A rodada ainda tem jogos de Maria Sharapova, Serena Williams, Novak Djokovic, Kei Nishikori e Petra Kvitova, entre outros.

Nas duplas, Marcelo Melo e Ivan Dodig fazem sua estreia. Eles jogam contra Aljaz Bedene e Dustin Brown na Quadra 5. Na Quadra 10, Bellucci e Demoliner enfrentam Santiago González e Julian Knowle. Veja a programação completa aqui.


Quadra 18: S01E01
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Alexandre Cossenza

A vontade sempre existiu (a amizade, idem), mas faltava organizar o formato, encontrar tempo livre e colocar tudo na prática. Hoje, essa ideia sai do papel e nasce o podcast Quadra 18 com as amigas Aliny Calejon e Sheila Vieira, pessoas que gostam de tênis tanto quanto eu – e isso, no fundo, é o mais importante.

Neste episódio de estreia (S01E01), falamos sobre:

– Novak Djokovic e sua superioridade no circuito
– Andy Murray voltará a conquistar um Grand Slam?
– Serena Williams é menos valorizada do que merece ou a WTA atual é fraca?

No fim do programa, em um momento mais descontraído, também falamos sobre os tenistas que odiamos gratuitamente (ou quase isso). Para ouvir, clique acima ou faça o download diretamente deste link!

O podcast está aberto à participação de vocês. Quem quiser perguntar algo, tirar uma dúvida ou levantar uma polêmica, basta enviar sua questão ou sugestão via email (link na barra lateral do blog), Facebook ou Twitter (@saqueevoleio, @sheilokavieira e @alcalejon com a hashtag #Quadra18) para um de nós.


Australian Open: o guia
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Alexandre Cossenza

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Chegou a hora. Depois de duas semanas com resultados espantosos (vide Nadal e Djokovic em Doha), outros nem tanto (vide Federer em Brisbane), cafezinhos, Red Bulls e ajustes ao fuso horário da Oceania, o Australian Open está aqui, na nossa cara, com tanta coisa bacana para ver e comentar que não deu para fazer um post menor que este. Nem parece que passou tanto tempo desde o fim da última temporada (obrigado, IPTL), mas a chave já foi sorteada e Melbourne já está animada, abraçando todo mundo, com (quase) todos grandes nomes.

E bota nome nisso. Rafael Nadal está de volta, junto com Juan Martín del Potro e Nicolás Almagro. A lamentar mesmo, só a ausência de Marin Cilic, campeão do US Open, que ainda tem problemas físicos. O mesmo vale para Jo-Wilfried Tsonga, que já estava lesionado na final da Copa Davis e ainda não se recuperou (“obrigado”, IPTL). Mas eu divago. Vamos a este mini guia do torneio, com análise de chave, o que ver (ou não) na TV, cotações de casas de apostas e até a briga pelo posto de número 1 do mundo, que estará em jogo na Austrália.

Os grandes

Novak Djokovic de um lado; Roger Federer, Rafael Nadal e Andy Murray do outro. Mas calma, é injusto analisar uma chave só por esses quatro tenistas. A metade do sérvio não pode ser tão fácil assim. E não é. Estão lá também o atual campeão do Australian Open, Stan(islas) Wawrinka e o japonês Kei Nishikori. Os dois derrotaram Nole em Grand Slams no ano passado. Ainda assim, caso confirme o favoritismo e avance na chave, Djokovic só precisaria enfrentar um dos dois – e lá nas semifinais. O resto do caminho não é dos mais complicados.

Não é lá um exercício muito fácil imaginar Djokovic perdendo cedo em Melbourne. Seu caminho começa contra um qualifier e tem, em sequência, Ramos-Viñolas/Kuznetsov, Soeda/Qualifier/Ward/Verdasco, Isner/Bautista Agut nas oitavas e Feliciano/Monfils/Benneteau/Raonic nas quartas. Contra esse grupo de possíveis quadrifinalistas, Djokovic tem um retrospecto de 25 vitórias e duas derrotas. São números que dizem um bocado. Seria diferente se algum deles atravessasse momento acima da média, mas não é o caso.

