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Rio Open, dia 3: susto de Melo, sonho de Guga e Fognini ‘atirador de facas’
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Alexandre Cossenza

Não foi um dia de resultados espantosos ou partidas especialmente atraentes no Rio Open, mas sobrou assunto interessante. Desde a coletiva de Gustavo Kuerten, que disse que não faz mal sonhar com o Rio Open se tornando um Masters 1000, incluindo o papo com João Zwetsch, que falou sobre a necessidade de Thomaz Bellucci ser mais consistente, até as críticas “britânicas” de Jamie Murray sobre as bolas usadas no Rio Open.

A quarta-feira também teve um pequeno susto de Marcelo Melo na primeira rodada da chave de duplas e o momento “atirador de facas” de Fabio Fognini, que deixou sua raquete presa na lona do fundo de quadra (vídeo abaixo).

Marcelo Melo e Lukasz Kubot fazem ‘adicional noturno’

Era para ser uma vitória sem drama e foi assim durante um set. No início da segunda parcial, contudo, Marcelo Melo e Lukasz Kubot vacilaram e deixaram Feijão e Fabricio Neis abrirem 5/1. Melo e Kubot viraram, mas perderam o saque de novo no 12º game e só conseguiram fechar no tie-break: 6/1 e 7/6(4).

Após a partida, brasileiro e polonês foram direto para uma das quadras de treino, onde ficaram por cerca de mais uma hora. Depois, na zona mista, falaram sobre a complicada adaptação às condições locais. Os dois chegaram de Roterdã, onde jogaram em quadra dura coberta. Sobre o adicional noturno, Melo disse que “quando as coisas não saem tão bem, é bom sempre bater uma bola depois para dar uma soltada, uma relaxada, sacar tranquilo e saber que naqueles momentos que são nervosos, a gente pode jogar tranquilo. Por isso que a gente vai bater depois. Para ir para o hotel mais tranquilo.”

Bruno Soares e Jamie Murray: sem drama e (quase) sem queixas

Cabeças de chave #1, Bruno Soares e Jamie Murray venceram sem tanto drama: 6/4 e 6/2 sobre o gaúcho Marcelo Demoliner e o neozelandês Marcus Daniell. Os dois saíram contentes com a atuação e Bruno até evitou fazer a queixa anual sobre as bolas usadas no Rio Open. O mineiro sempre falou que elas são muito duras e difíceis de controlar.

Pedi, então, a opinião de Jamie, que fez sua crítica, mas de uma maneira bastante polida. O escocês disse que as condições mudaram um pouco porque a quarta-feira foi um pouco menos quente do que os últimos dias. Por isso, não sentiu as bolas voando como antes. Com as bolas voando, “é difícil controlar os voleios e quando os caras batem forte contra você, o que acontece muito nas duplas, não é tão fácil controlar a bola.” Murray disse também, de um jeito bem britânico, que “cada [tenista] tem suas condições ideais. Não acho que muitas pessoas escolheriam essas condições, mas é assim que é.”

Guga vê Rio Open na quadra dura como Masters 1000 e talvez no lugar de Miami

Gustavo Kuerten esteve no Jockey Club Brasileiro nesta quarta-feira e concedeu uma entrevista coletiva de meia hora. A parte que mais me interessou foi sua opinião sobre a mudança de piso do Rio Open. Ano passado, o torneio pediu a alteração junto à ATP, que não aprovou o evento em quadras duras. Guga concorda com o diretor do torneio, Lui Carvalho, ao afirmar que imagina o torneio em um patamar mais alto se disputado no piso sintético.

“Tem um Parque Olímpico pronto aqui do lado, na esquina. É muito provocativo isso. Acima de identidade e do que é melhor para os [tenistas] brasileiros. De repente, o que é melhor para os brasileiros hoje pode ser diferente daqui a dez anos. O circuito também é em quadra dura. Eu consigo visualizar, pela dimensão que é a estrutura do Parque Olímpico, indo para lá, em quadra dura, como um Masters 1.000. Seria e é um sonho interessante de cultivar.” … “E se precisar ser em quadra dura para trazer bons jogadores e o torneio tem sucesso, precisa ser feito. O resto vai se adequando.”

Indagado se concorda que a mudança é necessária para que se alcance um outro nível, Guga deu (mais) uma resposta politicamente correta.

“Porque não consigo visualizar esse torneio dentro da turnê da Europa. Não tinha como tirar [os tenistas] do meio do circuito europeu para eles virem para cá. Então só consigo imaginar entre Miami e Indian Wells. Talvez com o torneio de Miami vindo para cá daqui a uns 15 aninhos. Eles estão meio defasados na estrutura lá. Aqui tem um Centro Olímpico (risos).” … “Hoje, pensar nisso é quase que uma perda de tempo, mas sonhar com isso é bom também. Tem que continuar cultivando esse sonho e esperar o momento de conseguir visualizar com mais veracidade essa hipótese.”

Ao fim da coletiva, Guga mostrou aos jornalistas o primeiro exemplar do livro de fotos “Guga Imagens De Uma Vida”, produzido pela Editora Magma. Durante o Rio Open, a publicação estará disponível com exclusividade na Livraria da Travessa do Shopping Leblon. Quem quiser também pode adquiri-lo na loja virtual da Editora Magma por R$ 149,00.

Zwetsch e a (in)consistência de Bellucci

João Zwetsch, capitão brasileiro na Copa Davis e técnico de Thomaz Bellucci, falou com um grupo de jornalistas brasileiros nesta quarta-feira e respondeu algumas perguntas sobre seu tenista e o duelo com Thiago Monteiro. Perguntei sobre como Bellucci foi mais consistente e paciente contra Nishikori e o que era possível fazer para convencer o paulista a jogar assim com mais frequência, já que Bellucci assumidamente não gosta de atuar dessa maneira. O gaúcho disse que esse é o grande objetivo para 2017:

“Eu sempre falo isso para ele. Eu sempre tive esse conceito. O Thomaz é um cara forte. Quando ele está com condições de atuar como pode atuar, ele pode ganhar de um Nishikori como ele ganhou ontem sem jogar uma grande partida. Para mim, ele não jogou uma grande partida. Ele jogou correto.” … “Essa é a nossa busca maior. Fazer com que ele tenha consistência em cima disso. Uma vitória dessa sempre dá uma crença maior no nosso caminho. Espero que a gente possa seguir assim para que ele tenha um ano com a qualidade que pode ter. E que este ano sirva para criar uma estrutura de consistência, que é o que todo mundo espera de um jogador com o nível do Thomaz.”

Mais tarde, diante de uma pergunta sobre os objetivos para a temporada, disse:

“Acho que este ano é um ano para ambicionar, acima de tudo, essa questão levantada antes, que é uma forma consistente de jogar.” … “Para jogadores como ele, que são muito agressivos e assumem muito o risco, isso é fundamental. Não dá para perder o senso de controle de ‘como eu estou”, “onde eu estou”. Às vezes, dar um winner é coisa mais necessária no momento, mas se o jogador não está se sentindo tão à vontade para isso, talvez jogar duas bolas ou três a mais, mover o adversário, possa resolver o problema também. Essa leitura melhor, mais constantemente clara na frente dele, sem dúvida vai fazer diferença para ele. Foi o que ele fez ontem [contra Nishikori]. Em muitos momentos do jogo, ainda passou um pouquinho da conta, mas isso vai acontecer. Ele é extremamente agressivo. Às vezes, bota umas bolas que saem um pouco mais porque (risos) não pega na veia e quando pega não tão na veia ela vai lá no… (risos) Mas eu prefiro isso do que o lado onde a limitação é maior e ele fica menos competitivo.”

Fognini, o atirador de facas

Sabe aquele cara mestre em atirar facas e fazer com que elas sempre atinjam o alvo com a lâmina? Pois é, Fabio Fognini fez algo parecido nesta quarta-feira. Atirou a raquete contra a lona do fundo de quadra e viu seu instrumento de trabalho fazer um furo no tecido e ficar preso, pendurado.

O italiano acabou derrotado por Albert Ramos Viñolas por 6/2 e 6/3. O espanhol avançou às quartas de final para enfrentar o qualifier argentino Nicolas Kicker.

Thiem e a chave favorável

Principal cabeça de chave do torneio após a queda de Kei Nishikori, Dominic Thiem voltou a vencer a garantiu seu lugar nas quartas de final do Rio Open. Com o triunfo por 6/2 e 7/5 sobre Dusan Lajovic, o top 10 austríaco agora vai enfrentar o argentino Diego Schwartzman (#51). Thiem é favoritíssimo e será também se avançar às semifinais, afinal enfrentará o vencedor do jogo entre o qualifier Nicolas Kicker (#123) e o espanhol Albert Ramos Viñolas (#25).

O austríaco, aliás, é mais um descontente com as bolas da Head usadas no Rio de Janeiro. Assim como Jamie, Thiem disse que as condições estavam mais lentas na noite de hoje, mas reforçou que isso nada tinha a ver com as bolas. “A bola não muda. Se está um pouco mais lento e úmido, a bola não quica tão alto e não fica tão rápida, e é mais fácil de controlar. Se as condições forem como hoje, é mais fácil jogar.” A previsão, no entanto, é de dias mais quentes até domingo. Ou seja, bolas voando por toda parte.

O melhor da quinta-feira

Como era de se esperar, Thomaz Bellucci e Thiago Monteiro fazem o jogo mais esperado, fechando a programação da quadra central. Marcelo Melo e Bruno Soares, mais uma vez, estão escalados para a Quadra 1.

Vale lembrar: foi estabelecido antes do início do torneio que apenas a final de duplas será jogada na quadra central. Nas primeiras edições do torneio, até houve polêmica as duplas ficando fora da maior arena do Rio Open, mas com o tempo organizadores e atletas chegaram a um consenso de que seria melhor ter a modalidade na Quadra 1, menor e mais aconchegante.


Wimbledon, dia 5: chuva salva Djokovic, Serena escapa e Del Potro sorri
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Alexandre Cossenza

Novak Djokovic foi salvo pelos céus, Serena Williams esteve a dois games da eliminação, Juan Martín del Potro fez um retorno triunfal à Quadra Central e bateu Stan Wawrinka, Fabio Fognini esteve envolvido em mais um barraco, e Dustin Brown fez o ponto do dia. Tudo isso aconteceu com seguidas paralisações por causa da chuva. Uma delas, inclusive, veio em um momento desagradável para Venus Williams. O resumaço do dia traz tudo isso, inclusive a lista de jogos interrompidos e adiados.

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Salvo pelos céus

Novak Djokovic foi inegavelmente beneficiado nesta sexta-feira. Vivendo um dia estranho e mostrando pouca energia enquanto Sam Querrey jogava um tênis espetacular, o número 1 do mundo deve ter agradecido aos céus quando a chuva apareceu pela enésima vez no dia, pouco depois das 20h locais, e fez o duelo ser suspenso. O placar mostrava 7/6(6) e 6/1 para o americano no momento.

Menos de 20 minutos depois da interrupção, a organização de Wimbledon determinou que a partida só continuaria no sábado. Querrey terá a noite inteira para pensar na possibilidade de derrubar o número 1, configurando a maior zebra de Wimbledon em 2016 e fazendo o que ninguém fez nos últimos quatro Slams. Se isso vai fazer bem ao americano, só a continuação da partida vai dizer. O fato é que Nole precisará vencer três sets e não terá margem nenhuma para engasgar.

O susto

Tudo bem, Serena Williams não esteve tão perto assim de dar adeus, mas nunca é confortável ver o placar em 4/4 no terceiro set já na segunda rodada de um Slam. O dia foi tão ruim para a número 1 do mundo que o jogo ficou duro contra uma oponente dona de um saque vulnerável e sem nenhum golpe dominante. Ainda assim, Christina McHale (#65) faz o possível e só não fez mais porque ser serviço não deixou. Teve game point para 5/4 e pressionar Serena no terceiro set, mas cometeu uma dupla falta que pesou um bocado. Acabou sucumbindo por 6/7(7), 6/2 e 6/4 em 2h29min de jogo.

Ainda é cedo, e a atual campeã só fez duas partidas, mas a atuação desta sexta-feira foi preocupante, com 40 erros não forçados. Sorte que margem para erro era enorme. E os 14 aces também ajudaram a compensar o (muito) que faltou.

