Saque e Voleio

Arquivo : Guga

Quadra 18: S03E03
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Rio Open, Brasil Open e o começo de Indian Wells. O podcast Quadra 18 demorou, mas finalmente está de volta, falando sobre um pouco de tudo que aconteceu nas últimas três semanas de tênis. Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu discutimos assuntos “quentes” como os problemas físicos de Thomaz Bellucci, os wild cards para Maria Sharapova, a opção de Bruno Soares e Marcelo Melo por Acapulco em vez de São Paulo, o momento de Novak Djokovic, o futuro do Rio Open e até por onde anda o comentarista do SporTV Dácio Campos.

Para ouvir, basta clicar no player abaixo. Se preferia baixar para ouvir em casa, clique neste link com o botão direito do mouse e selecione “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’15” – Sheila Vieira apresenta os temas
2’02” – A estreia de Bellucci contra Nishikori, e a dura adaptação do japonês
4’45” – Os problemas físicos de Bellucci contra Thiago Monteiro
5’48” – O quanto foi ruim enfrentar Monteiro logo após derrotar Nishikori
6’18” – O “surgimento” de Casper Ruud
7’50” – A história de Christian Ruud, pai de Casper, que enfrentou Guga e Meligeni
8’25” – O título sem ameaças de Dominic Thiem
10’53” – Por que Carreño Busta e Ramos Viñolas são pouco reconhecidos?
12’20” – A chave de duplas e o carisma de Jamie Murray
14’23” – Marcelo Melo e suas declarações sobre a parceria com Lukasz Kubot
19’00” – O primeiro Rio Open sem WTA foi melhor ou pior?
23’27” – Pablo Cuevas, o título do Brasil Open e a chuva interminável
25’53” – Os problemas físicos e a falta de motivação de Thomaz Bellucci
27’08” – Por que tenista são “julgados” quando entram em quadra mal fisicamente?
28’45” – A boa chave do Brasil Open apesar da péssima data no calendário da ATP
30’17” – O título de Rogerinho e André Sá, e a ascensão de Demoliner nas duplas
32’47” – André Sá voltará a jogar com Leander Paes?
33’50” – A opção de Bruno e Marcelo por jogam em Acapulco em vez de São Paulo
37’08” – O bairrismo Rio-São Paulo
38’00” – Comparando Guga no Sauípe e Bruno/Marcelo em Acapulco
39’38” – Under the Bridge (Red Hot Chilli Pepers)
40’10” – Indian Wells e o quadrante com Djokovic, Delpo, Nadal, Federer, Kyrgios e Zverev no mesmo quadrante
42’40” – O mantra “o que está acontecendo com Djokovic?”
44’50” – Nadal em Acapulco, Murray e Federer em Dubai
46’21” – “Eu espero dignidade de Marin Cilic”
47’37” – Quem ganha o Masters de Indian Wells? Hora dos palpites!
48’43” – É justo Sharapova receber convites após a suspensão por doping?
55’18” – Serena Williams, mais uma lesão e como a chave mudou sem ela
57’37” – Palpites: quem é a favorita para o WTA de Indian Wells?
59’10” – A chave de Djokovic pode fazer ele atuar como Serena no AO 2017?
59’38” – A falta de público no Rio Open é culpa da organização ou da falta de tradição brasileira no tênis?
61’20” – O Brasil Open soluciona problemas melhor do que o Rio Open?
61’44” – Por onde anda Dácio Campos? Ele vai comentar Indian Wells?
62’37” – Kerber voltará dignamente ao #1? Veremos evolução no jogo dela?
63’45” – Há alguma chance de Melo não completar a temporada com Kubot?
63’57” – O Rio Open pode virar Masters 1000? Qual a chance de virar piso duro?
66’45” – Os valores de ingressos em Rio e SP valeram pelos atletas que vieram e pelo tênis jogado?

Importante:

– Tivemos problemas de som no meu áudio durante a gravação. Por isso, algumas das minhas falas estão incompletas. Pedimos desculpas, mas os cortes no meu áudio só foram percebidos durante a edição.


O pai dele bateu Guga. Vinte anos depois, Casper Ruud brilha no Rio Open
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

É só uma coincidência. Ou nem isso. Mas é, certamente, uma daquelas ligações deliciosas e inexplicáveis entre países e famílias. Em agosto de 1996, um jovem norueguês de 23 anos chamado Christian Ruud enfrentava Gustavo Kuerten no ATP de Umag, no saibro, na Croácia. O europeu, mais experiente e de melhor ranking – era o #68 do mundo, enquanto Guga, então com 19 anos e em franca ascensão, era o #115 – venceu por 7/5 e 6/4.

Fast foward para 20 anos e seis meses depois. Outro tenista chamado Ruud derrubou um brasileiro em ascensão. Foi Casper Ruud, filho de Christian, quem superou Thiago Monteiro nas quartas de final do Rio Open por 6/2 e 7/6(2). Hoje com 18 anos e atual #208 do mundo, Casper já havia eliminado outro tenista da casa no torneio. Na estreia, bateu Rogerinho por 6/3 e 6/4.

Em um país sem tradição ou ídolos no tênis, é óbvio que Christian (o tenista da imagem abaixo) foi a grande inspiração para que Ruud fizesse carreira no tênis. O filho nasceu quando o pai tinha 26 anos e ainda estava no circuito. Quando podia, Christian levava o garoto para praticar todo tipo de esporte. Casper jogou tênis, futebol, hóquei no gelo e golfe. Em algum momento entre os 11 e 12 anos, largou todos os outros e decidiu investir no tênis. Pelo visto, investiu bem.

A federação pequena que ajudou muito

Não que seja fácil crescer jogando tênis na Noruega. Os torneios são poucos. A federação não é rica. Casper, no entanto, aproveitou o que podia. “Por esse lado [poucos torneios e dinheiro], é difícil, mas por outro lado, isso foi bom para mim porque eu sempre fui um dos melhores do país. A federação sempre cuidou bem de mim, com técnicos e tudo mais. Por esse ângulo, é ótimo em comparação com uma federação grande, com tantos jogadores, onde é difícil dar atenção a todos”, disse em rápido papo comigo após a coletiva desta sexta-feira.

A ascensão de Casper Ruud vem sendo espantosa. Um ano atrás, ocupava o 1.148º posto no ranking mundial. A temporada 2016 lhe deu bons resultados, inclusive um surpreendente título no Challenger de Sevilha, na Espanha, em setembro. Naquela semana, pulou do 450º lugar para o 274º. Agenciado pela IMG, que também controla o Rio Open e lhe ofereceu um convite para o evento carioca, Ruud aproveitou a chance e dará mais um salto. Graças à campanha que o levou até as semifinais, pulará do #208 para (pelo menos!) o #133. A explicação para isso? Nem ele crava o motivo. No entanto, quando lhe perguntaram na coletiva, aproveitou a chance para um momento jabá. Disse que trocou de marca de raquete há exatamente um ano e aproveitou para citar a Yonex, sua atual patrocinadora.

Mas e o jogo de seu pai com Guga? Será que Casper sabe da história? Quando perguntei, o garotão não lembrou. Disse que não sabia se seu pai tinha vencido ou perdido. “Ganhou”, eu disse. Casper riu e falou sobre o pai: “Ganhou!? Fico surpreso de ele não ter me contado, mas de repente vai me falar sobre isso nos próximos dias (mais risos). Ele adora histórias sobre quando ganhou partidas duras contra um ou outro jogador. Mas é divertido que meu pai tenha jogado também. Sei que Kuerten é enorme aqui no Brasil. Ganhou Roland Garros três vezes. Pelo que vi e ouvi, ele era um cara duríssimo de enfrentar.”

Variações e aprendizado vendo Nadal na TV

Nos três jogos que fez no Rio Open (superou Rogerinho, o espanhol Roberto Carballés Baena e Thiago Monteiro), Casper Ruud mostrou um tênis cheio de recursos e variações. Tem uma direita pesada, com muito top spin, que empurra os adversários para trás, varia bem com a esquerda e tem um ótimo saque. Além de tudo isso, provou ter bom preparo físico e nervos invejáveis. Nem contra Monteiro, com a quadra cheia e muito barulho, deixou-se abalar. Perguntei se isso era consequência do tênis da Espanha, já que Casper treina bastante em Alicante há alguns anos. Ele minimizou a influência espanhola.

“Não diria que isso vem de treinar na Espanha, mas pode ser. Honestamente, eu sempre gostei de ver tênis na TV e sempre tentei aprender o máximo. Sempre tento ver como os melhores jogam e aprender golpes diferentes. Golpes mais chapados, alguns com mais spin, e aprender quando usar cada um deles. Talvez num 30/30, no forehand, jogar com um pouco mais de spin pode ser mais inteligente. Nunca se sabe, mas eu sempre vi os melhores na TV e eles são ótimos em variar os golpes. Estou tentando ser sólido, mas também variar.”

Ruud disse passar muito tempo vendo tênis na TV e online. E que seu preferido é Rafael Nadal. Vejam por quê:

“Meu ídolo é Rafael Nadal. Talvez ele não jogue o tênis ideal em comparação com Andy [Murray] e Novak [Djokovic], que fazem tudo parecer muito fácil, mas gosto de vê-lo porque é um grande lutador e, embora muita gente não ache, ele também tem muito talento. Seu tênis é extremamente inteligente e sempre tento aprender um pouco com ele.”

Casper Ruud parece bem encaminhado, não?


Rio Open, dia 3: susto de Melo, sonho de Guga e Fognini ‘atirador de facas’
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Não foi um dia de resultados espantosos ou partidas especialmente atraentes no Rio Open, mas sobrou assunto interessante. Desde a coletiva de Gustavo Kuerten, que disse que não faz mal sonhar com o Rio Open se tornando um Masters 1000, incluindo o papo com João Zwetsch, que falou sobre a necessidade de Thomaz Bellucci ser mais consistente, até as críticas “britânicas” de Jamie Murray sobre as bolas usadas no Rio Open.

A quarta-feira também teve um pequeno susto de Marcelo Melo na primeira rodada da chave de duplas e o momento “atirador de facas” de Fabio Fognini, que deixou sua raquete presa na lona do fundo de quadra (vídeo abaixo).

Marcelo Melo e Lukasz Kubot fazem ‘adicional noturno’

Era para ser uma vitória sem drama e foi assim durante um set. No início da segunda parcial, contudo, Marcelo Melo e Lukasz Kubot vacilaram e deixaram Feijão e Fabricio Neis abrirem 5/1. Melo e Kubot viraram, mas perderam o saque de novo no 12º game e só conseguiram fechar no tie-break: 6/1 e 7/6(4).

Após a partida, brasileiro e polonês foram direto para uma das quadras de treino, onde ficaram por cerca de mais uma hora. Depois, na zona mista, falaram sobre a complicada adaptação às condições locais. Os dois chegaram de Roterdã, onde jogaram em quadra dura coberta. Sobre o adicional noturno, Melo disse que “quando as coisas não saem tão bem, é bom sempre bater uma bola depois para dar uma soltada, uma relaxada, sacar tranquilo e saber que naqueles momentos que são nervosos, a gente pode jogar tranquilo. Por isso que a gente vai bater depois. Para ir para o hotel mais tranquilo.”

Bruno Soares e Jamie Murray: sem drama e (quase) sem queixas

Cabeças de chave #1, Bruno Soares e Jamie Murray venceram sem tanto drama: 6/4 e 6/2 sobre o gaúcho Marcelo Demoliner e o neozelandês Marcus Daniell. Os dois saíram contentes com a atuação e Bruno até evitou fazer a queixa anual sobre as bolas usadas no Rio Open. O mineiro sempre falou que elas são muito duras e difíceis de controlar.