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A metade de baixo, com 3/4 do Big Four, tem um início favorável a Federer, que enfrenta Lu na estreia e, depois, encara Mónaco/Bolelli, Chardy/Coric/Seppi/Istomin, e Robredo/Karlovic nas oitavas. Se tudo acontecer como o previsto, o suíço terá Murray pela frente nas quartas e, finalmente, Nadal nas semifinais. Vale lembrar que o escocês já derrotou Federer na Austrália (2013) e que Nadal não perde um jogo melhor de cinco sets para o suíço desde 2007.

O resumo é que a chave põe Djokovic mais favorito ainda – claro, com todas ressalvas costumeiras que são feitas antes de qualquer evento. “É só no papel”, “falta ver como todos vão estar quando começar o torneio”, “o calor fará diferença” e todos aqueles clichês que usamos sempre – até porque são válidos. Contudo, o sorteio deixa Nole com mais tempo para ajustar e calibrar seu jogo antes de enfrentar adversários realmente perigosos.

O campeão

Um dos maiores atrativos neste Australian Open será acompanhar Stan, the Man. O homem que encantou ao derrubar Novak Djokovic e Rafael Nadal e foi festejado pelo planeta como um sopro de renovação e início do fim do Big Four, chega a Melbourne como o campeão, precisando defender o título. É uma posição nada familiar para o suíço, que não lidou tão bem assim com o status de campeão de Grand Slam em 2014. E agora, um ano depois, o que esperar de Wawrinka? Sua chave não é das piores, com Ilhan na primeira rodada, seguido por Qualifier/Andújar, Nieminen/Golubev/Qualifier/Cuevas, e, nas oitavas, Dolgopolov/Fognini. Só nas quartas é que Wawrinka enfrentaria Nishikori ou Ferrer, em uma seção que também inclui Simon, Giraldo, Almagro, Dodig, Feijão e Bellucci.

O panorama não é tão diferente assim para Kei Nishikori, vice-campeão do US Open e número 5 do mundo. Este Australian Open será o primeiro Slam em que o japonês será considerado um sério candidato ao título. Entre isso e “alguém que tem potencial e corre por fora com chances de surpreender” havia um Oceano Pacífico esperando para ser aberto. Além disso, Melbourne tem um sabor especial para os asiáticos, já que é o Slam mais perto de casa. Nishikori fala pouco (tanto porque não é chegado a dar entrevistas quanto porque não tem tanta coisa interessante a dizer), então pouco se sabe sobre suas expectativas e seus nervos antes desta edição particular do torneio. A primeira partida, logo contra Almagro, talvez dê algumas pistas do que esperar nas rodadas seguintes.

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Os brasileiros

Thomaz Bellucci encara David Ferrer, enquanto Feijão enfrenta Ivan Dodig. Tudo aponta para duas derrotas. Ferrer tem cinco vitórias em seis confrontos contra o paulista e, como se isso não bastasse, o espanhol foi campeão em Doha há uma semana. Bellucci, por sua vez, fez só um jogo em 2015: caiu na primeira rodada em Auckland. Enquanto isso, Feijão fez boas apresentações, ganhando um jogo na chave principal em Doha e vencendo duas partidas no quali de Sydney. Ao mesmo tempo, o tenista de Mogi das Cruzes perdeu chances valiosas nas duas derrotas que sofreu. Dodig, número 85 do mundo, é o favorito.

O que ver (ou não) na TV

A chave deste Australian Open está recheada de partidas interessantes, até porque ótimos tenistas não serão cabeças de chave. É o caso de Nishikori x Almagro, com o espanhol voltando de um longo período de recuperação. Um caso parecido é Del Potro x Jerzy Janowicz. O argentino retornou às quadras em Sydney e ganhou duas partidas. Agora enfrenta o talentoso e inconstante polonês em um duelo violento – no bom sentido. E que tal Gulbis x Kokkinakis? O letão imprevisível contra uma das revelações do tênis australiano. The Kokk (um dos melhores apelidos do tênis mundial), vice-campeão juvenil do torneio em 2013, treinou com Roger Federer nesta pré-temporada. Outra promessa de jogo interessante? Nadal x Youzhny. O russo tem no currículo quatro vitórias sobre o espanhol, que volta de lesão e perdeu a única apresentação oficial que fez nas simples em 2015. E a chave ainda tem Dustin Brown x Grigor Dimitrov, Delbonis x Kyrgios e Chardy x Coric.