O favorito tranquilo

Enquanto Djokovic sofria na Quadra 1, Roger Federer (#3) passeava sob o teto retrátil da Quadra Central. O suíço teve pouco trabalho diante do britânico Daniel Evans (#91) e avançou ao fazer 6/4, 6/2 e 6/2.

O jogo mais esperado

O grande duelo do dia também foi o que terminou com as cenas mais bacanas. Juan Martín del Potro (#165) sorrindo, comemorando e aplaudido de pé na Quadra Central após derrotar Stan Wawrinka (#5) por 3/6, 6/3, 7/6(2) e 6/3. Não que seja uma zebraça. Talvez nem mesmo uma zebrinha. É que, depois de três cirurgias, ver Del Potro derrotando um top 5 na meca do tênis é de fazer qualquer um abrir um sorriso. Até Ivan Lendl deve ter movimentado os lábios em meio milímetro.

Quanto ao jogo, a maior deficiência de Del Potro hoje em dia, o top spin de backhand (o argentino teve uma lesão séria punho esquerdo), acabou sendo uma vantagem contra Wawrinka. O campeão do US Open de 2009 apostou em slices cruzados que, na grama, complicaram muito a vida do suíço, dono de um backhand de uma mão e de preparação longa. Foi como se Del Potro desafiasse, a cada golpe, Wawrinka a arriscar uma paralela. As porcentagens sempre estiveram a favor do argentino.

A eliminação de Wawrinka, combinada com a derrota de Dominic Thiem na quinta-feira, faz com que o principal cabeça de chave dessa seção passe a ser Tomas Berdych, que vai encarar Zverev ou Youzhny na terceira rodada. O tcheco, aliás, pode encontrar Del Potro nas quartas. O “campeão” desse grupo vai enfrentar nas semifinais o vencedor do setor encabeçado por Andy Murray.

O barraco

Fabio Fognini perdeu e houve barraco. Qual é a novidade, você pergunta? A novidade é que quem saiu reclamando foi Feliciano López, chamou alguém (aparentemente no grupo de Fognini) de sujo. “[Você] é o mais sujo que vi em 20 anos de carreira. És um sujo. Porque isso não se faz…”

Feliciano anda tentou cumprimentar Fognini depois disso tudo, mas o italiano não quis muita conversa.

O placar final mostrou 3/6, 6/7(5), 6/3, 6/3 e 6/3 para o espanhol, que vai enfrentar Nick Kyrgios em busca de uma vaga nas oitavas de final em Wimbledon.

Correndo por fora

Venus Williams (#8), que fez uma partida de três sets ontem nas simples e jogou mais dois sets nas duplas, precisou de mais três sets nesta sexta-feira para avançar. A americana fez 7/5, 4/6 e 10/8 sobre a russa Daria Kasatkina (#33) em uma partida que só acabou depois de uma inusitada interrupção por chuva. Os pingos caíram quando a russa se preparava para sacar enfrentando o segundo match point de Venus…

Como ela mesma disse, foram quase 7h de tênis nas últimas 24h, mas com o intervalo (pelo menos nas simples) até segunda-feira, Venus terá tempo para se recuperar fisicamente em uma chave bastante acessível, ainda mais após a queda de Muguruza. Ela encara Carla Suárez Navarro nas oitavas e, se chegar às quartas, pega quem sair do grupo entre Lisicki, Shvedova, Safarova e Cepelova.

Quem está bem na chave masculina é Tomas Berdych (#9), que bateu Benjamin Becker (#102) em três rápidos sets (quer dizer, teriam sido rápidos sem interrupção por chuva): 6/4, 6/1 e 6/2. O tcheco, classificado para a terceira rodada, vai encarar Youzhny ou Zverev e será favorito até a semifinal, já que Wawrinka tombou nesta sexta e Thiem já tinha se despedido. Será, então, que Berdych consegue confirmar o status em uma chave que ficou esburacada?

O brasileiro

Chuva vem, chuva vai, mas Marcelo Melo e Ivan Dodig finalmente conseguiram fazer sua estreia em Wimbledon. Eles derrotaram Paul-Henri Mathieu e Benoit Paire por 6/2 e 6/3, sem grande drama, e vão encarar González e Lipsky na segunda rodada, que, excepcionalmente, também será jogada em melhor de três sets. Sim, as duplas sofrem mais quando chove.

Jogos cancelados

Com tanto mau tempo, a organização precisou cancelar mais jogos, como Raonic x Sock, Halep x Bertens, Goffin x Istomin, Safarova x Cepelova, Kerber x Witthoeft, Keys x Cornet, Doi x Friedsam e Lisicki x Shvedova. Todos eles valiam pela terceira rodada do torneio.

A lista de partidas que começaram e foram interrompidas tem, além de Djokovic x Querrey, Makarova x Kvitova (7/5 para a russa), Cilic x Lacko (croata tem 2 sets a 0), Johnson x Dimitrov (4/3 no primeiro set), Zverev x Youzhny (2/1 no quinto set), Stephens x Minella (3/3 no terceiro set), Niculescu x Bacsinszky (1/0 para a romena no terceiro set) e Mahut x Herbert (dois sets a zero para Mahut).

Jogos no domingo

Tradicionalmente, o primeiro domingo de Wimbledon, chamado por lá de Middle Sunday, é dia de descanso. Só que este ano, com tantos jogos por fazer (ainda há várias partidas de segunda rodada incompletas), a organização já anunciou que colocará jogadores no domingão.

Os melhores lances

Daria para escolher uma meia dúzia de lances do duelo entre Dustin Brown (#85) e Nick Kyrgios (#18), mas acho que esse ponto aqui foi imbatível. E Kyrgios venceu a partida, mas só depois de cinco sets: 6/7(3), 6/1, 2/6, 6/4 e 6/4.


Semana 23: retornos de Federer e Lendl, Sharapova suspensa e Thiem campeão
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Alexandre Cossenza

Roger Federer voltou, mas Rafael Nadal desistiu de Wimbledon. Andy Murray anunciou o retorno da parceria com Ivan Lendl, enquanto Maria Sharapova foi condenada a dois anos de suspensão por doping. Enquanto isso, a temporada de grama começou com torneios pequenos, mas alguns resultados já bastante interessantes. Vamos lembrar o que rolou?

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Os campeões

No ATP 250 de Stuttgart, que só terminou nesta segunda-feira por causa da chuva, o título é de Dominic Thiem, o rei dos 250. Depois de salvar dois match points e bater Roger Federer na semifinal, o austríaco selou a conquista com vitória de virada sobre Philipp Kohlschreiber: 6/7(2), 6/4 e 6/4.

O talentoso jovem de 22 anos, atual número 7 do mundo, é quem mais venceu jogos em 2016. Até agora, são 45 vitórias na temporada. Trata-se de um raro caso de tenista top 10 com calendário de #50 do mundo, jogando uma semana após a outra. Thiem, aliás, não soma ponto nenhum com o título deste fim de semana, já que possui quatro conquistas em ATPs 250 em sua somatória atual. Stuttgart só vai contar alguma coisa no fim de julho, quando caírem os pontos de Umag (isso se Thiem não decidir jogar mais uma vez o ATP croata!).

Com seu primeiro título na grama, Thiem, que só teve três semanas de folga em 2016 (vide tuíte acima), agora entra na pequena lista de nove tenistas que venceram torneios nos três pisos (dura, saibro e grama) na mesma temporada. Este ano, o austríaco já foi campeão em Buenos Aires (saibro), Acapulco (dura), Nice (saibro) e, agora, Stuttgart (grama).

Em ’s-Hertogenbosch, Nicolas Mahut foi campeão pela terceira vez, completando nesta segunda-feira a vitória sobre Gilles Muller por 6/4 e 6/4. O francês de 34 anos, que perdeu a liderança do ranking de duplas, também venceu o torneio de grama holandês em 2013 e 2015.

As campeãs

No WTA International de Nottingham, a tcheca Karolina Pliskova, cabeça de chave 1, levantou o troféu depois de derrotar Alison Riske por 7/6(8) e 7/5. No primeiro set, Pliskova teve de salvar seis set points – três deles no tie-break. Aliás, tie-breaks não faltaram na semana. Foram quatro deles em cinco jogos, e a tcheca venceu três.

Em ’s-Hertogenbosch, outro WTA International, a americana CoCo Vandeweghe bateu a francesa Kristina Mladenovic na final por 7/5 e 7/5 e conquistou o título. Foi sua segunda conquista no torneio holandês, que venceu também em 2014, quando não perdeu nenhum set.

Não foi um torneio bom para as favoritas. A cabeça 1, Belinda Bencic, foi superada por Mladenovic nas semifinais, enquanto a segunda pré-classificada, Jelena Jankovic, foi eliminada na segunda rodada pela russa Evgeniya Rodina.

O retorno

As atuações mais aguardadas da semana foram de Roger Federer, que fez seu retorno às quadras. O suíço, que pouco jogou desde que uma cirurgia no joelho depois do Australian Open, apareceu em Stuttgart fora de forma e foi eliminado por Dominic Thiem na semifinal, depois de perder dois match points: 3/6, 7/6(7) e 6/4.

Mesmo nos triunfos sobre Taylor Fritz e Florian Mayer, o suíço esteve longe de seu melhor nível. É compreensível para quem vem de problemas físicos, mas não deixa de ser algo preocupante porque é raro ver Federer atravessar um momento assim na temporada de grama.

Se serve de consolo, a participação em Stuttgart colocou Federer como o segundo maior vencedor de jogos no circuito mundial. Ele ultrapassou Ivan Lendl e agora soma 1.072 vitórias. À sua frente, apenas o americano Jimmy Connors, que jogava todo tipo de torneios em sua época e acumulou 1.256 triunfos.

A “re-união”

Andy Murray e Ivan Lendl anunciaram neste domingo que voltarão a trabalhar juntos. A parceria de sucesso, durante a qual o britânico conquistou dois Slams e uma medalha de ouro olímpica, terminou porque Lendl não queria mais passar tanto tempo viajando o circuito. Segundo o comunicado publicado no site do tenista, Lendl passou os últimos dois anos tratando de operações nos quadris e em um cargo no programa de desenvolvimento de jogadores da USTA.

O texto não deixa explícito, sugere que Lendl vai estar em todos os eventos ao lado de Murray (já foi assim na primeira vez) ao dizer que o novo-velho técnico trabalhará junto ao “técnico full-time de Andy, Jamie Delgado”. Ou seja, Delgado estará presente o tempo inteiro, enquanto Lendl fará aparições aqui e ali e estará junto nos períodos de treino. É o que parece.

Os brasileiros

Em Stuttgart, Bruno Soares jogou com o australiano Joh Peers e caiu nas quartas de final, superado por Oliver Marach e Fabrice Martin: 7/5 e 6/4. André Sá e Marcelo Demoliner foram a ’s-Hertogenbosch, na Holanda. O gaúcho, que fez parceria com o americano Nicholas Monroe, não passou da estreia, sendo superado por Gilles Muller e Frederik Nielsen. O mineiro avançou uma rodada ao lado de Chris Guccione, mas os dois perderam nas quartas para Santiago González e Scott Lipsky.

No circuito Challenger, o melhor resultado do Brasil veio com Thiago Monteiro, em Lyon (64 mil euros). Cabeça de chave número 5, Monteiro aproveitou uma chave que perdeu os cabeças 2 e 3 logo na estreia e avançou até a final, ficando com o vice ao ser superado por Steve Darcis: 3/6, 6/2 e 6/0. Feijão também esteve em Lyon e foi eliminado pelo mesmo Darcis, mas nas semifinais: 6/3, 5/7 e 6/4.

Rogerinho, por sua vez, foi a Praga (42.500 euros) e perdeu nas quartas de final. O brasileiro foi superado pelo austríaco Dennis Novak em três sets: 4/6, 6/1 e 7/6(7). Em Moscou (US$ 75 mil), André Ghem perdeu nas oitavas de final para o qualifier sérvio Miki Jankovic por 7/6(12) e 6/4. Guilherme Clezar, por sua vez, foi a Caltanissetta (106.500 euros), na Itália, e não passou da estreia. Caiu diante de Gianluigi Quinzi por 6/2, 1/6 e 7/6(6).