Pedi, então, a opinião de Jamie, que fez sua crítica, mas de uma maneira bastante polida. O escocês disse que as condições mudaram um pouco porque a quarta-feira foi um pouco menos quente do que os últimos dias. Por isso, não sentiu as bolas voando como antes. Com as bolas voando, “é difícil controlar os voleios e quando os caras batem forte contra você, o que acontece muito nas duplas, não é tão fácil controlar a bola.” Murray disse também, de um jeito bem britânico, que “cada [tenista] tem suas condições ideais. Não acho que muitas pessoas escolheriam essas condições, mas é assim que é.”

Guga vê Rio Open na quadra dura como Masters 1000 e talvez no lugar de Miami

Gustavo Kuerten esteve no Jockey Club Brasileiro nesta quarta-feira e concedeu uma entrevista coletiva de meia hora. A parte que mais me interessou foi sua opinião sobre a mudança de piso do Rio Open. Ano passado, o torneio pediu a alteração junto à ATP, que não aprovou o evento em quadras duras. Guga concorda com o diretor do torneio, Lui Carvalho, ao afirmar que imagina o torneio em um patamar mais alto se disputado no piso sintético.

“Tem um Parque Olímpico pronto aqui do lado, na esquina. É muito provocativo isso. Acima de identidade e do que é melhor para os [tenistas] brasileiros. De repente, o que é melhor para os brasileiros hoje pode ser diferente daqui a dez anos. O circuito também é em quadra dura. Eu consigo visualizar, pela dimensão que é a estrutura do Parque Olímpico, indo para lá, em quadra dura, como um Masters 1.000. Seria e é um sonho interessante de cultivar.” … “E se precisar ser em quadra dura para trazer bons jogadores e o torneio tem sucesso, precisa ser feito. O resto vai se adequando.”

Indagado se concorda que a mudança é necessária para que se alcance um outro nível, Guga deu (mais) uma resposta politicamente correta.

“Porque não consigo visualizar esse torneio dentro da turnê da Europa. Não tinha como tirar [os tenistas] do meio do circuito europeu para eles virem para cá. Então só consigo imaginar entre Miami e Indian Wells. Talvez com o torneio de Miami vindo para cá daqui a uns 15 aninhos. Eles estão meio defasados na estrutura lá. Aqui tem um Centro Olímpico (risos).” … “Hoje, pensar nisso é quase que uma perda de tempo, mas sonhar com isso é bom também. Tem que continuar cultivando esse sonho e esperar o momento de conseguir visualizar com mais veracidade essa hipótese.”

Ao fim da coletiva, Guga mostrou aos jornalistas o primeiro exemplar do livro de fotos “Guga Imagens De Uma Vida”, produzido pela Editora Magma. Durante o Rio Open, a publicação estará disponível com exclusividade na Livraria da Travessa do Shopping Leblon. Quem quiser também pode adquiri-lo na loja virtual da Editora Magma por R$ 149,00.

Zwetsch e a (in)consistência de Bellucci

João Zwetsch, capitão brasileiro na Copa Davis e técnico de Thomaz Bellucci, falou com um grupo de jornalistas brasileiros nesta quarta-feira e respondeu algumas perguntas sobre seu tenista e o duelo com Thiago Monteiro. Perguntei sobre como Bellucci foi mais consistente e paciente contra Nishikori e o que era possível fazer para convencer o paulista a jogar assim com mais frequência, já que Bellucci assumidamente não gosta de atuar dessa maneira. O gaúcho disse que esse é o grande objetivo para 2017:

“Eu sempre falo isso para ele. Eu sempre tive esse conceito. O Thomaz é um cara forte. Quando ele está com condições de atuar como pode atuar, ele pode ganhar de um Nishikori como ele ganhou ontem sem jogar uma grande partida. Para mim, ele não jogou uma grande partida. Ele jogou correto.” … “Essa é a nossa busca maior. Fazer com que ele tenha consistência em cima disso. Uma vitória dessa sempre dá uma crença maior no nosso caminho. Espero que a gente possa seguir assim para que ele tenha um ano com a qualidade que pode ter. E que este ano sirva para criar uma estrutura de consistência, que é o que todo mundo espera de um jogador com o nível do Thomaz.”

Mais tarde, diante de uma pergunta sobre os objetivos para a temporada, disse:

“Acho que este ano é um ano para ambicionar, acima de tudo, essa questão levantada antes, que é uma forma consistente de jogar.” … “Para jogadores como ele, que são muito agressivos e assumem muito o risco, isso é fundamental. Não dá para perder o senso de controle de ‘como eu estou”, “onde eu estou”. Às vezes, dar um winner é coisa mais necessária no momento, mas se o jogador não está se sentindo tão à vontade para isso, talvez jogar duas bolas ou três a mais, mover o adversário, possa resolver o problema também. Essa leitura melhor, mais constantemente clara na frente dele, sem dúvida vai fazer diferença para ele. Foi o que ele fez ontem [contra Nishikori]. Em muitos momentos do jogo, ainda passou um pouquinho da conta, mas isso vai acontecer. Ele é extremamente agressivo. Às vezes, bota umas bolas que saem um pouco mais porque (risos) não pega na veia e quando pega não tão na veia ela vai lá no… (risos) Mas eu prefiro isso do que o lado onde a limitação é maior e ele fica menos competitivo.”

Fognini, o atirador de facas

Sabe aquele cara mestre em atirar facas e fazer com que elas sempre atinjam o alvo com a lâmina? Pois é, Fabio Fognini fez algo parecido nesta quarta-feira. Atirou a raquete contra a lona do fundo de quadra e viu seu instrumento de trabalho fazer um furo no tecido e ficar preso, pendurado.

O italiano acabou derrotado por Albert Ramos Viñolas por 6/2 e 6/3. O espanhol avançou às quartas de final para enfrentar o qualifier argentino Nicolas Kicker.

Thiem e a chave favorável

Principal cabeça de chave do torneio após a queda de Kei Nishikori, Dominic Thiem voltou a vencer a garantiu seu lugar nas quartas de final do Rio Open. Com o triunfo por 6/2 e 7/5 sobre Dusan Lajovic, o top 10 austríaco agora vai enfrentar o argentino Diego Schwartzman (#51). Thiem é favoritíssimo e será também se avançar às semifinais, afinal enfrentará o vencedor do jogo entre o qualifier Nicolas Kicker (#123) e o espanhol Albert Ramos Viñolas (#25).

O austríaco, aliás, é mais um descontente com as bolas da Head usadas no Rio de Janeiro. Assim como Jamie, Thiem disse que as condições estavam mais lentas na noite de hoje, mas reforçou que isso nada tinha a ver com as bolas. “A bola não muda. Se está um pouco mais lento e úmido, a bola não quica tão alto e não fica tão rápida, e é mais fácil de controlar. Se as condições forem como hoje, é mais fácil jogar.” A previsão, no entanto, é de dias mais quentes até domingo. Ou seja, bolas voando por toda parte.

O melhor da quinta-feira

Como era de se esperar, Thomaz Bellucci e Thiago Monteiro fazem o jogo mais esperado, fechando a programação da quadra central. Marcelo Melo e Bruno Soares, mais uma vez, estão escalados para a Quadra 1.

Vale lembrar: foi estabelecido antes do início do torneio que apenas a final de duplas será jogada na quadra central. Nas primeiras edições do torneio, até houve polêmica as duplas ficando fora da maior arena do Rio Open, mas com o tempo organizadores e atletas chegaram a um consenso de que seria melhor ter a modalidade na Quadra 1, menor e mais aconchegante.


RG, dia 5: Nadal passeia, Djokovic faz força, e Serena derruba Teliana
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

O quinto dia de Roland Garros foi mais uma jornada boa para os favoritos. Rafael Nadal atropelou o argentino Facundo Bagnis e, pouco depois, Novak Djokovic passou em três sets, mas cometendo 42 erros não forçados. Serena Williams também triunfou, fazendo como vítima a brasileira Teliana Pereira. O resumo do dia traz análises dos três nomes principais e lembra as cabeças que rolaram, o susto de Tsonga, o barraco envolvendo Alizé Cornet e informações sobre como a ITF mudará sua postura em casos de doping. De bônus, mais um vídeo de Guga e um imperdível guia de pronúncia.

Teliana_RG16_2r_efe_blog

O jogo mais esperado

A tarefa era difícil. Encarar Serena Williams (#1), atual campeã de Roland Garros e dona de 749 títulos (ou algo assim) na carreira , na quadra Suzanne Lenglen, a segunda maior do complexo francês. Teliana Pereira (#81) começou a partida nada bem, perdendo dois saques seguidos, errando bolas que não costuma errar e vendo Serena ser… Serena.

Aos poucos, porém, a brasileira foi se sentindo mais à vontade e conseguindo entrar em alguns ralis. Comandar os pontos era quase impossível, mas Teliana tentou uma curtinha aqui e outra ali, arriscou paralelas e fez o que podia fazer. No fim, a número 1 do mundo venceu por 6/2 e 6/1, em 1h06min, um placar que reflete a diferença de nível entre as duas tenistas.

A página de estatísticas registra 31 winners de Serena contra seis de Teliana, que cometeu 15 erros não forçados contra 17 da americana. Mais uma vez, o frágil saque da brasileira pesou. Diante da melhor devolução do mundo, Teliana venceu menos da metade dos pontos com seu serviço. Foram 21/45 com o primeiro saque e 6/17 com o segundo.

Serena avança à terceira rodada para enfrentar a francesa Kristina Mladenovic (#30), que passou pela húngara Timea Babos (#45) por 6/4 e 6/3.

Os outros favoritos

Rafael Nadal (#5) teve dois games ruins, que foram os dois primeiros do jogo contra Facundo Bagnis (#99). Depois disso, venceu 18 games, perdeu quatro e foi muito, muito sólido, sem deixar a agressividade de lado. Não que o adversário tenha dado trabalho, mas dá para notar que o espanhol vem evoluindo a cada dia. Nesta quinta, foram apenas 18 erros não forçados em três sets. Considerando que seis dessas falhas vieram nos dois games iniciais, dá para ter uma ideia de sua consistência durante a maior parte do encontro.

Depois de sua 200ª vitória em Slams, Nadal enfrentará o compatriota Marcel Granollers (#56), que chega aonde Fabio Fognini deveria estar agora. O italiano, no entanto, tombou na estreia diante do próprio Granollers, que avançou nesta quinta após a desistência do francês Nicolas Mahut (#44), que deixou a quadra quando perdia por 6/3, 6/2 e 1/0.

Enquanto Nadal saía da Chatrier, Novak Djokovic (#1) entrava na Suzanne Lenglen, a segunda maior quadra do complexo de Roland Garros. Seu jogo contra o belga Steve Darcis (#161) até teve emoção, mas muito mais pelos erros do sérvio do que por uma partida espetacular do belga. É bem verdade que Darcis fez uma apresentação bastante digna e tentou todos os golpes de seu pacote, mas foram os 42 erros não forçados do número 1 que mantiveram o jogo relativamente parelho.

Djokovic, porém, foi superior sempre que a necessidade se apresentou e só precisou de três sets para avançar: 7/5, 6/3 e 6/4. O sérvio, em busca de seu primeiro título em Roland Garros, enfrenta a seguir o britânico Aljaz Bedene (#66), que venceu um jogo de cinco sets contra o espanhol Pablo Carreño Busta: 7/6(4), 6/3, 4/6, 5/7 e 6/2.