Se a ESPN acertar a mão na escolha dos jogos, vai dar para ver muita coisa boa na TV. Caso o canal deixe a desejar, resta sempre a (ótima) opção de ver tudo ao vivo pelo site oficial do Australian Open. Nos últimos três anos, o torneio transmitiu todas as partidas de simples (e muitas duplas e duplas mistas) realizadas em quadras com equipamentos de TV. Logo, as opções serão muitas para quem puder (e aguentar) ficar acordado noite adentro.

O que pode (ou não) acontecer de mais legal

Parece estranho e pode ser só uma impressão minha, bem pessoal, mas vejo mais jogos interessantes na primeira rodada do que nas fases imediatamente seguintes. Ainda assim, um Del Potro x Monfils é possível na segunda rodada. Também vale ficar de olho em Tomic, que pode encarar Gulbis ou Kokkinakis na terceira rodada. E também seria curioso ver um duelo entre Federer e o jovem Coric – o mesmo que eliminou Nadal na Basileia em 2014. Não que o croata deixe de ser azarão contra o suíço, mas é sempre intrigante ver como um garotão (Coric tem 18 anos e é o número 90 do mundo) lida com a tarefa de entrar em quadra diante de um dos maiores nomes da história do esporte.

O tenista mais perigoso que ninguém está olhando

O melhor nome fora do radar é o de Vikor Troicki, que está solto na seção de Berdych. O sérvio, que já foi número 12 do mundo e em julho do ano passado havia despencado para 842 por causa de uma suspensão por (não se submeter a um exame anti) doping, hoje é o 92º na lista da ATP e finalista em Sydney. Ele estreia em Melbourne contra Vesely, finalista em Auckland. O duelo promete testar a recuperação de ambos, mas o vencedor enfrentará Leonardo Mayer ou John Millman na segunda rodada e terá boas chances de chegar a um confronto contra Berdych logo depois. Será?

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Quem pode (ou não) surpreender

Segundo o tom do que escrevi pouco acima, uma vitória de Almagro sobre Nishikori espantaria muita gente. O espanhol não joga desde Roland Garros, e derrotar um rival tão consistente quanto Nishikori, em condições normais, exige ritmo de jogo e confiança nos pontos importantes.

O cenário para Del Potro não é tão diferente, mas o argentino parece estar alguns passos à frente de Almagro. Logo, não seria tão surpreendente vê-lo derrotar Janowicz na primeira rodada. O que surpreenderia (positivamente – com negrito e itálico, por favor) de verdade seria uma campanha mais longa. Seu caminho tem, possivelmente, Monfils, Feliciano López e Milos Raonic. De qualquer modo, parece a seção mais interessante da chave nas primeiras rodadas.

Outra seção que paquero desde que vi é a que tem Gulbis, Kokkinakis, Tomic e Kohlschreiber. Qualquer um desse quarteto pode alcançar às oitavas e fazer um jogão contra Berdych.

Número 1 em jogo

Djokovic tem uma boa vantagem sobre Federer no ranking, mas, com 2 mil pontos em jogo no Australian Open, o suíço terá a chance de voltar ao topo da lista da ATP. A matemática é bem simples. Federer será líder no dia 2 de fevereiro se for campeão em Melbourne e contar com uma derrota de Djokovic antes das oitavas de final. Não parece muito provável, mas coisas mais estranhas já aconteceram.

Nas casas de apostas

As cotações não são tão surpreendentes assim. Na bet365, os favoritos são, nesta ordem, Djokovic (pagando 10/11, ou seja, dez dólares para cada 11 apostados), Federer (11/2), Nadal (7/1), Murray (8/1), Wawrinka (12/1), Nishikori (14/1), Dimitrov (28/1), Berdych (33/1), Raonic (33/1) e Del Potro (66/1).

Bellucci é azarão contra Ferrer e paga 9/1, contrastando com o 1/16 de cotação para o espanhol. Feijão, por sua vez, não é tão zebra contra Dodig. Uma vitória do número 2 do Brasil paga 11/4, enquanto um triunfo do croata paga 1/4.


O bom e velho Nadal
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Alexandre Cossenza

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Acompanhar o desenvolvimento da chave masculina em Roland Garros foi interessante especialmente pela expectativa criada desde sempre para uma final entre Rafael Nadal e Novak Djokovic. Pela segunda vez, o sérvio chegou ao Grand Slam do saibro como o mais cotado nas casas de apostas – certamente impulsionado pela recente vitória na final do Masters 1.000 de Roma. E, uma vez em Paris, rodada após rodada, os dois deram seguidas demonstrações de força.