Entre as mulheres, Laura Pigossi jogou o ITF de Minsk (US$ 25 mil) e perdeu na estreia para a ucraniana Olga Ianchuk, cabeça 7, por 6/3, 3/6 e 7/5. Bia Haddad, que abandonou o ITF de Brescia no dia 2 de junho por causa de um misterioso “incômodo físico” (a assessoria não divulgou o motivo) que a fez retornar ao Brasil imediatamente, anunciou no sábado que está de volta aos treinos.

O doping

Outra grande manchete da semana foi o anúncio da suspensão de Maria Sharapova, que pegou dois anos de gancho e está afastada do tênis por dois anos. A tenista russa prometeu recorrer à Corte Arbitral do Esporte (CAS). Na quarta-feira, publiquei aqui mesmo no Saque e Voleio um texto dissecando a decisão do tribunal, que destruiu a defesa da russa. Leia aqui.

Vale também ler o texto da Sheila Vieira, vide tweet abaixo:

A desistência

Não pegou quase ninguém de surpresa, mas não deixa de ser ruim para o circuito. Rafael Nadal, que abandonou Roland Garros depois da segunda rodada por causa de uma lesão no punho, não jogará Wimbledon. O bicampeão do torneio disse que não estará recuperado a tempo de participar do Slam da grama.

Como Nadal já havia dito que sua prioridade este ano seria participar dos Jogos Olímpicos (ele não esteve em Londres 2012 por causa de uma lesão), faz sentido adotar uma postura mais do que cautelosa e pular a temporada de grama. Resta saber se será suficiente para que o espanhol esteja em forma competitiva no Rio. Lesões no punho estão entre as mais delicadas para tenistas.

A briga pelo número 1 nas duplas

Durou pouco o reinado de Nicolas Mahut como duplista número 1 do ranking. Três dias depois de assumir a liderança da lista, o francês já sabia que a posição estava perdida. Com a eliminação de Mahut em ’s-Hertogenbosch, onde jogou ao lado de Bopanna, Jamie Murray voltará à ponta na segunda-feira.

Quando Leander Paes é a vítima

O indiano Leander Paes, que não tem lá muitos amigos no circuito, vem sendo vítima de bullying do compatriota Rohan Bopanna. André Sá, o cúmplice, postou no Twitter uma imagem de Bopanna fingido estar preocupado com sua escolha para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Por estar no top 10, o indiano não só está garantido na competição como, em tese, teria o direito de escolher qualquer parceiro para o torneio olímpico de tênis. Bopanna, portanto, seria a última esperança de Leander Paes para estar nos Jogos Rio 2016. Notem o nome de Paes na manchete do celular. Ô, maldade…

Escrevi “em tese” e “seria” no parágrafo acima porque a federação indiana passou por cima da opção de Bopanna e indicou o nome de Leander Paes, forçando os dois a atuarem juntos. Bopanna não ficou nada contente e escreveu uma carta para a entidade (vide link no tweet abaixo).

Leitura obrigatória

Reportagem publicada no site da Folha de S. Paulo na última quinta-feira. O presidente da CBT Jorge Lacerda, vetou a ex-assessora de Gustavo Kuerten, Diana Gabanyi, de trabalhar nos Jogos Olímpicos Rio 2016. O dirigente escreveu um email ao Comitê atacando a jornalista, dizendo que ela fazia parte de um grupo de oposição que ataca constantemente a CBT. Lacerda também ameaçou não emitir credenciais caso não fosse atendido pelo Comitê. Mesmo depois de dois anos conversando com o Comitê, participando do planejamento para os Jogos e até com salário e data de início acertados, Gabanyi não foi contratada.

O próprio Guga tentou agir em nome de sua ex-assessora, entrando em contato com a Federação Internacional de Tênis (ITF). O presidente da entidade, David Haggerty, levou pessoalmente a situação ao presidente do Comitê Rio 2016, Carlos Arthur Nuzman, mas a decisão foi mantida. Leia a reportagem na íntegra.

Para ouvir

Djokovic é puro carisma ou é tudo jogada de marketing? O sérvio vai alcançar as 302 semanas como número 1, atual recorde de Roger Federer? O quanto um domínio como o de Nole faz mal ao tênis? Garbiñe Muguruza mostra mais potencial que nomes como Halep, Bouchard e Bencic? Estas e outras perguntas são respondidas no mais recente episódio do podcast Quadra 18, onde Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu batemos um papo bem humorado sobre tênis. Ouça abaixo.

Fanfarronices publicitárias

Depois de uma foto com Michael Jordan, outra com Stephen Curry e uma aparição na Copa América ao lado de Lewis Hamilton e Justin Bieber, Neymar encontrou casualmente (coincidência, claro) com… Serena Williams.

Always be ready for summer. You never know when. @neymarjr will show up

A photo posted by Serena Williams (@serenawilliams) on

Saiba mais (ou não) nesta lista aqui.

O amor

E já que este domingo foi dia dos namorados aqui no Brasil, que tal encerrar o post com uma imagem dos recém-casados Fabio Fognini e Flavia Pennetta?


RG, dia 3: Kerber cai, Vika se lesiona e Nadal faz lance espetacular
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Alexandre Cossenza

Como a chuva atrapalhou a segunda-feira, sobrou muita gente para jogar nesta terça. A começar por Andy Murray, que precisava terminar sua partida dramática contra Radek Stepanek. O dia também teve Rafael Nadal, Novak Djokovic, Serena Williams, Angelique Kerber, Victoria Azarenka… Enfim, rolou muita coisa, inclusive um par de zebras grandes, um barraco entre Nicolás Almagro e o árbitro brasileiro Carlos Bernardes, vários modelitos originais e um lance espetacular de Rafa Nadal.

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Os favoritos

Andy Murray (#2) completou sua escalada rumo à superfície, mas não sem drama. Depois de fechar o quarto set, o britânico teve chances nos três primeiros games de serviço de Stepanek (#128) na parcial decisiva, mas não conseguiu quebrar. O tcheco, então, esteve a dois pontos da vitória, com Murray sacando em 30/30 e “iguais”. O triunfo do escocês só veio com quatro pontos de graça do adversário no 11º game. E nem assim o drama acabou. Murray ainda cometeu uma dupla falta sacando em 40/30 (match point) antes de fechar a partida em um voleio errado do tcheco. O placar final mostrou 3/6, 3/6, 6/0, 6/3 e 7/5.

Murray, que agora tem no currículo nove vitórias após estar perdendo por 2 sets a 0, precisará voltar para um terceiro dia consecutivo nesta quarta-feira, quando vai enfrentar o wild card francês Mathias Bourgue (#164), que avançou após bater o qualifier espanhol Jordi Samper-Montana (#216) em três sets.

Enquanto Murray sofria em um set e meio, Rafael Nadal entrou e saiu rapidinho de quadra. Fez 6/1, 6/1 e 6/1 sobre Sam Groth (#100), com direito a um winner de Gran Willy – o ponto do torneio até agora (veja mais abaixo no post). Foi uma estreia maiúscula, ainda que o australiano não tenha oferecido tanta resistência assim.

Em seguida, Novak Djokovic começou mais uma campanha parisiense sem drama. Fez 6/4, 6/1 e 6/1 sobre Yen-Hsun Lu (#95) e avançou para enfrentar o qualifier belga Steve Darcis. O triunfo desta terça foi o 49º do número 1 do mundo em Roland Garros. Curiosamente, é o mesmo número de vitórias que Bjorn Borg, hexacampeão do torneio.

Serena Williams esteve em quadra por apenas 42 minutos. Foi o tempo necessário para despachar Magdalena Rybarikova (#77) por 6/2 e 6/0. A eslovaca vem sofrendo com lesões e entrou em quadra com uma proteção no tornozelo direito, outra no punho esquerdo e uma faixa abaixo do joelho direito. A número 1 do mundo agora vai enfrentar…

Os brasileiros

…Teliana Pereira, que voltou a vencer. A número 1 do Brasil e 81 do mundo passou pela tcheca Kristyna Pliskova (#109) em três sets, com direito a parcial decisiva longa e nervosa: 7/5, 3/6 e 9/7. Foi apenas a quarta vitória da pernambucana em 2016 (já são 13 derrotas desde janeiro), mas valeu a manutenção dos pontos do ano passado, quando Teliana também avançou à segunda rodada para enfrentar uma top 10.

O outro brasileiro a entrar em quadra nesta terça-feira foi André Sá. Ele e Chris Guccione perderam o primeiro set por 6/4, mas venceram a segunda parcial contra os colombianos Juan Sebastián Cabal e Robert Farah por 7/6(5). A partida foi interrompida por falta de luz natural.

As cabeças que rolaram

A primeira zebra veio logo no primeiro jogo do dia na Philippe Chatrier. Angelique Kerber (#3), cabeça 3 em Paris, com uma atuação nada inspirada, tombou logo na estreia diante da holandesa Kiki Bertens: 6/2, 3/6 e 6/3. Atual número 58, Bertens fez um jogo bem a seu estilo. Agressivo e comandando os pontos. Seu maior mérito talvez tenha sido manter a postura no terceiro set, em dois momentos importantes. Primeiro, depois de abrir 3/0 e ver Kerber receber um longo atendimento médico. Depois, mais tarde, quando sacou em 5/3 e 40/15 e perder dois match points. O primeiro, com uma bela passada da alemã, que conquistou até um break point no game. Bertens se salvou, conquistou outra chance para fechar o jogo e, aí sim, completou a zebra.

Bertens, vale lembrar, vem numa sequência de oito vitórias. Na semana passada, no WTA de Nuremberg, furou o qualifying e conquistou o título, pulando da 89ª posição no ranking para o atual 58º posto. Agora, depois de bater a número 1 alemã, tem a chave “aberta” para ir mais longe.

Sem Kerber, a parte de cima da chave perde o nome favorito para enfrentar Serena na semi. Agora, a maior cabeça ali é a suíça Timea Bacsinzky (#9), que derrotou a lucky loser espanhola Silvia Soler Espinosa por 6/3 e 6/1 e enfrentará Eugenie Bouchard (#47) na segunda rodada.

A segunda queda de peso do dia veio mais tarde, com Victoria Azarenka, número 5 do mundo. A bielorrussa, aparentemente, entrou em quadra para enfrentar a italiana Karin Knapp (#118) já com algum incômodo no joelho. O problema se agravou na metade do segundo set, quando Vika parou no meio de um ponto e pediu atendimento médico.

Voltou para o jogo se movimentando melhor, mas sentiu dores outra vez. Knapp sacou duas vezes para a vitória, mas foi quebrada e acabou derrotada também no tie-break, depois de perder um match point, mas com Azarenka correndo normalmente em quadra. No terceiro set, contudo, a dor voltou, e Vika teve de limpar lágrimas em um momento. A bielorrussa acabou optando por abandonar a partida quando perdia por 6/3, 6/7(6) e 4/0.

É mais um caso de lesão em uma carreira cheia delas. Em toda carreira, são mais de 30 jogos perdidos por abandono ou WO. Levando em conta os torneios em que Azarenka disputou a chave principal, a porcentagem de reveses em casos assim é extremamente alta (vide tweet abaixo).

Os cabeças que rolaram

Entre os homens, a eliminação mais relevante do dia foi a de Fabio Fognini (#33), cabeça 32 do torneio e possível adversário de Rafael Nadal na terceira rodada. O italiano foi eliminado rapidamente, em três sets, pelo espanhol Marcel Granollers (#56): 7/5, 6/4 e 6/3. Fognini vinha de três derrotas consecutivas (Madri, Roma e Nice), mas era visto como o maior perigo para Nadal na primeira semana. O eneacampeão de Roland Garros agora tem Bagnis pela frente na segunda rodada e Granollers ou Mahut na sequência.

Outro cabeça eliminado foi Kevin Anderson (#20), superado pelo francês Stéphane Robert (#90) por 6/4, 6/2, 1/6 e 7/5. O resultado, em tese, abre caminho para Alexander Zverev, que passa a ser um ótimo nome para encarar Dominic Thiem na terceira rodada. Alemão e austríaco se enfrentaram no sábado, na final do ATP 250 de Nice, com vitória de Thiem em três sets. Zverev, entretanto, ainda precisa vencer a estreia, interrompida por falta de luz natural. Ele vencia o francês Pierre-Hugues Herbert por 5/7, 7/2 e 7/6(6).