Os brasileiros nas duplas

Primeiro a entrar em quadra, Bruno Soares venceu sem problemas. Ele e Jamie Muray passaram por Evgeny Donskoy e Andrey Kuznetsov por duplo 6/3. Pouco depois, Marcelo Melo e Ivan Dodig também avançaram rápido. Os atuais campeões de Roland Garros fizeram 6/0 e 6/3 em cima de Robin Haase e Viktor Troicki.

Thomaz Bellucci também esteve em quadra pela chave de duplas e já se despediu. Ele e Martin Klizan foram superados por Vasek Pospisil e Jack Sock por 6/1 e 7/5.

O barraco

A confusão da quinta-feira veio no fim do dia, no duríssimo jogo entre Alizé Cornet (#50) e Tatjana Maria (#111). A tenista da casa, com um público barulhento a favor, venceu por 6/3, 6/7(5) e 6/4, mas a alemã não ficou nada feliz com a postura de Cornet. Na hora do cumprimento junto à rede, Maria apontou o dedo como quem dizia não acreditar nas dores que Cornet dizia vir sentindo.

Depois de sair da quadra, Maria declarou, segundo o jornalista Ben Rothenberh, que Cornet não agiu como fair play. A alemã disse que a francesa tinha cãibras e pediu atendimento médico na perna esquerda por causa disso. Vale lembrar que o regulamento não permite tratamento para cãibras, mas o fisioterapeuta deve entrar em quadra e atender o atleta que diz sentir dores.

Correndo por fora

Semifinalista no ano passado, Timea Bacsinszky (#9) abriu a programação da Chatrier nesta quinta com um jogo um tanto estranho diante de Eugenie Bouchard (#47), semifinalista em 2014. Primeiro, a canadense abriu 4/1. Depois, a suíça venceu dez games seguidos, abrindo 6/4 e 5/0. O triunfo parecia encaminhado, mas Bouchard venceu quatro games e teve dois break points para empatar o segundo set. Bacsinszky, porém, se salvou a tempo e fechou o jogo: 6/4 e 6/4.

A suíça será favorita pelo menos até a próxima rodada quando enfrentará Pauline Parmentier (#88) ou Irina Falconi (#63). O duelo mais esperado nessa seção da chave será nas oitavas, contra Venus Williams (#11), que passou pela compatriota Louisa Chirico (#78) nesta quinta. Para chegar até Bacsinszky, contudo, a ex-número 1 ainda precisará passar por Alizé Cornet (#50).

Outras vitórias de nomes que correm por fora em Roland Garros incluem Ana Ivanovic (#16), que passou pela japonesa Kurumi Nara (#91) por 7/5 e 6/1; Carla Suárez Navarro (#14), que bateu a chinesa Qiang Wang (#74) por 6/1 e 6/3; Dominika Cibulkova (#25), que derrotou por Ana Konjuh (#76) por 6/4, 3/6 e 6/0; Venus Williams (#11), que eliminou Louisa Chirico (#78) por 6/2 e 6/1; e Madison Keys (#17), que superou por Mariana Duque Mariño (#75) por 6/3 e 6/2.

Entre os homens, Tomas Berdych (#8) precisou de quatro sets para superar o tunisiano Malek Jaziri (#72) com 6/1, 2/6, 6/2 e 6/4 e marcar um interessante duelo com Pablo Cuevas (#27), que passou pelo francês Quentin Halys (#154) por apertados 7/6(4), 6/3 e 7/6(6). Tcheco e uruguaio só se enfrentam antes, com vitória de Cuevas. No saibro, piso preferido do sul-americano, o resultado será igual? Parece uma ótima chance para Cuevas alcançar as oitavas de Roland Garros pela primeira vez na carreira.

Dominic Thiem (#15) também manteve o embalo e conquistou sua sexta vitória seguida, já que vem do título do ATP 250 de Nice. Nesta quinta, a vítima foi o espanhol Guillermo García López (#51), que ofereceu alguma resistência, mas sucumbiu em todos momentos importantes e caiu por 7/5, 6/4 e 7/6(3). Será a primeira vez de Thiem na terceira rodada em Paris, e seu oponente será Alexander Zverev (#41), o mesmo da final de Nice. É, sem dúvida, um dos duelos mais interessantes da terceira rodada.

David Goffin (#13) também marcou um duelo quentíssimo com Nicolás Almagro (#49) para a terceira rodada. Enquanto o belga passou por Carlos Berlocq (#126) por 7/5, 6/1 e 6/4, o espanhol bateu o tcheco Jiri Vesely (#60), aquele que tirou Djokovic de Monte Carlo, por 6/4, 6/4 e 6/3. Almagro, vale lembrar, vem em um momento interessante. Um ano atrás, brigava para estar entre os 150 do mundo. Hoje, depois do título em Estoril, já está no top 50 e jogando um nível de tênis de deixar qualquer cabeça de chave preocupado nas rodadas iniciais de um Slam.

Por último, David Ferrer (#11) bateu Juan Mónaco (#92) depois de perder o primeiro set: 6/7(4), 6/3, 6/4 e 6/2. Ele completou a parte de cima da chave, formando um interessante duelo espanhol com Feliciano López (#23), que vem de vitória sobre o dominicano Victor Estrella Burgos (#87): 6/3, 7/6(8) e 6/3.

Os favoritos nas mistas

Fortes candidatos ao título de duplas mistas , Leander Paes e Martina Hingis venceram sua estreia, fazendo 6/4 e 6/4 sobre Anna Lena Groenefeld e Robert Farah. Mais importante que o resultado, entretanto, é a imagem abaixo, registrando o sorriso mais carismático da antiga Calcutá. Apreciem:

Bruno Soares e Elena Vesnina, campeões do Australian Open e cabeças de chave número 5 em Roland Garros, também estrearam com vitória e derrotaram Abigail Spears e Juan Sebastián Cabal por 6/4 e 6/2. Brasileiro e russa podem enfrentar Hingis e Paes nas quartas de final. Antes, suíça e indiano precisam passar por Yaroslava Shvedova e Florin Mergea, cabeças 4 do torneio.

O susto

Entre os principais cabeças de chave, o único que passou aperto foi Jo-Wilfried Tsonga (#7), que viu Marcos Baghdatis (#39) abrir 2 sets a 0. O tenista da casa, que perdeu um set point na primeira parcial e teve uma quebra de vantagem no segundo set, se recuperou a tempo de evitar a zebra. A partir do terceiro set, esteve sempre à frente do placar e, no fim, triunfou por 6/7(6), 3/6, 6/3, 6/2 e 6/2.

Foi a primeira vez na carreira, depois de 55 jogos, que Baghdatis perdeu uma partida após abrir 2 sets a 0. Não que fosse uma catástrofe uma derrota de Tsonga a essa altura. Fora derrotar Roger Federer (fora de forma) em Monte Carlo, o francês pouco fez para chegar como grande credenciado a brigar pelo título. O próximo jogo, contra um aparentemente motivado Ernests Gulbis (#80), que vem de uma importante vitória sobre João Sousa (#29), promete ser interessante.

As cabeças que rolaram

Além da já mencionada queda de João Sousa, um resultado interessante do dia foi a vitória de Borna Coric (#47) sobre Bernard Tomic (#22) em quatro sets: 3/6, 6/2, 7/6(4) e 7/6(6). O croata repete sua melhor campanha em um Slam (também foi à terceira fase em Paris no ano passado) e terá uma chance interessante de ir às oitavas pela primeira vez. Seu próximo oponente será Roberto Bautista Agut (#16), que passou pelo francês imortal Paul-Henri Mathieu (#65) por 7/6(5), 6/4 e 6/1. Coric venceu o último jogo entre eles (Chennai/2016), mas o espanhol venceu os dois duelos anteriores no saibro.

Na chave feminina, Andrea Petkovic (#31) deu adeus ao cair diante da cazaque Yulia Putintseva (#60): 6/2 e 6/2, em pouco mais de 1h30min. O jogo foi mais duro do que o placar indica e teve vários games apertados, com muitas igualdades. Putintseva levou a melhor na maioria deles e agora chega à terceira fase de um Slam pela segunda vez na carreira. Ela enfrenta na sequência a italiana Karin Knapp (#118), que aproveitou o embalo com a vitória sobre Victoria Azarenka e derrotou, nesta quinta, a letã Anastasija Sevastova (#87): 6/3 e 6/4.

Leitura recomendada

A Federação Internacional de Tênis (ITF) mudará seu procedimento em relação a resultados positivos em exames antidoping. Segundo David Haggerty, presidente da entidade, disse que os anúncios passarão a ser imediatos. Hoje, a ITF tem por hábito revelar os resultados apenas depois de uma audiência com o atleta. O procedimento atual é cauteloso – tem como objetivo poupar os jogadores -, mas cria mistério quando alguém fica sem jogar por algum período, sem motivo aparente. Foi o que aconteceu recentemente com o brasileiro Marcelo Demoliner.

Haggerty fala que a mudança é em nome da transparência. Leia mais nesta reportagem do Telegraph (em inglês).

Audição recomendada

O Forvo, site que consulto há alguns anos para conferir pronúncias de tenistas, preparou uma página especial para Roland Garros. Ela tem a pronúncia na língua nativa dos nomes de muitos atletas e até da terminologia do tênis em francês. Veja o link no tweet abaixo.

Fanfarronices publicitárias

A campanha da Peugeot com Guga teve seu mais recente episódio com Jo-Wilfried Tsonga. Assim como Bellucci, o francês também experimentou a peruca.


RG, dia 1: muita chuva e pouco tênis, mas Kyrgios tumultua
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Desde que decidiu antecipar seu início para o domingo, criando uma espécie de sessão caça-níqueis extra, Roland Garros sempre guardou as estreias mais importantes para segunda e terça-feira. Não foi diferente este ano. O domingo teve programação enxuta, sem os principais nomes do circuito, e, para piorar, sofreu atrasos enormes e cancelamentos por causa da chuva.

Deu tempo, porém, de Nick Kyrgios discutir com um árbitro de cadeira depois de levar um advertência por gritar com um boleiro. Lembremos, então, o que aconteceu de mais relevante no dia e o que a segunda-feira nos reserva.

Situação aqui em Roland Garros, todas as quadras cobertas por causa das chuvas. #rain #chuva #rg16

A photo posted by Marcelo Melo (@marcelomelo83) on

O susto

A principal cabeça de chave em quadra neste domingo era Petra Kvitova (#12). A tcheca foi a primeira a entrar na Philipe Chatrier e venceu bem no seu estilo: 6/2, 4/6 e 7/5 sobre Danka Kovinic em 2h20min de jogo. E não foi só isso. Kovinic (#57) chegou a sacar para a vitória, com 5/4 no placar no terceiro set. A tcheca, então, venceu três games seguidos e sobreviveu.

Kvitova está numa chave bastante acessível, encabeçada por Roberta Vinci, que vive meu momento. Como escrevi no guiazão, não é nada impossível que a tcheca vá longe em Roland Garros. A ver se os momentos de inconstância irão diminuir daqui para a frente. Sua próxima adversária será Su-Wei Hsieh, de Taiwan.

Os favoritos

Uma das poucas cabeças de chave a completar seu triunfo neste domingo foi a tcheca Lucie Safarova (#13), atual vice-campeã de Roland Garros. Após um título em Praga e resultados nada empolgantes em Madri e Roma, Safarova estreou bem, aplicando 6/0 e 6/2 sobre Vitalia Diatchenko (#223). Não foi, porém, um grande teste para a tcheca, que jogou bem, mas foi pouco exigida.