A mais recente delas veio nesta quarta-feira, com Rafael Nadal dominando o compatriota David Ferrer. A expectativa era de uma partida equilibrada. Ferrer vinha de duas vitórias consecutivas sobre o número 1 do mundo – uma há pouco tempo, em Monte Carlo – e conseguiu, em ambas, impôr-se ofensivamente. Junto a isso, as dores nas costas e os consequentes saques nada intimidadores de Nadal em Roland Garros pareciam dar a margem que o adversário precisava para continuar comandando os pontos desde a primeira bola.

Foi assim no primeiro set. Ferrer atacou quando pôde e defendeu-se como sempre. Conseguiu duas quebras de saque e fez 6/4. “Quando pôde” é a chave na frase acima. O atual número 5 do mundo não é um tenista defensivo por definição. Sempre que consegue, toma a iniciativa e tenta definir os pontos. Suas bolas, contudo, não são as mais potentes do circuito. Em muitas ocasiões (a maioria delas contra os adversários de melhor ranking), Ferrer é forçado a correr atrás da bola, o que lhe dá uma reputação de “devolvedor” que não é tão justa assim. Defender, para o espanhol, não é opção. É necessidade.

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E foi uma senhora necessidade depois que perdeu o segundo set por 6/4 e viu Nadal agigantar-se dali em diante. Ainda que sacando a uma velocidade média de apenas 174 km/h (no primeiro serviço), o octocampeão de Roland Garros foi monstruoso desde que Ferrer abriu a terceira parcial com quatro erros não forçados. Sem cometer nenhum erro não forçado (nenhunzinho mesmo), aplicou um pneu e tomou as rédeas do confronto. Ferrer, tão agressivo no começo, já não via mais chances de dominar as trocas de bola.

Nadal completou a vitória com outro set quase perfeito (6/1, com apenas três erros cometidos), jogando seu melhor tênis de 2014 e fazendo seus fãs acreditarem mais do que nunca que o nono título é bastante possível. Antes da final, porém, será preciso passar por Andy Murray. O britânico certamente tem uma devolução capaz de incomodar mais o número 1, mas não vem demonstrando a consistência necessária para superar Nadal no saibro.

Na outra semi, Novak Djokovic deve ter seu maior teste do torneio. O sérvio vem de vitórias maiúsculas sobre Cilic, Tsonga e Raonic, nomes que poderiam lhe causar trabalho em quadra dura, mas não no saibro. Muito menos em melhor de cinco. Ernests Gulbis, vindo de triunfos sobre Roger Federer e Tomas Berdych, chega cheio de moral e com um arsenal que pode, sim, causar problemas ao número 2 do mundo. Resta saber se será o bastante para vencer três sets.


Louco, letal e letão
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Alexandre Cossenza

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Cara fechada e punho cerrado. Ninguém rolou no saibro ou deitou-se como se comemorasse um título. Não houve nem um daqueles gritos insanos. Ernests Gulbis, o louco letão, comemorou sem fanfarronices sua vaga nas quartas de final de Roland Garros sem exageros. Como um profissional que sabe de seu potencial e acredita não ter atingido seu ápice ainda.

A campanha deste ano iguala a sua melhor em Grand Slams, que também aconteceu em Roland Garros, no aparentemente longínquo ano de 2008. Naquele ano, o letão precisou passar pelo top 10 James Blake. Desta vez, a vítima foi Roger Federer. A atuação deste domingo foi quase irretocável e deixou o suíço sem opções táticas, restrito, na maior parte do tempo, a tentar a sorte mas trocas de bola do da linha de base. E o placar final, 6/7(5), 7/6(3), 6/2, 4/6 e 6/3, omite que Gulbis esteve à frente em quatro dos cinco sets.

O triunfo mostrou toda a versatilidade do imprevisível letão. Com uma consistência poucas vezes (ou nenhuma!) vista em um jogo de cinco sets desta importância, Gulbis sacou bem e, já no começo, mostrou que jogaria de igual para igual com o “plano A” de Federer. O letão plantou-se colado na linha de base e trocou pancadas sem medo. Atacou mais – como todos – a esquerda do adversário e fez estrago com seu backhand na paralela (veja alguns lances aqui).