Correndo por fora

Na chave feminina, o dia teve vitórias de: Sam Stosur (#24), que bateu a japonesa Misaki Doi (#42) por 6/2, 4/6 e 6/3; Dominika Cibulkova (#25), que fez 6/3 e 6/1 sobre Saisai Zheng (#85); Carla Suárez Navarro (#14) em cima de Katerina Siniakova (#104) por 6/2, 4/6 e 6/2; Madison Keys (#17), que eliminou Donna Vekic (#96) por 6/3 e 6/2; Venus Williams (#11), que venceu dois tie-breaks – 7/6(5) e 7/6(4) contra Annet Kontaveit (#82); e Ana Ivanovic (#16), que perdeu um set para a convidada francesa Océane Dodin (#148), mas avançou por 6/0, 5/7 e 6/2.

Entre os homens, Tomas Berdych (#8) teve pouco trabalho diante de Vasek Pospisil (#46) e aplicou 6/3, 6/2 e 6/1. Outro postulantes à categoria de azarão do evento que triunfou nesta terça foi o austríaco rei dos ATPs 250, Dominic Thiem (#15), que passou aperto contra o espanhol Iñigo Cervantes (#69), mas se beneficiou de um problema físico do adversário e fez 3/6, 6/2, 7/5 e 6/1. Cervantes chegou a sacar em 5/4 para abrir 2 sets a 1, mas não aguentou o tranco.

Outro trio de nomes respeitáveis, mas que correm por fora, avançou sem problemas: David Ferrer (#11) fez 6/1, 6/2 e 6/0 sobre Evgeny Donskoy (#75), Jo-Wilfried Tsonga (#7) bateu o qualifier alemão Jan-Lennard Struff (#101) por 6/3, 6/4 e 6/4, e David Goffin (#13) superou o wild card francês Gregoire Barrere (#242) por 6/3, 6/3 e 6/4.

O melhor lance

De Rafael Nadal, contra Sam Groth. Winner de gran willy. O ponto do torneio.

Leitura recomendada

A chuva dos dois primeiros dias em Paris requentou o eterno assunto da expansão do complexo de Roland Garros (o menor dos quatro Slams) e da construção de um teto retrátil sobre a Quadra Philippe Chatrier. O diretor do torneio, Guy Forget, culpa a burocracia francesa, mas o assunto não é tão simples assim. Este texto do New York Times (em inglês) explica os porquês do processo demorado.

O melhor tweet

De Andre Agassi, campeão de Roland Garros em 1999, endereçado a Rafael Nadal. O americano diz que levou a maior parte da carreira tentando completar a “tarefa hercúlea” de vencer o Slam francês e afirma que ver o espanhol tentar a façanha pela décima vez em Paris não é apenas memorável, como inspirador. “Você me faz acreditar que na vida tudo é alcançável e nada é impossível!”

O barraco

Nicolás Almagro foi mais um a entrar em um debate acalorado com o árbitro brasileiro Carlos Bernardes. Não consegui vídeo da confusão inteira, mas os relatos na internet são de que a conversa durou sete minutos e teria sido causada porque Bernardes deu uma advertência após ouvir um palavrão de Almagro. O tenista questionou os critérios para aplicação da advertência, alegando que Andy Murray, por exemplo, fala palavrões o tempo inteiro e nunca é punido.

Foco fashion

Aparentemente, o assunto do torneio é a linha da adidas, que colocou seus jogadores vestidos de zebra em Roland Garros. Importante notar que o conceito de zebra como resultado inesperado é exclusivamente brasileiro, então para a fabricante alemã trata-se meramente de uma questão fashion mesmo.

Mas não foram só as “zebras” da adidas que chamaram atenção. Que tal esse modelito bem incomum da francesa Alizé Lim?

Fora de quadra, ou melhor, dentro, mas só para as entrevistas, Marion Bartoli também mostrou um visual nada convencional.

Fanfarronices publicitárias

O vídeo do dia é de Thomaz Bellucci pegando carona com Guga em Paris. O paulista até experimentou uma peruca dentro do carro! Faz parte das ações da Peugeot, patrocinadora do torneio.


Rio Open, dia 3: a gigante zebra brasileira e, sim, mais chuva
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Alexandre Cossenza

A quarta-feira murcha no Rio Open, com duas interrupções por causa de chuva, teve um ponto alto – altíssimo. O cearense Thiago Monteiro derrubou o top 10 Jo-Wilfried Tsonga. O período de bom tempo ainda foi suficiente para um bate-bola com 21 títulos de Grand Slam em quadra e uma cena curiosa (e divertida) na sala de coletivas. O resumo do dia ainda fala sobre os desafios de se jogar no circuito sul-americano de saibro e sobre o “mistério da lona”. Leia e saiba de tudo!

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A zebra

De um lado, o número 9 do mundo e duas vezes semifinalista de Roland Garros (2013 e 2015), Jo-Wilfried Tsonga. Do outro, Thiago Monteiro, 21 anos, #338 no ranking, em seu primeiro jogo de chave principal de torneio ATP na carreira. Barbada, certo? Errado. Em uma atuação memorável, o cearense derrubou o favoritíssimo por 6/3, 3/6 e 6/4 e avançou às oitavas de final do torneio. Pela primeira vez desde Marselha/2012, um tenista fora do top 300 bateu um top 10.

Foi a primeira vitória da vida de Monteiro em um evento deste porte. Por outro lado, Tsonga não perdia para um tenista de ranking tão baixo desde 2004, quando foi superado pelo australiano Paul Baccanello (#416) em setembro de 2004, em um Challenger em Pequim. Na ocasião, Tsonga ainda era o #194 do mundo e estava em seu terceiro ano no circuito profissional.

Outra curiosidade: foi também a primeira entrevista coletiva da vida de Monteiro, que sentou-se ao microfone dizendo “Nunca entrei numa sala assim, mas estou bem, vou poder responder” e ganhando risos dos jornalistas. Na conversa, o cearense falou de seu plano tático, de como tentou mexer Tsonga, que parecia não estar se movimentando bem no terceiro set, e da influência de Guga em sua vida (o Instituto Guga Kuerten agencia sua carreira).

Indagado se Tsonga teria desmerecido o adversário, Monteiro respondeu “não percebi. Estava focado no meu jogo, buscando fazer o meu melhor e me dedicando. Não prestei atenção nas atitudes ou outras coisas dele.” Vale destaque especial a declaração do brasileiro sobre a principal consequência da vitória desta quarta: “Foi uma surpresa saber que você tem condições de seguir trabalhando e chegar nesse nível. Me fez acreditar muito mais em mim.”

Como aconteceu

Tsonga demorou a acordar para o jogo, e Monteiro não bobeou. Apostando em uma estratégia de bolas altas e fazendo o francês se movimentar sob o calor carioca, o cearense conseguiu a primeira quebra no sétimo game, depois de perder break points no terceiro e no quinto. O 6/3 da parcial talvez nem tenha sido um reflexo do quão melhor o brasileiro vinha sendo em seu plano de jogo.

O único vacilo do dia veio no primeiro game do segundo set. Com um par de erros bobos, Monteiro perdeu o serviço e colocou Tsonga na partida. O francês aproveitou e, errando bem menos, manteve a vantagem até quebrar outra vez, fazer 6/3 e forçar o terceiro set. E foi aí que o cenário mais provável insistiu e não acontecer. O brasileiro resistiu, seguiu com seu plano de jogo e seguiu à espera de uma chance no saque de Tsonga. Monteiro inclusive saiu de um desconfortável 0/30 no segundo game e de um perigoso 30/30 no sexto.

O favorito, enfim, escorregou. No nono game, em sequência, fez duas duplas faltas e espirrou uma bola, dando a quebra a Monteiro. O brasileiro ainda salvou dois break points no game seguinte (Tsonga cometeu erros não forçados) antes de subir à rede e ver a bola do oponente morrer na rede.

Monteiro agora enfrentará Pablo Cuevas, #45 do mundo, que, apesar do ranking, promete ser um desafio diferente e, talvez, ainda maior no saibro.

Sobre o saibro sul-americano

Tsonga encerra a participação em seu tour sul-americano de forma não muito diferente de Jack Sock e John Isner, outros dois tenistas que costumam jogar em quadras duras nesta época do ano. O francês jogou dois torneios e somou apenas uma vitória – em Buenos Aires, sobre Leo Mayer. No Rio, os três foram eliminados por tenistas que têm o saibro como habitat natural.

A questão do circuito saibro sul-americano é um desafio muito maior para os tenistas “de quadra dura” do que o piso em si. Até porque os três eliminados (Sock, Isner e Tsonga) têm no currículo bons resultados na terra batida. Parte da questão é que Rio e Buenos Aires são torneio disputados com sob muito calor e umidade, o que deixa os eventos mais desgastantes do que a média do circuito.

Mas não é só isso. Talvez a maior parte do problema seja encontrar adversários que: 1) dependem do saibro para viver; e 2) estão acostumados a jogar em condições assim. Para gente como Delbonis e Pella, a circuito sul-americano é a melhor chance do ano para pontuar. Quase todos jogos são vida-ou-morte para eles e muitos outros nascidos no continente. Gente como Tsonga, Isner e Sock não encara assim essa sequência (ou dupla) de torneios. É mais um jogo.

Carta vez, Marat Safin, já aposentado, deu a melhor definição para esse cenário. Em entrevista antes de uma exibição no Rio de Janeiro, alguns anos atrás, um jornalista perguntou ao russo por que ele havia jogado tão pouco na América do Sul durante sua carreira. Safin explicou que Costa do Sauípe (na época) e Buenos Aires davam poucos pontos (250) e exigiam muito. Em vez de atuar no calor por três horas contra Coria, Gaudio ou Meligeni (que estava sentado à mesa), preferia jogar na quadra dura indoor, onde as partidas duram menos e as arenas têm ar-condicionado. Difícil discordar do russo, não?

Os (outros) brasileiros

A dupla olímpica formada por Marcelo Melo e Bruno Soares (que jogarão juntos no Rio e em São Paulo) entrou cheia de expectativa e favoritismo na Quadra 1 contra os também brasileiros Fabiano de Paula e Orlando Luz. Com Dominic Thiem e Diego Schwartzman na Quadra Guga Kuerten (central), muita gente ficou sem conseguir ver os brasileiros na Quadra 1, que tem capacidade para 1.200 pessoas – a quem interessar, Bruno e Marcelo pediram para jogar lá.

A partida, no entanto, não terminou. Quando o placar ainda mostrava 2/0 para Soares e Melo, a chuva apareceu pela segunda vez no dia e demorou tanto que o Twitter do torneio anunciou o cancelamento de todos os jogos restantes às 21h36min. Havia duas partidas inteiras por realizar na Quadra Guga Kuerten: Ferrer x Ramos Viñolas e Giraldo x Pella.

Vale registrar que André Sá entrou em quadra mais cedo e acabou eliminado. Ele e o argentino Máximo González foram derrotados na estreia por Federico Delbonis e Paolo Lorenzi por duplo 6/4.

A homenagem adiada

A programação da noite desta quarta-feira previa uma homenagem para Fernando Meligeni e Alcides Procópio, nomes importantes da história do tênis brasileiro. A cerimônia foi adiada para a noite de quinta.

Os abandonos

Fabio Fognini foi o desfalque mais sentido do dia. O italiano havia vencido o primeiro set sobre Daniel Gimeno Traver, mas começou a sentir dores nas costas logo no início da segunda parcial. Pediu atendimento e teve o local enfaixado, mas desistiu quando perdia a parcial por 3/1.

Quem também teve problemas nas costas foi Jack Sock, que abandonou a partida de duplas. A curiosidade é que ele e Nicholas Monroe venciam Jo-Wilfried Tsonga e Paul-Henri Mathieu por 6/4 e 3/0. Sock, já eliminado da chave de simples, abandonou o torneio durante uma das paralisações por causa da chuva.

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A desinformação

A eliminação de Jack Sock provocou uma cena curiosa – e engraçada – quando Jo-Wilfried Tsonga apareceu para dar sua entrevista coletiva. Com o monitor da sala de imprensa mostrando “partida suspensa” (mensagem padrão para interrupções por causa de chuva), um jornalista perguntou se era a primeira vez que o francês concedia uma coletiva no meio de um jogo. Tsonga reagiu com expressão confusa e disse que havia vencido o jogo. Foi aí que os jornalistas descobriram sobre a desistência de Jack Sock.

O melhor bate-bola

Aconteceu numa das quadras externas do Jockey Club Brasileiro e envolveu 21 títulos de Grand Slam. A brasileira Maria Esther Bueno, dona de 19 troféus, bateu bola com a italiana Flavia Pennetta, atual campeã do US Open, aposentada e ainda número 7 do ranking mundial.