O encrenqueiro

Nick Kyrgios, sempre ele, recebeu uma advertência por conduta antiesportiva porque gritou com o boleiro ao pedir a toalha. Vejam o momento.

Kyrgios argumentou que gritou com o boleiro por causa do barulho da torcida e que não fez nada para merecer a advertência. O australiano perguntou também, se “quando Djokovic empurra um árbitro, está tudo bem.” Veja aqui.

Kyrgios acabou saindo vitorioso, fazendo 7/6(6), 7/6(6) e 6/4 sobre o italiano Marco Cecchinato. Por outro lado, talvez o gesto com o boleiro e a discussão com o árbitro de cadeira deixem todo mundo de olho no australiano. Ele que se cuide.

Os adiamentos

Após múltiplas interrupções e vendo a previsão, o torneio decidiu encerrar o dia mais cedo, pouco depois das 18h locais (normalmente, há jogos com luz natural até as 21h). Entre os jogos em andamento estavam em quadra o japonês Kei NIshikori, que vencia Simone Bolelli por 6/1, 7/5 e 2/1, e o americano Jack Sock, que abriu 2 sets a 0 sobre Robin Haase, mas viu o holandês reagir e empatar o placar. O quinto set começaria quando a chuva voltou.

Entre as mulheres, a partida entre a ex-russa e atual cazaque Yaroslava Shvedova e a russa-de-verdade Svetlana Kuznetsova foi interrompida no terceiro set. Depois de perder a primeira parcial por 6/4, Sveta fez 6/1 e liderava o set decisivo por 3/1. O jogo entre a americana Nicole Gibbs e a britânica Heather Watson também ficou pelo caminho. Gibbs sacava em 2/1 e 40/30 no terceiro set.

Vários jogos também acabaram suspensos antes mesmo de seu início. Entre eles, o de Simona Halep, principal cabeça de chave feminina escalada para o dia. A romena enfrentaria Nao Hibino. Outros jogos transferidos antes do começo foram Chardy x Mayer, Isner x Millman, Dimitrov x Trociki, Stephens x Gasparyan, Basilashvili x Edmund, Lisicki x Cepede Royg e Carballés Baena x Pavlasek.

Os melhores tweets

Micaela Bryan, filha de Bob Bryan, postou no Twitter um “Parabéns a Você” no piano dedicado a Novak Djokovic, aniversariante do dia. O sérvio número 1 do mundo completou 29 anos neste domingo.

Quem também soprou velinhas (ou não) neste domingo foi Eric Butorac, 35 anos, presidente do conselho dos jogadores da ATP. Sempre bem humorado, Booty aproveitou o tweet do jornalista Simon Cambers, que indagava se todo tenista aniversariante ganhava bolo dos torneios, e respondeu: “Eu te digo no fim do dia.”

Sam Groth, adversário de estreia de Rafael Nadal, pode não ter ficado muito contente com o sorteio da chave, mas manteve o bom humor. No tweet abaixo, o sacador disse que aproveitaria a chuva e plantaria algumas sementes para ver se cresceria grama até terça-feira.

David Ferrer deu uma pista do que vai acontecer nos próximos dias. O tradicional quadro “Road to RG”, no qual tenistas conversam com um motorista no caminho até o torneio, terá Gustavo Kuerten este ano.

O melhor do dia 2

Segunda-feira marca o começo “de verdade” de Roland Garros, com programação cheia e nomes de peso. A começar pelo atual campeão, abrindo o dia na Chatrier. Também na principal quadra de Paris estarão Nishikori, completando sua partida, Radwanska e Murray. A local Alizé Cornet fecha a rodada contra Kirsten Flipkens.

Os dois brasileiros jogam na Suzanne Lenglen, que abre o dia com Muguruza x Schmiedlova. Em seguida, Rogerinho enfrenta Simon e Bellucci encara Gasquet. Ivanovic fecha o dia contra a francesa Oceane Dodin.

Outros jogos interessantes são Raonic x Tipsarevic, abrindo a programação na Quadra 2, onde também será jogado o último set de Sock x Haase. Vale também acompanhar, se possível, Dimitrov x Troicki, que abre o dia na Quadra 3.


Semana 20: o embalo de Stan e o que rolou às vésperas de Roland Garros
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Com Roland Garros começando já neste domingo, o preparo dos guiazões e a edição do podcast Quadra 18, o resumaço da semana sai um pouco mais curto do que o normal, mas ainda lembra dos campeões do período e de quem ganha embalo às vésperas do torneio francês.

Wawrinka_Cilic_div_blog

Os campeões

Em condições normais, Stan Wawrinka nem deveria estar em quadra nesta semana, mas as campanha ruins nos Masters de saibro e a chance de jogar em casa o levaram ao ATP 250 de Genebra. O suíço, então, finalmente conquistou um título em seu próprio país. Neste domingo, Wawrinka derrotou Marin Cilic por 6/4 e 7/6(11), com direito a uma bela virada no segundo set, que o croata vencia por 4/1.

Estar em quadra na véspera do início do Slam francês talvez não seja a preparação ideal para o atual campeão de Roland Garros, mas certamente, como a ATP escreveu em seu site, preenche um buraco no currículo do suíço. Além disso, uma sequência de quatro vitórias antes de um evento tão importante não é nada mau.

No ATP 250 de Nice, o título ficou com Dominic Thiem, o rei dos 250. O austríaco, aliás, também venceu o torneio no ano passado. O garotão de 22 anos, #15 do mundo, agora soma seis títulos na carreira: Nice, Umag e Gstaad no ano passado; e Buenos Aires, Acapulco e Nice este ano. De todos esses, Acapulco foi o único fora do saibro e também o único ATP 500. A final deste sábado foi contra o adolescente alemão Alexander Zverev (#48), de 19 anos, e o placar final mostrou 6/4, 3/6 e 6/0.

As campeãs

No WTA International de Nuremberg, Kiki Bertens derrotou Mariana Duque Mariño por 6/2 e 6/2 na final, que durou pouco mais de uma hora. Foi uma campanha interessante da holandesa, que furou o qualifying e derrotou no caminho até o título a cabeça 1, Roberta Vinci, a americana Iriina Falconi (abandono), e alemã Julia Goerges e, por fim, Duque Mariño, responsável por derrotar a cabeça e, Laura Siegemund.

No WTA International de Estrasburgo, a tenista da casa Caroline Garcia deu à torcida motivo para festejar. A francesa derrotou Mirjana Lucic Baroni na final, por 6/4 e 6/1. Foi seu segundo título na carreira. O anterior veio no WTA de Bogotá do ano passado. No caminho até o título, a tenista de 22 anos eliminou Kirsten Flipkens, Jil Belen Teichmann, Sam Stosur (WO), Virginie Razzano e Lucic Baroni.

A cabeça 1, Sara Errani, caiu logo na estreia diante de Monica Puig, enquanto a segunda pré-classificada, Sloane Stephens, venceu um jogo, mas perdeu nas oitavas para a wild card Pauline Parmentier.

Os brasileiros

Para a maioria dos brasileiros, a semana não poderia ter sido pior. No WTA de Nuremberg, Teliana Pereira (#81) foi eliminada na estreia. A algoz foi a alemã Annika Beck (#42), a mesma que já havia sido derrotada pela brasileira duas vezes este ano. A pernambucana agra soma três vitórias e 13 reveses na temporada.

Em Genebra, Thomaz Bellucci defendia o título e não passou da segunda rodada. O paulista chegou a abrir 3/2 e sacar em 40/15 no primeiro set contra Federico Delbonis, mas não fechou nenhum game depois disso. O argentino venceu dez games seguidos e triunfou por 6/3 e 6/0. Com os pontos não defendidos, Bellucci despencou 18 posições no ranking, saindo do top 50 e indo parar em 57º.

Entre os duplistas, o único que entrou em quadra foi André Sá. Ele e Chris Guccione foram derrotados na estreia em Nice. Os algozes foram os suecos Johan Brunstrom e Andreas Siljestrom, que venceram no match tie-break: 6/2, 5/7 e 10/3.

O breve qualifying brasileiro

No qualifying de Roland Garros, os homens pouco fizeram. Todos acabaram eliminados na primeira rodada. Feijão tombou diante de Andrea Arnaboldi (#174) por 6/3 e 6/2, André Ghem foi superado por Henri Laaksonen (#190) por 7/6(5), 6/7(5) e 6/2, Guilherme Clezar perdeu para Francis Tiafoe (#188) por 1/6, 7/5 e 6/2, e Thiago Monteiro foi derrotado por Ruben Bemelmans (#186) por duplo 6/3.

No qualifying feminino, Paula Gonçalves também perdeu na primeira rodada. Sua algoz foi a holandesa Richel Hogenkamp (#139), que fez 6/3 e 6/4. O único triunfo brasileiro veio com Bia Haddad, que passou pela australiana Olivia Rogowska (#348) por 3/6, 6/3 e 6/4. A paulista, #332 do mundo, foi eliminada na segunda rodada pela americana Jennifer Brady: 6/3 e 6/4.

O doping

A ITF anunciou na sexta-feira que Marcelo Demoliner foi flagrado em um exame antidoping no dia 22 de janeiro, durante o Australian Open. A amostra de urina continha hidroclorotiazida, que faz parte do grupo de diuréticos e agentes mascarantes (aqueles que tornam mais difícil detectar outras substâncias proibidas). Segundo a ITF publicou em seu site, Demoliner admitiu a violação e foi suspenso por por três meses, a contar do dia 1º de fevereiro. O gaúcho perdeu os pontos e o prêmio em dinheiro adquiridos desde o Australian Open.

A chama acesa

Enquanto isso tudo acontecia, Bruno Soares deu um pulo no Brasil para carregar a tocha olímpica em Vitória (ES). Por que Vitória? Porque foi a data que o mineiro conseguiu encaixar em seu calendário antes de embarcar para Roland Garros.

Bruno_Tocha_2016_blog

As desistências

Uma notícia que não se lê todo dia, ou melhor, que nunca se leu antes. Roger Federer decidiu não disputar um Slam. Ainda não recuperado fisicamente, o suíço anunciou que não jogará em Paris. Preferiu não arriscar e disse que, ao não jogar Roland Garros, estará garantindo que poderá atuar pelo resto da temporada e alongar sua carreira. Prometeu voltar nos torneios de grama e disse que estará de volta a Roland Garros em 2017.

Roger Federer é o recordista em Slams disputados de forma consecutiva. Foram 65 deles desde o Australian Open de 2000.

Entre as mulheres, Caroline Wozniacki decidiu não jogar em Roland Garros por causa de uma lesão no tornozelo. Ela se junta na lista de desistências à suíça Belinda Bencic, que vem sofrendo com um problema nas costas.

Fanfarronice publicitária

Na campanha da Peugeot para Roland Garros, Gustavo Kuerten e Novak Djokovic gravaram algumas cenas juntos e, aparentemente, se divertiram bastante nos intervalos. No vídeo abaixo, o sérvio aprende algumas frases em português.


Sobre Guga, Del Potro e uma triste e insistente semelhança
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

DelPotro_Miami16_get_blog

Agonia é a sensação predominante para quem acompanha na beira da quadra. O carismático campeão de Slam, em idade para estar no auge de seu potencial, está em quadra brigando contra um problema físico grave. Mesmo depois de três cirurgias, tenta achar um meio, qualquer que seja, de encarar a situação e ser competitivo. Ainda assim, não consegue esconder a dor. Leva a mão ao local das cirurgias, pede atendimento médico, volta para a quadra e tenta outra vez, mesmo sabendo que o fim está próximo.