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Federer, dono de tantos recursos, usou de certa variação. Nada, contanto, que lhe desse um plano B com sucesso constante. Quando recebeu slices, Gulbis não se mostrou incomodado. Chamado à rede, o letão mostrou-se eficiente. Federer também ensaiou subir mais, mas conteve-se depois de levar meia dúzia de lobs. Em certo momento do jogo, aliás, foi Gulbis quem mais provocou pontos junto à rede. Em um game, depois de sacar em 0/30, deu três curtinhas seguidas – o que requer uma boa dose de coragem e precisão, visto que Federer nunca se afasta muito da linha de base. Ganhou os três pontos.

Não foi um domínio do letão. Claro que não. A excelente apresentação foi necessária para superar um oponente do calibre de Federer. E, ainda assim, o suíço teve suas chances. No segundo set, vencendo por 5/3 e 40/15, Federer teve uma bola fácil junto à rede para fechar a parcial. Escolheu o lado errado para o smash, mandou a bola em cima do adversário e viu Gulbis encaixar uma passada na paralela. O letão conseguiu a quebra e venceu o tie-break pouco depois.

Quando arrancou na frente e venceu o terceiro set com folga, o silêncio na Chatrier era desconrotável. A torcida de Paris, que sempre foi pró-Federer, só acordou no quarto set, quando o suíço esboçou uma reação, e veio com força total quando Gulbis pediu atendimento médico depois do sétimo game (Federer liderava por 5/2). O letão, que desde o segundo set levava a mão às costas aqui e ali, voltou da pausa mais agressivo e preciso. Conseguiu uma quebra e ficou a dois pontos de empatar a parcial, mas o suíço saiu de 0/30 e fechou o set em 6/4.

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Foi, contudo, o último momento de brilho do ex-número 1 do mundo. Gulbis abriu o quinto set no mesmo ritmo, com 3/0 no placar. Não houve mais nada que Federer conseguisse fazer para mudar o cenário. Com todas as (muitas) respostas certas, o letão não vacilou mais. Confirmou seu saque até o fim e avançou às quartas.

O talento de Ernests Gulbis não é novidade. A não ser que se considere a feiúra de seu forehand nada ortodoxo, seu jogo não tem buracos evidentes. O rapaz tem um ótimo saque e sabe trocar bolas do fundo, mas tem armas desconhecidas da maioria. Uma deixadinha mortal, bons voleios curtos, ótima variação entre bolas chapadas e com spin. Se não alcançou o máximo de potencial, foi por pura falta de interesse. E ele sabe disso. Gulbis nunca escondeu seu apreço por festas e, depois de despencar do top 30 para além do 150º posto, disse que esteve desinteressado. Foi até mais longe: afirmou, sem modéstia alguma, que muitos dos tenistas que estavam à sua frente no ranking não tinham seu talento (difícil discordar).

Só em 2013, depois de abrir a temporada como número 138 do mundo, é que o letão vem “cumprindo a promessa”. Seu ranking, finalmente, reflete seu talento. Agora, em Paris, Gulbis está praticamente a uma vitória de entrar no top 10 e com um encontro marcado com Tomas Berdych. E, do mesmo modo que é fácil prever que haverá um festão em algum lugar de Paris caso o letão vá ainda mais longe, é possível imaginá-lo em uma semifinal com Novak Djokovic ou Milos Raonic.

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Coisas que eu acho que acho:

– Tsonga não vinha fazendo uma grande temporada de saibro, e a chance de uma zebra neste domingo era pequena. Ainda assim, a surra que Djokovic deu no francês foi respeitável. Com o desenho das chaves e os nada intimidantes serviços de Rafael Nadal (que voltou a sentir dores nas costas), parece improvável que o sérvio deixe passar a ótima chance de conquistar Roland Garros.

– Gulbis pediu atendimento médico quando perdia o quarto set. Federer foi ao banheiro depois de perder a terceira parcial. As duas pausas foram solicitadas por tenistas que estavam em momentos ruins. Não vale a pena especular quem fez ou deixou da fazer catimba, mas fica o recado: dizer que Gulbis venceu o quinto set por causa de uma pausa no meio da parcial anterior soa como choro de torcedor.