O mistério da lona

Uma das perguntas mais frequentes no Jockey Club Brasileiro é “onde está a lona?”, já que a organização do torneio optou por não cobrir as quadras durante as várias vezes em que a chuva deu as caras – ou os pingos.

O diretor do torneio, Lui Carvalho, justifica explicando que a drenagem da Quadra Guga Kuerten é excelente e levaria mais tempo para tirar a água de cima da lona do que para deixar a quadra absorver o líquido naturalmente.


Rio Open, dia 2: mais chuva, mais Nadal na madruga e Paula salva o Brasil
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Alexandre Cossenza

Muito sol e muita chuva. O tema do primeiro dia do Rio Open se repetiu nesta terça-feira, que tinha 27 partidas distribuídas em cinco quadras. As primeiras horas foram de um calor sufocante. As últimas, de suspense a apreensão pelos pingos que insistiam em molhar o saibro do Jockey Club Brasileiro. A rodada só terminou depois da 0h, com uma cena familiar: Nadal em quadra na madrugada carioca.

O espanhol venceu sem encantar, como fez seu compatriota David Ferrer. Assim como não empolgaram os resultados brasileiros do dia. Thomaz Bellucci e Teliana Pereira, principais nomes do país nas chaves de simples, se despediram logo na estreia. Feijão, idem. Quem manteve o país vivo foi Paula Gonçalves, que aproveitou o embalo do qualifying e triunfou mais uma vez. Perdeu alguma coisa? Então este resumaço é para você. Role a página e fique por dentro.

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Os favoritos

Com mais ou menos facilidade, os principais candidatos ao título no Rio de Janeiro avançaram à segunda rodada. O primeiro deles a vencer foi David Ferrer, que passou maus momentos diante de Nicolás Jarry, #493, 20 anos e convidado da organização do torneio. O chileno teve cinco set points na segunda parcial, mas não conseguiu fechar e viu o espanhol fazer 6/3 e 7/6(3).

Na coletiva, o #6 do mundo disse ter encontrado dificuldade com a umidade carioca e se mostrou insatisfeito com o nível de tênis aproveitado. “De positivo, tiro apenas o aspecto metal”, declarou. Ferrer também elogiou Jarry e disse que o chileno tem um ótimo saque e potencial para crescer. A movimentação de pernas, segundo o espanhol, é uma das coisas que o chileno precisa melhorar.

O último a entrar em quadra foi Rafael Nadal, que enfrentou Pablo Carreño Busta e a chuva, que interrompeu o duelo ao fim do primeiro set. Com a meia-noite se aproximando, os dois reiniciaram a partida sob pingos (mas foram chamados quando a chuva havia dado uma trégua).

Enquanto isso, o jogo entre Jo-Wilfried Tsonga e Thiago Monteiro, que já havia sido transferido da Central para a Quadra 1, acabou adiado de vez.

No segundo set, Nadal perdeu uma quebra de vantagem – cena tão comum em seus jogos ultimamente – e demorou a estabelecer nova vantagem, mas finalmente fechou em 6/1 e 6/4. De modo geral, foi uma ótima atuação no primeiro set, diante de um Carreño Busta abaixo do normal, e um desempenho bom, mas nada empolgante após a chuva – ainda que com uma quadra pesadíssima, algo que o ex-número 1 apontou como motivo para a mudança de ritmo do encontro.

O que será deste Nadal inconstante de hoje diante de Nicolás Almagro, alguém que promete incomodá-lo muito mais na segunda rodada? Fica desde já a expectativa por um jogo que promete emoções fortes.

Fognini_Rio16Stella_JoaoPires_blog

Finalmente, Fabio Fognini teve bem menos trabalho e derrotou Aljaz Bedene por 7/5 e 6/3. A facilidade talvez explique por que o italiano aproveitou para fazer uma aparição no bar da Stella Artois, patrocinadora do torneio. Quanto a Dominic Thiem, campeão em Buenos Aires, o austríaco manteve a sequência e passou sem drama pelo espanhol Pablo Andújar: 6/3 e 6/4.

Bellucci: mais baixos que altos

O adversário era complicado, e os desafios impostos pelas variações de Alexandr Dolgopolov provaram-se um obstáculo alto demais para Thomaz Bellucci superar. Pela terceira oportunidade em três jogos, o ucraniano derrotou o brasileiro, fazendo 6/7(3), 7/5 e 6/2. Desta vez, porém, em um encontro cheio de variações.

Além das oscilações de ambos, que trocaram quebras nos dois primeiros sets, o clima afetou a partida. O jogo foi interrompido quando Bellucci sacava em 5/6 e 30/30 no primeiro set. Como não havia lona na quadra, o duelo só foi retomado mais de 2h30min depois, com o saibro bem mais pesado. Dolgopolov quebrou o serviço do brasileiro rapidamente e forçou a parcial decisiva.

O ucraniano começou mal o terceiro set e deixou Bellucci fazer 2/0, mas foi só. Como em um estalar de dedos, de maneira bem típica, Dolgo parou de errar, freou Bellucci e tomou o controle do jogo. É bem verdade que o brasileiro viu seu nível cair, mas o ritmo encontrado pelo ucraniano foi impressionante.

Na coletiva, o paulista avaliou ter feito um terceiro set melhor que os dois anteriores, mas disse também que Dolgopolov começou a parcial “com uma proposta muito mais agressiva, de tirar meu tempo, de atacar muito mais, e isso me dificultou muito mais.”

Bellucci se recusou a revelar a origem do problema físico que motivou seu pedido de atendimento médico no segundo set, mas disse que não influenciou o resultado. A negativa do #1 do Brasil em falar sobre o assunto fez parte da imprensa acreditar que se tratava daquele tipo de problema estomacal do qual ninguém gosta de falar publicamente. E ficou por isso mesmo.

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Feijão: mais longe do sonho olímpico

Feijão deu sequência ao seu momento instável e foi eliminado pelo argentino Diego Schwartzman, #90, por 6/3 e 6/2. O paulista abriu 3/1 e sacou em 3/2 no set inicial, mas, como ele mesmo avaliou na entrevista coletiva, as coisas não vêm acontecendo naturalmente para ele desde “aquela” Copa Davis. Contra um tenista tão regular quanto Schwartzman, era preciso mais consistência.

Em queda no ranking (hoje é o #168), Feijão está cada vez mais longe da zona de classificação para os Jogos Olímpicos e com apenas quatro meses pela frente para somar pontos. O paulista, que estava otimista no fim do ano passado, já passa a considerar que a possibilidade de ficar fora do torneio olímpico é grande.

“Para mim, seria um sonho. Seria uma experiência inesquecível, mas eu ainda tenho 27. Daqui a quatro anos, vou ter 31. Pode ser em Tóquio também, não tem problema. Se tiver que ser lá vai ser. Se não for, fazer o quê? É vida que segue. O mundo não vai acabar, isso aqui não vai desabar na nossa cabeça porque eu não vou jogar uma Olimpíada.”

As brasileiras

Paula Gonçalves teve a tarefa de abrir a programação da Quadra Guga Kuerten às 11h30min contra a israelense Julia Glushko e aproveitou o bom momento que adquiriu no qualifying. Mesmo com as menos de 500 pessoas vendo seu jogo (em uma arena onde cabem mais de 6 mil), a paulista fez 6/3 e 6/1 e garantiu seu lugar na segunda rodada.

Atual número 285 do mundo e com 25 anos, Paula acabaria se tornando a única brasileira a vencer nas simples. Teliana Pereira, #1 do Brasil, #43 do mundo e principal cabeça de chave do Rio Open, foi derrotada na estreia pela croata Petra Martic, #162, com parciais de 6/3 e 7/5.

Martic foi melhor que Teliana no estilo de jogo da brasileira: errando pouco e alongando as trocas de bola. A croata, porém, foi inteligente nas variações, usou slices de forma oportuna e aguardou pacientemente os erros da brasileira. Teliana chegou a abrir 4/1 no segundo set, mas foi menos consistente que a rival.

A notícia boa é que Teliana não saiu triste da quadra. A pernambucana se disse surpresa com a consistência de Martic, mas admitiu que a croata foi melhor em quadra. A #1 do Brasil afirmou também, com boa pitada de otimismo, que o jogo desta terça foi provavelmente sua melhor apresentação em 2016. Vale lembrar que Teliana ainda não venceu em 2016. Antes do Rio Open, ela somou três derrotas em Brisbane, Hobart e Melbourne.

Duas declarações de Teliana foram importantes. Primeiro, afirmou que precisa se manter entre as 50 melhores do mundo antes de pensar em alcançar o top 30 ou o top 20. Em seguida, mostrou-se feliz com o triunfo de Paula Gonçalves “porque o tênis feminino precisa disso. As meninas precisam evoluir e me sinto um pouco responsável por isso. Elas veem que se a Teliana está ali, por que elas também não podem? Não quero ser a único top 100 ou top 50.”

A homenagem

Deveria ter acontecido na segunda-feira, mas o ralo entupido e o saibro submerso impediram. Nesta terça, Gustavo Kuerten foi finalmente homenageado e recebeu uma cópia da placa que ficará na quadra de saibro com seu nome do Jockey Club Brasileiro. Vale lembrar: a estrutura montada para o Rio Open é provisória. Após o torneio, fica só a quadra – a área de jogo – para os associados.

A “experiência sul-americana” dos gringos

Um dia depois da eliminação de John Isner, Jack Sock deu adeus ao Rio Open. Os dois americanos sucumbiram de maneiras bem diferentes, mas com cenários que tinham elementos em comum. Ambos enfrentaram saibristas argentinos e tiveram de lidar com os cruéis “elementos” da natureza.

Se Isner teve de esperar quatro horas e encarar um saibro pesadíssimo por causa da chuva, Sock entrou em quadra pouco antes das 13h, sob um calor infernal. Até teve uma quebra de frente no set inicial, mas desperdiçou a vantagem e oscilou apenas o bastante para Federico Delbonis levar a parcial.

O segundo set, com o calor ainda pior, Sock ofereceu menos resistência e sucumbiu por 7/5 e 6/1. Foram apenas 77 minutos de jogo, mas naquela temperatura era o suficiente para deixar o torcedor com a sensação de um leitão grelhado lentamente num fogão a lenha.

A registrar: dos cerca de 50 lugares existentes na Quadra 4, onde Sock, Delbonis, Thiem e Andújar jogaram, um terço deles não tem visibilidade para toda área de jogo. Onde consegui lugar no primeiro set (e nem era tão no canto da arquibancada!), só conseguia ver um dos tenistas na maior parte do tempo.

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AO, dia 2: Sete anos depois, o “mesmo” Verdasco e outro Nadal
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Alexandre Cossenza

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A semifinal de 2009 foi dos jogos mais memoráveis do Australian Open. Foram 5h14min de lances espetaculares e um equilíbrio de tirar o fôlego. Rafael Nadal, vencedor naquele dia, era o número 1 do mundo. Fernando Verdasco, o 15º. Seria injusto esperar o mesmo nível de tênis sete anos depois, com um Nadal longe daquele nível e seu compatriota em 45º lugar no ranking.

Verdasco, imagino, discorda da afirmação acima. O veterano de 32 anos disparou 90 winners (!!!) em 4h41min, destruindo Nadal e vencendo seis games seguidos no quinto set para fechar o jogo em 7/6(6), 4/6, 3/6, 7/6(4) e 6/2. Uma atuação irregular, bem ao estilo Verdasco (com 91 erros não forçados), mas espetacular no momento crucial – algo que vai de encontro à sua fama de vacilar em pontos “grandes”.

A vitória de Verdasco parecia improvável desde o fim do terceiro set. Na quarta parcial, o azarão foi quebrado quando sacou para fechar e ainda precisou sair de um 5/6 e 0/30para forçar o tie-break e, em seguida, o quinto set. Na parcial decisiva, Nadal novamente teve vantagem. Abriu 2/0 e teve um break point para fazer 3/0. Errou a devolução de saque e viu Verdasco renascer.

Arriscando – e acertando – nas devoluções, Verdasco demoliu o saque de Nadal, que já não conseguia mandar em ponto algum. Ao fim do confronto, enquanto o ex-número 1 rumava para perder seis games em sequência, o duelo parecia uma versão bizarra de Verdasco/2009 contra Nadal/2016. Um em grande momento; o outro, vacilante e não mais indestrutível.

