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O ranking do saibro
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Alexandre Cossenza

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O tênis de hoje é tão monocromático – não no sentido literal, por favor! – que anda difícil ganhar a vida jogando só no saibro. Por isso, sempre vemos alguns tenistas de ranking inferior surpreendendo na temporada europeia da terra batida. Por isso, adotei alguns anos atrás o hábito de somar os pontos apenas desta parte do calendário e criar um ranking pré-Roland Garros. Nem tanto como referência para apontar favoritos ao Grand Slam francês, mas para “isolar” os resultados e ver quem somou mais do que seu ranking costumeiro.

O primeiro ponto a notar é a pontuação de Rafael Nadal, o líder da lista. Para quem já somou mais de três mil pontos antes de Roland Garros, os 1.870 deste ano são um número quase terráqueo. Novak Djokovic, que somou 510 a menos, o fez em apenas dois torneios. O destaque do top 5, contudo, é o japonês Kei Nishikori, que fez só dois torneios: foi campeão em Barcelona e vice em Madri, onde sofreu com dores nas costas quando estava perto de derrotar Nadal. Nishikori já não havia disputado Monte Carlo por causa de uma lesão na virilha, e problemas físicos não são novidade em sua carreira. Embora tenha mostrado altíssimo nível no saibro até agora, parece uma aposta arriscada em melhor de cinco sets. Mas eu divago.

Voltemos, então, à lista. Muito do sucesso de alguns vem de um calendário condizente com o ranking e a capacidade do tenista. É o caso de Grigor Dimitrov. Com seu ranking, o búlgaro poderia ter ficado no básico Monte Carlo-Madri-Roma, mas Baby Fed viajou até Bucareste e foi recompensado. Ganhou o torneio, faturou 250 pontos, e adquiriu ritmo e confiança. Só perdeu para Berdych, em Madri, e Nadal, em Roma. Uma belíssima campanha.

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Foi também o caso de Guillermo García-López, que começou em Casablanca, onde foi campeão. De lá, saiu cheio de moral para Monte Carlo, onde eliminou Dolgopolov, Berdych e deu uma canseira em Djokovic (no jogo seguinte, o sérvio teve dores no braço e ficou em quadra no segundo set sem condições de jogo) nas quartas de final. Somou 475 pontos no piso.

Montar bem um calendário não é a solução para tudo. É preciso jogar bem e aproveitar chances. Foi o que fez o colombiano Santiago Giraldo, que não estava sequer entre os 80 do mundo no começo do tour do saibro. Fez uma semi em Houston, um vice em Barcelona, furou o quali e foi às quartas em Madri e abandonou seu jogo de primeira rodada em Roma, onde também disputou o quali. Uma sequência exaustiva, mas que incluiu vitórias sobre Robredo, Fognini, Kohlschreiber, Almagro, Hewitt, Tsonga e Murray. Foi o número 9 no ranking do saibro e subiu para 34º na lista da ATP. Os 580 pontos que somou na terra batida são mais da metade de seu ranking total!

Ficou curioso? Aqui estão os 30 primeiros e suas respectivas pontuações:

1. Rafael Nadal – 1870
2. Novak Djokovic – 1360
3. Stanislas Wawrinka – 1100
3. Kei Nishikori – 1100
5. David Ferrer – 900
6. Grigor Dimitrov – 790
7. Milos Raonic – 675
8. Roger Federer – 610
9. Santiago Giraldo – 580
10. Tomas Berdych – 510
11. Guilermo García-López – 475
12. Ernests Gulbis – 460
13. Roberto Bautista Agut – 435
14. Fernando Verdasco – 350
15. Jo-Wilfried Tsonga – 315
15. Nicolás Almagro – 315
17. Lukas Rosol – 295
18. Carlos Berlocq – 290
19. Tommy Haas – 280
20. Jeremy Chardy – 270
20. Marin Cilic – 270
20. Martin Klizan – 270
20. Andy Murray – 270
24. Marcel Granollers – 260
24. Fabio Fognini – 260
26. Philipp Kohlschreiber – 235
27. Feliciano López – 230
28. Tommy Robredo – 190
29. Pablo Carreno Busta – 175
29. Jurgen Melzer – 175

Sobre o ranking, faço algumas ressalvas. A temporada em questão leva o nome de “europeia”, mas inclui Houston e Casablanca, que fazem parte da soma acima. Além disso, tomei a liberdade de ignorar os pontos somados em qualifyings. Iriam tomar muito do meu tempo e teriam pequena relevância. A quem interessar, a planilha completa, com os pontos de todos torneios, está neste link.


Quando a rede ajuda
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Alexandre Cossenza

Era a primeira rodada do Masters 1.000 de Miami, e o colombiano Santiago Giraldo havia vencido o primeiro set sem dificuldades: 6/1. O segundo, contudo, foi de Marcos Baghdatis: 6/2. Quando a parcial decisiva começou em um game equilibrado, a sorte deu uma forcinha ao cipriota. Olha só o que aconteceu…

No fim das contas, Baghdatis venceu por 7/5 e passou à segunda rodada para enfrentar o alemão Philipp Kohlschreiber, cabeça de chave 24.


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