Gustavo Kuerten, o cidadão do parágrafo acima, não encontrou solução. Foi forçado a se aposentar aos 31, seis anos depois da primeira cirurgia no quadril direito, em 2002. Ainda conseguiu brilhar depois daquela intervenção, mas após a segunda, em 2005, sempre esteve longe de seu melhor. A última operação, em 2006, pouco adiantou.

Nesta sexta-feira, em Miami, quem viveu situação parecida foi Juan Martín del Potro. O argentino, campeão do US Open em 2009, voltou a jogar depois da terceira cirurgia no punho esquerdo no mês passado, em Delray Beach. Apoiado em um ótimo saque e um forehand gigante, conseguiu algumas vitórias, mesmo usando o slice como golpe predominante de backhand. Havia uma fragilidade clara, que ficou ainda mais nítida contra Tomas Berdych em Indian Wells.

No torneio da Flórida, não havia mais como esconder. Del Potro sentiu dores, pediu atendimento médico e tentou seguir em quadra, mas acabou derrotado pelo compatriota Horacio Zeballos (6/4 e 6/4). A imagem da dor e a expressão de frustração na cara de Del Potro eram perturbadoras.

Depois da partida, o ex-top 10 disse que não era nada de novo e que precisava estar preparado para isso. Afirmou ainda que é preciso ter muita paciência e que nem todos aguentariam. Por fim, declarou que conhece suas limitações e, da maneira que estava nesta sexta, optou por entrar em quadra.

Del Potro disse neste vídeo, de junho do ano passado, que as dores começaram em 2012. Inicialmente, o problema foi diagnosticado como tendinite. Mais tarde, foi constatado um dano em um tendão. Quando gravou a mensagem, o argentino estava sem jogar desde o Masters de Miami (sim, um ano atrás) e ainda passaria pela terceira cirurgia, buscando o que esperava ser a solução definitiva.

A essa altura, só Del Potro sabe exatamente a dimensão de suas dores. Clinicamente, é um caso bem diferente do de Guga (lesão no quadril), mas os relatos e as impressões são semelhantes. Assim como fazia o brasileiro, o argentino não dá muitos detalhes sobre suas sensações e se apega a um punhado de vitórias para manter a esperança. São dois exemplos de atletas espetaculares que venceram jogos longe de seu melhor, mas que não voltaram a alcançar o nível que um dia jogaram (“ainda não” no caso de Del Potro).

Sem saber os pormenores da lesão, impossível fazer um prognóstico para o futuro do argentino. O histórico do tênis, contudo, não é dos mais animadores. Não me lembro de um tenista que tenha tratado uma lesão por quatro anos e voltado a competir em altíssimo nível. Hoje, nem o foguete de direita é suficiente para compensar o backhand vulnerável. O carismático argentino, infelizmente, parece rumar para o mesmo destino de Guga – e com uma carreira ainda mais curta.

Coisas que eu acho que acho:

– Uma pergunta recorrente entre fãs de tênis hoje: “é tarde demais para Del Potro desenvolver o backhand com apenas uma das mãos como Federer e Wawrinka?” Fizeram a questão a Paul Annacone, ex-técnico de Pete Sampras e Roger Federer. A resposta do americano foi curta e grossa.

– Não há relatos de tenistas do nível de Del Potro (já campeão de Slam, número 4 do mundo, medalhista olímpico) que tenham feito uma mudança de golpe semelhante e tenham alcançado sucesso equivalente ao de antes. Conversei com Sylvio Bastos, técnico e comentarista do Fox Sports, e a opinião dele foi semelhante. “Muito difícil (ter sucesso equivalente após uma mudança), para não dizer impossível. Acho que ele para (de jogar) sem tentar.”

– Sampras e Wawrinka começaram a jogar com backhand de duas mãos e mudaram, mas o americano tinha 14 anos na época. O suíço, 11.

– Meligeni fez a mudança mais tarde, já top 100 e com 25 anos, em dezembro de 1996. Os melhores resultados de sua carreira aconteceram mais de dois anos depois, em 1999, quando alcançou a semifinal de Roland Garros e chegou ao 25º posto no ranking.


Quadra 18: S02E03
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Gravado na sala de entrevistas do Esporte Clube Pinheiros, o novo episódio do podcast Quadra 18 está no ar com tudo que aconteceu de mais interessante no Rio Open e no Brasil Open, os dois torneios mais importantes do país. Apresentado por mim ao lado de Sheila Vieira e Aliny Calejon (pela primeira vez, gravamos com os três na mesma sala), o programa tem participações especiais de Felipe Priante e João Victor Araripe, além de áudios de Rafael Nadal, Thomaz Bellucci, Bruno Soares, Marcelo Melo e Thiago Monteiro.

Falamos da impressionante ascensão de Thiago Monteiro, das zebras no Rio de Janeiro, da decepção que foi a passagem de Rafael Nadal pela América do Sul, da surpresa de Paula Gonçalves, da nova sede do torneio paulista, do misterioso problema físico de Thomaz Bellucci e da fantástica Francesca Schiavone, entre muitos outros assuntos.

Também contamos histórias de “bastidores”, falamos sobre o convívio na sala de imprensa e respondemos perguntas de ouvintes. Para ouvir, basta clicar no player acima. Se preferir, clique neste link com o botão direito e, depois, em “salvar como” para fazer o download do episódio e ouvi-lo mais tarde.

Os temas

0’00” – Alexandre Cossenza apresenta programa gravado no Pinheiros
2’25” – Impressões sobre o Rio Open
2’30” – “O que mais gostei foi John Isner”
3’30” – A decepcionante participação de Jo-Wilfried Tsonga
4’40” – As quedas de David Ferrer, Rafael Nadal e Jack Sock
7’05” – A inusitada desistência de Sock nas duplas
7’55” – A passagem de Nadal pela América do Sul
10’20” – Nadal explica sua derrota para Cuevas e fala do início de temporada
12’00” – Cuevas e o “melhor backhand de uma mão do circuito” segundo Guga
13’00” – A participação de Teliana Pereira no Rio Open
14’20” – A surpreendente campanha de Paula Gonçalves
15’55” – A derrota de Bia Haddad e o sucesso de Sorana Cirstea no Brasil
17’10” – A fantástica Francesca Schiavone e sua relação com o Brasil
19’40” – A lona do Rio Open
23’00” – Thomaz Bellucci vendendo pipoca no Rio de Janeiro
24’55” – Summer (Calvin Harris)
25’40” – Impressões sobre o Brasil Open no Esporte Clube Pinheiros
30’50” – Aliny avalia as campanhas de Melo e Soares em RJ e SP
32’20” – “O lado positivo é parar com o oba-boa que vinham fazendo”
33’48” – Bruno Soares avalia os resultados da dupla nos torneios brasileiros
35’09” – Bruno e Marcelo fala sobre a repercussão das derrotas na imprensa
37’10” – As preocupantes derrotas de Thomaz Bellucci
39’32” – Bellucci fala sobre seu problema físico e que seria outro tenista sem ele
42’21” – O momento de Feijão
44’00” – Thiago Monteiro, a grande estrela brasileira nas duas semanas
47’25” – Monteiro faz um balanço das duas semanas
49’00” – Cuevas, o “Rei do Brasil”
50’45” – A curiosa (e curta) passagem de Benoit Paire por São Paulo
52’05” – Os bolos da sala de imprensa do Brasil Open
53’30” – You Never Can Tell (Chuck Berry)
54’00” – “O que vocês levariam de SP para o Rio e do Rio para SP?”
58’05” – “O que os jogadores acharam da estrutura em SP?”
59’10” – “Qual a pessoa mais insuportável das salas de imprensa?”
71’50” – “Como foi a prestação de serviços dos dois torneios? Dá para comparar?”
72’50” – Cossenza critica o serviço prestado a idosos no Rio Open
75’07” – “Favor contar todas fofocas de bastidores”
69’20” – “Rio Open como Masters 1.000: sonho ou realidade?”
71’02” – “Acham que ano que vem vai ter lona no Rio Open?”
71’15” – “Thiago Monteiro já merece ser chamado para a Copa Davis?”
73’45” – “Thiago Monteiro tem condição de entrar no top 50?”
74’30” – Marcelo Melo faz uma declaração para Aliny Calejon

Créditos musicais

A faixa de abertura é chamada “Rock Funk Beast”, de longzijum. Em seguida, entram Summer (Calvin Harris) e You Never Can Tell (Chuck Berry). A faixa de encerramento é Pobre Paulista (Ira!).


Rio Open, dia 2: mais chuva, mais Nadal na madruga e Paula salva o Brasil
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Muito sol e muita chuva. O tema do primeiro dia do Rio Open se repetiu nesta terça-feira, que tinha 27 partidas distribuídas em cinco quadras. As primeiras horas foram de um calor sufocante. As últimas, de suspense a apreensão pelos pingos que insistiam em molhar o saibro do Jockey Club Brasileiro. A rodada só terminou depois da 0h, com uma cena familiar: Nadal em quadra na madrugada carioca.

O espanhol venceu sem encantar, como fez seu compatriota David Ferrer. Assim como não empolgaram os resultados brasileiros do dia. Thomaz Bellucci e Teliana Pereira, principais nomes do país nas chaves de simples, se despediram logo na estreia. Feijão, idem. Quem manteve o país vivo foi Paula Gonçalves, que aproveitou o embalo do qualifying e triunfou mais uma vez. Perdeu alguma coisa? Então este resumaço é para você. Role a página e fique por dentro.

PaulaGoncalves_Rio16_LuizPires_blog

Os favoritos

Com mais ou menos facilidade, os principais candidatos ao título no Rio de Janeiro avançaram à segunda rodada. O primeiro deles a vencer foi David Ferrer, que passou maus momentos diante de Nicolás Jarry, #493, 20 anos e convidado da organização do torneio. O chileno teve cinco set points na segunda parcial, mas não conseguiu fechar e viu o espanhol fazer 6/3 e 7/6(3).

Na coletiva, o #6 do mundo disse ter encontrado dificuldade com a umidade carioca e se mostrou insatisfeito com o nível de tênis aproveitado. “De positivo, tiro apenas o aspecto metal”, declarou. Ferrer também elogiou Jarry e disse que o chileno tem um ótimo saque e potencial para crescer. A movimentação de pernas, segundo o espanhol, é uma das coisas que o chileno precisa melhorar.

O último a entrar em quadra foi Rafael Nadal, que enfrentou Pablo Carreño Busta e a chuva, que interrompeu o duelo ao fim do primeiro set. Com a meia-noite se aproximando, os dois reiniciaram a partida sob pingos (mas foram chamados quando a chuva havia dado uma trégua).

Enquanto isso, o jogo entre Jo-Wilfried Tsonga e Thiago Monteiro, que já havia sido transferido da Central para a Quadra 1, acabou adiado de vez.

No segundo set, Nadal perdeu uma quebra de vantagem – cena tão comum em seus jogos ultimamente – e demorou a estabelecer nova vantagem, mas finalmente fechou em 6/1 e 6/4. De modo geral, foi uma ótima atuação no primeiro set, diante de um Carreño Busta abaixo do normal, e um desempenho bom, mas nada empolgante após a chuva – ainda que com uma quadra pesadíssima, algo que o ex-número 1 apontou como motivo para a mudança de ritmo do encontro.

O que será deste Nadal inconstante de hoje diante de Nicolás Almagro, alguém que promete incomodá-lo muito mais na segunda rodada? Fica desde já a expectativa por um jogo que promete emoções fortes.