– No meio da semana, Gulbis respondeu, em entrevista coletiva, que não gostaria de ver suas irmãs jogando tênis profissional. O jovem letão, de 25 anos, afirmou que a vida na modalidade é muito dura para uma mulher. “Uma mulher precisa curtir mais a vida. Precisa pensar na família, nos filhos. Como pensar em filhos se até os 27 anos você está jogando tênis profissional?”. Há dois pontos que preciso fazer nesta história. O primeiro é que deu-se atenção demais ao que disse um jovem quase sem experiência de vida fora do tênis (ainda que tenha passado uma noite em uma prisão sueca por sair com uma prostituta). Esquecemos que atletas, em sua maioria, são garotos que pouco experimentaram o que o mundo tem a oferecer. Logo, dá-se atenção demais e julga-se alguém muito cedo, não importando a idade e suas raízes culturais – e aqui entra o segundo ponto. Não estou falando (apenas) de Gulbis nem o defendendo, mas um sério problema que se vê com muita frequência hoje – em especial nas redes sociais – é a vontade, que na prática é quase uma exigência, de que todos pensem da mesma maneira. Não pode ser assim, por mais que o mundo atravesse um processo de globalização. E “atravessar”, no presente do indicativo, parece ser a chave. Pessoas de lugares diferentes trazem consigo conceitos distintos de ver o mundo e a vida. Ainda que certos hábitos de um cidadão soem absurdos e preconceituosos na cultura de outro, vale parar e contextualizar antes de fazer um daqueles julgamentos que, nas redes sociais, quase sempre vêm de um perfil sem rosto ou identidade.

– Voltando ao tênis, não é a primeira declaração de Gulbis que causa furor. Algum tempo atrás, ele disse que o top 4 era entediante, que todo mundo se respeitava demais. Há uma dose de verdade nisso, mas poucos no circuito ousam falar abertamente sobre o tema (justamente porque se respeitam demais!). Hoje, Gulbis é o mais perto que o tênis tem de um bad boy (ninguém viu Fabio Fognini passando noite na cadeia nem dizendo que é bacana a maconha ser “liberada” na Holanda). Fala o que vem na cabeça, quebra um montão de raquetes, discute com árbitros e parece pouquíssimo incomodado com a fama. Pelo contrário, a impressão que passa é a de que ele se diverte com isso tudo, o que só alimenta seu lado bad boy. O que eu acho que acho? Que é divertido ter gente assim. Faz bem ao circuito. Desde que essa turma não seja levada a sério demais, mas isso você já leu no parágrafo acima!


Sorte de campeão para Djokovic
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Alexandre Cossenza

DJokovic_AO_sorteio_div_blogAssim que a transmissão ao vivo do Australian Open colocou na tela a chave masculina ainda incompleta, já era possível imaginar as manchetes e a Rod Laver Arena lotada em uma sessão noturna. Rafael Nadal, número 1 do mundo, estreia contra o queridinho da casa, o menino mimado e perturbado Bernard Tomic. Sim, os dois duelam logo na primeira rodada. BUM.

O tenista espanhol, aliás, tem pouco a comemorar baseado no sorteio desta sexta-feira. Além da primeira partida contra um tenista da casa, Nadal pode encarar, em sequência Gael Monfils (de quem perdeu um set recentemente, em Doha) na terceira rodada, Andreas Seppi/Kei Nishikori nas oitavas, Milos Raonic/Juan Martín del Potro nas quartas e Andy Murray/Roger Federer na semifinal.

O caminho de Nadal parece muito mais complicado que o do atual campeão, Novak Djokovic. O sérvio, que chegou atrasado (olha o Boris fazendo efeito!) para o sorteio, mas já chegou com o troféu nas mãos, parece ter sido o mais beneficiado. Estreia contra Lukas Lacko e tem como rivais mais bem ranqueados Dmitry Tursunov (terceira rodada), Fabio Fognini/Ernests Gulbis (oitavas), Stanislas Wawrinka/Richard Gasquet (quartas) e David Ferrer/Tomas Berdych (semifinal).