Sim, Nadal executou golpes espetaculares em diversos momentos do jogo. Fez 37 winners, o que nem é tão pouco considerando o nível de risco que seu adversário aceitou assumir a partida inteira. Só que não foi uma atuação espetacular. Longe disso. Se não foi inconsistente, faltaram saque e a velha capacidade de fechar as portas para reações dos seus adversários. O Nadal de hoje, que se diz bem melhor do que no ano passado, ainda se parece mais com Nadal/2015 do que com Nadal/2009, e o circuito inteiro sabe disso. Esse “retorno” fica mais difícil a cada dia.

A última vitória

O segundo dia do Australian Open, porém, não foi só de Verdasco. Favoritos venceram, cabeças rolaram, muitos aces foram disparados e Bellucci venceu. Também houve desistências, inclusive com um tenista sendo retirado da quadra em uma maca. Mas comecemos por um dos momentos mais emocionantes do dia…

Lleyton Hewitt, fazendo o último torneio da carreira, entrou na sessão noturna da Rod Laver Arena com o país quase inteiro em reverência, apesar de o rival da estreia ser o compatriota James Duckworth. Pois Rusty foi lá e venceu em três sets, com parciais de 7/6(5), 6/2 e 6/4. Sua comemoração foi possivelmente o momento mais emocionante da terça-feira.

É bem provável que tenha sido a última vitória da carreira de Hewitt. O ex-número 1 do mundo, hoje com 34 anos, enfrentará David Ferrer na sequência. É grande a chance de que a última partida de Hewitt aconteça na quinta-feira.

Os favoritos

Atual vice-campeão do torneio, Andy Murray entrou em quadra para uma estreia perigosa contra Alexander Zverev, mas logo cedo ficou claro que a maré não estava a favor do jovem alemão de 18 anos, #83. Já no segundo game, o adolescente teve um sangramento no nariz e recebeu atendimento médico, o que atrasou o jogo por quase uns dez minutos.

Quando o jogo recomeçou, Murray ditou o jogo, fez belíssimas jogadas e não deu muitas chances a Zverev. Ao todo, foi uma ótima atuação do número 2 do mundo, deixando poucas dúvidas de que o escocês chegou em forma a Melbourne.

Outros nomes de peso que venceram neste segundo dia de evento na chave masculina foram Stan Wawrinka (seu adversário, Dmitry Tursunov, abandonou após dois sets) e Milos Raonic (atropelou Lucas Pouille), David Ferrer e John Isner.

Entre as mulheres, Victoria Azarenka foi quem mais impressionou. Escalada para o último jogo da Rod Laver Arena, entrou afiadíssima e não vacilou nem por um momento. Aplicou uma bicicleta (6/0 e 6/0) na belga Alison Van Uytvanck e deu uma primeira amostra em Melbourne de que é mesmo uma séria candidata.

O mesmo vale para a espanhola Garbiñe Muguruza, que fez o dever de cassa e passou fácil por Anna Kontaveit (6/0 e 6/4). Enquanto isso – acreditem – Ana Ivanovic voltou a vencer. A sérvia, beneficiada com um sorteio que lhe colocou diante de Tammi Paterson, convidada da organização e #459 do mundo, triunfou por 6/2 e 6/3. E antes que você pergunte “mas hoje não jogavam Halep, Kerber e Venus?”, já sugiro que o leitor role a página porque elas se encaixam em outros tópicos deste resumaço.

Cabeças que rolaram

Das dez primeiras tenistas do ranking, apenas duas não sofreram com problemas físicos antes do Australian Open. Venus Williams foi uma delas. Talvez não sirva de consolo, já que a americana, atual #10, foi eliminada logo na primeira rodada em Melbourne. Sua algoz foi a britânica Johanna Konta (#47), que fez 6/4 e 6/2. Andy Murray aplaudiu virtualmente.

Após terminar o ano no top 10 – como bem lembrou o Mário Sérgio Cruz – Venus ainda não venceu em 2016. Em Auckland, seu primeiro torneio, foi derrotada pela russa Daria Kasatkina.

O “buraco” deixado por Venus na chave deixa a vida mais fácil no quadrante que era de Simona Halep. “Era” de Halep porque a número 2 do mundo também tombou no fim do dia. Carregando uma lesão no tendão de aquiles e vindo de uma semi em Sydney, a romena foi praticamente dominada pela qualifier chinesa Shuai Zhang, atual #133 do mundo, logo no início.

Halep até começou melhor a segunda parcial, com uma quebra de vantagem, mas perdeu os últimos cinco games e deu adeus ao torneio: 6/4 e 6/3. Enquanto isso, Zhang, 26 anos, revelou que por pouco não se aposentou e que viajou para a Austrália pensando que seria sua última vez no torneio.

Sem Venus e Halep no quadrante, as cabeças de chave restante nesse quadrante são Karolina Pliskova, Makarova, Ivanovic e Lisicki. É bem possível que uma delas alcance a semifinal em Melbourne. Ah, sim: vale registrar que a lista de cabeças eliminadas neste segundo dia de torneio também inclui Irina Camelia Begu (cabeça 29), Caroline Garcia (32) e Lesia Tsurenko (31).

Na chave masculina, a derrota mais significativa – depois de Nadal, claro – foi a do sul-africano Kevin Anderson, #12. Com problemas no joelho, o sul-africano perdia para o americano Rajeev Ram por 7/6(4), 6/7(4), 6/3 e 3/0 quando desistiu da partida. O resultado beneficia diretamente Gael Monfils, que enfrentaria Anderson na terceira rodada. Aliás, se o favoritismo prevalecesse, o vencedor de Anderson/Monfils enfrentaria Nadal nas quartas.

Outra cabeça que rolou foi a de Fabio Fognini, em uma partida tensa de quatro tie-breaks que testou os nervos do italiano. O luxemburguês Gilles Muller, dono de um saque invejável e de 34 aces no duelo, fez 7/6(6), 7/6(7), 6/7(5) e 7/6(1). Fognini fez um pouco de tudo: perdeu set points nas duas primeiras parciais, atirou raquetes, foi punido e esbravejou com árbitros.

Os sustos

A chave feminina por pouco não perdeu uma candidata ao título – ainda que seja uma das que correm por fora. Angelique Kerber encontrou sérios problemas com a agressividade de Misaki Doi, que topou correr riscos e, com os golpes calibrados, colocou a alemã para correr durante boa parte dos dois primeiros sets. Venceu o primeiro set depois de estar perdendo por 3/0 (duas quebras) e teve até um match point no tie-break da segunda parcial.

A chance foi breve. Doi devolveu para fora um saque de Kerber (que nem foi tão forçado ou colocado assim) e, depois, viu a alemã vencer mais dois pontos em sequência para forçar o terceiro set. No fim, Kerber, mais consistente, triunfou por 6/7(4), 7/6(6) e 6/3 em 2h45min. A número 6 do mundo agora enfrentará a romena Alexandra Dulgheru na segunda rodada.

Não, Andy Murray não esteve perto da eliminação, mas tomou esse sustinho aí quando a bola não estava em jogo.

O (outro) jogo boyhoodiano

Foram cinco sets, sete match points e 4h43min, até que Jeremy Chardy eliminou Ernests Gulbis por 7/5, 2/6, 6/7(5), 6/3 e 13/11. O resultado é especialmente amargo para o letão, não só pela derrota mas pela repetição do cenário. Ano passado, também na primeira rodada, Gulbis foi eliminado pelo australiano Thanasi Kokkinakis, que fechou em 8/6 no quinto set. Na ocasião, o letão teve quatro match points e não conseguiu converter.

O canhão

Atenção para os números da estreia de John Isner, que despachou o polonês Jerzy Janowicz em três sets: 37 aces, 78% de aproveitamento de primeiro serviço, 91% dos pontos vencidos com o primeiro saque e 72% com o segundo.

O brasileiro

Thomaz Bellucci fez o que se esperava – e fez bem feito. Diante do desconhecido convidado Jordan Thompson (#143), o brasileiro foi consistente e esteve sempre à frente no placar. No fim, fechou por 6/2, 6/3 e 6/2 e avançou à segunda rodada.

Caso volte a vencer, Bellucci alcançará o melhor resultado de sua carreira no Australian Open. Seu próximo oponente será o americano Steve Johnson, #32 e cabeça de chave 31 do torneio. Na estreia, Johnson derrotou o britânico Aljaz Bedene por 6/3, 6/4 e 7/6(3).

Os melhores lances

Foi o momento que selou o segundo set e, no fim das contas, acabou não sendo tão decisivo quanto pareceu na hora. Mesmo assim, este ponto vencido por Rafael Nadal merece ser visto e revisto.

A desistência

O abandono doído – literalmente – deste segundo dia do torneio ficou por conta de Diego Schwartzman, que chegou a ter dois sets de frente sobre o australiano John Millman. O argentino teve cãibras no calor e precisou ser retirado da quadra de maca. Millman herdou a vitória quando o placar mostrava 3/6, 5/7, 7/6(2) e 5/0.

O melhor do dia 3

Dois jogos se destacam na programação de quarta-feira em Melbourne. Primeiro, fechando a sessão diurna da Rod Laver Arena, Roger Federer encara Alexandr Dolgpolov. Em seguida, na abertura da sessão noturna, Agnieszka Radwanska enfrenta Eugenie Bouchard. A rodada ainda tem jogos de Maria Sharapova, Serena Williams, Novak Djokovic, Kei Nishikori e Petra Kvitova, entre outros.

Nas duplas, Marcelo Melo e Ivan Dodig fazem sua estreia. Eles jogam contra Aljaz Bedene e Dustin Brown na Quadra 5. Na Quadra 10, Bellucci e Demoliner enfrentam Santiago González e Julian Knowle. Veja a programação completa aqui.


Quadra 18: S01E11
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Alexandre Cossenza

Teliana Pereira campeã em Florianópolis e nova integrante do top 50; Thomaz Bellucci semifinalista em Gstaad e coladinho no top 30; Rafael Nadal campeão em Hamburgo e jogando bem, com direito a barraco e cãibra na final contra Fabio Fognini; André Sá campeão em Umag; e Bruno Soares analisando sua temporada as seguidas derrotas para os colombianos Juan Sebastian Cabal e Robert Farah. O podcast Quadra 18 está no ar com seu 11º episódio, falando sobre tudo isso.

Sheila Vieira, Aliny Calejon, o convidado especial Felipe Priante e eu também respondemos a perguntas de leitores, e falamos ainda sobre Dominic Thiem, WTT, e planejamos nossa viagem para ver Brasil x Croácia pela Copa Davis em Florianópolis. Clique abaixo para ouvir

Quem preferir pode baixar o arquivo neste link ou assinar nosso feed e ouvir no iTunes. Nosso arquivo com todos os programas também está no Tumblr. E para enviar questões, críticas e sugestões, nosso canal preferido é o Twitter – incluam sempre a hashtag #Quadra18 – mas também aceitamos via e-mail e Facebook.

Se preferir, faça o download do arquivo e ouça depois. Para isso, basta clicar no primeiro link acima com o botão direito do mouse e “gravar como”. E divirta-se!

Os temas

Como de costume, segue abaixo a lista de assuntos abordados no programa, com o momento em que falamos sobre cada um dos temas. Quem preferir, pode avançar direto até o trecho que quiser ouvir primeiro.