Fognini_Rio16Stella_JoaoPires_blog

Finalmente, Fabio Fognini teve bem menos trabalho e derrotou Aljaz Bedene por 7/5 e 6/3. A facilidade talvez explique por que o italiano aproveitou para fazer uma aparição no bar da Stella Artois, patrocinadora do torneio. Quanto a Dominic Thiem, campeão em Buenos Aires, o austríaco manteve a sequência e passou sem drama pelo espanhol Pablo Andújar: 6/3 e 6/4.

Bellucci: mais baixos que altos

O adversário era complicado, e os desafios impostos pelas variações de Alexandr Dolgopolov provaram-se um obstáculo alto demais para Thomaz Bellucci superar. Pela terceira oportunidade em três jogos, o ucraniano derrotou o brasileiro, fazendo 6/7(3), 7/5 e 6/2. Desta vez, porém, em um encontro cheio de variações.

Além das oscilações de ambos, que trocaram quebras nos dois primeiros sets, o clima afetou a partida. O jogo foi interrompido quando Bellucci sacava em 5/6 e 30/30 no primeiro set. Como não havia lona na quadra, o duelo só foi retomado mais de 2h30min depois, com o saibro bem mais pesado. Dolgopolov quebrou o serviço do brasileiro rapidamente e forçou a parcial decisiva.

O ucraniano começou mal o terceiro set e deixou Bellucci fazer 2/0, mas foi só. Como em um estalar de dedos, de maneira bem típica, Dolgo parou de errar, freou Bellucci e tomou o controle do jogo. É bem verdade que o brasileiro viu seu nível cair, mas o ritmo encontrado pelo ucraniano foi impressionante.

Na coletiva, o paulista avaliou ter feito um terceiro set melhor que os dois anteriores, mas disse também que Dolgopolov começou a parcial “com uma proposta muito mais agressiva, de tirar meu tempo, de atacar muito mais, e isso me dificultou muito mais.”

Bellucci se recusou a revelar a origem do problema físico que motivou seu pedido de atendimento médico no segundo set, mas disse que não influenciou o resultado. A negativa do #1 do Brasil em falar sobre o assunto fez parte da imprensa acreditar que se tratava daquele tipo de problema estomacal do qual ninguém gosta de falar publicamente. E ficou por isso mesmo.

Feijao_Rio16_BrunoLorenzo_blog

Feijão: mais longe do sonho olímpico

Feijão deu sequência ao seu momento instável e foi eliminado pelo argentino Diego Schwartzman, #90, por 6/3 e 6/2. O paulista abriu 3/1 e sacou em 3/2 no set inicial, mas, como ele mesmo avaliou na entrevista coletiva, as coisas não vêm acontecendo naturalmente para ele desde “aquela” Copa Davis. Contra um tenista tão regular quanto Schwartzman, era preciso mais consistência.

Em queda no ranking (hoje é o #168), Feijão está cada vez mais longe da zona de classificação para os Jogos Olímpicos e com apenas quatro meses pela frente para somar pontos. O paulista, que estava otimista no fim do ano passado, já passa a considerar que a possibilidade de ficar fora do torneio olímpico é grande.

“Para mim, seria um sonho. Seria uma experiência inesquecível, mas eu ainda tenho 27. Daqui a quatro anos, vou ter 31. Pode ser em Tóquio também, não tem problema. Se tiver que ser lá vai ser. Se não for, fazer o quê? É vida que segue. O mundo não vai acabar, isso aqui não vai desabar na nossa cabeça porque eu não vou jogar uma Olimpíada.”

As brasileiras

Paula Gonçalves teve a tarefa de abrir a programação da Quadra Guga Kuerten às 11h30min contra a israelense Julia Glushko e aproveitou o bom momento que adquiriu no qualifying. Mesmo com as menos de 500 pessoas vendo seu jogo (em uma arena onde cabem mais de 6 mil), a paulista fez 6/3 e 6/1 e garantiu seu lugar na segunda rodada.

Atual número 285 do mundo e com 25 anos, Paula acabaria se tornando a única brasileira a vencer nas simples. Teliana Pereira, #1 do Brasil, #43 do mundo e principal cabeça de chave do Rio Open, foi derrotada na estreia pela croata Petra Martic, #162, com parciais de 6/3 e 7/5.

Martic foi melhor que Teliana no estilo de jogo da brasileira: errando pouco e alongando as trocas de bola. A croata, porém, foi inteligente nas variações, usou slices de forma oportuna e aguardou pacientemente os erros da brasileira. Teliana chegou a abrir 4/1 no segundo set, mas foi menos consistente que a rival.

A notícia boa é que Teliana não saiu triste da quadra. A pernambucana se disse surpresa com a consistência de Martic, mas admitiu que a croata foi melhor em quadra. A #1 do Brasil afirmou também, com boa pitada de otimismo, que o jogo desta terça foi provavelmente sua melhor apresentação em 2016. Vale lembrar que Teliana ainda não venceu em 2016. Antes do Rio Open, ela somou três derrotas em Brisbane, Hobart e Melbourne.

Duas declarações de Teliana foram importantes. Primeiro, afirmou que precisa se manter entre as 50 melhores do mundo antes de pensar em alcançar o top 30 ou o top 20. Em seguida, mostrou-se feliz com o triunfo de Paula Gonçalves “porque o tênis feminino precisa disso. As meninas precisam evoluir e me sinto um pouco responsável por isso. Elas veem que se a Teliana está ali, por que elas também não podem? Não quero ser a único top 100 ou top 50.”

A homenagem

Deveria ter acontecido na segunda-feira, mas o ralo entupido e o saibro submerso impediram. Nesta terça, Gustavo Kuerten foi finalmente homenageado e recebeu uma cópia da placa que ficará na quadra de saibro com seu nome do Jockey Club Brasileiro. Vale lembrar: a estrutura montada para o Rio Open é provisória. Após o torneio, fica só a quadra – a área de jogo – para os associados.

A “experiência sul-americana” dos gringos

Um dia depois da eliminação de John Isner, Jack Sock deu adeus ao Rio Open. Os dois americanos sucumbiram de maneiras bem diferentes, mas com cenários que tinham elementos em comum. Ambos enfrentaram saibristas argentinos e tiveram de lidar com os cruéis “elementos” da natureza.

Se Isner teve de esperar quatro horas e encarar um saibro pesadíssimo por causa da chuva, Sock entrou em quadra pouco antes das 13h, sob um calor infernal. Até teve uma quebra de frente no set inicial, mas desperdiçou a vantagem e oscilou apenas o bastante para Federico Delbonis levar a parcial.

O segundo set, com o calor ainda pior, Sock ofereceu menos resistência e sucumbiu por 7/5 e 6/1. Foram apenas 77 minutos de jogo, mas naquela temperatura era o suficiente para deixar o torcedor com a sensação de um leitão grelhado lentamente num fogão a lenha.

A registrar: dos cerca de 50 lugares existentes na Quadra 4, onde Sock, Delbonis, Thiem e Andújar jogaram, um terço deles não tem visibilidade para toda área de jogo. Onde consegui lugar no primeiro set (e nem era tão no canto da arquibancada!), só conseguia ver um dos tenistas na maior parte do tempo.

Quadra4_Rio16_cos_blog


Rio Open, dia 1: o naufrágio da Quadra Guga Kuerten e uma lição olímpica
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

20160215_193714_Pano_blog

A segunda-feira que começou quente, com céu limpo e previsão de temperaturas acima dos 40 graus, mas acabou molhado e com meia dúzia de jogos cancelados. A chuva veio forte e rápido, deixando a Quadra Guga Kuerten sob um palmo de água, o que causou um atraso gigante na programação. O estado submerso da arena inclusive que fosse realizada a homenagem ao tricampeão de Roland Garros, que empresta seu nome à quadra (que tem estrutura provisória) a partir deste ano.

O temporal fez com que o torneio cancelasse a partida de Fabio Fognini e, depois, o encontro entre Thomaz Bellucci e Alexandr Dolgopolov de volta para o hotel. John Isner e Guido Pella, que tiveram o jogo interrompido por volta das 18h, só voltaram a disputar um ponto às 22h. Americano e argentino, aliás, só haviam disputado 46 minutos de jogo, e a continuidade de sua partida foi especialmente conveniente para a organização do torneio, que precisaria devolver os ingressos – ou efetuar trocas para outras sessões – no caso de menos de uma hora de tênis.

Treino na chuva

Entre as cenas curiosas do dia, vale ressaltar que Rafael Nadal e David Ferrer treinaram na chuva – pelo menos enquanto foi possível.

Vale lembrar que, durante a pequena tempestade, a Quadra Central não foi coberta com uma lona. A justificativa de Lui Carvalho, diretor do torneio, foi de que a chuva caiu muito forte e muito rápido. Por isso, com o volume de água que molhou o saibro, já não se poderia mais fazer uso da lona – que cobriria a água. Talvez valha apontar aqui que a lona não estava na beira da quadra (como fica em Roland Garros, por exemplo) na hora que a chuva veio.

Também é importante registrar que as quadras externas sofreram bem menos com a quantidade de água. A Quadra 5, por exemplo, estava em condições bem melhores no mesmo horário, vide imagem abaixo. Embora a luz indique outra coisa, a foto da Quadra 5 foi feita depois da imagem da Central que está no alto deste post (o que aconteceu por volta das 19h30min).

O diretor, porém, ressaltou que a drenagem da Quadra Guga Kuerten é ótima. O problema desta segunda, ele revelou, foi causado por dois ralos que entupiram e impediram que a água escoasse devidamente. “Quando conseguimos desentupir, teve jogo meia hora depois.”

Quadra5_Rio16_cos_blog

As brasileiras

No início do dia, enquanto o clima colaborou, Ana Bogdan eliminou Gabriela Cé por 6/2 e 6/3. Foi a única brasileira que teve uma partida de simples encerrada antes da chuva. Bia Haddad teve sua partida interrompida quando perdia para Sorana Cirstea por 6/2 e 2/0. A interrupção não ajudou tampouco ajudou. A romena, que havia quebrado o serviço da brasileira em todas cinco oportunidades antes da chuva, quebrou mais uma vez na sequência e fechou por 6/2 e 6/1.

O sofrimento no saibro

John Isner saiu derrotado por Guido Pella por 7/6(5), 5/7 e 7/6(8). O americano, contudo, mostrou enorme esforço para vencer no saibro carioca, mais do que justificando o cachê que recebeu. Fez mais de 30 aces, salvou três match points (um deles com um espetacular ace de segundo saque), virou um tie-break complicado e, não fosse por cãibras e um voleio desastroso (talvez uma coisa tenha levado à outra), teria esticado sua passagem pela América do Sul. Diante das circunstâncias desta segunda-feira – quadra pesadíssima e adversário perigoso no saibro, parece injusto classificar o resultado como desastroso.

A programação

A quantidade de partidas canceladas na segunda-feira causou um engarrafamento na programação de terça, e o Rio Open precisou voltar aos horários do ano passado, quando as rodadas começavam às 11h. A solução foi encaixar e distribuir nomes de peso em quadras pequenas.

Feijão, David Ferrer e Nicolás Almagro jogarão na Quadra 1, com capacidade para 1.200 pessoas. Dominic Thiem, campeão do ATP 250 de Buenos Aires, estará na Quadra 4, onde cabem pouco mais de 50 pessoas. Jack Sock enfrentará Federico Delbonis no mesmo local. Juan Mónaco também jogará lá.

A Quadra Guga Kuerten ficou com Paula Gonçalves x Julia Glushko, Teliana Pereira x Petra Martic, Thomaz Bellucci x Alexandr Dolgopolov, Thiago Monteiro x Jo-WIlfried Tsonga e Rafael Nadal x Pablo Carreño Busta. Veja a programação completa aqui.