Não que não tenha sido um bom sorteio para Ferrer e Berdych, grandes candidatos a um duelo interessante nas quartas. Seus adversários até lá não parecem tão perigosos quanto, por exemplo, os de Federer e Murray. Suíço e britânico estão em um quadrante cheio de cascas de banana. Jo-Wilfried Tsonga, John Isner, Gilles Simon e Fernado Verdasco estão ali – sem falar no ucraniano Sergiy Stakhovsky, algoz de Federer em Wimbledon. Os dois, aliás, podem voltar a se encontrar na terceira rodada em Melbourne. Seria um bocado interessante.

Thomaz Bellucci não estava no sorteio, mas deve ter gostado do que viu. Se furar o quali, pode estrear contra o wild card Lucas Pouille, Victor Hanescu, Yen-Hsun Lu, Benoit Paire, Michael Llodra, Federico Delbonis, Julian Reister, Jan Hajek, João Sousa (o português), Florian Mayer, Alexandr Dolgopolov, Fernando Verdasco e até contra outro qualifier. Não que Verdasco e Paire sejam jogos fáceis, mas só dois cenários seriam ruins de verdade para o atual número 2 do Brasil: contra Juan Martín Del Potro e Richard Gasquet.

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Jogos de primeira rodada que eu quero ver

Nadal x Tomic. Por motivos óbvios, mas também para saber se depois do jogo o australiano vai: a) treinar mais; b) para a praia; c) para o bar; d) para uma boate.
Harrison x Monfils. São dois tenistas com potencial para serem mais do que são e com estilos de jogo que podem dar uma bom contraste em Melbourne.
Bellucci x qualquer um. Depois do drama que o brasileiro viveu na segunda rodada do quali, todos querem ver como o homem está jogando. Melhor ainda se for contra Del Potro ou Gasquet.
Mónaco x Gulbis. Tudo pode acontecer em qualquer jogo de Ernests Gulbis. Em Monte Carlo, contra o mesmo Mónaco, o letão aprontou tanto que foi até punido com a perda de um game. Tem um bom resumo do episódio aqui. Se eu fosse da ESPN, ficaria ligado neste jogo.

Jogos que vão dar sono, mas que a ESPN deve mostrar assim mesmo

Djokovic x Lacko. Passeio.
Federer x Duckworth. Passeio.
Ferrer x González. Ferrer x González.

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Quem pode surpreender

– O quadrante com Federer e Murray é imprevisível e, por isso, o mais interessante. Tanto porque o britânico não sabe se resistirá a partidas longas quanto porque o suíço não vem se mostrando o tenista mais consistente do mundo. Essa seção da chave ainda tem Verdasco, Stakhovsky, Simon, Tsonga e Isner. Tsonga seria uma boa aposta para a semi.

– Embora deva encontrar Gasquet ou Robredo na trajetória, Wawrinka é favoritíssimo para chegar às quartas e reviver o jogaço que fez contra Djokovic no mesmo Australian Open em 2013. Mas será que o suíço consegue sacar mais uma atuação inspirada? Acho improvável (tanto quanto achava no ano passado, quando troquei o jogo por uma sessão de O Hobbit), mas nunca se sabe…

– Tomas Berdych tem a grande chance de alcançar uma semifinal de Grand Slam sem precisar enfrentar Nadal, Djokovic, Murray ou Federer. Talvez seja um bom momento para apostar no tcheco.

Nas casas de apostas

– Novak Djokovic é o grande favorito – e até com certa folga. Na casa virtual bet365, um título do sérvio paga 1,90 para cada dólar apostado, enquanto um triunfo de Nadal rende 3,75. Murray (9,0), Del Potro (13,0), Federer (21,0) e Berdych (41,0). Wawrinka e Tsonga (51,0) vêm na sequência.

– Uma vitória de Bellucci sobre o japonês Taro Daniel na terceira rodada do quali paga 1,33 para cada dólar. Seu adversário rende mais: 3,25.


As 10 melhores quebras de raquete em 2013
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Alexandre Cossenza

Segunda-feira é o dia de abrir oficialmente a temporada de retrospectivas da temporada. Embora eu não pretendo encher vocês, leitores, de posts lembrando 2013, alguns temas são particularmente interessantes ou geram bons debates. Comecemos, então, com um tema divertido: ataques de raiva e raquetes quebradas. Juntei dez das imagens que encontrei, criei critérios “bem específicos”, baseados no IQQ (Índice Qu’eu Quiser), e fiz o vídeo abaixo. Veja e fique à vontade para comentar os seus momentos preferidos.

 


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