2’00’’ – O título de Teliana Pereira em Florianópolis
3’40’’ – Priante fala sobre as chances aproveitadas por Teliana
5’00’’ – Cossenza fala sobre os porquês da eficiência de Teliana no saibro
8’00’’ – Aliny lembra que há poucas especialistas em saibro na WTA
9’10’’ – Sheila lembra de seu momento preferido da final
11’15’’ – “O que falta para Teliana chegar longe em um Grand Slam?”
12’05’’ – “O que esperar de Teliana até o fim do ano?”
13’40’’ – Cossenza fala sobre a necessidade de Teliana evoluir em quadras duras
14’50’’ – A chave fraca e as opções da organização do WTA de Florianópolis
23’35’’ – O título de Rafael Nadal em Hamburgo
24’35’’ – Cossenza avalia a final e o desempenho de Nadal durante a semana
26’40’’ – Sheila descreve o barraco entre Nadal e Fognini na final
27’45’’ – Sheila relata as cãibras de Nadal durante a cerimônia de premiação
28’45’’ – “Qual a expectativa de Nadal para o US Open?”
33’15’’ – Sheila fala da importância de Hamburgo para a vaga de Nadal no Finals
33’55’’ – Priante compara Nadal/2015 a Federer/2013
35’25’’ – A semifinal de Thomaz Bellucci em Gstaad
36’10’’ – Cossenza lembra que Bellucci não teve vitórias espetaculares
38’45’’ – Priante ressalta a consistência mostrada por Bellucci recentemente
41’50’’ – “Bellucci pode evoluir e chegar ao top 10?”
45’00’’ – Sheila faz os tradicionais “registros”
47’15’’ – “O que vocês pensam a respeito de Dominic Thiem?”
51’23’’ – Aliny fala do título de André Sá em Umag
53’44’’ – Aliny fala de Roddick e Fish jogando duplas em Atlanta
56’45’’ – A semifinal de Soares e Peya em Hamburgo
57’31’’ – Áudio de Bruno Soares resumindo a temporada da dupla em 2015
62’20’’ – Aliny comenta a falta de sorte de Soares e Peya
64’10’’ – “Lições de vida com Felipe Priante”
66’00’’ – “Qual a chance de Bryans e Zimonjic se aposentarem nesta temporada?”
67’40’’ – A participação de Marcelo Melo no WTT
75’50’’ – Copa Davis em Florianópolis
76’30’’ – “A escolha da cidade ajuda o Brasil contra a Croácia?”
80’10’’ – “Momento agência de viagens”

Créditos musicais

A faixa de abertura do podcast, chamada “Rock Funk Beast”, é de longzijun. As demais faixas deste episódio são chamadas “Hang For Days” e “Game Set Match”. As duas últimas fazem parte da audio library do YouTube.


Quadra 18: S01E04
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Alexandre Cossenza

Também conhecido como “Episódio Dinara Safina”, o quarto programa resume de uma forma descontraída o que rolou nos torneios de Roma e Madri. Aliny Calejon, Sheila Viera e eu discutimos por que ninguém gosta de Madri e seu curioso troféu e, ao mesmo tempo, todo mundo adora Roma. Também falamos sobre Djokovic, Murray, Federer, Nadal, duplas, o momento de Bellucci e a desclassificação de Teliana. Ouça abaixo:

Quem preferir pode baixar o arquivo neste link ou assinar nosso feed e ouvir no iTunes (este quarto episódio vai estar lá em breve).

Vale lembrar que guardamos sempre um espaço no fim do programa para responder perguntas de leitores. Desta vez, falamos sobre os critérios que definem que duplas podem entrar nas chaves. Também comentamos, de forma divertida, os tenistas incompreendidos que só nós amamos.

Quem quiser participar pode enviar suas questões, críticas e sugestões de preferência via Twitter, incluindo sempre a hashtag #Quadra18.

Os temas

Como é também nosso programa mais longo e nem todos vocês querem ouvir tudo, deixo abaixo em que momento falamos sobre cada tema. Assim, quem preferir pode avançar direto até o trecho que preferir.

3’20’’ – Todas (e muitas) falhas do torneio de Madri
3’45’’ – As modelos espanholas
5’20’’ – As placas publicitárias problemáticas
6’00’’ – O troféu que “nem para vibrador serve”
7’15’’ – Futebol no telão durante partida
7’35’’ – Os camarotes gigantes e vazios
8’35’’ – Kyrgios derrotou Federer
9’00’’ – A decepção de Nadal na final
9’50’’ – Murray mais favorito a Roland Garros do que Federer
12’15’’ – O mais legal do torneio de Roma
13’00’’ – Italianos na Pietrangeli
14’25’’ – Wawrinka pós-divórcio
16’05’’ – O retorno da “Claypova”
16’25’’ – Abandonos recentes de Serena
20’05’’ – Aliny comenta as duplas (ou não)
22’08’’ – Bryans rumando à aposentadoria
24’50’’ – Bom momento de Bellucci
27’00’’ – Djokovic usa balões / méritos táticos do sérvio
29’10’’ – Federer e a evolução tática de seu jogo
32’15’’ – A rolha que quase encerra a carreira de Djokovic
33’30’’ – A desclassificação de Teliana
38’10’’ – Participante entretida com Bruna Surfistinha
38’40’’ – Aliny explica que critérios definem as duplas que entram nos torneios
41’00’’ – Tenistas incompreendido que só nós gostamos
49’25’’ – “Eu gosto do corpo dele”

Créditos musicais

A faixa de abertura do podcast, chamada “Rock Funk Beast”, é de longzijun. As demais faixas deste episódio são chamadas “So Bueno” e “Game Set Match”. Ambas fazem parte da audio library do YouTube.


Quadra 18: S01E03
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Alexandre Cossenza

Bruno Soares voltou a levantar um troféu, Orlandinho apresentou seu cartão de visitas, Feijão perdeu confiança e Orlandinho mostrou seu cartão de visitas; Andy Murray triunfou pela primeira vez no saibro, Roger Federer voltou a vencer na terra vermelha, e Novak Djokovic preferiu não jogar em Madri; Ferrer perdeu a chance da vida de vencer Barcelona, Fognini não consegue fazer dois grandes jogos seguidos, e Nishikori surge como nome forte no saibro (será?); Sharapova e Halep perdem a chance em um torneio sem Serena; e Gasquet venceu em Estoril. Foram duas semanas com muito assunto, mas, ufa, Sheila, Aliny e eu conseguimos incluir tudo isso no terceiro episódio do podcast Quadra 18. É só clicar abaixo para ouvir:

Quem preferir pode assinar nosso feed e ouvir no iTunes (este terceiro episódio vai estar lá em breve) ou baixar o arquivo neste link.

Vale lembrar que guardamos sempre um espaço no fim do programa para responder perguntas de leitores. Quem quiser participar pode enviar suas questões, críticas e sugestões de preferência via Twitter, incluindo sempre a hashtag #Quadra18.

Os temas

Como é um programa de pouco mais de 40 minutos e nem todos vocês querem ouvir tudo, deixo aqui, mastigadinho, em que momento falamos sobre cada tema. Assim, quem preferir pode avançar direto até o trecho que preferir.

1’00” – O título de Bruno Soares e Alexander Peya em Munique
6’00” – O sucesso da barba de Bruno Soares
9’15” – As seis derrotas seguidas e o mau momento de Feijão
13’45” – As campanhas de Orlando Luz em Santos e São Paulo
20’00” – Munique e o primeiro título de Andy Murray no saibro em um ATP
23’30” – Roger Federer campeão no saibro de Istambul
26’57” – A opção de Novak Djokovic por não disputar o Masters de Madri
30’30” – Nishikori surge como força no saibro?
32’13” – A chave de Barcelona e o mistério de Fabio Fognini
33’30” – “Certas pessoas” (Sharapova e Halep) perdem chances e Angelique Kerber ressurge na temporada e saibro
34’45” – ATP de Estoril, Gasquet e Kyrgios
35’10” – Pergunta da ouvinte: como começou nossa relação com o tênis

Créditos musicais

A faixa de abertura do podcast, chamada “Rock Funk Beast”, é de longzijun. As demais faixas deste episódio são chamadas “So Bueno”, “Down the Drain” e “Game Set Match”. Todas fazem parte da audio library do YouTube.


Tutorial: como se programa uma rodada de um torneio grande
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Alexandre Cossenza

RioOpen_F_get2_blog

O Rio Open, torneio ATP 500 e WTA International, terminou com mais elogios do que críticas e, é justo dizer, talvez tenha sido o mais bem organizado evento de tênis nos últimos anos em solo brasileiro. O evento, no entanto, terminou teve sua polêmica. A longa (e quente!) sexta-feira começou às 13h, com reclamações sobre o horário de início do jogo entre Sara Errani e Bia Haddad, e só terminou às 3h18min, quando Rafael Nadal eliminou Pablo Cuevas.

Em entrevista coletiva, Lui Carvalho, diretor do torneio, deu suas explicações. Depois, ao fim do torneio, conversou só comigo e explicou tudo, detalhe por detalhe, que foi levado em consideração na montagem da programação daquela sexta-feira. E como muitos leitores (e até jornalistas) não sabem como é o processo, faço este post, que acaba sendo uma espécie de tutorial de como se monta um dia de um torneio grande.

Primeiro, lembremos a resposta oficial sobre a polêmica da sexta-feira. Muitos levantaram a hipótese de que a partida entre Fabio Fognini e Federico Delbonis (penúltima do dia na Quadra Central) deveria ter sido transferida para a Quadra 1 (menor, com capacidade para cerca de mil pessoas). Na coletiva de domingo, Carvalho deu a seguinte explicação.

“O que aconteceu foi um caso daqueles que acontecem uma vez em um milhão. Os jogos se prolongaram por muito mais do que normalmente. Naquele dia, a WTA teve o heat policy (regra que dá aos tenistas dez minutos de intervalo entre o segundo e o terceiro sets em dias com muita sensação de calor) no jogo da Bia… O jogo parou por dez minutos… Muitos jogadores pedindo fisioterapeutas, toilet breaks, essas coisas. Essas paradas acontecem, estão dentro das regras, mas não são tão comuns do jeito que aconteceu. O que vem se discutindo bastante era a decisão do torneio de mover o jogo do Fognini para a Quadra 1. A gente foi acompanhando a situação, mas sobre a nossa decisão, a gente reforça que foi acertada por alguns motivos. Primeiro: o jogo que poderia ter sido mudado, na verdade, nas condições que a gente estava, era o do Nadal (contra Pablo Cuevas), mas obviamente que a gente não moveria o jogo do Nadal para uma Quadra 1, onde cabem mil espectadores, existem vários riscos de segurança, não tinha TV, coisas desse tipo. O segundo: como o jogo do Fognini não poderia ter sido mudado naquele momento, e ele estava entrando na quadra às 9h da noite. Se você falar para mim ‘são dois jogos a partir das 9h da noite’, não é nada absurdo. Acontece que o jogo do Fognini se arrastou por muito mais do que a gente previa e aconteceu o que aconteceu (Nadal só foi pidar na Quadra Central à 1h). E também na Quadra Central nós temos TV, temos um contrato de televisão (com a ATP Media) que nos força a mostrar as quatro quartas de final e, naquela situação, com o jogo entrando às 9h da noite, a gente achou que a decisão mais correta era manter o Fognini na Quadra Central. Enfim, foi um incidente que aconteceu, o jogo se arrastou um pouco mais, e o Nadal acabou entrando tarde. Mas nada que não tenha sido comunicado claramente com os jogadores no momento.”

Agora, sim, vamos ao tutorial, que vai dar detalhes de como a programação daquela sexta-feira foi estabelecida. E, para que fique tudo bem claro, é preciso lembrar da programação de quinta-feira. Veja ela abaixo.

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É importante saber a programação de quinta porque a reunião que estabelece os horários do dia seguinte é sempre realizada por volta das 17h. É quando se sentam à mesma mesa o diretor do torneio, o supervisor da ATP, o supervisor da WTA, os tour managers e um representante da TV (no caso, da ATP Media, que envia as imagens para o mundo inteiro). E muita coisa entra nessa balança.

A chave de duplas é uma delas. Notem que na quinta-feira, Pablo Andújar jogaria sua partida de simples às 19h e a de duplas um pouco depois (de descansar). Logo, a organização, que montou o calendário às 17h, precisava considerar a hipótese de o espanhol avançar nas duas chaves. Se isto acontecesse, como manda a regra, Andújar não poderia fazer o último jogo de simples, já que precisaria também jogar duplas (o regulamento da ATP manda que um tenista sempre jogue sua partida de simples antes da de duplas).

Como Andújar enfrentava Fognini na quinta-feira, o vencedor daquele jogo foi escalado para a penúltima partida da sexta-feira, o que significava deixar como último confronto o vencedor de Nadal x Carreño Busta contra Pablo Cuevas. Até aí, nenhum problema, já que o próprio Nadal pediu para jogar no último horário (a organização não é obrigada a atender os pedidos). E vale lembrar que escalar Andújar/Fognini x Delbonis mais cedo causaria outro tipo de problema. O vencedor deste jogo teria muito mais tempo de descanso do que Nadal/Cuevas. Sim, tudo isso precisa ser levado em consideração.