Nadal_Rio16_get2_blog

O vírus

Fora de quadra, as entrevistas deram assunto para os jornalistas (e salvaram o dia, sejamos sinceros). Um dos temas recorrentes da segunda-feira foi a ameaça do vírus zika, que ganhou manchetes no mundo inteiro. Curiosamente, as perguntas vieram de jornalistas estrangeiros – não vi os jornalistas brasileiros (eu inclusive) muito preocupados com o assunto. Quanto aos tenistas, Ferrer, que deu a primeira coletiva do dia, e Nadal evitaram fazer drama sobre o assunto.

Os dois adotaram um discurso bem parecido, inclusive, dizendo que o torneio havia tomado medidas para evitar mosquitos e que não havia muito mais a fazer. Nadal foi mais enfático, afirmando que viu o povo normalmente nas ruas, indo às praias e aos restaurantes. “Se o povo está vivendo normalmente, imagino que não seja tão grave. Estou saindo à noite, estou feliz aqui, não estou preocupado.”

Bellucci, o valor dos brasileiros e a lição olímpica

A entrevista de Gustavo Kuerten também foi interessante. Entre outras coisas, o tricampeão de Roland Garros, que será homenageado e dará nome à quadra (provisória) central do Rio Open, ressaltou a importância de valorizar os feitos dos tenistas brasileiros. Guga falou em especial de Thomaz Bellucci, que se mantém entre “20, 30, 40 do mundo por cinco anos.” Para o catarinense, “Bellucci recebe muito pouco valor pelo que faz.”

O ex-número 1 também falou sobre as chances de Marcelo Melo e Bruno Soares nos Jogos Olímpicos. Guga ressaltou que a chance de medalha é “claríssima”, mas lembrou que o torneio de duplas é muito acirrado e que o povo brasileiro precisa aprender a valorizar seu atleta independentemente de resultado. “As Olimpíadas vão deixar uma lição importante para a gente aprender. Os maiores atletas do planeta vão estar aqui, e a maioria vai sair derrotada.” Para o ex-número 1, é essencial saber que o esporte vai “além da chance de medalha.”

Thiem e a nova geração

Outro momento que vale destaque foi a resposta de Rafael Nadal, questionado por uma jornalista alemã sobre Dominic Thiem. O espanhol elogiou o jovem austríaco, disse que é um dos melhores nomes da geração e afirmou que esta geração atual, que surge com nomes como Thiem, Zverev e Fritz, é a que provavelmente vai causar a mudança de gerações da qual se fala na ATP há anos. Nadal lembrou, inclusive, que o assunto é recorrente há algum tempo, mas que o circuito continua dominado pelo mesmo grupo de antes.

Correção

Alterei um trecho do primeiro parágrafo nesta terça. O texto dizia “quadra provisória” e dava a entender que tudo era temporário. Na verdade, a quadra de saibro é permanente. As arquibancadas e toda estrutura montada para o Rio Open é que são temporários.


Novas velhas suspeitas de manipulação de resultados
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

AOTV_blog

Pouco antes do início do Australian Open, a BBC e o BuzzFeed publicaram textos simultâneos revelando terem obtido acesso a documentos que revelam o resultado de investigações iniciadas em 2007 pela ATP em casos suspeitos de manipulação de partidas. A notícia, no entanto, não passou disso. Nem a BBC nem o BuzzFeed revelaram o conteúdo do resultado dessas investigações.

Os veículos tampouco revelam os nomes dos tenistas envolvidos, o que é muito justo. Já pensou divulgar uma lista de nomes contra quem não foram encontradas provas? Dá para imaginar a quantidade de processos contra a BBC e o BuzzFeed. Os textos, no entanto, afirmam que a lista inclui 16 tenistas que estiveram no top 50 na última década (muita gente, não?), incluindo campeões de Grand Slam.

Acusações e suspeitas de manipulação de resultados não são novidades no tênis, mas tudo ganhou uma atenção maior depois da polêmica partida entre Davydenko e Vassallo Arguello. A ATP publicamente anunciou que investigaria a partida, mas nunca chegou a provar nada. Em seguida, a entidade continuou indo atrás de casos semelhantes, mas quase nada foi comprovado.

Não é difícil encontrar na internet relatos jogos que levantaram suspeitas (como nesta lista aqui). Até a vitória de Gustavo Kuerten sobre Filippo Volandri no Brasil Open de 2007 foi questionada por “entendidos” (este texto da Revista Tênis dá detalhes da situação). De comprovado, porém, muito pouco.

Pouco depois que as partidas começaram, o CEO da ATP, Chris Kermode, e Nigel Willerton, da Unidade de Integridade do Tênis, deram entrevista coletiva em Melbourne a asseguraram que nenhuma informação sobre investigações vem sendo omitida. Indagado se algum dos tenistas jogando o Australian Open seria alvo de monitoramento ou investigação, Willerton disse que não seria profissional de sua parte dar uma resposta para a pergunta.

Faz sentido. Que profissional revelaria o nome de alguém que está sendo investigado em uma questão assim (que envolve conduta ética e, consequentemente, a reputação da pessoa) sem que haja provas irrefutáveis?

Coisas que eu acho que acho:

– É inquestionavelmente difícil comprovar, sem sombra de dúvida, que alguém manipulou o resultado de um jogo de tênis. Fulano vencia com folga e de repente começou a errar? Como provar que ele não descalibrou de uma hora para a outra?Quem segue o circuito vê bastante isso acontecer. Outro cenário comum é do atleta que lidera fácil e começa a se queixar de dores. Quem vai provar que ele não está sentindo nada? É fácil levantar dúvidas a observar tendências estranhas de casas de apostas, mas daí a comprovar o envolvimento (repito: sem sombra de dúvida) do atleta com alguém que o subornou ou algo parecido é muito, muito difícil.

– Até as tendências estranhas das casas de apostas, que são quase sempre o melhor indício de que há algo suspeito em uma determinada partida, raramente são suficientes para condenar um tenista (de novo: para condenar, não pode haver dúvida). Afinal, suponhamos que uma casa de apostas aponte que durante a partida a maioria dos apostadores continue colocando dinheiro no tenista que está perdendo. Se esse tenista virar e vencer o jogo, essa tendência seria motivo suficiente para cravar algo? Aparentemente, não.

– Na coletiva, Kermode foi indagado sobre o envolvimento da ATP com casas de apostas (algumas patrocinam torneios de grande porte) e respondeu que não vê conflito de interesse. Pelo contrário. Kermode aponta que a ATP e a Unidade de Integridade do Tênis trabalham em conjunto com as casas de apostas. Além disso, o CEO da ATP lembra que apostar é uma atividade legal.


Conversas curiosas e inconclusivas, parte I
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

O diálogo a seguir aconteceu (ou não) num bar de um famoso clube de tênis. Dois amigos, identificados aqui como Catê Imoso e Jessé Tico, assistiam a uma das reprises do SporTV da final da Masters Cup de 2000, entre Gustavo Kuerten e Andre Agassi. Entre uma Paulaner e uma Hoegaarden, nossos personagens abrem o debate no segundo game da partida, quando Guga confirma o serviço com um ace.

Catê: Olha esse saque, o Guga era foda.
Jessé: Muito foda.

C: Não sei como ele não ganhou mais com esse saque.
J: É porque ele não sacava assim todo dia.

(cinco minutos depois)

C: Como ele não sacava assim sempre? Olha esse saque aberto na esquerda do Agassi! Ninguém devolve essa bola.
J: Você vai julgar o saque do Guga baseado em um jogo só?

C: Mas ele tá fazendo isso contra o Agassi, a melhor devolução da história.
J: Da história? Já viu o Djokovic devolvendo?

C: Mas o Djokovic não precisa devolver o saque do Sampras, que era monstro.
J: (irônico) É, não tem mais Sampras. Só tem Federer, Isner e Karlovic hoje em dia. Tá fácil, né?

C: Ah, para com isso. Vai criticar o Agassi só pra menosprezar o Guga?
J: Não. Agassi era um monstro na devolução, mas levava mais ace do que todos outros tops da época. E o segundo saque do Guga era vulnerável. Ele sacava todas com spin no backhand do adversário. O circuito inteiro sabia disso.

C: Você bebeu?! E olha esse backhand agora! (vendo Guga mudar a direção e bater o backhand de dentro pra fora)
J: Esse backhand era espetacular!

C: Nunca mais apareceu um backhand assim.
J: O do Wawrinka é melhor.

C: Mas você não pode comparar gerações diferentes.
J: Quem comparou foi você.

C: Mas o Guga é mais tenista que o Wawrinka.
J: Não tô comparando.

C: Vai dizer que o Wawrinka tem algum outro golpe melhor que o Guga?
J: Todos. Saque, direita, esquerda e voleio.

C: Você não pode estar falando sério.
J: Golpe a golpe, Wawrinka faz tudo melhor.

C: Isso não faz dele mais tenista que o Guga.
J: Eu não disse isso.

C: Guga foi número 1, ganhou três Slams! Wawrinka nunca chegou perto de ser número 1!
J: Concordo com tudo isso. Mas o que o ranking tem a ver com isso?

C: Prova que Guga foi o melhor da geração dele.
J: Mas quem era a geração dele?

C: Você está sugerindo que a geração dele era fraca?
J: Não. Só perguntei.

C: A geração dele era tão forte quanto qualquer outra.
J: Mas quem era?

C: Hewitt, Safin, Norman…
J: (interrompendo) Peraí, Hewitt é cinco anos mais novo que ele.

C: E daí?
J: E daí que Sampras é cinco anos mais velho que o Guga.

C: E daí?
J: E daí que se o Hewitt, cinco anos mais novo, pertence à mesma geração do Guga, por que você não incluiu Sampras e Agassi?

C: Porque Sampras e Agassi já estavam em fim de carreira e Hewitt apareceu muito jovem, enquanto o Guga ainda estava no auge.
J: Mas peraí, Guga não venceu Roland Garros em 1997?

C: Ganhou, e daí?
J: E daí que o melhor ano da carreira do Agassi foi 1999.

C: Tudo bem, então o Agassi era da mesma geração que o Guga.
J: Se o Agassi era da mesma geração do Guga, o Sampras, que era um ano mais novo, também era. Logo, o Guga não foi nem o segundo o melhor tenista da geração dele.

C: Mas em 2000 ele foi o melhor.
J: Ah, então ele foi o melhor do mundo, mas só durante aquele período?

C: É.
J: Mas um ano não é pouco para determinar que alguém foi o melhor de uma geração?

C: Tudo bem, admito que o Guga não foi o melhor.
J: Então, enfim, concordamos?

C: Concordamos. A única unanimidade é Federer, o melhor de todos os tempos. Aí não tem discussão, né?
J: Ai, meu deus….

(continua em um post futuro)

Coisas que eu acho que acho:

– Excelente a iniciativa do SporTV de exibir reprise do jogo que colocou Gustavo Kuerten como número 1 do mundo. É ótimo para mostrar à geração que começou a ver tênis com Federer e Nadal como um brasileiro terminou uma temporada no topo do ranking. Para os fãs mais velhos, é uma chance de matar a saudade.

– O canal tem essa partida arquivada há 15 anos e precisou esperar Guga se tornar funcionário das Organizações Globo para exibi-las. Uma ótima ideia seria mostrar outras vitórias clássicas do tricampeão de Roland Garros. Que tal uma por mês? Grade é o que não falta. Seria bom aproveitar enquanto Guga está sob contrato…


Wawrinka, um marawilhoso wilão
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Wawrinka_RG_F_trophy_get_blog

Woilà! À wossa vista, um humilde weterano do Waudewille, escalado
para os papéis de wítima e wilão pelas wicissitudes do destino.

Era para ser o ano de Novak Djokovic. Rafael Nadal wiweu seu pior momento no saibro e tombou antes da hora. Andy Murray, outro perigoso nome, traçawa caminho diferente. Cabia ao sérwio, número 1 do mundo, inwicto há 28 jogos e faworitíssimo desde o desenho das chawes, conquistar o que parecia seu de direito. Após seis reweses diante de Nadal e um nas mãos de Federer (talwez o mais doído), Nole parecia firme em sua missão de cumprir o destino e conquistar o Career Slam em 2015 – especialmente depois de derrubar o brawo britânico.

Faltawa apenas um obstáculo para o último grande triunfo de Djokovic. Do outro lado da rede estaria Stan Wawrinka, o catiwante suíço que passou a maior parte da carreira no papel de coadjuwante. “O suíço que perde”, diziam alguns. A werdade, contudo, é que Stan sempre tewe tênis para mais, mas quase sempre tropeçou nas oscilações inerentes a seu jogo de alto risco. E, se não estewe mais cotado ao título no saibro de Paris este ano, é porque quase sempre, como os melhores wilões hollywoodianos, logo depois de mostrar seu poder de destruição ao herói, acaba wendo seu plano ruir de forma espetacular.

Todo bom wilão também é catiwante. Quanto tudo dá certo para Stan, saques, forehands e – principalmente – backhands são hipnotizantes. A plateia se apaixona e, como neste domingo em Roland Garros, se entrega de corpo e alma. E foi este o roteiro que se desenrolou sob o sol de Paris. Enquanto Djokovic apostawa em seu jogo de riscos calculados, como sempre fez diante do suíço, Wawrinka mostrou a habitual coragem de colocar todas fichas na mesa. Despachou direitas e esquerdas para todos os lados, de todos locais da quadra, em todos ângulos imagináweis – e até um inimagináwel (weja no wídeo).

Assim, enquanto a partida se desenrolawa e mudawa de direção, o público francês se derretia de amores ao homem que estragawa o que seria um feito fantástico para o número 1 do mundo. Forehands e backhands woawam welocíssimos e inalcancáweis até para o elástico Djokovic. Houwe wacilos aqui e ali, como sempre, mas Wawrinka compensawa com mais um lance de cair o queixo. Até que um backhand na paralela – um dos mais banais do domingo – colocou um ponto final na witória do wilão. Game, set, match: 4/6, 6/4, 6/3 e 6/4.

Houwe aplausos. Uma longa e linda owação para o herói sérwio derrotado. Djokovic, segurando as lágrimas, ganhou um raro reconhecimento do público parisiense. A festa, contudo, era do wencedor do dia, o homem que fez waler o preço do ingresso. Das mãos de Gustavo Kuerten, um wilão 15 anos atrás para seu atual treinador, Magnus Norman, Stan recebeu seu troféu. E, com o mocinho abatido ao lado, Wawrinka, o marawilhoso wilão, wiweu seu dia de Keiser Soze.

Werdade se diga, esta werborreica werbosidade wai já muito werbosa.

Wawrinka_RG_F_trophy_reu_blog

Coisas que eu acho que acho:

– Wawrinka foi tão mágico que fez esses shorts ganharem Roland Garros.

– Concordo com o Edgar:

– Até o “coisas que acho que acho”, sem os trechos em itálico (traduzidos do filme “V de Vingança”), o post acima usa a letra “W” 60 vezes. Uma para cada winner de Wawrinka na espetacular vitória deste domingo.

– A estatúpida do dia, repetida até a exaustão nas redes sociais: todos tenistas que derrotaram Nadal em Roland Garros foram derrotados por suíços na final.

– Nos últimos cinco anos, Stan Wawrinka é o suíço com mais títulos de Grand Slam. Venceu dois, somando também o Australian Open de 2014. Roger Federer foi campeão de um Major pela última vez em Wimbledon/2012.


Teliana atira raquete sem querer e é desclassificada
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Todo tenista tem um momento bisonho de sua carreira pra contar – e até se arrepender. Neste sábado, aconteceu com Teliana Pereira no ITF de Saint-Gaudens, na França (torneio com premiação de US$ 50 mil). A número 1 do Brasil e 77 do mundo havia acabado de perder o primeiro set para a eslovaca Jana Cepelova por 7/6(5) quando resolveu isolar uma bolinha. A raquete escapou de sua mão e foi parar no público. Declassificação imediata. Veja no vídeo abaixo.

Teliana Pereira era a cabeça de chave número 1 do torneio francês. Cepelova, oitava pré-classificada, avançou às semifinais do torneio e vai enfrentar a bielorrussa Aliaksandra Sasnovich. A outra semi tem a polonesa Magda Linette e a espanhola Maria Teresa Torro-Flor.

Aconteceu com Guga

Nem tanta gente lembra, mas algo não muito diferente aconteceu com Gustavo Kuerten em Roland Garros/1998. E em situação semelhante: depois de perder o primeiro set por 7/6. O catarinense, que fazia dupla com Fernando Meligeni, foi desclassificado nas quartas de final, em jogo contra Patrick Rafter e Jonas Bjorkman. O trecho é relatado por Guga em sua biografia:

“Olhei para as minhas coisas no banco, que estavam no outro lado da quadra, e com toda a frustração, atirei a raquete mirando nelas. Em vez de ir em linha reta, ela subiu. Para piorar, pegaria em cheio no juiz se ele não desviasse. Foi um arremesso tão forte que a raquete foi parar na arquibancada. Meu corpo virou um liquidificador de emoções, misturando raivas pelas interferências do juiz, frustração, desilusão, desconforto, constrangimento, vergonha. Eu queria sair da quadra correndo.”

(texto a seguir incluído às 20h30min de sábado)

Teliana fala

Recebi da assessoria de imprensa uma declaração de Teliana sobre o episódio. Ele segue abaixo, publicado na íntegra.

“Estou muito chateada, foi triste o que aconteceu hoje em Saint Gaudens. Em um momento de frustração joguei a bola contra a tela, a raquete escapou da minha mão e parou na arquibancada. Por sorte pegou apenas de raspão em uma pessoa e não a feriu mas acabei desclassificada. É a regra. Nunca tive a intenção de jogar a raquete em alguém e nem costumo joga-lá na quadra. Na hora fui me desculpar com a senhora atingida. Ela trabalha no torneio, um dos que eu mais me sinto em casa e me tratam como se fosse uma local. Eles todos me apoiaram e entenderam que não foi intencional. Ficaram tão arrasados quanto eu. Não tenho o que dizer. Apenas pedir desculpas e seguir em frente e crescer com o aprendizado. Obrigada a todos pelo apoio. Amanhã foco total em Roland Garros que começa na quarta feira.”


Mais curtinhas cariocas
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

O domingo de Carnaval marcou o segundo dia do quali no Rio Open. Com céu nublado, mas ainda com muito calor, o torneio definiu suas chaves e já tem quase todos tenistas treinando nas quadras do Jockey Club carioca. Enquanto preparo umas entrevistas legais para o decorrer da semana, deixo aqui algumas notas curtinhas sobre o que aconteceu de interessante neste domingo.

Nadal_Ferrer_Sapucai_agif_blog

– Fabiano de Paula esteve perto de protagonizar o melhor momento do domingo no Jockey Club. Número 281 do mundo, o carioca-nascido-na-Rocinha (parece impossível ler o nome de Fabiano sem uma menção à favela) venceu o primeiro set e esteve a dois pontos (duas vezes) de alcançar a chave principal. No segundo set, sacou para o jogo e foi quebrado. Então foi ao banheiro, passou lá uns bons dez minutos e voltou com a cara de quem não aguentaria mais cinco minutos jogando no calor absurdo do verão carioca. Mas resistiu até o fim e até quebrou o serviço do italiano Marco Cecchinato, que sacou em 6/5. No tie-break do terceiro set, Fabiano teve 5/4, mas Cecchinato ganhou os dois pontos em seu saque e converteu o primeiro match point: 4/6, 7/6(2), 7/6(5).

– Christian Lindell, um dos dois brasileiros na segunda rodada do qualifying do Rio Open, não estava nada satisfeito com seu tênis na partida contra Facundo Arguello (que venceu por 6/1 e 6/3). Logo depois de ter o serviço quebrado no segundo set, o sueco-carioca-criado-na-Barra-da-Tijuca não parava de dizer para si mesmo frases como “não mereço estar aqui jogando assim” ou “deveria estar jogando future”. Mesmo quando Arguello jogou um game ruim e lhe deu dois break points. Lindell não conseguiu aproveitar as chances de quebra e acabou eliminado.

– Com o fim do Brasil Open, em São Paulo, o Jockey Club Brasileiro vai ganhando mais caras conhecidas. O italiano Fabio Fognini chegou desfilando simpatia – é sério. À vontade nas instalações do torneio, posou para fotos e deu autógrafos de montão aos sócios do clube (que têm acesso privilegiado e circulam livremente pela área interna do torneio, onde jogadores e jornalistas também caminham).

– Quem também chegou foi Marcelo Melo, depois de pagar R$ 700 na passagem aérea São Paulo-Rio só de ida. Enquanto Bruno Soares e Alexander Peya batiam bola na quadra 1, o Girafa fazia seu primeiro treino na Cidade Maravilhosa com muito vento e ameaça de chuva (que caiu muito forte pouco depois). Sacou, voleou e fez suas costumeiras brincadeiras com o irmão e técnico Daniel Melo.

– Aconteceu no hotel de Rafael Nadal no Rio de Janeiro. Um comentarista de TV estava no saguão quando o ex-número 1 do mundo passou por lá e foi logo assediado por pessoas que pediam fotos. O último desses fãs estava bem ao lado do comentarista. Logo após o clique, Nadal virou-se para o atento (e muito próximo) comentarista e, antes de ir embora perguntou: “foto?” O profissional de TV respondeu sem pensar: “No, gracias.”

– Nadal, aliás, não estava nada satisfeito com seu tênis no treino da manhã, com Tommy Robredo. O cabeça de chave 1 resmungou, esbravejou e, na saída tumultuada, ainda viu uma senhora de 53 anos cair no chão e se machucar. João Victor Araripe estava por perto e relatou o incidente, junto com a simpática reação do tenista.

– O eneacampeão (nove vezes) de Roland Garros estava alegre mesmo na Sapucaí, onde desfilou na Viradouro ao lado de David Ferrer e Gustavo Kuerten. O diretor do torneio, Lui Carvalho, também caiu na folia. Colocar dois tenistas sisudões no Carnaval carioca foi uma inteligente ação da organização do torneio.

– Os melhores e mais interessantes jogos de primeira rodada ficaram quase todos para terça-feira (ou quarta?). Nadal x Bellucci, Teliana x Errani, Almagro x Cuevas, Feijão x Arguello, Giraldo x Mónaco… Nenhum desses será no primeiro dia do Rio Open. Nesta segunda, os destaques da programação ficam por conta de Robredo x Ymer e De Bakker x Clezar. São as duas partidas da rodada noturna. De dia, nas quadras menores, vale conferir as duplas. Tem Almagro/Fognini x Barlocq/Mayer na Quadra 1, que também recebe Sá/Feijão x Máximo González/Mónaco. A quadra 3 também tem De Paula/Demoliner x Klizan/Oswald. A programação está aqui.