“O Ferrer jogou primeiro porque estava livre desde quarta-feira à noite. A partir do momento que passa a segunda rodada, você começa a pensar na seção (da chave) para não dar vantagem. Se, por exemplo, Nadal jogar quinta de manhã e o oponente jogar quinta à noite, é injusto porque um tem muito mais tempo de descanso. Segunda e terça, você nem pensa tanto na seção, mas a partir de quarta você já começa a juntar as seções. Uma vai de dia (a metade de baixo, com Ferrer) e a outra vai de noite (com Nadal)”, explicou Carvalho.

Logo, a programação oficial de sexta-feira saiu assim:

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E ainda há algumas coisas a ressaltar. Segundo Carvalho, o regulamento da ATP diz que, em casos assim, apenas a última partida pode ser levada para outra quadra. Foi, aliás, o que aconteceu com a partida de duplas na noite de sábado. Quando Marach, Andújar, Oswald e Klizan entraram em quadra, havia apenas uma pessoa lá (a Aliny Calejon, que contou tudo em seu site, o Match Tie-Break).

Alguém pode indagar o porquê de se fazer a programação antes do fim da rodada, mas o motivo é simples. É preciso dar tempo para que os tenistas – especialmente aos que atuarão na sessão diurna – se preparem. Todos horários na vida de um atleta profissional são programados de acordo com o horário de um jogo.

Um ponto que ratifica o raciocínio de Carvalho no que diz respeito ao timing dos jogos foi o próprio andamento do torneio. De segunda a quinta-feira, o Rio Open teve seis partidas na Quadra Central, com a primeira delas começando às 11h. Não houve nenhum problema quanto a horário. A sexta-feira, que tinha um jogo a menos, começou às 13h. Não havia como imaginar uma sessão tão longa.

Coisas que eu acho que acho:

– Foi impressionante o número de pessoas que ficaram no Jockey Club Brasileiro madrugada adentro até a partida entre Nadal e Cuevas. A estimativa era de mais de 4 mil pessoas no clube. E foi bom ver, como escrevi no post anterior, que os estandes de comida e seguiram ficaram até além da meia-noite.

– A quem diz que foi um erro escalar Bia Haddad e Errani por causa do calor, a WTA passou uma informação importante. A sensação de calor na Quadra Central era maior às 16h do que ao meio-dia. Logo, não é justo culpar a organização pelas cãibras da brasileira.

– O torneio de Acapulco, que acontece esta semana, tem dilemas parecidos. É um evento grande, com chaves masculina e feminina, e precisa lidar com o calor. Por isso, começa a programação diariamente às 16h. A grande diferença é que o torneio mexicano usa seis quadras enquanto o evento brasileiro aproveitou, no máximo, quatro (três na sexta-feira).


Que o fim não esteja tão próximo
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Alexandre Cossenza

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Troféu garantido e microfone na mão, David Ferrer fez um emocionado agradecimento aos árbitros do circuito mundial. Agradeceu a todas pessoas que viajam e se sacrificam para que possam trabalhar em tantas partidas ao longo do ano. Seria um discurso um tanto incomum se o espanhol de 32 anos não tivesse feito a seguinte introdução: “Nunca se sabe quando será o último, então quero aproveitar a oportunidade para…”

David Ferrer estava feliz como poucas vezes é possível notar por seu comportamento discreto dentro e fora de quadra. Um pouco pela importância do título conquistado no Jockey Club Brasileiro. Era, afinal, um ATP 500, com pontos valiosos em jogo. Mas também um pouco porque o espanhol sabe que o fim se aproxima. Ferrer vem de cinco excelentes temporadas, mas sabe que a turma mais jovem vem chegando. Até por isso, somou em 2014 seu menor número de pontos (4.045, contra 5.800 em 2013, 6.505 em 2012 e 4.925 em 2011).

Na coletiva, de chinelos e com o troféu ao seu lado na mesa da sala de imprensa, Ferrer lembrou das ascensões de Wawrinka, Cilic e Nishikori. Lembrou também que teve dificuldade em se reencontrar após se separar de Javier Piles, técnico com quem trabalhou por 15 anos. Não poderia mesmo ser fácil.

“Não foi um ano ruim (2014). Consegui 4.200 pontos. Em outros anos, consegui vaga no Masters sem conseguir tantos pontos (aconteceu em 2010). O que é certo é que perdi um pouco de tranquilidade. Também havia me separado do meu antigo treinador, e não foi fácil me situar novamente, mas foi um bom ano. Fiquei contente por acabar como top 10. É cada vez mais difícil. Nishikori, Cilic e Wawrinka em forma genial. É mais complicado, a cada ano, manter-se entre os dez primeiros. Este ano tento o mesmo. Ficar competitivo contra os melhores jogadores do mundo. É meu único objetivo porque gosto do tênis.”

No Rio de Janeiro, Ferrer fez um torneio competente e discreto – características que leva ao mundo quase todo. Não reclamou da bola (que Rafael Nadal e Bruno Soares criticaram duramente); constatou, mas não se queixou do calor; evoluiu tecnicamente durante a semana; e fez grandes jogos quando precisou. A final, contra Fabio Fognini, foi menos emocionante do que o público gostaria. Méritos inteiros para Ferrer. Que o fim não esteja tão próximo.

Coisas que eu acho que acho:

– Sempre gosto quando um dos tenistas pouco apreciados conquista algo maior do que um ATP 250. Ferrer pode não ter as armas necessárias para ser número 1 do mundo, mas tira quase sempre o máximo que seu tênis lhe permite. Há quem diga que Ferrer é só um devolvedor. Que sua bola não anda. Aos que acreditam nisso, sugiro que conversem com um dos muitos fãs que viram de pertinho os treinos do espanhol no Rio de Janeiro.

– Sobre a inesperada derrota de Rafael Nadal – porque toda derrota de Nadal no saibro é inesperada -, escreverei em um dos próximos posts.


Mais curtinhas cariocas
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Alexandre Cossenza

O domingo de Carnaval marcou o segundo dia do quali no Rio Open. Com céu nublado, mas ainda com muito calor, o torneio definiu suas chaves e já tem quase todos tenistas treinando nas quadras do Jockey Club carioca. Enquanto preparo umas entrevistas legais para o decorrer da semana, deixo aqui algumas notas curtinhas sobre o que aconteceu de interessante neste domingo.

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– Fabiano de Paula esteve perto de protagonizar o melhor momento do domingo no Jockey Club. Número 281 do mundo, o carioca-nascido-na-Rocinha (parece impossível ler o nome de Fabiano sem uma menção à favela) venceu o primeiro set e esteve a dois pontos (duas vezes) de alcançar a chave principal. No segundo set, sacou para o jogo e foi quebrado. Então foi ao banheiro, passou lá uns bons dez minutos e voltou com a cara de quem não aguentaria mais cinco minutos jogando no calor absurdo do verão carioca. Mas resistiu até o fim e até quebrou o serviço do italiano Marco Cecchinato, que sacou em 6/5. No tie-break do terceiro set, Fabiano teve 5/4, mas Cecchinato ganhou os dois pontos em seu saque e converteu o primeiro match point: 4/6, 7/6(2), 7/6(5).

– Christian Lindell, um dos dois brasileiros na segunda rodada do qualifying do Rio Open, não estava nada satisfeito com seu tênis na partida contra Facundo Arguello (que venceu por 6/1 e 6/3). Logo depois de ter o serviço quebrado no segundo set, o sueco-carioca-criado-na-Barra-da-Tijuca não parava de dizer para si mesmo frases como “não mereço estar aqui jogando assim” ou “deveria estar jogando future”. Mesmo quando Arguello jogou um game ruim e lhe deu dois break points. Lindell não conseguiu aproveitar as chances de quebra e acabou eliminado.

– Com o fim do Brasil Open, em São Paulo, o Jockey Club Brasileiro vai ganhando mais caras conhecidas. O italiano Fabio Fognini chegou desfilando simpatia – é sério. À vontade nas instalações do torneio, posou para fotos e deu autógrafos de montão aos sócios do clube (que têm acesso privilegiado e circulam livremente pela área interna do torneio, onde jogadores e jornalistas também caminham).

– Quem também chegou foi Marcelo Melo, depois de pagar R$ 700 na passagem aérea São Paulo-Rio só de ida. Enquanto Bruno Soares e Alexander Peya batiam bola na quadra 1, o Girafa fazia seu primeiro treino na Cidade Maravilhosa com muito vento e ameaça de chuva (que caiu muito forte pouco depois). Sacou, voleou e fez suas costumeiras brincadeiras com o irmão e técnico Daniel Melo.

– Aconteceu no hotel de Rafael Nadal no Rio de Janeiro. Um comentarista de TV estava no saguão quando o ex-número 1 do mundo passou por lá e foi logo assediado por pessoas que pediam fotos. O último desses fãs estava bem ao lado do comentarista. Logo após o clique, Nadal virou-se para o atento (e muito próximo) comentarista e, antes de ir embora perguntou: “foto?” O profissional de TV respondeu sem pensar: “No, gracias.”

– Nadal, aliás, não estava nada satisfeito com seu tênis no treino da manhã, com Tommy Robredo. O cabeça de chave 1 resmungou, esbravejou e, na saída tumultuada, ainda viu uma senhora de 53 anos cair no chão e se machucar. João Victor Araripe estava por perto e relatou o incidente, junto com a simpática reação do tenista.

– O eneacampeão (nove vezes) de Roland Garros estava alegre mesmo na Sapucaí, onde desfilou na Viradouro ao lado de David Ferrer e Gustavo Kuerten. O diretor do torneio, Lui Carvalho, também caiu na folia. Colocar dois tenistas sisudões no Carnaval carioca foi uma inteligente ação da organização do torneio.

– Os melhores e mais interessantes jogos de primeira rodada ficaram quase todos para terça-feira (ou quarta?). Nadal x Bellucci, Teliana x Errani, Almagro x Cuevas, Feijão x Arguello, Giraldo x Mónaco… Nenhum desses será no primeiro dia do Rio Open. Nesta segunda, os destaques da programação ficam por conta de Robredo x Ymer e De Bakker x Clezar. São as duas partidas da rodada noturna. De dia, nas quadras menores, vale conferir as duplas. Tem Almagro/Fognini x Barlocq/Mayer na Quadra 1, que também recebe Sá/Feijão x Máximo González/Mónaco. A quadra 3 também tem De Paula/Demoliner x Klizan/Oswald. A programação está aqui.


Bernardes, Fognini e o vácuo
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Alexandre Cossenza

Taí algo que não se vê todo dia: um árbitro de cadeira se recusando a cumprimentar um tenista após a partida. Pois aconteceu nesta quarta-feira, no Masters 1.000 de Paris, e envolveu o brasileiro Carlos Bernardes e o conhecido encrenqueiro Fabio Fognini. Antes mesmo do fim da partida, o italiano já vinha reclamando do árbitro. Logo após o match point, derrotado pelo qualifier francês Lucas Pouille (176 do mundo), Fognini seguiu se queixando e, ao estender a mão para Bernardes que, de cara, não correspondeu – em outras palavras, deixou o cidadão no vácuo, com o braço esticado. Só depois de Fognini pedir desculpas é que o brasileiro concordou com o cumprimento.

Mesmo depois do aperto de mãos, o italiano seguiu reclamando de um suposto erro do árbitro quando o placar mostrava 7/7 e argumentando que era uma falha enorme. Fognini ainda afirmou que errou ao ofender do mesmo jeito que o brasileiro errou na partida. Bernerdes retrucou, dizendo “não é a mesma coisa”, e os dois deixaram a quadra juntos, ainda discutindo.


Fognini manda o dedo para a torcida chinesa
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Alexandre Cossenza

Fabio Fognini aprontou mais uma. O italiano, conhecido por reclamar com árbitros, adversários e consigo mesmo, desta vez descontou a raiva no público chinês. Depois de surpreendente ser eliminado do Masters de Xangai pelo desconhecido Chuhan Wang, número 553 do mundo, Fognini mandou o dedo médio para a torcida. Veja no finzinho do vídeo abaixo.

Há quem diga também que Fognini deu uma cotovelada no adversário logo depois de cumprimentá-lo. Não me pareceu o caso. No entanto, o vídeo está aí para quem quiser ver. (editado às 13h15min desta quarta-feira) A ATP multou Fognini em US$ 2 mil. Apenas a título de curiosidade, o italiano embolsou mais de US$ 14 mil pela participação no evento.